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penal mais grave por estrita obediência ao dispositivo 
constitucional supra mencionado. 
 
7.7. Retroatividade da Jurisprudência. Segundo Zaffaroni e Nilo Batista, “quando a jurisprudência 
massivamente muda de critério e considera atípica uma ação que até o momento qualifica como típica 
(ou quando julga simplesmente o delito que até então considera como qualificado, ou justificando o 
que considera antijurídico, etc.) provoca um escândalo político, pois duas pessoas que realizam 
idênticas ações reguladas pela mesma lei terão sido julgadas de modo que uma resultou condenada e 
a outra absolvida, só porque uma delas foi julgada antes. Elementares razões de equidade, assim como 
o artigo 5° da Constituição impõem que se tome aquela primeira condenação como uma sentença 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
contraposta ao texto expresso da lei penal reinterpretada, viabilizando sua revisão (art. 621, inc. I do 
CPP).” 
 
RESUMINDO. A lei penal é em regra irretroativa, entretanto a lei penal pode retroagir, mas somente 
quando beneficiar o sujeito, nos termos do art. 5o, XL, da Constituição Federal. Para beneficiar o réu 
ela sempre poderá se movimentar para o futuro e para o passado se for mais benéfica. A única exceção 
permitida é a do artigo 3 do CP que permite a movimentação maléfica da lei, ou seja, leis temporárias 
e excepcionais tem efeito de ultratividade maléfica. 
 
Obs.1: Súmula 711 do Supremo Tribunal Federal: "A lei penal mais grave aplica-se ao crime 
continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da 
permanência". 
 
Obs. 2: Competência para aplicação da lei mais benéfica. Conforme pacificado pela súmula 611 
do STF, a competência para a aplicação da lei mais benéfica é sempre do juízo da execução, desde 
que já transitada em julgado a sentença penal condenatória. 
 
7.8. Retroatividade da Lei penal em Branco. A revogação da norma complementar (decreto, 
portaria, regulamento, etc) não faz desaparecer o crime, mesmo porque a lei (figura abstrata que prevê 
o delito) não foi revogada (Soler). Se a norma penal em branco tem caráter excepcional ou temporário, 
aplica-se o artigo 3° do CP, ou seja, ela é ultrativa, mas, ao contrário, não tendo aquela característica, 
aplica-se o artigo 2° (abolitio criminis). 
 
7.9. Retroatividade da lei processual penal. De regra, a legislação processual penal aplica-se de 
imediato, salvo disposição em contrário, podendo restringir direitos formais do réu, relativamente a 
fato pretérito. Entretanto, se a lei processual veicular direito material aplica-se as regras do Código 
Penal. 
 
7.10. Tempo do crime 
 
Art. 4o - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que 
outro seja o momento do resultado. 
 
O CP adotou a teoria da atividade. Com Isso evita o legislador o absurdo de uma conduta, praticada 
licitamente sob o império de uma lei, poder ser considerado crime, em razão de o resultado vir a 
produzir-se sob o império de uma outra lei incriminadora. Por esta razão, não se deve confundir tempo 
do crime com momento consumativo, que, nos termos do art. 14, I, ocorre quando se reúnem todos 
os elementos de sua definição legal; a importância da definição do tempo do crime tem a ver, por ex., 
com a definição da norma penal a ser aplicada, no reconhecimento ou não da menoridade do réu etc. 
 
A definição do tempo do crime resolve questões importantes, tais como: qual lei aplicável, 
inimputabilidade do agente, alcance da anistia concedida até determinada data, prescrição, etc. 
 
8. PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE – LEI PENAL NO ESPAÇO 
 
Art. 5o - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de 
Direito internacional, ao crime cometido no território nacional. 
 
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Direito Penal – Parte Geral e Especial 
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§ 1o - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as 
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo 
brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações 
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no 
espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. 
§ 2o - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves 
ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso 
no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto 
ou mar territorial do Brasil. 
 
8.1. Princípios dominantes: 
 
a) Princípio da territorialidade. Pelo princípio da territorialidade, aplica-se a lei penal brasileira aos 
fatos puníveis praticados no território nacional, independentemente da nacionalidade do agente, da 
vítima ou do bem jurídico lesado. A territorialidade é regra que encontra exceções nas convenções, 
tratados e regras de direito internacional. 
b) Princípio real, de defesa ou de proteção. Esse princípio permite a extensão da jurisdição penal 
do Estado titular do bem jurídico lesado, para além dos seus limites territoriais, fundamentado na 
nacionalidade do bem jurídico lesado (art. 7°, I do CP), independentemente do local em que o crime 
foi praticado ou da nacionalidade do agente infrator. Protege-se assim, determinados bens jurídicos 
que o Estado considera fundamentais. 
c) Princípio da nacionalidade ou da personalidade. Por esse princípio, aplica-se a lei penal da 
nacionalidade do agente, pouco importando o local em que o crime foi praticado. O Estado tem o 
direito de exigir que o seu nacional no estrangeiro tenha determinado comportamento. Apresenta-se 
sob duas formas: 1) personalidade ativa, onde se considera apenas a nacionalidade do autor do delito 
(art. 7°, II, b, do CP); 2) personalidade passiva, que considera somente a personalidade da vítima do 
delito (art. 7°, parágrafo 3°, do CP). Este princípio tem por objetivo impedir a impunidade de 
nacionais por crimes praticados em outros países, que não sejam abrangidos pelo critério da 
territorialidade. 
d) Princípio da universalidade ou cosmopolita. Por este princípio, as leis penais devem ser 
aplicadas a todos os homens onde quer que se encontrem. É característico da cooperação penal 
internacional, porque permite a punição, por todos os Estados, de todos os crimes que forem objeto 
de tratados e de convenções internacionais. Aplica-se a lei nacional a todos os fatos puníveis, sem 
levar em consideração o lugar do delito, a nacionalidade do agente ou do bem jurídico lesado (art. 7°, 
II, a, do CP). A competência é firmada pelo critério da prevenção. 
e) Princípio da representação ou da bandeira. Trata-se de princípio subsidiário, e, quando houver 
deficiência legislativa ou desinteresse de quem deveria reprimir, aplica-se a lei do Estado em que esta 
registrada a embarcação ou aeronave ou cuja bandeira ostenta aos delitos praticados em seu interior 
(art. 7°, II, c, do CP). 
 
Obs.: O Código Penal brasileiro adotou como regra o princípio da territorialidade e, como exceções 
os princípios: a) real ou de proteção; b) universal ou cosmopolita; c) nacionalidade ativa; d) 
nacionalidade passiva; e) representação. 
 
8.2. Conceito de território nacional. 
 
O conceito de território nacional em sentido jurídico deve ser entendido como âmbito espacial sujeito 
ao poder soberano do Estado. Em sentido efetivo

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