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Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 1 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. RETROSPECTIVA HISTÓRICA DO SUS E REFORMA SANITÁRIA Século XVI e XVII (Período Colonial) – A colônia portuguesa na América era identificada como inferno. Grandes enfermidades, conflitos com os índios e dificuldades materiais de vida dificultavam a vida dos colonizadores e dos escravos. O Conselho Ultramarino Português, criou os cargos de físico mor e cirurgião mor, para cuidar da saúde das colônias, no entanto ninguém queria vir para o Brasil. Havia grande problemas, como, o tamanho do Brasil, a pobreza dos habitantes e um método de tratamento, baseado em sangria e purgação que causava medo na população. Mas foi o curandeirismo que se tornou o método da medicina mais utilizado, pois a população já estava acostumada a medicina tradicional popular. Também nessa época foram criadas as primeiras Santas Casas de Misericórdia, sendo a primeira instalada na cidade histórica de Olinda, em 1539. Século XIX – 1808 (Período do Império) – vinda da Corte para o Brasil. A cidade do Rio de Janeiro tornou-se o centro das ações sanitárias. E para atendimento mais constante e organizado das questões sanitárias, por ordem real, criou-se as academias médico cirúrgicas da Bahia e do Rio, portanto, as primeiras faculdades de medicina. Vale destacar que os médicos do Império, com seus conhecimentos da época não conseguiam evitar as doenças infecciosas e atribuíram aos navios que chegavam a causas das epidemias de varíola, febre amarela e cólera, entre outras – Criou-se assim a Inspetoria de Saúde dos Portos., sendo criada a polícia sanitária e as primeiras normas e regulamentos sanitários do país. Século XIX – XX (Período da República Velha) - Em 1889, houve a proclamação da República. Há uma descentralização das ações administrativas e sanitárias. Regularização dos serviços de polícia sanitária e adoção de normas para impedir o desenvolvimento das epidemias. (Predomínio de doenças transmissíveis: varíola, febre amarela, sífilis e tuberculose) Presidente Rodrigues Alves: importante para a saúde, sendo o primeiro a realizar as primeiras medidas de saúde pública de impacto. Criação da diretoria geral de saúde e nomeação de Oswaldo Cruz Revolta da vacina Controle da Febre Amarela Saneamento dos portos Criação do laboratório Farmaguinhos Modelo de saúde: Sanitarista campanhista: dura até início da década de 60 1917: Carlos Chagas substitui Oswaldo Cruz, realizando campanhas educativas em saúde, tirando o caráter policialesco e agressivo dos guardas sanitários. Vale destacar que o principal foco dessas ações foi em relação às doenças infecto parasitárias principalmente no que tange à Hanseníase e Tuberculose. Marco inicial da previdência social no Brasil: 1923: aprovação da Lei Eloy Chaves, gerando as caixas de aposentadoria e pensão (CAP). Era Vargas - Com a Revolução de 1930, como parte de uma política governamental de estruturação do Estado, foi criado o Ministério da Educação e Saúde. “Saúde centralizada no governo federal” Criação dos Institutos de aposentadoria e pensão (IAP) – o primeiro foi o dos trabalhadores marítimos (1933) Criação da SESP Criação do Ministério da saúde em 1953 Início da transição demográfica e epidemiológica: aumenta expectativa de vida, predomínio das doenças da pobreza e aumento das DCNT Ditadura Militar – A partir de 1964, com o golpe militar e derrubada do governo Jango, além de mudar toda a estrutura e modelo político, surge um novo modelo de atenção a saúde – Modelo médico assistencial privatista. Ocorre fusão dos IAP`s e surge o INPS (Instituto nacional da Previdência social, em 1966). Aumenta o poder do estado sobre a saúde, com o financiamento da previdência social para a construção de clínicas e hospitais privados, através de financiamento via Caixa Econômica Federal, com o famoso cheque em branco, juros mínimos e prazos a perder de vista. 1974: surge o SIMPAS (Sistema nacional de previdência e assistência social): subdivide-se em INPS (Instituto Nacional de previdência social) e INAMPS (Instituto nacional da assistência médica da previdência social) Década de 70: Tripé da saúde: estado como financiador do sistema, setor privado como maior prestador dos serviços e setor privado internacional como produtor de equipamentos e medicamentos. Privilégio do setor de saúde privado, mediante compra de serviço médico Nesta conjuntura predominavam: elevada mortalidade Infantil, casos de Tuberculose, malária, acidente de trabalho e doença de chagas, aumento da morbidade moderna e da pobreza e forte epidemia de Meningite Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 2 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. Reforma Sanitária – Movimento que surgiu como oposição e de luta contra a ditadura e o modelo de saúde vigente. 1976: criação da CEBES (Centro Brasileiro de Estudos Especiais em Saúde) 1979: Realização do 1º Simpósio sobre Política Nacional de Saúde na comissão de saúde da câmara dos deputados, produzindo as primeiras propostas para a construção do que viria a ser o SUS. 1979: Criação da ABRASCO (Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva) 1983: Surgimento do AIS (ações integradas em saúde) Movimento de reforma sanitária organiza a VIII Conferência Nacional de saúde em 1986, a primeira conferência que contou com ampla participação da sociedade Propõe o SUS, produzindo o relatório final, o qual foi entregue ao então presidente José Sarney Atenção: Em 1986 com a 8ᵒ Conferência Nacional de Saúde, houve discussões sobre o sistema de saúde, e as ideias do Movimento Sanitarista Brasileiro versava sobre as mudanças e transformações na área da saúde, cujo objetivo era a melhoria nas condições de vida da população. Segue abaixo as principais propostas e temas levantados e debatidos pelo movimento: - Proposta abrangente de mudança social e transformação da situação sanitária - Conceito ampliado de saúde - Reconhecimento da saúde como direito de todos e dever do Estado - Participação popular - Constituição e ampliação do orçamento social - Saúde como direito do cidadão e responsabilidade do estado, - A necessidade de um novo sistema de saúde, diante da constatação da falência do modelo vigente, - As formas de financiamento deste sistema - Convênio SUDS (1987): transição para o SUS MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE O modelo campanhista – influenciado por interesses agroexportadores no início do século XX – baseou-se em campanhas sanitárias para combater as epidemias de febre amarela, peste bubônica e varíola, implementando programas de vacinação obrigatória, desinfecção dos espaços públicos e domiciliares e outras ações de medicalização do espaço urbano, que atingiram, em sua maioria, as camadas menos favorecidas da população. Esse modelo predominou no cenário das políticas de saúde brasileiras até o início da década de 1960. O modelo previdenciário-privatista (Biomédico) teve seu início na década de 1920 sob a influência da medicina liberal e tinha o objetivo de oferecer assistência médico-hospitalar a trabalhadores urbanos e industriais, na forma de seguro-saúde/previdência. Sua organização é marcada pela lógica da assistência e da previdência social, inicialmente, restringindo-se a algumas corporaçõesde trabalhadores e, posteriormente, unificando-se no Instituto Nacional de Assistência e Previdência Social (INPS), em 1966, e ampliando-se progressivamente ao conjunto de trabalhadores formalmente inseridos na economia (Baptista, 2005). Esse modelo é conhecido também por seu aspecto hospitalocêntrico, uma vez que, a partir da década de 1940, a rede hospitalar passou a receber um volume crescente de investimentos, e a ‘atenção à saúde’ foi-se tornando sinônimo de assistência hospitalar. Trata-se da maior expressão na história do setor saúde brasileiro da concepção médico-curativa, fundada no paradigma flexneriano, caracterizado por uma concepção mecanicista do processo saúde-doença, pelo reducionismo da causalidade aos fatores biológicos e pelo foco da atenção sobre a doença e o indivíduo. Tal paradigma que organizou o ensino e o trabalho médico foi um dos responsáveis pela fragmentação e hierarquização do processo de trabalho em saúde e pela proliferação das especialidades médicas. Modelo de vigilância em saúde - Ao final da década de 1970, diversos segmentos da sociedade civil– entre eles, usuários e profissionais de saúde pública – insatisfeitos com o sistema de saúde brasileiro iniciaram um movimento que lutou pela ‘atenção à saúde’ como um direito de todos e um dever do Estado. Este movimento ficou conhecido como Reforma Sanitária Brasileira e culminou na instituição do SUS por meio da Constituição de 1988 e posteriormente regulamentado pelas Leis 8.080/90 e 8.142/90, chamadas Leis Orgânicas da Saúde. A partir da concepção ampliada do processo saúde-doença surgida nesse período, a ‘atenção à saúde’ intenta conceber e organizar as políticas e as ações de saúde numa perspectiva interdisciplinar, partindo da crítica em relação aos modelos excludentes, seja o biomédico curativo ou o preventivista. Portanto, se constitui o modelo de atenção de vigilância em saúde, tendo a premissa de desenvolver políticas e organizar serviços, ações e o próprio trabalho em saúde, de forma a atenderem as necessidades de saúde dos indivíduos, nas suas singularidades, e dos grupos sociais, na sua relação com suas formas de vida, suas Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 3 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. especificidades culturais e políticas. O modelo de atenção pode, enfim, buscar garantir a continuidade do atendimento nos diversos momentos e contextos em que se objetiva a ‘atenção à saúde’. A Vigilância à Saúde (VISAU) surge no final dos anos 80 e início dos anos 90, (MENDES, 1993; PAIM, 1993b; TEIXEIRA e MELO, 1995), a partir da “refuncionalização” do modelo da HND (LEAVELL e CLARK, 1978), da incorporação da Promoção da Saúde e dos pressupostos do modelo da Determinação Social do processo saúde-doença, tomando o ideal da integralidade da atenção como imagem-objetivo a nortear arranjos tecnológicos entre práticas articuladas voltadas a controlar determinantes, riscos e agravos à saúde. As intervenções propostas para enfrentar os problemas de saúde prioritários incluem desde ações de controle dos determinantes, especialmente aquelas que exigem a conjugação de esforços de articulação intersetorial, passando por ações de proteção específica, de prevenção de riscos atuais ou potenciais, de triagem e diagnóstico precoce, até a redução de danos já instalados e de possíveis sequelas, mediante ações de reabilitação. Desse modo, a VISAU busca articular o “enfoque populacional” (promoção) com o “enfoque de risco” (prevenção) e o enfoque clínico (assistência) constituindo-se em um referencial para a reorganização de um conjunto de políticas e práticas que podem assumir configurações específicas de acordo com a situação de saúde da população, em cada país, estado ou município. A operacionalização dessa proposta ao envolver a população organizada, inclusive, contempla o uso de tecnologias de comunicação social para a mobilização e organização dos diversos grupos para a promoção e defesa das suas condições de vida e saúde, transcendendo, portanto, o sistema de saúde e expandindo-se a outros setores e órgãos de ação governamental e não governamental. Nesse sentido, o modelo também trabalha com propostas de atenção dirigidas a grupos específicos que podem ser descritas como políticas voltadas para ‘atenção à saúde’ por ciclo de vida – ‘atenção à saúde’ do idoso, à criança e ao adolescente, ‘atenção à saúde’ do adulto; a portadores de doenças específicas – atenção à hipertensão arterial, diabetes, hanseníase, DST/Aids, entre outras; e também relativas a questões de gênero – saúde da mulher e, mais recentemente, saúde do homem. CONSTITUIÇÃO DE 1988 – Com a promulgação da Constituição de 88, ocorre a aprovação do SUS, sendo marcado pela institucionalização das propostas da reforma sanitária, no qual vem a ser reforçado pela Lei Orgânica da Saúde 8080/90 ( lei que regulamenta os preceitos constitucionais do SUS- Sistema Único de Saúde) ao se integrar ao conjunto das competências do SUS; reforçando o seu papel de garantir a melhoria da qualidade de vida da população, através de ações de controle do meio ambiente, da saúde do trabalhador, do monitoramento da qualidade dos bens e serviços ofertados à população. Título VIII da Ordem Social, Capítulo II da Seguridade Social e Seção II da Saúde Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: Atenção – DAIP ou PAID I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III - participação da comunidade. § 1º. O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes § 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calculados sobre: I - No caso da União, a receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro, não podendo ser inferior a 15% (quinze por cento); II - no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos Municípios; Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 4 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. III - no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159,inciso I, alínea b e § 3º. § 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada cinco anos, estabelecerá: II - os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde destinados aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, e dos Estados destinados a seus respectivos Municípios, objetivando a progressiva redução das disparidades regionais; III - as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas esferas federal, estadual, distrital e municipal § 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias por meio de processo seletivo público, de acordo com a natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para sua atuação. § 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o piso salarial profissional nacional, as diretrizes para os Planos de Carreira e a regulamentação das atividades de agente comunitário de saúde e agente de combate às endemias, competindo à União, nos termos da lei, prestar assistência financeira complementar aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, para o cumprimento do referido piso salarial. § 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º do art. 169 da Constituição Federal, o servidor que exerça funções equivalentes às de agente comunitário de saúde ou de agente de combate às endemias poderá perder o cargo em caso de descumprimento dos requisitos específicos, fixados em lei, para o seu exercício. Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. (Atenção – a que mais CAI na prova) § 1º - As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. § 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins lucrativos. § 3º É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei. § 4º A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização. Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos; II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde; IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico; V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação; VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano; VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DO SUS - O SUS segue uma mesma doutrina e os mesmos princípios organizativos, em todo o território nacional. Não se trata, portanto, de uma prestação de serviço ou uma instituição, mas de um “Sistema” estruturado em nível nacional, composto por unidades, serviços e ações que interagem, objetivando um fim comum, baseado nos seguintes princípios: Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 5 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. - Doutrina do SUS: Baseado nos preceitos constitucionais, a construção do SUS se norteia pelos seguintes princípios doutrinários: Universalidade: É a garantia de atenção à saúde por parte do sistema, a todo e qualquer cidadão. Com a universalidade, o indivíduo passa a ter direito de acesso a todos os serviços públicos de saúde, assim como aqueles contratados pelo poder público, Saúde é direito de cidadania e dever do Governo: municipal, estadual e federal. Equidade: É assegurar ações e serviços de todos os níveis de acordo com a complexidade que cada caso requeira saúde, assim como aqueles contratados pelo poder público. Todo cidadão é igual perante ao SUS, mas será atendido conforme suas necessidades, canalizando mais atenção aos que mais precisam. Integralidade: Cada pessoa é um todo indivisível e integrante de uma comunidade. As ações de promoção, proteção e recuperação da saúde formam também um todo indivisível e não podem ser compartimentalizadas. As unidades prestadoras de serviço, com seus diversos graus de complexidade, formam também um todo indivisível configurando um sistema capaz de prestar assistência integral. Enfim: "O homem é um ser integral, biopsicossocial, e deverá ser atendido com esta visão integral por um sistema de saúde também integral, voltando a promover, proteger e recuperar sua saúde." - Quais são os princípios que regem a organização do SUS? Regionalização: A população deve estar vinculada a uma rede de serviços hierarquizados, organizados por região, com área geográfica definida. É um processo de articulação entre os serviços existentes, com comando unificado. A oferta de serviços deve ser planejada de acordo com os critérios epidemiológicos Hierarquização: Os serviços devem ser organizados em níveis de complexidade crescente. Além de dividir os serviços em níveis de atenção, deve incorporar os fluxos de encaminhamento (referência) e de retornos de informações ao nível básico do serviço (contra-referência). Resolubilidade: É a exigência de que, quando um indivíduo busca o atendimento ou quando surge um problema de impacto coletivo sobre a saúde, o serviço correspondente esteja capacitado para enfrentá-lo e resolvê-lo até o nível da sua competência. Descentralização: É entendida como uma redistribuição das responsabilidades quanto às ações e serviços de saúde entre os vários níveis de governo, a partir da ideia de que quanto mais perto do fato a decisão for tomada, mais chance haverá de acerto. Assim, o que é abrangência de um município deve ser de responsabilidade do governo municipal; o que abrange um estado ou uma região estadual deve estar sob responsabilidade do governo estadual; e, o que for de abrangência nacional será de responsabilidade federal. Participação dos cidadãos: É a garantia constitucional de que a população, através de suas entidades representativas, participará do processo de formulação e controle da execução das políticas de saúde, em todos os níveis, desde o federal até o local. Essa participação deve se dar nos Conselhos de Saúde, com representação paritária de usuários, governo, profissionais de saúde e prestadores de serviço. Outra forma de participação são as conferências de saúde, periódicas, para definir prioridades e linhas de ação sobre a saúde. Deve ser também considerado como elemento do processo participativo, o dever das instituições de oferecerem as informações e conhecimentos necessários para que a população se posicione sobre as questões que dizem respeito à sua saúde. Complementariedade do setor privado: A Constituição definiu que, quando por insuficiência do setor público, for necessário a contrataçãode serviços privados, isso deve se dar sob três condições: 1ª - a celebração de contrato, conforme as normas de direito público, ou seja, interesse público prevalecendo sobre o particular; 2ª - a instituição privada deverá estar de acordo com os princípios básicos e normas técnicas do SUS. Prevalecem, assim, os princípios da universalidade, equidade, etc., como se o serviço privado fosse público, uma vez que, quando contratado, atua em nome deste; 3ª - a integração dos serviços privados deverá se dar na mesma lógica organizativa do SUS, em termos de posição definida na rede regionalizada e hierarquizada dos serviços. Dessa forma, em cada região, deverá estar claramente estabelecido, considerando-se os serviços públicos e privados contratados, quem vai fazer o que, em que nível e em que lugar. Dentre os serviços privados, devem ter preferência os serviços não lucrativos, conforme determina a Constituição. