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DIREITO CONSTITUCIONAL: PODER CONSTITUINTE É o responsável pela criação – mutação, reforma e elaboração da constituição. De acordo com a lição de Canotilho, ‘’o poder constituinte se revela sempre como uma questão de ‘poder’, de ‘força’ ou de ‘autoridade’ política que está em condições de, numa determinada situação concreta, criar, garantir ou eliminar uma constituição entendida como lei fundamental da comunidade política. →Com a substituição do Teocentrismo p/ o antropocentrismo. →Não teremos um aspecto divino, passaremos p/ um aspecto racional (racionalismo). →Idealizador da Teoria constituinte – O abade de Chartres Emmanuel Joseph Sieyès, por meio do panfleto denominado ‘’Que é o terceiro Estado?’’ . Questiona o terceiro Estado sendo formado pelo clero, nobreza e o ‘’povo’’; A origem popular do poder (conjunto de indivíduos ligados a um território) PODER CONSTITUINTE → ORIGEM POPULAR .Constituição: Cria, nascimento das regras vigentes naquele Estado. DIFERENÇA DE PODER CONSTITUINTE E PODER CONSTITUÍDO: A diferença se encontra que no poder constituinte a origem é popular, que possibilita e elaboração de um documento máx. daquele Estado (art. 1° da CF). PODER CONSTITUÍDO: legislativo, executivo e judiciário (na constituição existirá o estabelecimento dos poderes constituídos). →O povo está previsto no art. 12 da constituição (O POVO SÃO NACIONAIS DE UM ESTADO). PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO (GENUÍNO OU DE 1° GRAU): O poder constituinte originário (também denominado inicial, inaugural, genuíno ou de 1° grau) é aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rompendo por completo com a ordem jurídica precedente. O objetivo fundamental do poder constituinte originário, portanto, é cria um novo Estado, diverso do que vigorava em decorrência da manifestação do poder constituinte precedente. Conceituação trazida por temer: ‘’ressalte-se a ideia de que surge novo Estado a cada nova constituição, provenha ela de movimento revolucionário ou de assembleia popular. →Características do poder Constituinte Originário: Inicial, soberano, autônomo, incondicionado, ilimitado juridicamente. É um poder fático, pois não se baseia no direito, mas em fatores políticos, sociais e econômicos. →UMA SUBDIVISÃO: O poder constituinte originário pode ser subdividido em histórico (ou fundacional) e revolucionário. Histórico seria o verdadeiro poder constituinte originário, estruturando, pela primeira vez, o Estado. Revolucionário seriam todos os posteriores ao histórico, rompendo por completo com a antiga ordem e instaurando uma nova, um novo Estado. →O PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO: Ao se manifestar, rompendo por completo com a ordem jurídica precedente, cria o novo Estado desvinculado do que então vigorava, saindo do seu estado de ‘’HIBERNAÇÃO’’ E ‘’LATÊNCIA’’, em razão da existência de inquestionável ‘’momento constituinte’’. Não se vislumbra esse tal “momento constituinte”. A convocação de instrumento de alteração específico afrontaria, dentre outros, a implícita proibição de se alterar a titularidade do poder constituinte originário. Bem como a do poder de reforma que se implementa por ato exclusivo do Congresso Nacional, assim como os seus limites colocados na Constituição. →PODER CONSTITUINTE DERIVADO (INSTITUÍDO, CONSTITUIÍDO, SECUNDÁRIO, DE 2.° GRAU OU REMANESCENTE) . Deriva do exercício do poder constituinte originário, que traça suas características na constituição. . O derivado deve obedecer às regras colocadas e impostas pelo originário, sendo, nesse sentido, limitado e condicionado aos parâmetros a ele impostos. →Derivam, pois, do originário o reformador, o decorrente e o revisor. →Poder Constituinte derivado reformador: A manifestação do poder constituinte reformador verifica-se através das emendas constitucionais (arts. 59, I, e 60 da CF/88). . Enfim, o originário permitiu a alteração de sua obra, mas obedecidos alguns limites como: quórum qualificado de 3/5, em cada casa, em dois turno de votação para aprovação das emendas (art. 60, § 2°); proibição de alteração da Constituição na vigência de estado de sítio, defesa, ou intervenção federal (art. 60, §1°), um núcleo de matérias intangíveis, vale dizer, as cláusulas pétreas do art. 60, § 4°, da CF/88. . Dessa forma, além das limitações expressas ou explícitas (formais ou procedimentais – art. 60, I, II, III e §§ 2°, 3° e 5°; circunstanciais – art. 60, § 1°; e materiais – art. 60, §4°), a doutrina identifica, também as limitações implícitas (como impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte originário e o titular do poder constituinte derivado reformador, bem como a proibição de ser violar as limitações expressas, não tendo sido adotada, no brasil, portanto, a teoria da dupla revisão, ou seja, uma primeira revisão acabando com a limitação expressa e a segunda reformando aquilo que era proibido) →Poder Constituinte derivado decorrente: É apenas o poder que os Estados-membros, por meio das assembleias legislativas, têm de elaborar e modificar as suas Constituições Estaduais, bem como o Distrito Federal, por meio da câmara legislativa, de elaborar e modificar a sua lei orgânica, devendo, ambas, obedecer