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História da Educação, 
Idade Antiga
História da Educação - Idade Antiga
Complexo Educacional Campos Salles
História da Educação, Idade Antiga
INTRODUÇÃO .................................................................................................................................................................. 3
1. A EDUCAÇÃO GRÉCIA CLÁSSICA. ................................................................................................................... 4
1. 1 Sócrates e os sofistas ...................................................................................................................................... 6
1. 2 Platão ................................................................................................................................................................... 9
2. A EDUCAÇÃO NA ROMA ANTIGA. ...................................................................................................................11
2. 1 Cícero ...................................................................................................................................................................13
REFERÊNCIA ..................................................................................................................................................................15
História da Educação - Idade Antiga
3Complexo Educacional Campos Salles
INTRODUÇÃO
A história e suas contradições são quase que determinantes nas ideias e concepções de mundo 
e de homem nos diferentes tempos e contextos. Isso não é somente na filosofia, na educação, na 
matemática, na ciência..., mas em todo fazer e pensar humano. Certamente já percebeu aqui que 
estamos partindo de uma concepção dialética, histórico-social de homem.
Assim, neste curso faremos uma recapitulação da divisão da história aceita pela academia, e com o 
passar de cada tópico, será possível verificar que na história está imbricado o desenvolvimento do 
pensamento pedagógico.
Todavia, antes se faz necessário a compreensão da seguinte questão: porque e para que conhecer a 
história da educação quando não lecionarei sobre isso? Para que num curso de pós-graduação devo 
estudar sobre a história das ideias pedagógicas?
Ora, o curso de pós-graduação forma professores e, mais do que decorar os acontecimentos histó-
ricos e movimentos filosóficos, é fundamental que o professor saiba o como a escola, a educação 
e os processos de aprendizagem chegaram ao ponto em que estamos e quais os processos e ideais 
que atravessaram séculos que se transformaram ou que permaneceram. Além disso, o educador 
deve perceber sua ação como produto de um contexto histórico, social e cultural, mas também 
como produtora destas mesmas condições. Qual é o papel da escola? Qual o papel do educador? 
Quais as maneiras de melhor ensinar? Como ter sucesso na relação ensino-aprendizagem?
Teriam estas questões uma resposta única e verdadeira? Ou seja, existe uma só resposta para cada 
uma destas questões (dentre outras diversas questões da educação)? Certamente o papel da es-
cola no Brasil colônia não era o mesmo que atualmente, muito menos os discursos pela escola, 
quando a catequese dos índios para doutrina-los era a educação popular da época e hoje falamos 
em escola para todos e para construção da liberdade e cidadania. Da mesma forma, o professor 
jesuíta e seus métodos são bem diferentes dos docentes dos anos 2000.
Portanto, é esta dimensão que a leitura e estudo da História da Educação procura dar aos estudan-
tes do curso de pós-graduação.
Falando, então, de História, para melhor compreensão desta disciplina segue uma pequena linha do 
tempo com os principais períodos da história.
Lembrando que: a História (a história como um todo) está dividida em: História Antiga, 600 a.C. 
até 476 d.C.; História Medieval, 476 d.C. ao séc. XV; História Moderna, séc. XV ao séc. XIX; e História 
Contemporânea, séc. XIX até os dias de hoje. Vale ressaltar que as datas de início e término de cada 
período são aproximadas, já que não são unanimemente aceitas, mas existem diferentes teorias.
Sempre que precisar, retome o quadro a seguir para lembrar o contexto dos autores e correntes que 
serão trabalhados. Vamos lá!
História da Educação - Idade Antiga
4 Complexo Educacional Campos Salles
1. A EDUCAÇÃO GRÉCIA CLÁSSICA.
Sob inspiração de Durkheim (1980), podemos entender a educação como a ação realizada pelos 
adultos sobre e com as crianças, com o objetivo de integrá-las à sua comunidade e lhes transmitir 
a sua cultura: conjunto de saberes necessários à existência dessa comunidade (GAUTHIER; TARDIF, 
2010).
A educação tem a idade da humanidade, tão velha quanto esta e tão jovem quanto cada humano 
que nasce e deve ser educado. É o processo que chamamos de hominização, acrescentando à natu-
reza do ser humano, a cultura que o humaniza. A origem da educação é contemporânea do apare-
cimento da vida em grupo, da linguagem, do trabalho, da arte, ou seja, do nascimento do ser social. 
Dessa forma, a educação não tem uma origem precisa: não foi inventada por ninguém, nenhum 
povo, nenhuma cultura particular, mas é inerente à experiência humana (GAUTHIER; TARDIF, 2010).
Assim, poderíamos começar a falar da história da educação com as doutrinas presentes no taoísmo, 
no confucionismo, ou ainda com a educação egípcia ou a hebraica; como seria possível viajar bem 
antes destas culturas na história da humanidade. Porém, por uma necessidade de escolha de ponto 
de partida para dar conta da disciplina, começaremos pela Grécia Antiga.
