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Filtração glomerular + casos

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Tbl1 – Filtração glomerular + casos
Luana Mascarenhas Couto
Introdução:
O primeiro passo na formação da urina é a filtração de grandes quantidades de líquidos através dos capilares glomerulares para dentro da capsula de Bowman. A elevada taxa de filtração depende da alta taxa de fluxo sanguíneo renal, bem como de propriedades especiais das membranas dos capilares glomerulares. 
Composição do filtrado glomerular: ocorre devido à diferença de pressão
Os capilares glomerulares são relativamente impermeáveis às proteínas, assim, o líquido filtrado é essencialmente livre de proteínas e desprovido de elementos celulares como as hemácias e a composição de sais e moléculas orgânicas é similar ao do plasma. 
A filtração glomerular é determinada pelo:
- Balanço das forças hidrostáticas e coloidosmótica, atuando através da membrana do capilar. (Forças de Starling).
- Coeficiente de filtração (kf): produto da permeabilidade e da área de superfície de filtração dos capilares.
Membrana capilar glomerular:
A membrana do capilar glomerular é semelhante à encontrada em outros capilares, exceto por ter três camadas principais: 
- Endotélio capilar
- Membrana Basal
- Células epiteliais (podócitos).
A alta intensidade da filtração pela membrana do capilar glomerular é decorrente do endotélio capilar ser fenestrados. Revestindo esse endotélio a membrana basal consiste em uma trama de colágeno e fibrilas proteoglicanas com grandes espaços, pelos quais grandes quantidades de água e pequenos solutos podem ser filtradas. (Ela possui carga negativa, o que evita a filtração das proteínas). Por último, os podócitos revestem a superfície externa dos capilares e são separados por fendas de filtração, pelas quais o filtrado glomerular se desloca. (Também possuem carga negativa). 
OBS: Apesar da alta intensidade da filtração, a barreira de filtração glomerular é seletiva na determinação de quais moléculas serão filtradas, com base no seu tamanho e carga elétrica. Logo, a filtrabilidade dos solutos é inversamente relacionada ao seu tamanho e grandes moléculas, com cargas negativas, são filtradas com menos facilidade. 
OBS1: Em certas doenças renais, as cargas negativas, na membrana basal, são perdidas até mesmo antes que ocorram alterações histológicas, condição conhecida como nefropatia com alteração mínima. Devido essa perda, algumas proteínas, com baixo peso molecular, especialmente a albumina, são filtradas e aparece na urina, condição conhecida como proteinuria ou albuminúria. 
Determinantes da filtração glomerular: Designada de função renal:
A filtração é determinada pela soma das forças hidrostáticas e coloidosmótica através da membrana glomerular que fornecem a pressão efetiva de filtração e pelo coeficiente glomerular (kf). 
- FG= KF X PRESSÃO LÍQUIDA DE FILTRAÇÃO. 
- PRESSÃO LÍQUIDA DE FILTRAÇÃO: FORÇAS DE STARLING (Pressão oncótica e hidrostática). 
A pressão efetiva de filtração representa a soma das forças hidrostáticas e coloidosmóticas que favorecem ou se opõem à filtração dos capilares. Essas forças incluem: pressão hidrostática nos capilares (pg) que promove a filtração, a pressão hidrostática na capsula de bowman (pb) que se opõe à filtração, a pressão coloidosmótica das proteínas plasmáticas (pig) e a pressão coloidosmóticas das proteínas na capsula de bowman que promove a filtração, ela é considerada nula. 
O KF é a medida do produto da condutividade hidráulica e da área de superfície dos capilares glomerulares. (Influenciado pelo mesangio que dá a área de filtração).
- KF= FG/PRESSÃO EFETIVA DE FILTRAÇÃO.
- KF= ÁREA X PERMEABILIDADE 
(O KF normal é aproximadamente 12,5 ml/min/mmhg de pressão de filtração). Esse alto KF para os capilares glomerulares contribui para a rápida intensidade de filtração do líquido.
Embora o KF elevado aumenta a filtração glomerular e o KF diminuído reduza a filtração, alterações no KF, provavelmente não são mecanismos primários para a regulação normal da filtração no dia a dia. 
