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A
Gabarito
utoatividades
CULTURA E SOCIEDADE NA 
MODERNIDADE
HID | 2012/2 | Módulo V
Centro Universitário Leonardo da Vinci
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040
Bairro Benedito - CEP 89130-000
Indaial - Santa Catarina - 47 3281-9000
Elaboração:
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
Prof.ª Graciela Márcia Fochi
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GABARITO DAS AUTOATIVIDADES DE
CULTURA E SOCIEDADE NA MODERNIDADE
Centro Universitário Leonardo da Vinci
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040
Bairro Benedito - CEP 89130-000
Indaial - Santa Catarina - 47 3281-9000
Elaboração:
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
UNIDADE 1
TÓPICO 1
1 A partir dos estudos dos autores e dos respectivos conceitos sobre 
a modernidade, o que é possível entender como modernidade? 
R.: Giddnes (2002) propõe que a modernidade pode ser entendida como o 
"mundo industrializado" em termos de relações sociais e de trabalho, no uso 
generalizado da força material e do maquinário nos processos de produção. E 
que é caracterizada pela formação de uma sociedade industrial e capitalista.
Deduz-se assim que o teor e a dinâmica política deste período será a da 
suavização e de uma menor rigidez nos compromissos e responsabilidades 
em termos de instituições, moral e valores tradicionais, e uma maior 
concentração dos esforços com o evento e o momento histórico presente 
e no por vir, bem como com o novo e o inovador, no intuito de revestir e 
reconfigurar a cultura e a sociedade europeia como um todo. 
Charles Baudelaire (1821-1867), que descreve a modernidade a partir do 
campo poético e cultural, a define como sendo o momento marcado pelo 
transitório, efêmero, pelo contingente, a metade da arte, quando que a outra 
metade o eterno e o imutável. 
O que por sua vez significava romper com as tradições da antiguidade clássica 
ou pré-moderna que dominavam a cultura e a sociedade francesa, que nada 
faziam além de espelhar-se nas construções e explicações filosóficas da 
antiguidade e que por sua vez esvaziavam as potencialidades do presente 
que estavam carregadas de originalidades e inovações.
Como síntese do conceito de modernidade pode-se entender os processos, 
os mecanismos, as instituições, os agentes que pretendiam superar a cultura 
religiosa católica cristã; a sociedade agrícola e servil; da política estamental 
e monárquica, e em seu lugar implantar uma cultura e sociedade urbana, 
democrática, secular, científica e industrial.
2 A revisão bibliográfica indica que existem impasses e dificuldades 
em se estabelecer marcos cronológicos precisos sobre o início e o 
declínio da modernidade. A partir das referências relacionadas no 
tópico I, que período pode ser considerado como de maior intensidade 
e de declínio da modernidade?
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R.: Para Gumbrecht (1998, p. 10), o momento em que inicia a Idade Moderna 
deve ser associado à descoberta do Novo Mundo e a invenção da imprensa 
por Johannes Gutenberg, por volta de 1450, e como fim dos anos de 1780 
e 1830.
Berman (1986, p. 11) sugere que o movimento da modernidade apresentou 
duas fases; uma primeira, situada no início do século XVI, e que é denominada 
como fase de experimentação do que veria a se tornar como vida moderna; e 
uma segunda, que ocorre a partir da segunda metade do século XVIII, quando 
a sociedade será surpreendida com ondas revolucionárias e convulsivas de 
modernidade.
Mas a título de organização dos estudos empreendidos neste caderno, 
estipula-se como período aproximado de início como sendo os primórdios do 
século XIX; e de término da modernidade como sendo as primeiras décadas 
do século XX, aproximadamente o século transcorrido entre os anos de 1820 
e 1930.
3 Visite um site eletrônico de algum museu e descreva, de 
modo resumido, as principais alterações tecnológicas (formato, 
funcionamento, funções) que um mesmo objeto sofreu com o passar 
dos tempos:
R.: Resposta Pessoal.
TÓPICO 2
1 Quais foram as mudanças que a noção de trabalho sofreu? Construa 
um esquema explicativo:
R.: NOÇÃO ANTIGA: tripalium: do latim e designava um instrumento de tortura 
reservado aos escravos.
NOÇÃO MODERNA: treballan: idioma catalão: a habilidade em elaborar a 
matéria bruta, transformando-a em obra, realização e propriedade humana, 
e dignificadora do próprio homem.
As concepções foram alteradas, inclusive as mais antigas, como a encontrada 
na Bíblia em que o trabalho não é mais visto como um indício da maldição 
de Deus a Adão e Eva, com a expulsão do paraíso, pois teriam que ganhar 
o pão com o suor do próprio rosto. Ou como na Antiguidade, ou como na 
Idade Média, trabalhar com as mãos era sinônimo de ser escravo ou servo, 
um indício de que o indivíduo pertencia aos grupos inferiores da sociedade. 
Uma das principais alterações que a modernidade realizou foi a de apropriar 
da concepção positiva de trabalho e mudar o ambiente de realização do 
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trabalho propriamente dito, que passou a ser realizado nas cidades, no interior 
dos espaços das fábricas. 
A nova concepção que foi atribuída ao trabalho combinará com os valores as 
mudanças no interior da produção de produtos. O homem reconhecendo que 
o trabalho não era mais motivo de sofrimento e castigo, mas uma atividade 
que o tornaria socialmente reconhecido, sentiu-se motivado e disposto a 
se dedicar e doar a fim de preencher as oportunidades e a demanda que 
a manufatura e indústria nascente, bem como o campo das invenções de 
máquinas e técnicas e o próprio sistema capitalista estavam exigindo.
2 Quais foram as principais contribuições ao conhecimento e ao saber 
a partir do aprimoramento da prensa em tipos móveis?
R.: A consolidação das línguas vernáculas, ou seja, línguas diferentes do 
latim, como o italiano, o francês, o alemão, entre outras, em manuscritos a 
partir do final do século XIII como um sintoma de crise maior que abalava 
gradualmente o controle sobre o saber e o conhecimento, uma vez que ela 
não era mais executada exclusivamente por clérigos, mas também por leigos 
alfabetizados que trabalhavam como escribas em escritórios contábeis de 
comerciantes e no tesouro dos reis, onde, como nunca acontecera antes, 
estavam distanciados do âmbito intelectual da Igreja.
