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Disciplina: Fenômenos de Transportes Tema da aula: Leis básicas para transferência de massa, calor e quantidade de movimento Roteiro da aula - Princípios fundamentais - Leis básicas - Transferência de massa por difusão - Transferência de calor - Transferência de quantidade de movimento Princípios Fundamentais Como pode uma propriedade física se transferir de um ponto a outro do espaço? Há várias formas de isso ocorrer, de acordo com as diferentes causas. Uma classificação dessas transferências, decorrentes de causas distintas, pode ser feita considerando os denominados "mecanismos de transferência". Difusão: A propriedade em estudo é transferida em razão de movimentos aleatórios de partículas do meio no sentido decrescente da "concentração" da propriedade transferida. O termo "concentração" é aqui utilizado genericamente no sentido de quantificar a propriedade estudada que ocupa determinada região no espaço. Convecção: A propriedade é transferida em razão de um movimento preferencial (bem definido) do meio fluido (ou do fluido que compõe o meio). Radiação: A propriedade é transferida sem necessitar de um meio preenchido de matéria, por meio de ondas ele- tromagnéticas. Os mecanismos podem ser estudados isoladamente ou em conjunto. Por exemplo, a transferência de calor no interior de uma barra de ferro é um caso de difusão molecular. Contudo, se considerar que parte do calor pode ser transferida ao ar que compõe o meio externo, e que este ar pode estar em movimento, tem-se, no sentido do movimento do ar, um transporte convectivo. Pode-se imaginar, adicionalmente, que a barra de ferro seja aquecida tão intensamente que se torne vermelha ao longo do tempo. Nesse caso, estamos observando radiação, que já atinge o espectro da luz visível. Há, portanto, emissão de calor por radiação. Cada tipo de transporte está vinculado a uma causa distinta, mas todos os tipos de transporte podem participar de uma mesma situação observada. Nesta aula apresentaremos uma formulação matematica, decorrente da observação da natureza. Sabendo-se que os fenómenos se desenvolvem buscando uma situação de equilíbrio, de homogeneidade, de distribuição uniforme no espaço As equações fundamentais são aqui apresentadas por meio de uma visão mais intuitiva fisicamente. LEIS BÁSICAS: A CONSTRUÇÃO DE MODELOS O que significa Lei básica ? É um modelo matemático que relaciona as grandezas consideradas relevantes em uma abstração da realidade física. Um modelo matemático procura traduzir para a linguagem simbólica, uma situação que é observável na natureza e que segue padrões semelhantes quando as condições do ambiente também são semelhantes. TRANSFERÊNCIA DE MASSA POR DIFUSÃO Experimento: - Consideram-se duas salas geometricamente iguais separadas por uma parede na qual se podem instalar diversas portas. - A porta entre as salas é mantida fechada (a atmosfera das salas é igual) Figura 1 – Situação de trabalho para o desenvolvimento - No ambiente 1 (primeira sala) coloca-se um botijão de gás cuja válvula é aberta por um intervalo de tempo fixo e novamente fechada. - Libera-se um número N1 máximo de moléculas no ambiente 1, enquanto o ambiente 2 contém um número N1 mínimo de moléculas (no caso, igual a zero) - a porta entre as salas é aberta por um determinado intervalo de tempo e o gás novamente se expande na tentativa de ocupar também o ambiente 2 - com um cronometro efetuam-se vários expe- rimentos abrindo a porta e deixando-a aberta por tempos diferentes. - abrindo-se a porta durante um intervalo Δt1 e fechando-a novamente, um número ΔN1 de moléculas passa do ambiente 1 para o ambiente 2 - Depois disso, areja-se o ambiente 2 e abre-se a válvula do botijão no ambiente 1 para que o número de moléculas volte a atingir o valor máximo. - Repetindo-se o procedimento para tempos observa-se, verifica-se