Prévia do material em texto
HISTÓRIA ANTIGA E MEDIEVAL Coordenação Pedagógica Site: www.grupounipiaget.com.br Email: coordenacao@grupounipiaget.com.br Telefone (0xx18) 3401 - 2426 / 2845 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 3 UNIDADE 1 – PERIODIZAÇÃO DA HISTÓRIA .................................................... 5 1.1 Pré-história ................................................................................................... 6 1.2 Idade Antiga .................................................................................................. 8 1.3 Idade Média .................................................................................................. 9 1.4 Idade Moderna ............................................................................................ 10 1.5 Idade Contemporânea ................................................................................ 10 UNIDADE 2 – HISTÓRIA ANTIGA (4000 a.C. – 476 d.C.) .................................. 13 2.1 O crescente fértil ......................................................................................... 13 2.2 Os primeiros habitantes e cidades do Oriente Médio ................................. 14 2.3 Os povos mesopotâmios ............................................................................ 16 2.4 O império persa .......................................................................................... 21 2.5 A Macedônia ............................................................................................... 24 2.6 A civilização chinesa ................................................................................... 26 2.7 A civilização fenícia .................................................................................... 27 UNIDADE 3 – AS CIVILIZAÇÕES CLÁSSICAS DA ANTIGUIDADE ................. 30 3.1 Grécia ......................................................................................................... 30 3.2 A civilização romana ................................................................................... 41 UNIDADE 4 – HISTÓRIA MEDIEVAL (476 – 1453) ............................................ 50 4.1 Alta Idade Média ......................................................................................... 52 4.2 As cruzadas medievais ............................................................................... 53 4.3 Os Bárbaros ................................................................................................ 55 4.4 O império Bizantino .................................................................................... 56 4.5 O fim da Idade Média .................................................................................. 58 REFERÊNCIAS .................................................................................................... 59 3 INTRODUÇÃO Átomos, feixes de luz e explosões. Claro que nossas origens não tinham outro caminho a percorrer! De repente, ainda sem termos certezas absolutas de como e porque ocorreu, “estrelas” se fundem e explodem dando origem à vida, nosso bem mais precioso! Gravidade, energia, luz, ar, chuva, vento, sol, terra, água, vegetação, natureza, alimento, sentimentos, necessidades se misturam e eis que vamos evoluindo a cada dia, dando passos falsos é verdade, algumas vezes voltando passos atrás para acertarmos passos à frente. Enfim, vimos caminhando ao longo de milhares, milhões de anos, e neste módulo, vamos relembrar um pouco de nossa caminhada nessa estrada, com foco na chamada Idade Antiga (4000 a.C. – 476 d.C.) e na Idade Medieval (476 – 1453). Nosso ponto de partida será justamente falar um pouco sobre a periodização da história proposta pelos historiadores e outros estudiosos. A unidade seguinte foca a Idade Antiga que vai até a queda do Império Romano. Veremos o “crescente fértil”, os primeiros habitantes do “Oriente Médio” e as civilizações clássicas. 4 Na unidade “Idade Média”, veremos a alta e baixa idade Média, as invasões bárbaras; guerras, adversidades, catástrofes; arte e arquitetura; ciência e tecnologia; a sociedade ocidental e formação dos Estados. Antes de iniciarmos nossas reflexões, vamos a duas observações que se fazem necessárias: Em primeiro lugar, sabemos que a escrita acadêmica tem como premissa ser científica, ou seja, baseada em normas e padrões da academia. Pedimos licença para fugir um pouco às regras com o objetivo de nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. 5 UNIDADE 1 – PERIODIZAÇÃO DA HISTÓRIA Para começo de conversa, é importante entendermos que a divisão proposta para a história da humanidade tem mais um viés didático do que absoluto. Não podemos dizer que num determinado ponto os períodos mudaram, existe transição. Sabemos que não é assim que acontece, ou seja, que numa “virada” de ano passamos da Idade da pedra lascada para a idade dos metais ou algo similar. Nossa história é assim, tentativas, conquistas, retrocessos..., novas conquistas... Segundo Gasparetto Junior (2012), esse “etapismo” histórico é algo que gera muita discussão entre os historiadores. A forma como estamos acostumados a estudar ou lidar com os períodos históricos é uma convenção totalmente baseada na realidade da história europeia. Usualmente, utilizamos História Antiga, História Medieval, História Moderna e História Contemporânea para determinar os momentos em que as condições de vida e as relações humanas foram diferenciadas ao longo da história. Mas este ponto de vista eurocêntrico, não leva em consideração a existência de outros povos e outras civilizações fora do continente europeu ou de sua área de abrangência antes da Idade Moderna. América e África, por exemplo, apenas são inseridas na história da humanidade, segundo esta conceituação, a partir da História Moderna, enquanto, na verdade, possuíam civilizações tão bem estruturadas quanto àquelas que existiam na Europa. A ilustração abaixo mostra de maneira bem didática essa divisão da história – uma linha do tempo, sobre a qual trabalharemos ao longo do módulo: 6 1.1 Pré-história Os historiadores pontuam a pré-história como o momento em que o homem ainda não havia criado a escrita, ou seja, a pré-história é o período de antes da escrita. Esse período vai de aproximadamente 4000 anos atrás ou a.C. (antes da Era Cristã), quando surgiram os primeiros homens, sendo também considerado por alguns pesquisadores como um período anterior à História (este grupo de pesquisadores considera que a história só começa quando o homem passa a dominar a escrita, nosso meio de comunicação que permanece até a atualidade). De todo modo, se vermos por outra perspectiva, as ilustrações rupestres das cavernas não deixam de ser um meio de comunicação, concordam? Existe uma imensa quantidade de documentos não escritos, como pinturas rupestres, sítios arqueológicos, ossadas, fósseis, entre outros, que permitem estudar a ação desses seres humanos que viveram há milhares de anos. Esses vestígios são tratados como fontes históricas, e a pesquisa sobre eles permitiu ainda dividir a Pré-História em dois períodos,de acordo principalmente com os tipos de ferramentas utilizados pelas pessoas da época: o período Paleolítico (até 10000 a.C.) e o período Neolítico (10000-4000 a.C.) (PINTO, 2013). 7 Costuma-se também dividir a pré-história em três períodos: Idade da Pedra Lascada, Idade da Pedra Polida e Idade dos Metais. A Idade da Pedra Lascada ou Paleolítico (2 milhões a.C. até 10000 a.C.) é o período caracterizado pelo uso de utensílios elaborados a partir da pedra lascada, ou seja, o homem começa a fabricar ferramentas como machados, lanças, cajados, facas e outros objetos de pedra como ossos e madeira. Até então, nossos ancestrais eram nômades, circulavam e viviam da coleta, caça e pesca, buscando água e abrigo. Constituíam comunidades onde predominava a propriedade coletiva dos meios de produção. Claro! O fogo! Não podemos esquecer dele, afinal uma das grandes descobertas desse período foi o fogo, que era produzido através de dois processos, um através da fricção de duas pedras sob um maço de palha seca, e a faísca obtida incendiava a palha, e em outro um graveto era girado sob o furo de uma madeira seca, e através do aquecimento, gerava calor que passava para a palha, provocando o fogo. Já o período da idade da Pedra Polida ou Neolítico (12000 a 4000 a.C.), é marcado pelo processo de sedentarização da espécie humana. Nossos ancestrais passaram a dominar as técnicas agrícolas e a criação de animais, formando os primeiros núcleos urbanos e, por conseguinte, a organização das tribos, que correspondem a formações sociais mais complexas. O início deste período foi marcado com o fim das glaciações, uma época em que quase todo o planeta ficou coberto de gelo e terminou com o desenvolvimento da região da Mesopotâmia. Também nesse período começam a surgir as práticas religiosas, a cultura e o artesanato. Por fim, na Idade dos Metais, um período muito curto, mais ou menos 6 a 5 mil anos atrás até o surgimento da escrita, o ser humano aperfeiçoa as técnicas de metalurgia e consegue elaborar instrumentos de trabalho e armas. Com isso, alguns grupos passaram a deter a hegemonia sobre outros e as sociedades dividiram-se em classes sociais. 8 Aqui podemos falar em outros três períodos: idade do cobre, idade do bronze e idade do ferro. Idade do Cobre – por volta de 6 mil anos atrás, o homem pré-histórico (homo sapiens sapiens) adquiriu conhecimentos para o desenvolvimento de técnicas para derreter e moldar o cobre. Usava moldes de pedra ou barro para colocar o cobre derretido e produzir espadas, lanças e ferramentas. Usava o martelo para moldar estes objetos depois que esfriavam. Idade do Bronze – por volta de 4 mil anos atrás, o homem começou a produzir o bronze (metal mais resistente que o cobre), a partir da mistura da liga do cobre com o estanho. Espadas, capacetes, martelos, lanças, facas, machados e outros objetos de bronze começaram a ser fabricados neste período. Idade do Ferro – por volta de 3,5 mil anos atrás, o homem já dominava muito bem a metalurgia, passando a fabricar o ferro, usando fornos em altas temperaturas. Com o ferro, o homem passou a desenvolver principalmente armas mais resistentes. A transição da Pré-história para a História deu origem a duas grandes estruturas da Antiguidade: as civilizações de servidão coletiva e as escravistas. 1.2 Idade Antiga Esse período da história é relativamente longo, algo em torno de 4 mil anos, ou seja, de 4000 a.C. a 476 d.C., pontuado por historiadores com a deposição do último imperador romano ocidental Rômulo Augusto. Nesse período tivemos o nascer e apogeu de civilizações que se desenvolveram na Europa e no Oriente Médio (Mesopotâmia, Egito Antigo, povos Hebreus, Grécia e Roma antiga). Claro! Temos no oriente os persas, a civilização chinesa, indiana, africana, germanos e vikings que merecem igual atenção, embora apareçam quase que marginalmente nos livros de história do ocidente. 9 1.3 Idade Média A Idade Média compreende um período de quase 1000 anos que vai de 476 e 1453. Alguns insistem em falar que esse foi o período das trevas, ou seja, um período de estagnação da humanidade, afinal situa-se entre dois períodos que muito contribuíram para nossa evolução. Evidentemente que a religião em certa nuance prevaleceu sobre as artes e as ciências, mas tivemos muitas “histórias”. Explicaremos em detalhes essa denominação na unidade dedicada à Idade Média. Existem algumas características marcantes desse período: dominação dos valores cristãos, ou seja, a Igreja conquistou muito poder e autoridade nesse período; feudalismo – o sistema pelo qual as terras dos reis foram dividas em feudos, nos quais trabalhavam os servos para seus senhores. Os feudos produziam para subsistência através dos esforços dos servos. Estes tinham apenas um dia na semana para produzir para si mesmos, mas deviam aos seus reis uma série de impostos; relações de suserania e vassalagem entre os nobres – um deles concedia porções de terra ao outro, o que recebia terras para aumentar suas propriedades passavam a realizar tarefas de fidelidade. Como proteção em guerras, que era o mais comum; as cruzadas – talvez os eventos mais famosos da Idade Média. Consistiram em investidas militares dos cristãos contra os muçulmanos nas guerras pelo domínio da Terra Santa – que culmina com a dominação dos valores cristãos citados inicialmente; as ordens de cavalaria uniam nobres que destinavam suas vidas aos combates. Tornaram-se muito respeitadas e bem qualificadas na sociedade Medieval e engrossaram o combate dos católicos contra os islâmicos; 10 a Peste Negra representou um dos momentos de crise da Idade Média. Na ocasião, dois terços da população da Europa morreu em decorrência de peste bubônica. 1.4 Idade Moderna A idade Moderna compreende o período que vai de 1453 e 1789. A queda de Constantinopla, ou seja, sua tomada pelos turcos, marca a passagem da Idade Média para a Idade moderna. É o período da utilização das tecnologias da época, das grandes navegações, do descobrimento do Novo Mundo! Do domínio das Américas e da África. Também do encurtamento das distâncias entre os povos. O europeu, é verdade, se sentia forte, levando as monarquias ao seu apogeu e ao mesmo tempo a decadência. E eis que a chegada da Revolução Francesa, em 1789, trouxe-nos um novo padrão político. 