Foi por volta de 1200 e 800 a.C. que a sociedade grega entrou em crise e desmoronou diante de seus 
invasores. Essa sociedade arcaica era do tipo feudal governada por um rei (com dimensão religio-
sa), formada por guerreiros (aristocracia) e camponeses que pagavam tributos aos nobres, como a 
maioria das sociedades fechadas da época. Tal sociedade desaparece por volta do século XII a. C. 
diante do assalto de povos guerreiros, e os gregos foram confrontados, pela primeira vez na história 
da humanidade até então, “com um tipo de funcionamento social que não repousava mais sobre a 
realeza, a religião e a tradição. Assim, eles deviam instalar novos mecanismos de poder” (GAUTHIER; 
TARDIF, 2010, p.38).
E é entre os séculos VII e IV a. C. que temos então o primeiro modelo de democracia, na qual os 
homens decidiam seu destino por meio da “livre discussão”. O poder se torna um exercício de ne-
gociações abertas e a palavra, discussão e diálogo representam seus instrumentos na ágora (praça 
pública). Lembrando que tal democracia era reservada para a elite considerada cidadãos, cerca 
de um quinto da população em Atenas, por exemplo, pois, cerca de metade da população era de 
escravos (os gregos consideravam os outros povos inferiores e estes os substituíam no trabalho), 
outra parte era de estrangeiros, e subtrai-se do restante também as mulheres e crianças. Ou seja, 
somente gregos, filhos de gregos, homens e proprietários de terras (que em sua maioria não traba-
lhavam e desprezavam o trabalho) eram considerados cidadãos livres.
O aparecimento de uma sociedade aberta na Grécia foi condicionado por diversos fatores que foram 
modelando em profundidade a consciência do homem grego, dentre eles: a) o desenvolvimento do 
comércio, que proporcionou não só trocas de bens com outras civilizações do Mediterrâneo, mas 
intercâmbio de ideias e valores; b) expansão da civilização grega e conflitos e relações com outras 
grandes civilizações, como a persa; c) a exaltação das virtudes guerreiras e aristocráticas com uma 
concepção de vida que enfatiza a coragem, a competição e a emulação; o olimpismo: “forma de 
História da Educação - Idade Antiga
5Complexo Educacional Campos Salles
debate oratório em praça pública, entre homens que se esforçam em impor os seus pontos de vista 
à multidão” (GAUTHIER; TARDIF,2010, p.39). d) o desenvolvimento (entre os séculos VIII e V a.C. de 
uma oposição entrephysis e nomos (natureza e cultura), discussões acerca de leis naturais versus 
convencionais, portanto, arbitrárias. Enquanto as situações de mudanças vividas para os demais 
povos antigos eram tidas como obras do destino ou dos deuses, os gregos haviam começado, 2500 
anos antes, a compreender o que lhes acontecia sob a forma de um discurso racional (logos)!
Assim, a valorização do pensamento racional, da palavra e do ser humano é que fundamenta as 
numerosas descobertas e transformações da sociedade antiga grega.
As mudanças políticas e econômicas e as experiências do pluralismo e relativismo das relações 
com outros povos transitam também para um novo modelo de cultura: o racionalismo e o huma-
nismo. Se o racionalismo “postula que o mundo é ordenado segundo regras que o ser humano pode 
apreender pela sua razão” (GAUTHIER; TARDIF, 2010, p.42), o humanismo, por sua vez, “considera o 
ser humano como ‘ser aberto’, um ser cuja natureza não é definida antecipadamente e de uma vez 
por todas, um ser capaz de modificar-se, transformar-se, melhorar-se” (GAUTHIER; TARDIF, 2010, 
p.42). Dessa forma, todo ser humano tem o direito de contestar as ideias de outro independente-
mente da condição de força, riqueza ou poder social.
Enfim, esse modelo de cultura também é um modelo de formação e de educação 
que se cristaliza principalmente no ensino da filosofia e nas escolas filosóficas da 
Antiguidade. São os filósofos que fundam as primeiras escolas de ensino em Atenas, 
escolas nas quais estudam pequenos grupos de discípulos. Essas escolas não se 
dirigem às crianças, mas aos adolescentes e adultos. (GAUTHIER; TARDIF, 2010, p.43).
Porém, não podemos esquecer as diferenças entre as duas principais cidades-Estado gregas: Espar-
ta e Atenas. Enquanto a oratória e a educação para a razão e virtude eram cultivadas em Atenas, 
Esparta, como uma “cidade de guerreiros”, cultuavam a força, o corpo e os sentidos. Assim, a Grécia 
atingiu o ideal avançado da educação na Antiguidade: a paideia.
[...] uma educação integral, que consistia na integração entre a cultura da sociedade 
e a criação individual de outra cultura numa influência recíproca. Os gregos criaram 
uma pedagogia da eficiência individual e, concomitantemente, da liberdade e da 
convivência social e política. Os gregos realizaram a síntese entre a educação e a 
cultura: deram enorme valor à arte, à literatura, às ciências e à filosofia. A educação 
do homem integral consistia na formação do corpo pela ginástica, na da mente pela 
filosofia e pelas ciências, e na da moral e dos sentimentos pela música e pelas artes. 
Nos poemas de Homero, a ‘bíblia do mundo heleno’, tudo se estudava: literatura, 
história, geografia, ciências, etc. Uma educação tão rica não podia escapar 
às divergências. Entre os espartanos predominava a ginástica e a educação moral, 
esta submetida ao poder do Estado; já os  atenienses, embora dessem enorme 
valor ao esporte, insistiam mais na preparação teórica para o exercício da política 
(GADOTTI, 2011, 30).
