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93
UNIDADE 3
MÉTODOS INTERVENTIVOS DO 
SERVIÇO SOCIAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• oferecer elementos teóricos referentes aos métodos interventivos do assis-
tente social;
•	 identificar	os	diversos	métodos	de	intervenção	profissional	do	assistente	
social,	tais	como:	a	perícia	e	o	estudo	social;	o	parecer	social	e	o	laudo	so-
cial;	e	por	fim	o	estudo	socioeconômico;
•	 compreender	o	significado	e	a	importância	da	perícia	e	do	estudo	social,	
na	atuação	profissional	do	assistente	social;	
•	 verificar	como	o	parecer	social	e	o	laudo	social	são	desenvolvidos	na	inter-
venção	profissional	dos	assistentes	sociais;
•	 compreender	que	o	estudo	socioeconômico	é	um	instrumento	de	pesquisa,	
também	utilizado	pelo	assistente	social	na	sua	prática	interventiva.
A	Unidade	3	está	dividida	em	três	tópicos.	Ao	final	de	cada	um	deles,	você	
terá	 a	 oportunidade	de	 fixar	 seus	 conhecimentos	 realizando	 as	 atividades	
propostas.
TÓPICO 1 – A PERÍCIA E O ESTUDO SOCIAL
TÓPICO 2 – O PARECER SOCIAL E O LAUDO SOCIAL
TÓPICO 3 – ESTUDO SOCIOECONÔMICO
94
95
TÓPICO 1
A PERÍCIA E O ESTUDO SOCIAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste	tópico	serão	abordados	diferentes	tipos	de	instrumentos	utilizados	
pelo	assistente	 social	no	decorrer	de	 sua	prática	 interventiva,	 sendo	assim,	no	
primeiro	momento	abordaremos	os	instrumentos	Perícia	Social	e	Estudo	Social.
Iniciaremos	 com	 a	 perícia	 social,	 conceituando-a	 e	 abordaremos	 os	 seus	
desdobramentos,	quais	sejam:	estudo, parecer e laudo social, discorrendo sobre cada 
um	para	que	você,	acadêmico(a),	possa	ter	clareza	destes	conceitos	e	de	sua	prática.
2 A PERÍCIA SOCIAL
Perícia	 é	 uma	 análise	 detalhada	 de	 um	 determinado	 objeto,	 fato	 ou	
realidade.	Existem,	pois,	diversas	modalidades	ou	tipos	de	perícia.	Pode-se,	então,	
falar	de	perícia	contábil	(que	analisa	questões	referentes	a	receitas	e	despesas	de	
determinadas	pessoas	físicas	ou	jurídicas),	a	perícia	médica	(que	analisa	questões	
relacionadas	à	saúde	física	das	pessoas),	a	perícia	geológica,	mecânica	etc.	Dentre	
os	vários	tipos	de	perícia,	elenca-se	também	a	perícia	social.	Acerca	da	perícia,	
escrevem	Karine	e	Douglas	Freitas:
A	perícia	latu sensu	é	todo	procedimento	de	averiguação	de	uma	dada	
situação	conflituosa,	que	necessita	de	um	especialista	para	atuar	na	
solução	do	problema	 respectivo	de	 sua	 área.	No	 sentido	 estrito,	 ou	
seja,	a	perícia	social	como	ramo	da	perícia,	é	aquela	responsável	para	
dirimir	as	situações	flagrantes	ocorridas	no	seio	familiar,	envolvendo	
crianças	e	adolescentes.	(FREITAS;	FREITAS,	2003,	p.	56).
A	 etimologia	 da	 palavra	 perícia	 vem	 do	 latim	 peritia,	 que	 significa	
“conhecimento	adquirido	pela	experiência”.	A	perícia	social	constitui-se,	como	
dito	 antes,	de	um	“processo	pelo	qual	um	especialista	 [...]	 realiza	o	 exame	de	
situações	 sociais	 que	 envolvam	 interesses	 de	 crianças	 e	 adolescentes,	 com	 a	
finalidade	de	emitir	um	parecer,	buscando	solução	do	caso	periciado”	(FREITAS;	
FREITAS,	2003,	p.	55).	O	conceito	de	perícia	social	foi	usado	pelos	autores	para	
“crianças	e	adolescentes”,	mas	se	aplica	a	todos	os	outros	casos	que	demandem	
uma	perícia	 social.	Esta	 conceituação	de	perícia	proposta	por	Freitas	 e	 Freitas	
apresenta	os	elementos	fundamentais	de	tal	instituto,	quais	sejam:
•	uma	situação	social;
•	tal	situação	é	caracterizada	por	uma	problemática;
•	a	necessidade	de	resolver	o	problema;
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
96
•	a	 aplicação	 dos	 conhecimentos	 técnicos	 do	 Serviço	 Social	 para	 esclarecer	 e	
propor	a	solução	à	situação.
Fica	claro	que	a	finalidade	da	perícia	social	é	conhecer	melhor	e	propor	
soluções	 a	 determinadas	 situações	 sociais	 consideradas	 problemáticas.	 A	
problemática	 das	 situações	 pode	 ser	 de	 várias	 ordens,	 como	 familiar	 –	muito	
comum	–	econômica	etc.
De	 acordo	 com	Galvão,	 Costa	 e	Marques	 (2009,	 p.	 3)	 “a	 Perícia	 Social	
é	 entendida	 como	 um	 processo	 por	meio	 do	 qual	 um	 especialista,	 no	 caso,	 o	
assistente	social,	realiza	exame	de	situações	sociais	com	a	finalidade	de	emitir	um	
parecer	sobre	as	mesmas.”
Considerando	que	a	perícia	social	é	tão	amplamente	utilizada	nos	ambientes	
judiciais	que	os	especialistas	do	assunto	dizem	existir	dois	tipos	de	perícia	social:	
a	perícia	social	judicial	e	a	perícia	social	extrajudicial.	A	diferença	básica	existente	
entre	ambas	reside	na	instituição	para	a	qual	e	pela	qual	a	perícia	é	realizada.	A	
primeira	é	sempre	feita	pelo	Poder	Judiciário,	o	qual,	em	seus	quadros	de	pessoal,	
geralmente	 tem	 a	 presença	 de	 um	 profissional	 do	 Serviço	 Social,	 chamado	 de	
assistente	social	forense.	É	o	assistente	social	forense	que	realiza	as	perícias	sociais	
judiciais.	Outras	 instituições,	 entretanto,	 também	podem	 ter	 em	seus	quadros	o	
profissional	do	Serviço	Social.	É	o	caso,	por	exemplo,	do	Ministério	Público,	que	
cada	vez	mais	contrata	assistentes	sociais	para	auxiliá-lo	em	seus	deveres	funcionais.	
Poderia	 citar	 aqui	outros	 exemplos	de	perícia	 social	 extrajudicial,	 como	aquelas	
realizadas	por	organizações	não	governamentais,	hospitais	etc.
Nesta	perspectiva,	segundo	Galvão,	Costa	e	Marques	(2009,	p.	3):
[...]	no	âmbito	do	MP	[...]	a	perícia	social	tem	a	finalidade	de	conhecer,	
analisar	e	emitir	pareceres	sobre	situações	vistas	como	conflituosas	ou	
problemáticas,	visando	assessorar	os	Promotores	de	 Justiça	em	suas	
decisões,	ou	seja,	instruir	procedimentos	em	trâmite	nas	Promotorias	
de	Justiça	e	nos	Centros	de	Apoio	Operacional.
Como	 se	 depreende	 do	 conceito	 de	 perícia,	 esta	 tem	 um	 objetivo.	 No	
caso	da	perícia	social	o	objetivo	é	esclarecer	uma	situação	social.	Evidentemente	
esta	necessidade	de	esclarecer	uma	situação	social	não	é	à	toa,	está	ligada	a	um	
motivo.	O	motivo	pelo	qual	é	necessário	esclarecer	uma	situação	social	pode	ter	
várias	razões	e,	geralmente,	está	ligado	a	um	problema	judicial,	comumente	de	
família	ou	criminal.
IMPORTANT
E
A PERÍCIA SOCIAL pode ser compreendida como área de trabalho especializada 
e atuação profissional do assistente social, em aspectos de preservação individual e social, na 
garantia e conquista dos direitos individuais, políticos e sociais e a busca constante da Justiça.
TÓPICO 1 | A PERÍCIA E O ESTUDO SOCIAL
97
O	instrumento	de	ação	Perícia	Social	é	especificidade	do	Serviço	Social,	
sendo	que	este	poderá	ser	executado	em	um	espaço	sócio-ocupacional.	No	entanto,	
este	instrumento	acarretará	uma	ação	ligada	à	Justiça	que	fará	a	intervenção	em	
situações	de	violação	de	direitos.	
Então,	se	o	profissional	de	Serviço	Social	atua	junto	ao	setor	educacional	
em	uma	escola	e	identifica	uma	situação	de	violência	de	um	aluno,	por	exemplo,	
utilizará	o	instrumento	Perícia	Social	para	avaliar	a	situação	e	realizará	o	registro	
através	do	Estudo	Social.	Depois	encaminha	o	fato	para	o	Conselho	Tutelar	ou	
Promotoria	da	Infância	e	Juventude,	órgãos	que	atuam	amplamente	na	proteção	
da	criança	e	do	adolescente,	cujos	instrumentos	contribuirão	para	a	intervenção	
do	poder	judiciário	nesta	situação	de	violação	de	direitos.	
Leia	agora	um	texto	bastante	informativo	sobre	o	assunto.
PERÍCIA SOCIAL: O ELO DE LIGAÇÃO ENTRE O PROFISSIONAL DE 
SERVIÇO SOCIAL E OS OPERADORES DO DIREITO NO JUIZADO DA 
INFÂNCIA E JUVENTUDE.
SILVA,	Dadieza	de	Jesus	da
SILVA,	Jaqueline	Resende	da
PROSENEWICZ,	Ivânia
HEINECK,	Dulce	Teresinha
O	Poder	Judiciário	possui	papel	de	destaque	na	sociedade	como	objeto	
mantenedor	da	harmonia	nas	relações	sociais	existentes.	O	Serviço	Social	no	
âmbito	do	judiciário	encontra-se	totalmente	subordinado	ao	administrador	do	
fórum	na	comarca	[...].