1.5 Idade Contemporânea Da Revolução Francesa, com seu lema “Liberdade, igualdade, Fraternidade” viemos para o tempo contemporâneo. Essas ideias realmente trouxeram impactos importantes não só para a França, como para a Europa e o mundo ocidental. Juntamente com o movimento Iluminista, vimos a derrocada do feudalismo, das monarquias e o nascer do capitalismo. No século XX vimos novas revoluções. As tecnologias interligaram as pessoas, mas também participaram ativamente de guerras sangrentas ao longo de décadas. Apesar de duas grandes guerras mundiais terem marcado nosso tempo com atrocidades, as mais terríveis que sequer podíamos imaginar que o ser humano pudesse cometer, a imagem abaixo no limiar do século XXI, igualmente chocou o mundo. 11 Mais um capítulo do radicalismo, da ganância e da insensibilidade, que ainda impera entre os povos. O ataque terrorista às torres gêmeas nos EUA – 11/09/2001. Quanto às principais características da Idade Contemporânea no mundo Ocidental temos: consolidação do capitalismo como sistema econômico; desenvolvimento industrial; ascenção política e econômica da burguesia industrial, principalmente nos países europeus; consolidação do regime democráticoapós meados do século XIX; neocolonialismo e Imperialismo – disputa de territórios, mercados consumidores e fontes de matérias-primas pelas potências europeias; 12 amplo desenvolvimento tecnológico, principalmente a partir de meados do século XX; despontamento, no século XX, dos Estados Unidos como grande potência; globalização da economia a partir de meados do século XX. 13 UNIDADE 2 – HISTÓRIA ANTIGA (4000 a.C. – 476 d.C.) 2.1 O crescente fértil Evidentemente que começamos nossa viagem pela História Antiga, justamente falando do crescente fértil, definida no Dicionário de Nomes, Termos e Conceitos Históricos como uma área em formato de lua, em sua fase crescente, que abrange, atualmente, os territórios pertencentes aos estados do Egito, Israel, Líbano, Jordânia, Síria, Turquia, Irã e Iraque (AZEVEDO, 2012). É nessa região do planeta que surgiram as primeiras civilizações. A presença de grandes rios (Eufrates, Nilo, Tigre) com seus vales férteis, oportunizaram o homem se fixar utilizando a prática da agricultura para sua subsistência. 14 Foi nesses vales que se desenvolveram as primeiras grandes civilizações Orientais como a egípcia, babilônica, persa, fenícia e assíria, dentre outros povos. Eles aprenderam a controlar o excesso e a falta de água, drenar pântanos e construir sistemas de irrigação. Mas hoje, infelizmente, devido séculos de exploração, temos enormes e profundos desertos. 2.2 Os primeiros habitantes e cidades do Oriente Médio Várias cidades da Antiguidade foram formadas às margens dos seguintes rios: rio Nilo na região do Egito; rio Jordão em Israel e Palestina; rios Tigre e Eufrates nas regiões da antiga Mesopotâmia, atual Iraque, Kuwait. Embora não pertençam ao “crescente fértil”, devemos lembrar que os rios Indo e Ganges (Índia) e Amarelo e Azul (China) foram muito importantes para as civilizações orientais. Essas cidades surgiram como uma evolução natural das aldeias tribais que havia nestas regiões. Aldeias, aliás, que se formaram a partir da sedentarização do homem. Dentre outros fatores de aproximação dos homens aos rios, temos os fatores geográficos, já que boa parte do entorno do Crescente Fértil é formado por deserto (FABER, 2011). Porém, lembra o mesmo autor, o rio sozinho, não foi o responsável pela sedentarização dos seres humanos. Este processo ocorreu como consequência direta da necessidade de alimentar toda a população tribal. Por isso, desde muito cedo, os homens procuraram habitar em regiões próximas aos rios, pois nestas regiões existia abundância de água potável para os membros da tribo e para os seus animais. Fazendo uma breve comparação com os dias atuais, Szklarz (2009) nos relembra que o mapa do Oriente Médio que vemos hoje é apenas o mais recente capítulo de uma longa saga. Desde 3 mil a.C., essa faixa de terra na encruzilhada da Europa, Ásia e África foi dominada – em maior ou menor escala – por diversos reinos e impérios, em conquistas não-lineares. Entre eles, os egípcios (a partir de 2500 a.C.), hititas (por volta de 1500 a.C.), israelitas (século 10 a.C.), assírios (século 8 a.C.), babilônios (século 7 a.C.), persas (século 6 a.C.), macedônios (século 4 a.C.), romanos (século 1), bizantinos (século 5), sassânidas e califado 15 islâmico (século 7), seljúcidas, cruzados e muçulmanos liderados por Saladino (século 12), império mongol (século 13), império otomano (século 16) e potências ocidentais, no início do século XX. A maioria desses povos não existe mais. A civilização dos faraós, por exemplo, nada tinha a ver com os árabes que hoje habitam o Egito. Adoravam outros deuses, falavam outra língua e utilizavam diferentes formas de escrita. Cananeus, israelitas, fenícios e filisteus também já viviam no Oriente Médio milhares de anos antes do advento do Islã. Eles habitavam a parte ocidental do Crescente Fértil (hoje, os territórios de Israel, Líbano e Cisjordânia). Por volta do século 13 a.C., os israelitas conquistaram Canaã, ao sul do Crescente, onde viviam cananeus e jebuseus, entre outros, e formaram um reino ao norte (Israel) e outro ao sul (Judá), que 300 anos depois seriam unificados pelo rei Davi, tendo Jerusalém como capital. Enfraquecido por disputas internas, o reino de Israel foi conquistado por Nabucodonosor, rei da Babilônia, em 586 a.C., os judeus foram exilados. Outros povos tiveram pior sorte. “Os filisteus desapareceram durante as conquistas babilônicas; já os fenícios permaneceram na costa do Mediterrâneo até a época romana (século 1)”, diz o historiador Bernard Lewis (1990), da Universidade de Princeton, no livro “O Oriente Médio”. Outro povo que sumiu foram os nabateus, rica civilização semita que fez sua capital na cidade de Petra, na atual Jordânia. Os sumérios, acádios e assírios, que habitaram a Mesopotâmia (entre os rios Tigre e Eufrates), entraram em declínio com a avalanche de impérios e batalhas. A partir do século 3, o Oriente Médio virou palco de sangrentos embates entre as duas principais potências da época: Pérsia e Roma. Até então, o cristianismo não tinha papel importante. “No início, os seguidores de Jesus foram uma seita perseguida. Mas com a conversão do imperador Constantino, no século 4, o cristianismo se tornou a religião oficial de Roma”, diz o pesquisador americano Michael Hart (SZKLARZ, 2009). Foi quando a situação começou a mudar. No século 5, o Império Romano do Ocidente sucumbiu ante as invasões bárbaras à Europa, mas o Império Romano do Oriente, mais conhecido como 16 Bizantino, ainda se manteria por mil anos. Constantino havia feito sua capital em Bizâncio, rebatizada de Constantinopla (atual Istambul). Embora falassem grego, os bizantinos se consideravam romanos e levaram adiante as guerras contra os persas. Em 637, quando persas e bizantinos estavam exaustos de lutar, o Oriente Médio caiu na mira de uma nova potência: o Islã, fundado pelo profeta Maomé (SZKLARZ, 2009). 2.3 Os povos mesopotâmios Os mesopotâmios foram chamados de “Civilizações hidráulicas” devido a sua organização sociopolítica ter como foco o controle das águas e da produtividade agrícola. Apesar de incorporar povos diversos e, também por isso, formas de organização política muito diferentes, toda região ficou assim chamada a partir das descrições de Heródoto, um grego que viajou por aquelas terras no século 5 a.C.. Mesopotâmia significa, em grego, terra “entre rios” (meso + potamos). Por volta de 6500 a.C., iniciou-se a ocupação dos vales dos rios Tigre e Eufrates. As primeiras aldeias se formaram ao norte (Alta Mesopotâmia), já que ali a agricultura era mais fácil, pois não sofria com as inundações, muitas vezes violentas, dos dois rios. A parte do sul do território (Baixa Mesopotâmia) só foi povoada quando as técnicas de irrigação já tinham sido desenvolvidas pelos povos que ali habitavam, como os sumérios, os acádios e os caldeus. Ao mesmo tempo em que as obras de irrigação eram construídas para controlar a força das águas dos rios, cidades foram sendo criadas. Os primeiros centros urbanos de que se tem notícia na História se encontram na Baixa Mesopotâmia: Lagash, Ur, Eridu e Uruk surgiram por volta do 4º milênio a.C., fundadas pelos sumérios. Atribui-se, também, aos sumérios, a criação da escrita cuneiforme, uma das mais antigas formas de escrita que se conhece. A utilização da escrita demonstra a complexidade que a sociedade mesopotâmica estava atingindo. O comércio e a contabilidade de bens foram os primeiros registros que a escrita cuneiforme anotou (TURCI, 2008). 17 São característicasdesses povos: acreditavam em vários deuses ligados à natureza – politeístas; forma de organização política baseada na centralização de poder; economia baseada na agricultura e no comércio nômade de caravanas. Os sumérios destacaram-se na construção de um complexo sistema de controle da água dos rios. Construíram canais de irrigação, barragens e diques. A armazenagem da água era de fundamental importância para a sobrevivência das comunidades. Uma grande contribuição dos sumérios foi o desenvolvimento da escrita cuneiforme, por volta de 4000 a.C., usavam placas de barro, onde cunhavam esta escrita. Muito do que sabemos hoje sobre este período da história, devemos às placas de argila com registros cotidianos, administrativos, econômicos e políticos da época. Eram excelentes arquitetos e construtores, desenvolveram os zigurates que são construções em formato de pirâmides e serviam como locais de armazenagem de produtos agrícolas e também como templos religiosos. Construíram várias cidades importantes como, por exemplo: Ur, Nipur, Lagash e Eridu. As cidades sumerianas eram independentes umas das outras, possuindo leis e governos próprios. Mas foi a rivalidade entre elas, pelo maior controle sobre as terras férteis às margens dos rios, que as enfraqueceu, possibilitando que um povo vindo da Síria as conquistassem: os amoritas (TURCI, 2008). Os amorita, por volta de 2500 a.C., chegaram na região, a partir de 1900 a.C., estabeleceram-se como governantes supremos de grande parte da Mesopotâmia. Babilônia, uma cidade às margens do rio Eufrates, passou a ser sede do Império que se formava: o Império Babilônico, e, por isso, os amoritas passaram a ser conhecidos como babilônicos. Dentre os reis babilônicos um merece grande destaque, Hamurabi, que governou durante a primeira metade do século 18 a.C.. Seus grandes feitos foram a unificação de grande parte das cidades sumerianas e o desenvolvimento da navegação pelos rios para facilitar o controle de seus domínios e, também, para ampliar o comércio entre a Alta e a Baixa Mesopotâmia. 18 Seu maior legado para a humanidade foi o Código de Hamurábi, um dos primeiros códigos de leis escrito na História, também conhecido como Lei de talião, pois as punições para os crimes eram muito rigorosas (“olho por olho, dente por dente”). Foi seu modo de organizar e controlar a sociedade da época. De acordo com o Código de Hamurabi, todo criminoso deveria ser punido de uma forma proporcional ao delito cometido. Os babilônios também desenvolveram um rico e preciso calendário, cujo objetivo principal era conhecer mais sobre as cheias do rio Eufrates e também obter melhores condições para o desenvolvimento da agricultura. Excelentes observadores dos astros e com grande conhecimento de astronomia, também desenvolveram um preciso relógio de sol. Além de Hamurabi, outro imperador que se tornou conhecido por sua administração foi Nabucodonosor II, responsável pela construção dos Jardins suspensos da Babilônia (que fez para satisfazer sua esposa) e a Torre de Babel (zigurate vertical de 90 metros de altura). Sob seu comando, os babilônios chegaram a conquistar o povo hebreu e a cidade de Jerusalém. Após a morte de Hamurábi, os babilônicos enfrentaram diversas revoltas das cidades dominadas, o que vai levar ao declínio de seu poder, facilitando a invasão dos assírios, povo que vivia ao norte da Mesopotâmia, e conseguiu se impor sobre o Império Babilônico usando de um violento poder militar. O Império Assírio durou de 1300 a.C. até 612 a.C.. Dentre seus reis, merece destaque Assurbanípal, que foi responsável pela maior extensão territorial da Mesopotâmia, incluindo até mesmo o Egito e, também, pela construção da Biblioteca de Nínive, um dos maiores acervos de plaquetas de argilas da Antiguidade. A Biblioteca de Nínive foi encontrada no século XIX por arqueólogos ingleses. Ela pertencia ao rei assírio Assurbanipal 2º (século 7 a.C.) e era composta por uma coleção de mais ou menos 25 mil plaquetas de argila (material usado para escrita na época), com textos em cuneiforme, muitos deles bilíngues, em sumeriano e acádico. 