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NOVA CLASSIFICAÇÃO PARA DOENÇAS E CONDIÇÕES PERIODONTAIS E PERI-IMPLANTARES Tradução e adaptação: Marcos Vinícius Moreira de Castro Daniela Susin Introdução e principais mudanças da classificação de 1999 N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E SN O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S 3 Classificação para doenças e condições periodontais e peri- implantares é necessário para os clínicos diagnosticarem e tratarem adequadamente, bem como para os cientistas investigarem a etiologia, patogênese, história natural e tratamento das doenças e condições. Este artigo resumiu os procedimentos do workshop mundial sobre classificação de doenças e condições periodontais e peri-implantares. O workshop foi copatrocinado pela Academia Americana de Periodontologia e Federação Europeia de Periodontologia e incluiu participantes especialistas de todo o mundo. Encomendaram 19 artigos de revisão e quatro relatórios consensuais abrangendo áreas relevantes na Periodontia e Implantodontia. Para atualizar a classificação de 1999 e desenvolver um esquema semelhante para doenças e condições peri-implantares. Revisores e grupos de trabalho também foram solicitados a estabelecer definições de casos pertinentes e fornecer critérios diagnósticos para auxiliar os clínicos no uso da nova classificação. Todas as descobertas e recomendações do workshop foram acordadas por consenso. O artigo introdutório apresentou uma visão geral para a nova classificação, juntamente com um esquema condensado para cada uma das quatro seções do grupo de trabalho, os leitores são direcionados para os relatórios de consenso pertinentes e artigos de revisão para uma discussão completa da lógica, critérios e interpretação. Mudanças na classificação de 1999 foram destacadas e discutidas. Embora a intenção do workshop fosse basear a classificação nas evidências científicas mais fortes disponíveis, evidências de baixo nível e opinião de especialistas são inevitavelmente usadas sempre que dados de pesquisa suficientes não estiveram disponíveis. Apresentaram tabelas esquemáticas, destacaram as alterações realizadas e não puderam apresentar riqueza de informações, recomendaram que o leitor usasse essa visão geral como introdução a esses assuntos. A publicação on-line permitiu que os links desta visão geral e as tabelas possibilitassem visualizar os documentos de origem. O artigo base para esta classificação foi elaborado por Caton et al. (2018), desta maneira, toda parte do trabalho sem referência pertence a estes autores. Palavras-chave: classificação, doenças periodontais, gengivite, mucosite peri-implantar, peri-implantite, periodontite. RESUMO N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S DOENÇAS E CONDIÇÕES PERIODONTAIS Saúde periodontal, doenças e condições gengivais Periodontites Outras condições que afetam o periodonto SAÚDE PERIODONTAL, DOENÇAS E CONDIÇÕES GENGIVAIS 1. Periodonto de inserção saudável e gengiva saudável 2. Gengivite induzida por biofilme dental 3. Doenças gengivais não induzidas por biofilme dental 1. Periodonto de inserção saudável e gengiva saudável a. Saúde gengival com periodonto intacto b. Saúde gengival com periodonto reduzido I. Paciente com periodontite estabilizada II. Paciente sem periodontite CLASSIFICAÇÃO DAS DOENÇAS E CONDIÇÕES PERIODONTAIS E PERI-IMPLANTARES 2017 Tradução e adaptação: Marcos Vinícius Moreira de Castro Daniela Susin * Especialista em Periodontia. Mestre e Doutor em Odontologia. Coordenador do curso de Especialização em Periodontia da EAPGOIAS e ABO-GO-Regional Anápolis. ** Especialista em Periodontia e Implantodontia. Professora do curso de Especialização em Periodontia da EAPGOIAS e Implantodontia da OrthoPlace. Aluna do Curso de Mestrado em Odontologia pela UNITAU. 5 Saúde gengival com periodonto intacto - caracterizada pela ausência de: sangramento à sondagem, eritema, edema, sintomas do paciente. Inserção clínica e níveis ósseos intactos. Níveis ósseos fisiológicos variam de 1 a 3 mm apical à junção cemento-esmalte. Saúde gengival com periodonto reduzido - Paciente com periodontite estabilizada caracterizada pela ausência de: sangramento à sondagem, eritema, edema e sintomas do paciente. Inserção clínica e níveis ósseos reduzidos. Houve uma visão minoritária racional expressa que o limiar para a definição de um caso clínico de saúde em um paciente com periodontite tratada com sucesso deveria ser fixado em ≤ 3 mm sem sangramento à sondagem para reconhecer o risco elevado de doença recorrente. No entanto, a opinião da maioria foi que o limiar de ≤ 3 mm raramente foi alcançado em 100% dos locais tratados e poderia levar a um tratamento excessivo. O limiar foi, portanto, estabelecido em ≤ 4 mm, reconhecendo que os fenótipos clínicos pós-tratamento precisam ser considerados diferentemente dos fenótipos pré-tratamento. Saúde gengival com periodonto reduzido - Paciente sem periodontite - caracterizada pela ausência de: sangramento à sondagem, eritema, edema e sintomas do paciente. Na presença de inserção clínica e níveis ósseos reduzidos. Não há evidências atuais de aumento do risco de periodontite. (CHAPPLE et al., 2018). Para um periodonto intacto ou reduzido e estável, a saúde gengival é definida como < 10% de locais com sangramento à sondagem e profundidades de sondagem ≤ 3 mm. (RAMSEIE et al., 2015; TROMBELLI et al., 2018). N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S 