Há	 mais	 de	 16	 anos	 que	 o	 Serviço	 Social	 atua	 no	 judiciário.	 Já	 no	
âmbito	 da	 Justiça	 da	 Infânciao	 Serviço	 Social	 encontra-se	 desde	 1940.	Um	
dos	 principais	 instrumentos	 de	 trabalho	 utilizados	 pelos	 profissionais	 de	
Serviço	Social	é	a	perícia,	atividade	esta	concernente	a	exame	realizado	por	
profissional	 especialista,	 legalmente	 habilitado,	 destinada	 a	 verificar	 ou	
esclarecer	determinado	fato.	Sendo	assim	objetivou-se	pesquisar	os	limites	e	
De	acordo	com	Galvão,	Costa	e	Marques	(2009,	p.	4):
Por	meio	 do	 exercício	 da	mediação,	 a	 Perícia	 em	 Serviço	 Social	 do	
MP/GO	 busca,	 a	 partir	 das	 demandas	 oriundas	 dos	 Centros	 de	
Apoio	Operacionais,	analisar	os	fatos	sociais,	caracterizados	pela	sua	
singularidade,	relacionando-os	com	as	leis	tendenciais	universais,	que	
permitem	 compreendê-los,	 controlá-los	 e	 extrapolá-los	 para	 visões	
mais	amplas	e	complexas	do	real.	E	é	nessa	relação	entre	o	singular	e	o	
universal	que	se	encontra	a	particularidade,	que	é,	justamente,	o	campo	
das	 mediações	 da	 intervenção	 profissional.(PONTES,	 2000).	 Assim,	
fecha-se	 a	 tríade	 singularidade/universalidade/particularidade,	 que	
vai	orientar	a	intervenção	profissional,	possibilitando	que	a	mediação	
perpasse	 os	 eixos	 da	 perícia	 social	 e	 da	 articulação	 política	 aqui	
mencionados.	(grifo	no	original).
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
98
possibilidades	do	profissional	do	Serviço	Social	na	condição	de	Perito	da	Vara	
de	Infância	e	Juventude	no	âmbito	do	Poder	Judiciário.	Optou-se	pelo	estudo	de	
caso	como	método	de	procedimento	e	a	coleta	de	dados	pela	fonte	documental	
e	bibliográfica;	utilizou-se	também	a	técnica	da	entrevista	e	observação,	como	
método	de	análise,	a	dialética,	que	nos	permite	uma	interpretação	dinâmica	e	
totalizante	da	realidade.	
Cresce	 cada	dia	mais	o	número	de	crianças	e	adolescentes	autores	de	
atos	infracionários,	representantes	do	lar	sem	autonomia	para	com	seus	filhos,	
passam	assim	a	existir	crianças	e	adolescentes	cada	vez	mais	indisciplinados,	
irresponsáveis,	delinquentes.	A	falta	de	pulso	firme	por	parte	dos	pais	não	pode	
ser	caracterizada	como	o	fator	principal	que	leva	esses	adolescentes	a	realizar	
atos	ilegais.	Estes	cometem	atos	infracionais	como	uma	forma	de	reagir	contra	
os	maus	tratos	familiares,	miséria,	pobreza,	ausência	dos	genitores,	condições	
de	higiene	e	sobrevivência	subumanas.	
A	insignificância	com	que	o	Estado	trata	famílias	carentes	e	a	desorganização	
social	 também	 são	 fatores	 contribuintes	 para	 a	 crescente	 criminalidade	
infantojuvenil.	Estes	fatores	fazem	com	que	as	famílias	ou	as	autoridades	tenham	
que	tomar	precauções	ou	decisões	quanto	à	vida	de	adolescentes	autores	de	atos	
infracionais,	automaticamente	elevando	a	demanda	dos	profissionais	da	área	
jurídica,	especificamente	os	assistentes	sociais.	
A	 perícia	 social	 remete	 ao	 profissional	 de	 Serviço	 Social	 o	 direito	 de	
analisar	alguma	situação	em	questão	com	base	nos	seus	conhecimentos	teóricos,	
éticos,	técnicos,	através	da	mesma	podem	emitir	um	laudo	ou	parecer	social.	A	
partir	desse	estudo	percebe-se	que	a	instituição	pode	vir	a	trabalhar	de	outra	
maneira,	ou	seja,	que	 tudo	o	que	 lhes	 [sic]	 rodeia	merece	uma	 investigação	
profunda,	ter	visão	do	todo	e	fazer	mediação	entre	a	teoria	e	a	realidade	vivida	
por	eles	e	se	chegue	a	soluções	adequadas	dos	problemas.
FONTE: SILVA, Dadieza de Jesus da et al. Perícia social: o elo de ligação entre o profissional 
de serviço social e os operadores do direito no juizado da infância e juventude. Disponível em: 
<www.revista.ulbrajp.edu.br/seer/inicia/ojs/.../getdoc.php?id.>. Acesso em: 15 out. 2009.
1	Quais	os	requisitos	básicos	que	deve	conter	uma	perícia	social?
2	Dirija-se	até	uma	instituição	que	é	servida	por	profissional	do	serviço	social	
e	peça	para	fazer	a	leitura	de,	pelo	menos,	duas	perícias	sociais,	relatando	
brevemente	os	aspectos	destacados.
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 1 | A PERÍCIA E O ESTUDO SOCIAL
99
3 O ESTUDO SOCIAL
O	 instrumento	 estudo	 social	 é	 um	 procedimento	 metodológico	 de	
atribuição	do	profissional	de	Serviço	Social	que	busca	conhecer	detalhadamente,	
e	de	forma	crítica,	demandas	específicas	ou	expressões	da	questão	social,	levando	
em	consideração	na	análise	aspectos	culturais,	econômicos	e	sociais.
	 Este	 instrumento	 refere-se	 ao	 estudo	 in loco	 que	 consiste	 em	 coletar	
dados,	 de	 acordo	 com	 cada	 situação,	 onde	 o	 profissional	 deverá	 elaborar	 um	
instrumental	modelo	específico.
O	 estudo	 social	 é	 o	momento	 em	 que	 o	 profissional	 do	 Serviço	 Social	
se	 coloca	 a	 pesquisar	 o	 problema	 a	 ser	 enfrentado.	 Esta	 pesquisa	 –	 estudo	 –	
pode	 ser	 feita	 de	 várias	 formas,	 dependendo,	 é	 claro,	 do	 tipo	 de	 problema.	
Comumente	o	estudo	social	é	 feito	através	de	visitas	domiciliares	 (forma	mais	
comum),	entrevistas,	reuniões	etc.	É	no	estudo	social	que	o	profissional	vai	buscar	
compreender	a	situação	social	que	deve	ser	analisada.	
Para	a	aplicação	do	instrumento	estudo	social,	busca-se	identificar,	analisar	
e	compreender	as	particularidades	deste	 instrumental,	pois	este	é	competência	
e	 atribuição	 do	 assistente	 social,	 estabelecido	 na	 Lei	 de	 Regulamentação	 da	
Profissão	e	do	Código	de	Ética	Profissional.
É	 de	 suma	 importância	 a	 avaliação	 dos	 procedimentos	 metodológicos	
utilizados	 pelo	 assistente	 social	 periodicamente,	 pois	 a	 elaboração	 deste	
instrumento	pode	influenciar	a	decisão	final	de	um	processo	judicial,	determinado	
pelo	juiz	ou	pelo	promotor.
Este	 instrumento	na	sua	aplicação	passa	por	algumas	etapas,	conforme	
veremos	a	seguir:
•	elaboração	de	instrumental	específico	para	a	coleta	dos	dados,	realizado	pela	
assistente social;
•	análise	 dos	 dados	 e	 fundamentação	 teórica,	 que	 dará	 subsídios	 para	 as	
informações	coletadas;
•	elaborar	 relatório	 ou	 opinião	 profissional	 sobre	 a	 situação	 trabalhada	 no	
momento.
Nesta	perspectiva,	o	assistente	social	busca	atingir	alguns	objetivos	como:
•	identificar	as	 condições	de	vulnerabilidade	social	e	econômica	do	 indivíduo,	
conhecendo	sua	realidade	e	sua	história	de	vida,	apontando	onde	deve	haver	
intervenção	do	poder	judiciário;
•	conhecer	e	ressaltar	se	existe	alguma	situação	de	risco;
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
100
•	aprofundar	de	forma	crítica	e	fundamentada	teoricamente	e	metodologicamente,	
uma	 determinada	 situação,	 fazendo	 com	 que	 a	 realidade	 investigada	 seja	
melhor	analisada.
Para	o	profissional	de	Serviço	Social,	que	pode	ou	não	estar	inserido	no	
campo	de	atuação	do	judiciário,	tem	que	haver	precisão	nas	suas	informações	e	
ações,	pois	os	indivíduos	estão	sujeitos	aos	protagonismos	da	sociedade.
Ressaltamos	ainda	que	o	instrumento	estudo	social	teve	mais	legitimidade	
a	partir	da	aprovação	do	Estatuto	da	Criança	e	do	Adolescente,	com	a	destituição	
do	Código	de	Menores,	permitindo	que	este	 instrumento	 fosse	 suporte	para	a	
aplicação	de	medidas	judiciais	e	facilitador	na	análise	dos	processos.
ANÁLISE/DESCRIÇÃO DA ELABORAÇÃO DO ESTUDO SOCIAL
Elisabeth	Francisca	da	Costa	e	outros	
O	estudo	social	refere-se	ao	estudo	in loco	que	consiste	em	coletar	dados,	
a	 partir	 de	 um	 instrumental	 específico	 e	 definido	 pelo	 assistente	 social,	 para	
cada	caso	particular,	e	interpretar	estes	dados	a	partir	de	um	referencial	teórico,	
elaborando	assim	um	posicionamento	profissional	 sobre	a	 situação.	Dentro	de	
uma	visão	de	globalidade,	visto	ser	a	interpretação	da	situação,	ele	é	construído	
através	da	realização	de	estudo	dos	documentos	contidos	nos	autos	do	processo,	
entrevistas,	 visita	 domiciliar	 e,	 quando	 necessário,	 coleta	 de	 informes	 na	
comunidade	na	qual	reside	a	parte	autora	ou	réu.
Segundo	Regina	Célia	Tamaso	Miotto:	 “O	estudo	 social	 é	o	 instrumento	
utilizado	para	conhecer	e	analisar	a	situação,	vivida	por	determinados	sujeitos	ou	
grupo	de	sujeitossociais,	sobre	a	qual	fomos	chamados	a	opinar”.	(MIOTO,	2001).	
A	 visita	 domiciliar,	 como	 instrumental	 de	 busca	 de	materialidade	 das	
relações	 sociais,	 assim	 como	 a	 coleta	 de	 informes	 na	 comunidade	 consiste	 na	
coleta	de	dados	observados	no	próprio	local	de	vida	da	família	e	propicia	uma	
observação	 dinâmica	 do	 indivíduo	 na	 relação	 com	 seu	 meio	 social:	 padrões	
culturais	 (usos	 e	 costumes)	 e	 atendimento	 da	 necessidade	 básica	 de	 abrigo	 e	
segurança.	Deverá	seguir	procedimentos	científicos	próprios,	para	facilitar	a	sua	
confecção	e,	após,	a	emissão	de	um	parecer	justo	e	centrado.
