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SERVICOS DE ORIENTACAO ESCOLAR

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no ensino médio. (GRINSPUN, 2013, P. 58) 
 
Em 1937, no antigo Instituto Profissional Masculino foi criado um Gabinete 
de Psicotécnica, destinado a orientar os alunos no 1º ano na escolha dos seus cursos 
profissionais secundários. Vários alunos foram, sistematicamente, examinados e 
orientados por um encaminhamento com caráter psicométrico. Convém ressaltar que, 
durante muito tempo, existiu nas escolas brasileiras, um sistema empírico de 
orientação. Registravam-se iniciativas isoladas, em reduzido número de escolas e 
outras instituições. 
 
Em 1938, segundo Grinspun (2013), o Instituto Nacional de Estudos 
Pedagógicos (Inep) criou uma subdivisão, em âmbito nacional, para implantar a 
Orientação Educacional. Nesta época, o conceito de Orientação Educacional era 
muito amplo e pouco preciso. O Serviço de Orientação Escolar, nesse período, estava 
sempre ligado à Orientação Pedagógica, sem assumir características próprias e 
específicas dentro do processo educacional. 
 
Os objetivos da Orientação Educacional nesse período se referem ao 
conhecimento do indivíduo, à orientação para uma profissão e à formação integral da 
personalidade do estudante. Os objetivos eram bem abrangentes, envolvendo 
atividades extracurriculares, relacionamento entre pais e mestres e até o controle 
disciplinar. Para Grinspun (2013), pode-se dizer que o trabalho da Orientação 
Educacional era pouco definido, sem que houvesse delimitação de suas atribuições. 
 
A expressão Orientação Educacional aparece oficialmente no Brasil no 
Decreto-lei nº 4.073, de 30 de janeiro de 1942 (Lei Orgânica do Ensino Industrial). 
Esta lei foi o primeiro passo decisivo para o estabelecimento da Orientação 
Educacional. No mesmo ano, introduziu-se a Orientação Educacional no ensino 
 
 
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secundário (Decreto-lei nº 4.244, de 9 de abril de 1942), conforme mostra Grinspun 
(2013). 
 
Alguns anos depois, surge o primeiro Manual de Trabalho dos Orientadores 
Educacionais, que foi publicado, em 1952, procurando conceituar as várias 
modalidades de Orientação, as funções do Orientador e o regime técnico-
administrativo dos cargos de Orientador Educacional. Não havia uma elaboração de 
conceitos concretos de uma Orientação Educacional mais adequada à realidade 
brasileira. 
 
Em 1957, o MEC iniciou um programa em que buscava promover a maior 
difusão da Orientação Educacional: 
 
Este verdadeiro despertar da Orientação Educacional brasileira 
só ocorreu quando a Diretoria do Ensino Secundário do MEC, sob a 
coordenação da Cades, "percebeu claramente que não existindo nem clima 
para as instalações dos serviços educacionais nos colégios, nem 
orientadores devidamente preparados, a Orientação Educacional jamais se 
tornaria uma realidade no Brasil e, muito menos ainda, uma realidade 
operante e integrada no sistema educativo" (SAALFELD, 1962, P. 10). 
 
Grinspun (2013) relata que, com o objetivo de estimular a formação dos 
orientadores em cursos de nível superior, foram realizados três simpósios nacionais 
em 1957, 1958, 1960, respectivamente, e uma série de seminários que discutiam os 
principais aspectos da Orientação Escolar. Nas reflexões ocorridas nesses eventos, 
acreditava-se que a Orientação Escolar deveria ser vista como atividade educacional 
fundamental: 
 
Orientação era o acompanhamento e aconselhamento, para 
afastar obstáculos que se opusessem ao trabalho do aluno, decorrentes de 
desajustamento de várias origens. (BRASIL, 1973, P. 8). 
 
