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Cuidados Gerais ao RN

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de Informações para a Saúde. 
Indicadores de mortalidade: IDB 2008. Brasília: RIPSA, 2008. Disponível em: <http://
tabnet.datasus.gov.br/cgi/idb2008/c01b.htm>. Acesso em: 20 set. 2010.
19. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA [SVS/MS CBCD]. A declaração de 
óbito: documento necessário e importante. Brasília, 2007.
20. BRASIL. Ministério da Saúde. Agenda de compromissos para a saúde integral 
da criança e a redução da mortalidade infantil. Brasília, 2004.
21. BRASIL. Lei n° 11.634, 27 de dezembro de 2007. Dispõe sobre o direito da gestante ao 
conhecimento e a vinculação à maternidade onde receberá assistência no âmbito do Sistema 
Único de Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 dez. 2007. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11634.htm>. Acesso em: 26 out. 2010.
22. BRASIL. Lei n° 11.108, de 7 de abril de 2005. Assegura a toda gestante o direito à presença de 
acompanhante nos hospitais públicos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 abril 2005. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11108.htm>. Acesso em: 23 set. 2010.
23. FREITAS, P. F. et al. Social inequalities in cesarean section rates in primiparal, 
Southern Brazil. Revista de saúde pública, São Paulo, v. 39, p. 761-767, 2005.
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Cuidados na
Hora do Nascimento 2
No Brasil, nascem cerca de 3 milhões de crianças ao ano, das quais 98% em hospitais.1 Sabe-
-se que a maioria delas nasce com boa vitalidade; entretanto, manobras de reanimação po-
dem ser necessárias de maneira inesperada. São essenciais o conhecimento e a habilidade 
em reanimação neonatal para todos os profissionais que atendem RN em sala de parto, 
mesmo quando se esperam crianças hígidas sem hipóxia ou asfixia ao nascer.
O risco de haver necessidade de procedimentos de reanimação é maior quanto menor a 
idade gestacional e/ou o peso ao nascer.
Necessidade de reanimação ao nascimento:2 
•	 Ventilação com pressão positiva: 1 em cada 10 RNs.
•	 Intubação e/ou massagem cardíaca: 1 em cada 100 RNs.
•	 Intubação, massagem e/ou medicações: 1 em cada 1.000 RNs, 
desde que a ventilação seja aplicada adequadamente.
Em RNs prematuros:3,4
•	 Nascidos com menos de 1.500g: 2 em cada 3 RNs.
•	 Idade gestacional de 34 a 36 semanas: 2 em cada 10 RNs.
O parto cesáreo, realizado entre 37 e 39 semanas de gestação, mesmo não havendo fatores 
de risco antenatais para asfixia, também eleva o risco de necessidade de ventilação do RN.5 
Assim, estima-se que no Brasil, a cada ano, 300 mil crianças requeiram ajuda para iniciar e 
manter a respiração ao nascer e cerca de 25 mil RNs prematuros de muito baixo peso pre-
cisem de assistência ventilatória na sala de parto. 
As práticas atuais de reanimação em sala de parto baseiam-se nas diretrizes publicadas pelo 
International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR),6 que são elaborados por especia-
listas de vários países, e pela Associação Americana de Cardiologia e Academia Americana 
de Pediatria,7 em 2010, e adotadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 2011.8 A cada 
cinco anos, após processo de revisão baseada nas melhores evidências cientificas disponí-
veis, são elaborados consensos sobre os assuntos controversos e recomendações referentes 
a diversos aspectos da reanimação neonatal.
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Ministério da saúde
As diretrizes são apenas orientações gerais para os cuidados ao RN na 
sala de parto, existindo ainda muitas controvérsias relacionadas aos 
procedimentos e aos aspectos éticos da reanimação neonatal.
2.1 Preparo para a assistência 
O preparo para atender o RN na sala de parto inclui necessariamente: 
•	Realização de anamnese materna. 
•	Disponibilidade do material para atendimento. 
•	Presença de equipe treinada em reanimação neonatal.
2.1.1 Anamnese materna 
As condições perinatais descritas no Quadro 2 estão associadas ao maior risco de neces-
sidade de reanimação.