Os gregos conhecem concomitantemente a educação tradicional e uma educação nova. O método 
baseado na memorização e repetição, devido à tradição oral dos “primeiros educadores” (poetas 
História da Educação - Idade Antiga
6 Complexo Educacional Campos Salles
cuja função era conservar a memória coletiva), fora questionado com tal crise da cultura e desen-
volvimento da escrita, das ciências e da filosofia, bem como da democracia, porém esta só atingira 
aos adolescentes e adultos. Quanto às crianças, eram tratadas como adultos, não existindo um 
método específico para sua aprendizagem e quando não atingiam as expectativas do mestre, eram 
punidas com castigos físicos. Neste contexto, o pedagogo era um escravo cujo trabalho consistia 
em acompanhar a criança até o local de aprendizagem.
Assim, a escola e aprendizado estavam divididos da seguinte forma:
A escola primária destinava-se a ensinar os rudimentos: leitura do alfabeto, escrita 
e cômputo. Os estudos secundários compreendiam a educação física, a artística, 
os estudos literários e científicos. A educação física compreendia principalmente 
a corrida a pé, o salto em distância, o lançamento do disco e do dardo, a luta, o 
boxe, o pancrácio e a ginástica. A educação artística incluía o desenho, o domínio 
instrumental da lira, o canto e o coral, a música e a dança. Os estudos literários 
compreendiam o estudo das obras clássicas, principalmente de Homero, a filologia 
(leitura, recitação e interpretação do texto), a gramática e os exercícios práticos 
de redação. Os estudos científicos apresentavam a matemática, a geometria, a 
aritmética, a astronomia. No ensino superior prevalecia o estudo da retórica e da 
filosofia. A retórica estudava as leis do bem falar, baseadas numa tríplice operação: 
a) procurar o que se vai dizer ou escrever; b) pôr em certa ordem as ideias assim 
encontradas; c) procurar os termos mais apropriados para exprimir essas ideias. 
[...] O ideal da cultura aristocrática grega não incluía a formação para o trabalho: o 
espírito devia permanecer livre para criar (GADOTTI, 2011, p.31,32).
Vale lembrar que todo este aparato educacional estava direcionado aos cidadãos livres: “A educa-
ção ensinava uns poucos a governar” (GADOTTI, 2011, p.30).
Essas foram algumas considerações para contextualizar nosso ponto de partida da história da edu-
cação e do pensamento pedagógico. Para aprofundar seus conhecimentos acerca da formação do 
homem grego, indico uma leitura bastante densa, mas interessante aos educadores:
JAEGER, Werner. Paidéia: A Formação do Homem Grego. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
1. 1 Sócrates e os sofistas
Entre a educação tradicional e a chamada “nova” na Grécia Antiga, a crise cultural, educativa e po-
lítica grega pode ser ilustrada na relação e contradição da figura do “pai da filosofia” – Sócrates - e 
os sofistas. Esta aula trará algumas ideias destes personagens da história ocidental.
Os sofistas eram homens eruditos, cultos, promotores da cultura geral e arte do discurso, do saber 
falar e convencer, da retórica. Os mais conhecidos foram Protágoras, Górgias, Hípias, Pródico e An-
tifonte, a maioria deles tinha em comum o fato de serem estrangeiros viajantes que ofereciam seus 
serviços aos alunos, que deveriam deixar suas famílias e pagar para fazer os cursos. Assim, são 
considerados por muitos autores como os primeiros professores, tendo em vista que com eles, os 
alunos se tornam “clientes”, e a educação deixa de ser um empreendimento familiar ou uma ativi-
História da Educação - Idade Antiga
7Complexo Educacional Campos Salles
dade regida pelo ambiente social cotidiano e passa a ser consciente de si mesma, organizada, com 
um objetivo e individual (GAUTHIER; TARDIF, 2010).
Preparando seus alunos para a democracia instaurada na Grécia, buscam desenvolver a principal 
competência de um cidadão de fato: “ser capaz de expressar-se publicamente, com coerência, de 
modo a convencer os outros do valor das suas opiniões” (GAUTHIER; TARDIF, 2010, p. 51). Assim, não 
estavam preocupados com a busca de uma “verdade” ou conhecimento mais específico ou pro-
fundo, mas uma cultura geral: como pensar, como viver, como falar. Para eles, a verdade não era 
lógica ou matemática, mas poética, ela está no dizer bem a “verdade”[1]. “Concebem a linguagem 
não como um meio de conhecimento, mas como um meio de controle e de ação sobre outrem, uma 
ferramenta de persuasão” (GAUTHIER; TARDIF, 2010, p. 50)
Dessa forma, podemos perceber que a concepção de educação e ensinamentos sofísticos são pro-
fundamente determinados pela política. Neste aspecto, os sofistas criticavam os costumes e as leis 
que consideravam não fundadas sobre a natureza, bem como a escravidão e as tradições aristo-
cráticas. Em contrapartida, defendiama democracia, o progresso e a mobilidade social (GAUTHIER; 
TARDIF, 2010).
Opondo-se ao relativismo sofista, para os quais a verdade e a virtude dependem diretamente das cir-
cunstâncias, Sócrates buscava justamente a verdade e as virtudes (individuais ou sociais). Para ele, só 
age erradamente quem ignora (no sentido de desconhecer) a verdade, esta por si só, garante o bem.