 
Assim sendo, Grinspun (2013), acrescenta: 
 
 A Orientação Educacional seria veículo para a escola tornar-se 
mais flexível, mais sensível às diferenças individuais. Os esforços nesta fase 
eram feitos no sentido de definir a orientação, de lhe traçar direções, de lhe 
proporcionar meios de realização, projetando-se mais para um futuro do que 
para um presente. O princípio da Orientação adquiria pouco a pouco 
amplitude e relevância. (GRISNPUN, 2013, P. 61) 
 
Como vimos nessa aula, a história da Orientação Escolar no Brasil teve seu 
início em meados da década de 30 e, nesse período o foco de trabalho era voltado 
para a orientação profissional. Ao longo dos anos, aos poucos essa profissão foi se 
 
 
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consolidando mais e reformulando seus objetivos. Na aula 2, conheceremos um 
pouco mais sobre a história dessa profissão! Vamos lá! 
 
 
PARA VOCÊ LER MAIS 
 
 
Entender a história da Orientação Escolar no Brasil é de grande importância 
para que se entenda como o profissional que exerce essa função foi ganhando 
espaço dentro da Educação Básica brasileira. Para aprofundar um pouco mais nessa 
história, sugerimos a leitura do livro “A prática dos orientadores”, de autoria de Mírian 
Zippin Grinspun, publicado em 2012 pela Editora Cortez. Boa leitura! 
 
 
 
 AULA 2: Orientação Escolar: Mais Um Pouco de História 
 
 
Continuando a nossa conversa sobre a história da Orientação Escolar no 
Brasil, recorremos, novamente, à Grinspun (2013), quando a autora nos relata que 
em 12 de março de 1958 foi publicada a Portaria, nº 105, regulamentando o exercício 
da função de orientador educacional no ensino secundário e exigindo o seu registro. 
 
Nesse mesmo período, o Decreto nº 47038 de 16 de outubro de 1959, 
estabeleceu atribuições muito extensas ao orientador, dificultando e deixando o 
conceito de Orientação Educacional pouco preciso, prevalecendo a ideia de ser um 
profissional que auxilia nos problemas da escola: 
 
 De modo geral, o Serviço de Orientação Educacional era 
tido como: responsável pelo rendimento escolar; responsável pelo 
estudo dirigido; diretor espiritual e guia na resolução de problemas 
emocionais. Os objetivos de Orientação Educacional, de modo geral, 
abrangem nesta época a cooperação nos estudos e escolha da 
profissão, incluindo-se a colaboração com pais e professores, para a 
melhoria dos alunos. (GRISNPUN, 2013, P. 62). 
 
Pascoal, Honorato e Albuquerque (2008), a Lei 5.564, de 21/12/68, 
demonstra, assim como a LDB em vigor naquela época, preocupação com a formação 
integral do adolescente, embora traga orientações também referentes ao ensino 
 
 
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primário, como era naquela época designado, o ensino fundamental. Os autores 
mostram que a Orientação Educacional, pela legislação em vigor, era vista como: 
 
[...]destinada a auxiliar ao aluno, individualmente ou em 
grupo, no âmbito das escolas e sistemas escolares de nível médio e 
primário, visando o desenvolvimento integral e harmonioso de sua 
personalidade, ordenando e integrando os elementos que exercem 
influência em sua formação e preparando-o para o exercício das 
opções básicas(PASCOAL, HONORATO E ALBUQUERQUE, 2008, P. 
03). 
 
A LDB que veio a seguir, a 5.692/71, segundo Pascoal, Honorato e 
Albuquerque (2008), dizia, em seu artigo 10, que a Orientação Educacional seria 
instituída, obrigatoriamente, incluindo aconselhamento vocacional em cooperação 
com professores e famílias. 
 
Os mesmos autores mostram que: 
 
O campo de atuação do orientador educacional era, 
inicialmente, apenas e tão somente focalizar o atendimento ao aluno, 
aos seus "problemas", à sua família, aos seus "desajustes" escolares, 
etc., pouco ou quase nada voltado à autonomia do aluno e à sua 
contextualização como cidadão. Depois, voltou-se à prestação de 
serviços, mas sempre com o objetivo de ajustamento ou prevenção. 
(PASCOAL, HONORATO E ALBUQUERQUE, 2008, P. 05). 
 
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