que um maior numero de moleculas atravessam a porta. Pode-se então dizer que : ΔN α Δt Figura 2 – Arranjo com a área de passagem variável Outra informação pode ser obtida instalando-se mais portas na parede divisória - Repetindo-se o experimento, porem desta vez fixando-se Δt e aumentando-se o numero de portas abertas (area A), observa-se um maior numero de moléculas atravessando o ambiente no mesmo tempo. - Desta forma podemos deduzir: ΔN α A Podem-se efetuar experimentos mantendo a porta entre os dois ambientes aberta e quantificando o número de moléculas que passa entre os dois ambientes em um tempo fixo (por exemplo, cinco segundos) em diferentes momentos do processo de passagem do gás através da abertura entre os dois ambientes (desta vez sem realimentar o ambiente 1 com o gás). Num primeiro instante da abertura da porta, o numero liquido de moleculas que passa é maximo. Com o passar do tempo observa-se que este numero de moleculas que atravessa do ambiente 1 para o ambiente 2 diminui, ou seja ΔN2<ΔN1 Percebe-se que no equilibrio ΔNn = 0 Nota-se que, sendo maior a diferença do número de moléculas entre os dois ambientes, mantendo constantes todas as demais condições, um número líquido maior de moléculas passa do ambiente 1 para o ambiente 2, então: ΔN α ( N1-N2 ) Figura 3 – Arranjo com ambientes não contíguos Para um intervalo de tempo fixo, abre-se a porta de um corredor com Δx = 0, permitindo a passagem de um número ΔN1 de moléculas entre os dois ambientes. Após o experimento, areja-se o ambiente 2 e abre-se a válvula do botijão de gás no ambiente 1, de forma a atingir novamente o número máximo de moléculas nesse ambiente. Repete-se o experimento para o mesmo Δt porém agora introduzindo um corredor entre os dois ambientes, com comprimento Ax > 0. Observa-se que, quando as moléculas de gás passam de uma sala para a outra, encontram, no segundo caso, mais moléculas de ar que compõem a atmosfera, chocando-se com elas e atrasando o movimento médio entre as salas. Assim, tem-se a passagem de úm número menor de moléculas de gás entre os dois ambientes. Observa-se, neste caso que: ΔN2<ΔN1 Então podemos dizer que: ΔN α (1/Δx) Destes experimentos obteve-se 4 proporcionalidades (com uma variavel valida, e demais inalteradas) As quatro proporcionalidades, de forma isolada, são de pouca utilidade, porém indicam a possibilidade de haver uma função que liga ΔN a essas variáveis. Utilizando uma função genérica f, tem-se, então: ΔN = f (Δt, A, ( N1-N2 ), Δx) As proporcionalidades individuais de cada variável, geradas na discussão anterior, podem ser introduzidas nesta Equação. Assim, como foi verificado que algumas variaveis sao diretamente proporcionais , então pode-se escrever: Assim, como foi verificado que algumas variaveis sao diretamente proporcionais , então pode-se escrever: ΔN = Δt f1 (A, ( N1-N2 ), Δx) ΔN = Δt .A f2 (( N1-N2 ), Δx) ΔN = Δt .A .( N1-N2 ), f3 (Δx) Para manter o sinal de igualdade considerar a última proporcionalidade (com Δx), é preciso introduzir uma constante de proporcionalidade, w). Tem-se, então: ΔN = w.Δt .A .( N1-N2 ). (1/Δx) Multiplicando a massa molecular M, temos: Δm = w.Δt .A .(m1-m2 ). (1/Δx)Em que m expressa a massa de gas em cada ambiente (Δm: massa transferida) Como o volume V e igual nos dois ambientes, podemos multiplicar e dividir o segundo membro da equação: Δm = (wV).Δt .A .(C1-C2 ). (1/Δx) Definindo C (m/V) como concentração. Como wV é uma constante, chamaremos simplesmente por D, então: Δm/ Δt = D.A .