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teoria do recurso ordinario pratica av2

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as custas pagas ao final (art. 789-
A, caput), as mesmas não são exigidas para a admissão dos 
recursos interpostos na execução. 
 
Se o valor recolhido das custas for insuficiente, incide o art. 1.007, 
§ 2º, do CPC: 
 
Art. 1.007 (...) 
§ 2º A insuficiência no valor do preparo, inclusive porte 
de remessa e de retorno, implicará deserção se o 
recorrente, intimado na pessoa de seu advogado, não 
vier a supri-lo no prazo de 5 (cinco) dias. 
 
Logo, haverá necessidade de intimação da parte para que tenha a 
oportunidade de complementar o recolhimento, se o preparo for 
insuficiente. 
 
A aplicabilidade ao Processo do Trabalho pode ser vista no art. 10 
da IN 39/2016 do TST: 
 
IN 39/2016 do TST 
Art. 10. Aplicam-se ao Processo do Trabalho as normas 
do parágrafo único do art. 932 do CPC, §§ 1º a 4º do art. 
938 e §§ 2º e 7º do art. 1007. 
 
No que tange ao depósito recursal, atente-se para o fato de que 
o mesmo não possui natureza de despesa processual, mas de 
garantia do juízo. 
 
Os recursos que pressupõem, como regra, depósito recursal 
diante de uma condenação em dinheiro são: recurso ordinário, 
recurso de revista, recurso de embargos no TST, recurso 
extraordinário e agravo de instrumento. 
 
Com a reforma trabalhista (lei 13.467/17), o depósito deverá ser 
realizado em conta judicial vinculada ao juízo, não se fazendo 
mais em conta vinculada do FGTS. 
 
C) Adequação 
 
Quanto à adequação, deve a parte utilizar o recurso adequado 
para a finalidade pretendida. 
 
Se a parte quer suprir uma omissão ou sanar uma contradição, 
deve utilizar embargos de declaração (como veremos mais 
adiante). Se a parte quiser atacar uma sentença em execução por 
entendê-la incorreta, deve utilizar o agravo de petição. 
 
Claro que aqui deve ser lembrado o princípio da fungibilidade 
bem como os casos em que tal princípio não deve ser admitido. 
 
Se o recurso inadequado for interposto, deve ser recebido como 
o recurso certo (adequado), desde que: 
 
a) estejam presentes os pressupostos do recurso adequado; 
b) erro não pode ser grosseiro ou derivar da má-fé. 
A referência exemplificativa a erro grosseiro pode ser constatada 
na própria OJ 412 da SDI-II do TST. 
 
 
D) Representação processual regular 
 
Como você sabe, quando se trata de processo entre empregado e 
empregador, pode ele atuar sem advogado (jus postulandi) em 
recursos que serão julgados pelo juiz da Vara (ex. embargos de 
declaração) ou pelo TRT (ex. recurso ordinário). 
 
Entretanto, no caso de recurso que será julgado pelo TST, apenas 
pode haver recurso subscrito por advogado. Veja a Súmula 425 do 
TST. 
 
Havendo advogado nos recursos, e se houver uma irregularidade 
no seu mandato? 
 
Nesse caso, o TST entende que, havendo procuração no processo 
e estando irregular, cabe ao Desembargador relator ou órgão do 
TRT (se o recurso for de competência do TRT) ou ao Ministro 
relator ou órgão do TST (se o recurso for de competência do TST) 
dar prazo para regularização. 
 
Leia a Súmula 383, I e II, do TST. 
 
III.2 - Pressupostos Processuais Subjetivos (intrínsecos) 
 
Há, ainda, os pressupostos subjetivos, quais sejam, legitimidade, 
interesse recursal, capacidade. 
 
A) Legitimidade 
Primeiramente, deve-se reconhecer o direito de recorrer às 
partes, ao terceiro prejudicado e o Ministério Público do 
Trabalho, seja quando este atua como parte, seja quando atua 
como fiscal de lei (custos legis). Veja o disposto no art. 
996 do CPC. 
 
Um dos casos em que o MPT é parte legítima para recorrer e 
possui o respectivo interesse, muito embora não seja parte, 
refere-se à sentença ou acórdão que reconhece vínculo de 
emprego de trabalhador com empresa estatal sem concurso 
público quando a admissão ocorreu após a Constituição de 1988. 
Veja a OJ 237, II, da SDI-I do TST. 
 
Todavia, quanto à defesa de interesse patrimonial privado, 
registramos que o MPT não tem legitimidade para recorrer, 
conforme OJ 237, I, do TST. 
 
