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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA ...........................................................................................................8
1 - INTERPRETAÇÃO DE TEXTO / ARGUMENTAÇÃO. .......................................................................................................................8
2 - ORTOGRAFIA .................................................................................................................................................................................. 19
2 . MORFOLOGIA E SINTAXE (MORFOSSINTAXE)........................................................................................................................... 30
3. CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL. ............................................................................. 53
MATEMÁTICA E RACIOCÍNIO LÓGICO ........................................................................... 63
MATEMÁTICA ........................................................................................................................................................................................ 63
RACIOCÍNIO LÓGICO ........................................................................................................................................................................... 65
DIREITO ADMINISTRATIVO ................................................................................................67
1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: PRINCÍPIOS BÁSICOS. 2. PODERES ADMINISTRATIVOS: PODER HIERÁRQUICO, PODER
DISCIPLINAR, PODER REGULAMENTAR, PODER DE POLÍCIA, USO E ABUSO DO PODER. .................................................... 67
3. ATO ADMINISTRATIVO: CONCEITO, REQUISITOS E ATRIBUTOS; ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO; DISCRI-
CIONARIEDADE E VINCULAÇÃO. 4. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA: ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA; CENTRA-
LIZADA E DESCENTRALIZADA; AUTARQUIAS, FUNDAÇÕES, EMPRESAS PÚBLICAS, SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA.
CONSÓRCIOS PÚBLICOS (LEI Nº 11.107/2005). ÓRGÃOS PÚBLICOS: CONCEITO, NATUREZA E CLASSIFICAÇÃO. ....... 70
5. SERVIDORES PÚBLICOS: CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICOS. LEI Nº 8.112/1990 (REGIME JURÍDICO DOS SERVI-
DORES PÚBLICOS CIVIS DA UNIÃO E ALTERAÇÕES): DISPOSIÇÕES PRELIMINARES; PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO,
REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO; DIREITOS E VANTAGENS: VENCIMENTO E REMUNERAÇÃO, VANTAGENS, FÉRIAS, LI-
CENÇAS, AFASTAMENTOS, DIREITO DE PETIÇÃO; REGIME DISCIPLINAR: DEVERES E PROIBIÇÕES, ACUMULAÇÃO, RES-
PONSABILIDADES, PENALIDADES; PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. .................................................................. 76
6. PROCESSO ADMINISTRATIVO (LEI Nº 9.784/1999). 7. CONTROLE E RESPONSABILIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO: CON-
TROLE ADMINISTRATIVO; CONTROLE JUDICIAL; CONTROLE LEGISLATIVO. ........................................................................... 80
8. RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL DO ESTADO. ........................................................................................................ 82
9. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (LEI Nº 8.429/1992). LEI Nº 11.416/2006. .................................................................. 87
10. LICITAÇÕES E CONTRATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (LEI Nº 8.666/1993 E ALTERAÇÕES POSTERIORES). CON-
VÊNIOS ADMINISTRATIVOS. PREGÃO (LEI N° 10.520/2002). REGIME DIFERENCIADO DE CONTRATAÇÕES PÚBLICAS (LEI
FEDERAL Nº 12.462/2011)............................................................................................................................................................... 89
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DIREITO CONSTITUCIONAL .............................................................................................100
1. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS. 2. AÇÕES CONSTITUCIONAIS: HABEAS CORPUS, HABEAS DATA, MANDADO DE SEGU-
RANÇA; MANDADO DE INJUNÇÃO; AÇÃO POPULAR; AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ........................................................................100
3. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: SISTEMAS DIFUSO E CONCENTRADO; AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONA-
LIDADE; AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE; ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDA-
MENTAL; SÚMULA VINCULANTE; REPERCUSSÃO GERAL. .........................................................................................................104
CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE .......................................................................................................................106
CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE ........................................................................................................109
AÇÃO DECLARATÓRIA DE INCONSTITUCIONALIDADE (LEI 9.868/1999) ..............................................................................110
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (LEI 9.868/1999) ..................................................................115
AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE ...................................................................................................................116
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (LEI 9.882/1999) .........................................................117
4. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS: DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS; DIREITOS SOCIAIS; DIREI-
TOS DE NACIONALIDADE; DIREITOS POLÍTICOS. .......................................................................................................................120
5. ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA: DISPOSIÇÕES GERAIS; BENS E COMPETÊNCIAS DA UNIÃO, ESTADOS,
DISTRITO FEDERAL E MUNICÍPIOS; INTERVENÇÃO FEDERAL. 6. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: DISPOSIÇÕES GERAIS; SER-
VIDORES PÚBLICOS. ........................................................................................................................................................................128
7. ORGANIZAÇÃO DOS PODERES. PODER EXECUTIVO: ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES DO PRESIDENTE DA REPÚ-
BLICA. PODER LEGISLATIVO: ÓRGÃOS E ATRIBUIÇÕES; PROCESSO LEGISLATIVO; FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA
E ORÇAMENTÁRIA. PODER JUDICIÁRIO: DISPOSIÇÕES GERAIS; SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL; CONSELHO NACIONAL
DE JUSTIÇA; SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA; TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E JUÍZES FEDERAIS; TRIBUNAIS E JUÍ-
ZES DOS ESTADOS; TRIBUNAIS E JUÍZES DO TRABALHO; CONSELHO SUPERIOR DA JUSTIÇA DO TRABALHO. FUNÇÕES
ESSENCIAIS À JUSTIÇA: MINISTÉRIO PÚBLICO; ADVOCACIA PÚBLICA; ADVOCACIA; DEFENSORIA PÚBLICA. ..............135
8. ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA: PRINCÍPIOS GERAIS DA ATIVIDADE ECONÔMICA. FINANÇAS PÚBLICAS: NORMAS
GERAIS; DOS ORÇAMENTOS. 9. ORDEM SOCIAL: DISPOSIÇÃO GERAL; DA SEGURIDADE SOCIAL. ..................................155
DIREITO CIVIL ........................................................................................................................158
LEI. EFICÁCIA DA LEI. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO E NO ESPAÇO. INTERPRETAÇÃO DA LEI. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS
NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO. ...............................................................................................................................................158
DAS PESSOAS NATURAIS: DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE. DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE. ..................164
DAS PESSOAS JURÍDICAS. ................................................................................................................................................................168
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DOMICÍLIO CIVIL .................................................................................................................................................. 170
BENS ................................................................................................................................................................... 172
DOS FATOS JURÍDICOS: DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS; DOS ATOS JURÍDICOS LÍCITOS. DOS ATOS ILÍCITOS ..................174
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA ................................................................................................................................ 176
DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .......................................................................................................................................................178
DOS CONTRATOS: DAS DISPOSIÇÕES GERAIS; DA COMPRA E VENDA; DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO; DO MANDATO; DA
TRANSAÇÃO. EMPREITADA. ...........................................................................................................................................................189
RESPONSABILIDADE CIVIL. .............................................................................................................................................................195
DO PENHOR, DA HIPOTECA E DA ANTICRESE. ............................................................................................................................196
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ............................................................................................199
NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL .........................................................................................................................199
DA APLICAÇÃO DAS NORMAS PROCESSUAIS ..............................................................................................................................201
DA JURISDIÇÃO E AÇÃO ...................................................................................................................................................................201
LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL ..............................................................................................................................................201
DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL ...............................................................................................................................................202
DA COMPETÊNCIA .............................................................................................................................................................................203
PARTES E PROCURADORES. CAPACIDADE PROCESSUAL. LITISCONSÓRCIO. ........................................................................206
LITISCONSÓRCIO. ..............................................................................................................................................................................211
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS ........................................................................................................................................................212
DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA. .....................................................................................................................................215
NULIDADES .........................................................................................................................................................................................217
TUTELAS PROVISÓRIAS ....................................................................................................................................................................218
DA FORMAÇÃO, SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO PROCESSO .......................................................................................................222
PETIÇÃO INICIAL ................................................................................................................................................................................223
AUDIÊNCIA PRELIMINAR DE CONCILIAÇÃO OU MEDIAÇÃO .....................................................................................................224
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RESPOSTAS DO RÉU. .........................................................................................................................................................................225
SENTENÇA ...........................................................................................................................................................................................227
COISA JULGADA .................................................................................................................................................................................229
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA .......................................................................................................................................................229
RECURSOS EM ESPÉCIE ....................................................................................................................................................................231
PROCESSO DE EXECUÇÃO ...............................................................................................................................................................238
INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA ............................................................................................................................241
INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS .......................................................................................................242
DIREITO PENAL .................................................................................................................... 246
1. PRINCÍPIOS DE DIREITO PENAL. APLICAÇÃO DA LEI PENAL. ...............................................................................................246
2. CRIME. IMPUTABILIDADE PENAL. CONCURSO DE PESSOAS. 3. PENAS: ESPÉCIES DE PENA. REGIMES DE PENA. SUBS-
TITUIÇÕES DA PENA. 4. AÇÃO PENAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. ...................................................................................250
5. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO: DO FURTO, DO ROUBO, DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA, DO ESTELIONATO E OUTRAS
FRAUDES; 6. DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA: DA MOEDA FALSA, DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚ-
BLICOS, DA FALSIDADE DOCUMENTAL. 7. DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO E POR PARTICULAR
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL; DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA. .................................265
8. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA E ECONÔMICA (LEI Nº 8.137/1990). CRIMES AMBIENTAIS (LEI Nº 9.605/1998).
9. CRIMES DE LICITAÇÕES (LEI Nº 8.666/93). 10. LAVAGEM DE DINHEIRO (LEI Nº 9.613/1998). 11. ORGANIZAÇÕES CRI-
MINOSAS (LEI Nº 12.850/2013). ...................................................................................................................................................282
DIREITO PROCESSUAL PENAL ........................................................................................ 293
INQUÉRITO POLICIAL: NATUREZA,INÍCIO E DINÂMICA. .......................................................................................................293
DA COMPETÊNCIA: TERRITORIAL, ABSOLUTA E RELATIVA. COMPETÊNCIA POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. ............296
EXCEÇÕES. ..........................................................................................................................................................................................301
RESTITUIÇÃO DE COISAS APREENDIDAS. .....................................................................................................................................303
MEDIDAS ASSECURATÓRIAS. ..........................................................................................................................................................304
BUSCA E APREENSÃO. ......................................................................................................................................................................305
DA PRISÃO, DAS MEDIDAS CAUTELARES E DA LIBERDADE PROVISÓRIA...............................................................................307
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DA CITAÇÃO E DA INTIMAÇÃO ........................................................................................................................................................310
DA SENTENÇA. ...................................................................................................................................................................................313
DOS RECURSOS EM GERAL. ............................................................................................................................................................314
DIREITO TRIBUTÁRIO .........................................................................................................318
O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR, IMUNIDADE TRIBUTÁRIA,
COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA, TRIBUTOS FEDERAIS. .....................................................................................................................318
NORMA TRIBUTÁRIA: VIGÊNCIA, APLICAÇÃO, INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO ..................................................................321
TRIBUTO: CONCEITO, NATUREZA JURÍDICA E ESPÉCIES ............................................................................................................324
OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS: CONCEITO E ESPÉCIES, SUJEITOS ATIVO E PASSIVO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA.
326
CRÉDITO TRIBUTÁRIO: CONCEITO, NATUREZA, LANÇAMENTO, MODALIDADES E REVISÃO DO LANÇAMENTO, SUSPEN-
SÃO, EXTINÇÃO E EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ..........................................................................................................328
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ..................................................................................................................................................336
COBRANÇA DA DÍVIDA ATIVA. ........................................................................................................................................................339
DIREITO PREVIDENCIÁRIO .............................................................................................. 346
QUALIDADE DE SEGURADO E PERÍODO DE GRAÇA ..................................................................................................................349
NOÇÕES SOBRE DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA ............................ 363
DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: INCLUSÃO, DIREITOS E GARANTIAS LEGAIS E CONSTITUCIONAIS DAS PES-
SOAS COM DEFICIÊNCIA (LEI Nº 13.146/2015). ........................................................................................................................363
NORMAS GERAIS E CRITÉRIOS BÁSICOS PARA A PROMOÇÃO DA ACESSIBILIDADE DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA OU
COM MOBILIDADE REDUZIDA (LEI Nº 10.098/2000)................................................................................................................380
PRIORIDADE DE ATENDIMENTO ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (LEI Nº 10.048/2000) ..................................................385
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LÍNGUA PORTUGUESA1
1 - INTERPRETAÇÃO DE TEXTO / ARGUMENTAÇÃO.
PRESSUPOSTOS E SUBENTENDIDOS / NÍVEIS DE LINGUAGEM.
#TUDOJUNTOMISTURADO
ATENÇÃOPERIGO: TEXTÃO
Por que estudar interpretação de textos?
O candidato a qualquer concurso público, hoje em dia, deve preparar-se para responder um grande número
1 Por Jober Pascoal
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de questões de diversas disciplinas. Há provas que chegam a cobrar 14 ou 15 delas, nas mais diferentes áreas
do conhecimento. Não é difícil reparar, porém, que uma delas é comum a praticamente todos eles: a Língua
Portuguesa.
Conhecê-la bem, portanto, é fundamental para o sucesso no certame, principalmente considerando a grande
quantidade de questões que normalmente lhe são atribuídas. E aqui se encontra um fato que muitos candi-
datos subestimam: as perguntas relacionam-se, em grande parte, à interpretação de textos.
Vejo muitos concurseiros que dedicam todo seu tempo de estudos da linguagem às regras gramaticais, deixando
de lado os textos. Trata-se de estratégia equivocada, porque em média 50% das questões elaboradas pelas
bancas examinadoras versam sobre leitura e interpretação. Em alguns concursos, o candidato é desafiado a
enfrentar 3 ou 4 textos de características bastante diferentes e o número de perguntas que exigem uma perfeita
compreensão do que foi lido sobe ainda mais (e ainda há várias outras disciplinas para responder!).
Assim, respondemos à pergunta que inaugura esse capítulo: porque A INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS É UMA
HABILIDADE QUE É TESTADA EM TODOS OS CONCURSOS PÚBLICOS, SENDO PEÇA-CHAVE DA APRO-
VAÇÃO.
É possível aprender interpretação de textos?
Como qualquer outra atividade, interpretar corretamente um texto é uma habilidade que pode ser aprimorada
através da prática. Costumo dizer que é como andar de bicicleta: ao subir nela pela primeira vez, você tenta se
equilibrar instintivamente enquanto pedala. Fatalmente levará alguns tombos, mas a prática o levará ao sucesso.
Com a interpretação acontece o mesmo processo. Muitos pensam que ler é um ato meramente instintivo, ati-
tude que leva a alguns “tombos” (ou erros) na compreensão daquilo que foi dito. Na verdade, também aqui a
prática é essencial para que se extraia o verdadeiro sentido das palavras. Por isso que alguns insistem em dizer
que só é hábil na interpretação quem está acostumado a ler muito, o que dá a entender que, se esse não é o
seu caso, estará fadado ao fracasso nessa habilidade. Não podemos negar que, realmente, ler diferentes tipos
de textos ainda é o melhor caminho para praticar a interpretação e que todos os dias, meses ou anos de vida
dedicados à leitura certamente farão diferença nessa aptidão. Mas não é menos verdade que, como em tudo na
vida, nunca é tarde para começar!
Principalmente porque existem instrumentos de interpretação que irão acelerar bastante esse processo de
aprendizagem. Afinal, o candidato a uma vaga em concursos públicos dispõe de pouco tempo para se preparar,
fato que não se pode perder de vista em nenhum momento. A proposta, então, é apresentar esses instrumentos
para que você possa utilizá-los na hora da prova, facilitando a procura pela resposta correta.
É bom que se diga antes de tudo, para evitar grandes expectativas (que sempre vêm acompanhadas de grandes
decepções), que tudo que estamos dizendo você já está careca de saber.
E nessa hora você pensou: “Muito obrigado pela informação! Posso ir direto para a Parte II, então, aprender
alguma coisa sobre gramática?”. Não, fiquecomigo. Deixe-me explicar melhor.
Desde o momento em que aprendemos a ler, quando crianças, temos em nosso intelecto todo o necessário
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para entender aquilo que estamos lendo. Obviamente, para textos mais complexos, exige-se o conhecimento
de fatos, regras ou conceitos que serão adquiridos apenas ao longo da vida. Conforme esses dados vão se
acumulando em nossa memória, nós os usamos conforme são requeridos e assim podemos absorver cada vez
mais quantidade de informações ao ler um texto. Entretanto, esse caminho é percorrido, muitas vezes, sem qual-
quer preocupação com a organização das ideias, ou seja, nossa habilidade de leitura se baseia unicamente no
instinto de decifrar os sinais que compõem a linguagem usando como “dicionário” para traduzir os termos tudo
aquilo que aprendemos no decorrer de nossa trajetória pessoal e/ou profissional.
É por isso que digo que somos todos leitores e intérpretes instintivos. Todos sabemos ler e interpretar um
texto, mas essa tarefa é usualmente realizada de forma mecânica pelo nosso cérebro, que usa os instrumentos
de interpretação instintivamente (seja buscando um fato em nossa memória, comparando situações seme-
lhantes ou dando maior ou menor relevância à informação de acordo com a imagem que temos daquele que
a transmite).
Memorização, comparação e análise são exemplos de instrumentos de interpretação.
Note que, mesmo sem saber seus nomes, você os usa nas leituras do dia a dia. Eis a razão de termos dito antes
que não existe nada novo para ensinar. O que podemos fazer é mostrar quais são as ferramentas que seu cére-
bro possui para interpretar um texto e indicar a melhor forma de usá-las.
Pense em uma caixa de ferramentas desarrumada. Se você precisar da chave de fenda, deverá vasculhar e re-
mexer em toda a caixa até encontrá-la, tornando o trabalho demorado e difícil. Se nosso cérebro é a caixa e as
ferramentas são as habilidades de leitura, estudar interpretação de textos nada mais é do que organizar nossa
caixa de ferramentas, tornando mais fácil identificar e acessar o instrumento necessário para cumprirmos com
êxito a tarefa de interpretar o texto apresentado.
Como adotar uma postura interpretativa?
Interpretar significa extrair o sentido. Observe bem (e aqui já começamos a interpretar): o uso do verbo ex-
trair, por sua vez, indica que o sentido daquilo que está sendo interpretado não está sempre claro, direto. Na
maioria das vezes, é preciso investigar, perscrutar as intenções do autor, analisar a escolha dos termos utilizados,
entre outras técnicas, para identificar seu objetivo final.
Uma forma fácil de perceber o resultado do trabalho de interpretação ocorre na música. Lembro-me da primeira
vez que ouvi a canção “Sozinho”, de Peninha, cantada pelo próprio autor e de como passei a gostar muito mais
da música depois de escutá-la na voz de Caetano Veloso, que a tornou famosa. Peninha, o autor, fez um exce-
lente trabalho ao reunir letra e melodia, mas o intérprete Caetano Veloso transmite ao cantá-la muito mais do
que a técnica musical. Ele vai além, passando aos ouvintes a verdadeira emoção da história que a canção relata.
A função do intérprete de um texto é a mesma daquele que interpreta a canção. Em uma primeira leitura, ab-
sorvemos somente aquilo que é superficial na mensagem transmitida pelo autor, o significado puro das palavras.
Ao adotarmos uma postura interpretativa, passamos a questionar e aprofundar nosso raciocínio em busca da
mensagem central do texto, aquilo que seu autor queria realmente explorar.
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Vejamos outro exemplo. Responda para si mesmo: é mais fácil interpretar um texto jornalístico ou uma poesia
de Camões?
Sem dúvidas, é mais fácil interpretar a notícia do jornal. Por quê? Porque o texto jornalístico tem como caracte-
rística marcante a objetividade, a intenção de informar sobre fatos concretos. Já a poesia, por sua vez, trabalha
com figuras de linguagem e palavras mais rebuscadas para manter a métrica e a rima com o intuito de expres-
sar sentimentos do escritor.
O que não pode acontecer é cairmos na armadilha de que o texto “fácil”, objetivo e claro, dispensa interpretação.
Não. Devemos nos habituar a ler um texto pretendendo dele extrair seu verdadeiro sentido, qualquer que seja
sua modalidade.
Haverá interpretações mais fáceis ou mais difíceis, mas o exercício intelectual deve sempre estar presente.
Isso acontece porque o Português é uma língua complexa, cujas palavras costumam apresentar mais de um
sentido.
Considere o texto abaixo:
“Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que,
aquiescendo, o sancionará.”
(Constituição da República Federativa do Brasil)
O comando contido na norma jurídica supratranscrita parece direto e claro.
Leia de novo. O verbo sancionar, segundo o dicionário Michaelis, significa tanto “admitir, aprovar, confirmar”
quanto “punir, multar”. O que deve então o Presidente da República fazer? Perceba que mesmo um texto feito
para ser objetivo, como um artigo de lei, acaba apresentando palavras que exigem o exercício interpretativo.
No caso, os demais termos utilizados, notadamente o verbo aquiescer, que significa “concordar”, indicam que
o sentido no qual sancionar foi empregado é o primeiro: se o Presidente concorda com o projeto de lei, deve
aprová-lo, confirmá-lo.
Objeto da interpretação: A LINGUAGEM
Toda espécie de linguagem pode ser interpretada, não apenas a manifestação escrita da língua.
Chamamos de linguagem toda e qualquer forma de comunicação capaz de transmitir uma mensagem entre
dois interlocutores. Nesse conceito amplo, a linguagem pode se apresentar de diferentes formas: linguagem oral,
linguagem escrita, linguagem de sinais etc.. Em qualquer dessas instâncias, o interlocutor deve estar apto a com-
preender a mensagem que o outro deseja transmitir-lhe, considerando todas as circunstâncias: em uma conversa,
o tom de voz, o uso de gírias, o grau de atenção do interlocutor ao falar influenciam a percepção do destinatário;
em um texto escrito, o uso de palavra difíceis, o momento histórico, o veículo de publicação também devem ser
levados em conta; na linguagem de sinais, o conhecimento prévio do código utilizado e a velocidade de realiza-
ção dos sinais permitem maior ou menor compreensão entre emissor e receptor da mensagem.
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Tente lembrar-se de uma conversa importante que você teve com um amigo, sua(seu) namorada(o), seus pais
ou seus filhos. Além das palavras, observamos também os movimentos do corpo, a direção do olhar, a distância
que existe entre as pessoas.
Quantas vezes dizemos alguma coisa com certa intenção e o outro lado a recebe de outro jeito, ficando chatea-
do ou irritado sem que pretendêssemos esse resultado?
É a famosa frase: “não é o que você disse, mas a forma como você disse”. Estamos sempre interpretando.
A linguagem também se manifesta através de textos, que podem ser definidos como a estrutura linguística
capaz de transmitir uma mensagem dotada de sentido conforme a intenção de seu criador. Os textos podem ser
verbais, quando são compostos por palavras (livros, tabelas); não verbais, quando compostos por imagens, sons
ou outras espécies de sinais (música, dança, expressão corporal); e mistos, quando compostos tanto por palavras
quanto por outros elementos (charges, gráficos). Os textos verbais e mistos, por sua vez, subdividem-se em tex-
tos escritos e textos orais.
Texto I – Texto verbal
“O ser humano fala aproximadamente entre 3000 e 6000 línguas. Não existem dados precisos. As línguas na-
turais são os exemplos mais marcantes que temos de linguagem. No entanto,ela também pode se basear na
observação visual e auditiva, ao invés de estímulos. Como exemplos de outros tipos de linguagem, temos as
línguas de sinais e a linguagem escrita. Os códigos e os outros tipos de sistemas de comunicação construídos
artificialmente, tais como aqueles usados para programação de computadores, também podem ser chamadas
de linguagens. A linguagem, nesse sentido, é um sistema de sinais para codificação e decodificação de informa-
ções. A palavra portuguesa deriva do francês antigo langage. Quando usado como um conceito geral, a palavra
‘linguagem’ refere-se a uma faculdade cognitiva que permite aos seres humanos aprender e usar sistemas de
comunicação complexos.”
(Fonte: www.pt.wikipedia.org/wiki/Linguagem)
Texto II – Texto não verbal
A conversação, Arnold Lakhovsky (1935)
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Texto III – Texto misto
(Fonte: http://economia.uol.com.br/cotacoes/cambio/dolar-comercial-estados-unidos-principal.jhtm)
Na seara dos concursos públicos, interessam-nos apenas os textos verbais e mistos escritos, cuja interpretação
é objeto de questionamento nas provas. Sendo assim, sobre eles que se baseará todo o alicerce dos instrumen-
tos de interpretação que vamos conhecer e os exemplos dados para consolidar o aprendizado.
Leitura passiva x Leitura ativa (pressupostos e subtendidos)
O primeiro passo a dar para evoluir na interpretação de textos é mudar nossa forma de leitura das mensagens
que nos são apresentadas a todo momento. Usualmente, adotamos uma leitura passiva, despreocupada e su-
perficial, que se contenta com a simples interpretação literal das palavras contidas no texto sem atentar para o
que se encontra encoberto por elas.
Essa conduta funciona bem para o dia a dia, quando lemos para relaxar ou quando estamos diante de anún-
cios publicitários, por exemplo. Não se admite, por outro lado, a mesma situação daquele que se prepara para
concursos públicos, principalmente durante a prova. Nessa fase, temos de buscar ir além do que foi dito, inves-
tigando o que o autor quis dizer.
Essa nova abordagem é chamada de leitura ativa ou leitura crítica – no conteúdo programático recomendado
para a prova de vocês, o edital trata como pressupostos e subentendidos, conforme a conceituação baseada na
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contextualização da Análise do Discurso – na qual o leitor do texto passa de simples receptor da mensagem para
intérprete das intenções do autor, querendo conhecer as motivações e objetivos ocultos detrás das palavras ou
imagens.
O leitor ativo não se contenta somente com a primeira leitura. Ele lê uma vez mais na procura de nuances que
lhe tenham passado despercebidas, ou para efetivamente compreender determinado trecho; quando possível,
visita o dicionário para traduzir os termos que não conhece; ao terminar uma frase ou parágrafo, ele se pergunta
por que a enunciação foi expressa de tal forma. O leitor crítico é um leitor ávido, que percebe cada detalhe e
investiga a razão dele estar ali.
Vamos continuar praticando. Leia o trecho abaixo, a transcrição das primeiras linhas do livro “Uma aprendizagem
ou o livro dos prazeres” de Clarice Lispector:
Texto IV
“ estando tão ocupada, viera das compras de casa que a empregada fizera às pressas porque cada vez mais
matava o serviço, embora só viesse para deixar almoço e jantar prontos (...)”
(LISPECTOR, Clarice. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres)
Lendo passivamente, trata-se de uma passagem da história onde se relata o que pensava a personagem prin-
cipal. Leia de novo, adotando agora a leitura ativa. Você reparou que o texto, e, portanto, o livro, começa com
uma vírgula? Qual a razão? Seria um erro de digitação ou a autora quis transmitir alguma mensagem com esse
uso incomum do sinal de pontuação?
