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ATENÇÃO À SAÚDE DO RECÉM-NASCIDO - GUIA PARA OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

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e materna.13
Gráfico 3 – Percentual (%) de nascimentos por parto cirúrgico segundo região de residência materna – Brasil, 
2000 e 2010*
Fonte: MS/SVS/DASIS/CGIAE. 
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A Saúde do Recém-Nascido no Brasil 1 Capítulo
*Dados preliminares.
A proporção de cesáreas entre as mulheres de baixa escolaridade (menos de oito anos de 
estudo) é próximo de 37,4%, e quase 76,1% entre as mães com 12 ou mais anos de estudo. 
Isso concorda com estudos nacionais que mostram que partos cesáreos são mais frequentes 
entre mulheres de grupos socioeconômicos mais privilegiados, com maior escolaridade, e 
em mulheres brancas.23
No Brasil nascem mais crianças do sexo masculino, cerca de 2,5% a mais que crianças do 
sexo feminino. Em 2010, dos 2.861.868 nascidos vivos, 51,3% foram do sexo masculino e 
48,7% do sexo feminino. Mais da metade (52,4%) de todos os nascidos vivos foi registrada 
como de raça/cor parda ou preta na DN, segundo o Sinasc 2010.14
A incidência de malformações congênitas (MFC) ao nascer, dado que consta na DN, é su-
bestimada, pois as mais graves levam a perdas fetais, enquanto outras são de difícil diag-
nóstico e podem não ser percebidas no momento do nascimento.3 A literatura aponta esta 
ocorrência em aproximadamente 2% a 3% dos nascidos vivos.3 O Sinasc é a única fonte 
de dados de base populacional que contém essa informação no Brasil. Em 2010, foram 
registrados como portadores de MFC 0,8% dos NVs, sendo que as três MFCs mais frequen-
tes foram as relacionadas ao aparelho osteomuscular (43,0%), do sistema nervoso (11,3%) e 
dos órgãos genitais (9,8%). (Quadro 1).
Quadro 1 – Frequência e distribuição das malformações congênitas – Brasil, 2010
Anomalia Nº % entre as MFCs
Total com anomalia 21.549 100,0
Deformidades congênitas dos pés 2.879 13,4
Fenda labial e fenda palatina 1.513 7,0
Malformações congênitas do aparelho circulatório 1.378 6,4
Espinha bífida 545 2,5
Testículo não descido 313 1,5
Deformidades congênitas do quadril 91 0,4
Hemangioma e linfangioma 88 0,4
Ausência, atresia e estenose do intestino delgado 47 0,2
Outras do aparelho osteomuscular 6.293 29,2
Outras do sistema nervoso 1.886 8,8
Outras do aparelho geniturinário 1.794 8,3
Anomalias cromossômicas NCOP 1.199 5,6
Outras do aparelho digestivo 925 4,3
Outras malformações congênitas 2.598 12,1
Sem anomalia congênita/não informado 2.840.318 
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Ministério da saúde
Total de nascidos vivos 2.883.416 
Fonte: MS/SVS/DASIS/CGIAE. MC=Malformação congênita. 
*Não classificadas em outra parte.
1.3 Perfil dos óbitos infantis e perinatais no Brasil
O sistema de informação sobre mortalidade (SIM) permite a análise de informações sobre 
óbitos maternos e de crianças para avaliação das ações realizadas. Tem como documento 
básico a Declaração de Óbito (DO), cujo modelo em vigor está disponível em: <http://svs.
aids.gov.br/download/manuais/Manual_Instr_Preench_DO_2011_jan.pdf>.
Esse documento deve ser preenchido pelo médico que tratava da pessoa que morreu, 
em caso de morte natural, e por perito legista em caso de morte decorrente de causa não 
natural (acidentes e violências), segundo fluxo padronizado.16
A análise de mortes de crianças e mulheres por causas evitáveis – eventos-sentinela – ou 
seja, que refletem o funcionamento da rede assistencial, permite identificar oportunidades 
perdidas de intervenção pelos serviços de saúde, de modo a reorientar as práticas e evitar 
novas ocorrências.
Esse sistema permite ainda a construção das taxas de mortalidade hospitalar para avaliação 
da qualidade da assistência oferecida.