2. Gengivite induzida por biofilme dental a. Associada somente ao biofilme dental b. Mediada por fatores locais ou sistêmicos c. Crescimento gengival influenciado por drogas Uma sonda periodontal padrão global (ISO 21672) apresenta como características: 1. Diâmetro da ponta 0,5 mm 2. Estrutura cilíndrica da ponta 3. Limitador de força constante de 0,25 N 4. Escala de 15 mm com marcações milimétricas ou individuais com precisão 5. Conicidade de 1,75. (CHAPPLE et al., 2018). Gengivite localizada ≥ 10% e ≤ 30%. Generalizada > 30%. (TROMBELLI et al. 2018). Gengivite induzida por biofilme dental - Mediada por fatores locais (retenção de biofilme e xerostomia). Gengivite induzida por biofilme dental - Mediada além de fatores locais, por fatores risco sistêmico ou modificadores, que são características presentes num indivíduo, que influenciam negativamente a resposta imunoinflamatória a uma dada carga de biofilme, resultando em hiperinflamação. (CHAPPLE et al., 2018). 7 Dos principais fatores de risco para periodontite e vida, tem efeitos profundos sobre os tecidos gengivais. A captação sistêmica circulatória dos componentes da fumaça do cigarro, bem como a captação local, são indutoras de vasoconstrição e fibrose microvascular. Isso pode mascarar sinais clínicos de gengivite, como sangramento à sondagem, apesar de infiltrado inflamatório patológico significativo. (WARNAKULASURIYA et al., 2010). A formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs) também pode resultar na ligação de AGE ao seu receptor de superfície celular (RAGE), que ativa cascatas de sinalização pró-inflamatórias. (CHAPPLE; GENCO, 2013). Fatores nutricionais - Grave deficiência de vitamina C, ou escorbuto, resulta em defesas de micronutrientes antioxidantes comprometidos ao estresse oxidativo e também impacta negativamente a síntese de colágeno, resultando em paredes dos vasos sanguíneos capilaresenfraquecidos e uma propensão consequente ao aumento do sangramento gengival. (VAN DER VELDEN; KUZMANOVA; CHAPPLE, 2011). Agentes farmacológicos - podem atuar por diversos mecanismos para aumentar a suscetibilidade à gengivite. Drogas que reduzem o fluxo salivar, que afetam a função endócrina e que podem induzir o aumento gengival e pseudobolsa. (CHAPPLE et al., 2018). Elevações nos hormônios esteróides sexuais - na puberdade, menstruação, durante a gravidez, ou após medicação com contraceptivos orais de primeira geração podem modificar a resposta inflamatória gengival, geram inflamação mais do que o esperado, em resposta a níveis relativamente pequenos de biofilme. Modernos contraceptivos tiveram doses reduzidas e pouca evidência de respostas inflamatórias gengivais exageradas ao biofilme. (TROMBELLI; FARINA, 2013). Condições hematológicas - malignidades sanguíneas específicas, como leucemia ou condições pré-malignas, excesso de inflamação gengival sem acúmulo excessivo de biofilme. Gengiva inchada, roxa ou ocasionalmente pálida devido à infiltração de células leucêmicas, sangramento gengival inconsistente com os níveis de acúmulo de biofilme, devido a trombocitopenia e/ou deficiências de fator de coagulação. (LYNCH,1967). N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S Os dados epidemiológicos atuais sobre a prevalência de gengivite sofrem da falta de uma definição de caso universalmente adotada e variam de 6% a 94%, devido ao uso de índices que medem a inflamação gengival em locais individuais em vez de considerar a boca do paciente como um todo. A inflamação clínica localizada leve afeta quase 95% da população. (CHAPPLE et al., 2018). Gengivite induzida por biofilme dental - Crescimento gengival influenciado por drogas As características clínicas comuns: variações nos padrões de alargamento interpessoal ou intrapaciente (isto é, predisposição genética), tendência a ocorrer mais frequentemente na gengiva anterior, prevalência maior em grupos etários mais jovens, início dentro de três meses de uso, geralmente observado inicialmente na papila. (BEAUMONT et al., 2017). As drogas associadas principalmente ao crescimento do tecido gengival são: antiepilépticas como fenitoína e valproato de sódio, bloqueadoras dos canais de cálcio (nifedipina, verapamil, diltiazem, amlodipina, felodipina), drogas imunossupressoras (ciclosporina A, tacrolimus, sirulimus) e contraceptivos orais de alta dose. Suscetibilidade específicas. (TRACKMAN; KANTARCI, 2015). Paciente com gengivite pode reverter para um estado de saúde, mas com periodontite, mesmo após terapia bem-sucedida, continua sendo por toda a vida e requer cuidados de suporte para sempre. Doenças gengivais e condições não induzidas por biofilme dental são baseadas na etiologia primária. 