Não	existe	“receita”	ou	“modelo”	metodológico	sobre	o	estudo	social,	nem	
precisa	 apontar	quais	 são	 todos	os	dados	que	 esse	 estudo	precisa	 revelar	 sobre	
as	pessoas	envolvidas	nas	ações,	mas,	sim,	pensar	que	é	necessária	uma	atitude	
profissional	que	implique	a	busca	de	se	conhecer	de	forma	mais	ampla	e	ter	maior	
interação	 com	o	 real	que	 se	apresenta	no	 cotidiano	da	prática.	Esse	movimento	
poderá	dar	indicações	sobre	a	forma	e	o	conteúdo	dos	estudos	e	de	seu	registro.
LEITURA COMPLEMENTAR
TÓPICO 1 | A PERÍCIA E O ESTUDO SOCIAL
101
Contemporaneamente,	 o	 estudo	 social	 apresenta-se	 como	 suporte	
fundamental	para	a	 aplicação	do	Estatuto	da	Criança	e	do	Adolescente.	Não	
deve	ser	elaborado	com	base	em	questões	preestabelecidas,	por	exemplo,	em	
roteiro	 ou	 formulário,	mas,	 sim,	 em	diretrizes	 que	 permitam	 levar	 em	 conta	
as	semelhanças	e	diferenças	de	cada	situação.	É	composto	por	um	conjunto	de	
informações	sobre	os	sujeitos	e	os	acontecimentos	nos	quais	estão	envolvidos,	
acontecimentos	 que	 culminam	 na	 situação	 pesquisada,	 com	 ações	 que	 se	
processam	no	âmbito	da	Justiça.
O	assistente	social,	nessa	área	de	intervenção,	trabalha	com	técnicas	de	
história	de	vida.	Uma	história	que	contemple	a	origem	dos	sujeitos,	sua	trajetória	
e	 suas	 condições	 no	 presente,	 destacando-se	 seu	 processo	 de	 socialização,	 o	
âmbito	de	suas	relações	familiares	(vínculos	com	o	núcleo	original	ou	a	família	
extensa,	existência	de	laços	a	serem	resgatados,	relacionamento	com	a	criança/
adolescente	 envolvida	 na	 ação),	 relações	 de	 vizinhança,	 inserção	 em	 grupos	
sociais,	formação	educacional	e	profissional,	inserção	nas	relações	de	trabalho	
(formal	 e	 informal),	 nível	 de	 renda,	 meio	 ambiente,	 situação	 de	 moradia,	
situação	de	saúde,	vínculo	com	seguridade	social,	dependência	e	inserção	(ou	
não)	na	rede	de	atendimento	social,	o	que	desencadeou	a	situação	vivida	(objeto	
da	ação	judicial),	como	vê	ou	qual	o	significado	que	atribui	a	esta	questão,	como	
a	 vivência,	 suas	 pretensões,	 interesses	 e	 condições	 para	 lidar	 com	 ela,	 quais	
seus	 sonhos,	desejos,	ou	projetos	de	vida.	Enfim,	uma	história	que	explore	a	
complexidade	da	vida	dos	sujeitos,	 tendo	claro	que	muitas	vezes	é	com	base	
nessas	informações	que	a	decisão	judicial	é	tomada.
Pizzol	 (2003)	 ressalta	que	“o	estudo	 social	 é	 totalmente	adequado	para	
demonstrar	 toda	situação	que	demande	acompanhamento	e	 cujas	 informações	
sejam	importantes	em	qualquer	tipo	de	processo”.	Também	se	considera	que:
“Este	 tipo	de	trabalho,	realizado	em	processos	 judiciais,	 funciona	como	
documento	a	ser	apreciado	pelas	partes,	pelo	promotor	de	justiça	e,	principalmente,	
pela	autoridade	judiciária”.	(PIZZOL,	2003).
É	importante	lembrar	que	o	estudo/intervenção	profissional	do	assistente	
social	não	se	apresenta	como	suficiente	para	o	conhecimento	global	dos	sujeitos.	
É	preciso	não	ignorar	a	ausência	do	Estado	na	proposta	e	na	implementação	de	
políticas	e	programas	sociais	o	que,	geralmente,	dificulta,	sobrecarrega	e	limita	o	
cotidiano	de	trabalho	nessas	áreas.
FONTE: COSTA, Elisabeth Francisca da et al. Análise/descrição da elaboração do estudo social. 
Disponível em: <http://www.tjpe.gov.br/SERVSOCJEC/TEXTOS/ARQUIVOS/AN% C1LISE- 
DESCRI%C7%C3O%20ESTUDO%20SOCIAL-%20MONO%20ELIZABETH.DOC>. Acesso em: 16 
out. 2009.
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
102
DICAS
O aperfeiçoamento do Estudo Social que fundamenta Perícias, Pareceres e 
Laudos Técnicos tem sido preocupação frequente dos(as) assistentes sociais que trabalham 
no Poder Judiciário, na Previdência Social e no Sistema Penitenciário. Sensível a essa 
demanda, o CFESS, em parceria com a Cortez Editora, traz ao público a contribuição de 
experientes profissionais dessas áreas de atuação.
103
Neste tópico, você estudou que:
•	 Perícia	 social,	 segundo	 Freitas,	 é	 “[...]	 processo	 pelo	 qual	 um	 especialista	
realiza	 o	 exame	 de	 situações	 sociais	 que	 envolvam	 interesses	 de	 crianças	 e	
adolescentes,	com	a	finalidade	de	emitir	um	parecer,	buscando	solução	do	caso	
periciado”.	(FREITAS,	2003,	p.	47).
•	 A	perícia	 social	 está	dividida	 em	 três	 partes:	 estudo	 social,	 parecer	 social	 e	
laudo	social	(este	será	visto	a	seguir,	no	tópico	2).
•	 O	instrumento	perícia	social	e	estudo	social	é	especificidade	do	Serviço	Social,	
que	pode	ser	utilizado	não	somente	na	área	jurídica.
•	 O	estudo	social	busca	conhecer	detalhadamente	e	de	forma	crítica	demandas	
específicas	 ou	 expressões	 da	 questão	 social,	 levando	 em	 consideração	 na	
análise	aspectos	culturais,	econômicos	e	sociais.
•	 O	estudo	social	teve	ampliação	com	a	aprovação	do	Estatuto	da	Criança	e	do	
Adolescente.	
RESUMO DO TÓPICO 1
104
AUTOATIVIDADE
1	Escreva	 um	 texto	 sobre	 os	 instrumentos	 perícia	 social	 e	 estudo	 social,	
estudados	neste	tópico,	fazendo	uma	comparação	entre	os	dois	e	apontando	
suas	diferenças.
105
TÓPICO 2
O PARECER SOCIAL E O LAUDO SOCIAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
2 PARECER SOCIAL
A	prática	do	 assistente	 social	 precisa	 ser	 constantemente	 repensada,	
exigindo	 uma	 postura	 crítica	 do	 profissional	 e	 argumentações	 frente	 aos	
desafios	e	limites	da	profissão.	Para	isso,	temos	que	ter	clareza	dos	instrumentos	
da	ação	profissional.
Neste	tópico	pretendemos	pontuar	os	instrumentos	Parecer	Social	e	Laudo	
Social,	conceituando-os	e	apontando	a	importância	no	fazer	cotidiano	do	profissional.
O	parecer	social	é	uma	segunda	etapa	na	qual	o	assistente	social	propõe	
a	solução	do	problema	enfrentado.	Observe	que	o	parecer	social,	nesse	sentido,	é	
comprometido	com	um	resultado,	qual	seja,	resolver	um	problema.	É	por	isso	que	
no	parecer	social	deve	o	profissional	demonstrar,	de	acordo	com	o	caso	concreto	e	
fundado	em	base	teórica,	qual	a	melhor	solução	possível	do	caso.
O	 parecer	 social	 é	 um	 instrumento	 que	 possibilita	 ao	 assistente	 social	
organizar	as	 informações	como	um	relatório.	Porém	é	uma	avaliação	 teórica	e	
técnica	realizada	pelo	profissional,	em	que	este	também	emite	opinião	e	sugere	
encaminhamentos	sobre	as	informações	existentes.
O	parecer	social	diferencia-se	do	relatório	por	apresentar	profunda	análise	
dos	fatos,	não	somente	a	sua	descrição.	Então,	este	instrumento	é	a	conclusão	de	
uma	determinada	ação	realizada	pelo	profissional.	
Com	 este	 instrumental,	 o	 assistente	 social	 terá	 condições	 de	 apontar	
percepções	 sobre	 possíveis	 causas	 ou	 consequências	 da	 situação.	 Também	
constam,	 no	 parecer	 social,	 sugestões	 de	 ampliação	 ou	 melhoria	 das	 ações	 a	
serem	desenvolvidas	junto	à	situação.	Estas	ações	poderão	ser	desenvolvidas	pelo	
profissional	de	Serviço	Social	ou	por	outros	profissionais	técnicos	ou	membros	de	
equipes	multiprofissionais.	
De	acordo	com	o	MPAS	(1995,	p.	17),	o	parecer	social	é	entendido	como	
a	“[...]	opinião	profissional	do	assistente	social,	com	base	na	observação	e	estudo	
de	uma	dada	situação,	fornecendo	elementos	para	a	concessão	de	um	benefício,	
106
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
recurso	material	 e	decisão	médico-pericial”.	Ou	seja,	o	assistente	 social	possui	
por	competência	realizar	e	conceder	um	parecersocial.	Depois	de	escolhido	um	
instrumento,	 observada	 e	 estudada	 uma	 determinada	 situação,	 elaborará	 um	
diagnóstico,	ou	um	parecer	social	sobre	aquela	determinada	realidade.
Para	tanto,	segundo	o	MPAS	(1995,	p.	18)	o	parecer	social:
[...]	 poderá	 valer-se	 de	 entrevistas	 e/ou	 visitas	 domiciliares.	 A	
visita	 domiciliar	 deve	 ser	 utilizada	 para	 o	 aprofundamento	 ou	
complementação	de	dados,	com	vistas	à	instrumentalização	do	parecer	
social,	não	podendo	se	constituir	num	instrumento	de	comprovação	
de	informações	prestadas	pelo	usuário.