19 Segundo Turci (2014), a Biblioteca de Nínive é considerada a primeira da história e guardava compilações de diversos tipos de texto: cartilhas sobre o mundo natural, geografia, matemática, astrologia e medicina; manuais de exorcismo e de augúrios; códigos de leis; relatos de aventuras e textos religiosos. Sabe-se que os mesopotâmicos tinham muito apreço pela escrita. Escolas para escribas (edubba) eram comuns nas cidades da época. Uma parábola babilônica dizia: “A escrita é a mãe da eloquência e o pai dos artistas”. O escriba tinha grande status na sociedade e, a se julgar pela quantidade de plaquetas de argila encontradas em diversos sítios arqueológicos, pode-se imaginar a importância que esse povo dava para o registro escrito. Tamanho acervo de documentos contribuiu muito para a compreensão da cultura da Mesopotâmia. Em relação à literatura, a mais famosa obra literária da Mesopotâmia é a Epopeia de Gilgamesh. Gilgamesh é uma figura semilendária e teria sido rei da cidade-estado de Uruk, por volta de 2.700 a.C., mas tudo que se conhece a respeito desse rei deve-se à epopeia construída em torno de seu nome, encontrada em 12 plaquetas de argila que constam do acervo da Biblioteca de Nínive (TURCI, 2014). A lenda conta a grande amizade entre o rei Gilgamesh, culto e refinado, e Enkidu, um homem rude, nascido e criado no deserto. Juntos, os dois viajam por terras distantes, buscando aventuras e glórias. No entanto, Enkidu adoece e morre. E, a partir desse momento, Gilgamesh passa a buscar a imortalidade. Essa procura o leva até terras distantes, numa terrível e maravilhosa viagem, para encontrar Utnapishtim, homem abençoado pelos deuses com a imortalidade, após ter sobrevivido ao dilúvio. Utnapishtim, no entanto, faz com que Gilgamesh compreenda que a imortalidade não é característica dos homens: “Gilgamesh, onde queres chegar nas tuas andanças? A vida que estás procurando, nunca encontrarás. Pois, quando criaram os homens, os deuses decidiram Que a morte seria seu quinhão, e detiveram a vida em suas próprias mãos. 20 Gilgamesh, enche o teu estômago, Faze alegres o dia e a noite, Que os teus dias sejam risonhos. Dança e toca música noite e dia, [...] Olha para o filho que está segurando a tua mão, E deixa que tua esposa encontre prazer nos teus braços. Só dessas coisas é que os homens devem cogitar.” Segundo o especialista em assiriologia, Jean Bottéro (em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 02 de maio de 1996), “o autor da epopeia quis nos ajudar a encarar com coragem, com o exemplo de um fracasso tão grande, a inevitável interrupção de nossa vida”. O povo assírio destacou-se pela organização e desenvolvimento de uma cultura militar. Encaravam a guerra como uma das principais formas de conquistar poder e desenvolver a sociedade. Eram extremamente cruéis com os povos inimigos que conquistavam. Impunham aos vencidos, castigos e crueldades como uma forma de manter respeito e espalhar o medo entre os outros povos. Com estas atitudes, tiveram que enfrentar uma série de revoltas populares nas regiões que conquistavam, e em 612 a.C., várias cidades da Baixa Mesopotâmia se uniram sob a liderança dos caldeus (povo de origem semita), que acabam por tomar o poder. Sob o controle político dos caldeus, a Babilônia voltou a ser a capital do novo império formado, por isso foi chamado de Segundo Império Babilônico, o mais curto dos períodos políticos da Mesopotâmia,pois durou de 612 a.C. até 539 a.C.. Nabucodonossor foi o mais importante imperador dessa nova fase política. Organizou a cidade da Babilônia, transformando-a num dos maiores centros comerciais da Antiguidade; construiu templos e palácios, dentre eles, já citamos, o famoso palácio com “jardins suspensos” (pois as plantas ficavam na parte mais alta da construção). Ele também foi responsável pela conquista dos 21 hebreus, povo que habitava o vale do rio Jordão, conduzindo-os como escravos para a Babilônia, episódio contado pela Bíblia. Pouco mais de 20 anos depois da morte de Nabucodonossor, chega ao fim o período de independência política da Mesopotâmia, que foi invadida e conquistada pelos persas, povo originário do planalto iraniano, que estava em pleno processo de expansão territorial (TURCI, 2008). Desses povos mesopotâmios herdamos vários elementos que prevalecem em nossa sociedade. Vejamos: o ano de 12 meses e a semana de 7 dias; a divisão do dia em 24 horas; a crença nos horóscopos e os doze signos do zodíaco; a previsão dos eclipses; o hábito de fazer o plantio de acordo com as fases da lua; a circunferência de 360 graus; o processo aritmético das operações matemáticas; multiplicação, divisão, soma e subtração além de raiz quadrada e cúbica. 2.4 O império persa A civilização persa foi uma das mais expressivas civilizações da Antiguidade. A Pérsia situava-se a leste da Mesopotâmia, num extenso planalto onde hoje corresponde ao Irã, localizado entre o golfo Pérsico e o mar Cáspio. Ao contrário das regiões vizinhas, possuía poucas áreas férteis. Esta civilização estabeleceu-se no território por volta de 550 a.C. 22 No mapa abaixo temos os limites do Império Persa no reinado de Dario I, em 490 a.C. Ciro, príncipe persa, realizou a dominação do Reino da Média e, assim, deu início à formação de um bem-sucedido reinado que durou cerca de vinte e cinco anos. Nesse período, o imperador também conquistou o reino da Lídia, a Fenícia, a Síria, a Palestina, as regiões gregas da Ásia Menor e a Babilônia. Um dos motivos de tal expansão geográfica era o aumento sucessivo da população. O processo de expansão iniciado por Ciro foi continuado pela ação do imperador Dario, que dominou as planícies do rio Indo e a Trácia. Nesse momento, dada as grandes proporções assumidas pelo território persa, Dario viabilizou a ordenação de uma geniosa reforma administrativa. Pelas mãos de Dario, os domínios persas foram divididos em satrápias, subdivisões do território a serem administrados por um sátrapa. Voltando um pouco a Ciro, este não proibia as crenças nativas dos povos conquistados. Concedia alguma autonomia para as classes altas, que governavam as regiões dominadas pelos persas, mas exigia, em troca, homens para seu exército, alimentos e metais preciosos. Cambises, filho e sucessor de Ciro, iniciou uma difícil campanha militar contra o Egito, em 525 a.C., finalmente vencida pelos persas na batalha de 23 Pelusa. Nessa época, o império persa abrangia o mar Cáspio, o mar Negro, o Cáucaso, grande parte do Mediterrâneo oriental, os desertos da África e da Arábia, o golfo Pérsico e a Índia. Cambises pretendia estender seus domínios até Cartago, mas não conseguiu levar esse plano adiante por causa de violenta luta interna pelo poder. A luta pelo poder prosseguiu após a morte de Cambises. Dario, parente distante de Cambises, aliou-se a fortes setores da nobreza, tomou o trono e iniciou uma nova era na história da Pérsia. Dario e depois seu sucessor, Xerxes, tentaram conquistar ainda a região da atual Grécia, mas fracassaram. Em 330 a.C., o Império Persa foi conquistado por Alexandre Magno, da Macedônia. Os povos dominados pelos persas podiam conservar seus costumes, suas leis, sua religião e sua língua. Eram obrigados, porém, a pagar tributos e a servir o exército persa. Dario procurou organizar o império dividindo-o em províncias e nomeando pessoas de sua confiança para governá-las. Para facilitar a comunicação entre as províncias, foram construídas diversas estradas, entre elas a Estrada Real. Com mais de 2 mil quilômetros de extensão, essa estrada ligava as cidades de Susa e Sardes. Por ela passavam os correios reais, o exército e as caravanas de mercados. A riqueza para sustentar esse enorme império era fornecida por camponeses livres, que viviam em comunidades e pagavam impostos ao imperador. Havia também o trabalho escravo, mas a maioria dos trabalhadores não pertencia a essa categoria. Na arte, os persas receberam grande influência dos egípcios e dos mesopotâmicos. Fizeram construções em plataformas e terraços, nas quais utilizaram tijolos esmaltados em cores vivas. No plano religioso, distinguiram-se por uma religião que ainda hoje é praticada em algumas partes do mundo: o zoroastrismo. Seu fundador, Zoroastro (daí o nome da religião), viveu entre 628 e 551 a.C. Como em todas as civilizações, houve a queda do império! 24 A tomada do estreito de Bósforo e Dardanelos no mar Negro pelas forças persas prejudicou o intenso comércio grego na região. O clima de tensão entre várias cidades gregas e o império persa transformou-se em longa guerra. Em 490 a.C., Dario tentou invadir a Grécia, mas foi derrotado pelos gregos na batalha de Maratona. Dario morreu e o poder passou às mãos de seu filho Xerxes, que continuou a luta contra a Grécia, sendo derrotado em 480 e 479 a.C. nas batalhas de Salamina e Plateia. Após sucessivas derrotas, os persas foram obrigados a se retirar e reconhecer a hegemonia grega no mar Egeu e na Ásia Menor (Lídia). Com o enfraquecimento do império, várias satrapias se revoltaram contra o domínio persa. Internamente, a luta pelo poder tornou-se mais e mais violenta. Entretanto, durante a Guerra do Peloponeso (entre Atenas e Esparta) os persas tomaram novamente a Ásia Menor. Com o assassinato de Dario III, um dos últimos sucessores do império, Alexandre Magno dominou toda a Pérsia e suas satrapias e anexou-as ao império greco-macedônico. 2.5 A Macedônia A Macedônia era um reino situado ao norte da Grécia, com uma população formada por agricultores e pastores que eram governados pelos grandes proprietários de terra e de escravos. A História do Império Macedônico inicia-se com Filipe II em 359 a.C., o qual após tornar-se rei, distribuiu as terras pertencentes a aristocracia para os camponeses. Ele também criou um governo centralizado forte militarmente e capaz de competir de igual para igual contra os povos da Grécia que os tachavam de Bárbaros. Aproveitando-se do caos em que estava as cidades-estados gregas em decorrência da Guerra da Peloponeso, Filipe II conquistou toda a Grécia. Em 338 a.C., os macedônicos derrotaram os gregos na Batalha de Queronéia. Com isso, a Macedônia passou a exercer a tutela sobre o Mundo Grego. 25 Filipe II morreu assassinado dois anos depois. Em seu lugar, o império foi assumido por Alexandre Magno, seu filho. As cidades gregas não aceitaram o jovem rei como soberano, rebelaram-se, achando o momento ideal para se libertarem do domínio macedônico. Alexandre mostrou ser um hábil governante e conseguiu sufocar as rebeliões lideradas pela Cidade de Tebas. Contornada a situação na Grécia, o Império Macedônico voltou as suas atenções para o Oriente, onde há muito tempo os persas buscavam destruir a Civilização Grega. Iniciariam uma guerra contra o Império Persa, na época governado por Dario III e com sua morte, Alexandre tornou-se o senhor do Oriente, dono do maior Império da história até então formado. O Império Macedônicoia da cidade de Pela na Macedônia até aos arredores da Índia. O gigantesco Império formado por Alexandre, o Grande, seria desfeito após a sua morte em 323 a.C. Os principais generais macedônicos dividiram o império, formando reinos particulares na Ásia, no Egito e na Pérsia. Inicia-se assim o Período Helenístico, onde a cultura grega fundiu-se com os costumes dos povos do Oriente. (http://www.civilizacaoantiga.com/2009/05/o-imperio-macedonico.html) Sobre Alexandre, cabe ressaltarmos que, sendo educado por Aristóteles (um dos maiores filósofos da Grécia Antiga), colocou em prática todos os seus ideais humanísticos. Ele preservou gregos e romanos das investidas dos povos do oriente. O Império Macedônico ao conquistar a Grécia, comprou a briga dos gregos contra os persas pela hegemonia do Mundo Antigo. Os reis do Império Persa desejavam a todo custo conquistar a península balcânica, região onde se desenvolveu a civilização grega, se conseguissem tal feito, certamente os persas também conquistariam todo o mediterrâneo, tendo a civilização romana igual destino dos gregos e o mundo que conhecemos hoje seria completamente diferente e sombrio. Todo o legado das Civilizações Clássicas se perderia no tempo assim como a própria história. Portanto, coube a Alexandre Magno derrotar e conquistar o vasto Império Persa, sendo o responsável por integrar culturalmente os povos do oriente com os povos do ocidente. (http://www.civilizacaoantiga.com/p/civilizacao-classica.html). 