(C1-C2 ). (1/Δx) É usual representar o primeiro termo da equação (chamado de descarga de massa) por Ṁ. Adicionalmente, a fração do segundo membro pode ser apresentada de forma mais elegante quando, considerada a hipótese do contínuo, calcula-se seu limite para Δx —> 0. Neste caso. pela definição da derivada, obtém-se: Ṁ = D.A. dC/dx Sabendo-se que Ṁ e A sao dependentes entre si de forma linear segundo a geometria estudada, podemos representar a razão Ṁ/A por ṁ (fluxo de massa), então: ṁ = D. dC/dx Finalmente, verifica-se que a massa se desloca da maior para a menor concentração. Para levar esse fato em conta na Equação anterior, que considera a variação de concentração e o fluxo de massa ao longo de um eixo x, de forma que o fluxo calculado tenha o sentido correto, introduz-se o sinal negativo na equação, resultando: ṁ = - D. dC/dx Esta equação representa o fluxo de massa como proporcional à derivada da concentração em relação a uma dimensão (o gradiente de concen- tração). A constante de proporcionalidade, representada pela letra D, recebe o nome de "difusividade molecular“ Esta equação conhecida como LEI DE FICK para transferência de massa. TRANSFERÊNCIA DE CALOR POR CONDUÇÃO Da mesma forma apresentada no item anterior, repetiremos os mesmos experimentos, porem agora analisando as partículas aquecidas (pela chama de butijão de gas no ambiente 1). O gas aquecido se expande na atmostera do ambiente 1 de forma homogênea Para obter a primeira informação acerca da passagem de calor (energia térmica em movimento) de um ambiente para o outro, com um cronometro efetuam-se vários experimentos abrindo a porta e deixando-a aberta por tempos diferentes. Assim, abrindo-se a porta durante um intervalo Δt1 e fechando-a novamente, um número ΔN1 de moléculas aquecidas passa do ambiente 1 para o ambiente 2. Ou seja, uma quantidade de calor ΔQ1. Com a observação dos resultados podemos propor que: ΔQ α Δt No experimento onde pode-se variar o numero de portas abertas nos ambientes (intervalo de tempo fixo), temos: ΔQ α A Sem realimentar o ambiente 1 com ar aquecido e mantendo-se as portas abertas, medindo-se as moléculas aquecidas em transito num tempo fixo em diferentes momentos, podemos escrever: ΔQ α ( T1-T2 ) Ou seja, sendo maior a diferença de temperaturas entre os dois ambientes, mantendo constantes todas as demais condições, mais calor passa do ambiente 1 para o ambiente 2 Finalmente observa-se o mesmo comportamento (que no caso de transferência de massa), quando os ambientes são ligados de forma que Δx possa ser variado, ou seja: ΔQ α (1/Δx) Com estas quatro proporcionalidades, e fazendo a mesma analise de funções já demonstrada, podemos escrever: Ǭ = k.A.dT/dx Onde Ǭ (ΔQ/Δt) é chamado de descarga termica, e matematicamente K é a constante de proporcionalidade introduzida na expressão que continha a função (para manter o sinal de igualdade). Esta constante fisicamente significa a condutividade térmica do material. Na equação anterior, levando-se em consideração que o calor flui da região de maior temperatura para de menor temperatura, e dividindo a descarga pela area (fluxo termico ǭ), temos: Ǭ = - k.dT/dx Essa equação representa o fluxo térmico como proporcional à derivada da temperatura em relação a uma dimensão (o gradiente de temperatura). Esta equação conhecida como LEI DE Fourier para transferência de calor. TRANSFERÊNCIA DE QUANTIDADE DE MOVIMENTO Adota-se aqui a situação de um escoamento gerado pelo deslocamento relativo de duas placas planas paralelas, conforme mostrado na Figura a seguir. A placa inferior tem velocidade V1 = 0 e a placa superior tem velocidade V2, na direção do eixox. As duas placas apresentam uma distância Δy entre si, medida ao longo do eixoy Figura 4 – Placas paralelas Admite-se que as placas deslizam continuamente uma sobre a outra, com a camada de fluido entre elas, não havendo situações transientes Todas as partículas do fluido no espaço entre as placas atingiram sua própria velocidade constante (ainda que possam ser diferentes de ponto a ponto do espaço). O deslocamento da placa superior induz movimento no fluido, por meio dos choques moleculares do fluido com essa placa. As moléculas aceleradas na direção do deslocamento chocam-se com moléculas