Os impactos foram cada vez mais amplos quando a dinâmica da impressão 
por tipos móveis foram associados a outros movimentos, como ao da Reforma 
Protestante, à emissão de notas bancárias, cédulas, cartas de crédito, 
normas, leis, salvo-condutos, entre outros. Gradualmente, as traduções dos 
principais documentos para as línguas regionais serão estimuladas também, 
despertando interesse em meio à população pelo conhecimento e pela leitura 
de um modo geral.
TÓPICO 3
Caro(a) acadêmico(a)! Agora procure resolver as autoatividades que são 
sugeridas a seguir. Elas representam uma forma retomar e reforçar a 
compreensão dos principais temas e conteúdos, bem como são preparatórios 
à avaliação desta unidade e às demais que estão previstas ao longo da 
disciplina.
A técnica e a máquina são entendidas como forças colaboradoras aos 
processos de industrialização e modernização que foram empreendidos a 
partir do século XV, diante disto, procure resolver as questões a seguir:
1 No que consistia a produção organizada no modo de manufatura?
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R.: O artesanato foi substituído gradualmente pelos processos de manufatura, 
que se caracterizaram por empregar um maior número de pessoas no interior 
dos espaços de trabalho e dos setores da produção, o que ocasionou uma 
maior divisão das tarefas em um mesmo espaço de trabalho e na elaboração 
de um único produto.
A manufatura apresentava organização do trabalho quando este ainda 
se caracterizava como uma espécie de trabalho doméstico. Passa a ser 
entendido como uma forma de trabalho de subsistência e ao mesmo tempo 
como renda complementar. Utilizava ferramentas e máquinas isoladas e 
contava com o mestre artesão, mercador manufatureiro como atores na 
produção.
Neste contexto as especializações das profissões se acentuaram, rompendo 
gradualmente com a ideia de formulação de um produto, na regulamentação e 
no controle que era exercido e praticado até então pelo artesão. Assim como 
sobre a circulação e comercialização dos produtos.
O número de manufaturas-indústrias-empresas será ampliado gradualmente 
e tenderá a se expandir pela as regiões mais urbanizadas. A invenção do tear 
mecânico, da lançadeira volante e da máquina a vapor não poderia ser mais 
favorável às mudanças que se encontravam em curso e que viriam ainda a 
se descortinar.
2 Que vantagens o tear mecânico oferecia à produção têxtil da época?
R.: O tear foi aprimorado por Edmond Cartwrighr (1743-183) em 1785. Este 
equipamento foi responsável por substituir os teares manuais, que em sua 
capacidade produtiva permitiam a confecção de mantas de tecidos somente 
na largura do comprimento que os braços dos trabalhadores alcançavam, 
assim como também permitiam combinar até oito fios ao mesmo tempo, 
tornando as peças mais resistentes.
Além da superação das proporções de tamanho e qualidade dos tecidos 
elaborados, estima-se que esta máquina conseguia corresponder e realizar 
ao trabalho que antes exigia a força de aproximadamente 200 funcionários. 
Muitos estudiosos apontam que foi especificamente no campo da indústria têxtil 
que a Revolução Industrial encampou seus princípios mais revolucionários.
A euforia e o entusiasmo dos industriais diante destas capacidades e 
promessas não permitia espaço para que se pensasse e se previsse as 
consequências em termos de impactos ambientais, consumo de combustíveis, 
manutenção, desperdícios de matérias-primas, lixo, poluição ambiental e 
sonora e muito menos os números de desempregos, miséria e exclusão 
social pelos quais seriam responsáveis.
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UNIDADE 2
TÓPIOCO 1
1 Com que realidade social de saúde e higiene pública se deparava a 
população que chegava a Paris e Londres no século XIX?
R.: A realidade foi de um vasto número de imigrantes pobres que 
perambulavam pelas cidades, e que se multiplicavam do dia para a noite. 
Representavam um potencial altamente revolucionário para a vida urbana 
do século XIX. A exposição pública da miséria e da pobreza, a coabitação de 
mendigos, vagabundos, prostitutas, crianças furtando alimentos e assaltando 
carteiras tornavam-se cada vez mais uma dimensão assustadora da realidade, 
e justamente os espaços urbanos que era para serem os espaços modernos 
por excelência. A nova ordem da sociedade disciplinar abrangeu uma política 
de hospitais, manicômios, prisões, escolas, praças, cemitérios entre outros 
espaços públicos, de convivência, de circulação, de encontro e reunião das 
populações, enfim, um regime que invadiria e vigiaria o comportamento 
e costumes nos espaços de sociabilidade, intervindo com leis, normas e 
punições que buscavam eliminar qualquer ameaça possível em relação à 
nova ordem/poder – a do estado laico e secularizado, envolto e embutido 
num discurso que visava garantir o bem-estar físico, a saúde perfeita e a 
longevidade das populações.
2 Que medidas foram colocadas em prática pelos urbanistas, higienistas 
e sanitaristas do século XIX para amenizar os problemas das cidades?
R.: Conforme explica Foucault (1987), entrou em prática a ideologia de 
controle, que se multiplicou por todo o corpo social, formando o que se poderia 
chamar de sociedade disciplinar. A nova ordem da sociedade disciplinar 
abrangeria uma política de hospitais, manicômios, prisões, escolas, praças, 
cemitérios, entre outros espaços públicos, de convivência, de circulação, de 
encontro e reunião das populações, enfim um regime que invadiria e vigiaria 
o comportamento e costumes nos espaços de sociabilidade, intervindo com 
leis, normas e punições, que buscavam eliminar qualquer ameaça possível 
em relação à nova ordem/poder – a do estado laico e secularizado; envolto 
e embutido num discurso que visava garantir o bem-estar físico, a saúde 
perfeita e a longevidade das populações.
No ordenamento das metrópoles, tende-se a promover a especialização dos 
espaços segundo a concentração de funções e de atividades, enquanto os 
abastados passam a demandar separações e exclusividades no desfrute de 
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parcelas específicas dos espaços urbanos: as amplas reformas urbanas e o 
zoneamento só se tornarão possíveis com interveniência, que é a violência 
do Estado. 
Os aparelhos disciplinares da medicina urbana serão compostos por prisões, 
conventos, manicômios, estabelecimentos de ensino, quartéis, fortalezas, 
hospitais. Conforme Lima (1994, p. 90), se terá “no isolamento, na meticulosa 
organização, repartição do espaço e no princípio do quadriculamento 
individualizante, as estruturas e os fundamentos para melhor garantir a 
eficiência da observação, do controle e da dominação da população”.