Sócrates (469-399 a. C.), nascido em Atenas, é considerado o pai da filosofia. Isso porque, enquanto 
os primeiros filósofos (os pré-socráticos) buscavam a origem do universo e da vida, ele foi quem 
direcionou a filosofia para o homem: “Conhece-te a ti mesmo”, pois só se voltando para seu interior 
o homem chega à sabedoria e se realiza como pessoa. Dando um novo rumo à filosofia. A preocu-
pação de Sócrates era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e, segundo ele, 
portanto necessariamente à prática do bem.
Opõe-se assim à erudição dos sofistas, que se achavam grandes sábios, pois a busca pela verdade 
(não circunstancial) e o desenvolvimento moral do ser humano teriam para Sócrates mais valor 
do que a erudição e oratória. Neste sentido é considerado o homem mais sábio de sua época pelo 
oráculo de Delfos[2], justamente quando afirmava que “Só sei que nada sei”, ou seja, quanto mais 
descobrimos e conhecemos, mais percebemos o quão grande é nossa ignorância perante dezenas 
de novas possibilidades de conhecimento.
Para Sócrates, a filosofia não ensina a verdade, mas ajuda o indivíduo a descobri-
la sozinho. Não oferece soluções, mas um método para raciocinar a partir de si 
mesmo. A verdade é uma conquista pessoal e a educação é sempre autoeducação, 
um processo de amadurecimento interior que pode ser estimulado, mas não 
provocado, a partir do exterior (NICOLA, 2005, p.54).
Dessa forma, para se chegar à verdade, tal educação só tem valor se for por intermédio do diálo-
go. O saber não é despejado do mestre para o aluno, mas é um processo de formação interior, no 
História da Educação - Idade Antiga
8 Complexo Educacional Campos Salles
qual, por meio dos questionamentos e discussão com o mestre, o aprendiz é chamado a assumir e 
legitimar o seu próprio pensamento, suas convicções e suas orientações de vida, com ajuda da sua 
razão (GAUTHIER; TARDIF, 2010).
Sócrates chamou este processo de “autoeducação” de maiêutica. Em suposta homenagem a sua 
mãe, que era parteira, o método de investigação do filósofo significa literalmente “a arte da parteira 
ou a arte da obstetrícia”. A maiêutica consistia então em jamais fornecer soluções, limitando-se 
a levantar perguntas para que o interlocutor (aluno), oportunamente estimulado, descobrisse (ou 
parisse) a verdade dentro de si (NICOLA, 2005, p.53).
Foi acusado de blasfemar contra os deuses da época e de corromper a juventude. Condenado à morte 
por cicuta, e mesmo tendo a possibilidade de fugir da prisão, permaneceu fiel a si e suas ideias.
Tudo o que se sabe sobre Sócrates não foi ele quem escreveu, mas seus discípulos, dentre eles, 
Platão. Em “Apologia de Sócrates”, podemos ler sobre parte da trajetória e julgamento de Sócrates.
Figura 1 – A morte de Sócrates (Jacques-Louis David,óleo sobre tela -1787).
Fonte: https://www.metmuseum.org/collection/the-collection-online/search/436105, Domínio público, https://commons.
wikimedia.org/w/index.php?curid=28552
Para ler alguns trechos de diálogos de Sócrates (e seu método: maiêutica) escritos por Platão, cli-
que no link abaixo:
Texto: Teeteto.
[1] Devido a concepção de verdade sofistica de que o dizer e a oratória determinam a verdade, mui-
tas vezes atualmente quando escutamos alguém falar muito bem, de forma bastante convincente, 
mas com conteúdos questionáveis, o chamamos de “sofista”.
História da Educação - Idade Antiga
9Complexo Educacional Campos Salles
[2] Oráculo de Delfos: Durante mais de 15 séculos, do nascimento ao fim da cultura grega antiga, o 
Oráculo de Delfos, ou templo de Apolo, serviu como local onde os peregrinos vindos das mais diversas 
latitudes do mundo helênico consultavam as pitonisas, as sacerdotisas oraculares, para saber qual o 
seu destino, da sua família ou da sua pátria. Delfos tornou-se um dos lugares sagrados mais venera-
dos pelos gregos, sendo que suas previsões e predições tiveram enorme repercussão nos destinos de 
reis, de tiranos e de muita outra gente famosa daqueles tempos. (http://educaterra.terra.com.br)
1. 2 Platão
Platão (427-347 a. C.) foi um dos mais célebres discípulos de Sócrates e, ao ver a condenação de seu 
mestre à morte por questões políticas, questiona a mensagem socrática e seu método educacional. 
Diante de uma situação política dominada pela violência e contradições, Platão vê na educação um 
meio de superar a crise política.
Assim, para entender sua concepção educacional, há que se conhecer primeiramente algumas 
ideias políticas e epistemológicas do filósofo Platão.
No plano político, Platão é, antes, um reacionário se comparado aos sofistas. 
Acredita nas leis naturais. Defende, como bom aristocrata, que alguns homens são 
superiores a outros por natureza. As hierarquias sociais refletem, para ele, divisões 
naturais entre os homens. [...] Segundo ele, uma sociedade cujos membros são 
educados pode dispensar as leis; a multiplicação das leis, que acarreta um aumento 
da vigilância e da coerção, expressa o fracasso da educação (GAUTHIER; TARDIF, 
2010, p. 53).