Esses questionamentos, oriundos da atenção com a qual se realiza a leitura, constituem a base da interpretação
de textos. Obviamente, o processo segue através da construção das respostas: certamente não estamos diante
de um erro de digitação, caso contrário ele já teria sido corrigido; a vírgula representa uma pausa ou inflexão
da voz durante a leitura e serve para, dentre outras funções, separar expressões e orações; o texto narra aquilo
em que pensava a personagem; portanto, uma das interpretações possíveis sugere que o uso da vírgula como
primeiro caractere da história indica que ela começa a ser contada durante os devaneios da personagem, no
meio de seus pensamentos. A autora deixa a mensagem de que fatos ocorreram antes deste momento no qual
o leitor encontra a personagem, de que a vida dela não começou ali.
Com base no que foi discutido nesse capítulo, resolva o exercício abaixo julgando cada assertiva como certa (C)
ou errada (E). A questão foi elaborada pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de
Brasília (CESPE-UnB), seguindo abaixo o gabarito e breves comentários:
Texto V
Os novos sherlocks
“Dividida basicamente em dois campos, criminalística e medicina legal, a área de perícia nunca esteve tão na
moda. Seus especialistas volta e meia estão no noticiário, levados pela profusão de casos que requerem algum
tipo de tecnologia na investigação. Também viraram heróis de seriados policiais campeões de audiência. Nos
EUA, maior produtor de programas desse tipo, o sucesso é tão grande que o horário nobre, chamado de prime
time, ganhou o apelido de crime time. Seis das dez séries de maior audiência na TV norte-americana fazem parte
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desse filão.
Pena que a vida de perito não seja tão fácil e glamorosa como se vê na TV. Nem todos utilizam aquelas lanternas
com raios ultravioleta para rastrear fluidos do corpo humano nem as canetas com raio laser que traçam a tra-
jetória da bala. “Com o avanço tecnológico, as provas técnicas vêm ampliando seu espaço no direito brasileiro,
principalmente na área criminal”, declara o presidente da OAB/SP, mas, antes disso, já havia peritos que recorriam
às mais diversas ciências para tentar solucionar um crime.
Na divisão da polícia brasileira, o pontapé inicial da investigação é dado pelo perito, sem a companhia de legis-
tas, como ocorre nos seriados norte-americanos. Cabe a ele examinar o local do crime, fazer o exame externo
da vítima, coletar qualquer tipo de vestígio, inclusive impressões digitais, pegadas e objetos do cenário, e levar
as evidências para análise nos laboratórios forenses.”
Pedro Azevedo. Folha Imagem, ago./2004 (com adaptações).
A respeito do texto acima, julgue os itens subsequentes.
(1) De acordo com o presidente da OAB/SP, as provas técnicas têm sido ampliadas, principalmente na área crimi-
nal, com o avanço tecnológico no espaço do direito brasileiro.
(2) Está explícita no último parágrafo do texto a seguinte relação de causa e consequência: o perito examina o
local do crime, faz o exame externo da vítima e coleta qualquer tipo de vestígio porque precisa levar as evidên-
cias para análise nos laboratórios forenses.
1: incorreta. A paráfrase não equivale ao trecho original. A assertiva dá a entender que foi o avanço tecnológico
que ganhou espaço no direito brasileiro, sendo que o entrevistado afirma que a prova técnica ganhou espaço,
por conta do avanço tecnológico; 2: incorreta, porque a relação está implícita. O texto, puramente, não trata
como uma relação de causa e consequência, porque “levar as evidências para análise” também é uma de suas
atribuições e não o objetivo delas. Em que pese não seja explícita, a relação causal é uma dedução possível,
resultado do exercício de interpretação.
ARGUMENTAÇÃO
Argumentar é fornecer razões para que se aceite aquilo que se está dizendo, para que se aceite a tese proposta,
o posicionamentoassumido frente a um tema. Argumentar é persuadir, levar o outro a aderir ao
que se diz.
Argumentação, de acordo com a etimologia da palavra argumento, vem do latim argumentum, palavra formada
com o tema argu - (como em arguto, argúcia, argênteo), e significa “fazer brilhar”, “fazer cintilar”.
Argumento é, então, tudo aquilo que ressalta, faz brilhar, faz cintilar uma ideia; é o procedimento linguístico
utilizado com o intuito de se fazer aceitar o que está sendo dito, persuadir, levar a crer.
A argumentação pode estar baseada na estrutura da realidade, no consenso, em fatos ou no raciocínio
lógico. Vejamos passo a passo cada um desses aspectos.
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■ Argumento baseado na estrutura da realidade
Nesse tipo de argumentação usamos as relações de causa e efeito ou de pessoa e ato.
Se afirmamos que “estudar com afinco, com dedicação” faz com que “sejamos aprovados no concurso”, estamos
trabalhando com causa e efeito. Se dizemos: “Investir na boa educação e bem-estar do menor hoje é formar
cidadãos de bem para o futuro.” — utilizamos um argumento baseado na estrutura da realidade (causa e efeito).
Já na relação de pessoa e ato, está em foco a reputação do indivíduo em dado domínio. O prestígio de uma
pessoa serve de base para o argumento de autoridade. O argumento de autoridade é a citação dos pontos
de vista de um autor reconhecido (pode ser também uma revista, um jornal etc.) em determinado campo da
experiência como meio de prova em favor de uma tese. Isso acontece quando escrevemos: “O tratamento da
AIDS no Brasil é referência para todos os outros países, conforme afirmou o Dr. Dráuzio Varella.”; ou, então, “O
ministro teve um enriquecimento muito elevado nos últimos quatro anos, de acordo com matéria publicada no
jornal Folha de S.Paulo”.
■ Argumento baseado no consenso
É aquele aceito por todos por representar verdade universal, um axioma. Quando dizemos que a Terra é azul,
estamos trabalhando com um fato. Ao afirmarmos que a menor distância entre dois pontos é a reta, trabalhamos
com um fato.
Criança que estuda tem um futuro promissor — isso é um fato.
Agora, não podemos cair no equívoco dos lugares-comuns: o crime não compensa, o brasileiro é preguiçoso, os
políticos não prestam. Isso é um erro.
■ Argumento baseado em fatos
É o argumento apoiado em elementos da realidade. Se dizemos apenas “João é bom motorista”, não há força
em nossa fala, mas se dizemos “João é bom motorista. Nesses 25 anos de caminhoneiro, nunca sofreu ou causou
um acidente.”, esse dado da realidade comprova a tese de que “João é bom motorista”.
Podemos ainda trabalhar com o exemplo (do particular para o geral) ou com a ilustração (do geral para o
particular):
“Na semana passada, vários secretários da administração pública municipal foram presos, por corrupção passi-
va. Existe corrupção em nossa cidade.” — exemplo: partimos de um caso particular para elaborarmos uma tese
geral.
“Os nossos jogadores de futebol, assim que começam a se destacar aqui em nosso país, logo são vendidos para
times internacionais. É o que aconteceu com Ronaldo Fenômeno, que passou a maior parte de sua carreira no
exterior.” — ilustração: partimos de um fato genérico para um caso particular.
■ Argumento lógico
É o argumento que utiliza a estrutura dos raciocínios lógicos formais, baseia-se em relações nem sempre ver-
dadeiras — por isso alguns estudiosos classificam esse argumento de quase lógico.
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Podemos exemplificar de maneira bem simples:
“Se todas as aves têm penas, e o pinguim é uma ave; logo, o pinguim tem penas.”
“Se a Constituição garante que todos são iguais perante a lei, meu cliente não pode sofrer tal discriminação.”
Ou, de maneira mais sutil, “Mulher de amigo meu é homem”.
“Os amigos dos meus amigos são meus amigos.”
“Há excelentes atrizes no Brasil, mas Fernanda Montenegro é Fernanda Montenegro.”
Incluem-se aqui os prós e contras: que trabalham com argumentos aplicáveis ou não aplicáveis à compro-
vação de uma tese, por exemplo: “O aborto pode dar à mulher o direito de decidir se deseja ou não ser mãe
naquele momento, mas trará a ela uma série de problemas com os quais deverá conviver pelo restante de sua
vida, e não se trata apenas de problemas somáticos, serão problemas psicológicos, talvez, mais nefastos que os
de saúde”.
Curiosidade: Eis uma aula de redação dada pelo Padre Antonio Vieira.
Sermão da Sexagésima
O sermão há de ser duma só cor, há de ter um só objeto, um só assunto, uma só matéria. Há de tomar o prega-
dor uma só matéria, há de defini-la para que se conheça, há de dividi-la para que se distinga, há de prová-la com
a Escritura, há de declará-la com a razão, há de confirmá-la com o exemplo, há de amplificá-la com as causas,
com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de seguir, com os inconvenientes que se
devem evitar, há de responder às dúvidas, há de satisfazer às dificuldades, há de impugnar e refutar com toda a
força da eloquência os argumentos contrários, e depois disso há de colher, há de apertar, há de concluir, há de
persuadir, há de acabar. Isto é sermão, isto é pregar, e o que não é isto é falar de mais alto. Não nego nem quero
dizer que o sermão não haja de ter variedade de discursos, mas esses hão de nascer todos da mesma matéria,
e continuar e acabar nela.
(VIEIRA, Padre Antonio. Os sermões. São Paulo: Difel, 1968. VI, p. 99.)
Note que Pe. Vieira trata de alguns recursos argumentativos:
a) fala de autoridade:
“há de prová-la com a Escritura”
b) raciocínio lógico:
“há de declará-la com a razão”
c) exemplificação:
“há de confirmá-la com o exemplo”
d) prós e contras:
“há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de
seguir, com os inconvenientes que se devem evitar”.
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DEFEITOS DA ARGUMENTAÇÃO
Ao produzirmos o texto, devemos tomar cuidado para não incorrer em alguns erros comuns. Alguns
deles são:
■ Tautologia
É a repetição (desnecessária) de uma ideia, a redundância: “Fumar faz mal à saúde, porque prejudica o orga-
nismo.”
“O homem, que pensa, é racional, e assim age de acordo com sua
consciência.”
■ Noção semiformalizada
Consiste no emprego de palavras, expressões, conceitos que se usam de maneira equivocada:
“Se apareceram ciganos no seu bairro, cuidado! Eles podem roubar sua casa e raptar seus filhos.” — há uma
noção de que os ciganos são pessoas más, que roubam e raptam crianças.
“Essa terra é terra de ninguém, uma bagunça só, sem lei, sem ordem: isso é anarquia!” — há uma noção equi-
vocada sobre “anarquia”.
■ Noção confusa
É o uso de palavra com extensão de sentido muito ampla, dando margem a interpretações diversas. Vejamos
o exemplo encontrado em Platão & Fiorin:
“— Reagan, em defesa da liberdade dos povos latino-americanos, solicita ao Congresso americano verbas para
apoiar os movimentos contrários ao governo da Nicarágua.
— Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, em nome da liberdade dos povos latino-americanos, solicita, na
ONU, sanções contra os Estados Unidos pelo apoio que vêm dando aos movimentos contrários ao governo
revolucionário.”
A palavra “liberdade” tem um vasto campo de sentido, por isso a noção confusa nos exemplos dados. Para evitar
isso precisamos delimitar o sentido do termo que queremos empregar: “Liberdade, do ponto de vista...”.
(SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto — leitura e redação. 6. ed. São Paulo: Ática,
1998.)
■ Generalização
É o emprego das totalidades indeterminadas:
“Todo político é corrupto.”
“No Brasil a população é muito feliz.”
“Não existepessoa que não se preocupe com o futuro.”
Para evitar isso devemos empregar as expressões partitivas:
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“Alguns políticos são corruptos”;
“Boa parte da população brasileira é feliz”;
“A maioria das pessoas se preocupa com o futuro”.
■ Erro pelo exemplo ou ilustração
É o uso indevido, por descuido ou desconhecimento, de exemplos e ilustrações.
“Metade da população brasileira vive com menos de um salário mínimo” — esse dado não corresponde à reali-
dade. Antes de usarmos um exemplo ou ilustração, precisamos saber de sua veracidade.
“Há vários exemplos, na história recente do Brasil, de luta pela liberdade; Tiradentes é um deles” — se o texto
foi escrito no século 18 é um bom exemplo, mas se foi escrito no século 21, peca pelo uso do adjetivo “recente”.
■ Erro pela conclusão
Esse erro surge quando, ao construirmos um raciocínio lógico, empregamos premissas falsas.
“Todas as aves voam. A galinha é uma ave. Logo: a galinha voa.” — está errado, pois “galinha” não voa. O pro-
blema está na premissa “Todas as aves voam.” Nem todas as aves voam; existem aves que não voam.
2 - ORTOGRAFIA
#NFPSS #SELIGA
Antes de começar a brincadeira séria, preciso falar algo importantíssimo: infelizmente as bancas de con-
curso nem sempre se apegam às palavras que se encaixam nas regras ortográficas contempladas pelas gramáti-
cas normativas e manuais de redação oficiais. Isso porque nem todas as palavras da língua seguem tais regras.
Não se desespere! As regras abrangem apenas uma parte do vocabulário; existem exceções, é óbvio (quando
não há?). Não se assuste! Só de curiosidade: existem mais de 380.000 palavras no estágio atual da língua
portuguesa. As bancas, quando trabalham questões de ortografia, querem saber se você tem, além de
conhecimento das regras ortográficas, boa memória visual. Cá entre nós, o mais interessante é que muitas
palavras se repetem em questões de ortografia. Portanto, aqui vai uma recomendação: leia, leia, leia bastante,
inclusive as questões de ortografia do seu concurso, antes de fazer a prova, pois você vai, provavelmente, esbar-
rar com uma questão de ortografia já conhecida.
Sua memória visual no dia da prova será mais importante do que a memorização de regras.
PRESTE ATENÇÃO...
- Em palavras com o prefixo ante-, que indica anterioridade: antebraço, antevéspera, antediluviano, ante-
gozo, antessala...
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Obs.: Não confunda esse prefixo com seu semelhante (anti-, que indica contrariedade).
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em palavras com o prefixo des-, que indica ação contrária, valor contrário, negação, separação, mudança de
estado, intensificação: despentear, desfavorável, desleal, desmembrar, desfigurar, desinfeliz...
Obs.: Muitas vezes, o prefixo dis- tem o mesmo sentido que o des-, portanto cuidado para não trocar as bolas.
Veja algumas palavras com DIS-: dissidência, dissolver, difícil (às vezes o -s não aparece), dissimular, distenso,
dislexia, dissimetria...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em substantivos terminados em - dade formados de adjetivos terminados em - io: sério > seriedade; contrário
> contrariedade; arbitrário > arbitrariedade; próprio > propriedade; solidário > solidariedade...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Conheça algumas palavras, escritas com E, que podem gerar dúvidas: acareação, arrear (pôr arreios ou or-
namentar), arrepiar, beneficência, carestia, cadeado, candeeiro, cemitério, corpóreo, creolina, cumeeira, desen-
freado, desfrutar, descrição (ato de descrever), deferir (ceder, aprovar), delatar (denunciar), descriminação (ab-
solvição), despensa (onde se guardam mantimentos), destrato (desacato), destilar, disenteria, empecilho, efetue,
emergir (vir à tona), emigrar (sair do país), eminência (elevação), empestear (empesteado), entronizar, encar-
nação, enfarte (enfarto, infarto) estrear, granjear, indígena, irrequieto, lacrimogêneo, mexerico, mimeógrafo,
orquídea, páreo, parêntese (ou parêntesis), peão (peça de xadrez e vaqueiro), prazerosamente, quepe, senão,
sequer, seringa, umedecer, vadear...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Nos adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos -iano e - iense antes da sílaba tônica: Açores >
açoriano/açoriense; Rosa (Guimarães Rosa) > Rosiano; Machado (Machado de Assis) > machadiano. No entanto,
na terminação de algumas palavras terminadas em - e (tônico) ou -eu/-ei (tônicos), colocamos apenas o sufixo
-ano ou -ense: Daomé > daomeano; Guiné > guineense; Galileu > galileano; Coreia > coreano...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em palavras iniciadas pelo prefixo anti-: antídoto, anticristo, antipatia, antiabortivo, antiofídico, anti-infeccioso,
antissepsia, antirrábico...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em palavras terminadas em -eo, substitui-se a letra O por I antes do sufixo - dade: espontâneo > esponta-
neidade; contemporâneo > contemporaneidade; momentâneo > momentaneidade; instantâneo > instantanei-
dade; idôneo > idoneidade...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- O verbo viger é peculiar (cuidado com ele!) e os terminados em -er, na 1ª pessoa do singular do pretérito
perfeito do indicativo e em todas as formas do pretérito imperfeito do indicativo, recebem a vogal I no lugar da
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vogal E: Eu vigi; Eu vigia, Tu vigias, Ele vigia, Nós vigíamos, Vós vigíeis, Eles vigiam...
Obs.: Nas demais formas, a letra E se mantém: Tu vigeste, Ele vigeu, Nós vigemos, Vós vigestes, Eles vigeram
(pretérito perfeito do indicativo).
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Conheça algumas palavras, escritas com I, que podem gerar dúvidas: aborígine (ou aborígene), alumiar, alei-
jar, aleijado (!), arriar (abaixar), artifício, artimanha, calidoscópio (ou caleidoscópio), chilique, corrimão, crânio,
crioulo, diferir (diferenciar, discordar), dilatar (aumentar, inchar) digladiar, displicência, displicente, dispensa (de
dispensar), distrato (desfazer um trato), discricionário (arbitrário, irrestrito), erisipela, escárnio, feminino, fron-
tispício, idiossincrasia, inclinação, incinerar, infestar, inigualável, invólucro, impigem (ou impingem), intemperança,
imbróglio, lampião, meritíssimo, miscigenação, pátio, penicilina, pontiagudo, privilégio, pinicar, requisito, silvícola,
terebintina, vadiar (vagabundear)...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Conheça algumas palavras que podem gerar dúvidas: abolir, agrícola, abotoar, aroeira, assoar (expelir secreção
nasal), boate, boeiro (ave), bobina, bolacha, boletim, botequim, boteco, bússola, chacoalhar, cochicho, compri-
mento (extensão), capoeira, chover, costume, coringa (pessoa enfezada e feia), encobrir, engolir, êmbolo, focin-
ho, fosquinha, goela, lombriga, mágoa, magoar, mocambo, molambo, moela, moleque, mosquito, névoa, nó-
doa, óbolo, poleiro, polenta, polia, polir, ratoeira, rebotalho, Romênia, romeno, sortir, sortido (variado), sotaque,
toalete, tostão, tribo, vinícola, vultoso (volumoso), zoar...----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Conheça algumas palavras que podem gerar dúvidas: assuar (vaiar), acudir, bugalho, bueiro (buraco), bu-
liçoso, bulir, bulinando, burburinho, camundongo, chuviscar, chuvisco, cumbuca, cumprimentar, cumprimento
(saudação), cúpula, curtume, curinga (carta de baralho), Curitiba (cidade), cutia (animal), curtume, cutucar, em-
butir, entupir, estripulia, esbugalhar, fuçar, íngua, jabuti, jabuticaba (segundo o VOLP), lóbulo, muamba, mutuca,
mucamba (mucama), mulato, murmurinho, rebuliço, sinusite, tábua, tabuada, tabuleiro, trégua, tulipa, úmido,
umidade (e não húmido, humidade), urtiga, usufruto, virulento, vultuoso (congestão facial)...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Recomendo que você consulte os parônimos que podem confundir sua cabeça. Você vai perceber que pa-
lavras escritas com O ou com U, apesar de semelhantes na grafia e na pronúncia, têm sentidos bem diferentes.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em vocábulos de origem indígena, africana ou árabe: cipó, cacimba, Piracicaba, piracema, Araci, cacique, al-
face, acicate, acéquia, ceifa, cetim...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em palavras derivadas de vocábulos terminados em -te/-to: marte > marcial, marciano; torto > torcer...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Depois de ditongos: foice, fauce, coice, beicinho (de beiço), loucinha (de louça), boucelo...
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- Com as terminações -ecer e -encer: empalidecer, entardecer, amanhecer, convencer, pertencer, vencer...
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- Conheça algumas palavras que podem gerar dúvidas: acender (iluminar), acento (sinal gráfico), acelga, acer-
vo, acepção, acessório, acetinado, arvorecer, cedilha, ceia, cela (quarto), celibato, celofane, censo (contagem),
cerração (nevoeiro), certame (ou certâmen), cerzir, chacina, cirrose, cismar, concertar (harmonizar), concerto
(música), cenáculo, cenário, censura, disfarce, displicência, displicente, empobrecer, focinho, intercessão, male-
dicência, maciço, mencionar, necessário, ócio, pacífico, quociente, rocio, saciar, saciação, taciturno, vacilo, vício...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em substantivos e adjetivos advindos do verbo ter (e derivados): detenção (de deter), retenção (de reter),
contenção (de conter), abstenção (de abster)...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em palavras de origem estrangeira: álgebra, ginete, algema, agiota, herege, sargento, ágio, doge, gengibre,
geleia, gim...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em palavras terminadas em -agem, -igem, -ugem; -ege, -oge; -ágio, -égio, - ígio, -ógio, -úgio: malandragem,
garagem, fuligem, vertigem, ferrugem, penugem; herege, bege, paragoge, doge; naufrágio, adágio, egrégio,
colégio, vestígio, prodígio, relógio, martirológio, refúgio, subterfúgio...
Exceções: laje (ou lagem), paje (ou pajem), lambujem. Cuidado com a palavra viagem (substantivo: Fizeste boa
viagem?) e viajem (verbo: Talvez eles viajem hoje.).
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Após hífen nas palavras derivadas por prefixação ou nas compostas por justaposição: sobre-humano, su-
per-homem, anti-higiênico, pré-histórico, pan-hispânico, giga-hertz, neo-hebraico, pseudo-hermafrodita,
mini-hotel, arqui-hipérbole...
Obs.: Cuidado com estas palavras, pois os prefixos co-, des-, ex-, in-, sub-, re- dispensam o hífen e a letra H:
coerdeiro, desarmonia, exaurir, inábil, subumano (ou sub-humano), reidratar, reaver; turboélice, lobisomem,
filarmônico...
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Nos sufixos nominais terminados em -oso(a) e -isa: gostoso, apetitoso, afetuoso, papisa, poetisa...;
Exceção: gozo (e derivados).
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Em palavras terminadas em zado(a), zal, zeiro, zinho(a), zito, derivadas de outras com Z no radical ou sem
S no radical: abalizada, cafezal, “caozeiro”, açaizeiro, cajazeiro, jardinzito, cãozito, cãozinho, raizinha, florzinha,
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sozinho...
Obs.: Dependendo do valor semântico-discursivo (contextual), algumas palavras terminadas em (z)inho podem
ter dupla forma: colherzinha/colherinha; florzinha/florinha; homenzinho/hominho.
Tome cuidado com a grafia de certas palavras e expressões que costumam causar dúvida, porém só se escrevem
de uma forma: beneficência, beneficente, cabeleireiro, chuchu, de repente, disenteria, empecilho, exceção, êxito,
hesitar, jiló, anteigueira, mendigo, meritíssimo, misto, mortadela, prazerosamente, privilégio, salsicha, sobrancel-
has
CUIDADO!!!
“Descobri” um detalhe no texto do Novo Acordo Ortográfico que todos devem saber. Parece brincadeira de mau
gosto (para não falar “sacanagem”)! Veja você mesmo no sítio da ABL!
Quaisquer verbos terminados em -iar, como negociar, premiar, intermediar, caluniar, odiar podem ser conju-
gados de duas formas diferentes (em -io ou - eio): eu negocio/negoceio, eu premio/premeio, eu intermedio/
intermedeio, eu calunio/caluneio, eu odio/odeio etc. Isso se dá porque esses verbos têm correspondência com
substantivos terminados em -io e -ia: negócio, prêmio, intermédio, calúnia, ódio.
Pergunta derradeira do concurseiro: “Então o Tiririca estava certo esse tempo todo?! Pestana,
afinal, como devo proceder na prova?!”
Resposta: “Leve as duas verdades para o dia da prova e marque a melhor resposta. Se der “cha-
bu”, teremos aí uma grande polêmica instaurada.”
Cá entre nós... duvido que isso caia em prova! Tomara que eu não “queime a língua”...
QUANTO À ACENTUAÇÃO...
PERGUNTAQUENÃOQUERCALAR:
Se comprá-lo , vendê-lo e destruí-lo têm acento, por que parti-lo não tem?
Quais seriam as regras para construções desse tipo?
Este hífen é considerado um sinal que indica o fim de um vocábulo; logo, qualquer vocábulo com hífen tem
duas partes distintas (antes e depois desse sinal). Nos verbos com pronomes enclíticos, devemos descartar o
pronome e ficar apenas com o verbo, já que este é o vocábulo que será levado em conta pelas regras de acen-
tuação. Comprar , perder , repor , partir e construir não recebem acento por não se enquadrarem na regra
das oxítonas (terminam em R). Quando essas formas perdem o R devido ao acréscimo do pronome enclítico,
no entanto, devem ser reexaminadas quanto à acentuação. Comprá-lo, perdê-lo, repô-lo e construí-lo ganham
acento, enquanto parti-lo não (como vatapá , você , avô e açaí , de um lado, e saci , do outro).
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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
– Acento prosódico (ou tônico) é diferente de acento gráfico. O primeiro marca a tonicidade, a força com que se
pronuncia uma sílaba tônica, portanto está ligado à pronúncia,à fala. É o mesmo que “sílaba tônica”. O segundo
só pertence à escrita, como vimos nos exemplos do tópico anterior.
Importante: enquanto a maioria das palavras da língua possuem acento tônico, apenas algumas apresentam
acento gráfico.
– Vale dizer que cada vocábulo só pode receber apenas um (1) acento gráfico, que marca a posição da sílaba
tônica! No entanto, bons dicionários, como Aulete e Priberam, grafam a palavra démodé (origem francesa) com
dois acentos gráficos.
– Em órfão, o til não é considerado acento gráfico, mas tão somente marca de nasalização, portanto só há um
acento gráfico mesmo. Em Tupã, coincidentemente, o sinal gráfico til (~) está na sílaba tônica, mas seu papel é
apenas nasalizar a vogal. Não obstante, em palavras com pronomes mesoclíticos, pode haver dois acentos grá-
ficos: convidá-la-íamos e vendê-lo-á, por exemplo. Segundo os filólogos, o –íamos e o -á são formas contraídas
do verbo haver, que formou as desinências verbais do português. Então teríamos um acento para cada palavra
(convidar + “haver”).
– Quando uma palavra acentuada recebe sufixo -mente, sufixo iniciado por z ou por qualquer outro sufixo, o
acento gráfico (agudo ou circunflexo) sai da jogada e o acento prosódico (a sílaba tônica) se torna imediatamen-
te a sílaba seguinte. Exemplo: herói (heroizinho), econômica (economicamente). É importante dizer também que
o til é o único sinal gráfico que não desaparece quando tais sufixos se unem à palavra: irmãmente, orfãozinho...
