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Estado de bem-estar social ou Walfare State O Walfare State é como ficou conhecido o Estado de bem-estar social, uma visão de que o Estado deve buscar o bem-estar coletivo, com a gestão pública exercendo o seu papel. Esse modelo de Estado surgiu após a Segunda Guerra Mundial, oriundo de forte influência dos sindicatos na vida social, defendendo investimento do Estado no bem-estar coletivo, o que significa que, ao contrário do que propõe o liberalismo econômico, o Estado não deve ser mínimo. De início, o modelo não estava ancorado na ideia de coletividade, mas na proteção dos lucros dos grandes empreendimentos capitalistas. Nos anos de 1930 e 1940, especificamente nos Estados Unidos, a situação se modificou, com a implementação, pelo presidente Franklin Delano Roosevelt, do Novo Acordo, chamado de New Deal, uma estratégia de recuperação que fez crescer a economia do Estado. O Novo Acordo foi em resposta à crise de 1929 e teve inspiração nas ideias de John Maynard Keynes (1883–1946), por muitos considerado o maior economista do século XX. Rompendo com os dogmas liberais, Keynes fala que os momentos de grande crise econômica pressupõem uma maior atuação do Estado, que deve funcionar como indutor do desenvolvimento econômico. Segundo a visão de Keynes, colocada em prática no New Deal, uma simples atividade de "abrir buracos" ajuda a recuperar o nível de atividade econômica. Observe o esquema abaixo: O esquema mostra que o ciclo de prosperidade econômica se realimenta, com a indução do Estado, em momentos de crises econômicas — uma visão completamente oposta da liberal. Portanto, ao gerar empregos, a política econômica keynesiana caminha no sentido do bem-estar coletivo. Nesse momento, a visão do Welfare State é inaugurada. Para Castro e Castro (2014), o Walfare State é uma resposta ao modelo liberal( Modelo liberal: é um movimento com pouca atuação do Estado no domínio econômico e, consequentemente, uma atuação pública tímida.), em que preconiza algumas atitudes. São elas: ampla liberdade individual, modelo de democracia representativa nos poderes executivo, legislativo e judiciário. Walfare State no pós-Segunda Guerra Mundial O modelo do Walfare State cresceria em importância, espraiando-se para a Europa do pós-Segunda Guerra Mundial. E, nessa nova roupagem, ganharia um cunho mais social, transcendendo os aspectos econômicos. Isso gera uma reflexão ampliada, com uma nova agenda de políticas públicas voltada para a redução da exclusão e das desigualdades sociais (CASTRO; CASTRO, 2014, p. 51-52). No pós-Segunda Guerra Mundial, muitos países europeus aderiram ao movimento, o que fica associado a uma corrente política denominada social-democracia. A Suécia é o país mais associado ao modelo, que é profundamente baseado na criação de instrumentos de universalização da educação, da saúde, das garantias salariais, da previdência, do seguro-desemprego e dos programas de assistência. Muito embora o Welfare State seja mais associado ao modelo político social-democrata, algumas de suas ideias podem ser utilizadas em regimes conservador-corporativos ou em regimes liberais. Crise do Estado Walfare State No final dos anos 1970, o Welfare State entrou em crise. Investir em bem-estar coletivo requer altas somas financeiras, e alguns Estados tinham gastos excessivos devido a esse fato. Grandes líderes políticos, como a primeira-ministra inglesa Margareth Thatcher, argumentaram que pagar muitos impostos significava "menos comida na mesa do trabalhador". Assim, uma alternativa para conter a expansão dos gastos públicos, com os cidadãos pagando menos impostos, seria a redução dos mecanismos de Welfare State, e consequentemente, menor escopo da atuação pública. Essa visão, defendida por Margareth Thatcher, foi corroborada pelo então presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, nos anos 1980. O advento da globalização, a partir da segunda metade dos anos 1980, também cumpre papel importante para o enfraquecimento do Welfare State, uma vez que países em que há uma alta carga tributária — necessária para prover os gastos públicos típicos do Welfare State — têm sua produção encarecida, dificultando a comercialização de produtos e serviços para o estrangeiro. Mas, como a história é cíclica, no início do século XXI, o modelo Welfare State é requisitado em muitos países em que a desigualdade social impera. Assim, reestabelecer esse modelo, ou estabelecê-lo aonde não houve, é um requisito de sociedades desassistidas. E o Welfare State no Brasil? Não foi implementado a contento (a despeito do que aconteceu no país entre 2003 e 2012), pois temos uma sociedade bastante desigual. Decerto, a interferência do Estado no domínio econômico — a negação do modelo liberal — é algo que se viu em nosso país ao longo da metade do século XX. No entanto, não representou investimento significativo no bem-estar da coletividade. Já no século XXI, podemos observar melhorias nesse cenário. Tímidas, mas há. Obviamente, isso trouxe impacto no modelo de gestão pública. A grosso modo, pode-se dizer que, no modelo Welfare State, há uma atuação incisiva do Estado para mitigar as desigualdades sociais. E isso se faz por meio da intensificação e do aperfeiçoamento dos serviços públicos. Portanto, nesse modelo, mais do que no modelo liberal, a gestão pública cumpre papel estratégico para o desenvolvimento social. Reforma do Estado Independente da presença do Welfare State, a reforma do Estado se coloca de forma importante na sociedade das diversas nações. De forma didática, podemos apresentar da seguinte forma. O setor público é responsável pela oferta de serviços públicos. → Para que esses serviços sejam prestados, é preciso ter recursos financeiros. → Esses recursos financeiros são obtidos a partir do pagamento de impostos pelos contribuintes. ↓ Para evitar o desperdício, o Estado precisa rever o seu escopo de atuação, e a gestão pública deve adaptar-se a isso. ← Consequentemente, se os recursos financeiros são mal aplicados, o dinheiro dos contribuintes será desperdiçado. Em momentos de crise, a necessidade de se reformar o Estado torna-se mais urgente, não importando a diretriz política, se a economia do governo é liberal ou se é social-democrata. Porém, em cada uma, a forma de entender o papel da reforma do Estado é diferente. Veja a diferença logo abaixo: Modelo liberal – A perspectiva é reformar o Estado no sentido de reduzir gastos, para que os contribuintes paguem menos impostos. Modelo socio democrata - A perspectiva é reformar o Estado no sentido de que os gastos, estáveis ou crescentes, sejam melhor aplicados em políticas públicas relevantes. A perspectiva é reformar o Estado no sentido de que os gastos, estáveis ou crescentes, sejam melhor aplicados em políticas públicas relevantes. A perspectiva é reformar o Estado no sentido de que os gastos, estáveis ou crescentes, sejam melhor aplicados em políticas públicas relevantes. Nos anos 1980, principalmente na segunda metade, a reforma do Estado teve maior importância devido a alguns fatores. São eles: FATORES INTERNOS ↙ ↘ Esgotamento da industrialização por substituição de importações. Desgaste das instituições políticas. FATORES EXTERNOS ↙ ↘ Crise do petróleo. Efeitos da Revolução Industrial e da globalização. E, no final de 1980, os problemas do setor público e a crise de governabilidade refletiam-se em fatos específicos. Crise fiscal. Ineficiência do setor público. Ineficiência do poder público. *Substituição de importações é um modelo econômico no qual determinado país opta por um esforço industrial de elaborar determinados produtos, em vez de importá-los. O modelo de substituição de importações, no Brasil, teve, em Celso Furtado, por muitos considerado o maior economista brasileiro, o seu maior idealizador. Modelos de gestão pública Ao longo do tempo, três modelos de gestão pública podem ser considerados. São eles:Patrimonialista - Nesse modelo, o público é utilizado para finalidades privadas. Historicamente, o modelo de gestão pública brasileiro tem sido patrimonialista. Embora, desde o século XX, modelos mais modernos tenham ganhado importância, a visão patrimonialista ainda é fortemente arraigada em nossa sociedade. Burocrático - Nesse modelo, ideias de burocracia são inseridas para dar racionalidade à gestão pública. Ao longo de três quintos do século XX, o modelo de gestão no Estado foi o modelo burocrático. Esse modelo também é chamado de weberiano, uma vez que o seu idealizador foi o sociólogo alemão Max Weber, adepto da visão racional-legal, decorrente do modelo. Max Weber definia três tipos de dominação que um líder pode exercer sobre determinada comunidade: - tradicional, baseada em um poder relacionado à determinada família com forte influência; - carismática, baseada no poder de convencimento do líder; - racional/legal/burocrática, baseada na racionalidade. Para Weber, o último tipo citado é considerado o ideal. A partir da adoção do modelo burocrático, este é dotado de três características fundamentais: a formalidade, a impessoalidade e o profissionalismo. Leonardo Secchi demonstra que a adoção do modelo burocrático, ou weberiano, favorece a implantação da eficiência das organizações públicas. Contudo, imperfeições do modelo burocrático levaram-no a se tornar superado ao longo do tempo. A esse respeito, Robert Merton retratou suas imperfeições, dentre as quais as resistências às mudanças, o desvirtuamento de objetivos provocado pela obediência acrítica às normas e o abuso da senioridade como critério de promoção funcional (SECCHI, 2009, p. 352-353). Gerencial - Nesse modelo, o foco são as práticas voltadas para resultados aos cidadãos. A superação do modelo burocrático nos leva à Reforma do Estado dos anos 1980, com a visão burocrática sendo substituída por uma visão gerencial (SECCHI, 2009, p. 353). Sobre a administração pública gerencial, foi um modelo que, ao buscar a superação do modelo burocrático, privilegiou os valores da eficiência, eficácia e competitividade. O Canadá, países do norte da Europa e da Oceania aderiram a essa visão no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 (SECCHI, 2009, p. 354). No Brasil, a mudança do modelo burocrático para o modelo gerencial foi implantada pelo ministro da Administração Pública e Reforma do Estado, Luiz Carlos Bresser-Pereira, ao longo dos mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso. As prescrições operativas da administração pública gerencial são (SECCHI, 2009, p. 355): desagregação do serviço público em unidades especializadas e centros de custos; competição entre organizações públicas e entre organizações públicas e privadas; uso de práticas de gestão provenientes da administração privada; atenção à disciplina e parcimônia; administradores empreendedores, com autonomia para decidir; avaliação de desempenho; e avaliação centrada nos outputs. Realidade contemporânea A reforma do Estado e reforma da administração pública são conceitos que caminham juntos. As reformas desejadas incorporam alguns princípios do modelo burocrático, mas, em uma perspectiva mais atualizada, incorporam mais ainda princípios da administração pública gerencial. Princípios como eficiência, flexibilidade e accontability são imprescindíveis. Quando se encara a reforma do Estado sobre uma perspectiva mais liberal, os instrumentos citados estão a serviço da redução dos gastos públicos, com redução das tributações. E, quando se encara a reforma do Estado sobre uma perspectiva mais social-democrata, adepta do Welfare State, os instrumentos citados estão a serviço da melhor qualidade do gasto público, gerando benefícios maiores para a coletividade. Portanto, seja para qual linha política se empregar, a reforma do Estado é uma necessidade vital. E, no final de 1980, os problemas do setor público e a crise de governabilidade refletiam-se em fatos específicos. Da Colônia à República Velha Anteriormente ao governo Vargas, implantado em 1930, a gestão pública no Brasil era primária e incipiente. No período da colonização, seguia-se o modelo denominado Patrimonialismo ( é a prática de distribuição de cargos baseada em troca de favores e em afeição. É um modelo social em que os bens públicos são utilizados para finalidades privadas. Segundo José Cláudio dos Santos Junior, esse modelo de gestão pública, típico do Brasil Colônia, ainda é presente nos dias atuais, existindo um “capitalismo protegido” privatista na propriedade e semiestatal na gestão. ) Quando da transferência da família real portuguesa ao Brasil (1808–1821), houve considerável ampliação da gestão pública em nosso país, mas sob a égide da burocracia (no sentido pejorativo do termo), do patrimonialismo, da distribuição de cargos e da centralização de poder. Portanto, o país se encontrava em um quadro em que a gestão pública era insuficiente e desvirtuada. No Brasil Império, os assuntos de ordem pública continuavam, inequivocamente, relegados ao segundo plano. Era uma época em que a visão econômica liberal prevalecia no Brasil. Entenda-se como liberalismo o respeito às liberdades individuais, no plano político, e, no plano econômico, o respeito ao direito de propriedade privada e o incentivo ao livre comércio. O liberalismo era assimilado pelas nossas elites muito mais no plano econômico do que no político. O que se percebe, claramente, é que as ações de gestão pública do Brasil Império foram tímidas e pontuais, não existindo uma visão de promoção da gestão pública de forma profissionalizada. hegamos ao período da República Velha, ou República Oligárquica (1889–1930). A Constituição de 1891, a primeira da Era Republicana, trouxe novidades (OLIVEIRA, 2012, p. 67): “Essa primeira constituição republicana acabou com as exigências de renda para votar e ser votado, bem como estabeleceu o voto universal para todos os cidadãos adultos, embora excluísse as mulheres, os analfabetos, os militares de baixa patente e membros do clero. A constituição também instituiu o regime federativo, a separação entre Igreja e Estado, dentre outros temas relevantes. Tais características eram resultado das pressões e das demandas dos grupos politicamente influentes na conjuntura que antecedeu a queda da monarquia.” No plano político, é notável a influência dos oligarcas paulistas e mineiros na República Velha. Com efeito, eles exerciam poder a tal ponto que os próprios presidentes da República da época eram, majoritariamente, paulistas e mineiros. O fenômeno ficou conhecido como "política do café-com-leite", uma vez que os oligarcas paulistas eram grandes produtores de café, e os oligarcas mineiros, grandes produtores de leite. O modelo dos oligarcas, ou coronéis, negava benefícios à população mais pobre. O Welfare State não se encontrava no horizonte da gestão pública brasileira. Como se vê, havia um modelo próximo ao feudal. A gestão pública da época estava submetida a um pacto entre elites oligárquicas. As fraudes eleitorais e o uso da violência estavam a serviço desse modus operandi. O que era comum, na República Velha, era a utilização do aparato público para prover interesses dos oligarcas — um modelo em que a gestão pública não é voltada para o público, mas para as elites econômicas. A política do encilhamento era um mecanismo em que os governos proviam recursos para fazendeiros endividados, como garantia de que os bancos receberiam o que foi combinado pelo pagamento de suas dívidas. A República Velha entrou em crise, pressionada pela disputa entre as oligarquias dominantes — São Paulo e Minas Gerais — e as oligarquias periféricas — do Sul e do Nordeste. Esse fato, juntamente com a “queda” da bolsa de valores de Nova York, em 1929, viria a determinar o fim da República Velha. Portanto, antes de 1930, a gestão pública era disforme, patrimonialista e voltada para as elites econômicas. Período de 1930 a 1955 Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930, finalmente o Welfare Sate começou a norteara atuação do Estado e da gestão pública no Brasil. A criação de leis, normas, empresas e instituições públicas voltadas para a retomada econômica e a superação da Crise de 1929 caracterizam a adoção de políticas anticíclicas inspiradas no keynesianismo, da implantação do Estado de bem-estar social e do projeto nacional-desenvolvimentista. O aspecto fundamental do projeto nacional-desenvolvimentista era a forte presença do poder público nas atividades econômicas, visando ao desenvolvimento, com forte inserção social, notadamente em relação aos direitos trabalhistas. Pela primeira vez, a gestão pública era voltada para a coletividade no Brasil. O resultado disso é que, no período mencionado, o Brasil começa a mudar seu perfil econômico. País agrário/exportador → Nação industrializada Ao longo do governo Vargas, a gestão pública começa a ser objeto de maior atenção, pois o modelo patrimonialista começa a ser substituído pelo modelo burocrático, ou weberiano, baseado na racionalidade. Começam a surgir as carreiras burocráticas e a utilização dos concursos públicos para selecionar os servidores. Em 1936, acontece o grande "divisor de águas" da gestão pública brasileira: é criado o Departamento de Administração do Setor Público – DASP, resultando em intensiva modernização da gestão pública. A implantação do concurso público, os planos de classificação de cargos, os salários definidos por meio do sistema de mérito e a elaboração de políticas de treinamento e aperfeiçoamento dos funcionários públicos, assim como a criação do Estatuto do Funcionário Público, em 1939, e a criação do Ministério do Trabalho e do Ministério da Indústria e Comércio, são decorrências do novo modelo de Estado e da gestão pública, que tanto incentivava a industrialização como provia mecanismo de bem-estar social. Os três principais objetivos do DASP são: 1 Centralizar e reorganizar a administração pública mediante ampla reforma. 2 Definir políticas para a gestão de pessoal. 3 Racionalizar métodos, procedimentos e processos administrativos em geral. As iniciativas de reforma do Estado e da gestão pública promovidas no primeiro período do governo Vargas (1930–1945) não demoraram a render frutos (OLIVEIRA, 2012, p. 104): “O resultado dessas iniciativas foi uma substancial expansão e aprofundamento da industrialização. Às vésperas do início da Segunda Guerra Mundial (1939), o Brasil já era autossuficiente na produção de bens de consumo não duráveis através de empresas em sua grande maioria de propriedade de empresários nacionais. Também estava prestes a iniciar o processo de implantação das indústrias de base, como a energética, a siderúrgica, a petrolífera etc. com base no capital estatal. “ Cabe ressaltar que, apesar dos avanços do primeiro período de Vargas para a gestão pública, duas críticas são pertinentes em relação à época. 1. Sob a ótica da democratização da gestão pública, não se pode dizer que os avanços tenham sido significativos, até por que o próprio presidente Getúlio Vargas representava uma perspectiva autoritária de poder. 