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 6 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. LEI 8.080/90 - Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Art. 1º Esta lei regula, em todo o território nacional, as ações e serviços de saúde, executados isolada ou conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais ou jurídicas de direito Público ou privado. § 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, das empresas e da sociedade. Art. 3 o Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. (ATENÇÃO: CONCEITO DE SAÚDE DEFINIDO NO SUS) Art. 4º O conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público, constitui o Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS): I - a execução de ações: a) de vigilância sanitária; b) de vigilância epidemiológica; c) de saúde do trabalhador; e d) de assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica; II - a participação na formulação da política e na execução de ações de saneamento básico; III - a ordenação da formação de recursos humanos na área de saúde; IV - a vigilância nutricional e a orientação alimentar; V - a colaboração na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho; VI - a formulação da política de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos e outros insumos de interesse para a saúde e a participação na sua produção; VII - o controle e a fiscalização de serviços, produtos e substâncias de interesse para a saúde; VIII - a fiscalização e a inspeção de alimentos, água e bebidas para consumo humano; IX - a participação no controle e na fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; X - o incremento, em sua área de atuação, do desenvolvimento científico e tecnológico; XI - a formulação e execução da política de sangue e seus derivados. § 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: § 2º Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos. Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios: I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência; II - integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema; III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral; IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie; V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde; VI - divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário; VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática; VIII - participação da comunidade; IX - descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo: a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios; b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde; Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 7 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. X - integração em nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e saneamento básico; XI - conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na prestação de serviços de assistência à saúde da população; XII - capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência; e XIII - organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins idênticos. XIV – organização de atendimento público específico e especializado para mulheres e vítimas de violência doméstica em geral, que garanta, entre outros, atendimento, acompanhamento psicológico e cirurgias plásticas reparadoras, em conformidade com a Lei nº 12.845, de 1º de agosto de 2013. (Redação dada pela Lei nº 13.427, de 2017) Art. 9º A direção do Sistema Único de Saúde (SUS) é única, de acordo com o inciso I do art. 198 da Constituição Federal, sendo exercida em cada esfera de governo pelos seguintes órgãos: I - no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde; II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente; e III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente. Art. 10. Os municípios poderão constituir consórcios para desenvolver em conjunto as ações e os serviços de saúde que lhes correspondam. § 1º Aplica-se aos consórcios administrativos intermunicipais o princípio da direção única, e os respectivos atos constitutivos disporão sobre sua observância. § 2º No nível municipal, o Sistema Único de Saúde (SUS), poderá organizar-se em distritos de forma a integrar e articular recursos, técnicas e práticas voltadas para a cobertura total das ações de saúde. Art. 12. Serão criadas comissões intersetoriais de âmbito nacional, subordinadas ao Conselho Nacional de Saúde, integradas pelos Ministérios e órgãos competentes e por entidades representativas da sociedade civil. Parágrafo único. As comissõesintersetoriais terão a finalidade de articular políticas e programas de interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas não compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 13. A articulação das políticas e programas, a cargo das comissões intersetoriais, abrangerá, em especial, as seguintes atividades: I - alimentação e nutrição; II - saneamento e meio ambiente; III - vigilância sanitária e farmacoepidemiologia; IV - recursos humanos; V - ciência e tecnologia; e VI - saúde do trabalhador. Art. 14-A. As Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite são reconhecidas como foros de negociação e pactuação entre gestores, quanto aos aspectos operacionais do Sistema Único de Saúde (SUS Parágrafo único. A atuação das Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite terá por objetivo: Art. 14-B. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) são reconhecidos como entidades representativas dos entes estaduais e municipais para tratar de matérias referentes à saúde e declarados de utilidade pública e de relevante função social, na forma do regulamento. § 2 o Os Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) são reconhecidos como entidades que representam os entes municipais, no âmbito estadual, para tratar de matérias referentes à saúde, desde que vinculados institucionalmente ao Conasems, na forma que dispuserem seus estatutos Capítulo IV - Da Competência e das Atribuições Das Atribuições Comuns II - administração dos recursos orçamentários e financeiros destinados, em cada ano, à saúde; IV - organização e coordenação do sistema de informação de saúde; VIII - elaboração e atualização periódica do plano de saúde; IX - participação na formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos para a saúde; X - elaboração da proposta orçamentária do Sistema Único de Saúde (SUS), de conformidade com o plano de saúde; XI - elaboração de normas para regular as atividades de serviços privados de saúde, tendo em vista a sua relevância pública; XIV - implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados; Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 8 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. XV - propor a celebração de convênios, acordos e protocolos internacionais relativos à saúde, saneamento e meio ambiente; XVII - promover articulação com os órgãos de fiscalização do exercício profissional e outras entidades representativas da sociedade civil para a definição e controle dos padrões éticos para pesquisa, ações e serviços de saúde; XIX - realizar pesquisas e estudos na área de saúde; Das atribuições da direção nacional do Sistema Único da Saúde: I - formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação e nutrição; III - definir e coordenar os sistemas: a) de redes integradas de assistência de alta complexidade; b) de rede de laboratórios de saúde pública; c) de vigilância epidemiológica; e d) vigilância sanitária; VI - coordenar e participar na execução das ações de vigilância epidemiológica; IX - promover articulação com os órgãos educacionais e de fiscalização do exercício profissional, bem como com entidades representativas de formação de recursos humanos na área de saúde; X - formular, avaliar, elaborar normas e participar na execução da política nacional e produção de insumos e equipamentos para a saúde, em articulação com os demais órgãos governamentais; XIII - prestar cooperação técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o aperfeiçoamento da sua atuação institucional; XIV - elaborar normas para regular as relações entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços privados contratados de assistência à saúde; XVI - normatizar e coordenar nacionalmente o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados; XVIII - elaborar o Planejamento Estratégico Nacional no âmbito do SUS, em cooperação técnica com os Estados, Municípios e Distrito Federal; XIX - estabelecer o Sistema Nacional de Auditoria e coordenar a avaliação técnica e financeira do SUS em todo o Território Nacional em cooperação técnica com os Estados, Municípios e Distrito Federal Parágrafo único. A União poderá executar ações de vigilância epidemiológica e sanitária em circunstâncias especiais, como na ocorrência de agravos inusitados à saúde, que possam escapar do controle da direção estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) ou que representem risco de disseminação nacional. Das atribuições da direção estadual do Sistema Único de Saúde: I - promover a descentralização para os Municípios dos serviços e das ações de saúde; II - acompanhar, controlar e avaliar as redes hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS); III - prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios e executar supletivamente ações e serviços de saúde; IV - coordenar e, em caráter complementar, executar ações e serviços: a) de vigilância epidemiológica; b) de vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; e d) de saúde do trabalhador; Das atribuições da direção municipal do Sistema de Saúde: II - participar do planejamento, programação e organização da rede regionalizada e hierarquizada do Sistema Único de Saúde (SUS), em articulação com sua direção estadual; IV - executar serviços: a) de vigilância epidemiológica; b) vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; d) de saneamento básico; e e) de saúde do trabalhador; V - dar execução, no âmbito municipal, à política de insumos e equipamentos para a saúde; VII - formar consórcios administrativos intermunicipais; VIII - gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros; IX - colaborar com a União e os Estados na execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; XI - controlar e fiscalizar os procedimentos dos serviços privados de saúde; Art. 19. Ao Distrito Federal competem as atribuições reservadas aos Estados e aos Municípios. Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena Art. 19-A. As ações e serviços de saúde voltados para o atendimento das populações indígenas, em todo o território nacional, coletiva ou individualmente, obedecerão ao disposto nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 9 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. Art. 19-C. Caberá à União, com seus recursos próprios, financiar o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. Art. 19-E. Os Estados, Municípios, outras instituições governamentais e não-governamentais poderão atuar complementarmente no custeio e execução das ações § 1 o O Subsistema de que trata o caput deste artigo terá como base os Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Art. 19-H. As populações indígenas terão direito a participar dos organismos colegiados de formulação, acompanhamento e avaliação das políticas de saúde, tais como o Conselho Nacional de Saúde e os Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde, quando for o caso. Da assistência terapêutica e da incorporação de tecnologia em saúde I - dispensação de medicamentos e produtos de interesse para a saúde, cuja prescrição esteja em conformidade com as diretrizes terapêuticas definidas em protocolo clínico para a doença ou o agravo à saúde a ser tratado ou, na falta do protocolo, em conformidadecom o disposto no art. 19-P; II - oferta de procedimentos terapêuticos, em regime domiciliar, ambulatorial e hospitalar, constantes de tabelas elaboradas pelo gestor federal do Sistema Único de Saúde - SUS, realizados no território nacional por serviço próprio, conveniado ou contratado. I - produtos de interesse para a saúde: órteses, próteses, bolsas coletoras e equipamentos médicos; II - protocolo clínico e diretriz terapêutica: documento que estabelece critérios para o diagnóstico da doença ou do agravo à saúde; o tratamento preconizado, com os medicamentos e demais produtos apropriados, quando couber; as posologias recomendadas; os mecanismos de controle clínico; e o acompanhamento e a verificação dos resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores do SUS. Art. 19-Q. A incorporação, a exclusão ou a alteração pelo SUS de novos medicamentos, produtos e procedimentos, bem como a constituição ou a alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica, são atribuições do Ministério da Saúde, assessorado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. § 1 o A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, cuja composição e regimento são definidos em regulamento, contará com a participação de 1 (um) representante indicado pelo Conselho Nacional de Saúde e de 1 (um) representante, especialista na área, indicado pelo Conselho Federal de Medicina. Dos serviços privados de assistência à saùde Art. 20. Os serviços privados de assistência à saúde caracterizam-se pela atuação, por iniciativa própria, de profissionais liberais, legalmente habilitados, e de pessoas jurídicas de direito privado na promoção, proteção e recuperação da saúde. Art. 21. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. Art. 23. É permitida a participação direta ou indireta, inclusive controle, de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) I - doações de organismos internacionais vinculados à Organização das Nações Unidas, de entidades de cooperação técnica e de financiamento e empréstimos; II - pessoas jurídicas destinadas a instalar, operacionalizar ou explorar: a) hospital geral, inclusive filantrópico, hospital especializado, policlínica, clínica geral e clínica especializada; e b) ações e pesquisas de planejamento familiar; III - serviços de saúde mantidos, sem finalidade lucrativa, por empresas, para atendimento de seus empregados e dependentes, sem qualquer ônus para a seguridade social; Da Participação Complementar Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem insuficientes para garantir a cobertura assistencial à população de uma determinada área, o Sistema Único de Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços ofertados pela iniciativa privada. Parágrafo único. A participação complementar dos serviços privados será formalizada mediante contrato ou convênio, observadas, a respeito, as normas de direito público. Art. 25. Na hipótese do artigo anterior, as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos terão preferência para participar do Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 26. Os critérios e valores para a remuneração de serviços e os parâmetros de cobertura assistencial serão estabelecidos pela direção nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), aprovados no Conselho Nacional de Saúde. § 4° Aos proprietários, administradores e dirigentes de entidades ou serviços contratados é vedado exercer cargo de chefia ou função de confiança no Sistema Único de Saúde (SUS). Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 10 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. Dos recursos humanos I - organização de um sistema de formação de recursos humanos em todos os níveis de ensino, inclusive de pós-graduação, além da elaboração de programas de permanente aperfeiçoamento de pessoal; IV - valorização da dedicação exclusiva aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 28. Os cargos e funções de chefia, direção e assessoramento, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), só poderão ser exercidas em regime de tempo integral. § 1° Os servidores que legalmente acumulam dois cargos ou empregos poderão exercer suas atividades em mais de um estabelecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Do financiamento Art. 31. O orçamento da seguridade social destinará ao Sistema Único de Saúde (SUS) de acordo com a receita estimada, os recursos necessários à realização de suas finalidades, previstos em proposta elaborada pela sua direção nacional, com a participação dos órgãos da Previdência Social e da Assistência Social, tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Art. 33. Os recursos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS) serão depositados em conta especial, em cada esfera de sua atuação, e movimentados sob fiscalização dos respectivos Conselhos de Saúde. § 1º Na esfera federal, os recursos financeiros, originários do Orçamento da Seguridade Social, de outros Orçamentos da União, além de outras fontes, serão administrados pelo Ministério da Saúde, através do Fundo Nacional de Saúde. § 4º O Ministério da Saúde acompanhará, através de seu sistema de auditoria, a conformidade à programação aprovada da aplicação dos recursos repassados a Estados e Municípios. Constatada a malversação, desvio ou não aplicação dos recursos, caberá ao Ministério da Saúde aplicar as medidas previstas em lei. Art. 35. Para o estabelecimento de valores a serem transferidos a Estados, Distrito Federal e Municípios, será utilizada a combinação dos seguintes critérios, segundo análise técnica de programas e projetos: I - perfil demográfico da região; II - perfil epidemiológico da população a ser coberta; III - características quantitativas e qualitativas da rede de saúde na área; IV - desempenho técnico, econômico e financeiro no período anterior; V - níveis de participação do setor saúde nos orçamentos estaduais e municipais; VI - previsão do plano qüinqüenal de investimentos da rede; VII - ressarcimento do atendimento a serviços prestados para outras esferas de governo. Do Planejamento e do Orçamento Art. 36. O processo de planejamento e orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) será ascendente, do nível local até o federal, ouvidos seus órgãos deliberativos, compatibilizando-se as necessidades da política de saúde com a disponibilidade de recursos em planos de saúde dos Municípios, dos Estados, do Distrito Federal e da União. § 1º Os planos de saúde serão a base das atividades e programações de cada nível de direção do Sistema Único de Saúde (SUS), e seu financiamento será previsto na respectiva proposta orçamentária. § 2º É vedada a transferência de recursos para o financiamento de ações não previstas nos planos de saúde, exceto em situações emergenciais ou de calamidade pública, na área de saúde. Art. 45. Os serviços de saúde dos hospitais universitários e de ensino integram-se ao Sistema Único de Saúde (SUS), mediante convênio, preservada a sua autonomia administrativa, em relação ao patrimônio, aos recursos humanos e financeiros, ensino, pesquisa e extensão nos limites conferidos pelas instituições a que estejam vinculados. § 2º Em tempo de paz e havendo interesse recíproco, os serviços de saúde das Forças Armadas poderão integrar-se ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme se dispuser em convênio que, para esse fim, for firmado. LEI 8.142/90 - Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursosfinanceiros na área da saúde e dá outras providências. Art. 1° O Sistema Único de Saúde (SUS), de que trata a Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990, contará, em cada esfera de governo, sem prejuízo das funções do Poder Legislativo, com as seguintes instâncias colegiadas: I - a Conferência de Saúde; e II - o Conselho de Saúde. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 11 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. § 1° A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada quatro anos com a representação dos vários segmentos sociais, para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis correspondentes, convocada pelo Poder Executivo ou, extraordinariamente, por esta ou pelo Conselho de Saúde. § 2° O Conselho de Saúde, em caráter permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada esfera do governo. § 3° O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) terão representação no Conselho Nacional de Saúde. § 4° A representação dos usuários nos Conselhos de Saúde e Conferências será paritária em relação ao conjunto dos demais segmentos. § 5° As Conferências de Saúde e os Conselhos de Saúde terão sua organização e normas de funcionamento definidas em regimento próprio, aprovadas pelo respectivo conselho. Art. 2° Os recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) serão alocados como: I - despesas de custeio e de capital do Ministério da Saúde, seus órgãos e entidades, da administração direta e indireta; II - investimentos previstos em lei orçamentária, de iniciativa do Poder Legislativo e aprovados pelo Congresso Nacional; III - investimentos previstos no Plano Qüinqüenal do Ministério da Saúde; IV - cobertura das ações e serviços de saúde a serem implementados pelos Municípios, Estados e Distrito Federal. § 2° Os recursos referidos neste artigo serão destinados, pelo menos setenta por cento, aos Municípios, afetando-se o restante aos Estados. § 3° Os Municípios poderão estabelecer consórcio para execução de ações e serviços de saúde, remanejando, entre si, parcelas de recursos previstos no inciso IV do art. 2° desta lei. Art. 4° Para receberem os recursos, de que trata o art. 3° desta lei, os Municípios, os Estados e o Distrito Federal deverão contar com: I - Fundo de Saúde; II - Conselho de Saúde, com composição paritária; III - plano de saúde; IV - relatórios de gestão que permitam o controle; V - contrapartida de recursos para a saúde no respectivo orçamento; VI - Comissão de elaboração do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), previsto o prazo de dois anos para sua implantação. Parágrafo único. O não atendimento pelos Municípios, ou pelos Estados, ou pelo Distrito Federal, dos requisitos estabelecidos neste artigo, implicará em que os recursos concernentes sejam administrados, respectivamente, pelos Estados ou pela União. RESOLUÇÃO 453/12 - DA DEFINIÇÃO DE CONSELHO DE SAÚDE O Conselho de Saúde é uma instância colegiada, deliberativa e permanente do Sistema Único de Saúde (SUS) em cada esfera de Governo, integrante da estrutura organizacional do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com composição, organização e competência fixadas na Lei no 8.142/90. O processo bem-sucedido de descentralização da saúde promoveu o surgimento de Conselhos Regionais, Conselhos Locais, Conselhos Distritais de Saúde, incluindo os Conselhos dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, sob a coordenação dos Conselhos de Saúde da esfera correspondente. Assim, os Conselhos de Saúde são espaços instituídos de participação da comunidade nas políticas públicas e na administração da saúde. Parágrafo único. Como Subsistema da Seguridade Social, o Conselho de Saúde atua na formulação e proposição de estratégias e no controle da execução das Políticas de Saúde, inclusive nos seus aspectos econômicos e financeiros. O Conselho de Saúde será composto por representantes de entidades, instituições e movimentos representativos de usuários, de entidades representativas de trabalhadores da área da saúde, do governo e de entidades representativas de prestadores de serviços de saúde, sendo o seu presidente eleito entre os membros do Conselho, em reunião plenária. Nos Municípios onde não existem entidades, instituições e movimentos organizados em número suficiente para compor o Conselho, a eleição da representação será realizada em plenária no Município, promovida pelo Conselho Municipal de maneira ampla e democrática. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 12 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. II - Mantendo o que propôs as Resoluções nos 33/92 e 333/03 do CNS e consoante com as Recomendações da 10a e 11a Conferências Nacionais de Saúde, as vagas deverão ser distribuídas da seguinte forma: a) 50% de entidades e movimentos representativos de usuários; b) 25% de entidades representativas dos trabalhadores da área de saúde; c) 25% de representação de governo e prestadores de serviços privados conveniados, ou sem fins lucrativos. III - A participação de órgãos, entidades e movimentos sociais terá como critério a representatividade, a abrangência e a complementaridade do conjunto da sociedade, no âmbito de atuação do Conselho de Saúde. De acordo com as especificidades locais, aplicando o princípio da paridade, serão contempladas, dentre outras, as seguintes representações: a) associações de pessoas com patologias; b) associações de pessoas com deficiências; c) entidades indígenas; d) movimentos sociais e populares, organizados (movimento negro, LGBT...); e) movimentos organizados de mulheres, em saúde... IV - As entidades, movimentos e instituições eleitas no Conselho de Saúde terão os conselheiros indicados, por escrito, conforme processos estabelecidos pelas respectivas entidades, movimentos e instituições e de acordo com a sua organização, com a recomendação de que ocorra renovação de seus representantes. V - Recomenda-se que, a cada eleição, os segmentos de representações de usuários, trabalhadores e prestadores de serviços, ao seu critério, promovam a renovação de, no mínimo, 30% de suas entidades representativas. VI - A representação nos segmentos deve ser distinta e autônoma em relação aos demais segmentos que compõem o Conselho, por isso, um profissional com cargo de direção ou de confiança na gestão do SUS, ou como prestador de serviços de saúde não pode ser representante dos(as) Usuários(as) ou de Trabalhadores(as). VIII - A participação dos membros eleitos do Poder Legislativo, representação do Poder Judiciário e do Ministério Público, como conselheiros, não é permitida nos Conselhos de Saúde. IX - Quando não houver Conselho de Saúde constituído ou em atividade no Município, caberá ao Conselho Estadual de Saúde assumir, junto ao executivo municipal, a convocação e realização da Conferência Municipal de Saúde, que terá como um de seus objetivos a estruturação e composição do ConselhoMunicipal. O mesmo será atribuído ao Conselho Nacional de Saúde, quando não houver Conselho Estadual de Saúde constituído ou em funcionamento. X - As funções, como membro do Conselho de Saúde, não serão remuneradas, considerando-se o seu exercício de relevância pública e, portanto, garante a dispensa do trabalho sem prejuízo para o conselheiro. Para fins de justificativa junto aos órgãos, entidades competentes e instituições, o Conselho de Saúde emitirá declaração de participação de seus membros durante o período das reuniões, representações, capacitações e outras atividades específicas. I - cabe ao Conselho de Saúde deliberar em relação à sua estrutura administrativa e o quadro de pessoal; II - o Conselho de Saúde contará com uma secretaria-executiva coordenada por pessoa preparada para a função, para o suporte técnico e administrativo, subordinada ao Plenário do Conselho de Saúde, que definirá sua estrutura e dimensão; III - o Conselho de Saúde decide sobre o seu orçamento; IV - o Plenário do Conselho de Saúde se reunirá, no mínimo, a cada mês e, extraordinariamente, quando necessário, e terá como base o seu Regimento Interno. A pauta e o material de apoio às reuniões devem ser encaminhados aos conselheiros com antecedência mínima de 10 (dez) dias; V - as reuniões plenárias dos Conselhos de Saúde são abertas ao público e deverão acontecer em espaços e horários que possibilitem a participação da sociedade; VI - o Conselho de Saúde exerce suas atribuições mediante o funcionamento do Plenário, que, além das comissões intersetoriais, estabelecidas na Lei no 8.080/90, instalará outras comissões intersetoriais e grupos de trabalho de conselheiros para ações transitórias. As comissões poderão contar com integrantes não conselheiros; XII - o Pleno do Conselho de Saúde deverá manifestar-se por meio de resoluções, recomendações, moções e outros atos deliberativos. Fica revogada a Resolução do CNS no 333, de 4 de novembro de 2003. PACTO PELA SAÚDE – Consolidação do SUS e aprova as Diretrizes Operacionais do Referido Pacto. As prioridades do PACTO PELA VIDA e seus objetivos para 2006 são: I – PACTO PELA VIDA O Pacto pela Vida é o compromisso entre os gestores do SUS em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situação de saúde da população brasileira. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 13 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. A definição de prioridades deve ser estabelecida através de metas nacionais, estaduais, regionais ou municipais. Prioridades estaduais ou regionais podem ser agregadas às prioridades nacionais, conforme pactuação local. Os estados/região/município devem pactuar as ações necessárias para o alcance das metas e dos objetivos propostos. São seis as prioridades pactuadas: A – SAÚDE DO IDOSO Para efeitos desse Pacto será considerada idosa a pessoa com 60 anos ou mais. 1 - O trabalho nesta área deve seguir as seguintes diretrizes: - Promoção do envelhecimento ativo e saudável; - Atenção integral e integrada à saúde da pessoa idosa; - A implantação de serviços de atenção domiciliar; - O acolhimento preferencial em unidades de saúde, respeitado o critério de risco; - Fortalecimento da participação social; - Formação e educação permanente dos profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa; - Divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS; - Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas. B– CONTROLE DO CÂNCER DE COLO DE ÚTERO E DE MAMA: 1 - Objetivos e metas para o Controle do Câncer de Colo de Útero: - Cobertura de 80% para o exame preventivo do câncer do colo de útero, conforme protocolo, em 2006. - Incentivo da realização da cirurgia de alta frequência técnica que utiliza um instrumental especial para a retirada de lesões ou parte do colo uterino comprometidas (com lesões intra-epiteliais de alto grau) com menor dano possível, que pode ser realizada em ambulatório, com pagamento diferenciado, em 2006. 2 – Metas para o Controle do Câncer de mama: - Ampliar para 60% a cobertura de mamografia, conforme protocolo. - Realizar a punção em 100% dos casos necessários, conforme protocolo. C – REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA E INFANTIL: 1 - Objetivos e metas para a redução da mortalidade infantil - Reduzir a mortalidade neonatal em 5%, em 2006. - Reduzir em 50% os óbitos por doença diarreica e 20% por pneumonia, em 2006. - Apoiar a elaboração de propostas de intervenção para a qualificação da atenção as doenças prevalentes. - Criação de comitês de vigilância do óbito em 80% dos municípios com população acima de 80.000 habitantes, em 2006. 2 - Objetivos e metas para a redução da mortalidade materna - Reduzir em 5% a razão de mortalidade materna, em 2006. - Garantir insumos e medicamentos para tratamento das síndromes hipertensivas no parto. - Qualificar os pontos de distribuição de sangue para que atendam as necessidades das maternidades e outros locais de parto. D – FORTALECIMENTO DA CAPACIDADE DE RESPOSTAS ÀS DOENÇAS EMERGENTES E ENDEMIAS, COM ÊNFASE NA DENGUE, HANSENIASE, TUBERCULOSE, MALARIA E INFLUENZA. Objetivos e metas para o Controle da Dengue - Plano de Contingência para atenção aos pacientes, elaborado e implantado nos municípios prioritários, em 2006; - Reduzir a menos de 1% a infestação predial por Aedes aegypti em 30% dos municípios prioritários ate 2006; 2 - Meta para a Eliminação da Hanseníase: - Atingir o patamar de eliminação enquanto problema de saúde pública, ou seja, menos de 1 caso por 10.000 habitantes em todos os municípios prioritários, em 2006. 3 - Metas para o Controle da Tuberculose: - Atingir pelo menos 85% de cura de casos novos de tuberculose bacilífera diagnosticados a cada ano; 4- Meta para o Controle da Malária - Reduzir em 15% a Incidência Parasitária Anual, na região da Amazônia Legal, em 2006; 5 – Objetivo para o controle da Influenza - Implantar plano de contingência, unidades sentinelas e o sistema de informação - SIVEP-GRIPE, em 2006. E – PROMOÇÃO DA SAÚDE 1 - Objetivos: - Elaborar e implementar uma Política de Promoção da Saúde, de responsabilidade dos três gestores; Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 14 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. - Enfatizar a mudança de comportamento da população brasileira de forma a internalizar a responsabilidade individual da prática de atividade física regular, alimentação adequada e saudável e combate ao tabagismo; - Articular e promover os diversos programas de promoção de atividade física já existentes e apoiar a criação de outros; - Promover medidas concretas pelo hábito da alimentação saudável; - Elaborar e pactuar a Política Nacional de Promoção da Saúde que contemple as especificidades próprias dos estados e municípios devendo iniciar sua implementação em 2006; focando ao todo sete principais aspectos: Alimentação saudável, Combate ao sedentarismo e ao tabagismo, Redução da morbimortalidade por uso de álcool e drogas, Redução da morbimortalidade por acidentes de transito, prevenção da violência e promoção do desenvolvimento sustentável. F – FORTALECIMENTO DA ATENÇÃO BÁSICA 1 - Objetivos - Assumir a estratégia de saúde da família como estratégia prioritária para o fortalecimento da atenção básica, devendo seu desenvolvimentoconsiderar as diferenças loco-regionais. - Desenvolver ações de qualificação dos profissionais da atenção básica por meio de estratégias de educação permanente e de oferta de cursos de especialização e residência multiprofissional e em medicina da família. - Consolidar e qualificar a estratégia de saúde da família nos pequenos e médios municípios. - Ampliar e qualificar a estratégia de saúde da família nos grandes centros urbanos. - Garantir a infraestrutura necessária ao funcionamento das Unidades Básicas de Saúde, dotando-as de recursos materiais, equipamentos e insumos suficientes para o conjunto de ações propostas para esses serviços. - Garantir o financiamento da Atenção Básica como responsabilidade das três esferas de gestão do SUS. - Aprimorar a inserção dos profissionais da Atenção Básica nas redes locais de saúde, por meio de vínculos de trabalho que favoreçam o provimento e fixação dos profissionais. - Implantar o processo de monitoramento e avaliação da Atenção Básica nas três esferas de governo, com vistas à qualificação da gestão descentralizada. - Apoiar diferentes modos de organização e fortalecimento da Atenção Básica que considere os princípios da estratégia de Saúde da Família, respeitando as especificidades loco-regionais. II – O PACTO EM DEFESA DO SUS: As prioridades do Pacto em Defesa do SUS são: - IMPLEMENTAR UM PROJETO PERMANENTE DE MOBILIZAÇÃO SOCIAL COM A FINALIDADE DE: - Mostrar a saúde como direito de cidadania e o SUS como sistema público universal garantidor desses direitos; - Alcançar, no curto prazo, a regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, pelo Congresso Nacional; - Garantir, no longo prazo, o incremento dos recursos orçamentários e financeiros para a saúde. - Aprovar o orçamento do SUS, composto pelos orçamentos das três esferas de gestão, explicitando o compromisso de cada uma delas. - ELABORAR E DIVULGAR A CARTA DOS DIREITOS DOS USUÁRIOS DO SUS III – O PACTO DE GESTÃO DO SUS As prioridades do Pacto de Gestão são: - DEFINIR DE FORMA INEQUÍVOCA A RESPONSABILIDADE SANITÁRIA DE CADA INSTÂNCIA GESTORA DO SUS: federal, estadual e municipal, superando o atual processo de habilitação. - ESTABELECER AS DIRETRIZES PARA A GESTÃO DO SUS, com ênfase na Descentralização; Regionalização; Financiamento; Programação Pactuada e Integrada; Regulação; Participação e Controle Social; Planejamento; Gestão do Trabalho e Educação na Saúde. Regionalização A Regionalização é uma diretriz do Sistema Único de Saúde e um eixo estruturante do Pacto de Gestão e deve orientar a descentralização das ações e serviços de saúde e os processos de negociação e pactuação entre os gestores. Os principais instrumentos de planejamento da Regionalização são o Plano Diretor de Regionalização – PDR, o Plano Diretor de Investimento – PDI e a Programação Pactuada e Integrada da Atenção em Saúde – PPI, detalhados no corpo deste documento. O PDR deverá expressar o desenho final do processo de identificação e reconhecimento das regiões de saúde, em suas diferentes formas, em cada estado e no Distrito Federal, objetivando a garantia do acesso, a promoção da equidade, a garantia da integralidade da atenção, a qualificação do processo de descentralização e a racionalização de gastos e otimização de recursos. O PDI deve expressar os recursos de investimentos para atender as necessidades pactuadas no processo de planejamento regional e estadual. No âmbito regional deve refletir as necessidades para se alcançar a suficiência na atenção básica e parte da média complexidade da assistência, conforme desenho Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 15 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. regional e na macrorregião no que se refere à alta complexidade. Deve contemplar também as necessidades da área da vigilância em saúde e ser desenvolvido de forma articulada com o processo da PPI e do PDR. DECRETO 7.508/11 - Regulamenta a Lei n o 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá outras providências Art. 2 o Para efeito deste Decreto, considera-se: I - Região de Saúde - espaço geográfico contínuo constituído por agrupamentos de Municípios limítrofes, delimitado a partir de identidades culturais, econômicas e sociais e de redes de comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados, com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde; II - Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde - acordo de colaboração firmado entre entes federativos com a finalidade de organizar e integrar as ações e serviços de saúde na rede regionalizada e hierarquizada, com definição de responsabilidades, indicadores e metas de saúde, critérios de avaliação de desempenho, recursos financeiros que serão disponibilizados, forma de controle e fiscalização de sua execução e demais elementos necessários à implementação integrada das ações e serviços de saúde; III - Portas de Entrada - serviços de atendimento inicial à saúde do usuário no SUS; IV - Comissões Intergestores - instâncias de pactuação consensual entre os entes federativos para definição das regras da gestão compartilhada do SUS; V - Mapa da Saúde - descrição geográfica da distribuição de recursos humanos e de ações e serviços de saúde ofertados pelo SUS e pela iniciativa privada, considerando-se a capacidade instalada existente, os investimentos e o desempenho aferido a partir dos indicadores de saúde do sistema; VI - Rede de Atenção à Saúde - conjunto de ações e serviços de saúde articulados em níveis de complexidade crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência à saúde; VII - Serviços Especiais de Acesso Aberto - serviços de saúde específicos para o atendimento da pessoa que, em razão de agravo ou de situação laboral, necessita de atendimento especial; Art. 4 o As Regiões de Saúde serão instituídas pelo Estado, em articulação com os Municípios, respeitadas as diretrizes gerais pactuadas na Comissão Intergestores Tripartite - CIT a que se refere o inciso I do art. 30. § 1 o Poderão ser instituídas Regiões de Saúde interestaduais, compostas por Municípios limítrofes, por ato conjunto dos respectivos Estados em articulação com os Municípios. § 2 o A instituição de Regiões de Saúde situadas em áreas de fronteira com outros países deverá respeitar as normas que regem as relações internacionais. Art. 5 o Para ser instituída, a Região de Saúde deve conter, no mínimo, ações e serviços de: I - atenção primária; II - urgência e emergência; III - atenção psicossocial; IV - atenção ambulatorial especializada e hospitalar; e V - vigilância em saúde. Art. 6 o As Regiões de Saúde serão referência para as transferências de recursos entre os entes federativos. Art. 7 o As Redes de Atenção à Saúde estarão compreendidas no âmbito de uma Região de Saúde, ou de várias delas, em consonância com diretrizes pactuadas nas Comissões Intergestores. Art. 9 o São Portas de Entrada às ações e aos serviços de saúde nas Redes de Atenção à Saúde os serviços: I - de atenção primária; II - de atenção de urgência e emergência; III - de atenção psicossocial; e IV - especiais de acesso aberto. Parágrafo único. Mediante justificativa técnica e de acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores, os entes federativos poderão criar novas Portas de Entrada às ações e serviços de saúde, considerando as características da Regiãode Saúde. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 16 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. Art. 10. Os serviços de atenção hospitalar e os ambulatoriais especializados, entre outros de maior complexidade e densidade tecnológica, serão referenciados pelas Portas de Entrada de que trata o art. 9 o . Art. 11. O acesso universal e igualitário às ações e aos serviços de saúde será ordenado pela atenção primária e deve ser fundado na avaliação da gravidade do risco individual e coletivo e no critério cronológico, observadas as especificidades previstas para pessoas com proteção especial, conforme legislação vigente. § 1 o O planejamento da saúde é obrigatório para os entes públicos e será indutor de políticas para a iniciativa privada. § 2 o A compatibilização de que trata o caput será efetuada no âmbito dos planos de saúde, os quais serão resultado do planejamento integrado dos entes federativos, e deverão conter metas de saúde. § 3 o O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá as diretrizes a serem observadas na elaboração dos planos de saúde, de acordo com as características epidemiológicas e da organização de serviços nos entes federativos e nas Regiões de Saúde. Art. 16. No planejamento devem ser considerados os serviços e as ações prestados pela iniciativa privada, de forma complementar ou não ao SUS, os quais deverão compor os Mapas da Saúde regional, estadual e nacional. Art. 17. O Mapa da Saúde será utilizado na identificação das necessidades de saúde e orientará o planejamento integrado dos entes federativos, contribuindo para o estabelecimento de metas de saúde. Art. 18. O planejamento da saúde em âmbito estadual deve ser realizado de maneira regionalizada, a partir das necessidades dos Municípios, considerando o estabelecimento de metas de saúde. Art. 19. Compete à Comissão Intergestores Bipartite - CIB de que trata o inciso II do art. 30 pactuar as etapas do processo e os prazos do planejamento municipal em consonância com os planejamentos estadual e nacional. Da Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde - RENASES Art. 21. A Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde - RENASES compreende todas as ações e serviços que o SUS oferece ao usuário para atendimento da integralidade da assistência à saúde. Art. 22. O Ministério da Saúde disporá sobre a RENASES em âmbito nacional, observadas as diretrizes pactuadas pela CIT. Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da Saúde consolidará e publicará as atualizações da RENASES. Art. 23. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios pactuarão nas respectivas Comissões Intergestores as suas responsabilidades em relação ao rol de ações e serviços constantes da RENASES. Art. 24. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão adotar relações específicas e complementares de ações e serviços de saúde, em consonância com a RENASES, respeitadas as responsabilidades dos entes pelo seu financiamento, de acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores. Da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais - RENAME Art. 25. A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais - RENAME compreende a seleção e a padronização de medicamentos indicados para atendimento de doenças ou de agravos no âmbito do SUS. Parágrafo único. A RENAME será acompanhada do Formulário Terapêutico Nacional - FTN que subsidiará a prescrição, a dispensação e o uso dos seus medicamentos. Art. 26. O Ministério da Saúde é o órgão competente para dispor sobre a RENAME e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em âmbito nacional, observadas as diretrizes pactuadas pela CIT. Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da Saúde consolidará e publicará as atualizações da RENAME, do respectivo FTN e dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. Art. 27. O Estado, o Distrito Federal e o Município poderão adotar relações específicas e complementares de medicamentos, em consonância com a RENAME, respeitadas as responsabilidades dos entes pelo financiamento de medicamentos, de acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores. Art. 28. O acesso universal e igualitário à assistência farmacêutica pressupõe, cumulativamente: I - estar o usuário assistido por ações e serviços de saúde do SUS; II - ter o medicamento sido prescrito por profissional de saúde, no exercício regular de suas funções no SUS; III - estar a prescrição em conformidade com a RENAME e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas ou com a relação específica complementar estadual, distrital ou municipal de medicamentos; e IV - ter a dispensação ocorrido em unidades indicadas pela direção do SUS. § 1 o Os entes federativos poderão ampliar o acesso do usuário à assistência farmacêutica, desde que questões de saúde pública o justifiquem. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 17 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. § 2 o O Ministério da Saúde poderá estabelecer regras diferenciadas de acesso a medicamentos de caráter especializado. Art. 29. A RENAME e a relação específica complementar estadual, distrital ou municipal de medicamentos somente poderão conter produtos com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Das Comissões Intergestores Art. 30. As Comissões Intergestores pactuarão a organização e o funcionamento das ações e serviços de saúde integrados em redes de atenção à saúde, sendo: I - a CIT, no âmbito da União, vinculada ao Ministério da Saúde para efeitos administrativos e operacionais; II - a CIB, no âmbito do Estado, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde para efeitos administrativos e operacionais; e III - a Comissão Intergestores Regional - CIR, no âmbito regional, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde para efeitos administrativos e operacionais, devendo observar as diretrizes da CIB. Art. 31. Nas Comissões Intergestores, os gestores públicos de saúde poderão ser representados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde - CONASS, pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde - CONASEMS e pelo Conselho Estadual de Secretarias Municipais de Saúde - COSEMS. Parágrafo único. Serão de competência exclusiva da CIT a pactuação: I - das diretrizes gerais para a composição da RENASES; II - dos critérios para o planejamento integrado das ações e serviços de saúde da Região de Saúde, em razão do compartilhamento da gestão; e III - das diretrizes nacionais, do financiamento e das questões operacionais das Regiões de Saúde situadas em fronteiras com outros países, respeitadas, em todos os casos, as normas que regem as relações internacionais. Do Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde Art. 34. O objeto do Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde é a organização e a integração das ações e dos serviços de saúde, sob a responsabilidade dos entes federativos em uma Região de Saúde, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência aos usuários. Parágrafo único. O Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde resultará da integração dos planos de saúde dos entes federativos na Rede de Atenção à Saúde, tendo como fundamento as pactuações estabelecidas pela CIT. Art. 35. O Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde definirá as responsabilidades individuais e solidárias dos entes federativos com relação às açõese serviços de saúde, os indicadores e as metas de saúde, os critérios de avaliação de desempenho, os recursos financeiros que serão disponibilizados, a forma de controle e fiscalização da sua execução e demais elementos necessários à implementação integrada das ações e serviços de saúde. Art. 38. A humanização do atendimento do usuário será fator determinante para o estabelecimento das metas de saúde previstas no Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde. Art. 39. As normas de elaboração e fluxos do Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde serão pactuados pelo CIT, cabendo à Secretaria de Saúde Estadual coordenar a sua implementação. Art. 40. O Sistema Nacional de Auditoria e Avaliação do SUS, por meio de serviço especializado, fará o controle e a fiscalização do Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde. Art. 41. Aos partícipes caberá monitorar e avaliar a execução do Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde, em relação ao cumprimento das metas estabelecidas, ao seu desempenho e à aplicação dos recursos disponibilizados. REDES DE ATENÇÃO EM SAÚDE - PORTARIA Nº 4.279/ 2010 - Estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). - A Rede de Atenção à Saúde é definida como arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas, que integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado O objetivo da RAS é promover a integração sistêmica, de ações e serviços de saúde com provisão de atenção contínua, integral, de qualidade, responsável e humanizada, bem como incrementar o desempenho do Sistema, em termos de acesso, equidade, eficácia clínica e sanitária; e eficiência econômica. Caracteriza-se pela formação de relações horizontais entre os pontos de atenção com o centro de comunicação na Atenção Primária à Saúde (APS), pela centralidade nas necessidades em saúde de uma população, pela responsabilização na atenção contínua e integral, pelo cuidado multiprofissional, pelo compartilhamento de objetivos e compromissos com os resultados sanitários e econômicos Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 18 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. - Os pontos de atenção à saúde são entendidos como espaços onde se ofertam determinados serviços de saúde, por meio de uma produção singular. São exemplos de pontos de atenção à saúde: os domicílios, as unidades básicas de saúde, as unidades ambulatoriais especializadas, os serviços de hemoterapia e hematologia, os centros de apoio psicossocial, as residências terapêuticas, entre outros. Os hospitais podem abrigar distintos pontos de atenção à saúde: o ambulatório de pronto atendimento, a unidade de cirurgia ambulatorial, o centro cirúrgico, a maternidade, a unidade de terapia intensiva, a unidade de hospital/dia, entre outros. Todos os pontos de atenção à saúde são igualmente importantes para que se cumpram os objetivos da rede de atenção à saúde e se diferenciam, apenas, pelas distintas densidades tecnológicas que os caracterizam. FUNDAMENTOS DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE - Economia de Escala, Qualidade, Suficiência, Acesso e Disponibilidade de Recursos Economia de escala, qualidade e acesso são a lógica fundamental na organização da rede de atenção à saúde. A Economia de Escala - ocorre quando os custos médios de longo prazo diminuem, à medida que aumenta o volume das atividades e os custos fixos se distribuem por um maior número dessas atividades, sendo o longo prazo, um período de tempo suficiente para que todos os insumos sejam variáveis. Desta forma, a concentração de serviços em determinado local racionaliza custos e otimiza resultados, quando os insumos tecnológicos ou humanos relativos a estes serviços inviabilizem sua instalação em cada município isoladamente. - Acesso - ausência de barreiras geográficas, financeiras, organizacionais, socioculturais, étnicas e de gênero ao cuidado. Deverão ser estabelecidas alternativas específicas na relação entre acesso, escala, escopo, qualidade e custo, para garantir o acesso, nas situações de populações dispersas de baixa densidade populacional, com baixíssima oferta de serviços. O acesso pode ser analisado através da disponibilidade, comodidade e aceitabilidade do serviço pelos usuários. - Processos de Substituição: São definidos como o reagrupamento contínuo de recursos entre e dentro dos serviços de saúde para explorar soluções melhores e de menores custos, em função das demandas e das necessidades da população e dos recursos disponíveis. Esses processos são importantes para se alcançar os objetivos da RAS, no que se refere a prestar a atenção certa, no lugar certo, com o custo certo e no tempo certo. A substituição pode ocorrer nas dimensões da localização, das competências clínicas, da tecnologia e da clínica. Ex: mudar o local da atenção prestada do hospital para o domicílio; transição do cuidado profissional para o auto-cuidado; delegação de funções entre os membros da equipe multiprofissional, etc. - Região de Saúde ou Abrangência: A organização da RAS exige a definição da região de saúde, que implica na definição dos seus limites geográficos e sua população e no estabelecimento do rol de ações e serviços que serão ofertados nesta região de saúde. As competências e responsabilidades dos pontos de atenção no cuidado integral estão correlacionadas com abrangência de base populacional, acessibilidade e escala para conformação de serviços. A definição adequada da abrangência dessas regiões é essencial para fundamentar as estratégias de organização da RAS, devendo ser observadas as pactuações entre o estado e o município para o processo de regionalização e parâmetros de escala e acesso. - Níveis de Atenção: Fundamentais para o uso racional dos recursos e para estabelecer o foco gerencial dos entes de governança da RAS, estruturam-se por meio de arranjos produtivos conformados segundo as densidades tecnológicas singulares, variando do nível de menor densidade (APS), ao de densidade tecnológica intermediária, (atenção secundária à saúde), até o de maior densidade tecnológica (atenção terciária à saúde). ATRIBUTOS DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE 1. População e território definidos com amplo conhecimento de suas necessidades e preferências que determinam a oferta de serviços de saúde; 2. Extensa gama de estabelecimentos de saúde que presta serviços de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, gestão de casos, reabilitação e cuidados paliativos e integra os programas focalizados em doenças, riscos e populações específicas, os serviços de saúde individuais e os coletivos; 3. Atenção Primária em Saúde estruturada como primeiro nível de atenção e porta de entrada do sistema, constituída de equipe multidisciplinar que cobre toda a população, integrando, coordenando o cuidado, e atendendo as suas necessidades de saúde; 4. Prestação de serviços especializados em lugar adequado; 5. Existência de mecanismos de coordenação, continuidade do cuidado e integração assistencial por todo o contínuo da atenção; 6. Atenção à saúde centrada no indivíduo, na família e na comunidade, tendo em conta as particularidades culturais, gênero, assim como a diversidade da população; 7. Sistema de governança único para toda a rede com o propósito de criar uma missão, visão e estratégias nas organizações que compõem a região de saúde; definir objetivos e metas que devam ser cumpridos no curto, médio e longo prazo; articular as políticas institucionais; e desenvolver a capacidade de gestão necessária para planejar,monitorar e avaliar o desempenho dos gerentes e das organizações; 8. Participação social ampla; 9. Gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, clínico e logístico; Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 19 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. 10. Recursos humanos suficientes, competentes, comprometidos e com incentivos pelo alcance de metas da rede; 11. Sistema de informação integrado que vincula todos os membros da rede, com identificação de dados por sexo, idade, lugar de residência, origem étnica e outras variáveis pertinentes; 12. Financiamento tripartite, garantido e suficiente, alinhado com as metas da rede; 13. Ação intersetorial e abordagem dos determinantes da saúde e da equidade em saúde; e 14. Gestão baseada em resultado ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE - Sistemas de Apoio: são os lugares institucionais da rede onde se prestam serviços comuns a todos os pontos de atenção à saúde. São constituídos pelos sistemas de apoio diagnóstico e terapêutico (patologia clínica, imagens, entre outros); pelo sistema de assistência farmacêutica que envolve a organização dessa assistência em todas as suas etapas: seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição, prescrição, dispensação e promoção do uso racional de medicamentos; e pelos sistemas de informação em saúde. - Sistemas Logísticos: os sistemas logísticos são soluções em saúde, fortemente ancoradas nas tecnologias de informação, e ligadas ao conceito de integração vertical. Consiste na efetivação de um sistema eficaz de referência e contrarreferência de pessoas e de trocas eficientes de produtos e de informações ao longo dos pontos de atenção à saúde e dos sistemas de apoio na rede de atenção à saúde. Estão voltados para promover a integração dos pontos de atenção à saúde. Os principais sistemas logísticos da rede de atenção à saúde são: os sistemas de identificação e acompanhamento dos usuários; as centrais de regulação, registro eletrônico em saúde e os sistemas de transportes sanitários. - Sistema de Governança: a governança é definida pela Organização das Nações Unidas como o exercício da autoridade política, econômica e administrativa para gerir os negócios do Estado. Constitui-se de complexos mecanismos, processos, relações e instituições através das quais os cidadãos e os grupos sociais articulam seus interesses, exercem seus direitos e obrigações e mediam suas diferenças. A governança da RAS é entendida como a capacidade de intervenção que envolve diferentes atores, mecanismos e procedimentos para a gestão regional compartilhada da referida rede. POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO - A Política Nacional de Humanização existe desde 2003 para efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão, qualificando a saúde pública no Brasil e incentivando trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários. A Política tem como propósitos: - Contagiar trabalhadores, gestores e usuários do SUS com os princípios e as diretrizes da humanização; -Fortalecer iniciativas de humanização existentes; - Desenvolver tecnologias relacionais e de compartilhamento das práticas de gestão e de atenção; - Aprimorar, ofertar e divulgar estratégias e metodologias de apoio a mudanças sustentáveis dos modelos de atenção e de gestão; - Implementar processos de acompanhamento e avaliação, ressaltando saberes gerados no SUS e experiências coletivas bem-sucedidas. Para isso, o HumanizaSUS trabalha com três macro-objetivos: - Ampliar as ofertas da Política Nacional de Humanização aos gestores e aos conselhos de saúde, priorizando a atenção básica/fundamental e hospitalar, com ênfase nos hospitais de urgência e universitários; - Incentivar a inserção da valorização dos trabalhadores do SUS na agenda dos gestores, dos conselhos de saúde e das organizações da sociedade civil; - Divulgar a Política Nacional de Humanização e ampliar os processos de formação e produção de conhecimento em articulação com movimentos sociais e instituições. Na prática, os resultados que a Política Nacional de Humanização busca são: - Redução de filas e do tempo de espera, com ampliação do acesso; - Atendimento acolhedor e resolutivo baseado em critérios de risco; - Implantação de modelo de atenção com responsabilização e vínculo; - Garantia dos direitos dos usuários; - Valorização do trabalho na saúde; - Gestão participativa nos serviços. Princípios - Transversalidade - Aumento do grau de comunicação intra e intergrupos; - Transformação dos modos de relação e de comunicação entre os sujeitos implicados nos processos de produção de saúde, produzindo como Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 20 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. efeito a desestabilização das fronteiras dos saberes, dos territórios de poder e dos modos instituídos na constituição das relações de trabalho. - Indissociabilidade entre atenção e gestão - Alteração dos modos de cuidar inseparável da alteração dos modos de gerir e se apropriar do