mais distantes da placa superior e também as aceleram na direção do deslocamento da placa superior. Assim, sucessivamente, o movimento é mantido em todo o fluido em razão desses choques moleculares internos. Finalmente, junto à placa inferior, as moléculas se chocam contra sua superfície e, como esta não se movimenta, sofrem ação de desaceleração na direção do escoamento. Em outras palavras, as moléculas transferem parte de sua quantidade de movimento na direção do escoamento para a placa inferior. E esta transferência de quantidade de movimento ΔQM que se pretende quantificar. Com um cronometro mede-se determinado intervalo de tempo, no qual a quantidade de movimento transferida para a área escolhida é ΔQM1. Torna-se a repetir a medida do tempo, agora para um intervalo de Δt2 > Δt1. Espera-se, evidentemente, que uma quantidade ΔQM2 > ΔQM1 seja transferida para a placa. Pode-se sugerir, então, uma proporcionalidade da forma: ΔQM α Δt Em outro experimento (ainda com V1=0) variando-se a area A (placa inferior), mantendo o tempo fixo, verifica-se que: ΔQM α A Se placa superior tiver sua velocidade diminuída, haverá menos transferência de quantidade de movimento na direção de seu deslocamento para as moléculas adjacentes, e assim por diante, até chegar à placa inferior. Quanto menor a diferença entre a velocidade da placa superior e da placa inferior, menor será, portanto, essa transferência de quantidade de movimento, então: ΔQM α (V2x - V1x) E com relação a distancia entre as placas: ΔQM α (1/Δy) Utilizando-se os mesmos procedimentos matematicos já apresentados, temos: ΔQM/ Δt = µ A ΔVx / Δy A unidade de trabalho do primeiro membro é de força. Para verificar essa semelhança dimensional, basta lembrar que F = ma, ou F = mdV/dt, ou ainda F = d(mV)/dt. Como o produto mV é a quantidade de movimento, a semelhança é evidente. Assim, o primeiro membro também representa a força tangencial aplicada na direção do escoamento que atua sobre a placa inferior. Essa grandeza, que é uma "descarga de quantidade de movimento", é mais facilmente assimilada como a força tangencial F. Chamando-se a razão entre esta força e a area de τ, e aplicando-se o limite para Δy=0, resulta em: Τ = µ dVx/dy Onde µ é a viscosidade dinâmica Esta equação conhecida como LEI DE VISCOSIDADE DE NEWTON. Nota-se duas direções envolvidas, uma para a velocidade e outra para o eixo ao longo da qual a velocidade varia. Assim, observa-se que a tensão de cisalhamento considera uma grandeza vetorial (a velocidade) em sua formulação, enquanto as leis básicas anteriores consideravamgrandezas escalares . Percebe-se tambem a ausencia do sinal de menos (quando comparamos com as leis anteriores) Essa ausência é consequência do fato da transferência de quantidade de movimento ser relativa ao referencial adotado. Por exemplo, toda a discussão aqui conduzida considerou a placa superior em movimento e a inferior parada. Ou seja, como observadores nos colocamos junto à placa inferior e esta recebeu quantidade de movimento das moléculas. Bibliografia utilizada • INCROPERA, F. P., Witt, D. P. - Fundamentos da Transferência de Calor e Massa, John Wiley, 1998 • HOLMAN, Jack Philip. Transferência de calor. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil,1983. • PITTS,D.; SISSOM, Leighton. Fenômenos de transporte: transferência de calor,momento e massa. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1981. Obrigado pela atenção! Exemplo: A parede da fornalha de uma caldeira é construída de tijolos refratários com 0,20m de espessura e condutividade térmica de 1,3 W/mK. A temperatura da parede interna é de 1127oC e a temperatura da parede externa é de 827oC. Determinar a taxa de calor perdido através de uma parede com 1,8m por 2,0 m. 20,0 8271127 6,3.3,1q x TT Akq ei Dados: Solução x = 0,20 m k = 1,3 [W/moC] Ti = 1127 oC Te = 827 oC A = 1,8.2,0 = 3,6 m2 W7020q