A estruturação dos comitês de investigação de óbitos infantis e de óbitos maternos, para 
avaliação dos serviços, é recomendada pela legislação brasileira como ação estratégica para 
aprimoramento da atenção de saúde.16,17
1.3.1 Mortalidade infantil
Indicador da condição de vida e saúde da população, a mortalidade infantil no Brasil vem 
apresentando queda progressiva. Esforços específicos por parte de toda a sociedade, em 
especial dos serviços e profissionais de saúde, são necessários para acelerar a sua redução 
e o alcance de índices mais dignos para a população brasileira.
A mortalidade neonatal (entre zero e 27 dias de vida) representa cerca de 60% a 70% da 
mortalidade infantil e, portanto, maiores avanços na saúde da criança brasileira requerem 
maior atenção à saúde do RN.
Encontra-se registrado no SIM que 39.870 crianças morreram no País antes de completar 1 
ano de vida em 2010, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 16,2 por mil nascidos 
vivos (dado corrigido).* A queda da mortalidade infantil no País é expressiva, com menor 
velocidade no componente neonatal precoce (zero – 6 dias de vida) (Gráfico 4). Há ainda 
desigualdade persistente entre regiões e classes sociais, com taxas maiores entre os pobres. 
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Para promoção de equidade, portanto, é preciso maior empenho dirigido à população com 
maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde, menor escolaridade, maior vulnerabilidade 
e maior necessidade de atenção integral qualificada, resolutiva e continuada de saúde.
Gráfico 4 – Distribuição dos óbitos infantis segundo componente – Brasil, 2000 a 2010*
Fonte: MS/SVS/DASIS/CGIAE. 
*Dados preliminares.
As afecções perinatais representam a causa mais frequente de morte no primeiro ano de 
vida e de morte de crianças menores de 5 anos.
A maior parte das mortes infantis ocorre nos primeiros dias de vida da 
criança, e por causas consideradas evitáveis, como infecção, asfixia ao 
nascer e complicações da prematuridade.12
O número elevado de mortes por asfixia intraparto, sobretudo de crianças com peso adequa-
do ao nascer e em gravidez de baixo risco, demonstra o grande potencial de evitabilidade 
dessas mortes. A asfixia neonatal é ainda uma das principais causas de morbidade hospitalar 
em RN e de sequelas graves para o indivíduo. Por outro lado, mortes por pneumonia, diarreia e 
desnutrição persistem como causas importantes e evitáveis de mortes de crianças, incidindo 
principalmente no período pós-neonatal (28 dias a 1 ano de vida).
1.3.2 Mortalidade fetal e perinatal
O óbito fetal, morte fetal ou perda fetal, segundo a OMS,4 é a morte de um produto da con-
cepção antes da expulsão ou da extração completa do corpo da mãe, independentemente 
da duração da gravidez; indica o óbito o fato do feto, depois da separação, não respirar 
nem apresentar nenhum sinal de vida, como batimentos do coração, pulsações do cordão 
umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária.
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Ministério da saúde
É obrigatório o fornecimento de uma Declaração de Óbito Fetal, a ser feita 
no mesmo impresso utilizado para o atestado de óbito, sempre que a idade 
gestacional for igual ou maior que 20 semanas.19
O Gráfico 5 apresenta a taxa de mortalidade perinatal (período que se estende da 22ª se-
mana de gestação até os 7 primeiros dias de vida) nas oito unidades da Federação em que 
é possível calcular a partir de dados diretos, utilizando-se o SIM, o Sinasc5 e os dados do MS/
SVS/DASIS/CGIAE.
Gráfico 5 – Mortalidade perinatal em unidades da Federação selecionadas – Brasil, 2000, 2005 e 2010
Fonte: SIM e SINASC (1997, 2001) MS/SVS/DASIS/CGIAE (2008).
Observa-se tendência de redução da mortalidade perinatal nos estados citados no Gráfico 
5 entre 2000 e 2010, com as menores taxas em Santa Catarina e São Paulo (12,3 e 13,0 por 
mil nascidos vivos).
As mortes fetais compartilham as mesmas circunstâncias e etiologia das neonatais pre-
coces, no entanto, muitas vezes