A política depende necessariamente da educação em que a cidade justa deve pregar a renúncia 
do indivíduo em favor da comunidade, e ser governada por sábios filósofos. Com uma concepção 
oposta à da democracia, Platão entendia a educação como um instrumento (meio) de testar as 
aptidões dos alunos para que apenas os mais inclinados ao conhecimento recebessem a formação 
completa para ser governante, pois cada classe deve ter aptidões diferentes para a harmonia da 
pólis. Assim, em sua maior obra, A República, Platão propõe a sua concepção de educação que está 
diretamente ligada à sua concepção política.
Porém, antes de falarmos sobre educação, a concepção de conhecimento platônica é bem peculiar 
e vale a pena mencionar. Para ele, existiriam dois mundos: aDoxa (opinião, coisas imperfeitas) e 
o Eidos (mundo das ideias perfeitas). Assim, quando vemos uma flor esta é somente uma repre-
sentação imperfeita da ideia de flor que existe no mundo das Ideias. Quando falamos em justiça ou 
bem, são exemplos de ações ou pessoas justas ou boas, mas o que é Justiça? E Bem? Tais ideias 
perfeitas e universais estariam no Eidos. Nossa alma em algum momento já esteve no mundo das 
ideias, porém, ao “encarnar” em nosso corpo esqueceu todas as ideias e passou a viver no mundo 
da doxa (opiniões). Ele afirma que “O corpo é o cárcere da alma”, como uma prisão que o impede 
de conhecer a verdade e ideias perfeitas. Dessa forma, o aprendizado seria algo já presente em cada 
um de nós, que conforme estímulo e contemplação vamos rememorando o que outrora a alma já 
conhecia. “Saber é contemplar com os olhos do espírito as coisas que os olhos humanos são inca-
pazes de ver” (GAUTHIER; TARDIF, 2010, p. 54).
História da Educação - Idade Antiga
10 Complexo Educacional Campos Salles
“Conhecer é ‘relembrar-se’. É a célebre teoria da reminiscência” (GAUTHIER; TARDIF, 2010, p. 55). 
Por meio da ideia de reminiscência, não se transmite conhecimento aos alunos, mas os levamos 
a procurar respostas eles mesmos às suas inquietações. Deveria se deixar os alunos, sobretudo as 
crianças, à vontade para se desenvolver livremente, pois a busca pela verdade é mais importante do 
que verdades absolutas e dogmáticas.
Platão foi o primeiro:
 • a descrever um processo educacional também para crianças;
 • a defender que toda educação era de responsabilidade estatal;
 • a defender a mesma instrução para meninos e meninas;
 • a defender o acesso universal ao ensino.Para ele, o ser humano é composto por três partes: o ventre (paixões e necessidades primárias); o 
coração (coragem) e a razão (a alma inteligível). Da mesma forma a sociedade ideal seria dividida 
em três classes: operários e camponeses (ventre), os guardiões (coração) e os reis filósofos (razão), 
cada grupo desenvolvendo suas aptidões e características necessárias para o bem da comunidade 
(GAUTHIER; TARDIF, 2010). Dessa forma, a finalidade da educação era:
Favorecer o triunfo do pensamento racional sobre as paixões, sobre o corpo. 
O que Platão propõe é uma pedagogia fundada sobre um longo processo de 
aprendizagem, compreendendo uma sequência de rupturas e de passagens entre 
diferentes graus do conhecimento. Esse processo começa na infância e prossegue 
até a idade adulta (por volta dos 45 anos). Platão é o primeiro pensador ocidental a 
conceber assim um processo global de formação comportando limiares diferentes 
segundo os indivíduos. Sua educação se baseia em uma ideologia ‘meritocrática’. 
Todas as crianças, sem distinção (ricas ou pobres, meninos ou meninas), são 
submetidas à mesma formação. Só no decorrer do longo processo de formação é 
que as crianças, progressivamente, diferenciam-se graças a seus méritos naturais, 
alguns tornando-se camponeses, outros guardiões, e uma minoria filósofos 
(GAUTHIER; TARDIF, 2010, p. 55).
A educação seria um processo de libertação do mundo sensorial em busca da Verdade do mundo 
das Ideias. Tal processo educacional é apresentado metaforicamente no célebre texto “Alegoria da 
caverna” ou “Mito da caverna”[1], no livro VII da República. Nele supõe-se que desde o nascimento 
todos os seres humanos estariam presos em uma caverna, acorrentados de frente para o fundo 
vendo desde seu nascimento somente sombras projetadas, devido a uma fogueira na entrada da 
caverna. Um dos prisioneiros consegue sair, e com muito sofrimento com a luz e diferenças do am-
biente externo à caverna, começa a ver as coisas reais e não mais sombras. Mas, ao voltar à caverna 
para avisar aos demais... é tido como louco por todos!