2. A adoção de práticas que materializam, pela primeira vez no Brasil, o Welfare State englobaram a classe proletária empregada, mas negaram benefícios aos excluídos do mercado de trabalho. A despeito dos lamentáveis obstáculos, indubitavelmente, nesse período, a prática da gestão pública foi colocada em um patamar diferenciado, relativamente a todos os períodos anteriores. Depois do período do presidente Eurico Gaspar Dutra (1946–1950), irrelevante do ponto de vista da gestão pública, Getúlio Vargas retornou ao poder (1951–1954), dessa vez via eleições. E a gestão pública ganhou ainda mais realce, com a criação de empresas públicas estatais, voltadas para defender o interesse nacional. Período de 1956 aos dias atuais No governo de Juscelino Kubitschek (1956–1961), foram empreendidas algumas ações com a coordenação de órgãos de gestão pública. São elas: Criação e implantação do Plano de Metas, constituindo-se o desenvolvimento agregado de vários setores industriais de ponta (consolidando, assim, a obra de Vargas). Criação da capital federal, Brasília, em 1960, que viria a consolidar toda a administração pública federal nessa cidade. Já nos governos militares, a partir de 1964, houve a Reforma Administrativa, promulgada por meio do Decreto-Lei nº 200/1957, voltada para o planejamento, a coordenação e a descentralização administrativa, a delegação de poderes e o controle. Também sob a égide dos governos militares, há a separação da administração pública em direta e indireta (Sobre a distinção entre a administração direta e indireta, empreendida em 1967, é caracterizada pelos seguintes adventos: autonomia para empresas estatais e autarquias; criação de agências reguladoras; desburocratização do sistema de compras do Estado; fortalecimento do sistema de mérito; descentralização administrativa. O Programa Nacional de Desburocratização foi criado por meio do Decreto nº 83.740, de 18 de julho de 1979, buscando melhorar o atendimento das demandas dos cidadãos. O programa visava à eficiência e à economia de recursos por meio da melhoria dos processos administrativos e a contenção da expansão da administração indireta. Nos anos 1980, as ações são direcionadas para a desestatização, via privatizações de serviços não essenciais, como os de telefonia. ), com a aplicação de princípios de legalidade, moralidade, impessoalidade, razoabilidade, eficiência, economicidade, publicidade, entre outros. Segundo Chiavenato (2008, p. 10), a dita Reforma Administrativa retrata o primeiro momento do modelo gerencial na gestão pública brasileira, colocando em cheque conceitos do modelo burocrático. No governo de Fernando Collor de Mello, há forte recorrência a uma visão de Estado calcada no liberalismo, o chamado movimento neoliberal. Com isso, há um esforço para empreender a redução do escopo de atuação pública, com a privatização de empresas estatais, extinção de órgãos públicos e redução de efetivos no serviço público. Foi no governo do presidente Fernando Collor de Mello que o discurso de redução da atividade estatal, presente no mundo desde o final dos anos 1970, ganhou força no Brasil. Em 1995, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, surgiu o Plano Diretor de Reforma do Aparelho do Estado, que buscava a eficácia e a modernidade estatal, em prol da cidadania e da conduta ética e moralizante por parte dos servidores públicos, visando à justiça, à equidade e ao bem-estar social para a população. O Plano Diretor de Reforma do Aparelho do Estado dividiu o Estado em quatro setores (CASTRO; CASTRO, 2014, p. 37-38 ): 1. Núcleo estratégico do Estado: setor no qual são definidas as leis e políticas públicas. 2. Atividades exclusivas do Estado: delas fazem parte a polícia, as forças armadas e os órgãos de fiscalização e regulamentação (poder de legislar e tributar). 3. Serviços não exclusivos ou competitivos: são os considerados de alta relevância para os direitos humanos ou que envolvem economias externas — âmbito em que o Estado atua com outras organizações públicas não estatais ou privadas, cujas economias produzidas não podem ser transformadas em lucros (exemplo: hospitais, universidades etc.). A transferência dos serviços não exclusivos do Estado, por meio do programa de “publicização”, é voltada ao setor público não estatal, denominado terceiro setor. 4. Produção de bens e serviços para o mercado: é realizada por meio de empresas estatais de economia mista envolvidas nos setores de serviços públicos considerados estratégicos. Complementarmente, constata-se que, devido à Reforma do Estado, várias empresas foram privatizadas. A partir da adoção da administração pública gerencial, houve a necessidade de reformar a estrutura do Estado. O foco passou a ser “descentralizar e delegar autoridade” e, principalmente, definir os setores do Estado e as formas de propriedade e de administração. Evolução da administração pública no Estado brasileiroPara Meirelles (2002, p. 36): São três os elementos originários e indissolúveis que constituem o Estado: (1) o povo, componente humano do Estado; (2) o território, sua base física; e (3) o governo soberano, elemento condutor do Estado que detêm e exerce o poder absoluto de autodeterminação e auto-organização emanada do povo. Em uma retrospectiva histórica da gestão pública brasileira, podemos dizer que a evolução se dá a partir de três modelos: Estado patrimonial, Estado burocrático e Estado gerencial. Abaixo, vamos conhecer as características de cada modelo. Estado: Patrimonial – Na época do Brasil Colônia, prevalecia o modelo patrimonial, que era um modelo normalmente adotado por monarquias absolutistas, em que não há diferenciação do público e do privado e, consequentemente, com propensão à corrupção e ao nepotismo. As características da administração pública patrimonial são: extensão do poder soberano; servidores possuíam status de nobreza real; os cargos públicos eram considerados prebendas; a res publica não era diferenciada da res principis; corrupção/nepotismo (protecionismo/filhotismo/coronelismo). É, portanto, um modelo avesso à democracia republicana. Mesmo com o aniquilamento do Brasil Colônia, e até com a proclamação da República, vícios do modelo patrimonial ainda se encontram presentes em nossa sociedade. Burocrático – O modelo burocrático, ou weberiano, tem caráter racional e legal — racional, por ser baseado em objetivos, e legal por ser amparado em "leis", como as regras e regulamentações. Para Matias-Pereira (2006, p. 44), o termo burocracia vem do francês bureau e cratie e significa a administração da coisa pública por funcionário sujeito à hierarquia, a regulamentos rígidos e a uma rotina inflexível. A existência de um staff administrativo burocrático no Brasil se deu nos anos 1930, com a criação do DASP. As características da administração burocrática são: apoia-se na noção geral de interesse público; garante cumprimento de responsabilidade; obedece às regras e aos procedimentos; opera sistemas administrativos; concentra-se no processo; é autorreferente; define procedimentos para contratação de pessoal, compra de bens e serviços; satisfaz às demandas dos cidadãos; controla procedimentos; define cargos; tem alta especialização. Portanto, se o modelo burocrático de gestão pública, que teve no primeiro governo de Getúlio Vargas seu momento de desenvolvimento, representava uma evolução em relação ao modelo patrimonialista, pecava em ter foco para dentro das organizações públicas, e não na sociedade à qual atende. E os elementos para a superação do modelo burocrático estavam em estado latente. Gerencial – A implantação, na gestão pública, de um modelo gerencial vem evoluindo desde os anos 1960, tendo seu momento mais marcante na Reforma Administrativa implantada em 1995 pelo ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, na presidência de Fernando Henrique Cardoso. Esse modelo é uma resposta à necessidade de ampliação da atuação do Estado, que passa a ser um Estado social, com a incorporação de demandas como educação e saúde. As características do modelo gerencial são: procura obter resultados valorizados pelos cidadãos; gera accountability (transparência e responsabilização); compreende e aplica normas; identifica e resolve problemas e melhora continuamente os processos; separa serviços e controle; cria apoio para normas; amplia a escolha de usuário; encoraja ação coletiva; cria incentivos; define, mede e analisa resultados; orienta-se para resultados; foca o cidadão; luta contra o nepotismo e a corrupção; evita adotar procedimentos rígidos; define indicadores de desempenho, utiliza contratos de gestão; é multifuncional e flexibiliza as relações de trabalho. Com a evolução do modelo de gestão pública brasileiro, da perspectiva patrimonialista para a perspectiva burocrática e da perspectiva burocrática para a perspectiva gerencial, o Estado brasileiro e a gestão pública brasileira têm falhado em sua tarefa de prover o bem-estar coletivo. Os instrumentos de Welfare State implantados desde os anos 1930 foram poupados, restritos, insuficientes para lidar com as grandes demandas da população excluída. Apesar desse quadro desolador ter sido parcialmente revertido na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2010), os níveis de exclusão social ainda são significativos, e o Estado e a gestão pública não têm dado, totalmente, conta das imensas dificuldades constatadas. A visão neoliberal O movimento econômico denominado neoliberal é herdeiro do modelo econômico chamado de liberal. Segundo Castro e Castro (2014): Doutrina político-econômica que se estruturou no final da década de 1930, o neoliberalismo é o termo que, atualmente, vem sendo utilizado para designar o término do intervencionismo do Estado, a privatização das empresas estatais e de alguns serviços públicos, a livre atuação das forças de mercado, a abertura da economia mundial e a sua integração. O movimento liberal, predominante ao longo do século XIX e início do século XX, perdeu a predominância com o advento do Welfare State, no período pós-Crise de 1929. Já no final dos anos 1970, o movimento liberal, rebatizado de neoliberalismo, voltou com força total. Devido à crise fiscal dos Estados e, posteriormente, à globalização dos mercados, o discurso da pouca intervenção estatal é recuperado. O intelectual que inspirou a nova onda liberal, denominada neoliberalismo, foi Friedrich Hayek (1899–1992). Sua ideologia preconizava que: O sistema de livre mercado é uma ordem espontânea. A sociedade deve ser organizada em torno do mercado, e a atuação governamental deve ser a menor possível. Políticas sociais são admitidas meramente por exceção. Com referência ao pensamento de Friedrich Hayek, podemos inferir que a ideologia neoliberal implica uma gestão pública mais enxuta e com um papel menos relevante. A ordem neoliberal a se instaurar também recebe forte influência de renomados professores da Universidade de Chicago, apelidados como Chicago Boys. Esses professores, liderados por Milton Freedman (1912–2006), defendem políticas monetaristas. A contenção dos gastos públicos torna menos necessária a emissão de moeda, e, com menores emissões de agregados monetários, a inflação é controlada. Os Chicago Boys foram inspiradores de gestões consideradas neoliberais, como as de Margareth Thatcher, na Inglaterra, e Ronald Reagan, nos Estados Unidos. Estritamente, em relação à gestão pública, os governos neoliberais estabelecem as seguintes diretrizes: Redução da cobrança de impostos dos cidadãos. Redução da máquina pública. Privatização de estatais, redução de quadros de funcionários e extinção de organizações públicas. Redução de gastos, com gestão voltada para critérios de eficácia empresarial. Fiscalização rígida dos serviços públicos, sendo necessário em caso excepcional. No Brasil, o modelo neoliberal teve primazia nos governos dos presidentes Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso. Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo: O Estado neoliberal. A visão da terceira via O movimento político de oposição ao neoliberalismo foi a social-democracia. Esse movimento se constitui de um esforço para incorporar políticas sociais em sociedades capitalistas, sem haver recorrência ao comunismo. Segundo Bertone Souza (2013) esse movimento é: [...] uma vertente de origem marxista que objetivava alcançar mais justiça social dentro do próprio capitalismo, ao invés de uma transformação radical e revolucionária, como propunha originalmente a teoria de Marx e o leninismo. Karl Marx (1818–1883) era um crítico do modo de produção capitalista, em que haveria a exploração econômica da classe operária pela classe burguesa. Em seu livro O Capital (1867), defendia a ideia de que o regime de exploração deveria ser substituído por outro que, por meio da revolução da classe proletária, seria denominado, primeiramente, de socialismo (baseado na extinção da propriedade privadae na nacionalização dos meios de produção) e, posteriormente, de comunismo (baseado na extinção da sociedade de classes). Assim, o modelo marxista era uma alternativa ao sistema capitalista. As ideias de Marx se materializaram com a Revolução Russa de 1917. Seu líder, Lênin, governou a nascente União Soviética a partir do pensamento de Marx, com algumas variações, o que ficou conhecido como modelo marxista-leninista. Era o socialismo em marcha. Contudo, o socialismo real não foi satisfatório, levando muitos a refletirem sobre um modelo com a ascensão das políticas sociais sem a extinção do regime capitalista. Na prática, foi sob a égide dos regimes social-democratas que o Welfare State se solidificou como um imprescindível instrumento para a busca do bem-estar coletivo. Com o retorno das ideias liberais, ou movimento neoliberal, à baila, no final dos anos 1970, a social-democracia perde força, também devido à crise do Welfare State, seu instrumento clássico. No início do século XXI, em que as ideias neoliberais voltam a ser contestadas, o movimento ressurge, mas configurado e, segundo Anthony Giddens, com outras nomenclaturas, como democracia social modernizadora, esquerda modernizadora e terceira via. O autor deste material gosta da denominação social-desenvolvimentista, muito usada no Brasil. Segundo a visão de Anthony Giddens, adepto da nomenclatura terceira via, podemos considerar: É uma terceira via no sentido de que é uma tentativa de transcender tanto a social-democracia do velho estilo quanto o neoliberalismo. Foi uma tentativa de reagir criativamente às forças da globalização, buscando aproveitar a energia que estava por trás dessas transformações no sentido de revitalizar as operações do governo e da democracia. Os neoliberais querem encolher o Estado; os social-democratas, historicamente, têm sido ávidos para expandi-lo. A terceira via afirma que é necessário reconstruí-lo. Complementando, a terceira via é derivada da necessidade dos governos pensarem políticas públicas voltadas para o desenvolvimento social, econômico e sustentável. A busca de justiça social e de políticas voltadas para o bem-estar dos cidadãos continua existindo, mas em um contexto distinto do Welfare State, uma vez que ocorre em ambiente globalizado. (CASTRO; CASTRO, 2014, p. 61) O ideal da terceira via é resgatar a ideia de progressismo na atuação do Estado e, consequentemente, na gestão pública. A ideologia da social-democracia é antecedente, em equivalência, à terceira via. Foi sob o amparo social-democrata que o conceito de Welfare State foi inventado, depois reformatado a partir da visão da terceira via. Ou seja, a terceira via e a social-democracia são consideradas movimentos políticos progressistas. Dessa forma, a terceira via e o modelo social-democrata implicam uma gestão pública mais expansiva do que o modelo neoliberal, com a diferença que a social-democracia preconizava um Estado grande, enquanto a terceira via, um Estado apropriado. Estritamente, em relação à gestão pública, governos progressistas estabelecem algumas diretrizes. São elas: Redução da desigualdade social. Estado provendo serviços públicos expandidos e de qualidade. Integração de serviços públicos, com sinergia. Máquina pública com contingente e qualificada. Gestão voltada para a coordenação dos serviços No Brasil, o modelo progressista teve forte inserção nos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro governo de Dilma Rousseff iniciou-se sob a égide progressista do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, o excesso de gasto público e a recorrência intensiva a renúncias fiscais, juntamente com os efeitos de crise mundial encetada em 2008, geraram problemas que determinaram uma inflexão no período seguinte. No início do segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff contrariou as orientações do primeiro governo e, ao nomear o ortodoxo Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, implementou um vigoroso programa de redução dos gastos públicos, com consequente redução da atuação pública. A presidente havia prometido, na campanha pela reeleição, exatamente o oposto: investimento intensivo em programas sociais como forma de recuperação da crise, o que aumentaria os gastos públicos e a atuação pública. Para saber mais sobre social-democracia, assista ao vídeo. Comparação das visões Em suma, as duas visões, que se alternam no poder político no Brasil e no mundo, são: Visão neoliberal Visão desenvolvimentalista Adepta da tímida atuação estatal, comumente chamada de conservadora, ou de “direita”. Representada pela terceira via, adepta de uma atuação estatal expandida, comumente chamada de progressista, ou de “esquerda”. Os conceitos de "direita" e "esquerda" surgiram na Revolução Francesa. Para pactuar a nova forma de governo, os grandes proprietários de terras (girondinos) e os pequenos camponeses (jacobinos) sentaram-se em assembleia, para negociar. Os girondinos sentaram no lado direito da assembleia. Os jacobinos, do lado esquerdo. Desde então, pessoas que dizem que as desigualdades entre os seres humanos são naturais e desejadas são denominadas "de direita". Por seu turno, pessoas que pregam a igualdade, ou pelo menos a redução das desigualdades, são denominadas "de esquerda". Os neoliberais e os progressistas concordam em um ponto: o Estado precisa ser reformado. Mas discordam em outro: a forma de reformar o Estado. Para os neoliberais, reformar o Estado é reduzi-lo ao máximo, pois são adeptos do Estado mínimo. Enxergam o Estado exagerado como algo asfixiante, que inibe a força da sociedade. Acreditam que deve haver mais mercado e menos Estado. Admitem, se tanto, a atuação estatal em contextos peculiares, em temas como educação e saúde. Para os progressistas, haver um Estado forte e vigoroso é fundamental, uma vez que veem no Estado a ferramenta para promover maior igualdade social, para fazer a ascensão social dos excluídos. Acreditam que deve haver Estado presente, independentemente de o mercado também ser importante. São visões distintas e até contrárias em algumas dimensões, que geram conflitos sobre o caminho que a gestão pública deve trilhar. A Dataprev, empresa do governo federal, presta serviços de tecnologia da informação para ministérios, em especial o Ministério da Previdência. Pela ótica neoliberal, "de direita", uma empresa desse segmento poderia ser privada. Seria uma empresa de tecnologia da informação que prestaria serviços aos ministérios. Pela ótica progressista, "de esquerda", uma empresa desse segmento deveria ser pública. Afinal, trabalha com dados confidenciais, atende a uma função típica de Estado (previdência pública) e, assim, tem atuação de natureza estratégica. Como retratam as autoras Ana Cristina Castro e Cláudia Osório de Castro (2014, p. 68-69), no Brasil, as políticas progressistas, associadas à ampliação, tiveram presentes em eventos como a criação do DASP e na transição do modelo patrimonialista