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Instrumentos Diretos (Entrevista, Observação, Acompanhamento, Reunião, etc) TEC CONCURSO INSTRUMENTOS DIRETOS ENTREVISTAS A entrevista no Serviço Social constitui-se então como um processo de diálogo entre o assistente social e os seus usuários, com o objetivo de intervir na realidade social. Sua finalidade deve estar articulada às diferentes dimensões que constituem a competência profissional, sendo elas: teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa.(Lavoratti e Costa, 2016) As entrevistas podem ser entendidas como as conversas, de natureza técnica, estabelecidas entre profissionais e usuários dos serviços, ou com outros agentes institucionais. Por isso implica habilidade técnica dos profissionais para aproximarem-se das famílias, conhecê-las e estabelecer vínculos e, quando realizadas com agentes institucionais, que ela seja efetiva para a geração de informações ou ações necessárias aos objetivos que lhe são propostos (MDS, 2016:31) Atualmente entende-se que, muito mais do que um conjunto de regras e técnicas destinadas a resolver os problemas dos usuários, a entrevista é um instrumental técnico-operativo que permite realizar uma escuta qualificada e estabelecer uma relação dialógica intencional com o usuário (Lavoratti e Costa, 2016). O/a assistente social no momento da entrevista deve pautar-se na história de vida do usuário, que compreende o tempo histórico do sujeito e o tempo histórico social, priorizando o atendimento individual, aprofundando um determinado conhecimento da realidade humana-social, trabalhando a totalidade, lembrando se que o usuário/indivíduo é um ser social. Segundo Sarmento (1994), a entrevista é então uma relação de comunicação vinculada a uma visão de homem e mundo e, portanto, orientada por uma Teoria Social: “a entrevista é sempre uma relação face-a-face entre duas ou mais pessoas, sendo que a diferenciação em seu uso é dada pela maneira e a intenção de quem a pratica, mas reconhecendo que é uma relação de distância e envolvimento, conhecimento e ação, pensamento e realidade, interação e conflito, mudar e ser mudado” (p. 287). (Lavoratti e Costa, 2016) Na perspectiva tradicional a preocupação era com a forma como a entrevista era desenvolvida, com as técnicas utilizadas, com a relação interpessoal estabelecida entre assistente social e “cliente”, com o ambiente onde se realizava este contato, com as habilidades pessoais do assistente social para lidar com situações da intimidade das pessoas, dentre outros elementos que, segundo esta visão, propiciavam o “bom” ou o “mal” desenvolvimento deste instrumento (Lavoratti e Costa, 2016) É através do diálogo que o movimento de ação-reflexão-ação propicia aos envolvidos (assistente social e usuário) o desenvolvimento de um processo de análise crítica da situação, desencadeada a partir da fala do usuário. Fala esta que precisa ser desvelada pelo assistente social a partir da mediação dada pelo referencial teórico e por técnicas de acolhimento, questionamentos, estímulos, apoio, reforço de ideias, dentre outras. “A entrevista possibilita aos sujeitos nela envolvidos contar e desvelar histórias através do uso da linguagem do seu sentido, compreender as experiências e os significados a elas dados...” (LEWGOY e SILVEIRA, 2007, p.249 apud Lavoratti e Costa, 2016). A entrevista é o procedimento mais usual no trabalho de campo. Através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos atores sociais. Ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objeto da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada. Suas formas de realização podem ser de natureza individual e/ou coletiva. Nesse sentido, a entrevista, um termo bastante genérico, está sendo por nós entendida como uma conversa a dois com propósitos bem definidos. Num primeiro nível, essa técnica se caracteriza por uma comunicação verbal que reforça a importância da linguagem e do significado da fala. Já, num outro nível, serve como um meio de coleta de informações sobre um determinado tema científico. Através desse procedimento, podemos obter dados objetivos e subjetivos. Os primeiros podem ser também obtidos através de fontes secundárias, tais como censos, estatísticas e outras formas de registros. Em contrapartida, o segundo tipo de dados se relaciona aos valores, às