Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

SEMINÁRIO TEOLÓGICO NACIONAL 
 
DISCIPLINA 
ESCATOLOGIA 
2 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
CONCEITO GERAL 
Imagem meramente ilustrativa. 
Apresentaremos neste Livro três Escolas Escatológicas mais conhecidas: Pré-milenar; 
Pós-milenar e A-milenar – Começaremos pela visão escatológica chamada de Pré-
milenar, ou seja, a visão em que Jesus volta antes do Milênio. 
3 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
A HERMENÊUTICA E A ESCATOLOGIA 
Sendo a hermenêutica a responsável pelo estudo das regras de 
interpretação bíblica não seria possível deixá-la de fora de um trabalho como 
este, já que a escatologia trabalha em meio a muitas profecias e passagens de 
difícil compreensão, por isso precisaremos conhecer os dois principais métodos de 
interpretação para que tomemos um caminho coerente nas Escrituras, e acima de tudo 
não a deturpemos para provar teorias infundadas. 
O alegorismo e o literalismo são hoje, os métodos mais utilizados, sendo que o 
primeiro vem ganhando mais espaço entre os teólogos, espaço este antes dominado, 
quase em totalidade pelo método literal. 
1.1- O ALEGORISMO 
O alegorismo tem suas raízes no platonismo e no alegorismo judaico, dois de 
seus defensores são Orígenes (185-254) escritor, teólogo e professor e Clemente de 
Alexandria que faziam parte da escola de Alexandria. Orígenes defendia que a 
interpretação era dividida em três aspectos o literal, ao nível do corpo, o moral, ao 
nível da alma, e o alegórico, ao nível do espírito. Clemente por outro lado defendia 
cinco pontos a serem usados para interpretação de um texto: o histórico, o doutrinário, 
o profético,o filosófico e o místico. Agostinho de Hipona reformulou os sentidos do
alegorismo e os transformou em quatro: o sentido literal, o que o texto realmente quer 
dizer; o sentido moral, uma visão do texto que retratasse um ensinamento sobre 
conduta; sentido alegórico, como crer e em quem crer e de que maneira; o sentido 
analógico, o que o texto promete ou representa para o futuro. Assim vemos que 
Agostinho ao ler um texto tinha consciência de seu sentido literal, mas empregava 
outros mecanismos para que o texto dissesse mais que o que estava escrito. 
Para definirmos o alegorismo podemos dizer que este método é aquele que em 
lugar de reconhecer o texto como naturalmente se apresenta, perverte-o dando um 
sentido secundário anulando a intenção primária do escritor, um exemplo deste tipo de 
interpretação está em Apocalipse 20 quando João fala a respeito de um período de mil 
anos em que a teocracia seria instituída e o próprio Jesus reinaria sobre a terra, os 
alegoristas ou espiritualizadores de textos dizem que este período está sendo cumprido 
agora pela igreja, e os mil anos não são literais, mas sim espirituais. Grandes perigos 
rondam a alegorização já que esta não interpreta as Escrituras, mas dá um novo 
sentido a ela baseados na imaginação do intérprete, sendo que, como diz a regra 
fundamental da hermenêutica, a Bíblia deve explicar-se por si mesma. 
Por muitos motivos a interpretação das Escrituras por alegorização deve ser 
rejeitada, no entanto é importante que fique claro que num sermão usa-se de alegorias 
para trazer um ensino à igreja dentro de um texto que às vezes foge do seu sentido 
literal, porém isso é permitido, pois se trata apenas da aplicação de conceitos contidos 
no texto em uso, o que não se permite é estabelecer doutrinas baseadas em textos 
alegorizados como o exemplo acima 
4 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
citado que perverte um ensino bíblico com uma interpretação mística de um texto que 
não poder ser compreendido de outra maneira senão literalmente. É importante 
ressaltar que o método alegórico trata-se de um sistema usado para interpretar a bíblia 
e nada tem a ver com alegorias existentes nas Escrituras. 
1.2- O LITERALISMO 
Também conhecido como método histórico-gramatical o literalismo difere do 
alegorismo por interpretar as palavras e frases de uma maneira natural como elas se 
apresentam; o Dr J.D. Pentecost define o método literal da seguinte maneira: 
“O método literal de interpretação é o que dá a cada palavra o 
mesmo sentido básico e exato que teria no uso costumeiro, normal, 
cotidiano empregada de modo escrito oral ou conceitual”. 
Com certeza este é o único método que satisfaz as exigências bíblicas no sentido 
de trazer uma interpretação equilibrada e dentro de um contexto correto, ou seja, ele 
não modifica a ideia inicial que o autor procurou transmitir, mas a explica de maneira 
coerente. A bíblia foi elaborada por Deus para que o homem conhecesse seus 
propósitos e mandamentos e, portanto não permitiria que este mesmo homem 
interpretasse seus ensinos literais dando a eles um novo sentido, portanto Deus espera 
que suas palavras sejam entendidas da maneira como ele as disse, é certo que temos 
linguagens figuradas, simbólicas e alegorias nos textos bíblicos, no entanto o fato deles 
existirem não obriga ao interprete usar outros métodos, pois por trás das parábolas, 
tipos, figuras e símbolos estão verdades literais, sabemos também que, não podem ser 
interpretados ao pé da letra, mas deve-se sempre buscar dentro do contexto, em 
passagens paralelas, tipos paralelos que tenham a explicação contida na bíblia, a 
compreensão correta do texto. 
Um exemplo de alegoria se vê em João 15:5 quando Jesus diz que Ele é uma 
videira e seus discípulos os ramos, ou em João 6:51-58 onde d iz: 
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá 
eternamente;... Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do 
Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. 
Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o 
ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu 
sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue 
permanece em mim, e eu, nele”. 
É obvio que Jesus não é uma videira ou um pão, nem também ele gostaria que 
literalmente sua carne fosse comida, no entanto o que os textos expressam é o fato da 
comunhão, a ligação que o homem precisa ter com Cristo. Mesmo sendo uma alegoria 
o texto traz uma verdade literal e absoluta que não aceita outra interpretação senão a
que o texto sugere.
5 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Vejamos um exemplo de um texto que tem uma linguagem figurada que não 
pode ser levada ao pé da letra, mas que traz uma verdade literal. Lucas 19:40: “Mas 
ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras 
clamarão”. Nos é claro que as pedras não falariam, porém usa esta expressão para 
advertir aos que se incomodavam com o clamor do povo. 
1.2.1 - Os judeus e o literalismo. 
Os muitos mandamentos e advertências de Deus para eus povo necessitavam de 
que fossem passados a eles seja pelo profeta, juiz ou sacerdote e isto fazia com que 
este interpretasse as palavras de Deus para então serem transmitidas, quando estas 
mensagens eram escritas pelos receptores também careciam de interprete para que o 
ensino fosse totalmente entendido, mas qual método era usado para esta 
interpretação? Quando Deus falava, suas palavras eram entendidas literalmente? A 
resposta é sim. O método usado pelos Judeus para interpretar todos os oráculos do 
Senhor era o literal. Quando Deus disse para Adão e Eva que se comessem o fruto da 
árvore do conhecimento morreriam ele queria que assim como falou fosse entendido, e 
comendo o fruto o casal provou do castigo da literal advertência de Deus. 
Quanto às profecias, os judeus aguardavam delas um cumprimento literal, as 
que falavam da vinda do Messias (Gn 3:15; Nm 24:17; Gn 49:10; Is 9; Mq 5:2 etc) 
alimentavam a esperança da nação que aguardava um cumprimento literal de todas 
elas. 
1.2.2 - O literalismo noNovo Testamento. 
Não só Jesus, mas também os discípulos sempre interpretaram os livros do 
antigo testamento de maneira literal. Jesus em Mt 12:17 ao mencionar a si mesmo, 
disse que nele se cumpriria a profecia de Isaias que está em Is 42:14,- ou seja, o que 
disse o profeta, Jesus interpretou como literal não alegorizando seu sentido; outro 
versículo interessante que mostra a interpretação literal está em Lc 18:31. 
Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para 
Jerusalém, e vai cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos 
profetas, no tocante ao Filho do Homem; 
Os apóstolos procediam da mesma maneira, João 19:24 , 28, 36 demonstram 
que o apóstolo via na crucificação e morte de cristo, o cumprimento literal de profecias 
do antigo testamento. 
6 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
1.2.3 - O literalismo na história da igreja 
Por toda a história da igreja, mesmo com o surgimento de outros métodos de 
interpretação os grandes nomes do cristianismo verdadeiro sempre interpretaram as 
Escrituras da mesma forma que Jesus ensinou e os apóstolos praticaram o que segue 
são breves comentários referentes ao uso do literalismo no decorrer da história da 
igreja de Cristo. 
a) Na igreja primitiva
Grandes nomes da igreja primitiva criam nas Escrituras assim como elas 
ensinavam, como exemplo, temos Papias que viveu entre 70 e 140 d.C que ao 
escrever sobre a profecia de Apocalipse que menciona a existência do reino milenial 
ele diz: 
"Haverá dias em que nascerão vinhas que terão, cada uma, dez mil 
videiras; cada videira terá dez mil ramos; cada ramo terá mil galhos; cada 
galho terá dez mil cachos e cada cacho terá dez mil uvas e cada 
uva espremida renderá vinte e cinco metretes de vinho. E quando um 
dos santos pegar um dos cachos, o outro cacho gritará: 'pega-me porque 
sou o melhor e, por meu intermédio, bendize o Senhor'. Da mesma 
forma, um grão de trigo produzirá dez mil espigas e cada espiga dará dez 
mil grãos; cada grão dará dez libras de farinha branca e limpa. Também 
os outros frutos, sementes e ervas produzirão nessa mesma proporção. 
E todos os animais que se alimentam dos alimentos dessa terra se 
tornarão pacíficos e viverão em harmonia entre si, submetendo-se 
aos homens sem qualquer relutância". 
Isso quer dizer que enquanto hoje, muitos teólogos ensinam que o milênio nunca 
existirá literalmente, os cristãos primitivos acreditavam piamente em sua existência. 
Outro texto antigo que nos informa como os cristãos antigos viam as promessas 
de Jesus, é uma frase extraída da “Apologia de Aristides” que foi escrita por volta do 
século II, onde o autor fala da vinda de Cristo, “ A glória de sua vinda poderás - ó Rei - 
conhecê-la,se lerdes o que entre eles (os cristão) se chama Escritura Evangélica”. 
Aqui Aristides não só defende o ensino da volta de Cristo como fala de sua referência 
nas Escrituras. 
Atanásio, teólogo do século quatro, em sua carta a Marcelino, a respeito da 
interpretação dos Salmos, faz ligação entre os acontecimentos verídicos do 
Pentatêuco e Juízes com os Salmos interpretando-os de maneira literal, como sendo 
narrativas dos eventos passados e não trazendo novos sentidos a eles como fazem os 
alegoristas. 
Os fatos concernentes a Josué e aos Juízes como os 
referem brevemente o Salmo 106 com as palavras: "Fundaram 
cidades para habitar nelas, semearam campos e plantaram 
vinhas" (Sal 106, 36-37). Pois foi sob Josué que se lhes entregou a 
terra prometida. Ao repetir reiteradamente no mesmo Salmo: "Então 
7 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
gritaram ao Senhor em sua atribulação, e Ele os livrou de todas suas 
angústias" (Sal 106,6), está indicando o livro dos Juízes. Jáque quando 
eles gritavam os suscitavam juízes a seu devido tempo para livrar a seu 
povo daqueles que o afligiam. O referente aos reis se canta no Salmo 19 
ao dizer: "Alguns se vangloriam em carros, outros em cavalos, porém, 
nós, no nome do Senhor nosso Deus. Eles foram detidos e caíram; 
porem nós nos levantamos e mantivemo-nos em pé. Senhor, salva ao 
Rei e escuta-nos quando te invocamos!" (Sal 19,8-10). E o que se refere 
a Esdras, o canta no Salmo 125 (um dos salmos graduais): "Quando o 
Senhor trocou o cativeiro de Sião, ficamos consolados" (Sal 125,1); e 
novamente no 121: "Me alegrei quando me disseram: 'Vamos à casa do 
Senhor'. Nossos pés percorreram teus palácios, Jerusalém; Jerusalém 
está edificada qual cidade completamente povoada. Pois ali sobem as 
tribos, as tribos do Senhor, como testemunho para Israel" (Sal 121,1-4). 
(A numeração dos Salmos é referente ao texto original Católico Romano) 
Teodoro de Mopsuéstia, grande teólogo e pensador cristão do século IV e V 
perseguiu de maneira voraz o método alegórico de interpretaçã o, e ao comentar disse: 
“Há pessoas que se empenham em distorcer os sentidos das 
Escrituras divinas e fazem tudo quando está escrito servir a seus 
próprios fins... Eles arquitetam algumas fábulas tolas em sua própria 
mente e dão à sua tolice o nome de alegoria. Usam mal o termo do 
apóstolo como uma autorização em branco para suprimir todos os 
sentidos da Escritura divina”. 
Mesmo com o início da ascensão do alegorismo o método literal foi defendido 
pelos mais ilustres teólogos e mestres da história, um exemplo destes é Tertuliano, tido 
por muitos, como o maior depois do apóstolo Paulo. 
b) Entre os reformadores
Durante quase toda a idade média a igreja Católica Romana teve o domínio da 
interpretação bíblica atribuindo a si mesma, como a única capaz de fazê-lo 
corretamente: 
“Pois tudo o que concerne à maneira de interpretar a Escritura, está sujeito 
em última estância ao juízo da igreja, que exerce o mandato e ministério divino de 
guardar e interpretar a palavra de Deus”. ( Bíblia Ave Maria, Constituição 
dogmática Dei Verbum sobre a revelação divina ). 
Com a reforma protestante, o método literal volta com grande força por ser este 
o método usado por seus líderes. Weldon E. Viertel em seu artigo sobre os “Princípios
Hermenêuticos de João Calvino”, escreve:
8 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
“Calvino doutrinava que a primeira responsabilidade de um intérprete 
é deixar que o autor diga aquilo que de fato diz, em vez de atribuir a ele o 
que nós pensamos que ele deveria dizer. É tarefa do intérprete mostrar a 
mente do escritor. Considerou como sacrilégio o uso da Escritura à mercê 
do prazer de cada um. Ele recusou apresentar seus pontos de vista 
teológicos em conjunto com sua interpretação da Escritura. Os princípios d 
e Calvino sobre a interpretação incluíam o sentido literal (princípio 
gramático-histórico) (...)”. 
Sabemos que parece um pouco contraditório o fato de Calvino ser literalista e 
espiritualizar vários textos, principalmente escatológicos, para que seus ensinos sejam 
fundamentados, porém o que nos importa é seu reconhecimento quanto ao uso 
indispensável do método literal. 
Todo o movimento reformista aderiu ao método literal, a declaração de fé de 
Westminster tem o seguinte parágrafo: 
“A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; 
portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de 
qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse 
texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem 
mais claramente”. 
Este foi incluído também, na declaração de fé Batista de 1689. 
Paulo R. B. Anglaba em seu artigo faz comentário sobre o rompimento com o 
alegorismo medieval: 
John Colet (1467-1519) foi um dos primeiros reformadores a romper 
com o método alegórico medieval, ao expor em 1496, em Oxford, as cartas 
do apóstolo Paulo em seu sentido literal e no seu contexto histórico. Três 
anos depois, em 1499, ele já sustentava o princípio de que as Escrituras 
não podem tersenão um único significado: o mais simples. 
Lutero também rejeitou a interpretação alegórica. Defendeu que ‘‘nós 
devemos nos ater ao sentido simples, puro e natural das palavras, como 
requerido pela gramática e pelo uso do idioma criado por Deus entre os 
homens. ’’ 
Quanto a Calvino, sua aversão à interpretação alegórica era de tal 
ordem que ele chegou a afirmar ser satânica, por desviar o homem da 
verdade das Escrituras. ‘‘É uma audácia próxima do sacrilégio’’ , escreveu 
ele, ‘‘usar as Escrituras ao nosso bel-prazer e brincar com elas como com 
uma bola de tênis, como muitos antes de nós o fizeram’’. 
9 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Muitos outros nomes poderiam ser citados, porém os destacados falam por todo 
o grupo, que mesmo divergindo em questões doutrinárias tinham comum parecer
quanto ao método de interpretação.
A conclusão que chegamos, tendo em vista que a igreja moderna e a contemporânea 
seguiram os passos da reformada quanto à hermenêutica, é quenão há outro método 
de interpretar a palavra de Deus, que não seja o de respeitar e não deturpar o seu 
sentido original, ou seja, levar em consideração aquilo que o escritor realmente queria 
dizer. O fato é que na escatologia lidamos com textos de difícil elucidação, no entanto 
não temos o direito de dar-lhe outro sentido apenas baseando-se em nossos 
pensamentos e raciocínios e é justamente o que tem acontecido em nossos dias. Sobre 
os que brincam com o sentido das Escrituras, Teodoro de Mopsuéstia disse “agem 
como se toda a narrativa histórica da Escritura divina de nenhum modo diferisse de 
sonhos à noite”. 
10 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
O DISPENSACIONALISMO E SUAS ALIANÇAS 
É de suma importância nos determos, por breve momento, no estudo das 
dispensações já que esta está ligada fortemente a escatologia. Os pactos 
realizados por Deus durante determinado tempo da história permanecem até hoje e 
as promessas inclusas nestes pactos esperam cumprimento total. 
Dispensações são períodos de tempo em que Deus estabelece diferentes maneiras 
de tratar com seu povo, sendo que em cada uma delas há a pactos estabelecidos 
por Deus em que são feitas promessas que foram ou serão cumpridas e também 
exigências como condições para que as alianças ou parte delas sejam concluídas. É 
interessante ressaltar que as alianças ou pactos tinham características diferentes 
relativas ao seu cumprimento, algumas eram totalmente condicionais, onde, aquela 
pessoa ou nação com quem foi feita a aliança, deveria cumprir alguns pormenores 
para sua realização. As incondicionais ao contrário, não estavam dependentes da 
pessoa ou grupo com que a aliança era feita, Deus prometia e independente de 
qualquer coisa ele se comprometia a fazer. 
O dispensacionalismo apresenta todo o plano de Deus através dos séculos por 
períodos, como se fossem capítulos de um livro, embora sejam distintos têm o 
mesmo contexto, ou seja, mesmo as dispensações sendo diferentes estão 
interligadas e elas tratam do mesmo contexto, que é a revelação de Deus ao homem 
e também o desenvolvimento deste relacionamento. 
11 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
No quadro abaixo veremos um resumo das dispensações e suas alianças: 
12 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
2.1- AS ALIANÇAS E A ESCATOLOGIA 
Encontramos nas alianças: Abraâmica, Mosaica, Palestínica e Davídica, implicações 
escatológicas que resolvem e explicam grandes discussões em várias áreas da 
doutrina. O que estudaremos a seguir serão estas implicações e o que cada uma 
delas representa para a igreja, para os gentios e para Israel. 
A aliança com Abraão é a raiz das demais, Deus prometeu ao patriarca a posse da 
terra e isto foi confirmado pela aliança palestina. A promessa também inclui a 
formação de uma numerosa nação e o estabelecimento de um reinado eterno 
confirmado na aliança Davídica. Através de sua descendência todas as nações 
seriam abençoadas o que é confirmado na Nova Aliança. Veja no esquema abaixo e 
confira as referências, as promessas e suas ligações com as outras alianças. 
2.2 - ALIANÇA ABRAÂMICA 
A cronologia bíblica mais aceitável apresenta o nascimento de Abraão no ano 2166 
a.C., na era do baixo bronze IV. Filho de Terá morava na cidade Sumeriana, Ur dos 
Caldeus que ficava às margens do rio Eufrates, neste tempo a cidade havia sido 
conquistada por povos bárbaros ocasionando a saída de seu pai juntamente com 
filhos e noras para a cidade de Harã, onde Deus se revela a ele. Seu chamado está 
registrado em Gênesis 12:1-3
“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de 
teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te 
abençoarei, e te 
13 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e 
amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da 
terra”. 
Em outros textos encontramos complementos desta aliança: 
Gênesis 12:6-7 Atravessou Abrão a terra até Siquém, até ao carvalho de Moré. 
Nesse tempo os cananeus habitavam essa terra. Apareceu o SENHOR a Abrão e 
lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao 
SENHOR, que lhe aparecera. 
Gênesis 13:14-17 Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: 
Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e 
para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu te darei, a ti e à tua 
descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de 
maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a 
tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua 
largura; porque eu te darei. (leia também 15:1-21; 17:1-14) 
Podemos numerar as promessas da seguinte forma: 
1. De Abraão sairia uma grande nação.
2. Ele seria abençoado;
3. Seu nome seria engrandecido;
4. Ele mesmo seria uma grande bênção;
5. Deus promete abençoar os que o abençoassem e amaldiçoar os que o
amaldiçoassem;
6. Através dele e de sua descendência todas as nações seriam abençoadas;
7. Canaã seria de sua descendência;
8. A possessão da terra seria eterna;
9. Seria o patriarca de vários reis;
10. A aliança permaneceria perpetuamente em sua descendência.
Qualquer aliança feita por Deus com os homens pode ter ou não uma condição, ou 
seja, se a pessoa ou o povo tiver que fazer algo para que o pacto venha a ser 
cumprido é uma aliança condicional, se for ao contrário é uma aliança incondicional. 
14 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
A aliança de Deus com Abraão tem uma condição inicial que é “Sai da tua terra, da 
tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei”. Ao cumprir 
esta parte todo o restante era de caráter incondicional, Deus iria cumprir. Eugene H. 
Merril ao comentar sobre o caráter da aliança diz: 
A divina promessa da terra e as outras bênçãos (Gn 12:1-3; 15:18-21; 17:1-8) 
estão registradas numa forma de aliança tecnicamente conhecida nos estudos do 
antigo oriente Médio como sendo um “concerto da graça”. É uma iniciativa que 
parte daquele que concede o favor, e quase sempre sem que para isso exista 
qualquer pré-requisito ou qualificação. 
No Novo Testamento vemos claramente a imutabilidade da aliança Abraâmica em 
Hebreus 6:13-17 
Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém 
superior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, te abençoarei 
e te multiplicarei. E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a 
promessa. Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, 
servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. Por isso, Deus, quando 
quis mostrar mais firmemente aos herdeiros dapromessa a imutabilidade do seu 
propósito, se interpôs com juramento, (...) 
As promessas a Abraão eram definitivas, pois dele s urgiria uma grande nação, e 
para sua posteridade seria dada a terra de Canaã como posse eterna; seu nome 
seria grande e quem ele abençoasse seria abençoado, se amaldiçoasse ser ia 
amaldiçoado; através dele todas as nações seriam abençoadas e a aliança que 
Deus estabelecia com ele seria eterna. As promessas da aliança têm caráter literal e 
não figurado, se Deus o prometeu iria cumprir cabalmente todas elas. É notório que 
as promessas não foram, ainda, realizadas em sua totalidade já que Israel nunca 
possuiu a terra de maneira definitiva, o reinado literal ainda não existe, porém, como 
veremos adiante, estas promessas encontrarão cumprimento no milênio. 
2.3 - ALIANÇA PALESTINA 
Após a aliança Mosaica ser decididamente desobedecida, e chegar o momento de 
transição de liderança, Deus fala a Moisés e renova a aliança estabelecida com o 
pai Abraão, o caso é que devido à desobediência não se tinha mais esperança de 
entrar na terra prometida e esta revitalização da promessa trazia consigo uma nova 
esperança ao povo de Israel. Esta aliança é encontrada em Deuteronômio 30:1-10: 
15 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Quando, pois, todas estas coisas vierem sobre ti, a bênção e a maldição que 
pus diante de ti, se te recordares delas entre todas as nações para onde te lançar 
o SENHOR, teu Deus; e tornares ao SENHOR, teu Deus, tu e teus filhos, de todo
o teu coração e de toda a tua alma, e deres ouvidos à sua voz, segundo tudo o
que hoje te ordeno, então, o SENHOR, teu Deus, mudará a tua sorte, (...) O 
SENHOR, teu Deus, te introduzirá na terra que teus pais possuíram, e a 
possuirás; e te fará bem e te multiplicará mais do que a teus pais. O SENHOR, 
teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para 
amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, (...), pois, 
darás ouvidos à voz do SENHOR; (...) O SENHOR, teu Deus, te dará abundância 
em toda obra das tuas mãos, no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e 
no fruto da tua terra (...) se deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus(...) 
O ponto central desta aliança é a possessão da terra que havia sido prometida à 
descendência de Abraão, e perdida devido a desobediência de Israel (Dt 28:63-68), 
no entanto o novo pacto traria não só o restabelecimento da promessa mais sua 
reafirmação. Vejamos os pontos desta aliança: 
1. Deus tirará Israel do cativeiro (v.3-4)
2. Seria-lhes restituída a terra por posse eterna; (v.5)
3. Teriam grande prosperidade (v.5,9)
4. Deus converterá toda a nação para si (v.6)
5. É-lhes garantida proteção contra os inimigos (v.7)
A promessa de Deus para Israel permanece firme e inabalável. Claramente se vê 
uma repetição do que foi prometido a Abraão de maneira também incondicional, o 
fato de a conversão de Israel ser aparentemente a condição para que Deus cumpra 
sua promessa não torna a aliança condicional, pois o Senhor disse qu e converteria 
seu povo, veja bem, ele seria o autor da conversão: 
SENHOR, teu Deus, (ele) circuncidará o teu coração e o coração de tua 
descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a 
tua alma, para que vivas. De novo, pois, darás ouvidos à voz do SENHOR; 
cumprirás todos os seus mandamentos que hoje te ordeno. 
O único fator que adiaria ou atrasaria o cumprimento da promessa seria, quando; 
ou seja, o tempo em que Israel desse ouvido ao Senhor (Dt 28:2), isto não 
condiciona a promessa porque o tempo desta conversão será determinado por 
Deus “porém o SENHOR não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, 
nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje” (Dt 29:4). E esta “abertura de ouvidos” 
ocorr erá no fim da grande Tribulação. 
E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito 
da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão 
como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora 
amargamente pelo 
16 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de 
Hadade-Rimom, no vale de Megido.(Zc 12:10-11) 
2.4 - ALIANÇA DAVÍDICA 
A aliança com Davi também está ligada diretamente a Abraâmica, porém com 
pormenores que se referiam a Davi e seus descendentes. Sua apresentação por 
parte de Deus através do profeta Natã se encontra em 2Sm 7:12-16: 
Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei 
levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o 
seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para 
sempre o trono do seu reino. 
Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com 
varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se 
não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei diante de ti. Porém a tua 
casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será 
estabelecido para sempre. 
Davi havia colocado em seu coração o desejo de construir um templo ao Senhor 
(2Sm 7:2), Deus não permitiu, porém fez com ele esta aliança onde podemos 
observar que: 
1. Deus lhe daria um filho (Salomão);
2. Após sua morte o reino seria entregue a este filho;
3. Seu filho edificaria o templo do Senhor;
4. Deus amaria esse filho;
5. Deus promete ter misericórdia de seu filho mesmo diante de suas
transgressões;
6. Sua casa (descendência), seu reino (nação) e seu trono seriam
estabelecidos para sempre.
Deus deixa claro para Davi que ninguém, a não ser de sua descendência, sentaria 
no trono (Sl 89:3-4) e esta promessa como todas as outras é de caráter 
incondicional, Deus se compromete a fazer. Só nos resta saber quem será este 
descendente que sentará no trono, uma vez que Israel está novamente em sua terra 
e formando novamente uma nação, sobre isto o apóstolo Pedro em Atos 2:30-31: 
Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus 
descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à 
ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo 
experimentou corrupção. 
17 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Lucas 1:31-33 esclarece: 
Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem hamarásc pelo nome de 
Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe 
dará o trono de Davi, seu pai ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o 
seu reinado não terá fim. 
Ao amilenistas (os que não creem na existência de mu milênio literal) tem lutado 
para provar que este reino é espiritual e que a igreja cumpre esta promessa, onde 
Jesus, o descendente de Davi, reina soberano, no entanto para tal interpretação é 
necessário espiritualizar demasiadamente o texto e seu cumprimento, não 
observando que desde o início os eventos prometidos como: o nascimento de 
Salomão, a construção do templo, seu reinado, seus pecados e castigo divino, como 
também a permanência da misericórdia do Senhor em sua vida, que foram 
cumpridos literalmente. Estes acontecimentos literais indicam o caráter da 
promessa, o fato é que os amilenistas argumentam que estes cumprem apenas a 
parte literal da aliança, permanecendo a parte espiritual cumprida por Cristo ao 
longo de seu reinado sobre a igreja. 
O reino prometido a Davi era totalmente literal, o próprio Jesus pregou o reino 
dessa forma em Mt 25:31-33. 
Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, 
então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em 
sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos 
as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda. 
Não háa menor base para um reino espiritual cumpri este aspecto da aliança, o fato 
de em apocalipse Jesus ser apresentado num trono não permite ligação ao trono de 
Davi, apenas indica a majestade de Cristo. O profeta Ezequiel também fala da 
permanência literalmente perpétua do trono de Davi em 37:24: 
O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão 
nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão. 
Jesus é o grande rei “que veio para os seus, mas os seus não o receberam”, porém 
retornará e estabelecerá seu trono. Deus tem providenciado apreservação da casa 
de Davi, isto é, a nação de Israel, a qual irá, no final da grande tribulação, ter seu 
trono ocupado através de seu “descendente”, Jesus que virá para instituir seu reino 
eterno. 
2.5 - NOVA ALIANÇA 
Esta com certeza é das quatro a que traz mais dúvidas e questionamentos, no 
entanto quando averiguamos as Escrituras todos desencontros se dissipam. Deus 
havia estabelecido uma aliança com Moisés (Ex. 19:1-25), nela foram prometidos 
benefícios exclusivos à nação de Israel, entretanto esta aliança era temporária, e 
assim é chamada em Hebreus 
18 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
8:13, por isso em Jeremias 31:31-33, Deus promete uma nova e definitiva aliança, 
chamada de eterna em Is 61:8, na qual eram prometidas bênçãos materiais e 
espirituais definitivas para Israel. O texto de Jeremias 31:31-40 diz o seguinte: 
Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de 
Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no 
dia em que os tomei pela mão, para tirá-los da terra do Egito, porquanto eles 
invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. 
Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o 
SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu se 
rei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém mais a seu 
próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos 
me conhecerão, des de o menor deles até ao maior, diz o SENHOR; porque 
perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados. Assim diz 
o SENHOR, (...) esta cidade será reedificada para o SENHOR, desde a Torre de
Hananel até a Porta da Esquina.(..) Esta Jerusalém jamais será desarraigada ou
destruída.
O resumo desta promessa de aliança é: 
1. A promessa de uma nova e futura aliança;
2. Esta promessa é exclusiva a Israel e a casa de Judá;
3. Uma conversão real e definitiva;
4. Comunhão eterna entre Deus e Israel;
5. Perdão dos pecados e esquecimento dos mesmos por parte de Deus;
6. Jerusalém será reedificada e eternizada.
Encontramos uma repetição desta aliança em Ezequiel 37:21-28, os termos são os 
mesmos, porém destacamos os versos 26 e 27 que dizem: 
Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os 
multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre. O meu 
tabernáculo estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 
O escritor de Hebreus defende o sacerdócio de Cristo como sendo o mediador da 
nova aliança (Hb 8:6) e diz que a primeira aliança era ineficaz, falando da mosaica, 
que, portanto, deveria ser substituída por uma eficaz e eterna (Hb 8:7,13). O 
escritor continua no capítulo 9 a discorrer o assunto dizendo que Moisés ao receber 
a lei (aliança) aspergiu sangue sobre o povo, sobre o tabernáculo e os vasos do 
ministério (v.19-21)“dizendo: Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu 
para vós outros”. E complementa dizendo que “ quase todas as coisas, segundo a 
lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão”. 
O fato é que ano após ano haveria de fazer novos sacrifícios para se alcançar o 
“perdão” dos pecados, tornando esta aliança incompleta, ou, como diz o 
19 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
escritor, ” uma sobra de bens futuros” . Jesus sendo o próprio sacrifício aceitável 
diante de Deus, (Hb 9: 11-17) tornou-se o mediador desta aliança, tornado-a 
perfeita e completa. 
Um problema surge quando observamos que esta, como todas as outras, foram 
feitas com Israel e a Casa de Judá e não com a igreja, isso quer dizer que esta não 
pode cumprir a aliança pois apenas Israel e Judá o poderiam fazer. Vemos na 
proclamação da aliança Deus dizer “ Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que 
farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá”. O caso é que 
os amilenistas dizem que a igreja hoje cumpre esta aliança tornando desnecessário 
um milênio literal, no entanto é impossível, pois, aqueles que creem no sacrifício de 
Jesus pela fé, ão,s como diz o apóstolo Paulo, enxertados (Rm 11:24), não são 
ramos naturais, a relação que existe entre a igreja e a nova aliança, é apenas de 
beneficiamento por parte da igreja, esta participa de suas bênçãos, porém, não 
pode cumpri-la. Nos pontos da aliança vistos anteriormente fica claro que na nova 
aliança, Deus estabeleceria um novo relacionamento com Israel, devolvendo-lhe 
Jerusalém, permitindo sua reedificação definitiva e prometendo estar no meio 
deles. Todos os pontos desta aliança são também definitivos e eternos, e isto, até 
hoje nunca se viu acontecer na nação de Israel, o porquê tem resposta simples, a 
aliança é futura para eles. 
João em seu Evangelho fala da oportunidade que a nação teve em estabelecer a 
nova aliança e com ela o reino messiânico, dizendo que Jesus “ Veio para o que era 
seu, e os seus não o receberam ”, a questão é que Deus tinha um propósito 
específico que era o de incluir os gentios em seu plano de salvação. “ Eu, o 
SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei 
mediador da aliança com o povo (Israel) e luz para os gentios (igreja) (Is 42:6). 
Estes gentios se tornaram a igreja, sendo então, participantes das bênçãos 
espirituais da aliança através da fé no mediador dela, Jesus Cristo”. 
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos 
de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram 
do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas 
de Deus.(Jo 1:12) 
A conclusão é que o milênio é literal, ao contrario do que dizem os amilenistas, e 
necessário, pois nele a nova aliança será estabelecida em Israel e Deus cumprirá 
todos os desígnios desta aliança, como também das outras. Os pormenores 
referentes ao milênio serão abordados mais adiante. 
2.6 - O FIM DA ATUAL DISPENSAÇÃO 
Das sete dispensações, cinco já foram concluídas: inocência consciência, governo 
humano, patriarcal e lei, e estamos vivendo a dispensação d a graça que dará lugar a 
milenial. O que é necessário percebermos é que Deus tendo dividido história da 
humanidade em dispensações deu para cada uma delas um propósito ou missão e 
todas elas deveriam ter um inicio e um fim, portanto esta era atual, ou este período de 
tempo chamado graça em que vivemos terá um 
20 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
fim, o que marcará este fim? Dois grandes eventos marcarão o fim, o arrebatamento da 
igreja e a volta visível de Jesus para inaugurar o milênio. Nos capítulos seguintes 
estudaremos detalhes dos eventos como também tudo o que os envolve. 
DEFINIÇÃO DOS TERMOS ARREBATAMENTO E VINDA 
Neste capítulo buscaremos uma definição esclarecedora quanto à ideia principal que 
cada termo usado no original quer dizer, pois temos muitos escritores nomeando o 
arrebatamento e a vinda em glória usando palavras gregas que, como veremos não 
permite tal nomeação de modo definitivo. 
Os dois eventos, principalmente o primeiro, são esperados ansiosamente pela igreja, 
pois trarão consigo a consumação de uma expectativa viva e que deve ser 
alimentada com as palavras de Jesus que disse em João 14:2-3. 
Na casade meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria 
dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e 
vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também. 
No entanto existem teorias que negam sua existência ou que 
mesmo reconhecendo a realidade do arrebatamento o colocam em posição errada 
quanto ao tempo de seu acontecimento, é preciso então definir o evento de uma 
forma decisiva para romper com as dúvidas. 
3.1- ARREBATAMENTO 
O termo arrebatamento é encontrado em seu sentido escatológico em I Ts 4:17, 
quando o apóstolo Paulo explica acerca da situação dos mortos em Cristo na sua vinda 
e ao dizer com relação ao momento da retirada da igreja diz que os mortos ressurgirão 
primeiro e: 
... Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente 
com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos 
para sempre com o Senhor. 
Harpádzo (é o termo que é traduzido para arrebatamento), este tem 
um significado abrangente, em Mateus 11:12 é traduzido como “apoderaram-se” no 
sentido de tomar para si; já em Mateus 13:19 a ideia é de “roubo” como também 
em João 10:28; uma tradução menos comum nos encontramos em João 10:12, 
“atacar” no sentido de investida. É derivado de 
21 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
haireomai (que significa tomar para si, preferir, escolher, escolher pelo voto, eleger 
para governar um cargo público). De qualquer forma arrebatamento significa tomar 
para si, roubar, raptar, capturar; qualquer uma é valida desde que esteja de acordo 
com o contexto, por isso “harpadzo” em I Ts 4:17 ficaria melhor como: 
...depois, nós os que estivermos vivos, juntamente com eles (os mortos 
ressurretos) seremos levados por Jesus até as nuvens para nos encontrarmos 
com ele nos ares, e assim, estaremos para sempre com o Senhor. 