para o modelo burocrático, assim como as políticas neoliberais, associadas à redução, estiveram presentes na crítica ou excesso de órgão e profissionais públicos. Os conflitos entre mais Estado (ampliação) e menos Estado (redução) não são fáceis de serem equacionados. De um lado, o discurso de que se precisa reduzir gastos, para que os cidadãos paguem menos impostos. Do outro, o discurso de que o país tem várias mazelas sociais e é preciso o Estado investir para superá-las. Reinventando o governo A necessidade de reinventar o governo é fruto da carência mais ampla de recriar as organizações em geral. A gestão de organizações, na atualidade, é distinta do que aconteceu anteriormente. Fenômenos como a globalização de mercados e a utilização de novas tecnologias da informação exigem das organizações em geral mais agilidade em suas ações e diferente forma de pensar dos gestores. Tal exigência serve tanto para organizações públicas quanto para privadas. Pensando nesse contexto, inovação é algo imprescindível. Cabe,contudo, esclarecer que inovar é ir muito além de ser criativo. O povo brasileiro é considerado muito criativo, mas pouquíssimo inovador. Inovação É um conceito que diz respeito à implantação de novos produtos ou serviços, novos processos de trabalho, ou novas tecnologias. Inovação é uma realidade prática. Criatividade É um conceito associado a pensar coisas novas e envolve grande imaginação. Criatividade é uma abstração. E pouco acrescenta às organizações se não resultar em inovações. Com base nos conceitos acima, a ideia de se ter um governo empreendedor, que vai além dos limites estabelecidos, consiste com a nova realidade, a que se deve ir além de parâmetros definidos, buscando-se inovar. Segundo Osborne e Gaebler (1992), 10 princípios caracterizam o governo empreendedor (CATRO, 2014, p. 80-82), são eles: Governo catalisador. Governo próprio da comunidade. Governo competitivo. Governo movido por missão. Governo orientado por resultados. Governo voltado ao consumidor. Governo empreendedor. Governo previdente. Governo descentralizado. Governo orientado para o mercado. É imprescindível instituir, no serviço público, uma cultura de inovação. Por vezes, organizações públicas costumam ser conservadoras, avessas às mudanças. Esse paradigma deve ser superado, voltado para a visão inovadora. Novo serviço público Um valor básico do novo serviço público é voltado para a democracia, para a cidadania e para o interesse público, sendo necessário transitar do “engessado” modelo burocrático para o flexível modelo gerencial. Dentro desse contexto, Denhardt (apud CASTRO; CASTRO, 2014, p. 87-88) apresenta os sete princípios essenciais para o novo serviço público, a saber: [...] servir cidadãos, não consumidores; perseguir o interesse público; dar mais valor ao serviço público e à cidadania que ao empreendedorismo; pensar estrategicamente, agir democraticamente; reconhecer que a accountability não é algo simples; servir em vez de dirigir; dar valor às pessoas, não apenas à produtividade. De acordo com essa visão, os serviços públicos são voltados para o melhor atendimento dos cidadãos, mais do que para o bom atendimento dos clientes. Vale frisar que o conceito de cidadania é muito mais amplo do que o conceito de clientela — ser cliente é apenas uma das facetas, dentre tantas outras, do que é ser cidadão. O conceito de cidadania é, com efeito, um conceito mais amplo do que o de clientela. Ser cliente é ser beneficiário direto de um serviço, e ser cidadão diz respeito a direitos em relação aos serviços públicos em geral, que são mais amplos do que um serviço específico. Observe o quadro e conheça as perspectivas da antiga administração pública, da nova gestão pública e do novo serviço público. Portanto, os gestores públicos da atualidade devem ter sempre em mente as necessidades dos cidadãos ao conceberem os serviços públicos que serão prestados por suas organizações. Inovação na gestão pública Inovar, como já vimos, não é um simples processo de pensar novas ideias. Mais do que isso, as novas ideias precisam sair do papel. E isso só é possível quando a cultura da inovação está presente. Pensar melhor a organização é um grande fator de reflexão sobre o que inovar e, principalmente, como inovar. E algumas ferramentas da gestão da qualidade auxiliam nesse processo. A gestão da qualidade é constituída de um conjunto de ferramentas que procuram levar as organizações à excelência. Suas ferramentas são úteis a organizações em geral. No caso das organizações públicas, contribuem para a reflexão sobre as inovações necessárias, uma vez que, como já assinalado, existe uma certa resistência às mudanças no serviço público. Conheça as ferramentas da gestão da qualidade que podem auxiliar as organizações públicas a melhor estruturar as inovações. Veja: PDCA – A técnica diz respeito às letras das palavras inglesas plan (“planejar”), do (“fazer”), chek (“verificar”) e act (“agir”). Com efeito, os atos de planejar o que se faz, fazer de acordo com o planejado, verificar o que aconteceu e agir de forma a corrigir o que não funcionou aumentam a possibilidade de se pensar inovações e bem implantá-las. CCQ – São os círculos de controle da qualidade, em que os colaboradores se reúnem periodicamente para debater problemas e soluções organizacionais. Deu origem ao que atualmente se chama de brainstorming ou tempestade de ideias. 5W2H – As palavras inglesas what (“o que”), when (“quando”), why (“por que”), where (“onde”), who (“quem”), whose (“de quem”), how (“como”) e a expressão how much (“quanto custa”) ajudam a repensar a organização de forma inventiva. 5S – Diz respeito às palavras japonesas seiri (“separar o necessário do desnecessário”), seiton (“colocar cada coisa em seu devido lugar”), seisõ (“limpar e cuidar do ambiente de trabalho”), seiketsu (“criar normas”) e shitsuke (“todos cooperam”), que ajudam a definir o método de trabalho, que pode ser inovador. DIAGRAMA ESPINHA DE PEIXE – Para cada efeito, deve-se pensar as causas geradoras. Refletir sobre isso ajuda a pensar em inovações. VISAO CLIENTE/FORNECEDOR – O trabalho deve ser pensado de acordo com as necessidades de quem o recebe (clientes) e com as condições de quem entrega insumos (fornecedores). Onde há falhas nesse ritual, há espaço para inovar. É importante ter em mente que, no cenário atual, não se requerem inovações tímidas, mas sim substanciais. Administração pública dialógica O modelo de administração pública dialógica enfatiza a necessidade do diálogo como elemento constitutivo da gestão pública. O diálogo se dá entre os stakeholders (significa público estratégico e descreve uma pessoa ou grupo que tem interesse em uma empresa, negócio ou indústria, podendo ou não ter feito um investimento neles. Em inglês stake significa interesse, participação, risco. Holder significa aquele que possui.) envolvidos na política, ou políticas, em questão. Esse modelo gera vantagens variadas para a gestão pública, tais como: produção de eficiência, resgate da legitimidade do poder público e diminuição da discricionariedade administrativa. Para conhecer os modelos de administração pública e os paradigmas constitucionais, acesse o quadro. A adoção de um modelo de administração pública dialógica não exclui o modelo de gestão pública gerencial. As duas ideias podem e devem coadunar-se, gerando melhores efeitos para a prestação de serviços públicos. Com a adoção da administração pública dialógica, ideias surgem em maior profusão, e, portanto, a ideia de inovação ganha intensidade. Saiba alguns dos impulsos necessários para se constituir a nova administração pública (CASTRO; CASTRO, 2014, p. 93-94): Impulso para a eficiência: a eficiência é a obstinação, na qual são adotados padrões e todas as formas de controle dirigidos à padronização de performance. Dessa forma, ocorre a busca pela transformação do setor público por meio da introdução de padrões de eficiência desenvolvidos por ele próprio. Downsizing e descentralização: a ideia é desmontar o governo e flexibilizar os serviços por meio da criação de mercados e do estabelecimento dos denominados contratos sociais. Busca da excelência da iniciativa privada: a adoção de métodos e técnicas de gerenciamento pelo setor privado em busca da qualidade no atendimento aos clientes. Orientação para o serviço público: integração de métodos e técnicas de gerenciamento públicos e privados para obter maior qualidade nos serviços. Definição de gestão (aqui pra mim é onde começa a matéria) Segundo a definição tradicional, gestão e administração são sinônimos. Uma definição muito comum de administração é que esta engloba o planejamento, a organização, a direção e o controle. A gestão de organizações públicas e privadas possuem uma diferença fundamental; enquanto as organizações privadas são mais calcadas no lucro, as organizações públicas se voltam para o interesse público. Não se afirmar, neste documento, que organizações públicas não devam ser lucrativas. Em muitas situações,podem sê-lo, e até é desejável que o sejam. Mas esse é um objetivo correlato, pois o objetivo precípuo das organizações públicas é atender ao interesse público. O conceito de diagnóstico quando se pensa em gestão pública é importante para saber aonde se pretende ir e onde se está. O diagnóstico se constitui no julgamento da situação atual na qual a organização pública se encontra. Modelos de gestão Quatro modelos de gestão que podem ser ventilados para a utilização em organizações públicas são o autoritário, o democrático, o participativo e o situacional, sendo que: Autoritário - O processo decisório encontra-se concentrado na alta administração. Democrático - Níveis inferiores são consultados no processo decisório. Participativo - O processo decisório é descentralizado. Situacional - Questões momentâneas são debatidas. Descartando o modelo autoritário, típico de tempos idos, as organizações públicas atuais devem mesclar ideias e conceitos dos modelos democrático, participativo e situacional. Contudo, o grau de cada elemento deve ser pensado caso a caso. A gestão participativa é um conceito que determina que as decisões em uma organização não devem ser tomadas individualmente, mas debatidas por um grupo de pessoas, que externam suas opiniões pessoais a respeito antes de a decisão ser tomada. Segundo essa visão, a gestão participativa traz melhores resultados que um modelo menos participativo, pois “várias cabeças pensam melhor do que uma”. Papel do gestor público O gestor público contemporâneo deve ser dotado de pensamento flexível, capaz de, por um lado, lidar com a variedade de opiniões decorrente da gestão participativa e, por outro, capaz de se relacionar a contento com os servidores públicos. Os servidores públicos podem ser tipificados em três categorias: Estatutários, que são regidos por estatuto próprio, de acordo com a Constituição. Possuem estabilidade. Temporários, que prestam serviço durante determinado período de tempo. São os cargos de confiança. Celetistas, que são contratados de acordo com a Consolidação das Leis de Trabalho – CLT. Não possuem estabilidade. O gestor público, obviamente, deve assumir responsabilidades maiores que os servidores públicos, os que não são gestores. Portanto, caberá ao gestor público instituir a cultura adequada aos tempos atuais para promover inovações. Um fator crítico do sucesso para que os gestores públicos desempenhem a contento suas funções é a comunicação. Portanto, os gestores devem desenvolver estratégias de comunicação eficazes com suas equipes, de modo que a compreensão de suas instruções tenha melhor compreensão pelas equipes de trabalho. Algumas formas de fazer isso são: OUVIR O QUE OS COLABORADORES TÊM A DIZER SE INFORMAR SOBRE AS NOVIDADES DO UNIVERSO DAS ORGANIZAÇÕES PARTILHAR INFORMAÇÕES COM A EQUIPE Gestão da inteligência organizacional pública A inteligência não significa apenas possuir conhecimento, mas sim gerá-lo. Pensando nesse sentido, as organizações públicas devem criar centros estratégicos de inteligência, isto é, uma área organizacional dotada de profissionais voltados para a difusão de conhecimento e soluções para todas as áreas da organização. Os centros estratégicos de inteligência podem contribuir com conhecimento maior para as operações das organizações públicas, tendo em vista as necessidades destas. Eles podem funcionar como suporte para outras áreas organizacionais. Para conhecer as atribuições do centro de inteligência, acesse o quadro. Para que um centro estratégico de inteligência funcione a contento, é necessário que esteja “antenado” tanto com fatores externos quanto com fatores internos. No que concerne aos fatores externos, ver bons exemplos de outras organizações — sejam públicas ou privadas, nacionais ou internacionais — é positivo. No que concerne aos fatores internos, deve-se estar em permanente contato com todas as áreas da organização pública, identificado necessidades e soluções. Fatores externos: uma empresa pública que tem mecanismo de pesquisa avançada sobre opiniões de seu público-alvo pode contribuir para a metodologia de pesquisa de outras empresas públicas. Fatores internos: a utilização de uma forma de comunicação eficaz em determinado órgão de uma empresa pública pode contribuir para que outros órgãos dessa mesma empresa melhorem sua comunicação. Tecnologias de gestão pública inteligente O universo da tecnologia da informação propicia muitas oportunidades de desenvolvimento das organizações públicas, como o monitoramento por câmeras televisivas, importante para a segurança, e o acompanhamento via satélite, que permite o cruzamento de dados com imagens. Para Dumont, Ribeiro e Rodrigues (apud CASTRO; CASTRO, 2014, p. 129), outras aplicações das tecnologias são: Potencializar a gestão com inteligência artificial. Prever cenários futuros muito mais realistas. Utilizar a biometria na autenticação de documentos. Utilizar tecnologias de reconhecimento de voz no atendimento à população. Manter o E-GOV mais presente no dia a dia da população. Oferecer conveniência à população por meio de postos de atendimento distribuídos e de internet. Governabilidade/governança/accountability Os conceitos de governabilidade, governança e accountability são centrais para o desenvolvimento da gestão pública. Esses conceitos estão associados e apresentados, na sequência, ao longo da aula. GOVERNABILIDADE - Ambiente político em que está inserido o órgão governamental GOVERNANÇA - É decidir de acordo com as expectativas dos stakeholders envolvidos. Caracteriza-se por arranjos institucionais, que são distintos de uma cultura local para outra ACCOUNTABILITY - É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contasà sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. É o ato de as organizações prestarem contas à sociedade em que estão inseridas. Um governo que permita, de forma transparente, que os cidadãos tenham acesso às informações que tenham interesse público é denominado accountable. De acordo com a leitura da sociedade civil sobre a conjuntura política — baseada na legitimidade, credibilidade e imagem pública dos órgãos —, pode-se classificar os órgãos públicos como tendo condições de governabilidade ou ingovernáveis. Atente para o fato de que essas são reflexões subjetivas. O que é legítimo para alguns pode ser ilegítimo para outros. Credibilidade é algo que depende de avaliação dos entes. Imagem pública pode ser positiva ou negativa, de acordo com o prisma de observação dos atores. Portanto, o que é governável, ou o que deixa de sê-lo, depende de análises de diversos atores, que não são neutras. Exemplo Imagine que uma determinada organização pública resolve demitir seus funcionários como forma de reduzir gastos. Sucede que a demissão dos funcionários implicará problemas de relacionamento com fornecedores, falta de expertise para resolução de problemas e conflitos com os órgãos públicos que demandam seus serviços. O que podemos perceber com esse exemplo? Houve governo sem governança, pois se tomou a decisão a partir das necessidades internas do órgão público, sem considerar o contexto social em que está inserido. Portanto, podemos perceber, com esse exemplo, que as instituições públicas dotadas de governabilidade podem melhor conceber planos de governanças, que são bem mais do que meros planos de governo. A governabilidade e a governança são conceitos que podem ser definidos de forma distinta pelos estudiosos, com pequenas nuances, conforme mostra o quadro. A visão de governança de organizações públicas de uma Suécia social-democrata é distinta da visão de governança de uma economia pretensamente liberal estadunidense, que será diferente da visão de governança de um país de capitalismo tardio, como é o Brasil. Os tipos de governança são variados, eis alguns deles: GOVERNANÇA COM ESTADO MINIMO – Menos atribuições do Estado, mais atribuições ao mercado, como forma de reduzir gastos públicos. // CORPORATIVA – Utilização de conceitos de gestão para a melhoria das instituições públicas. // COMO NEW PUBLIC MANAGEMENT – Utilização de novos mecanismos institucionais, como práticas da gestão privada e iniciativas próprias das organizações públicas. BOA GOVERNANÇA – Baseada em eficácia dos serviços públicos, privatização de empresas estatais, rigor orçamentário e descentralização administrativa. // SISTEMA SOCIOCIBERNÉTICO – Modelo voltado para dar respostas às demandas dúbias da sociedade. // CONJT. DE REDES ORGANIZACIONAIS – Cada organização pública deve ser entendida como tendo um papel em uma rede de organizações públicas. Vale ressaltar que instituir um plano de governança não é tarefa das mais fáceis, pois, ao se querer contemplar os anseios das diversas forças da sociedade civil no plano de governança, busca-se conciliar perspectivas distintas, e até antagônicas, defendidas por essas diversas forças. Alguns autores ressaltam que a governança, pensada de forma global, poderia nos levar à cidadania planetária, baseada na superação das desigualdades, na atenuação das diferenças econômicas e no respeito às diversidades culturais. Accountability não se deve restringir apenas à prestação de contas no que tange a recursos financeiros. Deve mostrar resultados, comparativamente ao que se espera, e fazer análises sobre ações e decisões, corretas ou equivocadas. Conheça alguns documentos que, no Brasil, indicam a necessidade de transparência das organizações públicas: A Constituição de 1988. A Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, também conhecida como Lei da Responsabilidade Fiscal. A Lei Complementar nº 131, de 27 de maio de 2009, também conhecida como Lei da Transparência. Um dos mecanismos que o governo federal brasileiro possui para promover sua accountability é a disponibilização do Portal Transparência Brasil. Nele, os cidadãos têm acesso a informações sobre a utilização de recursos financeiros dos órgãos da administração federal. Os conceitos de governabilidade, governança e accountability nos remetem, necessariamente, à forma de governo, na medida em que são os governos que deliberam ações que podem propiciar, ou não, o atendimento dos três conceitos. Pensar em governo é pensar em gestão. Segundo os grandes autores do assunto, a atividade de administração, ou gestão, é composta de quatro ações: planejar, organizar, dirigir e controlar. PLANEJAR → ORGANIZAR → DIRIGIR → CONTROLAR Os atos de planejar, organizar, dirigir e controlar constituem um