atitudes e às opiniões dos sujeitos entrevistados. Em geral, as entrevistas podem ser estruturadas e não-estruturadas, correspondendo ao fato de serem mais ou menos dirigidas. Assim, toma-se possível trabalhar com a entrevista aberta ou não-estruturada, onde o informante aborda livremente o tema proposto; bem como com as estruturadas que pressupõem perguntas previamente formuladas. Há formas, no entanto, que articulam essas duas modalidades, caracterizando-se como entrevistas semiestruturadas." ETAPAS DA ENTREVISTA A entrevista, como outros instrumentos, exige um rito para o seu desenvolvimento que chamaremos de etapas, sendo PRIMEIRA :o planejamento, a primeira. Planejar significa organizar, dar clareza e precisão à própria ação; transformar a realidade numa direção escolhida; agir racional e intencionalmente; explicitar os fundamentos e realizar um conjunto orgânico de ações. Nesse sentido, é importante que o assistente social se organize para realizar a entrevista, considerando que sua ação esteja sustentada pelos eixos teórico, técnico e ético-político. O planejamento é uma mediação teórico-metodológica. Para tanto, o entrevistador tem de conhecer a política social para a qual se destina o trabalho da instituição; deve seguir a especificidade para a qual ela terá de responder. Assim, se for para a área da saúde, terá de conhecer as políticas de saúde direcionadas a determinado segmento da população (infância, adolescência, velhice, gênero) e a sua particularidade. Precisa conhecer também a instituição e o seu marco de referência. O segundo passo é estabelecer a finalidade da entrevista, os objetivos e o instrumento da coleta de dados. O terceiro é delimitar o horário e o espaço físico onde será realizada a entrevista, ou seja, um local que propicie a comunicação, o relacionamento e o respeito ao usuário. A segunda etapa da entrevista é a sua execução propriamente dita e se constitui de momentos que se entrecruzam através de estágios do prelúdio ou etapa social, da coleta de dados ou focalização, do contrato, da síntese, e da avaliação. A coleta de dados requer habilidades do entrevistador na identificação e na seleção das necessidades e demandas apresentadas pelos entrevistados. (...) A terceira etapa é a do registro da entrevista que se fundamenta no direito do usuário em ter a evolução do seu atendimento documentado e no acesso aos dados registrados, sendo este intransferível. O registro também tem como objetivo contribuir para a integralidade do atendimento e compartilhar o conhecimento com os demais trabalhadores da instituição. Quando for em prontuário único, deve ser sintético, sem perder a profundidade, e a sua elaboração pode ser durante ou imediatamente após o atendimento. A linguagem deve ser clara, objetiva e com impecável correção gramatical, evitando-se o uso de adjetivos os quais expressam juízo de valor. Síntese integradora O encerramento da entrevista é introduzido pela elaboração da síntese integradora daquele momento e não pode ser confundida com resumo. Ela não tem o caráter de finalização e sim de sínteses provisórias que vão processualmente se transformando A conceituação de síntese alude à capacidade de extrair um denominador comum entre as inúmeras comunicações provindas durante a entrevista, que muitas vezes aparentam diferenças entre si, mas que simbolizam significações opostas que fazem parte das contradições. A síntese consiste em fazer uma totalidade, enquanto juntar consiste em fazer uma nova ligação, isto é, ligar um fato a outros que estavam aparentemente desconectados. A síntese também retoma os objetivos da entrevista, elaborandoas hipóteses ali implicadas e quais as estratégias necessárias para encontrar as respostas esperadas. O usuário tem de participar, manifestar o seu pensamento sobre o que lhe foi apresentado e responsabilizar-se pela evolução. É o momento de afirmação de alianças e de renovação do contrato de trabalho. Por tudo isso, o término da entrevista não deve se transformar em conversa social, sem nenhuma relação com a temática que foi discutida. REUNIÃO A reunião é o instrumento privilegiado no contexto das abordagens grupais, especialmente no âmbito das ações de atendimento direto às famílias, pois permite o encontro de sujeitos que muito podem se beneficiar da convivência e da troca de informações e experiências. Esses