A modernidade em seus objetivos de ordem e progresso tinha uma grande 
preocupação com o “circular”, circular os ares no interior dos ambientes, 
desfazer os conglomerados de pessoas, mantê-las em movimento, para 
isso era necessário construir amplas e retas avenidas para facilitar as 
comunicações e o acesso ao núcleo urbano, onde estavam concentrados 
os capitais comerciais e financeiros da cidade, além do poder político, as 
referências sociais e culturais de modernidade.
3 Quais foram as principais mudanças observadas nos comportamentos 
e nas posturas do masculino e do feminino ao longo da modernidade? 
Procure descrever e comparar de forma reflexiva.
R.: MASCULINO
Como postura e perfil masculino surgem dois personagens sociais: um 
mais voltado às atividades urbanas e noturnas, e o outro, às atividades 
política militares e diplomáticas. O primeiro ficou popularmente conhecido 
como dândi, muito diferente do trabalhador do campo, ou da indústria, do 
intelectual, inventor, financista e do integrante do exército moderno. O dândi 
se apresentava nos caffés, boulevards, cabarets e galeries. Conforme 
se encontra em Perrot (1991), o dândi representava um homem público, 
uma espécie de ator do teatro urbano. Preocupava-se em proteger sua 
individualidade por trás da aparência. Alimentava o gosto pelos detalhes e de 
acessórios, tais como luvas, gravatas, bengalas, echarpes, chapéus, óculos, 
relógios, entre outros.
O segundo representava o homem do exército, preocupado com os 
movimentos de unificação dos países da Itália e da Alemanha, definição de 
fronteiras, práticas de imperialismo em diversas regiões do mundo; caça a 
matérias-primas e um crescente sentimento de rivalidade e ambição estre 
os países europeus. 
A performance, a apresentação deste homem foi de um indivíduo austero, 
sóbrio, desbravador, relacionado ao campo da diplomacia, do exército, da 
marinha, e que estaria pronta a responder aos comandos e ações em prol 
da defesa e da segurança doestado-nação, representados por marechais, 
duques, condes, demais nobres e os próprios imperadores.
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FEMININO
O século XIX foi o século que começou a empregar a mulher no processo 
de produção fora do espaço doméstico, do lar, da casa; e foi no interior das 
fábricas, rompendo gradualmente com o modelo e moral que até então 
vigorava de mulher. 
No que diz respeito ao perfil e à postura feminina tem-se que no século 
XIX o Estado, filantropos, legisladores e eclesiásticos passam a defender 
a mãe solteira; foi pulicada a lei do divórcio, acompanhado do crescente 
reconhecimento da capacidade física das mulheres.
Este novo cenário das mulheres caracterizou-se inicialmente na indumentária, 
e conforme aponta Benjamin (1975, p. 26) “os traços masculinos passam a 
surgir no decorrer do tempo entre as mulheres operárias, como condição 
e imposição do meio de trabalho, que por sua vez será responsável por 
depreciar a feminilidade e da postura de mulher frágil e sensível, e favorecer 
uma postura mais rígida, tenaz e ereta”.
Isso se deu pela substituição dos vestidos rodados, chapéus e demais 
acessórios por roupas, saias e casacos mais próximos ao corpo, e no interior 
das fábricas em especial pelo uso de uniformes padronizados a partir de peças 
como o uso de calças, camisas e casacos rentes ao corpo.
Esta postura possuía uma necessidade e função diante da dinâmica 
econômica da época, destinada a preencher os espaços de trabalho 
modernos, constituídos especialmente indústrias fabris e estabelecimentos 
comerciais. Mulheres que por sua vez representavam mulheres que, em 
sua maioria, eram oriundas de famílias desprovidas financeiramente e 
que precisavam prover os espaços de casa com mantimentos e artigos de 
sobrevivência.
Outro perfil de ‘feminino’ que se apresentava foi o da mulher de companhia e 
de presença nos espaços urbanos de lazer, diversão e prestígio das atrações 
culturais. Estas, na maioria das vezes, eram mulheres oriundas de grupos 
mais abastados socialmente, escolarizadas, que participavam dos círculos 
da moda, da literatura.
TÓPICO 2
1 As expressões culturais procuraram reagir diante dos projetos de 
modernização e modernidade da sociedade e entre as manifestações 
mais expressivas identifica-se a do Romantismo. Quais são os 
principais valores e concepções que foram defendidos no interior 
do movimento do Romantismo? 
R.: Romantismo é o movimento da forma e experiências estéticas e esteve 
preocupado em promover um exercício reflexivo da sociedade sobre ela 
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mesma; diferente do uso habitual e cotidiano para explicar as situações e 
ações sentimentais, que comovem as emoções. O movimento do Romantismo 
estava no sentido de valorizar os aspectos do inconsciente, os instintos, o 
lirismo, o melódico, o dramático, a liberdade criativa, a paixão, a busca pelos 
ideais e do inatingível, do misticismo, indianismo, da boemia, vida noturna, 
entre outros hábitos. 
Ao se exprimir e se manifestar utilizou de metáforas do campo, da natureza, 
da poesia, do fantástico e encantado, do folclore e místico. Versava contra o 
rigor da razão, do academicismo, do classicismo, dos regulamentos, normas 
e condutas e das demais regras e imposições que vinham ganhando espaço 
desde o Iluminismo e a Revolução Industrial. 
Conforme Abbagnano (2007), o significado comum do termo "romântico", 
significa "sentimental", prevê a valorização do sentimento que fora ignorado na 
Antiguidade Clássica e reabilitado pelo Iluminismo, no século XVIII, no sentido 
de que se fazia necessário conciliar razão é fé, conteúdo e forma, matéria 
e espírito, experiência e sentido. Esta corrente estética esteve inserida em 
um momento em que ocorreram outras mudanças no contexto da sociedade 
do século XVIII e XIX, entre elas o processo de massificação da palavra 
escrita; a manifestação de críticas, a promessa de progresso do liberalismo 
e a presença de intelectuais, como Karl Marx, que apresentavam novas 
formas de compreender e denunciar a realidade social, numa perspectiva de 
preencher o ambiente crítico e que se preocupou em proceder a uma leitura 
crítica e dialética da sociedade.
2 Nos padrões de edificações, percebe-se que as tendências da época 
passaram a buscar inspiração na antiguidade clássica até que 
na sequência surgiu a escola Art nouveau. O que os projetistas e 
arquitetos pretendiam expressar com esta postura e estilo de arte?
