Prévia do material em texto
Educação Física Adaptada à Deficiência Visual Mey de Abreu van Munster mey@ufscar.br Dúvidas frequentes... • O que é DV? • Quando uma pessoa pode ser considerada DV? • Quem utiliza óculos é DV? • E quem enxerga apenas com um dos olhos? • Qual a terminologia mais indicada? • Quantas são as pessoas com DV no Brasil? BRASIL = 45,6 milhões de Pessoas com Deficiências 23,9 % POPULAÇÃO BRASILEIRA IBGE (2010) DV DA DM DI Alguma Dificuldade Grande Dificuldade Incapacidade 58,3% 15,9% 21,6% 4,2% Deficiência Visual Definição “A deficiência visual é caracterizada pela perda parcial ou total da capacidade visual em ambos os olhos, avaliada após a melhor correção ótica ou cirúrgica, levando o indivíduo a uma limitação em seu desempenho habitual.” Munster; Almeida (2008) Perda Visual Doença, ferimento disorder, injury Mudança estrutural ou anatômica Funções Visuais medidas quantitativamente Ex: acuidade visual Deficiência impairment Mudança funcional no nível do órgão ÓRGÃO Visão Funcional descrita qualitativamente Ex: habilidade de leitura Incapacidade disability Habilidades do indivíduo Desvantagem handicap Consequências econômicas e sociais PESSOA Guide for the evaluation of visual impairment (ISLRR, 1999) Funções Visuais • Acuidade visual • Campo Visual • Binocularidade • Visão de Cores • Sensibilidade à luz • Sensibilidade ao contraste 1. Acuidade Visual Pode ser definida como a capacidade de distinguir detalhes, determinada a partir da relação entre o tamanho do objeto e a distância onde está situado. A - Tabela em Escala Decimal B - Tabela em Escala Logarítmica Vantagens do Sistema Logarítmico • Mesmo número de letras por linha • Espaçamento regular entre linhas e letras • Progressão uniforme no tamanho das letras • Resultado final baseado precisamente no total de todas as letras a ler • Refinamento na escala de classificação permite uma maior precisão e maior confiabilidade teste / reteste Arippol, Salomão, Belfort Jr. (2006) Visual Acuity Scales Foot Metre Decimal LogMAR 20/200 6/60 0.10 1.00 20/160 6/48 0.125 0.90 20/125 6/38 0.16 0.80 20/100 6/30 0.20 0.70 20/80 6/24 0.25 0.60 20/63 6/19 0.32 0.50 20/50 6/15 0.40 0.40 20/40 6/12 0.50 0.30 20/32 6/9.5 0.63 0.20 20/25 6/7.5 0.80 0.10 20/20 6/6 1.00 0.00 20/16 6/4.8 1.25 -0.10 20/12.5 6/3.8 1.60 -0.20 20/10 6/3 2.00 -0.30 2. Campo Visual Avaliado a partir da fixação do olhar, quando é determinada a área circundante visível ao mesmo tempo. 100o Campimetria Computadorizada A Campimetria Computadorizada avalia os defeitos do campo visual e escotomas causados por algumas patologias. São estimulados vários pontos retinianos e o paciente informa o reconhecimento desses estímulos. 3. Binocularidade Capacidade de fusão da imagem proveniente de ambos os olhos em convergência ideal proporcionando a noção de profundidade, ou seja, a percepção da relação entre os diferentes objetos e sua disposição no espaço. x 4. Visão para Cores Baseia-se na capacidade de distinguir diferentes tons e nuances das cores. 5. Sensibilidade à luz Corresponde à capacidade de adaptação frente aos diferentes níveis de luminosidade do ambiente. 6. Sensibilidade ao contraste Consiste na habilidade para discernir pequenas diferenças na luminosidade de superfícies adjacentes. Visão Funcional • Aproveitamento das funções visuais • Descrita qualitativamente • Estimativa e descrição de habilidades Clínica Legal Educacional Esportiva Parâmetros de Classificação Munster; Almeida (2008) Classificação Educacional • Pessoa com baixa visão: “é aquela que possui dificuldade em desempenhar tarefas visuais, mesmo com prescrição de lentes corretivas, mas que pode aprimorar sua capacidade de realizar tais tarefas com a utilização de estratégias visuais compensatórias, baixa visão e outros recursos, e modificações ambientais.” • Pessoa com cegueira: “é aquela cuja percepção de luz, embora possa auxiliá-la em seus movimentos e orientação, é insuficiente para aquisição de conhecimento por meios visuais, necessitando utilizar o sistema Braille em seu processo ensino-aprendizagem.” Barraga (1985, p.18) B1: Desde a inexistência de percepção luminosa em ambos os olhos, até a percepção luminosa, mas com incapacidade para reconhecer a forma de uma mão a qualquer distância ou