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apostila OAB

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- Uma pessoa só pode ser punida se, à época do fato por ela praticado, 
já estava em vigor a lei que descrevia o delito; assim se consagra a irretroatividade da norma penal, 
salvo a exceção do art. 3°; 
 
Princípio da reserva legal - Apenas a lei em sentido formal pode descrever condutas criminosas; é 
proibido ao legislador se utilizar de decretos, medidas provisórias ou outras formas legislativas para 
incriminar condutas. Neste rol devemos incluir as Leis-delegadas. 
 
Princípio da Taxatividade. Este princípo determina que o legislador ao descrever a contuda 
criminosa deve ser clara, precisa e objetiva. Este princípio proíbe a descrição vaga ou lacunosa da 
infração penal. Os tipos penais devem ser, portanto, fechados. 
 
b) Finalidades do princípio da legalidade: 
 
 Proibir a retroatividade da lei penal (nullum crimen sine lege praevia); 
 Proibir a criação de crimes e penas pelos costumes (nulla poena sine lege scripta); 
 Proibir o emprego de analogia para criar crimes, fundamentar ou agravar penas (nullum 
crimen nulla poena sine lege stricta); 
 Proibir incriminações vagas e indeterminadas (nullun crimen nulla poena sine lege certa) 
 
A legalidade, em obediência ao princípio, deve ser estrita. A estrita legalidade só será atingida 
se forem obedecidos os requisitos da Legalidade formal e legalidade material. Podemos assim 
conceitua-las: 
 
Legalidade formal é a obediência aos trâmites procedimentais previstos pela Constituição para que 
determinado diploma legal possa vir a fazer parte de nosso ordenamento jurídico. Aqui estamos diante 
da mera legalidade 
 
Legalidade material é a obediência ao conteúdo da norma, respeitando-se suas proibições e 
imposições para a garantia de nossos direitos fundamentais por ela previstos. Aqui nos defrontamos 
com a estrita legalidade. 
 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
Obs. 1: Por força do artigo art. 62, parágrafo 1°, alínea b, da Constituição Federal, está vedada a 
possibilidade de edição de medida provisória versando sobre matéria penal. Observação importante 
é que o STF já decidiu no sentido de permitir que Medidas Provisórias podem tratar de matéria penal, 
desde que favoráveis ao réu; 
 
Obs. 2: Medida de Segurança e anterioridade da lei. A atual Constituição Federal, ao contrário das 
anteriores, veda expressamente a retroatividade da lei penal, salvo para beneficiar o réu (art. 5o, inc. 
XL). Essa proibição alcança as medidas de segurança, pois são elas reguladas por leis penais. 
 
7.2. Princípio da Extra-Atividade da Lei Penal – Lei penal no tempo 
 
Art. 2o - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar 
crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença 
condenatória. 
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica- 
se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em 
julgado. 
 
Art. 5°, XL, CF – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. 
 
7.2.1. Princípios aplicáveis ao conflito intertemporal de normas penais. 
 
a) Tempus regit actum. A norma, via de regra, aplica-se aos fatos praticados durante sua vigência, 
não alcançando fatos ocorridos fora deu prazo de validade. Exceções: retroatividade e ultratividade 
da lei. 
 
Ultratividade se dá quando a lei continua a regular os fatos ocorridos durante sua vigência, mesmo 
depois de revogada a lei. 
 
Retroatividade é a possibilidade que tem a lei de retroagir no tempo, a fim de regular os fatos 
ocorridos anteriormente a sua entrada em vigor. 
 
b) Novatio legis incriminadora. Quando lei nova considera crime fato que anteriormente era tido 
como indiferente penal, neste caso a lei não retroage, pois não é benéfica ao réu. 
 
c) Abolitio criminis. Ocorre quando o legislador, atento às mutações sociais, resolve não mais 
continuar a incriminar determinadas condutas, retirando do ordenamento jurídico-penal a infração 
que a previa, pois que passou a entender que o Direito Penal não mais se fazia necessário à proteção 
de determinado bem. Estamos aqui diante do DIREITO PENAL SUBJETIVO NEGATIVO. Este 
princípio encontra previsão no artigo 2° do Código penal, sendo que nesta hipótese o agente é 
beneficiado pela descriminação da conduta, com a ocorrência da extinção da punibilidade nos termos 
do art. 107, III, do mesmo diploma legal. São efeitos da Abolitio criminis: 
 
 A extinção da punibilidade; 
 Cessação de todos os efeitos penais da sentença penal condenatória; 
 Permanência dos efeitos civis da sentença penal condenatória, com trânsito em julgado. 
 
 
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Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
d) Novatio legis in pejus (Lei nova prejudicial ao réu). Quando lei nova contiver dispositivos que, 
de qualquer modo, torne mais severa a lei anterior, prejudicando o réu. Neste caso ela não poderá 
alcançar os fatos anteriores, que continuarão a ser regulados pela lei da época da prática da conduta. 
Não retroagindo, portanto. 
 
e) Novatio legis in mellius (Lei nova benéfica ao réu). Quando a lei nova contiver dispositivos que, 
de qualquer modo beneficie o réu. Neste caso, retroagirá sempre para beneficiá-lo. 
 
7.3. Leis temporárias e Leis excepcionais 
 
Como dito acima, a lei penal mais benéfica sempre se movimentará no tempo para beneficiar o réu, 
seja retragindo (projetando-se para o passado), seja sendo ultrativa (hipótese em que se projeta para 
o futuro, aplicando-se a fatos mesmo após cessada sua vigência. A extra-territorialidade 
(retroatividade ou ultratividade) quando for para benefiar o réu é regra e deverá acontecer sempre que 
esta situação se verificar. Entretanto se é regra comporta exceção, e a exceção está prevista no artigo 
3° do código penal, uma vez que as lei penal excepcional ou temporária poderá ser aplicada aos 
fatos praticados durante a sua vigência, mesmo após revogadas. À este fenômeno se da o nome de 
ULTRATIVIDADE MALÉFICA, ou seja, a lei se movimentará no tempo mesmo em desfavor do réu. 
Assim dispõe do CP: 
 
Art. 3°. A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração 
ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado 
durante sua vigência. 
 
7.4. Lei intermediária. Acontece na hipótese de que a lei a ser aplicada não seja nem aquela da 
vigente à época dos fatos, tampouco aquela em vigor quando da prolação da sentença. Neste caso, a 
regra da ultratividade e da retroatividade são absolutas no sentido de que, sempre, ser aplicada ao 
agente a lei que mais lhe favoreça, não importando, na verdade, o momento de sua vigência, isto é, 
se na data do fato, na data da sentença ou mesmo entre esses dois marcos. Resumindo: em havendo 
conflito intertemporal entre três leis, sempre se aplica a mais benéfica; 
 
7.5. Conjugação de leis. Diante do caso concreto é possível o confronto entre duas leis regendo a 
mesma situação. Neste caso, segundo orientação majoritária da doutrina, é permitido ao defensor do 
réu ou condenado escolher, entre duas leis, suas partes mais benignas (Frederico Marques). 
 
7.6. Irretroatividade da Lei mais grave (lex gravior) e Medida de Segurança. Em virtude do 
princípio constitucional da irretroatividade in pejus, mesmo em se tratando de medida de segurança 
não se pode falar em irretroatividade da lei

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