26 2.6 A civilização chinesa A China é uma civilização milenar que acumula mais de 4000 anos de História. Devido sua extensa trajetória, costumamos segmentar os principais acontecimentos desse povo através de uma divisão feita, principalmente, por meio de fatos de natureza política (SOUSA, 2010). Até pouco tempo, a existência da civilização Xia (2200 a.C. - 1750 a.C.) foi amplamente questionada por arqueólogos e especialistas no assunto. No entanto, recentes escavações e pesquisas comprovaram que esta é uma das mais antigas civilizações da região chinesa de que se tem registro. Os Xia são considerados descendentes diretos dos povos do Neolítico que primeiro ocuparam as regiões próximas do Rio Amarelo. Além disso, estudos apontam que os primeiros sistemas de escrita chineses foram estabelecidos por esta mesma civilização. Juntamente com o Egito, a Mesopotâmia, a Pérsia, a Índia e a Grécia, a China é uma das mais antigas civilizações do mundo. Diversos objetos inventados na China antiga ainda hoje fazem parte do nosso cotidiano: o jogo de xadrez, os papagaios ou pipas de empinar, a bússola, a porcelana, a pólvora, os fogos de artifício, o guarda-chuva, o papel, a imprensa, produtos e técnicas medicinais como a acupuntura. Em 1929, o arqueólogo chinês Pei Wenzhong encontrou na aldeia de Zhoukoudian, perto de Beijing ou Pequim, atual capital da China, um crânio humano que datava de aproximadamente 500 mil anos. Esse crânio pertencia ao gênero Homo erectus, que viveu em regiões da África, da Ásia e da Europa entre cerca de 1,8 milhão e 300 mil anos atrás. O arqueólogo batizou o seu achado de “Homem de Pequim”. Estudando esse fóssil e outros indícios encontrados na região, os pesquisadores concluíram que o Homo erectus chinês vivia em cavernas e produzia artefatos de pedra polida, utilizava o fogo para cozinhar os alimentos e proteger-se do frio. Vivia da caça, da pesca e da coleta de frutos das florestas. Tudo indica que os primeiros chineses tinham vida semelhante à dos demais povos do Paleolítico. 27 2.7 A civilização fenícia A Civilização Fenícia desenvolveu-se na região litorânea noroeste do Oriente Médio, onde hoje se localiza o litoral da Síria e do Líbano. O início da ocupação da região ocorreu por volta do ano 3000 a.C., mas o apogeu das cidades fenícias efetuou-se entre 1200 a.C. e 900 a.C. Os fenícios tiveram como principais legados a criação do alfabeto e a navegação (PINTO, 2009). Inicialmente trabalhando na agricultura, os fenícios destacaram-se economicamente com a atividade comercial desenvolvida principalmente no Mar Mediterrâneo. A falta de terras férteis em abundância, contrariamente ao que ocorria na Mesopotâmia e Egito, levou-os a se dedicarem à troca de produtos com diversos povos da Antiguidade. As extensas florestas de cedro na região serviram como fonte de matéria- prima para a construção de navios, o que fez os fenícios se tornarem especialistas na construção naval. O comércio marítimo possibilitou ainda a colonização de vários locais no mar Mediterrâneo. Destaca-se a construção de cidades como Palermo, na Sicília, além de Cádiz e Málaga, na Espanha. Mas a que obteve maior destaque foi Cartago, no Norte da África. Esse povo formou ainda diversos entrepostos comerciais no Mediterrâneo para facilitar a atividade comercial (PINTO, 2009). Rotas fenícias 28 As navegações fenícias estenderam-se para além do estreito de Gibraltar, chegando à Inglaterra e ao mar do Norte, como também ao contorno da costa atlântica da África, em sentido sul, conseguindo, assim, acesso ao oceano Índico e ao Mar Vermelho. O crescimento econômico proporcionou aos comerciantes também um poder político. Ao lado dos sacerdotes, eles administravam as cidades fenícias. Essa talassocracia (a elite mercantil) organizava-se através de monarquias ou repúblicas, e, no caso das últimas, eram administradas por um corpo de anciões ilustres, denominados sulfetas. As cidades que conheceram maior destaque foram Biblos, Ugarit, Sidon e Tiro. As duas primeiras predominaram até o século XIII a.C., sendo dominadas por egípcios, hititas e os povos do Mar Egeu. A terceira predominou após o declínio das primeiras, sendo contida pelo expansionismo assírio. Tiro teve seu apogeu entre os séculos X e IX a.C., sendo dominada posteriormente por babilônios, persas, gregos e romanos (PINTO, 2009). A organização da civilização fenícia em cidades autônomas e independentes foi uma característica que a distinguiu dos demais povos da região, que formaram grandes impérios. A elite dessas cidades era formada pelos ricos comerciantes, sacerdotes e construtores de navios, os armadores. Mas os fenícios também desenvolveram uma importante atividade artesanal. Além dos navios, eram produtores de joias e tecidos, principalmente os tingidos de púrpura, uma tintura extraída de um molusco, o múrice. Os tecidos tingidos de púrpura foram admirados e utilizados pelas elites de todos os grandes impérios da Antiguidade. Os fenícios eram também excelentes arquitetos e construtores, sendo responsáveis pela construção do templo de Jerusalém, durante o reinado de Salomão. No aspecto religioso, caracterizaram-se pelo politeísmo e pelo animismo (crença no poder sagrado dos elementos e manifestações da natureza). Cada cidade tinha um deus principal, geralmente conhecido como Baal, que 29 representava o Sol, e a deusa Astarteia, símbolo da fecundidade. Havia ainda outros deuses específicos de cada cidade. A astronomia e a matemática foram áreas nas quais os fenícios também produziram importantes conhecimentos, principalmente em decorrência das necessidades da navegação. Porém, o maior legado fenício foi, sem dúvida, a criação de um sistema de escrita, formado por 22 letras, que ficou conhecido como alfabeto. Os fenícios não foram os criadores da escrita, já que antes deles houve os sumérios, com a escrita cuneiforme, e os egípcios, com os hieróglifos. A especificidade da escrita fenícia foi a simplificação dos caracteres. Possivelmente, o motivo para adotar o alfabeto estava ligado à organização das atividades comerciais.O alfabeto fenício foi adotado pelos gregos e pelos romanos, que o aprimoraram, tornando-se ainda a matriz da nossa escrita atual (PINTO, 2009). 30 UNIDADE 3 – AS CIVILIZAÇÕES CLÁSSICAS DA ANTIGUIDADE Quando falamos em civilizações clássicas da Antiguidade, estamos nos reportando aos gregos e romanos ou Civilização Greco Romana, que para muitos historiadores são as duas civilizações que mais influências exerceram na história da humanidade. 3.1 Grécia A Grécia antiga compreendia uma região chamada Hélade e ocupava o sul dos Bálcãs (Grécia continental), a Península do Peloponeso (Grécia peninsular), as ilhas do Mar Egeu (Grécia Insular), além das colônias na costa da Ásia Menor e no sul da Península Itálica (Magna Grécia). Daí se espalhou pelas costas dos mares Negro e Mediterrâneo, atingindo o sul da Itália e da França e a costa da Líbia no norte da África, sendo o mar Mediterrâneo sua principal via de comunicação. A civilização grega ou helênica 31 começou a existir por volta de 1200 a 1100 a.C., com a chegada dos dórios ao sul da Península Balcânica, conquistando os aqueus que aí habitavam. Anteriormente à chegada dos dórios, existiram na região da bacia do Mar Egeu duas importantes civilizações: a Cretense, na ilha de Creta e a Aqueana ou Micênica, no continente europeu. Essas civilizações conheciam a escrita, utilizavam armas e instrumentos de bronze e tinham agricultura, artesanato e comércio desenvolvidos. Os historiadores dividem a história da Grécia em quatro períodos principais: Pré-Homérico; Homérico; Arcaico e Clássico. O período Pré-Homérico corresponde ao apogeu e à decadência da civilização cretense, que se desenvolveu em Creta, a maior ilha do Mar Egeu. Essa ilha era povoada por tribos que, provavelmente, tenham vindo da Ásia Menor. Durante esse período, outros povos dirigiram-se à Grécia: os aqueus, que se estabeleceram na Grécia continental e também na Ilha de Creta. Estes povos dominaram os cretenses por volta de 1400 a.C., dando origem à civilização creto- micênica. Além dos aqueus, os jônios e os eólios também chegaram à Grécia. De todos esses povos, o mais importante foi o dório, com características guerreiras, que deram novo rumo à História Grega. Os dórios destruíram a civilização creto- micênica e conquistaram a Grécia. Esses acontecimentos anunciaram um novo período da História da Grécia – o período Homérico. A partir das invasões dórias teve início um período muitas vezes chamado de homérico, porque o conhecimento que se tem da sociedade grega da época se deve, em grande parte, a dois poemas – a Ilíada e a Odisseia –, atribuídos a Homero. Os quatrocentos anos que se seguiram à chegada dos dórios (de 1200 a 800 a.C. aproximadamente) permanecem bastante obscuros para nós, devido à escassez de fontes escritas (UFJF, 2012). A Ilíada narra a guerra de Tróia, e a Odisseia, as aventuras do herói grego Ulisses (Odisseu) em sua viagem de volta à Grécia após a conquista de Tróia. Há muita discussão sobre a autoria desses poemas. Muitos estudiosos 32 defendem que Homero nunca existiu e que esses teriam sido obras do passado coletivo grego, tendo sido transmitidos oralmente de geração em geração. Com a invasão dória, um novo modelo social se implantou: a produção passou a ser de subsistência, com exploração da mão de obra familiar, auxiliada por uns poucos assalariados e escravos; a arte e a escrita desapareceram; o artesanato decaiu; as armas de bronze finalmente trabalhadas foram aos poucos sendo substituídas por artefatos grosseiros, feitos de ferro; e o sepultamento em magníficos túmulos foi substituído pela cremação simples. Nesse período, a população passou a se organizar em pequenas comunidades, cuja unidade básica era a família. Essa forma social é chamada de genos. Cada geno possuía seu próprio líder, seu culto religioso e suas leis. Com o passar dos tempos, os genos foram se ampliando e acabaram dando origem a um outro tipo de organização da vida social e política – a polis, ou cidade-Estado que foi a característica do período seguinte da história grega. O período Arcaico inicia-se, então, com a reunião dos genos em unidades políticas maiores, chamadas pólis ou cidades-Estados. Nesse tipo de organização não existia um governo único, cada cidade- estado tinha suas leis, seu governo, sua economia e sua sociedade própria e independente. O palácio do governo e os templos eram construídos em uma colina fortificada, a acrópole. As pólis gregas possuíam uma arquitetura parecida. Na parte baixa ficava uma praça, a ágora, onde aconteciam as assembleias dos cidadãos e as transações comerciais. Era também onde os juízes da cidade julgavam os criminosos e onde se realizavam os festivais de poesias e os jogos praticados em honra aos deuses. As duas pólis mais importantes foram Esparta e Atenas. Esparta, uma cidade militar, foi fundada pelos dórios por volta do século IX a.C., situava-se em uma região chamada Lacônia. As condições naturais da região onde ficava Esparta eram muito áridas: o solo montanhoso e seco dificultava o abastecimento da cidade. Essas condições adversas levaram os espartanos a conquistar terras férteis por meio de guerras. 33 O poder em Esparta era exercido por um pequeno grupo ligado às atividades militares. Apenas uma minoria participava das decisões políticas e administrativas – os esparciatas – que se dedicavam única e exclusivamente à política e à guerra. A vida em Esparta girava em torno da guerra. Os espartanos temiam que os povos que haviam conquistado se rebelassem; temiam também que os escravos se revoltassem. A necessidade de garantir o poder dos esparciatas e o medo de que ideias vindas de fora colocassem em xeque esse poder faziam com que as viagens fossem proibidas e os contatos comerciais fossem quase inexistentes. Esparta fechava-se em torno de si mesma, impondo aos seus habitantes um modo de vida autoritário e de subordinação aos interesses do Estado. A agricultura, o artesanato e o comércio eram praticados pelos periecos, uma camada de homens livres, mas sem direito de participar da política em Esparta. Os escravos eram chamados de hilotas, pertenciam ao Estado e trabalhavam para os esparciatas. Os jovens eram educados pelo Estado. Desde os sete anos deixavam as casas de suas famílias e se dirigiam para locais de treinamento militar. Atenas, hoje a capital da Grécia, berço da democracia, era o avesso de Esparta, localizava-se no centro da planície Ática, às margens do Mar Egeu. Teve uma vida urbana e aberta às novidades. A atividade comercial foi a base de sua economia e os atenienses praticaram intenso comércio com diversos povos. A sociedade ateniense era dominada pelos eupátridas, que eram grandes proprietários de terras. Contudo, o poder dos eupátridas era constantemente desafiado pelas camadas menos favorecidas e pelos comerciantes, que exigiam maior igualdade de direitos. Os pequenos proprietários, muitas vezes sem recursos, viviam constantemente ameaçados pela escravidão por dívidas. Já os comerciantes, artesãos e assalariados urbanos, que eram chamados demiurgos, estavam excluídos das decisões políticas da pólis e também queriam participar delas, daí, os eupátridas sofriam pressões constantes, tanto que foi preciso uma reforma nas 34 leis feita por Sólon, um juiz ateniense. Por essa reforma, foi abolida a escravidão por dívidas e foi ampliado o direito de voto, de acordo com a riqueza que cada um possuía. Porém, as reformas de Sólon só beneficiaram os comerciantes ricos. O resto da população continuou excluída das decisõespolíticas da pólis. A situação em Atenas não era nada calma com a pressão constante dos excluídos. Além disso, a cidade foi dominada pelo tirano Pisistrato por mais de 30 anos. Com o fim da tirania, foi Clistenes, um aristocrata preocupado com os problemas das camadas populares, o responsável por uma nova reforma. Ampliou a participação e o direito de decisão política para todos os cidadãos atenienses, isto é, todos os homens livres e nascidos em Atenas, maiores de 18 anos. A cidade foi dividida em demos, um tipo de distrito que elegia seus representantes para a assembleia. Esta, por sua vez, escolhia as pessoas que iriam integrar o conselho, responsável pelo governo da cidade. Mas, diferentemente do modo como é exercida a democracia na atualidade, naqueles tempos continuavam excluídos da pólis os estrangeiros, as mulheres e os escravos, ou seja, os benefícios da democracia ateniense estavam reservados somente aos cidadãos. A educação em Atenas era bastante diferente da adotada em Esparta. Os atenienses acreditavam que sua cidade-Estado seria mais forte se cada menino desenvolvesse integralmente suas melhores aptidões. O ensino não era gratuito nem obrigatório, ficando a cargo da iniciativa particular. Os garotos entravam para a escola aos 6 anos e ficavam sob a supervisão de um pedagogo, com quem estudavam aritmética, literatura, música, escrita e educação física. Interrompiam os estudos apenas nos dias de festas religiosas, e, quando completavam 18 anos, eram recrutados pelo governo para treinamento militar, que durava cerca de dois anos. Às mulheres de Atenas estavam reservadas apenas as funções domésticas. Os pais tratavam de casar logo as filhas adolescentes, as quais, após núpcias, ficavam sob o domínio total dos maridos. 