aula 1 consumidor
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aula 1 consumidor


DisciplinaDireito do Consumidor8.808 materiais32.812 seguidores
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Elementos da relação de consumo 
Elementos subjetivos: 
\uf0b7 Consumidor 
\uf0b7 Fornecedor 
 
Elementos objetivos: 
\uf0b7 Produto 
\uf0b7 Serviço 
 
 
Consumidor: padrão (art. 2º, caput, CDC). Toda PF ou PJ que adquire produto 
ou serviço como destinatário final. 
 
Destinatário final fático (retira o produto/serviço do mercado) e econômico 
(dá fim à cadeia de consumo). Usa o produto/serviço para fins pessoais, 
retirando-o definitivamente do mercado (exaure a função econômica do 
bem/serviço) -> teoria finalista ou subjetiva. 
 
Fica excluído do CDC o consumo intermediário -> aquele que o produto retorna 
para a cadeia de produção e distribuição, compondo o custo e, portanto, o 
preço final de um novo bem ou serviço. 
 
Teoria finalista pode ser mitigada em certos casos pelo STJ -> finalismo 
aprofundado. A jurisprudência do STJ, tomando por base o conceito de 
consumidor por equiparação (art. 29, CDC) tem evoluído para a aplicação 
temperada da teoria finalista. 
 
O uso do finalismo aprofundado é usado em certos casos. Há pessoas que 
estavam sendo afastadas do conceito de consumidor e o STJ para "abraçá-
las" mitigou o critério subjetivo dado pela lei. Deve ser valorado o princípio da 
vulnerabilidade (principal característica do consumidor). 
 
\uf0b7 Hipossuficiência é diferente de vulnerabilidade -> esta está atrelada a 
critérios de direito material enquanto aquela está atrelada a critérios de 
direito processual. 
 
Há 4 espécies de vulnerabilidade: 
 
\uf0b7 Técnica: falta de conhecimentos técnicos do produto/serviço. 
 
\uf0b7 Jurídica: falta de conhecimentos jurídicos (+ contábil). 
 
\uf0b7 Real ou fática: fornecedor tem um poderio econômico muito maior que o 
consumidor; exercício de monopólio do fornecedor. 
 
\uf0b7 Informacional: falta de adequada informação do produto/serviço. 
 
\uf0b7 Julgados finalismo aprofundado. 
 
 
Consumidor por equiparação: art. 2º, parágrafo único; art. 17 e art. 29 do CDC. 
Não faz parte diretamente da relação de consumo, mas é vitimado por um 
acidente de consumo. 
 
Ex.: negativação indevida (ação indenizatória com pedido de tutela de urgência 
- dano moral in re ipsa). Nesse caso, pode figurar com consumidor por 
equiparação -> ação indenizatória (art. 6º, VI; art. 14; súmula 479 e art. 17). 
Súmula 479, STJ: abertura de CC fraudulenta faz com que a instituição 
financeira responda objetivamente. 
 
Ex.: festa de aniversário na qual o aniversariante encomenda salgados. Estes 
fazem mal a ele e aos convidados (infeção intestinal). O aniversariante é o 
consumidor padrão enquanto que os convidados são consumidores por 
equiparação (coletividade). Ação indenizatória - art. 6º, VI e art. 12. 
 
Ex.: queda de avião em cima de uma residência. A vítima é um consumidor por 
equiparação da empresa área. 
 
\uf0b7 Quando se aplica o CC e quando se usa o CDC? 
CDC - habitualidade. Ex.: concessionária. 
CC - quando não há habitualidade. Ex.: eu vendo meu carro. 
 
 
Fornecedor: é toda PF ou PJ, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem 
como os entes despersonalizados (atuam no mercado, mediante habitualidade, 
sem ter registro). 
 
Produto: art. 3º, § 1º. Qualquer bem móvel ou imóvel, material ou imaterial. 
 
Serviço: art. 3º, § 2º. Qualquer atividade prestada no mercado de consumo 
mediante uma remuneração, salvo de caráter trabalhista. 
 
A remuneração pode ser direta (paga e recebe) ou indireta (camuflada -> 
estacionamento "gratuito" - aparente - de mercado, no qual o valor está 
embutido nos produtos e serviços do mercado). Na remuneração indireta 
também aplica-se o CDC. 
 
Súmula 608 e 563 STJ. 
Planos de saúde -> aplica o CDC -> salvo os de autogestão. 
 