Alguns comentaristas sugerem roubo ou rapto da igreja como possível tradução, 
no entanto, a igreja não vai ser tomada indevidamente, pois Jesus a comprou com seu 
sangue (At 20:28) a obtenção da igreja é legitima. Portanto arrebatamento é o evento 
em que Jesus vem até as nuvens buscar para si a sua igreja, Paulo adverte a igreja a 
esperar em santidade e vigilância. 
1 Ts 5:23 O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, 
alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso 
Senhor Jesus Cristo. 
3.2 - VINDA 
Três palavras são usadas para referir-se à vinda de Cristo e estas são utilizadas 
nos textos originais de várias maneiras, no entanto precisaremos conhecê-las para que 
tenhamos uma compreensão melhor sobre seus significados e se podemos utilizá-las 
ou não para nomear a vinda gloriosa de Cristo. 
Parousia (Sua tradução segundo o dicionário grego de Willian Carey é: 
presença, vinda, chegada, volta; “visita real, chegada de um rei”) (Souter); “a futura 
visível volta de Jesus, o messias, do céu para ressuscitar os mortos, realizar o juízo 
final, e estabelecer formal e gloriosamente o reino de Deus” (Thayer) 
Parusia é derivado de pareimi (que significa estar perto, estar a mão, ter 
chegado, estar presente estar pronto, em estoque, às ordens (Strong). 
Seu sentido é abrangente, tanto pode se referir ao arrebatamento quanto à volta 
gloriosa de Jesus. Em 2Co 10:10 e Fp 2:12 parusia refere-se a presença pessoal de 
qualquer pessoa; em 1Co 16:17 trata da vinda pessoal de alguém, que no caso é 
Estéfanas, Fortunato e Acaico, como em Fp 2:12 onde Paulo fala de sua parusia 
(presença) entre os filipenses em contraste com sua apousia (usência); em 2Ts 2:9 
trata do aparecimento do anticristo; em 1Co 15:23, 1Ts 2:19, 4:15 e 5:23 entre outros 
referem-se ao arrebatamento; e em Mt 24:3, 27, 37, 39, 1Ts 3:13, 2Pe 1:16 entre 
outros, tratam da vinda gloriosa de Jesus a terra. Concluímos então que parusia não 
tem condições de ser usada para definir decisivamente e exclusivamente como 
22 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
sendo a vinda no arrebatamento, já que pode significar qualquer vinda. Parusia 
expressa na língua portuguesa o sentido da palavra “presença”, e esta presença pode 
ser de qualquer coisa ou pessoa. 
O fato é que este termo tem sido usado por vários scritores como sendo a palavra 
que define o arrebatamento como a “parusia de Cristo”, e isto é um erro, pois o termo , 
como vimos, pode significar vários tipos de vinda. 
Epifhanéia manifestação, aparecimento, “vinda”; literalmente significa “brilho à 
frente” (Vine). É usada por vários escritores para designar a volta gloriosa de Jesus 
após a grande tribulação. 
Sua raiz epifa sempre está ligada a aparição e manifestação, outra forma é 
epifhaino (que significa: aparecer, fazer uma aparição, mostrar-se, como em Lc 1:79, 
At 27:20 e Tt 2:11; e ainda epifhaísco: aparecer, surgir, como em Ef 5:14). 
Epifhanéia é usado para de referir a volta gloriosa de Jesus em 2Tm 4:1 "Conjuro-
te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação 
e pelo seu reino", e Tt 2:13 "aguardando a bendita esperança e a manifestação da 
glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" neste versículo encontramos os 
dois eventos aguardados pela igreja de Cristo, a expressão "bendita esperança" refere-
se ao arrebatamento, enquanto "manifestação da glória" trata da vinda gloriosa de 
Jesus. Em 1Tm 6:14 e 2Tm 4:8 o contexto indica que se trata do arrebatamento e em 
2Tm 1:10 o contexto indica claramente se tratar da encarnação de Jesus Cristo; em Mt 
24:27 revela o brilho da glória do Senhor Jesus. A conclusão é simples: devido o fato se 
tratar de vários tipos de vinda e "aparições", e não definir claramente qual, não pode 
ser estabelecido que quando se falada vinda gloriosa e visível de Cristo use-se o termo 
"a epifhanéia de Cristo". 
Apokalupsis - Revelação, exposição, manifestação. Mesma raiz de a pokalupto 
(revelo, descubro). 
Seu uso é freqüente para designar a revelação de Jesus Cristo, ou seja, a sua 
vinda, no entanto, também não consegue por si só definir qual das vindas está se 
referindo. Em Lc 17:30, 2Ts 1:7, 1Pe 4:13 nitidamente indica a vinda visível de Cristo; 
em 1Co 1:7, Cl 3:4 e 1Pe 1:7, 13 refere-se ao arrebatamento. Devido seu significado e 
uso abrangente também é usado nas Escrituras para referir-se a descobrimento e 
revelação da palavra de Deus na alma entre outros usos. Em Lc 12:32 fala da 
revelação da palavra aos gentios; Rm 16:25 e Ef 3:3 falam da revelação do “mistério” 
que é o plano de Deus para esta era; Ef 1:17 o termo retrata a questão da revelação do 
conhecimento de Deus à alma do homem e etc... Portanto, fica difícil provar que este 
termo indique claramente que evento ele se refere já que alem, de ser utilizado para 
relatar os dois, tem outros usos. 
23 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Phanerósis - Existe ainda uma palavra usada por alguns escritores para 
designar a volta gloriosa de Cristo, que é Phanerósis, no entanto, esta não é usada 
nos textos que falam da vinda de Cristo, este termo aparece em 1Co 12:7 “ A 
manifestação ( phanerósis) do Espírito é concedida a cada um visando a um fim 
proveitoso”, não indicando a manifestação de Cristo na sua vinda, mas uma 
manifestação do Espírito Santo, no sentido simples de demonstração. O verbo que 
está relacionado ao termo em questão é phaneró (revelar, mostrar, fazer conhecido, 
como em Mc 4:22; Jo 7:4; 17:6; 21:14; Rm 1:19; 3:21; 2Co 2:14; Ef 5:13; 1Tm 3:16; Tt 
1:3; Hb 9:8; 9:26; 1Jo 1:2 e 2:28). Nunca e em nenhuma de suas formas (phanerós-
adjetivo, phanerôs-advérbio ou phaneró-verbo) o termo se refere à manifestação de 
Cristo. 
A conclusão final a que chegamos é que cada palavra dessas não foi introduzida 
no texto com a intenção de classificar qual das vindas o escritor se referia, mas sim 
para deixar claroo ensino sobre o retorno do Senhor, cada uma delas revela 
características marcantes sobre sua volta; Parusia expressa que a vinda manifestará 
sua presença; epiphanéia trata da volta como algo glorioso devido seu aparecimento e 
apokalupsis fala da manifestação completa no sentido de se revelar, tornar-se 
conhecida sem qualquer obscuridade, perante o mundo, como Rei dos reis. 
Adendo Cultural 
Escolas e Tempos - Reflexões sobre o Apocalipse 
A maioria das diferentes escolas de interpretação p ode ser entendida na forma em que 
seu método explica o tempo. Os preteristas afirmam que a maior parte do Apocalipse 
tem sua principal referência no passado. Os futuristas declaram que a maior parte do 
livro ainda deverá ter cumprimento futuro. Os historicistas estão seguros de que o livro 
foi cumprido parcialmente no passado, está ainda tendo cumprimento no presente, e 
somente se cumprirá plenamente no futuro. 
A escola Idealista rejeita todas essas três escolas. O idealista diz que essas três 
escolas são por demais específicas ao interpretar os símbolos proféticos. O idealista 
busca um método de interpretação mais espiritual, filosófico ou poético. 
Escola do Idealismo 
A escola idealista de interpretação julga que o livro de Apocalipse é um desdobrar de 
princípios em figuras. O propósito do livro de Apocalipse não é falar de eventos 
específicos a virem. É somente para ensinar verdades espirituais que podem ser 
aplicadas a todas as situações (ou serem delas derivadas). 
24 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Contudo, é difícil ver um propósito no livro de Apocalipse se for somente um retrato 
detalhado de princípios encontrados noutras partes. Se tais princípios já foram 
ensinados claramente alhures, por que agora se apresentam em forma tão misteriosa? 
Erdman indaga: 
. . . os princípios não se tornam até mais impressionantes quando incorporados em 
eventos que o autor viu, e em eventos ainda mais momentosos que nas visões 
proféticas ele contemplou no horizonte de uma era mais luminosa que deveria ainda 
raiar? (Chrles R. Erdman, Revelation, p. 25) 
Incoerências do Idealismo 
Absoluta coerência é impossível para o Idealismo, tanto quanto para todas as outras 
escolas. O Apocalipse descreve a segunda vinda de Cristo. Se esse for um evento 
histórico real, por que alguns dos retratos dos eventos do Apocalipse antes disso 
também são históricos? 
É impossível divorciar qualquer livro de sua ambientação histórica. Isso é duplamente 
verdadeiro com respeito ao livro do Apocalipse porque é o exemplo máximo de 
literatura apocalíptica. Todo esse gênero literário trata com história. Não está 
interessado em abstrações. 
Escola Preterista 
O preterismo é a metodologia mais popular para o exame do Apocalipse entre os 
eruditos críticos. Essa escola é também conhecida como a contemporânea-histórica. 
Essa escola inclui exegetas tão brilhantes quanto Beckwith, Swete, Ram say, Simcox, 
Moses Stuart, e F. F. Bruce. 
Esses escritores entendem que as principais profecias do livro do Apocalipse 
cumpriram-se na destruição de Jerusalém (em 70 AD) e na queda do Império 
Romano. 
A força do Preterismo é que se baseia em considerável montante de verdade. O livro 
de Apocalipse de João deve ter feito sentido para os seus primeiros leitores, seus 
contemporâneos. Que pastor escreveria uma carta para o seu rebanho que não 
tivesse imediato significado para essas ovelhas? 
Protesto Contra o Preterismo 
O principal defeito do Preterismo é que parece deixar a igreja ao longo das era sem 
direção específica. Milligan declara: 
25 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
. . . o livro [de Apocalipse] apresenta distintamente em sua aparência o fato de que não 
está confinado ao que o Vidente contemplou imediatamente ao seu redor. Trata de 
muito do que devia acontecer até o pleno cumprimento da luta da Igreja, a completa 
conquista de sua vitória, e o integral alcance de seu descanso. A Vinda do Senhor tão 
frequentemente referida certamente não se esgotou naquela destruição da política 
judaica que agora sabemos que devia preceder por muitos séculos o encerramento da 
Dispensação presente; e os inimigos de Deus descritos continuam a sua oposição à 
verdade não meramente num ponto determinado e próximo, quando são contidos, mas 
ao final, quando são derrotados derradeiramente e para sempre. Há uma progressão no 
livro que é somente detida com o advento final do Juiz de toda a Terra; e nenhum 
sistema justo de interpretação nos permitirá considerar as diferentes pragas dos Selos, 
Trombetas, e Taças como simbólicos somente de guerras que o Vidente havia 
contemplado em seus princípios, e que sabia que terminariam com a destruição de 
Jerusalém e Roma. Contra a ideia de que São João estava limitado aos acontecimentos 
de seu próprio tempo o tom e espírito do livro são um contínuo protesto. Nem se pode 
alegar que ele combine isso com o que se daria por fim, deixando, por razões 
inexplicadas da parte dele, um longo intervalo de tempo sem notícia. Não há evidência 
de um intervalo. Os relâmpagos e trovões se desencadeiam em sucessão próxima 
desde o princípio até o fim do livro. Julgado mesmo por seu caráter geral, o Apocalipse 
não pode ser interpretado segundo esse sistema moderno. (W. Milligan, Lectures, págs. 
141, 142). 
O Preterismo Ignora o Futuro 
Deixamos o Preterismo com as palavras do profeta João ecoando em nossos 
pensamentos: "Sobre para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas 
coisas". Apocalipse 4:1. Tenney escreveu: 
A fraqueza desse ponto de vista [o Preterismo] é sua limitação terminal. Obviamente 
os juízos preditos não se cumpriram, e conquanto figurativamente se possa 
interpretar a conquista do mundo por Cristo e o retrato de um juízo final, nada disso 
ainda apareceu. O preterista tem uma interpretação que possui um firme pedestal, mas 
que não dispõe de uma escultura acabada para nela ser firmada. (M. C. Tenney, 
Revelation, pág. 144). 
A Escola do Futurismo 
O futurismo situa-se no outro extremo da interpretação, com relação ao preterismo. O 
futurismo acredita que o livro de Apocalipse, com a possível exceção dos três 
primeiros capítulos, aplica-se totalmente ao futuro. O Futurismo aponta à tribulação 
final da igreja e é, portanto especialmente dirigido aos crentes nos primeiros últimos 
anos da história. Digo "especialmente" porque nenhum futurista nega o valor presente 
das promessas e princípios achados na profecia. 
26 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Diz Todd sobre o Apocalipse: 
Não devemos, destarte, procurar o cumprimento de suas predições nem nas primeiras 
perseguições e heresias da igreja nem na longa série de séculos desde a primeira 
pregação do Evangelho até agora, mas nos eventos que devem imediatamente 
preceder, acompanhar e seguir-se ao Segundo Advento de nosso Senhor e Salvador. 
(J. H. Todd, Six Discourses on the Apocalypse, quoted by W. Milligan, Lectures, p. 
135). 
Futurismo e Literalismo 
Os futuristas tendem a ser literalistas. Seguem a regra de que "todas as declarações 
proféticas devem ser interpretadas literalmente a menos que evidência contextual, ou o 
bom senso, tornem esse procedimento impossível". A maioria dos expositores (outros 
que não os futuristas) dizem que essa regra devia ser revertida quando interpretando-
se o Apocalipse. 
As objeções ao Futurismo são semelhantes àquelas contra o Preterismo. O Futurismo 
torna o livro de Apocalipse de pouco valor para a maioria dos cristãos no que se refere 
ao desenrolar da maior parte da história. A maioria dos cristãos são ignorados ao 
longo da história. Dirige-se somente aos que vivem nos últimos momentos da história. 
O Futurismo estreita demasiadamente a perspectiva da Revelação. 
A Igreja Sobre a Terra 
Uma posição básica assumida por futuristasdispensacionalistas é de que após 
Apocalipse 4:1 a igreja nunca é vista sobre a Terra. Alegam que oscapítulos 6 ao 19 
somente retratam um remanescente judaico. 
A resposta a isto é que o livro de Apocalipse representa a igreja no céu misticamente. 
Isto se dá por causa da união da igreja com o Seu assunto Senhor. 
Outros versos do Novo Testamento encaram a igreja nessa forma mística (Efés. 2:6; 
Fil. 3:20, Col. 3:1). Os membros da igreja que originalmente leram esses versos de que 
a igreja estava no céu o fizeram enquanto fisicamente sobre a Terra! 
Apocalipse 7, 11 e 12 retratam a igreja cristã sobr e a Terra. Certamente esses 
capítulos o fazem sob o simbolismo do antigo povo do concerto de Deus. Contudo, 
qualquer método de interpretação que admite o simbolismo judaico da revelação 
literalmente torna o livro sem sentido. O próprio estofo da literatura apocalíptica é 
pictórico e emblemático, não o literal. 
27 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
O livro de Apocalipse inteiro é dirigido aos servos de Cristo, ou seja, às igrejas cristãs. 
Aqueles que foram mortos por confessarem o evangelho de Cristo são mencionados 
sob o quinto selo. Apocalipse 8 fala das orações de todos os santos ("santos", no 
Novo Testamento significa somente cristãos ou anjos). 
A Escola do Historismo 
O historicismo é o método de interpretação da profecia que declara que o livro do 
Apocalipse é um histórico profético da igreja e do mundo, desde o tempo de João até 
o segundo advento.
As predições dadas no livro do Apocalipse não são somente movimentos gerais na 
história, declara o Historicismo. Mesmo eventos específicos são preditos. Isso inclui a 
identificação de datas reais do calendário. 
Historicistas destacados incluem Begel, Mede, Newton, Elliott, e Guinness. O livro 
Prophetic Faith of Our Fathers [A fé profética de nossos pais], de L. E. Froom, é um 
esplêndido compêndio do Historicismo e sua apologia. Alista os nomes e posições 
expositórias de centenas de intérpretes. 
Hoje, somente um pequeno número de eruditos protestantes são conhecidos como 
historicistas. Esses eruditos se acham somente em grupos isolados. Os mais 
conhecidos dentre tais grupos são os membros da denominação adventista do sétimo 
dia. 
Três Problemas do Historicismo 
M.C. Tenney fez sua crítica ao historicismo:
Há várias objeções a uma interpretação do Apocalipse segundo um ponto de vista 
completamente historicista. Primeiramente, a exata identificação dos eventos da 
história com sucessivos símbolos nunca foi finalmente empreendida, mesmo após os 
acontecimentos terem-se dado. É razoável supor que durante o lapso de 1.900 anos 
pelo menos uma porção das predições teriam tido cumprimento. Se tivessem de ter 
algum valor para o leitor do Apocalipse como uma indicação de seu lugar dentro do 
processo histórico, deviam ser identificáveis com certeza. Tal, contudo, parece não ser 
o caso. Os pontos de interpretação sobre o qual a maioria dos intérpretes doutrinários
concorda que podem ser interpretados como tendências tanto quanto eventos. Uma 
vez que essa tendências podem ser evidentes em qualquer período da história, 
tais profecias não apontam a nenhuma época. 
Em segundo lugar, os intérpretes históricos não têm explicado satisfatoriamente 
porque uma profecia geral deva confinar-se às fortunas do Império Romano ocidental. 
A interpretação histórica destaca principalmente o desenvolvimento da igreja na 
Europa ocidental; pouca 
28 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
atenção dá ao Oriente. Contudo, nos primeiros séculos da era cristã a igreja aumentou 
tremendamente no Oriente, e difundiu-se até alcançar a Índia e China, embora não 
tenha conseguido uma base permanente em todas as regiões desses países. Se um 
método contínuo-histórico deva ser seguido, deve ter um escopo mais amplo. 
Em terceiro lugar, se o método contínuo-histórico for válido, suas predições teriam sido 
suficientemente claras desde o princípio para dar ao leitor alguma pista do que 
significavam. Se o fogo e a saraiva da primeira trombeta (8:7) realmente se referiam às 
invasões dos godos, é difícil ver como qualquer cristão do primeiro século poderia ter 
entendido a predição de tal modo a ter qualquer valor de sua parte para sua reflexão. 
(M. C. Tenney, Revelation, pp. 138, 139). 
O Historicismo Não Tem Aplicação aos Primitivos Cristãos 
Notem também a queixa de Hendriksen contra um livro historicista de orientação 
de esquerda: 
Sobre minha mesa jaz um comentário recentemente publicado sobre o Apocalipse. É 
um livro muito "interessante". Considera o Apocalipse como um tipo de história escrita 
em antecipação. Descobre nesse último livro da Bíblia copiosas e detalhadas 
referências a Napoleão, às guerras balcânicas, à grande guerra europeia de 
1914-1918, ao ex-imperador germânico Guilherme, Hitler, e Mussolini, N.R.A., e tc. -
nosso veredito? Essas explicações e coisas desse tipo devem ser 
descartadas imediatamente. . . . Diga-me, caro leitor, que benefício os cristãos 
severamente perseguidos e sofredores do tempo de João obteriam de predições 
específicas e detalhadas concernentes às condições europeias que prevaleceriam 
cerca de dois mil anos depois? (W., Hendriksen, More Than Conquerors, p. 14). 
Essa crítica é válida. 
O Historicismo Ignora os Ciclos da História 
Os filósofos da escola historicista percebem que a história é cíclica. (O cristão entende 
que esses ciclos têm lugar dentro da linha reta da história que se estende da Criação 
à Segunda Vinda). 
Em todas as eras, Deus e Satanás seguem princípios apropriados ao caráter que 
possuem. É por tal razão que a história se "repete", conquanto em diferentes graus de 
desenvolvimento. A luta entre o bem e o mal produz situações semelhantes durante 
diferentes épocas da história. Se o historicista estrito devesse reconhecer essa 
natureza obviamente cíclica da história, deixaria de ser um historicista estrito. 
29 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
O Historicismo é Demasiado Extra-Bíblico 
Outra objeção ao historicismo é que requer muito conhecimento extra-bíblico. O 
estudante da Bíblia deve depender de historiados, como Gibbon, D'Aubigné ou Wylie. 
Moisés, os profetas, os evangelhos e as epístolas não seriam suficientes? 
O Historicismo Ignora a Iminência 
Nossa última crítica é a mais forte. Os historicistas criam cuidadosos esquemas ou 
gráficos de cálculos de longo prazo. Mas esses esquemas negam aclara evidência do 
Novo Testamento de que nunca foi ideal de Deus que muitos séculos dividissem os 
dois adventos de Cristo. 
De uma forma ou de outra, o pensamento de que os vários eventos preditos no livro de 
Apocalipse devessem ter lugar num futuro não distante é especificamente declarado 
sete vezes-"coisas que em breve devem acontecer" (caps. 1:1; 22:6), "o tempo está 
próximo" (cap. 1:3), e "Venho sem demora" (cap. 3:11; 22:7; 12, 29). Referências 
indiretas à mesma ideia aparecem nos caps. 6:11; 12:2; 17:10. A resposta pessoal de 
João a essas declarações do breve cumprimento dos propósitos divinos foi, "Vem, 
Senhor Jesus!" (cap. 22:20). 
Em qualquer um dos vários pontos críticos da história deste mundo, a justiça divina 
poderia ter proclamado, "Está feito!" e Cristo poderia ter vindo para inaugurar o Seu 
reino de justiça. Há muito tempo atrás poderia ter posto em execução os Seus planos 
para a redenção deste mundo. Assim como Deus ofereceu a Israel a oportunidade de 
preparar o caminho para o Seu reino eterno sobre a Terra, quando se estabeleceram 
na Terra Prometida e novamente quando retornaram de seu cativeiro babilônico, 
assim Ele deu à igreja dos tempos apostólicos o privilégio de completar a comissão 
evangélica. 
. . . embora o fato de que a segunda vinda de Cristo não se baseie em quaisquer 
condições, a repetida asserção das Escriturasde que a vinda está iminente era 
condicionada à resposta da igreja ao desafio de concluir a obra do evangelho em sua 
geração. A Palavra de Deus, que séculos atrás declarou que o dia de Cristo "vem 
chegando" (Rom. 13:12), não falhou. Jesus teria vindo muito rapidamente se a igreja 
tivesse realizado sua obra designada. . . . 
Assim, a declaração do anjo do Apocalipse a João com respeito à iminência do retorno 
de Cristo para terminar o reino de pecado deve ser entendida como uma expressão da 
vontade e propósito divinos. Deus nunca teve o propósito de delongar a consumação 
do plano da salvação, mas sempre expressou Sua vontade de que o retorno de nosso 
Senhor não se retardasse demasiado. 
Essas declarações não devem ser entendidas em termos da presciência de Deus de 
que ocorreria um atraso tão grande, nem mesmo à luz da perspectiva histórica do que 
realmente 
30 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
teve lugar na história do mundo desde aquele tempo (SDA Bible Commentary 
[Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia], vol. IV, pp. 728-729). 
Eu concordo. Não que Deus Se tenha frustrado. Não, por momento algum. Deus 
sempre oferece um ideal que é capaz de ser alcançado por completa dependência 
nEle. Lamentavelmente, isso é raramente reconhecido. 
Graças a Deus Por Todas as Escolas 
Que concluiremos a respeito das várias escolas de interpretação? Somos gratos a 
Deus por elas todas! Mas nós mesmos praticamos o ecletismo. Todas as escolas têm a 
verdade, bem como problemas. Obtemos a verdade de cada uma dessas escolas. 
Devemos ver essas várias escolas e metodologias com reflexões fragmentadas da 
verdade integral. Vejamos novamente a necessidade de "afirmar o que é afirmado, mas 
negar as negações". 
As Melhores Ferramentas de Interpretação 
Devemos sempre começar nossa exegese (ou interpretação) da Escritura 
considerando as pessoas e tempos a que sua mensagem se dirigia. Para entender o 
que lhes foi escrito devemos entender o que para eles significava. 
Juntamente com isso, reconheçamos a sabedoria de Deus, cujos anos não têm fim e 
que prometeu nunca esquecer a igreja. Este é Aquele que declarou através de Amós: 
"Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo 
aos seus servos, os profetas". (Amós 3:7). 
Certamente Este pode ser digno de confiança quanto a que manterá a sua promessa. 
Em vista de que Deus nunca muda os Seus justos caminhos, Ele será o mesmo em 
todas as épocas. As obras de Deus sempre refletirão o mesmo selo, conquanto estejam 
em diferentes estágios de desenvolvimento. 
O princípio apotelesmático vê sucessivos cumprimentos da profecia. Esses 
cumprimentos atingem o clímax nos últimos dias. É provavelmente a melhor 
ferramenta interpretativa de todas quando a ligamos com os princípios contextuais 
gramaticais, históricos e hermenêuticos. 
31 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Ferramenta Espiritual de Interpretação 
Finalmente, é verdade que somente os puros de coração verão a Deus (Mat. 5:8). É 
verdade que os perversos prosseguirão agindo impiamente e nenhum desses 
perversos entenderá (Daniel 12:10). 
Portanto, todo exegeta, todo estudante da Bíblia deve dizer: "Como vai a minha alma"? 
Devemos perguntar: "Já compreendi o evangelho eterno que mudou nosso mundo no 
primeiro século? Que novamente o mudou no século dezesseis? Que é o único fator 
que pode transformar o nosso triste e lamentável tempo? Esseevangelho já me 
transformou?" 
Quando está bem a minha alma, aceitarei com serenidade seja o que os tempos (na 
providência divina) me reservem. Continuamente ajustarei o meu pensamento 
segundo a luz progressiva. 
Mesmo nossas deficiências como intérpretes das profecias cooperarão para o bem! 
Elas nos situarão em humildade perante Deus, que somente é a Verdade. Deus 
somente pode fortalecer-nos a caminhar nessa verdade. 
32 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
O TEMPO DO FIM 
Muitos estudiosos têm buscado nas Escrituras sinaisevidentes que marquem 
efetivamente o tempo da volta de Cristo, o fato é que muitos destes argumentos são 
apenas especulações infundadas. Grande é a diversidade de pensamentos quanto 
aos sinais da vinda de Cristo ou mesmo do arrebatamento da igreja, o que 
procuraremos tratar neste capítulo serão pontos chave que marcam e denunciam o 
tempo do fim, ou seja, fatos e características que indicam, biblicamente, como 
estaria a sociedade, a igreja e até o meio político no tempo próximo à vinda do 
Senhor. 
4.1 - MATEUS 24 
Um dos grandes problemas teológicos a respeito dos sinais da vinda de Cristo, se 
encontra em Mateus 24 e suas passagens paralelas, Marcos 13 e Lucas 21, neste 
texto os discípulos fazem uma pergunta a Jesus: “ Dize-nos quando sucederão estas 
coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”. (Mt 24:3), a 
mesma pergunta é feita em Lucas e Marcos, porém, de maneira diferente: “Mestre, 
quando sucederá isto? E que sinal haverá de quando estas coisas estiverem para se 
cumprir?” (Mc 13:4 e Lc 21:7). A diferença na pergunta se dá devido o interesse do 
autor do evangelho, no caso de Mateus, seu evangelho foi escrito para judeus que 
conheciam as promessas messiânicas e aguardavam ansiosamente seu 
cumprimento, sendo necessário incluir a parte originalmente feita pelos discípulos a 
Jesus onde era perguntado quando seria sua volta para inaugurar o reino 
messiânico, isto também demonstra que os discípulos viam Jesus como o messias 
esperado. No caso de Marcos e Lucas, seus evangelhos foram escritos para gentios, 
estes não conheciam as profecias referentes a um reino me ssiânico, portanto era 
desnecessário incluir esta parte evitando dúvidas por parte dos futuros leitores, é 
importante ressaltar que nunca o Espírito Santo deixou de estar no controle da 
inspiração de todos os textos sagrados, se estas aparentes diferenças existem o 
Espírito Santo as permitiu. 
Os discípulos fizeram uma pergunta dupla: 1) quando sucederão estas coisas 2) e 
que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. Alguns escritores 
entendem que a pergunta foi tripla, dizendo que quando perguntaram que sinal 
haveria da consumação do século, desvinculavam esta consumação de sua volta, no 
entanto, a frase não permite isso, pois eles perguntaram de uma forma que 
demonstra claramente que os discípulos associavam seu retorno ao fim desta era. 
Existe também um grande problema em várias traduções com relação “consumação 
do século”, o cas o é que em algumas bíblias encontramos uma tradução mal 
aplicada de (sinteléias tú aiônos) que é traduzido por “fim do mundo”, sinteléias 
segundo o dicionário grego deCarey, significa consumação, fim, acabamento, 
completamento e aiõn (os), significa: ciclo, era, época, eternidade; também pode ser 
traduzido por mundo, porém, apenas na questão temporal, espaço de tempo. O 
33 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
mundo físico, o planeta, no original grego é (kosmos). Sobre a tradução do termo 
Strong faz a seguinte o seguinte comentário: 
“Freqüentemente traduzem aion (por mundo, dessa forma obscurecendo a 
distinção entre esta e kosmos). Aion é geralmente melhor traduzida como geração 
, é o mundo num dado momento, um período particular na história mundial”. 
A tradução de fim do mundo não tem apoio do text o original nem do contexto, já 
que os discípulos aguardavam Jesus para governar a terra como rei, portanto ao 
perguntarem não se referiam ao término da humanidade, ou a destruição do planeta, 
mas sim o fim de um tempo, para dar-se início a outro, que no caso era o reino 
messiânico. 
Devido o que Jesus havia dito referente à destruição do templo, veio dúvida, quando 
isto acontecerá? Diante também de outros ensinos sobre um futuro retorno para 
reinar e julgar a terra eles perguntaram, que sinalhaveria para identificar a 
destruição do templo como também o seu retorno. 
4.1.1- O problema dos sinais 
Existe uma grande dificuldade para qualquer que se deter a estudar Mateus 24, pois 
este capítulo trata de assuntos de acontecimentos breves, mas também de 
acontecimentos mais distantes, Jesus faz comentário de sua volta a terra e também 
de juízos vindouros, todos os assuntos se misturam no decorrer do discurso trazendo 
dificuldade de interpretação. O que nos cabe é buscar a melhor harmonização 
possível dos textos sem ferir o contexto, numa busca das verdades escatológicas. 
Existem basicamente três teorias a respeito dos sinais de Mateus 24 1:15, que são: 
a) Os sinais apontam apenas para a destruição de Jerusalém
Esta é defendida pelos amilenistas que dizem ser os sinais, a resposta de Jesus a 
respeito da destruição do templo e da cidade, a qual se cumpriu no ano 70d.C. 
O fato de Jesus iniciar sua resposta aos discípulos dando-lhes sinais, isso não indica 
que estes se referiam a destruição do templo, já que a pergunta também era com 
respeito a sua volta. Também podemos destacar que predições feitas por Jesus não 
se cumpriram naquele tempo, como, por exemplo, terremotos em grande escala, 
guerras mundiais (v.7), e muito menos a pregação do evangelho em todo o mundo 
vindo após isso o fim (v.14). Portanto é impossível afirmar que os sinais indicam a 
destruição de Jerusalém. 
b) Os sinais apontam para o arrebatamento da igreja, estes vem se
cumprindo ao longo dos anos, porém tendo se intensificado nos últimos
tempos.
34 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Esta teoria é defendida por uma parte dos pré-milenistas, estes acreditam que os 
sinais estão ligados diretamente ao arrebatamento. 
Esta possibilidade é grande, porém, tem alguns problemas já que, 1 - Segundo Jesus 
não haveria sinais diretos e específicos que marcariam o arrebatamento da igreja (Mt 
24:36-44), 2 - O texto de Mt 24:3-15 não é especifico e trata de um longo período de 
tempo, temos ainda o versículo 14 e 15 que se referem diretamente ao período 
tribulacional, seguido pela volta visível de Cristo. 
c) Não existem sinais diretos para marcar o arrebatamento, estes sinais
descritos em Mateus acontecerão após o arrebatamento marcando o
retorno glorioso de Cristo e o fim da grande tribulação.
Uma parcela dos pré-milenistas, pré-tribulacionistas, pensam desta forma. O Dr 
Ryrie, comentarista da Bíblia Anotada, é um dos grandes defensores da teoria. 
De todas estas parece ser a mais lógica, o que não quer dizer que seja a correta. 
Ryrie faz um paralelo entre os sinais de Mateus e os quatro primeiros selos de 
apocalipse no qual encontramos certa harmonia entre os eventos descritos em 
Mateus com os descritos em Apocalipse. A teoria apresenta os sinais como ligados 
ao retorno visível de Cristo, não permitindo que haja sinais diretos ao 
arrebatamento, e isto tem fundamento bíblico. 
35 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
A fim de completar este raciocínio podemos utilizar o quinto selo que fala dos 
mártires do período tribulacional, em especial o v.9, comparando-o a predição de 
Cristo onde se refere a morte de seus discípulos por causa de seu nome (Mt 24:9-
10). Também se pode utilizar o sexto selo onde são vistos sinais no céu (v.12-14) e 
compará-los a Lucas 21:25. O Sétimo selo, que marca o inicio da segunda metade 
da grande tribulação onde se inicia o período de maior terror sobre Israel, como 
também a investida da Besta sobre a nação, entra em harmonia com o cerco de 
Jerusalém profetizado na passagem de dupla referencia de Mt 24:15-21, que 
também se refere ao inicio desta segunda fase. 
É importante ressaltar que independente destes sinais não estarem ligados 
diretamente ao arrebatamento sua preparação pode servir de indicador para 
demonstrar a sua proximidade, é como Jesus disse em Mt 24: 31-32. 
Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando jásoseus ramos se renovam e 
as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: 
quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas. 
4.2 - OS SINAIS DO TEMPO DO FIM 
Independente dos sinais de Mateus serem ou não indicadores do arrebatamento 
temos outros sinais nas Escrituras que apontam para o tempo do fim, muito mais 
que identificar a proximidade da volta de Jesus, revelam aspectos sociais, morais e 
religiosos que aconteceriam justamente no tempo em que o Senhor voltaria. 
Buscaremos nas epístolas referencias de como estaria a igreja e mundo no tempo 
de sua manifestação. É certo que estes sinais não estão apenas no tempo do fim, 
mas sim por todo o decorrer da história da igreja, o que os escritores queriam 
deixar claro é que no fim dos tempos estes sinais se tornariam evidentes e 
corriqueiros. 
4.2.1- Apostasia 
“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últi mos tempos, alguns 
apostatarão da fé” (ITm 4:1). 
O apóstolo Paulo é enfático ao dizer isto, o fato é que o inicio do cristianismo foi 
marcado por alguns movimentos locais que traziam variações ao cristianismo recém 
inaugurado. As comunidades cristãs que se formavam eram lideradas muitas vezes 
por pessoas que tinham um conhecimento muito limitado a respeito de Cristo, não 
havia a palavra escrita, portanto muito do que se dizia não era bem verdade. No 
entanto o que Paulo quer dizer a Timóteo é referente aos últimos tempos, é claro 
que Timóteo não necessitava desta advertência, isto porque ela era para o tempo 
do fim, ou melhor, para a igreja que viveria esta época. 
36 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
A tradução de apostasia no grego é, revolta, rebelião, afastamento doutrinário e 
religioso. Podemos dizer que no sentido de fé significa o desvio ou afastamento de 
um propósito definido, que é o de servir a Deus, podemos encarar o apóstata com 
desertor da fé. A palavra traduzida por divórcio no grego é uma palavra derivada de 
apostasia, daí então, da para nos termos uma idéia mais clara do que é apostatar da 
fé, é divorciar-se de Deus. 
Esse grande mal que assola o meio cristão tem se de senvolvido rapidamente. A 
igreja de Laodicéia (Ap 3:14-22) que é uma representação da igreja atual traz 
consigo a evidente marca da apostasia espiritual, “ Conheço as tuas obras, que 
nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!”. 
4.2.2- A generalização de desvios doutrinários 
“Por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia 
dos que falam mentiras e que tem cauterizada a própria consciência” 
Paulo dá o motivo da apostasia: os desvios doutrinários. Hoje o estado de frieza e 
indiferentismo toma conta das igrejas que se tornam a cada dia mais politizadas e 
menos espirituais, mais humanistas e menos cristocêntrica. O uso de filosofias e 
práticas espíritas, a criação de doutrinas que giram em torn o da prosperidade plena, 
ensinos sobre a obrigatoriedade de Deus abençoar seus servos etc, formam o novo 
quadro teológico de muitas igrejas, a verdade é que virou um bom negócio. Todo 
esse desvio doutrinário vem criando uma geração de cristãos puramente místicos, 
avessos à sã doutrina. Nunca a igreja de Jesus Cristo esteve numa situação como a 
atual, onde se perdeu o padrão bíblico para o cristão, isto se torna uma evidencia 
marcante, pois o apostolo diz que nos últimos tempos a igreja estaria como está 
hoje. 