Na Revista Nova Escola, Edição Especial “Grandes Pensadores” (Julho de 2008), é possível observar 
uma descrição resumida sobre o processo educacional ideal proposto por Platão em cada fase. Vale 
a pena ler:
História da Educação - Idade Antiga
11Complexo Educacional Campos Salles
A formação dos cidadãos começaria entes mesmo do nascimento, pelo 
planejamento eugênico da procriação. As crianças deveriam ser tiradas dos pais 
e enviadas para o campo, uma vez que Platão considerava corruptora a influência 
dos mais velhos. Até os 10 anos, a educação seria predominantemente física e 
constituída de brincadeiras e esporte. A ideia era criar uma reserva de saúde para 
toda a vida. Em seguida, começaria a etapa da educação musical (abrangendo 
música e poesia), para se aprender harmonia e ritmo, saberes que criariam 
uma propensão à justiça, e para dar forma sincopada e atrativa a conteúdos de 
Matemática, História e Ciência. Depois dos 16 anos, à música se somariam os 
exercícios físicos, com o objetivo de equilibrar força muscular e aprimoramento 
do espírito. Aos 20 anos, os jovens seriam submetidos a um teste para saber que 
carreira deveriam abraçar. Os aprovados receberiam, então, mais dez anos de 
instrução e treinamento para o corpo, a mente e o caráter. No teste que se seguiria, 
os reprovados se encaminhariam para a carreira militar e os aprovados para a 
filosofia – neste caso, os objetivos dos estudos seriam pensar com clareza e governar 
com sabedoria. Aos 35 anos, terminaria a preparação dos reis-filósofos. Mas ainda 
estavam previstos mais 15 de vida em sociedade, testando os conhecimentos entre 
os homens comuns e trabalhando para se sustentar. Somente os que fossem bem-
sucedidos se tornariam governantes ou “guardiões do Estado” (p.12,13).
Então, gostou das ideias de Platão sobre a educação? Na sala você encontrará o texto (em forma de 
diálogo) integral da “Alegoria da caverna” e logo após, uma versão com o personagem Piteco, de 
Maurício de Souza, muito interessante!
Existiram outros filósofos gregos que falaram sobre educação, dentre eles o discípulo de Platão: 
Aristóteles, defensor da instrução para o desenvolvimento da virtude. Porém as aulas se limitarão 
a um ou dois pensadores por período histórico. Assim se acharem necessário indicações de leituras 
paralelas basta entrar em contato com a professora.
[1] A tradução do texto do livro VII da República pode ser encontrada como “alegoria da caverna” 
ou “mito da caverna”. Porém, quando falamos em mito estamos nos referindo a ideias anteriores 
e contrárias a concepção da filosofia (logos) que certamente ainda existiam no período em que 
viveu Platão, mas que eram recusadas por grande parte dos filósofos. Assim, o mais adequado seria 
chamar de “alegoria”, como uma metáfora da caverna para explicar determinada concepção de 
conhecimento e educação.
2. A EDUCAÇÃO NA ROMA ANTIGA.
Pouco depois da morte de Alexandre, no século III a.C., a conquista romana se inicia 
(282 a 146 a. C.) e, em 146 a.C., a Grécia se torna uma província romana. Essa fase de 
expansão de Roma, dita período da República, já tinha começado antes (desde 509 
a.C.), continuando até 27 a. C. [...] em todo o contorno da bacia mediterrânea. Depois, 
em 48 a. C., Júlio Cesar, general dos exércitos, que acaba de derrotar Vercingetórix 
na Gália, opõe-se a Pompeu [...] e o derrota em um combate em Farsália. César 
volta a Roma e se impõe como ditador. Posteriormente, é assassinado, e seu filho 
Augusto toma o poder e instala, em 27 a.C., o sistema imperial que durou séculos 
depois dele. É o nascimento de um novo império: o Império Romano. [...] o Império 
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reagrupa mais de vinte povos com religiões, costumes e hábitos muito diferentes. 
Roma tem a ideia genial de oferecer aos povos conquistados a possibilidade 
de participar da sua grandeza, tornando-se cidadãos romanos. [...] A cidadania 
oferece-lhes a possibilidade de participar dos negócios do Estado. [...] Esses direitos 
têm como efeito fazer da cidadania romana um status desejável para os indivíduos 
dos povos conquistados e, assim, consolidar de modo extraordinário o modelo 
romano (GAUTHIER; TARDIF, 2010, p. 64,65).
Depois de uma pequena introdução acerca da consolidação do Império Romano, vamos ao que 
mais nos interessa: e a educação?
Talvez possamos mencionar dois momentos da cultura e educação romanas, o antes e o depois do 
contato com a grega. Por volta do século VI a. C. a educação na Roma Antiga é mais rudimentar, de 
camponeses, ligada à terra, à tradição e costumes ancestrais, ao bem público, à família ao gosto 
pelo trabalho intenso e frugalidade. Só se aprende o que é útil e necessário saber como proprietário 
de terras ou soldado-camponês. No século II a. C. é que uma literatura propriamente romana se de-
senvolve e a retórica é considerada importante devido a sua eficiência política. Mas os aristocratas 
romanos logo percebem o quão vantajoso é conhecer a língua e cultura grega e nela se inspiram 
para um “novo” processo educacional. Recorrem, então, a mestres gregos para conferências e aos 
escravos gregos para ensinar suas crianças, sendo que alguns jovens romanos completam sua for-
mação indo à Grécia (GAUTHIER; TARDIF, 2010).
