PROCESSO PENAL IV
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PROCESSO PENAL IV


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Fernanda Aguirre
PROCESSO PENAL IV
Aula dia 21 de fevereiro de 2019.
 
Sistema trifásico;
Tipicidade, antijuridicidade e culpabilidade;
Diferença de processo e procedimento, onde residem os elementos;
O que é relação jurídica processual.
NULIDADES
Processo (CF) diferente de Procedimento (CPP e legislação esparsa).
Noções preliminares: o sistema de nulidades materializa-se sempre na relação jurídica processual: juiz acusação defesa juiz acusação...
Hipóteses de nulidade: 
Artigo 564 CPP, rol exemplificativo.
Art. 564.  A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:
I - por incompetência, suspeição ou suborno do juiz;
II - por ilegitimidade de parte;
III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:
a) a denúncia ou a queixa e a representação e, nos processos de contravenções penais, a portaria ou o auto de prisão em flagrante;
b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado o disposto no Art. 167;
c) a nomeação de defensor ao réu presente, que o não tiver, ou ao ausente, e de curador ao menor de 21 anos;
d) a intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por ele intentada e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crime de ação pública;
e) a citação do réu para ver-se processar, o seu interrogatório, quando presente, e os prazos concedidos à acusação e à defesa;
f) a sentença de pronúncia, o libelo e a entrega da respectiva cópia, com o rol de testemunhas, nos processos perante o Tribunal do Júri;
g) a intimação do réu para a sessão de julgamento, pelo Tribunal do Júri, quando a lei não permitir o julgamento à revelia;
h) a intimação das testemunhas arroladas no libelo e na contrariedade, nos termos estabelecidos pela lei;
i) a presença pelo menos de 15 jurados para a constituição do júri;
j) o sorteio dos jurados do conselho de sentença em número legal e sua incomunicabilidade;
k) os quesitos e as respectivas respostas;
l) a acusação e a defesa, na sessão de julgamento;
m) a sentença;
n) o recurso de oficio, nos casos em que a lei o tenha estabelecido;
o) a intimação, nas condições estabelecidas pela lei, para ciência de sentenças e despachos de que caiba recurso;
p) no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais de Apelação, o quorum legal para o julgamento;
IV - por omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato.
Parágrafo único.  Ocorrerá ainda a nulidade, por deficiência dos quesitos ou das suas respostas, e contradição entre estas.
Duplo aspecto da nulidade:
	- Vício ou defeito de que padece o ato processual atípico (realizado em desconformidade com o procedimento) 
	- A invalidação do ato lhe retirando os efeitos jurídicos (tendo e vista a jurisdição, o ato surte efeitos mesmo sendo atípico, enquanto um órgão hierarquicamente superior ou o próprio juízo não lhe retirar esses efeitos).
Atos inexistentes:
	Não se consideram atos jurisdicionais, se consideram não-atos, não adentram no mundo processual (jurídico). Conforme a doutrina, dispensam declaração judicial, basta que não sejam cumpridos. 
	
Assalto ao Banco do Brasil (estadual), juiz federal pede prisão preventiva do réu. Ele não pode, não é competente, será acatado, mas o ato é NULO e não INEXISTENTE. Seria inexistente se fosse um escrivão que tivesse decretado a prisão, processo presidido por escrivão. 
Atos irregulares:
São nulidades, todavia, a forma não atendida é insignificante. Pode ser sanado rapidamente, a lei não considera essencial como pressuposto de validade. Ex: erro de grafia no nome do réu.
	Aula dia 28 de fevereiro de 2019.
	