4.2.3- Degradação moral generalizada 
Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens 
serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, 
desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, 
caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, 
enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus (IITm 3:1-4) 
Este texto da epístola a Timóteo tem uma relação muito estreita comRm 1:28-32 
onde o contexto fala da condição pecaminosa em que se enco ntra a humanidade, 
também no texto acima a questão é: como estará a condição moral no fim dos 
tempos? Paulo responde a pergunta de maneira completa e dura, referindo-se a este 
tempo como “tempos difíceis”. 
Não é preciso entrar em detalhes para termos a certeza de estarmos vivendo um 
tempo 
37 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
final, como o descrito por Paulo. O discurso do apóstolo quando analisado no 
texto original parece trazer uma seqüência de atitudes que vão causando uma 
progressão negativa na moral da humanidade, ou seja, uma atitude que 
desencadeia outras. 
Paulo começa com a base de toda a degradação moral, o amor a si mesmo e o 
amor ao dinheiro. Em muitas Bíblias nos encontramos a tradução; egoístas e 
avarentos ou egoístas e gananciosos, porém Paulo é mais claro que as 
traduções parecem apresentar, pois o que ele quer dizer é que os homens serão 
amantes do ego e amantes de dinheiro como encontrado apenas na versão em 
inglês. O que segue são consequências do egoísmo e da ganância. 
Traduzindo o texto de uma maneira mais clara, ficaria assim: 
“Saiba disto, nos últimos tempos virão tempos difíceis, pois os homens amarão a 
si próprio e amarão ao dinheiro, terão um coração vaidoso, arrogantes, falarão 
mentiras contra Deus, desobedientes a pais e mães, ingratos, não cumpridores 
da religião, terão um coração duro e frio, serão difíceis de entrar em acordo pois 
não honrarão sua palavra, falarão mentiras contra os outros, sem domínio de 
seus sentimentos e ações, selvagens, sem amor para com os bons, traidores, 
agirão sem pensar, orgulhosos, amarão os prazeres da carne mais do que a 
Deus”. 
4.2.4- Desenvolvimento da ciência e transportes 
Temos também, em Daniel um indicador muito importante sobre o tempo do fim. 
“ Tu, porém, Daniel, encerra as palavras, e sela o livro, até o tempo do fim; 
muitos correrão duma para outra parte, e a ciência se multiplicará”.(Dn 12:4) 
O tempo do fim também seria marcado por um avanço tecnológico sem 
precedentes, este seria também estendido aos meios de transporte. Deus revela a 
Daniel que as pessoas esquadrinhariam a terra, ou seja, iriam de uma parte à 
outra, também lhe é dito sobre uma multiplicação da ciência, tudo isto temos visto 
desde o inicio do século XX, pois antes disso não havia muita diferença do meio 
de transporte no século primeiro ao utilizado no século XIV; as pessoas andavam 
em carros de boi, asengrenagens dos maquinários eram extremamente 
rudimentares, não havia equipamentos e letrônicos e etc. 
Em nossos dias a ciência já procura criar clones dehumanos, e há aqueles que 
dizem que já conseguiram fazê-los nascer. O fato é que tudo vemindicando que o 
tempo do fim mencionado por Deus a Daniel tem todas as características de nosso 
tempo. Quanto à profecia em Apocalipse sobre o uso de um numero (666) para 
uma identificação mundial já é totalmente possível, temos meios que possibilitam 
hoje sua existência, como por exemplo, o sistema de código de barras, aliás, este 
já está sendo descartado, pois já está sendo produzido o biochip, que pode conter 
quantas informações forem necessárias sobre seus usuários. 
38 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
4.2.5- Restauração de Israel 
No texto de Ezequiel 37:1-14, vemos a profecia referente a restauração nacional, 
moral e espiritual de Israel , também em Lucas 21:20-24 Jesus profetiza sobre a 
dispersão de Israel, o qual seria dominado pelos gentios 
Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a 
sua devastação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os 
que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, 
não entrem nela. Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que 
está escrito. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles 
dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. Cairão a fio de 
espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos 
gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles. 
Este tempo em que os gentios dominariam sobre Israel é representado pela estátua 
vista em sonho por Nabucodonosor no capítulo 2 de Daniel, esta sucessão de 
governos gentios tinham um tempo para dominar sobre todo o Israel e é durante este 
tempo que os israelitas deveriam ser exilados de sua terra, entretanto Deus prometia 
que seriam restabelecidos à sua pátria em tempo oportuno. 
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais 
presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que 
haja entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel serásalvo, como está 
escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. Esta é a 
minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados. Rm 11:25-27 
No ano 70 d.C. o general Tito filho do imperador Vespaziano invadiu Jerusalém, 
destruindo o templo e exilando toda a nação. No entanto a profecia começa a tomar 
sua forma de cumprimento no ano de 1897 quando Teodoro Herzl inicia o 
movimento sionista, ou seja, um movimento para a criação de um estado autônomo 
em Israel, fazendo com que houvesse um grande retorno de Judeus a sua terra 
natal. Em 14 de Maio de 1948, Sir Alain Cunningham, assina o fim da intervenção 
britânica na terra santa. Neste mesmo dia o pai do Israel restaurado, David Ben 
Gurion, lê a declaração de independência do mais novo país do mundo. ÉRETZ-
ISRAEL (Terra de Israel). 
Hoje Israel está restaurado como estado e terra independente, restando apenas sua 
restauração espiritual que ocorrerá no final da grande tribulação. 
39 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
TEORIAS SOBRE O ARREBATAMENTO 
Este é o evento mais esperado pela igreja, no entanto esta não é unânime em 
sua crença, ou seja, não vê da mesma maneira como e quando seráo arrebatamento. 
Neste capitulo serão apresentadas três das quatro teorias a seu respeito, é importante 
mencionar que esta discussão só existe em meio aos pré-milenistas já que os 
amilenistas e pós-milenistas não crêem que existirá arrebatamento. 
5.1-TEORIA DO ARREBATAMENTO PARCIAL 
Das quatro teorias a serem apresentadas apenas a do arrebatamento parcial não 
discute quando será o evento referente a grande tribulação, ou seja, se antes, no 
meio ou depois, o que ela traz a discussão é que participará dele. Para o parcialista 
não são todos os crentes, mesmo sendo autênticos, que serão arrebatados, mas 
somente um grupo formado por aqueles que estão ansiosamente aguardando seu 
retor no e são dignos de participar. 
Quanto ao tempo os parcialistas são pré-tribulacionistas, crêem que o 
arrebatamento será antes da grande tribulação, fazendo com que os salvos que não 
esperavam com ansiedade a volta do senhor passem por ela a fim de aguardarem o 
retorno visível de Cristo. 
Veja no gráfico o pensamento parcialista: 
40 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Toda a estrutura desta teoria está baseada nas seguintes referências bíblicas: 
Mateus 25:1-13; Lucas 21:36 “Vigiai, pois, em todo o tempo , orando, para que sejais 
havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de acontecer e de estar em pé 
diante do Filho do Homem”; Tito 2:13 “ aguardando a bem-aventurada esperança e o 
aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”; Hebreus 9 :28 
“assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, 
aparecerá segunda vez, sem pecado,aos que o esperam para a salvação .” e I João 
2:28 “E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, 
tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda.” Em todas estas 
referências há uma exortação a vigilância, no entanto não há omenor indicio de que só 
serão salvos os “havidos por dignos” até porque este grupo não existe; ninguém é 
digno. 
Para uma sustentação viável desta teoria o parcialista precisa negar pontos 
fundamentais da doutrina cristã como: 
· A eficácia do sacrifício de Cristo (Hb 10:11-12)
· A adoção divina através de Jesus (Rm 8:15-16)
· A unidade da verdadeira igreja de Cristo sob a qual ele é a cabeça (Ef 4: 4-6)
· A eficácia da graça de Deus (Rm 3:24)
· O fato de que nenhuma parte da verdadeira igreja de Jesus irá passar pela
grande tribulação (Ap 3:10)
O apóstolo Paulo nos dá a resolução final em I Coríntios 15:51-52: 
Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos 
seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última 
trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós 
seremos transformados. 
Paulo nos informa que “todos” os que estiverem em Cristo serão transformados, isto 
se baseia na Justiça divina e não na humana, seguidos por aqueles que morreram 
em Cristo que também foram justificados e isto sim nos torna dignos. 
Por tudo isso fica totalmente descartada a possibilidade de um arrebatamento 
parcial. 
41 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
5.2 - TEORIA DO ARREBATAMENTO MESO OU MIDI TRIBULACIONISTA 
Diferente do parcialista este grupo entende que todos os que estiverem em Cristo 
serão arrebatados, sua discussão é referente ao tempo do arrebatamento, isto é, 
quando ele acontecerá. Para o meso-tribulacionista ocorrerá em meio a grande 
tribulação. Veja no gráfico o pensamento meso-tribulacionista: 
O Meso-tribulacionismo tem suas bases firmadas em interpretações figuradas ou 
alegorizadas de passagens que deveriam ser interpretadas literalmente. Vejamos 
quais são seus argumentos. 
5.2.1-A grande tribulação é dividida em duas fases distintas 
Quanto à duração do período tribulacional surge o primeiro problema, que é 
referente a uma suposta divisão em duas fases distintas, no entanto ao olharmos 
para Daniel 9:27 não encontramos nenhuma divisão na septuagésima semana, é 
certo que Jesus disse em Mateus 24:21 que na segunda metade do período as 
coisas iriam se agravar, porém isto não permite dizer que existirão duas partes 
independentes a ponto de caracterizarmos apenas a segunda metade como sendo a 
verdadeira grande tribulação. Segundo Daniel o pacto com Israel dará inicio a 
semana profética, sendo que no meio estado anticristo romperá este pacto (Dn 9:27) 
trazendo dura perseguição aos israelenses (Ap 12:6). Este agravamento da situação 
é devido o fim da falsa paz instituída pel o anticristo (Ap 6:2) que agora revela sua 
verdadeira face e não devido o inicio de um outro período distinto. 
5.2.2- O capitulo 11 de apocalipse revela a ocasião do arr ebatamento. 
Para sustentar um arrebatamento em meio a grande tribulação utilizam o capitulo 11 
de apocalipse com sendo um fato incontestável da ocasião em que este ocorrerá, 
porém isto 
42 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
também só é possível se desprezamos uma interpretação cuidadosa de todo o livro 
quanto à sua cronologia. Os defensores da teoria afirmam que do capitulo 4 ao 11 
temos a primeira parte de grande tribulação seguindo o raciocínio, a firma que do 
capitulo 12 ao 19 temos a segunda parte. Tendo capitulo 11 bem no meio da semana 
profética usam o seguinte versículo para afirmarem o momento do arrebatamento: “ 
E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi cá. E subiram ao céu em 
mau nuvem; e os seus inimigos os viram.” (Ap 11:12). Se usarmos de analogias com 
certeza chegaremos á mesma conclusão, no entanto se interpretarmos o texto de 
maneira coerente e de acordo com uma exegese perfeita veremos que tudo não 
passa de um mal enten dido. Vejamos alguns pontos que não se encaixam quando 
interpretamos corretamente: 
a. Deduzem por analogia que as duas testemunhas apresentadas no
capitulo 11 são figuras, sendo assim representam os dois grupos a
serem arrebatados, os vivos e os mortos. O texto, mesmo lido sem
muita atenção deixa claro que as duas testemunhas não são tipos ou
símbolos, mas pessoas literais.
b. Essas duas testemunhas não poderiam representar a igreja já que são
enviados para o povo de Israel, isto é claramente visto através dos vs. 3
e 4 onde o texto fala de oliveira e candeeiro. Também o ministério das
testemunhas demonstra similaridade com o ministério profético do velho
testamento.
c. Alegam que a nuvem em que as testemunhas subiram ao céu (v.12)
representa o arrebatamento. Como vimos as duas testemunhas são
representantes de Israel e não da igreja, sendo assim nuvem para o
Judeu simboliza a presença de Deus, até por que não existe promessa
de arrebatamento para a nação de Israel.
5.2.3- A trombeta de ICo 15:52 e Its 4:16 é a mesma de Ap11:15 
Outro ponto complicado para ser sustentado pelos meso-tribulacionistas é o fato de 
afirmarem que as trombetas de I Co 15:52, onde diz: “num momento, num abrir e 
fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos 
ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” ; I Ts 4:16 ” Porque 
haverá o grito de comando, e a voz do arcanjo, e o som da trombeta de Deus, e 
então o próprio Senhor descerá do céu”e Ap 11:15 “E tocou o sétimo anjo a 
trombeta, e houve no céu grandes vozes,” são a mesma coisa. Em I Coríntios Paulo 
fala de um a trombeta de vitória, um chamado à presença de Deus, algo 
ansiosamente esper ado pela igreja, o mesmo vemos em I Ts 4:16; enquanto que, 
em apocalipse a trombeta é de apresentação à chegada do Rei dos Reis que vem 
para julgar. 
E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que 
sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos 
santos, e aos que 
43 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que 
destroem a terra. 
Um outro detalhe que não pode passar desapercebido é que em I Ts 4:16 a 
trombeta é de Deus ao passo que em apocalipse a trombeta é de umanjo. 
Existe ainda um ponto a ser mencionado que é o fato de acreditarem que “a 
grande voz do céu” de Ap 11:12 é uma referencia ao chamado de Deus, como em 
I Ts 4:16 ”Porque haverá o grito de comando”. Isto, devido às questões de 
diferença entre Israel e igreja, se torna impossível. 
Estes são os pontos principais da teoria, no entanto não são os únicos, os meso-
tribulacionistas ainda têm que negar pontos doutrinários muito sérios para alicerçar 
sua teoria. Como segue: 
· A eminência do arrebatamento. Já que uma vez conhecido o inicio da
primeira metade do período tribulacional, saberemos com certeza o
momento do arrebatamento em meio à mesma.
· Para tornar coerente a teoria é preciso ferir a cronologia do livro de
apocalipse e tirar capítulos inteiros do contexto.
· É preciso sobrepor dois planos distintos. O da igre ja, já que esta estaria na
terra durante o inicio da grande tribulação, e o plano de Israel, que também
estaria em plena execução durante o mesmo período. É bom lembrar que
Deus nunca administrou dois planos de uma só vez.
5.3- TEORIA DO ARREBATAMENTO PÓS-TRIBULACIONISTA 
A terceira teoria a ser discutida é a do arrebatamento após a grande tribulação, 
ensinam que o arrebatamento será seguido imediatamente pela volta gloriosa de 
Jesus; Jesus vem, arrebata a igreja e rapidamente vai ao céu retornando 
imediatamente à terra com a igreja arrebatada para instituir o milênio. Esta é a que 
mais cresce em nossos dias e que se torna mais resistente, no entanto ao estudá-
la veremos que biblicamente, não há como sustentá-la. Veja no gráfico o 
pensamento pós-tribulacionista. O pós-tribulacionismo desenvolveu argumentos 
para defenderem sua teoria, que são no m ínimo improváveis, já que se baseiamem uma interpretação alegórica e espiritualizada das Escrituras não observando os 
contextos das passagens bíblicas, ainda que insistam em dizer que são literalistas, 
o negam na prática. Vejamos os principais argumentos pós-tribulacionistas:
44 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
5.3.1- Daniel 9:24-27 já teve seu cumprimento histórico concluído 
O primeiro grande argumento a respeito do assunto é referente ao cumprimento da 
profecia de Daniel, dizem todo o plano ali determinado já teve seu cumprimento 
concluído no ano 70 a.C. com a destruição de Jerusalém. No entanto vamos 
observar algumas questões que provam que a profecia ainda aguarda seu 
cumprimento, baseados numa interpretação literal e cuidadosa do texto. 
· Todo o plano das setenta semanas (v.24) inclui seis bênçãos: 1) extinguir
a transgressão, 2) dar fim aos pecados, 3) expiar a iniqüidade, 4) trazer a
justiça eterna, 5) selar a visão e a profecia, 6) ungir o Santo dos santos.
Entendemos que estas bênçãos em sua totalidade ainda não foram
cumpridas, até porque as três últimas só serão estabelecidas com a
instituição do milênio.
· O texto fala de uma aliança por parte “do príncipe que há de vir” que seria
estabelecida com o Israel apóstata, a qual seria desfeita na metade da
semana (v.27). Nunca na história houve qualquer tipo de aliança que
restabelecesse o culto judeu, até por que isto só será possível quando
Deus iniciar seu plano de restauração espiritual com Israel, e isto será no
período tribulacional.
· Erram ao dizer que Jesus morreu na ultima semana restante, dizendo que
sua morte vicária é esta “aliança com muitos” a qual seria quebrada.
Julgam que o “Ele” do v.27 é Jesus, porém se olharmos no verso anterior,
veremos que se trata do “Príncipe que há de vir”, o qual é o anticristo.
Dessa maneira a septuagésima semana não pode ter ocorrido pois só
quando o anticristo estivesse em ação poderíamos dizer que este período
seria a ultima semana de Daniel.
45 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
5.3.2- A igreja tem promessa de tribulação 
Um dos principais argumentos pós-tribulacionista com certeza é o de que a igreja 
deverá cumprir as profecias com respeito a passar pela tribulação para isso usam 
Lucas 23:27-21. 
E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, a s quais batiam nos peitos 
e o lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de 
Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos 
filhos. Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as 
estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram! 
Então, começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! 
Porque, se ao madeiro verde fazem isso, que se fará ao seco? 
Também Mateus 24:9-11; Marcos 13:9-13, além de passagens como João 15:18-
19; 16:1-2,33. 
Para provar biblicamente que a igreja deve passar pela tribulação é necessário: 
• Esquecer-se que existem vários tipos de tribulação, e que esta pode
ser referente às lutas e dificuldades em se viver uma vida cristã frente
a um mundo dominado pelo pecado. João 15:18-19; 16:1-2,33.
• Esquecer-se que existem passagens que falam a respeito do
sofrimento que o povo Judeu passará durante a grande tribulação.
Lucas 23:27-21; Mateus 24:9-11; Marcos 13:9-13.
• Esquecer-se que um dos propósitos da grande tribula ção é a
purificação do povo de Israel, e sendo já a igreja purificada pelo
sangue de Jesus não existe a menor razão para ela ser purificada
novamente, se assim fosse o sacrifício de Cristo seria insuficiente.
• Interpretar por analogia e não de maneira coerente o capitulo 4 de
apocalipse onde vemos a referência aos 24 anciãos, que para alguns
simboliza 12 representantes do velho testamento com 12
representantes da nova aliança, o fato é que não cabe outra
interpretação que não seja de que os 24 anciãos são representantes da
igreja arrebatada, os motivo são claros: 1) O capitulo 4 refere-se a uma
visão do céu enquanto na terra se inicia a grande tribulação, portanto
não pode haver representantes de Israel no céu já que Deus está os
purificando na terra. 2) estão usando uma coroa (que no grego de uma
forma geral traz a idéia de recompensa (2Tm 4:8) ninguém a essa
alturado plano escatológico de Deus, a não ser a igreja arrebatada
poderia usar um a coroa de vitória (Ap 2:10). 3) as promessas para
igreja vitoriosa, expressas nas sete cartas as igrejas da Ásia menor
encaixam-se com a aparência, posição local e de honra em que os 24
anciãos estão.
46 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
5.3.3- A ressurreição em Ap 20:4 revela o momento do arreb atamento. 
Um argumento que os pós-tribulacionistas tem por forte é o da ressurreição, porém 
não é necessário muito para provar o contrário. O texto usado para sua afirmação é 
Ap 20:4-5 onde lemos: 
E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder 
de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de 
Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, 
e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo 
durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se 
acabaram. Esta é a primeira ressurreição. 
Somente desconhecendo ou ignorando a doutrina da ressurreição para se afirmar 
essa interpretação, pois o fato do versículo conter “primeira ressurreição” não 
confirma a suposição de esta ser literalmente “primeira”, quer endo indicar que 
anteriormente não houve outra. Os motivos são claros: 
• A primeira ressurreição não se trata de primeira em numero, mas em
gênero, já que dois tipos de ressurreições são mencionados por Jesus, uma
para avida e outra para condenação (Jo 5:29), as quais não podem ser
colocadas em mesmo espaço de tempo, porque a ressurreição da vida é
seguida pelas bodas do cordeiro e o tribunal de Cristo, como também a
ressurreição para condenação é imediatamente seguida pelo juízo.
• O galardão dos arrebatados (Ap 4;19:1-10) é antes da vinda em glória de
Cristo (Ap11:15-19;19:11-21), e isto pode ser confirmado pela cronologia
dolivro de apocalipse, provando assim que não existe relação entre a
ressurreição no momento do arrebatamento da igreja e a ressurreição de
Ap 20:4-6.
• Outro fato pode ser visto em Ap 20:4 é que o texto fala da ressurreição
“daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra
de Deus”, ou seja, o texto narra a ressurreição dos mártires da grande
tribulação que é o ultimo grupo dos que “são de Cristo” (ICo 15:22-23).
Fechadoo grupo, Ap 20:5-6 encerra o assunto sobre primeira ressurreição.
Por tudo o que foi apresentado podemos concluir que o pós-tribulacionismo, ainda que 
tenha argumentos favoráveis, estes são insuficientes para que sua teoria seja aceita, e 
no que se refere aos seus argumentos acima citados e discutidos nenhum dele é 
capaz de servir como base para um arrebatamento após a grande tribulação . 
47 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
TEORIA DO ARREBATAMENTO PRÉ-TRIBULACIONISTA 
Não foi por acaso que esta teoria foi separada das demais. Por ser a mais aceita 
e mais coerente, é a que de um modo geral, é ensinada nas igrejas pentecostais, 
neopentecostais como também em muitas igrejas históricas. Por isso merece uma 
atenção melhor para que aprendamos de uma maneira mais profunda e esclarecedora, 
já que muitos conhecem a escatologia superficialmente estando inabilitados a defender 
o ponto de vista pré-tribulacionista.
Para o pré-tribulacionista o arrebatamento será antes da grande tribulação, 
trazendo aos crentes em Jesus o livramento dos sofrimentos vindouros (Ap 3:10). Veja 
no quadro gráfico abaixo o pensamento pré-tribulacionista: 
6.1- O PRÉ-TRIBULACIONISMO E A HISTÓRIA 
48 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à DistânciaOs pós-tribulacionistas usam o argumento de que o pré-tribulacionismo é uma doutrina 
nova e estranha para a igreja primitiva como também para a igreja no decorrer de toda 
a história. O fato é que isso não pode ser dito sem uma averiguação em documentos da 
igreja primitiva como também no contexto bíblico. O pré-tribulacionista repousa em 
argumentos sadios e coerentes com a interpretação correta das Escrituras, e também 
está baseado na chamada “doutrina da iminência”, ou seja, a palavra de Deus sempre 
nos exorta a estarmos vigilantes pelo fato de não sabermos a que horas, dia, ano ou 
século Jesus virá Vigiai,“ pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”. 
(Mt 24:42), e isto demonstra que sua vinda é algo inesperado. Veja o que diz Clemente, 
bispo de Roma (séc I) aos Coríntios: 
Que nunca se aplique a nós a passagem da Escritura que diz: "Infelizes os 
que hesitam no coração e desconfiam na alma; aqueles que dizem: 'Tais 
promessas já escutamos na época de nossos pais e eis que envelhecemos e 
nada disso aconteceu”. 
4Ó insensatos, comparai-vos à uma árvore; reparai na videira que, primeiro perde 
as folhas e então brota, a seguir vêm a folha, então a flor e, depois disso, a uva 
verde é seguida da uva madura". Considerai como, em pouco tempo, o fruto da 
árvore se torna maduro. 5É bem assim que a vontade de Deus se cumpre, em 
ritmo veloz e inesperado, como a própria Escritura nos atesta: "Virá logo e não 
tardará. Subitamente o Senhor entrará no seu santuário, o Santo a quem 
esperais" Malaquias. 3:1 
Podemos perceber que desde a igreja primitiva, se esperava uma vinda a 
qualquer momento, o que é contrário ao pós-tribulacionismo já que, segundo eles, o 
arrebatamento vem após a grande tribulação; sendo assim, saberemos exatamente 
quando este ocorrerá. Desta forma todo o processo de espera dos crentes é alterado, 
pois terão como identificar claramente não só a proximidade, mas também o exato 
momento, descartando as advertências referentes a vigilância contidas em todo o novo 
testamento. Isto demonstra que a igreja desde os primórdios era pré-tribulacionista, ou 
seja, esperava que o arrebatamento fosse antes da grande tribulação, pois acreditava 
que não passaria por ela. 
Quanto a dizerem que é uma doutrina nova, é uma grande irresponsabilidade, 
pois o fato de não ser bem explicada por todo decorrer da história da igreja não quer 
dizer que não esteja correta, também é exigirmos demais que desdeaqueles tempos já 
tivesse este nome, que, aliás, tornou-se necessário para identificar “teoria” diante das 
outras. Se seguirmos este raciocínio, a doutrina da salvação só tem quinhentos anos, 
pois esta foi discutida e definitivamente estabelecida no período da reforma, a verdade 
é que algo não pode ser considerado novo por apenas não ter sido detalhado no 
passado. 
49 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
6.3- A DOUTRINA DA IMINÊNCIA 
O pré-tribulacionismo se destaca das outras teorias por ser a única baseada numa 
interpretação literal, que, como já vimos, é o método usado pela própria escritura para 
se explicar. Outro ponto importante é o fato de respeitar a doutrina da iminência como 
também reafirmá-la. 
Esta doutrina trata da condição em que está a igreja quanto à volta de Jesus 
para arrebatá-la, ou seja, Jesus disse que seria a qualquer momento. A promessa de 
buscar sua igreja foi feita por ele mesmo: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se 
assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos 
preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, 
estejais vós também”. ( Jo 14:2-3). Porém, quanto ao tempo em que isto ocorrerá, 
Jesus disse que: “daquele Dia e hora ninguém sabe” (Mt 24:36a), logo, sua vinda é 
repentina. 
Mesmo não havendo sinais específicos que indiquem o arrebatamento, o 
prenuncio da grande tribulação já nos serve como “sombra de sinal”, contudo não 
devemos atentar cegamente para estes aparentes sinais e nos esquecermos que sua 
vinda é iminente. A igreja é constantemente exortada a vigiar “aguardando a bem-
aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor 
Jesus Cristo” (Tt 2:13); “Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília 
da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa”. (Mt 24:43); “ 
Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como 
um ladrão ” (I Ts 5:4). 
O pós-tribulacionismo como também o meso-tribulacionismo, negam este fato, 
que é o da vinda a qualquer momento. Seus argumentos, em suma, são: 
• Jesus disse que para que ele pudesse retornar o evangelho deveria
ser pregado em todo o mundo (Mt 24:14), sendo assim sua vinda
dependia de um longo espaço de tempo sinalizando seu retorno e
descartan do a doutrina da iminência.
O equivoco está na interpretação, pois “este evange lho do reino”, acima 
citado não são as boas novas, ou seja, o evangelho que Jesus pregava e que 
hoje a igreja prega. O contexto é claro, trata-se das boas novas pregada aos 
Judeus durante a grande tribulação, possivelmente pelo remanescente (Ap 
7), pelas duas testemunhas (Ap 11:3-13). 
50 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
• Devido o desdobramento de acontecimentos da história, sofrimento
dos apóstolos e declinio da vida espiritual dos cristãos no fim dos
tempos, indicam que antes de tudo isso acontecer, Jesus não poderia
retornar, sendo assim não existe um retorno iminente, pois, supostos
sinais que o antecedem devem ser cumpridos cabalmente.
Isto pode ser verdadeiro se não levarmos em conside ração que o curso da 
história pode ser interrompido a qualquer momento, ao se comparar com um 
ladrão disse: 
“se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, 
vigiaria”, um ladrão não se limita a roubar apenas de noite, mas a qualquer 
momento. Existem sinais que de maneira secundária indicam o arrebatamento, 
e é importante perceber que estes, primariamente indicam a preparação para 
grande tribulação, sendo assim Jesus não está preso a cumprimento de 
supostos sinais ou ocorrências na historia para arrebatar sua igreja. 
Por todas as referências bíblicas, (e isto fala mais alto que qualquer argumentação), e 
pelos pontos acima discutidos, fica, sem qualquer sombra de dúvida, confirmada a 
doutrina da iminência. 
6.4- PORQUE O ARREBATAMENTO DEVE SER PRÉ-TRIBULACIONAL? 
Alguns pontos devem necessariamente ser observados para que tenhamos uma 
compreensão clara e sustentável referente ao pré-tribulacionismo, e para isto 
estudaremos alguns pontos que afirmam e sustentam um arrebatamento antes da 
grande tribulação. 
6.4.1- A igreja não necessita de mais uma purificaç ão, pois esta já foi 
consumada na cruz. 
“Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te 
guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para 
experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap 3:10) 
Numa promessa à igreja de Filadélfia, Jesus diz que não permitiria que a igreja 
fiel, ou salva passasse pela “provação” que haveria de vir s obre o mundo. No original 
grego o termo usado neste versículo é peirasmos, de um modo geral significa: 
experimento, tentativa, teste, prova; tentação da fidelidade do homem, integridade, 
virtude, constância; de acordo com o 
51 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
contexto, significa: adversidade, aflição, aborreci mento: enviado por Deus e servindo 
para testar ou provar o caráter, a fé, ou a santidade dealguém. (Strong). 
O caráter da grande tribulação é de purificação como também de juízo, quanto a 
isso aqueles que realmente são servos de Cristo e verdadeiramente “lavaram suas 
vestiduras no sangue do cordeiro” estão isentos. Perceba bem, pur ificação aqui, não 
se refere a santificação. Como já visto anteriormentea igreja foi justificad (Rm 3:19-
26); regenerada (IICo 5:17); adotada (Rm 8:15-16) e aguarda apenas sua completa 
redenção (Rm 8:23; Ef 4:30). 
6.4.2. - a igreja precisa ser retirada da terra para que se inicie a grande 
tribulação 
“agora, vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja 
manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente háum que, agora, 
resiste até que do meio seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a quem o 
Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua 
vinda;” 
Nesta referência o iníquo ou profano que é o anticristo, não poderá iniciar seu 
governo sem que aquele que o impede de agir seja retirado da terra, e sobre a 
identidade deste, existe muita especulação, no entanto podemos concluir que não se 
trata de outro a não ser o Espírito Santo, e sendo a igreja templo do Espírito Santo (ICo 
3:16), quando esta partir ele irá também. Podemos declarar então que, para que o 
anticristo possa iniciar sua atuação é necessário que o Espírito Santo juntamente com 
sua habitação sejam retirados da terra, o que em termos de tempo só pode ser antes 
de iniciar a grande tribulação, deixando então o “caminho livre” para a besta. É preciso 
não confundir; a igreja não é a detentora pelo fato de ser a habitação do Espírito Santo, 
ela apenas age por meio dele, no entanto o agente do poder espiritual que impede a 
manifestação da besta é o Espírito Santo, a igreja será beneficiada com o 
arrebatamento porque o Espírito não pode estar desvinculado dela. 
Este fato torna impossível que a igreja passe pela grande tribulação deixando 
claro que o arrebatamento é pré-tribulacionista. 
52 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
6.4.3- É necessário que hajam salvos no fim da grande tribulação para 
ingressarem no milênio. 
Com o retorno visível de Cristo a terra, o milênioserá instituído; se o 
arrebatamento acontecesse neste momento, como pensam os pós-tribulacionistas, não 
restaria nenhum santo para reinar com Cristo no milênio, sendo que a bíblia nos ensina 
que neste tempo as pessoas terão uma vida humana, ou seja, vão gerar filhos, se 
alimentar, trabalhar, terão prosperidade, paz etc... Como está registrado em Is 65:20-
25; seassim fosse, isto não seria possível. 
Outra questão muito importante é o fato de que Jesus disse em Mateus 24:14 que 
o “evangelho do reino” seria pregado, evangelho este que não pode ser anunciado pela
igreja, pois esta anuncia o evangelho da graça (At 20:24), chamado por Paulo de
evangelho de Deus (Rm 1:1), evangelho de Cristo (ICo 9:12). Com exceção de Mateus,
nenhum dos escritores do Novo Testamento o identificou como evangelho do reino, o
que é explicado pelo fato de Mateus ter sido escrito para os Judeus que devido o
sofrimento causado pelo império romano, aguardam a vinda do messias para instituir
seu reino.
Este evangelho do reino anunciará, durante a grandetribulação, a vinda do 
messias para inaugurar este reino literal, e através dele muitos se converterão (Ap 
7:13-17). 
6.4.4- Os tipos no velho testamento indicam um arrebatamento pré-
tribulacional 
Quanto aos tipos é importante ressaltar que eles serão introduzidos neste 
trabalho apenas por serem largamente usados como símbolos do arrebatamento, no 
entanto eles são apenas uma suposta menção ao arrebatamento, teologicamente não 
pode ser provada devida não haver menção da igreja, especificamente, no velho 
testamento, contudo os tipos são: 
a) Enoque, bisavô de Noé, é o primeiro suposto tipoda igreja arrebatada,
teve um relacionamento de obediência com Deus, e por isso foi arrebatado para 
não morrer no dilúvio (Gn 5:24; Hb 11:5). 
b) Bisneto de Enoque, Noé foi salvo pela arca, do terrível dilúvio que se
aproximava (Gn 7:1,7). O tipo tem grande semelhança com o fato de que Deus os 
livrava do dilúvio para posteriormente os colocar na terra novamente; da mesma 
forma com o arrebatamento, a igreja será poupada da grande tribulação, 
53 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
retornando novamente a terra na manifestação de Cristo, para juntos entrarem na 
terra milenial. É interessante ressaltar que a expectativa do arrebatamento, como 
também seu repentino acontecimento, foi comparada por Jesus aos dias de Noé 
(Mt 24:37-39). 
c) O juízo sobre Sodoma veio após a saída de Ló, desta maneira ele
representa a igreja que após ser retirada virá o Juízo na terra com a grande 
tribulação (Lc17:28-30). 
Os tipos por mais parecidos com a realidade que sejam não servem para se 
estabelecer doutrina, porém revelam o cuidado de Deus com aqueles que lhe servem 
fielmente, por isso podemos crer que por seu amor incondicional a igreja ele não a 
deixará perecer na grande tribulação. 
Por todos os motivos citados fica claro que o arrebatamento não pode ser localizado em 
outro tempo, senão antes da grande tribulação, sabemos, no entanto que os 
argumentos pós-tribulacionistas tem certa lógica e base bíblica, mas isso não é o 
suficiente para que consigam provar suas teorias, o que não acontece com o pré-
tribulacionismo que mesmo não resolvendo todos os problemas que existem devido 
passagens de difícil interpretação, consegue harmonizar os textos de maneira correta e 
dentro do contexto, trazendo-nos o ensino sobre o arrebatamento mais completo e 
coerente do todas as teorias existentes, não é à toa que os maiores mestres, doutores 
e escolas teológicas no mundo inteiro, são pré-tribulacionistas; porém nunca devemos 
crer em algo apenas porque uma maioria crê, mas o testemunho das Escrituras deve 
sempre prevalecer. 
54 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
PONTOS SOBRE O ARREBATAMENTO 
O arrebatamento possui alguns pormenores que não podem ser deixados para 
trás. Afim de que tenhamos a melhor visão possível referente a o evento, estudaremos 
alguns detalhes importantes como: o propósito do arrebatamento; quem será 
arrebatado e o momento do arrebatamento. 
7.1- OS PROPÓSITOS DO ARREBATAMENTO 
7.1.1- Glorificar a igreja 
No capítulo anterior pudemos observar que a igreja deve ser arrebatada antes 
da grande tribulação, e este é o propósito do arrebatamento. A bíblia apresenta a 
igreja como sendo a noiva de Cristo: 
Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e 
a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da 
água, pela palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, 
nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. (Ef 5:25-27) 
No casamento judeu, após os pais do noivo terem pago o dote pela noiva (Gn 
24:53; 34:12), era marcado o dia do casamento e esta não sabia o momento da 
chegada deste, que era anunciado por um grito; ao encontrar a noiva, o noivo e os 
parentes da noiva a elogiavam, seguindo-se o banquete de comemoração, e este dever 
ia ser na casa do noivo. Neste mesmo esquema de ritual, Jesus fará com sua noiva, a 
igreja; ele a buscará para estar com ele; no céu será recompensada através do tribunal 
de Cristo (Rm 4:10; II Co 5:10), seguido pelo banquete das bodas do cordeiro (Ap 19:7, 
9). 
Para que todo o propósito espiritual que existe entre Cristo e Sua igreja possam 
se cumprir, é necessário que haja um arrebatamento, ou seja, que o noivo venha 
buscar sua noiva para consumar esta união, de outro modo outros ensinos como os 
mencionados acima perderiam todo o valor. Portanto o arrebatamento é necessário 
para que a igreja seja glorificada 
7.1.2- Galardoar os crentes em Jesus que já morreram 
Uma característica importante do arrebatamento é o fato de nele estarem 
incluídos os crentes que já morreram porque“ a trombeta soará, e os mortos 
ressuscitarão incorruptíveis” 
(I Co 15:52). Com certeza estes poderiam ser ressuscitados com os demais na 
grande tribulação (Ap 20:4), porém receberão um galardão diferenciado juntamentecom toda a igreja viva. 
55 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
7.1.3- Livrar a igreja do sofrimento da grande tribulação 
No capítulo anterior observamos alguns pontos que demonstram que o 
arrebatamento será antes da grande tribulação, isto porque não é aceito pelas 
Escrituras que a igreja passe por este juízo. Existem três juízos a que o cristão é 
submetido, 1) Seu juízo mediante a morte de Jesus na cruz do calvário (João 12:31-32). 