– Cuidado com o pronome indefinido/interrogativo “quê” em fim de frase ou imediatamente antes de pontua-
ção. Vem sempre acentuado. O substantivo (assim como a interjeição) “quê” também é sempre acentuado.
Ex.: Você estava pensando em quê? / Ela tem um quê de mistério. / Quê! Você não viu?!
– A palavra hífen é acentuada por ser paroxítona terminada em -n. Já hifens não é acentuada por terminar em
-ens. É bom dizer que palavras terminadas em -n têm dois tipos de plural (com -s ou -es), podendo, então, ser
pluralizadas como proparoxítonas: hífenes, pólenes, abdômenes... Estas formas (hífen/hifens/hífenes), assim como
outras terminadas em -em ou - n, devem estar no seu sangue, hein!
– Quando se vai acentuar um verbo oxítono, ignoram-se os pronomes oblíquos átonos ligados a ele. Ex.: com-
prá-las, revê-lo, mantém-no... (oxítonas terminadas, respectivamente, em -a, -e e -em).
– Em verbos seguidos de pronomes oblíquos átonos, a regra dos hiatos continua valendo (ignore os pronomes
e siga a regra): atribuí-lo (a-tri-bu-Í),distribuí-lo (dis-tri-bu-Í)...
– Segundo a nova ortografia, nas palavras paroxítonas com ditongos abertos, não há acento gráfico: ideia,
Coreia, estreia, jiboia, paranoia, sequoia...; as únicas exceções são: Méier e destróier, pois seguem a regra das
paroxítonas terminadas em -r.
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Não se usa mais o acento que diferenciava os seguintes pares:
1) Pára (verbo) / para (preposição): Ele sempre para para assistir aos jogos do Flamengo.
Obs.: Na frase “Mais um engarrafamento para São Paulo.”, há ambiguidade! Se ainda houvesse acento difer-
encial, não haveria ambiguidade. Fazer o quê...? “Bendita” reforma ortográfica...
2) Péla (verbo) / pela (contração da preposição per/por + a ): Ela pela as axilas só pela sexta-feira.
3) Pêlo (substantivo) / pelo (contração da preposição per/por + o): Os pelos eriçados do gato costumam passar
pelo pé do dono.
4) Pólo (substantivo) / polo (por+o (arcaísmo) / pôlo (substantivo; filhote de gavião): Os polos norte e sul são
meras abstrações espaciais, por onde os polos não voam.
5) Pêra (substantivo) / pera (preposição arcaica): Pera é uma fruta sem graça.
CUIDADO!!!
1) Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito
do indicativo), na 3.a pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3.a pessoa do singular.
Ex.: Ontem ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
2) Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição.
Ex.: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
3) Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados
(manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.).
Ele tem duas lanchas. / Eles têm duas lanchas.
Ele vem de Mato Grosso. / Eles vêm de Mato Grosso.
Ele mantém sua palavra. / Eles mantêm sua palavra.
Ele intervém em todas as reuniões. / Eles intervêm em todas as reuniões.
Por favor, tenha um cuidado muito especial com esses verbos. Questão de prova todo ano! A maldade das
bancas, principalmente, é deslocar o sujeito do verbo, para que você não perceba que os verbos vir e ter estão no
plural, fazendo-o errar uma questão de acentuação (ou concordância verbal).
Exemplo: “Os alunos, ainda que venham estudando muito para uma prova cuja banca mantém um nível de
dificuldade mediano em suas questões, tem de colocar a humildade no coração para não desmerecer a importân-
cia do concurso.”.
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Essa frase está certa ou errada quanto à acentuação do verbo ter? Até o “Word” errou. Veja de novo:
“Os alunos, ainda que venham estudando muito para uma prova cuja banca mantém um nível de dificuldade
mediano em suas questões, TÊM de colocar a humildade no coração para não desmerecer a importância do con-
curso.”
Percebeu a distância entre o sujeito e o verbo? É isso que o “homem da banca” vai fazer! Não se deixe en-
ganar!
4) É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma, dêmos (presente do subjuntivo)
e demos (pretérito perfeito do indicativo).
5) Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do
indicativo do verbo arguir. Isso vale para o seu composto redarguir. Não há mais o trema nas formas desses verbos,
obviamente. De acordo com a antiga ortografia, a escrita era assim: argúis, argúi, argúem...
6) Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em -guar, -quar e - quir, como aguar, averiguar, apa-
ziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do
presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.
Veja:
a) Se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.
Enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.
Delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.
b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.
Enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem.
Delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.
Atenção: No Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e i tônicos.
HÍFEN
Cuidado!!!
1) Não se usa o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição: girassol, madressilva, mandachu-
va, pontapé, paraquedas (e derivados).
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2) Não se usa o hífen em vocábulos com elementos de ligação: azeite de dendê, lua de mel, água de coco, mula
sem cabeça, pé de mesa, calcanhar de Aquiles, pé de vento, cor de burro quando foge, café com leite, pão de ló,
pão de milho, pé de moleque, dia a dia, corpo a corpo, ponto e vírgula, fim de semana, cabeça de bagre, bicho de
sete cabeças, leva e traz...
Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, ao deus-dará, à queima-roupa, pé-
-de-meia, pé-d’água, pau-d’alho, gota-d ’água, cola-de-sapateiro, pão-de-leite. Além desses, há os vocábulos que
designam
espécies botânicas ou animais: andorinha-da-serra, lebre-da-patagônia,dente-de-leão, olho-de-boi, pimenta-
-do-reino, cravo-da-índia, bico-de-papagaio...
Cuidado com cão de guarda (sem hífen)!
Com mal, usa-se o hífen apenas quando a palavra seguinte começar por vogal, h ou l: mal-estar, mal-humo-
rado, mal-limpo...; quando mal significa doença, usa-se o hífen se não houver elemento de ligação: mal-francês;
se houver elemento de ligação, escreve-se sem o hífen: mal de lázaro, mal de sete dias.
Exceção: mal-bruto. Vale ainda dizer que malcriação e má-criação são formas corretas.
Com bem, usa-se o hífen diante das vogais a, e, i, o e das consoantes b, c, d, f, h, m, n, p, q, s, t, v:
bem-amado, bem-encarado, bem-intencionado, bem-ouvido, bem-bom, bem-criado, bem-ditoso, bem-falante,
bem-humorado, bem-mandado, bem-nascido, bem-parado, bem-querer, bem-soante, bem-sucedido, (antônimo:
malsucedido), bem-talhado, bem-visto, bem-vindo...
CRASE
Há basicamente dois casos em que o vocábulo a pode ser um pronome demonstrativo, equivalendo ao pro-
nome “aquela”: antes de pronome relativo que e antes de preposição de: A (= aquela) que chegou era minha filha.
/ Sua filha é linda, mas a (= aquela) dele é muito mais.
Agora sim, o princípio da crase é o mesmo, beleza? Veja:
Nós nos referimos à que foi 01 do concurso para Analista Judiciário.
Sempre procuro fazer alusão às lições do Bechara e às do Celso Cunha.
No primeiro caso, quem se refere, se refere a + a = à. No segundo caso, quem faz alusão, faz alusão a + as
= às.
a (preposição) + aquele(s), aquela(s), aquilo (pronomes demonstrativos) =
àquele(s), àquela(s), àquilo
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Lembre-se: se um verbo ou um nome exigindo preposição vier depois do pronome relativo, a preposição
ficará obrigatoriamente antes do pronome relativo.
Todas as professoras de Língua Portuguesa às quais me dirigi eram capazes.
A explicação à qual tenho direito finalmente me foi dada pelo mestre.
No primeiro caso, o verbo pronominal dirigir-se exige a preposição a, que se aglutina com as quais (prono-
me relativo), formando às quais. No segundo caso, o nome direito também exige a preposição a, que se aglutina
com a qual (pronome relativo), formando à qual.
POLÊMICA!
As locuções que têm valor semântico de meio ou de instrumento podem ou não receber acento grave. Depende
da visão do gramático. Infelizmente não há (mais uma vez) unidade de pensamento.
Exemplos:
“Eu costumo escrever a (à) caneta (instrumento).”. / “Não gosto de comprar a (à) prestação (meio).”.
No entanto, todos eles concordam que, por razões de clareza, a fim de afastar qualquer ambiguidade, pode-se
usar o acento grave. Exemplos: “Vendi a vista.” (o olho?) / “Vendi à vista.” (meio).
Use sempre seu bom senso na hora da prova, pois não sabemos o que as bancas irão aprontar. O fato é que
questões assim são raríssimas! Veja uma que “resolve” a polêmica:
(UNB – BB – Escriturário I – 2003 – Questão 35 – Opção 5) Em “Preencher à máquina”, na linha vertical na mar-
gem esquerda do formulário, o emprego do sinal indicativo de crase é opcional.
Comentário: A questão foi anulada! Logo, se foi anulada e, portanto, o emprego do sinal indicativo de crase não
é opcional, inferimos que a crase é obrigatória em à máquina! Pelo menos para a UnB.
Pensou que a polêmica havia acabado? Bem-vindo à “língua portuguesa”!
Apesar de alguns gramáticos discordarem, está estabelecida na tradição gramatical que a locução adjetiva a
distância não recebe acento indicativo de crase. E é assim que vem caindo em prova de concurso. Por exemplo:
Fiz um curso à distância (errado). Fiz um curso a distância (certo).
#NOENTANTO Se a locução vier especificada, aí, sim, ocorre acento indicativo de crase: Fiz um curso à distância
de cem metros da minha casa. / Aqui você tem todos os canais à distância de um clique.
Na correlação (ou simetria de construção) das preposições “de... a”, se houver determinante (artigo
ou pronome) contraído com “de”, haverá artigo contraído com a preposição “a”, resultando na crase.
– A loja funciona de segunda à quinta, de 8h às 18h. (inadequado)
– A loja funciona da segunda à quinta, das 8h às 18h. (adequado)
– De 01/03 à 30/08, haverá dois cursos para a área militar. (inadequado)
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– De 01/03 a 30/08, haverá dois cursos para a área militar. (adequado)
– Ela se molhou dos pés a cabeça. (inadequado)
– Ela se molhou dos pés à cabeça. (adequado)
– Trabalho só deste domingo a sexta; depois, férias! (inadequado)
– Trabalho só deste domingo à sexta; depois, férias! (adequado)
CUIDADO!!!
1) Em qualquer correlação que não seja “de... a”, não haverá crase: “Entre as 14h e as 21h, estou no trabalho.”. Os
“as” são artigos apenas.
2) Não há erro na construção “Horário de atendimento: 8h às 17h”, pois ocorre elipse de “das” (das 8h às 17h).
3) Observe que há mudança de sentido nestas duas frases: “Trabalha de duas a oito horas” / “Trabalha das
duas às oito horas.”. Na primeira, indica-se que o sujeito trabalha entre duas e oito horas. Na segunda, o sujeito
trabalha durante 6 horas.
4) Veja agora um caso curioso: segundo Domingos P. Cegalla, como o numeral uma não vem precedido de ar-
tigo definido, podemos dizer que, em “Trabalho de uma às cinco horas.”, a crase independe da correlação, pois
é usada para evitar ambiguidade em relação a “Trabalho de uma a cinco horas.”, em que o sentido certamente
seria outro. Não obstante, Bechara diz que se trata de caso facultativo o artigo figurar antes da expressão uma
hora, o que nos leva a esta possibilidade de redação: “Trabalho da uma às cinco horas.”. Aqui, a correlação é
visível.
Não há crase antes da palavra casa, exceto se vier especificada por um adjetivo, uma locução adjetiva
ou uma oração adjetiva.
– Fui a casa resolver um problema.
– Fui à casa dela resolver um problema.
– O bom filho a casa torna.
– O bom filho à casa dos pais torna.
– Só volta à casa de quem o trata com mimos.
Obs.: Na frase “Em frente a sua casa, houve um incêndio.”, a crase antes de casa é facultativa, pois vem antecedida
do pronome possessivo adjetivo feminino sua. Logo, poderemos escrever: “Em frente à sua casa, houve um in-
cêndio.”.
Não há crase antes da palavra terra (em oposição a bordo, no contexto frasal). Se estiver especificada,
há crase sempre. Afora isso, pode haver crase.
– Os marinheiros retornaram a terra.
– Os marinheiros retornaram à terra natal.
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– O amor à Terra deve imperar, pois é nosso lar.
– Viemos da terra e à terra voltaremos.
CUIDADO!!!
O fato é que nem todo caso de adjetivo especificando substantivo fará o uso do acento indicativo de crase ser
obrigatório. Veja:
– Ela só é fiel a pessoa infiel, por isso vive magoada.
Contextualmente, “pessoa infiel” é um tipo de pessoa, não uma pessoa específica, logo o adjetivo não determina
a ponto de ser necessária a presença do artigo.
– Depois de uma vida inteira de honestidade e contas pagas, minha vida estará sujeita a rigorosa análise?
Novamente, não há necessidade de artigo definido antes de “rigorosa análise”, pois se trata de uma “análise” em
seu sentido amplo, mas feita de modo rigoroso, e não “aquela análise já mencionada anteriormente, conhecida,
definida”; até porque não há contexto suficiente para interpretarmos assim. Como diz a Prof. Dra. Rosane Reis de
Oliveira (UERJ), “nestes casos, a crase é explicada pelo teor semântico e não estritamente pela sintaxe”.
2 . MORFOLOGIA e SINTAXE (MORFOSSINTAXE)
Só de curiosidade: De novo, o nome dado a essas estruturas em que o substantivo vem acompanhado de
determinantes se chama sintagma nominal, ou seja, determinante(s) + substantivo = sintagma nominal;
substantivo + determinante(s) =sintagma nominal; determinante(s) + substantivo + determinante(s) =
sintagma nominal. O “sintagma nominal” é um grupo de vocábulos centrados em um nome (substantivo); é
uma expressão cujo núcleo é um nome substantivo.
Só peço que observe agora os substantivos que não estão acompanhados de determinantes: vão (em vão),
amor (de amor), escondidas (às escondidas). Note que tais substantivos são os núcleos das expressões ou ter-
mos sintáticos: em vão (adjunto adverbial), de amor (adjunto adnominal), às escondidas (adjunto adverbial).
É bom saber um pouquinho de sintaxe até mesmo para identificar um substantivo, percebeu?
A substantivação é um tipo de “nominalização”, pois ocorre mudança de muitas classes gramaticais, que se
tornam substantivos. Qualquer morfema, palavra, expressão ou frase pode se tornar um substantivo desde que
esteja acompanhada de algum determinante (artigo, pronome, numeral, adjetivo, locução adjetiva) ou tenha
valor substantivo (designador) no contexto:
– Você tem aracnofobia? (Radical) / Eu tenho muitas fobias. (Substantivo. O pronome indefinido muitas atua
como determinante.)
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– Sou muito pró-ativo. (Prefixo) / Esta questão só tem um pró. (Substantivo. O numeral um atua como determi-
nante.)
– Aquela blusa é preta? (Adjetivo) / Preta, você me ama? (Substantivo. Percebe que a palavra virou um substan-
tivo porque está nomeando alguém por meio de um apelido?)
***********************************************************************************************************
Obs.: Veja este exemplo de Celso Cunha & Lindley Cintra: Uma preta velha vendia laranjas. / Uma velha preta
vendia laranjas. Note que os vocábulos preta e velha mudaram de classe gramatical com a mudança de posição
no sintagma (substantivo + adjetivo / substantivo + adjetivo). Isso é normal.
***********************************************************************************************************
Locução Substantiva
A locução é sempre um grupo de vocábulos que equivale a uma palavra só. Dizemos que uma locução é sub-
stantiva caso seja formada por um grupo de vocábulos, com valor de substantivo (não ligados por hífen): anjo
da guarda, dona de casa, estrada de ferro, ponto de vista, cesta básica, papel almaço, fim de semana, sala de
jantar, casa de saúde, Maria das Dores, Vasco da Gama, Cidade Universitária, Belo Horizonte, Nova Iguaçu etc.
Obs.: Na nova ortografia, muitos substantivos compostos perderam o hífen, logo é possível dizer que se tor-
naram locuções substantivas: “pé de moleque, mula sem cabeça, pôr do sol, leva e traz” etc. Afinal, para ser
substantivo composto, é preciso, em tese, de hífen. Já os vocábulos que formam as locuções substantivas não
são ligados por hífen. De qualquer modo, a regra de plural dos compostos ainda vale!!!
Adjetivação
Há dois conceitos de adjetivação: 1) presença de muitos adjetivos em um texto ou 2) transformação de um sub-
stantivo em adjetivo.
Por exemplo, no texto que você acabou de ler, do Chico, ocorre adjetivação, ou seja, uso excessivo de adjetivos
por razões estilísticas. Quando, por exemplo, dizemos assim: “Acho a minha namorada linda, sedosa, cheirosa,
gostosa, voluptuosa, quente...”, o propósito do excesso de adjetivos é o realce, a ênfase!
Não confunda esse tipo de adjetivação com estruturas do tipo adjetivo + adjetivo + substantivo (novos falsos
picassos), ou adjetivo + substantivo + adjetivo (pobre menina rica), ou substantivo + adjetivo + adjetivo
(físico nuclear brasileiro), ou adjetivo + substantivo + adjetivo + adjetivo (atual indústria naval japonesa).
Nessas estruturas, há um adjetivo (negritado) modificando um substantivo que já havia sido modificado por um
adjetivo ou mais (sublinhado).
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Obs.: Há estruturas em que um substantivo é caracterizado por um adjetivo (1), por uma locução adjetiva
(2) e por uma oração adjetiva (3) ao mesmo tempo. Veja: “O inusitado (1) pouso que se espera suave (3) da
economia norte-americana (2) continua sendo pontuado por turbulências e temores.”.
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Fique atento no uso de adjetivos, pois, segundo o Manual de Redação e Estilo, por Eduardo Martins, “O texto
noticioso (notícia, texto jornalístico) deve limitar-se aos adjetivos que definam um fato (noticioso, pessoal, vizin-
ho, próximo, sulino etc.), evitando aqueles que envolvam avaliação ou encerrem carga elevada de subjetividade
(evidente, imponderável, belo, bom, ótimo, inteligente, infinito etc.). Mesmo nas matérias opinativas, em que o
autor tem maior necessidade de recorrer aos adjetivos, a parcimônia é boa conselheira. O jornalista pode sem-
pre mostrar que um temporal foi devastador e um incêndio foi violento. Ou que uma peça constitui retumbante
fracasso. Tudo isso sem poluir seu texto com dezenas de qualificativos.”.
O que mais nos deve interessar para a prova, porém, é a transformação de um substantivo em adjetivo.
Note estas frases:
– Seu jeito moleque atrai as mulheres mais novas.
– Esta blusa laranja lembra a da seleção de futebol da Holanda.
– É preferível ter um cachorro amigo a um amigo cachorro.
– É muito verdade o que ele nos disse.
– David é muito homem!
Em condições normais, os termos destacados não são caracterizadores (adjetivos) mas nomeadores (substan-
tivos). No entanto... nessas frases em itálico... o papel deles é caracterizar, por isso se tornam adjetivos. Isso
também é “adjetivação”. Perceba que, nos dois últimos exemplos, os nomes verdade e homem estão sendo
modificados por um advérbio (muito), logo se tornaram adjetivos. Está claro?
Obs.: Não confunda mudança de classe gramatical com homônimos perfeitos.
Na questão a seguir, a palavra “exemplares” tem o mesmo som, a mesma grafia, mas tem classes gramaticais e
sentidos diferentes, por isso são homônimas perfeitas. Neste caso, não podemos falar em mudança de classe
gramatical motivada pelo contexto.
Leia com atenção:
I. Os alunos homenageados tiveram comportamentos exemplares.
II. O autor terá diferentes exemplares de sua obra analisados pela editora.
III. As pedras eram realmente lindas! Jamais tais exemplares haviam sido vistos por alguém.
Nas frases acima, temos adjetivo em I apenas.
( ) CERTO
( ) ERRADO
Comentário: Essa foi sopa...(está correta a questão) Só, na primeira frase, há um adjetivo.
Classificação dos adjetivos
Existem tipos de adjetivo que precisam ser estudados. Vejamos!
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Simples Apresenta apenas um radical. (Ex.: visão social, visão econômica)
Composto Apresenta mais de um radical. (Ex.: visão socioeconômica)
Primitivo Não apresenta afixos. (Ex.: sorriso amarelo)
Derivado Apresenta afixos. (Ex.: sorriso amarelado)
*Restritivo Acrescenta um sentido não inerente ao ser. (Ex.: carro azul, homem feliz, leite quente)
**Explicativo Apresenta um sentido inerente, próprio do ser. (Ex.: carro motorizado, homem mortal, leite
branco)
Pátrio/Gentílico Refere-se a continentes, países, cidades, regiões (pátrio), raças e povos (gentílico), indicando a
origem. (Ex.:polaco, americano, afegão, mineiro, fluminense, panamenho, inglês, londrino, santista, vietnamita,
espanhol, indígena, negro, branco...)
* Tome cuidado com os adjetivos restritivos, pois a presença ou a ausência de algum sinal de pontuação (vírgu-
la, travessão ou parênteses) pode mudar seu sentido:
– O homem feliz entrou no bar e anunciou a todos seu casamento.
– O homem, feliz, entrou no bar e anunciou a todos seu casamento.
Na primeira frase, não estamosfalando de qualquer homem, mas do homem que é feliz por natureza, isto é, a
felicidade é sua característica natural; na segunda, ele estava momentaneamente tomado de felicidade quando
entrou no bar.
Reitero que, dependendo do uso da pontuação, principalmente das vírgulas, o sentido pode mudar: “O atleta
ansioso não conseguiu concluir seu trabalho.” / “O atleta, ansioso, não conseguiu concluir seu trabalho.” “An-
sioso, o atleta não conseguiu concluir seu trabalho.” Percebeu a diferença? Na primeira frase, o atleta é ineren-
temente ansioso. Na segunda e na terceira, o atleta estava temporariamente ansioso.
** O adjetivo explicativo é sempre separado por pontuação (vírgula, travessão ou parênteses), pois informa
sempre uma característica inerente e própria do ser, de modo que tal ser não pode ter seu sentido restringido.
Em outras palavras, não faz sentido dizer “O homem mortal age muitas vezes como imortal”, pois, sem estar
separado por sinal de pontuação, o adjetivo dá a entender que existe algum homem não mortal. Isso não tem
cabimento, uma vez que todo homem é mortal. Logo, a frase deve ser redigida assim: “O homem, mortal, age
muitas vezes como imortal.” Outro exemplo: “A gasolina inflamável é poluente.” Meu Deus, que gasolina no mun-
do não é inflamável?! Logo, a frase deve ser reescrita assim: “A gasolina, inflamável, é poluente”.
O QUE DIZER DOS PRONOMES?
ENTÃO...
há dois tipos de pronomes: pronomes substantivos e pronomes adjetivos.
O pronome substantivo substitui um substantivo. Segundo Celso Cunha, Napoleão Mendes de Almeida e a
vasta maioria dos gramáticos tradicionais, para que um pronome seja considerado pronome substantivo, basta
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que ele não esteja acompanhando substantivo algum. Isso significará que ele substitui um substantivo, e não que
se refere a ele, acompanhando-o.
Para que você identifique um pronome substantivo, basta perceber que ele tem o papel de substituir um sub-
stantivo (e não de acompanhá-lo) dentro do discurso.
Ficou claro? Então, veja:
– Estes documentos são nossos*, não teus.
Note que os pronomes nossos e teus se referem ao substantivo documentos, substituindo-o, por isso são pro-
nomes substantivos. É válido dizer que nossos se refere à 1a pessoa do plural do discurso (o falante + alguém),
e teus, à 2ª pessoa do singular do discurso (o ouvinte).
***********************************************************************************************************
* O gramático Evanildo Bechara entende que nossos é um pronome adjetivo que se refere ao substantivo implícito
documentos: “Estes documentos são nossos (documentos).”. Porém, essa visão não é acolhida pela vasta maioria
dos gramáticos.
***********************************************************************************************************
Já o pronome adjetivo tem o papel de acompanhar um substantivo, determinando-o, como se fosse um ad-
jetivo.
– Os vossos amores não mais vivem para vós.
Note agora que o pronome vossos se refere ao substantivo amores, acompanhando-o, por isso é um pronome
adjetivo. É válido dizer que vossos é um pronome de 2a pessoa do plural dentro do discurso, pois se refere a
mais de um ouvinte.
É claro que, para você identificar um pronome, não basta saber que ele tem valor de substantivo ou de adjetivo,
é preciso que você os conheça pelo que verdadeiramente são, isto é, eles podem ter seis (6) classificações: pes-
soais, possessivos, indefinidos, interrogativos, demonstrativos e relativos.
Vamos nessa!
Pronomes Retos
1a pessoa: eu (singular), nós (plural).
2a pessoa: tu (singular), vós (plural).
3a pessoa: ele/ela (singular), eles/elas (plural).
Esses pronomes normalmente conjugam verbos, por isso comumente exercem função de sujeito, mas também
podem exercer função de predicativo do sujeito, vocativo, aposto e, raramente, objeto direto.
Palavra de cautela: por via de regra, o pronome reto não pode ocupar a posição de complemento do verbo,
ou seja, não pode exercer função de objeto direto. O pronome que se ocupa disso é o oblíquo.
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Vamos ver um por um e suas peculiaridades “right now”!
Eu
– Raul Seixas já dizia: “Eu sou a mosca que pousou em tua sopa.”. (sujeito)
– Que rei sou eu? (sujeito)
– Eu sou mais eu. (predicativo do sujeito)
– O Fernando, eu mesmo, é uma pessoa muito inquieta. (aposto)
Como os pronomes retos não exercem função de objeto direto, a frase “Pega ele, pega ele, é um ladrão!”
constitui construção equivocada, devendo ser reescrita assim: “Pega-o, pega-o, é um ladrão!”. No entanto, se
os pronomes retos estiverem acompanhados de todo(a/s), só (adjetivo), apenas ou numeral, permite-se que
sejam postos em posição de objeto direto, segundo muitos gramáticos, como: Celso Cunha, Bechara, Faraco &
Moura e Sacconi. O gramático Cegalla diz que as construções abaixo constituem “linguagem coloquial informal”.
Na hora da prova, se cair uma destas frases, analise a melhor opção dentre as alternativas, levando em conta o
pedido do enunciado:
– O que vi da vida até agora? Vi toda ela se esvaindo diante dos meus olhos. (objeto direto)
– Ajudei todos eles e ajudá-los-ia de novo, se fosse preciso. (objeto direto)
– Encontramos ele só na praia, pois a namorada o abandonara. (objeto direto)
– Finalmente os juízes classificaram eles dois para a última etapa do campeonato. (objeto direto)
Tais construções valem para os demais pronomes retos, exceto eu e tu.
