Prévia do material em texto
1 Utilidades Industriais Prof. Me. Elenilson Tavares Cabral 170101295@prof.uninassau.edu.br 2 A American Society for Testing and Materials (ASTM) define o petróleo como: "uma mistura de hidrocarbonetos, de ocorrência natural, geralmente no estado líquido, contendo ainda compostos de enxofre, nitrogênio, oxigênio, metais e outros elementos". INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Introdução 3 O termo “petróleo” origina-se do latim, Petra=rocha e oleum=óleo. É o nome dado às misturas naturais de hidrocarbonetos que podem ser encontradas no estado sólido, líquido ou gasoso, a depender das condições de pressão e temperatura a que estejam submetidos. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Introdução 4 Origem do Petróleo 1. Teoria Biogênica: petróleo é formado a partir da sedimentação de variadas matérias em depressões da crosta terrestre. Estes sedimentos resultado da erosão de rochas antigas e de microorganismos de natureza animal ou vegetal, foram acumulados durante milhões de anos em fundos de lagos ou mares pobres em oxigênio e se converteram em rochas. Essas camadas sobrepostas formaram as bacias sedimentares. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Introdução 5 Origem do Petróleo A ação de bactérias, do calor e da pressão causada por esse empilhamento de novas camadas transformou essa matéria orgânica em querogênio, composto químico a partir do qual são gerados todos os tipos de hidrocarbonetos. Ao serem submetidos a temperaturas da ordem de 80°C, as moléculas de querogênio se partem e dão origem ao óleo, com gás associado. Acima de 130°C, forma-se apenas gás e, acima de 210°C, os hidrocarbonetos desaparecem totalmente, restando apenas vestígios de carbono. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Introdução 6 Origem do Petróleo 2. Teoria Abiogênica: Petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos primordiais de grande estabilidade termodinâmica, formados a altas pressões e temperaturas no manto da terra. Gases primordiais como metano, hélio e nitrogênio conduzem o petróleo para níveis crustais mais rasos, alojando-se em espaços porosos, sobretudo em rochas sedimentares, constituindo os reservatórios. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Introdução 7 Origem do Petróleo Os hidrocarbonetos são excelentes nutrientes para bactérias primitivas que vivem no interior da terra. Essas bactérias contaminam o petróleo com moléculas biológicas chamadas de biomarcadores (biomarkers), além de outros contaminantes também presentes nos sedimentos. Alguns metais, sobretudo níquel e vanádio, mas também cádmio, arsênio, chumbo, mercúrio, platinóides entre outros também estão associados ao petróleo e atestam a origem mantélica. Portanto o petróleo não é um combustível fóssil, como muitos ainda imaginam, mas sim uma substância originalmente inorgânica sobre a qual atuam processos geológicos posteriormente retrabalhados por biologia. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Introdução 8 O petróleo bruto está comumente acompanhado por quantidades variáveis de outras substâncias, tais como água, matéria inorgânica e gases dissolvidos. Uma vez que os constituintes do petróleo, hidrocarbonetos e os demais compostos presentes, podem ocorrer nos estados gasoso, líquido e sólido em proporções variáveis, forma-se uma dispersão coloidal. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Introdução 9 O petróleo, em seu estado natural, não pode ser aproveitado de forma prática para outros fins que não o de fornecimento de energia via combustão, porém sua composição química, baseada em hidrocarbonetos de grande heterogeneidade molecular, abre caminhos para usos industriais especializados e sofisticados, como o requerido pelas modernas máquinas de combustão interna. Assim, o petróleo, também chamado de óleo cru, é a principal matéria-prima empregada para produzir os derivados utilizados tais como combustíveis, lubrificantes e produtos petroquímicos. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Introdução 10 As características dos petróleos variam grandemente de acordo com a região produtora, sendo o petróleo processado uma mistura de vários campos. Na bacia de Campos, nomes de peixes e outros animais marinhos foram dados aos campos de petróleo. É importante frisar que esses nomes não designam características do petróleo, embora, sob o ponto de vista de suas propriedades físico-químicas, o fato de conhecermos a sua origem gera expectativas sobre sua composição e propriedades. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Introdução 11 Tanto a composição química quanto a aparência do petróleo podem variar muito. Seu aspecto pode ser viscoso, com tonalidades desde o castanho-escuro até o preto, passando pelo verde. Quando ocorrem como óleos de baixa densidade, apresentam um alto potencial de produção de derivados combustíveis leves, como a gasolina; quando muito escuros, viscosos e densos, possuem grandes proporções de derivados pesados, como o asfalto. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Composição e Propriedades do Petróleo 12 A composição elementar do petróleo varia pouco, como ilustrado na tabela abaixo, o que pode ser explicado pelo fato de ser constituído por séries homólogas de hidrocarbonetos, que são substâncias compostas por átomos de carbono e hidrogênio, com tamanhos de cadeia que vão desde um átomo de carbono - o metano - até 60 ou mais. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Composição e Propriedades do Petróleo 13 Os outros elementos presentes aparecem geralmente associados às moléculas de hidrocarbonetos e, normalmente, em maiores teores nas frações pesadas do petróleo. A despeito da pequena variação da composição elementar dos petróleos, suas propriedades físicas podem variar bastante de acordo com a proporção dos diferentes tipos de compostos presentes, que podem ser divididos em duas grandes classes: 1. Hidrocarbonetos propriamente ditos; 2. Não hidrocarbonetos: compostos por resinas, asfaltenos e contaminantes orgânicos sulfurados, oxigenados, nitrogenados e organometálicos. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Composição e Propriedades do Petróleo 14 De acordo com o estado físico que a mistura se encontra no reservatório e o estado físico que a mistura estará em condições de separação, podemos classificar em: - Reservatórios de óleo de alta/baixa contração; - Reservatórios de gás úmido; - Reservatórios de gás seco; - Reservatórios de gás retrógrado. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Tipos de Reservatórios de Petróleo 15 As atividades integrantes da cadeia produtiva de petróleo e gás podem ser agrupadas em dois grandes blocos: 1. Upstream: onde se encontram atividades correlatas à exploração e produção do óleo propriamente dito. 2. Downstream ou abastecimento: caracterizado pelas atividades de escoamento, refino, transporte, distribuição e comercialização ou revenda. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo 16INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo 17INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo 18 Exploração Faz-se necessário obter primeiramente a concessão/licitação da exploração de algum campo de produção. No Brasil, o órgão regulador ANP (Agencia Nacional de Petróleo) realiza uma rodada de licitação que dão o privilégio de uma empresa ou um grupo de empresas de explorar uma determinada região por um período de tempo. Este tipo de legislação começou após a quebra do monopólio em 1997. Já foram realizadas varias rodadas de licitações com audiências públicas com a participação de diversas empresas nacionais e internacionais. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo 19 Prospecção/Sísmica Mapeamento geológico do subsolo através da reflexão de ondas sonoras. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo 20 Exploração – Perfuração e Construçãode Poços Consiste basicamente em comunicar o reservatório, localizado no subsolo, com a superfície através de um furo ou poço. A exploração de uma região inicia com um poço pioneiro (primeiro poço de uma região). Somente o poço pioneiro confirmará a existência de óleo ou gás nessa área. Extremamente cara, a perfuração de um poço pioneiro se faz com muita prudência e cautela. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo 21 Exploração – Perfuração e Construção de Poços A perfuração pode ser classificada em: INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo Vertical Desviada tipo J 22 Exploração – Perfuração e Construção de Poços A perfuração pode ser classificada em: INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo Horizontal Desviada tipo S Multilateral 23 Terminação – Testes de Produção Consistem em fluir o poço para determinar diversos parâmetros de fluxo. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo Definir um Modelo ou padrão de fluxo de reservatório para se que possa uma maior otimização da produção. Dimensionar exatamente o tamanho do reservatório; Otimizar a perfuração de poços de desenvolvimento (locais); Estimar o fluxo diário de óleo e gás durante toda a vida útil do reservatório através de complexos softwares de interpretação e simulação de reservatórios; Teste Descritivo + Testes de Produtividade 24 Produção Consiste em transformar o poço perfurado em um poço produtor de óleo e gás. Sistemas de Produção compreendem toda a estrutura por trás da atividade exploratória de petróleo e gás natural. Essa estrutura é montada levando-se em conta características do reservatório, focando sempre a otimização do custo. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo 25 Produção Três principais características de um Sistema de Produção: 1. Tipo de completação (seca ou molhada); 2. Tipo de plataforma (UEP) utilizada; 3. Arranjo submarino (árvores de natal, linhas de produção e equipamentos submarinos - Engenharia Submarina). INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo 26 Produção INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processo Produtivo Esquema básico de produção. 27 Entende-se por processamento primário de petróleo a primeira etapa, ainda na fase de produção pela qual o petróleo passa depois que sai do reservatório e alcança a superfície. O termo primário é usado para distingui-lo do processamento mais complexo, que o petróleo sofre na refinaria. No reservatório de um campo produtor, o petróleo encontra-se em uma fase líquida conhecida como fase oleosa ou simplesmente óleo. No entanto, ao alcançar a superfície, os hidrocarbonetos mais leves e alguns outros gases, como o gás sulfídrico (H2S) e o dióxido de carbono (CO2), aparecem também na fase vapor, em equilíbrio termodinâmico com a fase líquida (óleo). Isso ocorre devido à queda de pressão durante a elevação do petróleo à superfície e às quedas de pressão localizadas em válvulas de controle nas instalações de produção. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 28 Além das fases oleosa e gasosa, um campo de petróleo normalmente produz água, após um certo período de operação do campo, seja por estar presente inicialmente no reservatório ou pela sua injeção, em um processo que visa ao aumento da recuperação do petróleo. Como será visto adiante, na realidade, trata-se de salmoura, uma solução aquosa rica em sais. O processamento primário de petróleo pode ter como objetivos: — promover a separação das três fases mencionadas anteriormente: oleosa, gasosa e aquosa, nos equipamentos conhecidos como separadores; — tratar a fase oleosa para redução do teor da água emulsionada e dos sais nela dissolvidos; — tratar a fase gasosa para redução do teor de água (vapor) e de outros contaminantes, se necessário; — tratar a água separada do petróleo, para descarte e/ou para reinjeção em poços produtores. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 29 Na figura abaixo está representado um esquema com as principais etapas do processamento primário que ocorre na região produtora de petróleo, em instalações de superfície localizadas na terra ou no mar, denominadas instalações de produção. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 30 Dependendo da previsão da quantidade de fluidos produzidos e de um estudo de viabilidade técnico-econômico, a instalação da superfície pode variar em complexidade, sendo que: as mais apenas simples consistem em vasos separadores bifásicos gás/óleo ou trifásicos gás/óleo/água, enquanto as mais complexas, além dos separadores, podem incluir o tratamento e a compressão do gás, o tratamento do óleo e o tratamento da água, tanto para descarte como para reinjeção nos poços. Todo o sistema de produção de petróleo começa na cabeça do poço, por meio de um equipamento constituído por um conjunto de válvulas, denominado árvore de natal, cujo objetivo é controlar a produção dos fluidos. Nesse equipamento, ocorre a maior queda de pressão entre o reservatório e o primeiro vaso separador. Quando dois ou mais poços são alinhados para a mesma instalação de superfície é indicado o uso de um equipamento, conhecido como «manifold de produção", que reúne todos os fluidos e equaliza a pressão de alimentação da instalação de processamento primário. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 31 O sistema de separação utilizado no processamento primário do petróleo é constituído de um conjunto de vasos separadores (bifásicos ou trifásicos) em série, que pode ter várias configurações, que diferem entre si pelo número de estágios utilizados, dependendo da qualidade da separação desejada entre o gás e o óleo e da densidade do petróleo produzido. Tipicamente, petróleos pesados são separados em um ou dois vasos com níveis de pressão diferentes, enquanto os leves podem passar por vasos separadores que operam com até três níveis de pressão: alta, intermediária e baixa, o que permite a maximização da produção de óleo e o processamento, na mesma instalação de produção, de óleos de poços com diferentes níveis de pressão. Mesmo para petróleos muito leves, normalmente não há justificativa económica para mais de quatro estágios. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 32 As correntes gasosas obtidas nos níveis de pressão, baixo e intermediário, precisam ser comprimidas para serem exportadas da instalação, ou para serem levadas às unidades de tratamento do gás. A corrente gasosa final é conhecida como gás natural úmido que normalmente é encaminhada a uma unidade de processamento de gás natural, em terra, para reduzir o teor de hidrocarbonetos mais pesados do que o etano, gerando então o gás natural para o uso final como combustível. Uma parcela do gás é usada como gas lift, no processo de elevação artificial do petróleo, e como gás combustível na própria plataforma. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 33 O petróleo efluente do último estágio de separação possui, em sua composição, uma parcela de água, dispersa no óleo em forma de gotículas de pequeno diâmetro (entre 1 mm e 10 mm), ou seja, emulsionada, a qual deve ser removida do óleo no equipamento denominado tratador de óleo, em que uma combinação de vários métodos é empregada: - adição de compostos químicos desemulsificantes; - aquecimento e aplicação de um campo elétrico; e - separação por gravidade em um vaso de grande diâmetro. A água produzida nos separadores trifásicos e no tratador de óleo, por sua vez, ainda necessita sofrer um tratamento para redução do teor de óleo emulsionado e do óleo arrastado com a água. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primáriode Petróleo 34 Todo esse processamento na instalação de produção visa a atender aos requisitos de exportação do gás e do óleo, bem como aos requisitos de descarte da água produzida, de forma que: - o gás natural úmido deve estar disponível em uma pressão especificada para exportação e não deve conter teores excessivos de H2S, CO2 e H2O (vapor); - o petróleo não pode conter mais do que 1% (em volume) de água emulsionada e de sedimentos (BS&W, Basic Sediments and Water: % em volume de água e sedimentos em relação ao volume total da emulsão) e o teor de sais dissolvidos na água deve ser de, no máximo, 285 mg/L de óleo; - a água produzida deve ser tratada antes de ser descartada para atender às regulamentações ambientais. Por exemplo, no Brasil, de acordo com a Resolução CONAMA 393/07, a concentração média mensal de óleos e graxas é limitada ao valor máximo de 29 mg/L, com valor máximo diário de 42 mg/L, para descarte no mar. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 35 Sistemas de Separação Líquido-Vapor Como mencionado anteriormente, os fluidos provenientes do reservatório passam inicialmente por um sistema de separação, que pode ser simples ou complexo, dependendo da capacidade de produção e das características do campo. É comum a injeção de compostos químicos antiespumantes, para facilitar a separação gás-óleo, e de desemulsificantes, para facilitar a separação óleo-água. Nos sistemas mais simples, tem-se um separador bifásico, líquido-gás, de onde a mistura água-óleo, separada do gás, é normalmente encaminhada para outra instalação, de maior capacidade, para a separação da água, conforme representado na figura do slide seguinte. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 36 Sistemas de Separação Líquido-Vapor Sistemas com separação bifásica. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 37 Sistemas de Separação Líquido-Vapor Outros sistemas empregam um separador trifásico na figura a seguir, a partir do qual o petróleo produzido, praticamente isento de água livre, é encaminhado a outra instalação que disponha do sistema de tratamento de óleo para remoção da água emulsionada. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 38 Sistemas de Separação Líquido-Vapor Finalmente, no sistema mais completo, representado na figura a seguir, a separação trifásica é feita em dois estágios, e, além disso, estão presentes a etapa de desidratação, para remoção da água emulsionada, e a etapa final, de ajuste da pressão de vapor do petróleo, para evitar problemas de segurança no transporte e no armazenamento nos terminais. A decisão de se projetar uma separação bifásica ou trifásica, ou mesmo um sistema completo, é económica, sendo o sistema da figura do próximo slide, o mais comum nas plataformas de grande capacidade de produção. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 39 Sistemas de Separação Líquido-Vapor Sistemas com separação trifásica e tratamento do óleo. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 40 Sistemas de Separação Líquido-Vapor Cabe ressaltar que nos sistemas das figuras anteriores não estão representados os trocadores de calor, em que água quente é usada como meio de aquecimento do petróleo. O objetivo desse aquecimento é facilitar a separação água-óleo, principalmente pela redução da viscosidade do óleo, o que facilita a decantação da água oleosa, que tem maior densidade. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 41 Equipamentos de Separação Líquido-Vapor (Vasos Separadores) A carga que alimenta os vasos separadores é constituída das fases líquida (óleo + água) e gasosa, em íntimo contato, ocorrendo dispersões tanto de gotículas de óleo na fase gasosa como de bolhas de gás na fase oleosa. A concepção e o dimensionamento desses equipamentos baseiam-se no fundamento que rege a operação unitária de sedimentação (ou decantação), a lei de Stokes, equação a seguir, e na termodinâmica, especialmente no equilíbrio líquido-vapor, sendo a separação líquido-gás controlada pela pressão e pela temperatura do sistema. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 42 Equipamentos de Separação Líquido-Vapor (Vasos Separadores) Na equação de Stokes, v é a velocidade de sedimentação das gotas, Ipa - pol é o valor absoluto da diferença entre as massas específicas da água e do óleo, m é a viscosidade da fase contínua, d é o diâmetro das gotículas que sedimentarão ou flotarão, e g é a aceleração devido à força de campo (gravitacional ou centrífuga). Para garantir a melhor separação possível entre as fases, os vasos separadores são normalmente dotados de dispositivos especiais, como, por exemplo, uma placa defletora na entrada e um eliminador de névoa na saída do gás. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 43 Equipamentos de Separação Líquido-Vapor (Vasos Separadores) Os vasos separadores são normalmente classificados em horizontais e verticais, e a seleção da configuração se baseia na proporção líquido/gás da carga e na sua tendência à formação de espuma, de forma que: — os vasos horizontais são normalmente mais eficientes quando é alta a razão gás/óleo ou quando há formação de espuma, pois permitem uma melhor separação das bolhas de gás, devido à maior área interfacial óleo-gás, bem como facilitam a decantação das gotas de óleo arrastadas na fase gasosa, pois elas caem perpendicularmente à direção do escoamento do gás; INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 44 Equipamentos de Separação Líquido-Vapor (Vasos Separadores) Separador bifásico horizontal. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 45 Equipamentos de Separação Líquido-Vapor (Vasos Separadores) INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo - os verticais requerem uma menor área para instalação, e a sua geometria facilita a remoção de sedimentos porventura depositados no fundo. Devido à sua altura, os vasos verticais não são normalmente usados em plataformas, sendo mais usuais em instalações terrestres. 46 Separadores Biásicos INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo Nos separadores bifásicos a mistura gás-líquido, ao entrar no vaso, choca-se com um defletor de entrada, que provoca uma alteração brusca na direção e na velocidade dos fluidos. A parte líquida da mistura desce então por gravidade para o fundo do vaso, onde se acumula devido à sua maior densidade, sendo retirada por controle de nível. O tempo de residência do líquido acumulado nesse vaso deve ser suficiente para que as bolhas de gás retidas na fase líquida se desprendam e se desloquem para a parte superior do vaso. 47 Separadores Biásicos INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo O gás separado no defletor de entrada, contendo gotas de líquido de diferentes diâmetros, se desloca pela parte superior do vaso, onde as gotas maiores se chocam entre si e com as paredes do vaso, se aglutinam e caem sobre a interface gás-líquido. As gotas menores, ao passarem pelo eliminador de névoa na saída do vaso, podem coalescer (aumentar de diâmetro), vencendo a velocidade de ascensão do gás e gotejando no sentido da interface gás-líquido. Com um teor mínimo de gotículas de líquido arrastadas, o gás sai do vaso sob controle de pressão que atua na abertura de uma válvula posicionada na linha de saída do gás. Existem diferentes tipos de eliminadores de névoa que podem ser utilizados, dependendo da eficiência desejada. 48 Separadores trifásicos INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo Os vasos separadorestrifásicos, mostrados esquematicamente nas figuras do próximo slide, são usados quando se deseja separar a água livre. Seu dimensionamento é semelhante ao do vaso bifásico, com a diferença de que um volume maior é necessário para a seção inferior do vaso, a fim de permitir a separação das duas fases líquidas: óleo e água contendo sais (salmoura). Com um teor mínimo de gotículas de líquido arrastadas, o gás sai do vaso sob controle de pressão que atua na abertura de uma válvula posicionada na linha de saída do gás. Existem diferentes tipos de eliminadores de névoa que podem ser utilizados, dependendo da eficiência desejada. 49 Separadores trifásicos INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo Separadores trifásicos verticais 50 Separadores trifásicos A salmoura contendo certa quantidade de óleo, por ser mais densa que a fase oleosa, se acumula na parte inferior do vaso e é removida por controle de nível da interface água-óleo. A parte oleosa passa sobre um vertedor para a seção seguinte do vaso, onde se acumula, e é removida por controle de nível. No caso do vaso vertical, a parte líquida, efluente do defletor de entrada, é conduzida para a seção de fundo do vaso por um tubo condutor de líquido e distribuída na fase aquosa em baixa velocidade, para não provocar turbulência na região e não prejudicar a separação água-óleo. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 51 Separadores trifásicos Em princípio, o dimensionamento dos vasos separadores bifásicos ou trifásicos não é uma tarefa difícil, depois de estabelecidas as vazões previstas de gás, óleo e água. O problema é que esses valores vão sendo alterados ao longo do tempo, pois dependem da curva de produção do campo produtor. De maneira geral, a produção de água vai aumentando com o tempo, enquanto a produção de óleo e gás vai diminuindo, e, por conseguinte, os tempos de residência para os diversos fluidos vão se alterando, com a consequente perda de eficiência dos equipamentos de separação. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 52 Problemas Operacionais nos Vasos Separadores Tanto para os vasos bifásicos como para os trifásicos, alguns problemas operacionais são comuns. Entre eles podem-se citar: 1. Formação de espuma: em função das características físico-químicas do petróleo, das impurezas presentes e da queda de pressão imposta à mistura gás-líquido ao longo do escoamento e na entrada do separador, tende a se formar certa quantidade de espuma. Um dimensionamento adequado do vaso, com alto tempo de residência, além do uso de dispositivos que "quebram" a espuma, como placas coalescedoras inclinadas, são medidas que reduzem a formação de espuma. No entanto, após certo tempo de operação, é praticamente inevitável o uso de compostos químicos redutores da tensão superficial do líquido, os antiespumantes, apesar do seu elevado custo. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 53 Problemas Operacionais nos Vasos Separadores 2. Obstrução por parafinas: as parafinas de alta massa molar presentes no petróleo podem se depositar e, principalmente no caso dos petróleos altamente parafínicos, causar a obstrução dos dispositivos internos dos vasos, como as placas coalescedoras e os eliminadores de névoa mais simples, do tipo demister, que possuem pequenas aberturas para a passagem de líquido. Nesses casos, é necessário prover o vaso com bocais de admissão de solvente de limpeza, para solubilização das parafinas, ou mesmo de vapor d'água, se disponível na instalação, para a fusão desses compostos. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 54 Problemas Operacionais nos Vasos Separadores 3. Areia e sedimentos: em alguns campos é comum o petróleo chegar ao separador carreando areia e sedimentos oriundos do próprio poço. Esses sedimentos são responsáveis por erosão nas válvulas, obstrução em internos do vaso e redução do tempo de residência do líquido devido ao acúmulo no fundo do vaso. Quando o vaso não tem dispositivos internos para a remoção de areia e sedimentos, é necessário interromper a produção para se fazer a limpeza, com os consequentes custos de perda de produção, além do custo da limpeza; INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 55 Problemas Operacionais nos Vasos Separadores 4. Camada intermediária de emulsão: uma parte da água que alimenta o vaso separador forma uma camada de emulsão, que se acumula sobre a fase aquosa. Tal acúmulo é um problema na operação de um separador trifásico, porque dificulta o controle de nível da interface e reduz o tempo de residência, tanto para o óleo como para a água, diminuindo a eficiência da separação e prejudicando o tratamento do petróleo na etapa seguinte. O aquecimento da carga e o uso de agentes químicos desemulsificantes ajudam a diminuir o problema; INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 56 Problemas Operacionais nos Vasos Separadores 5. Arraste: tanto pode ocorrer arraste de gotículas de líquido pelo gás como arraste de bolhas de gás pela fase oleosa. O arraste de gotículas de líquido, embora sempre ocorra, pode aumentar em função de vários fatores, como: formação elevada de espuma; nível de óleo muito alto, devido a dificuldades na saída de líquido por provável obstrução; eliminador de névoa inadequado; ou mesmo vazão de operação acima da capacidade de projeto. O arraste de gás na fase oleosa, por outro lado, decorre do baixo tempo de residência (baixo nível da fase oleosa) para a liberação das bolhas, de placas transversais ou quebra-vórtices• inadequados ou da ocorrência de falha no controle de nível. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 57 Tratamento do Óleo Toda vez que dois líquidos imiscíveis, como óleo e água, são expostos a uma grande agitação, como por exemplo ao longo do percurso do petróleo desde o reservatório até a superfície, o líquido em menor proporção, no caso a água, se dispersa no outro, gerando gotas de diversos diâmetros. As gotas de diâmetros maiores tendem novamente a se aglutinar e se separam como água livre" no separador trifásico, onde há normalmente tempo suficiente para decantar. No entanto, as gotículas de pequeno diâmetro (entre 1 mm e 10 mm) não têm tempo suficiente para se aproximarem e coalescerem, permanecendo dispersas no meio oleoso, formando uma emulsão. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 58 Tratamento do Óleo Assim, a água emulsionada que chega ao tratador se comporta como mais um componente sem, no entanto, estar dissolvida, como ilustrado na figura ao lado. O problema é que essa água, por ser na realidade uma solução salina (salmoura), contém também sólidos dispersos (sedimentos), além de microrganismos como algas, bactérias e fungos. A salmoura, em muitos aspectos semelhante à água do mar, pode alcançar teores de sais tão altos quanto 30 % (em massa), e raramente esse teor é inferior a 1,5 %, sendo muito comuns valores na faixa de 2,0 % a 13,0 %, enquanto o teor de sais na água do mar se situa na faixa de 3,0 % a 4,0 %. O teor de sais na salmoura está muito relacionado com as formações rochosas de onde os petróleos são oriundos. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 59 Tratamento do Óleo Os sais solúveis em água são principalmente: carbonatos, sulfatos e cloretos de sódio, potássio, cálcio e magnésio, e estes são os maiores responsáveis por problemas de corrosão (devida aos cloretos) e incrustação (devida aos sulfatos e carbonatos) durante o refino do petróleo. Entretanto, nem todo o sal encontrado no óleo cru está necessariamente dissolvidoem água, pois partículas cristalinas de sais podem ser encontradas na fase óleo, e para a sua remoção é necessária uma lavagem adequada do óleo. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 60 Tratamento do Óleo Os sedimentos são em geral oriundos das rochas (silte - fragmento de mineral ou rocha menor do que areia fina e maior do que argila -, argiIas e areia), de processos de oxidação (sulfetos e óxidos de ferro) e de incrustações (carbonatos de cálcio, sulfatos de cálcio, bário e estrôncio). Vários microrganismos estão frequentemente presentes nas águas geradas na produção, que, por determinados metabolismos, podem gerar ácidos corrosivos como o sulfídrico e o sulfúrico. O objetivo do tratamento do óleo é reduzir o teor de água emulsionada presente no petróleo, de forma a adequá-lo às condições de recebimento nas refinarias. Com a remoção da água, praticamente todos os sais e sedimentos nela presentes também são removidos. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 61 Tratamento do Óleo Estabilidade da emulsão Uma emulsão preparada pela mistura de hidrocarbonetos e água é instável, e as fases são facilmente separadas. No entanto, o petróleo possui na sua composição substâncias ditas agentes emulsionantes, cujas moléculas têm uma parte constituída de heteroátomos com afinidade pela água (polar) e uma maior parte com afinidade pelo óleo (apolar). Devido a essa característica, a parte polar, chamada de hidrofílica, tende a se deslocar para a fase água, enquanto a maior parte da molécula (apolar ou lipofílica) tende a permanecer na fase óleo, se acumulando nas superfícies das gotículas, conforme mostrado na figura a seguir. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 62 Tratamento do Óleo Estabilidade da emulsão Com o passar do tempo, mais moléculas dessas substâncias migram para a interface água-óleo, formando uma película que age como uma barreira física que impede a aproximação das gotículas vizinhas de água. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 63 Tratamento do Óleo Quebra da emulsão A quebra da emulsão consiste no enfraquecimento e no rompimento da película formada pelos agentes emulsionantes sobre as gotículas de água, a fim de permitir que as gotículas vizinhas se aglutinem e decantem, desestabilizando a emulsão. Os meios usuais de quebra de emulsão são: aquecimento, adição de compostos químicos chamados de desemulsificantes e uso de campo elétrico. Os desemulsificantes são substâncias de alta massa molar, comparáveis aos emulsificantes naturais, que são atraídas pela interface água-óleo e deslocam ou rompem a película de emulsificante, promovendo a coalescência das gotículas, que decantam através do óleo. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 64 Tratamento do Óleo Quebra da emulsão A seleção do tipo do desemulsificante e da dosagem a ser usada no tratamento do óleo deve ser feita mediante um teste de campo, conhecido como "teste da garrafa". Na figura estão mostradas duas microfotografias de uma emulsão, antes e após a adição de desemulsificante. Nota-se nitidamente o crescimento do tamanho das gotas de água, ocorrido segundos após a adição do desemulsificante. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 65 Tratamento do Óleo Quebra da emulsão Nas plataformas marítimas, onde normalmente os volumes processados são muito altos, o sistema mais utilizado é o tratamento eletrostático, por atingir maior eficiência na coalescência das gotas e, portanto, na separação. A aplicação de um campo elétrico de alta intensidade sobre uma emulsão provoca a polarização das gotículas de água, principalmente pela migração dos sais dissolvidos no interior das mesmas, fazendo com que as gotículas de água passem da forma esférica para a elíptica (figura). INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 66 Tratamento do Óleo Tipos de Tratadores Eletrostáticos O equipamento usado no tratamento eletrostático é normalmente um vaso de grande diâmetro, geralmente entre 3 m e 4,2 m, e de comprimento variável em função da vazão processada. Os internos são normalmente: distribuidores da carga, coletor de petróleo (no topo do vaso) e coletor de salmoura (no fundo do vaso), grade horizontal de eletrodos ou placas verticais de eletrodos (no caso do tratador de dupla polaridade), além dos suportes/jsoladores dos eletrodos e das buchas e cabos de alimentação de eletricidade. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 67 Tratamento do Óleo Tipos de Tratadores Eletrostáticos Existem dois tipos de tratadores: os de baixa velocidade e os de alta velocidade. 1. Tratadores de alta velocidade: Os tratadores ditos de alta velocidade, em que a emulsão é introduzida diretamente entre os eletrodos, são ampla- mente empregados em refinarias, mas não são aconselháveis para os sistemas de produção, devido ao aumento do teor de água que pode ocorrer na saída do separador trifásico, ao longo da vida do poço INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 68 Tratamento do Óleo Tipos de Tratadores Eletrostáticos Existem dois tipos de tratadores: os de baixa velocidade e os de alta velocidade. 2. Tratadores de baixa velocidade: O tratador tipicamente utilizado em plataformas é de baixa velocidade, no qual a emulsão é introduzida e distribuída na parte inferior do vaso horizontal, ao longo do seu comprimento, através de orifícios de um distribuidor. Dessa forma, a emulsão é descarregada na fase aquosa, e, devido à diferença de densidades, a emulsão sobe na direção dos eletrodos, que se encontram um pouco acima da linha de centro do vaso. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 69 Tratamento do Gás A corrente gasosa obtida nos separadores é uma mistura de hidrocarbonetos leves cuja composição abrange desde o metano até hidrocarbonetos parafínicos com 7 átomos de carbono, além de teores variáveis de gás sulfídrico (H2S), dióxido de carbono (C02), nitrogênio (N2) e vapor d'água. Uma vez que o uso principal do gás natural é como combustível, sabe-se que teores elevados de CO2 e N2 reduzirão o seu poder calorífico; o H2S e o CO2 são gases de caráter ácido, tornando-se corrosivos na presença de água líquida; e o vapor d'água, que é inerte, pode, nas condições de escoamento e dos equipamentos (alta pressão e baixa temperatura), formar hidratos que bloqueiam as tubulações e provocam corrosão, na presença dos gases ácidos. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 70 Tratamento do Gás O hidrato é uma solução sólida constituída de hidrocarbonetos de baixa massa molar (principalmente metano e etano) e água, apresentando-se na forma de cristais, em que os hidrocarbonetos ficam encapsulados dentro de uma estrutura cristalina muito semelhante ao gelo. Os hidratos tendem a se formar em pontos de estagnação dos equipamentos como em pontos baixos das tubulações, curvas, conexões e desde que haja baixa temperatura e alta pressão. Caso nada seja feito, pode ocorrer a completa obstrução da tubulação. Basicamente, o tratamento ou o condicionamento do gás visa a remover gases ácidos (H2S e CO2 e a água (desidratação) presentes em sua composição. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 71 Tratamento do Gás Remoção de Gases Ácidos Dentro do conjunto de processos de condicionamento do gás natural, a remoção dos gases ácidos tem como objetivos: a segurança operacional, a especificação do gás para a venda e a redução da corrosividade do sistema. Os processos mais utilizados são: 1. O tratamento com soluçãode MEA (monoetanolamina): este é o processo mais tradicional e mais largamente usado para remoção de H2S e CO2. 2. A adsorção por peneiras moleculares (PSA): atualmente muito utilizada em refinarias na do hidrogênio obtido nas unidades de geração de hidrogênio; 3. A permeação por membranas poliméricas: esta vem sendo usada industrialmente para separação de gases. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 72 Tratamento do Gás Desidratação A desidratação do gás natural pode ser feita por um processo de absorção, com o uso de um solvente liquido; ou de adsorção, em que se usa um sólido como a sílica-gel, alumina ou peneira molecular; ou ainda de permeação através de membranas poliméricas. O processo de absorção é o mais comum nas plataformas brasileiras. O processo de absorção, visando à desidratação, consiste no contato do gás com um solvente liquido higroscópico, isto é, capaz de solubilizar seletivamente a água, e de fácil regeneração. Embora a família dos monoalcoóis tenha afinidade com a água, a família dos dialcoóis (glicóis) é mais utilizada por questões econômicas. Entre os glicóis, o trietilenoglicol (TEG) é normalmente escolhido. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 73 Tratamento do Gás Desidratação Isso se vede principalmente aos seguintes fatores: 1. É mais facilmente regenerável, alcançando teores maiores do que 98 %, devido ao seu maior ponto de ebulição e à sua maior temperatura de degradação térmica (206 oC); 2. Possui menor pressão de vapor, causando menor perda por evaporação; 3. O processo exige menores custos de investimento e operacional. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 74 Tratamento do Gás Desidratação Conforme representado na figura do slide a seguir, o processo ocorre em uma torre de absorção, normalmente recheada, onde o gás, após passar por uma seção de remoção de hidrocarbonetos líquidos, sobe em contracorrente com a solução de TEG proveniente do sistema de regeneração (chamada de TEG pobre). No topo da torre o gás passa por um eliminador de névoa para a remoção de gotículas de TEG arrastadas. A solução de TEG, efluente do fundo da torre de absorção (TEG rica), é encaminhada para a torre regeneradora a fim de reduzir o seu teor de água, sendo antes aquecida em uma serpentina instalada no topo, ao mesmo tempo que condensa os vapores de TEG que sobem pela torre regeneradora, e em um trocador de calor, que resfria a corrente de TEG já regenerada (TEG pobre). INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 75 Tratamento do Gás INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo Fluxograma simplificado do processo de desidratação com TEG. 76 Tratamento do Gás Desidratação Após o aquecimento, a solução rica passa por um separador trifásico, em que o gás dissolvido nessa solução é separado da fase líquida de hidrocarbonetos e da solução de TEG, e esta alimenta a torre regeneradora. Nem sempre a desidratação é a maneira mais econômica de solucionar os problemas causados pela presença da água no gás. Uma alternativa bastante usada é a aplicação de produtos químicos inibidores, que se combinam com a água livre, diminuindo a temperatura em que ocorre a formação dos hidratos. Os mais utilizados são os álcoois (metanol, etanol anidro, MEG, DEG e TEG), que, posteriormente, são removidos do gás. O inibidor deve ser disperso na corrente gasosa por meio de bicos nebulizadores, em um ponto onde a temperatura de formação de hidrato ainda não foi atingida INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 77 Tratamento do Gás Desidratação: Variáveis de Processo As principais variáveis de processo são as seguintes: 1. Teor de TEG na solução pobre; 2. Vazão da solução de TEG 3. Temperatura de desidratação; 4. Temperatura do refervedor; 5. Temperatura de topo da torre regeneradora; 6. Vazão do gás de esgotamento. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 78 Tratamento da Água Produzida O tratamento da água produzida numa instalação de processamento primário de petróleo depende da sua destinação final: descarte ou reinjeção nos poços de produção. A injeção de água tem sido um dos principais meios de recuperação secundária de campos de petróleo, porém, a fim de evitar comprometer o poço, a água necessita ser tratada para redução do teor de óleo emulsionado e remoção: de H2S CO2 dissolvidos, evitando a corrosão; de sedimentos, evitando o tamponamento do reservatório; e de bactérias redutoras de sulfato, evitando a corrosão pela formação de H2S. O descarte da água só pode ser feito de acordo com a regulamentação do CONAMA e com os regulamentos estaduais elou municipais aplicáveis. Embora a água produzida contenha diversos compostos químicos, a Resolução CONAMA 393/07 apenas limita o teor de óleo e graxas (TOG). Neste livro, será abordado apenas o tratamento que visa a atender a essa especificação. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 79 Tratamento da Água Produzida Nos sistemas mais simples de tratamento da água oleosa em plataformas, como está esquematizado na figura, a salmoura, proveniente dos separadores trifásicos e do tratador eletrostático do petróleo, é encaminhada a um vaso desgaseificador de baixa pressão e alto tempo de residência, para remover hidrocarbonetos gasosos que estejam em solução no óleo ainda presente na água; o gás removido é então encaminhado para queima. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 80 Tratamento da Água Produzida Além do gás, uma parte do óleo é separada da água nesse equipamento. Do vaso desgaseificador, a água oleosa vai ao separador água-óleo (SAO) para a remoção do restante de óleo e envio ao tubo de despejo, que fica imerso no mar. Visando ao aumento da velocidade de sedimentação, equipamentos como os flotadores e, em especial, os hidrociclones (figura) vêm sendo bastante empregados no tratamento de água em plataformas marítimas, tornando-se o padrão de tratamento nessas instalações. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 81 Tratamento da Água Produzida Nos flotadores são produzidas microbolhas na câmara de flotação, que se prendem às partículas oleosas, formando aglomerados que são carreados para a superfície. O processo convencional consiste basicamente nas seguintes etapas: 1. Geração das bolhas gasosas, que podem ser de ar ou de gás (hidrocarbonetos); colisão e adesão entre essas bolhas e as gotículas de óleo dispersas na água; 2. Ascensão dos agregados bolha-partícula até a superfície. A separação é mais eficiente na medida em que se diminui o tamanho das bolhas e se aumenta o tamanho das gotículas. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 82 Tratamento da Água Produzida Flotadores INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 83 Tratamento da Água Produzida No uso da flotação para o tratamento de águas oleosas, destacam-se como processos clássicos: a flotação natural (ou gravitacional), por ar dissolvido (FAD) ou gás dissolvido (FGD); e a flotação por ar induzido (FAI) ou gás induzido (FGI). A flotação natural, por ser realizada em tanques e necessitar de maior área, é usada em instalações terrestres. Embora a FGD seja mais eficiente do que a FGI, por gerar bolhas menores, a FGI necessita de menor tempo de residência, o que leva a um menor custo de instalação e de operação. Em plataformas marítimas, vem sendo utilizada uma bomba multifásica especial que dissolve o gás reciclado do topo do flotador na corrente líquida, embora haja uma tendência de se utilizar a FGI de terceira geração, emque a indução é feita por um redutor gás-líquido, que resulta em unidades mais compactas, embora não sejam tão eficientes como a FGD. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 84 Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) O gás natural é utilizado no Brasil principalmente como combustível industrial, doméstico e automotivo, e, nesse último caso, passa a se chamar gás natural veicular (GNV). Diferentemente do GLP, o gás natural processado, ou seco, só pode ser liquefeito sob condições criogênicas, pois seu principal constituinte é o metano. A compressão do gás natural gera o gás natural comprimido (GNC), permitindo o seu transporte até o consumidor final. Embora o GN possa ser encontrado em estado livre, formando uma capa de gás sobre uma pequena quantidade de óleo presente no reservatório. Em qualquer das duas formas, o gás natural é conhecido como gás úmido, devido à presença de hidrocarbonetos com mais de 3 átomos de carbono, que irão gerar o GLP e uma nafta leve, conhecida como gasolina natural. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 85 Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) Em função do seu maior valor agregado, tais hidrocarbonetos são conhecidos como a riqueza do gás natural. Para ser comercializado, o gás úmido precisa passar por uma unidade de processamento, cujas características dependerão da composição e da vazão desse gás e do mercado a ser atendido. Assim, o objetivo das unidades de processamento de gás natural (UPGN) é recuperar, na forma líquida, o GLP e a gasolina natural e especificar o gás natural seco para os seus diversos usos. Um esquema simplificado de uma UPGN está representado nas figuras. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 86 Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) Tipos de Processo Em uma UPGN, a etapa mais importante é o abaixamento da temperatura do gás natural, para permitir a liquefação dos hidrocarbonetos mais pesados do que o etano. Os tipos de processos empregados diferem entre si quanto à rota termodinâmica adotada. São eles: 1. Expansão Joule-Thomson 2. Refrigeração simples 3. Absorção refrigerada 4. Turboexpansâo INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo 87 Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) Tipos de Processo De maneira simplificada, pode-se dizer que esses processos são constituídos de uma sequência de operações, que podem incluir: a desidratação, para eliminação da umidade remanescente, a compressão, a absorção e o resfriamento. Os hidrocarbonetos recuperados podem ser estabilizados e separados por fracionamento, para obtenção dos produtos desejados, na própria UPGN ou em unidades específicas, tais como as unidades de fracionamento de líquidos (UFL) e de processamento de condensado de gás natural (UPCGN). A escolha do processo utilizado depende dos fatores técnicos e económicos e do mercado a ser atendido. INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Processamento Primário de Petróleo