9 3. Doenças gengivais não induzidas por biofilme dental a. Desordens genéticas/desenvolvimento b. Infecções específicas c. Condições imunoinflamatórias d. Processos reativos e. Neoplasmas f. Doenças metabólicas, nutricionais e endócrinas g. Lesões traumáticas h. Pigmentação gengival. a. Desordens genéticas/desenvolvimento - Fibromatose gengival hereditária, rara condição (1:750.000) caracterizada por crescimento lento, progressivo e benigno da gengiva. Dois gêneros igualmente afetados, mais frequente generalizada. (SHI et al., 2011). b. Infecções específicas - representadas por infecções por micro-organismos (bactérias como gonococos, estreptococos e treponemas; vírus como herpes e fungos como cândida). N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S c. Condições imunoinflamatórias Reações de hipersensibilidade Alergia de contato pode ocorrer em apresentações clínicas variáveis, como formas eritematosa, erosiva e liquenóide. Boca ardente também pode ser uma manifestação. O crescimento gengival (antigamente hiperplasia) tem sido relatado em casos excepcionais causados por metais odontológicos. Relataram dois casos raros na mucosa bucal induzida por níquel. (ÖZKAYA; BABUNA, 2011). Gengivite de células plasmáticas ou gengivite plasmocitária é uma condição rara caracterizada clinicamente por eritema generalizado e edema da gengiva adjacente, ocasionalmente acompanhado por queilite ou glossite. O conjuntivo mostra infiltrado plasmocitário. Diversas vezes relacionada a processos alérgicos ou de hipersensibilidade. (HEDIN; KARPE; LARSSON, 1994). Eritema multiforme é uma condição imunomediada caracterizada pelo aparecimento de lesões do tipo alvo na pele e frequentemente acompanhada por erosões ou bolhas envolvendo as mucosas bucal, genital e/ou ocular. Pode ser desencadeada por uma infecção ou medicação. (STAIKUNIENE; STANEVICIUTE, 2015). 11 Doenças autoimunes da pele e mucosas são listadas a seguir. Pênfigo vulgar é uma doença rara e ameaçadora, associada à debilitante qualidade de vida, pertencente ao grupo das doenças autoimunes. Imunopatologicamente caracterizada por autoanticorpos contra principalmente desmogleínas dos queratinócitos, com perda de adesão intercelular. Clinicamente caracterizada por bolhas generalizadas e erosões da pele e mucosas. (GAVALDÁ, 2003). Penfigoide é uma doença bolhosa subepidérmica, autoimune e crônica, com envolvimento predominantemente em mucosa. (SUVIRYA et al., 2018). Lesões bucais pré-malignas estão entre os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento do carcinoma espinocelular bucal. Estudos populacionais recentes indicam um aumento significativo na prevalência de leucoplasia, eritroplasia/ eritroleucoplasia, queilite actínica, fibrose submucosa e líquen plano erosivo. Confirmaram o potencial de transformação maligna. (OLINICI et al., 2018). Gentileza professor Rafael da Veiga Jardim N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S Líquen plano bucal é uma doença inflamatória crônica mediada por células T de etiologia desconhecida, mas acredita- se que resulte de uma resposta imune anormal, diagnosticado com base na presença de estrias de Wickham que produzem um padrão de linhas irradiantes. As lesões geralmente são bilaterais e as lesões atróficas e erosivas são frequentemente sensíveis ou dolorosas. (NISA; SAGGU, 2016). Lúpus eritematoso sistêmico é uma doença sistêmica reumática heterogênea autoimune, com manifestações clínicas extremamente variadas e uma patogênese diversa. Os sintomas são febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo. Outros, específicos de cada órgão como hipertensão e/ou problemas renais, dor articular e manchas na pele. (LARRINOA, 2015). Lúpus eritematoso discóide é uma doença crônica, autoimune que afeta o tecido conjuntivo. Mais comum em mulheres adultas. Atinge geralmente áreas da pele expostas a luz solar, sendo mais comum no rosto. A biópsia mostra degeneração por liquefação das células, atrofia epidérmica e infiltração de células inflamatórias, principalmente linfócitos ao redor dos anexos da pele. (YAMAGA et al., 2018). 13 Granulomatose orofacial - granulomatose é qualquer condição caracterizada pela formação de múltiplos nódulos ou granulomas nos tecidos moles. O diagnóstico diferencial da região orofacial inclui um amplo espectro de doenças. Na ausência de diagnóstico de doença de Crohn ou sarcoidose, a doença é rotulada como granulomatose orofacial. (BHAGDE; BHAVTHANKAR; MANDALE, 2017). Doença de Crohn envolve todo o trato gastrointestinal da boca até o ânus. As lesões bucais são consideradas uma importante manifestaçãoextraintestinal. Queilite granulomatosa foi reconhecida como uma manifestação precoce da doença de Crohn. Pode seguir, coincidir ou preceder o aparecimento. (TRIANTAFILLIDIS et al., 2008). Na doença de Crohn o tratamento foi mudado de prednisolona e azatioprina para o anticorpo antifator de necrose tumoral alfa, com nome comercial de adalimumabe. A avaliação histopatológica da biópsia bucal revelou uma estomatite ulcerativa com granulomas não caseosos compatíveis com Doença de Crohn bucal. (BOKEMEYER et al., 2018). Sarcoidose é uma doença granulomatosa multissistêmica, de etiologia desconhecida, que geralmente apresenta adenopatias hilares (hilos são orifícios localizados nas porções internas dos pulmões) bilaterais, infiltrações pulmonares e lesões oculares e cutâneas. Poucos pacientes foram descritos com lesões específicas de sarcoidose na mucosa bucal. (MARCOVAL; MAÑÁ, 2010). c. Processos reativos A expressão epúlide foi usada genericamente na clínica para qualquer crescimento gengival. A epúlide fibrosa, aparece na papila interdental como resultado de irritação local. As lesões são assintomáticas e apresentam taxa de crescimento variável. (FONSECA; FONSECA; CANTÍN, 2014). Granuloma fibroblástico calcificante ou fibroma ossificante periférico é uma variante do epúlis caracterizada histologicamente por nódulos calcificados e formação óssea metaplásica e clinicamente por seu padrão de recorrência frequente. (DAYOUB; DEVLI; SLOAN, 2003). 