Pronomes Oblíquos Átonos
1a pessoa: me (singular), nos (plural).
2a pessoa: te (singular), vos (plural).
3a pessoa: se (singular ou plural), lhe, lhes, o, a, os, as.
Os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos podem exercer função de sujeito (raramente), objeto direto (normal-
mente), objeto indireto (normalmente), complemento nominal (raramente) e adjunto adnominal (raramente). Já
lhe(s) pode exercer função de objeto indireto (normalmente), sujeito (raramente), complemento nominal (rara-
mente) e adjunto adnominal (raramente). Por sua vez, os pronomes átonos o, a, os, as só exercem função de
objeto direto (normalmente) ou sujeito (raramente).
Vejamos o emprego dos pronomes que nos interessam neste momento!
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Te
Há um princípio da língua culta que se chama uniformidade de tratamento.
Trocando em miúdos, você não pode usar formas de 3ª pessoa com formas de 2ª pessoa na mesma frase, ou se
usa tudo na 2a pessoa ou se usa tudo na 3a pessoa.
Exemplo:
– Você nunca fez (3ª pessoa) mal a ninguém, por isso eu te (2ª pessoa) admiro.(inadequado)
– Tu nunca fizeste (2ª pessoa) mal a ninguém, por isso eu te (2ª pessoa) admiro.(adequado)
Nos
Dentro do discurso, o nos (além das demais formas de 1ª pessoa do plural) pode cumprir os seguintes papéis:
– Designar um sujeito coletivo que se responsabiliza pelo que foi dito: Nós já nos demos conta de nossos erros
e corrigi-los-emos tão logo.
– Incluir enunciador e leitor, para aproximá-los: O Brasil ainda pode deixar de ser conhecido como um país cor-
rupto se nos unirmos e usarmos bem nossa arma democrática mais preciosa: o voto.
– Evitar a 1a pessoa do singular como estratégia de polidez ou modéstia: Nós só conseguimos realizar tal feito,
pois nos empenhamos com muito vigor nesse projeto.
– Marcar um sujeito “institucional” (representado por alguma instituição): Nós, o BNDES, nos colocamos à dis-
posição daqueles que querem investir em soluções realmente eficazes.
– Indicar um enunciador coletivo (de modo vago): Não é verdade que sempre nos tacharam de coniventes com
a postura política de nosso país?
Lhe / Lhes
O pronome oblíquo lhe pode ser substituído por “a ele(a/s), para ele(a/s), nele(a/s)”, ou por qualquerpronome
de tratamento após as preposições “a, para, em”.
– Agradecemos-lhes a ajuda sincera. (Agradecemos a eles...)
– A mãe lhe comprou uma boneca? (... comprou uma boneca para você?)
– Deus criou o homem e infundiu-lhe um espírito imortal. (... infundiu no homem...)
O, a, os, as
Os pronomes oblíquos átonos de 3a pessoa o(s), a(s), se estiverem ligados a verbos terminados em -r, -s e -z,
viram -lo(s), -la(s). Se estiverem ligados a verbos terminados em ditongo nasal (-am, -em, -ão, -õe...), viram
-no(s), -na(s):
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– Vou resolver uma questão. = Vou resolvê-la.
– Fiz o concurso porque quis o emprego de funcionário público. = Fi-lo porque qui-lo. (ou ... porque o quis)
– Apagaram nossos arquivos. = Apagaram-nos.
– Você põe a mão onde não deve. = Você põe-na onde não deve.
– Tu pões a mão onde não deves. = Tu põe-la onde não deves.
Não confunda o nos (1a pessoa do plural) e o nos (3a pessoa do plural), pois o mau uso deles pode provocar
ambiguidade.
– Os jornais chamaram-nos de extorsores. (Chamaram a eles ou a nós?)
Para desfazer a ambiguidade, basta colocar o pronome oblíquo átono antes do verbo:
“Os jornais nos chamaram de extorsores. (1ª p. pl.) / Os jornais os chamaram de extorsores. (3ª p. pl.)”.
***********************************************************************************************************
# COLOCAÇÃO PRONOMINAL
#NFPSS
Pronomes Oblíquos Átonos:
(singular) ME, TE, SE, O, A, LHE
(plural) NOS, VOS, SE, OS, AS, LHES
Em uma oração, o pronome oblíquo átono pode vir a ocupar três posições diferentes em relação ao verbo. Essa
propriedade é o que chamamos de colocação pronominal, cujos diferentes posicionamentos são chamados:
próclise, ênclise e mesóclise.
¾ PRÓCLISE
A sua colocação pronominal ocorre com o uso do pronome oblíquo átono antes do verbo.
1. Palavras com sentido negativo sempre irão atrair o pronome para junto de si.
Exemplo: Não te citaram nos agradecimentos.
2. Os advérbios talvez, ontem, aqui, ali e agora atraem o pronome.
Exemplo: Informando isso ainda hoje, talvez se consiga mudar o resultado.
3. Os pronomes relativos (quem, qual, que, cujo, onde, quando) pedem o uso de próclise.
Exemplo: Seu advogado que me deixou a par dessa nova informação.
4. Pronomes indefinidos (alguém, quem, algum, qualquer, cada qual, pouco, vários) atraem o pronome para
junto de si.
Exemplo: Quem te indicou esse escritório?
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5. Pronomes demonstrativos (isso, aquilo, aquele, aquela, esta, este, esse, essa) pedem o uso de próclise.
Exemplo: Estamos à beira do recesso jurídico e isso me agrada muito pelo ganho de tempo.
6. Quando a preposição em aparece seguida de gerúndio o uso da próclise é obrigatório.
Exemplo: Em havendo novas provas protocoladas, é prudente não agir precipitadamente.
7. As conjunções subordinativas e coordenativas (quando, se, como, porque, logo que, conforme, mas)
pedem o pronome junto de si.
Exemplo: Ela prestou queixa logo que sentiu segurança para tal.
¾ ÊNCLISE
Sua colocação pronominal ocorre com o uso do pronome oblíquo átono depois do verbo.
#SELIGUE não se deve iniciar orações com pronomes oblíquos átonos.
Teremos ênclise quando:
1. O verbo iniciar a oração.
Exemplo: Diga-me o que pensas sobre o ocorrido.
2. O verbo estiver no infinitivo.
Exemplo: Quero convidar-te para ser o meu sócio.
3. O verbo estiver no imperativo afirmativo.
Exemplo: Levantem-se todos para receber a nossa convidada especial.
4. O verbo estiver no gerúndio.
Exemplo: O lutador encerrou a luta defendendo-se do golpe.
5. Quando houver pausa antes do verbo ou vírgula.
Exemplo: Se não for incômodo, diga-me como chegar até lá.
¾ MESÓCLISE
Na mesóclise o pronome fica no meio do verbo e essa colocação pronominal ocorre nos seguintes tempos ver-
bais: futuro do presente ou futuro do pretérito.
Exemplo: A questão vincular-se-á ao problema originário da petição.
Pronomes Oblíquos Tônicos
1a pessoa: mim, comigo (singular); nós, conosco (plural).
2a pessoa: ti, contigo (singular); vós, convosco (plural).
3a pessoa: si, consigo (singular ou plural); ele(a/s) (singular ou plural).
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São sempre precedidos de preposição! Podem exercer função sintática de objeto direto, objeto indireto, comple-
mento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial, dativo de opinião*.
– Convidou-me e a ela também. (objeto direto – preposicionado)
– Ela não só aludiu a mim como a vós também. (objeto indireto)
– Estamos preocupados contigo. (complemento nominal)
– É muito bom quando a Argentina é derrotada por nós. (agente da passiva)
– A casa deles é enorme. (adjunto adnominal)
– Ontem eu saí convosco por causa dela. (adjunto adverbial)
– Para mim, ele não presta. (dativo de opinião)
* Segundo Sacconi, tal expressão se configura num dativo de opinião, pois trata-se de um termo preposicionado
que indica o ponto de vista do enunciador sobre um fato. O mesmo gramático chama de objeto indireto por
extensão.
Foi questão recente de prova. Nunca vi isso a não ser nesta prova. Muita maldade da tal da banca AOCP.
(AOCP – BRDE – Assistente Administrativo – 2012) Em “Ora, para mim isso configura um crime.”, a expressão
destacada funciona como
a) introdutor de conformidade;
b) objeto indireto;
c) adjunto adnominal;
d) complemento nominal;
e) dativo de opinião. (GABARITO!)
E olha que foi nível médio! Os caras da banca pesaram a mão em um assunto que era, até então, ignorado pelas
bancas! Como a questão foi polêmica demais, adivinha? Para a alegria dos candidatos, a questão foi anulada!
Mas poderia não ter sido... por isso, fica como dica de conteúdo, caso caia #VAISABER!
SOBRE OS PRONOMES NO GERAL, É BOM SABER QUE:
>>> Muitos pronomes indefinidos, dependendo do contexto, podem virar advérbios, desde que modifiquem
verbos, adjetivos ou outros advérbios. É preciso perceber a relação entre as palavras para definirmos a classifi-
cação morfológica delas.
– Tenha mais amor e menos desconfiança. (pronomes indefinidos)
– Aja mais e fale menos. (advérbios modificando verbos)
– Não quero nada de você. (nenhuma coisa, pronome indefinido)
– João não é nada bobo. (nem um pouco, advérbio)
– Algo me diz que ela está chegando. (alguma coisa, pronome indefinido)
– O paciente está algo doente. (um pouco, advérbio)
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– Bastantes parentes vieram me visitar no hospital. (muitos, pronome indefinido)
– Sinto bastante por sua perda. (muito, advérbio)
– Que mulher! (ênfase, pronome indefinido)*
– Que linda! (intensidade, advérbio)
O mesmo ocorre com os pronomes indefinidos “muito, pouco e tanto”.
#BABADO...POLÊMICA!
* Celso Cunha e outros gramáticos entendem que este “que” é pronome interrogativo com valor exclamativo.
Há ainda o outro lado da moeda, como Manoel Pinto Ribeiro, que entende este pronome, neste contexto, como
um mero pronome indefinido. É dessa última maneira que veem as bancas.
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>>>> Não confunda pronome interrogativo (que) com conjunção integrante (que). Se der para fazer uma
pergunta a partir do “que”, este será interrogativo, e não conjunção integrante.
– Não saberia jamais que horas são. (Que horas são? – Pergunta possível, pronome interrogativo.)
– Não saberia jamais que ela é flamenguista. (Que ela é flamenguista? – Pergunta impossível, conjunção inte-
grante.)
>>>> Nas frases interrogativas indiretas, os pronomes interrogativos vêm, normalmente, após os verbos “quer-
er/desejar,saber, perguntar, indagar, ignorar, verificar, ver, responder”...
– Quero saber (o) que devo fazer. (Que devo fazer? – O artigo o antes de que é considerado expletivo. Alguns
gramáticos entendem que faz parte da locução interrogativa “o que”, tendo valor enfático ou de realce.)
– Ignoro quem fez isso. (Quem fez isso?)
Obs.: A expressão expletiva “é que” pode realçar também o interrogativo que:
“Que é que ela quer com você?” ou “O que é que ela quer com você?”.
>>>> Cuidado com a seguinte construção: “Aviso aos passageiros: antes de entrar no elevador, verifique se o
mesmo encontra-se parado neste andar.”
(Lei 9502/97). Neste caso, o uso de o mesmo retomando um termo substantivo, como um típico demonstrativo,
não está adequado à norma culta, segundo 99,99% dos gramáticos e manuais de redação. Só Bechara diz o
contrário (para variar).
Só se usa o mesmo quando equivale a “a mesma coisa”: “Ele não sabe nada de Direito Administrativo. O mesmo
se dá com ela.”
Ainda sobre o vocábulo mesmo, peço que tome cuidado com ele, pois apresenta outras classificações mor-
fológicas, a depender do contexto.
Exemplos: “Eu falo na cara mesmo.” (= de fato, advérbio de afirmação) /“Mesmo a família negou-lhe ajuda.” (=
inclusive, palavra denotativa de
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inclusão) / Mesmo faminto, tive de me controlar (preposição acidental com valor concessivo).
Alguns dicionaristas classificam mesmo, acompanhando substantivo, como mero adjetivo, mas não é assim que
veem os gramáticos.
CLASSIFICAÇÃO E EMPREGO DO PRONOME RELATIVO
Preste mais do que a costumeira atenção, meu caro leitor! Este é o campeão de aparições nas provas,
portanto aproveite minha minuciosa abordagem acerca dele!
O pronome relativo é um elemento conector de caráter anafórico, isto é, refere-se a um termo antecedente
explícito (substantivo (normalmente!), pronome substantivo, numeral substantivo, advérbio, verbo no infinitivo ou
oração reduzida de infinitivo), substituindo-o. Sintaticamente falando, todo pronome relativo (sempre!) refere-se
a um termo de outra oração ao introduzir oração subordinada adjetiva (restritiva ou explicativa).
– O homem (apesar de certos contratempos) que veio aqui era o Presidente.
– Ninguém que esteve no Brasil desapontou-se.
– Apenas um, que compareceu à festa, estava bem trajado.
– Ali, onde você mora, não é o melhor lugar do mundo.
– Estudar que é bom ninguém acha legal.
– Procurar aprender Língua Portuguesa, que é importante, você não quer.
Cuidado!!! PERIGO!!!
1) Visto que o seu objetivo é substituir um vocábulo para que este não se torne repetitivo, o pronome relativo
nos permite reunir duas orações numa só.
– O livro é espetacular + Estou lendo um livro = Estou lendo um livro que é espetacular (ou O livro que estou
lendo é espetacular). Visitei um amigo + Eu tenho grande admiração por ele = Visitei um amigo por quem tenho
grande admiração.
2) Na linguagem coloquial, observa-se o uso pleonástico por um pronome oblíquo átono ou tônico após o rel-
ativo. Não está adequado à norma culta, pois o pronome relativo já retoma um termo.
– Este ó livro que pretendemos comprá-lo. (Este é o livro que pretendemos comprar.)
– A prova é o meio de resolução de conflito, da qual o juiz irá extrair certos juízos dela. (A prova é o meio de res-
olução de conflito, da qual o juiz irá extrair certos juízos.)
3) É importante dizer que, se um verbo ou um nome da oração subordinada adjetiva exigir a presença de uma
preposição, esta ficará obrigatoriamente antes do pronome relativo. Preste atenção! Isso é questão de prova
todo ano!
– O filho, pelo qual a mãe tinha amor, era bom. (Quem tem amor, tem amor por.)
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Na linguagem coloquial, a ausência da preposição antes do relativo é comum. Cuidado!
– Este é o carro que precisamos. (INADEQUADO!)
Às vezes, ocorre migração da preposição com o pronome demonstrativo o. A frase “O de que mais gosto é ver
filme.” soa artificial, afetada e não reflete a realidade linguística atual, apesar de correta, por isso é comum ocorrer
o deslocamento da preposição para antes do referente: “Do que mais gosto é ver filme.”.
Bechara diz algo muito importante: “... omite-se a preposição que pertence a rigor ao relativo, em virtude de já
ter o seu antecedente a mesma preposição: ‘Você só gosta das coisas que não deve (gostar)’ por: das coisas de
que não deve (gostar)”.
4) É notório hoje em dia o uso não atento às normas gramaticais do pronome relativo. Por isso, faz-se necessário
aos que se preocupam com as normas o conhecimento do registro formal.
– Este é o livro que o autor é excelente. (LINGUAGEM COLOQUIAL)
– Este é o livro cujo autor é excelente. (LINGUAGEM CULTA)
#Pelamordedeus! Não se substitui cujo por que! Isso já foi questão de prova algumas vezes. Veja a prova disso:
(FEC – LOTERJ/RJ – Auditor – 2010) Quando se emprega o relativo “cujo”, como fez o autor em “como naqueles
comerciais de um refrigerante cujo nome me recuso a declinar” (§ 5), deve-se obedecer à orientação observada
em todas as alternativas a seguir, EXCETO aquela em que se diz que o referido pronome:
a) admite, na língua escrita culta, substituição pelo pronome “que”. (GABARITO)
5) A expressão queísmo já se popularizou. Trata-se de uma repetição viciosa do vocábulo que, principalmente
do pronome relativo, ou do seu uso desnecessário: “O carro que eu comprei na concessionária que eu encontrei
meu amigo que trabalhava lá era bom.” / “O aluno que foi aprovado ficou satisfeito.”. Veja como ficariam mais
concisas e claras tais frases: “Comprei um bom carro em cuja concessionária meu amigo trabalhava.” / “O aluno
aprovado ficou satisfeito.”.
Segundo a redação do competente site www.portugueshoje.com.br, há algumas maneiras de evitar determinadas
construções com o vicioso pronome relativo que.
a) Substituição da oração adjetiva por substantivos seguidos de complemento.
– O jornalista, que redigiu a matéria sobre as eleições presidenciais, foi bastante tendencioso.
– O jornalista, autor da matéria sobre as eleições presidenciais, foi bastante tendencioso.
b) Substituição por adjetivo.
– A política no Brasil é constituída por políticos que não são honestos.
– A política no Brasil é constituída por políticos desonestos.
c) Substituição da oração desenvolvida por uma oração reduzida de gerúndio.
– Publicou-se um relatório que denuncia a corrupção no governo.
– Publicou-se um relatório denunciando a corrupção no governo.
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d) Substituição da oração desenvolvida por uma oração reduzida de particípio.
– Soube-se da corrupção no governo através de uma reportagem que foi publicada pelo jornal.
– Soube-se da corrupção no governo através de uma reportagem publicada pelo jornal.
Interessante, não?
EMPREGO DOS PRONOMES RELATIVOS
Que (substituível pelo variável o qual)
• É invariável.
• Refere-se a pessoas ou coisas.
• É chamado de relativo universal, pois pode – geralmente – ser utilizado em substituição de todos os outros
relativos.
– As mulheres, que (=as quais) são geniosas por natureza, permanecem ótimas.
– Para rimar, o Mengão, que (= o qual) sempre será meu time de coração, é pentacampeão.
– Minha sogra, a que (= à qual) tenho grande aversão, está viva ainda.
– O Flamengo é o que (= aquilo) preocupa os vascaínos.
– Os dois, que (= os quais) você ajudou, já estão recuperados.
– Há uma boa variedade de atividades de que (= das quais) o professor também é um observador.
Cuidado!!!
1) Numa série de orações adjetivas coordenadas, o que pode estar elíptico.
– A sala estava cheia de alunos que conversavam, (!) riam, (!) dormiam.
2) O relativo que só deve ser antecedidode preposição monossilábica (“a, com, de, em, por; exceto sem e sob”).
Do contrário, usam-se os variáveis “o qual, os quais, a qual, as quais” (sem restrição quanto ao uso das
preposições ou locuções prepositivas).
– Este é o ponto com que concordo, mas foi este sobre o qual você falou?
– A pessoa ao encontro da qual deveria dirigir-me virou o rosto.
3) Evite a ambiguidade usando o substituto do relativo que: o qual.
– Conheci o pai da garota que se acidentou. (Quem se acidentou?)
– Conheci o pai da garota o qual (ou a qual) se acidentou. (sem ambiguidade)
Se vierem dois referentes masculinos anteriores, a construção terá de mudar (usa-se o relativo cujo):
– Conheci o pai cuja garota se acidentou. / Conheci a garota cujo pai se acidentou.
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Reitero: evite usar o que quando houver mais de um termo anterior, em prol da clareza: Consegui retornar ao
colégio do bairro que marcou minha vida. O que marcou a vida? O colégio ou o bairro?
Evite usar o que também quando seu referente estiver distante, pelo bem da clareza: A bebida em excesso,
apesar de provocar doenças no homem, que destrói vidas, deve ser evitada. (construção ruim) / A bebida em ex-
cesso, apesar de provocar doenças no homem, a qual destrói vidas, deve ser evitada. (construção recomendada)
4) Cuidado para não confundir o relativo que (= o qual) com a conjunção integrante que, ou com o pronome
interrogativo que, ou com a partícula expletiva que (que faz parte da expressão formada por ser + que).
– Encontrei o homem que estava devendo o curso. (pronome relativo)
– Eu disse ao homem que se afastasse dela. (conjunção integrante)
– Eu não soube pelo homem que era para fazer. (pronome interrogativo/indefinido)
– Foi este homem que nos agrediu, policial! (partícula expletiva)
5) Observe esta estrutura única do relativo o qual, com valor partitivo, normalmente usado após numerais e
certos pronomes indefinidos.
– Ele escreveu mais de dez romances, três dos quais já foram traduzidos em vários idiomas. (os quais retoma
romances).
– Há bons imóveis aqui, muitos dos quais estão valorizando cada vez mais. (os quais retoma imóveis)
#PLUS: A PARTÍCULA SE
#NFPSS O SE é mais cobrado como 1) Partícula Apassivadora e 2) índice de indeterminação do sujeito. Eventual-
mente acontece uma pegadinha com 3) Pronome Pessoal Reflexivo
1) Partícula Apassivadora (função: pronome)
Como reconhecer: (verbo 3ª pessoa singular ou plural ele/ela/eles/elas + se + sujeito paciente)
Vende-se casa (uma casa é vendida) > sujeito: o que é vendido.
Vendem-se casas (casas são vendidas)
Aluga-se apartamento (um apartamento é alugado) > sujeito: o que é alugado.
Alugam-se apartamentos (apartamentos são alugados)
Amolam-se facas (facas são amoladas) > sujeito: o que é amolado.
Consertam-se roupas (roupas são consertadas) > sujeito: o que é consertado.
Ou seja:
temos um sujeito que fica bastante nítido quando invertemos a frase.
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#FIQUEDEOLHO #OLHAOGANCHO
Essa mesma lógica é a que nos ajudará a detonar as questões de concordância verbal com a partícula SE.
O verbo irá concordar com o sujeito.
Sujeito no singular > Verbo no singular
Aluga-se casa.
Sujeito no plural > Verbo no plural
Alugam-se casas.
Obs.: Em gramatiquês: A partícula SE faz com que o Objeto Direto assuma a função de Sujeito.
2) índice de indeterminação do Sujeito
Como o nome já diz, teremos indeterminação do sujeito. Ou seja, o sujeito não estará explícito.
Exemplo:
Precisa-se de costureira.
Apesar de parecer muito com os exemplos que dei anteriormente, observe que a inversão da frase ficaria prob-
lemática:
*Costureira é precisada (???)
Retomando “Precisa-se de costureira”, a lógica que irá nos ajudar é:
Alguém (não sabemos quem) precisa de costureira. (sujeito indeterminado)
Outros exemplos:
Necessita-se de voluntário. (alguém necessita de um voluntário)
Vive-se tendo problemas. (alguém vive tendo problemas)
Em gramatiquês: Essa construção ocorre com verbos que não apresentam complemento direto (verbos intransi-
tivos, transitivos indiretos e de ligação)
3) Pronome Pessoal Reflexivo (pronome)
Os exemplos que já vimos na Voz Reflexiva:
Condenou-se com suas próprias mentiras deslavadas.
Ela penteia-se em frente ao espelho.
Obs.: a voz reflexiva também pode ser recíproca, quando dois sujeitos praticam a ação mutuamente.
Eles amam-se demais.
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4) Parte integrante do verbo pronominal (pronome)
Acompanha o verbo pronominal, ou seja, verbos que são acompanhados por pronomes “me”, “te” “se”, “nos”
(pronomes oblíquos átonos).
Foco no “SE”: arrepender-se, sentar-se, zangar-se, pentear-se, enganar-se, suicidar-se, etc.
5) Partícula Expletiva (pronome)
O “SE” será uma partícula expletiva quando sua ausência não provocar prejuízo semântico ou gramatical:
Exemplos:
Vão-se os anéis, ficam os dedos. (Vão os anéis, ficam os dedos)
Foi-se embora de vez. (Foi embora de vez)
¾ Voz Reflexiva
Na Voz Reflexiva, o sujeito pratica e sofre a ação ao mesmo tempo. É formada por um verbo seguido de um
pronome reflexivo (ME, TE, SE, NOS, VOS, SE). Geralmente para evitar ambiguidade, ao usar a voz reflexiva é
necessário empregar outro recurso além dos pronomes.
Exemplo: João e José feriram-se.
(Obs1: Observe que podemos ter um verbo passivo equivalente “João e José foram feridos”).
(Obs. 2: Podemos ter um verbo reflexivo equivalente “João e José feriram a si próprios”).
(Obs. 3: Podemos ainda ter uma reciprocidade significando que “João feriu José e José feriu João”).
Para ser considerado reflexivo, sem ambiguidades, é importante inserir alguma expressão de reciprocidade “João
e José feriram-se reciprocamente/um ao outro/ a si próprios”, etc.
E O VERBO SE FEZ CARNE... E ENCARNOU NA PROVA
O QUE É IMPORTANTE SABER:
Emprego de tempos e modos dos verbos em português
Dentro desse tópico é importante destacar, sem dúvida, vozes verbais.
#NFPSS As vozes verbais subdividem-se em passiva, reflexiva e ativa. E costumam cair nessa ordem de im-
portância.
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¾ Voz ativa
O verbo de uma oração está na voz ativa quando a ação é praticada pelo sujeito.
Exemplo: O professor explicou o conteúdo para a classe interessada.
(observe que “o professor” é que realizou a ação de explicar).
¾ Voz passiva (Analítica e Sintética ou Pronominal)
O verbo de uma oração está na voz passiva quando a ação é sofrida pelo sujeito.
Exemplo: O conteúdo foi explicado pelo professor.
(observe que quem pratica a ação continua sendo “o professor”, mas o sujeito da oração é “o conteúdo”. Eis a
voz passiva).
- Passiva Analítica: Ocorre sempre com o uso de verbos auxiliares “ser” e “estar” e o particípio de certos verbos
ativos. (ser/estar + particípio).
Exemplo: O bandido foi surpreendido em flagrante pelo agente penitenciário.
(observe o verbo “ser” no pretérito perfeito do indicativo + “surpreender” no particípio).
Exemplo: O preso vinha escoltado pelo policial.
(Observe esse exemplo. Ele é um exemplo raro de construção passiva, pois o auxiliar não é “ser” nem “estar”. O
que vale perceber é que a ação verbal não é executada pelo sujeito “o preso”).
- Passiva Sintética ou Pronominal: a nomenclatura “pronominal” deve-se ao fato da formação mediante o
uso do pronome SE (pronome apassivador). Neste caso, o sujeito desaparece porque não interessa ao narrador
mencioná-lo.
“Cobrem-se botões” – era a placa que estava na porta do ateliê.
(Observe que “botões” não pratica a ação de cobrir, e, sim, recebe/sofre essa ação. Logo, “botões”não é o agen-
te da ação verbal, sendo o sujeito paciente.)
.................................................................................................................................................................................................
O Gerúndio
Além de atuar como verbo nas locuções verbais, em tempos compostos e nas orações reduzidas, o gerúndio
(verbo terminado em -ndo) pode desempenhar as funções de advérbio e de adjetivo.