benefícios relacionam-se tanto ao desenvolvimento pessoal dos participantes quanto às possibilidades de engajar-se em processos coletivos que visam alterações nas suas condições de vida (MDS, 2016:32). ASSEMBLEIAS As assembleias, geralmente vinculadas às ações de caráter político-organizativo, referem-se à reunião de um grupo maior de pessoas, que possuindo um interesse em comum, se reúne para analisar, discutir e decidir sobre determinados assuntos (MDS, 2016:32) VISITA DOMICILIAR As visitas domiciliares, como o próprio nome indica, são as aproximações realizadas com as famílias em suas próprias residências visando conhecer melhor suas condições de vida (residência, território) e os aspectos do cotidiano das relações desses sujeitos (...)destaca-se a questão da preservação da privacidade e do respeito à individualidade e aos modos de vida das famílias. Isso implica consentimento dos grupos familiares para realização das visitas domiciliares e também agendamento prévio com as famílias, sempre que possível (MDS, 2016:32) A Visita Domiciliar é uma prática profissional investigativa ou de atendimento, efetuada por profissionais junto ao indivíduo em seu próprio meio social ou familiar, os quais desenvolvem as técnicas de observação, de entrevista e de relato oral(...) a Visita Domiciliar é uma técnica que permite melhor aproximação da realidade do indivíduo ou do grupo aos serviços, permitindo ao profissional melhor entendimento da situação em que se encontra o visitado. Para o sucesso dessa prática profissional é essencial que se faça um planejamento prévio, a fim de possibilitar a melhor intervenção. Assim é essencial que o profissional disponha de um roteiro para nortear sua ação A Visita Domiciliar também é instrumento técnico operativo do Serviço Social e constitui prática cotidiana desde os primórdios dessa profissão, o que, no entanto, não lhe garantiu uma discussão teórica sobre o assunto. Ao fazermos o levantamento a respeito da sistematização desta metodologia de trabalho, encontramos somente o livro de Sarita Amaro, acima citado. Apesar disso existe vasto material sobre o núcleo familiar na qualidade de espaço de intervenção do assistente social em uma perspectiva antropológica. Sob essa óptica, considera-se a família como fato cultural, ou seja, como instituição social e historicamente condicionada. É interessante registrar que a Visita Domiciliar é uma das estratégias utilizadas para a adequação do indivíduo à ordem vigente nos primórdios do Serviço Social – início do século XX –, quando assistentes sociais atuam junto a indivíduos com desajustamentos familiares e sociais. No entanto, após a reconceituação do Serviço Social – na década de 1970 –, a exclusão social é entendida como processo político e não mais como problema individual. As políticas sociais são então percebidas como conquistas de cidadania, e a Visita Domiciliar – voltada para um trabalho educativo – passa ser a metodologia aplicada para viabilizar o exercício da cidadania por parte dos cidadãos. “é uma técnica social, de natureza qualitativa, por meio da qual o profissional se debruça sobre a realidade social com a intenção de conhecê-la, descrevê-la, compreendê-la ou explicá-la. O seu diferencial em relação a outras técnicas é que tem por lócus o meio social, especialmente o lugar social mais privativo e que diz respeito ao território social do sujeito: a sua casa ou local de domicílio”. DIALOGO O diálogo constitui um processo de ajuda que visa à transformação social, à responsabilidade da liberdade, pelo próprio exercício desta, no encontro dialogal. O diálogo está caracterizado pela “lógica a dois”, na medida em que cada um entra com sua parte, tornando-se ambos sujeitos do processo. INVESTIGAÇÃO SOCIAL A investigação ou atitude investigativa, utilizada como metodologia crítica, permite aos profissionais os desvelamento de expressões da questão social - objeto de trabalho profissional -, auxiliando tanto na prática quanto no planejamento de estratégias para o alcance das finalidades profissionais. Para tanto, o assistente social deverá imprimir em sua intervenção profissional uma direção, sendo necessário, para isto, conhecer e problematizar o objeto de sua ação profissional, construindo sua visibilidade a partir de informações e análises consistentes - atitude investigativa. Concomitantemente, o