13 N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S Granuloma piogênico é uma pápula (pequena elevação sólida) ou pólipo (pediculado) vascular comum, benigno e de rápido crescimento. Reativo a trauma, determinadas situações fisiológicas (por exemplo, gravidez) ou a certas medicações. Tipicamente localizado na gengiva, lábios, mucosa nasal e da face. (PAULSEN; VENZO; BREDGAARD, 2014). Granuloma de células gigantes periférico é uma lesão hiperplásicas reativas da cavidade bucal, se origina do periósteo ou ligamento periodontal, após irritação local ou trauma crônico. (SHADMAN et al., 2009). d. Neoplasmas Neoplasmas pré-malignos listados a seguir. Leucoplasia bucal é uma das lesões pré-cancerosas comuns na mucosa bucal. Placa branca que não se descola e não pode ser caracterizada clinicamente ou patologicamente como qualquer outra doença. (SHADMAN et al., 2009). Eritroplasia bucal é uma lesão pré-cancerosa com alto potencial de malignização, sendo a ressecção o tratamento recomendado. Clinicamente é uma alteração eritematosa plana ou com leve depressão, com superfície lisa ou levemente granular. No exame histopatológico, mostra de displasia leve até carcinoma in situ. (YANG et al., 2015). 15 Neoplasmas malignos listados a seguir. Carcinoma espinocelular de cavidade bucal está entre as dez neoplasias malignas mais frequentes, na maioria das vezes no contexto de abuso de álcool e tabagismo. (ECKERT et al., 2016). Infiltração de células leucêmicas lesões primárias são resultantes da infiltração direta dos tecidos bucais pelas células leucêmicas. A leucemia caracteriza pela produção descontrolada de leucócitos na forma imatura (blastos). Apresenta várias manifestações clínicas como fadiga, febre constante e baixa, infecções e anemia, que devem ser de conhecimento do cirurgião-dentista para auxiliar no diagnóstico. (LI et al., 2018). Linfoma de Hodgkin é uma neoplasia maligna rara de linfócitos B que afeta aproximadamente nove mil novos pacientes anualmente nos Estados Unidos e representa aproximadamente 11% de todos os linfomas. Os sintomas podem incluir febre, sudorese noturna e perda de peso. Frequentemente nódulos linfáticos não dolorosos são observados. (ANSELL, 2015). Linfoma não-Hodgkin é uma neoplasia linfoides, histológica e biologicamente distintas, com etiologias pouco compreendidas, mas possivelmente distintas. também mostram diferenças geográficas significativas, sugerindo o papel potencial de agentes infecciosos, fatores ambientais e fatores de estilo de vida além do status genético do hospedeiro no desenvolvimento. (CHIU; HOU, 2015). N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S e. Doenças metabólicas, nutricionais e endócrinas Já citadas escorbuto e diabetes f. Lesões traumáticas Lesões físicas/mecânicas Queratose por fricção é um nome dado a um tipo de mancha branca bucal. Muitas vezes pode aparecer como uma fina linha branca em toda a extensão da bochecha relacionada com oclusão, chamada linha alba ou linha branca. (EL TOUM et al., 2018). Ulceração gengival induzida mecanicamente. Lesões factícias – Provocadas pelo próprio indivíduo. 17 g. Pigmentação gengival Pigmentação melânica gengival relacionada com melanócitos, localizados nas camadas basal do epitélio. A pigmentação fisiológica é principalmente geneticamente determinada. Alguns outros fatores, como radiação ultravioleta, tabagismo e medicação também podem causar hiperpigmentação gengival. Preocupação estética especialmente na gengiva anterior superior. (ELEMEK, 2018). Melanose do fumante: pigmentação gengival induzida pelo tabagismo, mais notada em jovens do que pessoas de meia-idade. Esta informação pode ser útil para a educação contra o tabagismo, especialmente entre as populações jovens com alta afinidade. (KATO et al., 2017). Hiperpigmentação da mucosa bucal associada à droga é caracterizada microscopicamente por um número normal de melanócitos no epitélio e pela presença de grânulos de pigmentos na lâmina própria, entre fibras de colágeno e dentro de macrófagos. Aumento da deposição de melanina atribuído à minociclina (acne); imatinibe (leucemia mieloide); hidroxicloroquina (artrite reumatoide); golimumabe (artrite reumatoide). (ELEMEK, 2018). Tatuagem por amálgama é a pigmentação bucal exógena mais comum, podendo às vezes ser confundida com lesões melânicas, sendo então biopsiadas. (VERA- SIRERA et al., 2012). N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S LESÕES PERIODONTAIS AGUDAS As doenças periodontais agudas são condições clínicas de início rápido que envolvem o periodonto ou estruturas associadas e podem ser caracterizadas por dor ou desconforto, destruição tecidual e infecção. Entre essas condições, na classificação de 1999, estavam listadas as seguintes doenças: abscesso gengival (1), abscesso periodontal (2), doença periodontal necrosante (3), gengivoestomatite herpética (4), abscesso pericoronário ou pericoronarite e lesões periodonto-endodônticas. Os abscessos pericoronários foram incluídos, mas nenhuma base científica sólida foi encontrada no artigo associado ao tópico. (HERRERA et al., 2018). 