Como verbo, indica normalmente um processo incompleto, prolongado, durativo:
– Estava lendo o livro que você me emprestou. (locução verbal)
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– Ando lutando para mudar minha vida financeira. (locução verbal)
– Tendo feito várias reclamações por escrito que não foram atendidas, resolvi vir pessoalmente aqui. (locução
verbal de tempo composto)
– Obtendo a nota exigida na prova, resignou-se. (oração reduzida)
Conheça alguns empregos do gerúndio:
1) Esta forma nominal pode e deve ser usada para expressar a) uma ação em curso, b) uma ação anterior,
c) posterior ou d) simultânea a outra.
Veja os respectivos exemplos:
– Agora ele está estudando.
– Deixando a namorada em casa, voltou para a boemia. / Em se plantando, tudo dá.
– O balão subiu rapidamente, desaparecendo no ar.
– O jogador pulou cabeceando a bola.
2) Combinado com os auxiliares estar, andar, ir, vir, o gerúndio marca uma ação durativa, com aspectos
diferenciados:
O verbo estar seguido de gerúndio indica uma ação durativa num momento rigoroso: O mundo está mudando.
O verbo andar seguido de gerúndio indica uma ação durativa em que predomina a ideia de movimento reiter-
ado: Andei buscando uma pessoa melhor para mim.
O verbo ir seguido de gerúndio expressa uma ação durativa que se realiza progressivamente ou por etapas
sucessivas: O sol vai raiando, vai subindo, potente como ele só.
O verbo vir, seguido de gerúndio expressa uma ação durativa que se desenvolve gradualmente em direção à
época ou ao lugar em que nos encontramos: “Não se explica como tal expressão vem sendo usada no Brasil.”.
Cuidado!!!
1) Sua natureza adverbial indicando modo pode ser percebida em frases como esta, em que o gerúndio indica
movimento simultâneo à ação do outro verbo.
– Chorando, o menino se despediu do pai.
– Ele toma sopa fazendo ruído.
2) O uso do gerúndio em função adjetiva é menos usual:
– Tire essa água fervendo daqui!
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3) O gerúndio pode ter valor imperativo também:
– Circulando, circulando!
4) Conheça os valores semânticos circunstanciais (adverbiais) do gerúndio (oração reduzida):
– Varrendo o quarto, não encontrou nada. (tempo)
– Mesmo sendo esperto, não conseguiu enganar a todos. (concessão)
– Você, querendo, chegará lá. (condição)
– Tendo perdido o trem, não cheguei na hora certa. (causa)
– As alunas entraram na sala rindo. (modo)
Em algumas frases, a circunstância do gerúndio pode ficar ambígua:
– A vela, iluminando, clareia tudo. (causa, tempo, condição, proporção...)
PECULIARIDADES SOBRE “ALGUNS” SUJEITOS
Sujeito oracional
Surge quando o sujeito de uma oração é toda uma outra oração.
É bom que todos compareçam.
1ª oração: É bom.
2ª oração (sujeito): que todos compareçam.
O que é bom? sujeito = que todos compareçam.
Curiosidade: Na análise sintática, esta oração que funciona como sujeito é classificada como oração subordi-
nada substantiva subjetiva.
..............................................................................................................................................................................................
Oração sem sujeito
Não há um elemento ao qual se atribui o predicado. Ocorre nos seguintes casos:
a) com os verbos que indicam fenômeno da natureza:
Choveu muito pouco no verão passado.
Trovejou durante horas seguidas.
Nas cidades do sul, neva no inverno.
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b) com o verbo haver indicando “existência” ou “acontecimento”:
Na festa havia muitas pessoas.
Há anos surgiu no teatro brasileiro uma nova estrela.
No carnaval, haverá bailes em todos os clubes.
Havia, naquela casa, muitos quartos vazios.
c) com os verbos ser e estar, indicando tempo:
Já são dez horas.
São 13 de julho.
Amanhã será dia 15.
Hoje está frio.
Como está tarde!
d) com o verbo fazer indicando tempo ou fenômeno da natureza:
Faz duas horas que ele saiu.
Fará, no próximo domingo, vinte anos que a conheci.
No verão, faz muito calor na serra gaúcha.
Fará dias frios no próximo mês.
e) com os verbos bastar e chegar seguidos da preposição de:
Chega de conversa mole.
Basta de reclamações.
Curiosidades:
1) Em todos os casos acima, os verbos não têm sujeito; são chamados, então, de verbos impessoais. Devem
ficar sempre na 3ª pessoa do singular.
Exceção é o verbo ser.
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2) Os verbos que indicam fenômeno da natureza, empregados metaforicamente, admitem sujeito:
Sua negativa anuviou minha alegria.
Choveram bombas sobre a cidadezinha serrana.
PECULIARIDADES SOBRE “ALGUNS” OBJETOS
Objeto direto
Completa o sentido de um verbo transitivo direto, ou seja, vem diretamente ligado ao verbo, sem o auxílio de
preposição.
Marta comeu o bolo.
Oferecemos um prêmio ao vencedor.
Houve uma grande festa.
Pedro olhou-se no espelho.
Ana convidou-me para a festa.
Objeto direto preposicionado
É uma subclassificação do objeto direto e surge quando o verbo é transitivo direto, mas o complemento apa-
rece antecedido de uma preposição (que pode ser tirada sem prejuízo do sentido original do verbo), pois a
preposição aparece apenas para maior clareza, melhor harmonia ou para dar ênfase à expressão:
Judas traiu a Cristo.
As bruxas beberam de suas porções.
Comeram do nosso bolo.
Nos exemplos dados, as preposições podem ser eliminadas e os verbos continuam com os mesmos sentidos.
Claro está também que o objeto direto preposicionado serve para dar uma variação ao entendimento total da
frase: Beber algo é diferente de beber de algo, pois, na primeira, temos a ideia do todo e, na segunda, a ideia da
parte de um todo.
Algumas vezes o emprego da preposição antes do objeto direto é obrigatório. Veja quais são os casos:
a) antes dos pronomes oblíquos tônicos, ligados a verbos transitivos diretos:
Viu a mim no mercado.
O salva -vidas observou a nós na piscina.
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b) com o pronome relativo “quem”, funcionando como complemento na frase:
Chegou o João, a quem não esperávamos.
Ela é a mulher a quem eu amo.
c) Para evitar dúvida no entendimento da frase:
Venceram aos japoneses os canadenses.
Enganou ao aluno o professor.
Objeto direto pleonástico
É usado para enfatizar uma ideia contida no objeto direto com a repetição dele próprio. Para bem uti-
lizá-lo, devemos colocá-lo no início da frase, depois repeti-lo por meio de pronome oblíquo — ao qual daremos
o Nome de objeto direto pleonástico, pois pleonasmo é aquilo que se repete.
As rosas, dei -as para Maria.
O bolo, nós não o comemos.
Lucro, desejam -no sempre!
Objeto direto interno
Surge quando utilizamos um verbo intransitivo como transitivo direto, e seu complemento é da mesma
família semântica do verbo:
Viver uma vida fácil.
Sonhou um sonho alegre.
Ria um riso forçado.
Chovia uma chuva fina.
Chorará um choro amargo!
Objeto indireto
Completa o sentido do verbo transitivo indireto, ou seja, vem indiretamente ligado ao verbo com o auxílio de
preposições.
Paguei ao médico.
Deparamos com um estranho.
Não consintonisso.
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Rogo -lhe perdão.
Objeto indireto pleonástico
Da mesma forma já vista no objeto direto pleonástico, podemos repetir também o objeto indireto dentro da
frase, para reforçar a ideia que se pretende seja transmitida.
A mim, o que me deu foi pena.
A Paulo, bastou -lhe isso.
A ti, ó rosa perfumada, entrego -te o mundo.
3. CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL.
→ CONCORDÂNCIA VERBAL
São abundantes as regras de concordância, sabemos; é preciso ter bastante atenção, principalmente, com a
amplidão atingida pelo verbo haver no sentido de existir e nos outros tantos sentidos admitidos. “Há mais
mistérios entre esses verbos do que a vã filosofia é capaz de imaginar”, rs.
Vamos às regras:
O princípio básico na concordância verbal é o de que, para todo verbo, temos de achar um sujeito.
Concordância verbal: Tipos de sujeito
Para flexionar o verbo é preciso partir da classificação do sujeito.
Quem sabe achar sujeito faz a concordância verbal adequada.
Importante: O sujeito é o responsável pela flexão verbal. Essa teoria serve para os casos de sujeito simples e
composto.
.................................................................................................................................................................................................................
Particularidades da concordância do sujeito simples
a) Sujeito simples constituído de substantivo coletivo + determinante: verbo concorda com o coletivo ou com
o determinante:
O bando voou.
O bando de aves voou.
O bando de aves voaram.
A multidão invadiu o palco depois da apresentação.
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A multidão de fãs invadiu o palco depois da apresentação.
A multidão de fãs invadiram o palco depois da apresentação.
b) Sujeito simples constituído de expressão quantitativa + determinante: verbo concorda com a expressão
quantitativa ou com o determinante:
A maioria das pessoas viajou para o sul do país.
A maioria das pessoas viajaram para o sul do país.
A maior parte dos alunos faltou.
A maior parte dos alunos faltaram.
1% dos aposentados não compareceu ao INSS.
1% dos aposentados não compareceram ao INSS.
10% da população apresentaram a declaração de Imposto de Renda.
10% da população apresentou a declaração de Imposto de Renda.
Um terço dos bens desapareceu.
Um terço dos bens desapareceram.
c) Sujeito simples constituído de nome próprio no plural: sem artigo — verbo no singular; com artigo — verbo
concorda com o artigo:
Alpes fica na Europa.
Os Alpes ficam na Europa.
Estados Unidos domina o mundo.
Os Estados Unidos dominam o mundo.
Amazonas é um grande rio.
O Amazonas é um grande rio.
Curiosidade: Se o artigo é parte do nome próprio, podemos usar o verbo no singular ou no plural:
“Os Lusíadas” conta a história do povo português.
“Os Lusíadas” contam a história do povo português.
“Os Miseráveis” mostra o sofrimento do povo.
“Os Miseráveis” mostram o sofrimento do povo.
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d) Sujeito simples constituído de pronome indefinido plural + pronomes pessoais nós ou vós: o verbo pode
concordar com o pronome indefinido ou com o pronome pessoal:
Alguns de nós farão o trabalho.
Alguns de nós faremos o trabalho.
Quais de vós serão os premiados?
Quais de vós sereis os premiados?
Muitos de nós participarão das competições.
Muitos de nós participaremos das competições.
Quantos de vós irão aos Estados Unidos?
Quantos de vós ireis aos Estados Unidos?
Curiosidade: Se o indefinido estiver no singular, a concordância será feita obrigatoriamente no singular: Algum
de nós fará o trabalho.
Qual de vós será o premiado?
e) Sujeito simples constituído de pronome relativo QUE: o verbo concorda com o referente do pronome rela-
tivo:
Fui eu que escrevi a carta.
Fostes vós que escrevestes a carta.
Não serão os meninos que farão esse trabalho.
f ) Sujeito simples constituído de pronome relativo QUEM: o verbo concorda com o referente do pronome
relativo, ou com o próprio pronome relativo (3a pessoa do singular):
Fui eu quem escrevi a carta.
Fui eu quem escreveu a carta.
Fostes vós quem escrevestes a carta.
Fostes vós quem escreveu a carta.
Não serão os meninos quem farão esse trabalho.
Não serão os meninos quem fará esse trabalho.
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g) Sujeito simples constituído da expressão um dos que / uma das que: verbo no singular ou no plural, facul-
tativamente:
João foi um dos alunos que faltou à prova.
João foi um dos alunos que faltaram à prova.
Radegondes é uma das que ficou de castigo.
Radegondes é uma das que ficaram de castigo.
A urgência de obter resultados concretos foi um dos fatores que
influenciou a decisão do presidente.
A urgência de obter resultados concretos foi um dos fatores que
influenciaram a decisão do presidente.
#Casos particulares:
- Verbos impessoais
Nos verbos impessoais, sempre utilize concordância com a terceira pessoa do singular. São eles:
• Haver (como substituto de existir).
• Fazer (indicação de tempo).
• Fenômenos da natureza.
Exemplo 1: Há duas pessoas na lista de espera.
Exemplo 2: Faz cinco anos que moramos aqui.
Exemplo 2: Choveu grandes quantidades de granizo ontem.
- Núcleo de gradação
Em sujeitos compostos com núcleo de gradação, coloque o verbo no plural ou em concordância com o último
núcleo do sujeito.
Exemplo 1: Cada hora, cada minuto, cada segundo faz diferença para mim.
Exemplo 2: Cada hora, cada minuto, cada segundo fazem diferença para mim.
- “Um ou outro”
Em “um ou outro” ou “nem um nem outro”, a concordância adequada é o singular, mas o plural também é aceito.
Exemplo 1: Um ou outro jogador compareceu. Nem um nem outro foi escolhido.
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Exemplo 2: Um ou outro jogador compareceram. Nem um nem outro foram escolhidos.
- Aposto recapitulativo
Se os elementos forem resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância é pelo termo resumidor.
Exemplo 1: Filmes, livros, séries, tudo isto a atraía.
Exemplo 2: Chocolate, jujubas, pipoca, nada apetecia Orlando.
- Concordância com palavra mais “se”
É preciso analisar a situação, quando o termo “se” for:
• Índice de indeterminação do sujeito.
• Partícula apassivadora.
No primeiro caso, o “se” acompanha verbos intransitivos, transitivos indiretos ou verbos de ligação. Assim, são
conjugados na terceira pessoa do singular.
Exemplo 1: Precisa-se de moças para dividir quarto.
Exemplo 2: Foi-se minha alegria.
Quando o “se” é pronome apassivador, ele acompanha verbos transitivos diretos e também diretos e indiretos,
formando voz passiva sintética.
Assim, o verbo concorda com o sujeito da oração (singular ou plural).
Exemplo 1: Alugam-se apartamentos por dia (Apartamentos são alugados por dia).
Exemplo 2: Constrói-se casa rapidamente (Casa é construída rapidamente).
- O caso do verbo “ser”
Você aprendeu que na concordância verbal, o verbo concorda com o sujeito, certo? Acontece que com o verbo
“ser” a condição muda um pouquinho.
Ou seja, ele também pode concordar com o predicativo do sujeito. Como saber? Depende do caso.
• Se o sujeito for representado por isso, isto, aquilo, tudo, mais predicativo no plural: “Tudo são momen-
tos para recordar”. “Isto são as sobras do nosso piquenique”.
• Sujeito no singular, referindo-se a coisas, e o predicativo no plural: “Nosso almoço foram sanduíches“.
“Seu dia a dia eram tristezas seguidas”.
• Se o sujeito for pessoa, o verbo concorda com ele: “Andréera só músculos”.
• Sujeito for pronome interrogativo “que” ou “quem”: plural, se assim permitir. “Quem são aquelas pessoas?”.
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“Que são esses papéis sobre a mesa?”.
• Indicação de horas, dias ou distâncias: concordância do verbo com o numeral. “São quatorze horas”. “São
quinhentos quilômetros”.
• Se o sujeito indicar pesos, quantidades ou medidas, além de expressões como pouco, muito, mais de,
menos de: verbo fica no singular. “Treze quilos é mais do que suficiente”.
• Quando um dos elementos da oração (sujeito ou predicativo do sujeito) for um pronome pessoal do caso
reto, o pronome concorda com o verbo. “Eu sou a única mulher na minha casa”. “Nós somos adultos e vocês
são crianças”.
• Se o sujeito for expressão de sentido partitivo ou coletivo, concorde-o com o predicativo se este se apre-
sentar no plural: “O resto eram alimentos estragados”. “A maioria dos grevistas eram professores”.
→ CONCORDÂNCIA NOMINAL
#FIQUEDEOLHO nosCasos:
- “É proibido” e outros…
É proibido, É permitido, É bom, É preciso, É necessário (verbo mais adjetivo):
Fica invariável caso o substantivo não venha acompanhado de artigo:
É preciso cuidado.
É proibido crianças.
É permitido saída em caso de emergência.
Se forem acompanhados de artigos, pronomes ou adjetivos, o verbo e o adjetivo irão concordar com este termo:
É preciso o cuidado.
É proibida a entrada de crianças.
- Palavras “anexo”, “próprio”, “mesmo”…
Anexo, Próprio, Mesmo, Obrigado, Quite, Incluso: sempre concordam em gênero e número com o pronome ou
substantivo que acompanharem.
Exemplos: Seguem anexos os documentos. Elas próprias irão fazer a comida. Eles mesmos se limparam. Marta
foi obrigada a se desculpar. José e Rafael foram obrigados a pedir desculpas. Nós estamos quites. O papel foi
incluso na pasta.
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- Palavras “Bastante”, “Caro”, “Barato”, “Longe”
Quando colocados como advérbios, são invariáveis. Quando funcionam como adjetivos, pronomes, numerais ou
adjetivos, variam de acordo com o nome referido.
Exemplos:
Trouxemos bastantes frutas.
Os filhos de Eliete choram bastante.
Os melões estão caros.
Os melões custam caro.
Os pêssegos estão baratos.
Os pêssegos têm preço barato.
Gosto de viajar para Goiânia, mas é muito longe de minha cidade.
Adoro os longes mares de Ubatuba.
- “Meio” e “Meia”
No lugar de adjetivo, variam. Mas são invariáveis quando funcionam como advérbios modificadores do adjetivo.
Exemplos:
Tânia disse meias verdades.
Estou ficando meio doida.
O rapaz está meio nervoso.
Meios copos de cerveja foram vendidos.
- “Alerta” e “Menos”
São palavras que sempre vão funcionar como advérbios. Neste caso, não podemos flexioná-los.
Exemplo 1: Os motoristas devem dirigir sempre alerta.
Exemplo 2: Temos menos preocupações hoje do que ontem
Particularidades da concordância do adjetivo
a) Adjetivo posposto
Quando o adjetivo posposto se refere a dois ou mais substantivos, concorda com o último ou vai faculta-
tivamente para o plural, no masculino, se pelo menos um deles for masculino; ou para o plural no feminino,
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RETA FINAL TRF4
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se todos eles forem femininos.
Homem e mulher bela / homem e mulher belos
Mulher e homem belo / mulher e homem belos
Ternura e amor humano / ternura e amor humanos
Amor e ternura humana / amor e ternura humanos
Sala e cozinha ampla / sala e cozinha amplas
b) Adjetivo anteposto
Quando o adjetivo anteposto se refere a dois ou mais substantivos, concorda com o mais próximo.
Belo homem e mulher
Bela mulher e homem
Humana ternura e amor
Humano amor e ternura
Ampla sala e cozinha
Um substantivo determinado por dois ou mais adjetivos
Quando dois ou mais adjetivos se referem a um substantivo, temos duas opções:
a) Substantivo no singular — coloca-se artigo nos adjetivos, a partir do segundo:
Estudo a língua inglesa, a portuguesa e a alemã.
Ele detém o poder material e o espiritual.
b) Substantivo no plural — basta acrescentar os adjetivos:
Estudo as línguas inglesa, portuguesa e alemã.
Ele detém os poderes material e espiritual.
Substantivo usado como adjetivo
Se a palavra que funciona como adjetivo for originalmente um substantivo, ficará invariável:
Ele comprou ternos cinza e camisas rosa.
Ele ouviu falar dos homens-bomba.
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Na infância, assistia na tevê a série sobre a família-monstro.
→ REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
Não costuma ser muito cobrada nas provas como um item isolado, mas associado ao conhecimento nos usos
das concordâncias . Houve poucas ocorrências, mas como é um assunto que envolve o conhecimento no uso
dos verbos e nomes, sugerimos algumas poucas reflexões sobre o assunto:
→ Regência nominal
Resumindo: podemos usar apenas os nomes (substantivo, adjetivo ou advérbio) sozinhos, mas em alguns mo-
mentos eles irão pedir uma complementação (complemento nominal) que se dará através de uma preposição.
Exemplo:
Maria é livre. (o nome aparece sem preposição ou complemento e possui sentido completo).
Maria é livre de vícios. (o nome aparece com preposição)
A regência nominal é estabelecida através de uma preposição, sendo a, de, com, em, para, por as preposições
mais utilizadas:
• inerente a;
• idêntico a;
• livre de;
• seguro de;
• descontente com;
• interesse em;
• pronto para;
• respeito por;
→ Regência Verbal
Para resumir, tem verbo que pede preposição e outros não.
Podemos dizer: Eu entendo você.
Mas não podemos dizer: *Eu gosto você.
Isso, simplesmente porque o verbo “gostar” exige a preposição. Só é possível “gostar de...”.
Já o verbo “entender” não pede preposição, ninguém precisa dizer “eu entendo de você”. Embora, em outros
casos, alterando o sentido inicial do exemplo, podemos dizer “João entende de investimentos”.
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RETA FINAL TRF4
NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER
RETA FINAL TRF4 | @CICLOSR3
Quando a regência verbal é estabelecida através de uma preposição, as mais utilizadas são: a, de, com, em, para,
por, sobre.
• agradar a;
• obedecer a;
• assistir a;
• visar a;
• lembrar-se de;
• simpatizar com;
• comparecer em;
• convocar para;
• trocar por;
• alertar sobre;
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RETA FINAL TRF4
NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER
RETA FINAL TRF4 | @CICLOSR3
MATEMÁTICA E RACIOCÍNIO LÓGICO2
MATEMÁTICA
Olá, futuros colegas!
É, está chegando a hora da verdade... hora de colocar tudo que você aprendeu em prática. Este NFPSS será
um breve resumo de tudo que você deve lembrar na hora da prova. Nada de ficar desesperado, você já sabe tudo.
Não vamos fazer questão aqui. Qualquer dúvida, revejam os simulados e outras questões. Qualquer dúvida, é só
mandar para gente que iremos te ajudar.
É importante saber que o conjunto dos números inteiros é formado pelos números positivos, negativos e o
zero, ou seja: Z = { …, -5, -4, -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, 4, 5, …}
E os números racionais são todos aqueles que podem ser escritos em forma de fração, sendo assim, pode-
mos dizer que os inteiros são um subconjunto dos racionais.
Temos que estar atentos às operações com frações e inteiros. NÃO esqueça que:
• Adição de números inteiros:
a) sinais iguais somam-se as parcelas e conserva-se o sinal
b) sinais diferentes: conserve o sinal do maior número e subtraia.
• Multiplicação e divisão de inteiros:
a) Se os dois números possuírem o mesmo sinal, o resultado será positivo.
b) Se os dois números possuírem sinais diferentes, o resultado será negativo.
• Potenciação
Lembra a questão da base negativa; se oexpoente foi um número par, teremos um resultado positivo; se o
expoente for um número ímpar, teremos um resultado negativo.
• Múltiplos e divisores de números naturais:
2 Cesar Machado.
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RETA FINAL TRF4
NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER
RETA FINAL TRF4 | @CICLOSR3
Não esqueça que os números que só são divisíveis por 1 e por eles mesmos são chamados de números pri-
mos, e que o 2 é o único número par. Vejamos alguns exemplos de números primos: { 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, …}
MMC: realizamos a decomposição primária de cada número; em seguida, multiplicamos cada fator primo
elevado à maior potência com que aparece nas fatorações; o resultado será o MMC procurado.
MDC: Realizamos a decomposição primária de cada número; em seguida, multiplicamos os fatores primos
comuns elevados à menor potência com que cada um aparece nas fatorações; o resultado é o MDC procurado.
Os problemas de MDC envolvem situações de dividir várias coisas diferentes em partes iguais.
• Regra de Três Simples e Composta
Para resolvermos problemas envolvendo regra de três simples e composta é importante estar atento se as
grandezas são diretamente ou inversamente proporcionais.
Podemos seguir os seguintes passos quando nos depararmos com uma regra de três simples, isto é, quan-
do a questão compara somente duas grandezas.
Crie uma tabela e agrupe as grandezas da mesma espécie na mesma coluna; identificar se as grandezas são
inversamente ou diretamente proporcionais. Montar a equação assim: se as grandezas forem diretamente propor-
cionais, multiplicamos os valores em cruz, ou seja, em forma de X. Se as grandezas forem inversamente proporcio-
nais, invertemos os valores para ficarem diretamente proporcionais.
Em relação à regra de três composta, temos que: identificar e separar os valores de cada grandeza em
colunas diferentes; identificar quais grandezas são diretamente ou inversamente proporcionais à grandeza da in-
cógnita; montarmos uma equação.
#FICAADICA: geralmente (observe, GERALMENTE) quando envolve grandeza de “horas” (tipo: horas trabalha-
das) ela sempre será inversamente proporcional à quantidade de pessoas, funcionários, operários. Muita atenção
com a grandeza de “horas”. Serve também para suas outras partes, a exemplo dia dias, meses, anos. Ok?
• Divisão Proporcional
E finalizando o mundo das proporções e razões, temos a divisão proporcional, que deve ser, mais uma
vez, uma das personagens que não saem da novela. O importante é saber que estamos dividindo um número em
parcelas distintas, mas que são proporcionais a outros números. Como por exemplo, dividir um prêmio da loteria
de forma proporcional ao investimento de cada ganhador. Supondo que eu tenha um valor de 100 mil reais para
dividir proporcionalmente entre Carlos, Pedro e Vitor, sabendo que Carlos pagou 2 reais pelo bilhete de loteria,
Pedro pagou 3 reais e Vitor pagou 5 reais, teremos sempre que 2C + 3P + 5V = 100.000, onde C, P e V são pro-
porcionais a 2, 3, e 5. Podemos então substituir os C, P e V por uma incógnita X e achar o valor. Logo depois, basta
multiplicar pela sua proporcionalidade.
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RETA FINAL TRF4
NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER
RETA FINAL TRF4 | @CICLOSR3
Atenção: No caso de uma divisão inversamente proporcional, basta inverter o valor que acompanha a constante
K. Se for 2, utilizamos o inverso de 2, que é , logo, teríamos P1=
• Porcentagem
Porcentagem não tem grandes mistérios; a dica é lembrar que “30% de alguma coisa” significa dizer que a
banca quer que você multiplique os 30% (que é 30/100 ou 0,3) por esta alguma coisa. Lembra-se: de = multiplique
(uma ordem);
Logo, 20% de R$ 30 = 20%.30 = 0,2.30 = R$ 6
RACIOCÍNIO LÓGICO
Aqui, temos de pensar no velho método da tabela; quanto a esse assunto, é importante saber resolver pro-
blemas de associações lógicas. Nesse tipo de questão, é necessário fazer alguma correlação entre os elementos
do problema para descobrir alguma informação. Assim, é importante organizar os dados em uma tabela, pois
ajudará a visualizar melhor as informações e se chegará mais rápido ao resultado.
Vejamos um passo a passo de como não errar uma questão desse tipo.
1° passo – montar uma tabela com as informações contidas no enunciado;
2° passo – preencher com as informações que forem óbvias o restante da tabela;
3° passo – procurar informações que levem a conclusões.