Os estudos passam a ser essencialmente baseados na humanitas (cultura geral que transcende 
os interesses locais e nacionais). A humanitas era dada na escola do “gramático”, seguindo as se-
guintes fases: “ditado de um fragmento do texto, a título de exercício ortográfico; memorização do 
fragmento; tradução do verso em prosa e vice-versa; expressão de uma mesma ideia em diversas 
construções; análise das palavras e frases; composição literária” (GADOTTI, 2011, p. 42).
Tais instruções eram restritas as elites romanase não aos numerosos escravos que havia. Sendo 
a sociedade dividida em: patrícios (grandes proprietários que monopolizavam o poder) e plebeus 
(pequenos proprietários, que apesar de livres – diferente dos escravos –, eram excluídos do poder). 
Foi através de suas conquistas no Império que impuseram o latim a diversas províncias e, posterior-
mente com o cristianismo, universalizaram a sua humanitas. No auge do Império, existia um sistema 
de educação constituído por três graus clássicos de ensino:
a. as escolas do ludi-magister, que ministravam a educação elementar; 
b. as escolas do  gramático, que correspondiam ao que hoje se chama ensino 
secundário;
c. os estabelecimentos de educação superior, que iniciavam com a retórica e, seguidos 
do ensino do Direito e da Filosofia, se constituíam numa espécie de universidade 
(as universidades só surgiram na Idade Média) (GADOTTI, 2011, p.43).
Para os romanos, o homem ideal era o locuples, nobre que passava pelo programa que incluía a 
agricultura, a guerra e a política. Já os escravos aprendiam as artes e ofícios onde serviam. Segun-
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do Gadotti (2001), a classe aristocrática foi cedendo lugar aos poucos para comerciantes, pequenos 
artesãos e burocratas. Assim, o Império necessitava de escolas que preparassem os administradores, 
já que os soldados se preparavam (ou morriam) nas batalhas e quartéis. O Estado, então, se ocupa 
diretamente com a educação, formando quadros inclusive para vigiar as escolas (por supervisores-
-professores), cujo regimento se aproximava com o dos militares, numa educação utilitária e mili-
tarista, organizada fundamentalmente pela disciplina e justiça. “educação para a pátria, paz só com 
vitórias e escravidão aos vencidos. [...] Todas as cidades e regiões conquistadas eram submetidas 
aos mesmos hábitos e costumes, à mesma administração, apesar de serem consideradas ‘aliadas 
de Roma’.” (GADOTTI, 2011, p. 44).
Sobre os direitos e deveres, os romanos ensinavam:
Direito do pai sobre os filhos (pater potestas); direito do marido sobre a esposa 
(manus); direito do senhor sobre os escravos (potestas dominica); direito de um 
homem livre sobre um outro que a lei lhe dava por contrato ou por condenação 
judiciária (manus capere); direito sobre a propriedade (dominium). Os deveres 
decorriam desses direitos (GADOTTI, 2011, p.44).
Assim, no lar o pai impunha aos filhos as obrigações do clã, já na escola, era oferecida a educação 
para a pátria e castigos severos, em que os culpados eram açoitados com vara.
Dentre os muitos teóricos da educação em Roma, temos: Catão (234 – 149 a. C.); Marco Terêncio 
Varrão (116 -27 a.C.); Marco Túlio Cícero (106 – 43 a.C.); Marco Fábio Quintiliano (por volta de 35 – 
depois de 96); Sêneca (por volta de 4 a.C. – 65); Plutarco (por volta de 46 – depois de 119).
2. 1 Cícero
Marco Túlio Cícero (106-43 a. C.), orador e político romano, nasceu em Arpino, onde sua família ti-
nha uma propriedade rural. Aos 10 anos foi enviado a Roma para completar sua educação. Aprofun-
dou-se no conhecimento das leis e doutrinas filosóficas dentre outros estudos da literatura grega e 
latina. Sua obra compreende discursos, tratados filosóficos e retóricos e poemas. Cícero foi um dos 
idealizadores do Direito Romano e em 84 a. C. escreveu sua primeira obra: De inventione, com sua 
teoria sobre retórica. É considerado o maior dos pensadores romanos e o que mais influenciou os 
oradores modernos (GAUTHIER; TARDIF, 2010).
Cícero considerava como ideal da educação a formação de um orador que reunisse as qualidades 
do dialético, do filósofo, do poeta, do jurista e do ator. Tal orador encontrava sustentação na huma-
nitas, vinculada ao projeto político de Roma: reunir os diversos povos num grande Império (GADO-
TTI, 2011).
Esta aula compreenderá uma transcrição de trechos de sua obra “Dos deveres” (CÍCERO, Marco Tú-
lio. Dos Deveres. São Paulo: Saraiva, 1965), trechos encontrados em GADOTTI (2011) e que permiti-
rão em contato com a escrita do próprio filósofo, compreender sua concepção de educação que se 
adequa ao ideal político romano.
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“Nada em nossa vida escapa ao dever”
Resolvi escrever agora para você, começando pelo que melhor convenha para sua 
idade e à minha paterna autoridade. Entre as coisas sérias e úteis tratadas pelos 
filósofos, não conheço nada mais extenso e cuidadoso do que as regras e preceitos 
que nos transmitiram a propósito de deveres.