ciclo, que se realimenta. No caso das organizações públicas, essas quatro ações devem ser conciliadas com a ideia de interesse público, presente ao longo do processo. Ainda, quando se pensa em gestão, inclusive na gestão pública, governar de forma eficaz depende da gestão das diversas áreas organizacionais. Nesse sentido, pode-se dizer que: Há as áreas centrais que uma organização deve possuir, que, normalmente, são marketing, finanças, produção/operações e recursos humanos. Há assuntos que propiciam suporte a um melhor funcionamento organizacional, como logística, tecnologia da informação, gestão de processos e gestão de projetos. Sobre as áreas centrais que uma organização deve possuir, acrescenta-se que: MARKETING – O marketing é voltado para as necessidades dos clientes. Alguns assuntos correlatos são vendas, marketing de relacionamento, pesquisa de mercado, estratégias de preço, praça, produto, promoção, gestão de marca. Algumas organizações públicas têm clientes específicos, sendo o caso de constituírem ações de marketing parecidas às das organizações privadas. Outras têm como clientes outras organizações públicas, e, nesse caso, os aspectos de marketing devem passar pelo bom relacionamento com estas e com a sociedade. FINANÇAS – As finanças são voltadas para o uso do dinheiro. Alguns assuntos correlatos são a gestão do fluxo de caixa, cálculos de lucratividade, utilização de ativos, opções de investimentos, modalidades societárias. No caso de organizações públicas, a utilização eficaz dos recursos financeiros é algo que beneficia os contribuintes. PRODUÇÃO – A área de produção/operações é voltada para a elaboração de produtos ou serviços. Alguns assuntos correlatos são padrões de produção, tempos de produção, planejamento de produção, técnicas de movimentação de materiais, tecnologias produtivas. No caso de organizações públicas, a maioria delas é prestadora de serviços, e, assim, o desenvolvimento dos assuntos deve ser adaptado a esse fato. RH – Os recursos humanos são voltados para o desenvolvimento dos profissionais das organizações, designados colaboradores. Alguns assuntos correlatos são treinamento e desenvolvimento, planejamento de carreira, administração de pessoal, recrutamento e seleção. No caso de organizações públicas, os profissionais devem ser admitidos, preferencialmente, por concurso público e dotados de benefícios que propiciem produtividade adequada. Sobre os assuntos que constituem suporte para a gestão de organizações, acrescenta-se que: LOGISTICA – A logística diz respeito à movimentação de materiais, mercadorias e informação nas organizações, buscando-se a racionalidade desta. Nas organizações públicas, o grande desafio é buscar, principalmente, que o trâmite das informações seja adequado e célere. TECNOLOGIA – A tecnologia da informação diz respeito aos sistemas projetados para melhor desempenho organizacional. Nas organizações públicas, o grande desafio é buscar a utilização de sistemas a uma relação custo/benefício apropriada. GESTAO DE PROCESSOS – A gestão de processos diz respeito ao fato de que uma boa gestãoda organização é decorrência de uma boa gestão dos processos da organização. Nas organizações públicas, o grande desafio é agilizar os processos, reduzindo o grau de burocracia existente. GESTAO DE PROJETOS – A gestão de projetos diz respeito à necessidade de as organizações possuírem atividades temporárias, que constituam diferencias para seu êxito. Nas organizações públicas, é preciso consolidar a cultura de desenvolvimento de projetos. Ética na gestão pública A ética é, essencialmente, um conceito ligado à filosofia. A filosofia é a área do saber ligada ao pensamento. Merece especial atenção, especificamente em relação à ética, o conceito de imperativo categórico, do filósofo Immanuel Kant. Para o filósofo alemão, imperativo categórico é o dever de toda pessoa doar conforme os princípios que ela quer que todos os seres humanos sigam; se ela quer que seja uma lei da natureza humana, ela deverá confrontar-se, realizando para si mesmo o que deseja para o amigo. Em suas obras, Kant afirma que é necessário tomar decisões como um ato moral, ou seja, sem agredir ou afetar outras pessoas. Como exemplo, têm-se atos de corrupção no exercício da gestão pública: quando cometidos, vão contra o interesse geral dos cidadãos e, portanto, são condenáveis perante a ideia ética de imperativo categórico. A área de compras tem a posição mais crítica quando se trata de ética nos negócios. Essa área lida diretamente com fornecedores de insumos e de serviços, em que propostas indevidas são mais possíveis que em outros setores. Logo, a atividade de compras públicas deve merecer especial atenção. Cabe ao gestor público ser intransigente com o cumprimento dos preceitos éticos. Ser ético pressupõe consciência e responsabilidade pelos próprios atos, não cedendo à influência de terceiros e a instintos voluntaristas. Uma gerente da Dataprev, empresa de tecnologia e informação do governo federal, trabalha na área de gestão de contratos. Ela costuma fazer a seguinte analogia: "Quando você contrata uma obra para a sua casa, e o prazo não é cumprido pelo fornecedor, você pode liberá-lo de multa, ficar com pena, afinal é o seu dinheiro; mas, quando se trata do fornecedor para uma empresa pública, se este atrasa o serviço, as multas previstas em contrato devem ser aplicadas, afinal, trata-se de dinheiro público." A partir da analogia, podemos refletir que a ética é o conjunto de valores que visa orientar o comportamento do ser humano na relação com outros seres humanos, de forma a garantir o bom convívio social. Quando o conceito é trazido para a ambiência pública, implica em uma estreita ligação entre Estado e sociedade, com vistas à construção da cidadania. Segundo Matias-Pereira (apud CASTRO; CASTRO, 2014, p. 151), a gestão ética é constituída por um eixo bem definido, constituído por: Valores éticos: representam a expectativa da sociedade quanto à conduta dos agentes públicos. Normas de conduta: é o desdobramento dos valores, funcionando como um caminho prático para que os valores explicitados sejam observados. Administração: tem o objetivo de zelar pelos valores e pelas normas de conduta. Desburocratização A palavra "desburocratização" pode nos remeter a uma ideia de que burocracia é algo inadequado para as organizações. Mas isso não é real. O problema das organizações não é a existência da burocracia, mas a inadequação desta. Max Weber, famoso sociólogo alemão que viveu no final do século XIX e início do XX, considerava a burocracia um modelo para influenciar pessoas mais racional do que o tradicional (baseado no poder de famílias) ou do que o carismático (baseado no magnetismo pessoal). Com isso, é inegável o fato de que há organizações com burocracia imprópria, notadamente em excesso, o que acontece, com razoável frequência, em organizações públicas — algo a ser evitado. Assim, desburocratizar é necessário. Nesse contexto, desburocratizar significa, primordialmente, reduzir o papelório, restringir as documentações e coibir o excesso de controles. O Decreto nº 5.378, de 23 de fevereiro de 2005, propiciou a união do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade com o Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização. Nascia o GesPública, sob a coordenação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG. É um programa de natureza federativa, voltado para a aplicação de instrumentos de gestão e ao atendimento do interesse dos cidadãos. Um dos princípios basilares é a excelência do serviço. Portanto, o GesPública é voltado tanto para as dimensões técnicas como para a dimensão social. As principais características da GesPública, baseado no Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, são: Ser essencialmente pública, sendo, portanto, regida pelos princípios da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Estar focada em resultados para o cidadão, o que pressupõe, também, que órgãos públicos prestem contas aos governos aos quais estão vinculados. Ser federativa, ou seja, deve ter capilaridade para diversos órgãos públicos, nas diversas esferas de poder. Para conhecer alguns dos programas de qualidade na administração pública federal, acesse o quadro. Em suma, desburocratizar é necessário, seja para reduzir papelório, para mitigar o excesso de documentações ou, ainda, para reduzir controles e dar agilidade ao processo administrativo. Mas, se não houver zelo com as ferramentas de gestão que se utiliza, pode ser algo inócuo. Gestão pública e excelência nos serviços prestados ao cidadão Em 11 de agosto de 2009, foi criado o Decreto nº 6.932, denominado Decreto Cidadão. Este foi voltado ao atendimento aos cidadãos, buscando a excelência dos serviços. Há um princípio básico do marketing que diz que não é suficiente atender às expectativas do cliente; é necessário superá-las, e o referido decreto é imbuído dessa filosofia. Como se trata de atendimento de organizações públicas, princípios atrelados a estas devem ser respeitados. Para conhecer os princípios estabelecidos no art. 37 da Constituição (1988), observe o quadro. Buscar a excelência na gestão pública constitui em algo que envolve tanto as modernas técnicas de gestão utilizadas na iniciativa privada como o atendimento de demandas constitucionais Modelo de excelência em gestão pública Segundo Peludo (apud CASTRO; CASTRO, 2014, p. 168-169), um modelo de busca de excelência da gestão pública envolve oito conceitos: liderança; estratégia e planos; cidadãos; sociedade; informações e conhecimento; pessoas; processos; resultados. Para entender os conceitos supracitados, veja o quadro. A Fundação Nacional da Qualidade – FNQ propõe fundamentos úteis para a gestão pública, conforme quadro. É importante ressaltar que qualquer solução que busque a implantação da excelência no serviço público deve buscar uma análise da relação custo/benefício envolvida. Ideias que trazem benefícios, mas com custos envolvidos elevados, não parecem indicadas para implementação. Afinal, quem paga a conta é o cidadão contribuinte. Planejamento estratégico A ideia de estratégia empresarial é uma das mais fascinantes do universo das organizações. Afinal, conceber a estratégia de uma organização contempla uma base de conhecimentos ampla e multifacetada, aliada à arte de lidar com pessoas, que devem compreender a estratégia. A elaboração de uma boa estratégia organizacional envolve três conceitos. Clique nos lados para conhecer os conceitos. Visão de futuro, ou de longo prazo Tanto passado como presente são úteis para constituir a estratégia de uma organização. No entanto, é o futuro que se pretende construir que está em jogo. Constituição de diferenciais Organizações que fazem a mesma coisa que os concorrentes, só que melhor, têm uma vantagem apenas episódica, pois os concorrentes buscam se aperfeiçoar. Vantagens consistentes são as em que se faz algo diferente dos concorrentes, em que eles tenham dificuldades em seu igualar ou superar. Olhar atento para o ambiente externo O renomado professor Paulo RobertoMotta chama esse conceito de ambiência. É a atenção ao que acontece fora da organização que tenha impacto importante na vida organizacional. O ambiente interno também é importante, mas o ambiente externo deve ser o mais contemplado, pois uma organização existe para interagir com o ambiente que a circunda. Para que a estratégia de uma organização seja bem delineada, algumas técnicas de análise podem ser utilizadas. Como exemplo, temos: MODELO PORTER – Concebido pelo renomado professor da Universidade de Harvard Michael Porter, preconiza que a estratégia de uma organização é melhor definida levando-se em consideração cinco forças competitivas: rivalidade na indústria, compradores, fornecedores, novos entrantes e bens/serviços substitutos. MATRIZ BCG – Concebida pela empresa de consultoria Boston Consulting Group, preconiza que as unidades de negócios de uma organização podem ser classificadas como “abacaxis” (devendo ser eliminadas), “vacas leiteiras” (devendo transferir recursos para outras unidades), “pontos de interrogação” (devendo ser objeto de análise para se decidir se são eliminadas ou se merecem receber investimento) e “estrelas” (unidades que devem ser priorizadas). Para que uma organização possua uma boa estratégia, é preciso colocar no papel, isto é, deve haver um documento que explicite a estratégica, que possa ser consultado, manuseado e até reescrito, se necessário. Esse documento chama-se planejamento estratégico. O planejamento estratégico é um processo racional para a condução das organizações ao longo do tempo. Existem diversas metodologias para a elaboração do planejamento estratégico de uma organização. Uma, bem interessante, é a do professor Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira, que segmenta em cinco fases a elaboração do planejamento estratégico, a saber: Diagnóstico estratégico Procura-se saber qual a situação da organização no momento em que o planejamento estratégico é elaborado. Para tanto, faz-se a popular "Análise SWOT", que procura identificar as oportunidades (opportunities), as ameaças (threats), as forças (strengths) e as fraquezas (weaknesses) da organização. A análise deve ser feita em relação aos concorrentes também, notadamente os principais. Missão Consiste em definir uma missão para a organização e deve ser redigida, retratando a razão de ser da organização. Objetivos e desafios Deve-se pensar nos objetivos gerais, coerentes com a missão, e desafios das áreas específicas, coerentes com os objetivos gerais. Projetos e planos de ação Deve-se definir a atuação das áreas da organização (planos de ação) e quais as atividades temporárias que devem ser desenvolvidas (projetos). Controle e avaliação Define-se os indicadores que serão medidos e suas formas de medição. Planejamento estratégico governamental O planejamento estratégico governamental deve ser elaborado pelos governos federal, estadual e municipal, assim como todos os órgãos que desempenham funções públicas. Alguns documentos que são balizadores da elaboração do planejamento estratégico de organizações públicas: A Constituição (1988) , O Plano Plurianual – PPA, A Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO. A Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO. A Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO , A Lei Orçamentária Anual – LOA. Uma prática frequente nas organizações públicas é a utilização do planejamento estratégico situacional. Segundo essa visão, o planejamento estratégico não deve antever o futuro, mas sim construí-lo. E a construção do planejamento estratégico se dá de forma coletiva, e não isolada. As ações que orientam a adoção do planejamento estratégico situacional são (CASTRO; CASTRO, 2014, p. 186): Explicitar o conteúdo político do plano econômico: como o político é ainda mais incerto que o econômico, devemos tratar essa incerteza com técnicas de cenários e com alta velocidade de reação ante o imprevisto. Elaborar métodos para analisar a coerência dos critérios políticos com os econômicos, tanto no que se refere aos objetivos quanto aos meios. Elaborar métodos para estudar as consequências políticas dos fatos econômicos e as consequências econômicas dos fatos políticos. Enriquecer a função de produção social com que trabalham os atores que planejam, a fim de dar conta de vários recursos escassos (poder, recursos econômicos etc.). Utilizar categorias integradoras dos diversos âmbitos de ação (político, econômico, organizacional etc.), tanto no nível explicativo-normativo (situação) como no plano da prática (operações). Segundo a visão do planejamento estratégico situacional, projeto de governo, capacidade de governo e governabilidade do sistema são elementos que se complementam. Veja o quadro. Segundo a visão do planejamento estratégico situacional, projeto de governo, capacidade de governo e governabilidade do sistema são elementos que se complementam. Para saber mais sobre a metodologia do planejamento situacional, observe o quadro. As técnicas de planejamento estratégico devem ser ligadas ao planejamento orçamentário. Processo de planejamento orçamentário Os instrumentos legais que amparam o sistema orçamentário brasileiro são: Constituição (1988), entre os artigos 165 e 169, que concebe as normas orçamentárias e financeiras. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, relativa às normas técnicas de elaboração e execução do orçamento. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, também conhecida como Lei da Responsabilidade Fiscal, instituindo a responsabilidade fiscal na gestão pública. E o planejamento orçamentário da gestão pública brasileira possui três instrumentos, são eles: são o PPA, a LDO e a LOA, sendo que: O PPA é o instrumento de planejamento do governo federal relativo a programas e projetos concebidos em médio prazo, em um horizonte de quatro anos. Para conhecer os prazos de envio dos projetos de PPA, LDO e LOA, observe o quadro. Benchmarking Pense na seguinte situação: Uma determinada organização, chamada Y, tem dificuldades para fazer seus registros de fluxo de caixa e ouve dizer que a organização W tem práticas de gestão de fluxos de caixas consideradas excelentes. Baseado nessas informações, o diretor financeiro de W marca uma reunião com o diretor financeiro de Z. Combinam que, mediante um catálogo de compradores de Y apresentado a W, a organização W permitirá que dois profissionais de Y estejam durante três meses em W, vendo como o fluxo de caixa é gerido. Assim, esses profissionais de Y poderão levar o que aprenderam para a organização. Na situação mencionada, há uma organização (Y) que quer aprender sobre a excelência em um assunto de outra organização (W). Assim, a organização W é a organização de referência, ou benchmark, e o processo de aprendizado é denominado benchmarking. Benchmarking não é copiar o que a organização que tem excelência naquele assunto faz. Há que se considerar que as organizações são diferentes em ramo, porte e cultura organizacional. O que se aprende com a organização benchmark deve ser utilizado de forma adaptada à organização que fez o benchmarking. O benchmarking é uma técnica consagrada na iniciativa privada. Nas organizações públicas, está em processo de utilização em escala maior. É comum organizações públicas fazerem benchmarking de organizações privadas. Enquanto, nas organizações privadas, o benchmarking é adotado para o aumento da competitividade destas, em organizações públicas é adotada para melhor prestação de serviços aos cidadãos. Balanced Scorecard – BSC O balanced scorecard, ou BSC, é uma técnica que preconiza que os controles organizacionais sejam atrelados à estratégia da organização. Criado por Kaplan e Norton, nos anos 1990, aborda que a missão ajuda a definir os objetivos gerais, que ajudam a definir os objetivos de setores, que ajudam a pensar os indicadores utilizados, que ajudam a estruturar os critérios de medição. Os indicadores que devem ser utilizados no BSC devem ser tanto quantitativos como qualitativos. Na verdade, quatro perspectivasdevem ser consideradas: financeiras; do cliente; dos processos internos; da aprendizagem e do crescimento. Conheça melhor as perspectivas. A adoção do BSC permite a utilização de mecanismos de controle mais sofisticados do que os tradicionais, uma vez que estarão harmonizados com a estratégia da organização. Mapas estratégicos Basicamente