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ou real compreende o espaço terrestre, fluvial, 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
marítimo e aéreo, onde o Brasil exerce soberania. Os limites do mar territorial são aqueles fixados 
pela lei no 8.617/93 – doze (12) milhas marítimas, a partir da baixa-maré. O espaço aéreo compreende 
todo aquele sobrejacente ao território brasileiro, incluindo o mar territorial (art. 2o). 
 
8.2.1. Território Nacional por extensão: Embarcações e aeronaves: a) públicas: são as de guerra, a 
serviço militar, ou em missão oficial; b) privadas: são aquelas de propriedade particular ou mercantes. 
As embarcações e aeronaves públicas, onde quer que se encontrem, bem como as particulares, quando 
em alto mar ou no espaço aéreo brasileiro, são considerados extensão do território nacional (§1o, art. 
5o). 
 
Obs.: Aos crimes praticados a bordo de embarcações e aeronaves estrangeiras somente se aplica a lei 
brasileira quando elas forem de propriedade particular e se acharem em porto ou mar territorial 
brasileiro (se embarcações), ou em vôo no espaço aéreo nacional ou aterrissadas em nosso território 
(se aeronaves). 
 
8.3. Lugar do crime 
 
Art. 6o - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou 
omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-
se o resultado. 
 
Segundo disposto no artigo 6° do CP, acima mencionado, a lei penal pátria adotou, quando ao lugar 
do crime a teoria da ubiqüidade, segundo a qual o lugar do crime é tanto o da conduta quanto o do 
resultado; o CPP, ao contrário, adotou como regra para a fixação da competência a que estabelece ser 
competente o foro (comarca) no qual o crime se consumou (art. 70) - teoria do resultado. 
 
9. EXTRATERRITORIALIDADE 
 
Art. 7o - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: 
I - os crimes: 
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; 
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de 
Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, 
autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; 
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; 
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil (Lei no 
2.889/56); 
II - os crimes: 
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; 
b) praticados por brasileiro; 
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de 
propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. 
§ 1o - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que 
absolvido ou condenado no estrangeiro. 
§ 2o - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das 
seguintes condições: 
a) entrar o agente no território nacional; 
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; 
 
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c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a 
extradição; 
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; 
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar 
extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. 
§ 3o - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra 
brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: 
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; 
b) houve requisição do Ministro da Justiça. 
 
Extraterritorialidade é a possibilidade de aplicação da lei penal brasileira a fatos criminosos ocorridos 
no exterior. As hipóteses são as seguintes: 
 
a) Extraterritorialidade incondicionada. Aplica-se a lei brasileira sem qualquer condicionante, na 
hipótese de crimes praticados fora do território nacional, ainda que o agente tenha sido julgado no 
estrangeiro, com fundamento nos princípios de defesa e da universalidade, nas seguintes hipóteses: 
a) contra a vida ou liberdade do Presidente da República; b) contra o patrimônio ou fé pública da 
União, do Distrito Federal, de Estado, Território ou município, empresa pública, sociedade de 
economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo poder público; c) conta a administração pública, 
por quem esta a seu serviço; de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; 
b) Extraterritorialidade condicionada. Aplica-se a lei brasileira quando satisfeitos certos requisitos, 
com base nos princípios da universalidade, da personalidade, da bandeira e da defesa, aos crimes: a) 
que, por tratado ou convenção, o Brasil obrigou-se a reprimir; b) praticados por brasileiros; praticados 
em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território 
estrangeiro e aí não sejam julgados; praticados por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, desde 
que: 1) entre o agente no território nacional; 2) seja o fato punível tem no país em que foi praticado 
o delito; 3) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; 4) 
não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou ter ai cumprido pena; 5) não ter sido o agente 
perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais 
favorável; 
 
Obs. 1: Além das condições acima, para a aplicação de lei penal brasileira a estrangeiro que tenha 
praticado crime contra brasileiro no exterior, é necessário que não tenha sido pedida ou tenha sido 
negada a extradição e que haja requisição do Ministro da Justiça (art. 7°, parágrafo 3°, do CP). 
 
Obs. 2: Por força da Emenda Constitucional 45/2004, compete aos Juízes Federais processar e julgar 
as causas relativas aos direitos humanos. 
 
10. APLICAÇÃO DA LEI PENAL EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS 
 
O princípio da territorialidade faz ressalvas aos tratados, convenções e regras de direito internacional, 
dando origem às imunidades diplomáticas e regras de direito público interno que dão origem às 
imunidades parlamentares. Não se vinculam às pessoas, mas às funções que elas exercem, não 
violando o princípio constitucional da isonomia. 
10.1. Imunidades diplomáticas. É a imunidade que possuem os representantes diplomáticos de 
governos estrangeiros e Chefes de Estado, em relação aos fatos criminosos por eles praticados no 
Brasil. A imunidade alcança também funcionários do corpo diplomático e componentes da família 
do representante. Os cônsules somente são alcançados pela imunidade diplomática por crimes 
 
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cometidos no exercício das funções consulares (art. 43 da Convenção de Viena), e somente podem 
ser presos preventivamente, por ordem de autoridade judiciária competente, e no caso de crime grave 
(art. 41). 
10.2. Imunidade parlamentar. Por ser uma prerrogativa do mandato e não do parlamentar é 
irrenunciável, apresentando-se em duas espécies: 
a) Imunidade material ou absoluta (penal, civil, disciplinar e política). Refere-se à inviolabilidade 
do parlamentar (senador, deputado federal, estadual, vereador), no exercício do mandato, por suas 
opiniões palavras e votos (arts. 53, caput, 27, parágrafo 1°,

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