35 As cidades-Estado gregas conheceram a maioria dos sistemas de governo existentes hoje. Atenas e Esparta, que sempre foram rivais, podem servir de exemplos para estudarmos os tipos de governo que existiram nas demais cidades. A monarquia foi o regime político inicial em todas as pólis gregas; todas elas foram, pelo menos inicialmente, governadas por reis. Além de governarem as cidades, os reis também desempenhavam funções religiosas, atuando como sacerdotes e representantes dos deuses. Na cidade de Esparta, o governo era exercido simultaneamente por dois reis e dele participavam duas assembleias: a Apela, formada por representantes do povo, e a Gerúsia, um conselho de anciãos. O poder dos reis espartanos era limitado; magistrados dos conhecidos como éforos vigiavam suas atividades. Outro sistema conhecido pelos gregos foi a oligarquia, em que o poder ficava dividido entre pessoas que pertenciam às famílias mais importantes de uma cidade. O termo oligarquia significa “governo de poucos”. Em algumas cidades, os governos oligárquicos foram derrubados pela força. Aqueles que assumiam o poder em seguida eram conhecidos como tiranos. O reformador Clistenes implantou uma lei em Atenas determinando que qualquer cidadão que ameaçasse a segurança da cidade poderia ser condenado ao exílio por dez anos, isso era chamado de ostracismo. Esta lei procurava evitar que se repetisse um governo tirano em Atenas. A democracia ateniense atingiu seu apogeu durante o governo de Péricles, no século V a.C., que marcou o início do chamado Período Clássico. Contudo, as desavenças internas, a escassez de terras e a necessidade de expansão do comércio levaram as cidades gregas, entre elas Atenas, a conquistar várias áreas coloniais, próximas ou distantes. Os espartanos não gostaram dessa expansão territorial de Atenas e a disputa por melhores terras determinou a criação de dois grupos rivais: a Liga do Peloponeso, liderada por Esparta, e a Liga de Delos, sob a liderança de Atenas. 36 No início do século V a.C., iniciou-se a chamada Guerra do Peloponeso, na qual Atenas saiu derrotada. Esse acontecimento foi o começo do declínio das antigas cidades-Estados gregas. Persas, macedônios e os próprios gregos lutaram entre si! Entre os séculos VI e V a.C., a expansão do Império Persa passou a ameaçar a autonomia das cidades-estados gregas. Por volta de 500 a.C., os persas dominavam várias colônias gregas na Ásia Menor e seu objetivo era conquistar também a Grécia. Na luta contra o inimigo comum, as cidades-estados se uniram e conseguiram derrotar os persas em várias batalhas. Esse conflito, que durou vários anos, ficou conhecido como Guerras Greco-pérsicas ou Guerras Médicas, assim denominadas porque os gregos chamavam os persas de medos. A decadência da civilização grega iniciou-se a partir das Guerras do Peloponeso, quando os gregos lutaram contra os gregos. As origens do conflito estão no descontentamento geral, sobretudo de Esparta, em relação à supremacia ateniense. Esparta era aristocrática e estava determinada a manter sua organização sem interferências ou influencias atenienses. Atenas, democrática e também poderosa guerreira, estava disposta a impor suas ideias e princípios. Na primeira fase da guerra, entre 431 e 421 a.C., houve um certo equilíbrio entre as partes, com espartanos e atenienses conseguindo algumas vitórias. Após esse período, as duas cidades fizeram um acordo de paz que deveria durar 50 anos. Entre 415 e 413 a.C., a trégua foi quebrada pelos atenienses, que desejavam conquistar regiões dominadas pelos espartanos. Atenas foi derrotada e perdeu parte de sua frota e contingente militar. Os anos seguintes, de 413 a 404 a.C., podem ser considerados de ofensiva dos espartanos. Esparta aniquilou definitivamente Atenas, já bastante enfraquecida pelas perdas anteriores, iniciando sua hegemonia (domínio) sobre o mundo grego. Atenas, o centro glorioso do século de ouro da Grécia, chegava ao fim. Esparta também não teve destino diferente; enfim, todas as cidades-estados 37 ficaram enfraquecidas com as Guerras do Peloponeso e tornaram-se alvos fáceis para a dominação de outros povos. Os macedônios, povo que habitava o norte da Grécia, conseguiram progredir e fortalecer-se econômica e militarmente. Aproveitando-se da fraqueza e da desunião dos gregos, Filipe II, o rei da Macedônia, preparou um poderoso exército e conquistou o território grego. Lembremos da política expansionista iniciada por Filipe II que teve continuidade com seu filho e sucessor Alexandre Magno, conhecido também como ‘Alexandre O Grande’, que consolidou a dominação da Grécia e iniciou a conquista do império Persa. A Macedônia tornou-se o centro do maior império formado até então, que só seria superado anos depois pelo Império Romano. As conquistas de Alexandre Magno, promovendo a fusão das culturas das várias regiões conquistadas no Oriente com os valores gregos deu origem a cultura helenística, que teve como centro de difusão cultural Alexandria, no Egito, e Pérgamo, na Ásia Menor. Há tanto a se falar sobre os conhecimentos e o legado grego para a humanidade que precisamos ser sucintos. Foram os responsáveis pelo nascimento da Filosofia, termo grego que significava amor à sabedoria, por volta do século IV a.C., na cidade de Mileto. Um dos mais importantes pensadores gregos foi Pitágoras, matemático e filósofo. Pitágoras desenvolveu a ideia de que o princípio comum do homem, dos animais, vegetais e minerais era o átomo, considerado a menor parte da matéria. Segundo Pitágoras, o que diferenciava os seres animados e inanimados eram as diferentes estruturas que os átomos formavam em cada um deles. Além disso, ele formulou teorias sobre números e os classificou em várias categorias: os pares, os ímpares e os números primos. Defendia, também, a ideia de quea Terra era redonda. Os responsáveis pelo apogeu da filosofia grega no século IV a.C. foram Sócrates, Platão e Aristóteles. Sócrates não deixou nenhuma obra escrita. Ensinava nas ruas e nas praças. Seu principal discípulo foi Platão, cujas obras, em forma de diálogos, 38 conservam-se até nossos dias. Aristóteles, por sua vez, foi o mais importante discípulo de Platão. Foi responsável pelo estabelecimento das bases da Lógica, ciência que estuda os métodos e processos que possibilitam diferenciar os argumentos verdadeiros dos falsos nos estudos filosóficos. A Lógica é, até hoje, um instrumento fundamental para todas as outras ciências. Entre os matemáticos gregos, além de Pitágoras, conhecido como o “pai da matemática”, estão Euclides, que estabeleceu os fundamentos da Geometria, e Arquimedes, conhecido pelo famoso “Princípio de Arquimedes”, segundo o qual um corpo mergulhado na água sofre, de baixo para cima, um impulso equivalente ao líquido que deslocou. Os médicos também eram profissionais muito respeitados. O mais importante deles foi Hipócrates de Cós, que é considerado o “Pai da Medicina”. Ainda hoje, os médicos, ao se formarem, prestam o chamado “juramento de Hipócrates”. Hipócrates, naquela época, já utilizava procedimentos muito parecidos aos que utilizam nossos médicos para fazer diagnóstico de doenças como examinar o globo ocular, verificar a temperatura do corpo, aspecto da urina e das fezes, entre outros. Ao lado da Medicina praticada pelos médicos, havia também, tratamentos populares baseados na superstição e na magia. Uma das práticas mais comuns era pendurar amuletos no pescoço, atitude essa, tida como infalível para a prevenção e cura de várias doenças. Os mesmos avanços se verificaram na Astronomia e no campo da Geografia. Por volta do século II a.C., os gregos mapearam o mundo conhecido, dividindo-o em meridianos e paralelos e em três zonas: a frígida, a temperada e a tórrida. Usando cálculos matemáticos, mediram a circunferência da terra, as distâncias dela do Sol e da Lua. A preocupação dos gregos com a ciência era muito grande. Suas bibliotecas eram repletas de obras importantes e todas elas possuíam cópias, para não se perderem em caso de incêndio ou de outro tipo de desastre. 39 Alguns historiadores gregos tiveram uma grande importância para o desenvolvimento dessa área de conhecimento, ao substituírem os mitos poéticos pela explicação histórica. Os principais historiadores gregos foram Heródoto, considerado “o pai da história”, que escreveu uma obra sobre a guerra dos gregos contra os persas, e Tucídides, que narrou a história da Guerra do Peloponeso, da qual participou. Os gregos alcançaram notável desenvolvimento cultural e artístico. Sua produção tornou-se tão rica e fecunda que ultrapassou os limites do tempo e do espaço geográfico e influenciou toda a cultura ocidental e algumas sociedades orientais, a começar é claro, pelas tragédias e comédias que eram financiadas pelos cidadãos ricos e o governo pagava aos mais pobres para assistir as apresentações. A partir do Império Romano – que sucedeu a civilização grega –, o teatro entrou em declínio. Os romanos preferiram o circo – na época, voltado para lutas entre gladiadores e animais –, que predominou nos teatros das principais cidades do império. Além do teatro, os gregos desenvolveram outras formas de expressão artística, tais como escultura, a pintura, a música e a arquitetura. O mármore e o bronze eram utilizados por escultores como Fídias e Míron. Na arquitetura, os gregos demonstraram grande habilidade em projetos de templos e edifícios públicos. Para sustentar o peso das construções empregavam colunas, sem usar argamassa. As pinturas desapareceram em sua grande maioria, podendo ser vistas apenas em alguns vasos que foram preservados. A música era executada por um só instrumento de sopro ou de cordas, sendo os favoritos a lira, a cítara e o aulo, um tipo de flauta. O canto era muito apreciado, e, por isso, escreveram-se muitos poemas em forma de canção para acompanhamento com lira. A cultura grega legou para a humanidade obras de arte fascinantes e um conjunto de ideias que até hoje influenciam o pensamento de filósofos, estudiosos e cientistas. 