ligados ao BSC, os mapas estratégicos permitem que as quatro perspectivas possam ser traduzidas em uma única página. É um mecanismo que pode ser muito útil na gestão de cidades, estados e até nações. Um diagrama de planejamento estratégico das cidades mostra como é estruturado um mapa estratégico: Clique aqui e conheça. Em relação às organizações públicas, o maior desafio da elaboração dos mapas estratégicos diz respeito à missão organizacional. Assim, quando organizações públicas são capazes de estipularem missões desafiadoras, a constituição dos outros elementos do mapa é mais facilmente ensejada. Matriz SWOT A matriz SWOT descreve, em relação a determinada organização, seus pontos fortes (S), seus pontos fracos (W), suas oportunidades (O) e suas ameaças (T). Observe o quadro. Nas organizações públicas, definir quais são os fatores componentes da matriz SWOT é tarefa a ser feita com atenção, pois as organizações públicas são diretamente vinculadas à sociedade, o que pressupõe cuidados adicionais no percebimento das variáveis externas — oportunidades e ameaças. Conceito de políticas públicas As políticas públicas derivam da necessidade de os órgãos governamentais definirem o seu escopo de atuação. São, portanto, as atividades governamentais. Na verdade, são fruto das escolhas governamentais, do próprio poder público que deve decidir em que atividade do domínio econômico e social atua ou deixa de atuar. É importante salientar que, atualmente, uma política pública não determina apenas a atuação estatal, pois há situações em que esta se dá por agentes não estatais, a partir do que é definido pelos órgãos públicos que, neste caso, possuem papel de fiscalização. Políticas públicas devem ser voltadas para a superação de desigualdades e para o desenvolvimento social. Contudo, há vasta polêmica sobre como atingir estes objetivos, posto que: Os grupos políticos de natureza liberal argumentam que estes resultados são obtidos com pouca atuação estatal, que deve estar voltada primordialmente para atividades regulatórias. Os grupos políticos de natureza social desenvolvimentista argumentam que estes resultados são obtidos por meio de uma atuação direta dos órgãos públicos. As políticas públicas também são derivadas de plataformas eleitorais. Em outros termos, grupos políticos que têm êxito em eleições conseguem-no a partir de proposta que, no momento em que esses grupos assumem o poder, tentam viabilizar, em boa medida, por meio das políticas públicas. Conforme Frey (CASTRO, 2014, p. 241), na análise de políticas públicas, ou policy analysis, três dimensões devem ser consideradas. Observe. DIMENSAO INSTITUCIONAL OU POLITY - Refere à ordem do sistema político, delineado pelo sistema jurídico, e à estrutura institucional do sistema político-administrativo. Refere à ordem do sistema político, delineado pelo sistema jurídico, e à estrutura institucional do sistema político-administrativo. DIMENSAO PROCESSUAL OU POLITICS - Tem em vista o processo político, conflituoso, que diz respeito à imposição de objetivos, de conteúdos e de decisões de distribuição. DIMENSAO MATERIAL OU POLICY – Diz respeito aos conteúdos concretos, ou seja, à configuração dos programas políticos, às questões técnicas, ao conteúdo material das decisões políticas. Outra tipificação que também podemos aceitar sobre políticas públicas a classifica em quatro grupos. Observe. POLITICA SOCIAL – Voltada para temas como educação, saúde, habitação e previdência social. POLITICA MACROECONOMICA – Voltada para temas como diretrizes fiscal, monetária, cambial e industrial. // ADM – Voltada para temas como diretrizes fiscal, monetária, cambial e industrial. -- ESPECÍFICA OU SETORIAL – Voltada para assuntos específicos como meio ambiente, cultura, agricultura, direitos humanos, entre outros. É interessante notar que políticas que estão alocadas em uma tipologia podem, se bem estruturadas, auxiliar ao melhor provimento de temáticas que estão alocadas em outra tipologia. Uma política industrial consequente, por exemplo, pode contribuir para melhores resultados sociais, embora não seja uma Política Social, mas sim uma Política Macroeconômica. Segundo Saraiva (CASTRO, 2014, pp. 246-7), as etapas para a elaboração de políticas públicas são: agenda; elaboração; formulação; implementação; execução; acompanhamento e avaliação das políticas públicas. A dinâmica do desenvolvimento social leva os Estados a refletirem sobre novas temáticas que podem ser objeto de políticas públicas. Nos últimos anos, temáticas que têm sido contempladas são: meio ambiente; turismo; crianças e adolescentes; idosos; portadores de sofrimento físico e mental; mulheres; comunidades indígenas. Deve-se levar em conta, também, que há uma série de atores que podem influenciar políticas públicas. A este respeito, o quadro é esclarecedor. A articulação entre os atores envolvidos em uma mesma política pública pode ser fator determinante para que esta tenha pleno desenvolvimento. Assim, é interessante que os órgãos públicos que são responsáveis pela gestão da política pública busquem envolver diversos atores no processo. Os teóricos do Estado Para se definir de forma consequente uma política pública, deve-se entender qual a sua intencionalidade. Nesse sentido, alguns teóricos de Estado, e suas decorrentes visões, falam do caminho que os Estados devem seguir, influenciando o padrão de política pública adotado. Conheça com detalhe cada um deles. ANTONIO GRAMSCI – Antonio Gramsci (1891 a 1937) possui dois conceitos fundamentais em seu trabalho: a hegemonia cultural e os intelectuais orgânicos O conceito de hegemonia cultural diz respeito ao fato de que a atuação estatal é determinada por uma comunidade que tenha predominância entre os diversos grupos que compõem uma aliança política. O grupo preponderante, considerado hegemônico, dita as regras da atuação estatal. Em termos de políticas públicas, pode-se dizer que, entre seus diversos atores, o que vai dar o tom da concepção e funcionamento da política é aquele ator que se caracterizar como hegemônico. Portanto, grupos sociais que queiram influenciar fortemente o funcionamento da política pública devem buscar construir a hegemonia. Suponhamos que em determinada política pública voltada para a comunidade indígena são os grandes proprietários de terra que detêm o poder. Se as comunidades indígenas quiserem influenciar decisivamente a política pública, terão que se viabilizar politicamente, impondo a hegemonia aos grandes proprietários. O conceito de intelectuais orgânicos aborda que os grupos sociais devem definir sua linha de ação não baseados em orientações de intelectuais que estão fora de um grupo, mas sim de membros do grupo que definem as concepções teóricas e que, fazendo parte do grupo, possuem maior legitimidade para dizer quais rumos tomar. Sobre sugestões para uma política pública indigenista funcionar, a comunidade indígena não deve se orientar a partir de ideias de teóricos que estudam as condições de vida indígenas, os intelectuais tradicionais, mas sim a partir de ideias de teóricos que são oriundos da própria comunidade indígenas, os intelectuais orgânicos. Muito embora Gramsci seja um autor marxista, seus conceitos podem ser perfeitamente aplicados em sociedades capitalistas. JOSEPH SCHUMPETER – Schumpeter (1883 a 1950) acreditava que inovações modificam as sociedades, gerando novos ciclos econômicos. Particularmente, as inovações tecnológicas afetam decisivamente as demandas econômicas e sociais.Quando acontecem as inovações, um leque de possibilidades diferenciadas em relação à anterior emerge, e isso pode influenciar o funcionamento,inclusive, de políticas públicas. Políticas sociais atuais podem ser acompanhadas de forma mais eficaz do que no passado, devido às facilidades que a moderna tecnologia da informação representa para seus controles. Contudo, políticas públicas que sejam expansivas para um grande número de cidadãos podem ser mais bem controladas devido às inovações tecnológicas, o que pode ser previsto na própria definição da política pública. JURGEN HABERMAS – Habermas (1929 aos dias atuais) é um pleno defensor da razão comunicativa, em detrimento da razão instrumental. A razão instrumental tem a ver com uma preconcepção da razão, baseada em abstrações. Já a razão comunicativa diz respeito a uma visão dialógica sobre os assuntos a serem abordados. Portanto, aplicada a políticas públicas, entende-se que a racionalidade destas não deverá ser preconcebida, mas a resultante de comunicações entre os autores envolvidos. Em uma política de saúde pública, a razão comunicativa, suplantando a razão instrumental, entende que um diagnóstico eficaz para a formulação da política pode ser construído por meio de consenso entre a visão de médicos, pacientes, fornecedores, entre outros atores. NORBERTO BOBBIO – A questão da busca da igualdade nas relações entre Estado e sociedade era defendida por Bobbio (1909 a 2004). O autor busca a redução das desigualdades. Logo, os gestores das políticas públicas devem ter a promoção da igualdade, ou redução das desigualdades, como referencial. Em uma política pública para demarcação das terras ocupadas por indígenas, a política deve ser concebida para se promover uma menor desigualdade entre as comunidades indígenas e demais extratos sociais. HANNAH ARENDT – Defensora da democracia participativa, Arendt (1906 a 1975) preconizava que a sociedade deve participar intensivamente das decisões políticas. Em sua visão, a democracia representativa não é suficiente para atender aos anseios dos cidadãos. Desta forma, a necessidade de entender as necessidades dos diversos atores que são envolvidos em uma política pública é essencial. Em uma política pública voltada para a melhoria da qualidade da educação pública, devem ser ouvidos diversos atores, como professores, alunos, gestores, entre outros. A Teoria das Políticas Públicas A expressão “política pública” pode ser utilizada tanto para o processo de tomada de decisão como em relação ao produto desse processo. Segundo Roosevelt Brasil Queiroz (2012, p. 96), políticas públicas envolvem conteúdos, instrumentos e aspectos institucionais, sendo que: Conteúdos são os objetivos das políticas públicas. Instrumentos são os meios de consecução dos objetivos das políticas. Aspectos institucionais dizem respeito às modificações que são necessárias nas instituições para a execução das políticas públicas. Outra tipologia, em relação à natureza das políticas, as segmenta em estabilizadoras, reguladoras, alocativas, distributivas e compensatórias (QUEIROZ, 2012, pp. 97-8), sendo que: POLITICAS ESTABILIZADORAS – Otimizam o nível de emprego, buscam a estabilidade de preços e promovem o crescimento econômico e o aumento da renda per capita. Para a execução das políticas estabilizadoras existem instrumentos fiscais e monetários. Exemplos de políticas fiscais: compras e vendas de estoques governamentais e a política tributária. Exemplos de políticas monetárias: controle da oferta de papel-moeda, dos depósitos compulsórios do setor financeiro e das taxas de juros, entre outros. // REGULADORAS – Controlam a atividade econômica mediante leis e disposições administrativas de controle de preços (regulação dos mercados, proteção dos consumidores etc.). As políticas reguladoras vêm se tornando mais importantes mediante as concessões de serviços públicos à iniciativa privada, fazendo com que o Estado passe de produtor para regulador do fornecimento desses serviços pelas empresas. // ALOCATIVAS – Compreendem a maioria das políticas que é objeto das programações dos diferentes governos. Geralmente disponibilizam diretamente aos beneficiários dos programas determinados bens ou serviços. Envolvem as políticas relacionadas aos serviços públicos que visam a estabelecer o rol e a quantidade de serviços a serem disponibilizados à população. // DISTRIBUTIVAS – Distribuem renda. As políticas de transferência de renda podem ocorrer, por exemplo, pela aplicação, por um lado, de impostos maiores sobre as camadas de maior renda e, por outro lado, do provimento de bens e serviços com subsídios para as camadas mais pobres da população. Envolvem as políticas de subsídio cruzado nas quais existem taxas diferenciadas para alguns serviços públicos em que os consumidores de maior renda pagam proporcionalmente mais do que os consumidores de renda menor. // COMPENSATORIAS – Normalmente são destinadas aos segmentos mais pobres da população, excluídos ou marginalizados do processo de crescimento econômico e social. É o caso das políticas de renda mínima e de distribuição de bens, como cestas básicas etc. No caso dos serviços públicos o subsídio cruzado é utilizado com vistas a que determinados grupos de consumidores, como, por exemplo, os de maiores rendas, paguem tarifas superiores ao custo real do serviço para permitir que grupos de menores rendas possam pagar tarifas menores do que o custo real do serviço, mantendo-se o equilíbrio econômico-financeiro da empresa fornecedora. Há políticas públicas que podem ser enquadradas em mais de um desses tipos. ADM DIRETA – A formulação das políticas públicas cabe, exclusivamente, aos órgãos da Administração Direta. Os órgãos da Administração Direta são ligados ao poder executivo federal, estadual e municipal, não tendo personalidade jurídica própria. ADM INDIRETA – Órgãos da Administração indireta podem acompanhar as políticas públicas, mas não formulá-las. Os organismos que as promovem não são independentes para concebê-las da forma que quiserem, pois, as orientações das políticas públicas devem obedecer a preceitos constitucionais. Organizações da Administração indireta possuem personalidade jurídica própria, sendo representadas por autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista. Quantos aos controles das políticas públicas, estes podem ser internos ou externos, sendo que os controles externos são dependentes dos internos. Entende-se que, em uma sociedade plural, os controles externos adquirem especial atenção, por propiciarem que a sociedade tenha ciência sobre como as políticas públicas são executadas. Uma das tendências das políticas públicas do Brasil é a descentralização político-administrativa. A ideia é que algo que possa ser feito em uma esfera de poder menor não deva ser feito em uma esfera de poder maior. Uma maior aproximação com os poderes locais gera uma maior efetividade das políticas públicas, de forma geral. Nesse contexto, a ideia de municipalização é considerada pertinaz. O Instituto Brasileiro de Administração Municipal, criado pelo falecido Professor Diogo Lordello de Mello, que lecionou para o autor deste documento, cumpre relevante papel de assessoria técnica em relação a instrumentos pertinentes. As organizações do terceiro setor vêm ganhando força, sobretudo no que diz respeito à execução de políticas públicas, já que, por vezes, é mais interessante delegar a organizações do terceiro setor determinadas tarefas. A crítica às políticas públicas De forma geral, duas críticas são feitas às políticas públicas: não atingem os resultados a que se propõem e são mais dispendiosas do que o estimado. O antídoto contra estas dificuldades está no planejamento: quanto mais consequentes forem as concepções das políticas públicas — que devem ser minuciosas, detalhadas e contemplarem diversas variáveis em seu bojo —, maiores são as chances de os objetivos serem atendidos com um nível de gastos apropriado. Gestão das Políticas Públicas em Modalidades de Parcerias Diante de uma realidade contemporânea, em que os anseios dos cidadãos são múltiplos e multifacetados, torna-se inviável,em muitas situações, que os organismos públicos obtenham êxito em políticas públicas sem a recorrência a parcerias. O momento atual da sociedade em relação ao serviço público, no Brasil, é de desconfiança. Isso se deve ao fato de que, muitas vezes, a atuação estatal é marcada pelo clientelismo e pela corrupção. No imaginário popular, não há alternativa para este fato, o que pressupõe a adoção de um Estado mínimo, pouco atuante. Uma perspectiva de superação desta realidade envolve maior participação social e foco nas demandas locais. Também o conceito de inovação, largamente utilizado na iniciativa privada, deve estar presente nas políticas públicas. Esse novo Estado, que busca a contemporaneidade, lida com uma nova realidade: a de que governos locais devem promover ações integradas, dirigidas para o mesmo público-alvo. E aí a necessidade de parcerias fica reforçada, pois diversos organismos públicos devem atuar de forma integrada em organismos afins. Conheça alguns exemplos de parcerias. Clique aqui. A construção de parcerias em torno de uma política pública determina quem são os stakeholders e propicia uma visão integrada, holística, e não segmentada como era a característica das políticas públicas do passado. Então, quem são os stakeholders? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando sociólogo, definiu o conceito de anéis burocráticos: dizia que, quando havia uma política pública, determinados grupos de interesse orbitavam sobre essa política, cabendo à burocracia pública lidar com eles. Os grupos de interesse são o que chamamos, atualmente, de stakeholders. Ao mediar esses interesses, a burocracia pública deve buscar a complementaridade entre os grupos. Interessante é constatar, também, que determinadas políticas públicas podem surgir setorizadas e, ao longo do tempo, ganhar maior amplitude, sendo redefinidas, renomeadas e, assim, objeto de novos stakeholders e novas parcerias. Já as políticas públicas de cunho municipal podem, por vezes, gerar necessidades adicionais para governos estaduais e federais, criando, mais uma vez, novos stakeholders e demandas por parcerias. A articulação, em uma mesma política pública, de governos municipais com outras esferas de governos serve tanto para conceder aos municípios um papel mais ativo, que transcenda o de mero executor, quanto para evitar o clientelismo nas políticas públicas. Desta forma, o estabelecimento de parcerias representa a possibilidade de novos arranjos institucionais na concepção das políticas públicas. Mecanismos de Participação As formas de participação dos stakeholders na Gestão Pública foram evoluindo ao longo do tempo. 1930 Com a industrialização, há um incipiente movimento de participação social na política. Na época, representado por operários de inspiração anarquista e socialista, e de trabalhadores rurais. Porém, alguns extratos sociais eram excluídos dessa participação. Começam a surgir demandas por maior atuação estatal em setores como saúde e educação. 1945 Ao final do Estado Novo ganham impulso as organizações em defesa dos negros e do combate ao racismo, bem como as organizações feministas, voltadas para a defesas das mulheres e da infância. 1950 a 1960 As ligas camponesas se estruturam e seu ideal é a defesa da reforma agrária. Os movimentos sindicais, já estruturados, ampliam sua capacidade de atuação. E ainda é marcante a influência que a União Nacional dos Estudantes (UNE) passa a exercer. Com a ascensão do regime militar, os movimentos sociais passam a atuar clandestinamente, com reivindicações relativas à ampliação da cidadania. No final do período, a influência das Comunidades Eclesiais de Base torna-se notável. 1970 As mobilizações sociais preconizam a descentralização política e a inclusão desses participantes nos processos decisórios das esferas de governo e, consequentemente, nas políticas públicas. 