R.: A art nouveau se expandiu na segunda metade do século XIX, tendo como 
principais representantes Gustavo Eiffel (1833-1923), António Gaudí (1852-
1926), Louis Comfort Tiffany (1848-1933), entre outros. Os materiais oriundos 
da Revolução Industrial foram amplamente utilizados, como o ferro, o aço e, 
em especial, o vídeo em substituição aos materiais nobres do classicismo. 
A obra de Gustavo Eiffel, Torre Eiffel – 1887-1889, torre com finalidade de 
observação e transmissão de rádio, apresenta uma estrutura toda em ferro.
Na elaboração de portões, jardins, sacadas, de aparadores de escadas, 
janelas, assim como os temas e as texturas de pisos e azulejos passaram 
a apresentar arabescos, curvas, tons mais frios, com grande inspiração na 
natureza especialmente de flores, folhagens e de animais, numa natureza 
árabe e oriental, pela presença de mosaicos e de diversos materiais, e até 
por apresentar sinuosidades eróticas e sensuais.
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3 Assim como foram observadas a predominância e a retomada de 
determinados temas no interior das manifestações culturais como a 
música, a literatura, a arquitetura, que temas poderão ser apontados 
como mudança e diferença nas artes plásticas do século XIX?
R.: A preocupação inicial da arte do século XIX estava em criar uma magia 
sugestiva, contendo ao mesmo tempo o objeto e o sujeito, o mundo exterior 
ao artista e o próprio artista. Como reflexo desta preocupação nas artes 
plásticas, o estilo e tendência do Expressionismo se acentuaram. 
Berman (1986) aponta que o gênio poético e sua realização foram inspiradas 
a partir da realidade material: a vida cotidiana – e a vida noturna – das ruas, 
dos cafés, das adegas e mansardas de Paris e Londres, por excelência, as 
capitais da belle époque. O que dá a isso um teor carregado de Realismo, 
por sua vez acrítico, é o dualismo radical, é a profunda inconsciência de que 
pode haver relações ricas e complexas, plenas de influências mútuas e fusões, 
entre o que um artista (ou quem quer que seja) sonha e vê. 
Diante da tendência do Realismo, nas artes plásticas foi gradualmente 
ganhando espaço outra vertente artística propriamente chamada de arte 
moderna. O Realismo foi colocado fortemente influenciado pela invenção da 
fotografia. E diante deste contexto surgiu o Impressionismo, que procurou 
recuperar as questões primeiras da arte, em especial pelos estudos das 
variações das cores e aprimoramentos das técnicas.
Este artista encontrava-se gradualmente perdendo o contato com a natureza, 
uma das fontes soberanas de inspiração e senso de beleza no interior das 
artes até então. Na época moderna, a metrópole e o temperamento artístico 
foi lugar de onde emergiu o novo estilo, e a partir da busca de uma arte 
desmaterializada, neutra e imparcial em termos de realidade, desengajada 
política e socialmente e se pretendia como uma arte “pura”, que estivesse 
atenta às questões de técnica, materiais e realização da arte somente, 
aprimorando estudos em termos de cores, materiais, estilos e movimentos 
somente,no sentido de “arte pela arte”. 
TÓPICO 3
1 Estudou-se que a experiência brasileira de modernidade transcorreu 
com grande incentivo a partir da chegada da família real portuguesa 
nos primeiros anos do século XIX. Como foi essa modernidade? 
R.: Tratou-se de uma modernidade imitativa e espelhada em padrões, ícones, 
referências que não condiziam com o contexto e realidade brasileira, e que, 
por sua vez, acabaram por provocar a realização de projetos distorcidos e 
distantes da realidade brasileira. A modernização pouco contemplava os 
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elementos genuínos e típicos da cultura brasileira, o que foi responsável por 
gerar um sentimento de estranhamento, dificuldades no reconhecimento e a 
noção de totalidade no interior da sociedade e cultura brasileira.
Com a vinda da Família Real para o Brasil, em 1808, ocorreu a transferência 
da capital do Reino de Portugal (Lisboa) para o Rio de Janeiro. Aportaram 
no Rio de Janeiro aproximadamente 20 mil pessoas e a fim de acomodá-las 
foram reformadas casas e instituições foram criadas. Em suma, procurou-se 
em meio a uma cultura provinciana e colonialista, criar as condições mínimas 
de uma capital à altura das capitais europeias.
Um segundo passo foi a contratação da Missão Artística Francesa (composta 
por artistas, cientistas, arquitetos entre outros). Estes artistas, de maneira 
geral, produziram arte europeia em terras e com inspiração brasileira. 
2 Em que condições a indústria brasileira do século XIX se encontrava? 
Quais eram as principais atividades econômicas praticadas? 
R.: No Brasil, até o século XIX, se estruturou uma manufatureira e industrial 
voltada aos produtos oriundos da agricultura e que não contavam com 
equipamentos e tecnologias ainda característicos das atividades agrícolas, 
extrativistas e artesanais. Por outro lado, deparava-se com medidas 
políticas que protegiam o mercado consumidor de produtos estrangeiros. 
Já na segunda metade do século XIX e primeiros anos do século XX, em 
especial com a nova dinâmica social e econômica promovida pelas levas de 
imigrantes europeus ao país, as atividades como da indústria calçadista, têxtil 
e alimentícia, instaladas e realizadas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, 
ampliaram a base industrial do país. Mas ainda se caracterizavam como 
indústrias de caráter primário, e foi somente ao longo do século XX que a 
indústria no Brasil ganhou projeção mais significativa.
De maneira geral, pode-se elencar que as primeiras indústrias estiveram 
relacionadas ao beneficiamento de alimentos e produtos agrícolas; entre os 
principais produtos produzidos tem-se que, ao longo do século XVII-XVIII, 
os derivados de cana-de-açúcar, algodão, minérios provenientes das regiões 
do Nordeste e Sudeste; e a erva-mate, charque e do couro no sul do Brasil.
Na segunda metade do século XIX e primeiros anos do século XX, em 
especial com a nova dinâmica social e econômica promovida pelas levas 
de imigrantes europeus ao país, as atividades como da indústria calçadista, 
têxtil e alimentícia, instaladas e realizadas nas regiões Sul e Sudeste do 
Brasil serão responsáveis por ampliar a base industrial do país. Mas ainda 
serão indústrias de caráter primário, somente ao longo do século XX é que 
a indústria no Brasil ganhará projeção significativa.
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3 Que configurações as cidades, agora se projetando enquanto 
metrópoles, seguiram para realizar os processos de urbanização e 
modernização?