40 Quanto à religião, os gregos eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses, assim como a maioria dos povos da Antiguidade. Mas, ao contrário dos outros povos, tinham uma grande intimidade com seus deuses, pois acreditavam que eles estavam a serviço das pessoas. Esses deuses possuíam características humanas, defeitos e qualidades, fraquezas e paixões. A diferença existente entre eles e os humanos é que os deuses eram imortais. Os gregos acreditavam na existência de 12 grandes divindades, que se reuniam em seus tronos no alto do Monte Olimpo, onde moravam. O pai de todos os deuses era Zeus, casado com Hera. Apolo era o deus do Sol e protetor das artes, Ares era o deus guerra, Posêidon, do mar. Afrodite era a deusa do amor, e Palas Atena, da sabedoria, entre outros. Geralmente, esses deuses e deusas eram associados a fenômenos naturais. A arma de Zeus, por exemplo, era o raio – as tempestades seriam efeito de sua cólera. Por sua vez, os terremotos, que eram comuns na Grécia, eram explicados pelo mau-humor de Posêidon, que batia com seu tridente no fundo do mar. E os jogos olímpicos! Claro, foram criados pelos gregos por volta de 2500 a.C. em homenagem aos deuses, principalmente Zeus e buscavam através dos jogos, a paz e a harmonia entre as cidades participantes. Dentre as modalidades da época temos: atletismo, luta, boxe, corrida de cavalo e pentatlo (luta, corrida, salto em distância, arremesso de dardo e de disco). Os vencedores eram recebidos como heróis em suas cidades e ganhavam uma coroa de louros. Em 392 a.C., o imperador romano Teodósio I, proibiu os jogos e todas manifestações religiosas politeístas, após se converter ao cristianismo. A mitologia grega não pode passar despercebida! Como naqueles tempos as pessoas não podiam explicar os eventos a partir da ciência, elas partiam para histórias de deuses, deusas e heróis. Os gregos tinham uma história para explicar a existência do mal e dos infortúnios. Acreditavam que, em certa época, todos os males e infortúnios estiveram presos 41 em uma caixa. Pandora, a princesa mulher, abriu a caixa e eles se espalharam pelo mundo. Os mais antigos mitos gregos falam do caos (confusão primitiva), de Gaia (mãe-terra), Ponto (o mar) e Urano (céu). Do casamento de Urano e Gaia, nasceram os titãs, ciclopes e gigantes, que personificaram as coisas grandes e poderosas da Terra: montanhas, terremotos, furacões, entre outras. O mais forte dos titãs, Cronos, casou-se com sua irmã Réia, e tiveram seis filhos. Temendo a rivalidade de seus filhos, Cronos devorou-os logo ao nascer, exceto Zeus, que Réia escondeu numa caverna. Quando se tornou adulto, Zeus derrotou o pai e obrigou-o a libertar os ciclopes da tirania de Cronos, e eles, em recompensa, deram-lhe as armas do trovão e do relâmpago. São muitas as histórias! Vale a pena pesquisar no site: https://cronicasdoskane.wordpress.com/tag/serie-mitologia-grega/ 3.2 A civilização romana Roma foi o último grande império do mundo antigo. Com exércitos poderosos dominou terras que antes pertenciam a gregos, egípcios, mesopotâmios, persas e muitos outros povos. E disso decorre que para lá foram pessoas de lugares os mais distantes, levando suas culturas e tornando o império tão grande (Roma chegou a ter 1 milhão de habitantes) que se tornou referência para todo o mundo ocidental.Evidentemente que existe uma explicação mitológica para a origem de Roma, que aconteceu através do mito de Rômulo e Remo! Segundo a mitologia romana, os gêmeos Rômulo e Remo, filhos de Marte e Reia Silvia, descendentes de Eneias, foram jogados no rio Tibre, na Itália. Os dois irmãos nasceram contra a vontade do tio de Reia Silvia, Amúlio, que quis apoderar-se do trono assim que seu pai morreu e fez a sobrinha fazer um voto de castidade para garantir que os seus descendentes continuariam a governar. Ele prendeu a sobrinha e mandou colocar os recém-nascidos num cesto e lançados no rio. 42 As águas do rio secaram, foram resgatados por uma loba, que os amamentou e foram criados posteriormente por um casal de pastores. Adultos, retornam à cidade natal de Alba Longa e ganham terras para fundar uma nova cidade que seria Roma. Mas vamos voltar um pouco à realidade e entender a história, digamos, política e mais realista de Roma que pode ser dividida em três momentos: Monárquico (753-509 a.C.); Republicano (507-27 a.C.); Imperial (27 a.C. – 476 d.C.). O Período Monárquico esteve sob o domínio etrusco e muitas das informações sobre esse período fundamentam-se nas lendas contadas pelos romanos. Nessa época, a cidade deve ter sido governada por reis de diferentes origens; os últimos, de origens etrusca, devem ter dominado a cidade por cerca de cem anos. Durante o governo dos etruscos, Roma adquiriu o aspecto de cidade. Foram realizadas diversas obras públicas entre elas, templos, drenagens de pântanos e um sistema de esgoto. Nessa época, a sociedade romana estava assim organizada: 43 patrícios ou nobres – descendentes das famílias que promoveram a ocupação inicial de Roma. Eram grandes proprietários de terra e de gado; plebeus – em geral, eram pequenos agricultores, comerciantes, pastores e artesãos. Constituíam a maioria da população e não tinham direitos políticos; clientes – eram homens de negócios, intelectuais ou camponeses que tinham interesse em fazer carreira pública e que por isso recorriam à proteção de algum patrono, geralmente um patrício de posses; escravos – eram plebeus endividados e principalmente prisioneiros de guerra. Realizavam todo o tipo de trabalho e eram considerados bens materiais. Não tinham qualquer direito civil ou político. O último rei etrusco foi Tarqüínio, o Soberbo. Ele foi deposto em 509 a.C., provavelmente por ter descontentado os patrícios com medidas a favor dos plebeus. No seu lugar, os patrícios colocaram no poder dois magistrados, chamados cônsules. Com isso, terminava o período Monárquico e tinha início o período Republicano. República é uma palavra de origem latina e significa “coisa pública”. Durante a passagem da monarquia para a república, eram os patrícios que detinham o poder e controlavam as instituições políticas. Concentrando o poder religioso, político e a justiça, eles exerciam o governo procurando se beneficiar. Para os plebeus, sem direito à participação política, restavam apenas deveres, como pagar impostos e servir o exército (http://www.sohistoria.com.br/ef2/roma/p1.php). Na república, o poder que antes era exercido pelo rei foi partilhado por dois cônsules. Eles exerciam o cargo por um ano e eram auxiliados por um conselho de 100 cidadãos, responsáveis pelas finanças e pelos assuntos externos. Esse conselho recebia o nome de Senado, e a ele competia promulgar as leis elaboradas pela Assembleia de Cidadãos, dominada pelos patrícios. À medida que Roma cresceu e se tornou poderosa, as diferenças entre patrícios e plebeus se acentuaram. Marginalizados, os plebeus desencadearam 44 uma luta contra os patrícios, que se estendeu por cerca de dois séculos (V-IV a.C.) Durante esses dois séculos, os plebeus conquistaram seus direitos. Entre eles, o de eleger seus próprios representantes, chamados tribunos da plebe, que tinham o poder de vetar as decisões do Senado que fossem prejudiciais aos interesses dos plebeus. Outras conquistas foram a proibição da escravização por dívidas e o estabelecimento de leis escritas, válidas tanto para os patrícios quanto para plebeus. Até então, em Roma, as leis não eram escritas e os plebeus acabavam julgados conforme os critérios dos patrícios. Estabelecendo as leis por escrito, os plebeus garantiam um julgamento mais justo. Os plebeus conquistaram ainda a igualdade civil, com a autorização do casamento entre patrícios e plebeus; a igualdade política, com o direito de eleger representantes para diversos cargos, inclusive o de cônsul; e a igualdade religiosa, com o direito de exercer funções sacerdotais. Na República romana encontramos a seguinte estrutura de poder: cônsules – chefes da República, com mandato de um ano; eram os comandantes do exército e tinham atribuições jurídicas e religiosas; senado – composto por 300 senadores, em geral patrícios. Eram eleitos pelos magistrados e seus membros eram vitalícios. Responsabilizavam-se pela elaboração das leis e pelas decisões acerca da política interna e externa; magistraturas – responsáveis por funções executivas e judiciária, formadas em geral pelos patrícios; assembleia popular – composta de patrícios e plebeus; destinava-se a votação das leis e era responsável pela eleição dos cônsules; conselho da plebe – composto somente pelos plebeus; elegia os tributos da plebe e era responsável pelas decisões em plebiscitos (decretos do povo). Falamos que o império romano atingiu lugares longínquos, pois bem, vejamos como se deram as fronteiras romanas. 45 Iniciado durante a República, o expansionismo romano teve basicamente dois objetivos: defender Roma do ataque dos povos vizinhos rivais e assegurar terras necessárias à agricultura e ao pastoreio. As vitórias nas lutas conduziram os romanos a uma ação conquistadora, ou seja, a ação do exército levou à conquista e incorporação de novas regiões a Roma. Dessa forma, após sucessivas guerras, em um espaço de tempo de cinco séculos, a ação expansionista permitiu que o Império Romano ocupasse boa parte dos continentes europeu, asiático e africano. O avanço das forças militares romanas colocou o Império em choque com Cartago e Macedônia, potências que nessa época dominavam o Mediterrâneo. As rivalidades entre os cartagineses e os romanos resultaram nas Guerras Púnicas (de puni, nome pelo qual os cartagineses eram conhecidos). As Guerras Púnicas desenvolveram-se em três etapas, durante o período de 264 a 146 a.C. Ao terminar a terceira e última fase das Guerras Púnicas, em 146 a.C., Cartago estava destruída. Seus sobreviventes foram vendidos como escravos e o território cartaginês foi transformado em província romana. Com a dominação completa da grande rival, Roma iniciou a expansão pelo Mediterrâneo oriental (leste). Assim, nos dois séculos seguintes, foram conquistados os reinos helenísticos da Macedônia, da Síria e do Egito. No final do século I a.C., o mediterrâneo havia se transformado em um “lago romano” ou, como eles diziam, Mare Nostrum (“nosso mar”). Porém, com o fim das Guerras Púnicas, em 146 a.C., iniciou-se um período de intensa agitação social. Além dos escravos, povos da Península Itálica também se revoltaram, só que exigindo o direito à cidadania romana. A expansão das conquistas e o aumento das pilhagens fortaleceram o exército romano, que então se colocou na luta pelo poder. Assim, esse período ficou marcado por uma acirrada disputa política entre os principais generais, abrindo caminho para os ditadores. Essa crise se iniciou com a instituição dos triunviratos ou triarquia, isto é,governo composto de três indivíduos. O Primeiro Triunvirato, em 60 a.C., foi composto de políticos de prestigio: Pompeu, Crasso e Júlio César. Esses 46 generais iniciaram uma grande disputa pelo poder, até que, após uma longa guerra civil, Júlio César venceu seus rivais e recebeu o título de ditador vitalício. Durante seu governo, Júlio César formou a mais poderosa legião romana, promoveu uma reforma político-administrativa, distribuiu terras entre soldados, impulsionou a colonização das províncias romanas e realizou obras públicas. O imenso poder de César levou os senadores a tramar sua morte, o que aconteceu em 44 a.C.. Os generais Marco Antônio, Lépido e Otávio formaram, então, o Segundo triunvirato, impedindo que o poder passasse para as mãos da aristocracia, que dominava o Senado. A disputa pelo poder continuou com o novo triunvirato. Em 31 a.C., no Egito, Otávio derrotou as forças de Marco Antônio e retornou vitorioso a Roma. Fortalecido com essa campanha, Otávio pôde governar sem oposição. Terminava, assim, o regime republicano e iniciava o Império. Chegamos ao período do Império Romano! Após vencer Marco Antônio, Otávio recebeu diversos títulos que lhe conferiram grande poder. Por fim, em 27 a.C., o senado atribuiu-lhe o título de Augusto, que significava consagrado, majestoso, divino. O período Imperial, tradicionalmente, costuma ser dividido em dois momentos: alto Império – período em que Roma alcançou grande esplendor (estende- se até o século III d.C.); baixo Império – fase marcada por crises que conduziram a desagregação do Império Romano (do século III ao século V). Augusto, durante seu império (27 a.C. a 14 d.C.), adotou uma série de medidas visando controlar os conflitos sociais, solucionar problemas econômicos e, com isso, consolidar o império fazendo com que Roma atingisse seu apogeu e vivesse um longo período de prosperidade e de relativa tranquilidade social, também conhecido como Pax Romana. Isso foi possível porque o imperador Otávio abandonou a política agressiva de conquistas, promoveu a aliança entre aristocracia e os cavaleiros (plebeus enriquecidos) e apaziguou a plebe com a 47 política do “pão e circo” (panem et circenses), que consistia em distribuir trigo para a população carente e organizar espetáculos públicos de circo. Do governo de Augusto aos dois séculos que se seguiram, o Império Romano, por meio de conquistas militares, ampliou ainda mais o seu território. Seus domínios estendiam-se pela Europa, Ásia e África. As conquistas abasteciam o império não apenas de riquezas e terras, mas também de escravos, principal mão de obra e todas as atividades, tanto econômicas quanto domésticas. A comunicação entre Roma, o centro do vasto império, e as demais regiões era garantida pela existência de uma extensa rede de estradas. Daí provém o famoso ditado: “Todos os caminhos levam a Roma”. As estradas romanas, além de possibilitar a comunicação entre as diferentes regiões do império, facilitavam a movimentação de tropas e equipamentos militares, contribuindo para o sucesso das campanhas. Após a morte de Augusto (14 d.C.) até o fim do século II, quatro dinastias se sucederam no poder. São elas: dinastia Júlio-Claudiana (14-68): com os imperadores Tibério, Calígula, Cláudio e Nero, essa dinastia esteve ligada à aristocracia patrícia romana, tendo como principal característica dessa fase, os constantes conflitos entre o Senado e os imperadores; dinastia Flávia (68-96) – com os imperadores Vespasiano, Tito e Domiciano, apoiados pelo exército, o Senado foi totalmente submetido; dinastia Antonina (96 – 193) – com Nerva, Trajano, Adriano, Antonio Pio, Marco Aurélio e Cômodo, assinalou-se uma fase de grande brilho do Império Romano. Os imperadores dessa dinastia, exceto o último, procuraram adotar uma atitude conciliatória em relação ao Senado; dinastia Severa (193 – 235) – com Sétimo Severo, Caracala, Macrino, Heliogábalo e Severo Alexandre, caracterizou-se pelo início de crises internas e pressões externas, exercidas por povos diversos, prenunciando 48 o fim do