Ainda	segundo	o	MPAS	(1995,	p.	18),		os	elementos	básicos	constitutivos	
do	Parecer	Social	são:
[...]
a)	dependência	econômica	-	entendida	pela	existência	de	um	vínculo	parcial/
total	com	outrem	se	revela	numa	relação	de	dependência,	geralmente	pelo	baixo	
padrão	salarial	da	população	brasileira,	obrigando	as	famílias	ou	agrupamento	de	
pessoas	a	proverem	suas	necessidades	mínimas	básicas	de	forma	coletiva;
b)	satisfação	das	necessidades	básicas	X	pobreza	-	as	necessidades	básicas	
são	 aquelas	 indispensáveis	 à	 manutenção	 digna	 de	 vida,	 ou	 seja,	 materiais,	
psicológicas	 e	 culturais,	 determinadas	 historicamente	 em	 cada	 sociedade,	 de	
acordo	 com	 o	 grau	 de	 satisfação	 de	 cada	 grupo	 social.	A	 pobreza,	 então,	 se	
define	pela	ausência	ou	precariedade	no	cumprimento	dessas	necessidades.	A	
aferição	destes	elementos	implica	a	análise	da	renda	sob	múltiplos	aspectos:	a)	
regularidade	de	inserção	do	indivíduo	no	mercado	de	trabalho	ou	a	substituição	
por	um	benefício	temporário	ou	permanente;	b)	posição	do	indivíduo	no	grupo	
familiar,	a	partir	da	interdependência	do	vínculo	econômico-social;	c)	capacidade	
que	 possa	 ter	 o	 usuário	 no	 suprimento	 das	 necessidades	 básicas	 de	 bens	 e	
serviços.	Isto	significa	que	ela	deve	se	relacionar	com	as	condições	e	localização	
de	custos	de	moradia,	condições	de	saúde	dos	indivíduos,	da	disponibilidade	de	
certos	bens	e	serviços,	alimentação,	educação,	lazer,	transporte	e	outros.
c)	 implicações	 sociais	 da	 doença	 -	 as	 causas	 e	 agravamento	 de	muitos	
quadros	 nosológicos	 guardam	 estreita	 relação	 com	 as	 condições	 de	 vida	 e	
trabalho.	A	 identificação	 das	 mesmas	 pode	 ser	 importante	 para	 subsidiar	 a	
decisão	 médico-pericial	 nas	 seguintes	 situações:	 a)	 usuários	 portadores	 de	
patologia	cuja	origem	e	evolução	tenham	agravantes/determinantes	sociais;	b)	
usuários	em	fase	de	exames	médico-periciais	de	revisão	analítica	bem	como	em	
outras	situações	necessárias;	c)	usuários	com	intercorrência	social	significativa	
identificada	pelo	assistente	social.
TÓPICO 2 | O PARECER SOCIAL E O LAUDO SOCIAL
107
E	 estes	 elementos	 básicos	 do	 parecer	 social,	 por	 sua	 vez,	 demonstram	
que	neste	documento	deve	haver	um	cuidado	especial	com	a	análise	do	caráter	
econômico	da	população	envolvida,	além	de	permear	as	necessidades	básicas,	a	
pobreza	do	público	usuário	e	suas	implicações	sociais	e	de	saúde.
O	MPAS	(1995,	p.	18)	expõe	ainda	que:	
[...]	o	parecer	social	deve	ser	conclusivo	quanto	à	opinião	do	profissional	
sobre	a	situação	analisada:	dependência,	situação	econômico-social	e	
implicação	 social	 da	doença.	A	definição	da	 concessão	do	 benefício	
ou	da	incapacidade	laborativa	é	de	competência	exclusiva	dos	setores	
responsáveis	pelas	respectivas	linhas.
Complementando,	o	MPAS	 (1995,	p.	18)	 coloca-nos	que	“[...]	o	 relato	do	
estudo	social	deve	constar	sigilosamente	em	prontuários	do	Serviço	Social,	devendo	
o	 parecer	 social	 emitido	 aos	 setores	 evidenciar	 apenas	 a	 conclusão,	 fazendo	
referência	aos	elementos	analíticos	indispensáveis	e	aos	instrumentos	utilizados.”
DICAS
Maiores informações acessem o site da MPAS: <www.mpas.gov.br>.
3 LAUDO SOCIAL
O	laudo	é	o	documento	pelo	qual	se	veicula	a	perícia	social.	Na	elaboração	
deste	documento	o	profissional	deve	ter	cuidado	de	demonstrar	alguns	elementos	
fundamentais	relativos	à	situação	social	objeto	da	perícia,	bem	como	transcrever	
no	laudo	o	parecer	sobre	a	situação,	ou	seja,	mencionar	a	melhor	situação	possível.	
Este	é	o	produto	final	da	perícia	social.
Este	faz	parte	da	metodologia	de	atuação	do	profissional	de	Serviço	Social.	
Na	sua	elaboração	deve	ser	apresentada	uma	breve	contextualização	do	estudo	
realizado	pelo	profissional.	Sendo	assim,	neste	instrumento	o	profissional	deve	
cuidar	para	preservar	o	sigilo	e	a	 identidade	dos	sujeitos	envolvidos,	evitando	
a	vitimização	ou	a	culpabilização	da	demanda	apresentada	pelo	indivíduo	por	
suas	práticas,	ações	ou	situação	de	vida.	
O	laudo	social	requer	do	profissional	um	conhecimento	teórico-prático	da	
realidade	social	para	determinar	conflitos	sociais	vivenciados	pelos	 indivíduos	
que	necessitam	da	intervenção	do	assistente	social.
Na	utilização	dos	instrumentos	ligados	à	pericia	social,	como	é	o	caso	do	
laudo	social,	o	profissional	de	Serviço	Social	 tem	 três	principais	 competências:	
teórico-metodológica,	ético-politica	e	técnico-operativa.
108
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
O	laudo	social	possui	alguns	requisitos	básicos	que	devem	ser	destacados:
•	o	nome	ou	cargo	da	autoridade	a	que	é	dirigida;
•	 identificação	do	procedimento	ou	processo	no	qual	foi	solicitado	o	parecer;
•	preliminares;
•	relatório	minucioso	da	situação	social;
•	questões	técnicas;
•	parecer	técnico	sobre	o	caso;
•	respostas	aos	quesitos;
•	conclusões;
•	 formalidades	de	encerramento.
Observe	o	modelo	de	laudo:
Autoridade	a	qual	 é	dirigida	a	perícia	 social	 (juízes	de	direito,	membros	do	
ministério	público	etc.).
(deixar	4	linhas	em	branco)
Dados	 do	 procedimento	 ou	 processo	 (todos	 os	 procedimentos	 em	 órgãos	
públicos	ou	particulares	têm	algum	tipo	de	identificação,	geralmente	dispõem	
de	número	e	tipo	de	procedimento).
(deixar	4	linhas	em	branco)
Preliminares	 (pequeno	 texto	 introdutório	 no	 qual	 o	 profissional	 faz	 os	
cumprimentos	de	costume	e	demonstra	do	que	se	trata	o	documento).
Relatório:	(descrição	do	procedimento	utilizado	pelo	profissional	para	fazer	o	
estudo	social).
Parecer:	 (sugestão	 do	 profissional	 em	 relação	 à	melhor	 solução	 possível	 ao	
problema).
Resposta	aos	quesitos	(quando	existirem	quesitos,	o	profissional	deve	responder	
um	a	um,	detalhadamente).
QUADRO 2 – MODELO DE LAUDO SOCIAL
TÓPICO 2 | O PARECER SOCIAL E O LAUDO SOCIAL
109
Conclusão:	 (reforça	 o	 parecer,	 formaliza	 o	 final	 do	 laudo,	 dizendo	 que	 são	
verdades	as	afirmações	feitas,	pede	o	arbitramento	dos	honorários,	quando	for	
o	caso,	dizendo	também	o	número	de	páginas	que	tem	o	texto.
Cidade	e	data.
Nome	do	profissional	e	inscrição	no	Conselho
FONTE: As autoras
Então,	o	instrumento	laudo	social	é	um	documento	resultante	do	processo	
de	perícia	social,	sendo	que	esse	só	poderá	ser	elaborado	a	partir	da	perícia	social.	
Além	disto,	registra	todos	os	aspectos	e	ações	de	mais	relevância	do	estudo	social	
e	do	parecer	social.
Este	documento	é	muito	importante	para	a	tomada	de	decisão	do	setor	
judicial,	pois	é	conhecido	como	um	dos	elementos	de	prova	pelo	meio	judiciário.
LEITURA COMPLEMENTAR
REFLEXÕES SOBRE A ELABORAÇÃO DOS LAUDOS SOCIAIS
Selma	Marques	Magalhães
Este	 texto	 fundamenta-se	 em	 um	 dos	 capítulos	 da	 dissertação	 de	
mestrado	“Laudos	Sociais	na	Comunicação	Forense:	Caminhos	e	Descaminhos”,	
apresentada	em	out/2000,	na	PUC/SP,	sob	a	orientação	da	Prof.	Dra.	Myrian	Veras	
Baptista.	Aproveito	para	agradecer	aos	assistentes	sociais	dos	fóruns	da	capital	e	
do	interior	que	colaboraram	com	a	realização	da	pesquisa.
As	relações	sociais	no	espaço	institucional	são,	notadamente,	reflexo	da	
sociedade	-	por	si	só	contraditória.	Num	TJ,	essas	relações	permeiam-se	com	as	
contradições	 das	 linguagens	 utilizadas	 no	 processo	 de	 comunicação	 forense,	
onde	a	escrita	assume	relevantepapel.	No	caso	do	assistente	social	(AS),	esse	tipo	
de	comunicação	é	efetivado	sob	a	forma	de	laudos,	frutos	de	um	estudo	social.
Tais	contradições	ganham	visibilidade	nas	interações	comunicativas	entre	
técnicos,	usuários	e	profissionais	do	direito.	Nos	atendimentos,	a	interação	entre	
o	principal	locutor	(usuário)	e	interlocutor	(AS)	é	direta,	face	a	face;	a	linguagem	
é	oral,	coloquial.	A	participação	de	ambos	é	ativa,	o	que	facilita	dirimir	falhas	de	
comunicação.	Contudo,	ao	interpretar	profissionalmente	a	fala	do	usuário	e	escrever	
sua	avaliação	nos	autos,	o	técnico	passa	a	ser	o	principal	locutor	da	mensagem	e	esta	
será,	literalmente,	lida	por	seus	interlocutores	(promotores,	advogados,	juízes	etc.).	
A	nova	linguagem,	indireta	e	formal,	passa	a	assumir	conotação	de	metalinguagem,	
interpretada	e	reinterpretada	por	diferentes	profissionais.	
110
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
A	partir	do	momento	em	que	se	anexa	o	laudo	ao	processo,	a	comunicação	
fica	distante	e	torna-se	difícil	esclarecer	dúvidas.	Seu	texto	poderá	sofrer	diferentes	
interpretações	e,	como	seus	leitores,	num	TJ,	têm	objetivos	profissionais	específicos,	
o	técnico	poderá	ter	seu	laudo	elogiado,	criticado.	Poderá,	também,	surpreender-
se,	caso	seu	interlocutor	mais	imediato	-	o	juiz	-	não	acatar	seu	parecer.
