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teoria do recurso ordinario pratica av2

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RECURSOS 
 
Conceito: é a provocação do reexame de determinada decisão 
pela autoridade hierarquicamente superior, em regra, ou pela 
própria autoridade prolatora da decisão, objetivando a reforma 
ou modificação do julgado, ou seja, é o remédio processual 
concedido às partes ou terceiro, objetivando que a decisão judicial 
impugnada seja submetida a novo julgamento. 
 
 
Recurso, no âmbito do processo judicial, é um meio processual de 
impugnação de uma decisão judicial dentro do mesmo processo. 
 
Deve atender a pressupostos recursais para que possa tramitar 
normalmente. 
 
Quando um pressuposto recursal não está presente, o recurso 
não será conhecido pelo órgão julgador. O conhecimento de um 
recurso exige que os pressupostos recursais estejam presentes. 
 
Se os pressupostos recursais estão presentes, então o recurso 
será conhecido e as razões (fundamentos) do recorrente serão 
analisadas, podendo recurso ser: 
 
1) provido (acolhido - o recorrente tinha razão) 
2) parcialmente provido (o recorrente tinha parcial razão) 
3) ser improvido (ter o provimento negado – o recorrente não 
tinha razão). 
 
II - Princípios Recursais 
 
a) princípio do duplo grau de jurisdição – em caso de recurso, 
haveria direito da parte de ter a decisão revista por órgão 
jurisdicional distinto do prolator. 
Tal princípio, para os defensores, fundar-se-ia no art. 5º, LV, da CF. 
Todavia, a jurisprudência e doutrina mais modernas admitem que 
o duplo grau de jurisdição não se revela princípio constitucional, 
podendo ser suprimido por lei infraconstitucional. 
 
Desta forma, existem decisões que não são passíveis de recurso 
ou que o recurso afigura-se de uso limitado, como ocorre nos 
recursos das sentenças de procedimento sumário. Veja o art. 2º, 
§ 4º, da Lei 5.584/70. 
 
b) princípio da irrecorribilidade imediata das interlocutórias – as 
decisões interlocutórias não estão, em regra, sujeitas a recurso 
imediato, cabendo impugnação apenas por ocasião do recurso da 
decisão definitiva. Esta previsão decorre do contido no art. 893, § 
1º, da CLT. 
 
c) princípio da voluntariedade – o exercício do direito de recorrer 
depende da vontade da parte. Não se pode cogitar de recurso sem 
que haja demonstração pela parte da intenção de recorrer. 
 
d) princípio da proibição da reformatio in pejus – a condição do 
recorrente não pode ser piorada pelo julgamento do seu próprio 
recurso. 
Todavia, em se tratando de matéria de ordem pública, deve o 
órgão que julga recurso conhecê-la de ofício, ainda que tal 
procedimento traga prejuízo ao recorrente. 
 
e) princípio da singularidade, unicidade recursal ou 
unirrecorribilidade – não é possível, em regra, a interposição de 
mais de um recurso para a mesma decisão com objetivo de 
reformá-la ou anulá-la. Registre-se que este princípio envolve o 
recurso que vise reformar/atacar a decisão, não abrangendo os 
embargos de declaração, os quais são pertinentes a qualquer 
sentença, acórdão ou decisão interlocutória que apesente os 
vícios que justificam os embargos. 
 
f) princípio de fungibilidade recursal – havendo a interposição 
errônea de um recurso pelo outro, o recurso erroneamente 
interposto pode ser recebido como o recurso adequado. Todavia, 
para tanto, devem ser obedecidos os pressupostos do recurso 
adequado, além de que tal erro não pode ser grosseiro ou derivar 
da má-fé. 
 
g) princípio da dialeticidade ou discursividade – muito embora o 
art. 899 da CLT preveja que os recursos serão interpostos por 
simples petição, as razões recursais (os fundamentos) mostram-
se fundamentais. Apenas com a existência das razões do recurso 
pode se verificar a extensão da matéria recorrida (do que 
exatamente se está recorrendo), facilita a análise do interesse 
recursal e autoriza o exercício pleno da ampla defesa e 
contraditório do recorrido (que pode defender a manutenção da 
decisão de forma específica). 
 
h) princípio da manutenção dos efeitos da sentença – Um recurso 
pode ter diversos efeitos, sendo que comumente se recordam do 
efeito devolutivo (segundo o qual se devolve a matéria impugnada 
ao juízo ad quem) e o efeito suspensivo (mediante o qual não se 
pode executar a decisão enquanto o recurso não for julgado). 
No Processo do Trabalho, os recursos são, regra geral, recebidos 
apenas no efeito devolutivo, na forma do art. 899, caput, da CLT. 
 