trabalho; - Inseparabilidade entre clínica e política, entre produção de saúde e produção de sujeitos; - Integralidade do cuidado e integração dos processos de trabalho. - Protagonismo, co-responsabilidade e autonomia dos sujeitos e dos coletivos - Trabalhar implica na produção de si e na produção do mundo, das diferentes realidades sociais, ou seja, econômicas, políticas, institucionais e culturais; - As mudanças na gestão e na atenção ganham maior efetividade quando produzidas pela afirmação da autonomia dos sujeitos envolvidos, que contratam entre si responsabilidades compartilhadas nos processos de gerir e de cuidar. O HumanizaSUS, aposta na INCLUSÃO de trabalhadores, usuários e gestores na produção e gestão do cuidado e dos processos de trabalho. A comunicação entre esses três atores do SUS provoca movimentos de perturbação e inquietação que a PNH considera o “motor” de mudanças e que também precisam ser incluídos como recursos para a produção de saúde. Humanizar se traduz, então, como inclusão das diferenças nos processos de gestão e de cuidado. Tais mudanças são construídas não por uma pessoa ou grupo isolado, mas de forma coletiva e compartilhada. Incluir para estimular a produção de novos modos de cuidar e novas formas de organizar o trabalho. Diretrizes para a implementação do HumanizaSUS A Política Nacional de Humanização atua a partir de orientações clínicas, éticas e políticas, que se traduzem em determinados arranjos de trabalho. Entenda melhor alguns conceitos que norteiam o trabalho da PNH: - Acolhimento Acolher é reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde. O acolhimento deve comparecer e sustentar a relação entre equipes/serviços e usuários/populações. Como valor das práticas de saúde, o acolhimento é construído de forma coletiva, a partir da análise dos processos de trabalho e tem como objetivo a construção de relações de confiança, compromisso e vínculo entre as equipes/serviços, trabalhador/equipes e usuário com sua rede sócio afetiva. - Apoio matricial Lógica de produção do processo de trabalho na qual um profissional oferece apoio em sua especialidade para outros profissionais, equipes e setores. Inverte-se, assim, o esquema tradicional e fragmentado de saberes e fazeres já que ao mesmo tempo em queo profissional cria pertencimento à sua equipe/setor, também funciona como apoio, referência para outras equipes. - Ambiência Ambiente físico, social, profissional e de relações interpessoais que deve estar relacionado a um projeto de saúde voltado para a atenção acolhedora, resolutiva e humana. Nos serviços de saúde a ambiência é marcada tanto pelas tecnologias médicas ali presentes quanto por outros componentes estéticos ou sensíveis apreendidos pelo olhar, olfato, audição, por exemplo, a luminosidade e os ruídos do ambiente, a temperatura, etc. Muito importante na ambiência é o componente afetivo expresso na forma do acolhimento, da atenção dispensada ao usuário, da interação entre os trabalhadores e gestores. Devem-se destacar também os componentes culturais e regionais que determinam os valores do ambiente. - Classificação de Risco (Avaliação de Risco) Mudança na lógica do atendimento, permitindo que o critério de priorização da atenção seja o agravo à saúde e/ou grau de sofrimento e não mais a ordem de chegada (burocrática). Realizado por profissional da saúde que, utilizando protocolos técnicos, identifica os pacientes que necessitam de tratamento imediato, considerando o potencial de risco, agravo à saúde ou grau de sofrimento e providencia, de forma ágil, o atendimento adequado a cada caso. - Clínica ampliada e compartilhada A clínica ampliada é uma ferramenta teórica e prática cuja finalidade é contribuir para uma abordagem clínica do adoecimento e do sofrimento, que considere a singularidade do sujeito e a complexidade do processo saúde/doença. Permite o enfrentamento da fragmentação do conhecimento e das ações de saúde e seus respectivos danos e ineficácia. Ampliar a clínica, por sua vez, implica: 1) tomar a saúde como seu objeto de investimento, considerando a vulnerabilidade, o risco do sujeito em seu contexto; 2) ter como objetivo produzir saúde e ampliar o grau de autonomia dos sujeitos; 3) realizar a avaliação diagnóstica considerando não só o saber clínico e epidemiológico, como também a história dos sujeitos e os saberes por eles veiculados; 4) definir a intervenção terapêutica considerando a complexidade biopsícossocial das demandas de saúde. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 21 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. - Gestão Participativa e cogestão Cogestão expressa tanto a inclusão de novos sujeitos nos processos de análise e decisão quanto a ampliação das tarefas da gestão - que se transforma também em espaço de realização de análise dos contextos, da política em geral e da saúde em particular, em lugar de formulação e de pactuação de tarefas e de aprendizado coletivo. POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO PERMANENTE - Portaria GM/MS nº 1.996/ 2007 - Dispõe sobre as diretrizes para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e dá outras providências. Parágrafo Único. A Política Nacional de Educação Permanente em Saúde deve considerar as especificidades regionais, a superação das desigualdades regionais, as necessidades de formação e desenvolvimento para o trabalho em saúde e a capacidade já instalada de oferta institucional de ações formais de educação na saúde. Art. 2º A condução regional da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde se dará por meio dos Colegiados de Gestão Regional, com a participação das Comissões Permanentes de Integração Ensino-Serviço (CIES). § 1º Os Colegiados de Gestão Regional, considerando as especificidades locais e a Política de Educação Permanente em Saúde nas três esferas de gestão (federal, estadual e municipal), elaborarão um Plano de Ação Regional de Educação Permanente em Saúde coerente com os Planos de Saúde estadual e municipais, da referida região, no que tange à educação na saúde. § 2º As Comissões Permanentes de Integração Ensino-Serviço (CIES) são instâncias intersetoriais e interinstitucionais permanentes que participam da formulação, condução e desenvolvimento da Política de Educação Permanente em Saúde previstas no Artigo 14 da lei 8080/90 e na NOB/RH - SUS. Art. 3º Os Colegiados de Gestão Regional, conforme a portaria 399/GM, de 22/02/2006, são as instâncias de pactuação permanente e cogestão solidária e cooperativa, formadas pelos gestores municipais de saúde do conjunto de municípios de uma determinada região de saúde e por representantes do(s) gestor(es) estadual(ais). Art. 5º As Comissões Permanentes de Integração Ensino-Serviço (CIES) deverão ser compostas pelos gestores de saúde municipais, estaduais e do Distrito Federal e ainda, conforme as especificidades de cada região, por: I – Gestores estaduais e municipais de educação e/ou seus representantes; II – Trabalhadores do SUS e/ou suas entidades representativas; III – Instituições de ensino com cursos na área da Saúde, por meio de seus distintos segmentos; e IV – Movimentos sociais ligados à gestão das políticas públicas de saúde e do controle social no SUS. Parágrafo Único. Nenhum município, assim como nenhum Colegiado de Gestão Regional – CGR, deverá ficar sem sua referência a uma Comissão Permanente de Integração Ensino-Serviço. Art. 17. O financiamento do componente federal para a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde se dará por meio do Bloco de Gestão do SUS, instituído pelo Pacto pela Saúde, e comporá o Limite Financeiro Global do Estado, Distrito Federal e Município para execução dessas ações. PORTARIA Nº 529/ 2013 - PROGRAMA NACIONAL DE SEGURANÇA DO PACIENTE (PNSP). Art. 1º Fica instituído o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Art. 2º O PNSP tem por objetivo geral contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional. Art. 3º Constituem-se objetivos específicos do PNSP: I - Promover e apoiar a implementação de iniciativas voltadas à segurança do paciente em diferentes áreas da atenção, organização e gestão de serviços de saúde, por meio da implantação da gestão de risco e de Núcleos de Segurança do Paciente nos estabelecimentos de saúde; II - Envolver os pacientes e familiares nas ações de segurança do paciente; III - ampliar o acesso da sociedade às informações relativas à segurança do paciente; IV - Produzir, sistematizar e difundir conhecimentos sobre segurança do paciente; e Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 22 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. V - Fomentar a inclusão do tema segurança do paciente no ensino técnico e de graduação e pós-graduação na área da saúde. Art. 4º Para fins desta Portaria, são adotadas as seguintes definições: I - Segurança do Paciente: redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado ao cuidado de saúde; II - Dano: comprometimento da estrutura ou função do corpo e/ou qualquer efeito dele oriundo, incluindo-se doenças, lesão, sofrimento, morte, incapacidade ou disfunção, podendo, assim, ser físico, social ou psicológico; III - incidente: evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente; IV - Evento adverso: incidente que resulta em dano ao paciente; V - Cultura de Segurança: configura-se a partir de cinco características operacionalizadas pela gestão de segurança da organização: a) cultura na qual todos os trabalhadores, incluindoprofissionais envolvidos no cuidado e gestores, assumem responsabilidade pela sua própria segurança, pela segurança de seus colegas, pacientes e familiares; b) cultura que prioriza a segurança acima de metas financeiras e operacionais; c) cultura que encoraja e recompensa a identificação, a notificação e a resolução dos problemas relacionados à segurança; d) cultura que, a partir da ocorrência de incidentes, promove o aprendizado organizacional; e e) cultura que proporciona recursos, estrutura e responsabilização para a manutenção efetiva da segurança; e VI - Gestão de risco: aplicação sistêmica e contínua de iniciativas, procedimentos, condutas e recursos na avaliação e controle de riscos e eventos adversos que afetam a segurança, a saúde humana, a integridade profissional, o meio ambiente e a imagem institucional. Art. 5º Constituem-se estratégias de implementação do PNSP: I - elaboração e apoio à implementação de protocolos, guias e manuais de segurança do paciente; II - promoção de processos de capacitação de gerentes, profissionais e equipes de saúde em segurança do paciente; III - inclusão, nos processos de contratualização e avaliação de serviços, de metas, indicadores e padrões de conformidade relativosà segurança do paciente; IV - implementação de campanha de comunicação social sobre segurança do paciente, voltada aos profissionais, gestores e usuários de saúde e sociedade; V - implementação de sistemática de vigilância e monitoramento de incidentes na assistência à saúde, com garantia de retorno às unidades notificantes; VI - promoção da cultura de segurança com ênfase no aprendizado e aprimoramento organizacional, engajamento dos profissionais e dos pacientes na prevenção de incidentes, com ênfase em sistemas seguros, evitando-se os processos de responsabilização individual; e VII - articulação, com o Ministério da Educação e com o Conselho Nacional de Educação, para inclusão do tema segurança do paciente nos currículos dos cursos de formação em saúde de nível técnico, superior e de pós- graduação. Art. 6º Fica instituído, no âmbito do Ministério da Saúde, Comitê de Implementação do Programa Nacional de Segurança do Paciente (CIPNSP), instância colegiada, de caráter consultivo, com a finalidade de promover ações que visem à melhoria da segurança do cuidado em saúde através de processo de construção consensual entre os diversos atores que dele participam. Art. 7º Compete ao CIPNSP: I - propor e validar protocolos, guias e manuais voltados à segurança do paciente em diferentes áreas, tais como: a) infecções relacionadas à assistência à saúde; b) procedimentos cirúrgicos e de anestesiologia; c) prescrição, transcrição, dispensação e administração de medicamentos, sangue e hemoderivados; d) processos de identificação de pacientes; e) comunicação no ambiente dos serviços de saúde; f) prevenção de quedas; g) úlceras por pressão; h) transferência de pacientes entre pontos de cuidado; e i) uso seguro de equipamentos e materiais; II - aprovar o Documento de Referência do PNSP; III - incentivar e difundir inovações técnicas e operacionais que visem à segurança do paciente; IV - propor e validar projetos de capacitação em Segurança do Paciente; V - analisar quadrimestralmente os dados do Sistema de Monitoramento incidentes no cuidado de saúde e propor ações de melhoria; Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 23 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. VI - recomendar estudos e pesquisas relacionados à segurança do paciente; VII - avaliar periodicamente o desempenho do PNSP; e VIII elaborar seu regimento interno e submetê-lo à aprovação do Ministro de Estado da Saúde. § 1º A coordenação do CIPNSP será realizada pela ANVISA, que fornecerá em conjunto com a SAS/MS e a FIOCRUZ os apoios técnico e administrativo necessários para o seu funcionamento. § 4º O CIPNSP poderá convocar representantes de órgãos e entidades, públicas e privadas, além de especialistas nos assuntos relacionados às suas atividades, quando entender necessário para o cumprimento dos objetivos previstos nesta Portaria. Art. 9º As funções dos membros do CIPNSP não serão remuneradas e seu exercício será considerado de relevante interesse público. Art. 10. O Ministério da Saúde instituirá incentivos financeiros para a execução de ações e atividades no âmbito do PNSP, conforme normatização específica, mediante prévia pactuação na Comissão Intergestores Tripartite (CIT). RESOLUÇÃO - RDC Nº 36/ 2013 - INSTITUI AÇÕES PARA A SEGURANÇA DO PACIENTE EM SERVIÇOS DE SAÚDE E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. - A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, adota a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada: Art. 1º Esta Resolução tem por objetivo instituir ações para a promoção da segurança do paciente e a melhoria da qualidade nos serviços de saúde. Art. 2º Esta Resolução se aplica aos serviços de saúde, sejam eles públicos, privados, filantrópicos, civis ou militares, incluindo aqueles que exercem ações de ensino e pesquisa. - Parágrafo único. Excluem-se do escopo desta Resolução os consultórios individualizados, laboratórios clínicos e os serviços móveis e de atenção domiciliar. Art. 3º Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes definições: I - boas práticas de funcionamento do serviço de saúde: componentes da garantia da qualidade que asseguram que os serviços são ofertados com padrões de qualidade adequados; II - cultura da segurança: conjunto de valores, atitudes, competências e comportamentos que determinam o comprometimento com a gestão da saúde e da segurança, substituindo a culpa e a punição pela oportunidade de aprender com as falhas e melhorar a atenção à saúde; III - dano: comprometimento da estrutura ou função do corpo e/ou qualquer efeito dele oriundo, incluindo doenças, lesão, sofrimento, morte, incapacidade ou disfunção, podendo, assim, ser físico, social ou psicológico; IV - evento adverso: incidente que resulta em dano à saúde; V - garantia da qualidade: totalidade das ações sistemáticas necessárias para garantir que os serviços prestados estejam dentro dos padrões de qualidade exigidos para os fins a que se propõem; VI - gestão de risco: aplicação sistêmica e contínua de políticas, procedimentos, condutas e recursos na identificação, análise, avaliação, comunicação e controle de riscos e eventos adversos que afetam a segurança, a saúde humana, a integridade profissional, o meio ambiente e a imagem institucional; VII - incidente: evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário à saúde; VIII - núcleo de segurança do paciente (NSP): instância do serviço de saúde criada para promover e apoiar a implementação de ações voltadas à segurança do paciente; IX - plano de segurança do paciente em serviços de saúde: documento que aponta situações de risco e descreve as estratégias e ações definidas pelo serviço de saúde para a gestão de risco visando a prevenção e a mitigação dos incidentes, desde a admissão até a transferência, a alta ou o óbito do paciente no serviço de saúde; X - segurança do paciente: redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado à atenção à saúde; XI - serviço de saúde: estabelecimento destinado ao desenvolvimento de ações relacionadas à promoção, proteção, manutenção e recuperação da saúde, qualquer que seja o seu nível de complexidade, em regime de internação ou não, incluindo a atenção realizada em consultórios, domicílios e unidades móveis; XII - tecnologias em saúde: conjunto de equipamentos, medicamentos, insumos e procedimentos utilizados na atenção à saúde, bemcomo os processos de trabalho, a infraestrutura e a organização do serviço de saúde. Art. 4º A direção do serviço de saúde deve constituir o Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) e nomear a sua composição, conferindo aos membros autoridade, responsabilidade e poder para executar as ações do Plano de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. § 1º A direção do serviço de saúde pode utilizar a estrutura de comitês, comissões, gerências, coordenações ou núcleos já existentes para o desempenho das atribuições do NSP. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 24 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. § 2º No caso de serviços públicos ambulatoriais pode ser constituído um NSP para cada serviço de saúde ou um NSP para o conjunto desses, conforme decisão do gestor local do SUS. Art. 5º Para o funcionamento sistemático e contínuo do NSP a direção do serviço de saúde deve disponibilizar: I - recursos humanos, financeiros, equipamentos, insumos e materiais; II - um profissional responsável pelo NSP com participação nas instâncias deliberativas do serviço de saúde. Art.7º Compete ao NSP: I - promover ações para a gestão de risco no serviço de saúde; II - desenvolver ações para a integração e a articulação multiprofissional no serviço de saúde; III - promover mecanismos para identificar e avaliar a existência de não conformidades nos processos e procedimentos realizados e na utilização de equipamentos, medicamentos e insumos propondo ações preventivas e corretivas; IV - elaborar, implantar, divulgar e manter atualizado o Plano de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde; V - acompanhar as ações vinculadas ao Plano de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde; VI - implantar os Protocolos de Segurança do Paciente e realizar o monitoramento dos seus indicadores; VII - estabelecer barreiras para a prevenção de incidentes nos serviços de saúde; VIII - desenvolver, implantar e acompanhar programas de capacitação em segurança do paciente e qualidade em serviços de saúde; IX - analisar e avaliar os dados sobre incidentes e eventos adversos decorrentes da prestação do serviço de saúde; X - compartilhar e divulgar à direção e aos profissionais do serviço de saúde os resultados da análise e avaliação dos dados sobre incidentes e eventos adversos decorrentes da prestação do serviço de saúde; XI - notificar ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária os eventos adversos decorrentes da prestação do serviço de saúde; XII- manter sob sua guarda e disponibilizar à autoridade sanitária, quando requisitado, as notificações de eventos adversos; XIII - acompanhar os alertas sanitários e outras comunicações de risco divulgadas pelas autoridades sanitárias. Art. 8º O Plano de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde (PSP), elaborado pelo NSP, deve estabelecer estratégias e ações de gestão de risco, conforme as atividades desenvolvidas pelo serviço de saúde para: I - identificação, análise, avaliação, monitoramento e comunicação dos riscos no serviço de saúde, de forma sistemática; II - integrar os diferentes processos de gestão de risco desenvolvidos nos serviços de saúde; III - implementação de protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde; IV - identificação do paciente; V - higiene das mãos; VI - segurança cirúrgica; VII - segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos; VIII - segurança na prescrição, uso e administração de sangue e hemocomponentes; IX - segurança no uso de equipamentos e materiais; X - manter registro adequado do uso de órteses e próteses quando este procedimento for realizado; XI - prevenção de quedas dos pacientes; XII - prevenção de úlceras por pressão; XIII - prevenção e controle de eventos adversos em serviços de saúde, incluindo as infecções relacionadas à assistência à saúde; XIV- segurança nas terapias nutricionais enteral e parenteral; XV - comunicação efetiva entre profissionais do serviço de saúde e entre serviços de saúde; XVI - estimular a participação do paciente e dos familiares na assistência prestada. XVII - promoção do ambiente seguro Art. 9º O monitoramento dos incidentes e eventos adversos será realizado pelo Núcleo de Segurança do Paciente - NSP. Art. 10 A notificação dos eventos adversos, para fins desta Resolução, deve ser realizada mensalmente pelo NSP, até o 15º (décimo quinto) dia útil do mês subsequente ao mês de vigilância, por meio das ferramentas eletrônicas disponibilizadas pela Anvisa. Parágrafo único - Os eventos adversos que evoluírem para óbito devem ser notificados em até 72 (setenta e duas) horas a partir do ocorrido. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 25 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. SITUAÇÃO SÓCIO-SANITÁRIA PERFIL SÓCIODEMOGRÁFICO - Estado componente da Região Nordeste do Brasil, Pernambuco tem assim definidos os seus limites territoriais: • Ao norte: Paraíba (PB) e Ceará (CE); • Ao leste: Oceano Atlântico; • Ao oeste: Piauí (PI); • Ao sul: Alagoas (AL) e Bahia (BA). - Com território abrangendo 98.146,32 km², o estado de Pernambuco possui 184 municípios e um território estadual, Fernando de Noronha. De acordo com o Plano Diretor de Regionalização (PDR) da Saúde 2011, o estado está dividido em quatro macrorregiões: Macrorregião 1 Metropolitana formada pela I, II, III e XII Regiões de Saúde; Macrorregião 2 Agreste constituída pela IV e V Regiões de Saúde; Macrorregião 3 Sertão composta pela VI, X e XI Regiões de Saúde e Macrorregião 4 Vale do São Francisco e Araripe formada pela VII, VIII e IX Regiões de Saúde. Ainda segundo o PDR, a nova conformação das Regiões de Saúde, levou em conta, dentre outros critérios, a análise dos fluxos assistenciais, a identidade cultural, potencialidades para investimento do governo do Estado e as atividades econômicas predominantes das populações. - Comparando a taxa geométrica de crescimento anual da população entre os anos censitários (2000 e 2010), o crescimento populacional em Pernambuco (1,06%) ficou abaixo do brasileiro (1,17%). De maneira geral, a queda da mortalidade e o aumento da esperança de vida ao nascer podem explicar esse comportamento populacional. - No que se refere a variável raça/cor, segundo dados do censo 2010, a maior parte da população pernambucana tem como cor autorreferida a parda (55,3%), seguida da cor branca (36,7%), preta (6,5%), amarela (0,9%) e indígena (0,6%). Desde o censo 2000, a distribuição da população por sexo, apresenta predominância do sexo feminino, numa razão de 96,9 homens para cada grupo de 100 mulheres no Brasil e 93,5 homens para cada grupo de 100 mulheres em Pernambuco. Em 2010 essa mesma predominância do sexo feminino se repete. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO Taxa bruta de natalidade A taxa bruta de natalidade expressa o número de nascidos vivos (NV) por mil habitantes, e representa a intensidade com que o nascimento ocorre na população. Entre 2004 e 2011, houve redução proporcional de cerca de 4,0% no número de NV tanto no Brasil quanto em Pernambuco. Quanto à Taxa Bruta de Natalidade (TBN), a redução foi de 14,9% no estado (de 19,5 para 16,6) e de 12,8% no país (de 17,9 para 15,6). Proporção de nascidos vivos segundo número de consultas de pré-natal Sabe-se que uma assistência pré-natal adequada está associada à redução da morbimortalidade infantil, especialmente considerando que cerca de 40% dos óbitos infantis evitáveis no Estadoestão relacionados à atenção adequada à mulher durante a gestação. A proporção de NV de mães com 7 ou mais consultas de pré- natal em Pernambuco passou de 40,9% em 2004 para 58,1% em 2013, um aumento proporcional de 42,1%, enquanto, no Brasil o aumento foi de 20,0% no mesmo período (figura 06). Apesar deste aumento, é importante ressaltar que o alcançado em 2013 ainda está abaixo da meta proposta no Pacto pela Saúde que é de 65,2% dos NV de mães com 7 ou mais consultas de pré-natal. Proporção de nascidos vivos segundo duração da gestação A prematuridade (duração da gestação < 37 semanas) é um importante fator preditivo da mortalidade infantil, mais especificamente a mortalidade neonatal (0 a 27 dias). Em Pernambuco, houve aumento expressivo na proporção de NV prematuros, passando de 5,3% em 2004 para 11,8% em 2013. Também se observa um crescimento acentuado no Brasil no mesmo período. Contudo, o aumento observado a partir de 2011 é decorrente das mudanças de preenchimento na Declaração de Nascido Vivo1 (DNV), que melhoraram o registro acerca da idade gestacional. Proporção de nascidos vivos segundo tipo de parto De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cesariana aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Além disso, taxas de cesáreas acima de 10% não estão associadas com reduções nas taxas de mortalidade materna e neonatal. Em Pernambuco, a proporção de cesárea passou de 34,2% em 2004 para 53,7% em 2013, representando um aumento proporcional de 57,0%, ao passo que no Brasil o aumento foi de 35,4%. CARGAS DAS DOENÇAS INFECCIOSAS Tuberculose O estado de Pernambuco apresenta a quarta maior taxa de incidência nacional de TB, sendo a primeira na Região Nordeste com uma média, entre 2009 e 2013, de 4.333 casos novos ao ano e taxa de incidência de 48,6 por 100.000 habitantes. Apesar de a taxa de mortalidade ter reduzido, ainda ocupa a segunda posição entre estados brasileiros, com maior risco de óbito na cidade do Recife, dentre todas as capitais das unidades federadas. No período de 2004 a 2013, a taxa de incidência nacional teve uma redução média de 1,9% ao ano, passando de 41,5 para 33,5 por 100.000 habitantes. Em Pernambuco, ainda existem desafios para a redução no número de casos novos, sendo a taxa de incidência 26,6% maior que a média brasileira. Observa-se Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 26 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. redução das taxas brasileira e estadual de mortalidade por TB entre 2004 e 2013, tendo o Brasil já alcançado, com cinco anos de antecedência, um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – o de reduzir pela metade o número de óbitos até 2015. Em Pernambuco, esta taxa passou de 5,2 para 3,8 óbitos por 100.000 habitantes e, apesar da redução de 26,9%, ainda se encontra num patamar elevado de mortalidade. Hanseníase No Brasil e em Pernambuco, apesar da existência de diferenças regionais importantes na carga da doença, com concentração de casos em algumas regiões, sua redução na última década é significativa. Os princípios fundamentais para a vigilância da hanseníase baseiam-se na detecção precoce de casos novos e no tratamento até a cura com poliquimioterapia, ressaltando-se a importância do atendimento de qualidade aos usuários, o que inclui a prevenção e a recuperação de incapacidades físicas e a busca de casos entre os contatos. No ano de 2013, o estado ocupava a nona colocação do país e a terceira da região nordeste em relação ao coeficiente de detecção geral. Quanto à detecção em menores de 15 anos, Pernambuco é hiperendêmico segundo os parâmetros preconizados pela OMS (≥10,00 casos/100.000 habitantes), o que demonstra a presença de fontes de transmissão ativa da doença e provável endemia. A partir de 2007, no Brasil, os coeficientes de detecção geral e em menores de 15 anos sofreram redução contínua. Em Pernambuco, observa-se um acentuado aumento na detecção geral em 2009, mantendo-se, desde então, com tendência de estabilização. Dengue Em 2014, foram notificados 591.080 casos de dengue no Brasil. Destes, foram confirmados 8.150 com sinais de alarme, 689 graves e 410 óbitos. Em Pernambuco, no período de 2007 a 2014, a taxa de incidência (casos novos da doença) apresentou-se de forma instável, atingindo picos epidêmicos nos anos de 2010 e de 2012. Contudo, verifica-se uma redução significativa desta taxa no Estado em 2014, principalmente se comparada à taxa nacional que foi cerca de 2,5 vezes maior. Os fatores que podem contribuir para o quadro epidemiológico da dengue no Estado vão desde os ambientes favoráveis, proliferação e manutenção do vetor, bem como a circulação dos quatro sorotipos (DENV-1, 2, 3 e 4). Aids Em Pernambuco, de 2004 a 2013, observa-se um aumento no risco para o adoecimento, passando de 12,8 para 17,3 casos por 100.000 habitantes (figura 28). Quanto à mortalidade no país (figura 28), verifica-se uma estabilização ao considerar a taxa de mortalidade bruta. Enquanto no estado, houve um aumento, variando de 4,6 para 6,1. Em relação à taxa de incidência, verifica-se que todas as Regiões de Saúde apresentaram aumento entre 2004 e 2013. A AIDS em menores de 5 anos de idade é considerada uma referência para a taxa de transmissão vertical no país. De 2004 a 2013, houve uma importante redução no Brasil da taxa, indicando o sucesso das ações de controle da transmissão vertical. No estado, apesar da grande variação de casos entre os anos, esta taxa também apresentou redução. Sífilis No Brasil, a proporção de gestantes tratadas adequadamente aumentou de 80,6% em 2010 para 86,3% em 2013. No entanto, Pernambuco apresentou baixas proporções de gestantes tratadas adequadamente, implicando em altas taxas de sífilis congênita. A taxa de incidência da sífilis congênita no país apresentou significativo aumento, passando de 1,7 em 2004 para 4,7 casos por 1.000 NV em 2013. No Estado, de 2005 a 2008 observou- -se redução desta taxa, contudo, a partir de 2009 houve aumento progressivo, chegando a 6,7 casos em 2013, muito acima da meta estimada pela OPAS de 0,5 casos a cada 1.000 NV. CARGA DAS DOENÇAS E AGRAVOS NÃO TRANSMISSÍVEIS No Brasil, em 2014, dentre as principais DCNT (Doenças do Aparelho Circulatório - DAC, doenças respiratórias crônicas, Diabetes Mellitus - DM e neoplasias), as DAC e as neoplasias apresentaram as maiores taxas de internação hospitalar 56,2 e 26,2 por 10.000 habitantes, respectivamente. Essa realidade foi semelhante em Pernambuco, que apresentou taxas de 55,8 para DAC e 29,6 para neoplasias por 10.000 habitantes. Comparando os anos de 2004 e de 2014, observa-se que, no Brasil, houve um aumento na taxa de internação hospitalar por neoplasias (14,9%) e por DM (6,2%); e uma redução por DAC (45,1%) e por doenças respiratórias crônicas (15,4%). Em Pernambuco, as doenças que apresentaram aumento na taxa de internação hospitalar foram as neoplasias (70,1%). As DAC e o DM reduziram 50,5% e 11,3%, respectivamente. Tanto no Brasil quanto em Pernambuco, o tipo de neoplasia mais incidente no sexo feminino são os tumores de mama (56,1 e 51,6 novos casos por 100.000 habitantes, respectivamente), e no masculino, os tumores de próstata (70,4 e 58,2 novos casos por 100.000 habitantes, respectivamente). Causas externas No Brasil, em 2014, a taxa de internação hospitalar por causas externas foi de 55,1 casos por 10.000 habitantes, semelhante à taxa apresentada em Pernambuco de 57,4 casos por 10.000 habitantes. Entre 2004 e 2014, houve um aumento de 32,4% nesta taxa para o Brasil e um aumento de 79,9%, em Pernambuco. Nocaso de violência, em 2014, foram notificados 10.746 casos de violência no SINAN, a maioria na faixa etária de 20 a 39 anos (38,6%). As vítimas do sexo feminino prevaleceram em todas as faixas etárias, sobretudo na de 20 a 39 anos (88,0%). Tal resultado pode ser reflexo do fato de os casos da violência urbana nos homens desta faixa Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 27 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. etária não serem objeto de notificação. Do total de casos notificados em 2014, a violência física se destacou em todas as faixas etárias, exceto na de 0 a 9 anos, na qual prevaleceu a negligência. A segunda violência mais frequente foi a sexual, na faixa etária de 10 a 19 anos. Em seguida, a psicológica nos adultos com 20 a 59 anos e a negligência nos idosos. - Acidente de Transporte Terrestre: Pernambuco adota, desde 2010, uma vigilância sentinela de Acidentes de Transporte Terrestre (ATT), a qual tornou a notificação obrigatória em 21 unidades de saúde (18 hospitais e 3 Unidades de Pronto-Atendimento). Essas unidades são denominadas Unidades Sentinelas de Informação sobre Acidentes de Transporte Terrestre (USIATT) e funcionam como referência para a produção de informações sobre os ATT com vítimas (fatais ou não), atendidas nelas. Em 2014, foram notificadas 45.942 vítimas de ATT nas 21 USIATT. Do total de registros, 44.876 (97,7%) ocorreram nos municípios de Pernambuco, concentrando- -se, principalmente, na I Região de Saúde (36,9%). Do total das vítimas notificadas em 2014, 78,9% foram do sexo masculino, sendo que, em ambos os sexos, prevaleceu a faixa etária de 20 a 39 anos (60,0% nos homens e 54,3% nas mulheres). No que diz respeito à natureza do acidente, a colisão/abalroamento foi o ATT mais frequente (34,1%), seguido de tombamento ou capotamento (26,4%). Saúde do Trabalhador Desde 1970, início dos registros sistemáticos em âmbito nacional, mais de 30 milhões de acidentes de trabalho foram notificados. Em Pernambuco, de 2007 a 2014 foram notificados 14.040 casos de doenças e agravos relacionados ao trabalho. Os acidentes com exposição a material biológico, no período de 2007 a 2014, representaram a primeira causa de registro de agravo relacionado ao trabalho no estado, com 40,3% do total, seguido pelos acidentes graves, com 34,4%. Mortalidade Infantil A análise temporal do CMI sinaliza redução desse indicador para todos os componentes etários entre os anos de 2004 e 2011. O componente pós-neonatal apresentou redução mais expressiva em relação ao componente neonatal, tendência observada no Brasil e em Pernambuco, embora o estado tenha apresentado uma maior redução para o CMI e seus respectivos componentes etários. Observa-se que o CMI de Pernambuco se mantém em torno de 16 óbitos por mil NV nos dois últimos anos analisados. Analisando os óbitos infantis em Pernambuco segundo critério de evitabilidade, percebe-se que os eventos reduzíveis por ações de promoção e atenção à saúde apresentaram uma diminuição de 50,0% no período de 2004 a 2013. Em paralelo, os óbitos infantis reduzíveis por atenção à mulher na gestação aumentaram 35,9% no mesmo período. Esse perfil apresenta consonância com a evolução temporal do CMI que aponta redução menos acentuada do componente neonatal, a qual está relacionada à assistência prestada à mãe e ao recém-nascido. Ainda no tocante à evitabilidade, dentre os principais agrupamentos das causas de óbito infantis, é possível observar que as doenças infecciosas intestinais se apresentavam como a principal causa de óbito em metade das Regiões de Saúde e em Pernambuco no ano de 2004. As demais regiões apresentaram como principais agrupamentos de causa àqueles relacionados à evitabilidade por atenção à mulher na gestação e ao recém-nascido. Em 2013, observa-se a mudança no perfil da mortalidade infantil com predominância das infecções do período neonatal e das afecções maternas, reduzíveis por adequada atenção ao recém-nascido e por atenção a mulher na gestação, respectivamente. Mortalidade Materna A Razão de Mortalidade Materna (RMM) do Brasil apresentou uma redução de 11,6% no período de 2000 a 2011, com uma média de 72,6 óbitos maternos por 100.000 NV. No mesmo período, Pernambuco apresentou um aumento de 17,8% com média de 63,8 óbitos maternos por 100.000 NV. Embora o Estado tenha apresentado média abaixo do observado em âmbito nacional, este aumento verificado em Pernambuco pode estar relacionado à melhoria da notificação dos óbitos no estado. Quando observada a RMM total (óbitos maternos precoces e tardios), em Pernambuco, verifica-se uma maior estabilidade no período de 2002 a 2011, com média de 76,8 óbitos maternos por 100.000 NV e um discreto aumento de 2,0% no período. Quando analisados os principais grupos de causa de óbito materno distribuídos por Região de Saúde, observa-se que, de maneira geral, as hipertensões e as hemorragias permanecem entre os primeiros grupos de causas obstétricas diretas. Mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis No Brasil, em 2013, a taxa de mortalidade prematura (30-69 anos) pelas principais DCNT (DAC, doenças respiratórias crônicas, DM e neoplasias) foi de 140,0 por 100.000 habitantes, menor que a taxa de Pernambuco no mesmo ano, que foi de 148,6 por 100.000 habitantes. Comparando os anos de 2004 e de 2013, observa-se que houve um aumento da taxa de mortalidade prematura por DCNT, tanto no Brasil (6,1%) quanto no estado (8,1%). Em Pernambuco, no mesmo período, houve aumento na proporção de óbitos por doenças respiratórias crônicas (33,7%), por neoplasias (9,0%) e por outras DCNT (9,2%). Já as DAC e o diabetes sofreram redução de 11,2% e 8,4%, respectivamente. Contudo, ainda que com redução, a proporção de óbitos por diabetes e por doenças crônicas respiratórias em Pernambuco, no ano de 2013, é bem superior à do Brasil (figuras 66 e 67). Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 28 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. Causas externas A mortalidade por causas externas em Pernambuco assemelha-se à do Brasil no mesmo período, apresentando as maiores proporções nos grupos de causas por agressões e por acidentes de transporte, além de um incremento importante na proporção de eventos cuja intenção é indeterminada. Em Pernambuco, houve redução de 11,0% na taxa de mortalidade por causas externas quando se comparam os anos de 2004 e de 2013. Em relação às duas principais causas de óbito por causas externas, observou-se que a taxa de mortalidade por homicídios reduziu 33,0% neste período, tendo iniciado a redução em 2008. Já a taxa de mortalidade por acidentes de transporte terrestre aumentou 25,3%. Quanto aos óbitos por acidentes de transporte terrestre, em 2004, houve predomínio de vítimas pedestres (39,2%). Em 2013, esse cenário modifica- se em quase todas as regiões, prevalecendo os óbitos por acidentes de motocicleta, atingindo uma proporção de 40,7% em Pernambuco. PLANO DIRETOR DE REGIONALIZAÇÃO Conceitos - Macrorregião Interestadual de Saúde: Circunscrita aos raios de influência do conjunto de macrorregiões, compreendendo pelo menos dois estados da federação, constituindo-se em nível de referência para atenção de Alta Complexidade. Macrorregião de Saúde São arranjos territoriais que agregam mais de uma Região de Saúde, com o objetivo de organizar, entre si, ações e serviços de média complexidade especial (procedimentos/açõesque requerem maior tecnologia, que apresentam oferta escassa no estado e cuja demanda requer agregação, ou seja, formação de escala) e alta complexidade complementando, desse modo, a atenção à saúde das populações desses territórios. A identificação das Macrorregiões de Saúde deve considerar, também, os critérios de acessibilidade entre as regiões agregadas. - Região de Saúde: Espaço geográfico contínuo constituído por agrupamentos de municípios limítrofes, delimitado a partir de identidades culturais, econômicas e sociais e de redes de comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados com finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde. - Microrregião de Saúde: Base territorial de planejamento da atenção primária com capacidade de oferta de serviços ambulatoriais e hospitalares de média complexidade constituída por municípios contíguos integrantes de uma Região de Saúde, em áreas territoriais extensas, com referência em serviços de maior tecnologia ou recursos humanos escassos para a região de saúde. - Redes de atenção: Arranjos organizativos de unidades e ações de saúde de diferentes densidades tecnológicas, que integradas através de sistemas logísticos, de apoio diagnóstico e terapêutico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado. Economia de Escala Concentração de oferta na perspectiva de garantir maior resolutividade e menor custo. Linha de cuidado: O conjunto de saberes, tecnologias e recursos necessários ao enfrentamento de determinado risco, agravo ou condições específicas do ciclo de vida, a serem ofertados de forma articulada por um dado sistema de saúde. Uma linha de cuidado deve expressar por meio de protocolos técnicos que considerem tanto a atualidade do conhecimento científico e tecnológico, como a organização da oferta de ações de saúde a um dado grupo. Foram priorizadas oito linhas de cuidado a serem trabalhadas de acordo com o perfil epidemiológico do Estado e as necessidades assistenciais com maior impacto na saúde da população. Assim, foram elencadas as linhas de cuidado abaixo: Cardiologia – as doenças cardiovasculares são a principal causa de morbimortalidade no Estado; Oncologia – segunda maior causa de morbimortalidade no Estado; Urgência/emergência com ênfase em trauma: as causas externas configuram-se na terceira maior causa de morbimortalidade estadual; Materno-infantil: pela necessidade de redução da mortalidade materna e infantil precoce; Nefrologia: pelo aumento crescente de portadores de doença renal crônica no Estado; Saúde Mental: pela necessidade de estruturação da rede substitutiva de forma articulada de modo a promover a atenção integrada; Saúde Bucal: pela baixa cobertura desta assistência no Estado; Oftalmologia: pela necessidade de se organizar uma linha de cuidado integrando as ações municipais da atenção primária e média complexidade às referências de maior complexidade assumidas pela gestão estadual. Em 2011, a nova gestão da saúde decide incluir na discussão a neurologia/neurocirurgia e a vigilância à saúde como duas novas linhas de cuidado. - Macrorregião Interestadual Vale do Médio São Francisco: a partir de 2009, com o apoio do Ministério da Saúde e sob a coordenação da equipe do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, foi realizado diagnóstico de saúde da região do Vale do Médio São Francisco - estudo de capacidade instalada, fluxos assistenciais, principais serviços de alta complexidade utilizados - e iniciadas discussões e pactuações para a conformação da primeira macrorregião de saúde interestadual entre Pernambuco e Bahia. Essa macrorregião é formada pelos municípios que compõem as macrorregiões de Petrolina/PE (VII, VIII e IX Regiões de Saúde) e Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 29 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. Juazeiro/BA (microrregiões de Juazeiro, Senhor do Bonfim e Paulo Afonso) e possui a primeira Central de Regulação Interestadual do País. Em julho de 2011 foi implantada a primeira Central de Regulação Interestadual de País, tendo como missão a organização do acesso a serviços de alta complexidade das redes de Cardiovascular, Oncologia, Materno-Infantil e Urgência/Emergência. A PPI Interestadual está em fase de discussão da sua programação. POLÍTICA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE (PNPS) - A PNPS traz em sua base o conceito ampliado de saúde e o referencial teórico da promoção da saúde como um conjunto de estratégias e formas de produzir saúde, no âmbito individual e coletivo, caracterizando-se pela articulação e cooperação intra e intersetorial, pela formação da Rede de Atenção à Saúde (RAS), buscando articular suas ações com as demais redes de proteção social, com ampla participação e controle social. - Art. 8º São temas transversais da PNPS, entendidos como referências para a formação de agendas de promoção da saúde, para adoção de estratégias e temas prioritários, operando em consonância com os princípios e valores do SUS e da PNPS: (Atenção!!!) I - Determinantes Sociais da Saúde (DSS), equidade e respeito à diversidade, que significa identificar as diferenças nas condições e nas oportunidades de vida, buscando alocar recursos e esforços para a redução das desigualdades injustas e evitáveis, por meio do diálogo entre os saberes técnicos e populares; II - desenvolvimento sustentável, que se refere a dar visibilidade aos modos de consumo e produção relacionados com o tema priorizado, mapeando possibilidades de intervir naqueles que sejam deletérios à saúde, adequando tecnologias e potencialidades de acordo com especificidades locais, sem comprometer as necessidades futuras; III - produção de saúde e cuidado, que representa a incorporação do tema na lógica de redes que favoreçam práticas de cuidado humanizadas, pautadas nas necessidades locais, que reforcem a ação comunitária, a participação e o controle social e que promovam o reconhecimento e o diálogo entre as diversas formas do saber popular, tradicional e científico, construindo práticas pautadas na integralidade do cuidado e da saúde, significando, também, a vinculação do tema a uma concepção de saúde ampliada, considerando o papel e a organização dos diferentes setores e atores que, de forma integrada e articulada por meio de objetivos comuns, atuem na promoção da saúde; IV - ambientes e territórios saudáveis, que significa relacionar o tema priorizado com os ambientes e os territórios de vida e de trabalho das pessoas e das coletividades, identificando oportunidades de inclusão da promoção da saúde nas ações e atividades desenvolvidas, de maneira participativa e dialógica; V - vida no trabalho, que compreende a interrelação do tema priorizado com o trabalho formal e não formal e com os setores primário, secundário e terciário da economia, considerando os espaços urbano e rural, e identificando oportunidades de operacionalização na lógica da promoção da saúde para ações e atividades desenvolvidas nos distintos locais, de maneira participativa e dialógica; e VI - cultura da paz e direitos humanos, que consiste em criar oportunidades de convivência, de solidariedade, de respeito à vida e de fortalecimento de vínculos, desenvolvendo tecnologias sociais que favoreçam a mediação de conflitos diante de situações de tensão social, garantindo os direitos humanos e as liberdades fundamentais, reduzindo as violências e construindo práticas solidárias e da cultura de paz. - Art. 10. São temas prioritários da PNPS, evidenciados pelas ações de promoção da saúde realizadas e compatíveis com o Plano Nacional de Saúde, pactos interfederativose planejamento estratégico do Ministério da Saúde, bem como acordos internacionais firmados pelo governo brasileiro, em permanente diálogo com as demais políticas, com os outros setores e com as especificidades sanitárias: (Atenção!!!) I - formação e educação permanente, que compreende mobilizar, sensibilizar e promover capacitações para gestores, trabalhadores da saúde e de outros setores para o desenvolvimento de ações de educação em promoção da saúde e incluí-la nos espaços de educação permanente; II - alimentação adequada e saudável, que compreende promover ações relativas à alimentação adequada e saudável, visando à promoção da saúde e à segurança alimentar e nutricional, contribuindo com as ações e metas de redução da pobreza, com a inclusão social e com a garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável; III - práticas corporais e atividades físicas, que compreende promover ações, aconselhamento e divulgação de práticas corporais e atividades físicas, incentivando a melhoria das condições dos espaços públicos, considerando a cultura local e incorporando brincadeiras, jogos, danças populares, dentre outras práticas; IV - enfrentamento do uso do tabaco e seus derivados, que compreende promover, articular e mobilizar ações para redução e controle do uso do tabaco, incluindo ações educativas, legislativas, econômicas, ambientais, culturais e sociais; V - enfrentamento do uso abusivo de álcool e outras drogas, que compreende promover, articular e mobilizar ações para redução do consumo abusivo de álcool e outras drogas, com a corresponsabilização e autonomia da população, incluindo ações educativas, legislativas, econômicas, ambientais, culturais e sociais; VI - promoção da mobilidade segura, que compreende: Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 30 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. VII - promoção da cultura da paz e de direitos humanos, que compreende promover, articular e mobilizar ações que estimulem a convivência, a solidariedade, o respeito à vida e o fortalecimento de vínculos, para o desenvolvimento de tecnologias sociais que favoreçam a mediação de conflitos, o respeito às diversidades e diferenças de gênero, de orientação sexual e identidade de gênero, entre gerações, étnico-raciais, culturais, territoriais, de classe social e relacionada às pessoas com deficiências e necessidades especiais, garantindo os direitos humanos e as liberdades fundamentais, articulando a RAS com as demais redes de proteção social, produzindo informação qualificada e capaz de gerar intervenções individuais e coletivas, contribuindo para a redução das violências e para a cultura de paz; e VIII - promoção do desenvolvimento sustentável, que compreende promover, mobilizar e articular ações governamentais, não governamentais, incluindo o setor privado e a sociedade civil, nos diferentes cenários, como cidades, campo, floresta, águas, bairros, territórios, comunidades, habitações, escolas, igrejas, empresas e outros, permitindo a interação entre saúde, meio ambiente e desenvolvimento sustentável na produção social da saúde em articulação com os demais temas prioritários. SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE - São aqueles desenvolvidos e implantados com o objetivo de facilitar a formulação e avaliação das políticas, planos e programas de saúde, subsidiando o processo de tomada de decisões, a fim de contribuir para melhorar a situação de saúde individual e coletiva (BRASIL, 2004). Objetivos dos SIS - Avaliar e apoiar o planejamento, a tomada de decisões e as ações em todos os níveis do arcabouço organizacional do SUS; Apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico do setor saúde; - Subsidiar a avaliação das relações de eficiência e efetividade das políticas, das estratégias e das ações de saúde; - Apoiar o desenvolvimento e capacitação de recursos humanos no setor saúde; - Subsidiar o processo de comunicação dos órgãos do setor saúde. Sistema de informação de agravos de notificação – SINAN - Objetivo: Racionalizar o processo de coleta e transferência de dados relacionados às doenças e agravos de notificação compulsória em todo o território nacional, desde o nível local. - Fonte dos dados: É alimentado por dois formulários padronizados: Ficha Individual de Notificação (FIN) e pela Ficha Individual de Investigação (FII) – distinta para cada agravo. - Potencialidades: A partir da alimentação do banco de dados do SINAN, pode-se calcular a incidência, prevalência, letalidade e mortalidade, bem como fazer análises de acordo com as características de pessoa, tempo e lugar. É o mais importante para a Vigilância Epidemiológica. Foi desenvolvido entre 1990 e 1993, O Sinan foi concebido pelo Centro Nacional de Epidemiologia, com o apoio técnico do Datasus e da Prodabel (Prefeitura Municipal de Belo Horizonte), para ser operado a partir das unidades de saúde, considerando o objetivo de coletar e processar dados sobre agravos de notificação, em todo o território nacional, desde o nível local. Mesmo que o município não disponha de microcomputadores em suas unidades, os instrumentos deste sistema são preenchidos nesse nível, e o processamento eletrônico é feito nos níveis centrais das secretarias municipais de saúde (SMS), regional ou nas secretarias estaduais (SES). É alimentado, principalmente, pela notificação e investigação de casos de doenças e agravos que constam da lista nacional de doenças de notificação compulsória, mas é facultado a estados e municípios incluírem outros problemas de saúde, importantes em sua região. Por isso, o número de doenças e agravos contemplados pelo Sinan vem aumentando progressivamente. - Ficha individual de notificação (FIN) – é preenchida para cada paciente quando da suspeita da ocorrência de problema de saúde de notificação compulsória de interesse nacional, estadual ou municipal e encaminhada, pelas unidades assistenciais, aos serviços responsáveis pela informação e/ou vigilância epidemiológica. Este mesmo instrumento é utilizado para notificação negativa. - Ficha individual de investigação (FII) – configura-se, na maioria das vezes, como um roteiro de investigação, distinto para cada tipo de agravo, que deve ser utilizado, preferencialmente, pelos serviços municipais de vigilância ou unidades de saúde capacitados para realização da investigação epidemiológica. - Além dos instrumentos já referidos, constam, ainda, deste sistema, a planilha de acompanhamento de surtos, que é reproduzida pelos municípios, e os boletins de acompanhamento de Hanseníase e de Tuberculose, emitidos pelo próprio sistema. A impressão, distribuição e numeração desses formulários é de responsabilidade do estado ou município. O sistema conta com módulos para cadastramento de regionais de saúde, distritos e localidades. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 31 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. Sistema de informação de mortalidade – SIM - Fonte dos dados: Seu instrumento padronizado de coleta de dados é a Declaração de Óbito (DO), impressa em três vias coloridas (branca, amarela e rosa). - Potencialidades: Os dados do SIM permitem a construção de importantes indicadores: mortalidade proporcional por causas, faixa etária, sexo, local de ocorrência e residência, letalidade de agravos dos quais se conheça a incidência, taxas de mortalidade geral, infantil e materna, entre outros. Criado em1975, este sistema de informação iniciou sua fase de descentralização em 1991, dispondo de dados informatizados a partir do ano de 1979. Seu instrumento padronizado de coleta de dados é a declaração de óbito (DO), impressa em três vias coloridas, cuja emissão e distribuição, em séries pré- numeradas para os estados, são de competência exclusiva do Ministério da Saúde. A distribuição para os municípios fica a cargo das secretarias estaduais de saúde, devendo as secretarias municipais se responsabilizar pelo controle e distribuição entre profissionais médicos e instituições que a utilizem, bem como pelo recolhimento das primeiras vias em hospitais e cartórios. O preenchimento da DO deve ser realizado exclusivamente por médicos, exceto em locais onde não existam esses profissionais, situações nas quais poderá ser preenchida por oficiais de Cartórios de Registro Civil, sendo também assinada por duas testemunhas. A obrigatoriedade de preenchimento desse instrumento, para todo óbito ocorrido, é determinada pela lei federal n° 6.015/73. Em tese, nenhum sepultamento deveria ocorrer sem prévia emissão da DO, mas, na prática, sabe-se da ocorrência de sepultamentos, em cemitérios clandestinos, o que afeta o conhecimento do real perfil de mortalidade, sobretudo no interior do país. O registro do óbito deve ser feito no local de ocorrência do evento. Embora o local de residência seja a informação mais utilizada, na maioria das análises do setor saúde, a ocorrência também é importante no planejamento de algumas medidas de controle, como, por exemplo, no caso dos acidentes de trânsito e doenças infecciosas, que exijam adoção de medidas de controle no local de ocorrência. Os óbitos ocorridos, fora do local de residência, serão redistribuídos, quando do fechamento das estatísticas, pelas secretarias estaduais e pelo Ministério da Saúde, permitindo, assim, o acesso aos dados, tanto por ocorrência, como por residência do falecido. Sistema de informações sobre nascidos vivos – SINASC - Fonte dos dados: Seu instrumento padronizado de coleta de dados é a Declaração de Nascido Vivo (DN), impressa em três vias coloridas (branca, amarela e rosa). - Potencialidades: Os dados do SINASC contribuem para obter informações sobre natalidade, morbidade e mortalidade infantil e materna e sobre as características da atenção ao parto e ao recém-nascido, que são essenciais para a atenção integral à saúde da mulher e da criança. O Sinasc tem, como instrumento padronizado de coleta de dados, a declaração de nascido vivo (DN), cuja emissão, a exemplo da DO, é de competência exclusiva do Ministério da Saúde. Tanto a emissão da DN, como o seu registro em cartório, são realizados no município de ocorrência do nascimento. Deve ser preenchida pelos hospitais e por outras instituições de saúde, que realizam parto e, nos Cartórios de Registro Civil, quando o nascimento da criança ocorre no domicílio. Sua implantação ocorreu no país, de forma gradual, desde o ano de 1992 e, atualmente, vem apresentando, em muitos municípios, um volume maior de registros do que o publicado em anuários do IBGE, com base nos dados de Cartórios de Registro Civil. A DN deve ser preenchida para todos os nascidos vivos no país, que, segundo conceito definido pela OMS, corresponde a “todo produto da concepção que, independentemente do tempo de gestação, depois de expulso ou extraído do corpo da mãe, respire ou apresente outro sinal de vida, tal como batimento cardíaco, pulsação do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária, estando ou não desprendida a placenta”. A obrigatoriedade desse registro é também dada pela Lei n° 6.015/73. No caso de gravidez múltipla, deve ser preenchida uma DN para cada criança nascida viva. Da mesma maneira que ocorre com a DO, os formulários de declaração de nascidos vivos são pré- numerados, impressos em três vias coloridas e distribuídos às SES pelo Ministério da Saúde. Elas, por sua vez, fazem a distribuição para os municípios, os quais são responsáveis pelo envio aos estabelecimentos de saúde e cartórios. O fluxo, recomendado pelo MS para a declaração de nascidos vivos, tem a mesma lógica que orienta o fluxo da DO. Entre os indicadores de interesse, para a atenção à saúde materno-infantil, para os quais são imprescindíveis as informações contidas na DN, encontram-se: proporção de nascidos vivos de baixo peso, proporção de nascimentos prematuros, proporção de partos hospitalares, proporção de nascidos vivos por faixa etária da mãe, valores do índice Apgar no primeiro e quinto minutos, número de consultas pré-natal realizadas para cada nascido vivo, dentre outros. Além desses, podem ainda ser calculados indicadores Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 32 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. clássicos, voltados à caracterização geral de uma população, como a taxa bruta de natalidade e a taxa de fecundidade geral. Sistema de informações hospitalares (SIH) - Características: Concebido com o propósito de operar o sistema de pagamento de internação dos hospitais contratados pelo Ministério da Previdência, sendo estendido, posteriormente, aos hospitais filantrópicos, universitários e de ensino, e aos hospitais públicos municipais, estaduais e federais. Vale ressaltar que deixa de fora os internamentos na rede privada não conveniada e as morbidades menos graves sem internamento. - Fonte dos dados: Autorização de Internação Hospitalar (AIH), emitida pelos estados a partir de uma série numérica única definida anualmente em portaria ministerial. - Potencialidades: A disponibilidade de dados com características de pessoa, tempo, lugar da internação e procedência do paciente, tipos de serviços, procedimentos realizados, duração da internação, valores pagos, ocorrência de óbito e código CID da causa de internação, contribui para o conhecimento da situação de saúde, para as ações de vigilância e para o acompanhamento e avaliação dos resultados de ações e serviços (fins epidemiológicos). Reúne informações de cerca de 70% dos internamentos hospitalares realizados no país, tratando- se, portanto, de uma grande fonte de dados sobre os agravos à saúde que requerem internação, contribuindo expressivamente para o conhecimento da situação de saúde e a gestão de serviços. Assim, este sistema vem sendo gradativamente incorporado à rotina de análise e de informações, de alguns órgãos de vigilância epidemiológica de estados e municípios. PROCESSO SAÚDE-DOENÇA E HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA Pré-História – descoberta do Fogo Eram nômades, caçadores, viviam em bandos e a sobrevivência estava associada à disponibilidade de água e alimento. As doenças e agravas que não podiam ser entendidos como resultado do cotidiano era vistos como influência do sobrenatural, deuses, demônios e espíritos malignos. Predominava um pensamento mágico-religioso OBS: No Brasil ainda hoje encontramos essa visão mágica / religiosa de enxegar a saúde e a doença. Ex: simpatias, benzedeiras, chás, oferendes, ritos e oferendas destinadas aos santos e deuses. Antiguidade: Concepção dos assírios, egípcios, caldeus, hebreus e outros povos: - Corpo humano como receptáculo de elemento externo; penetrando-o irá produzir a doença sem que o homem participe ativamente do processo; elementos tanto naturais como sobrenaturais - Sistemas filosóficos de compreensão do mundo: caráter religioso, - Observações empíricas relativas ao aparecimento da doença e função curativa das plantas e recursos naturais eram revestidas de caráter religioso Medicina chinesa: - Doença vista como desequilíbrioentre os elementos/humores que compõem o organismo humano - Causa buscada no ambiente influência dos astros, clima, insetos e outros animais sistema complexo de correspondência entre os cinco elementos (madeira, metal, terra, fogo e água) e orgãos-sede - Recuperação= restabelecer o equilíbrio de energia - O homem desempenha papel ativo no processo e as causas perdem o caráter mágico e religioso, são naturalizadas. Hipócrates: 460 – 377 a.C: Através da observação da natureza que obtiveram os elementos centrais para a organização de um novo modo de conceber saúde e doença. - Ares, Água e Lugares: Neste livro denomina; Endêmicas – doenças que observou a ocorrência de um número contínuo e regular de casos entre os habitantes. Epidemia – o surgimento repentino e explosivo de um grande número de casos. Caracterizou os fatores responsáveis pela endemicidade: local, clima, solo, água, modo de vida e nutrição. - Relação com o meio ambiente é um traço fundamental dos postulados Hipocráticos. - Observação das funções do organismo com o meio natural e social. Saúde é uma Homeostasia entre o homem e o Meio. Idade Média - Castigo e Redenção. - Ascensão e Fortalecimento da Igreja Católica. - Período de muitas Epidemias. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 33 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. - Catolicismo – Afirmava a existência de uma conexão entre doença e pecado, seja através de teorias como: Doença = Pecado / expiação de um mal cometido / possessão demoníaca / castigo de Deus - Cura: ao invés de chás, ervas, exercícios, repouso, banhos, eram prescritas rezas, penitências, invocações aos Santos, exorcismos e unções, com a função de Purificar a Alma. Renascimento Séculos XV e XVI: Revalorização do saber técnico; Conhecimento da natureza; Conhecimento da realidade através da observação dos fenômenos; Valorização da pesquisa empírica. - Cooperação entre cientistas e técnicos, formando-se a Base do Pensamento Científico - Girolano Fracastoro – 1530 com a obra De Contagione. Descrevia sobre a hipótese de contágio da sífilis. Hipotisava sobre agentes específicos para cada doença. Daí surge a teoria miasmática, que vai prevalecer segunda metade do século XIX, no qual preconizada que a atmosfera era contaminada por miasmas, estes que vinham de fossas, lixo, dejetos de pessoas humanas e pântanos. Assim, toda explicação causal das doenças tinha como base a teoria miasmática, também conhecida por teoria do contágio. Teoria da unicausalidade Houve o desenvolvimento das investigações no campo das doenças infecciosas e na área da microbiologia, cujo resultado foram novas medidas de controle. EX: vacinação. - Final do Séc XIX: Louis Pasteur, com o microscópio demonstra a existência de microrganismos: Um micróbio = Uma doença. Teoria aceita apenas em 1876 quando Robert Koch demonstrou a transmissão do antraz por um bacilo. - Isso favorece na descoberta dos vetores, hospedeiros intermediários e o papel dos portadores sadios para a transmissão das doenças e manutenção da cadeia epidemiológica. - Criação de Laboratórios de Microbiologia e Imunologia. - Melhoria nas condições de vida, saneamento e sanitárias. - O modelo Unicausal representou um reducionismo do fenômeno saúde / doença. - Aboliu o Subjetivo a favor do Objetivo; - Aboliu os aspectos Qualitativos em prol dos Quantitativos. - Hiper valorização da fisiologia, anatomia, patologia e farmacologia, que se tornaram bases do pensamento médico OBS: A emergência do modelo unicausal conferia o estatuto de cientificidade que se julgava faltar às explicações sociais. A desqualificação destas, mediante o advento da bacteriologia, impediu que fossem estudadas as relações entre o adoecer humano e as determinações econômicas, sociais e políticas. A prática médica resultante desse modelo é predominantemente curativa e biologicista. Teoria da Multicausalidade Após a Segundo Grande Guerra houve um declínio do Modelo Unicausal. - Motivo: Não explicava as doenças associadas a múltiplos fatores de risco. - Neste período houve uma transição epidemiológica. Ou seja, Diminuiu a incidência das doenças Infecto parasitárias para aumentar das crônicas degenerativas. - Um exemplo da estrutura dessa teoria foi proposto por Leavell e Clark (1976), no qual esse modelo considera a interação, o relacionamento e o condicionamento de três elementos fundamentais da chamada ‘tríade ecológica’: o ambiente, o agente e o hospedeiro. A doença seria resultante de um desequilíbrio nas auto- regulações existentes no sistema Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 34 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. OBS: O exame dos diferentes fatores relacionados ao surgimento de uma doença e a utilização da estatística nos métodos de investigação e desenhos metodológicos permitiram significativos avanços na prevenção de doenças. Outra vantagem deste modelo teórico reside no fato de possibilitar a proposição de barreiras à evolução da doença mesmo antes de sua manifestação clínica (pré-patogênese) MODELO DE DETERMINAÇÃO SOCIAL - 1960 – Proposta de uma abordagem mais ampla, considerando as relações da saúde com a produção social e econômica da sociedade. - Modelo: Determinação Social da Saúde: procura articular todas as dimensões da vida para determinar uma realidade sanitária. - Necessidade: Transpor a linearidade da concepção Biologicista de causa – efeito. Entra em cena: A Estrutura Social como estruturadora dos processos saúde/doença. - A noção de Causalidade é substituída pela Determinação. Aqui temos a Estrutura Social e as condições ligadas a ela hierarquicamente, servindo como base para explicar a saúde e a doença. - Modos e estilo de vida, derivados de fatores culturais, práticas sociais e constituição do espaço. - Esse modelo leva em consideração o objeto, o sujeito, os meios de trabalho, formas de organização das práticas, pensando não apenas na doença mas na promoção da sáude. - O modelo mais utilizado para explicar os determinantes sociais em saúde é o de Dahlgren e Whitehead: influência em camadas. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 35 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. OBS: Determinantes Sociais da Saúde Incluem: condições mais gerais de uma sociedade (socioeconômicas, culturais e ambientais), e se relacionam com as condições de vida e trabalho de seus membros (habitação, saneamento, ambiente de trabalho, serviços de saúde e educação) e, também, com a trama de redes sociais e comunitárias. - Importante: Determinante é mais complexo que causa. Ex: o Bacilo de Koch causa a tuberculose, mas, são os determinantes sociais que explicam porque certa parcela da população é mais susceptível que outra. TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA - Esta teoria explica a evolução da população desde níveis altos de mortalidade e fecundidade até outros cada vez mais baixos, tendo como fatores as transformações econômicas e sociais do crescimento econômico capitalista baixo a influência da modernização industrial. - Fases da Transição Demográfica 1) Primitivo ou pré-industrial:caracteriza-se por registrar elevadas taxas de natalidade e de mortalidade 2) Primeira Transição ou de divergência de coeficientes: produz-se uma diminuição da mortalidade, como consequência das melhorias alimentares e de assistência medica e sanitária, mas mantém-se uma elevada natalidade o que provoca um acentuado crescimento da população. 3) Segunda Transição ou de convergência de coeficientes: a natalidade começa a diminuir e a mortalidade continua a descer embora mais lentamente. 4) Fase moderna: as taxas de mortalidade atingem os mínimos biológicos e as de natalidade são muito baixas. O crescimento é fraco, podendo mesmo haver um decréscimo populacional. - No Brasil, a transição demográfica e a transição epidemiológica começam com a queda da taxa de mortalidade na década de 1940, devido à redução das doenças infecciosas e paritárias como causas de óbitos, com a natalidade mantendo-se ainda em níveis elevados até 1960. TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA - O processo de mudança na incidência ou na prevalência de doenças, bem como nas principais causas de morte, ao longo do tempo. Refere-se às modificações, em longo prazo, dos padrões de morbidade, invalidez e morte que caracterizam uma população específica e que, em geral, ocorrem em conjunto com outras transformações demográficas, sociais e econômicas. - O processo engloba três mudanças básicas: substituição das doenças transmissíveis por doenças não-transmissíveis e causas externas; deslocamento da carga de morbi-mortalidade dos grupos mais jovens aos grupos mais idosos; e transformação de uma situação em que predomina a mortalidade para outra na qual a morbidade é dominante. - À medida que os países atingem níveis de desenvolvimento mais elevados, as melhorias das condições sociais, econômicas e de saúde causam a transição de um padrão de expectativa ou esperança de vida baixa, com altas taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitarias em faixas de idade precoces, para um aumento da sobrevida em direção a idades mais avançadas e aumento das mortes por doenças não transmissíveis (MEDRONHO, 2012). Estágios da Transição Epidemiológica 1) Estágio 1: Fome e pestilências. Duração até o fim da idade média; alta natalidade; alta mortalidade – doenças infecciosas; Endemias, epidemias, pandemias; Expectativa de vida de 20 a 40 anos. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 36 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. 2) Estágio 2: Declínio das pandemias. Da Renascença até a Revolução Industrial; Progressiva e diminuição das pandemias; Doenças infecciosas como principal causa de morte; Expectativa de vida de 40 anos; Queda da mortalidade e natalidade alta; aumento da população. 3) Estágio 3: Doenças degenerativas e provocadas pelo homem. Da Revolução Industrial até meados do século XX; Maior disponibilidade de alimentos; melhores condições de moradia; Saneamento básico; Declínio das doenças infecciosas; Aumento das doenças cardiocirculatórias e neoplasias; Expectativa de vida acima de 60 anos; 4) Estágio 4: Declínio da mortalidade por doenças cardiovasculares. Envelhecimento populacional; Modificação de Estilo de Vida; Doenças Emergentes; Ressurgimento de Doenças. - MEDIDAS E COEFICIENTES (INDICADORES EPIDEMIOLÓGICOS) Medidas de Mortalidade: - Coeficiente de Mortalidade Geral – CMG: Número total de óbitos, no período x 1.000 __________________________________ População total, na metade do período - Coeficiente de Mortalidade por Sexo: Número de óbitos de um dado sexo, no período__ x 1.000 ______________________________________________ População do mesmo sexo, na metade do período. - Coeficiente de Mortalidade por Idade – CMI: Número de óbitos de um grupo etário, no período x 100 mil _______________________________________________ População do mesmo grupo etário, na metade do período. - Coeficiente de Mortalidade por Causa - CMC: N° de óbitos por determinada causa (ou grupo causas), no período x100 mil ____________________________________________________________ População na metade do período - Coeficiente de Mortalidade Materna - CMM: Nº de óbitos p/ causas ligadas à gravidez, parto, puerpério, no período x1000 _____________________________________________________________ Número de nascidos vivos, no período. - Coeficiente de Mortalidade Infantil – CMI: Nº de óbitos de crianças menores de um ano de idade, no período x 1.000 ___________________________________________________________ Número de nascidos vivos, no período. - Coeficiente de Mortalidade Infantil Neonatal: N° de óbitos crianças nas primeiras quatro semanas de vida, no período x 1.000 _______________________________________________________________ Número de nascidos vivos, no período. - Coeficiente de Mortalidade Neonatal Neonatal Precoce: Número de óbitos de crianças na primeira semana de vida, no período x 1.000 _______________________________________________________________ Número de nascidos vivos, no período - Coeficiente de Mortalidade Infantil Pós-Neonatal: Número de óbitos de crianças de 28 dias até 1 ano de idade, no período x 1.000 _______________________________________________________________ Número de nascidos vivos, no período. Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 37 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. - Coeficiente de Mortalidade Perinatal: Número de óbitos fetais (com 22 semanas ou mais de gestação), acrescido do número de óbitos na primeira semana de vida, no período x 1.000 _______________________________________________________________ Número de nascidos vivos e de natimortos, no período. - Coeficiente de Natimortalidade: Número de natimortos, no período x 1.000 __________________________________ Número de nascidos vivos e de natimortos, no período. - Mortalidade Proporcional por causas: Número de óbitos por determinada causa(ou grupo de causas), no período x 100 _______________________________________________________________ Todos os óbitos, no período. - Mortalidade Proporcional de menores de um ano: Número de óbitos de crianças menores de um ano, no período x 100 _______________________________________________________ Todos os óbitos, no período. - Coeficiente de Letalidade (ou Fatalidade) Número de óbitos por determinada doença x 100 _______________________________________ Número de casos da mesma doença - Razão de Mortalidade Proporcional (RMP) ou Indicador de Swaroop-Uemura ou RMP: Nº de óbitos de 50 anos e mais, em um dado local e período x 100. ___________________________________________________ Nº total de óbitos no mesmo local e período Medidas de Morbidade (ou indicadores de morbidade): - Coeficiente de Incidência: Nº casos novos da doença /local/período x 10 n _______________________________________ População do mesmo local e período - Coeficiente de Prevalência: Nº casos existentes (novos + ant.) /local/momento/período x 10 n ____________________________________________________ População do mesmo local e período - Taxa de ataque: Nº de casos da doença em um dado local e período x 100 ______________________________________________ População exposta ao risco VIGILÂNCIA EM SAÚDE - PORTARIA Nº 1.378, DE 9 DE JULHO DE 2013 Art. 4º As ações de Vigilância em Saúde abrangem toda a população brasileira e envolvempráticas e processos de trabalho voltados para: I - a vigilância da situação de saúde da população, com a produção de análises que subsidiem o planejamento, estabelecimento de prioridades e estratégias, monitoramento e avaliação das ações de saúde pública; II - a detecção oportuna e adoção de medidas adequadas para a resposta às emergências de saúde pública; III - a vigilância, prevenção e controle das doenças transmissíveis; IV - a vigilância das doenças crônicas não transmissíveis, dos acidentes e violências; Legislação do SUS (SES-PE) Apostila Prof. Hélder Pacheco ESPAÇO HEBER VIEIRA Rua Corredor do Bispo, 85, Boa Vista, Recife/PE Página 38 F.: 3314-4071 – www.espacohebervieira.com.br Todos os direitos reservados © Copyright. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra. V - a vigilância de populações expostas a riscos ambientais em saúde; VI - a vigilância da saúde do trabalhador; VII - vigilância sanitária dos riscos decorrentes da produção e do uso de produtos, serviços e tecnologias de interesse a saúde; e VIII - outras ações de vigilância que, de maneira rotineira e sistemática, podem ser desenvolvidas em serviços de saúde públicos e privados nos vários níveis de atenção, laboratórios, ambientes de estudo e trabalho e na própria comunidade. VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA - Por recomendação da 5ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1975, o Ministério da Saúde instituiu o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE, Lei n° 6.259/75 e Decreto n° 78.231/76). Esses instrumentos tornaram obrigatória a notificação de doenças transmissíveis selecionadas, constantes de relação estabelecida por Portaria. Em 1977, foi elaborado, pelo Ministério da Saúde, o primeiro Manual de Vigilância Epidemiológica. - O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou o SNVE, definindo, em seu texto legal (Lei n° 8.080/90), a vigilância epidemiológica como “um conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”. Além de ampliar o conceito, as ações de vigilância epidemiológica passaram a ser operacionalizadas num contexto de profunda reorganização do sistema de saúde brasileiro, caracterizada pela descentralização de responsabilidades, pela universalidade, integralidade e equidade na prestação de serviços. Funções da Vigilância Epidemiológica: Coleta de dados, processamento dos dados, análise e interpretação, recomendação de medidas de controle apropriadas, avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas e divulgação de informações pertinentes. Aplicações da vigilância epidemiológica: • Estimar a magnitude dos problemas de saúde • Caracterizar a distribuição geográfica e temporal das doenças • Descrever a história natural de uma doença • Detectar epidemias e novos problemas de saúde • Gerar hipóteses acerca da ocorrência de doenças • Avaliar as medidas de controle • Monitorar alterações do perfil de agentes infecciosos • Identificar mudanças dos fatores determinantes de doenças • Auxiliar o planejamento em saúde Fontes especiais de dados: - Inquérito epidemiológico: utilizado quando as informações existentes são inadequadas ou insuficientes, levantando dados primários. - Levantamento epidemiológico: utiliza dados já existentes nos registros dos serviços de saúde ou de outras instituições, a partir de dados secundários. Tem a finalidade de complementar informações já existentes. - Investigação epidemiológica: consiste em estudo de campo, utilizando dados primários e secundários. Aspectos que devem ser considerados na notificação: • Notificar a simples suspeita da doença ou evento. Não se deve aguardar a confirmação do caso para se efetuar a notificação, pois isso pode significar perda da oportunidade de intervir eficazmente. • A notificação tem de ser sigilosa, só podendo ser divulgada fora do âmbito médico-sanitário em caso de risco para a comunidade, respeitando-se o direito de anonimato dos cidadãos. • O envio dos instrumentos de coleta de notificação deve ser feito mesmo na ausência de casos, configurando- se o que se denomina notificação negativa, que funciona como um indicador de eficiência do sistema de informações. - Parâmetros para notificação: 1- Magnitude: doenças de elevada frequência que atinge grandes contingentes populacionais, com alta prevalência e incidência e mortalidade; 2- Potencial de disseminação: elevado poder de transmissão da doença; 3- Transcendência: medida pela relevância social e econômica provocada pelo surgimento das doenças; 4- Vulnerabilidade: passível de mecanismos de prevenção e controle; 5- Compromissos internacionais: cumprimento de metas mundiais para a eliminação, controle e erradicação. Ex: as doenças de notificação compulsória internacional: Febre amarela, Peste e Cólera.