Ao	atender,	o	AS	realiza	o	contato	face	a	face	e	faz	intervenção	imediata	no	
caso.	E	o	próprio	laudo	social,	nessa	instituição,	também	é	intervenção.	Quantas	
vezes	não	é	ele	a	única	 forma	de	comunicação	entre	o	assistente	social	e	o	 juiz?	
Sendo	assim,	a	mensagem	emitida	nos	laudos	deve	ser	clara,	precisa,	coerente	e	
identificadora	da	área	de	competência	do	serviço	social.	Pressupõe	a	não	utilização	
de	linguagem	coloquial,	pois	trata-se	de	texto	elaborado	por	profissional	graduado	
numa	área	do	conhecimento.	Seu	saber	está	implicitamente	reconhecido,	a	partir	do	
momento	em	que	consta,	nos	autos,	a	determinação	de	realizar	um	estudo	social.	
Mesmo	que	nomes	não	sejam	declinados,	está	claro	que	ele	deverá	ser	realizado	
pelo	assistente	social	-	e	não	por	profissionais	de	outras	áreas.
O	Laudo	Social	 é	o	 texto	final	de	análises	 e	 avaliações	 feitas	durante	o	
estudo.	Por	essa	razão,	não	pode	ser	um	apanhado	de	informações,	ou	uma	longa	
história,	com	detalhes	que	fogem	aos	objetivos	da	avaliação.	Como	o	AS	lida	com	
a	linguagem	manifesta	e	com	histórias	de	vida,	nada	mais	natural	que	registrá-las	
no	laudo.	Cautela,	todavia,	para	não	fazer	da	descrição	pura	e	simples	a	essência	
do	trabalho,	pois	este	não	deve	se	ater	apenas	à	coleta	de	dados,	mas	à	intervenção	
e	à	avaliação	cuidadosa	do	caso	-	comumente	problemático.
O	 laudo	 precisa	 situar	 e	 analisar	 as	 relações	 sociais	 num	 determinado	
contexto	 sociocultural	 e	 econômico,	para	que	as	particularidades	do	 segmento	
de	classe	envolvido	possam	ser	melhor	compreendidas.	As	relações	sociais	são,	
portanto,	o	ponto	inicial	para	a	análise	e	avaliação	social	e	devem	estar	explícitas	
nos	autos,	para	dar	visibilidade	ao	trabalho	profissional	e	fundamentar	o	parecer.
Ao	se	redigir	o	 texto,	os	aspectos	éticos	não	podem	ser	esquecidos.	No	
entanto,	 dados	 relevantes	 da	 análise,	 que	 deem	 indícios	 do	 que	 seria	melhor	
para	a	criança	ou	adolescente	podem	ser	sinalizados,	desde	que	fiquem	claros	
os	 aspectos	 técnicos	 da	 questão.	A	 leitura	 do	 laudo	 não	 pode	 dar	margem	 a	
interpretações	equívocas,	no	sentido	de	julgamentos	ou	preconceitos	pessoais.
A	 ação	 competente	 do	 assistente	 social	 num	 fórum	 cristaliza-se	 na	
elaboração	dos	laudos	sociais,	através	dos	quais	vai	construindo	e	afirmando	sua	
identidade	profissional	na	instituição.	Assim,	mesmo	que	o	AS	busque	o	referencial	
hegemônico	da	profissão,	ou	norteie	sua	atuação	em	outros	paradigmas	teórico-
metodológicos,	é	importante	o	enfoque	na	especificidade	de	sua	área	de	formação.
Sendo	 ciência	 aplicada,	 o	 serviço	 social	 apropria-se	 de	 outras	 áreas	do	
conhecimento	 e	 atua	 em	 vários	 campos	 de	 trabalho,	 o	 que	 contribui	 para	 a	
imagem	difusa	 da	 ação	 profissional.	 Sua	 trajetória,	 caracterizada	 pela	 atuação	
em	 situações-limite,	 pelo	 trabalho	 em	 instituições	 e	 pela	 dicotomia	 teoria-
TÓPICO 2 | O PARECER SOCIAL E O LAUDO SOCIAL
111
prática,	configurou,	reflexo	das	próprias	contradições	da	sociedade,	uma	práxis	
contraditória	-	e	o	AS	ganhou	uma	imagem	profissional	muito	mais	relacionada	
à	ação,	do	que	ao	saber...
No	 TJ/SP	 não	 foi	 diferente.	A	 urgência	 típica	 da	 instituição,	 o	 trabalho	
solitário,	 a	 falta	 de	 troca	 e	 a	 especificidade	 dos	 problemas	 levaram	 o	 AS	 a	
construir	um	conhecimento	do	trabalho	forense	na	própria	ação	-	sem	divulgá-lo	
ou	sistematizá-lo.	Há	mais	de	cinquenta	anos	no	Judiciário	paulista,	por	vezes	o	
AS	ainda	vê	 sua	 imagem	confundida	 com	a	de	“tarefeiro”.	A	hora,	porém	é	de	
mudanças:	 pensar	 coletivamente,	 socializar	 conhecimentos,	 reunir	 para	 discutir	
casos,	estudar.	Principalmente,	modificar	posturas.	A	profissão	do	social	admite	
a	dinâmica	da	ação,	sim,	mas	não	se	resume	nisso.	O	assistente	social	possui	um	
conhecimento	acumulado	na	própria	experiência	e,	também,	nas	produções	da	área	
do	serviço	social.	Por	que,	então,	deixar	que	a	imagem	equivocada	se	perpetue?
Identidades	profissionais	são	construídas	e	reconstruídas.	Num	TJ,	essa	
construção	passa	pelos	laudos,	os	quais,	queiramos	ou	não,	também	constituem	
ação.	 Importantes	 instrumentos	 de	 comunicação	 no	 universo	 forense	 devem	
identificar	a	área	de	competência	do	profissional	que	os	elaborou.	
A	partir	de	minha	experiência	enquanto	psicóloga	judiciária	em	Vara	de	
Infância	e	Juventude,	trabalhando	nos	casos	de	adoção	internacional,	em	São	Paulo,	
foi	possível	observar	tratar-se	de	uma	atuação	que	abrange	várias	questões,	o	que	
provocou	em	mim	o	desejo	de	fazer	uma	reflexão	sobre	o	tema.	Primeiramente,	
cabe	esclarecer	que	os	pretendentes	à	adoção	internacional,	antes	de	vir	ao	Brasil,	
passam	por	uma	 seleção	prévia	 através	dos	 autos	que	 encaminham	à	CEJAI	 -	
Comissão	Estadual	Judiciária	de	Adoção	Internacional.	Os	casais	pré-aprovados	
em	seu	país	de	origem	para	adoção	internacional	enviam	relatórios	da	avaliação	
psico-social,	que	incluem	dados	sobre	a	criança	pretendida.	No	Brasil,	estes	autos	
passam	pela	equipe	técnica	de	Vara	de	Infância,	que	verifica	se	os	relatórios	estão	
claros	e	com	dados	suficientes,	se	são	recentes	e,	em	caso	de	dúvida,	é	solicitada	
complementação	de	dados.	
Só	 após	 ter	havido	 este	processo	 e	 ter	 existido	um	cruzamento	 entre	o	
cadastro	de	crianças	disponíveis	para	adoção	e	o	de	pretendentes	para	adoção,	
é	que	o	 casal	 estrangeiro	 é	notificado	de	que	poderá	vir	 ao	Brasil	buscar	uma	
criança,	ficando	o	psicólogo,	a	partir	daí	incumbido	de	fazer	a	aproximação	da	
criança	aos	pretendentes,	bem	como	trabalhar	a	adaptação	entre	as	partes.	Só	esta	
tarefa,	em	si,	não	é	nada	fácil.	
Cabe	lembrar	que	o	ECA	-	Estatuto	da	Criança	e	Adolescente,	em	seu	artigo	
46,	inciso	2	reza	que:	“Em	caso	de	adoção	por	estrangeiro	residente	ou	domiciliado	
fora	do	país,	o	estágio	de	convivência,	cumprido	no	território	nacional,	será	de	no	
mínimo	quinze	dias	para	crianças	de	até	dois	anos	de	idade,	e	de	no	mínimo	30	
dias	quando	se	tratar	de	adotando	acima	de	dois	anos	de	idade.”	Isto	nos	cria	um	
problema.	Há	um	estágio	de	convivência	muito	curto	para	avaliar	uma	adaptação,	
que	se	malsucedida	poderá	trazer	sequelas	graves	para	aquela	adoção.
112
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
De	 outra	 parte,	 não	 nos	 podemos	 furtar	 a	 pensar	 na	 dificuldade	 que	
representa	 para	 um	 estrangeiro	 deixar	 seu	 país	 de	 origem,	 em	 geral	 bastante	
longínquo	 do	 Brasil,	 para	 vir	 adotar	 aqui.	Acaba	 sendo	 necessário	 tirar	 férias	
do	trabalho	para	vir	em	busca	do	filho	adotivo,	e,	portanto,	é	quase	impossívelpara	os	requerentes	dispor	de	um	período	maior	de	permanência	no	Brasil.	Com	
frequência	o	casal	acaba	de	descer	no	aeroporto	cansado	do	voo	e	já	vai	para	a	
Instituição	onde	se	encontra	acolhida	a	criança	pretendida,	vindo	em	seguida	ao	
Fórum	para	dar	andamento	ao	processo.
O	 psicólogo	 que	 atende	 este	 casal	 depara-se,	 sem	 sombra	 de	 dúvida,	
com	um	casal	 esgotado	fisicamente,	 havendo	poucas	 condições	para	uma	boa	
entrevista.	Ademais,	há	que	se	levar	em	conta	que	os	casais	sentem-se,	ao	chegar	
no	Brasil,	extremamente	sem	referências,	as	quais	ficaram,	obviamente,	em	seu	
país	de	 origem.	Em	 função	disto	 os	 requerentes	 que	deveriam	poder	 fornecer	
à	 criança	um	asseguramento,	 sentem-se	perdidos,	 e	 a	 criança	 também	perdeu	
sua	referência	que	era	a	Instituição.	Fica	aí	marcada	a	necessidade	de	uma	dupla	
orientação,	feita	pelo	psicólogo	judiciário	à	criança	e	à	sua	nova	família.	Ressalte-
se	que	a	criança	está	na	iminência	de	perder	o	seu	país,	o	que	certamente	é	fator	
gerador	de	muita	ansiedade.