1 2 4 3 19 Doenças gengivais de origem virótica - Doença mão-pé-boca - Enfermidade contagiosa causada pelo vírus Coxsackie da família dos enterovírus que habitam normalmente o sistema digestivo e também podem provocar estomatites. Embora possa acometer também os adultos, ela é mais comum na infância, antes dos cinco anos de idade. O período de incubação entre um e sete dias. A erupção das lesões na orofaringe é antecedida por um período de febre alta e gânglios infartados, seguido de mal-estar, falta de apetite, vômitos e diarreia. Por causa da dor, surgem dificuldade para engolir e muita salivação, são necessários cuidados para manter a hidratação e alimentação possível. Diagnóstico clínico, baseado nos sintomas, localização e aparência vesicular das lesões. Em alguns casos, os examesde fezes e sorologia podem possibilitar a identificação do vírus. (ESPOSITO; PRINCIPI, 2018). PERIODONTITE 1. Doenças periodontais necrosantes 2. Periodontites como manifestação de doenças sistêmicas 3. Periodontites Definição de periodontite no contexto clínico: 1. Perda de inserção interdental detectável em ≥ 2 dentes não adjacentes; 2. Perda de inserção de faces livres ≥ 3 mm com bolsas > 3 mm detectável em ≥ 2 dentes, cuja perda de inserção não possa ser atribuída a causas não periodontais como: recessão gengival de origem traumática, cárie dentária que se estende na área cervical do dente, presença de perda de inserção na face distal de um segundo molar e associada à má posição ou extração de um terceiro molar, lesão endodôntica que drena através do periodonto marginal, ocorrência de uma fratura de raiz vertical. (TONETTI; GREENWELL; KORNMAN, 2018). N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S 1. Doenças periodontais necrosantes a. Gengivite necrosante b. Periodontite necrosante c. Estomatite necrosante Estudos sugeriram que as doenças periodontais necrosantes podem representar estágios diferentes da mesma doença, porque têm etiologia, características clínicas e tratamento semelhantes, podendo até progredir para formas mais graves, como estomatite necrosante e noma. A terminologia ulcerativa foi posteriormente eliminada, pois a ulceração foi considerada secundária à necrose. (HERRERA et al., 2018). 2. Periodontites como manifestação de doenças sistêmicas Classificação destas condições deve ser baseada na doença sistêmica primária de acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Os principais achados para Jepsen et al. (2018) foram os seguintes: 1) existem condições sistêmicas raras (como Síndrome de Papillon- Lefevre, deficiência de adesão de leucócitos e outras) com um efeito importante no curso da periodontite e condições mais comuns (como diabetes) com variáveis efeitos, assim como condições que afetam o periodonto, independentemente da inflamação induzida por biofilme dentário (tais como doenças neoplásicas). Gentileza professor Rafael da Veiga Jardim Gentileza professor Rafael da Veiga Jardim 21 2) A periodontite associada ao diabetes não deve ser considerada como um diagnóstico distinto, mas o diabetes deve ser reconhecido como um importante fator modificador e incluído em um diagnóstico clínico de periodontite como descritor. 3) Da mesma forma, o tabagismo - agora considerado uma dependência à nicotina e um distúrbio médico recorrente crônico com grandes efeitos adversos nos tecidos periodontais - é um modificador importante a ser incluído no diagnóstico clínico de periodontite como descritor. 4) A importância do fenótipo periodontal, abrangendo a espessura e a altura gengival no contexto das condições mucogengivais, é reconhecida e uma nova classificação para as recessões gengivais foi introduzida. O grupo sugeriu fortemente a adoção da definição fenótipo periodontal para descrever a combinação do fenótipo gengival (volume gengival tridimensional) e a espessura da tábua óssea vestibular (morfotipo ósseo). Afirmaram que a maioria dos artigos usa o termo biótipo. Biótipo: (Genética) grupo de órgãos com o mesmo genótipo específico. Fenótipo: Aparência de um órgão baseado em uma combinação multifatorial de características genéticas e fatores ambientais (sua expressão inclui o biótipo). O fenótipo indica uma dimensão que pode mudar ao longo do tempo, dependendo de fatores ambientais e intervenção clínica e pode ser específica do local (o fenótipo pode ser modificado, o genótipo não). O fenótipo periodontal é determinado pelo fenótipo gengival (espessura gengival, altura do tecido queratinizado) e morfotipo ósseo (espessura da tábua óssea vestibular). 5) Não há evidências de que forças oclusais traumáticas levem à perda de inserção periodontal, lesões cervicais não-cariosas ou recessões gengivais. N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S Sugeriram a classificação de Cairo et al. (2011) Recessão tipo 1: recessão gengival sem perda de inserção interproximal. O limite amelocementário interproximal não é clinicamente detectável. Recessão tipo 2: associada à perda de inserção interproximal. A quantidade de perda (medida a partir do limite amelocementário interproximal até a profundidade do sulco interproximal/bolsa) é menor ou igual à perda de inserção vestibular (medida a partir limite amelocementário vestibular até a extremidade apical do sulco vestibular/bolsa). Recessão tipo 3: associada à perda de inserção interproximal. A quantidade de perda (medida a partir do limite amelocementário interproximal até a extremidade apical do sulco/bolsa) é maior do que a perda da inserção vestibular (medida a partir limite amelocementário vestibular até a extremidade apical do sulco vestibular/bolsa). 6) Forças oclusais traumáticas levam a mobilidade adaptativa em dentes com suporte normal, enquanto levam à mobilidade progressiva em dentes com suporte reduzido, geralmente exigindo imobilização. 7) O termo espaço biológico foi substituído por tecido de inserção supracrestal, consistindo de epitélio juncional e tecido conjuntivo supracrestal (inserção conjuntiva). 