Império Romano, a partir do século III da era cristã (http://www.sohistoria.com.br/ef2/roma/p2.php) Pois bem, chegamos ao Baixo Império, que marcado por crises em diferentes setores, levou ao fim do império romano. Dentre os fatores, temos aqueles relativos à produção agrícola que tinha nos escravos a mão de obra necessária, mas com a diminuição das guerras estes foram tornando-se escassos. Outro fator reside na questão dos povos conquistados que foram diminuindo, uma vez que os romanos deixaram de ser “tão” hostis. Diminuição da arrecadação de impostos também teve sua parcela de contribuição, assim como a diminuição do comércio e produção quando as pessoas começaram a deixar as cidades indo para o campo. Em 395, o imperador Teodósio dividiu o império em duas partes: Império Romano do ocidente, com capital em Roma; e Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla. Com essa medida, acreditava que fortaleceria o império. Achava, por exemplo, que seria mais fácil proteger as fronteiras contra ataques de povos invasores. Os romanos chamavam esses povos de bárbaros, por terem costumes diferentes dos seus. A divisão estabelecida por Teodósio não surtiu o efeito esperado. Diversos povos passaram a ocupar o território romano. Em 476, os hérulos, povo de origem germânica, invadiram Roma e, comandados por Odoacro, depuseram o imperador Rômulo Augusto. Costuma-se afirmar que esse acontecimento marca a desagregação do Império Romano. Na verdade, isso se refere ao Império Romano do Ocidente, pois a parte oriental ainda sobreviveu até o século XV. Embora as invasões de povos inimigos tenham papel decisivo no fim do Império Romano do Ocidente, outras circunstâncias também foram determinantes, tais como: elevados gastos com a estrutura administrativa e militar; 49 perda do controle sobre diversas regiões devido ao tamanho do império; aumento dos impostos dos cidadãos e dos tributos dos vencidos; corrupção política; crise no fornecimento de escravos com o fim das guerras de expansão; continuidade das lutas civis entre patrícios e plebeus; a difusão do cristianismo. O fim do poderio romano constituiu um longo processo, que durou centenas de anos. A partir daí, começou a se formar uma nova organização social, política e econômica, o sistema feudal, que predominou na Europa ocidental até o século XV (http://www.sohistoria.com.br/ef2/roma/p7.php). 50 UNIDADE 4 – HISTÓRIA MEDIEVAL (476 – 1453) Já falamos que o período medieval se concentra entre a queda do império romano do ocidente e a tomada de Constantinopla pelos turcos. Dividido entre Alta e Baixa Idade Média, esse período também estereotipado por alguns como a Idade das Trevas, nos leva ao feudalismo, às cruzadas, guerras, revoluções, doenças como a peste negra ou peste bubônica, o poder da Igreja e muitos outros acontecimentos. Dentre os principais acontecimentos desse período temos: a) Invasões “bárbaras” (germânicas) sobre o Império Romano do Ocidente. b) A Sociedade era estamental (com pouca mobilidade entre as camadas sociais) e hierarquizada. c) A nobreza feudal (senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes) era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses. d) O clero (membros da Igreja Católica) tinha um grande poder, pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade. Era isento de impostos e arrecadava o dízimo. e) A terceira camada da sociedade era formada pelos servos (camponeses, escravos) e pequenos artesãos. Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corveia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidades (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal). f) Estrutura política: o poder (jurídico, econômico e político) estava nas mãos dos senhores feudais, os quais se organizavam através de relações de suserania e vassalagem. O suserano era quem dava um lote de terra ao vassalo, sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda militar ao seu suserano. O vassalo oferecia ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso. 51 g) Economia Medieval: a economia feudal baseava-se principalmente na agricultura. Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias (in natura) eram comuns na economia feudal. O feudo era a base econômica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder. O feudo era constituído pelo manso Senhorial (terras de domínio do senhor feudal como o moinho e o castelo), manso servil (área de produção de subsistência dos servos) e terras comunais (lugar onde os servos podiam coletar madeira, fazer pastagens, entre outros). h) O artesanato também era praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas de trabalho agrícola eram extremamente rudimentares. O arado puxado por bois era muito utilizado na agricultura. i) Religião: na Idade Média, a Igreja Católica dominava o cenário religioso. Detentora do poder espiritual, a Igreja influenciava o modo de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na Idade Média. A igreja também tinha grande poder econômico, pois possuía terras em grande quantidade e até mesmo servos trabalhando. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e copiando livros e a Bíblia. j) Educação, cultura e arte medieval: a educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Esta era marcada pela influência da Igreja, ensinando o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros. A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As pinturas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião. Podemos dizer que, no geral, a cultura medieval foi fortemente influenciada pela religião. Na arquitetura destacou-se a construção de castelos, igrejas e catedrais. No campo da Filosofia, podemos destacar a escolástica (linha filosófica de base cristã), representada pelo padre dominicano, teólogo e filósofo italiano São Tomás de Aquino (http://www.suapesquisa.com/feudalismo/) 52 4.1 Alta Idade Média A Alta Idade Média, que vai do século V ao IX, teve início com a invasão, ocupação e assentamento dos vários povos germânicos (como francos, visigodos, suevos, ostrogodos, lombardos, anglo-saxões) em diversas regiões europeias ocidentais, o que deu origem a inúmeros reinos. Com as grandes modificações introduzidas com as invasões bárbaras, a população passa a ser composta por uma maioria camponesa, dominada pelos proprietários de terras, vivendo em condições de grande pobreza, sofrendo constantes períodos de fome e ataques dos povos inimigos. A mudança na forma de trabalho foi um ponto importante desse período, quando a escravidão característica da antiguidade clássica foi substituída pela servidão. A diferença reside no fato do servo não pertencer ao senhor, ele é semilivre, mas semipreso a este, que lhe deve proteção e a terra que dele recebeu, portanto, não pode fazer o que bem entende. Dos impérios mais importantes da Alta Idade Média temos o império Carolíngio que teve em Carlos Magno seu primeiro imperador. É nesse período que se forma e estrutura o feudalismo. Principais características deste período: formação de reinos independentes no final do século V (Reinos Franco, Ostrogodo, Visigodo, Vândalo, Suevo, entre outros). Estes reinos eram governados por uma nobreza composta por germânicos e descendentes que invadiram o Império Romano; formação do feudalismo, com a integração da cultura romana com a germânica; ruralização da Europa - economia baseada na agricultura, pouco uso de moedas, formação de feudos e poucos contatos comerciais externos; poder descentralizado e fragmentado – força política e econômica nas mãos dos senhores feudais; sociedade estamental e hierarquizada em ordens: clero (os que rezam), nobreza (os que guerreiam) e servos (os que trabalham); 53 fortalecimento do cristianismo e crescimento do poder da Igreja Católica; teocentrismo e enfraquecimento da cultura laica; invasões nos séculos IX e X – vikings, húngaros, sarracenos e eslavos invadiram e saquearam várias cidades da Europa. No oriente, o império romano, com capital em Constantinopla, fundada por Constantino em 330, inicialmente chamada de Nova Roma, atingiu o máximo esplendor no governo de Justiniano (527-565) e conseguiu atravessar toda a Idade Média, como um dos estados mais poderosos do Mediterrâneo. No poder, Justiniano procurou organizar as leis do Império. Encarregou uma comissão para elaborar o Digestor, uma espécie de manual de Direito destinado aos principiantes. Publicado em 533, esse manual reunia as leis redigidas por grandes juristas. Foram publicadas também as Institutas, com os princípios fundamentais do Direito Romano, e no ano seguinte, foi concluído o código Justiniano. Quanto à Igreja, a influência da religião em todos os aspectos da vida medieval era imensa, a fé inspirava e determinava os mínimos atos da vida cotidiana. O homem medieval foi condicionado a crer que a igreja era a intermediária entre o indivíduo e Deus, e que a graça divina só seria alcançada através dos sacramentos. A vida monástica e as ordens religiosas começaram a surgir na Europa a partir de 529, quando São Bento de Múrcia fundou o mosteiro no monte Cassino, na Itália e criou a ordem dos beneditinos. 4.2 As cruzadas medievais As Cruzadas foram expedições formadas pela Igreja Católica com o objetivo de conquistar a Terra Santa, especialmente a cidade de Jerusalém, que nesta época estava sob o controle muçulmano. Essas expedições ocorreram entre 1096 e 1270. Entre seus participantes estavam não somente milhares de cristãos devotos em busca da glória celestial, como também príncipes e reis europeus. 54 As Cruzadas receberam esse nome pelo simples motivo das expedições terem em suas bandeiras símbolos de cruz. Até mesmo as roupas tinham grandes cruzes vermelhas ou pretas estampadas. As espadas eram, na verdade, cruzes de ferro. Também os escudos e elmos tinham este símbolo, que serviam não somente como identificação, mas como proteção espiritual aos cavaleiros. Apesar dos objetivos religiosos, a realização das Cruzadas também atendia a outros interesses. Nesta época, os principais reinos europeus enfrentavam uma grave crise social, que era ocasionada pelo excesso de população sem terra. Lembrem-se de que, nesta época, somente o primogênito (filho mais velho) herdava o feudo. Assim, milhares de pessoas não tinham ocupação. Devido a isso, surgiu uma nobreza sem terra que vivia da guerra e dos saques. Por outro lado, os pobres, igualmentesem terra, tornavam-se criminosos, pois não tinham onde tirar seu sustento. Assim, a realização das Cruzadas também atendia a interesses políticos e econômicos, pois ao conquistar novas regiões, novos feudos seriam criados, resolvendo, ao menos em parte, o problema social que assolava à Europa. Mas havia ainda outro grupo interessado nestas expedições: os mercadores, especialmente genoveses e venezianos, que desejavam ampliar seu comércio com o Oriente. Esses mercadores buscavam ter o acesso às especiarias (cravo, canela, pimenta, noz-moscada e seda) facilitado. Com tudo isso em jogo, no ano de 1096, o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada. Essa primeira expedição não contou com a participação de reis, mas mesmo assim venceu os turcos e conquistou Jerusalém em 1099. A mais famosa das expedições foi a terceira Cruzada, chamada de “Cruzada dos Reis”. Dela participaram: Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra, Felipe Augusto, rei da França, e Frederico Barbaroxa, imperador do Sacro Império. Esta Cruzada terminou com um acordo de paz entre Ricardo Coração de Leão e Saladino, sultão turco. O acordo determinou que Jerusalém fosse mantida sob o controle turco, mas os cristãos teriam permissão para realizarem peregrinações religiosas na região. 55 Um bom filme que retrata as cruzadas é Kingdom of Heaven (EUA, 2005) de Ridley Scott, com Orlando Bloom, Liam Nelson e Eva Green. Vale a pena conferir, mas com olhar crítico. O filme conta com excelentes figurinos e cenários bastante realísticos, mas se observarem, o protagonista destoa da forma como um cavaleiro cruzado pensava e agia. O ferreiro, interpretado por Orlando Bloom, representa muito mais um homem de nossos dias do que um cavaleiro cruzado. Segundo Faber (2015), apesar desta falha do filme, também é aquilo que nos aproxima da história, pois, o ferreiro (que se torna cavaleiro) é o nosso representante dentro do filme. Suas dúvidas e sua visão de mundo, que não entende a realidade em que está inserido, são as mesmas nossas quando estudamos este período. Por fim, em 1270, foi realizada a oitava e última Cruzada. Essa expedição foi um fracasso total, os cristãos foram expulsos da região, que ficou novamente em poder dos turcos. Mas mesmo que não tenham alcançado seus objetivos iniciais, as Cruzadas resolveram o problema habitacional, pois milhares de pessoas, em sua maioria pobres, foram mortas durante as Cruzadas. Outra consequência importante das expedições foi a abertura do mercado árabe ao Ocidente. Mercadores, principalmente italianos, tiveram seu acesso ao Levante (Oriente) facilitado pelas Cruzadas, proporcionando a esses mercadores comercializarem produtos orientais por toda a Europa. O renascimento comercial, proporcionado pelo contato entre mercadores italianos e árabes, possibilitou o renascimento urbano, num êxodo em direção às cidades (onde havia fartura). Assim, se as Cruzadas foram criadas para salvar o sistema feudal, na prática significaram o início do seu fim (FABER, 2015). 