Quando o juiz recebe a denuncia ele estabelece quais os fatos serão discutidos, bem como o rito sob o qual o processo ocorrerá. 
	Duplo aspecto da nulidade: primeiro tem que ser detectada, depois arguida e caçada.
Enquanto não for caçada, a nulidade, pois mais afrontosa que seja a decisão judicial, ocorrerá seus efeitos. Sempre depende de provimento judicial, até então produz os seus efeitos. Declarado nulo, perde a sua eficácia jurídica.
	Ato inexistente: um ato realizado por alguém que não tem jurisdição, não é nulidade, porque para nulidade precisa ter jurisdição. Ex.: estagiário que prolata uma sentença.
	Para analisar a nulidade devemos pensar, a parte tem jurisdição? A partir dessa resposta analisaremos se trata-se de nulidade ou não.
ESPÉCIES DE NULIDADE
	A diferença entre nulidade absoluta e nulidade relativa depende do grau de interesse tutelado. O interesse tutelado na nulidade absoluta é de grau publico (diz respeito a preservação do ordenamento jurídico) e o interesse tutelado pela nulidade relativa é das partes, essa nulidade não trasborda a relação jurídica processual. Já a nulidade absoluta atinge a princípios constitucionais relativos ao processo penal (esses normalmente estão no artigo 5º da CF). A diferença entre as nulidades relacionasse diretamente ao grau de interesse tutelado e quem ele atinge. A divisão de nulidade absoluta ou relativa não reside nos efeitos, ou seja, ambas podem anular todo o processo ou somente parte.
	NULIDADE ABSOLUTA
	NULIDADE RELATIVA
	Reconhecimento de ofício
	Entende-se que o defeito não é tão grave
	Atinge interesse público
	Necessita de arguição da parte prejudicada
	O prejuízo é presumido
	O prejuízo deve ser demonstrado
	Pode ser alegada e reconhecida a qualquer tempo (não há preclusão)
	O argumento utilizado é semelhante a \u201cperda de uma chance\u201d 
	Não há convalidação
	Ocorre a convalidação pela preclusão
Obs.: A preclusão gera coisa julgada formal, que pode virar uma coisa julgada material.
NULIDADE ABSOLUTA: 
A nulidade absoluta atinge o interesse público, que transcende o processo, atingindo o interesse público, ferindo a Constituição, de forma que pode ser reconhecido de ofício ou mesmo alegado a qualquer tempo, pois não há convalidação.
Súmula 160 - STF
É nula a decisão do Tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício.
Aqui é o exemplo da sentença absolutória. Neste caso, se não for alegado em recurso a nulidade, não pode o desembargador, de ofício, reconhecer a nulidade. A ideia dessa súmula é que o Estado não pode falhar. 
Ex.: processo sem defensor, sentença proferida por juiz absolutamente incompetente; indeferimento de juntada de provas aos autos dentro do prazo. 
NULIDADE RELATIVA
Entende-se que o defeito não é tão grave quanto no caso anterior, aqui o interesse tutelado se restringe as partes envolvidas na relação jurídica processual, não atingido a Constituição, ou seja, o interesse público. Neste caso, é necessário arguição da nulidade pela parte interessada, ela não pode ser reconhecida de ofício, pois o prejuízo deve ser demonstrado. O argumento utilizado é semelhante a \u201cperda de uma chance\u201d do direito civil, que a parte da relação jurídica processual teria uma melhor posição no processo, uma vez que você foi prejudicado pela nulidade. Aqui ocorre a convalidação pela preclusão.
Artigo 571 e 572 do CPP tratam de momentos preclusivos, momentos até a quando as nulidades relativas podem ser arguidas. Regra: até as alegações finais.
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS NULIDADES
Princípio do prejuízo ou transcendência \u2013 artigo 563 CPP
Art. 563.  Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. \u2013 Uma vez que é necessário prejuízo, esse artigo trata da nulidade relativa.
SÚMULA 523/STF
No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
	Princípio do Interesse - art. 565 do CPP
Art. 565.  Nenhuma das partes poderá arguir nulidade a que haja dado causa, ou para que tenha concorrido, ou referente a formalidade cuja observância só à parte contrária interesse. \u2013 Aplica-se, exclusivamente, a nulidade relativa e tem objetivo de evitar a má-fé.
Princípio de causalidade \u2013 nexo causal, art. 573, §1º e 2º do CPP