8) A violação das margens restauradoras dentro do tecido de inserção supracrestal está associada à inflamação e/ou perda de tecido de suporte periodontal. No entanto, não é evidente se os efeitos negativos sobre o periodonto são causados por biofilme dentário, trauma, toxicidade de materiais dentários ou uma combinação desses fatores. 9) Os fatores anatômicos dos dentes estão relacionados à inflamação gengival induzida pelo biofilme dentário e perda de tecidos de suporte periodontal. (JEPSEN et al., 2018). 23 3. Periodontites (PAPAPANOU et al., 2018) a. Estádios: Com base na severidade e complexidade do gerenciamento b. Extensão e distribuição: Localizada, generalizada, distribuição molar-incisivo c. Graus: Evidência ou risco de progressão rápida, resposta antecipada ao tratamento a. Estádios: Com base na severidade e complexidade do gerenciamento Estádio I: Periodontite inicial Estádio II: Periodontite moderada Estádio III: Periodontite severa com potencial de perda dentária adicional Estádio IV: Periodontite severa com potencial de perda da dentição O estádio é amplamente dependente da gravidade da doença, bem como da complexidade do manejo, enquanto a classificação fornece informações suplementares sobre características biológicas, incluindo análise baseada na taxa de progressão, risco de futura progressão, antecipação de maus resultados do tratamento pode afetar negativamente a saúde geral do paciente. Os estádios envolveram quatro categorias, determinados após considerar diversas variáveis incluindo perda de inserção clínica, quantidade e porcentagem de perda óssea, profundidade de sondagem, presença e extensão de defeitos ósseos angulares, envolvimento de furca, mobilidade dentária e perda dentária devido à periodontite. N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S Periodontites Estádio I: Periodontite inicial Severidade: Perda de inserção interdental de 1 a 2 mm. Perda óssea radiográfica no terço coronal < 15%. Sem perda dentária devido a periodontite. Complexidade: Profundidade de sondagem máxima ≤ 4 mm. Principalmente perda óssea horizontal. Estádio I: é a fronteira entrea gengivite e a periodontite e representa os estádios iniciais da perda de inserção. Assim, pacientes com periodontite estádio I desenvolveram periodontite em resposta à persistência de inflamação gengival e disbiose do biofilme (desequilíbrio entre os microrganismos benéficos e os patogênicos). Representa mais do que apenas um diagnóstico precoce: apresentam um grau de perda de inserção clínica em idade relativamente precoce, esses pacientes podem ter maior suscetibilidade ao início da doença. O diagnóstico precoce e a definição de uma população de indivíduos suscetíveis oferecem oportunidades de intervenção e monitoramento precoces que podem se mostrar mais custo- efetivos em nível populacional, já que lesões superficiais podem fornecer opções específicas para remoção mecânica convencional do biofilme. O diagnóstico precoce pode ser um desafio formidável na prática odontológica geral: a sondagem periodontal para estimar a perda de inserção clínica precoce - o padrão ouro atual para definir a periodontite - pode ser imprecisa. A avaliação de biomarcadores salivares e/ou novas tecnologias de imagem pode aumentar a detecção precoce da periodontite estádio I em diversos contextos. (TONETTI; GREENWELL; KORNMAN, 2018). 25 Periodontites Estádio II: Periodontite moderada Severidade: Perda de inserção interdental de 3 a 4 mm. Perda óssea radiográfica no terço coronal de 15 a 33%. Sem perda dentária devido a periodontite. Complexidade: Profundidade de sondagem máxima ≤ 5 mm. Principalmente perda óssea horizontal. Estádio II: representa uma periodontite estabelecida na qual um exame clínico periodontal cuidadosamente realizado identifica os danos característicos que a periodontite causou ao suporte dentário. Nesse estádio do processo da doença, no entanto, o manejo permanece relativamente simples em muitos casos, pois espera-se que a aplicação de princípios-padrão de tratamento envolvendo remoção bacteriana pessoal e profissional regular e monitoramento impeçam a progressão da doença. A avaliação cuidadosa da resposta do paciente no estádio II aos princípios do tratamento padrão é essencial e a classificação do caso mais a resposta ao tratamento pode guiar o manejo mais intensivo para pacientes específicos. (TONETTI; GREENWELL; KORNMAN, 2018). N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S Periodontites Estádio III: Periodontite severa com potencial de perda dentária adicional Severidade: Perda de inserção interdental ≥ 5 mm. Perda óssea radiográfica no terço médio da raiz e além. Perda dentária devido a periodontite de ≤ 4 dentes. Complexidade além do estádio II: Profundidade de sondagem máxima ≥ 6 mm. Perda óssea vertical ≥ 3 mm. Envolvimento de furca classe II ou III. Defeito de rebordo moderado. Estádio III: a periodontite produziu danos significativos ao periodonto de inserção e na ausência de tratamento avançado, pode ocorrer perda do dente. O estádio é caracterizado pela presença de lesões periodontais profundas que se estendem até a porção média da raiz e cujo manejo é complicado pela presença de defeitos intraósseos profundos, envolvimento de furca, histórico de perda/ esfoliação periodontal e presença de defeitos localizados na crista, o que complicam a substituição do dente por implante. Apesar da possibilidade de perda dentária, a função mastigatória é preservada e o tratamento da periodontite não requer reabilitação complexa da função. (TONETTI; GREENWELL; KORNMAN, 2018). 