trabalho do AS deverá ser norteado por um plano de intervenção profissional objetivando construir estratégias coletivas para o enfrentamento das diferentes manifestações de desigualdades e injustiças sociais, numa perspectiva histórica que apreenda o movimento contraditório do real. Isto pressupõe: a) pesquisar dados de realidade quantitativos, pois de acordo com Martinelli (1994), as pesquisas quantitativas são imprescindíveis para trazer retratos da realidade, dimensionar os problemas que se investiga; b) investigar sobre as informações qualitativas da realidade. Conforme Martinelli (1994), as metodologias qualitativas aproximam pesquisador/sujeitos pesquisados, permitindo ao primeiro conhecer as percepções dos segundos, os significados que atribuem a suas experiências, seus modos de vida, ou seja, oferece subsídios para trabalhar com o real em movimento, em toda a sua plenitude; c) desvendar e problematizar a realidade social, apreendendo os modos e as condições de vida dos sujeitos com seus condicionantes históricos, sociais, econômicos e culturais, e também seus anseios, desejos, necessidades, demandas; d) intervir na realidade social com base na apreensão do movimento contraditório do real, a partir do seu desvendamento e problematização, e também de pesquisas sobre dados da realidade dos sujeitos. ACOMPANHAMENTO SOCIAL acompanhamento social, em apertada síntese, é caracterizada por um processo de trabalho que requer do profissional técnicas e estratégias para viabilizar alternativas ora geradas pelos usuários. PESQUISA DE CAMPO De acordo com Maria Piana, a pesquisa de campo "é o tipo de pesquisa que pretende buscar a informação diretamente com a população pesquisada", requerendo do pesquisador ir ao espaço onde o fenômeno social ocorre. INSTRUMENTOS INDIRETOS Instrumentos Indiretos (Estudo, Parecer, Relatório, Estudo e Perícia Social) . No âmbito do sociojurídico, o estudo social é um dos instrumentos técnicos da profissão mais utilizados, constituindo como uma das ferramentas mais complexas e ricas nesse espaço profissional. Nesse sentido, o estudo social é caracterizado, metodologicamente, como um instrumento de trabalho que proporciona a direção para a utilização de outros instrumentos, a exemplo da visita domiciliar ou institucional, a entrevista, a observação, a bagagem teórica, entre outros. Assim, o estudo social, quando utilizado criticamente, proporciona ao profissional a orientação do seu trabalho, viabilizando ações planejadas e problematizando a realidade ora investigada e analisada. Por fim, deixo o quadro com quatro definições de autoras de referência acerca do Estudo Social, resumidas no quadro com os principais instrumentos indiretos. Autor Mioto (2001) Fávero (2003) Freitas (2003) Magalhães (2004) Instrumento Estudo Social Instrumento para conhecer e analisar a situação vivida por determinados sujeitos ou grupos de sujeitos sociais o qual fomos chamadosa opinar [...] consiste numa utilização articulada de vários outros instrumentos [...] entrevistas individuais ou conjuntas, a observação, a visita domiciliar e análise de documentos. Processo metodológico específico do Serviço Social, tem a finalidade de conhecer com profundidade, e de forma crítica, uma determinada situação ou expressão da questão social, objeto de intervenção profissional [...] de sua fundamentação rigorosa, teórica, técnica e ética baseada no projeto da profissão. Consiste em coletar dados, a partir de instrumental definido pelo assistente social e interpretar esses dados a partir do referencial teórico, elaborando opinião profissional sobre a situação. Demanda leituras e conhecimento especifico, exige o uso de instrumentos apropriados, de leituras, análises, de tempo para avaliação e elaboração de texto. Instrumento Perícia Social Processo através do qual um especialista realiza exame de situações sociais com finalidade de emitir um parecer sobre a mesma. Pericia - latim peritia, que significa conhecimento adquirido pela experiência que resulta em saber, talento e perícia. São partes essenciais: o estudo social, parecer social e a elaboração de laudo social. Avaliação, exame ou vistoria solicitados e/ou determinados sempre que a situação exigir um parecer técnico ou científico [...] é o estudo social, realizado com base nos fundamentos teórico-metodológicos, ético-político, e