aos limites impostos pela Constituição Federal, nos exatos termos do art. 25, caput, e 32, caput, da CF/88. . Essa particularidade, contudo, não se estende aos Municípios, como visto acima, e muito menos aos Territórios Federais que eventualmente venham a ser criados. . Os municípios (que por força do arts. 1° e 18º da CF/88 fazem parte da Federação Brasileira, sendo, portanto autônomos em relação aos outros componentes, na medida em que também têm autonomia “FAP” – Financeira, Administrativa e Política) elaborarão leis orgânicas como se fossem “constituições Municipais”. . Desse modo, a Capacidade de auto-organização municipal está delimitada no art. 29, caput, da CF/88, e seu exercício caberá à Câmara Municipal, nos termos do parágrafo único do art. 11 do ADCT: “promulgada a Constituição do Estado, caberá à Câmara Municipal, no prazo de 6 meses, votar a Lei orgânica respectiva, em dois turnos de discussão e votação, respeitado o disposto na Constituição Federal e na Constituição Estadual. • Nesse sentido, Noemia Porto assinala: “o poder constituinte derivado decorrente deve ser de segundo grau, tal como acontece com o poder revisor e o poder reformador, isto é, encontrar sua fonte de legitimidade direta da Constituição Federal. No caso dos Municípios, porém, se descortina um poder de terceiro grau, porque mantém relação de subordinação como o poder constituinte estadual e o federal, ou, em outras palavras, observa necessariamente dois graus de imposição legislativa constitucional. Não basta, portanto, ser componente da federação, sendo necessário que o poder de auto-organização decorra diretamente do poder constituinte originário. Assim, o poder constituinte decorrente, conferido aos Estados-membros e ao Distrito Federal, não se faz na órbita dos municípios. Por essa razão, ato local questionado em face da lei orgânica municipal enseja controle de legalidade, e não de constitucionalidade. →Poder Constituinte derivado revisor: Assim, como o reformador e o decorrente, é fruto do trabalho de criação do originário, estando, portanto, a ele vinculado. É, ainda, um “poder” condicionado e limitado às regras instituídas pelo originário, sendo, assim, um poder jurídico. • Como advertimos, melhor seria a utilização da nomenclatura competência de revisão, na medida em que não se trata, necessariamente, de um “poder”, uma vez que o processo de revisão está limitado por uma força maior que é o poder constituinte originário, este sim um verdadeiro poder, inicial e ilimitado, totalmente autônomo do ponto de vista jurídico. • O art. 3° do ADCTdeterminou que a revisão constitucional seria realizada após 5 anos, contados da promulgação da constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral. • Instituiu-se um particular procedimento simplificado de alteração do texto constitucional, excepcionando a regra geral das PECs, que exige aprovação por 3/5 dos votos dos membros de cada Casa, e obedecendo, assim, às regras da bicameralidade (art. 60, § 2°). →Fixação de limites a abolir: “cláusulas Pétreas” do art. 60, § 4.°, da CF/88; que substituam integralmente a constituição, digam respeito a mais de um dispositivo, a não ser que se trate de modificações correlatas; Contrariam a forma republicana de Estado e o sistema presidencialista de governo. →Interessante notar que a Resolução n. 1-RCF (art. 4°, I e II, e §§4° e 5°), diferentemente do art. 60, I, II e III, da CF/88, dispôs sobre a possibilidade de oferecimento de propostas revisionais: . Por qualquer Congressista; . Por representação partidária com assento no Congresso Nacional, por meio de líder; . Pelas assembleias legislativas de 3 ou mais unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria de seus membros; . Pela apresentação de proposta revisional popular. Desde que subscrita por 15.000 ou mais eleitores, em lista organizadas por, no mínimo, 3 entidades associativas legalmente constituídas, que se responsabilizaram pela idoneidade das assinaturas, obedecidas condições fixadas na resolução. →PODER CONSTITUINTE DIFUSO: . A sociedade interpreta a constituição de formas distintas a partir de sua evolução histórica e o poder social ganha o nome doutrinário de poder constituinte difuso. . Há uma alteração informal da constituição, pois o texto não é alterado, mas o significado da norma constitucional se modifica provocando-se o fenômeno da MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL. Existe a mudança da interpretação da constituição, sem se alterar o texto da norma. . O Poder Constituinte Difuso se instrumentaliza de modo informal e espontâneo, como verdadeiro poder de fato, e que decorre dos fatores sociais, políticos e econômicos, encontrando-se em estado de latência. Trata-se de processo informal de mudança de Constituição, alterando-se o seu sentido interpretativo, e não o seu texto, que permanece intacto e com a mesma literalidade. →PODER CONSTITUINTE SUPRANACIONAL: . Busca sua fonte de validade na cidadania universal, no pluralismo de ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e em um conceito remodelado de soberania. . A intenção é observar direitos com o ideal de universalidade dos direitos humanos, gerando uma maior interação entre diferentes povos e integração no âmbito interno e