Outro	aspecto	que	não	pode	ser	desprezado,	é	que	os	pretendentes	chegam	
de	seus	países	com	vários	sonhos	e	fantasias	com	relação	à	adoção,	os	quais	foram	
a	base	de	sua	reivindicação	de	adotar.	Chegam	aqui	plenos	de	idealizações	que	
por	vezes	escamoteiam	temores.	Como	será	a	criança?	Ela	os	aceitará?	De	fato,	
as	primeiras	experiências	serão	marcantes	na	relação	crianças-pretendentes	que	
se	inicia.	Daí	a	importância	do	trabalho	do	psicólogo	judiciário,	a	quem	compete	
avisar	a	entidade	onde	está	a	criança	da	chegada	da	família,	preparar	a	criança	
para	 a	 adoção	 e	 acompanhar	 o	 estágio	 de	 convivência	 desde	 o	 início,	 como	
maneira	 de	 efetuar	 a	 prevenção	 de	 problemas	 futuros.	No	 exíguo	 período	 do	
estágio	de	convivência,	em	média	de	vinte	dias,	frente	à	quantidade	de	questões	
a	tratar	com	os	pretendentes,	fica-se	sem	saber	a	resposta	a	muitas	perguntas.	Há	
que	ressaltar	que	após	a	primeira	entrevista,	costuma-se	marcar	a	segunda	para	
após	 uma	 semana,	 desde	 que	 não	 se	 sintam	graves	 dificuldades	 iniciais,	 para	
deixar	a	família	mais	à	vontade	para	ir	se	adaptando,	para	possibilitar	o	máximo	
de	espontaneidade	no	relacionamento.
No	 entanto,	 é	 um	 contrassenso	 deixar	 o	 relacionamento	 caminhar	 da	
forma	mais	natural,	havendo	um	prazo	de	tempo	curtíssimo	para	isto.	Em	geral,	
durante	o	estágio	de	convivência	há	em	média	quatro	entrevistas,	sendo	que	a	
primeira	e	a	última	dão-se	em	conjunto	com	o	serviço	social.
Previamente	à	primeira	entrevista,	o	que	se	tem	dos	pretendentes	são	apenas	
os	dados	constantes	nos	autos.	Obviamente	é	muito	diferente	ler	sobre	alguém,	a	ter	
contato	com	esta	mesma	pessoa.	Destarte	a	primeira	entrevista,	é	também	o	primeiro	
momento	de	sentir	os	requerentes,	em	verdade	é	aí	que	se	trava	um	conhecimento,	
que	em	 termos	dos	autos	 já	 está	avançado	a	ponto	de	os	pretendentes	 já	 terem	
sido	aprovados	e	estarem	no	Brasil	com	uma	criança.	Sem	sombra	de	dúvida	este	
TÓPICO 2 | O PARECER SOCIAL E O LAUDO SOCIAL
113
descompasso	é	um	entrave	a	mais	na	ação	do	psicólogo,	que,	repito	mais	uma	vez,	
dispõe	de	um	tempo	brevíssimo	para	trabalhar	as	mais	variadas	questões	atinentes	
à	adoção.	O	estágio	de	convivência	é	a	oportunidade	que	o	psicólogo	judiciário	tem	
de	fazer	o	casamento	entre	a	criança	e	seus	pretendentes.	
Na	 verdade,	 há	 que	 se	 fazer	 uma	 aproximação	 e	 adaptação	 entre	
verdadeiros	 estranhos.	 Este	 trabalho	pode	 ser	 facilitado	 sobremaneira	 quando	
a	agência	internacional	de	adoção	executa	um	bom	trabalho	na	preparação	dos	
pretendentes	em	seu	país	de	origem,	e	acompanha	adequadamente	a	família	no	
Brasil	e	os	encaminha	de	pronto	às	Varas.	O	psicólogo	ao	trabalhar	a	adaptação	
tem	de	levar	os	requerentes	a	compreender	o	que	era	a	vida	que	a	criança	levava	
numa	Instituição,	que	em	geral	a	criança	desconhecia	a	vida	extramuros,	que	o	
infante	costuma	não	possuir	a	mínima	noção	do	que	seja	uma	família,	da	diferença	
que	existe	entre	viver	no	meio	de	muitas	crianças	como	ela	e	num	lar.
Compete	 ao	 psicólogo	 apontar	 que	 haverá	 primeiramente	 um	 período	
de	lua	de	mel	com	os	requerentes,	onde	a	criança	tudo	fará	para	agradar,	mas	
que	assim	que	começar	a	se	sentir	um	pouco	mais	segura	passará	a	desafiar	as	
regras,	testando	os	futuros	pais	adotivos	para	se	certificar	de	se	realmente	estes	
a	suportam,	se	a	aceitam,	se	gostam	dela	mesmo	fazendo	coisas	erradas.	Outro	
tópico	importante	é	passar	para	os	futuros	adotantes	todos	os	dados	que	constam	
nos	autos	sobre	o	histórico	da	criança,	 trabalhando	a	 importância	de	a	criança	
poder	conhecê-los	de	modo	a	se	apropriar	de	sua	história,	sentindo-se	mais	cidadã	
de	si;	além	de	fornecer	elementos	para	que	detectem	eventuais	comportamentos	
ou	sintomas	das	crianças.
Também	 se	 trabalham	 as	 questões	 da	 motivação,	 da	 revelação	 e	 da	
esterilidade,	todas	de	suma	relevância	e	que	sempre	estarão	permeando	a	relação	
adotantes-adotado.	Um	elemento	complicador,	no	entanto,	reside	no	fato	de	estas	
problemáticas	estarem	sendo	trabalhadas	num	momento	em	que	está	havendo	
uma	 lua	 de	 mel	 adotantes-adotado.	 Como	 é	 sabido,	 nesse	 período	 de	 um	
casamento,	o	que	impera	é	a	idealização,	sendo	difícil	haver	espaço	psíquico	para	
problemáticas	que	desfazem	a	tão	agradável	vivência	de	um	apaixonamento.	A	
impressão	que	tenho,	muitas	vezes,	é	de	que	o	casal	escuta	as	orientações	apenas	
racionalmente,	não	havendo	brecha	para	emoção,	que	está	dirigida	para	o	pseudo	
enlace	matrimonial.	
Os	 casais	 tendem	 a	 ouvir	 alegremente	 tudo	 que	 lhes	 é	 dito,	 acreditando,	
naquele	 momento,	 serem	 de	 fácil	 resolução	 os	 problemas	 que	 poderão	 surgir	 e	
duvidando	destas	possibilidades	menos	róseas,	ocultando	uma	onipotência	própria	
da	posição	esquizo-paranoide,	quando	impera	a	idealização.	Neste	sentido	o	tempo	
legal,	 do	direito,	 e	 o	 tempo	psicológico	 estão	na	 contramão,	 um	do	outro,	 o	 que	
embute	uma	séria	questão	quanto	à	validade	do	trabalho	feito	em	ambas	as	áreas.	
Paralelamente	há	mais	uma	interferência,	a	da	língua.	Normalmente,	os	
pretendentes	estrangeiros	não	falam	português,	se	fazendo	necessária	a	presença	
de	um	tradutor.	Isto	certamente	dificulta	o	estabelecimento	do	rapport.	O	tradutor	
114
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
fica	colocado	no	lugar	de	um	terceiro,	entre	o	psicólogo	e	os	requerentes.	Além	
disto,	 não	 existe	 a	 figura	 de	 um	 tradutor	 juramentado,	 sendo	 o	 profissional	
incumbido	 da	 tarefa,	 com	 frequência,	 o	 representante	 da	 agência	 de	 adoção	
encarregada	 do	 caso,	 o	 que	 pode	 colocar	 em	 dúvida	 a	 neutralidade	 de	 seu	
trabalho.	Para	piorar,	a	Psicanálise	se	baseia	na	escuta	da	palavra,	que	quando	
traduzida	não	é	mais	a	mesma,	até	porque	correntemente	uma	expressão	existe	
numa	língua	e	não	em	outra	e	isto	interfere	na	nossa	avaliação,	criando	ruídos	de	
comunicação	que	podem	chegar	a	invalidar	uma	leitura	do	caso.	Neste	sentido,	
talvez	tenhamos	que	nos	preocupar	em	criar	outros	instrumentos	de	avaliação,	
mais	condizentes	com	a	realidade	que	se	nos	apresenta.	
Como	proposta	vejo	a	necessidade	de	uma	maior	interação	entre	as	agências	
internacionais	de	adoção	e	o	judiciário.	É	imperioso	conhecer	como	cada	agência	
trabalha,	para	ter	uma	noção	mais	clara	do	“ponto	de	cozimento”	dos	requerentes	
quando	chegam	ao	Brasil.	Isto	possibilita	ao	psicólogo	responsável	pelo	caso	uma	
visão	do	que	realmente	necessita	ser	trabalhado,	podendo	planejar	a	sua	ação,	o	
que	é	muito	diferente	de	ter	apenas	os	dados	de	relatório	sobre	o	casal.
Seria	necessário	gerar	um	espaço	de	encontros	entre	as	diversas	agências	e	
o	Judiciário	destinado	à	troca	de	experiências,	havendo	não	só	um	enriquecimento,	
mas	uma	padronização	da	maneira	de	se	trabalhar.	Afora	isto	vejo	como	necessidade	
que,	após	o	retorno	ao	país	de	origem,	haja	um	acompanhamento	periódicopara	
auxiliar	 a	 nova	 família,	 no	momento	 em	 que	 aflora	 o	 tema	 da	 adoção	 em	 sua	
dinâmica.	Pelo	que	consta	várias	agências	fazem	este	tipo	de	trabalho,	porém	de	
forma	muito	heterogênea	 e,	 como	não	 recebemos	 relatórios	 sobre	 este	 trabalho,	
ficamos	sem	saber	com	que	tipo	de	suporte	podemos	efetivamente	contar.	
É	claro	que,	para	isto	acontecer,	há	que	existir	uma	regulamentação	deste	
processo	em	lei,	ou	seja	há	que	se	fazer	uma	sensibilização	dos	profissionais	do	
Direito	para	compreender	a	extensão	e	a	importância	disto,	buscando	uma	certa	
uniformidade	de	procedimento	nos	casos.
Outra	dúvida	que	existe	com	relação	à	preparação	de	requerentes	em	seus	
países	de	origem	é	de	se	as	agências	internacionais	sensibilizam	adequadamente	
seus	clientes	para	a	adoção	ou	se	os	treinam	de	modo	a	responder	assertivamente	
as	perguntas	feitas	pelo	psicólogo	judiciário.	As	agências	trabalham	as	angústias	
dos	 requerentes,	 ou	 apenas	 maquiam	 as	 defesas	 destes,	 possibilitando	 que	 o	
cliente	se	apresente	da	forma	como	o	profissional	de	psicologia	espera	deste.	Para	
responder	 a	 estas	 questões	 teríamos	que	dispor	de	 estatística	de	 cada	 agência	
para	saber	a	porcentagem	de	devolução	de	crianças	por	agência	de	adoção,	o	que	
certamente	seria	um	bom	indicador	da	eficácia	do	trabalho	executado,	estatística	
esta	da	qual	não	dispomos.	