Negócios públicos ou privados, civis ou domésticos, ações particulares ou 
transações, nada em nossa vida escapa ao dever: observá-lo é honesto, negligenciá-
los, desonra. A pesquisa do dever é assunto comum dos filósofos. Como chamar-se 
filósofo quem não sabe expor doutrina sobre os deveres do homem? Há sistemas 
que, definindo o bem e o mal, desnaturam completamente a ideia de dever. Quem 
considera o soberano bem, independente da virtude, e que o baseia no interesse 
e não na honestidade, quem fica de acordo consigo mesmo, se a bondade de sua 
natureza não triunfa sobre seus princípios, não saberá praticar quer a amizade, 
quer a justiça, quer a caridade.
Que se separa de quem considera a dor maior o mal? Qual a temperança de 
quem considera a volúpia o bem supremo? Essas coisas são de tal clareza e não 
necessitam discussão, por isso não as tenho debatido.
Para não se desmentirem, muitas doutrinas nada dizem sobre deveres e delas não 
se deve esperar preceitos sólidos, invariáveis, conforme a natureza; só valem as 
que veem na honestidade o único bem, ou como um bem preferível aos outros e 
procurado por si mesmo. [...] Neste estudo seguiremos, de preferência, os estoicos, 
mas sem servilismo, como é nosso costume; nós nos saciaremos em suas fontes, 
quando julgarmos apropriado, mas não abdicaremos de nosso ponto de vista, 
nosso juízo e nosso arbítrio.
Desde que vamos tratar dos deveres do homem, definamos logo o que chamamos 
dever e admiro-me de Panetius não o ter feito. Quando se quer pôr ordem e 
método numa discussão, é preciso começar definindo a coisa de que se trata, para 
se ter dela uma ideia nítida e precisa.
“Próprio do homem é a procura da verdade”
A natureza pôs em todo o ser animado o instinto de conservação, para defender 
seu corpo e sua vida, para evitar o que prejudica, para procurar todo o necessário 
com que viver: o alimento, o abrigo e outras coisas desse gênero. Deu, a cada 
espécie, nos dois sexos, uma atração mútua que os leva à multiplicação, e certo 
cuidado de sua prole. Mas há diferença entre o homem e o animal; pois este 
obedece unicamente aos sentidos, só vive o presente, o que está diante dele e não 
tem qualquer sensação de passado e futuro. O homem, ao contrário, com a ajuda 
da razão, que é seu galardão, percebe as consequências, a origem, a marcha das 
coisas, compara-as umas com as outras, liga e reata o futuro ao passado; envolve, 
de um golpe de vista, todo o curso de sua vida, e faz provisão do necessário para 
iniciar uma profissão.
É ainda recorrendo à razão que a natureza aproxima os homens, fazendo-os 
conversar e viver em comum. Inspirando-lhes particular ternura pelos filhos, 
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fazendo-os desejar reuniões e manter sociedade entre si: por esses motivos ela os 
anima a procurar todo o necessário para conservação e as comodidades da vida, 
não somente para si mesmos, como para sua mulher, seus filhos e todos aqueles 
que eles amam e devem proteger. Esses cuidados trazem o espírito desperto, 
tornando-os mais capazes de agir.
Mas, o que é, sobretudo, próprio do homem, é a procura da verdade. Assim, logo que 
nos livrarmos de cuidados e negócios, desejamos ver, entender, aprender qualquer 
coisa; pensamos que o conhecimento dos segredosou das maravilhas da natureza é 
indispensável à felicidade, fazendo o homem bem-nascido não desejar obedecer a 
ninguém, senão àquele que o instrui, e o dirige, no interesse comum, de acordo com 
a justiça e as leis; daí nasce a grandeza da alma e o desprezo das coisas humanas.
“O mérito da virtude está na ação”
[...] Sustenta-nos ardente desejo de saber e de conhecer; encanta-nos ser eminente 
na ciência, ignorar, errar, enganar-se, iludir-se, nos parece desgraça e vergonha.
Mas, nessa inclinação natural e honesta, é preciso evitar dois defeitos: um, dar por 
conhecidas as coisas desconhecidas, fazendo afirmação temerária; quem quiser 
evitar tal defeito – e nós todos devemos querer – dará ao exame de cada coisa 
o tempo e cuidados necessários. Outro defeito consiste em pôr muito ardor e 
muito estudo nas coisas obscuras, difíceis e desnecessárias. Esses dois defeitos, se 
evitados, só merecem louvores pela aplicação e pelo trabalho que consagramos às 
coisas honestas e, ao mesmo tempo, úteis. [...]
O mérito da virtude está na ação; mas há frequentes que permitem voltar aos 
estudos ou, ainda, à atividade do espírito, que sempre nos impede, mesmo no 
trabalho, a mantê-los continuadamente. Ora, toda a atividade do espírito tem por 
objeto resoluções honestas a tomar sobre coisas que contribuem para a felicidade, 
ou às pesquisas científicas. Eis o que se deve observar na primeira fonte dos nossos 
deveres. (GADOTTI, 2011, p.45-47).
O que achou do texto de Cícero? É possível perceber em suas nuances políticas e éticas algumas 
concepções de educação, pois esta deveria estar a serviço da formação dos sujeitos envolvidos 
neste processo de construção humana.
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