técnico-operativos próprios do Serviço Social, e com finalidades relacionadas a avaliação e julgamentos. É o processo pelo qual um especialista assistente social realiza um exame de situações sociais [...] com a finalidade de emitir um parecer, buscando a solução do caso periciado. É um meio probatório com o qual se intenta obter, para o processo, uma manifestação fundada em conhecimentos científicos, técnicos. Meio de prova consistente no parecer técnico de pessoa habilitada. São espécies de perícia: o exame, a vistoria e avaliação. Instrumento Parecer Social Refere-se a opinião fundamentada que o assistente social emite sobre a situação estudada [...] esclarecimentos e análises, com base em conhecimentos específico do Serviço Social. Esclarecimento e análise, com base em conhecimentos específicos do serviço social, relacionados a decisões a serem tomadas [...] pode ser emitido enquanto parte final ou conclusão de um laudo, bem como resposta à consulta ou determinação a respeito de alguma questão constante em processo de acompanhamento pelo assistente social. Etapa onde deverá conter sugestão para solução do conflito do ponto de vista social, é o amálgama entre o conhecimento técnico especializado do perito com a realidade apresentada no estudo social realizado pelo assistente social. É opinião fundamentada, o estudo dos aspectos de uma lei ou de um caso jurídico [...] a opinião do técnico ou perito sobre um assunto de sua especialidade. Resulta tanto do relatório quanto do laudo. Instrumento Laudo Social É um documento resultante do processo de perícia social. Nele estão registrados os aspectos mais importantes do estudo e do parecer social. Utilizado como elemento de "prova" - com a finalidade de dar suporte à decisão a partir da área de conhecimento do Serviço Social [...] oferece elementos de base social para formação de juízo e tomada de decisão. Documento resultante do processo de perícia social [...] considerado retrato de um situação específica, num determinado momento. É o documento contendo parecer ou opinião conclusiva de que foi estudado e observação sobre determinado assunto. Instrumento Relatório Social Realização de forma descritiva análise e interpretação, incorporando referenciais teóricos. Se traduz na apresentação descritiva e interpretativa de uma situação expressa na questão social [...] com a finalidade de informar, esclarecer, subsidiar, documentar um ato processual [...] ou enquanto parte de registro a serem utilizados para elaboração de um laudo ou parecer. É a descrição ou relato do que foi possível conhecer por meio do estudo, ou seja, um parecer ou exposição dos fundamentos de um voto ou de uma apreciação, ou ainda, qualquer exposição pormenorizada de circunstâncias ou objetos. Cristalização profissional efetivada. A produção de documentos e a emissão de opinião técnica por profissionais de Serviço Social, foco deste estudo, esteve presente no exercício do trabalho de assistentes sociais desde o início da profissão e em praticamente todos os espaços sócio-ocupacionais, permanecendo com centralidade na atualidade. Assim, produzir os mais diversos tipos de registros, como informes, relatórios, laudos e pareceres, e manifestar, explícita ou implicitamente - de forma verbal ou por escrito -, opinião sobre a matéria que se apresenta no cotidiano de trabalho, relacionada às mais variadas expressões da questão social, vinculam-se às atribuições e competências profissionais de assistentes sociais, dizem sobre a área e o conhecimento a ela inerente, e revelam a direção social do projeto ético-político da profissão. PERICIA: Utiliza-se no meio judiciário, é requisitado(a) por uma autoridade judiciária, sendo uma avaliação, exame ou vistoria. compreende análise da situação social e emissão de parecer PARECER:. Posição técnica/opinião do(a) assistente social; conclui, indica e sugere alguma recomendação/encaminhamento/solução para a situação demandada. RELATORIO: Apresentação/síntese descritiva e interpretativa do que foi verificado e analisado. ESTUDO: Averiguar alguma situação (familiar e/ou de indivíduos) ou expressão da questão social; o foco da análise recai nos aspectos sociais, econômicos e culturais. LAUDO: Utiliza-se no meio judiciário, é requisitado(a) por uma autoridade judiciária; materializa por escrito um outro instrumento. Deve