4.3 Os Bárbaros Aos povos que viviam fora das fronteiras do Império Romano e não falavam latim, os romanos deram o nome de bárbaros, destacando-se entre eles os germanos (francos, godos [visigodos e ostrogodos], saxões, anglos, suevos e vândalos), os eslavos (tchecos, poloneses, sérvios e outros), os tártaros- mongoais (turcos e húngaros) e os temidos hunos. 56 Os germanos foram os mais significativos para a formação da Europa feudal, tendo uma organização política bastante simples. Em época de paz eram governados por uma assembleia de guerreiros, formada pelos homens da tribo em idade adulta. Essa assembleia não tinha poderes legislativos e suas funções se restringiam à interpretação dos costumes. Também decidia as questões de guerra e de paz ou se a tribo deveria migrar para outro local. Os germanos viviam de uma agricultura rudimentar, da caça e da pesca. Não tendo conhecimento das técnicas agrícolas, eram seminômades, pois não sabiam reaproveitar o solo esgotado pelas plantações. A propriedade da terra era coletiva e quase todo trabalho era executado pelas mulheres. Os homens, quando não estavam caçando ou lutando, gastavam a maior parte de seu tempo bebendo ou dormindo A sociedade era patriarcal, o casamento monogâmico e o adultério severamente punido. Em algumas tribos proibia-se até o casamento das viúvas. O direito era consuetudinário, ou seja, baseava-se nos costumes. A religião era politeísta e adoravam as forças da natureza. Os principais deuses eram: Odim, o protetor dos guerreiros; Tor, o deus do trovão; e Fréia, a deusa do amor. Acreditavam que somente os guerreiros mortos em combate iriam para o Valhala, uma espécie de paraíso. As Valquírias, mensageiras de Odin, visitavam os campos de batalha, levando os mortos. As pessoas que morriam de velhice ou doentes iriam para o reino de Hell, onde só havia trevas e muito frio (http://www.historiadomundo.com.br/idade-media/povos-barbaros.htm). 4.4 O império Bizantino Comentamos que durante a decadência do Império Romano, o imperador Constantino transferiu a capital do império para a cidade de Bizâncio, logo modificando seu nome para Constantinopla, hoje Istambul, capital da Turquia. Constantinopla tinha posição geográfica estratégica, sendo a principal rota comercial de sua época (chamada a Porta do Oriente). 57 Naqueles tempos, em se tratando de organização política, o imperador era o representante de Deus na Terra; era ainda a autoridade máxima do exército e da igreja, e tínhamos um Estado Teocrático. No reinado de Justiniano (527-565), filho de Constantino, tivemos a expulsão dos bárbaros do império; anexação de territórios (do norte da África, sul da Espanha e Itália); construção da famosa igreja de Santa Sofia e atualização das antigas leis romanas. Igreja de Santa Sofia Em relação à religião bizantina, esta possuía algumas diferenças em relação ao catolicismo romano: eram Monofistas – não acreditavam na triunidade (Deus Pai, Filho e Espírito Santo). Jesus era único; prevalecia a Iconoclastia – condenação a adoração de imagens. Foi época em que ocorreu o Cisma do Oriente. Em 1054, a Igreja Cristã é dividida entre Católica Apostólica Romana e Igreja Cristã Ortodoxa. Após Justiniano, o império passou por um enfraquecimento gradual. Sendo atacado por diversos povos bárbaros, Império foi perdendo pouco a pouco alguns de seus territórios, até ficar restrito à cidade de Constantinopla. 58 Em 1453, Constantinopla foi conquistada pelo império Turco-Otomano. O nome da cidade foi modificado para Istambul, tornando-se a capital deste império. 4.5 O fim da Idade Média Dentre os eventos que contribuíram para o fim da Idade Média, vale citar: a) Fome: as oscilações de índice populacional faziam com que a fome fosse uma ameaça constante. A situação se agravou por volta de 1316 quando a população aumentou e a falta de alimentos tomou conta da Europa. b) Guerra: algumas guerras eclodiram e dizimaram o que havia sobrado da população. A pior delas foi a “Guerra dos Cem Anos”, conflito entre a Inglaterra e a França. c) Peste: historiadores calculam que aproximadamente um terço dos habitantes morreu desta doença. A Peste Negra era transmitida através da picada de pulgas de ratos doentes. Como as cidades medievais não tinham condições higiênicas adequadas, os ratos se espalharam facilmente. Como os conhecimentos médicos eram pouco desenvolvidos, a morte era certa. d) Revoltas camponesas ou Jacqueries: após a Peste Negra, a população europeia diminuiu muito. Muitos senhores feudais resolveram aumentaros impostos, taxas e obrigações de trabalho dos servos sobreviventes. Em muitas regiões da Inglaterra e da França estouraram revoltas camponesas contra o aumento da exploração dos senhores feudais. Combatidas com violência por partes dos nobres, muitas foram sufocadas e outras conseguiram conquistar seus objetivos, diminuindo a exploração e trazendo conquistas para os camponeses. Esses fatores sinalizaram o fim da Idade Média, da estrutura e das relações de trabalho feudais. (http://www.apotec.net/blog/wp- content/plugins/downloads-manager/upload/Linha%20do%20tempo%20- %20Hist%C3%B3ria%20Geral.pdf) 59 REFERÊNCIAS ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. 5 ed. São Paulo: Brasiliense, 2004. ARRUDA, José Jobson de. História Antiga e Medieval. São Paulo: Ática, 1994. ASHERI, David; BUTTI, Paulo. O Estado Persa (Coleção Debates). São Paulo: Perspectiva, 2006. AZEVEDO, Antônio Carlos do Amaral. Dicionário de Nomes, Termos e Conceitos Históricos. 4 ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2012. BANNIARD, Michael. A Alta Idade Média Ocidental. Lisboa: Europa-América, 1985. BARROS, José D’Assunção. Papas, imperadores e hereges na Idade Média. Rio de Janeiro: Vozes, 2012. BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do mundo. Curitiba: Editora Fundamento, 2004. BOTTÉRO, Jean. Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 02 de maio de 1996. CARDAILLAC, Louis (org.). Toledo, séculos XII-XIII, muçulmanos, cristãos e judeus: o saber e a tolerância. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1992. COSTA, José Fernandes. História da Grécia. Rio de Janeiro: Cia Nacional Editora, 1902. Projeto Gutenberg E-book, 2010. CRAIPEAU, Jean-loup. Encontro com os Homens da Pré-história. São Paulo: Scipione, 1998. DELORME, Jean. As grandes datas da Idade Média (395-1492). Lisboa: Publicações Europa-América, 1986. DEMANT, Peter. O mundo muçulmano. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2013. DIAS, João Vicente de Medeiros Publio; BERTOLI, André Luiz. O discurso da dissensão e da união nas cruzadas no oriente. OPSIS, Catalão, v. 11, n. 1, p. 234-251 - jan-jun 2011. FABER, Marcos Emílio Ekman. A formação da Grécia antiga. Disponível em: http://www.historialivre.com/antiga/greciantiga.htm FABER, Marcos Emílio Ekman. História das cruzadas (2015). Disponível em: http://www.historialivre.com/medieval/cruzadas.htm FABER, Marcos Emílio Ekman. O império bizantino (2015). Disponível em: http://www.historialivre.com/medieval/salabizantino.htm 60 FABER, Marcos Emílio Ekman. O Império Carolíngio e a Síntese Feudal (2010). Disponível em: www.historialivre.com/medieval/carolingio.htm FABER, Marcos Emílio Ekman. O nascimento da idade média a partir da análise comparativa das obras: passagens da antiguidade ao feudalismo e declínio e queda do império romano. Revista Historiador Especial Número 01. Ano 03. Julho de 2010. Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador/espum/marcosfaber.pdfhttp://www.hi storialivre.com/revistahistoriador FABER, Marcos. A história dos rios para as primeiras civilizações. História Ilustrada, V. 2, 2011. Disponível em: http://www.historialivre.com/antiga/importancia_dos_rios.pdf FIGUTI, Levi. A Pré-história - Atlas Visuais (paradidático). São Paulo: Ática, 1996. FRANCO JR, Hilário. A Idade Média: Nascimento do Ocidente. 2 ed. São Paulo: Brasiliense, 2005. FRANCO JR, Hilário. O Feudalismo. 3 ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. GASPARETTO JUNIOR, Antônio. Idade Medieval (2012). Disponível em: http://www.infoescola.com/historia/historia-medieval/ GIBBON, Edward. Declínio e Queda do Império Romano. Edição Abreviada. São Paulo: Cia das Letras, 2005. GONZELES, Justo L. A Era das Trevas. São Paulo: Editora Vida Nova, 2006. GUARINELLO, Norberto Luiz. História antiga. São Paulo: Contexto, 2013. GUGLIELMO, Antônio Roberto. A Pré-história - Coleção tudo é História. São Paulo: Brasiliense, 1991. HEERS, Jacques. História Medieval. São Paulo: Ed. Difel, 1981. HOLLAND, Tom. Fogo Persa - O Primeiro Império Mundial. Tradução de Luiz Antônio Aguiar. Rio de Janeiro: Record, 2008. HOPPENBROUWERS, Peter; BLOCKMANS, Wim. Introdução a Europa Medieval: 300 – 1550. São Paulo: Forense universitária, 2012. HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. São Paulo: Cia das letras, 2012. LE GOFF, Jacques. Em busca da Idade Média. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2006. LE GOFF, Jacques. Para uma outra Idade Média: tempo, trabalho e cultura no ocidente. Rio de Janeiro: Vozes, 2013. 61 LEWIS, Bernard. Os árabes na História. Lisboa: Ed. Estampa, 1990. LOT, Ferdinand. O fim do mundo antigo e o princípio da Idade Média. Lisboa: Edições 70, 1985. MACEDO, José Rivair. Repensando a Idade Média no ensino de História. In: KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2007. MATTOSO, José. Fragmentos de uma composição medieval. Lisboa: Ed. Estampa, 1987. MELLO, Leonel Itaussu Almeida. História antiga e medieval. São Paulo: Scipione, 2008. MORAVIA, Alberto. Histórias da Pré-história. Tradução de Gilson Moulin. São Paulo: Editora 34, 2014. OLIVEIRA, Waldir Freitas. A Caminho da Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 1987. PEDRERO-SÁNCHES, Maria Guadalupe. História da Idade Média: Textos e Testemunhas. São Paulo: UNESP, 2000. PERDRIZET, Marie-Pierre. Os Homens da Pré-história. São Paulo: Scipione, 1999. PESSIS, Anne-Marie. Imagens da Pré-história. São Paulo: Editora Fumdham, 2013. PIERRE Masson. Mini Larousse da Pré-história. Rio de Janeiro: Larousse Brasil, 2007. PINTO, Tales dos Santos. Civilização fenícia (2009). Disponível em: http://www.mundoeducacao.com/historiageral/civilizacao-fenicia.htm PINTO, Tales dos Santos. Pré-história (2013). Disponível em: http://www.mundoeducacao.com/historiageral/prehistoria.htm POLIAKOV, Léon. De Maomé aos marranos. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1984. PROUS, André. O Brasil Antes dos Brasileiros - A Pré-história do Nosso País. 2 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. RIBEIRO, Thiago. Civilização grega (2010). Disponível em: http://www.mundoeducacao.com/historiageral/civilizacao-grega.htm RODRIGUES, Rosicler Martins. O Homem na Pré-história - Coleção Desafios. São Paulo: Moderna, 2003. 62 RODRIGUES, Wanda Regina. Expansionismo e transição para o império romano (2010). Disponível em: http://www.casadehistoria.com.br/conteudo/historia-antiga/expansionismo- transicao-para-imperio-romano RODRIGUES, Wanda Regina. O império romano (2010). Disponível em: http://www.casadehistoria.com.br/conteudo/historia-antiga/imperio-romano RODRIGUES, Wanda Regina. Roma: da monarquia à república (2010). Disponível em: http://www.casadehistoria.com.br/conteudo/historia-antiga/roma- monarquia-republica ROPS, Daniel. A igreja das catedrais e das cruzadas. São Paulo: Quadrante, 1993. RUCQUOI, Adeline. História Medieval da Península Ibérica. Lisboa: Editorial Estampa, 1995. SOUSA, Rainer Gonçalves. Origens da civilização chinesa (2010). Disponível em: http://www.mundoeducacao.com/china/origens-civilizacao-chinesa.htm SZKLARZ, Eduardo. A invenção do Oriente Médio (2009). Disponível em: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/invencao-oriente-medio- 473344.shtml TURCI, Érica. Civilizações hidráulicas: mesopotâmia (2008). Disponível em: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/civilizacoes-hidraulicas- mesopotamia.htm TURCI, Érica. Mesopotâmia - Cultura: A Biblioteca de Nínive e Gilgamesh (2014). Disponível em: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/mesopotamia---cultura-a-biblioteca- de-ninive-e-gilgamesh.htm UFJF – Curso pré-vestibular 2012. História - mundo grego: Grécia antiga, clássica e helenística. Disponívelem: http://www.ufjf.br/cursinho/files/2012/05/Apostila-atualizada.01.135.pdf VARGAS, Samanta Piton. Inquisição na Espanha: desde o antijudaismo na antiguidade à perseguição dos conversos na idade moderna. Revista Historiador Especial Número 01. Ano 03. Julho de 2010. Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador VIEIRA, Fabiolla Falconi. História Medieval: Perspectivas e desafios para o ensino no 1º ano do ensino médio da E.E.B Leonor de Barros. Revista Educação, Ciência e Cultura, Canoas, v. 18, n. 1, jan./jun. 2013. Disponível em: http://www.revistas.unilasalle.edu.br/index.php/Educacao