\uf0b7 Não se aplica o CDC na relação de locatário e locador -> lei de locação. 
\uf0b7 Não se aplica CDC na relação entre franqueado e franqueador. 
\uf0b7 Não se aplica CDC na relação entre condômino e condomínio. 
 
Relação entre condômino e prestadora de serviço para o condômino -> relação 
de consumo. 
 
 
Direitos básicos 
Art. 6º, CDC. Rol de natureza exemplificativa. 
 
Inc. V - modificação ou revisão de cláusulas. 
 
A modificação se dá diante de prestação desproporcional -> lesão -> causa 
concomitante (contrato já nasce desiquilibrado). Teoria da lesão. 
 
A revisão ocorre quando há onerosidade excessiva causada por fato 
superveniente (contrato se torna desiquilibrado). Fato superveniente é previsto, 
mas não esperado. Teoria da base objetiva do negócio jurídico. 
 
CDC não adotou a teoria da imprevisão -> doutrina majoritária. 
 
 
Teoria da imprevisão x Teoria da base objetiva do negócio jurídico. 
 
\uf0b7 Teoria da imprevisão: art. 478, CC. Fato extraordinário e imprevisível. 
Contrato de execução continuada/diferida. Onerosidade excessiva + 
extrema vantagem para outra parte. Resolução (revisão -> doutrina e 
jurisprudência). Francesa. 
 
\uf0b7 Teoria da base do negócio jurídico: art. 6º, V, 2º parte, CDC. Fato 
superveniente. Contrato de execução continuada/diferida. Onerosidade 
excessiva. Revisão. Alemanha. 
 
 
Inc. VI - prevenção/reparação dos danos. 
 
CDC busca prevenir um dano (seja material, moral, estético, perda de uma 
chance, desvio produtivo do tempo do consumidor) e, se houver, deve-se 
reparar o injusto. 
A responsabilidade civil é um dever sucessivo que surge em razão da violação 
de um dever originário (não causar danos a outrem). 
 
Danos materiais (emergentes e lucros cessantes). 
Danos morais. 
Danos estéticos (súmula 387, STJ). 
Perda de uma chance. 
Desvio produtivo do consumidor. 
 
 
Resolução de questões 
01. (XXIII Exame) Após sofrer acidente automobilístico, Vinícius, adolescente de 
15 anos, necessita realizar cirurgia no joelho direito para reconstruir os 
ligamentos rompidos, conforme apontam os exames de imagem. Contudo, ao 
realizar a intervenção cirúrgica no Hospital Boa Saúde S/A, o paciente percebe 
que o médico realizou o procedimento no seu joelho esquerdo, que estava 
intacto. Ressalta-se que o profissional não mantém relação de trabalho com o 
hospital, utilizando sua estrutura mediante vínculo de comodato, sem relação de 
subordinação. Após realizar nova cirurgia no joelho correto, Vinícius, 
representado por sua mãe, decide ajuizar ação indenizatória em face do Hospital 
Boa Saúde S/A e do médico que realizou o primeiro procedimento. Em face 
do exposto, responda aos itens a seguir. 
 
A) Na apuração da responsabilidade do hospital, dispensa-se a prova da culpa 
médica? 
Não. A responsabilidade pessoal do profissional será apurada mediante 
verificação de culpa, conforme prevê o art. 14, §4º, do CDC. A inclusão do 
hospital, que responde objetivamente, na forma do art. 14, caput, do referido 
diploma, não tem o condão de dispensar a prova da culpa médica. Desse modo, 
o hospital responde solidária e objetivamente, dispensado a prova de sua culpa 
na causa do dano, mas depende de comprovação da culpa do médico na forma 
do art. 14, §4º, da Lei 8078/90. 
 
Aconteceu um acidente de consumo diante do serviço médico prestado. O 
profissional liberal só será responsabilizado subjetivamente (verificação de 
culpa) quando estiver diante de fato do serviço. Art. 14, §4º. 
 
Demais casos (fato do produto, vicio do produto, vicio do serviço) o profissional 
liberal responde de forma objetiva. 
 
B) O procedimento do juizado especial cível é cabível? 
Não. Conforme art. 8º, caput, da Lei 9099/95, não poderão ser partes no 
processo instituído por essa lei o incapaz, o preso, as pessoas jurídicas de direito 
público, as empresas públicas da União, a massa falida e o insolvente civil. Como 
o autor da ação é um adolescente de 15 anos, trata-se de pessoa absolutamente 
incapaz, na forma do art. 3º do CC, motivo pelo qual deve buscar a Justiça 
Comum para o ajuizamento da demanda. 
 
02. (XXII Exame) Danilo ajuizou ação cominatória com