1980 Existe um movimento clamando pela mobilização popular cada vez maior, resultando na criação de novos partidos políticos com viés reivindicatório, como o Partido dos Trabalhadores (PT), e também de novas estruturas sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Um momento que caracteriza grande destaque na mobilização popular é representado pelas “Diretas Já” – reivindicando o direito de os cidadãos voltarem a eleger o presidente da República por meio do sufrágio universal –, em 1984. Embora a proposição tenha sido derrotada no Congresso Nacional, a mobilização popular gerada foi classificada como impressionante na época. Também nos anos 1980, a convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte, como a promulgação da nova Constituição do Brasil em 1988, teve efeitos indeléveis sobre a mobilização popular. 1990 Os anos 1990 marcam a emergência das Organizações Não Governamentais (ONGs), que passam a trabalhar em parceria com as esferas de Governo, em substituição à ação direta estatal. Emerge o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), inegavelmente um importante stakeholder incorporado à cena política. 2000 Com a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao Governo Federal, duas visões são difundidas: Por um lado, alguns asseveram que os movimentos sociais adquirem importante espaço, sendo efetivamente parceiros dos governos na formulação de políticas públicas. Por outro lado, há quem assevere que os movimentos sociais foram tão somente cooptados pelas esferas governamentais, que, nesse caso, mantêm o verdadeiro poder da formulação das políticas públicas. Indubitavelmente, desde os anos 1930 até os dias atuais, a dinâmica de participação social na atuação das esferas de poder e na definição das políticas públicas tem crescido de forma consistente e articulada, com a incorporação de novos e variados atores, ou stakeholders, ao processo. E a partir dos anos 1990 até hoje, a proliferação de fóruns e redes vem ganhando proeminência como forma de expansão dos movimentos sociais, gerando uma miríade de debates e de conhecimento articulado, a ser utilizado nas políticas públicas. Depreende-se, pela expansão dos stakeholders, que a mobilização é cada vez mais aceita como algo desejável, que auxilia o desenvolvimento das instituições e da cidadania. Cabe, contudo, ressaltar que a colaboração é essencialmente útil quando espontânea. Como definem Toro e Werneck (CASTRO, 2014, p. 256): Participar de um processo de mobilização social é uma escolha, porque a participação é um ato de liberdade. As pessoas são chamadas e convocadas, mas participar ou não é uma decisão de cada um. Essa decisão depende essencialmente das pessoas se verem ou não como responsáveis e como capazes de provocar e construir mudanças. Contudo, a democratização da gestão de políticas públicas constitui-se em uma necessidade, seja em nível municipal, estadual, federal, seja em relação a equipamentos públicos, como praças, postos de saúde, escolas entre outros. E um dos instrumentos interessantes de busca da participação popular em políticas públicas é a adoção do Orçamento Participativo. A ideia é que a população decida sobre a alocação dos recursos públicos. Assim, os próprios cidadãos estabelecem as prioridades, tornando-se corresponsáveis pelos resultados. As prefeituras de Santo André e de Porto Alegre foram as pioneiras no uso do conceito, no início dos anos 1990. Em defesa do Orçamento Participativo, Valdemir Pires (2001, p. 33) assegura que: O orçamento é ao mesmo tempo instrumento e expressão da democracia. Mais precisamente da democracia representativa. O quanto mais ou o quanto menos ele será democrático neste sentido dependerá de alguns fatores da realidade objetiva dentro da qual emerge. Se o elo entre representantes e representados é forte, o caráter democrático das decisões em torno do dinheiro público sobressairá, e vice-versa. Se a capacidade política e jurídica dos representantes para intervir nos assuntos orçamentários for baixa, o elemento democrático se fragiliza, pois para pouco serve uma relação de fidelidade entre eleitos e eleitores seos primeiros tiverem as mãos atadas para decidir ou se tendo-as livres não souberem dela fazer bom uso no sentido técnico. Complementando, a adoção do Orçamento Participativo permite que os governos se reinventem, devido ao fato que (PIRES, 2001, pp. 59-60): 1 Diminui os esforços que despende nas atividades de prestação de serviços (em geral terceiriza ou gere de forma não tradicional) e concentra-se nas atividades de regulação e catalisação. 2 Enfrenta os problemas em parceria com a comunidade e não criando estruturas assistencialistas profissionalizadas. 3 Introduz a competição na prestação de serviços dando combate à prática monopolista em todas as frentes, inclusive nos órgãos públicos. 4 Opera perseguindo suas missões e não se limitando a obedecer às normas e regras rígidas. 5 Avalia os efeitos de suas políticas premiando resultados ao invés de fornecer recursos aleatoriamente. 6 Volta-se para o atendimento das necessidades do “cliente”, e não da burocracia. 7 Empreende muitas vezes transformando fontes de despesa em fontes de receita, e com isso fugindo ao dilema tradicional colocado pela crise fiscal: ampliar tributação ou não realizar. 8 Planeja e age de maneira a evitar ou a preparar-se para controlar o surgimento de problemas, conseguindo com isso atuar preventiva e não curativamente. 9 Descentraliza e não opera com hierarquia rígida, incentivando a participação e constituição de equipes. 10 Pratica a regulação estruturando o mercado em vez da adoção de programas que o suspendem. Organizações em Rede Quando organizações públicas pensam em atuação em redes, o conceito de holismo é considerado importante na definição das políticas públicas. O conceito de holismo nasceu na medicina. Sob a perspectiva de que o importante não é cuidar da doença, e sim do doente, passou a se conceber que, nos tratamentos médicos, não se deve pensar em soluções voltadas para partes do organismo, mas para todo o organismo. Posteriormente, o conceito de holismo foi trazido para a Psicologia. Em oposição a Sigmund Freud, que tinha uma visão segmentada da área do saber, Carl Gustav Jung possuía um olhar holístico, em que a percepção do consciente, do subconsciente, do inconsciente e do inconsciente coletivo são determinantes para a definição da sociedade humana. Na gestão das organizações, o conceito de holismo foi se solidificando ao longo do tempo. Veja, abaixo, as definições. No início do século XX, Frederick Taylor pensava técnicas para melhor funcionamento das fábricas. Já Jules Henri Fayol pensava não apenas na unidade fabril, mas na organização como um todo. Os autores estruturalistas e sistêmicos, na segunda metade do século XX, diziam que a organização deveria ser vista por um prisma mais completo, conciliando-se a organização formal com a organização informal. Mais recentemente, desde o final do século XX e ao longo do século XXI, defende-se a visão de que as organizações devem ter uma visão integrada, ou holística, dos seus setores, como Marketing, Finanças, Operações e Recursos Humanos. Mais recentemente, as organizações públicas incorporaram esta visão. E, na medida em que aderem ao conceito, as políticas públicas não devem ser exceção. Dessa forma, o conceito de rede torna-se importante, pois ajuda a constituir a visão holística, integrada, nas organizações públicas. Quando uma organização é estruturada em rede, ela é composta de uma miríade de elementos que interagem entre si. E essas estruturas são caracterizadas por grande dinamismo. Uma organização que se permite não ser estática, mas sim objeto de variadas interações, funcionando em rede, tende a colher melhores resultados que organizações que não estão “antenadas” ao que acontece no seu entorno. Tratando-se de organizações públicas, buscar que estas atuem em redes é permitir que as diversas informações externas sejam analisadas e trazidas para o cotidiano organizacional. As informações externas, evidentemente, possuem o mesmo grau de importância. É necessário que as organizações públicas que buscam incorporar informações externas na definição de políticas públicas que coordenam tenham a clarividência de filtrar, entre as informações externas, as que são relevantes e as que deixam de sê-lo. Por óbvio, as interações com os stakeholders podem trazer informações relevantes para as organizações públicas, na concepção das políticas públicas. Interessante é que condutores de políticas públicas se articulem com outros órgãos públicos que as conduzam para que a interação possa render frutos para ambos os lados. A tipologia das redes inclui redes de políticas públicas e redes de desenvolvimento sustentável. Entenda melhor sobre o assunto no quadro. Assim sendo, fazer com que as políticas públicas sejam estruturadas em rede, ou seja, com os stakeholders tendo ativa participação, é algo absolutamente recomendável. Formulação e Gestão de Políticas Públicas O ciclo de uma política pública é decomposto em quatro etapas sequenciais: formulação, execução, avaliação e reprogramação, Observe. Formulação → Execução ↑ ↓ Reprogramação ← Avaliação A concepção de Estado exerce forte influência sobre as políticas públicas. Assim, o elenco delas pode possuir escopo maior ou menor dependendo da orientação política dos grupos de poder que ocupam o Estado na ocasião. Quando grupos neoliberais estão no poder, as políticas públicas são reduzidas; quando grupos desenvolvimentistas estão no poder, são ampliadas. A reflexão abaixo reforça a impressão. omo já visto neste documento, grupos políticos com uma visão social desenvolvimentista tendem a conceber um elenco de políticas públicas amplo, enquanto grupos políticos com visão neoliberal tendem a conceber um elenco de políticas públicas enxuto. Segundo Camargo, a escolha de programas que consubstanciam as políticas públicas depende de três fatores. Observe. Volume de recursos Definição de prioridades Geração de incentivos Nesse contexto, políticas públicas que acarretam um feedback positivo, ou seja, que mostram relevância comparativamente a outras políticas públicas, têm primazia. Um fator determinante para a obtenção dessa primazia é a evidência que a política pública tem em relação às mídias. Em outros termos, políticas públicas que angariam simpatia dos meios de comunicação acabam sendo privilegiadas. Existem, também, as janelas políticas. Estas são oportunidades de consolidação de uma política pública em momentos de transições de governos. As citadas transições constituem períodos propícios para a concepção de novas políticas, que venham a ter apoio popular. As políticas aí ensejadas são propostas por empreendedores de políticas, pessoas com ideias que subsidiam políticas públicas. Estas pessoas podem ser oriundas da burocracia, de grupos de interesses ligados às políticas ou do meio acadêmico. Os empreendedores de políticas, que constituem a comunidade de políticas, buscam a atenção dos formuladores de políticas públicas, por meio de três mecanismos: Tornar públicos indicadores que mostrem a dimensão do problema. Evidenciar eventos que mostrem como a situação se repete ou é decorrente de desastres. Demonstrar que as políticas em vigor necessitam de correções. As demandas que virão a ser fator constitutivo das políticas públicas podem ter origem em quatro segmentos: sociedade civil, esfera política, burocracia governamental, setores externos que possam aportar recursos ao sistema. Ao se formular a política pública, deve-se pensar que está se decidindo o quê, quando, quais são as consequências e para quem. Formular uma política pública é um processo que requer planejamento que envolva uma tramitação democrática, em que os diversos stakeholders tenham ampla liberdade de manifestação. Na formulação, a tomada de decisão já deve ser contemplada, buscando-se as melhores decisões a partir da racionalidade dos gestores e de suas respectivas informações, com as soluçõesdevendo ser satisfatórias. Para isso existem os ciclos sequenciais envolvidos na formulação de uma política pública. As políticas públicas devem ser coerentes com uma agenda de ações. A prioridade dessa agenda, geralmente, é a estruturação de políticas que fortaleçam a estabilidade macroeconômica. As políticas de promoção de oportunidades econômicas vêm logo a seguir e, depois, as políticas de redução à pobreza. Parlamentares são partidários da concepção de políticas setoriais, que atendam aos interesses das comunidades onde estão os seus eleitores potenciais. Importante notar que se deve ter extrema atenção com os aspectos institucionais que constituem o contexto da formulação de uma política pública. Políticas públicas que sejam inseridas em um cenário institucional inadequado tendem a não funcionar. Para entender melhor o assunto, conheça alguns exemplos. Um conceito imperativo para a formulação de uma política pública é a definição de problema social, pois políticas públicas existem para solucionar, ou ao menos mitigar, problemas sociais. Por serem subjetivos, eles devem ser objeto de uma sólida fundamentação estatística. Segundo Roosevelt Brasil Queiroz, no que tange à complexidade do seu diagnóstico e da sua respectiva solução, os problemas sociais podem se apresentar de quatro formas. Diagnóstico e solução simples Acesso rodoviário interrompido pela queda de uma ponte. A causa é a queda da ponte e a solução é a sua reconstrução. Diagnóstico simples, mas solução complexa Elevado contingente de pessoas desempregadas. As causas do problema são fáceis de serem identificadas, mas a sua solução é de extrema complexidade. Diagnóstico complexo, mas solução simples Infiltração de água em uma edificação. As causas podem ser difíceis de detectar, no entanto, uma vez localizadas, a solução do problema é simples. Diagnóstico e solução complexos Elevado número de suicídios. As causas são difíceis de serem identificadas e a solução de tal problema é igualmente complexa. Para facilitar o diagnóstico de um problema social, alguns itens são importantes. Descrever de acordo com as perspectivas dos stakeholders. Explorar também de acordo com a perspectiva dos stakeholders. Analisar contradições entre as diversas perspectivas. Reunir as diversas interpretações em uma significação. Delimitar a fim de permitir seu monitoramento. Identificar por meios estatísticos, os principais fatos que o evidenciam. Relacionar suas causas. Identificar suas consequências no meio social. Selecionar as causas críticas. Programar as ações governamentais para lidar com as causas críticas. Quando se constata que políticas públicas existem para solucionar, ou ao menos mitigar, problemas sociais, deve-se ter em mente que a existência de bons mecanismos de controle é absolutamente necessária, sob pena de a política pública naufragar. Quando se pensa na gestão de políticas públicas, é imprescindível notar que a necessidade de controles democráticos é pertinente. Afinal, há contextos em que há desconfianças, por parte dos cidadãos, seja em relação aos representantes políticos, seja em relação à burocracia pública. Modelos construídos nos últimos anos que auxiliam a boa gestão de políticas públicas são: Estratégias de descentralização; Adoção de mecanismos de responsabilização dos gestores; Gestão pública por resultados; Incremento do controle social; Construção de dispositivos de participação social. Nesse sentido, as políticas públicas devem contribuir para a eficiência, eficácia e efetividade das ações, de forma que seja possível a reorientação estratégica de sua atuação sempre que se faça necessário. Para tanto, a adoção de práticas de Gestão Participativa é algo que se torna necessário – não só na implementação das políticas públicas, mas também na gestão dos órgãos públicos em geral. Ferramentas para a Formulação e Gestão de Políticas Públicas Algumas ferramentas que são úteis na formulação e gestão de políticas públicas são a Matriz de Decisão, a Árvore de Problemas, a Árvore de Soluções, a Análise de Interesses e o Marco Lógico. O quadro descreve essas ferramentas. Indicadores de Gestão de Políticas Públicas Os indicadores são imprescindíveis, pois reduzem o grau de subjetividade embutido em uma política pública. É preciso dotar as políticas públicas de objetividade, tornando-as imunes às impressões pessoais, e a construção de indicadores é útil nesta empreitada. Para que tenham qualidade, os indicadores devem apresentar as seguintes características. Conheça, abaixo, com detalhe, cada uma. FINALIDADE – Um indicador deve estar ligado diretamente aos objetivos de um programa. A utilidade dos indicadores é ainda maior quando os objetivos dos programas forem definidos em termos de metas aplicáveis às definições dos indicadores. DISPONIBILIDADE DE DADOS – Um indicador não é de grande valia se for obtido somente uma vez, pois não permite comparações entre o “antes” e o “depois”. Outra dificuldade surge quando as estatísticas são publicadas num longo período após a coleta de informações. SENSIBILIDADE EM REALACAO A SITUACAO DO GOVERNO – Quando um indicador é escolhido para avaliar um programa este deve ser capaz de provocar alterações nesse indicador. CONFIABILIDADE E CREDIBILIDADE – A confiabilidade se aplica quando as mesmas medidas coletadas por pessoas diferentes, mas nas mesmas condições, produzem o mesmo valor. Já a credibilidade depende do método de apuração das informações e da reputação da instituição responsável por sua divulgação. A informação deve ser coletada por agências externas e não pelos responsáveis diretos pela implementação do programa. COMPARABILIDADE – A utilidade de um indicador também depende da possibilidade de comparação com outros programas e diferentes localidades. VALIDADE – Um bom indicador deve ser bem compreendido por todos aqueles que o utilizam. É importante que os indicadores, particularmente os de impacto, reflitam alguma percepção de melhora ou piora por parte da sociedade. Se a mudança não foi percebida o indicador apresenta alguma falha. Orçamento orientado para resultados A ideia de gestão por resultados é, em grande medida, influenciada pelo conceito de administração por objetivos – APO, criado por Peter Drucker (1909–2005), um dos principais autores de gestão de organizações em todos os tempos. A APO, também conhecida como administração por resultados, apareceu em 1954 e apresenta as seguintes características: 1 Estabelecimento conjunto de objetivos entre o executivo e o seu superior. 2 Estabelecimento de objetivos para cada departamento ou cargo. 3 Interligação entre os vários objetivos departamentais. 4 Ênfase na mensuração e no controle de resultados. 5 Contínua avaliação, revisão e reciclagem dos planos. 6 Participação atuante das gerências. 