R.: No discurso oficial e central sobre a modernização da cidade, o progresso 
e a ordem previam a instauração de novas regras de convivência e coabitação 
que, por sua vez, deveriam ser praticadas por todos, em especial pelos 
trabalhadores das indústrias, do comércio e moradores dos centros urbanos. 
Ao mesmo tempo ocorria o controle do trabalho no interior das fábricas 
e a repressão policial aos comportamentos tidos como desviantes, como 
a prostituição, a embriaguez ou a vadiagem. A propagação de ideias que 
defendiam o trabalho disciplinado como valor social era reforçado nos 
discursos de médicos, sanitaristas, inspetores, entre outros. Por outro lado, 
estes passam a desfrutar de status de intelectuais de discursos consolidados 
e prestigiados.
As correntes migratórias ocorridas no final do século XIX e no início do século 
XX trouxeram para as novas cidades muitos “imigrantes burgueses” capazes 
de gerar, movimentar e de reunir capitais a uma economia mais diversificada. 
UNIDADE 3 
TÓPICO 1
1 Quais foram as possibilidades que os princípios da política moderna 
conferiram aos cidadãos na época moderna?
R.: Conta-se com a publicação dos Direitos do Homem e do Cidadão ainda 
em 1789, que é resultante do processo da Revolução Francesa, pautado nos 
ideais de liberdade e igualdade, delegando ao homem moderno uma relação 
de direitos e deveres que seriam responsáveis por conduzi-lo à categoria de 
cidadão. 
Criam-se partidos políticos, associações, entidades, sociedades, organizam-
se ligas e sindicatos de trabalhadores. Por conta disto, estabelecem-se direitos 
e deveres aos trabalhadores, (minas de carvão, indústria têxtil, metalurgia, 
funcionários públicos, membros do exército e governo, construtores de 
ferrovias, entre outros).
Trabalhadores assim estruturados passam a reivindicar condições mais dignas 
de trabalho. Mobilizou-se todo um capital social neste sentido, surge uma 
gama de cartilhas, jornais, panfletos com literatura especializada, arrolando 
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estratégias que previam a articulação, a mobilização e manifestação social 
propriamente dita.
O Estado moderno formulado por T. Hobbes e B. Montesquieu, aprimorado 
das experiências de repúblicas e democracias da antiguidade clássica, 
contará com as possibilidades de processos democráticos e eleitorais com 
participação popular, tempo determinado de governo e uma constituição que 
regeria um país/nação para além dos governos.
Abrem-se as possibilidades de o cidadão, no interior da política, concorrer, 
eleger e ser eleito. Na esfera social, de exercer a liberdade de pensamento, 
associação e crença; no campo econômico, as possibilidades de empreender, 
negociar, persuadir e barganhar abertamente no sentido de conquistar, 
consolidar e ampliar a capacidade de exploração de mercados consumidores, 
fontes de matéria-prima.
2 A partir dos pressupostos, o que ciência levará em conta a partir da 
modernidade, em termos práticos o que será possível realizar?
R.: Testes, os experimentos, tratamentos e medicamentos preventivos, 
simulações, supervisionamentos, monitoramento, o isolamento e o controle 
em laboratório, as cirurgias, as amputações, as incisões, as transfusões, 
combinações, enxertos, hibridismos, ambientes artificiais, induções, os 
paliativos, isto tudo será possível a partir da ciência moderna e possibilitará 
a verificação específica, profunda e restrita dos objetos, fatos e fenômenos.
As interpretações estatísticas demográficas serão responsáveis por 
desencadear ações e práticas em termos de saneamento básico (água 
encanada, canalização de esgotos, controle de epidemias e doenças), 
construção de hospitais e laboratórios.
Entre os principais produtos que foram responsáveis por despertar nos 
indivíduos o desejo de acesso à modernidade, estão os serviços aos domicílios 
e nos espaços públicos de energia elétrica, telefonia, o transporte de trem, 
ferramentas de trabalho, utensílios domésticos, os serviços de médicos, 
dentistas e professores etc.A resistência, a durabilidade e a praticidade que os produtos ganham a partir 
da substituição da matéria-prima da madeira pelos derivados de minérios fará 
com que o homem desfrute de maior praticidade, eficiência e segurança no 
uso e performance dos produtos. O aprimoramento dos utensílios, a redução 
dos tamanhos e proporções das máquinas, a redução dos desperdícios em 
termos de matérias-primas e energia, o reaproveitamento de produtos, a 
redução do ruído provocado e da poluição liberada junto ao meio ambiente. 
O uso de robôs em locais e espaços de trabalho nos quais colocavam em 
risco a vida e a integridade física do homem, a realização de tarefas que não 
permitiam a interrupção das atividades, em espaços com altas ou baixas 
temperaturas, a exploração do solo em outros planetas, profundidades 
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e lugares muito inóspitos e íngremes. Além destas conquistas, o homem 
avançava no sentido de adquirir cada vez mais controle das forças da 
natureza, no intercurso de sua vida e no avanço da humanidade em sociedade.
3 Os projetos de modernidade encontravam-se amparados nos valores 
da universalidade, de democracia, inclusão, liberdade, na total 
capacidade criativa do homem. Então, pergunta-se: qual foi o caráter 
da arte e das comunicações a partir da modernidade?
R.: A ideia estava também em tornar a arte e a cultura mais popular, de fácil 
assimilação, circulação e consumo, bem como democratizar os espaços 
de arte e cultura, museus, galerias, exposições, no sentido de aproximar o 
público dos artistas, produtores, detentores e consumidores, ou seja, conduzir 
e oportunizar arte e a cultura ao maior número de indivíduos possível. 
Os espaços das cidades serão compreendidos como ambientes de 
representação das diferentes manifestações sociais, religiosas e culturais. 
Surgem movimentos de comunicação, arte, economia de massa e da pop-art 
e estarão associados aos ideais de conforto e praticidade proporcionada pela 
industrialização e urbanização. 
As expressões dominantes e palavras de ordem eram as de “despertar para 
a verdadeira vida que vivemos” e “cruzar a fronteira, eliminar a distância”, 
aproximar, conviver, tolerar e ser tolerado, globalizar; viver de forma coletiva, 
desfazer-se e desvencilhar-se das tradições, dos regionalismos, de matizes 
locais, e envolver-se e entregar-se às possibilidades da modernização e 
modernidade numa dimensão que aponta à totalidade da sociedade. 