direção. Classificação Esportiva B2: Desde a capacidade para reconhecer a forma de uma mão, até acuidade visual de 2/60 metros e ou campo visual inferior a 5 graus. B3: Acuidade visual entre 2/60 e 6/60 metros, ou um campo visual entre 5 e 20 graus. Esportiva - IBSA 2013 • B1: Acuidade visual inferior a 2,60 LogMAR. • B2: Acuidade visual variando de 1,50 a 2,60 LogMAR e / ou campo visual restrito a um diâmetro inferior a 10 graus. • B3: Acuidade visual variando de 1,40 a 1 LogMAR e/ ou campo visual restrito a um diâmetro inferior a 40 graus. * Acuidade visual correspondente a 1,0 LogMAR equivale a 6/60 metros, 20/200 pés ou 0,1 no sistema decimal de Snellen. Órgão da Visão Anexos do Globo Ocular Causas da Deficiência Visual CONGÊNITAS ADQUIRIDAS Componentes hereditários Doenças infecciosas Malformações congênitas Glaucoma Infecções maternas Catarata Trauma perinatal Diabetes Retinopatia da prematuridade Tumores Fibroplasia retrolental Traumas e lesões Erros de Refração Miopia Glaucoma Catarata Retinopatia Diabética Descolamento de Retina Estrabismo Consequências Motoras CARACTERÍSTICAS IMPLICAÇÕES PEDAGÓGICAS Defasagem no desenvolvimento motor • Estimular movimentação e deslocamento • Incentivar descoberta de novos movimentos • Feedback constante Alterações posturais • Oferecer outros tipos de estímulos • Promover regulação da postura e ajuste de tônus muscular Dificuldades no equilíbrio • Desenvolver sentido cinestésico • Estimular o equilíbrio corporal Déficit na orientação espacial • Incentivar o reconhecimento do ambiente • Indicar pistas sensoriais no ambiente Alterações na imagem corporal • Estimular capacidades perceptivas • Incrementar consciência corporal Alterações na marcha • Incentivar possibilidades de deslocamento • Transposição de obstáculos em diferentes terrenos Baixo condicionamento físico • Incentivar realização de atividades físicas Maneirismos e estereotipias • Oferecer estímulos vestibulares e propriceptivos Fatores Determinantes Período de manifestação da DV Nível de perda visual Causa da Deficiência Visual Estado geral de saúde Qualidade das experiências motoras Implicações Pedagógicas Adaptações às necessidades educacionais especiais em 4 níveis: • Instrução • Equipamento • Espaço Físico • Tarefa 1. INSTRUÇÃO E ORIENTAÇÃO 1. Descrição verbal 2. Demonstração 3. Percepção tátil do movimento 4. Assistência física 5. Referências espaciais táteis e auditivas 2. MATERIAIS E EQUIPAMENTOS • Disponibilidade de equipamentos e recursos materiais adaptados 1. Substituir informações visuais por sinais auditivos ou táteis 2. Modificação nas dimensões de bolas, implementos e alvos 3. Baixa visão: observar diferenças de cores, brilho, nitidez no contorno e utilização de contrastes 4. Valorização do processo de construção dos recursos pedagógicos 3. ESPAÇO FÍSICO 1. Reconhecimento espacial do local 2. Comunicar alterações na disposição de objetos 3. Incluir demarcações táteis e sinais sonoros 4.TAREFA • Modificar o grau de exigência da tarefa, alterar o tempo de execução da mesma, construir as regras coletivamente, de modo a permitir a participação de TODOS os alunos Conteúdos 1. Atividades rítmicas e expressivas 2. Atividades lúdicas e de lazer 3. Atividades Físicas e Exercícios 4. Jogos e Esportes Adaptados - Convencionais Organização do Desporto para Cegos Clubes e Associações Esportivas Confederação Brasileira Desporto DV - CBDV International Blind Sports Federation - IBSA Comitê Paraolímpico Internacional Comitê Paralímpico Brasileiro - CPB Atletismo Natação Futebol de 5 Judô Xadrez Paraciclismo Goalball Referências ARIPPOL, Patrícia Katayama Kjaer; SALOMÃO, Solange Rios; BELFORT JR., Rubens. Método computadorizado para medida da acuidade visual. Arq. Bras. Oftalmologia V. 69, N.6 . São Paulo Nov./Dec. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004- 27492006000600021 Acesso em 09 Maio 2013. IBSA. Definition of Visual Classes. Disponível em: <http://www.ibsa- sports.org/classification/ Acesso em: 01 Março 2013. MUNSTER, Mey de Abreu van; ALMEIDA, José Júlio Gavião de. Atividade física e deficiência visual. In: GORGATTI, M. G.; COSTA, R. F. da (Orgs) Atividade física adaptada: qualidade de vida para pessoas com necessidades especiais. Barueri, SP: Manole, 2013. p.28-76.