Voltando	 ao	 CEJAI,	 há	 também	 um	 sério	 problema	 quanto	 à	
heterogeneidade	dos	dados	constantes	nos	autos,	conforme	o	país	de	origem.	Mais	
uma	vez	seria	necessária	a	interseção	Direito-Psicologia,	de	modo	a	possibilitar	
uma	maior	uniformidade	dos	autos.	
TÓPICO 2 | O PARECER SOCIAL E O LAUDO SOCIAL
115
Todos	os	apontamentos	feitos	até	agora,	nesta	breve	reflexão,	corroboram	a	
importância	e	amplitude	da	temática	da	adoção	internacional,	cujo	trabalho	ainda	
apenas	 engatinha,	 havendo	um	 longo	 caminho	a	percorrer	no	 aprimoramento	
deste	tipo	de	trabalho,	que	envolve	diferentes	tipos	de	profissionais	e	de	culturas.	
Referências	Bibliográficas:	Estatuto	da	Criança	e	do	Adolescente	-	Lei	nº	
8069	de	13/7/90
FONTE: MAGALHÃES, Selma Marques. Reflexões sobre a elaboração dos laudos sociais. 21 maio 
2009 . Disponível em: <http://www.aasptjsp.org.br/index.php?option=com_content&view=a
rticle&id=839:reflexoes-sobre-a-elaboracao-dos-laudos-sociais&catid=66:artigos&Itemid=1>. 
Acesso em: 15 out. 2009.
116
Neste tópico, você estudou que:
•	O	parecer	 social	 é	 comprometido	 com	um	 resultado	da	 investigação	de	um	
determinado	problema	social.
•	O	parecer	social	é	um	instrumento	de	intervenção	profissional,	que	possibilita	
ao	assistente	social	organizar	as	informações	como	um	relatório,	só	que	com	
maior	profundidade	de	análise.	
•	Constam	no	parecer	 social	 sugestões	de	 ampliação	ou	melhoria	das	 ações	 a	
serem	desenvolvidas	junto	à	situação	analisada.	
•	O	parecer	social	é	entendido	como	a	opinião	profissional	do	assistente	social,	
com	base	na	observação	e	estudo	de	uma	determinada	situação,	que	fornece	
elementos	para	a	concessão	de	um	benefício,	recurso	material	e	decisão	médico-
pericial.
•	O	parecer	social	deve	ser	conclusivo	quanto	à	opinião	do	profissional	sobre	a	
situação	analisada.
•	Na	elaboração	de	um	laudo	social,	o	assistente	social	deve	demonstrar	alguns	
elementos	 fundamentais	 relativos	 à	 situação	 social	 investigada,	 bem	 como	
transcrever	no	laudo	o	parecer	sobre	a	situação,	ou	seja,	mencionar	a	melhor	
situação	possível.	
•	Na	 elaboração	 de	 um	 laudo	 social,	 deve	 ser	 apresentada	 uma	 breve	
contextualização	do	estudo	realizado.
•	O	laudo	social	requer	do	profissional	que	o	está	elaborando	um	conhecimento	
teórico-prático	 da	 realidade	 social	 do	 indivíduo,	 exigindo	 uma	 análise	
aprofundada	da	vida	social.
•	Na	utilização	dos	instrumentos	ligados	à	pericia	social,	como	é	o	caso	do	laudo	
social,	o	profissional	de	Serviço	Social	tem	três	principais	competências:	teórico-
metodológica,	ético--política	e	técnico-operativa.
RESUMO DO TÓPICO 2
117
AUTOATIVIDADE
1	O	 que	 você	 identifica	 no	 instrumento	 laudo	 social	 que	 o	 diferencia	 dos	
demais	instrumentos	estudados	neste	Caderno	de	Estudos,	ou	seja,	parecer	
social	e	estudo	social?
2	Qual	a	contribuição	do	profissional	de	Serviço	Social	em	seus	processos	com	
a	utilização	do	instrumento	parecer	social?	
118
119
TÓPICO 3
ESTUDO SOCIOECONÔMICO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
2 UTILIZAÇÃO DO INSTRUMENTO ESTUDO
SOCIOECONÔMICO
A	 atuação	 prática	 cotidiana	 do	 assistente	 social	 está	 constantemente	
exigindo	 análises	 críticas	 e	 completas	 sobre	 o	 contexto	 onde	 o	 usuário	 está	
inserido.	 O	 profissional	 fica	 incapacitado	 de	 desenvolver	 alguma	 ação	 ou	
encaminhamento	sem	ter	prévios	conhecimentos	da	história	de	vida	do	usuário,	
como	a	comunidade	onde	vive,	grupo	familiar	e	acesso	às	políticas	públicas.
Então,	neste	 tópico	estudaremos	o	 instrumento	Estudo	Socioeconômico	
utilizado	pelo	profissional	de	Serviço	Social.
O	estudo	socioeconômico	tem	como	objetivo	apresentar	as	características	
sociais	e	econômicas	de	uma	determinada	população	que	será	analisada.	
Este	método	de	pesquisa	 é	geralmente	 realizado	através	de	 entrevistas	
estruturadas,	 onde	 o	 formulário	 aplicado	 aponta	 variáveis	 conjunturais	 que	
contribuem	 para	 identificação	 da	 realidade	 em	 estudo.	 A	 pesquisa	 pode	 ser	
quantitativa	 ou	 qualitativa,	 sendo,	 pelo	 Serviço	 Social,	 a	 qualitativa	 a	 mais	
utilizada.	Esta	pode	ser	aplicada	com	todos	os	envolvidos,	atingindo	100%	da	
amostra,	ou	realizarmos	uma	amostragem	do	número	de	entrevistados,	utilizando	
o	mesmo	critério	para	toda	a	amostragem.
UNI
Utilizamos como exemplo as pesquisas socioeconômicas familiares, em que se 
aplica um questionário para apenas um representante da família, porém, ao coletar os dados 
e fazer a análise, o perfil de todos os integrantes é considerado.
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
120
Escolha	
do	público	
entrevistado
Dar-se-á	mediante	 o	 objetivo	 do	 estudo,	 podendo	 ser	 realizado	
por	amostragem.
Coleta de dados
Deverão	 ser	 coletados	 mediante	 questionários	 ou	 entrevistas	
aplicadas	ao	público	selecionado.	Em	pesquisas	do	Serviço	Social,	
geralmente	o	profissional	vai	a	campo	realizar	a	coleta	dos	dados,	
ou	conforme	estabelecido	no	objetivo	do	estudo.
Tabulação	dos	
dados coletados
Após	a	coleta	de	dados,	estes	deverão	ser	tabulados	e	disponibilizados	
em	um	banco	de	dados	que	facilitará	a	visualização	e	armazenagem	
das	informações.
Análise
Esta	 também	 deverá	 seguir	 o	 estabelecido	 nos	 objetivos	 do	
estudo,	e	deverão	ser	aproveitados	todos	os	dados	coletados,	após	
realizar	gráficos	ou	tabelas	comparativos	de	todas	as	informações	
coletadas.
FONTE: As autoras
QUADRO 3 – PASSOS DO ESTUDO SOCIOECONÔMICO
Os	dados	da	pesquisa	socioeconômica	permitem	que	o	profissional,	além	
de	 conhecer	 a	 realidade	 social	 e	 econômica	 do	 entrevistado,	 compreenda	 as	
dificuldades	e	necessidades	do	indivíduo	e	sua	família,	dificuldade	de	acesso	às	
Políticas	Públicas.	Na	análise	pode-se	sugerir	ampliação	ou	 implementação	de	
novos	serviços	que	contribuirão	para	o	acesso	aos	direitos	dos	usuários	atendidos	
pelos	profissionais	de	Serviço	Social.	
Caso	 forem	 insuficientes	 os	 dados	 coletados	 e	 fornecidos	 pelo	
entrevistado,	o	assistente	social	pode	aplicar	outros	 instrumentos	profissionais	
de	sua	competência	para	atingir	os	objetivos	propostos,	como	visita	domiciliar	
(instrumento	que	vimos	no	tópico	anterior),	com	a	finalidade	de	acompanhar	a	
realidade	do	usuário	na	entrevista	já	iniciada.	
O	 estudo	 socioeconômico	 é	 um	 instrumento	 de	 pesquisa	 também	
utilizado	 pelo	 assistente	 social	 na	 sua	 prática	 interventiva.	 Este	 estudo	 tem	
como	 objetivo	 conhecer	 o	 perfil	 socioeconômicode	 famílias	 e	 ou	 indivíduos,	
facilitando	o	atendimento	realizado	pelo	profissional,	e	traçar	o	perfil	de	usuários	
atendidos,	podendo	ser	comparados	dados	de	outras	pesquisas	realizadas	com	o	
mesmo	público,	com	o	mesmo	foco	de	análise.	Sendo	assim,	tem	por	finalidade	
o	 conhecimento	 crítico	 de	 uma	 determinada	 situação,	 como,	 por	 exemplo,	
problemas	relacionados	com	habitação	e	saneamento	básico.
O	estudo	socioeconômico	segue	alguns	passos	que	podem	ser	comparados	
com	as	etapas	de	alguns	tipos	de	pesquisas,	como	veremos	a	seguir:
TÓPICO 3 | ESTUDO SOCIOECONÔMICO
121
Nome Idade Parentesco Escolaridade Ocupação Renda mensal
1. Identificação
Nome: ___________________________________________________
Data de Nascimento: ___/___/___ Idade: ____ Sexo: Feminino Masculino 
Naturalidade:_____________________ Profissão: _____________________
Endereço:__________________________________________________________
Bairro:__________________
Cidade: ________________________ Estado: ____ CEP: _____________________
Telefone: ________________ 
2. Situação Familiar
Quadro de composição familiar incluindo você:
Caro(a)	acadêmico(a),	para	melhor	compreensão	do	instrumento	estudo	
socioeconômico,	 disponibilizamos,	 a	 seguir,	 um	modelo	 de	 questionário	 para	
coleta	de	dados	deste	instrumento	da	ação	profissional.
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
122
FONTE: As autoras
QUADRO 4 – MODELO DE QUESTIONÁRIO SOCIOECONÔMICO
Situação de moradia:
(		)	Própria																				(		)	Alugada																		(		)	Cedida																		(		)	Financiada
Se	alugada	ou	financiada	qual	o	valor:	R$	______________
A água de sua residência:
(		)	Bica														(		)	Poço											(		)	Paga	mensalmente/Valor:	R$____________
Possui energia elétrica: 
(		)	Não															(		)	Sim/Valor	pago	mensalmente:	R$	____________
A rua em que você mora:
(		)	Calçada									(		)	Asfaltada												(		)	Estrada	de	barro
Recebe algum benefício do Governo Federal:
(		)	Não																(		)	Sim/Valor:	R$	_____________
Tem alguma outra fonte de renda (pensão, aluguéis)
(		)	Não																(		)	Sim/Valor:	R$																																			____________
3. Na sua família tem algum membro que possui algum tipo de deficiência:
	(		)	Não															(		)	Sim/Qual	doença:																										__________________________
Algum integrante familiar faz uso de medicação contínua:
(		)	Não															(		)	Sim		
Consegue acessar o SUS – Sistema Único de Saúde:
(		)	Não															(		)	Sim	
Qual o valor mensal gasto com medicação na sua residência:
R$	_______________
Qual o valor mensal gasto com alimentação:	R$	________________
4. Use este espaço para alguma observação que julgue necessária:
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
Declaro serem verdadeiras as informações aqui prestadas.