fornecer suporte para que o magistrado avalie, escolha, decida. ESTUDO SOCIAL Estudo social ou Estudo em Serviço Social origina o relatório ou laudo social . Também denominado , com fundamentação em Mioto, de estudo socioeconômico, o estudo social pode ser definido como o processo de conhecimento, análise e interpretação de uma determinada situação social e ampliada quando se incluem a obtenção e análise de dados sobre as condições econômicas, políticas, sociais e culturais da população atendida em programas ou serviços. ( Cfess, 2022) A partir dessa nova perspectiva paradigmática e da afirmação do compromisso ético político dos assistentes sociais com as classes trabalhadoras, os estudos socioeconômicos ganham uma nova configuração pautada em dois pontos fundamentais. *O primeiro concerne à interpretação das demandas postas aos assistentes sociais pelos indivíduos. Aquelas necessidades trazidas por sujeitos singulares não são mais compreendidas como problemas individuais. Ao contrário, tais demandas são interpretadas como expressões de necessidades humanas básicas não satisfeitas, decorrentes da desigualdade social própria da organização capitalista. Assim, o assistente social tem como objeto de sua ação as expressões da questão social, e essa premissa não admite que se vincule a satisfação das necessidades sociais à competência ou incompetência individual dos sujeitos. *O segundo refere-se ao redimensionamento que a perspectiva crítico-dialética exige da ação profissional no que diz respeito ao seu alcance e direcionalidade. Ao postular que as soluções dos problemas dos sujeitos singulares só se efetivam, de fato, com a transformação das bases de produção e reprodução das relações sociais – superação do modo de produção capitalista –, exige-se que a ação profissional seja pensada na sua teleologia. Para além de sua eficiência operativa ou de sua instrumentalidade, como propõe Guerra (2000), incorpora a elas o compromisso ético com a transformação social. · interpretação das demandas postas pelos indivíduos; e · redimensionamento que a perspectiva crítico-dialética exige da ação profissional no seu alcance e direcionalidade; PARECER SOCIAL A elaboração do parecer social está fundamentada narealização do estudo social de uma dada situação. Parecer social não é relatório, mas, conforme Fávero, constitui-se uma redação sucinta com foco na expressão da questão social analisada e nos objetivos do trabalho. Tem caráter conclusivo ou indicativo ( Cfess, 2022). O parecer social diz respeito a esclarecimentos e análises, com base em conhecimento específico do Serviço Social, a uma questão ou questões relacionadas a decisões a serem tomadas. Trata-se de exposição e manifestação sucinta, enfocando-se objetivamente a questão ou situação social analisada e os objetivos do trabalho solicitado e apresentado; a análise da situação, referenciada referenciada em fundamentos teóricos, éticos e técnicos, inerentes ao Serviço Social — portanto, com base em estudo rigoroso e fundamentado — e uma finalização, de caráter conclusivo ou indicativo. LAUDO SOCIAL É o documento ESCRITO que CONTÉM PARECER OU OPINIÃO TÉCNICA CONCLUSIVA do que foi estudado e observado sobre determinado assunto. Envolve uma AVALIAÇÃO MAIS DETALHADA do que foi estudado ou ainda a opinião de técnico relativa a um caso ou assunto Registro que documenta as informações significativas , recolhidas por meio do estudo social e , em regra, tem parecer conclusivo, do ponto de vista do Serviço Social. O laudo documenta a intervenção , direciona a atuação profissional e oferece uma opinião técnica (Cfess, 2022) RELATORIO SOCIAL O relatório social, como documento específico elaborado por assistente social, se traduz na apresentação descritiva e interpretativa de uma situação ou expressão da questão social, enquanto objeto da intervenção desse profissional, no seu cotidiano laborativo. Esse instrumento é uma exposição do trabalho realizado e das informações adquiridas durante a execução de determinada atividade. Semanticamente falando, é o relato dos dados coletados e das intervenções realizadas pelo Assistente Social . O relatório social pode ser mais ou menos detalhado, pode documentar informações e análises relativas a atendimentos e acompanhamento de uma situação em diferentes momentos (Cfess,2022). O relatório social é o documento