Fundamentos de Gestão, Aula 6
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Fundamentos de Gestão, Aula 6

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CCDD \u2013 Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1 
 
 
 
 
 
 
Fundamentos da Gestão 
 
 
Aula 6 
 
 
 
Profa. Claudia De Stefani 
 
 
 
CCDD \u2013 Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2 
 
Conversa Inicial 
Mudanças impactam nossas vidas em todos os campos e áreas do 
conhecimento, tanto no âmbito social quanto nos âmbitos tecnológico e 
filosófico. Assim também acontece com as organizações. Como já 
mencionamos, a análise do cenário no qual a empresa está inserida, as inter-
relações entre parceiros, clientes internos e externos e o mercado são objetos 
de atenção constante dos gestores. Todos esses elementos produzem no seu 
inter-relacionamento uma gama enorme de dados ou mesmo de informações 
que necessitam ser processadas adequadamente. Para cada situação também 
estratégias devem ser traçadas. 
Também já tratamos da teoria da contingência que privilegia o ambiente 
organizacional e as relações com o meio. Avançando um pouco mais no 
conteúdo, vamos, nesta aula, tratar do indivíduo dentro da empresa cujo foco é 
o conhecimento adquirido e transmitido. Zabot (2002) afirma que, na economia 
da sociedade globalizada, o grande diferencial competitivo das empresas e dos 
países deixou de ser a mão de obra barata e os recursos naturais para centrar-
se na capacidade de gerar conhecimento e produzir inovação. A partir de então, 
entende-se por conhecimento a informação interpretada, ou seja, o que cada 
dado assimilado significa e quais são seus impactos nos ambientes interno e 
externo. 
O indivíduo, com seus conhecimentos e competências, está inserido no 
contexto organizacional e deve apresentar resultados compatíveis com os 
objetivos, metas e estratégias da instituição. A partir dos anos 1990, os estudos 
organizacionais evoluíram para a compreensão de aspectos que valorizam o 
indivíduo e suas competências e passaram a privilegiar ações que compartilham 
o conhecimento \u2013 questões que embasam o conceito de empresas que 
aprendem. 
Em linhas gerais, o conteúdo desta aula aborda essas novas tendências 
no rumo dos estudos dos recursos humanos nas organizações. Fixe sua atenção 
 
 
 
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aos aspectos teóricos apresentados relacione-os à sua experiência pessoal e 
profissional. 
O primeiro tema a ser abordado apresenta o conceito de competência e 
sua aplicabilidade. Em seguida, abordaremos a gestão por competência e o que 
envolve o trabalhador do conhecimento (conceito introduzido por Peter Drucker). 
A partir disso, é possível compreender o que envolve a aprendizagem 
organizacional, que será explorada no texto do tema 3, base para o 
entendimento do assunto seguinte: empresas que aprendem. Por último, vamos 
abordar o que envolve a gestão por competências, a gestão do conhecimento e 
as tendências para o futuro. 
Bons estudos! 
Contextualizando 
Como as empresas podem gerar vantagem competitiva a partir do 
contexto da gestão por competências e gestão do conhecimento? 
Tema 1: Competências: conceitos e aplicações 
O início do debate sobre competências é datado de 1973, conforme 
relatam Fleury e Fleury (2000), quando o psicólogo David McClelland publicou 
um trabalho afirmando que competência é uma característica dos indivíduos e 
está relacionada com a alta performance na realização de uma tarefa ou solução 
de um problema. Na década seguinte, o teórico Richard Boyatzis, ao estudar 
competências gerenciais, identificou um conjunto de características que levam a 
desempenhos superiores (Fleury; Fleury, 2000). 
Para melhor entendimento, vamos, primeiramente, abordar o conceito 
puro e simples da palavra competência para, posteriormente, contextualizá-lo ao 
âmbito organizacional. 
De acordo com Brandão e Guimarães (1999), no final da Idade Média, a 
palavra competência era basicamente utilizada na linguagem jurídica e fazia 
alusão à aptidão das pessoas ou instituições para julgar e apreciar certas 
questões. O Dicionário Houaiss também remete à área jurídica o conceito de 
 
 
 
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competência, porém não se limita a ela. De acordo com Houaiss e Villar (2009), 
competência é 
1. Rubrica: termo jurídico. aptidão de uma autoridade pública de efetuar 
determinados atos [...] 1.1. qualidade legítima de jurisdição ou autoridade, 
conferidas a um juiz ou a um tribunal, para conhecer e julgar certo feito submetido 
à sua deliberação dentro de determinada circunscrição judiciária [...] 1.2. poder 
detido por um indivíduo, em razão do seu cargo ou função, de praticar atos próprios 
deste ou desta. 2. Derivação: por extensão de sentido. atribuição, alçada, conta... 
capacidade que um indivíduo possui de expressar um juízo de valor sobre algo a 
respeito de que é versado; idoneidade [...] soma de conhecimentos ou de 
habilidades [...] 5. Derivação: sentido figurado. Uso: informal. Indivíduo de grande 
autoridade num ramo do saber ou do fazer; notabilidade [...] 8. Rubrica: gramática 
generativa. O saber linguístico inconsciente do indivíduo, graças ao qual ele é capaz 
de construir, reconhecer e compreender frases gramaticais em sua língua, mesmo 
as nunca ouvidas antes; gramática internalizada [...] 10. Rubrica: psicologia. 
Capacidade objetiva de um indivíduo para resolver problemas, realizar atos 
definidos e circunscritos. 
Porém, alguns autores ampliam esse conceito e o relacionam aos saberes 
individuais. Para Perrenoud (2000), competência é a rápida e assertiva 
mobilização de múltiplos recursos cognitivos do ser humano usados na 
resolução de problemas de diversas naturezas. Esses recursos cognitivos são 
os oriundos da experiência de cada pessoa e dizem respeito a raciocínio, 
valores, atitudes, informações, habilidades e inteligências dos indivíduos. 
Os trabalhos de McClelland e Boyatzis embasaram a definição que é 
comumente utilizada para o termo competência pelos profissionais de recursos 
humanos: 
conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes que afetam a maior parte do 
trabalho de uma pessoa, [sic] e que se relacionam com o desempenho no trabalho; 
a competência pode ser mensurada, quando comparada com padrões 
estabelecidos e desenvolvida através do treinamento (Parry, 1996, p. 196) 
Fleury e Fleury (2000, p. 67) afirmam que o termo competência pode ser 
sintetizado como um saber agir com responsabilidade, que implica \u201cmobilizar, 
integrar e transferir conhecimentos, recursos e habilidades para agregar valor 
econômico à organização e valor social ao indivíduo\u201d. No Quadro 1.1, 
apresentamos a definição de Fleury e Fleury (2001) a respeito dos verbos 
relacionados a esse conceito. 
 
 
 
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Quadro 1.1 \u2013 Competências do profissional 
Saber agir Saber o que e por que faz. 
Saber julgar, escolher, decidir. 
Saber 
mobilizar recursos 
Criar sinergia e mobilizar recursos e competências. 
Saber 
comunicar 
Compreender, trabalhar, transmitir informações, 
conhecimentos. 
Saber 
aprender 
Trabalhar o conhecimento e a experiência, rever 
modelos mentais; saber se desenvolver. 
Saber se 
engajar e se 
comprometer 
Saber empreender, assumir riscos. Comprometer-se. 
Saber 
assumir 
responsabilidades 
Ser responsável, assumindo os riscos e consequências 
de suas ações e sendo por isso reconhecido. 
Ter visão 
estratégica 
Conhecer e entender o negócio da organização, o seu 
ambiente, identificando oportunidades,