Isto significou eliminar as fronteiras entre a “arte” e as demais atividades 
humanas, e conciliar entretenimento comercial, a tecnologia industrial, a 
moda, o design, a política, a cultura. Também encorajou escritores, pintores, 
dançarinos, compositores e cineastas a romperem os limites de suas 
especializações e trabalhar juntos em produções e performances inter e 
multidisciplinares que poderiam criar novas formas de arte. 
TÓPICO 2
1 Como a economia e a política foram ajustadas para atender aos 
interesses dos grupos burgueses no interior da sociedade moderna? 
Que impacto isto atribuiu ao Estado e à sociedade?
R.: Marx & Engels (2012, p. 27) defendem que a burguesia foi responsável 
por estilhaçar sem piedade os laços feudais que subordinavam o homem e 
seus superiores naturais, e não deixou subsistir entre os homens outro laço 
senão o interesse e a concorrência nus e crus, senão o frio “dinheiro vivo”, 
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reduzindo a dignidade do indivíduo a simples valor de troca e aos interesses 
financeiros.
O Estado se legitimou na lei, posteriormente, na cooptação e na 
desnacionalização do patrimônio público. Essa instância se expressou 
modernamente como pouco interventora no mercado, antes como facilitadora 
da autoridade e autonomia do indivíduo, da burguesia e do capital, o bem 
comum e o bem-estar social foram conduzidos a um segundo plano. (DIEHL 
E TEDESCO, 2001).
Por outro lado, os Estados nacionais se tornaram cada vez mais poderosos, 
agora estruturados e geridos de forma burocrática, que lutavam para expandir 
seu poder sobre as grandes massas e nações, a fim de obter algum controle 
sobre suas vidas; enfim, dirigindo e manipulando pessoas e instituições rumo 
a uma economia/mercado capitalista mundial.
Em termos econômicos e políticos, os indivíduos e a sociedade civil foram, 
gradualmente, enfraquecidos. O acúmulo de fatos, objetos e tecnologias 
tornaram os indivíduos incapazes de se situar diante das proporções que a 
economia e o capital galgavam, o que por sua vez favoreceu ainda mais o 
quadro do processo civilizatório da globalização. 
A exigência que a economia fazia era a de que cada vez mais o Estado 
reduzisse a sua estrutura e interferência nas formas de obtenção de matéria-
prima, nos modos de produção e nas relações e transações do comércio. 
Assim no interior da sociedade, abriu-se o caminho para que instituições 
financeiras terceirizadas atuassem no sentido de garantir o bem-estar e 
serviços de infraestrutura que deveriam ser oferecidas pelo Estado (DIEHL 
e TEDESCO, 2001).
2 Quais foram as principais mudanças que os projetos de modernidade 
atribuíram à sociedade e à cultura?
R.: Outro aspecto também foi o da secularização da sociedade, que consistiu 
no movimento da distinção, separação, distanciamento entre o campo da fé, 
do espiritual, do religioso, do sagrado e do eterno (poder invisível) em relação 
ao campo do temporal, do método, do racional, do profano e do leigo (poder 
visível e palpável).
Surgiu assim o sentimento de niilismo, que foi ocasionado pelo afastamento 
dos valores sagrados e espirituais das explicações e formulações humanas, 
e em especial a dissociação entre o mundo visível e sensível, com a 
supervalorização do primeiro diante do segundo, produzindo assim uma 
espécie de vazio existencial. 
Zigmunt Bauman (2007) interpretou que as relações humanas, familiares, 
conjugais e amorosas foram gradualmente abaladas a partir da modernidade, 
no sentido de que se tornaram mais frágeis, incertas e menos resistentes 
ao tempo, foram desfeitas com frequência. Acompanhe o texto que segue e 
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compreenda melhor as implicações e os impactos dos valores modernos que 
se modificaram no interior das relações conjugais e amorosas.
No intervalo ocorreu a modernidade, a “cultura” era vista como obstáculo 
para uma política de emancipação dos indivíduos. “Para o Iluminismo, 
“cultura” significava aqueles apegos regressivos que impediam a sociedade 
de ingressar na dimensão de cidadania do mundo, a ligação sentimental a 
um lugar, a nostalgia pela tradição, a preferência pela tribo, reverência pela 
hierarquia, isso tudo representava empecilhos ao transcorrer da modernidade”. 
(BERMAN, 1986, p. 105)
Considerando que o Iluminismo teve como finalidade libertar os homens 
do medo, tornando-os senhores e liberando o mundo da magia e do mito, 
e admitindo-se que essa finalidade foi alcançada por meio da ciência e da 
tecnologia, tudo levaria a crer que o Iluminismo instauraria o poder do homem 
sobre a ciência e sobre a técnica; mas ao invés disso, liberto do medo do 
mágico, o homem tornou-se vítima novamente, agora do progresso da 
dominação técnica.
Freud (apud Berman, 1986, p. 25) analisava que “as massas possuem 
almas que são carentes de tensão interior e dinamismo; suas ideias, suas 
necessidades, até seus dramas não são próprias, foram programadas; suas 
vidas interiores são inteiramente administradas, pensadas para produzir 
exatamente aqueles desejos que o sistema social podesatisfazer, nada 
além disso”.
A partir da modernidade o indivíduo buscou sua realização nos bens adquiridos; 
encontra sua alma em seus automóveis, seus conjuntos estereofônicos, suas 
casas, suas cozinhas equipadas, ou seja, na capacidade de consumo e no 
que os produtos puderam lhe proporcionar.
3 Como a ciência e a técnica passam a abordar os fatos, os objetos, 
a natureza a partir da época moderna? Que implicações isto teve na 
compreensão dos fenômenos e na formulação do conhecimento? 
R.: No campo metodológico da construção do conhecimento, foi observada 
uma espécie de aversão à dúvida, à precipitação nas respostas, ao 
pedantismo cultural, ao receio de contradizer, à parcialidade, à negligência 
na pesquisa social, ao fetichismo verbal, à tendência a dar-se por satisfeito 
com conhecimentos parciais, o que por sua vez impediu o entendimento 
humano de estabelecer uma relação profunda e conciliadora com a natureza 
das coisas e foram, em vez disso, responsáveis por constituir uma ligação 
com conceitos fúteis, amorais e experimentos não planejados. (ADORNO & 
HORKHEIMER, 2000).
Na modernidade, o objetivo da ciência era o domínio e o controle da natureza, 
afirmando que o conhecimento científico podia ser usado para tornar o homem 
o senhor e dominador da natureza. O rigor científico por sua vez encontrava-
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se fundado no rigor matemático, um rigor que quantifica e que, ao quantificar, 
desqualifica, um rigor que, ao objetivar os fenômenos, os objetualiza e os 
degrada, que, ao caracterizar os fenômenos, os caricaturiza. (SANTOS, 1999).