Assinatura	do	Responsável:	____________________________________
Assinatura	do	Técnico	Responsável:	______________________________		
Data _____/_____/________
TÓPICO 3 | ESTUDO SOCIOECONÔMICO
123
LEITURA COMPLEMENTAR
ESTUDO SOCIOECONÔMICO SOBRE A IMPLANTAÇÃO DA PARCERIA 
AGRÍCOLA NA REGIÃO CACAUEIRA
Joselito	Albano	dos	Santos	
Aline	Conceição	Souza
INTRODUÇÃO
O	objetivo	deste	estudo	é	analisar	o	início	do	sistema	de	parceria	rural	na	
região	cacaueira,	enquanto	alternativa	para	a	relação	entre	capital	e	trabalho.	A	
monocultura	do	cacau	durante	décadas	foi	o	principal	sustentáculo	da	economia	
baiana	 e	 caracterizou-se	por	períodos	de	 apogeu	 e	 crises;	 a	mais	 recente	 crise	
começou	em	meados	dos	anos	80,	resultante	da	confluência	de	fatos	negativos,	
como:	o	aumento	da	produção	dos	países	concorrentes,	queda	nas	cotações	no	
mercado	mundial,	clima	desfavorável	e	o	grave	“aparecimento”	da	vassoura-de-
bruxa	no	Sul	da	Bahia.	 Segundo	Couto	 (2000,	p.	 39),	 “Retrai-se	o	 agronegócio	
em	decorrência	da	queda	dos	preços	pagos	ao	produtor	e	da	produtividade	da	
lavoura	cuja	principal	repercussão	é	a	diminuição	imediata	da	renda	e	do	emprego	
na	região	cacaueira”,	resultando	na	migração,	no	subemprego,	no	desemprego	
e	 na	 opção	 agrícola	 pela	 pecuária	 extensiva	 com	 baixos	 índices	 de	 ocupação	
(CANUTO,	 2004).	 Diante	 da	 descapitalização	 do	 cacauicultor,	 do	 contingente	
de	trabalhadores	desempregados	e	da	necessidade	de	combater	a	vassoura-de-
bruxa,	o	sistema	de	parceria	expandiu-se	como	uma	alternativa	para	minimizar	
os	efeitos	da	crise	da	lavoura	cacaueira.
Embora	 a	 parceria	 tenha	 sido	 institucionalizada	 pelo	 Código	 Civil	
de	 1916,	 conforme	 cita	 Silva	 (2004),	 atualmente,	 é	 regido	 pelo	 que	 dispõe	 o	
Estatuto	da	Terra	(Lei	n.	4.504/64)	e	regulado	pelo	Decreto	Federal	n.	59.566/66,	
salientando-se	também,	que	o	parceiro	agrícola	é	amparado	quanto	a	seus	direitos	
previdenciários	baseado	no	que	dispõe	as	leis	n.	8.212/91	e	8.213/91,	na	categoria	
de	“segurado	especial”	(BRASIL,	2002,	p.	32-80).
MATÉRIAS	E	MÉTODOS
Pesquisa	realizada	através	de	estudos	de	caso,	seleção	não	probabilística	
por	 tipicidade,	 está	 em	 curso	 desde	 05/04/2006,	 em	 propriedades	 agrícolas	
localizadas	nos	municípios	de	Almadina,	Coaraci,	Itajuípe,	Uruçuca	e	Ilhéus,	que	
fazem	parte	da	bacia	do	Rio	Almada,	na	microrregião	cacaueira,	no	sul	do	estado,	
uma	das	mais	tradicionais	subregiões	onde	a	cultura	do	cacau	foi	implantada	na	
Bahia;	sendo	assim,	os	dados	e	informações	aqui	trabalhados	são	preliminares.	
UNIDADE 3 | MÉTODOS INTERVENTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL
124
Inicialmente,	 realizou-se	 a	 busca	 de	 informações	 através	 de	 pesquisas	
bibliográficas,	 para	 configuração	do	 embasamento	 teórico	 e	 conhecimento	das	
características	da	parceria	agrícola.	Posteriormente,	buscou-se	analisar	o	contexto	
das	parcerias	na	região	cacaueira,	através	de	dados	secundários,	observações	e	
informações	colhidas	em	contatos	com	os	sujeitos	da	pesquisa.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A	parceria	agrícola	familiar	surgiu	na	região	cacaueira,	portanto,	no	vácuo	
da	descapitalização	financeira	 e	do	desemprego	que	 se	 abateu	 sobre	 a	 cultura	
agrícola	 regional,	 tornando-se	 uma	 alternativa	 para	 equacionar	 as	 condições	
sociais	adversas.
Mesmo	 ainda	 pairando	 a	 suspeita	 de	 que	 o	 sistema	 seria	 uma	 forma	
disfarçada	 de	 expropriar	 direitos	 dos	 trabalhadores,	 prejudicando-os	
economicamente	e	favorecendo	apenas	o	outorgante.
Cabe	 ressaltar	 que	 o	 trabalhador,	 ao	 tornar-se	 um	 participante	 ativo	
e	 corresponsável,	 através	 do	 sistema	 de	 parceria	 familiar,	 trabalha	 com	mais	
interesse,	objetivando	uma	parcela	cada	vez	maior	do	produto,	conforme	expõe	
Santos	 (1997),	 proporcionando	 uma	 maior	 produtividade	 da	 mão	 de	 obra	 e	
satisfação	aos	seus	integrantes.
Sendo	 assim,	 o	 processo	 de	 transformação	 do	 cenário	 de	 crise	 passa	
necessariamente	pela	transformação	da	mentalidade	do	cacauicultor,	deixando	de	
ser	o	“Coronel	do	Cacau”	para	se	transformar	no	empresário	rural	na	alternativa	
estrutural	da	parceria.
Cabe	ressaltar	que	o	enfrentamento	da	crise	passa	pela	reestruturação	de	
toda	 cadeia	produtiva	do	 cacau,	principalmente	no	que	 se	 refere	 às	 inovações	
tecnológicas	apropriadas	à	realidade	local.
Neste	 sentido,	 a	 atividade	 produtiva	 necessita	 de	 empreendedores,	
de	 indivíduos	 aptos	 e	 capacitados,	 que	 impulsionem	 o	 desenvolvimento	
econômico,	 principalmente	 na	 área	 rural.	 As	 relações	 de	 trabalho	 devem	
ser	repensadas	para	se	adequar	às	necessidades	do	sistema	produtivo	e	dos	
direitos	e	deveres	de	seus	participantes.
Mas,	o	crescimento	econômico	e	a	melhoria	da	qualidade	de	vida	na	região	
cacaueira,	não	dependem	única	e	exclusivamente	da	parceria	agrícola,	mas	de	
um	conjunto	de	fatores	como	a	renovação	genética,	o	novo	manejo	agronômico,via	sincronização	da	produção	e	a	diversificação	através	de	SAFs,	otimizando	a	
utilização	dos	recursos	naturais	e	políticas	públicas	adequadas.
TÓPICO 3 | ESTUDO SOCIOECONÔMICO
125
CONCLUSÕES
Considera-se	ao	final	que	a	expansão	dos	sistemas	de	parceiras	agrícolas	
aconteceu	 em	 função	 do	 problema	 socioeconômico	 que	 se	 agravou	 com	 as	
crises	 da	 lavoura	 cacaueira,	 pois,	 com	 o	 desemprego	 de	 uma	 grande	 parcela	
da	população	que	só	sabia	“lidar”	com	a	cultura	do	cacau,	esta	foi	uma	forma	
encontrada	por	alguns	para	continuar	trabalhando	com	o	que	mais	sabia.	Essa	
relação	 de	 produção	 entre	 proprietário	 e	 funcionários	 com	 base	 nas	 parcerias	
traz	uma	nova	perspectiva,	pois	 se	 conseguir	 articular	 os	 aspectos	dessa	nova	
relação,	com	a	eficiência	econômica	e	preocupações	ambientais	trará	uma	nova	
dinâmica	para	as	demandas	sociais	existentes.	Sendo	assim,	a	eficiência	e	eficácia	
do	 sistema	 de	 parcerias	 condicionam-se	 a	 uma	 mudança	 de	 mentalidade	 do	
cacauicultor	e	à	presença	de	um	trabalhador	participante	ativo	e	corresponsável,	
objetivando	uma	parcela	cada	vez	maior	do	produto,	proporcionando	uma	maior	
produtividade	da	mão	de	obra	e	satisfação	aos	seus	integrantes.
FONTE: SANTOS, Joselito Albano dos; SOUZA, Aline Conceição. Estudo socioeconômico sobre 
a implantação da parceria agrícola na região cacaueira. Disponível em: <http://www.uesc.br/
seminarioic/sistema/resumos/2007258.pdf>. Acesso em: 20 out. 2009.
126
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você viu que:
•	O	 estudo	 socioeconômico	 é	 um	 instrumento	 de	 pesquisa	 também	 utilizado	
pelo	assistente	social	na	sua	prática	interventiva.
•	O	estudo	socioeconômico	segue	alguns	passos:	escolha	do	público	entrevistado;	
coleta	de	dados;	tabulação	dos	dados;	análise	dos	dados.
•	A	pesquisa	 socioeconômica	 permite	 que	 o	 profissional,	 além	de	 conhecer	 a	
realidade	social	e	econômica	do	entrevistado,	 compreenda	as	dificuldades	e	
necessidades	do	indivíduo	e	sua	família.	
127
AUTOATIVIDADE
1	Qual	a	importância	que	você	percebe	no	instrumento	da	ação	profissional	do	
estudo	socioeconômico?	E	de	que	forma	este	instrumento	pode	contribuir	no	
fazer	profissional	do	assistente	social?
2	Você	já	preencheu	um	questionário	ou	entrevista	socioeconômica?	Relate	sua	
experiência	com	este	instrumento	que	pode	ser	utilizado	pelo	profissional	de	
Serviço	Social.
128
129
REFERÊNCIAS
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prática”	em	serviço	social.	Disponível	em:	<http://www.peepss.org/documentos/
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132
ANOTAÇÕES
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