Quadro 2 – Condições perinatais associadas à necessidade de reanimação neonatal8 
Fatores antenatais
•	Idade <16 anos ou >35 anos •	Ausência de cuidado pré-natal
•	Diabetes •	Rotura prematura das membranas
•	Hipertensão específica da gestação •	Pós-maturidade
•	Hipertensão crônica •	Gestação múltipla
•	Anemia fetal ou aloimunização •	Discrepância entre idade gestacional e peso ao nascer
•	Óbito fetal ou neonatal anterior •	Diminuição da atividade fetal 
•	Sangramento no 2o ou 3o trimestre •	Uso de drogas ilícitas
•	Infecção materna •	Malformação ou anomalia fetal
•	Doença materna cardíaca, renal, 
tireoidiana ou neurológica
•	Uso de medicações (por exemplo, magnésio e bloqueadores 
adrenérgicos)
•	Polidrâmnio ou oligoâmnio •	Hidropsia fetal
Fatores relacionados ao parto
•	Cesariana de emergência •	Bradicardia fetal
•	Uso de fórceps ou extração a vácuo •	Padrão anormal de frequência cardíaca fetal
•	Apresentação não cefálica •	Anestesia geral
•	Trabalho de parto prematuro •	Tetania uterina
•	Parto taquitócico •	Líquido amniótico meconial
•	Corioamnionite •	Prolapso de cordão
•	Rotura prolongada de membranas 
(>18 horas antes do parto)
•	Uso materno de opioides nas 4 horas que 
antecedem o parto
•	Trabalho de parto prolongado 
(>24 horas)
•	Segundo estágio do trabalho de parto 
prolongado (>2 horas)
•	Placenta prévia •	Descolamento prematuro da placenta 
•	Macrossomia fetal •	Sangramento intraparto abundante
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Cuidados na Hora do Nascimento 2 Capítulo
2.1.2 Material para atendimento
Todo material necessário para reanimação deve ser preparado, testado e estar disponível, 
em local de fácil acesso, antes do nascimento. Esse material é destinado à manutenção da 
temperatura, aspiração de vias aéreas, ventilação e administração de medicações. O Quadro 
3 apresenta os materiais apropriados para a assistência ao RN na sala de parto. 
A temperatura ambiente na sala de parto deve ser, no mínimo, de 260C para que se mante-
nha com maior facilidade a temperatura corpórea normal do RN.6-8
2.1.3 Equipe treinada em reanimação neonatal
Considerando-se a frequência elevada da necessidade de realização de algum procedimen-
to de reanimação no RN e a rapidez com que tais manobras devem ser iniciadas, é funda-
mental que pelo menos um profissional capaz de iniciar de forma adequada a reanimação 
neonatal esteja presente durante todo o parto. 
Quando se antecipa o nascimento de um concepto de alto risco, podem ser 
necessários dois a três profissionais treinados e capacitados para reanimar o 
RN de maneira rápida e efetiva.
Os auxiliares atuarão junto ao médico, e este deve dedicar-se exclusivamente ao RN. No caso 
do nascimento de gemelares, deve-se dispor de material e equipe próprios para cada criança.
Para a recepção do RN devem-se utilizar as precauções-padrão, que compreendem lava-
gem/higienização correta das mãos e uso de luvas, avental impermeável, máscara e prote-
ção facial para evitar contaminação do profissional com material biológico do RN.10
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Ministério da saúde
Quadro 3 – Material necessário para assistência ao RN na sala de parto8,9
Sala de parto e/ou de reanimação com temperatura ambiente de 26°C e: 
•	Mesa de reanimação com acesso por três lados 
•	Fonte de calor radiante 
•	Fontes de oxigênio umidificado e de ar comprimido, com fluxômetros
•	Aspirador a vácuo com manômetro 
•	Relógio de parede com ponteiro de segundos 
•	Termômetro digital para mensuração da temperatura ambiente
Material para aspiração
•	Sondas: traqueais nos 6, 8 e 10 
•	Sondas gástricas curtas nos 6 e 8
•	Dispositivo para aspiração de mecônio
•	Seringa de 20mL
Material para ventilação
•	Reanimador