Nestes termos, o conhecimento ganhou em rigor, mas perdeu em riqueza, 
relevância e justificativa social; por outro lado, a retumbância dos êxitos da 
intervenção tecnológica escondeu os limites da nossa compreensão e do 
mundo, e reprimiu a pergunta pelo valor e sentido humano e científico.
O homem moderno estava ávido e sedento por mais, e alcançar cada vez 
mais níveis mais específicos, profundos e complexos; a partir de então, 
a natureza, os corpos e os materiais tinham de ser “acossados em seus 
descaminhos”, “obrigados a servir” e “escravizados”. O comando foi o de 
“reduzir à obediência”, e o objetivo do cientista foi de “extrair da natureza, 
sob tortura, todos os seus segredos” (CAPRA, 1982, p. 52).
Os custos desta abordagem foram corrompidos e perdidos os sentidos da 
visão, do som, do gosto, do tato e do olfato, e com eles comprometeu-se 
também a sensibilidade estética e ética, os valores, a qualidade, a forma, o 
belo, o sublime, o espírito, o transcendental; todos os sentimentos, emoções, 
motivos, intenções, a alma, a consciência, o espirito.
Ou seja, a fim de se estudar o sistema digestivo, este era isolado do sistema 
respiratório, dos sistema nervoso e circulatório, quando que cada um possuía 
relação com os demais sistemas e estruturas do organismo.
TÓPICO 3
1 A que contexto se encontra relacionada a crise na qual os paradigmas, 
as teorias, os modelos da época contemporânea bem como ao mal-
estar vivido pela humanidade?
R.: Vive-se no mundo das revoluções frustradas, solo muito fértil para as 
compensações simbólicas do crescente potencial de risco e destruição 
(as possibilidades lucrativas de uma guerra, de um atentado; a ampliação 
das desigualdades sociais, o descumprimento dos direitos humanos, as 
intolerâncias, a repressão e a censura praticada no interior de regimes 
políticos, a polarização entre ricos e pobres entre outros).
A promessa contida no Iluminismo de utilizar a força da razão para criar 
condições de superar as restrições impostas pela superstição, pelo 
dogmatismo, pela desigualdade social e pelas desigualdades econômicas, 
não só não foi cumprida, como também foi transformada no guia prático do 
desenvolvimento das sociedades, criando ela mesma novos mecanismos de 
dominação, submissão e violência. 
A modernidade encontra-se em crise diante do fato de que apresentou um 
caráter de forma unilateral e autoritária, não foi capaz de tolerar e respeitar as 
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diferenças e as próprias contradições. Não oportunizou condições de escolha 
no interior do próprio processo, preocupava-se em extinguir, soterrar, ultrajar 
os contrapontos, as críticas e as reflexões que emergia ao longo do caminho. 
“A crise contemporânea situa-se numa geografia peculiar, entre as revoluções 
das expectativas crescentes e otimistas projetadas no futuro e as revoluções 
das expectativas frustradas do presente, ou seja, a visão mecanicista de 
progresso linear e constante e a ideia de redenção da humanidade no futuro”. 
(DIEHL, 1997, p. 12-13).
Não se pode esquecer, historicamente, dos processos ocorridos com a crise do 
império romano, do bizantino, da baixa Idade Média etc., que também ruíram 
e se fragmentaram. A ansiedade por proteção, a busca de um apoio como 
contraponto ou mesmo, uma solução de fuga das frustrações crescentes, 
fez com que se buscasse incessantemente pelo “não moderno” ou “pelo pré-
moderno”, recuperados através de identidades e movimentos saudosistas, 
numa espécie de eterno retorno intelectual (DIEHL; TEDESCO, 2001).
Desta, a sociedade tem nos dado exemplos de que quanto o futuro frustra, 
e quanto o passado reconforta, numa espécie de Iluminismo às avessas, 
gerando, assim, forças antagônicas: uma para frente, projetado para o futuro, 
e outra para trás, disposto a reabilitar o passado no presente. Isso ocorre 
quando o presente é frustrante e desilude, e o passado assume um papel de 
conforto, uma espécie de retorno ao útero materno.
2 Com relação às ilustrações datadas dos anos de 1910, que projetam 
os tempos dos anos de 2000, o que é possível compreender com 
relação aos sonhos, aos desejos e às expectativas do homem da 
modernidade?
R.: Vendo estas imagens pode-se perceber um pouco do imaginário e das 
mentalidades do homem moderno, que se encontrava em um momento de 
grandes mudanças e superações e que ao mesmo tempo procurava superar o 
mais novo bem como a si mesmo. Seus pés estavam no ano de 1910, mas as 
angústias, os desejos e os sonhos, bem como a capacidade de autoprojetar-
se e planejar-se alcançavam com muita lucidez e clarividência as décadas 
seguintes até o nosso tempo presente, ou melhor, o que ainda não veio a ser 
presente, que é futuro, como a situação do congestionamento aéreo.
Outro aspecto está em que parece que nós, os contemporâneos até de certa 
forma já fomos programados, bem como estamos representando papéis em 
uma história que já estava pronta; e ainda que estamos sendo observados, 
analisados e até ironizados pelos que costumamos chamar de velhos, 
ultrapassados e antiquados, que são as gerações anteriores às nossas.
Por outro lado pode ocorrer que as respostas e as soluções que foram 
apresentadas no passado ainda podem vir a ser reabilitadas a aplicadas no 
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presente. Diante da velocidade e da rapidez com que o novo é incorporado, 
o antigo acaba sendo deixado de lado, sem se fazer uma devida avaliação 
se realmente o novo conseguiria alcançar os resultados esperados ou se 
garantiriam os que eram apresentadas pelas tecnologias antigas. 
3 No que consiste a função da história/historiador em meio ao 
progresso/modernidade interpretado por Walter Benjamim a partir 
da obra Ângelus Novus, de Paul Klee?
R.: Tanto a obra de Paul Klee como o texto de Walter Benjamin expressam 
um anjo que comporta a atribuição e o sentido de um anjo salvador/redentor 
diante da tragédia provocada pela marédo progresso.