- Por exemplo, na hipertensão crônica não controlada e diabetes melito gradualmente reduzem o KF pelo aumento da espessura da membrana capilar glomerular e eventualmente, pela lesão graves dos capilares, o que ocasiona perda da função capilar.
A pressão hidrostática aumentada na capsula de bowman diminui a filtração:
Essa condição não serve como meio primário de regulação da FG.
- Por exemplo: cálculos que se alojam no trato urinário, obstruem a liberação da urina e aumentam a pressão na capsula de bowman. Essa condição reduz a FG e pode ocasionar hidronefrose (dilatação da pelve renal e cálices renais) ou lesar e até mesmo destruir os rins. 
A pressão coloidosmótica capilar aumentada reduz a FG:
Dois fatores que influenciam a pressão coloidosmótica nos capilares são: 1- pressão coloidosmótica no plasma arterial e 2- a fração de plasma filtrada pelos capilares (fração de filtração- definida como FG/fluxo plasmático renal).
A pressão hidrostática capilar glomerular aumentada eleva a FG:
Ela serve como o modo primário para a regulação fisiológica da FG. Essa pressão é determinada por três variáveis:
- Pressão arterial (diretamente proporcional a FG).
- Resistência arteriolar aferente (Inversamente proporcional a FG).
- Resistencia arteriolar eferente (Tem efeito bifásico na FG- em níveis moderados a constricção ocorre leve aumento da FG, mas com maior constricção há queda na FG, pois ocorre elevação rápida não linear da pressão coloidosmótica causada pelo efeito Donnan- quanto maior a concentração proteica, mais rapidamente a pressão coloidosmótica se elevará por causa da interação dos íons ligados às proteínas plasmáticas, que também exercem efeito osmótico com as cargas negativas das proteínas plasmáticas).
- Presença de barorreceptor na arteríola aferente. 
- Se continuar esse aumento da resistência na eferente, à pressão coloidosmótica no glomérulo aumenta e isso gerará diminuição da filtração. 
OBS: Lembrar que não há pressão coloidosmótica na cápsula de Bowman, afinal nesse local não há presença de proteínas. As de baixo peso molecular passam, mas são reabsorvidas.
Sumário de Urina ou urina 1 normal: Não tem proteína, não tem células. (Porém, proteínas de baixo peso molecular passam e são filtradas e reabsorvidas no túbulo proximal, logo quando se tem uma proteinuria positiva de 24 horas e sumário negativo, são proteínas de baixo peso molecular e por conta disso, a reabsorção está ultrapassada).
- 10 células/campo (descamação do trato urinário).
- Ausência de proteínas (até de baixo peso molecular).
OBS1:
OBS2: Exames da função renal:
- Depuração de creatinina: é calculada a partir de uma amostra de sangue. 
- Cistatina C: proteína no sangue que é indicador da função renal
- Ureia nitrogenada: o nível no sangue. 
Fluxo sanguíneo renal:
 O fluxo sanguíneo para os rins é muito alto, com o proposito de suprir o plasma e promover altas intensidades de filtração glomerular, necessárias para a regulação precisa dos volumes dos líquidos corporais e das concentrações de solutos.
Os rins consomem duas vezes mais oxigênio que o cérebro, mas têm um fluxo sanguíneo quase sete vezes maior. Dessa forma, o oxigênio fornecido aos rins excede em muito, suas necessidades metabólicas, e a extração arteriovenosa de oxigênio é relativamente baixa. 
- Grande fração do oxigênio consumido pelos rins está relacionada à alta intensidade de reabsorção ativa de sódio pelos túbulos renais.
O fluxo sanguíneo renal é determinado:
- Pelo gradiente de pressão ao longo da vasculatura renal (diferença entre as pressões hidrostáticas na artéria renal e na veia renal dividido pela resistência vascular renal total, a qual reside em três segmentos principais: artérias interlobulares, arteríolas aferentes e arteríolas eferentes e tal condição é controlada pelo sistema nervoso simpático, vários hormônios e pelos mecanismos renais de controle local). 
OBS: Embora as alterações da pressão arterial tenham alguma influência sobre o fluxo sanguíneo renal, os rins têm mecanismos