B) Interesse recursal 
 
O interesse recursal cuida da efetiva necessidade de se obter um 
pronunciamento diverso do proferido. 
 
Registre-se que entendemos que a existência de renúncia ao 
prazo recursal (a parte, mesmo tendo interesse em recorrer, 
renuncia o prazo para fazê-lo) apresenta-se como demonstração 
de ausência de interesse recursal. 
 
Agora, quando um recurso já foi interposto e a parte desiste dele, 
então teremos a perda superveniente do interesse recursal. 
No entanto, existe uma corrente que defende que a renúncia do 
prazo recursal seria um fato extintivo do direito de recorrer e a 
desistência do recurso seria um fato impeditivo. Essa corrente 
entende que a ausência de fato impeditivo ou extintivo do direito 
de recorrer é um pressuposto recursal objetivo. 
 
C) Capacidade processual 
 
Por último, para recorrer, revela-se fundamental possuir 
capacidade processual (de estar em juízo). Recorrer envolve a 
prática de ato processual, devendo a parte ser capaz de praticar 
esse ato. 
 
Recurso Ordinário 
 
 
ESTRUTURA DO RECURSO ORDINÁRIO 
 
➔ O recurso ordinário é o principal recurso trabalhista. Equivale a apelação no 
Processo Civil. 
 
Nos termos do art. 895 da CLT, cabe recurso ordinário para a instância superior: 
I – das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no prazo de 8 (oito) 
dias; e 
II – das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em processos de 
sua competência originária, no prazo de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, 
quer nos dissídios coletivos. 
 
Obs.: No sistema recursal trabalhista, em regra, os recursos passam por um duplo juízo 
de admissibilidade, para análise do preenchimento ou não dos pressupostos extrínsecos 
(objetivos) e intrínsecos (subjetivos): previsão legal (cabimento), adequação, 
tempestividade, preparo, regularidade de representação, capacidade, legitimidade, 
interesse. 
Daí a necessidade de 2 peças: 
1.ª Peça (Petição de Interposição ou Peça de Encaminhamento), direcionada ao Juízo a 
quo (1.º juízo de admissibilidade recursal); e 
2.ª Peça (Razões Recursais), endereçada ao Juízo ad quem (2.º juízo de admissibilidade 
recursal). 
 
1.ª PEÇA: PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO OU PEÇA DE ENCAMINHAMENTO 
 
 
1. ENDEREÇAMENTO COMPLETO (SEM ABREVIATURAS). 
 
Obs.: Juízo a quo (primeiro juízo de admissibilidade recursal) – Juiz do Trabalho da 
Vara do Trabalho; Juiz de Direito investido em Matéria Trabalhista; Juiz-Presidente do 
Tribunal Regional do Trabalho; Desembargador-Presidente do Tribunal Regional do 
Trabalho. 
 
2. PROCESSO NÚMERO. 
 
3. MENÇÃO DO RECORRENTE, DO RECORRIDO E DO ADVOGADO. 
 
Obs. 1: Reclamante ou reclamado (a depender do caso concreto). 
Obs. 2: Mencionar que o recorrente já está qualificado nos autos em epígrafe. 
4. MENÇÃO DO INCONFORMISMO COM A RESPEITÁVEL SENTENÇA OU ACÓRDÃO. 
 
Obs.: Nas razões, o recorrente deverá impugnar a sua sucumbência total ou parcial, 
isto é, as suas Teses vencidas na sentença ou acórdão guerreado. 
 
5. VERBO: INTERPOR. 
 
6. IDENTIFICAÇÃO E PREVISÃO LEGAL DA PEÇA: RECURSO ORDINÁRIO – ART. 895, I OU 
II, DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO (CLT). 
 
Obs.: atenção ao correto enquadramento no inc. I ou II do art. 895 da CLT. 
 
7. MENÇÃO DAS RAZÕES ANEXAS. 
 
8. MENÇÃO DO PREPARO (CUSTAS E DEPÓSITO RECURSAL, A DEPENDER DO CASO 
CONCRETO). 
 
9. MENÇÃO DO RECEBIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO E REMESSA DOS AUTOS AO 
RESPECTIVO TRIBUNAL 
(Tribunal Regional do Trabalho ou Tribunal Superior do Trabalho, a depender do caso 
concreto) 
 
10. NOTIFICAÇÃO DO RECORRIDO PARA APRESENTAR CONTRARRAZÕES. 
 
11. ENCERRAMENTO: 
 
a) nesses termos, pede deferimento; 
b) local e data (sem identificação); 
c) advogado e número da OAB (sem identificação). 
 
2.ª PEÇA: RAZÕES RECURSAIS 
 
1. CABEÇALHO 
(4 itens): menção

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