No Angelus Novos, percebe-se certo descaso em relação ao futuro, ao devir, 
pois seu olhar encontra-se fixo no passado. Quem sabe o que mais interessa 
ao Angelus Novus esteja realmente no passado, pois existem inúmeras 
possibilidades que se encontram encobertas pelas ruínas e destroços do 
progresso, e esperam pelo agir e atuar dos indivíduos, no sentido de revirar o 
passado e desentulhar projetos, sonhos e expectativas que foram esquecidos.
Vive-se em uma época e em um cenário que se encontra abalado por 
crises e enigmas que aguardam por respostas, mudanças, rupturas e 
descontinuidades, tanto do homem com ele mesmo, em relação a outro, 
com seu passado, com seu presente e futuro, e não foi diferente ao longo da 
trajetória humana, mas não é tempo ainda de conformismos e alienações.
TÓPICO 4
1 Procure elaborar um projeto de exposição de objetos antigos que 
possa ser desenvolvido no espaço escolar que contenha objetivos, 
temáticas da exposição e os principais procedimentos e cuidados 
que serão tomados ao longo da exposição. 
R.: SUGESTÃO E ORIETAÇÕES À ORGANIZAÇÃO DE COMO ORGANIZAR 
E APRESENTAR OS OBJETOS EM EXPOSIÇÃO.
OBJETIVOS: 
· Identificar as revoluções e as transformações que se processaram ao longo 
do tempo com os utensílios domésticos, eletroeletrônicos, ferramentas de 
trabalho, cédulas, calendários entre outros.
· Comparar e compreender as condições sobrevivência, a tecnologia, as 
ferramentas trabalho, o conforto e o lazer de outras épocas com os recursos 
os existentes na atualidade.
· Estudar a substituição da matéria-prima, as mudanças no processo de 
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produção, aprimoramento tecnológico e o alcance funcional dos objetos nos 
últimos tempos.
· Sensibilizar a preservação e valorização do patrimônio histórico e cultural, 
deixados pelos nossos antepassados, o que torna possível a superação dos 
recursos e problemas do presente e projetar o futuro.
TEMÁTICAS DA EXPOSIÇÃO:
· “Trabalho industrial e artesanal” de forma comparativa, utilizando-se 
de matérias-primas, tecnologias, ferramentas, modos de fazer e de uso, 
transportes, carteiras de trabalho, comercialização, consumo, moedas, 
cédulas entre outros.
· “Vestuário, festas típicas, alimentação, música, poesia, literatura” ilustrada 
com peças de roupa, folders, receitas, ingrediente, utensílios, pratos 
preparados, bebidas, instrumentos musicais, letras de músicas, livros, revistas 
entre outros.
· “Imigração, colonização, arquitetura, religiões, educação” a partir de artefatos, 
fotografias, passaportes, livros de registros, certidões de nascimento, 
casamento, óbito, salvo condutos, uniformes, entre outros.
· “Novo & antigo” na qual os objetos são dispostos desde a versão mais antiga 
até a mais recente, contemplando as graduais mudanças e superações. Nesta 
temática ilustra-se o exemplo do registro da música que possuí as formas 
de disco de papel, disco de vinil, fita K7, fita de vídeo, CD, DVD, walkman, 
diskman, mp3. Neste sentido podem ser dispostos também objetos como 
telefones, câmeras fotográficas, máquinas de escrever, ferros de passar 
roupa, relógios, cédulas e moedas, entre outros.
· Objetos que atualmente entraram em desuso, coleções, relíquias, objetos 
de viagens e souvenirs diversos.
ORIENTAÇÕES GERAIS
Os objetos podem ser provenientes dos ambientes familiares dos estudantes, 
de amigos e vizinhos, acervo de museus e espaços culturais e/ou de coleções 
de particulares. 
Os objetos e exemplares podem ser tomados no empréstimo temporariamente 
e devem ser reservados e dispostos em local seguro de eventuais roubos 
e demais danos que o contato humano e com ambiente possam causar; e 
devolvidos após o término da exposição.
Procure identificar as peças com o nome e marca e a quem pertenceram. A 
organização da exposição poderá ser ampla e conforme os materiais, objetos 
e exemplares reunidos sugerirem. 
Procure elaborar atribuir um título à exposição e elaborar um texto de abertura. 
Sugere-se que a exposição não se estenda além de um mês.
2 Procure elaborar um roteiro de estudos e análise e debate para 
a experiência brasileira de modernidade a partir do filme Carlota 
Joaquina: a princesa do Brasil, de Carla Camurati.
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R.: Carlota Joaquina, a princesa do Brasil
Ficha técnica do filme
Título original: Carlota Joaquina, a princesa do Brasil
Gênero: Comédia
Duração: 1h 40min
Ano de lançamento: 1995
Direção: Carla Camurati
Roteiro: Carla Camurati e Melanie Dimantas
Música: André Abujamra e Armando Souza
Fotografia: Breno Silveira
Direção de arte: Tadeu Burgos e Emília Duncan
Figurino: Tadeu Burgos, Marcelo Pires e Emília Duncan
CONTEXTO HISTÓRICO 
Aborda desde sua saída da Espanha em 1785, como a prometida ao infante 
real português João, até sua trágica morte em Portugal, em 1830, ilustrando 
diversos fatos históricos da época do Brasil Colônia.
1) História do Brasil.
Entre os fatos históricos abordados estão:
O casamento de João com Carlota e sua fatídica lua de mel. A morte do rei e 
de seu irmão primogênito José que lhe confere o título de príncipe regente. A 
loucura de rainha de Portugal, Maria I. A decadência da monarquia europeia 
e as ações nefastas de Napoleão.
As disputas de poder entre João e sua esposa, seu fracassado casamento, 
os filhos e suas aventuras e desventuras em terras brasileiras. A fuga para 
o Brasil. O confisco das casas dos nativos na chegada da comitiva real. O 
verdadeiro amor de Carlota, Fernando Leão. 
A vida da monarquia da época. Fatos marcantes como a fundação do Banco 
do Brasil e o Jardim Botânico.
A famosa frase de Carlota Joaquina ao deixar o país; “Desta terra não quero 
nem o pó”. A subida de Pedro de Bragança ao poder. O suicídio de Carlota 
Joaquina.
FONTE: Adaptado a partir de Daniela Lourenço. Carlota Joaquina – a princesa do Brasil. Dicas 
e sugestões de atividades pedagógicas para o uso do filme em sala de aula.
Disponível em: <http://www.editorapositivo.com.br/editora-positivo/
professores-e-coordenadores/para-sala-de-aula/filmografia/leitura.html?n
ewsID=14605526b82f4730bd8dee0c29e2b8e0>. Acesso em: 2 dez. 2013.

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