Ao crer na morte vicária de Cristo, a pessoa é submetida a juízo, e porque agora tem a 
Cristo como seu advogado (I João 2:1) é absolvido de todos os pecados, sendo 
perdoado todo seu passado de incredulidade. 2) O juízo diário em que o Espírito Santo 
opera através do processo da santificação. A este processo podemos chamá-lo de 
auto-julgamento, ou seja, sendo uma habitação do Espírito Santo o crente em Jesus 
não consegue ter uma vida dissoluta sem que se sinta culpado; sobre isto Paulo diz 
que: “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, 
quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos 
condenados com o mundo”. (I Co 11:31-32). 3) Este não é propriamente um juízo, no 
sentido de ser salvo ou não, representa um juízo onde os crentes serão submetidos 
para serem galardo ados, cada um conforme as suas obras. (II Co 5:10). 
Se tivermos esta visão percebemos claramente que não resta outro juízo para a 
igreja, vemos em Ap 3:10, justamente este aspecto, de que a igreja será poupada de 
qualquer juízo que será estabelecido com a vinda da grande tribulação, como vimos 
anteriormente a igreja aguarda seu noivo para que ela não sofra as aflições vindouras. 
7.2- QUEM SERÁ ARREBATADO? 
“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão 
vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os 
que são de Cristo, na sua vinda” (I Co 15:22-23). 
Através da afirmação de Paulo temos a certeza de que somente os “os que são 
de Cristo” serão arrebatados, ou seja, sua igreja. Ao tratar do assunto I 
Tessalonicenses 4:16-17 ele diz:
Porque o mesmo Senhor descerá do céu com clamor, come voz de arcanjo, 
e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; 
depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas 
nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 
Apenas dois grupos, na igreja, que podem ser detectados como sendo 
participantes do arrebatamento estes são “os que morreram em cristo” e “ os que 
ficarmos vivos”. 
Existem muitas especulações quanto a este fato, poi s muitos pensam que pelo 
fato de pertencerem a uma igreja isto faz dele um participante do arrebatamento seja 
vivo ou morto, o fato é que nos coloca em posição de futuros arrebatados, é a nossa 
condição “estar em Cristo”, ter uma vida de Cristão autêntico, cultivando seu 
relacionamento com Jesus. Sobre isto Paulo nos diz: 
56 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já 
estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, 
que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos ma nifestareis com ele 
em glória. (Cl 3:2-4) 
Outro fato importante a ser mencionado é quanto à ressurreição ou não dos 
salvos do Antigo Testamento, no entanto devemos separar as coisas, o arrebatamento 
é para “os que são de Cristo” e os Judeus não se encontram nessa condição, mesmo 
estando salvos os que viveram antes de Jesus só serão ressuscitados na re ssurreição 
que está expressa em Ap 20:4 entendemos que o arrebatamento é um tratar de Deus 
para com a igreja e difere do plano que Deus tem para Israel. Voltaremos a tratar do 
assunto com mais detalhes em momento oportuno. 
7.3- O MOMENTO DO ARREBATAMENTO 
Jesus em sua primeira encarnação esteve por volta de trinta e três anos na terra, 
sendo que apenas três, realizando a sua obra, após sua morte e ressurreição a igreja 
inicia uma nova expectativa, a do aparecimento do Senhor para arrebatar a igreja da 
terra. Uma pergunta nos vem, como será este momento? Paulo nos explica 
queseremos chamados por ele “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com clamor, e 
com vozde arcanjo, e com a trombeta de Deus” 
(I Ts 4:16), neste momento os mortos em Cristo ressurgirão “e os mortos ressuscitarão 
incorruptíveis” (I Co 15:52), seguindo os mortos que ressuscitaram, nós “os que 
ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o 
Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (I Ts 4:17). 
Quanto à duração deste evento, em I Co 15:52 Paulo diz que “será num 
momento, num abrir e fechar de olhos” no original grego é: én atomo én ripe oftalmou, 
termo átomo significa algo que não pode ser dividido, muito bem traduzido por “um 
momento”, ripe significa pulsação, batida, uma batida de olho ou um piscar de olho. 
Aqui vemos que o tempo necessário para que tudo o que envolve o arrebatamento 
aconteça é mínimo, não há como medir senão comparando a um piscar de olhos. Daí o 
motivo de devermos estar sempre em comunhão com o Senhor. 
Paulo nos informa que o arrebatamento em si é o grito de vitória da igreja, que 
agora não sofrerá mais o dano da morte nem da dor, pois onoivo veio consumar a 
vitória da igreja sobre a morte e o inferno. 
Porque convém que isto que é corruptível se revistada incorruptibilidade e que isto que 
é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da 
incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a 
palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. I Co 15:53-54 
57 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
A IGREJA APÓS O ARREBATAMENTO 
No capítulo anterior observamos os principais pontos referentes ao 
arrebatamento, neste veremos o que acontecerá com os crentes que agora stãoe no 
céu com Jesus. 
Dois eventos aguardam a igreja arrebatada ao céu, o Tribunal de Cristo e as 
Bodas do Cordeiro. Enquanto na terra acontece a grande tribulação a igreja tem um 
período de núpcias com seu noivo. 
8.1- O TRIBUNAL DE CRISTO 
Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o 
qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de 
ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se 
manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; o 
fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa 
parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, 
sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo. I Co 3:11-15 
Também chamado de Tribunal de Deus em Rm 14:10 (ARA), o tribunal de Cristo 
será o próximo acontecimento para a igreja após o arrebatamento. O texto acima 
detalha como será o Tribunal, porém com este titulo é somente encontrado em 
Romanos 14:10 (RC) e II Co 5:10. 
Existem dois termos gregos usados no Novo Testamento para se referir a um 
tribunal: 
kriterion (krithrion): O primeiro nome para tribunal encontrado no novo 
testamento é kriterion (krithrion), que significa: 
1) Instrumento ou meios usados para julgar algo; critério ou regra
pela qual alguém julga; 2) lugar onde acontece o julgamento;
tribunal de um juiz; assento dos juízes; 3) assunto julgado, coisa
a ser decidida, processo, caso. (Strong).
58 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Kritérion é usado em I Co 6:2, 4 e Tg 2:6, para sereferir julgamento, avaliação 
para possível condenação ou absolvição, este termo, como também o traduzido por 
Juiz, krites (krithv), têm como raiz a palavra krino (krinw) que significa: 
1) separar, colocar separadamente, selecionar, escolher; 2) aprovar,
estimar, preferir; 3) ser de opinião,julgar, pensar; 4) determinar, resolver, 
decretar; 5) julgar. 
A conclusão a que chegamos é que nas referências em que são usados estes 
termos acima citados, não podem descrever ou ser utilizados para se referir ao 
Tribunal de Cristo 
Bema (bhma): este termo é usado em Rm 14:10 e II Co 5:10 para designar o 
tribunal de Cristo, Strong define assim: 
1) um degrau, um passo, o espaço que um pé cobre; 2) um lugar elevado
no qual se sobe por meio de degraus, plataforma, tribuna; assento oficial de um 
juiz; o lugar de julgamento de Cristo; Herodes construiu uma estrutura 
semelhante a um trono na Cesaréia, do qual ele via os jogos e fazia discurso 
para o povo. 
Diferente do primeiro, Bema fala do tribunal em si, ou seja, do lugar onde o 
julgamento é feito e não do julgamento propriamente dito, também retrata um lugar de 
honra, uma tribuna de honra. Sale-Harrison ao comentar sobre o bema, diz: 
Nos Jogos gregos de Atenas, a velha arena tinha uma plataforma elevada 
na qual na qual se assentava o presidente ou juiz da arena. Dela ele 
recompensava todos os competidores; e lá ele recompensava todos os 
vencedores. Era chamado bema ou assento de recompensa. Nunca foi usado em 
referencia a um assento judicial 
Concluímos que o tribunal de Cristo não se trata de um julgamento onde os réus 
correm o risco de serem condenados, mas sim um “grande evento” onde os crentes em 
Jesus receberão suas recompensas. 
Não podemos cair no mesmo erro que os Católicos Romanos, usaram esta 
passagem para criar o ensino sobre purgatório crendo, então, que este é um tribunal de 
juízo. Ao lerem o que Paulo fala a respeito de “salvos como pelo fogo”, dizem que os 
que não fizeram o bem necessário para serem salvos, nem o mal necessário para 
serem condenados, irão para o purgatório esperar um julgamento posterior que pode rá 
lhes dar uma segunda chance. Para amenizar sua pena no purgatório e ir mais rápido 
para o céu, o réu pode contar com ajuda dos vivos através de velas, missas, orações, 
indulgências etc. 
59 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
8.2.1- Como será o tribunal de Cristo 
Quando em II Co 5:10 Paulo diz que “todos devemos comparecer” diante deste 
tribunal, e este “comparecer” no grego é phaneroo (fanerow), que significa: tornar 
manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido, 
manifestar, seja por palavras, ou ações, ou de qualquer outro modo. (Strong) Isto quer 
dizer muito mais que comparecer, nós seremos manifestos. Cristo revelará 
publicamente aessência de nossas obras, “a obra de cada um se manifestará” (I Co 
3:13), e isto de maneira ndividual, um por um. 
De um modo geral divide-se as obras em dois grupos, de acordo com os 
materiais usados por Paulo em I Co 3:12-13: 
“Se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras 
preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará: na verdade o 
dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a 
obra de cada um”. 
a) O grupo das obras destrutíveis: madeira, feno e palha.
Todos estes materiais apresentados por Paulo são totalmente destruídos quando 
lançados ao fogo, e o paralelo que ele faz é justamente esse, pois ele mesmo nos diz 
que “o fogo provará qual seja a obra de cada um”. Obras feitas sem a devida 
sinceridade, praticadas para a própria glória, nunca passarão pelo fogo revelador, 
porém é importante ressaltar que a avaliação do tribunal não julgará as obras como 
sendo boas e más, mas sim como sendo úteis e inúteis, também é bom lembrarmos 
que o propósitocentral do bema de Cristo não é humilhar ou envergonhar os salvos, e 
sim galardoa-los. 
b) o grupo das obras indestrutíveis: ouro, prata e pedras preciosas. 
O fundamento do edifício é o próprio Jesus Cristo, e por isso mesmo se deve 
usar materiais, que condigam com este fundamento. Este grupo fala das obras 
produzidas pela direção do Espírito de Deus, feitas com sinceridade e sem nenhuma 
pretensão de vanglória, o 
60 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
fogo trará a tona o que realmente é verdadeiro em ossasn obras, e é sobre o que 
restar, e se restar algo, que seremos galardoados. 
Quanto à recompensa, parece-nos sensato pensar que ela será uma coroa, 
devido a representação da igreja pelos 24 anciãos em Ap 4, estes usavam coroas que 
no grego é stephanos, este termo era usado para se referir as coroas ou guirlandas 
que os vitoriosos em jogos olímpicos recebiam como prêmio (I Co 9;24-25). 
8.3- BODAS DO CORDEIRO 
Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as 
bodas do Cordeiro, e jáa sua esposa se aprontou. (...) disse-me: Escreve: Bem-
aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-
me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.(Ap 19:7, 9) 
Uma das mais importantes metáforas a respeito da igreja com certeza é a de 
apresenta-la como “noiva”. Existem outras muito usadas e importantes que 
apresentam como “corpo de Cristo” e “rebanho”, porém a metáfora de noiva nos 
parece ser a mais atraente e define melhor o relacionamento entre Cristo e sua igreja. 
João batista apresentou Jesus como o noivo e ele sendo apenas o amigo que se 
alegrava em ver a sua alegria (João 3:29). Paulo também usa a metáfora para falar a 
respeito da vida conjugal, fortalecendo seu ensino com o exemplo de Jesus, que amou 
sua igreja (noiva) e deu a vida por ela (Ef 5:21-29). Nos versículos acima vemos o 
João, o apóstolo, usando para falar do momento da celebração da união de Cristo com 
sua amada igreja. 
“As bodas do Cordeiro” serão realizadas no céu, já que é lá que a igreja se 
encontra após o arrebatamento, será também após o tribunal de Cristo, e isto pode ser 
visto pelas vestes que a “igreja usa” quando é apresentada ao noivo (Jesus) 
representando a justiça confirmada pela avaliação do tribunal (Ap 19:8). 
Vemos que esta união no céu revela a importância deste evento, pois, para um judeu, 
existem três acontecimentos significativos na vida, que são: o nascimento, o 
casamento e o dia da morte, sendo que dentre todos o casamento é o mais importante, 
já que para um judeu um homem só realmente é considerado como tal, quando se 
casa e forma uma família. Por isso vemos o casamento ser usado com abundância no 
Velho Testamento, falando do relacionamento entre Deus e Israel (Jr 3:20; Ez 16:32, 
45; Os 2:2, 16); no Novo Testamento, 
61 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Jesus usa para falar sobre a rejeição dos judeus ao evangelho (Mt 22:1-14), para 
alertar quanto à vigilância devido sua futura vinda (Mt 25:1-13) entre outros, porque era 
algo que os Judeus entendiam muito bem e sabiam a responsabilidade que era ser 
noiva, seja esta noiva Israel ou a igreja. 
CAPÍTULO 9 
A GRANDE 
TRIBULAÇÃO 
A grande tribulação com certeza é o assunto mais discutido na doutrina da 
escatologia bíblica, é também o que apresenta maiores dificuldades de interpretação 
com respeito a acontecimentos e profecias que devem ser cumpridas no período 
tribulacional; portanto devemos ter grande atenção, devido sua importância dentro das 
Escrituras, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. 
Como já vimos, a igreja estará isenta de passar poreste período de sofrimento 
nunca visto na Terra; enquanto no céu a igreja se regozija com o tribunal de Cristo e 
com as Bodas do Cordeiro, na terra acontece a grande tribulação. 
Devemos saber distinguir os vários tipos de tribulações existentes na bíblia, pois 
nem todos falam a respeito do período tribulacional. Segundo o Dr. Duffiede e Van 
Cleave, existem nas Escrituras três tipos de tribulação diferentes: 
1. Aplicada às provações e perseguições que os cristãos sofrerão através de
toda a era da igreja como resultado de sua identificação com Cristo (João
16:33)
2. Aplicada a um período especialde tribulação para Israel, profetizado por
Daniel (Dn 9:24-27)
3. Aplicada à ira final de Deus sobre o anticristo e as nações gentias que o
seguem, (Ap 6:12-17), chamada de “grande dia da ira deles”.
62 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
9.1- TERMOS UTILIZADOS PARA TRIBULAÇÃO 
Diante dos três aspectos de tribulação apresentados, se faz necessário definirmos 
os termos utilizados nas Escrituras para se referir à tribulação. 
Encontramos quatro substantivos que podem ser traduzidos por tribulação e 
aflição entre outros. 
1. kakopatheia (kakopayeia) : sofrimento que procede do mal, aborrecimento,
angústia, aflição (Strong). Este substantivo é formado de kakos “mau”, e paschõ 
“sofrer” (Vine), foi traduzido por “aflição” em Tg 5:10: “ Meus irmãos, tomai por exemplo 
de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor”. Neste caso o 
sentido é de aflições sofridas, sejam angústias, perseguições, aborrecimentos, etc. 
Somente é usado neste versículo, e nunca para se referir à grande tribulação. 
2. kakosis (kakwsiv): opressão, aflição, maltrato. Somente utilizado em Atos 7:34
“Tenho visto atentamente a aflição do meu povo que está no Egito, e ouvi os seus 
gemidos, e desci a livrá-los. Agora, pois, vem, e enviar-te-eiao Egito”. Aqui indica os 
maltrates sofrido por Israel enquanto estava cativo no Egito, também nunca é usado 
para indicar a grande tribulação. 
3. pathema (payema): aquilo que alguém sofre ou sofreu externamente;
sofrimento, infortúnio, calamidade, mal. Aflição dos sofrimentos de Cristo, também as 
aflições que cristãos devem suportar pela mesma causa que Cristo pacientemente 
sofreu. Este substantivo geralmente é usado para descrever sentimentos causados por 
infortúnios externos, seja a perseguição ou qualquer outra circunstância. É util izado 
em Rm 7:5; 8:18; 2 Co 1:5-7; Cl 1:24; 2 Tm 3:11; Hb 2:9-10; 10:32; I Pe 1:11;4:13; 5:1; 
5:9. 
Todos os termos descritos falam de sofrimentos diversos, sejam externos ou 
internos, e retratam apenas as aflições numa esfera meramente humana e cotidiana 
num sentido geral, diferente do termo a seguir que é o utilizado parase referir à grande 
tribulação. 
4. thlipsis (yliqiv): literalmente, ato de prensar, imprensar, pressão;
metaforicamente: opressão, aflição, tribulação, angústia, dilemas (Strong). Vine define 
como sendo “qualquer coisa que sobrecarrega o espírito”. Thlipsis é derivado de thlibo 
(ylibw) que significa: prensar (como uvas), espremer, pressionar com firmeza; caminho 
comprimido. 
63 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Este é o termo utilizado em Ap 7:14 para se referirà grande tribulação. “E eu 
disse-lhe: 
Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram de grande tribulação, 
lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” .Também é usado 
por Jesus em Mt 24:21, numa referência ao período tribulacional: “porque nesse tempo 
haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até ago ra não tem havido 
e nem haverá jamais”. 
9.2- O DIA DO SENHOR 
A doutrina da grande tribulação tem sido discutida em vários ramos da 
escatologia bíblica, seja por milenistas ou amilenistas. Nas Escrituras encontramos 
não poucas passagens falando de um período de tempo em que Deus traria juízo 
sobre Israel e os gentios; este período é chamado de grande tribulação. 
Para entendermos melhor este ensino é necessário identificar este período não 
só no Novo Testamento, mas também, e principalmente, no Velho Testamento, já que 
um dos propósitos é trazer os judeus a uma conversão definitiva. 
São fartas a passagens que mencionam o dia do Senhor como também outros 
nomes dados ao mesmo acontecimento, onde a principal idéia é de juízo contra o 
Israel impenitente. Vejamos alguns nomes dados à grande tribulação no Velho 
Testamento: 
Isaías 13:9 Eis que o dia do SENHOR vem, horrendo, com furor e ira 
ardente, para pôr a terra em assolação e destruir os pecadores dela. 
Ezequiel 13:5 Não subistes às brechas, nem reparastes a fenda da casa 
de Israel, para estardes na peleja no dia do SENHOR. 
Joel 2:1 Tocai a buzina em Sião e clamai em alta voz no monte da minha 
santidade; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR 
vem, ele está perto. 
Isaías 10:3 Mas que fareis vós outros no dia da visitação e da assolação 
que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro e onde deixareis a 
vossa glória,(...)? 
Jeremias 46:10 Porque este dia é o dia do Senhor JEOVÁ dos Exércitos, dia 
de vingança para se vingar dos seus adversários; e a espada devorará, e fartar-
se-á, e 
64 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
embriagar-se-á com o sangue deles; porque o Senhor JEOVÁ dos Exércitos tem 
um sacrifício na terra do Norte, junto ao rio Eufrates. 
Isaías 13:13 Pelo que farei estremecer os céus; e aterra se moverá do seu 
lugar, por causa do furor do SENHOR dos Exércitos e por causa do dia da sua 
ardente ira. 
Isaías 17:11 No dia em que as plantares, as cercarás e, pela manhã, farás 
que a tua semente brote; mas a colheita voará nodia da tribulação e das dores 
insofríveis . 
Ezequiel 7:7 vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; 
chegado é o dia da turbação , e não da alegria, sobre os montes. 
O dia do Senhor não se trata literalmente do espaço de vinte e quatro horas, mas 
sim de um período, como em Gn 2:4; Is 22:5 e Hb 3:8. Este período será entre as 
vindas de Jesus, ou seja, o arrebatamento e seu retorno em glória. 
“Dia” no hebraico, yôm, significa: luz do dia, dia, tempo momento, ano. Como 
vemos seu significado é abrangente, pode significar “luz do dia” como em Gn 8:22: 
“Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e 
inverno, dia e noite.”; período de vinte quatro horas como em Gn 39:10: “Falando ela a 
José todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com 
ela,”; em Gn 2:17 yôm refere-se a um momento: “mas da árvore do conhecimento do 
bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente 
morrerás.”; sua forma plural, yãmîm, aparece em Ex13:10, significando ano: “Portanto, 
guardarás esta ordenança no determinado tempo, de ano em ano.” Finalmente yôm 
com referencia a espaço de tempo, en contramos em Gn 2:3 “ E abençoou Deus o dia 
sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” 
É acordo entre a maioria dos teólogos que este sétimo dia não trata de um dia literal, 
mas de um período que vai desde a criação até a vinda de Cristo. (Adaptação do 
dic.Vine). 
No novo Testamento também temos referências ao “diado Senhor” 
1 Ts 5:2 Pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do 
Senhor vem como ladrão de noite. 
2 Ts 2:2 A que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos 
perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se 
procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor. 
65 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
2 Pedro 3:10 Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os 
céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; 
também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. 
Não devemos confundir com o “dia de Cristo”, como e stá expresso em Filipenses 
1:6; 1:10; 2:16, com o dia do Senhor, este dia refere-se não ao tempo de juízo, e nunca 
está ligado a isso, mas sim, a recompensa que os crentes em Jesus receberão, e isto é 
claramente declarado por Paulo em Filipenses 2:16, onde lemos: “preservando a 
palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corr i em vão, nem 
me esforcei inutilmente”. 
Tanto o Velho como o Novo Testamento apresenta o dia do Senhor como tempo 
de juízo, dia cruel, com ira e ardente furor (Is 13:9); dia da vingança (Is34:8); dia 
nublado (Ez 30:3) grande é o Dia (...) e mui terrível! (Jl 2:11); dia de trevas e não de luz 
(Am 5:18); dia da ira (Sf 2:2). No Novo testamento as referencias ao dia do Senhor têm 
uma ligação mais próxima ao advento de Cristo, ou seja, os escritores 
neotestamentários usavam este termo como referencia à volta de Jesus e não 
diretamente à grande tribulação, ainda que um estivesse ligado ao outro. 
A certeza deste “dia” ser de juízo derruba de uma vez por todos os argumentos 
pós-tribulacionistas, que acreditam que a igreja passará por este período, como 
também os amilenistas que não aceitam a existência do “dia do Senhor” como um 
período de extrema tribulação sobre os judeus e gentios. Este período é real e futuro. 
A conclusão em que chegamos é que a grande tribulação será um período de 
juízo e sofrimento nunca experimentado pela humanidade. Numa passagem de dupla 
referencia em Mateus, Jesus nos revela a severidade deste tempo “porque nesse 
tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem 
havido e nem haverá jamais” 
(Mt 24:21). 
9.3- AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL 
A duração do período tribulacional tem suas bases em Daniel 9:24-27 
24. Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua
santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para 
expiar a 
66 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para 
ungir o Santo dos Santos. 
25. Sabem e entendem: desde a saída da ordem para restaurar e para
edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanase sessenta e duas 
semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos 
angustiosos. 
26. Depois das sessenta e duas semanas, será mortoo Ungido e já não
estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o 
seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são 
determinadas. 
27. Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da
semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das 
abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se 
derrame sobre ele. 
Nesta passagem encontramos um esboço de todo o plano messiânico de Deus 
para Israel, como também seu juízo e dos gentios, no entanto dificuldades surgem 
quando os pontos de vista escatológicos se chocam, ou seja, pré-milenistas 
dispensacionalistas encaram e interpretam esta profecia de maneira que os 
amilenistas ou os contra o dispensacionalismo, chamam de fantasiosa. Antes de 
observarmos a interpretação dispensacionalista, daremos a oportunidade de defesa a 
uma teoria defendida por grande parte de teólogos e professores. A interpretação 
defendida por Edward J. Young, entre outros, diz que toda a profecia já foi cumprida, e 
isto pode ser comprovado por suas próprias palavras. 
Esta notável seção (Dn 9:24-27) declara que um período definido de tempo 
havia sido decretado por Deus para a realização da restauração de Seu povo da 
escravidão (...) Pode-se assim ver que os seis objetivos que seriam realizados 
são todos messiânicos, e pode-se notar que, quando nosso Senhor ascendeu ao 
céu, cada um desses propósitos tinha sido cumprido. 
Young luta bravamente para provar algo impossível. Ao dizer que toda a profecia 
estaria cumprida na ascensão de Cristo parece se esquecer que aspectos 
apresentados no texto, nunca encontraram cumprimento na história de Israel , e isso 
se prova facilmente. Veremos na posição em que nos baseamos e defendemos neste 
livro, a interpretação correta que, além de responder a questões complicadas a 
respeito da escatologia, nos dá a defesa diante de teorias infundadas e o 
entendimento necessário quanto ao texto referido. 
Para se tornar clara a profecia precisamos desmembrá-la de maneira que se veja 
a vontade de Deus revelada ao profeta. 
67 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
9.3.1. “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua 
santa cidade” (v.24) 
Deus determinou o espaço de setenta semanas sobre o teu povo (Judeus) e 
sobre a tua santa cidade (Jerusalém), para que seis objetivos fossem alcançados. A 
primeira questão que surge é quanto a estas setenta semanas que de forma alguma 
podem ser de dias, mas de anos. A palavra hebraica traduzida por “semana” é 
shãbûa, que literalmente significa “sete”, este substantivo aparece cerca de vinte 
vezes por todo o Velho Testamento. Este “sete” se refere a um período que pode ser 
de dias ou de anos como em Gn 29:27: “ Decorrida a semana (sete) desta, dar-te-
emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me 
servirás”.(também Lv 25:8 Ez 4:4,5), neste versículo a palavra semana, ou “sete”, 
refere-se a um período de sete anos, como o próprio verso explica. Encontramos na 
septuaginta, (versão grega do Velho Testamento), tendo o mesmo sentido que o 
apresentado no hebraico, ebdomekonta ebdomades, “setenta setes”, devido ser um 
período de sete dias ou anos foi usado “semana” na tradução para melhor 
compreensão. 
Para chegarmos ao total de anos que Deus determinara multiplicamos as 
setenta semanas por sete que são a quantidade de dias/anos que cada uma tem 
(70x7), chegando ao numero de 490 anos. 
Os seis objetivos mencionados no v. 24, que deveriam ser concluídos nestes 
490 anos são: 1) cessar a transgressão; 2) dar fim aos pecados; 3) expiar a 
iniquidade; 4) trazer a justiça eterna; 5) para selar a visão e a profecia e 6) ungir o 
Santo dos Santos. 
O próprio Deus nos deu todas as diretrizes necessárias para compreendermos 
seu plano, e isto se vê claramente através da divisão feita em três períodos distintos: 1) 
sete semanas, 2) sessenta e duas semanas e 3) uma semana. Em cada destes 
períodos estão determinados acontecimentos, como o próprio texto explica. 
9.3.2- “desde a saída da ordem para restaurar e par a edificar Jerusalém, até 
ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas”. 
68 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Para uma melhor compreensão podemos colocar o text o da seguinte forma: 
“desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, sete semanas; até 
ao Ungido, ao Príncipe, sessenta e duas semanas”, isto quer dizer que desde a saída 
pra a reconstrução de Jerusalém foram 49 anos, concluídos os 49 anos; conta-se mais 
434 anos para então chegarmos ao messias, ao príncipe. “ Depois das sessenta e duas 
semanas, será morto o Ungido” , com isso sabemos que as primeiras 69 semanas têm 
seu fim com a morte do messias; resta-nos saber quando foi seu início, pois é 
fundamental para que Jesus Cristo seja confirmado como aquele que cumpriria esta 
profecia. O texto nos diz “ desde a saída da ordem para restaurar e para edificar 
Jerusalém”, temos nas Escrituras três editos que tratam da restauração judaica após 
anos de cativeiro na Ba bilônia. O primeiro é encontrado em 2Cr 36:22-23, quando Ciro, 
rei da Pérsia, decretou a reconstrução do templo em Jerusalém, conforme Deus lhe 
havia ordenado, e agora era confirmado por suas próprias palavras: “O SENHOR, Deus 
dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa 
em Jerusalém”, a repetição deste mesmo decreto vemos em Ed 1:1- 3. Outro decreto 
encontra-se em Ed 6:3-8, onde o rei Dário eafirma o decreto de Ciro. Em Ed 7:7 
Artaxerxes em seu sétimo ano de reinado, decretou auxílio a Esdras e Neemias dando-
lhes autoridade, mantimentos, ouro e prata para o Templo. 
É necessário observarmos um detalhe vital em todos estes decretos; eles dizem 
respeito à reconstrução do templo, e não da cidade de Jerusalém, condição esta que 
torna estes decretos incapazes de serem tomados como datas iniciais para se contar o 
período de 69 semanas, pois o v. 25 nos diz que oque marcaria o seu inicio seria uma 
ordem, um decreto para a reconstrução da cidade: “desde a saída da ordem para 
restaurar e para edificar Jerusalém”, e isto nos leva ao decreto de Artaxerxes em Ne 
2:1-8, onde finalmente encontramos a ordem para edificar Jerusalém 
No mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes,(...) O rei me disse: Por 
que está triste o teu rosto, se não estás doente? (...Como) não me estaria triste o 
rosto se a cidade, onde estão os sepulcros de meus pais, está assolada e tem as 
portas consumidas pelo fogo? (...) Disse-me o rei: Que me pedes agora? (...) 
peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu 
a reedifique. (...) Aprouve ao rei enviar-me. 
A data deste decreto torna-se o ponto inicial das 69 semanas. Todas as 
cronologias sérias apontam o ano de 445a.c. como sendo o vigésimo ano de reinado de 
Artaxerxes, o texto nos revela que este decreto se deu no mês denisã (também 
chamado Abib), mês da páscoa judaica (em nosso calendário está localizado entre o 
mês de março e abril). Como a 
69 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
profecia diz que a partir desta data seriam contadas as 69 semanas, devemos atentar 
para a data em que Jesus morreu para então confirmarmos se sua morte cumpriu a 
profecia. 
Jesus morreu durante a comemoração da páscoa que se iniciava com a lua nova, 
que no ano 32, de acordo com o calendário gregoriano, teveinício dia 11 de março as 
19:08h (calendário de eventos astronômicos na história), e este horário marca 1:08h do 
dia seguinte no calendário judaico; 12 de março em nosso calendário. 
A tradição demonstra que aquele que estivesse fora da cidade deveria ir 
comemorar a páscoa, chegando pelo menos seis dias antes, sendoassim Jesus chegou 
dia 6 de março do ano 32 em Jerusalém, provavelmente numa sexta feira. (Outras 
datas são utilizadas para a páscoa do ano 32 d.C. Porém, esta foi utilizada neste 
trabalho devido ser fruto de pesquisa do autor e não uma simples cópia de estudos já 
escritos. É imp ortante ressaltar que a diferença entre as datas propostas é mínima). 
Concluindo assim, podemos calcular da seguinte maneira: 69 semanas multiplicados 
por 7 anos de 360 dias (quantidade de dias dos anos bíblicos), chegamos a 173 880 
dias. Isto nos revela um intervalo de 476 anos e alguns dias, multiplicando esses anos 
por 365 dias de acordo com o calendário gregoriano, somando a isso 119 dias dos anos 
bissextos chegamos a 173 859, apenas faltando 21 dias para que a soma seja redonda. 
Se levarmos em conta que não sabemos o dia correto do mês em que foi feito o decreto 
em 445 Ac., e que pode haver falha de alguns dias nos cálculos, chegamos a um 
resultado muito satisfatório que prova que a morte de Jesus ocorreu após o fim das 69 
(7+62) semanas como predito por Daniel “Depois das sessenta e duas semanas, será 
morto o Ungido e já não estará”. Para se provar o contrário é necessário negar nãosó a 
narrativa Bíblica como também a história secular. 
9.3.3- “para a fazer cessar transgressão, para dar fim aos pecados, para 
expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para sela r a visão e a profecia e 
para ungir o Santo dos Santos”. 
Já foi dito que Deus designou seis acontecimentos, e estes deveriam ser 
concluídos durante as setenta semanas. Com a morte de Jesus, os três primeiros 
cessar transgressão, dar fim aos pecados e expiar a iniquidade, foram cumpri dos por 
Cristo através de sua morte vicária, um problema aparece quando percebemos que os 
Judeus, como nação, não se beneficiaram disto, necessitando então do período 
tribulacional para que Deus venha a tratar com Israel de maneira que se apropriem de 
um bem jáoferecido por Deus, ou seja o sacrifício necessário para perdão de seus 
pecados. Os três últimos tratam do reinado do messias, que 
70 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
obviamente será no milênio, e isto pode ser vistolaramentec quando lemos “para 
trazer a justiça eterna”, o reinado messiânico daria fim à v alidade das Escrituras, 
pois o próprio Deus habitará com os seus, e para concluir quando o lugar santíssimo 
no templo milenial for ungido, a glória de Deus habitará em meio a seu povo, tendo 
Jesus assentado em seu trono. 
9.3.4- “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não 
estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, (...) 
Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana”. 
Passadas as 69 semanas, resta-nos uma. Os versículos 26 e 27, falam desta 
última semana. O que estaremos focalizando agora será apenas concernente ao 
período destes sete anos e não o que, em detalhes acontecerá nele, isto veremos 
quando for oportuno. 
Uma questão bastante debatida é a que se refere ao suposto espaço que existe 
entre as 69 e a ultima semana, e é de suma importância analisarmos este ponto, pois 
só assim poderemos ir adiante no estudo da grande tribulação . Uma conclusão que 
se tem defendido, conforme já foi dito, é que todo o período das setenta semanas já 
foi concluído, no entanto percebemos que isto não é possível. 
Este espaço entre as 69 semanas e a ultima, torna o assunto discutível, pois os 
defensores de que todo o período das setenta semanas já foi cumprido não aceitam 
este intervalo nem como suposição. Veremos que este espaço não é algo novo, mas 
as Escrituras estão repletas de profecias que dentro de seu cumprimento existem 
intervalos, também, alguns pontos que exigem um intervalo entre os períodos. 
1. Intervalo em Is 61:2 “... a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da
vingança do nosso Deus...” . Entre o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança, 
temos um intervalo de quase dois mil anos, que é a dispensação da igreja. 
2. Os apóstolos demonstram que existe um intervalo entre a inclusão dos
gentios no plano da salvação e o cumprimento das profecias referentes a Israel. “ 
Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, 
levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei”. (At 15:13-21) 
3. Se não houvesse um intervalo entre a sexagésima nona e a septuagésima
semana, Jesus já deveria ter retornado já que todo o períodde setenta semanas foi 
concluído sete anos após sua morte. 
71 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
4. No próprio texto, se observarmos cuidadosamente perceberemos um intervalo
entre o v.26 e o 27, pois o primeiro diz: E, depois das sessenta e duas semanas, será 
tiradoo Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade 
e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão 
determinadas assolações. Vemos que o texto apresenta duas seqüências de fatos, 1) 
após a morte do messias “o povo do príncipe” destruirá Jerusalém e o templo e o fim 
deste serácomo uma inundação, 2) “e até ao fim” haveria guerras, e terrores estariam 
determinados.A primeira seqüência está ligada a morte do Messias, porém a segunda 
funciona como um parêntese, um intervalo entre a destruição de Jerusalém e do templo 
e a septuagésima semana, isto se pode ver por se tratar de um espaço de tempo que 
se iniciou após os primeiros fatos, resumindo, após a destruição determinada, seria 
iniciado um período de guerras e desolações sobre Israel, e este tempo perduraria até 
que fosse firmado um acordo de (falsa) paz entre Israel e as nações, que supostamente 
duraria uma semana, mas... “na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta 
de manjares; e sobre a asa das abominações v irá o assolador” 
Com certeza os motivos apresentados são suficientes para deixar claro que 
realmente existe este intervalo, e mais, ele é necessário parque a profecia tenha 
coerência com o plano de Deus estabelecido no v.24. 
9.3.5- “E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na 
metade da semana, fará cessar o sacrifício e a ofertade manjares; e sobre a asa 
das abominações virá o assolador”. 
Uma segunda questão a ser observada, é quanto ao início da septuagésima 
semana, e isto pode ser claramente visto no próprio texto, po is este fala de um “ 
príncipe que há de vir” e este quando firmar este acordo de paz com Israel estará 
inaugurada a grande tribulação. Temos, na verdade, um sinal gritante que marcará 
seu inicio, que é o arrebatamento da igreja. 
Fica concluído, então que a septuagésima semana de Daniel é futura, tendo 
como base este intervalo entre a sexagésima nona semana e a eptuagésima, e os 
fatos concernentes à profecia que aguardam seu cumprimento. Outro aspecto que fica 
claro é que a grande tribulação terá um período literal e definido, de sete anos. 
72 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
9.4 – O PROPÓSITO DA GRANDE TRIBULAÇÃO 
Já foi discutido anteriormente o caráter da grande tribulação e observamos que 
Deus estabeleceu um tempo de aflição nunca vista pela humanidade, porém isto tem 
propósitos específicos, e é o que veremos agora. 
9.4.1- Purificar os Judeus para receberem a Jesus como Messias. 
Deus havia prometido a Israel, através de alianças, que daria bênçãos eternas, o 
fato é que este tempo dependeria de um outro tempo. Ezequiel 20:33-38 encontramos o 
resumo do plano de Deus para Israel. 
Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, que, com mão forte, e com braço estendido, e 
com indignação derramada, hei de reinar sobre vós; e vos tirarei dentre os povos 
e vos congregarei das terras nas quais andais espalhados, com mão forte, e com 
braço estendido, e com indignação derramada. E vos levarei ao deserto dos 
povos e ali entrarei em juízo convosco face a face. Como entrei em juízo com 
vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o 
Senhor JEOVÁ. E vos farei passar debaixo da vara e vos farei entrar no vínculo 
do concerto; e separarei dentre vós os rebeldes e os que prevaricaram contra 
mim; da terra das suas peregrinações os tirarei, mas à terra de Israel não 
voltarão; e sabereis que eu sou o SENHOR. 
Após séculos de exílio profetizados antecipadamente neste texto, Israel retornou 
a sua terra e aguarda agora, justamente este tempo, o tempo em que Deus diz: 
“entrarei em juízo convosco face a face” , e mais, “ farei entrar no vínculo do concerto; 
e separarei dentre vós os rebeldes e os que prevaricaram contra mim;” . Aqui vemos a 
natureza do “dia do Senhor” discutido anteriormente. Neste tempo haverá a 
preparação necessária para que a nação de Israel se converta ao Senhor. 
9.4.2- Julgar a nações gentílicas 
Toda infidelidade e descrença serão julgadas na grande tribulação, os judeus 
receberão o tratamento devido, como também os infiéis e suas nações. Jesus relata 
em Ap 3:10 um tempo 
73 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
de “ provação que há de vir sobre os moradores da terra”, entendemos aqui que um 
juízo sobre a humanidade está previsto, Paulo aos tessalonicenses diz que “por isso, 
Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira, para que sejam 
julgados todos os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniqüidade.” (2Ts 
2:11-12). Durante o governo do anticristo as nações o apoiarão e serão influenciadas 
por ele. Os gentios afrontaram a Deus “ pisarão a Cidade Santa por quarenta e dois 
meses”. (Ap 11:2); ao serem mortas a duas testemunhas enviadas por Deus “ povos, e 
tribos, e línguas, e nações verão seu corpo morto (...) não permitirão que o seu corpo 
morto seja posto em sepulcros”. (Ap 11:9); as nações se deliciaram com o pecado, “ as 
nações beberam do vinho da ira da sua prostituição” , como também seus governantes, 
“Os reis da terra se prostituíram” (Ap 18:3); rebelaram-se contra Deus praticando tudo o 
que ele abomina “porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.” (Ap 
18:23); sendo merecedores da fúria do rei dos reis, “ da sua boca saía uma aguda 
espada, para ferir com ela as nações” (Ap 19:15). 
9.5- A ESTRUTURA DA GRANDE TRIBULAÇÃO 
Já sabemos que a grande tribulação é a septuagésimasemana de Daniel, e que 
este período é de sete anos. O que veremos agora é quanto à sua estrutura, ou seja, 
como será seu desenrolar quanto ao tempo. Observe o gráfico abaixo, e em seguida 
serão dadas as devidas explicações. 
74 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Com o estabelecimento do acordo de paz entre o anticristo e Israel, inicia-se a 
grande tribulação. A igreja já foi arrebatada, restando na terra os gentios e os Judeus. 
No meio da semana, segundo Daniel, o anticristo “fará cessar o sacrifício e a oferta de 
manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação”, 
este fato fará com que, a partir da metade da semana, ou seja, após os primeiros três 
anos e meio, se dê inicio ao período descrito em Daniel 7:25 “ E proferirá palavras 
contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos 
ea lei; e eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, e tempos, e metade de um 
tempo”. Este mesmo período é mencionado em Ap 11:2 e 13:5 como 42 meses; 
também aparece como 1260 dias em Ap 11:3 e 12:6, todos tratam do mesmo espaço 
de tempo como também do mesmo período. Em Daniel observamos que ele apresenta 
os três anos e meio finais da grande tribulação como: um tempo (um ano), e tempos 
(dois anos), e metade de um tempo (meio ano).1260 dias, correspondem a 42 meses 
de 30 dias cada. 
Após os sete anos de grande tribulação, Jesus retornará novamente para julgar 
os inimigos de Israel, inclusive satanás, o anticristoe o falso profeta. 
Concluímos então, que o período tribulacional durará sete anos, porém tendo duas 
fases, a primeira está em torno de uma falsa paz determinada através de um acordo 
entre o anticristo e Israel; com o rompimento deste, desencadeia-se um ataque violento 
contra Israel e todos moradores da terra, que termina com a volta gloriosa de Jesus 
Cristo. O fato de o período tribulacional ter duas fazes, não dá margem para que se 
ensine que somente os últimos três anos meio sejam a grande tribulação, se assim 
fosse , não existiria a septuagésima semana, mas sim, meia semana de Daniel. 
75 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
CAPÍTULO 10 
A BESTA 
O anticristo, depois de Jesus, é a figura mais marcante do período tribulacional. 
O seu título denuncia seu caráter e suas intenções. 
Anticristo vem do grego antichristos, e seu sentido é óbvio, adversário de Cristo 
ou contra Cristo. Alguns escritores apresentam este título como sendo de alguém que 
quer se passar pelo Cristo e não necessariamente contra ele, talvez esteja em mente o 
uso paralelo de “antipapa”, que se refere a alguém que se intitula papa mesmo não 
sendo reconhecido pela igreja romana e na história são vários os exemplos a esse 
respeito. A questão é que neste caso isto não pode ser admitido, pois todos os textos 
qu e o apresentam falando de sua postura, atitudes e intenções, sempre estão voltadas 
à destruição de Cristo e seus propósitos, se assim fosse Jesus ou outro escritor 
neotestamentário o intitularia de pseudocristo, como em Mateus 24:24. 
O termo anticristo é emprestado de 1ª João 2:18, 22; 4:3 e 2ª João 7 à primeira 
besta de Apocalipse 13, porque este termo define muito bem seu caráter e propósito, e 
esta é a única relação que existe entre os dois. No livro de Apocalipse a besta nunca é 
chamada de anticristo, porém nada impede que a chamemos desta maneira, já que de 
uma maneira ou outra ele é um anticristo. 
10.1- SEU REINO E SUA CHEGADA AO PODER 
“E eu pus-me sobre a areia do mar e vi subir do mar uma besta que tinha sete 
cabeças e dez chifres, e, sobre os chifres, dez diademas, e, sobre as cabeças, um 
nome de blasfêmia”.(Ap 13:1). 
A Bíblia traz com abundancia textos que se referem à pessoa do anticristo.Ap 
13:1 relata seu surgimento, e o fato de ser do mar pode ser forte indicação que será 
um gentio (Ap 17:15). Um governo mundial será criado, e é através deste sistema 
político que ele vai governar o mundo. Veremos em alguns pontos como será esta 
escalada do anticristo ao poder. 
76 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
10.1.1 - A estátua de Nabucodonosor 
Em Daniel capítulo 2, vemos a interpretação dada por Deus a Daniel, do sonho 
que o rei havia tido, neste era apresentada uma estátua, “A cabeça era de fino ouro, o 
peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris, de bronze; as pernas, de ferro, os 
pés, em parte, de ferro, em parte, de barro”. (Dn 2:32-33). Cada uma destas partes 
representa um império, como segue: 
• Cabeça de ouro: império Babilônico
• Peito e braços de prata: império Medo-Persa
• Ventre e quadris de bronze: império grego
• Pernas de ferro, e pés parte ferro, parte barro: império Romano.
Cada império representado teve seu fim, sendo seguido pela ordem apresentada 
na estátua. 
Daniel nos versos 41-44, faz uma observação referen te ao ultimo império, o 
Romano, segundo Daniel, o fato de serem duas pernas com dois pés indicam que seria 
um reino divido, o que realmente aconteceu em 395 d.C. Ainda é mencionada a 
questão mais importante a respeito deste último, o fato de ter pés que eram parte ferro 
e parte barro, e é o próprio profeta que nos dá a explicação referente a esta mistura “ 
Como os artelhos dos pés eram, em parte, de ferro e, em parte, de barro, assim, por 
uma parte, o reino será forte e, por outra, será frágil”. 
Procuremos agora entender que relação tem este texto com o anticristo. A 
interpretação dada por Deus a Daniel revela que o império Romano seria dividido, e 
que este mesmo império surgiria numa forma diferente, representada pelos dez dedos, 
estes representam dez reis que formariam uma confederação. Daniel fala desta junção 
dizendo que “misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, 
assim como o ferro não se mistura com o barro.” Isto representa um governo unido por 
um acordo, permanecendo porém a individualidade de cada um, e isto só é possível 
com um líder para fazer com que a confederação não se dissolva por falta de um 
mediador. Um fato muito importante acerca destes dez reis e deste líder nos o 
encontramos em Ap 17:12-13 “Os dez chifres que viste são dez reis (...) Têm estes um 
só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem”, Aqui vemos 
que estes dez reis entregarão a liderança desta confederação a um homem, a besta. 
Esta é a forma de governo que será estabelecido no fim dos tempos, um império saído 
do antigo, não um outro, mas o mesmo sob um novo aspecto. 
O fim deste império também é declarado por Deus, “Mas, nos dias destes reis, o 
Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; (...) como viste que do 
monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, 
o barro, a prata e o ouro.” (vs. 44-45).Quando esta confederação estiver em pleno
poder, o próprio Deus vai intervir. A pedra cortada e lançada contra as forças hostis é 
o próprio Jesus Cristo que vem destruí-los e inaugurar o “reino que jamais será
destruído”. O milênio. 
77 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
10.1.2 - A visão dos quatro animais. 
Esta surpreendente visão no capítulo 7, revela o mesmo simbolismo já 
representado na estátua, porém é ainda mais clara quanto aos acontecimentos 
relacionados a esta ultima forma do império Romano. 
Daniel vê quatro animais (v. 3), e assim como cada parte da estátua simbolizava 
um império, também cada animal representa os mesmos impérios, vejamos a 
apresentação feita por Daniel: 
• “O primeiro era como leão e tinha asas de águia; en quanto eu olhava,
foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois
pés, como homem; e lhe foi dada mente de homem.” : Império
Babilônico
• “o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre
um dos seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas” :
Império Medo-Persa
• “e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinh a nas costas
quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças” :
Império Grego
• “o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo f orte, o qual tinha
grandes dentes de ferro; (...) e tinha dez chifres.” : Império romano
Os atributos de cada animal têm total relação com as características de cada 
império, porém o que nos interessa neste estudo é o quarto nimal, símbolo do império 
Romano. Daniel se interessa em particular por este último (v.19), e vê algumas 
características neste animal que distingue ele dos outros e o torna terrível, era um 
animal: 1)muito forte; 2) tinha grandes dentes de ferro; 3) unhas de metal; 4) devorava 
e destruía tudo que estava em seu caminho; 5) tinha dez chifres; 6) do meio destes 
dez chifres surge um menor com olhos e, 7) este surgimento causa a queda de outros 
três. 
Aqui temos uma simbologia diferente para o mesmo assunto retratado na estátua 
do capítulo 2. Este quarto animal, com seus atributos, ele representa o império 
Romano (v. 23), e segundo a revelação dada ao profeta, estes dez chif res 
representam os mesmos reis simbolizados pelos dez dedos da estátua (v. 24), 
adiferença é que nesta visão, lhe é mostrado o surgimento de um “chifre menor”, este 
representan do o líder da confederação de dez reinos, que em sua ascensão derrubará 
três reis (v. 20). 
O caráter maligno do anticristo é mencionado no texto “ tinha olhos e uma boca 
que falava com insolência (...) e eis que este chifre fazia guerra contra os santos” (v. 
20-21), como também suas atitudes profanas, “Proferirá palavras contra o Altíssimo” 
(v. 25). Todo o período de ataque do anticristo durará três anos meio (um tempo, dois 
tempos e metade de um tempo), que serão a segunda parte da grande tribulação. 
Após o tempo ser cumprido, virá o “Ancião de dias”, que é a mesma pedra que destrói 
a estátua; Jesus Cristo. Destruirá este império e instituirá seu reino (v. 22). 
78 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
10.1.3. - A besta que emergiu do mar 
Outro texto magnífico das Escrituras que vem confirmar as revelações dadas a 
Daniel sobre a besta e seu governo se encontra em Ap 13:1-10. Faremos um breve 
estudo do texto para entender esta revelação que vem num processo de 
desenvolvimento dentro das Escrituras, ou seja, na estátua foram dadas algumas 
informações, a visão dos quatro animais soma alguns dados não encontrados na 
estátua, como também este texto de Apocalipse que, mesmo tendo menos versículos, 
contém mais informações sobre a besta que todos os outros, ainda assim precisaremos 
recorrer a Ap. 17 onde são revelados os símbolos mencionados no cap. 13. Vejamos 
as informações que contém neste texto. 
“Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os 
chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia”. (Ap. 13:1) 
a) Vi emergir do mar uma besta.
Muitos estudiosos do assunto afirmam, por esta informação, que o anticristo será 
um gentio, já que o mar freqüentemente simboliza as nações (Ap 17:15) 
b) tinha dez chifres (...) e, sobre os chifres, dez diademas
Ap 17:12-13 esclarece: “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não 
receberam reino” . Assim como os dedos da estátua e como os chifres do animal 
terrível. Estes reis receberão sua autoridade no tempo designado por Deus para que 
todo seu plano seja estabelecido. O fato de terem diademas sobre os chifres 
demonstra essa futura autoridade, pois diadema significa, de um modo geral, 
ornamento real para a cabeça, coroa. 
Uma característica importante aqui revelada, se refere a duração deste governo: 
“recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora” ; este período de 
domínio será muitocurto. O v. 13 nos informa que devido serem uma confederação 
“ Têm estes um só pensamento”, e isto faz com que elejam um líder “e oferecem à 
besta o poder e a autoridade que possuem”... Esta escolha obviamente está ligada 
à permissão de Deus já que seu propósito é completar seu plano com Israel e os 
gentios. 
c) e sete cabeças (...) e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia.
O fato de o anticristo ter sete cabeças é porque ele está relacionado a sete 
governos “As sete cabeças são sete montes, (...). E são também sete reis: cinco já 
caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dureum 
pouco de tempo”. (Ap 17:9-10). Os sete montes se referem a Roma; chamada “a cidade 
da s sete colinas” . Os sete reis e seus respectivos reinos são representados pelas sete 
cabeças, são objetos de controvérsia entre os especialistas em escatologia; alguns 
entendem como sendo fazes do império Romano, no 
79 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
entanto a visão dispensacionalista crê que os cinco reis que “já caíram” representam os 
impérios que dominaram o mundo, que são: 1) Egípcio, 2) Assírio, 3) Babilônico, 4) 
Medo-Persa e o 5) Grego. O que “existe” no tempo de João é o Romano, e o que é 
futuro é justamente sob o qual o anticristo reinará. Uma observação interessante é 
quanto à descrição feita por João, onde são demonstradas características de suas 
atitudes enquanto governo “A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como 
de urso e boca como de leão” (comparar com Dn. 7:3-6) com isso o anticristo parece 
representar uma junção dos impérios já existentes que, com seu poder, assolaram o 
mundo. 
d) “E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e g rande autoridade”.
O dragão é Satanás (Ap 12:9) e este dará poder e autoridade á besta. Paulo diz 
que seu aparecimento é segundo a “energeia”, ou seja, seu trabalhar, sua força 
sobrenatural, isto demonstra que o anticristo tem sua origem em satanás, sua 
habilidade política vem das trevas (Dn 8:25), sua prosperidade é de procedência 
malign (Dn 11:36), e toda esta relação com satanás o constituirá inimigo de Deus, 
“abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o 
tabernáculo, a saber, osque habitam no céu” (Ap 13:6). Mais uma vez é indicado o 
período em que a besta governará, que é de quarenta e dois meses (Ap 13:5), ou 1260 
dias (Ap 12:6). Dominará o mundo e perseguirá todo aquele que se recusar a adorá-lo 
uma vez que são servos de Deus (Ap 13:7-8), perseguirá Israel e este será preservado 
pelo próprio Deus (Ap 12:6). 
Nunca o mundo teve um governo desta maneira como também um líder desta 
conjuntura, por mais que se tente associar estas profecias a qualquer fase da história 
será um esforço sem êxito, agora, quando olhamos para o quadro Europeu atual 
vemos todo o sistema governamental sendo preparado para o surgimento de um líder. 
Esta União Européia é: 
Organização supranacional européia dedicada a incrementar a integração 
econômica e a reforçar a cooperação entre seus estados-membros. A União 
Européia (UE) nasceu no dia 1º de novembro de 1993, quando os doze membros 
da Comunidade Européia (CE) 
— Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grã-Bretanh a, Grécia, Irlanda, Itália, 
Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha — ratificaram o tratado da União 
Européia (Enciclopédia Microsoft® Encarta®). 
Algo relevante é o fato destes paises fazerem parte do mesmo território que o 
antigo império Romano, e isto demonstra que a possibilidade da união Européia ser a 
confederação que dará ao anticristo o poder de governar é muito grande, quase 
impossível de ser de outra maneira. Características como uma só língua, uma só 
moeda, livre comércio, conselho unificado etc... são idênticos ao sistema Romano 
antigo. 
80 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
10.2 - O DETENTOR 
E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em 
ocasião própria. Com efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda somente 
que seja afastado aquele que agora o detém; (2 Ts 2:6-7) 
Eis aqui uma questão muito importante, que é referente à identidade deste “que 
detém” a manifestação do anticristo, é certo que existem alguns problemas a respeito 
desta identidade, mas buscaremos solucioná-los. 
Uma das teorias bastante aceita é a de que o império Romano era o que impedia 
o surgimento do anticristo, para F.F. Bruce, não pode ria ser de outra maneira quando
escreve: 
O apóstolo é intencionalmente vago quando escreve sobre o assunto, (...) 
Isto apóia a interpretação de o Império Romano ser o agente retentor, (...) Paulo 
tinha razão em mostrar-se constantemente grato pela proteção das autoridades 
imperiais, que reprimiam as forças mais hostis ao evangelho. Quando essa 
proteção fosse retirada, as forças do anticristo poderiam exercer, livremente, a 
sua própria vontade. 
Para isto se baseia na questão de Paulo se preocupar em ser discreto, não 
mencionado a identidade do detentor, o que parece ser uma grande contradição, pois, 
já que ele se sentia grato ao império, porque não mencioná-los como sendo seus 
“amigos”, tornando o relacionamento entre igreja e Roma mais próximo ainda? A 
questão é que este relacionamento nunca existiu. 
Outra teoria aponta a igreja como sendo “aquele que detém”, o que também não 
pode ser possível devido à natureza da igreja, pois esta é apenas habitação do 
Espírito de Deus , embora seja o meio que Deus usa para deter as forças espirituais 
malignas, não pode ser a detentora já que é passível de acusação. 
Neste caso é necessário um detentor que seja um ser espiritual, tenha poder 
infinito, seja inculpável e possua autoridade suprema, e tudo isto só encontramos na 
trindade, e devido ser algo que impede a manifestação terrena do anticristo concluímos 
que o Espírito Santo é o único que pode atender a estes requisitos, já que Ele foi 
enviado para habitar no crente em Jesus, sendo a força vital da igreja, ou seja, é o 
próprio Deus na terra, morando conosco e em nós e impedindo que o anticristo 
venha a se manifestar antes da hora definida por Deus. E isto só não parece razoável 
como é a única possibilidade que consegue explicar de maneira coerente à questão 
“deste que detém”. 
Sendo o Espírito Santo o detentor fica ainda mais confirmado o arrebatamento 
antes da grande tribulação, é onde está a explicação de tudo, pois sendo a igreja seu 
templo será retirada juntamente com “aquele que detém”, deixando o caminho livre para 
que se manifeste o “iníquo”, e não permitindo que a igreja redimida sofra com o terror 
de sua ira. 
81 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
10.3 - O FIM DO ACORDO DE PAZ 
Nos primeiros três anos meio de governo do anticristo, sabemos que haverá um 
acordo que introduzirá no mundo uma paz aparente, porém Daniel diz que “na metade 
da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das 
abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame 
sobre ele” (Dn 9:27). O versículo nos diz que devido este rompimento, a besta cessará 
todos os sacrifícios judaicos que haviam retornado com o acordo de paz, agora tendo 
sido desfeito, ele se revela como o terrível assolador, que com toda a fúria busca 
destruir Israel. 
Em Apocalipse 12 temos um retrato da fúria de satanás contra Israel na segunda 
metade da grande tribulação, por isso se faz necessário observarmos alguns pontos do 
texto. 
O texto fala de uma mulher (v. 1) e esta não pode ser outra coisa a não ser um 
símbolo que representa Israel, alguns interpretam como sendo Maria mãe de Jesus, 
outros como sendo a igreja, porém nenhuma das duas merece atenção, pois estão 
totalmente fora de cogitação, e para que houvesse algum paralelo, teríamos que 
espiritualizar o texto demasiadamente. A interpretação de que a mulher é símbolo de 
Israeltorna-se clara, pois vemos que: 1) ela está vestida sol, símbolo sempre ligado a 
Israel (Ml 4:2); 2) tem uma coroa de doze estrelas na cabeça, numero que além de 
simbolizar as doze tribos, simboliza governo. Estas estrelas não poderiam ser ligadas 
aos apóstolos, pois estes foram mais que doze. 3) A mulher grávida (v. 2) não poderia 
ser a igreja, já que não foi a igreja quem concebeu a Jesus, mas Jesus concebeu a 
igreja, também não pode ser Maria, porque os fatos descritos no v. 6 e 14 nunca 
aconteceram a ela. 4) o v. 17 indica fortemente se tratar de Israel, pois vendo que não 
conseguiu destruir a Jesus se voltou contra a nação. Tanto Maria quanto à igreja não se 
enquadram neste versículo, a não ser que o texto fo sse violentamente alegorizado. Por 
tudo isto fica claro que neste caso João está falando de Israel e a luta de satanás para 
destruir aquele que nasceria para governar o mundo (v. 5). 
Do v. 7 ao 9 vemos o motivo da fúria de satanás. Alguns interpretam estes 
versículos com sendo uma tentativa de Satanás em subir ao céupara contender com 
Deus, os midi tribulacionistas acham que se trata de uma luta para impedir o 
arrebatamento da igreja, há quem diga que se trata de uma tentativa em subir ao céu 
para impedir o nascimento de Jesus. Ao que parece nenhuma das opiniões serve para 
explicar o texto. Existe ainda uma interpretação que coloca o texto como sendo a queda 
de Lúcifer o motivo do ódio pela nação que Deus escolheu para revelar o messias ao 
mundo; torna-los sacerdotes messiânicos e fundar seu reino teocrático; fúria esta que 
acontec de maneira terrível a partir da segunda metade do período tribulacional (esta 
parece ser a menos improvável). Todo o capítulo 12 tem a intenção de mostrar a 
crescente perseguição de sa tanás a Israel tendo o seu momento máximo na segunda 
metade da grande tribulação (v. 10-18). E para isto faz surgir um instrumento, um 
messias (Ap 13:1-10) pelo qual derramará sua ira após o rompimento do acordo 
instituído com Israel. 
82 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
10.4 - A BESTA QUE SURGIU DA TERRA 
“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chif res semelhantes aos de um 
cordeiro; e falava como o dragão” (Ap 13:11) 
A primeira besta tem um aliado, este é conhecido como o falso profeta, (Ap 
19:20 e 20:10) este caráter religioso pode ser visto pelosseus “ dois chifres 
semelhantes aos de um cordeiro” , cordeiro sempre está ligado a algo religioso, neste 
caso, poder religioso. Outro ponto interessante é que ele surge da terra, e assim 
como o mar simboliza as nações, a “terra” simboliza Israel, portanto o falso profeta 
será umjudeu. 
A segunda besta tornará obrigatório o culto ao anticristo “e faz que a terra e os 
que nela habitam adorem a primeira besta” (v. 12), e fará uma imagem de escultura 
deste, par que todos adorem (v. 14), com seu poder satânico dará vida à estátua e 
todo aquele que não prestar culto á besta será morto (v. 15). Será instituídom usinal, “ 
E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja 
posto um sinal na mão direita ou na testa”, (v. 16), sem este sinal ninguém poderá 
comprar, vender etc... (v. 17), o número é 666. Este número parece personificar o 
anticristo, ou seja, satanás em sua tentativa de ser deus enviará seu messias, e 
assim como o número 7 indica perfeição o 6 indica imperfeição, digamos que se Deus 
tivesse um numero seria 777, qualquer tentativa de sê-lo seria imperfeita, 666. 
Se pensássemos nesta marca a pouco mais de cinqüenta anos, não admitiríamos 
outra possibilidade a não ser que ela seria feita com um ferro em brasa, e assim como 
um animal é marcado seriamos também. Logo depois veio a possibilidade de se tratar 
do código de barras, mas esta já foi substituída pelo biochip, que pode ser até menor 
que um grão de arroz e conter todas as informações que forem necessárias. De 
qualquer forma, o falso profeta instituirá este sistema como sendo obrigatório a todos 
não por força, mas por persuasão. Seu fim será o mesmo que o do anticristo (Ap 
19:20). 
83 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
CAPÍTULO 11 
A I N V A S Ã O N A P A L E S T I N A 
Já sabemos que a grande tribulação será um períodode juízo contra Israel, e que 
o propósito de Deus para esta nação é que se convertam ao Senhor e o sirvam com
sinceridade. Para isto meios serão utilizados, e um deles é uma invasão de 
confederações a Terra Santa. 
O que iremos estudar neste capítulo está relacionado à confederação que invadirá 
Israel durante o período tribulacional, é bom deixar claro que estes conflitos não são 
especificamente a guerra do Armagedom, esta acontecerá no fim da grande tribulação, 
marcando o momento da vinda gloriosa de Jesus para inaugurar seu reino messiânico. 
11.1- OS INIMIGOS DO NORTE 
Para sabermos quem são estes inimigos buscaremos no livro do profeta Ezequiel, 
que nos capítulos 38 e 39, falam a respeito de uma confederação de vários reinos que 
se juntarão sob uma liderança para invadir o território de Israel, afim de destruí-lo. 
No cap 38:1-6, são mencionadas as nações que se juntarão para formarem esta 
confederação. Todas estas estarão sob o comando de um líder, chamado Gogue. 
Vejamos o texto. 
Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, volve o rosto 
contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal; 
profetiza contra ele e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu sou contra ti, ó 
Gogue, príncipe de Rôs , de Meseque e Tubal. Far-te-ei que te volvas, porei 
anzóis no teu queixo e te levarei a ti e todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, 
todos vestidos de armamento completo, grande multidão, com pavês e escudo, 
empunhando todos a espada; persas e etíopes e Pute com eles, todos com 
escudo e capacete; Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do lado 
do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo. (Em itálico estão os 
nomes das nações que se unirão.) 
Para conhecermos os detalhes sobre a invasão, precisaremos, anteriormente, 
identificar que são atualmente estes paises, a começar pelo líder desta confederação. 
84 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
11.1.1- Gogue príncipe de Magogue 
Gogue será o líder das forças do norte, este não se trata de Gogue filho de 
Semaías, mas um nome simbólico. O que realmente nos importa é quanto a sua terra, 
e esta é chamada Magogue, formada por Rôs, Meseque e Tubal. 
Magogue é o segundo filho de Jafé, neto de Noé (Gn10:2), com a distribuição 
das terras, cada um dos filhos de Noé juntamente com suas famílias, povoaram cada 
região da terra. Magogue, foi para a região da Caucásia, estaque é uma: 
Região que se localiza no extremo sudeste da Europa , entre o mar Negro e 
o mar Cáspio, divide-se em duas regiões pela cordilheira do Cáucaso. A zona
norte, situada no interior da Federação Russa e conhecida como Cáucaso,(...) A 
parte mais meridional e extensa, Transcaucásia,(...). Essa região compreende a 
Geórgia, Armênia e o Azerbaijão. 
A Caucásia é conhecida como o “berço da raça branca”, portanto, Magogue é a 
raiz dos Caucasóides, que é uma classificação, em termos de raças humanas, aos 
povos de pele, olhos e cabelos claros. 
Desde a antiguidade estes povos eram chamados de citas. Flávio Josefo, 
historiador do século I, identifica os descendentes de Jafé como sendo a origem dos 
Citas, Gregos e Romanos (é claro que estes povos se dividiram e hoje compreendem 
até certo ponto, os latinos). Josefo indica Magogue como o pai da raça Cita “Magogue 
fundou a (colônia) dos Magogianos a que eles (os gregos) chamam de citas” (Primeiro 
livro Cap 6:18). A Enciclopédia Encarta define assim os Citas: 
Cita, nome dado pelos escritores gregos clássicos aum grupo de tribos 
nômades que ocuparam a Europa central e a Ásia durante o sé culo VIII a.C. Esta 
denominação abrangeos habitantes da zona de Cítia, ao norte do mar Negro, 
entre os Cárpatos e o rio Don, no que são atualmente a Moldávia, a Ucrânia, o 
leste da Rússia, e todas as tribos nômades que habitaram as estepes entre a 
Hungria e as montanhas do Turquestão. 
Gogue é o príncipe desta região, que é formada a, principio, por três territórios, 
Rôs, Meseque e Tubal. 
85 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Ao iniciarmos o reconhecimento de cada um deles nos deparamos com um 
problema que é o fato de muitas versões omitirem o território de “Rôs”, traduzindo este 
termo por “chefe”, portanto se faz necessário averiguarmos essa tradução antes de 
continuarmos. 
Rôs vem da palavra hebraica ro’sh (var), e significa: cabeça, topo, cume, parte 
superior, chefe, total, soma, altura, fronte, começo (Strong). De um modo geral é 
traduzido por cabeça em seu sentido literal (Gn 3:15; 40:16), outra vezes é traduzido 
por cume ou topo de um monte, torre ou escada (Nm 14:40; Gn 11:4; gn 28:12), 
também é traduzida por capitão no sentido de chefe (Nm 14:4; Ex 6:14). Seu sentido é 
abrangente. No texto de Ezequiel 38:2, várias traduções empregam a Ro’sh, o sentido 
de chefe “Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal,” (RC), a 
tradução na linguagem de Hoje diz “Gogue, o principal governador das nações de 
Meseque e Tubal, na terra de Magogue.” . 
Estas traduções estariam corretas se, neste caso, “ro’sh” fosse um substantivo, 
assim como é apresentado em outras referências, no entanto o contexto do versículo 
como também a oração em hebraico não permitem que seja dessa forma, obrigando 
“ro’sh” a ser um nome próprio. Isso pode ser visto através de seu precedente, nasiy’ 
que significa: pessoa elevada, chefe, príncipe, capitão, líder; ou seja, Ro’sh quando 
usado no sentido de chefe, príncipe ou capitão, torna-se sinônimo de nasiy’, o que torna 
ro’sh, enquanto substantivo, totalmente desnecessário, até porque príncipe no hebraico 
temsentido completo e suficiente para qualificar Gogue como príncipe, chefe, líder etc. 
O fato de ro’sh ser seguido Meseque e Tubal, torna mais convincente sua tradução 
como nome próprio que como algumas Bíblias apresentam. A Septuaginta (versão 
grega do Velho Te stamento Séc.III a.C.) traduz ro’sh como nome próprio, pois a 
oração em grego não permite ser de outra maneira, já que príncipe no grego archon, 
tem o mesmo significado que no hebraico. 
Algo que marca ro’sh como sendo a “cidade cabeça ou chefe”, pode ser o fato 
dela ser um tipo de capital ou metrópole da terra de Magogue . De qualquer maneira 
este nome pode ser inicialmente um adjetivo que veio a ser definitivamente um nome 
próprio da “cidade”. 
Resolvido este problema, nos resta saber quem são, atualmente estas cidades. O 
que sabemos a respeito da terra de Magogue é que fica na região da Rússia e 
adjacências. Desde o século XVI , os intérpretes da palavra de Deus ligam Rôs à 
Rússia, e esta interpretação tem permanecido firme e sustentável até hoje. 
Meseque é a segunda “cidade” que faz parte do território magogiano. Este nome 
veio de Meshek (Kvm), (transliterado para o português comoMeseque) sexto filho de 
Jafé. 
86 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
A descendência de Jafé, como já visto, foi a que deu origem aos citas, como 
também outros povos daquela região, dessa forma, Meseque é considerado como o 
que deu origem aos russos. 
A descendência de Meseque se dirigiu à região que fica entre o mar Negro e o 
Cáspio, e ali foram chamados de “Moschi”. Mais tarde, durante o período de domínio 
Babilônico e Persa na Ásia ocidental, boa parte deles cruzaram o Cáucaso, 
espalhando-se pela região mais ao Norte, onde foram conhecidos como “Muscovs”, 
uma forma primitiva de Moscou, atual capital Russa. Em inscrições assírias são 
mencionad os como “Muski”. 
Tubal, irmão de Meseque, quinto filho de Jafé. Tubal sempre é visto, nas 
Escrituras, juntamente com Meseque (Gn 10:2; 1 Cr 1:5;), ambos eram mercadores de 
escravos; sua fama era de serem um povo cruel que traziam destruição onde 
passavam (Ez 27:13; 32:26), o que vem confirmar o motivo da ira de Deus contra eles. 
Tubal é mencionado em documentos assírios como sendo os “Tibareni”, o 
historiador grego, Heródoto (484?-425 a.C.), também dá o mesmo nome aos 
descendentes de Tubal. Este povo vivia também na região do Cáucaso, e hoje seu 
nome é Tobolsk, cidade Siberiana, que é a parte oriental da região asiática Russa. 
Concluímos que a terra de Magogue trata-se do território, hoje conhecido como 
Federação Russa. Meseque é Moscou e Tubal é Tobolsk. 
11.1.2- Os aliados de Gogue 
Por mais breve que pretendamos ser neste estudo, é necessário um esforço em 
identificar quem são estes aliados que juntamente com a Rússia invadirão Israel na 
grande tribulação, portanto conheceremos quem são para podermos iniciar nossa 
pesquisa. 
Ez 38:5-6 relaciona os aliados dessa forma: Persas, etíopes, Pute, Gômer e a 
casa de Togarma. 
A região Pérsia foi resumida ao território do atual Irã, e isto pode ser observado 
facilmente em qualquer livro de história. 
Os etíopes são os descendentes de Cuxe, primeiro filho de Cam e neto de Noé. 
Alguns historiadores não vêem os etíopes mencionados por Ezequiel como sendo os 
mesmos da atual 
87 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
África, isto não se deve ao fato de ser uma região impossibilitada de ter um exército 
com condições de guerra de grande proporção, mas sim a uma questão de evidência 
histórica. Foram descobertas inscrições assírias que apresentam um povo com 
características semelhantes aos descendentes de Cuxe que habitaram mais ao norte 
da Arábia (a Etiópia da África fica ao sul da Arábia), chamados Cassitas, estes 
parecem representar melhor, devido a posição geográfica, os etíopes mencionados 
por Ezequiel. 
O terceiro aliado é apresentado como Pute, esta nação leva o nome do terceiro 
filho de Cam , também de fácil identificação, é a atual Líbia. Josefo no século primeiro 
escreveu “Pute (...) povoou a Líbia e chamou a estes povos Puteenses” . Alguns 
historiadores colocam Pute como sendo outro povo que habitava nas cercanias da 
Pérsia (atual Irã). 
Gômer, quarto do grupo, primeiro filho de Jafé, irmão de Magogue, Tubal e 
Meseque. É indicado categoricamente como o que originou os C imerios e os Celtas. 
Ambos eram povos arianos que viviam em sistema nômade; no século VIIa.C. foram 
para a região da Ásia Menor, de onde foram expulsos. A maior parte rumou para o 
norte, mais precisamente para a região da atual Alemanha, o que confirma a indicaçã 
o encontrada no Tamulde judeu, onde os descendentes de Gomer são chamados de
“Germanis”. A lguns historiadores reconhecem Gomer como sendo a Capadócia, 
atual Turquia; isto parece difícil devido não haver ligação étnica entre os povos Celtas 
e os atuais turcos. 
O quinto poder confederado é chamado de “casa de Togarma”. Togarma era o 
filho mais velho de Gômer; é reconhecido, por um consenso majoritário que se trata da 
atual Armênia. 
A bíblia ainda nos revela que estes terão consigo “muitos povos”; não podemos 
identifica-los, mas sabemos que muitas nações têm interesse na região da Palestina e 
por isso se unirão na intenção de conquista-la. Um ponto relevante está em que todos 
este paises já combateram de forma direta ou indireta contra Israel. 
11.2- O MOMENTO DA INVASÃO 
Quanto à época da invasão da confederação do Norte à Palestina, temos 
algumas divergências; existem os que pensam que será nesta dispensação, os que 
acham que será após o milênio, no final da grande tribulação, no começo da grande 
tribulação, enfim, os 
88 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
pensamentos são variados, no entanto a Bíblia não nos permite “filosofar” mas sim 
observar seus textos e extrair deles o que realmente pode nos direcionara um 
caminho correto. 
Sem perder tempo contestando cada pensamento, iremos direto à interpretação 
adotada neste trabalho, a qual entende que esta invasão será em meio a grande 
tribulação. Alguns pontos que confirmam esta invasão na grande tribulação, e mais 
precisamente na metade do período. 