Outro tipo de problema que não podemos esquecer são os de verdades e mentiras. Para se dar bem neste
caso, é preciso:
1º passo: Encontrar as verdades.
2º passo: Buscar características em comum.
3º passo: Encontrar as contradições.
4º passo: Solucionar o problema.
Além desses é importante exercitar probleminhas de sequências em que é necessário descobrir um pa-
drão, de noção de espaço, como, por exemplo, ver que está na frente ou atrás em uma fila. Probleminhas envol-
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RETA FINAL TRF4
NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER
RETA FINAL TRF4 | @CICLOSR3
vendo intervalo de tempo. Tudo isso é bem manjado e a FCC sempre cobra algo assim.
Fora isso é muitíssimo importante saber resolver problemas que envolvam o raciocínio matemático e a
FCC costuma cobrar problemas simples que envolvam conjuntos, que podem se resolvidos através de um diagra-
ma ou com operações básicas.
Não se esqueça:
Para a equivalência lógica temos as seguintes equivalências:
#MEUCHUTE: com certeza cairá uma questão de regra de três composta, uma com tabela de equivalência (esta
acima) e uma questão com conjunto.
Até mais pessoal! Foi um prazer estudar com vocês. Desejo a todos um bom encerramento de curso e que
a prova seja “fichinha” diante da capacidade de cada um de vocês. Sucesso e vamos nessa! Tchau
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RETA FINAL TRF4
NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER
RETA FINAL TRF4 | @CICLOSR3
DIREITO ADMINISTRATIVO3
1. Administração pública: princípios básicos. 2. Poderes administrativos: poder hierárquico, poder disci-
plinar, poder regulamentar, poder de polícia, uso e abuso do poder.
→ PRINCÍPIOS
- Anote aí os princípios mais relevantes da Administração Pública:
(i) Legalidade: a atuação da Administração Pública deve ser autorizada por lei.
(ii) Impessoalidade: pode ser analisado sob duas perspectivas:
(a) Isonomia: a Administração deve tratar todos os administrados da mesma forma.
(b) Proibição de promoção pessoal: o administrador não pode se valer das realizações públicas para se
promover.
(iii) Moralidade: o administrador deve se pautar de acordo com padrões éticos.
(iv) Publicidade: os atos da Administração devem ser públicos, o que permite maior controle pelo povo.
(v) Eficiência: introduzido pela EC 19/00, esse princípio impõe a busca por melhores resultados, com o menor
custo possível.
(vi) Razoabilidade/Proporcionalidade: a atuação administrativa deve respeitar os subprincípios da (i) adequação;
(ii) necessidade e (iii) proporcionalidade em sentido estrito.
(vii) Indisponibilidade do interesse público: à medida que o administrador exerce função pública (múnus público
– atividade em nome do interesse do povo), ele não pode abrir mão desse interesse (direito), justamente porque tal
direito não o pertence.
(viii) Supremacia do interesse público sobre o privado: quando em confronto, o interesse público se sobrepõe
ao interesse particular. É esse o princípio que justifica, por exemplo, a intervenção do Estado na propriedade pri-
vada.
(ix) Autotutela: a Administração possui o poder-dever de anular seus atos ilegais e revogar os inconvenientes.
Súmula 346 STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.
3 Isabella Miranda.
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Súmula 473 STJ: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais,
porque deles não se originam direitos; ou revoga-los, por motivo de conveniênciaou oportunidade, respeitos os
direitos adquiridos, e ressalvada em todos os casos, a apreciação judicial.
(x) Consensualidade: hoje em dia, verificamos o aumento de instrumentos que permitem a participação direta do
cidadão na formação da vontade do Estado (ex.: audiências e consultas públicas). É o fortalecimento da democracia
DELIBERATIVA.
Parte inferior do formulário
→ PODER DE POLÍCIA
PODER DE POLÍCIA
Prerrogativa de condicionar e restringir o exercício de atividades privadas.
A competência é da pessoa federativa à qual a CF conferiu o poder de regular a matéria.
Todavia, pode haver sistema de cooperação entre as esferas (ex.: fiscalização do trânsito).
Poder de polícia preventivo: anuência prévia para a prática de atividades privadas (licença e autorização).
Formalizada por alvarás, carteiras, declarações, certificados etc.
• Licença: anuência para usufruir um direito; ato administrativo vinculado e definitivo.
• Autorização: anuência para exercer atividade de interesse do particular; ato administrativo
discricionário e precário.
Poder de polícia repressivo: aplicação de sanções administrativas a particulares.
Podem ser cobradas taxas (espécie de tributo, e não preços públicos ou tarifas) em razão do exercício (efetivo)
do poder de polícia. Dispensa a fiscalização porta a porta, desde que haja competência e estrutura.
Ciclo de polícia: legislação (ordem), consentimento, fiscalização e sanção.
Legislação e fiscalização são as únicas fases que sempre existirão num ciclo de polícia. O consentimento
depende de lei; já a sanção depende de haver infração no caso concreto.
Poder de polícia originário → Administração direta.
Poder de polícia delegado → Administração indireta (entidades de direito público).
Delegação a entidades da Administração Indireta de direito privado: STF não admite; STJ admite apenas
no tocante ao consentimento e fiscalização.
Não pode ser delegado a entidades privadas não integrantes da Adm. Pública formal.
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Atributos: discricionariedade, autoexecutoriedade e coercibilidade. Entretanto, alguns atos de polícia
podem ser vinculados (ex.: licenças) ou não autoexecutórios e coercitivos (ex.: atos preventivos, cobrança de
multa não paga).
Prescrição: 5 anos, exceto quando o objeto da sanção também constituir crime; no caso, aplica-se o prazo da
lei penal. Também incide nos processos paralisados por mais de 3 anos.
#NÃOCONFUNDA:
Polícia administrativa: caráter preventivo; exercida por diversos órgãos administrativos; incide sobre
atividades, bens e direitos.
Polícia judiciária: caráter repressivo; exercida por corporações especializadas (polícias civil, federal e militar);
prepara a função jurisdicional; incide sobre pessoas.
- ABUSO DE PODER:
• Excesso de poder: vício de competência ou de proporcionalidade.
• Desvio de poder: vício de finalidade (desvio de finalidade)
#DEOLHONAJURIS:
Um dos atributos do poder de polícia é a autoxecutoriedade. Isso significa que a Administração Pública pode,
com os seus próprios meios, executar seus atos e decisões, sem precisar de prévia autorização judicial. A Ad-
ministração, contudo, pode, em vez de executar o próprio ato, ingressar com ação judicial pedindo que o Poder
Judiciário determine essa providência ao particular. Ex: diante de uma irregularidade grave, a Administração
Pública poderia, em tese, interditar o estabelecimento. Se ela, em vez de executar esta ordem diretamente, ajuí-
za ação pedindo que o Poder Judiciário determine essa providência, tal ação não pode ser julgada extinta por
falta de interesse de agir. A autoexecutoriedade não retira da Administração Pública a possibilidade de valer-se
de decisão judicial que lhe assegure a providência fática que almeja, pois nem sempre as medidas tomadas pelo
Poder Público no exercício do poder de polícia são suficientes. STJ. 2ª Turma. REsp 1651622/SP, Rel. Min. Herman
Benjamin, julgado em 28/03/2017.
Havendo omissão do órgão estadual na fiscalização, mesmo que outorgante da licença ambiental, o IBAMA
pode exercer o seu poder de polícia administrativa, porque não se pode confundir competência para licenciar
com competência para fiscalizar. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1484933/CE, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado
em 21/03/2017.
A legislação de cada ente deverá prever o prazo prescricional da sanção de polícia. No âmbito federal o prazo
é de 5 anos, com fundamento na Lei n.º 9.873/99. Caso não haja lei estadual ou municipal sobre o assunto,
deverá ser aplicado o prazo prescricional de 5 anos por força, não da Lei n. 9.873/99, mas sim do art. 1º do De-
creto 20.910/32; As disposições contidas na Lei n.º 9.873/99 não são aplicáveis às ações administrativas punitivas
desenvolvidas por Estados e Municípios, pois o seu art. 1º é expresso ao limitar sua incidência ao plano federal.
Assim, inexistindo legislação local específica, incide, no caso, o prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto
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20.910/32. STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1409267/PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 16/03/2017.
3. Ato administrativo: conceito, requisitos e atributos; anulação, revogação e convalidação; discricio-
nariedade e vinculação. 4. Organização administrativa: administração direta e indireta; centralizada e
descentralizada; autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista. Consórcios
públicos (Lei nº 11.107/2005). Órgãos públicos: conceito, natureza e classificação.
→ ATO ADMINISTRATIVO
#TABELASALVANDOVIDAS:
ATO ADMINISTRATIVO
CONCEITO
É a manifestação unilateral de vontade da Administração Pública ou de seus
delegatários, no exercício da função delegada, que, sob o regime de direito
público, pretende produzir efeitos jurídicos com o objetivo de implementar o
interesse público.
ELEMENTOS FORMA, FINALIDADE, COMPETÊNCIA, OBJETO e MOTIVO (os dois últimos são discricionários).
ATRIBUTOS
Presunção de legalidade, veracidade e legitimidade.
Imperatividade
Tipicidade
Autoexecutoriedade
VINCULAÇÃO E
DISCRICIONARIEDADE
O ato é vinculado quando TODOS os elementos já estão previamente definidos em
lei. Por outro lado, é discricionário quando o administrador puder, em juízo de
conveniência e oportunidade, escolher os elementos OBJETO e MOTIVO (formam
o MÉRITO administrativo).
PRINCIPAIS ESPÉCIES
¾ Simples: formado pela vontade de um único órgão;
¾ Composto: há duas vontades, no mesmo órgão, uma que define o
conteúdo e outra que atesta a validade. Ex. atos dependentes de visto,
homologação.
¾ Complexo: há duas vontades igualmente importantes, em órgãos diferentes,
que produzem um único ato. Ex. nomeação de dirigente de agência
reguladora, concessão de aposentadoria.
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DELEGAÇÃO E
AVOCAÇÃO
Delegação: é a transferência, total ou parcial, do exercício de determinadas
atribuições para outro agente público. De acordo com a lei 9.784/99, NÃO SE
ADMITE DELEGAÇÃO: (a) edição atos normativos; (b) recursos administrativos e
(c) competência exclusiva. Admite-se fora da estrutura hierárquica.
Avocação: é o chamamento, pela autoridade superior, das atribuições inicialmente
outorgadas pela lei ao agente subordinado. Tem sempre PRAZO DETERMINADO.
Não se admite fora da estrutura hierárquica.
EFEITOS
Efeitos típicos: são aqueles desejados pelo ato administrativo praticado.
Efeitos atípicos: a doutrina divide em:
(a) Reflexos - atinge terceiros sem a vontade do Estado (ex.: o ato de
desapropriação alcança reflexamente o contrato de locação do imóvel).
(b) Prodrômico - a prática de um ato gera, como efeito, a necessidade de que
seja praticado outro ato. Ex.: quandoa Administração defere a aposentadoria
de um servidor, esse ato produz, como efeito, a necessidade de que o
Tribunal de Contas produza outro ato avaliando a adequação, ou não, da
concessão daquela aposentadoria.
EXTINÇÃO
i. Normal = o ato produziu todos os efeitos desejados;
ii. Subjetiva = o beneficiário desaparece;
iii. Objetiva = o objeto desaparece;
iv. Vontade do particular
v. Vontade da Administração:
a) Caducidade: lei superveniente torna o ato ilegal.
b) Cassação: o particular descumpre as condições do ato.
c) Contraposição: incompatibilidade material com ato administrativo
posterior. Ex: nomeação e exoneração.
d) Anulação: o ato era ilegal.
e) Revogação: em juízo de conveniência e oportunidade, a
Administração decide retirar do mundo jurídico um determinado ato
DISCRICIONÁRIO.
CONVALIDAÇÃO
(a) Convalidação voluntária: a Administração quer salvar o ato que tem vício
de FORMA ou COMPETÊNCIA (são os vícios passíveis de convalidação). Parte
da doutrina diz que, na hipótese de OBJETO PLÚRIMO, também é possível a
convalidação voluntária.
(b) Convalidação involuntária: ocorre a decadência de anular os atos viciados. Veja
a redação do art. 54 da lei nº 9784/99:
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que
decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos,
contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
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ANULAÇÃO E
REVOGAÇÃO
(a) Anulação: o ato ilegal, vinculado ou discricionário, deve ser anulado pela
Administração Pública ou pelo Poder Judiciário.
(c) Revogação: atos DISCRICIONÁRIOS podem ser extintos pela ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA, em juízo de conveniência e oportunidade,
EXCESSO DE
PODER
O agente público atua fora ou além de sua esfera de competência, estabelecida em lei.
O excesso de poder é uma das modalidades de “abuso de poder” (a outra modalidade
é o desvio de poder, que corresponde a vício no elemento finalidade dos atos
administrativos).
VÍCIO DE
COMPETÊNCIA
Nem sempre obriga a anulação do ato. O vício de competência admite convalidação,
salvo se se tratar de competência em razão da matéria ou de competência exclusiva.
USURPAÇÃO DE
FUNÇÃO
É crime, e o usurpador é alguém que não foi por nenhuma forma investido em cargo,
emprego ou função pública.
Em outras palavras, não tem nenhuma espécie de relação jurídica funcional com a
administração.
FUNÇÃO DE FATO
A pessoa foi investida no cargo, no emprego público ou na função pública, mas há
alguma ilegalidade em sua investidura ou algum impedimento legal para a prática do
ato. Ex. Servidor que continua em exercício após a idade limite para aposentadoria
compulsória.
CONVERSÃO CONVALIDAÇÃO
É a transformação de um ato em outro, para
aproveitar o que for válido.
Ex tunc (retroativo).
Correção feita no ato, que continua a ser o mesmo.
Ex tunc (retroativo).
- Destaque para o art. 54 da Lei 9784 e a jurisprudência correlata.
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis
para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada
má-fé.
- Segundo o STF, a prerrogativa de a Administração Pública controlar seus próprios atos não dispensa a observân-
cia do contraditório e ampla defesa prévios em âmbito administrativo. (Info 763).
- Ainda, O PRAZO DECADENCIAL DO ART. 54 DA LEI 9784/99 NÃO SE APLICA QUANDO O ATO A SER ANU-
LADO AFRONTA DIRETAMENTE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL. No caso julgado pelo STF, foi decidido que não
existe direito adquirido à efetivação na titularidade de cartório quando a vacância do cargo ocorre na vigência da
CF/88, que exige a submissão a concurso público (art. 236, §3º). O art. 236, §3º, CF, é uma norma constitucional
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autoaplicável. Logo, mesmo antes da edição da Lei 8935/94 ela já tinha plena eficácia e o concurso público era
obrigatório como condição para o ingresso na atividade notarial e de registro (Info 741 do STF). Em outro julgado,
seguindo tal entendimento, o STF decidiu que não há decadência quanto ao recebimento de auxílio-moradia com
má-fé por servidor público (Info 839 do STF).
→ ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
DESCENTRALIZAÇÃO DESCONCENTRAÇÃO
Transferência da atividade administrativa para outra
pessoa, física ou jurídica, integrante ou não do
aparelho estatal.
Distribuição interna de atividade dentro de uma mesma
PJ, resultando na criação de centros de competências,
denominados órgãos públicos, dentro de uma mesma
estrutura hierárquica.
Nova pessoa jurídica. Mesma pessoa jurídica.
Não há hierarquia, apenas controle e fiscalização. Há hierarquia
Relação de vinculação Relação de subordinação
- No estudo da administração pública indireta, atenção para as AGÊNCIAS REGULADORAS:
CONCEITO: são autarquias com regime especial.
ESPÉCIES:
(i) controlar atividades privadas ou;
(ii) fiscalizar os prestadores de serviços públicos.
PECULIARIDADES: são três:
1. Poder normativo: as agências podem editar normas para o setor regulado.
2. Autonomia: a autonomia é garantida pela (1) inexistência de recurso hierárquico impróprio (aquele ende-
reçado para outra PJ) e (2) estabilidade reforçada de seus dirigentes, que não podem ser exonerados AD
NUTUM, mas apenas em caso de renúncia, sentença judicial ou após processo administrativo.
3. Independência financeira: as agências podem criar as famosas TAXAS REGULATÓRIAS.
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#FOCANATABELA
EMPRESA PÚBLICA SOCIEDADE DE ECONOMISTA MISTA
Capital exclusivamente público (porém, pode ser de
mais de um ente).
Capital misto. Contudo, a maioria votante deve estar
nas mãos do poder público.
Constituída por qualquer modalidade empresarial. Constituída apenas na forma de sociedade anônima.
Se for empresa pública federal a competência para
julgamento é da justiça federal (art. 109, CF).
Se for sociedade de economia mista federal a
competência é da justiça estadual.
Obs.: Se a União tiver interesse na causa, a
competência é atraída para a justiça federal.
#SELIGANASÚMULA
Súmula 517, STF: As sociedades de economia mista só têm foro na justiça federal, quando a união inter-
vém como assistente ou opoente.
Súmula 556, STF: É competente a justiça comum para julgar as causas em que é parte sociedade de
economia mista.
#DEOLHONAJURIS:
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização
legislativa e licitação. Por outro lado, não se exige autorização legislativa para a alienação do controle de suas
subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que
siga procedimentos que observem os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da CF/88, respeit-
ada, sempre, a exigência de necessária competitividade. STF. Plenário. ADI 5624 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 5 e 6/6/2019 (Info 943).
É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio
do Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
23/3/2017 (Info 858). É inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de sociedade
de economia mista prestadora de serviços públicos em regime não concorrencial, para fins de pagamento de
débitos trabalhistas. Sociedade de economia mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita
ao regime de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer constrição judicial de seus bens,rendas e serviços, em respeito ao princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação
funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 17/10/2018 (Info 920).
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de
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seus empregados. STF. Plenário. RE 589998 ED/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/10/2018 (repercussão
geral) (Info 919).
Os conselhos de fiscalização profissional não possuem autorização para registrar os veículos de sua propriedade
como oficiais. STJ. 1ª Turma. AREsp 1029385-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 05/12/2017 (Info 619).
→ ÓRGÃOS PÚBLICOS
ÓRGÃOS PÚBLICOS
TEORIA DOS
ÓRGÃOS
PÚBLICOS
Quanto à relação
entre o Estado e os
agentes públicos:
a. Teoria do mandato.
b. Teoria da representação.
c. Teoria do órgão (é a que prevalece).
Quanto à natureza
dos órgãos
a. Subjetiva: identifica os órgãos com os agentes públicos;
b. Objetiva: órgãos seriam apenas um conjunto de atribuições
ou unidades funcionais da organização administrativa;
c. Eclética: os órgãos seriam formados pela soma dos
elementos objetivos e subjetivos, ou seja, pelo plexo de
atribuições e pelo agente público.
CLASSIFICAÇÃO
Quanto à posição
que ocupa na escala
governamental ou
administrativa
a. Órgãos independentes;
b. Órgãos autônomos;
c. Órgãos superiores;
d. Órgãos subalternos.
Em relação ao
enquadramento
federativo
a. Órgãos federais;
b. Órgãos estaduais;
c. Órgãos distritais;
d. Órgãos municipais.
Quanto à composição
/ atuação funcional
a. Órgãos singulares ou unipessoais;
b. Órgãos coletivos ou pluripessoais.
Em relação às
atividades que,
preponderantemente,
são exercidas
a. Órgãos ativos;
b. Órgãos consultivos;
c. Órgãos de controle;
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INFORMAÇÕES
GERAIS
• Não possuem personalidade jurídica (alguns possuem personalidade judiciária, mas
apenas para a defesa de suas prerrogativas institucionais);
• Embora não possuam personalidade, podem celebrar contrato de gestão (interno ou
endógeno).
Súmula 525-STJ: A Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, apenas
personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus
direitos institucionais.
5. Servidores públicos: cargo, emprego e função públicos. Lei nº 8.112/1990 (Regime Jurídico dos Servi-
dores Públicos Civis da União e alterações): disposições preliminares; provimento, vacância, remoção, re-
distribuição e substituição; direitos e vantagens: vencimento e remuneração, vantagens, férias, licenças,
afastamentos, direito de petição; regime disciplinar: deveres e proibições, acumulação, responsabili-
dades, penalidades; processo administrativo disciplinar.
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PROVIMENTO
ORIGINÁRIO Formalizado por meio da nomeação, a qual gera direito à posse para os aprovados em concurso público (Súmula 16, STF).
DERIVADO
Promoção Progressão funcional em que o servidor é deslocado de cargo de classe
inferior para outro cargo de classe superior dentro da mesma carreira.
Readaptação
Provimento derivado do servidor em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua
capacidade física ou mental verificada por perícia médica.
Reversão
Retorno do servidor aposentado ao cargo quando ocorrer uma das
seguintes hipóteses:
Declaração por junta médica oficial da insubsistência dos motivos
determinantes para aposentadoria por invalidez;
Declaração de ilegalidade do ato de concessão da aposentadoria;
Reversão “no interesse da administração” desde que preenchidos os
requisitos legais.(controvérsia sobre essa última hipótese).
Aproveitamento
Retorno do servidor colocado em disponibilidade para cargo com
atribuições, responsabilidades e vencimentos compatíveis com o
anteriormente ocupado.
Reintegração
Retorno do servidor ao cargo de origem após a declaração (administrativa
ou judicial) de ilegalidade da sua demissão, com ressarcimento da
remuneração e vantagens não percebidos.
Recondução
É o retorno do servidor estável ao cargo de origem, tendo em vista
a sua inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo ou a
reintegração do servidor ao cargo.
#NÃOSABOTEASSÚMULAS:
Súmula vinculante 43-STF: É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se,
sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na
qual anteriormente investido.
Súmula 683-STF: O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da
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Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido.
Súmula vinculante 44-STF: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo
público.
Súmula 552-STJ: O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com deficiência para o fim de dis-
putar as vagas reservadas em concursos públicos.
Súmula 377-STJ: O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reser-
vadas aos deficientes.
Súmula vinculante 3-STF: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e
a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o
interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
Súmula vinculante 33-STF: Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do Regime Geral de Previdên-
cia Social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, parágrafo 4º, inciso III, da Constituição Federal,
até edição de lei complementar específica.
Súmula 378-STJ: Reconhecido o desvio de função, o servidor faz jus às diferenças salariais decorrentes.
Súmula 36-STF: Servidor vitalício está sujeito à aposentadoria compulsória, em razão da idade.
Súmula vinculante 37-STF: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos
de servidores públicos sob fundamento de isonomia.
Súmula vinculante 55 STF: O direito ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos.
Súmula vinculante 42-STF: É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou
municipais a índices federais de correção monetária.
Súmula 682-STF: Não ofende a Constituição a correção monetária no pagamento com atraso dos vencimentos de
servidores públicos.
#DEOLHONAJURIS:
A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da CF/88, não se su-
jeita ao limite de 60 horas semanais previsto em norma infraconstitucional, pois inexiste tal requisito na Constitu-
ição Federal. O único requisito estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de horários no exercício das
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funções, cujo cumprimento deverá ser aferido pela administração pública. STF. 1ª Turma. RE 1176440/DF, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 9/4/2019 (Info 937). STF. 2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewand-
owski, julgado em 29/06/2018. STJ. 1ª Seção. REsp 1767955/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 27/03/2019.
Não ocorre a prescrição do fundo de direito no pedido de concessão de pensão por morte, estando prescritas
apenas as prestações vencidas no quinquênioque precedeu à propositura da ação. STJ. 1ª Seção. EREsp 1269726-
MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 13/03/2019 (Info 644).
A expressão “Procuradores”, contida na parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição da República, com-
preende os procuradores municipais, uma vez que estes se inserem nas funções essenciais à Justiça, estando,
portanto, submetidos ao teto de 90,25% (noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento) do subsídio
mensal, em espécie, dos ministros do STF. STF. Plenário. RE 663696/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019
(Info 932).
Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos de boa-fé por servidor público, percebidos a título
precário no período em que liminar produziu efeitos. É desnecessária a devolução dos valores recebidos por lim-
inar revogada, em razão de mudança de jurisprudência. Também é descabida a restituição de valores recebidos
indevidamente, circunstâncias em que o servidor público atuou de boa-fé. STF. 1ª Turma. MS 32185/DF, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 13/11/2018 (Info 923).
Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos interinos de serventias extrajudiciais. STF. 2ª Turma. MS
29039/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923).
Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servi-
dor público, tais como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade.
STF. Plenário.RE 593068/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 11/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).
É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese de transferência ex officio de servidor, a matrícula
em instituição pública, se inexistir instituição congênere à de origem. Ex: Paulo é servidor público federal, lotado
em Recife (PE), onde faz faculdade de Medicina em uma universidade particular. Ele é transferido, de ofício, para
Rio Branco (AC). Suponhamos, hipoteticamente, que, em Rio Branco, as universidades privadas lá existentes não
possuem o curso de medicina. Neste caso, Paulo teria direito a uma vaga no curso de Medicina da universidade
pública. Fundamento legal: art. 1º da Lei nº 9.536/97. STF. Plenário. RE 601580/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado
em 19/9/2018 (repercussão geral) (Info 916).
Os agentes penitenciários possuem direito à aposentadoria especial. Os agentes penitenciários podem ingres-
sar com mandado de injunção pedindo a concessão de aposentadoria especial sob o argumento de que está
havendo uma omissão inconstitucional. Isso porque se trata de categoria que desempenha atividades com risco
imanente (inerente). STF. Decisão Monocrática. MI 6943, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11/09/2018. Obs: existem
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decisões monocráticas de praticamente todos os Ministros nesse mesmo sentido.
São imprescritíveis as ações de reintegração em cargo público quando o afastamento se deu em razão de atos
de exceção praticados durante o regime militar. Ex: João era servidor da ALE/PR. Em 1963, João foi demitido
em razão de perseguição política perpetrada na época da ditadura militar. Em 2011, João ajuizou ação ordinária
contra o Estado do Paraná pedindo a sua reintegração ao cargo. Esta pretensão é considerada imprescritível
considerando que envolve a efetivação da dignidade da pessoa humana. Vale ressaltar, contudo, que a impre-
scritibilidade da ação que visa reparar danos provocados pelos atos de exceção não implica no afastamento da
prescrição quinquenal sobre as parcelas eventualmente devidas ao autor. Não se deve confundir imprescritibili-
dade da ação de reintegração com imprescritibilidade dos efeitos patrimoniais e funcionais dela decorrentes, sob
pena de prestigiar a inércia do Autor, o qual poderia ter buscado seu direito desde a publicação da Constituição
da República. Em outras palavras, o recebimento dos “atrasados” ficará restrito aos últimos 5 anos contados do
pedido. STJ. 1ª Turma. REsp 1.565.166-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 26/06/2018 (Info 630).