III - Pressupostos Processuais 
 
III.1 - Pressupostos Processuais Objetivos (extrínsecos) 
 
Dentre os pressupostos objetivos encontram-se a tempestividade, 
o preparo, a adequação e representação processual. 
 
A) Tempestividade 
Inicialmente, registre-se que o recurso deve ser tempestivo, ou 
seja, interposto no prazo legal. No Processo do Trabalho, a regra 
é de que o prazo recursal é de 8 dias, o que se infere do art. 6º da 
Lei 5.584/70. 
 
Todavia, são 5 dias para os embargos declaratórios (art. 897-A da 
CLT) e 15 dias para o recurso extraordinário (art. 1.003, § 5º, do 
CPC) e 15 dias, na forma do art. 1.003, § 5º, do CPC, para o agravo 
de instrumento com intuito de destrancar recurso extraordinário 
(art. 1.042 do CPC) para o STF. 
 
Registre-se que os entes estatais (União, Estados, DF e 
Municípios), autarquias e fundações públicas possuem prazo em 
dobro para recorrer. Confira Decreto Lei 779/69, art. 1º e art. 183, 
CPC. 
 
Além disso, o Ministério Público do Trabalho (art. 180 do CPC) e a 
Defensoria Pública da União (LC 80/94, art. 44, I; CPC, art. 186) 
também possuem prazo em dobro para recorrer. 
 
o novo CPC traz uma novidade: 
 
Art. 186 (...) 
§ 3º O disposto no caput aplica-se aos escritórios de prática 
jurídica das faculdades de Direito reconhecidas na forma da lei e 
às entidades que prestam assistência jurídica gratuita em razão de 
convênios firmados com a Defensoria Pública. 
 
As empresas públicas e as sociedades de economia mista não 
possuem prazo em dobro. Nesta direção inclusive a inteligência da 
Súmula 170 do TST. 
 
Todavia, ressalva deve ser feita em relação aos Correios (ECT), 
empresa pública que possui determinadas prerrogativas da 
Fazenda Pública, dentre elas o prazo em dobro em decorrência do 
art. 12 do Decreto-Lei 509/69. 
 
Quanto à contagem do prazo, segue-se, antes da redação da 
reforma trabalhista, a regra processual do Processo do Trabalho 
é a contagem em dias corridos. 
 
Contudo, a reforma trabalhista (lei 13.467/17) estabelece a 
contagem em dias úteis: 
 
Art. 775. Os prazos estabelecidos neste Título serão 
contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo 
e inclusão do dia do vencimento. 
§ 1º Os prazos podem ser prorrogados, pelo tempo 
estritamente necessário, nas seguintes hipóteses: 
I - quando o juízo entender necessário; 
II - em virtude de força maior, devidamente comprovada. 
§ 2º Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e 
alterar a ordem de produção dos meios de prova, 
adequando-os às necessidades do conflito de modo a 
conferir maior efetividade à tutela do direito. 
 
Havendo litisconsortes com procuradores diferentes, o prazo 
continuará a ser o mesmo, sendo inaplicável o art. 229 do CPC. 
 
Na direção da inaplicabilidade confira a OJ 310 da SDI-I do TST. 
 
Registre-se que não é extemporâneo (fora do prazo) o recurso 
interposto anteriormente à publicação do acórdão. Vide art. art. 
218, § 4º, do CPC. 
 
B) Preparo 
 
No que tange ao preparo, esse conceito envolve as custas e o 
depósito recursal. 
 
As custas, no processo de conhecimento, devem ser calculadas na 
forma prevista no art. 789 da CLT. O recolhimento destas 
despesas, se houver recurso, deve ser feito no prazo recursal, 
conforme preceitua o art. 789, § 1º da CLT. 
 
Os entes estatais, as autarquias e as fundações públicas, além do 
Ministério Público, estão isentos do recolhimento das custas na 
forma do art. 790-A da CLT. 
 
No processo executivo, sendo

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