• Alguns posicionam esta invasão durante o milênio baseado em Ez
38: 8;11-12; entretanto esta paz descrita refere-se ao período inicial
da grande tribulação onde Israel estará sendo “protegido” pela besta
devido o acordo firmado no inicio da semana profética.
• Aqueles que a posicionam no fim do milênio baseiamse- em Ap 20:8;
porém esta referência a Gogue e Magogue, é apenas um símbolo das
nações gentílicas que, com a soltura de satanás, serão persuadidos a
uma última revolta contra Israel. Serão exterminados pelo fogo do
Senhor. (v. 9)
• Outro detalhe que chama a atenção é o uso das expressões “fim dos
anos” e “últimos dias”, que, no Velho Testamento, sempre es tão
relacionadas ao dia do Senhor; a grande tribulação.
• Ez 38:23 demonstra que esta invasão desencadeará o juízo do
Deus todo Poderoso e sua proclamação diante das nações que só ele
é Senhor. No cap. 39:21-29 observamos com clareza que o período
que se está falando se tratada grande tribulação já que o propósito
expresso nesta passagem é fazer com que os Gentios e judeus
reconheçam a Deus e se convertam a ele.
• Os que localizam este evento no inicio da grande tribulação apegam-
se, dentre outras passagens, a Ez 39:9, onde é mencionado um
período de sete anos para que sejam consumidos os despojos
bélicos da guerra. A questão que estes sete anos são apenas
simbólicos e não se referem à duração do período tribulacional, pois
serve para demonstrar o tamanho do exército que fora destruído, a
ponto de suas armas servirem de lenha por tanto tempo.
• Vemos em Dn 9:27 que será feito um acordo e que no meio da
semana este será quebrado, é cabível concluir que algo trará o fim
desta aliança, e será, justamente esta invasão.
• Algo que posiciona esta invasão na metade da semana profética é
também encontrado em Ez 39:21-29, onde vemos que a vitória divina
sob os exércitos inimigos servirá de sinal para os gentios (v.21) e os da
casa de Israel (v.22); isto fará com que surjam gentios e um
remanescente judaico que pregarão a vinda do reino messiânico; e,
conforme descrito em Ap 11:1-14, acontecerá na segunda metade da
grande tribulação. Então se cumprirá o que está descrito em Ez 39:28-
29; todo o Israel glorificará ao Senhor.
89 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
CAPÍTULO 12 
OS PRINCIPAIS EVENTOS 
DA GRANDE TRIBULAÇÃO 
Todo o período tribulacional será marcado por vários acontecimentos e em 
especial a segunda metade que terá eventos singulares e sem precedentes em toda a 
história da humanidade, será tempo de grande ação sobrenatural, por isso 
observaremos os principais eventos que sucederão neste período. Observe o gráfico 
abaixo. 
Dos eventos mencionados no gráfico, alguns já foram abordados por estarem 
interligados com assuntos já discutidos, o restante são eventos que necessitam ser 
observados num contexto geral dos acontecimentos da segunda metade do período 
tribulacional. É bom lembrarmos que quando nos deparamos com textos extremamente 
obscuros, a melhor opção é relatar apenas o que está escrito sem procurar 
umaexplicação, caindo no erro de “arranjar” uma resposta para o que não tem. 
90 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
12.1- AS DUAS TESTEMUNHAS 
Um estudo bastante interessante é o que diz respeito as duas testemunhas que 
surgirão durante a grande tribulação, mais precisamente no meio do período. Sua 
apresentação e ministério estão expressos no capítulo 11 de apocalipse; junto com a 
visão do anjo e do livrinho do capítulo 10, formam um parêntese entre a sexta e a 
sétima trombeta. 
Quanto à afirmação de que surgirão em meio a tribulação pode ser claramente 
evidenciado pelo v.2, já que há uma referência ao período final da tribulação que é de 
quarenta e dois meses ( três anos e meio, sendo cada mês de trinta dias), que é 
quando surgem as testemunhas. Seu ministério durará durante toda segunda metade 
da grande tribulação “Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil 
duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco” (v.3). 
No final da grande tribulação, terão concluído o propósito de anunciarem o 
evangelho do reino e os juízos divinos; a besta irá contra eles; serão mortos tendo 
seus corpos estirados em praça publica durante três dias e meio, até que Deus os 
ressuscite e os arrebate até o céu.(v.7-11) 
Muitas teorias surgem quando se tenta identificá-los, porém o v. 4 nos dá uma 
informação mui valiosa, pois revela de maneira simbólica, que serão judeus, já que 
candeeiros e oliveiras estão totalmente ligados a Israel (Zc 4 ); o v.5 caracteriza o 
ministério como sendo profético: “Elas têm autoridade para fechar o céu, para que não 
chova durante os dias em que profetizarem. Têm autoridade também sobre as águas, 
para convertê-las em sangue, bem como para ferir a terra com toda sorte de flagelos, 
tantas vezes quantas quiserem.” ; são chamados de “profetas” no v.10. O grande 
problema está em que vários escritores e comentaristas buscam uma identificação para 
estes, o que tem gerado uma série de especulações infundadas; uns dizem ser Elias e 
Enoque, outros dizem ser Elias e Moisés, porém tudo se resume a dois pontos básicos 
para que se chegue a esta suposição, o primeiro aspecto que leva a esta conclusão é o 
fato de Elias e Enoque terem sido arrebatados, portanto não morreram; o segundo 
ponto defende ser Elias e Moisés baseando-se nos milagres apontados no texto (v.6), 
que são semelhantes aos feitos pelos dois profetas no passado. O autor deste estudo 
prefere a posição que não identifica as duas testemunhas, reconhecendo-as apenas 
como dois homens que Deus encherá do seu Espírito para que lhe sirvam como profeta 
durante o período tribulacional; em defesa desta afirmação, podemos refutar as duas 
possibilidades acima sem muita dificuldade. 
91 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
É pouco provável que sejam identificados como Elias e Enoque porque o fato de 
terem sido arrebatados não os obriga a voltarem a terra para morrerem baseando-se 
em Hb 9:27, pois se os temos como tipo da igreja que há de ser arrebatada, temos 
que ter em mente que da mesma forma, se nos formos arrebatados agora, também 
não provaríamos a morte física, excluindo a total necessidade de ressuscitarmos para 
morrermos e outra vez sermos levados por Cristo, portanto este argumento é 
totalmente inválido para estabelecermos esta identificação. 
A identificação das testemunhas como sendo Elias e Moisés também não tem 
fundamento, pois: 1) a questão dos milagres serem semelhantes não prova nada, até 
porque durante a segunda metade da grande tribulação três vezes são mencionados 
juízos sobre as águas e estas se tornando sangue (Ap 8:8; 16:3-4);a falta de água 
também é mencionada nas profecias sendo operada pelo próprio Deus (Ap 16:12 ). 
Devemos ter em mente que quem opera o milagre é o Senhor Deus, e ele não 
necessitar trazer alguém à vida ou do passado para que seja realizado um prodígio. 2) 
também não serve como argumento a aparição dos dois no monte da transfiguração 
(Mt 17:1-13), pois aparecem em corpos glorificados semelhantes ao de Jesus após a 
ressurreição; é importante ressaltar que o propósito da transfiguração é confirmar a 
impecabilidade de Cristo; sua autoridade, visto que a lei e os profetas estão ali 
representados; o assunto em pauta na conversa foi sua morte em Jerusalém (Lc 9:31), 
o que não os liga, no caso de aparecerem juntos, aos eventos escatológicos.
Algo que tem trazido muita discussão está relacionado à futura vinda de Elias, 
profetizada em Malaquias 4:5-6: 
Eis queeu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível 
Dia do SENHOR; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos 
filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição. 
Dentre muitas teorias a respeito do assunto será destacado apenas a que tem 
maior sustentação bíblica. Esta se baseia na afirmação de que João Batista não 
cumpriu esta profecia pelo fato de Israel não ter-lo aceitado. 
Vemos em Malaquias que a profecia a cerca de João batista está, de certa 
forma, dividida em duas fazes: Ml 3:1 e 4:5-6. Lucas 1:17 mostra que o Elias predito 
não era o literal, mas sim alguém “no espírito e poder de Elias”; esta preparação 
referia-se ao seu primeiro advento e foi confirmado o cumprimento desta profecia pelo 
próprio Jesus Cristo “Este é de quem está escrito: Eis aí eu envio dianteda tua face o 
meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti” (Mt 11:10).No entanto o 
segundo ponto (Ml 4:5-6) da profecia de Malaquias está totalmente relacionado ao dia 
do Senhor, o qual já sabemos que se 
92 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
refere a grande tribulação; a promessa diz que Elia s seria enviado “ antes que venha o 
grande e terrível dia do Senhor” , a fim de preparar a geração que vivesse no tempo 
final, “ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coraçã o dos filhos a seus pais” ; 
podemos concluir, então que isto ainda não aconteceu. O que deu errado para que a 
profecia não se cumprisse? Numa resposta aos seus discípulos Jesus dá a entender o 
que aconteceu “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir” 
(Mt 11:14); o que Jesus quis dizer aqui foi que se a nação quisesse reconhecê-lo como 
o Elias profetizado automaticamente o reconheceria como o Messias, assim o reino
seria instituído, os inimigos julgados, e Israel seria restaurado; a questão é que isso
não aconteceu, ou seja não o reconheceram como o que cumpria a profecia fazendo
com que esta parte ficasse pendente. Em Mt 17:10-11, o assunto volta à tona e Jesus
é enfático na resposta aos discípulos: “ Mas os discípulos o interrogaram: Por que
dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então, Jesus
respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas sa coisas” ; o versículo seguinte vem
reafirmar o que ele já havia dito anteriormente “Eu, porém, vos declaro que Elias já
veio, e não o reconheceram” , sendo assim João não pode cumprir toda a profecia ; ele
mesmo, ao ser perguntado se era Elias disse que não. “Então, lhe perguntaram: Quem
és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou” (João 1:21).
A conclusão que chegamos é que haverá um ministério profético futuro que 
deverá cumprir em sua totalidade a profecia de Malaquias, entretanto esse “futuro Elias” 
não precisa ser literal, pois Jesus demonstrou, reconhecendo em João o Elias predito, 
que este será alguém “no espírito e poder de Elias”. 
12.2- OS 144 MIL SELADOS 
A referencia ao 144 mil judeus remanescentes não se trata de um evento em si, 
no entanto sua aparição no texto profético é por demais importante, por isso se faz 
necessário uma análise o texto a fim de identificarmos com cuidado de quem o texto 
está falando. 
A citação a respeito deste numeroso grupo é feita em Ap 7:1-8 e 14:1-5. uma 
primeira discussão que surge é se estes dois grupos são os mesmos ou se referem-se 
a povos diferentes, o que parece claro interpretar com sendo apenas duas referencias 
ao mesmo povo. Os amilenistas por não acreditarem num milênio literal, não aceitam a 
idéia de que estes são um remanescente judeu que permanecerá fiel, pois não vêem 
nenhuma necessidade disso para que as profecias se cumpram, já que também não 
acreditam que existirá a Grande tribulação, sendo assim acreditam que este grupo se 
trata de um símbolo da igreja redimida que servirá a 
93 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Cristo na terra; eles crêem também que todas as promessas que foram feitas ao povo 
de Israel, essas promessas Deus as cumpre hoje na igreja, que segundo eles é o 
Israel Espiritual. 
Quanto a esse raciocínio amilenista, devemos estudá-lo com cuidado, pois existe 
uma necessidade total na existência de um remanescente judeu, pois, como visto 
anteriormente, as alianças feitas com Abraão (Gn 12:1-3), com Israel no deserto (Dt 
30:1-10), com Davi (IISm 7:12-16) e através do profeta Jeremias (Jr 31:31-34), todas 
têm em comum o caráter incondicional e restrito, ou seja, é Deus quem fará e se refere 
a Israel, pois nelas estão implícitas bênçãos a respeito da posse da terra, da 
perpetuidade da nação, do reinado do descendente de Davi e etc. Todas estas e outras 
características demonstram que as alianças não se destinam a outro povo que não 
sejam os judeus. Quanto ao seu cumprimento, já foi abordado anteriormente que estas 
profecias nunca se cumpriram, portanto para que se cumpram é necessário que haja 
um povo remanescente, este em hipótese alguma é a igreja, mas sim judeus 
preservados e que permaneceram fiéis. 
Em Ap 14:1-5 é onde obtemos maiores informações sobre este grupo de 
israelitas; através do v.4 percebemos que estes serão judeus que se converterão a 
Jesus, o texto deixa claro que eles “seguem” o Cordeiro. Parece legitima a 
interpretação que coloca esta conversão durante o período tribulacional, mais 
precisamente no meio desta, posto que com o fim do acordo de paz instituído pelo 
anticristo, todo o furor satânico se dirigirá contra a nação de Israel, trazendo a 
conversão deste remanescente isr aelense. Outra característica destes é sua 
castidade (v.4), parece claro que em meio a Grande tribulação ninguém poderá ter um 
casamento normal, portanto casar-se parece fora de cogitação durante um tempo de 
tamanha aflição. É errado pensar que eles foram escolhidos por serem justos, ou por 
serem virgens, pois se assim fosse estaríamos corrompendo a santidade do 
casamento como também o processo de justificação divina, mas sim que o chamado 
de Jesus os tornou convictos em sua posição de santidade e permanência da 
castidade, da mesma forma que Paulo procedeu. Parece razoável crer que este grupo 
pregará o evangelho do reino durante a Grande tribulação já que Deus não levanta 
servos para permanecerem inertes. 
12.3-OS JUÍZOS DIVINOS 
Quanto aos juízos, existe grande divergência referente a interpretação, este fato 
se dá pelo motivo de uma boa parte dos comentaristas não aceitarem que existe um 
literalismo, e este deve estar preso a um contexto, ou seja, a própria Bíblia, como um 
todo, deve fornecer informações que ajudem a interpretar as passagens; é certo que 
ainda assim não teremos 
94 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
muito êxito, pois o uso de símbolos é demasiado, mas estaremos estudando os textos 
com coerência. 
Os entendimentos são variados; preteristas procuram acomodá-los à história 
secular; os espiritualistas preferem encará-los como sendo lições para a vida cotidiana, 
onde preceitos morais são ensinados (o principal deles é Agostinho de Hipona); os 
continuístas ensinam que se trata apenas de um retrato da ação de Deus, no decorrer 
da história, contra a igreja católica (os reformadores criam desta maneira). Neste 
oceano de idéias os futuristas se destacam por ter o Apocalipse e os juízos descritos 
nele, como sendo real, futuro e algo que deve advertir os crentes a santificarem suas 
vidas a fim de não participarem da tribulação que há de vir, e isto esta baseado no 
ensino geral das Escrituras e não numa conveniência humana. 
12.2.1- Os sete selos (Ap 6:1-17 e 8:1-6) 
Em Ap 5:1, João menciona um livro selado com sete selos, estes têm uma 
revelação de tempos futuros. Estes acontecimentos serão na primeira metade da 
grande tribulação. 
1o selo (v.2)- “ Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e 
foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendoe para vencer.” Muitos têm encontrado 
neste, uma analogia a Jesus Cristo e a proclamação do evangelho, no entanto isto está 
fora de cogitação, já que o período tribulacional não está ligado ao vangelho da graça. 
Esta comparação se dá apenas pelo fato de: 1) o cavalo ser branco, que geralmente 
está ligado a pureza, santidade e, no caso de apocalipse, vitória; 2) ter uma coroa; e 3) 
a expressão “ele saiu vencendo e para vencer”. Aqui não se trata de Cristo e seu 
evangelho, mas sim da ascensão do anticristo que 
95 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
aparece trazendo uma falsa paz e proclamando-se um “rei”; a frase acima kai 
exhlyen nikwn kai ina nikhsh, poderia ser traduzida por “e saiu conquistando e para 
conquistar”. Os selos seguintes confirmam esta interpretação. 
2o selo (v.3-4)- “ E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado 
tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi 
dada uma grande espada” O anticristo em seu processo de conquista imporá uma paz 
à força que trará, justamente o contrário; guerras. As reações de nações descontentes 
com o novo sistema político serão violentas. A exemplo disto estudamos 
anteriormente a questão da batalha iniciada pela confederação do norte e o reino do 
sul. 
3o selo (v.5-6)- “ E, havendo aberto o terceiro selo, eu ouvi o terceiro animal, 
dizendo: Vem e vê! E olhei, e eis um cavalo preto; e o que obres ele estava assentado 
tinha uma balança na mão” Com a guerra vem a escassez e fome generalizada, 
enquanto a besta fortalece seu governo as pessoas sofrerão a total falta de alimento. 
Um denário era o salário de um dia de um empregado; vemos que neste tempo uma 
pessoa trabalhará um dia por um punhado de farinha. 
4o selo (v.7-8)- “ Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser 
vivente dizendo: Vem! E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este 
chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a 
quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio 
das feras da terra.” É obvio que com a guerra e a fome as doenças se alastrarão de 
maneira absurda; os animais sofrerão da mesma fome e buscarão outro alimento, o 
ser humano. A mortandade é prevista, um quarto da humanidade; esta fração sendo 
simbólica ou não, demonstra de maneira expressiva a proporção do acontecimento. 
5o selo (v.9-11)- “ Quando ele abriu o quinto selo, eu vi, debaixo do altar, as 
almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do 
testemunho que sustentavam” João vê, debaixo do altar as almas dos que morreram 
por causa da palavra de Deus. Vários escritores têm buscado saber a que tempo 
pertencem estes mártires, entretanto, se nos levarmos em consideração o contexto 
dos selos, nos chegaremos a conclusão de que são os mortos em Cristo que durante a 
grande tribulação anunciarão sua palavra. Estes ansiavam pelo momento do Juízo de 
Cristo; foi-lhes dado uma veste branca e dito que aguardassem até o ultimo mártir. 
Estes mesmos são vistos novamente no cap. 7:9-17 onde são apresentados como 
vencedores e em 20:4 onde são participante da ressurreição. A principal observação 
que devemos fazer não é quanto à identidade destes, e sim quanto ao cuidado de 
Deus por seus servos; eles não são vistos em qualquer lugar, mas no céu; debaixo do 
altar; aos pés de Jesus. 
96 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
6o selo (v.12-17)- “ Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande 
terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as 
estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, 
deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se 
enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar” Estamos chegando 
ao fim da primeira metade da grande tribulação; o fim está próximo. Haverá um grande 
terremoto; uma catástrofe cósmica acontecera’. Todo este alvoroço causará um pânico 
incontrolável; a partir daqui muitos outros terríveis acontecimentos estão para vir. 
Alguns intérpretes vêem estas descrições como sendo o retrato do sistema político-
religioso do fim dos tempos, preferindo uma interpretação bastante figurada da 
narrativa; melhor é permanecerno sistema literal tendo o cuidado de não forçar o texto. 
7o selo (8:1-6)- Depois de um intervalo, Ap 8 dá seqüência à abertura dos selos. 
Este tem características diferentes, pois dá inicio a segunda metade da grande 
tribulação que traz consigo uma nova seqüência de juízos divinos; as sete trombetas. O 
silencio (v.1) vem, chamar a atenção para a magnitude do momento que se iniciará. Os 
setes anjos (v.2) surgem com sete trombetas para, com cada uma delas, anunciar uma 
sentença sobre a terra. As orações dos santos e o incensário com o fogo do altar são 
lançados na terra anunciando o tempo da ira do Deus eterno. 
Nos seis primeiros selos encontramos o cumprimento do discurso profético feito 
por Jesus poucos dias antes de sua morte (Mt 24:4-13), e é importante lembrar que 
estas situações de falsos sinais, guerras, doenças, fome, perseguições etc. perdurarão 
até o fim do período tribulacional; os selos não estarão restritos apena s à primeira 
metade deste. 
12.2.2- As sete trombetas (Ap 8:7-12; 9:1-21 e 11:15-19) 
97 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Com o inicio da segunda metade da grande tribulação , a ira de Deus começa 
ser derramada; ela vem a abertura do sétimo selo. ”Então, os sete anjos que tinham 
as sete trombetas prepararam-se para tocar” (Ap 8:7). 
As trombetas se dividem; as quatro primeiras estão ligadas a catástrofes naturais, 
enquanto as demais falam de acontecimentos de caráter diferenciados. Cada uma 
delas traz conseqüências terríveis; independente de como e quão estranhos sejam, 
denotam a proporção do estrago que trará ao planeta. 
1o Trombeta (8:7)- “O primeiro anjo tocou a trombeta, e houve saraiva e fogo de 
mistura com sangue, e foram atirados à terra. Foi, então, queimada a terça parte da 
terra, e das árvores, e também toda erva verde.”Uma grande chuva de granizo e fogo 
misturado com sangue cairá sobre a terra, e mais precisamente sobre as florestas e 
campos, a devastação é incontrolável; a terça parte será queimada. Muitos encontram 
aqui uma simbologia ao juízo de Deus contra a Palestina pela razão ser sobre a “ 
terra”; devemos reconhecer que o tipo bíblico permite esta interpretação (Ap 13: 11), 
no entanto considerando que interpretamos os selos literalmente; porque agora mudar 
de método deinterpretação se estamos lidando com uma seqüência linear e 
cronológica de acontecimentos? O juízo desta trombeta é semelhante à sétima praga 
lançada sobre o Egito (Ex 9:23-25). 
2o Trombeta (8:8)- “ O segundo anjo tocou a trombeta, e uma como que grande 
montanha ardendo em chamas foi atirada ao mar, cuja terça parte se tornou em 
sangue, e morreu a terça parte da criação que tinha vida, existente no mar, e foi 
destruída a terça parte das embarcações” A conseqüência desta trombeta é idêntica à 
primeira praga do Egito que tornou em sangue o rio Nilo (Ex 7:20-21); a diferença é 
que neste caso, a terça parte dos mares atingidos. Seguindo o mesmo simbolismo da 
trombeta anterior identifica-se esta praga sobre o mar, como sendo sobre as nações 
gentílicas (Ap 17:15); mas com certeza, a melhor opção é interpretar como sendo um 
acontecimento literal, pois Deus já mostrou que pode fazer qualquer coisa quando 
assim for seu propósito . De qualquer forma a calamidade será grande, pois um terço 
dos seres marinhos morrerão, e a terça parte das embarcações serão destruídas. 
3o Trombeta (8:10-11)- “ O terceiro anjo tocou a trombeta, e caiu do céu sobre a 
terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas uma grande estrela,ardendo como 
tocha. O nome da estrela é Absinto; e a terça parte das águas se tornou em absinto, e 
muitos dos homens morreram por causa dessas águas, porque se tornaram 
amargosas.” Nesta trombeta, os rio e fontes de água são atingidas se tornando 
imbebíveis causando mortes devido à falta de água potável. Quanto à “estrela absinto”, 
ela provavelme nte será algo vindo do céu contendo substância que infectarão a água. 
Muitos preferem interpretar de maneira simbólica; dizendo 
98 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
que, assim como a terra e o mar têm um simbolismo gora os rios e fontes de água, 
referindo-se a vida espiritual dos que estarão na grande tribulação, esta será atingida 
de maneira que, para muitos não haverá a menor chance se salvação, seja pelo fato de 
ter aceitado a marca da besta ou por outro motivo. Entretanto esta estrela é literal, e 
tornará amarga a água doce; um exemplo de fato semelhante, mas ao contrário, 
temosas águas de Mara que pelo poder sobrenatural, foram purificadas (Ex 15:23-25). 
4o Trombeta (8:12-13)- “ O quarto anjo tocou a trombeta, e foi ferida a terça 
parte do sol, da lua e das estrelas, para que a terça parte deles escurecesse e, na sua 
terça parte, não brilhasse, tanto o dia como também a noite. Então, vi e ouvi uma 
águia que, voando pelo meio do céu, dizia em grande voz: Ai! Ai! Ai dos que moram 
na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de 
tocar!” A terra, o mar, os rio e as fontes de água já sofreram irremediável dano, agora 
o céu é ferido; mais precisamente o sol, a lua e as estrelas, a terça parte de cada,
perdeu sua luminosidade. No mesmo raciocínio apresentado até aqui, estes astros
representariam os governos e lideres políticos. Não podemos, por mais que tenha
fundamento, ceder a interpretações que apelem para um significado que negue a
possibilidade de Deus fazer algo para nós, impossível, ou seja, muitos acham
improvável que haja um acontecimento nos céus deste porte, o fato é que Jesus
mencionou que sua vinda seria precedida por eventos desta conjuntura.
Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a 
sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão 
abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra 
se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e 
muita glória. (Mt 24:29-30) 
Também nesta trombeta são mencionados três “ais” que estão por vir, pondo 
fim a esta primeira faze de trombetas, seguindo-se imediatamente as outras. 
5o Trombeta (9:1-12)- Este é o primeiro “ai”. Um dos mais terríveis juízos vem 
com a quinta trombeta; ao soar desta João vê “uma estrela que caiu do céu na terra. E 
foi-lhe dada a chave do poço do abismo.” (v.1), indicando um anjo caído ou um 
demônio que libertará um exército de seres demoníacos. Por ser demasiado o 
simbolismo nesta passagem podemos supor que esse anjo represente um indivíduo 
que iniciará um período de sofrimentos horríveis, os quais podem presumir que está 
em foco a pessoa do anticristo. Não há exagero em tomar estes gafanhotos como 
literais, mas segundo a descrição feita nos vs. 7-11 demonstram que estes serão 
seres demoníacos ou pessoas possuídas por demônios, mas nunca uma raça meio-
homem meio demônio. É importante lembrarmos que Deus já usou um evento 
semelhante para julgar Israel; o fato é descrito pelo profeta Joel (cap. 1 e 2) que fala 
da invasão de gafanhotos como sendo um exército a serviço do juízo divino (Jl 2:25), 
neste caso uma 
99 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
melhor interpretação indica que foram gafanhotos literais, não impedindo que outros 
intérpretes pensem ser um exército humano, seja qual for a interpretação, no caso 
desta trombeta, qualquer das duas demonstra que o terror será angustiante. 
Foi lhes dado poder não para matar, mas para trazer dano, sofrimento apenas 
aos homens que “não têm nas suas testas o selo de Deus” por um tempo 
determinado; o nome de seu rei, Abadom (destruidor) esclarece a intenção; a questão 
de este período ser de cinco meses está ligada à duração da vida de um gafanhoto . 
O texto diz que buscarão a morte, mas esta fugirá deles, isto é, Deus não permitirá 
que orram neste período para que se complete seu plano. 
6o Trombeta (9:13-21)- Após os juízos derramados a terra estará em total 
desolação, os sofrimentos causados aos descrentes terão sido terríveis. A sexta 
trombeta, o segundo “ai”, traz consigo a libertação dos quatro anjos que estã o junto ao 
rio Eufrates, a leste de Israel onde ficava a Assíria e a Babilônia, estes anjos com 
certeza são “caídos”, pois estavam presos (v.14). O texto nos diz que eles aguardam o 
momento já determinado para agirem; o exército que os segue é gigantesco, duzentos 
milhões. Aqui João parece ter visto realmente um exército bem aparelhado e com 
grande poder de destruição, não podemos deixar de perceber a literalidade por traz da 
simbologia, pois fogo, fumaça e enxofre poderiam ser bombas, ou munição de algum 
tipo de arma usada pelos tanques de guerra (possíveis cavalos), tudo isso é suposição 
a verdade que se tem é que este exército matará um terço dos descrentes. O mais 
interessante é o que está expresso nos vs. 20 e 21, pois revelam o propósito destes 
acontecimentos, que é a conversão dos incrédulos, ou seja, que através de assolações 
como as descritas nas seis primeiras trombetas, o homem pudesse reconhecer a Jesus 
como salvador. 
7o Trombeta (11:15-19)- A seqüência de “ais” parece, a primeira vista, ter si 
interrompida, no entanto o que acontece é um parêntese nos acontecimentos. A sétima 
trombeta faz as ultimas preparações para volta de Jesus, o que é descrito no texto. A 
igreja arrebatada, simbolizada pelos vinte e quatro ancião s (v.16), adora a Jesus por 
sua vitória. A visão da arca indica que todos os propósitos estabelecidos para o reino, 
estariam prestes a se cumprir, e que, portanto a consumação dos tempos er a chegada; 
as convulsões da natureza demonstram a importância do momento, assim como foi na 
morte de Jesus (Mt 27:51; Lc 23:44-45). Um segundo aspecto desta trombeta é queela 
dá inicio, assim como o sétimo selo, a uma outra seqüência de juízos, as sete taças; 
estas compreendem o terceiro “ai”. 
100 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
12.2.3- As sete taças (Ap 16) 
No gráfico das trombetas vimos que as sete taças aparecem com o soar da 
última trombeta, isto significa que estas serão derramadas no fim da grande tribulação; 
é bom relembrar que enquanto as trombetas marcam toda a segunda metade do 
período o juízo das taças vem num último “instante“ antes da vinda de Jesus, para 
concluir a ira de Deus sobre os incrédulos. 
De um modo geral as taças têm, a primeira vista, paralelo com as trombetas, no 
entanto elas são dirigidas diretamente aos homens e fica óbvio que será sobre os 
adoradores da besta, ao contrário das trombetas que se vistas de maneira literal tem 
relação com o mundo, ou seja, as árvores, o mar, a terra etc. 
1o Taça (v.2)- “E foi o primeiro e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma 
chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal dabesta e que adoravam a sua 
imagem.” Esta primeira é semelhante à sexta praga lançada sobre o Egito (Ex 9:8-12); 
seu alvo são os adoradores da imagem da besta. 
2o Taça (v.3)- “ E o segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em 
sangue como de um morto, e morreu no mar toda alma vivente.” Aqui encontramos a 
continuação da segunda trombeta (Ap 8:7), ou seu agravamento; o algo “semelhante a 
um monte ardendo em fogo” não é mencionado, mas fica claro que a situação piorou 
pois a pedra ao ser lançada polui “com sangue” a terça parte do mar e mata a terça 
parte dos seres marinhos; agora todo o restante é morto pelo avanço dopoluente. 
3o Taça (v.4-7)- “ E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das 
águas, e se tornaram em sangue” A praga do Egito também está explicita aqui (Ex 
7:14-25); também existe relação com a terceira trombeta (Ap 8:8-9). O sangue nas 
águas doces tem a intenção de vingar os mártires que derramaram seu sangue por 
causa da palavra. Sem água potável não há condição de vida; a água do mar também 
não pode ser aproveitada por estar contaminada, restando a espera pela morte. 
4o Taça (v.8-9)- “ O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado 
queimar os homens com fogo. Com efeito, os homens se queimaram com o intenso 
calor, e blasfemaram o nome de Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos, e nem 
se arrependeram para lhe darem glória” Aqueles que interpretam de maneira simbólica, 
neste caso, não tem outra opção a não ser ver este versículo de maneira literal, posto 
que o quarto anjo atinge o sol de maneira que este queimará as pessoas, e é assim 
que o texto exige que 
101 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
seja interpretado. Na quarta trombeta vimos que o sol teve a terça parte ferida; aqui 
ele ganha poder para com seu calor provocar queimaduras terríveis fazendo que com 
que amaldiçoem a Deus. Com o grande avanço da destruição da camada d e ozônio 
vemos que isto não só é capaz de acontecer como já há problemas devido a 
exposição ao sol por tempo prolongado, com o derramar da quarta taça isto será 
muito pior a ponto das queimaduras serem imediatas. 
5o Taça (v.10-11)- “ Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta , cujo 
reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que 
sentiam e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que 
sofriam; e não se arrependeram de suas obras.” A primeira declaração de João a 
respeito do trono e reino da besta é um tanto obscuro porem parece indicar algum tipo 
de flagelo que trouxe a seus seguidores o sofrimento que João menciona. O termo 
traduzido por “angústias” é ponos (ponov) que ficaria melhor como na tradução 
corrigida, “dores”; uma tradução literal seria “grande problema”; portanto sofrem dores 
generalizadas, somadas a isso, as ulceras que piorava ainda mais a situação. Como 
em outras passagens, vemos que Deus permite tais sofrimentos para que se 
arrependam, no entanto a humanidade não buscará o perdão de seus pecados. (Ap 
9:20-21) 
6o Taça (v. 12-16)- “ Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, 
cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do 
nascimento do sol. Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do 
falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíritos de 
demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de 
ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso (...) Então, os ajuntaram 
no lugar que em hebraico se chama Armagedom.” Mais uma vez o rio Eufrates é 
mencionado, desta vez, após secar, dá passagem aos “reis que vem do lado do 
nascimento do sol”; estes são inevitavelmente ligados à China como sendo o líder desta 
confederação asiática. O dragão, que é satanás, juntamente com a besta e o falso 
profeta, expelirão cada, um demônio que, com poder de engano, persuadirão os lideres 
de governo de modo que se juntarão para a batalha do Armagedom. 
7o Taça (v. 17-21)- Então, derramou o sétimo anjo a sua taça pelo ar, e saiu 
grande voz do santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está! A sétima taça traz a 
consumação. Jesus está vindo! Na sua morte o céu escureceu e houve um terremoto, 
porém aqui as dimensões dos abalos nunca foram visto na Terra; os trovões e 
relâmpagos São como trombetas que anunciam sua chegada (v.18). “ E a grande 
cidade se dividiu em três partes, e caíram as cidades das nações.” Quanto à “grande 
cidade” é impossível identifica-l a, no entanto podemos excluir Jerusalém desta possível 
lista, pis conforme Zacarias 14 indica ela estará “de pé”, diferente das outras grandes 
cidades que estarão em total ruínas devido o 
102 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
grande terremoto. “ E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do 
vinho do furor da sua ira.” Esta referência à Babilônia indica o Juízo não por vir, mas 
consumado; se neste caso estiver em mente a Babilônia religiosa, esta destruição é 
apresentada nos capítulo 17. De acordo com o desenrolar dos acontecimentos esta ira 
sobre esta Babilônia aconteceu no fim da primeira metade da grande tribulação; é 
importante lembrar que o Apocalipse não segue uma cronologia sistemática na maior 
parte do livro, portanto o fato do acontecimento estar adiante (Cap. 17) não quer dizer 
que acontece rá após esta taça, até porque esta precede imediatamente à volta de 
Jesus. Se esta for a Babilônia política apresentada no capítulo 18, aí sim este versículo 
estará se referindo a algo após o derramamento da sétima taça. “Todas as ilhas 
fugiram, e os montes não foram achados; também desabou do céu sobre os homens” 
além da destruição das grandes cidades (v.19) parece que teremos um verdadeiro caos 
em todo o planeta, nos momentos antes do retorno de Cristo. Deus revela a João um 
último flagelo que virá sobre os homens para que se arrependam, isto porque estes se 
conduzem para o vale de Megido onde acontecerá a batalha do Armagedom, “grande 
saraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento; e, por causa do flagelo da 
chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus, porquanto o seu flagelo era 
sobremodo grande”. 
12.3- A QUEDA DAS DUAS BABILÔNIAS 
Os capítulos 17 e 18 de Apocalipse são motivo de bastante discussão no que se 
refere à identidade das duas Babilônias. Para podermos estudar os acontecimentos 
com cada uma delas precisaremos faze-lo separadamente, nomeando a principio a do 
cap. 17 como Babilônia religiosa, e a do cap. 18 como Babilônia política. 
12.3.1- Babilônia religiosa (Ap 17) 
Boa parte deste capítulo já foi estudada anteriormente, por isso nos deteremos 
apenas no que se refere à Babilônia religiosa. 
Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo, dizendo: Vem, 
mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas 
águas, (v.1) Este capítulo fala de um sistema religioso que vai imperar no inicio da 
Grande tribulação, é chama 
103 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
de “a grande prostituta”; no v.2 lemos que sua influência e domínio perverteram os 
lideres mundiais. 
“vi uma mulher montada numa besta escarlate, (...) Achava-se a mulher vestida 
de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo 
na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua 
prostituição.” (v. 3-4). Por estar vestida de púrpura e vermelho e adornada com jóias 
de valor, indica um poder sacerdotal riquíssimo que tem “sobre seus ombros” um 
histórico de pecados abomináveis. João ao ver que a meretriz está “embriagada” com 
o sangue derramado pelos verdadeiros cristão por causa do evangelho fica admirado
(v.6-7). Esta falsa religião perseguirá aqueles que se recusarem a servi-la, preferindo 
morrer ou sofrer por Cristo. 
Dados muito importantes são apresentados nos vs. 8 a 18, pois se referem a 
essa prostituta e os que estão com ela: 
1) Será uma religião que tem características pagãs herdadas da antiguidade,
pois as sete cabeças que a besta, na qual ela está assentada, possui (v.3), 
representam sete montes e sete reinos mundiais (v.9-10)), cinco já haviam caído: o 
egípcio, o assírio, o babilônico, o medo-persa e o grego; um existe: o Romano; e um 
existirá: o império Romano vivificado; cada um deles tinha práticas religiosas que foram 
herdadas pela religião apóstata. O versículo 15 nos mostra que ela abrange todasas 
nações tendo de uma forma ou outra influência sobre elas, tornado-a um instrumento 
político poderoso. 
2) A babilônia religiosa será um poder religioso-político (v.18) que, devido
influência, terá grande utilidade para os dez reis (v.12) representados pelos dez chifres, 
que como já vimos formam o império romano ressurreto, ou seja, uma confederação de 
dez reis que estarão unidos com esta falsa religião para, juntos, darem ao anticristo o 
poder que ele necessita para controlar o mundo (v. 9-13). 