A Constituição do Estado do Ceará previa que deveria ser assegurado “aos servidores da administração pública
direta, das autarquias e das fundações, isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemel-
hadas do mesmo Poder ou entre servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ressalvadas as vanta-
gens de caráter individual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho.” O STF decidiu que é inconstitucional
a expressão “das autarquias e das fundações”. Isso porque a equiparação remuneratória entre servidores, a teor
da redação originária do art. 39, § 1º, da CF/88, restringiu-se aos servidores da administração direta, não men-
cionando os entes da administração indireta, como o faz a norma impugnada. Além disso, o dispositivo estadual
não foi recepcionado, em sua integralidade, pela redação atual do art. 39 da Constituição Federal, na forma EC
19/1998. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
6. Processo administrativo (Lei nº 9.784/1999). 7. Controle e responsabilização da administração: con-
trole administrativo; controle judicial; controle legislativo.
→ PROCESSO ADMINISTRATIVO
- De acordo com a doutrina, o processo administrativo se configura como uma série concatenada de atos adminis-
trativos, de acordo com a ordem posta por lei e com uma finalidade específica, gerando a prática de um ato final.
#NÃOCONFUNDA Processo x Procedimento: o procedimento administrativo se traduz na forma pela qual
os atos do processo se desenvolvem. O procedimento é o rito respeitado pela Administração para se alcançar a
finalidade do processo.
- OBS.: Coisa julgada administrativa: tem sentido restrito, definindo somente uma situação que não pode mais
ser arguida e analisada em sede administrativa. Isto é, não se confere a esta decisão o caráter de definitividade
plena, haja vista a possibilidade de a situação ser levantada na esfera judicial. Isso ocorre porque o Brasil adotou
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o sistema inglês, de jurisdição única (também designado de sistema da unicidade de jurisdição), que é aquele
no qual todos os litígios, sejam eles administrativos ou privados, podem ser levados à justiça comum, ou seja, ao
Poder Judiciário, que formalizará direito aplicável aos casos litigiosos, de forma definitiva, com força de coisa jul-
gada material.
Súmula 592-STJ: O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se
houver demonstração de prejuízo à defesa.
Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente
autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa.
Súmula 510-STJ: A liberação de veículo retido apenas por transporte irregular de passageiros não está condiciona-
da ao pagamento de multas e despesas.
Súmula vinculante 5-STF: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende
a Constituição. Parte inferior do formulário
→ CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
- Sistema de Freios e Contrapesos ou “Checks and Balances”: Sua origem está associada à necessidade de
garantir que os poderes estatais (Executivo, Judiciário e Legislativo) não atuarão livremente, proporcionando, assim,
controle e fiscalização recíprocos.
- Existem três tipos de controle: administrativo; judicial; legislativo.
a) CONTROLE ADMINISTRATIVO:
- Exercido pela própria Administração Pública no âmbito de seu próprio poder. Trata-se de controle interno. Há o
controle de legalidade e o controle de mérito (conveniência e oportunidade) realizado sobre os atos administrati-
vos (“autotutela”).
SÚMULA 473 STF. A administração podeanular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam
ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeit-
ados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
- Além disso, também é possível o controle finalístico, denominado “tutela administrativa”, realizado pela Admi-
nistração Pública perante as entidades administrativas. Em âmbito federal, é denominado “supervisão ministerial”.
- Ademais, há a fiscalização hierárquica, exercida entre órgãos e agentes de acordo com sua posição hierárquica.
Exemplo: corregedorias.
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b) CONTROLE JUDICIAL:
- Lembre-se: o Brasil adotou o sistema inglês, denominado de “jurisdição única”, o qual faz com que todos os litígios
existentes possam ser decididos pelo Poder Judiciário. O Poder Judiciário só realiza controle de legalidade, sendo
vedado adentrar no controle do mérito administrativo (análise de conveniência e oportunidade). Contudo, a juris-
prudência tem permitido, excepcionalmente, a análise da proporcionalidade e razoabilidade do ato administrativo
discricionário.
- São instrumentos de controle judicial: ação popular; mandado de segurança; ação civil pública etc.
c) CONTROLE LEGISLATIVO:
- O Poder Legislativo possui como função típica, além de legislar, a de fiscalizar. Para o exercício da fiscalização,
conta também com o auxílio do tribunal de contas.
- O controle exercido diretamente pelo Poder Legislativo (por meio de suas Casas ou do Congresso Nacional) limi-
ta-se às hipóteses expressamente previstas na Constituição Federal, sob pena de ofensa ao princípio da separação
dos poderes. Exemplos: competência do CN para autorizar o Presidente da República a declarar guerra e celebrar a
paz; competência do CN para autorizar o Presidente e o Vice a se ausentarem do país, quando a ausência exceder
a 15 dias; competência do CN para julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República.
- Além disso, há o controle realizado pelo Tribunal de Contas: fiscalização contábil, financeira, orçamentária e pa-
trimonial do Executivo. As atribuições do Tribunal de Contas estão previstas no art. 71 da CF/88.
#ATENÇÃO: O TCU apenas APRECIA as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante
parecer prévio, o qual deverá ser elaborado em 60 dias, a contar do seu recebimento. Todavia, quanto aos “ad-
ministradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta” e
“daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público”,
as contas serão julgadas pelo TCU.
8. Responsabilidade extracontratual do Estado.
→ RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
-A regra geral é a responsabilidade objetiva do Estado, com base na teoria do risco administrativo. No entan-
to, existem hipóteses em que essa teoria não será aplicada.
- Em casos como danos decorrentes de atividades nucleares, crimes corridos a bordo de aeronaves sobre-
voando o território brasileiro, ataques terroristas, e danos ambientais, vem sendo aplicada a teoria do risco
integral.
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- Ainda, em casos de responsabilidade por omissão, tem-se aplicado a responsabilidade com base na teoria da
culpa anônima (#NÃOCONFUNDA: fala-se em subjetiva nesses casos, mas a culpa a ser provada é a administra-
tiva – ou anônima), o que será analisado com mais detalhes em outro tópico da dica.
- Nos casos de responsabilidade de pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos, a
responsabilização do Estado ocorrerá de maneira subsidiária. Exemplo: em um acidente envolvendo trans-
porte público, o passageiro que sofre um dano buscará a reparação da prestadora do serviço público (delegatária),
que responderá objetivamente. Apenas de forma subsidiária o Ente Político responsável pela delegação poderá ser
responsabilizado.
#TABELALOVERS
TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO TEORIA DO RISCO INTEGRAL
A responsabilidade do Estado é objetiva
A vítima lesada não precisa provar culpa.
A responsabilidade do Estado é objetiva
A vítima lesada não precisa provar culpa.
O Estado poderá eximir-se do dever de
indenizar caso prove alguma causa excludente
de responsabilidade:
a) caso fortuito ou força maior;
b) culpa exclusiva da vítima;
c) culpa exclusiva de terceiro.
Não admite excludentes de responsabilidade.
Mesmo que o Estado prove que houve caso
fortuito, força maior, culpa exclusiva da vítima
ou culpa exclusiva de terceiro, ainda assim será
condenado a indenizar.
É adotada como regra no Direito brasileiro.
É adotada no Direito brasileiro, de forma
excepcional, em alguns casos. A doutrina diverge
sobre quais seriam estas hipóteses.
Para fins de concurso, existe um caso no qual o STJ
já afirmou expressamente que se acolhe o risco
integral: dano ambiental (REsp 1.374.284).
#CONTROVÉRSIA: Qual é o tipo de responsabilidade civil aplicável nos casos de omissão do Estado? Se a
Administração Pública causa um dano ao particular em virtude de uma conduta omissiva, a responsabilidade
nesta hipótese também será objetiva?
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#AJUDAMARCINHO #FOCANATABELA
DOUTRINA TRADICIONAL DO STJ JURISPRUDÊNCIA DO STF
Na doutrina, ainda hoje, a posição majoritária é a de
que a responsabilidade civil do Estado em caso de
atos omissivos é SUBJETIVA, baseada na teoria da
culpa administrativa (culpa anônima).
Na jurisprudência do STF, contudo, tem ganhado
força nos últimos anos o entendimento de que
a responsabilidade civil nestes casos também é
OBJETIVA. Isso porque o art. 37, § 6º da CF/88
determina a responsabilidade objetiva do Estado sem
fazer distinção se a conduta é comissiva (ação) ou
omissiva.
Assim, em caso de danos causados por omissão, o
particular, para ser indenizado, deveria provar:
a) a omissão estatal;
b) o dano;
c) o nexo causal;
d) a culpa administrativa (o serviço público não
funcionou, funcionou de forma tardia ou ineficiente).
Esta é a posição encontrada na maioria dos Manuais
de Direito Administrativo.
O STJ ainda possui entendimento majoritário no
sentido de que a responsabilidade seria subjetiva.
Vide: STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1345620/
RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em
24/11/2015.
Não cabe ao intérprete estabelecer distinções onde o
texto constitucional não o fez.
Se a CF/88 previu a responsabilidade objetiva do
Estado, não pode o intérprete dizer que essa regra
não vale para os casos de omissão.
Dessa forma, a responsabilidade objetiva do Estado
engloba tanto os atos comissivos como os omissivos,
desde que demonstrado o nexo causal entre o dano e a
omissão específica do Poder Público.
“(...) A jurisprudência da Corte firmou-se no
sentido de que as pessoas jurídicas de direito
público respondem objetivamente pelos danos
que causarem a terceiros, com fundamento no
art. 37, § 6º, da Constituição Federal, tanto por
atos comissivos quanto por atos omissivos, desde
que demonstrado o nexo causal entre o dano e a
omissão do Poder Público.”
STF. 2ª Turma. ARE 897890 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 22/09/2015.
No mesmo sentido: STF. 2ª Turma. RE 677283 AgR, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 17/04/2012.
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#VEMDETABELINHA
ATOS LÍCITOS Pode ocorrer por a) expressa previsão legal ou por b) dano ilícito, anormal, desproporcional à vítima.
TABELIÃES E
REGISTRADORES
Desempenham atividade de forma privada, mas seu serviço é compreendido como
público porquanto pordelegação estatal (art. 236 CF). Com a Lei 13.286/2016, a
responsabilidade civil dos notários e registradores passou a ser SUBJETIVA (a vítima terá
que provar dolo ou culpa).
#OLHAOGANCHO: O prazo prescricional para a vítima ingressar com a ação judicial
contra o notário/registrador, que era de 5 anos, foi reduzido para 3 anos.
#DEOLHONAJURIS: O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e
registradores oficiais que, no exercício de suas funções, causem dano a terceiros,
assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa,
sob pena de improbidade administrativa. O Estado possui responsabilidade civil
direta, primária e objetiva pelos danos que notários e oficiais de registro, no
exercício de serviço público por delegação, causem a terceiros. STF. Plenário. RE
842846/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27/2/2019 (repercussão geral) (Info 932).
ATOS FORA DA
FUNÇÃO PÚBLICA
O art. 37, § 6º da CF delimita a responsabilidade estatal às condutas
desempenhadas por agentes públicos enquanto estiverem desempenhando suas funções,
ao estabelecer sobre os danos que os agentes públicos “nessa qualidade causarem a
terceiros”. Portanto, nas hipóteses em que o agente não atua no desempenho da sua
função e nem a pretexto de desempenhá-la, não deve o Estado responder.
ATOS DE
MULTIDÕES
Em regra, não há responsabilidade civil do Estado, já que tais atos são tidos como
praticados por terceiros (fato de terceiro). Segundo a doutrina, sequer existem
os pressupostos da responsabilidade objetiva do Estado, seja pela ausência da conduta
administrativa, seja por falta de nexo
causal entre atos estatais e o dano.
Exceção: haverá responsabilidade estatal se ficar comprovada a omissão culposa do
Estado, que teria a possibilidade de evitar os danos causados pela multidão no caso
concreto.
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ANISTIADO
POLÍTICO
O anistiado político que obteve, na via administrativa, a reparação econômica
prevista na Lei nº 10.559/2002 (Lei de Anistia) não está impedido de pleitear, na esfera
judicial, indenização por danos morais pelo mesmo episódio político. Inexiste
vedação para a acumulação da reparação econômica com indenização por danos morais,
porquanto se tratam de verbas indenizatórias com fundamentos e finalidades diversas:
aquela visa à recomposição patrimonial (danos emergentes e lucros cessantes), ao
passo que esta tem por escopo a tutela da integridade moral, expressão dos direitos da
personalidade.
STJ. 1ª Turma. REsp 1485260-PR, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 5/4/2016 (Info
581).
#DEOLHONASÚMULA:
Súmula 624-STJ: É possível cumular a indenização do dano moral com a
reparação econômica da Lei nº 10.559/2002 (Lei da Anistia Política). STJ. 1ª Seção.
Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
INTERVENÇÃO
DO ESTADO NA
ECONOMIA
O STF reconheceu que a União deve indenizar companhia aérea que explorava os
serviços de aviação sob o regime de concessão, pelos prejuízos causados decorrentes de
plano econômico que determinou o congelamento das tarifas de aviação. STF. Plenário.
RE 571969/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 12/3/2014 (Info 738).
Fundamentos constitucionais:
Necessidade de garantir o equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão
(princípio constitucional da estabilidade econômico-financeira, art. 37, XXI CF).
Responsabilidade civil do Estado também pode ser por atos lícitos que causem prejuízos,
quando estes forem desproporcionais.
ATOS DO PODER
LEGISLATIVO
Aqui, o Estado pode ser responsabilizado nas seguintes hipóteses:
a) Lei de efeitos concretos: Ainda que a lei seja constitucional, o Estado pode ser
obrigado a responder civilmente, bastando que a lei tenha condições de afetar mais
intensamente um grupo de pessoas.
b) Lei inconstitucional: A edição de uma lei inconstitucional representa um ato ilícito
editado pelo Estado. Porém, a mera declaração de inconstitucionalidade de uma lei
não tem o condão de, por si só, obrigar o Estado a responder civilmente. É necessário
comprovar algum tipo de dano desproporcional à vítima.
c) Omissão inconstitucional: Significa uma inconstitucionalidade que pode ser corrigida
por meio de Mandado de Injunção ou ADI por omissão. Em tais situações, o Estado
poderá ser responsabilizado se a omissão acarretar algum tipo de dano.
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ATOS DO PODER
JUDICIÁRIO
Em regra, os atos judiciais não dão origem à responsabilização do Poder Público
(o Judiciário exerce parcela de soberania estatal; os magistrados são espécie de agentes
políticos, com atribuições, garantias e prerrogativas constitucionais; há a possibilidade de
recursos para a revisão das decisões judiciais).
As exceções são:
a) Erro judiciário ou prisão mantida além do tempo previsto;
Art. 5º, CF. LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como
o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;
b) Indenização no âmbito do processo civil;
Art. 143 CPC. O juiz responderá, civil e regressivamente, por perdas e danos
quando:
I - no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;
II - recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar de
ofício ou a requerimento da parte.
c) Indenização no âmbito do processo penal.
Art. 630. O tribunal, se o interessado o requerer, poderá reconhecer o direito a uma
justa indenização pelos prejuízos sofridos.
9. Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992). Lei nº 11.416/2006.
#TABELASALVANDOVIDAS
SUJEITOS ATIVOS DOS ATOS DE IMPROBIDADE
Agente público, anda que transitoriamente ou sem
remuneração.
Terceiro que induza ou concorra para a prática de ato
de improbidade (deve haver participação de agente
público).
SUJEITO PASSIVO
DOS ATOS DE
IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA
Administração Direta e Indireta de todos os Poderes e entes da Federação
Empresa incorporada ao patrimônio público
Entidade privada da qual o erário participe com mais de 50% do patrimônio ou da receita
anual
Entidade privada da qual o erário participe com menos de 50% do patrimônio ou da
receita anual (sanção limita-se à contribuição do Poder Público)
Entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício de
órgão público (sanção limita-se à contribuição do Poder Público)
#ATENÇÃO #SEMPRECAI #VAICONTINUARCAINDO
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DOLO DOLO ou CULPA
Enriquecimento ilícito (art. 9º) Dano ao erário (art. 10).
Violação dos princípios da Administração Pública
(art. 11) -
ENRIQUECIMENTO
ILÍCITO
(a) Perda de bens e valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio.
(b) Ressarcimento integral do dano, quando houver.
(c) Perda da função pública.
(d) Suspensão dos direitos políticos de 8 a 10 anos.
(e) Pagamento de multa civil de até 3 vezes o valor acrescido ilicitamente
(f ) Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios fiscais ou
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de PJ da qual seja
sócio majoritário, pelo prazo de 10 ANOS.
DANO AO ERÁRIO
(a) Ressarcimento integral do dano
(b) Perda dos bens e valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer
essa circunstância.
(c) Perda da função pública.
(d) Suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos.
(e) Pagamento de multa civil de até 2 vezes o valor do dano.
(f ) Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios fiscais ou
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de PJ da qual seja
sócio majoritário, pelo prazo de 05 ANOS.
CONCESSÃO/
APLICAÇÃO INDEVIDA
DE BENEFÍCIO
FINANCEIRO/
TRIBUTÁRIO(a) perda da função pública;
(b) suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos;
(c) multa civil de até 3 vezes o valor do benefício financeiro ou tributário
concedido.
VIOLAÇÃO A
PRINCÍPIOS DA
ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
(a) Ressarcimento integral do dano, se houver.
(b) Perda da função pública
(c) Suspensão dos direitos políticos de 3 a 5 anos.
(d) Pagamento de multa civil de até 100 vezes a remuneração recebida pelo
agente.
(e) Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios fiscais ou
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de PJ da qual seja
sócio majoritário, pelo prazo de 03 ANOS.
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#DEOLHONAJURIS: Os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos a
duplo regime sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbi-
dade administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade. O foro
especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais comuns não
é extensível às ações de improbidade administrativa. STF. Plenário. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, red.
p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/5/2018 (Info 891).
#NÃOSABOTEASSÚMULAS:
Súmula 615-STJ: Não pode ocorrer ou permanecer a inscrição do município em cadastros restritivos fundada
em irregularidades na gestão anterior quando, na gestão sucessora, são tomadas as providências cabíveis à
reparação dos danos eventualmente cometidos.Parte inferior do formulário
10. Licitações e Contratos da Administração Pública (Lei nº 8.666/1993 e alterações posteriores). Con-
vênios administrativos. Pregão (Lei n° 10.520/2002). Regime Diferenciado de Contratações Públicas (Lei
Federal nº 12.462/2011).
→ LICITAÇÃO
Nova hipótese de dispensa de licitação (novo inciso XXXV do art. 24)
• No art. 24 da Lei nº 8.666/93 existem diversos incisos que espelham situações nas quais o administrador
pode ou não realizar a licitação.
• Esse rol de situações do art. 24 é taxativo (exaustivo), ou seja, somente são dispensáveis as hipóteses expres-
samente previstas ali.
• A Lei nº 13.500/2017 acrescentou mais um inciso ao art. 24, criando uma nova hipótese de licitação dispen-
sável. Veja:
Art. 24. É dispensável a licitação:
(...)
XXXV - para a construção, a ampliação, a reforma e o aprimoramento de estabelecimentos penais, desde
que configurada situação de grave e iminente risco à segurança pública.
Alteração no art. 26, parágrafo único
Como foi acrescentada uma nova hipótese de licitação dispensável, a Lei nº 13.500/2017 também precisou
alterar a redação do inciso I do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 8.666/93 exigindo que o processo formal de
dispensa demonstre qual é o “grave e iminente risco à segurança pública” que autoriza a contratação direta.
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Mão-de-obra oriunda do sistema prisional
A fim de estimular a contratação de ex-detentos, a Lei nº 13.500/2017 acrescentou um novo dispositivo à Lei
nº 8.666/93 prevendo que a Administração Pública poderá exigir que as empresas contratadas pelo Poder Público
tenham um mínimo de funcionários que sejam oriundos do sistema prisional. Veja:
Art. 40. (...)
§ 5º A Administração Pública poderá, nos editais de licitação para a contratação de serviços, exigir da contratada
que um percentual mínimo de sua mão de obra seja oriundo ou egresso do sistema prisional, com a finalidade
de ressocialização do reeducando, na forma estabelecida em regulamento.
#ATENÇÃO às outras alterações na Lei 8.666/1993 #ÉDISSOQUEABANCAGOSTA
Art. 3°. (...) §2o Em igualdade de condições, como critério de desempate, será assegurada preferência, sucessi-
vamente, aos bens e serviços:
II - produzidos no País;
III - produzidos ou prestados por empresas brasileiras.
IV - produzidos ou prestados por empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no
País.
V - produzidos ou prestados por empresas que comprovem cumprimento de reserva de cargos prevista
em lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que atendam às regras
de acessibilidade previstas na legislação. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015).
§ 5o Nos processos de licitação, poderá ser estabelecida margem de preferência para: (Redação dada pela Lei
nº 13.146, de 2015)
I - produtos manufaturados e para serviços nacionais que atendam a normas técnicas brasileiras; e (Incluído pela
Lei nº 13.146, de 2015)
II - bens e serviços produzidos ou prestados por empresas que comprovem cumprimento de reserva
de cargos prevista em lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que
atendam às regras de acessibilidade previstas na legislação. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015).
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#VEMDETABELINHA:
CONTRATAÇÃO DIRETA
ESPÉCIES CARACTERÍSTICAS ALGUMAS HIPÓTESES
LICITAÇÃO DIS-
PENSADA
1. Rol taxativo
2. Objeto do contrato
é restrito = alienação
de bens
3. Ausência de
discricionariedade
do administrador,
pois o próprio
legislador dispensou
previamente a
licitação.
a. Dação em pagamento;
b. Doação;
c. Permuta;
d. Investidura;
e. Venda para outros órgãos ou entidades administrativas;
f. Programas habitacionais;
g. Venda de ações, que poderão ser comercializadas em bolsa;
h. Venda de bens quando a entidade administrativa possui essa
finalidade;
i. Procedimentos de legitimação de posse de que trata o art. 29
da Lei 6.383;
j. Alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de
direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens
imóveis de uso comercial de âmbito local com área até
250m².
LICITAÇÃO DIS-
PENSÁVEL
1. Rol taxativo;
2. Discricionariedade do
administrador;
a. Valor reduzido;
b. Situações emergenciais;
c. Licitação deserta;
d. Intervenção no domínio econômico;
e. Licitação frustrada;
f. Contratação de entidades administrativas;
g. Segurança nacional;
h. Compra e locação de imóveis;
i. Complementação do objeto contratual;
j. Gêneros perecíveis;
k. Entidades sem fins lucrativos;
l. Negócios internacionais;
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LICITAÇÃO DIS-
PENSÁVEL
m. Obras de arte;
n. Necessidade de manutenção de garantias;
o. Forças armadas;
p. Bens destinados à pesquisa;
q. Serviços públicos concedidos;
r. Transferência de tecnologia e incentivos à inovação e à
pesquisa científica e tecnológica;
s. Contratos de programa;
t. Catadores de materiais recicláveis;
u. Alta complexidade tecnológica;
v. Assistência técnica e extensão rural.
INEXIGIBILIDADE
DE LICITAÇÃO
1. Rol exemplificativo;
2. Vinculação do
administrador.
Exemplos:
- fornecedor exclusivo;
- serviços técnicos especializados;
- artistas consagrados.
#ATUALIZAOVADE #NOVIDADELEGISLATIVA #DIZERODIREITO #AJUDAMARCINHO4
O Presidente da República editou um decreto atualizando os valores do art. 23 da Lei nº 8.666/93.
Trata-se do Decreto nº 9.412/2018. Veja o que diz o art. 1º do Decreto:
Art. 1º Os valores estabelecidos nos incisos I e II do caput do art. 23 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, ficam
atualizados nos seguintes termos:
I - para obras e serviços de engenharia:
a) na modalidade convite - até R$ 330.000,00 (trezentos e trinta mil reais);
b) na modalidade tomada de preços - até R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais); e
c) na modalidade concorrência - acima de R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais); e
II - para compras eserviços não incluídos no inciso I:
a) na modalidade convite - até R$ 176.000,00 (cento e setenta e seis mil reais);
b) na modalidade tomada de preços - até R$ 1.430.000,00 (um milhão, quatrocentos e trinta mil reais); e
c) na modalidade concorrência - acima de R$ 1.430.000,00 (um milhão, quatrocentos e trinta mil reais).
4 Leia os comentários na íntegra: https://www.dizerodireito.com.br/2018/06/breves-comentarios-ao-decreto-94122018.html
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ATUALIZAÇÃO DO DECRETO 9.412/2018
Modalidade Obras e serviços de engenharia Compras e serviços que não sejam de engenharia
CONVITE
Antes: até 150 mil
Agora: até 330 mil
Antes: até 80 mil
Agora: até 176 mil
TOMADA DE
PREÇOS
Antes: até 1 milhão e 500 mil
Agora: até 3 milhões e 300 mil
Antes: até 650 mil
Agora: até 1 milhão e 430 mil
CONCORRÊNCIA
Antes: acima de 1 milhão e 500 mil
Agora: acima de 3 milhões e 300 mil
Antes: acima de 650 mil
Agora: acima de 1 milhão e 430 mil
#DEOLHONAJURIS #VAICAIR:
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), empresa pública federal, pode ser contratada sem licitação,
com fundamento no art. 24, VIII, da Lei nº 8.666/93, para a prestação de serviços de logística: Art. 24 (...) VIII -
para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos ou serviços prestados por
órgão ou entidade que integre a Administração Pública e que tenha sido criado para esse fim específico em data
anterior à vigência desta Lei, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado; A ECT
preenche todos os requisitos legais necessários à possibilidade de sua contratação direta, haja vista integrar a
Administração e ter sido criada em data anterior à da Lei nº 8.666/93 para prestação de serviços postais, dentre
os quais se incluem os serviços de logística integrada. STF. 2ª Turma. MS 34939/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 19/3/2019 (Info 934).
Sociedade empresária em recuperação judicial pode participar de licitação, desde que demonstre, na fase de
habilitação, a sua viabilidade econômica. STJ. 1ª Turma. AREsp 309867-ES, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
26/06/2018 (Info 631).
As regras gerais previstas na Lei nº 8.666/93 podem ser flexibilizadas no Programa Minha Casa Minha Vida, por
força do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 10.188/2001, desde que se observem os princípios gerais da admin-
istração pública. STJ. 2ª Turma. REsp 1687381-DF, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 17/04/2018 (Info 624).
Se um servidor público for sócio ou funcionário de uma empresa, ela não poderá participar de licitações realiza-
das pelo órgão ou entidade ao qual estiver vinculado este servidor público (art. 9º, III, da Lei nº 8.666/93). O fato
de o servidor estar licenciado do cargo não afasta a referida proibição, considerando que, mesmo de licença, ele
não deixa possuir vínculo com a Administração Pública. Assim, o fato de o servidor estar licenciado não afasta
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o entendimento segundo o qual não pode participar de procedimento licitatório a empresa que possuir em seu
quadro de pessoal servidor ou dirigente do órgão contratante ou responsável pela licitação. STJ. 2ª Turma. REsp
1.607.715-AL, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 7/3/2017 (Info 602).
