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117 da LEP). O livramento condicional será possível nas 
mesmas condições acima anotadas, entretanto, por certo não haverá quem se atreva a tal postulação, 
visto que o cumprimento de pena em albergue domiciliar atende melhor aos interesses do executado. 
 
É preciso que o legislador se apresse, sem descuidar de redobrada cautela, em dar novo tratamento 
normativo à progressão de regime e ao livramento condicional, notadamente em se tratando de 
condenação decorrente da prática de crime hediondo ou assemelhado. 
 
39. EFEITOS DA CONDENAÇÃO 
 
Art. 91 - São efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei no 7.209, de 11.7.1984) 
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; 
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-
fé: 
 
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a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, 
uso, porte ou detenção constitua fato ilícito; 
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido 
pelo agente com a prática do fato criminoso. 
Art. 92 - São também efeitos da condenação: 
I - a perda de cargo, função publica ou mandato eletivo, nos crimes praticados com 
abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Publica quando a 
pena aplicada for superior a quatro anos; 
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: 
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um 
ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a 
Administração Pública; 
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) 
anos nos demais casos. 
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes 
dolosos, sujeitos à pena de reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado; 
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática 
de crime doloso. 
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo 
ser motivadamente declarados na sentença. 
 
A principal e maior conseqüência do trânsito em julgado da sentença condenatória é, sem dúvida, 
fazer com que o condenado cumpra a pena por ela determinada. Mas existem, também, efeitos 
secundários gerados pela sentença condenatória transitada em julgado que mais se parecem com outra 
pena, de natureza acessória. Tais efeitos, considerados extra-penais, vieram elencados pelos arts. 91 
e 92 do Código Penal. Tem-se entendido que os efeitos da condenação previstos pelo art. 91 do 
Código Penal são genéricos e que aqueles arrolados pelo art. 92 são específicos. 
 
39.1. Efeito principal: Imposição da pena (privativa da liberdade, restritiva de direitos ou multa) ou 
medida de segurança. 
 
39.2. Efeitos secundários: 
 
a) De natureza penal: 
 
 Impedem a concessão de “sursis” em novo crime praticado pelo agente; 
 
 Revogam o “sursis” por condenação anterior; 
 
 Revogam o livramento condicional; 
 
 Geram reincidência; 
 
 Aumentam o prazo da prescrição da pretensão executória etc. 
 
b) Extrapenais - Afetam o sujeito em outras esferas, que não a penal. 
 
 
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 Genéricos – São efeitos automáticos que, portanto, decorrem de qualquer condenação 
criminal e não precisam ser expressamente declarados na sentença (art. 91). 
 
 Específicos – Devem ser expressamente declarados no decisum condenatório e só podem ser 
aplicados em determinados crimes (art. 92). 
 
39.3. São efeitos genéricos da condenação: 
 
a) Tornar certa a obrigação de reparar o dano causado pelo crime: Embora sejam independentes as 
esferas cível e penal, a sentença penal condenatória com trânsito em julgado vale como título 
executivo de natureza judicial, nos termos do art. 475-n, II, do CPC, cuja liquidação para se apurar o 
quantum devido far-se-á na esfera cível. Tal sentença é declaratória da obrigação de reparar o dano, 
de forma que não se poderá mais questionar no cível sobre a existência do fato, ou quem seja o seu 
autor, quando estas questões se acharem decididas no crime. Considerado como efeito automático da 
sentença penal condenatória com trânsito em julgado, tal efeito não precisa ser declarado 
expressamente no decisum, pois que deflui naturalmente da condenação. Importante ressaltar que a 
sentença penal absolutória não impede a propositura da competente ação indenizatória no juízo cível, 
a menos que o fundamento da absolvição seja o reconhecimento da inexistência material do fato, de 
que o acusado não foi o autor do fato ou de que agiu sob excludente de ilicitude. A ocorrência da 
prescrição ou de qualquer outra causa extintiva da punibilidade não afasta a obrigação de reparar o 
dano. 
 
b) Confisco pela União dos instrumentos do crime, desde que seu uso, porte, detenção, alienação ou 
fabrico constituam fato ilícito: Na definição de Cezar Roberto Bitencourt, instrumentos do crime “são 
os objetos, as coisas materiais empregadas para a prática e execução do delito”. A lei fala em 
instrumento de crime, o que, para a corrente jurisprudencial majoritária, impede o confisco se o agente 
pratica contravenção penal. Somente poderão ser perdidos em favor da União os instrumentos do 
crime que se constituam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito. 
Assim, se alguém, por exemplo, dolosamente, vier a utilizar o seu automóvel a fim de causar lesão 
na vítima, o fato de ter se valido de seu veículo como instrumento do crime não fará com que ele seja 
perdido em favor da União, pois que o seu uso não constitui fato ilícito. Também não perderá a sua 
arma o agente que vier a utilizá-la na prática de crime, desde que possua autorização para o seu porte. 
Cumpre ressaltar que o confisco somente pode recair em objeto pertencente a quem participou da 
prática do delito. Assim, o lesado e o terceiro de boa-fé não podem ser prejudicados pelo confisco, a 
não ser que tais instrumentos consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção 
constitua fato ilícito ou ocorra qualquer das modalidades de concurso de pessoas. 
 
c) Confisco pela União do produto e do proveito do crime: Cezar Roberto Bitencourt define produto 
do crime como “as coisas adquiridas diretamente com o crime (p.ex.: coisa roubada) ou conseguidas 
mediante alienação (p. ex.: dinheiro da venda do objeto roubado), assim como toda e qualquer 
vantagem, bem ou valor que represente proveito, direto ou indireto, auferido pelo agente com a prática 
criminosa”. Na realidade, o produto do crime deverá ser restituído ao lesado ou ao terceiro de boa-fé, 
somente se realizando o confisco pela União se permanecer ignorada a identidade do dono ou não for 
reclamado o bem ou valor. 
 
d) Suspensão dos direitos políticos, enquanto durar a execução da pena: Enquanto não extinta a pena, 
o condenado fica privado de seus direitos políticos, inclusive do direito de voto. Não importa o regime 
 
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de pena privativa de liberdade imposta, tampouco se a natureza da pena aplicada,

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