7 Apoio intensivo do staff. Quando se trabalha com a ideia de APO, alguns “pecados” devem ser evitados. Não obter a participação da alta direção. Assim, as instâncias de poder dos organismos públicos, na figura de seus dirigentes, devem ter pleno envolvimento no processo de estruturação de objetivos de trabalho baseados em resultados. Ter a consciência que a APO não é um mecanismo para resolver todos os problemas de instituições públicas. Os problemas continuarão existindo, mas, com foco nos objetivos, torna-se mais fácil equacionar soluções pertinentes. Adotar um programa acelerado de instituição de objetivos não é uma boa alternativa, especialmente quando se trata de organizações públicas. Deve-se ter em mente que uma cultura de estabelecimento de objetivos deve ser forjada, algo que não acontece da noite para o dia. Fixar apenas objetivos quantificáveis é algo que deve ser evitado. Objetivos são, inicialmente, conceituais. Apenas após isso devem ser objeto de quantificação, mormente com quantificações ambiciosas, capazes de motivar a força de trabalho. Também cabe ressaltar,em relação à APO, que não se deve simplificar por demasiado as atividades de trabalho. Açodamento na forma de trabalhar gera insegurança, mormente em instituições públicas. Aplicar a APO em áreas isoladas do órgão público é algo fora de sentido. Deve-se ter uma visão holística, global, da organização. Assim, há melhorias a serem identificadas em todos os setores organizacionais. A tarefa de implantar a APO nas organizações pública é de toda a hierarquia, a começar pelos órgãos da alta administração. Delegar essa tarefa aos órgãos de nível inferior é algo a ser evitado. Os objetivos são grupais, não individuais. Assim, concentrar-se em indivíduos-chave, responsáveis pelo cumprimento dos objetivos, é um erro. Isso é tarefa de todos. Implantar a APO em organizações públicas, sem avaliar resultados, é um contrassenso. Apenas avaliações constantes e consistentes poderão medir resultados decorrentes dos objetivos fixados. Quanto às metas ou objetivos traçados, não devem ser apenas da organização pública. Em outros termos, é necessário compatibilizar metas organizacionais com metas pessoais, gerando amplitude da satisfação quando os resultados são atingidos. Um dos instrumentos pertinentes para a adoção da APO em organizações públicas é manejar de forma apropriada o orçamento organizacional. De acordo com Paludo (apud CASTRO, 2014, p. 270-271): O orçamento orientado para resultado advoga: definição dos resultados pretendidos e foco nesses resultados; planejamento governamental como orientador de políticas públicas e dos resultados pretendidos; garantia de recursos suficientes à realização dos planos/projetos e cobrança a posteriori dos gestores, baseada em resultados; adoção de novo modelo gerencial com vistas a maximizar a eficiência, aliada a um sistema de incentivo vinculado aos resultados; mudanças na metodologia de elaboração e de alocação dos recursos orçamentários; construção de indicadores que permitam avaliar os resultados; obrigatoriedade de prestação de contas quanto à utilização dos recursos, sistema de informação como base para a tomada de decisão, o monitoramento da execução, a avaliação e o registro dos resultados. […] O orçamento por resultados melhora a aceitação dos governos, reforça a confiança nas instituições estabelecidas e contribui tanto para o desenvolvimento socioeconômico da nação quanto para a eficiência, eficácia e efetividade da gestão pública, além de despertar no servidor a motivação e o orgulho de atuar numa organização pública que apresenta resultados. A própria democracia se fortalece mediante a utilização desse modelo de gestão. PRINCIPIO DA UNIVERSABILIDADE – Determina que todas as receitas e despesas devem ser inclusas no orçamento pelos seus valores globais. ANULIDADE – Determina que o orçamento deve ter vigência limitada a um período anual, coincidente com o ano civil no caso brasileiro. UNIDADE – Deve haver um único orçamento para cada ano civil EXCLUSIVIDADE – Deve tratar de assuntos tão somente relacionados à atribuição de receitas e fixação de despesas. EQUILIBRIO – Deve haver equilíbrio entre as receitas e as despesas. ORÇAMENTO BRUTO – Os dados de receitas e despesas devem ser apresentados em valores brutos, não em valores líquidos, como forma de dar transparência aos gastos públicos. NÃO AFETACAO DAS RECEITAS – Não deve haver vinculação de receitas a determinados gastos, salvo exceções previstas na Constituição de 1988. DISCRIMINACAO, ESPECIALIZACAO OU ESPECIFICACAO – A discriminação de receitas e despesas deve ser a mais detalhada possível, favorecendo a clareza dos dados. RSSERVA LEGAL DA COMPETENCIA – Cabe ao Poder Executivo propor o orçamento, e essa é uma reserva legal desse órgão. Sobre o controle da execução orçamentária, um grande desafio dos tempos vindouros é que este não seja centrado, exclusivamente, na eficácia da despesa, como atualmente, mas sim na efetividade dos resultados decorrentes da despesa. Em outros termos, não importa somente o custo, mas, principalmente, a relação custo/benefício. É importante ressaltar que, hodiernamente, o controle orçamentário deve ser tanto interno como externo, sendo que: o controle externo deve ficar a cargo do Poder Legislativo, com o apoio do Tribunal de Contas, de acordo com o que está definido na Constituição de 1988, no artigo 71, em sua integridade. O controle interno deve ser encarado como uma exigência constitucional tanto pela Lei nº 4.320/1964 como pela Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF. Avaliação de desempenho A avaliação deve ser voltada, sobretudo, para comparar o obtido com o desejado e, caso haja discrepâncias significativas na comparação, proceder às ações corretivas que se mostrem necessárias. Alguns elementos que devem ser identificados por meio da avaliação de desempenho: Quais demandas dos cidadãos e usuários são atendidas a contento. Quais áreas em que se está conseguindo êxito e quais áreas em que isso não vem acontecendo. Quais metas, normas e processos devem passar por revisão. Quais são os impedimentos legais e normativos para a consecução do desempenho satisfatório, para que os Poderes Executivo e Legislativo sejam informados. Para que um sistema de avaliação seja considerado eficaz, deve haver participação ampla, desde a alta direção até os níveis operacionais, pois isso ajuda a retratar melhor a situação organizacional, seja uma organização privada, seja uma organização pública. Instituir um sistema de controle que envolva a participação de todos nas organizações não é tarefa das mais fáceis. Colher dados a respeito em todas as esferas não é a principal dificuldade, mas sim a análise dos dados coletados. Existe uma forte inclinação para que a interpretação da alta cúpula prevaleça, relegando-se a interpretação dos níveis hierárquicos menores ao segundo plano — algo que deve ser evitado com ênfase. Também é necessário ter em mente que, para proceder a um controle apropriado, é necessário conceber uma metodologia a respeito. Para proceder a uma boa avaliação em organizações públicas, os critérios de legalidade, economicidade, legitimidade, eficiência, eficácia e efetividade devem ser levados em consideração. Observe o quadro para entender melhor. É importante frisar que o poder público deve exercer in loco controle sobre as atividades de organizações públicas, pois é melhor corrigir durante do que constatar depois. Indicadores de gestão Os indicadores que devem ser utilizados para a avaliação de organizações públicas devem ser multifacetados. Podem ser utilizados, por exemplo, indicadores sociais, urbanos e de desenvolvimento sustentável. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG é responsável pela elaboração de um manual que dá dicas para a construção de indicadores. Nesse manual, é asseverado que indicador é um: [...] instrumento capaz de medir o desempenho do programa, devendo ser passível de aferição, coerente com o objetivo estabelecido, sensível à contribuição das principais ações e apurável em tempo oportuno. O indicador deve permitir mensurar as diversas dimensões da atuação estatal no que se refere à execução do programa (eficácia, eficiência ou efetividade). (CASTRO, 2014, p. 275) Os indicadores são úteis tanto para retratar a situação atual como para mostrar a evolução da situação. Para tanto, é necessário, obviamente, que esses indicadores sejam bem escolhidos. Segundo o manual para elaboração de indicadores do MPOG, os indicadores servem para: 1 Medir resultados e administrar desempenho. 2 Oferecer reflexões críticas para a tomada de decisão. 3 Prover aperfeiçoamentos para processos organizacionais. 4 Apoiar o planejamento e controle de desempenho. 5 Apoiar a comparação do desempenho entre a organização e outras organizações. Um funcionário da Dataprev trabalha com análise de documentos que balizam a contratação de fornecedores de serviços de longo tempo de duração (ou serviços continuados), os termos de referências. Para analisar os termos de referênciaspara contratação de serviços de conservação e limpeza, existe um indicador que ajuda a definir o número de funcionários para proceder às limpezas necessárias a partir das metragens das áreas a serem limpas. Independentemente de o fato de os indicadores serem necessários nas esferas federal, estadual e municipal, há uma certa ênfase no uso de bons indicadores na gestão municipal. Isso porque, como já ressaltado nesse documento, é no poder local que as coisas tendem a acontecer. Contrato de gestão Segundo Castro (2014, p. 279): O contrato de gestão é um instrumento jurídico que possibilita a transparência administrativa, ampliando a autonomia das agências executivas. As agências autônomas (também chamadas de agências executivas ou agências reguladoras), bem como as organizações sociais (associações civis sem fins lucrativos, pessoas jurídicas de direito privado), estão habilitadas a receber recursos financeiros e a administrar bens e equipamentos do Estado; neste quadro, o controle de destinação dos recursos será realizado por meio do contrato. Imagine que o Ministério da Saúde faz um contrato de gestão com determinado hospital. Um contrato é assinado entre o ministério e o hospital. Nesse contrato, está previsto repasse de verbas do ministério, mas também estão previstos objetivos que o hospital deve cumprir, com sanções e penalidades definidas. O instrumento denominado contrato de gestão também serve para dar o tom da relação entre o governo federal e as agências reguladoras, como Aneel (eletricidade) e a Anatel (telefonia). Dois instrumentos jurídicos amparam o uso de contratos de gestão na gestão pública, a saber: a Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998 (art. 37, § 8º), e o Decreto nº 2.487, de 2 de fevereiro de 1998. Com a utilização de contratos de gestão, as entidades da administração que prestam serviço podem operar com maior autonomia, o que cria condições propícias para atingir os objetivos. O foco da instituição ganha clareza, tanto interna como externamente. Também se tem parâmetros para a comparação entre o desempenho atual e o desempenho desejado. Mais facilmente são definidas responsabilidades e responsabilizações, ficando mais fácil proceder ao controle social, seja por resultados ou por comparação com outras instituições. Existe uma certa semelhança entre os conceitos de contrato de gestão e de APO. Nesta, há um pacto entre gestores e subordinados em torno de objetivos traçados em consenso. Nos contratos de gestão, há um pacto entre o governo federal e a organização prestadora de serviços, também em torno de objetivos traçados em consenso. A lógica é a mesma; as partes envolvidas é que são díspares. É preciso salientar que dotar a gestão pública de uma visão de obtenção de resultados é algo que se torna imprescindível, pois, com isso, retira-se do serviço público a visão desconexa, subjetiva e inconsistente. Instrumentos aqui relatados, como APO, orçamentos racionais, boas avaliações de desempenhos, presença de indicadores de gestão eficazes e utilização de contratos de gestão, são boas alternativas. Cidades inteligentes Cidades inteligentes são as que utilizam a tecnologia para melhorar a qualidade de vida da população. É esperado que, nos próximos anos, as aglomerações em grandes cidades tornem-se cada vez maiores, o que representa um grande desafio para a gestão pública. A competição entre as cidades por recursos financeiros, estaduais ou federais, e o fato de que esses recursos por vezes são destinados de forma errônea ou não chegam em tempo hábil completam o cenário dos desafios. Cabe ressaltar que haver aparato tecnológico, ou digital, é condição necessária, porém insuficiente, para haver uma cidade inteligente. São necessários, também, o desenvolvimento contínuo da capacidade de aprendizagem, cultura inovadora e replicação de bons processos de gestão urbana. Em outros termos, uma cidade inteligente é digital, mas nem toda cidade digital é inteligente. Se, por um lado, as cidades são os espaços onde mais se observam os efeitos da globalização, por outro, é mister constatar que uma intensa urbanização implica perda de funcionalidades básicas. Assim, é preciso evitar tais perdas, conferindo às cidades apenas os aspectos positivos do movimento global. Quais soluções podem ser adotadas? Segundo Marcos Cesar Weiss, Roberto Carlos Bernardes e Flavia Luciane Consoni (2015), a abordagem de cidades inteligentes inclui determinados aspectos: 1 Tecnologias que promovam maior eficiência energética e otimização na produção de bens e serviços. 2 Sistemas inteligentes para o monitoramento e gerenciamento das infraestruturas urbanas e antecipação a acidentes naturais. 3 Soluções de colaboração e redes sociais. 4 Sistemas integrados para a gestão de ativos. 5 Sistemas especializados de atenção à saúde e à educação que permitam a interação com os atores por intermédio da internet. 6 Sistemas, métodos e práticas para o gerenciamento integrado de serviços de qualquer natureza. 7 Sistemas para o tratamento de grandes volumes de dados estruturados e não estruturados. 8 Sistemas de georreferenciamento. 9 Aplicações inteligentes embarcadas em toda sorte de bens. 10 Tecnologias de identificação por radiofrequência e etiquetas digitais colocadas em produtos e cargas, otimizando os processos logísticos e as transações comerciais. 11 Sensores e sistemas de inteligência artificial que percebam e respondam rapidamente a eventos ocorridos no mundo físico. Para complementar o assunto abordado, leia o artigo Cidades inteligentes como nova prática para o gerenciamento dos serviços e infraestruturas urbanos: a experiência da cidade de Porto Alegre. Cabe ressaltar, também, que, para que uma cidade seja inteligente, os recursos da comunidade nela inseridos devem ser utilizados de forma ótima. Em uma cidade inteligente, a intersetorialidade é fundamental. Os diversos setores devem possuir, portanto, políticas públicas articuladas entre si. O desenvolvimento das cidades inteligentes pode ser apoiado por instrumentos como o Programa Cidades Sustentáveis, o Fórum Urbano Mundial e o Estatuto das Cidades. Uma ideia que parece salutar quando se pensa em cidades inteligentes é que as metrópoles são um grande desafio estratégico contemporâneo e, assim, devem ser repensadas. Isso passa, por exemplo, pela adoção de redes interligadas de transporte coletivo, reutilização da água e reaproveitamento de resíduos sólidos. Outro aspecto central do funcionamento das cidades inteligentes é que não se deve centrar as expectativas de soluções para desenvolvimento sustentável ou no setor público ou no setor privado. Ambos os entes devem cumprir um papel. No caso do setor público, o papel maior é de formulação. No caso do setor privado, é o empreendimento em ações compatíveis com a identidade das empresas. Mas deve haver uma relação de troca entre os entes. Cabe informar, também, que a regulação do setor imobiliário, notadamente o setor privado, cumpre papel fundamental para o desenvolvimento de cidades inteligentes. Ações em relação a empreendimentos imobiliários impactam fortemente a distribuição do espaço físico. Por exemplo, construções de casas de luxo não podem invadir espaços de preservação ambiental. Também é o caso da construção de conjuntos habitacionais populares, que devem ser dotados de infraestrutura compatível e estar em posição geográfica adequada, isto é, os moradores devem estar próximos dos locais em que trabalham. As cidades inteligentes são construídas a partir de diagnóstico apropriado. Uma cidade não é igual a outra. As cidades diferem em tamanho, vocação, distribuição etária, papel na economia regional, entre outros aspectos. Logo, apenas um diagnóstico apropriado permitirá que cada cidade construa um caminho adequado para si. O desenvolvimento de cidades obedece a uma estratégia. E uma boa estratégia é composta de indicadores. Mas como construir esses indicadores? Isso é tarefaque cabe, concomitantemente, ao poder público, às organizações privadas e às organizações do terceiro setor. A cidade inteligente não é a que decide entre sustentabilidade e inclusão social, mas a que incorpora e compatibiliza os dois conceitos. Para tanto, formas inovadoras de gestão pública devem ser pensadas. O conceito de cidade inteligente deve se fazer presente no planejamento estratégico das cidades, que deve conter diretrizes como: Desenvolvimento sustentável e sustentabilidade Historicamente, a sustentabilidade foi um conceito colocado em segundo plano na discussão econômica. A partir dos anos 1970, começam a surgir estudos avançados a respeito. O conceito de sustentabilidade e, consequentemente, o de desenvolvimento sustentável não deve ser pensado apenas pela ótica econômica, mas a partir de uma perspectiva interdisciplinar. Segundo Irina Mikhailova (2004): Em seu sentido lógico, sustentabilidade é a capacidade de se sustentar, de se manter. Uma atividade sustentável é aquela que pode ser mantida para sempre. Em outras palavras: uma exploração de um recurso natural exercida de forma sustentável durará para sempre, não se esgotará nunca. Uma sociedade sustentável é aquela que não coloca em risco os elementos do meio ambiente. Desenvolvimento sustentável é aquele que melhora a qualidade da vida do homem na Terra ao mesmo tempo em que respeita a capacidade de produção dos ecossistemas nos quais vivemos. Eventos como a Conferência de Estocolmo, em 1972, e, principalmente, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento do Rio de Janeiro, em 1992, a Rio-92, trouxeram a sustentabilidade para o centro das discussões sociais. O modo de vida sustentável depende de ações em três áreas-chave, a saber: crescimento e equidade econômica; conservação dos recursos naturais; desenvolvimento social. O discurso de sustentabilidade e de desenvolvimento sustentável não é algo abstrato: deve-se verificar e controlar o que acontece, sobretudo em termos ecológicos. Isso pressupõe, necessariamente, a adoção de indicadores para verificação. As dimensões do ecodesenvolvimento são: Sustentabilidade social Sustentabilidade econômica Sustentabilidade espacial Sustentabilidade cultural Sustentabilidade ecológica Sustentabilidade tecnológica Uma boa prática para a promoção da sustentabilidade ambiental é a determinação de agendas azul, verde e marrom, conforme demonstrado no quadro. Desenvolvimento sustentável local O conceito de desenvolvimento, segundo uma visão contemporânea, pode ser associado aos adjetivos “local”, “integrado” e “sustentável” — assim, surge a sigla DLIS, ou seja, “desenvolvimento local, integrado e sustentável”. Por aí, já se percebe a importância das ações locais para o desenvolvimento sustentável. Alguns conceitos que são associados ao de desenvolvimento local são: Pobreza e exclusão, que devem ser evitadas. Participação e solidariedade, que devem ser incentivadas. Produção e competitividade, com a busca de excelência. Em termos de desenvolvimento local, três dimensões devem se