3) outro dado muito interessante é que realmente ela é uma meretriz, pois assim
que o anticristo consegue seu intento ela é descartada como uma prostituta que não 
tem mais valor, e mais que isso eles a destruirão (v.16), para dar inicio a adoração a si 
mesmo, uma nova religião centrada no próprio anticristo; ele será o deus que muitos 
adorarão como sendo o Deus verdadeiro (Ap 13:15). 
Para uma identificação mais precisa e sem se valer de intrigas religiosas é bom 
atentarmos para a história babilônica e seus credos religiosos, pois tem muito a nos 
revelar, já que sua forma de adoração pagã permeia todo o cenário religioso de nosso 
tempo, e é este sistema pagão que caracterizará esta religião da mentira. 
104 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Como é conhecido por todos, a Babilônia foi fundada por Ninrode, bisneto de 
Noé, e assim também é conhecida como a terra de Ninrode (Mq 5:6). De acordo com a 
história suma mulher Semíramis conhecia a promessa feita da Adão e Eva que 
suscitaria um descendente da mulher para pisar a serpente (Gn 3:15) e assim teve um 
filho supostamente de maneira milagrosa e lhe deu o nome Tamuz. Este foi 
apresentado como o libertador prometido e assim começou a ser adorado juntamente 
com sua mãe, dando início a uma prática de adorar o filho salvador e a mulher 
escolhida para concebê-lo. Jeremias condenou a entrega de oferendas a Semíramis 
(também conhecida por Astarte), conhecida como “rainha do céu” (Jr 7:18; 44:17-
19,25), como também a adoração a Tamuz que havia sido morto por um javali e 
supostamente ressuscitado (Ez 8:17). 
Todo esse culto pagão se alastrou por toda a Mesopotâmia chegando até a Síria 
e a Canaã. O uso de imagens de Semíramis segurando uma criança foi difundido 
chegando a Fenícia e a partir de lá, conquistou toda a terra. No Egito foram conhecidos 
como Ísis e Hórus, no panteão egípcio são Osíris e Isis; na Grécia como Afrodite e 
Eros, Tamuz também é apresentado como Adonis; na Itália como Vênus e Cupido. 
Todo o sistema religioso pagão da Babilônia teve ramificações, tendo relação estreita 
com outros deuses, sendo Tamuz associado a Baal e a Dagon, o deus-peixe, também 
chamado de “guardião da ponte”. 
Todo o mundo era influencia de alguma maneira por este paganismo, entre os 
imperadores era algo defendido e eles mesmos se colocavam como lideres destes 
cultos, dessa forma com a cristianização do império romano através de Constantino em 
313 d.c e a oficialização do Cristianismo como a religião do império por Flávio Teodósio 
em 378-9 d.c, todos foram obrigados a se dizerem cristãos. Constantino era muito mais 
que um, imperador ele era o chefe da igreja colocando em uso esta “bagagem pagã” 
causando uma separação entre os professos e os verdadeiros cristãos, os que ficaram 
ao seu lado absorveram todas as idéias, ordens e mistura cristã-pagã na religião, 
imposta por ele e aceita sem o menor problema, já que o homem sempre prefere ser 
guiado por instintos e aparências que pela palavra de Deus. Com isso logo tivemos a 
introdução do culto à mãe e filho no cristianismo. Com o decorrer do tempo, na igreja 
cristã; era, para muitos “convertidos”, irresistível a idéia de fundir práticas herdadas de 
antigas religiões ao culto cristão, e isso é patente também em nossos dias. 
A religião Babilônica tinha credos que existem até hoje como: 1) o sinal da cruz, 
pois Tamuz era o deus da fertilidade e para ele esta significava o principio da vida e a 
primeira letra de seu nome; 2) criam que depois que uma pessoa morria ia para um 
lugar específico para que fossem purificados de seus pecados para, então, poderem 
entrar no céu, hoje isso se 
105 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
chama purgatório; 3) acreditavam que após uma oração a água se tornava “santa” 
capaz de curar e espantar o mal; é conhecida hoje como “água benta”; 4) Havia uma 
festa chamada de “festival de Istar” onde javalis eram comidos em me mória a morte e 
ressurreição de Tamuz, e quarenta dias antes do mês de Sivã (depois substituído pelo 
nome Tamuz) começava-se um período de “choro por Tamuz”, que terminava na festa, 
Ezequiel condenou esta prática que também passou a ser feita pelos judeus apóstatas 
(Ez 8:14); o período da quaresma tem grande semelhança com este. 
Por tudo isso nos vemos que a religião babilônica e stá viva, e quando a 
verdadeira igreja de Jesus Cristo for arrebatada deixará o “caminho livre” tornando tudo 
mais fácil para que a “mãe das prostituições” possa ser usada por satanás em seu 
propósito. 
12.3.2- A babilônia política (Ap 18) 
Muitos têm empreendido esforços para identificar esta Babilônia, pois ela é 
apresentada com aspectos diferentes da anterior, aqui não está em questão uma 
autoridade eclesiástica, mas sim política. Vejamos o que o texto nos tem a dizer. 
”Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda 
espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável” 
(v.2). Através desta e outras referencias no texto, podemos concluir que estamos 
falando de uma cidade literal, um tipo de “capital” que proporcionou a expansão do 
pecado e do engano. 
Alguns comentaristas querem provar que esta Babilônia política será uma cidade 
literalmente construída na região da antiga Babilônia, edificação esta que seria feita 
durante a grande tribulação e destruída no fim dela; o problema é que tudo isso está 
baseado na questão de haverem profecias no antigo testamento (Is 13; 14 e Jr 51) que 
falam de uma destruição repentina da cidade, e que segundo os intérpretes , nunca 
aconteceu. A verdade é que estes textos indicam a destruição da Babilônia pelos 
Medos por volta de 530 a.C. (Is 13:17). Isaias teve a revelação da queda da Babilônia 
mesmo antes dela se tornar uma potencia mundial, pois em seu tempo quem dominava 
era o império Assírio, que foi, por sua vez, dominado pelo babilônico. Este argumento 
não tem condições suficientes para podermos aceitar a idéia de uma babilônia 
reconstruída durante o período tribulacional. 
Através do próprio capítulo 18 obtemos detalhes que nos fazem entender de 
quem se trata; o v. 3 nos diz que: “ (...) Com ela se prostituíram os reis da terra. 
Também os 
106 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria.” , percebamos que toda a 
narrativa a respeito daqueles que estão ligados a babilônia política está no passado, 
claro que isto se deve ao fato da sua destruição mas também demonstra que não é 
acontecimento recente o enriquecimento ilícito, os pecados e toda sorte de 
abominações; o v. 5 diz que “os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se 
lembrou dos atos iníquos que ela praticou.” , ou seja, Deus vem suportando as atitudes 
e procedimentos pecaminosos, porém haverá um fim para tanta iniqüidade; assim 
como a antiga babilônia foi destruída por afligir os judeus, este império político-
religioso será massacrado por derramar o sangue dos santos (v.24). 
Estes dois aspectos da babilônia refletem seus dois campos de ação, através do 
poder eclesiástico persuadem, dominam e impõem uma submissão maligna; através de 
seu poder político negociam não só dinheiro, terras e bens, mas também vidas 
humanas. Em si há um sentimento de superioridade baseada na arrogância e não em 
razão de um poder divinolegitimamente concedido, ela mesma se exaltou e se 
glorificou, viveu de maneira extravagante; sua soberba chegou aponto de dizer: “porque 
diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva, não sou. Pranto, nunca hei de 
ver!” (v.7). A medida com que mediu, também será medida: “Dai-lhe em retribuição 
como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo as suas obras e, no cálice em 
queela misturou bebidas, misturai dobrado para ela.” (v.6). Todo o seu poderio de anos 
ruirá de uma só vez, primeiro como religião depois a própria cidade será arrasada. 
Uma leitura, mesmo que desatenciosa, pode revelar a identidade deste império 
como sendo a religião Católica Romana e o Vaticano que desde sua ascensão a partir 
de Constantino afligiu o mundo durante toda a idade média, lançando milhões a 
fogueira e outros tipos de morte; o Vaticano tem sido a sede deste poder; o v. 16 narra 
de maneira clara, características desta babilônia “Ai! Ai da grande cidade, que estava 
vestida de linho finíssimo, de púrpura, e de escarlata, adornada de ouro, e de pedras 
preciosas, e de pérolas, porque, em uma só hora, ficou devastada tamanha riqueza!” ; 
neste versículo vemos a ostentação e a luxúria, por outro lado nos é apresentado, 
como no cap. 17, vestida depúrpura e escarlata demonstrando uma suposta 
autoridade sacerdotal. 
É interessante notar que a liturgia desta religião é apresentada no v.23 como 
sendo “feitiçarias”, e que, por meio delas, enganaram as nações. A palavra feitiçaria, 
do grego pharmakeia (farmakeia), é definida por Strong, dentre outras, da seguinte 
maneira: “feitiçaria, artes mágicas, frequentemente encontradaos em conexão com a 
idolatria e estimulada por ela. (Metáf.) as decepções e seduções da idolatria” . 
107 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
O capítulo termina de maneira dramática, uma verdadeira expressão de 
vingança por parte de nosso Deus contra aquela que ousou tocar nos verdadeiros 
ungidos do Senhor (v.19-24). 
12.4- A BATALHA DO ARMAGEDOM 
A mais importante das batalhas travadas durante todo o período tribulacional 
com certeza é a que ocorrerá em Armagedom. A bíblia nomeia como sendo “a peleja 
do grande dia do Deus Todo-Poderoso” (Ap 16:14), pois se trata do “acerto de contas” 
de Jesus com o anticristo. 
Armagedom, ou Har-Magedon, é um nome figurativo para a “Cidade de Megido”, 
ou ainda Vale ou montanhas de Megido; é o mesmo lugar mencionado em 2Cr 35:22 
como sendo o “vale de Megido”, onde o rei Josias morreu em guerra contra Neco rei 
do Egito na famosa batalha de Carquémis; foi também onde morreu o rei de Judá, 
Açazias (2Rs 9:27). Fazia parte desta mesma região, a planície de Jezreel mais 
conhecida como planície de Esdrelom, onde o rei Saul morreu juntamente com seus 
três filhos (1Sm 31:8); foi também onde Israel obteve vitórias como a de Débora e 
Baraque contra Sísera (Jz 4:13-14; 5:19-21); e a de Gideão quando venceu os 
midianitas (Jz 7). Esta região era e é conhecida por ser tradicionalmente, um lugar de 
batalhas travadas por Israel no decorrer de sua história; no momento que antecede a 
volta de Jesus este mesmo lugar será novamente palco de uma peleja que, como 
nunca visto, será vencida por Jesus Cristo. 
A batalha de Armagedom é descrita em Ap 19:11-21, neste texto vemos a 
dimensão do combate como também do que restará dos exércitos imigosin de Cristo; 
no entanto é fácil perceber que o numero de soldados será grande demais para um 
território tão pequeno como o vale de Megido, a questão é que ali será o centro das 
atividades bélicas mas os exércitos se estenderão por toda circunvizinhança até 
Jerusalém (Zc 14:2) 
Vemos em Joel uma referencia a esta batalha apresentando-a no vale de Josafá 
(Jl 3:2,12), neste caso este nome é simbólico fazendo referencia ao vale de Megido. 
108 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
12.4.1- o tempo da guerra 
Com certeza o primeiro ponto a ser analisado é quanto ao tempo, ou seja, 
quando esta batalha acontecerá? Existem algumas teorias a respeito da época do 
acontecimento, mas por serem pensamentos de uma minoria não nos deteremos além 
do necessário na observação de suas bases. 
1) Há alguns que localizam esta batalha antes do arrebatamento, e isto se dá por
confundirem com a invasão do de Gogue que também não acontecerá antes do 
arrebatamento, se assim fosse a doutrina da iminência seria de todo descartada. 
2) Os que a posicionam no inicio do milênio tambémo fazem por confundirem o
Armagedom com a invasão de Gogue e seus aliados; de qualquer forma seria 
impossível que acontecesse no milênio já que a terra neste período estaria purificada 
não cabendo a hipótese de imundícia causada pelos corpos espalhados por todos os 
lados. 
Percebemos que o maior problema de localização no tempo e em alguns pontos 
se dá por colocarem como sendo a mesma peleja a de Gogue e seus aliados e a 
batalha de Armagedom. 
Armagedom é futura e é o evento que marca a vinda de Jesus Cristo para 
estabelecer seu reino messiânico (Ap 19:11). 
12.4.2- os exércitos inimigos 
Uma questão bastante interessante é quanto aos exércitos que estarão em 
marcha contra Israel para a grande batalha, pois para identificarmos a razão da invasão 
e seus agentes precisaremos observar que Armagedom é a última batalha de uma 
guerra iniciada no meio da grande tribulação. Quando as forças aliadas da Rússia 
invadirem a palestina para saqueá-la (Ez 38:11-12), o anticristo ainda estará em aliança 
com Israel, fazendo que este após presenciar o próprio Deus destruindo a 
confederação do Norte, romperá esta aliança com Israel a fim de subjuga-la e tomar-lhe 
como propriedade. Após este conflito em que Deus vence os inimigos de Israel inicia-se 
a segunda metade da grande tribulação que será marcada por um domínio mundial de 
um só governo, o do anticristo. 
109 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Em Daniel 11:36-45 é profetizado a vinda de um rei maligno e soberbo, sua boca 
proferirá blasfêmias contra o Deus Todo-Poderoso .(v36; Ap 13:5-6), este é o mesmo 
chifre pequeno de Dn 7:8; a besta; o anticristo. Em especial do v.40 ao 45 é descrita 
uma movimentação de guerra: “E, no fim do tempo, o rei do Sul lutará com ele, e o rei 
do Norte o acometerá com carros, e com cavaleiros, e com muitos navios” (v. 40). Esta 
menção ao rei do norte parece indicar que quando a confederação do norte invadiu a 
palestina para saqueá-la, o líder russo sobreviveu, se é que foi para a batalha; o que 
podemos notar é que tendo Deus destruído seu exército e seus aliados, este rei se une 
agora ao rei do sul para irem de encontro com o líder mundial, o anticristo, que Durante 
este período estará dominando toda a terra. Existem comentaristas que posicionam 
esta batalha em que está envolvido o rei do norte e o rei do sul como sendo a guerra de 
Gogue, no entanto as causas das duas batalhas são diferentes na, primeira Gogue 
quer tomar a terra para rouba-la e escravizar os que vivem nela (Ez 38:11-13), na 
segunda o alvo é o rei que há devir, a besta. No entanto tudo isto faz parte do propósito 
de satanás que já influenciou líderes do mundo inteiro para que fossem para a 
palestina, onde uniriam as suas forças para guerrearem contra Jesus (Ap 16:13-16); em 
primeira instancia o rei do norte e do sul estarão guerreando contra a besta que terá 
alguns aliados que se submeteram a força ao anticristo que são a Líbia e a Etiópia, ou 
o que restou deles depois da destruição de seus exércitos pelo próprio Deus, ao
mesmo que anteriormente, e é quando o anticristo recebe notícias vinda do Oriente e 
do Norte que o espantarão (v.44), o que parece identificar com Ap.16:12, que fala da 
preparação para a vinda de um exército do oriente, ou lugar do nascimento do sol, para 
a batalha de Armagedom; este podem ser os exércitos chineses ou uma confederação 
asiática, apesar da primeirahipótese ser mais aceita. Sabendo desta vinda iminente 
desta força oriental a besta se dirigirá a Jerusalém e:“armará as tendas do seu palácio 
entre o mar grande e o monte santo e glorioso; mas virá ao seu fim, e não haverá quem 
o socorra.” (v.45). Neste ponto todos os reis da terra já estão na região da ultima
batalha, cheios do mesmo sentimento de revolta contra Deus, tendo suas mentes 
influenciadas pelo poder dos três demônios que saíram a operar sinais (Ap 16:13-14); 
aqueles que a principio queriam lutar contra o anticristo, agora se voltam contra Deus 
se juntando para um só propósito, talvez a questão não seja de aliança de paz entre 
eles mas numa tentativa de destruírem não só o povo de Israel mas também a cidade 
de Jerusalém que ao que parece será a única no mundo a permanecer de pé depois de 
tantas guerras e catástrofes. 
110 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
12.4.3- A vitória do Senhor 
A vitória do Senhor nesta batalha está totalmente ligada a volta de Jesus para 
inaugurar o reino messiânico, no entanto nos detere mos a expor os fatos relativos à 
sua vitória contra os exércitos de satanás e sua besta. 
Dois textos comentam amplamente esta vitória e seus resultados que são 
Ap19:11-21 e Zc14. Neste ultimo o profeta demonstra que Jerusalém ainda estará de 
pé mesmo depois de tantas catástrofes; coma invasão dos inimigos as casas serão 
arrombadas e as mulheres estupradas, com isso a população fugirá para se esconder 
como quem sai em exílio (Zc 14:2l; leia também a profecia de dupla referencia proferida 
por Jesus em Mt 24:15:20). O v.3 de Zc14 faz menção a uma batalha anterior “Então, 
sairá o SENHOR e pelejará contra essas nações, como pelejou no dia da batalha.” ; 
esta bem pode ser a que o Senhor venceu Gogue e seus aliados, ou apenas a uma 
menção geral as vitórias concedidas por Deus a Israel; a questão é que Deus promete 
destruir seus inimigos. ” Naquele dia procurarei destruir todas as nações que vierem 
contra Jerusalém” (Zc 12:9). 
Haverá um momento dramático nos instantes antes davinda de Jesus Cristo, 
pois todos estão no vale de Megido e em toda a redondeza ; quando Jesus surge Ap 
19:19 diz: “E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem 
guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo e ao seu exército.”; a ousadia será 
retribuída com fúria por parte de Cristo, que prenderá a besta e o falso profeta 
lançando-os vivos no lago de fogo e enxofre, e todos os exércitos foram mortos pelo 
próprio Cristo (v.20 e 21). 
111 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
CAPÍTULO 13 
A VINDA DE JESUS 
Todo o desenrolar dos acontecimentos escatológicos à partir daqui, está 
relacionado a vinda de Jesus Cristo. Quanto a isso já sabemos que ela é dividida em 
duas fazes; a primeira é o arrebatamento, aonde Cristo vem até as nuvens de maneira 
“invisível” aos pecadores, para buscar sua igreja redimida; nesta segunda fase ele vem 
de maneira visível, ou seja, todos o verão, independente quem seja: “Então, aparecerá 
no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o 
Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.” . Sua vinda 
não é para redimir a humanidade, pois para isso já veio em seu primeiro advento, mas 
para trazer juízo sobre a terra. O que Deus falou por meio do profeta Malaquias deve 
servir como alerta às nações, a fim de se converterem ao Senhor 
“para que eu não venha e fira a terra com maldição. ” (Ml 4:6) 
13.1- O LOCAL DA VINDA 
A ascensão de Jesus se deu no Monte das Oliveiras; naquele momento surgem 
dois anjos que falam profeticamente a respeito de seu futuro retorno: 
E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que 
dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões 
galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi 
assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. Atos 1:11 
A profecia Angélica aguarda seu cumprimento literal, pois a maneira e natureza 
de sua volta foram claramente expostas pelos anjos “Esse Jesus que dentre vós foi 
assunto ao céu virá do modo como o vistes subir”, ou seja, visível, corpórea, gradual e 
no monte das oliveiras. O local é da vinda de Jesus já é conhecido, e era desde o 
profeta Zacarias, pois Deus já o revelara “Naquele dia, estarão os seus pés sobre o 
monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente” (Zc 14:4). 
112 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Também conhecido como Olivete o Monte das Oliveiras fica ao oriente de 
Jerusalém (Zc 14:14) e o que o separa da cidade é o vale de Cedrom. A montanha tem 
quatro picos, o “Galileu”; os “profetas”, este nome é dado em razão de haver no local 
uma gruta chamada “Tumulo dos profetas”; o “Monte da Ofensa” ou “Monte da 
Corrupção”, leva este nome devido ser o lugar onde Salomão erigiu “altos” a Quemos, 
Moloque, Astarote, Camos e Milcom a fim de agradar suas esposas idólatras (IRs 11:7-
8; IIRs 23:13); e por último o “Monte da Ascensão”, o mais alto de todos, onde tra 
dicionalmente foi o lugar da ascensão de Cristo; na parte central deste encontra-se a 
“Igrej a da Ascensão” construída por Constantino no quarto século. 
O Monte das Oliveiras foi cenário de muitos acontecimentos importantes, foi por lá 
que Davi fugiu de Absalão, seu filho (IISm 15:30); Ezequiel, numa visão vê a glória de 
Deus pousando sobre o monte (Ez 11:23); foi ali onde Jesus pregou o seu ultimo e 
escatológico discurso (Mt 24; 25; Mc 13 e Lc 21). Era um lugar pessoalmente preferido 
por Jesus e onde ouve o episódio da transfiguração (Mt 17:1-13) e foi próximo da 
descida do monte que o povo começou a aclama-lo ao entrar em Jerusalém (Lc 19:37); 
ali em suas encostas ficava o Getsêmani, onde o Senhor orava constantemente (Mt 
26:36). Através da profecia de Zacarias 14:4 e dos anjos em Atos 1:11, podemos 
concluir que Jesus aparecerá forma corpórea no monte das oliveiras, de frente para 
Jerusalém. 
13.2- AS CONSEQÜÊNCIAS DA VINDA 
Em seu primeiro advento Jesus trouxe mudanças que marcariam não só na 
religião como também na sociedade em geral, seus ensinos e doutrinas permanecem 
marcados em qualquer povo mesmo que este não o adore como Senhor. Em seu 
segundo advento as mudanças serão ainda mais marcantes e porque não dizer, 
terríveis. Neste tópico veremos as principais conseqüências de seu retorno seja no 
planeta ou na humanidade. 
13.2.1- As mudanças topográficas 
Por todo o período tribulacional haverá terremotos de escala cada vez maior (Ap 
6:12; 8:5; 11:13; 11:13; 11:19; 16:18), porém no momentoda vinda de Jesus 
acontecerão mudanças inusitadas, e isto é descrito pelo profeta Zacarias: 
113 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
O monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o 
ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o 
norte, e a outra metade, para o sul. Fugireis pelo vale dos meus montes, porque o 
vale dos montes chegará até Azal; sim, fugireis como fugistes do terremoto nos 
dias de Uzias, rei de Judá; então, virá o SENHOR, meu Deus, e todos os santos, 
com ele. Acontecerá, naquele dia, que não haverá luz, mas frio e gelo. Mas será 
um dia singular conhecido do SENHOR; não será nem dia nem noite, mas haverá 
luz à tarde. Naquele dia, também sucederá que correrão de Jerusalém águas 
vivas, metade delas para o mar oriental, e a outra metade, até ao mar ocidental; 
no verão e no inverno, sucederá isto. (...) Toda a terra se tornará como a planície 
de Geba a Rimom, ao sul de Jerusalém; (Zc 14:4-8,10) 
Ao descer do céu Jesus colocará seus pés literalmenno monte das oliveiras 
causando algo tão assombroso que boa parte dos comentaristas deste texto não 
aceitam essa afirmação do profeta como sendo literal; Calvino chamade ignorantes os 
que interpretam este texto desta maneira, talvez ele não tenha lido o que diss eram os 
profetas Miquéias e Naum: 
Os montes debaixo dele se derretem, e os vales se fendem; são como a 
cera diante do fogo, como as águas que se precipitam num abismo. (Mq 1:4) 
Os montes tremem perante ele, e os outeiros se derretem; e a terra se 
levanta diante dele, sim, o mundo e todos os que nele habitam. (Na 1:5) 
Com a abertura do monte surgirá no meio das duas metades um vale muito 
grande que se estenderá até Azel, o lugar é desconhecido massau o nome de um 
descendente de Saul, o terror diante de tal acontecimento causará a fuga desesperada 
de muitas pessoas; Deus revela que será uma fuga desesperada semelhante ao 
terremoto que houve no tempo do rei Uzias (IICr 26), detalhes sobre este grande 
tremor mencionado por Zacarias não são encontrados nas Escrituras, porém Flavio 
Josefo faz comentário sobre ele, fazendo menção à tradição judaica quanto ao 
acontecimento, dizendo: 
Sentiu-se um terrível tremor de terra; o alto do templo abriu-se, um raio de 
sol feriu o ímpio rei no rosto, e no mesmo instante ele ficou coberto de lepra. O 
mesmo tremor de terra dividiu em dois, num lugar perto da cidade, de nome 
Eroge, o monte que está voltado para o ocidente, do qual metade foi levada a 
quatro estádios dali, contra outro monte que está voltado para o levante, o que 
barrou a estrada principal e cobriu de terra os jardins do rei. 
Este dia será singular, diz a Bíblia, referindo-seà questão de não ter aparência de 
um dia comum (Zc 14:6-7). Outra grande mudança na topo grafia da região será o 
surgimento de 
114 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
uma nascente de água em Jerusalém que correrão para o mar da Galiléia e para o 
Mediterrâneo (v.8; Ez 47:1-12) 
Interpretar estas profecias de maneira literal traz certo incômodo para muitos 
como já foi dito anteriormente, no entanto não podemos deix ar de observar que se não 
for assim estaremos a mercê de interpretações que surgirão de mentes criativas e 
especuladoras, ou seja, se Deus usou um monte literal (o das Oliveiras) e um agente 
literal (o Messias) porque achar que os eventos que cercam os dois são meramente ale 
góricos? Temos por base, para crer que acontecerão abalos cósmicos e terrestres 
como també m outros acontecimentos, várias referências bíblicas que mencionam tais 
eventos (Jl2:30-31; Mt 24:29). 
13.2.2- A restauração espiritual da nação 
Este é um momento dramático da história de Israel, pois tudo o que Deus 
anteriormente prometera está relacionado a conversão dos judeus. Neste ponto nos 
deparamos com o cumprimento da aliança estabelecida com Abraão e posteriormente 
confirmada através do profeta Jeremias, que é a nova aliança (já estudada 
anteriormente) encontrada em Jr 31:31-34. em meio aos acontecimentos concernentes 
à vinda do Senhor, em um dado momento Deus executará a “abertura de olhos” da 
nação para que s e convertam a ele; Zacarias descreve este momento: 
E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o 
espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; 
pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se 
chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em 
Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom, no vale de Megido. A terra 
pranteará(...) 
Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os 
habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza. (Zc12:10-12; 
13:1) 
Muitas profecias indicam este momento (Ez 37:12-14; 39:29; Jl 2:28; Is 32:15). 
Será o ápice do amor de Deus por um povo que rejeitara todas as iniciativas divinas de 
restaurar o relacionamento destruído pelo pecado. 
115 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
13.2.3- Os julgamentos 
A vinda de Jesus trará consigo dois juízos, estes são: o julgamento dos judeus 
e o dos gentios. 
O propósito destes é purificar a terra daqueles que se tornaram rebeldes e 
incrédulos, a fim de que o Senhor possa inaugurar o reino messiânico. 
a) O julgamento dos judeus
Este é o primeiro a ser realizado. Deus em Ez 20:36-38 faz menção a este 
momento: 
Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim 
entrarei em juízo convosco, diz o SENHOR Deus. Far-vos-ei passar debaixo do 
meu cajado e vos sujeitarei à disciplina da aliança; se pararei dentre vós os 
rebeldes e os que transgrediram contra mim; da terra das suas moradas eu os 
farei sair, mas não entrarão na terra de Israel; e sabereis que eu sou o 
SENHOR. 
Zc 13:1-6 parece indicar que mesmo sendo convertida a nação, ainda haverá uma 
purificação, o que parece razoável se levarmos em conta que o cristão sofre uma 
contínua purificação, mesmo que não seja referente aos pecados já perdoados por 
Deus mas de práticas que como passar do tempo vão sendo eliminadas da vida do 
convertido. Assim como Deus preparou a nação no deserto para entrar na terra 
prometida, fará novamente, porém de maneira definitiva, para serem introduzidos no 
reino messiâ nico. 
O caráter do julgamento é de extrema rigidez, pois diz “Far-vos-ei passar 
debaixo do meu cajado e vos sujeitarei à disciplina da aliança”. Ainda assim parece 
que muitos não se arrependerão, já que Ezequiel menciona uma separação “ 
separarei dentre vós os rebeldes e os que transgrediram contra mim”. 
116 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
b) O julgamento dos gentios
Imediatamente após o julgamento dos judeus, as Escrituras mencionam o 
julgamento das nações, o que pode ser entendido como sendo os gentios, pois o 
termo traduzido por nações é ethnos, usado para se referir aos povos pagãos. 
O texto que menciona este julgamento está em Mateus25:31-46; aqui Jesus 
revela o momento do juízo: 
Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com 
ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão 
reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor 
separados cabritos as ovelhas; (v.31-32) 
Este momento não pode ser localizado em outro tempo a não ser o de seu 
retorno; o problema que surge é quanto ao método usado por Jesus naquele dia, pois o 
texto parece trazer evidência de que a salvação deverá literalmente ser comprovada 
por obras durante o período tribulacional (v.35-46), é obvio que a morte vicária de Cristo 
não perderá o valor, no entanto parece lógico que os que se disserem cristãos na 
grande tribulação não poderão ficar só na palavra já que o ser será sentença de morte 
evido o culto ao anticristo e a marca da besta, ou seja, só permanecerão fiéis os que 
realmente se converteram ao Senhor. 
Jesus traz uma questão bastante relevante que é a relação dos gentios com os “ 
meus pequeninos irmãos ” (v.40); o contexto indica que ele está falando dos judeus, 
assim vemos que quando o anticristo estiver perseguindo-os, os gentios convertidos 
que os ajudarem e visitarem terão comprovado a sua fidelidade para com Jesus Cristo, 
e isso lhes será imputado por justiça, não própria, mas como fruto de sua fé, cabendo 
então o que disse Tiago: “a fé sem as obras é morta” (Tg 2:20). 
O resultado do julgamento é uma separação entre os gentios, “e porá as ovelhas 
à sua direita, mas os cabritos, à esquerda” (v.33); os da direita representam os salvos 
que agora herdam o reino messiânico (v.34); conseqüentemente os da esquerda são 
os perdidos, aos quais é dito: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, 
preparado para o diabo e seus anjos.” (v.41). 
Outras importantes conseqüências são: o término da primeira ressurreição e a 
inauguração do reino messiânico. No entanto, por me recerem ainda melhor atenção, 
serão tratadas em capítulos separados. 
117 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
CAPÍTULO 14 
AS R E S S U R R E I Ç Õ E S 
Este assunto é bastante discutido na escatologia bíblica; muitas teorias surgem 
quando se procura estabelecer uma seqüência ou uma localização no tempo das 
ressurreições mencionadas nas Escrituras. Em Ap 20:5 encontramos uma referência à 
primeira ressurreição, o problema surge quando percebemos que esta será após a 
grande tribulação, preparando os salvos para entrarem no milênio. Daí nos vem uma 
pergunta: será esta ressurreição a do arrebatamento? Se assim for, o arrebatamento é 
após o período tribulacional? A resposta para estas e outra perguntas serão 
respondidas ao estuda rmos o plano da ressurreição. 
Existem dois tipos básicos de ressurreição a chamada ressurreição para vida e 
ressurreição para a condenação. 
14.1- A RESSURREIÇÃO PARA A VIDA 
Esta é encontrada com outras apresentações, porém, o sentido é o mesmo; em 
Lc 14:14 é chamada de “ressurreição dos justos”; em Hb 11:35 de “melhor 
ressurreição”; e Ap 20:6 diz: “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na 
primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão 
sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos”. Esta difere da 
ressurreição para condenação no que se refere à razão e conseqüência; aos que 
forem vivificados são prometidas bênçãos e recompensas (Mt 22:30; Ap 20:6). 
Quanto ao texto de Ap 20:5 onde é mencionada a primeira ressurreição; o 
problema que esta referencia traz é a respeito de sua ligação com o arrebatamento, 
ou seja, os pós-tribulacionistas acreditam que esta é a mesma ressurreição 
mencionada por Paulo em sua carta aos tessalonicenses onde diz que: 
Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do 
arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá doscéus, e os mortos em Cristo 
ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os q ue ficarmos, seremos 
arrebatados 
118 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, 
assim, estaremos para sempre com o Senhor. (ITs 4:16-17) 
No entanto há um erro fatal nesta colocação, pois despreza a explicação dada 
nos mesmos versículos onde é mencionada a primeira ressurreição, onde lemos: 
E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder 
de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus 
e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não 
receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante 
mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. 
Esta é a primeira ressurreição (Ap 20:4) 
O texto deixa bem claro, que, ressurgirão no fim da grande tribulação os que: “ 
foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não 
adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão” , 
ou seja, os que morreram durante o período tribulacional. 
Mas então a que se refere esta “primeira ressurreição”? Como vimos 
anteriormente esta faz parte do grupo de nomes que se referem à ressurreição para a 
vida, ou seja, todas as ressurreições dos salvos formam o grupo da ressurreição que 
vem como prêmio aos servos de Cristo, por isso João disse: “Bem-aventurado e santo é 
aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem 
autoridade”. Paulo aos Coríntios nos fala desta vivificação futura para os crentes em 
Jesus Cristo, que acontecerá no arrebatamento, trazendo um ensinamento sólido 
contra qualquer falso ensino, pois tentam associar a do arrebatamento com a que 
acontecerá no final da Grande tribulação. O texto se encontra em ICo 15:22-23, estes 
dois versículos trazem verdades que precisam ser analisadas em separado para que 
tenhamos um melhor entendimento. 
1) A primeira está no v. 22.
Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim ta mbém todos serão 
vivificados em Cristo. 
Neste ponto muitos podem deduzir uma só ressurreiçã o, ou seja, toda a 
humanidade um dia será vivificada em Cristo, o que torna a doutrina em heresia, no 
entanto isto não faz parte do pensamento de Paulo, nem tem relação com a linha de 
raciocínio que ele quer traçar aqui; o que está em sua mente é o mesmo paralelo 
traçadoem IÇO 15:45 “Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma 
vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.” , isto é, o primeiro Adão (o Adão 
do Éden), foi fei to homem natural; tendo 
119 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
pecado ficou sujeito à morte física e sofrendo a mo rte espiritual (Gn 2:17); da mesma 
forma os que ainda não estão em Cristo fazem parte desta natureza, ou seja, a morte 
tem poder sobre eles, diferente dos que agora são justificados por meio da morte 
vicária de Jesus Cristo, o último Adão (ICo 15:53-57), estes mesmo morrendo 
fisicamente não estão separados de Cristo (Rm 8:34-36), aguardam, porém, o momento 
de sua ressurreição. Então o versículo 22 fica claro; todos que estão ligados a Adão 
pela natureza pecaminosa e sem a devida justificação, morrerão tendo sido separados 
de Deus de uma vez por todas; da mesma forma os que estiverem ligados em Cristo 
serão ressuscita dos assim como ele ressuscitou, por isso ele é chamado de “as 
primícias dos que dormem” (ICo 15:20). 
2) A segunda verdade neste texto, refere-se aos participantes da ressurreição
que acontecerá no arrebatamento; o versículo é o 23. 
Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os 
que são de Cristo, na sua vinda. 
A ordem é determinada neste verso, pois trata não da vinda em glória no final da 
Grande tribulação, mas sim da vinda no arrebatamento da igreja. Veja que Paulo 
confirma o que disse no versículo 20, dizendo que primeiro será ressuscitado Jesus 
que é “as primícias”, ou os primeiros frutos da colheita; depois, isto é, após um 
intervalo, os que são de Cristo ressuscitarão na sua vinda. Veja bem os que são de 
Cristo representam aqueles que estão “em Cristo”, não um outro grupo e qualquer 
outra época anterior ainda que seja de redimidos. 
14.1.1- A ressurreição dos salvos do Velho Testamen to 
Outro questionamento bastante interessante é quantoà ressurreição dos salvos do 
Velho Testamento; como já vimos a primeira ressurreição de Ap 20:5 inclui três fazes 
que são: a ressurreição de Cristo; a da igreja no arrebatamento e a dos salvos da 
grande tribulação, para chegarmos a um veredicto precisaremos analisar cada uma 
destas fazes para sabermos em qual dela os judeus salvos caberiam. A primeira trata 
da ressurreição de Jesus, portanto esta já pode ser descartada; na segunda também 
não podem estar incluídos os Judeus, pois como vimos esta está ligada aos que “são 
de Cristo”. Outro fator determinante para não incluirmos a ressurreição dos Judeus 
salvos, no arrebatamento se dá por conta de Deus ainda estar tratando com Israel 
durante o período tribulacional, ou seja, no arrebatamento a igreja terá findado, 
iniciando o processo de restauração espiritual de Israel, sendo assim não há motivos 
para crer que Deus ressuscitará os Judeus salvos no arrebatamento, já que ainda não 
terminou seu plano 
120 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
para com Israel, cabendo, então esta ressurreição, no final da Grande tribulação, 
juntamente com os mártires do período tribulacional e em seqüência com a 
restauração de Israel, para que os judeus vivos que se converteram, juntamente com 
os vivificados, possam gozar do cumprimento das alianças feitas por Deus para com a 
nação. 
Concluímos então que a primeira ressurreição mencionada em Ap 20:5 é 
composta pela ressurreição de Jesus Cristo, da igreja no arrebatamento, dos salvos da 
grande tribulação e dos redimidos do Velho Testamento. 