27 Periodontites Estádio IV: Periodontite severa com potencial de perda da dentição Severidade: Perda de inserção interdental ≥ 5 mm. Perda óssea radiográfica no terço médio da raiz e além. Perda dentária devido a periodontite de ≥ 5 dentes. Complexidade além do estádio III: Necessidade de reabilitação complexa devido a: Disfunção mastigatória. Trauma oclusal secundário (grau de mobilidade dentária ≥ 2). Defeito de rebordo severo. Colapso da mordida, migração dentária patológica. Menos de vinte dentes remanescentes (dez pares opostos). Estádio IV: estádio mais avançado, a periodontite causa danos consideráveis ao suporte periodontal e pode causar perda significativa do dente e isso se traduz em perda da função mastigatória. Na ausência de controle adequado da periodontite e correta reabilitação, a dentição corre o risco de se perder. Esta fase é caracterizada pela presença de lesões periodontais profundas que se estendem à porção apical da raiz e/ou história de múltiplas perdas dentárias. Frequentemente é complicada pela hipermobilidade dentária devido ao trauma oclusal secundário e às sequelas da perda dentária: colapso da mordida posterior e migração dentária patológica. Geralmente, o gerenciamento dos casos requer estabilização/restauração da função mastigatória. (TONETTI; GREENWELL; KORNMAN, 2018). N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S O estádio inicial deve ser determinado usando a perda de inserção clínica, se não estiver disponível, a perda óssea radiográfica deve ser usada. Informações sobre perda de dentes que podem ser atribuídas principalmente à periodontite - se disponíveis - podem modificar a definição do estádio. Fatores de complexidade podem mudar o estádio para um nível maior, por exemplo, a furca II ou III mudaria para o estádio III ou IV, independentemente da perda de inserção clínica observada. A distinção entre estádio III e estádio IV é baseada principalmente em fatores de complexidade. Por exemplo, um alto nível de mobilidade dentária e/ou colapso da mordida posterior indicariam um diagnóstico de estádio IV. Para qualquer caso dado, apenas alguns, não todos, os fatores de complexidade podem estar presentes, no entanto, em geral, é preciso apenas um fator de complexidade para mudar o diagnóstico para um estádio maior. Enfatizaram que essas definições de caso são diretrizes que devem ser aplicadas usando julgamento clínico sólido para chegar ao diagnóstico clínico mais apropriado. Para pacientes pós-tratamento, perda de inserção clínica e perda óssea radiográfica ainda são os principais determinantes do estádio. Se um fator de complexidade de mudança de estádio for eliminado por tratamento, o estádio não deve retroceder para um estádio inferior, já que o fator de complexidade do estádio original deve sempre ser considerado no gerenciamento na fase de manutenção. 29 b. Extensão e distribuição: Localizada (1) ≤ 30% dos dentes envolvidos, generalizada (2) > 30% dos dentes envolvidos, distribuição molar-incisivo (3). O número de dentes afetados (como porcentagem dos dentes presentes) tem sido usado para definir casos de periodontite crônica na classificação de 1999, enquanto a distribuição (incisivo molar versus padrão generalizado) foi usada como descritor primário para periodontite agressiva. A justificativa para manter essas informações no sistema de classificação advém do fato de que padrões específicos de periodontite (por exemplo, o padrão molar- incisivo de indivíduos mais jovens) fornecem informações indiretas sobre o interação hospedeiro-biofilme. (TONETTI; GREENWELL; KORNMAN, 2018). 2 1 3 N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S c. Graus: Evidência ou risco de progressão rápida, resposta antecipada ao tratamento Grau A: Ritmo de progressão lenta Grau B: Ritmo de progressão moderada Grau C: Ritmo de progressão rápida A classificação incluiu três graus abrangendo além de aspectos relacionados à progressão da periodontite, estado geral de saúde e outras exposições como tabagismo ounível de controle metabólico no diabetes. Assim, a classificação permite ao clínico incorporar fatores individuais do paciente ao diagnóstico, que são cruciais para o gerenciamento abrangente dos casos. Grau A: Ritmo de progressão lenta Critérios primários: Evidência direta de progressão Dados longitudinais (Perda óssea radiográfica ou perda de inserção): Evidência de não haver perda nos últimos cinco anos. Critérios primários: Evidência indireta de progressão Perda óssea/idade: < 0,25 Fenótipo do caso: Depósitos de biofilme abundante com baixos níveis de destruição. Graus modificadores: Fatores de risco Não fumantes e normoglicêmicos (sem diagnóstico de diabetes). 