articular para melhores resultados: A dimensão econômica. A dimensão sociocultural. A dimensão político-administrativa. Crescimento, desenvolvimento e sustentabilidade são conceitos díspares entre si, conforme demonstrado abaixo (CASTRO, 2014, p. 313): CRESCIMENTO Relaciona-se à expansão da escala das dimensões físicas do sistema econômico, ou expansão da escala de produção. DESENVOLVIMENTO Significa um estágio econômico, social e político de determinada comunidade, o qual é caraterizado por altos índices de rendimento dos fatores de produção, ou seja, por recursos naturais, capital e trabalho. SUSTENTABILIDADE Apresenta dois significados: o primeiro é estático e se relaciona a “impedir que caia, suportar, apoiar, conservar, manter e proteger”, e o segundo é dinâmico e positivo e significa “favorecer, auxiliar, estimular, incitar e instigar”. Economia verde e economia criativa A economia verde, ou nova economia, é aquela em que a produção, distribuição e consumo de bens e serviços se valem de recursos que não se esgotem antes que a natureza tenha tempo de renová-los. Nesse sentido, a demanda por recursos deve se adequar à oferta destes pela natureza. Pereira, Silva e Carbonari (apud CASTRO, 2014, p. 315) apresentam-nos algumas ideias e propostas que ilustram de que maneira se pode resgatar — ou finalmente implementar — a sustentabilidade típica de uma economia verde. Gerar energia de forma responsável por meio de fontes renováveis, como a solar, a eólica e a biomassa. Produzir máquinas, equipamentos e insumos de forma inteligente, com base em processos recicláveis, remanufaturados ou renovados. Zelar pela qualidade da biosfera, resguardando as gerações atuais e futuras. Reconhecer que somos apenas mais um organismo vivo dentre todos os outros, ainda que inteligentes, e que as espécies dependem umas das outras e do meio ambiente para existirem. Os conceitos de economia verde, ou nova economia, podem ser compatibilizados com a ideia de economia criativa, segundo a qual o capital intelectual — ou seja, o conhecimento dos indivíduos — deve ser privilegiado. Uma ideia que vem ganhando corpo é que o conhecimento, nos próximos anos, não será gerado de forma similar em todos os locais, mas sim que haverá locais com melhores condições para a geração deste. Nesse sentido, localidades em que haja uma maior conscientização a respeito do fato estarão em vantagem para serem polos irradiadores do conhecimento. Em termos de desenvolvimento da economia criativa, conceitos-chave para a sua obtenção são, por óbvio: imaginação, criatividade e inovação. Criatividade não é apenas um processo associado à imaginação, é algo que exige esforço e método para ser levado a cabo. Embora a técnica denominada benchmarking possa ser utilizada em larga escala para o desenvolvimento local, é importante lembrar que a problemática das regiões é distinta de uma para outra, com as peculiaridades de cada local devendo ser respeitadas. Tecnologias e energias renováveis Existem algumas ideias ligadas a essa realidade. Observe. 1 Utilização da energia solar fotovoltaica, com o sol servindo de energia. 2 Utilização de energia eólica, a partir de ventos. 3 Uso de biodiesel associado ao óleo diesel, reduzindo os níveis de enxofre. 4 Veículos elétricos, como forma para reduzir a poluição sonora. 5 Ônibus movidos a gás, de forma a reduzir a poluição atmosférica. 6 Hibribus, ônibus movido tanto a diesel como energia elétrica, menos poluente. 7 Expansão da rede metroviária, pouco poluente. 8 Utilização dos veículos leves sobre trilhos – VLT, pouco poluentes e silenciosos. 9 Trens com motorização elétrica, pouco poluentes. 10 Trens com levitação magnética, os Maglevs, baratos para implementação. 11 Estímulo à locomoção a pé ou por bicicleta, economizando combustíveis. Quanto à questão da energia, há tecnologias que permitem comunicação interativa entre toda a rede de conversão de energia, tanto em seu controle como em sua geração. São as smart grids, ou redes inteligentes. Elas evitam sobrecarga de rede e fornecem energia confiável, promovendo, assim, o desenvolvimento sustentável das cidades. As construções inteligentes também são típicas dos novos tempos. Alguns exemplos são: Painéis de absorção da energia solar em residências. Tetos e paredes verdes. Planejamento de bairros, que podem se tornar autossuficientes. Sistemas de ventilação inteligentes. Residências com reaproveitamento de água e resíduos sólidos. Cultivo de alimentos em áreas urbanas. Em suma, as possibilidades tecnológicas são diversificadas. Cabe à gestão pública determinar seus usos efetivos, com tirocínio. Logística – Conceitos fundamentais Quando se pensa em logística, a palavra-chave é movimentação. Quando as organizações promovem movimentações eficazes entre mercadorias e serviços, elas conseguemobter melhores resultados com menor desperdício. O conceito de logística surgiu nas guerras: para haver maior chance de vencer batalhas, seria necessário movimentar da melhor maneira possível alimentos, remédios, arsenal bélico, vestimentas e objetos em geral. Tanto movimentar esses suprimentos de forma acelerada como movimentá-los de forma tardia geraria desvantagens em relação ao inimigo. A logística é responsável pelo planejamento, operação e controle de todo o fluxo de mercadorias e da informação, desde a fonte fornecedora até o consumidor. Repare, portanto, que não são apenas mercadorias — sejam matérias-primas, sejam produtos — que são movimentadas, informações também o são. Esse é um dado relevante em termos de gestão pública, pois a maioria das organizações públicas não lida com produtos, e sim com serviços, com a informação sendo, portanto, o que de fato se movimenta. Dessa forma, um conceito relevante, quando se pensa em logística, é o de Cadeia de Suprimentos, que funciona, grosso modo, da seguinte forma: Uma fonte de matéria-prima — encontrada nas fazendas, nos pastos ou nas minas — elabora as matérias-primas. Elas são entregues a fornecedores, que fazem seu beneficiamento. Os fornecedores entregam as matérias-primas beneficiadas aos fabricantes, que promovem a transformação destas em produtos acabados. Os produtos acabados são entregues aos fornecedores, ou varejistas. Os varejistas revendem, e entregam, os produtos aos consumidores finais. Para que o fluxo logístico existente em uma Cadeia de Suprimentos seja considerado eficaz, é preciso que haja satisfação do consumidor final, sendo esse ator, portanto, o mais importante dentre todos os presentes em uma Cadeia de Suprimentos. Dessa forma, sistemas logísticos bem estruturados permitem maior satisfação do cliente e redução dos custos em toda a cadeia. Uma das principais preocupações da gestão pública deve ser reduzir gastos, pois estes são arcados pelos cidadãos contribuintes. Portanto, a adoção de bons planos logísticos em organizações públicas é algo fundamental. Importante ressaltar que, ao contrário do que se acreditava no passado, logística não é apenas distribuição e transporte, embora essas atividades cumpram papéis fundamentais na logística. Outras atividades também são executadas em logística, como, por exemplo, movimentações internas, gestão de estoques diversos, cuidados com as instalações e uso da tecnologia da informação. Segundo Ronald Ballou (apud MARTINS, 2009, p. 330), grande especialista em logística a nível mundial, preconiza que assuntos importantes a serem tratados em logística são assuntos que possuem afinidades com as áreas de marketing e de produção das organizações, como retratado na figura abaixo: Para estruturar um bom programa logístico para uma organização qualquer, deve-se levar em consideração um amplo conjunto de variáveis. Não o fazer é ter que lidar com uma série de situações imprevistas que comprometerão o funcionamento logístico da organização. Para que as organizações consigam obter lead times viáveis, devem cuidar de seus suprimentos, de sua operação e de suas distribuições. Podemos mensurar se o sistema logístico de uma organização é eficaz ou está em evolução com a utilização de indicadores selecionados. Alguns indicadores são: Erros em ordens de compras/ordens de compras auditadas. Número de pessoas em suprimentos/número total de pessoas. Valor total de compras/custo total de suprimentos. Número de entregas no prazo/número de entregas. Horas produtivas/horas trabalhadas. Unidades programadas/unidades produzidas. Gastos de produção até a data/orçamento de produção até a data. Horas paradas/horas pagas. Número de entregas no prazo/número de entregas. Número de ordens entregues/número total de ordens colocadas. Número de duplicatas prorrogadas/número total de duplicatas. Número de reclamações dos clientes/número total de transações. De acordo com os conceitos mais atuais da logística, fornecedores, fabricantes, varejistas e distribuidores devem atuar de forma integrada e com confiança entre eles, em relações de longo prazo — o comakership. Quando se fala da estruturação de logística de várias organizações integradas entre si, a Cadeia de Suprimentos, existem conceitos que são fundamentais para o melhor desempenho desta. ESTOQUES – A inadequação de estoques nas organizações pode gerar graves problemas logísticos; os estoques devem ser gerenciados nas entradas (matérias-primas), ao longo do processo de transformação (fabricação) e na saída (distribuição); estoques em excesso comprometem o fluxo de caixa da organização, devido a gastos antes da hora; estoques em falta atrasam entregas, comprometendo a credibilidade da organização. COMPRAS – Devem ser objeto de detalhado planejamento, com as aquisições sendo feitas de acordo com a demanda, o que é chamado de Just in Time; os compradores devem ter capacidade de negociação, visão analítica e ética; gerenciar a relação com fornecedores faz parte do processo. TRANSPORTES – Decidir quais são os modais de transporte utilizados (rodoviário, ferroviário, aquaviário, dutoviário, aeroviário e eletrônico são as opções), como deve ser a estrutura da área e quais os roteiros de entregas são atividades fundamentais para o bom desempenho logístico. INSTALACOES – Definir, sobre estas, a melhor localização, a capacidade de produção, o método de trabalho e a metodologia de armazenagem de matérias-primas ou produtos. INFORMACOES – As diversas organizações que participam de uma mesma cadeia devem compartilhar informações estratégicas, e, para tanto, tecnologias da informação apropriadas devem ser pensadas. MOV. INTERNAS – O manuseio ou movimentação interna de produtos e materiais significa transportar pequenas quantidades de bens por distâncias relativamente pequenas, quando comparadas com as distâncias na movimentação de longo curso executadas pelas companhias transportadoras; também essas atividades merecem atenção, pois sua correta definição implica maior agilidade do fluxo logístico. ACONDICIONAMENTO – Os materiais ou produtos necessitam, muitas vezes, ser embalados, para que possam seguir para um destinatário; técnicas que propiciem melhor embalagem das mercadorias são importantes para a agilidade logística, pois reduzem a quantidade de itens devolvidos. Gestão de frotas As organizações públicas devem decidir se gerenciarão uma frota de veículos própria, se contratarão serviços de um fornecedor de veículos ou se pagarão por empreitada, por serviços. Em suma, pode-se dizer que a logística é assunto central para o bom desempenho das organizações atuais em geral. No caso das organizações públicas, há especificidades que devem ser observadas, como será mostrado em seguida. A logística na administração pública É comum, em termos de logística, as organizações serem classificadas em logísticas e não logísticas, sendo que: organizações logísticas são as que têm na logística sua atividade-fim; organizações não logísticas são aquelas em que a logística não é atividade-fim, mas atividade-meio (embora fundamental) para a obtenção da atividade-fim. As organizações logísticas são raras no serviço público, mas existem. Nesse tipo de organização, a logística torna-se central, pois o atendimento dos objetivos organizacionais dependerá diretamente do desempenho logístico. Dentre as organizações públicas, uma que é claramente logística são os Correios. No dia a dia das atividades dessa instituição, modernos conceitos logísticos devem ser adotados em larga escala. A maioria das organizações públicas são não logísticas, ou seja, nessas organizações, a logística desempenha papel de suporte. Isso não significa, contudo, que a atividade logística deva ser negligenciada. Com efeito, mesmo organizações em que a logística não é a temática principal devem possuir instrumentos logísticos avançados, que propiciam maior competitividade às organizações em geral. Alguns assuntos importantes que são típicos deorganizações públicas não logísticas são: GESTAO DE FROTAS- As organizações públicas devem decidir se gerenciarão uma frota de veículos própria, se contratarão serviços de um fornecedor de veículos ou se pagarão por empreitada, por serviços. GESTAO DE ENTREGAS- As organizações públicas devem criar metodologias para a entrega de documentos ou materiais entre suas unidades, pois, caso contrário, a grande quantidade de entregas implicará gastos desnecessários. GESTAO DE MATERIAIS E PATRIMONIO- As organizações públicas deverão ter zelo para a obtenção de bens, além de cuidados com seu gerenciamento no dia a dia. GESTAO DE INFORMACOES - As organizações públicas, em sua maioria, trabalham com serviços, não com produtos, o que demanda que lidem com informações de forma pertinaz; os cursos on-line, por exemplo, permitem evitar locomoções de pessoas, com ganhos de produtividade. Os instrumentos eficazes da logística permitem que as organizações públicas maximizem o seu desempenho. Tecnologia da informação – Conceitos e fundamentos A gestão da tecnologia da informação é outro assunto que se torna importante para as organizações em geral, e para as organizações públicas em particular. Um primeiro aspecto que merece relevância é que existem, no mercado, sistemas especialistas e sistemas generalistas. SIST. ESPECIALISTA – É o que se propõe a lidar com uma situação específica na organização. Exemplo: se determinada organização adquire um sistema que ajuda a montar roteiros de entregas por lojista onde as entregas são realizadas, isso é um sistema especialista. SIST. GENERALISTA – É o que se propõe a lidar com várias situações organizacionais, relacionando-as umas com as outras. Exemplo: se determinada organização adquire um sistema em que há interação entre módulos de compras, distribuição, finanças, recursos humanos e outros, isso é um sistema generalista. A decisão se uma organização trabalhará com vários sistemas especialistas conjugados, com um sistema generalista ou com um sistema generalista interagindo com alguns poucos sistemas especialistas dependerá da análise de fatores estratégicos procedida pela própria organização. Outro aspecto importante é a utilização da internet como ferramenta para melhor desempenho organizacional. A utilização da internet propicia múltiplas possibilidades para as organizações pensarem soluções mais criativas e funcionais para as organizações. Também deve ser levado em consideração: é preciso que os equipamentos de informática das organizações, denominados hardwares, possuam capacidade e adequação para suportarem sistemas de informação, os softwares, de modo que estes sejam melhor aproveitados. Em suma, podemos dizer que empresas baseadas na informação possuem vantagens competitivas significativas em relação às empresas tradicionais, conforme o quadro anexo. A tecnologia da informação na gestão pública As aplicações de tecnologias da informação em organizações públicas são amplas e diversificadas. Conheça algumas situações pertinentes a respeito. Existe um documento que as organizações públicas elaboram quando querem promover contratações de serviços via licitações, denominado termo de referência. Para elaborar um termo de referência sobre a contratação de um serviço de conservação e limpeza, por exemplo, pode-se, via pesquisa na internet, consultar como outras organizações públicas elaboraram seus termos de referências para contratações similares, utilizando o que for cabível. Assim, o uso da internet propicia a aplicação do conceito de benchmarking. Quando é determinante que todos os profissionais de uma organização pública, ou pelo menos a maioria deles, façam determinado curso, este não precisa ser oferecido de forma presencial, mas por meio da modalidade Ensino a Distância – EAD. No entanto, para isso, é necessário que exista um órgão de tecnologia da informação que conceba o curso e que os computadores à disposição dos profissionais suportem a plataforma tecnológica utilizada. Informações podem ser trocadas por mecanismos interativos, como e-mails, gerando agilidade no processamento de informação e, assim, tomadas de decisões mais eficazes. Como os conceitos de logística e tecnologia da informação se complementam na gestão pública? É curioso constatar que determinadas tecnologias da informação servem ao propósito de melhorar a logística das organizações. Dessa forma, os dois conceitos — logística e tecnologia da informação — se complementam. Quando se fala em sistemas de informação generalistas, o modelo de excelência dessa possibilidade é o Enterprise Resources Planning – ERP, traduzido como “Planejamento dos Recursos Empresariais”. É uma plataforma tecnológica que permite a integração entre diversos setores da organização, em que uma informação atualizada em determinado setor é atualizada, com seus impactos, para todos os setores em tempo real. O ERP é um poderoso instrumento para o funcionamento organizacional. Sobre os sistemas especialistas, alguns dos que podem ser adequados à logística são: MATERIAL REQUERIMENT PLANNING - MRP – PLANEJAMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS – Basta inserir dados a respeito da quantidade de produtos que se quer elaborar e o sistema oferece uma lista completa dos materiais que são necessários para produzir a quantidade requisitada, com as quantidades necessárias para cada material. Instrumento ótimo para planejamento de fornecimento. WIREHOUSE MANAGEMENT SYSTEM - WMS – SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE DEPOSITOS – O inventário de materiais e de produtos disponíveis em estoques é feito em tempo real, pois, por meio de códigos de barras, tudo o que entra e sai dos depósitos é catalogado automaticamente. Melhora o aproveitamento e as atividades administrativas relativas aos estoques. ELETRONIC DATA INTERCHANGE - EDI – INTERCAMBIO ELETRONICO DE DADOS – Por meio de formulários padrões, um deles é preenchido em um local e aparece, imediatamente, em outro local. Muito utilizado para encomendar matérias-primas, por exemplo. EFFICIENT CONSUMER RESPONSE - ECR – RESPOSTA RAPIDA AO CONSUMIDOR – No comércio varejista, ajuda a calcular automaticamente o número de produtos, por item, disponíveis para o consumidor, auxiliando o planejamento de ressuprimento. Indicado para organizações públicas que comercializam bens para consumidores finais, como os Correios. Por óbvio, as tecnologias citadas podem ajudar organizações a obterem melhor desempenho, sejam elas privadas ou públicas. A particularidade em relação às instituições públicas é que a cobrança por maior eficácia destas torna-se cada vez maior, e, assim, instrumentos desse tipo devem ser adotados em larga escala.