internacional. . O poder constituinte é possível de ser exercido além das fronteiras territoriais dos Estados nacionais, por meio da união de Estados, em prol da elaboração de uma constituição comunitária que englobe mais um Estado. Esse poder constituinte é chamado de ‘poder constituinte supranacional’. →NOVA CONSTITUIÇÃO E A ORDEM JURÍDICA ANTERIOR: . No momento do surgimento de uma nova constituição, a constituição anterior pode sofres três possíveis consequências: revogação, a desconstitucionalização ou recepção. . A revogação da constituição é a regra e estabelece a perda de validade do texto da Constituição anterior, de forma tácita. . Em regra, no Brasil, a nova constituição opera uma total revogação da constituição anterior e, nesse sentido, as leis infraconstitucionais, existentes no Estado, ficam sem base de validade. Na medida em que as leis são utilizadas pelos juristas, elas passam, paulatinamente, por uma análise detalhada de questionamentos de sua validade, diante do novo padrão de validade estabelecido pela nova constituição. →RECEPÇÃO: O que acontecerá com as normas infraconstitucionais elaboradas antes do advento da nova Constituição? . Todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma será infraconstitucional (pré-constitucional), que não contrariar a nova ordem, será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma outra ‘’roupagem’’. Como exemplo lembramos o CTN (código tributário nacional – Lei 5.172/66), que, embora tenha sido elaborado com natureza jurídica de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam das matérias previstas no art. 146, I, II e III, da CF só poderão ser alterados por lei complementar, aprovada com o quórum da maioria absoluta (art. 69). . Pode-se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, por falta de recepção. A lei que “nasceu maculada”, possui vício congênito, insanável, impossível de ser corrigido pelo fenômeno da recepção. O vício ab origine nulifica a lei, tornando-a ineficaz ou írrita. . Podemos concluir que, para uma lei ser recepcionada pelo novo ordenamento jurídico, deverá preencher os seguintes requisitos: →Estar em vigor no momento do advento da nova Constituição; Não ter sido declarada inconstitucional durante a sua vigência no ordenamento anterior; ter compatibilidade formal e material perante a Constituição sob cuja regência ela foi editada (no ordenamento anterior); Ter compatibilidade somente material perante a nova Constituição, pouco importando a compatibilidade formal. →Inconstitucionalidade Superveniente: . Por todo o exposto, fica claro que o STF não admite o fenômeno da inconstitucionalidade superveniente do ato normativo produzido antes da nova Constituição e perante o novo paradigma. . Nesse caso, ou se fala em compatibilidade e aí haverá recepção, ou em revogação por inexistência de recepção. . Estamos diante da noção de contemporaneidade, ou seja, uma lei só é constitucional ou inconstitucional perante o paradigma de confronto em relação ao qual ela foi produzida. →No Brasil não existe a const. Superveniente, pois uma norma que nasceu inconstitucional, mesmo que não declarada, nunca vai poder ser constitucional. A análise de constitucionalidade é feita no momento do nascimento da norma (princípio da contemporaneidade) e, portanto, a norma que nasceu inconstitucional, morre inconstitucional. →REPRISTINAÇÃO: . A teoria da Repristinação estabelece a possibilidade de que uma lei que já tenha sido revogada volte a ter validade. O ordenamento jurídico não permite a repristinação de forma tácita, apenas quando há uma previsão formal na nova lei. . O artigo 1° §3°, da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro fala sobre o efeito repristinatório: “Salvo em disposição ao contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência”. Nesse sentido, não há efeito repristinatório no Brasil, pois pressupõe que o efeito repristinatório seria tácito. . Impossibilidade do fenômeno de repristinação, salvo se a nova ordem jurídica se pronunciar. →O STF: vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais fruto da manifestação do poder constituinte originário têm, por regra geral, retroatividade mínima, ou seja, aplicam-se a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócios passados. . PODEMOS ESQUEMATIZAR: A. Normas Infraconstitucionais, por regra, têm retroatividade mínima, aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento, mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado – Ex: art. 7°, IV; B. É possível a retroatividade máxima e média da norma introduzida pelo constituinte originário desde que haja expressa previsão,como é o caso do art. 51 do ADCT da CF/88. Nesse sentido, doutrina e jurisprudência afirmam que não há direito adquirido contra a constituição; C. Por outro lado, as Constituições Estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais, vale dizer, as leis infraconstitucionais, bem como as emendas à constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador, também limitado juridicamente), estão sujeitos à observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (retroatividade mínima) (art. 5°. , XXXVI – “lei” em sentido amplo), com pequenas exceções, como a regra da lei penal nova que beneficia o réu.