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Psicologia do Trabalho ou Comportamento Organizacional

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Ester Eliane Jeunon
Quem sou eu? Por que me comporto assim? Por que sinto desse jeito sempre que acontece esse tipo de coisa? Por que não sou como fulano? 
Estas e outras perguntas podem ser respondidas da seguinte forma: porque sou diferente… Mas diferente como? Por que? Até quando? Isso só poderá ser respondido se estudarmos a nossa personalidade. Existem pessoas mais calmas, outras mais agitadas; pessoas mais tímidas, outras mais atiradas; pessoas mais distraídas outras mais atentas; umas mais emotivas, outras mais racionais… Como é o certo afinal? Por que sou assim no trabalho e diferente em casa? Calma!!! Se obtivermos sucesso, ao final do estudo do tema poderemos ter ótimas pistas para essas respostas e mais, será bem menos difícil compreender o comportamento de nossos chefes e colegas no trabalho.
A palavra personalidade tem origem na palavra grega persona, que significa soar através de e que traduzimos por máscara. Isso! Aquelas máscaras utilizadas no teatro grego eram chamadas de persona.
Podemos, então, definirmos personalidade como um conjunto de traços e características pertencentes a uma única pessoa e que a distingue das demais. Esse conjunto de traços envolve a representação de diversos papéis sociais, ou máscaras sociais que representamos com uma certa coerência em função da interação do que somos com o que estamos. Pense bem! No teatro, um mesmo papel pode ser interpretado por diversos atores. Embora o autor determine o tipo de comportamento do personagem, é o ator que lhe encarna características em função de observações pessoais, laboratórios, etc. Quando o ator interpreta o personagem, ele coloca muito de si em sua composição. Isso é fruto de sua avaliação pessoal daquele personagem. Essa avaliação, que é subjetiva, internalizada pelo modo de ser e pensar do ator, se integra às características objetivas do personagem determinada pelo autor. Imagine, agora, se o ator é aquilo que pensamos em nosso íntimo a respeito de uma função no trabalho, o personagem é o cargo que vamos ocupar e o autor é a descrição das funções determinadas pela Administração. Pronto! Podemos imaginar que embora todas as pessoas com o mesmo cargo podem interpretar diferentemente as mesmas funções. Como no teatro o importante é agradar ao público, na organização acontece o mesmo só que chamamos de cliente interno ou externo. Entretanto, alguns atores são mais adequados a alguns papéis. Você não acharia estranho a Fernanda Montenegro encarnando como personagem uma adolescente em filme pornô? Pois é! A personalidade não combina com o papel. Provavelmente o diretor não deve ter estudado Psicologia do Trabalho ou Comportamento Organizacional.
Como se forma a personalidade de uma pessoa?
Essa é uma questão muito importante porque mostra uma interação de aspectos que a gente vive separando: o biológico, o psicológico e o social.
A personalidade começa a se formar no momento na fecundação (carga genética) e desenvolve-se por toda a vida. Desde as diversas interações afetivas, da aprendizagem nos mais diversos grupos a que pertencemos, aos valores sociais de nossa cultura, passando pelas nossas experiências subjetivas (intrapessoais) que temos em diversas situações na vida. Temos, pois, uma estrutura que é mais permanente ao longo da vida e uma dinâmica da personalidade que assegura maior ou menor adaptação aos contextos dos quais participamos ora como sujeitos ora como objetos.
Entre as diversas abordagens da Psicologia diversos teóricos focalizaram aspectos da formação da personalidade. Podemos, pois, estudar alguns. Vamos sugerir uma pesquisa dos seguintes teóricos:
Sigmund Freud
B. F. Skinner
Frederick Perls
Alfred Adler
Carl Rogers
Seria, ainda, conveniente se você procurasse saber como a cultura oriental concebe a personalidade. Nesse caso, procure saber sobre o pensamento do zen-budismo e da tradição hindu do Yoga. Tenho certeza que vai ser uma viagem interessante. Se você tiver dificuldade em encontrar uma fonte para a pesquisa, procure-a no livro Teorias da Personalidade de Fadiman & Frager, da editora Harbra (vide bibliografia). Se puder, pesquise também na internet.