31 Grau B: Ritmo de progressão moderada Critérios primários: Evidência direta de progressão Dados longitudinais (Perda óssea radiográfica ou perda de inserção): < 2 mm nos últimos cinco anos. Critérios primários: Evidência indireta de progressão Perda óssea/idade: 0,25 a 1 Fenótipo do caso: Depósitos de biofilme abundante com baixos níveis de destruição. Graus modificadores: Fatores de risco Fumantes < dez cigarros/dia e HbA1c < 7% em pacientes com diabetes. Grau C: Ritmo de progressão rápida Critérios primários: Evidência direta de progressão Dados longitudinais (Perda óssea radiográfica ou perda de inserção): > 2 mm nos últimos cinco anos. Critérios primários: Evidência indireta de progressão Perda óssea/idade: > 1 Fenótipo do caso: A destruição excede a expectativa dada aos depósitos de biofilme, padrões clínicos específicos sugestivos de períodos de progressão rápida e/ou doença de início precoce (por exemplo, padrão molar incisivo, falta de resposta esperada às terapias de controle bacteriano padrão). Graus modificadores (Fatores de risco): Fumantes ≥ dez cigarros/dia e HbA1c ≥ 7% N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S em pacientes com diabetes. O grau deve ser usado como um indicador da taxa de progressão da periodontite. Os critérios principais são evidências diretas ou indiretas de progressão. Sempre que disponível, a evidência direta é usada, na sua ausência, a indireta é empregada, avaliando a perda óssea em função da idade no dente mais afetado ou apresentação do caso. Perda óssea em função da idade expressa como porcentagem da perda óssea radiográfica observada na raiz dividida pela idade do paciente. Exemplo: perda de 33% do comprimento radicular, para um paciente de 17 anos o índice será 1,94; a mesma perda para um 52 anos será 0,63. Os clínicos devem inicialmente assumir o grau B a doença e buscar evidências específicas para mudar para grau A ou C, se disponível. Uma vez que o grau é estabelecido com base na evidência de progressão, ele pode ser modificado com base na presença de fatores de risco. Refere-se ao risco aumentado de que a periodontite possa ser uma comorbidade inflamatória para o paciente específico. Os valores da proteína C reativa representam um somatório da inflamação sistêmica geral do paciente, que pode ser em parte influenciada pela periodontite, mas, por outro lado, é uma carga inflamatória “inexplicável” que é valiosa para avaliar em colaboração com os médicos do paciente. Prevê-se que, no futuro, seja possível integrar as informações no grau de periodontite para destacar o potencial de impacto sistêmico da doença no caso específico. Os pontos de interrogação na última linha indicam que biomarcadores específicos e seus limiares podem ser incorporados na tabela à medida que as evidências tornarão disponíveis. 33 OUTRAS CONDIÇÕES QUE AFETAM O PERIODONTO 1. Doenças ou condições sistêmicas afetando os tecidos periodontais de suporte 2. Outras condições periodontais a. Abscessos periodontais b. Lesões periodonto-endodôntica 3. Deformidades e condições mucogengivais a. Fenótipo periodontal b. Recessão de tecido mole/gengival c. Falta de gengiva d. Diminuição da profundidade do vestíbulo e. Frênulo aberrante/posição muscular f. Excesso gengival g. Cor anormal h. Condição da superfície radicular exposta ba N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S b d e f g c 35 4. Forças oclusais traumáticas a. Trauma oclusal primário b. Trauma oclusal secundário c. Forças ortodônticas 5. Fatores relacionados com dentes e próteses que modificam ou predispõem a doenças gengivais induzidas por biofilme dental/ periodontites a. Fatores relacionados com dentes b. Fatores relacionados com próteses dentárias a b c Gentileza Luciano Ildo Cunha N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S DOENÇAS E CONDIÇÕES PERI-IMPLANTARES 1. Saúde peri-implantar definida clínica e histologicamente. Clinicamente caracterizada pela ausência de sinais visuais de inflamação e sangramento à sondagem, histologicamente sem inflamação. A saúde peri-implantar pode existir em torno de implantes com suporte ósseo normal ou reduzido. 2. Mucosite peri-implantar caracterizada por sangramento à sondagem e sinais visuais de inflamação. Embora haja fortes evidências de que seja causada pelo biofilme, há evidências muito limitadas para ocorrência mucosite peri-implantar não induzida por biofilme. A mucosite peri-implantar pode ser revertida com medidas destinadas a eliminar o biofilme. 3. Peri-implantites: condição patológica que ocorre nos tecidos ao redor dos implantes dentários, caracterizada por inflamação na mucosa peri-implantar e perda progressiva do osso de suporte. Clinicamente a inflamação dos tecidos moles é detectada por sondagem (sangramento à sondagem), enquanto a perda óssea progressiva identificada nas radiografias. 4. Deficiências de tecidos moles e duros peri-implantares: podem ocorrer por cicatrização após a perda dentária leva a dimensões diminuídas do processo alveolar/rebordo. Maiores deficiências podem ser devidas a perda severa de suporte periodontal, trauma de extração, infecções endodônticas, fraturas radiculares, tábuas ósseas vestibulares finas, má posição dentária, lesão e pneumatização dos seios maxilares. Também por outros fatores que afetam o rebordo que podem estar associados a medicamentos e doenças sistêmicas, reduzindo a quantidade de osso formado naturalmente, agenesia dentária e a pressão das próteses. 37 1 2 3 4 As imagens não referenciadas foram obtidas de dezenas de cursos de especialização em Periodontia realizados por nossa equipe e pertencem tanto ao corpo docente, quanto aos discentes. N O VA C L A S S I F I C A Ç Ã O PA R A D O E N Ç A S E C O N D I Ç Õ E S P E R I O D O N TA I S E P E R I - I M P L A N TA R E S ANSELL, S. M. Hodgkin lymphoma: Diagnosis and treatment. Mayo Clin Proc, v. 90, n. 11, p. 1574-1583, Nov. 2015. BEAUMONT, J. et al. Gingival overgrowth: Part 1: Aetiology and clinical diagnosis. 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