no qual constam o registro do objeto de estudo, a identificação dos sujeitos envolvidos e um breve histórico da situação, a finalidade à qual se destina, os procedimentos utilizados, os aspectos significativos levantados na entrevista e a análise da situação. O profissional deve valer-se de suas competências teóricas, éticas e técnicas para avaliar os aspectos importantes a serem registrados, considerando aqueles que, de fato, podem contribuir para o acesso, a garantia e a efetivação de direitos (Fávero,2009) O relatório social, por sua vez, apresenta de maneira descritiva e interpretativa o registro de uma ou mais entrevistas, iniciais ou de acompanhamento. Esse documento também pode ser mais detalhado, dando conta de uma entrevista aprofundada, de maneira a registrar os aspectos do caso pertinentes à área de atuação do Serviço Social (Fávero, 2009) (DIARIO DE CAMPO) diário de campo é um instrumento que auxilia bastante o profissional nesse processo. Trata-se de anotações livres do profissional, individuais, em que o mesmo sistematiza suas atividades e suas reflexões sobre o cotidiano do seu trabalho “o diário de campo registra a ação diária individual do profissional. No entanto, ele não pode ser apenas um registro da ação; ele deve conter, também, as impressões, a análise do trabalho do dia, as sugestões de mudança, as tarefas do dia seguinte etc. Esse é um recurso técnico geralmente pouco utilizado na prática profissional, porque o cotidiano nos absorve, deixando pouco espaço para sua elaboração. Contudo, como ele possibilita uma riqueza muito grande de informações do trabalho como um todo, é importante que vençamos as dificuldades para adquirirmos o hábito de priorizá-lo. Em pesquisas científicas, ele é um recurso técnico da maior relevância”. (MARCONSIN, 2012, p. 73 apud CFESS, 2022, p. 137) LIVRO DE REGISTRO O Livro de Registro é um instrumento bastante utilizado, sobretudo em locais onde circula um grande número de profi ssionais. Trata-se de um livro onde são anotadas as atividades realizadas, telefonemas recebidos, questões pendentes, atendimentos realizados, dentre outras questões, de modo que toda a equipe tenha acesso ao que está sendo desenvolvido (SOUSA, 2008) Dimensão Palavra-chave Conceito Desenvolvido Ético-política Poder No que se refere à competência ético-política, no exercício da profissão o profissional não pode ser neutro, é necessário que tenha posicionamento político frente às demandas existentes, obtendo clareza da sua prática profissional tendo conhecimento de como, onde e quando intervir, lutando pela garantia dos direitos sociais porque, o trabalho do assistente social está inserido nas relações da sociedade capitalista, espaço este, que existem diversas contradições. Assim, é importante ressaltar que, cada profissional deve abster-se de posicionamentos neutros e conservadores, seguindo os valores éticos presentes em seu Código de Ética Profissional. Desse modo, o assistente social deve ser capaz de articular sua intervenção aos interesses da classe trabalhadora. Teórico-metodológica Saber Por fim, a dimensão teórico-metodológica permite ao profissional a descoberta de novos caminhos para o exercício profissional do assistente social. O assistente social deve conhecer a realidade social na qual vai intervir, seja no âmbito político, econômico, social e cultural. Para que essa competência seja efetivada faz-se necessário um intenso rigor teórico metodológico no qual, o assistente social seja capaz de enxergar a realidade para além da aparência, da superficialidade, que seja preparado para ir além do senso comum. “A busca de novos caminhos passaria por uma apropriação mais rigorosa da base teórico-metodológica.” Técnico-operativa Fazer Com relação à dimensão técnico-operativa do Serviço Social, o profissional deve ser qualificado, conhecer e se apropriar de habilidades e técnicas que lhe permitam efetivar seu trabalho junto à população usuária e às instituições contratantes, respondendo às demandas colocadas tanto pelas instituições empregadoras quanto pelos objetivos de sua intervenção na dinâmica da realidade social. Nesse sentindo, a dimensão técnico-operativa do Serviço Social, deve vir acompanhada das demais competências profissionais mencionadas acima, porque ela por si só é insuficiente para propiciar uma atuação crítica e eficaz.