Após compreender os principais conceitos, os fatores que influenciam o desenvolvimento da personalidade e também o que pode ser obstáculo ao desenvolvimento (o livro é bem claro quanto a esses pontos), responda as seguintes questões:
O que a organização pode fazer para favorecer o desenvolvimento do trabalhador?
Como a organização pode interferir negativamente no desenvolvimento do trabalhador?
Considerando as respostas acima, qual é o papel do Administrador voltado para o crescimento das pessoas?
O quanto nossa empresas estão preparadas para atender a essas necessidades?
As consequências de uma pessoa bem equilibrada com os seus afazeres sociais geram uma maior tranquilidade social. Ao contrário, além do enorme sofrimento pessoal, do alto custo direta ou indiretamente seja do tratamento ou de suas consequências e de outros impactos sociais não menos importantes e bastante diversificados, não estaremos construindo um mundo mais habitável para nós mesmos; não estaremos administrando adequadamente o espaço em que coabitamos.
Todo o processo de desenvolvimento da Inteligência Emocional parte do desenvolvimento de nossa personalidade. Dificilmente saberemos lidar com o outro não conseguirmos lidar com nossas próprias demandas.
Os dois primeiros passos da Inteligência emocional consiste em
Reconhecer os seus sentimentos e emoções (ter autoconsciência).
Saber lidar com seus sentimentos e emoções.
Você sabe identificar os porquês do seu comportamento? Se a resposta for afirmativa você já atende 20% do que precisa para desenvolver o seu QE.
Você consegue lidar com os seus comportamentos que lhe são indesejáveis? Se a resposta for positiva já conseguiu mais 20%. Caso contrário, procure uma orientação leiga – mas, amiga - ou profissional.
Se alguém responder as duas questões negativamente eu não tenho qualquer sugestão pois a pessoa nem sequer sabe que tem um problemão.
Para não mudar de assunto (afinal estamos falando da dimensão intrapessoal), vamos tratar agora de mais 20% da nossa inteligência emocional. O terceiro ponto fundamental ao desenvolvimento do QE é motivar-se. Isso é algo muito vago se não compreendermos bem de que se trata. Vamos cuidar disso. Se você estiver com sede, antes de ler vá até a cozinha e sirva-se; se estiver no trabalho e preocupar-se com a chegada repentina do seu chefe, deixe para estudar depois. Como veremos esses são alguns truques para conseguirmos ficar mais motivados para o trabalho que ora nos propomos.
Motivação é uma palavra derivada do latim movere, ou seja, colocar em movimento. Ela nasce de um estado de necessidade interna (na dinâmica da nossa personalidade) e nos impele a buscar no ambiente externo alguma forma de satisfação dessa necessidade. Assim, podemos esquematizar a sua dinâmica:
Embora os fatores do meio como a Educação que recebemos ou a cultura em que estamos inseridos, etc., contribuam significativamente para a criação das nossas necessidades, elas serão sempre internas, fruto da nossa dinâmica intrapessoal (psicológica). Queremos dizer que a motivação nasce de nossas necessidades pessoais, íntimas, embora nem sempre estejamos conscientes dela. Ninguém pode criar essa necessidade, uma vez que ela é tão pessoal quanto a nossa personalidade (aliás, faz parte dela). Por exemplo, ninguém pode fazer com que sintamos sede ou sono, ninguém pode fazer com que desejemos uma posição de destaque. Poderá nos convencer disso ou daquilo, podem salgar nossa comida, pode manipular, etc. Isso significa que poderão nos mobilizar para uma ação, mas a motivação nascerá sempre de necessidades pessoais. Qual a diferença, então entre mobilização e motivação?
Motivação nasce das necessidades intrínsecas (motivos internos); mobilização nasce de estímulos externos.
A motivação não cessa enquanto não suprirmos a necessidade; na mobilização, deixando de estimular