14.2- A RESSURREIÇÃO PARA CONDENAÇÃO 
Esta é assim apresentada em Jo 5:29 “E osque fizeram o bem sairão para a 
ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação”. 
Também chamada de “segunda morte”, é diferente da anterior; esta não traz nenhum 
tipo de benefício, mas está totalmente ligada a condenação eterna. João ao mencionar 
a primeira ressurreição (Ap 20:5) fala também a respeito dos que não participaram dela 
dizendo: “Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil 
anos.” , isto é, os não salvos de todos os tempos não ressurgirão antes que se cumpra 
a era milenar; estes são os que “morrem em Adão” (ICo 15:22). Algo que se pode 
perceber é que em todo o capítulo 15 de ICorintios, Paulo nunca faz menção a este 
grupo de ressurretos; só vamos encontrá-los em Ap 20:11-15, no juízo do Grande 
Trono Branco que é após o milênio. No v.12 desta passagem João diz que as bases do 
julgamento serão as obras de cada um; o versículo diz: “E os mortos foram julgados, 
segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros”. “O livro da vida” 
mencionado no v.12 indica um “controle” por parte de Deus contendo os nomes de 
todos os genuinamente convertidos. O resultado não pode ser modificado, não há 
revisão de caso ou uma nova audiência; que não tiver seu nome escrito será 
condenado. Algo interessante é que nenhum deles terá seu nome neste livro, esta parte 
do julgamento parece indicar a justiça de Deus de maneira que ele exporá provas 
cabais contra qualquer argumentação. Sobre o veredicto João diz: “ E, se alguém não 
foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” . 
121 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
CAPÍTULO 15 
O M I L Ê N I O 
O milênio não se restringe a uma parte do estudo de escatologia, é algo tão 
importante que se deve encarar como doutrina da igreja cristã. 
Desde a igreja primitiva já se acreditava no período literal de mil anos que viria a 
ser instaurado por Jesus Cristo em sua vinda; no entanto a igreja Romana não 
reconheceu o milênio como literal e sim espiritual, ou seja, na cruz Cristo já acorrentou 
Satanás e agora vivemos num mundo governado diretamente por Deus. Uma desculpa 
para não se acreditar em sua literalidade está em ver o milênio como uma “esperança 
Judaica”, isto é, acreditam que está fundamentada na esperança de um tempo futuro de 
benção para a nação de Israel, onde o messias os governará. 
Milênio vem da palavra grega chilioi (cilioi), que significa literalmente: mil; desta 
surgiu o termo “Quiliasmo”, mais tarde conhecido como milenarismo. 
15.1- TEORIAS SOBRE MILENARISMO 
O ensino de um milênio futuro tem seus perseguidores, são aqueles que não 
acreditam na literalidade deste tempo que virá. Estudaremos de maneira breve cada 
uma destas correntes de interpretação, como também a adotada neste estudo. 
15.2.1- Pós- Milenismo 
Tanto o pós-milenismo como o pré-milenismo tem como ponto chave à volta de 
Cristo a terra, ou seja, seu retorno marca o fim ou o inicio da era milenial, sendo assim 
o pós-milenista acredita que Jesus virá após o fim do milênio, enquanto o pré-milenista
crê que a volta do Senhor será anterior ao milênio.
122 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
O pensamento pós-milenista surgiu por volta do ano 1700, na Inglaterra, num 
momento em que o humanismo tomava conta da Europa, se desenvolveu de maneira 
bastante considerável nos séculos seguinte e hoje faz partedo pensamento de alguns 
grandes nomes da teologia como Charles Hodge, B.B. Warfield, W.G.T. Shedd, e A.H. 
Strong. 
Estes crêem que o milênio não se trata de um período literal de mil anos, mas sim 
de um período de tempo indeterminado que se iniciou com a morte de Cristo; crêem 
que foi neste momento em que se deu o aprisionamento de Satanás. Desde então o 
mundo vem num constante movimento de melhora, e tem como “motor” para essa 
evolução da paz e justiça social, a evangelização e a ação do Espírito Santo, ou seja, a 
cada mais pessoas se converterão a ponto de a grande maioria da humanidade ser de 
crentes em Jesus, o que fará que chegue um tempo onde o mal será tão insignificante 
que nem será notado, para isto baseiam-se entre outras passagens, na parábola do 
grão de mostarda e na do fermento (Mt 13:31-33). Os pós-milenistas acreditam que 
devido que todas as nações estarem debaixo da autoridade de Cristo, este mundo em 
que vivemos terá dias extremamente melhores. Quanto ao reinado de Jesus Cristo, a 
teoria acredita que o Senhor não necessita descer a terra para um reino literal, pois já 
reina em nossos corações e está assentado em um trono real no céu. 
Quanto ao arrebatamento crêem que este acontecerá quando na terra a grande 
maioria for de salvos, assim Jesus vem em forma física, arrebata seu povo que estiver 
vivo e também ressuscita os mortos salvos da era da igreja e também os do velho 
Testamento, levando-os consigo; retorna imediatamente a terra para julgar os ímpios. 
Neste ponto algo que deve ser mencionado; é que para o pós-milenista haverão duas 
ressurreições na vinda de Jesus, a do momento do arrebatamento e a quando ele se 
assenta para julgar os ímpios, ressuscitando, assim, os não salvos de todos os tem 
pos, que é juízo final do Grande Trono Branco. Neste conceito não existe nenhuma 
diferença entre Israel e igreja. 
Esta teoria está praticamente extinta desde o inicio do século XX, no entanto seus 
adeptos migraram em sua maioria para o amilenismo por terem muito ponto em 
comum. 
15.1.2- Amilenismo 
O amilenismo ou, como preferem os adeptos da teoria, “milenismo realizado”, não 
tem data certa para seu surgimento, no entanto sua estrutura foi estabelecida por 
Agostinho, bispo de Hipona, e absorvido pela igreja católica, sufocando a crença da 
igreja primitiva num milênio literal; quando se deu a reforma protestante no século XVI 
os reformadores deram 
123 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
continuidade a este pensamento, tanto é que a grande maioria das igrejas históricas 
reformadas são amilenistas. 
Os amilenistas não aceitam o milênio como sendo literal, desta maneira concluem 
que já estamos no milênio, por isso a preferência pelo titulo “milenismo realizado”. 
Desta maneira o milenio trata-se do reinado de Cristo no coração dos crentes, os quais 
já desfrutam dos benefícios de seu governo espiritual. Seus principais defensores são 
L. Berkhof, O.T. Allis, G.C. Berkhouwer, entre outros.
Quanto ao arrebatamento não crêem que este ocorrerá, pois vêem a volta de 
Jesus como sendo uma, sendo esta localizada no fim do tempo para ressucitar os 
mortos salvos e juntamente com os fiéis vivos leva-los ao céu; neste mesmo momento 
entendem que serão ressurretos os ímpios de todos os tempos que com os não salvos 
vivos comparecerão ao juízo final para serem condenados, desta maneira para o 
amilenista haverá duas ressurreições universais, uma única para a salvação e outra 
para a condenação, o que tem sido difícil de ser provado. 
Esta, entre todas é que mais se fortaleceu desde a reforma protestante, e hoje é 
amplamente aceita na Europa e Estados Unidos, conseqüentemente o mundo se 
dispõe a abraçar esta crença sem maiores análises. 
15.1.3- Pré-milenismo 
Diferente das outras teorias o pré-milenismo acredita num milênio literal, ou seja, 
Jesus estará literalmente na terra governado-a e estabelecendo a justiça e paz entre a 
humanidade, sendo este período de exatamente mil anos. 
Basicamente o pré-milenismo se divide em duas subclasses: os históricos e os 
dispensacionalistas 
a) O pré-milenismo histórico: formado por aqueles que acreditam num milênio
literal e subseqüente a vinda de Cristo, no entanto o problema é que interpretam o livro 
de apocalipse como sendo um quadro histórico que trata do propósito e da história da 
redenção, isto é, para eles o apocalipse é meramente um livro que conta a históriada 
salvação da humanidade, desprezando o caráter profético e futurístico apresentado no 
livro, desta maneira não acreditam que existirá o período tribulacional, anticristo, 
derramamento da ira divina por meio de flagelos etc. Seus principais defensores são 
G.E. Ladd, A. Reese e M.J. Erickson. 
124 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
b) O pré-milenismo dispensacionalista: como já foi abordado anteriormente,
esta é a posição adotada neste trabalho. Este pensamento interpreta o apocalipse 
como tendo seus acontecimentos, ainda que obscurecidos por símbolos, como literais, 
sendo assim o milênio deve ser encarado como um reino literal de mil anos, que será 
inaugurado na vinda gloriosa de Jesus Cristo. Grandes intérpretes e professores de 
escatologia Bíblica defendem o dispensacionalismo, como: L.S. Chafer, J.D. Pentecost, 
C.C. Ryrie, J.F. Walvoord e Scofield, entre outros.
Com certeza é o que mais avança na atualidade e começa a assustar os 
amilenistas que até então estavam em situação confortável, já que vivem na sombra 
dos grandes nomes da reforma. O dispensacionalismo tornou-se alvo de criticas por 
crer nos acontecimentos preditos por mais estranhos que pareçam ser, os 
perseguidores não vêem possibilidade de haverem sinais tão prodigiosos como os 
descritos no Apocalipse de João, da mesma forma que os egípcios não acreditavam 
que sucederiam pragas tão terríveis como as que Deus enviou contra eles por meio de 
Moisés. Observe o que pensa um Reverendo amilenista a respeito do pré-milenismo 
dispensacionalista: 
De todas essas perspectivas protestantes, a meu ver, a que mais se 
coaduna com a exegese bíblica é a posição amilenista. O Pré-milenismo, se 
parece muito com os roteiros Hollywoodianos, muitos fantasiosos. 
O pré-milenismo não é uma doutrina nova, mas sim aque fazia parte da crença da 
igreja primitiva, no entanto esta foi encoberta pela igreja Romana que procurando se 
estabelecer como autoridade suprema se colocou como a que detinha os meios para 
se desfrutar do reino milenar prometido por Jesus, tornado o mundo cristã o 
obrigatoriamente em amilenistas. Hoje o pré-milenismo é o único método de ver o reino 
milenial de maneira satisfatória e dentro do contexto Bíblico. Sua literalidade é 
totalmente necessária para que se cumpram promessas feitas em alianças com a 
nação de Israel que nunca foram cumpridas e que em hipótese alguma podem ser 
cumpridas pela igreja, já que Israel e igreja são distintas no que se refere ao propósito 
de Deus. 
125 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
15.1- A ERA MILENIAL 
Um dos mais expressivos pontos da escatologia é a promessa de um reino 
teocrático, onde o mundo será governado por Jesus Cristo, no entanto algumas 
questões estão sempre trazendo dúvida aos crentes da realidade desta teocracia. O 
que veremos agora se trata da apresentação deste reino tanto no Velho Testamento 
como no Novo. 
15.1.1- O milênio no Velho Testamento 
Fartas são as passagens que falam de um tempo de paz e prosperidade para 
Israel e de um modo quase total esta se referem ao milênio, ou seja, um reino 
totalmente dirigido pelo messias ansiosamente pelos Judeus. No Maimônides, uma 
espécie de credo Judaico se lê: 
A VINDA DO MASHIACH (Messias) E A ERA MESSIÂNICA: Creio 
plenamente na vinda do mashiach e, embora ele possa demorar, aguardo todos 
os dias a sua chegada. 
A esperança Judaica está totalmente baseada na vinda do messias para 
estabelecer este reino: 
Um ser humano descendente do Rei David, comprometido em cumprir e 
fortalecer o cumprimento de toda a Torá reunirá todos os judeus do mundo em 
Israel, reconstruirá o Templo de Jerusalém e trará a paz universal. (...)Pois além 
de trazer paz a Israel e erradicar a miséria do mundo todo, finalmente toda a 
criação finalmente atingirá o seu estado de máxima perfeição. Por mais 
acomodados e confortáveis que estejamos hoje em dia, o mundo, no mínimo, 
ainda está imperfeito.. (Por Rabino Israel Rubin, diretor de Chabad em Albany) 
O que vai acontecer quando o Mashiach vier? (...) Não haverá nem fome 
nem guerra, inveja ou competição, porque todas as coisas materiais estarão em 
abundância. Naquele tempo, ele continua, a ocupação do mundo inteiro será 
unicamente conhecer a Deus. ( Rabino Manis Friedman) 
126 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Esta tão esperada era messiânica está baseada nas alianças feitas com Abraão 
e Davi onde é prometida a terra por possessão eterna e um rei que regerá com 
justiça, no entanto encontramos por todo o Velho Testamento profecias e referencias 
este respeito. Ao falar da vinda de um futuro profeta, Moisés disse:Suscitar-lhes-ei um 
profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas 
palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar (Dt 18:18). Vejamos alguma 
referencias ao reino messiânico: 
Isaias: 4:1-6; 9:6-7; 11:1-9; 40:41; 60:1-22; 65: 17:25. Jeremias 23:1-8; Ezequiel 
39:21-29; 43-17; Daniel 12:1-4; Oséias 3:4-5; 3:17-21; Amós 9:11-15; Miquéias 4:1-5; 
5:1-15; Sofonias 3:9-20; Zacarias 8:1-8; Malaquias 4:1-6. 
Todas estas e outras profecias a respeito da era messiânica têm caráter 
totalmente literal o que é demonstrado pela esperança judaica que se firma, justamente, 
nestas promessas. Para Israel não há outro meio de cumprimento a não ser através do 
milênio, pois como já visto as alianças tem caráter futuro e incondicional, portanto 
devem e serão cumpridas. 
15.1.2 - O milênio nos Evangelhos. 
Para um judeu contemporâneo de Jesus, a esperança no messias era maior 
que em qualquer outra época, pois havia muitos anos que Deus não se manifestava 
através dos profetas; o povo era afligido pelo império Romano e tudo poderia mudar 
com a vinda do rei da linhagem de Davi. Desta maneira nos é apresentado no 
decorrer das narrativas uma seqüência de acontecimentos ligados à vinda do rei 
esperado, como também sua rejeição por parte da nação. 
O livro de Mateus é universalmente reconhecido como o que apresenta Jesus 
como o messias esperado, portanto o utilizaremos como o centro desta breve 
consideração. 
A genealogia de Jesus o liga diretamente a descendência de Davi (1:1), esta é 
que é fundamental para que o Senhor pudesse ao menos se dizer o Messias... Do 
capítulo 1 ao 11:3 Jesus é apresentado como o rei; as curas, libertações e discursos 
provam sua autoridade. A rejeição a Jesus se inicia a partir do capítulo 12 e vai até o 
16; período marcado por controvérsias entre a liderança política e religiosa. Sua total 
rejeição por parte da nação vem a partir do capítulo 17 e vai até o fim do livro. 
127 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Devemos ter em mente que Jesus veio para cumprir as profecias porém esta 
rejeição (que fazia parte da presciência de Deus) não permitiu o seu cumprimento; 
João expressa com muita clareza este fato dizendo: “Veio para o que era seu, e os 
seus não o receberam .” (Jô 1:11). Desta maneira o propósito de Deus para a nação 
foi adiado, proporcionando a inclusão dos gentios no plano divino. 
15.2.3- O milênio no Apocalipse. 
Freqüentemente os pré-milenistas são acusados de crer em tão grande evento, 
baseados em apenas um versículo (Ap 20:4), no entanto isto é uma afirmação 
desprovida do conhecimento sobre o assunto, pois todo conceito de um reino literal 
vem, como já vimos, das promessas a nação de Israel e de sua confirmação através do 
messianismo de Jesus, a questão é que em apocalipse foi completada a revelação a 
cerca da era milenar, ou seja, foi revelado aquilo que ainda estava oculto. 
O argumento mais usado contra um milênio literal é a questão de serem 
estabelecidos exatamente mil anos, o que, para muitos, é apenas simbólico e 
representa um período de tempo indeterminado como, supostamente, os dias da 
criação e a afirmação de Pedro em 2Pe 3:8;um outro argumento usado pelos 
contrários ao pré-milenismo é que um reino literal de mil anos torna a era messiânica 
exclusivamente terrena e temporal. A questão é que tais afirmações são errôneas; em 
primeiro lugar devemos ter em mente que não podemos abandonar o sistema literal de 
interpretação apenas porque algo novo foi revelado nas Escrituras e por que esta 
revelação não “soa” como digna de ser levada em consideração, se assim fosse 
também não deveríamos crer como sendo literal à volta de Jesus (todas as correntes 
crêem no retorno literal), já que parece tão fantástico como sua permanência na terra 
por mil anos. 
Quanto a referencia de 2Pe 3:8 onde lemos: “(...) para o Senhor, um dia é como 
mil anos, e mil anos, como um dia” É preciso perceber que Pedro apenas ressalta a 
nat ureza de Deus, isto é, sua onipresença; para Deus o remoto passado e o mais 
longínquo futuro são presente para Deus, e também sua eternidade, Deus não se 
cansa ou fica velho; não há ociosidade em Deus; para ele mil anos são como um dia e 
de um dia ele poder tornar em mil anos. 
O fato de o reino milenial durar exatamente mil anos não o torna temporal, pois 
este tem um caráter eterno, ou seja, assim como cristãos temos uma vida humana 
limitada, porém já 
128 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
estamos em Cristo, o que nos torna eternos em sua presença, portanto, ao 
compararmos nossa vida terrena em Cristo ao milênio veremos que apesar do reino ser 
de um tempo limitado ele tem uma validade eterna, só vai mudar o ambiente; que 
quando este findar não será mais a terra e sim a nova Jerusalém. O reino também não 
é essencialmente terreno pois também tem caráter espiritual, já que para fazer parte 
dele deve-se necessariamente ter experimentado da salvação em Cristo, ou seja, não 
estamos falando de um reino político na esfera humana mas de um reino teocrático 
(Governado por Deus), universal e totalmente equilibrado. 
Por tudo o que foi mencionado o pré-milenismo crê que a era messiânica será 
literal e durará mil anos, sob governo Divino. 
15.3- OS PROPÓSITOS DO MILÊNIO 
Toda a questão sobre onisciência de Deus pode ser muito bem expressa na 
literalidade do milênio, pois os propósitos deste, são mais antigos e mais fortes que 
qualquer pensamento atual sobre a possibilidade deste tempo de paz e prosperidade 
ser real ou não. Veremos alguns desses principais propósitos que fazem com que 
tenhamos a plena certeza da literalidade do milênio. 
15.3.1- Cumprir as alianças estabelecidas com Israe l. 
Em termos de propósitos poderíamos dizer que este é o principal deles, pois 
foram feitas promessas que nunca, na historia de Israel, encontraram cumprimento. 
Sobre estas alianças já tratamos anteriormente, porém veremos sua ligação com o 
reino milenial. 
a) Aliança abraâmica (Gn 12:1-3; 15:18-21; 17:1-8)
Nesta foram asseguradas a Israel não só a posse de finitiva da terra como 
também a perpetuidade de sua descendência; já foi colocado ueq esta com as outras 
tem caráter incondicional e nunca foram cumpridas. Sendo assim com a instituição do 
reino milenial a aliança abraâmica seria efetivamente cumprida. Miquéias a respeito da 
era messiânica disse: 
129 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces 
da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira 
para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; 
pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas 
profundezas do mar. Mostrarás a Jacó a fidelidade e a Abraão, a misericórdia, as 
quais juraste a nossos pais, desde os dias antigos.(Mq 7:18-20) 
b) Aliança palestina (Dt 30:1-10)
A posse da terra mais uma vez é assegurada com a aliança Palestina, porém isso 
só ocorreria quando Israel como nação se convertesse, o detalhe é que Deus quem 
operará este arrependimento, e isto acontecerá na volta de Jesus Cristo no final da 
Grande tribulação, dando inicio ao milênio que cumprirá esta promessa respeito da 
terra. Veja o que disse Ezequiel: 
Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós 
o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu
Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os
observeis. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo, e
eu serei o vosso Deus.(Ez 36:26-28)
c) Aliança davídica (2Sm 7:12-16)
Deus prometeu a Davi que o trono permaneceria em sua descendência e seu 
reinado como também a nação seriam estabelecidos para sempre; promessa esta que 
ainda não se cumpriu. Jesus ao ser este rei do reino milenial, estabelecerá Israel em 
sua terra e a nação terá seus direitos garantidos, cumprindo assim esta aliança. 
Farei deles uma só nação na terra, nos montes de Israel, e um só rei será 
rei de todos eles. Nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se 
dividirão em dois reinos.(...) Assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu 
Deus. O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, (...) 
Habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual vossos pais habitaram; 
habitarã o nela, (...) para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe 
eternamente. (Ez 37:22-25) 
d) A nova aliança (Jr 31:31-40)
Nesta aliança foi prometido a Israel uma conversão nacional que lhes traria a 
comunhão com Deus; estava implícito na aliança que Deus perdoaria os pecados da 
nação e lhes daria um coração novo; em outras apresentações da aliança vemos que 
Deus os encheria de seu 
130 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Espírito (Jl 2:28-29). Como as anteriores esta aliança jamais foi cumprida, e só será na 
vinda de Jesus quando Deus tirará a venda dos olhos da nação trazendo a conversão 
prometida. Portanto, para que Israel possa desfrutar das bênçãos da nova aliança é 
totalmente necessário um milênio literal. 
15.3.2- Estabelecer o propósito inicial de Deus para a humanidade 
Nos dias da criação Deus preparou todo um ambiente favorável para que sua 
obra prima vivesse nela, o homem (no sentido de humanidade) teve a primeira 
oportunidade de viver num mundo teocrático; Deus é quem governava diretamente. 
Vindo a queda o pecado impossibilitou o permitia tal relacionamento. Com isso a 
soberania de Deus de certa forma foi atingida, não que ele tenha sido surpreendido por 
algo inusitado, no entanto seu plano foi alterado; é como se Satanás dissesse que 
Deus falhar o que é fora de cogitação. No decorrer da história seja por Moisés, pelos 
juizes ou reis, ficou provado que o homem não tem condições de estabelecer um reino 
de paz e justiça plena, isso só será possível se o próprio criador se colocar como 
agende deste governo. Com isso Deus espera o momento de demonstrar sua 
autoridade no que se refere ao governo divino. Na grande tribulação Deus provará sua 
onipotência, não para a igreja, mas para toda a humanidade, Satanás e seus anjos; 
com o milênio toda a vontade de Deus como também sua soberania serão 
mundialmente reconhecidas, ou seja, Deus mostrará que seus planos não são 
frustrados. 
15.4- A VIDA DO MILÊNIO 
O governo de Jesus Cristo será de maneira nunca vista na terra; as condições de 
vida, em todos os aspectos, nunca foram experimentadas pela humanidade; e é bom 
que fique claro que o milênio não tem nenhuma relação com a morada eterna na Nova 
Jerusalém. Aqui observaremos rapidamente algumas características da vida no 
milênio. 
a) Prevalecerão a paz e justiça
Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, 
rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará juízo e a justiça na terra. Nos seus 
dias, Judá será salva, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será 
chamado: SENHOR, Justiça Nossa. (Jr 25:6-7)131 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Com a destruição dos inimigos de Israel e também das nações ímpias, será 
estabelecido um governo que trará toda a questão de justiça social e jurídica sob total 
controle, o que proporcionará um estado sólido e coeso, trazendo como conseqüência 
uma paz sustentada pela autoridade do Senhor Jesus Cristo; parece claro que em 
alguns aspectos será uma paz, para alguns, forçada pois não poderão agir como 
desejam sendo obrigados a se submeterem, pois toda desobediência será 
rigidamente castigada (Zc 14:16-19). 
b) Será quebrada a maldição que estava sobre a terra
Este é um grande ponto no que se refere às características da vida milenial, 
pois desde a queda do homem terra está sob uma maldição que tem trazido 
sofrimentos e toda sorte de aflições a sociedade como todo e ao individuo. Em 
gênesis 3:17-19 lemos: 
Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te 
ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás 
dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos 
eabrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, 
até quetornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. 
Por causa desta maldição a terra não produz o que deveria e o homem se torna 
escravo dela tendo que depender do pleno esforço para obter seu sustento; esta 
maldição, que atingiu diretamente o homem, o torna indefeso às doenças e 
deformações; o pecado o separa de Deus (Rm 3:23), na era milenial isto não 
acontecerá poisa maldição sobre a terra será tirada e como conseqüência da conversão 
da humanidade, também será tirada do homem. No milênio vários aspectos de nossa 
vida diária serão modificados devido a retirada desta maldição. A terra produzirá como 
nunca (Zc 8:12), trazendo prosperidade e abundância (Is 30:23-25), até o sol e a lua 
produzirão mais luz, sem que haja aumento de temperatura (Is 30:26); o trabalho 
continuará a existir, mas este não será feito de maneira fatigante (Is 65:21-23); toda a 
humanidade buscará ao Senhor (Zc 14:16; Is 12:3-6), trazendo plenitude espiritual (Jl 
2:28-29) e santidade (Is 4:3-5) aos servos do reino. O próprio Senhor estará com a 
humanidade por meio de Jesus Cristo (Ez 37:27-28), com isso, logo no inicio do milênio 
os doentes serão curados, os surdos ouvirão, os cegos enxergarão, os aleijados 
andarão, enfim, todos os que tiverem defeitos físicos serão restaurados (Is 35:3 -6); as 
pessoas viverão muito mais que hoje se vive, portanto “morrer aos cem anos é morrer 
ainda jovem” (Is 65:20). 
132 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Todas estas bênçãos trarão uma felicidade real aos habitantes da terra que se 
alegrarão no Senhor por cada um de seus benefícios. 
Os resgatados do SENHOR voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo; alegria 
eterna coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o 
gemido. (Is 35:10) 
c) Os ressurretos e os vivos no milênio
Um ponto bastante interessante é a questão da relação dos crentes que 
ressuscitaram na primeira ressurreição (salvos do Velho e do Novo Te stamento) e 
que viverão juntamente com os que estarão vivos na era milenial. A questão parece 
delicada se separarmos do ponto de vista humano, mas para o Senhor isso não será 
problema. 
Os amilenistas argumentam que isso não será possível, pois se tratam de duas 
naturezas totalmente distintas, no entanto devemos levar em consideração duas 
coisas; 1) Jesus, após sua ressurreição se apresentou a Maria madalena, aos 
apóstolos, conversou com eles e percorreu vários lugares diferentes (João 20:11-13; 
19-23; 26-29; 21:1; At 1:7-8), tornando totalmente possível uma convivência. 2) É
preciso lembrar que os ressuscitados não estarão na mesma posição que os vivos, ou
seja, os vivos es tarão, de certa forma, sendo provados já que haverá correção diante
de erros (Zc 14:16-19), e tendo a condição de súditos comuns no reino messiânico,
enquanto os que ressuscitaram já experimentaram a consumação de sua salvação e
agora desfrutam da benção de ter a mesma natureza santa e pura de Jesus Cristo (I
João 3:2), portanto estes terão a responsabilidade e o privilegio de governar
juntamente com Cristo (Mt 19:27-29; ICo 6:2; Ap 20:6).
De uma maneira maravilhosa Deus estabelecerá sua vontade independente de 
quão inacreditável seja. 
15.4- A BATALHA NO FIM DO MILÊNIO 
No fim da dispensação do milênio Satanás será solto e se levantará em sua ultima 
tentativa de Destruir a Cristo. Ap 20:7-9 dá os detalhes: 
133 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e 
sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim 
de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, 
pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; 
desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. 
Esta será uma guerra diferente de todas as outra, muitos confundem com a 
invasão dos exércitos confederados de Gogue a Palestina, no entanto esta referencia a 
Gogue e Magogue trata da natureza inimiga dos exércitos que serão influenciados por 
Satanás; também se trata de uma representação de todas as nações inimigas, ou seja, 
assim como Gogue um dia se levantou contra Israel, todas as nações, no mesmo 
intento, se levantarão também. Outro ponto que deixa clara a diferença é que Os 
exércitos descritos em Ez 38 e 39 são de apenas uma região da terra em quanto os de 
Apocalipse 20 vem d e toda a terra. O motivo da guerra é claro; Jerusalém será a 
capital do mundo e local onde estará o Rei dos Reis, isto tornará a cidade, mais uma 
vez, em alvo de Satanás. 
A quantidade de pessoas iludidas pelo diabo será muito grande o que pode ser 
visto pela expressão: “e subiram pela largura da terra” ; poderíamos pensar que alguém 
ceder a Satanás seria impossível já que viveu sob um governo divino, no entanto 
precisamos entender que estas pessoas nunca estiveram sob influencia maligna, e 
consequentemente não tiveram sua obediência provada, sendo assim esta ultima 
incursão se Satanás está totalmente nos planos de Deus que mostrará que o homem 
não tem condições de por si próprio ser justo a ponto de vencer as tentações do diabo, 
mesmo vivendo num ambiente extremamente espiritual. 
A destruição dos exércitos inimigos é milagrosa “desceu fogo do céu, e os 
devorou” assim mais uma vez a soberania de Deus prevaleceu. O resultado é descrito 
por João como sendo definitivo; satanás estará de uma vez por todas no seu devido 
lugar. 
O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, 
onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão 
atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. (Ap 20:10). 
15.5- O JUÍZO FINAL 
O milênio trouxe o cumprimento das alianças feitas com a nação, com seu fim o 
plano das dispensações fica concluído, restando o ultimo julgamento; o juízo do 
Grande Trono 
134 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
Branco. Agora Deus, por meio de uma ressurreição chama os ímpios que morreram 
desde a criação para serem julgados; sobre isto lemos em Ap 20:11-12, 15 
Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, (...). Vi também os 
mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se 
abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram 
julgados, segundo as suas obras,(...). Deu o mar os mortos que nele estavam. A 
morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados (...). 
Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a 
segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da 
Vida, esse foilançado para dentro do lago de fogo. 
Como já foi comentado anteriormente, este texto fala respeito da ressurreição 
para condenação; este caso não trata de um julgamento onde salvos e não salvos 
receberão um veredicto a respeito de sua salvação ou condenação, mas 
comparecerão unicamente os ímpios mortos que agora ressuscitam para serem 
“avisados”de sua condenação eterna. A questão de serem mencionadas as obras 
como base do julgamento, é importante lembrar que o principal fato, em questão de 
obras que os levou a condenação foi o fato de não terem recebido Jesus como Senhor 
e salvador ou mesmo que o receberam, mas desviaram-se, não tendo andado em sua 
palavra; aqui a principal questão esta relaciona a atitude que tivemos para com Jesus 
Cristo e não simplesmente se fomos bons ou maus durante nossa vida. 
O fim destes é mencionado como sendo a segunda morte, a diferença é que esta 
é definitivamente de sofrimento, tem caráter eterno; é eterna. Todo o inferno, Satanás e 
seus anjos; todos estarão lá; enquanto isso os salvos se alegram e bradam a vitória 
consumada; eles entram na santa cidade e desfrutam eternamente da presença de 
Deus. 
135 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
CAPÍTULO 16 
O ESTADO ETERNO 
Com o fim das dispensações chegamos a uma condição totalmente nova, que 
não está relacionada com o tempo ou espaço, ou seja, não é passageira nem terrena, 
mas eterna e celestial. 
Deus ainda tem duas coisas a fazer, que são: recriar a terra e instalar seus 
redimidos na cidade Santa; a Nova Jerusalém celestial. 
16.1 A RECRIAÇÃO DA TERRA 
“Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o 
mar já não existe” (Ap 21:1) 
Mesmo depois da purificação da terra feita no inicio do milênio, esta foi 
novamente contaminada com a soltura de Satanás, não que o trabalho de Deus não 
tenha sido bem feito mas a retirada “provisória” da maldição foi para que as condições 
fossem favoráveis para a vida milenial. Alguns comentaristas acreditam que esta 
maldição permanecerá na terra mesmo na duração do milênio, no entanto as condições 
apresentadas para a era messiânica não são cabíveis numa terra amaldiçoada; pensam 
desta maneira pelo fato de ainda haver vestígios da natureza humana, portanto, 
pecaminosa, demonstrada pela desobediência no fim da era, no entanto o que Deus 
fará é impedir que o poder da maldição vem a agir no período milenial deixando sua 
total exterminação para o momento da destruição da atual criação. Pedro falando 
acerca desta destruição disse: “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma 
palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e 
destruição dos homens ímpios” (IIPe 3:7). Vemos que o versículo fala de uma 
destruição pelo fogo no mesmo tempo do julgamento final dos ímpios, e como já vimos 
isso acontecerá no juízo do Grande Trono Branco, entre o milênio e instauração no 
novo céu e da nova terra. 
136 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
O apóstolo João inicia a narração de sua visão já c om o novo céu e a nova terra, 
não nos dando detalhes de como será esta destruição, como também o porque de uma 
nova criação. O que é fato é que o mundo em que vivemos será consumido pelo fogo e 
nada mais restará dele; com certeza a escolha pelo fogo por parte de Deus tem a ver 
com a simbologia que o envolve; o fogo representa purificação e é esta a intenção do 
Deus Soberano Criador. 
Um grande questionamento que surge em torno dos textos referente ao estado 
eterno (Ap 21 e 22:1-6), é o fato de haver suposta semelhança com a descrição do 
milênio, ou seja alguns comentaristas acreditam que estes textos não se referem a 
uma condição eterna, nem de uma cidade literal vinda do céu, mas da vida no período 
milenial. Apesar de haver posições contrárias, de um modo geral os pré-milenistas 
acreditam que os capítulos 21 e 22 estão em ordem cronológica e não se tratam de 
uma retrospectiva ao assunto abordado em Ap 20:4-6, onde é mencionado o milênio; 
para se crer que os textos em discussão não se referem ao estado eterno precisa-se 
negligenciar fatos e características marcantes tanto do milênio como do estado eterno, 
com, por exemplo, na cidade apresentada no capítulo 21, 1) haverá um muro com doze 
portas ao seu derredor, em cada uma destas portas haverá um anjo e sobre elas 
estará escrito o nome de uma tribo de Israel 21:12),( e seus doze fundamentos 
representam os doze apóstolos (v.14), esta descrição jamais pode ser aplicada ao 
milênio (v.17-21). 2) A medida da cidade é exata, diferente da Jerusalém milenial 
(v.16). 3) Nesta cidade não haverá templo (v.22) enquanto no milênio este é 
imprescindível. 4) a cidade não necessitará de luz do sol nem da lua (v.23-24), 
diferente do milênio, pois a humanidade necessitará deles para a sobrevivência. 5) ali 
não entrará nada impuro, mas somente os inscritos no livro da vida (v.27); o milênio 
testemunhará uma ultima rebelião contra Deus. Por tudo isso fica provado que os 
textos em pauta são relativos ao estado eterno e a Jerusalém celestial e nunca à vida 
terrena no milênio. 
16.2- A NOVA JERUSALÉM 
O apóstolo João faz um relato detalhado da Nova Jerusalém; já foi concluído que 
ela não se trata de uma cidade terrena, mas sim, celestial e eterna. Vejamos algumas 
características importantes a respeito dela: 
a) Ela desce do céu, da parte de Deus (vs.2,10): Jesus em sua promessa
registrada em Jo14:2, disse que iria preparar um lugar para seus remidos, este lugar é 
justamente esta santa cidade vinda não de algo terreno e passageiro, mas do próprio 
Deus que em seu filho não só justificou os que creram com também lhes forneceu uma 
morada onde Jesus também estará 
137 
Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
por toda a eternidade. A referencia “desce do céu” parece indicar que a cidade estará 
na órbita da nova terra; o que é inconcebível é que comentaristas localizem a cidade 
literalmente na nova terra. 
b) Nela não há tristeza (v.4): “ E Deus enxugará dos olhos toda a lágrima”. Não
que lágrima represente tristeza, mas todo choro pela morte, pranto, angustia ou dor. A 
alegria e felicidade eterna reinarão na morada dos remidos. 
c) Ela tem a gloria de Deus (v.11; 22:5): A gloria do Senhor será suficiente para
todas as necessidades desta cidade celestial; parece lógico que tendo recebido corpos 
espirituais, estes não necessitarão do sol ou da lua, portanto a própria presença do 
Senhor iluminará a Nova Jerusalém. Deus será a fonte de energia e Cristo a lâmpada 
que resplandecerá por toda a eternidade. 
d) Deus e seu filho são o templo da cidade (v.22; 2 2:3-4)): A presença de
Deus e de Jesus não serão espirituais mas, literais, verdadeiramente veremos o seu 
rosto. Para os amilenistas isto é total absurdo, fantasia, mas para os que têm 
ansiosamente aguardado a eterna redenção é motivo de fortalecer-se em Cristo Jesus. 
e) Será isenta de qualquer pecado ou maldição (8;27;22:3): Nenhum pecado
ou pecador entrará na cidade; nenhuma maldição existirá. Devemos lembrar que 
Satanás, e seus demônios, a morte e o inferno já passaram e estão no lago de fogo e 
enxofre (Ap20:10,14). 
f) Nela haverá um rio e uma árvore (22:1,2):O rio representa a vida que procede
do Cordeiro; a árvore da cidade retrata a árvore da vida do éden, só que desta não será 
necessário a do conhecimento (Gn 2:9) para provar seus habitantes pois estes já foram 
provados e aprovados por Deus; são agora os redimidos pelo sangue purificador de 
Jesus Cristo 
Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da 
profecia deste livro. Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho 
sem demora. Amém!

Mais conteúdos dessa disciplina