É inconstitucional lei estadual que exija Certidão negativa de Violação aos Direitos do Consumidor dos interessa-
dos em participar de licitações e em celebrar contratos com órgãos e entidades estaduais. Esta lei é inconstitucio-
nal porque compete privativamente à União legislar sobre normas gerais de licitação e contratos (art. 22, XXVII,
da CF/88). STF. Plenário. ADI 3.735/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 8/9/2016 (Info 838).
O Governo do Rio Grande do Sul editou uma lei estadual determinando que a administração pública do Esta-
do, assim como os órgãos autônomos e empresas sob o controle do Estado utilizarão preferencialmente em
seus sistemas e equipamentos de informática programas abertos, livres de restrições proprietárias quanto à sua
cessão, alteração e distribuição (“softwares” livres). Determinado partido político ajuizou uma ADI contra essa lei
afirmando que ela teria inconstitucionalidades materiais e formais. O STF julgou improcedente a ADI e afirmou
que a lei é constitucional. A preferência pelo “software” livre, longe de afrontar os princípios constitucionais da
impessoalidade, da eficiência e da economicidade, promove e prestigia esses postulados, além de viabilizar a
autonomia tecnológica do País. Não houve violação à competência da União para legislar sobre licitações e
contratos porque a competência da União para legislar sobre licitações e contratos fica restrita às normas gerais,
podendo os Estados complementar as normas gerais federais. A referida lei também não viola o art. 61, II, “b”,
da CF/88 porque a competência para legislar sobre “licitação” não é de iniciativa reservada ao chefe do Poder
Executivo, podendo ser apresentada por um parlamentar, como foi o caso dessa lei. STF. Plenário. ADI 3059/RS,
rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 9/4/2015 (Info 780).
O pregão é uma modalidade de licitação disciplinada pela Lei 10.520/2002. O art. 7º da Lei prevê que o licitante
que for convocado dentro do prazo de validade de sua proposta e não celebrar o contrato, deixar de entre-
gar a documentação, apresentar documentação falsa, retardar a execução do que contratado, não mantiver a
proposta, falhar ou fraudar na execução do contrato, comportar-se de modo inidôneo ou cometer fraude fiscal,
ficará impedido de licitar e contratar com a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios pelo prazo de até 5
anos. Esse prazo de 5 anos (ou menos) de punição começa a ser contado quando? Inicia-se com a publicação
da decisão no Diário Oficial ou somente no dia em que é feito o registro negativo sobre a empresa no SICAF?
Isso é importante porque a inserção dessa informação no SICAF pode demorar um tempo para acontecer. Qual
é, portanto, o termo inicial da sanção? A data da publicação no Diário Oficial. O termo inicial para efeito de con-
tagem e detração (abatimento) da penalidade prevista no art. 7º da Lei 10.520/2002, aplicada por órgão federal,
coincide com a data em que foi publicada a decisão administrativa no Diário Oficial da União — e não com a do
registro no SICAF. STJ. 1ª Seção. MS 20784-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. para acórdão Min. Arnaldo Esteves
Lima, julgado em 9/4/2014 (Info 561).
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→ CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
- Aqui também é obrigatória a leitura da Lei 8.666/1993.
Características dos contratos administrativos:
¾ Formalismo moderado
¾Bilateralidade
¾Comutatividade
¾Personalíssimo (intuitu personae)
¾Desequilíbrio
¾ Instabilidade
¾Onerosidade
CONTRATOS CONVÊNIOS
Interesses antagônicos Mesmos objetivos
Destinação dos recursos não interessa ao Poder Públi-
co. Deve haver prestação de contas.
Precisa de licitação Não precisa de licitação.
Cláusulas exorbitantes:
¾Alteração unilateral
¾Rescisão unilateral
¾ Fiscalização
¾Aplicação de sanções
¾Ocupação provisória
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Duração dos contratos administrativos:
- Em regra, duram 01 ano (correspondendo à previsão orçamentária). No entanto, a lei nº 8.666/93 traz algumas
exceções: (A) Projetos previstos no PPA; (B) Serviços contínuos (até 60 meses + 12 meses); (C) Aluguel de
equipamentos e utilização de programas de informática (D) As contratações previstas no art. 24, IX, XIX,
XXVIII e XXXI.
- Prorrogação dos contratos: justificado por escrito; autorização da autoridadecompetente; manutenção das cláu-
sulas e do equilíbrio contratual; previsão legal.
Hipóteses de inexecução:
1. INEXECUÇÃO CULPOSA:
(a) Culpa do contratado: Deve a Administração aplicar sanções, respeitados o contraditório e a ampla defesa,
sendo possível também a rescisão unilateral do contrato.
(b) Culpa da Administração (“Fato da Administração”): Consiste na inexecução das cláusulas contratuais por
parte da Adm. Nesse caso, a Administração deve rever as cláusulas do contrato para não prejudicar o contratado
(prorrogação do contrato, revisão dos valores devidos, etc.). O particular pode tentar o distrato ou proceder à res-
cisão judicial do contrato.
2. INEXECUÇÃO SEM CULPA: fatos não imputáveis às partes.
A. TEORIA DA IMPREVISÃO: É aplicada aos eventos imprevisíveis, supervenientes e extracontratuais de natureza
econômica (álea extraordinária econômica), não imputáveis às partes, que desequilibram desproporcionalmente o
contrato.
B. FATO DO PRÍNCIPE: É fato extracontratual praticado pela Administração que repercute no contrato administrativo
(ex.: aumento de alíquota do tributo que incide sobre o contrato). É fato GENÉRICO (álea extraordinária administrativa).
C. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR: Os artigos 78, XVII, e 79, §2º, impõe à Administração o dever de indeni-
zar o contratado em virtude da ocorrência de caso fortuito ou força maior.
Extinção dos contratos administrativos:
1. Motivos imputáveis ao contratado: a Administração poderá rescindir unilateralmente o contrato (incisos I
a XI e XIII).
2. Motivos imputáveis à Administração: incisos XII a XVI.
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3. Motivos não imputáveis às partes: inciso XVII (fortuito ou força maior).
#NÃOCONFUNDA: resilição (extinção pela vontade das partes) x resolução (extinção sem culpa das partes) x
rescisão (extinção pelo inadimplemento de uma das partes. Pode ser unilateral, amigável ou judicial).
Sanções aplicáveis:
(i) Advertência (infrações leves)
(ii) Multa (infrações médias)
(iii) Suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de contratar com a Administração por até
dois anos (infrações graves).
(iv) Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública enquanto perdurarem os mo-
tivos determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou
a penalidade, que será concedida sempre que o contratado ressarcir a Administração pelos prejuízos resultantes e
após decorrido o prazo de 02 anos (infrações gravíssimas).
- Atenção para uma #NOVIDADELEGISLATIVA do ano de 2017, a Lei 13.448/2017 (instituto da relicitação).5
#SELIGA: convênios administrativos.6
São ajustes firmados entre entidades administrativas ou entre a Administração Pública e as entidades privadas
sem fins lucrativos. A doutrina cita as seguintes diferenças entre os convênios e os contratos administrativos:
- nos contratos administrativos existem interesses contrapostos (interesse público buscado pela Administração
e interesse de lucro buscado pelo particular), ao passo que nos convênios existe uma comunhão de interesses.
- nos contratos, os valores repassados ao particular são incorporados à sua esfera jurídica, de modo que não
mais pertencem ao Estado, podendo aquele conferir a destinação que lhe aprouver; diferentemente, nos convê-
nios, os valores repassados permanecem sob a fiscalização da Administração (especialmente sob o controle do
Tribunal de Contas), porque devem ter destinação específica aos fins propostos.
- nos contratos, em regra, é exigida a licitação prévia; os convênios, por outro lado, não dependem de licitação,
mas podem adotar processo seletivo simplificado que assegure a manutenção da impessoalidade administrativa.
- os contratos possuem prazo determinado, ao passo que os convênios (tidos como atos administrativos com-
plexos, segundo parte da doutrina), não necessariamente precisam ter duração certa (embora seja o mais reco-
mendado).
“A cooperação associativa é uma característica dos convênios, razão pela qual os partícipes têm a liberdade de in-
gresso e de retirada (denúncia) a qualquer momento, sendo vedada cláusula de permanência obrigatória. Os con-
vênios podem ser firmados entre entidades administrativas ou entre estas e entidades privadas sem fins lucrativos.
5 #AJUDAMARCINHO: http://www.dizerodireito.com.br/2017/06/a-lei-134482017-e-o-instituto-da.html
6 Fonte: Curso de Direito Administrativo, Rafael Carvalho Rezende Oliveira.
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Na primeira hipótese, os convênios são instrumentos de descentralização (ou desconcentração) administrativa; no
segundo caso, os convênios funcionam como mecanismos de implementação do fomento, viabilizando o exercício
de atividades sociais relevantes por entidades privadas.” (Rafael Oliveira).
Art. 116, Lei 8.666/93. Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, aos convênios, acordos, ajustes e outros
instrumentos congêneres celebrados por órgãos e entidades da Administração.
§ 1o A celebração de convênio, acordo ou ajuste pelos órgãos ou entidades da Administração Pública depende
de prévia aprovação de competente plano de trabalho proposto pela organização interessada, o qual deverá
conter, no mínimo, as seguintes informações:
I - identificação do objeto a ser executado;
II - metas a serem atingidas;
III - etapas ou fases de execução;
IV - plano de aplicação dos recursos financeiros;
V - cronograma de desembolso;
VI - previsão de início e fim da execução do objeto, bem assim da conclusão das etapas ou fases programadas;
VII - se o ajuste compreender obra ou serviço de engenharia, comprovação de que os recursos próprios para com-
plementar a execução do objeto estão devidamente assegurados, salvo se o custo total do empreendimento recair
sobre a entidade ou órgão descentralizador.
§ 2o Assinado o convênio, a entidade ou órgão repassador dará ciência do mesmo à Assembléia Legislativa ou
à Câmara Municipal respectiva.
§ 3o As parcelas do convênio serão liberadas em estrita conformidade com o plano de aplicação aprovado,
exceto nos casos a seguir, em que as mesmas ficarão retidas até o saneamento das impropriedades ocorrentes:
I - quando não tiver havido comprovação da boa e regular aplicação da parcela anteriormente recebida, na forma
da legislação aplicável, inclusive mediante procedimentos de fiscalização local, realizados periodicamente pela
entidade ou órgão descentralizador dos recursos ou pelo órgão competente do sistema de controle interno da
Administração Pública;
II - quando verificado desvio de finalidade na aplicação dos recursos, atrasos não justificados no cumprimento das
etapas ou fases programadas, práticas atentatórias aos princípios fundamentais de Administração Pública nas
contratações e demais atos praticados na execução do convênio, ou o inadimplemento do executor com relação a
outras cláusulas conveniais básicas;
III - quando o executor deixar de adotar as medidas saneadoras apontadas pelo partícipe repassador dos recursos
ou por integrantes do respectivo sistema de controle interno.
§ 4o Os saldos de convênio, enquanto não utilizados, serão obrigatoriamente aplicados em cadernetas de
poupança de instituição financeira oficial se a previsão de seu uso for igual ou superior a um mês, ou em fundo
de aplicação financeira de curto prazo ou operação de mercado aberto lastreada em títulos da dívida pública,
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quando a utilização dos mesmos verificar-se em prazos menores que um mês.
§ 5o As receitas financeiras auferidas na forma do parágrafo anterior serão obrigatoriamente computadas a
crédito do convênio e aplicadas, exclusivamente, no objeto de suafinalidade, devendo constar de demonstrativo
específico que integrará as prestações de contas do ajuste.
§ 6o Quando da conclusão, denúncia, rescisão ou extinção do convênio, acordo ou ajuste, os saldos financeiros
remanescentes, inclusive os provenientes das receitas obtidas das aplicações financeiras realizadas, serão
devolvidos à entidade ou órgão repassador dos recursos, no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias do evento,
sob pena da imediata instauração de tomada de contas especial do responsável, providenciada pela autoridade
competente do órgão ou entidade titular dos recursos.
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DIREITO CONSTITUCIONAL7
1. Princípios fundamentais. 2. Ações Constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segu-
rança; mandado de injunção; ação popular; ação civil pública.
AÇÃO CIVIL PÚBLICA
PREVISÃO
LEGAL Art.129 da CF e Lei 7.347/1985.
BENS
JURÍDICOS
TUTELADOS
Rol exemplificativo – desde que exista interesse social relevante.
Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de
responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados:
l - ao meio-ambiente;
ll - ao consumidor;
III – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo.
V - por infração da ordem econômica;
VI - à ordem urbanística.
VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos
VIII – ao patrimônio público e social.
OBJETO
Visa apurar a responsabilidade por danos morais ou patrimoniais causados aos bens jurídicos
por eles tutelados.
É possível condenação em dinheiro e obrigação de fazer ou não fazer
SUJEITOS
Legitimados ativos:
Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar:
I - o Ministério Público;
II - a Defensoria Pública;
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista;
7 Isabella Miranda.
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SUJEITOS
V - a associação que, concomitantemente:
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil;
b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao
meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de
grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e
paisagístico.
§ 1º O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente
como fiscal da lei.
§ 2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos termos deste
artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes.
§ 3º Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o
Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa.
§ 4.° O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz, quando haja manifesto
interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do
bem jurídico a ser protegido.
§ 5.° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do Distrito
Federal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei.
§ 6° Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de
ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante cominações, que terá eficácia de
título executivo extrajudicial.
Legitimados passivos: qualquer pessoa que tenha ocasionado lesão ou ameaça de lesão aos
bens jurídicos passíveis de serem tutelados pela referida ação.
ASPECTOS
PROCESSUAIS
Não há adiantamento de custas e despesas processuais, nem condenação da associação
autora, salvo comprovada má-fé.
Sem foro especial por prerrogativa de função nas ações civis públicas.
Sentença faz coisa julgada erga omnes
MANDADO DE SEGURANÇA
PREVISÃO
LEGAL
Art. 5º, LXIX da CF e Lei 12.016/2009
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso
de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do
Poder Público;
BEM JURÍDICO
TUTELADO
Direito líquido e certo.
Comprovação por meio documental.
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OBJETO
Repressivo: reparar uma lesão já sofrida
Preventivo: afastar ameaça de lesão.
Anulação de ato lesivo ou cassação de certa conduta; determinação para que se pratique
certo ato; exigência de se abster se certos atos.
Tutela mandamental.
RESTRIÇÕES
Art. 5o Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:
I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de
caução;
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;
III - de decisão judicial transitada em julgado.
SUJEITOS
Legitimidade ativa: pessoas físicas ou jurídicas; as universalidades reconhecidas por lei; órgãos
públicos de alta hierarquia se na defesa de suas prerrogativas e atribuições; MP; agentes
políticos na defesa de suas atribuições.
Legitimidade passiva: autoridades públicas; representantes dos órgãos de partidos políticos
e os administradores de entidades autárquicas, os dirigentes de pessoas jurídicas de direito
privado, integrantes ou não da administração pública, mas que exerçam atribuições públicas.
ASPECTOS
PROCESSUAIS
Rito sumário especial.
Natureza cível.
Sem dilação probatória.
Cabe liminar.
Admite desistência em qualquer tempo, mesmo após o trânsito em julgado.
Atuação do MP ao logo do processo.
Prioridade de julgamento.
Prazo 120 dias decadenciais
COLETIVO
Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com
representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus
integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou
associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa
de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na
forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto,
autorização especial.
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COLETIVO
Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser:
I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível,
de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por
uma relação jurídica básica;
II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem
comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou
membros do impetrante.
Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos
membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante.
§ 1o O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas
os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer
a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência
comprovada da impetração da segurança coletiva.
§ 2o No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser concedida após a audiência
do representante judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no
prazo de 72 (setentae duas) horas.
→ MANDADO DE INJUNÇÃO
Serve para tutelar a falta, total ou parcial, de norma regulamentadora, tornando inviável o exercício de direitos
e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, soberania e cidadania.
Regramento muito similar à Lei de Mandado de Segurança.
Embora o STF estivesse adotando a TEORIA CONCRETISTA DIRETA E GERAL, a lei do mandado de injunção
adotou a TEORIA CONCRETISTA INTERMEDIÁRIA INDIVIDUAL, exceto quando se comprova que o impetrado
deixou de atender, em MI anterior, ao prazo estabelecido (nesse caso, adota-se a decisão concretista direta). Além
disso, poderá ser conferida eficácia ULTRA PARTES ou ERGA OMNES quando isso for inerente ou indispensável
ao exercício do direito, liberdade ou prerrogativa objeto do mandado de injunção.
Na hipótese de superveniência da norma regulamentadora, o MI será prejudicado. Se a superveniência for
posterior ao trânsito em julgado, aplica-se a nova lei, sem modificar os efeitos já produzidos pela decisão do MI,
salvo se a norma superveniente for mais favorável.
O mandado de injunção coletivo pode ser promovido: I - PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, quando a tutela
requerida for especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses
sociais ou individuais indisponíveis; II - por partido político com representação no Congresso Nacional, para as-
segurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a finalidade
partidária; III - por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcio-
namento há pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor
da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes
a suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial; IV - pela Defensoria Pública, quando a tutela
requerida for especialmente relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais
e coletivos dos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5o da Constituição Federal.
O mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos individuais, mas os efeitos da coisa
julgada não beneficiarão o impetrante que não requerer a DESISTÊNCIA da demanda individual no prazo de
30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração coletiva.
Aplicam-se subsidiariamente ao mandado de injunção as normas do mandado de segurança.
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3. Controle de constitucionalidade: sistemas difuso e concentrado; ação direta de inconstitucionalidade;
ação declaratória de constitucionalidade; arguição de descumprimento de preceito fundamental; súmu-
la vinculante; repercussão geral.
- O controle de constitucionalidade é relacional (porque compara) e vertical (porque pressupõe uma relação hie-
rárquica).
PRESSUPOSTOS DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
SUPREMACIA MATERIAL Referente ao conteúdo das normas constitucionais
RIGIDEZ CONSTITUCIONAL Supremacia formal da Constituição
ÓRGÃO COMPETENTE -
ACEPÇÕES DE CONTROLE:
- AMPLA: significa fiscalização (o órgão faz uma apreciação).
- RESTRITA: corresponde à declaração (aqui, a norma é considerada nula, e nulos seus efeitos, em regra, sendo
competência exclusiva do Poder Judiciário).
ELEMENTOS DO CONTROLE:
- OBJETO: a norma atacada,
- PARÂMETRO: o conjunto normativo que vai servir como referencial.
#OLHAOGANCHO: Bloco de constitucionalidade (amplitude do parâmetro). Expressão cunhada na França, país
no qual o parâmetro da CF tem força normativa e compõe o bloco de constitucionalidade amplo.
Qual é o parâmetro de controle no Brasil?
R: A CONSTITUIÇÃO.
E o que é a Constituição? Qual a amplitude desse parâmetro?
R: Em acepção ampla, corresponde ao texto da CF + normas materialmente constitucionais fora do texto da CF.
Em acepção restrita (É A ACEITA PELO STF), corresponde ao texto permanente da CF + ADCT + Emendas. Para o
STF, as normas materialmente constitucionais que não estejam na CF não servem de parâmetro. Por outro lado,
o STF aceita como parâmetro os chamados princípios implícitos, que, embora não sejam expressos, possuem
fundamento direto em norma constitucional (ex.: princípio da proporcionalidade).
#DEOLHONAJURIS: A alteração do parâmetro constitucional, quando o processo ainda está em curso, não
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prejudica o conhecimento da ADI. Isso para evitar situações em que uma lei que nasceu claramente incon-
stitucional volte a produzir, em tese, seus efeitos. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
20/6/2018 (Info 907).
Em regra, não é cabível ADI sob o argumento de que uma lei ou ato normativo violou um tratado internacional.
Em regra, os tratados internacionais não podem ser utilizados como parâmetro em sede de controle concen-
trado de constitucionalidade. Exceção: será cabível ADI contra lei ou ato normativo que violou tratado ou con-
venção internacional que trate sobre direitos humanos e que tenha sido aprovado segundo a regra do § 3º do
art. 5º, da CF/88. Isso porque neste caso esse tratado será incorporado ao ordenamento brasileiro como se fosse
uma emenda constitucional. STF. Plenário. ADI 2030/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/8/2017 (Info 872).
O STF, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, não está vinculado aos fundamentos
jurídicos invocados pelo autor. Assim, pode-se dizer que na ADI, ADC e ADPF, a causa de pedir (causa petendi)
é aberta. Isso significa que todo e qualquer dispositivo da Constituição Federal ou do restante do bloco de con-
stitucionalidade poderá ser utilizado pelo STF como fundamento jurídico para declarar uma lei ou ato normativo
inconstitucional. STF. Plenário. ADI 3796/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 8/3/2017 (Info 856).
#OLHAMAISUMGANCHO: Normas constitucionais interpostas (Zagrebelsky).
Teoria que defende que se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normati-
vas, a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas, que, muito embora não sejam for-
malmente constitucionais, vinculam os atos e procedimentos.
TESE NÃO ACEITA PELO STF, porque no Brasil as normas infraconstitucionais, ainda que sejam consideradas
materialmente constitucionais, não servem de parâmetro no controle.
#TÁDEMAIS #ÉPRAGABARITAR: Controle judicial preventivo.
É MEDIDA EXCEPCIONAL, quando houver PEC ou Projeto de Lei com violação ao processo legislativo constitucional,
um parlamentar pode impetrar MS para trancar o processo de formação daquela norma.
- Partido político não tem legitimidade, apenas o parlamentar individualmente considerado.
- Impugna-se o ato da Mesa Diretora que permitiu a continuidade do processo legislativo em violação à Cons-
tituição.
- O parâmetro é o devido processo legislativo constitucional e o objeto é o ato da Mesa Diretora.
- Se for questão interna corporis, o STF não intervém.
#DEOLHONAJURIS: É possível que o STF, ao julgar MS impetrado por parlamentar, exerça controle de
constitucionalidade de projeto que tramita no Congresso Nacional e o declare inconstitucional, determinando
seu arquivamento? Em regra, não. Existem, contudo, duas exceções nas quais o STF pode determinar o
arquivamento da propositura: a) proposta de emenda constitucional que viole cláusula pétrea; b) proposta de
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emenda constitucional ou projeto de lei cuja tramitação esteja ocorrendo com violação às regras constitucionais
sobre o processo legislativo. STF. Plenário. MS 32033/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min.
Teori Zavascki, 20/6/2013(Info 711).
TIPOLOGIA DAS INCONSTITUCIONALIDADES
a. MATERIAL (nomoestática ou interna)
- por excesso de poder de legislar
- por violação à proporcionalidade (vedação de excesso e de proteção deficiente).
b. FORMAL (nomodinâmica ou externa)
- por violação do processo legislativo
- por vício subjetivo (vício de iniciativa)
- por vício objetivo (vício no curso do processo).
- Inconstitucionalidade formal orgânica: por ausência de competência daquele ente para legislar sobre determina-
da matéria.
#ATENÇÃO: a sanção presidencial não convalida NENHUM vício.
c. TOTAL ou PARCIAL
#ATENÇÃO: não é possível a impugnação parcial da norma se a parte remanescente mudar seu sentido ou
assumir um sentido novo, porque nesse aso o julgador estaria atuando como legislador positivo, em ofensa ao
postulado da separação dos Poderes.
d. POR AÇÃO ou OMISSÃO
#ATENÇÃO: a omissão parcial pode estabelecer tratamento diferenciado ilegítimo (TEORIA DO IMPACTO DES-
PROPORCIONAL), violando a isonomia. Nesse caso, a norma incorre em omissão e ação, ao mesmo tempo, o
que enseja a propositura de ADI ou de ADO.
e. DIRETA (atinge ato normativo primário) ou INDIRETA (atinge ato normativo secundário)
CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE
- A inconstitucionalidade é uma questão prejudicial (incidente de inconstitucionalidade).
- Cláusula de reserva de plenário (aplicável também no controle concentrado).
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#OLHAOGANHO: a cláusula de reserva de plenário (art. 97 CF) é pressuposto de validade do julgamento, atra-
vés da qual ocorre a cisão funcional da competência em plano horizontal.
É dispensada nas seguintes hipóteses:
- declaração de constitucionalidade da norma;
- decisão anterior do plenário do tribunal;
- decisão anterior do plenário do STF;
- em RE no STF (o encaminhamento de RE ao plenário do STF é procedimento que depende da apreciação, pela
Turma, da existência das hipóteses regimentais);
- em Juizados (porque não são órgãos do Poder Judiciário, mas compõem a organização judiciária).
- juízo de recepção de lei anterior à CF (não se trata de declaração de inconstitucionalidade).
Súmula vinculante 10: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fra-
cionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato nor-
mativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.
#DEOLHONAJURIS: É firme a jurisprudência do STF no sentido de que não se exige reserva de plenário para
a mera interpretação e aplicação das normas jurídicas que emerge do próprio exercício da jurisdição, sendo
necessário, para caracterizar violação à cláusula de reserva de plenário, que a decisão de órgão fracionário
fundamente-se na incompatibilidade entre a norma legal e o Texto Constitucional. STF. 1ª Turma. Rcl 24284/SP,
rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848). STF. 2ª Turma. Rcl 26408 AgR, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 07/11/2017.
Não viola a Súmula Vinculante 10, nem a regra do art. 97 da CF/88, a decisão do órgão fracionário do Tribunal
que deixa de aplicar a norma infraconstitucional por entender não haver subsunção aos fatos ou, ainda, que a
incidência normativa seja resolvida mediante a sua mesma interpretação, sem potencial ofensa direta à Constitu-
ição. Além disso, a reclamação constitucional fundada em afronta à SV 10 não pode ser usada como sucedâneo
(substituto) de recurso ou de ação própria que analise a constitucionalidade de normas que foram objeto de
interpretação idônea e legítima pelas autoridades jurídicas competentes. STF. 1ª Turma. Rcl 24284/SP, rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
O STJ afirmou que não há ofensa à cláusula da reserva de plenário quando o órgão fracionário do Tribunal
reconhece, com fundamento na CF/88 e em lei federal, a nulidade de um ato administrativo fundado em lei
estadual, ainda que esse órgão julgador tenha feito menção, mas apenas como reforço de argumentação, à
inconstitucionalidade da lei estadual. No caso concreto, o Tribunal de Justiça, por meio de uma de suas Câmaras
(órgão fracionário) julgou que determinado ato administrativo concreto que renovou a concessão do serviço
público sem licitação seria nulo por violar os arts. 37, XXI, e 175 da CF/88 e a Lei nº 8.987?95. Além disso, mencio-
nou, como mais um argumento, que a Lei Estadual que autorizava esse ato administrativo seria inconstitucional.
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Não houve violação porque o ato administrativo que foi declarado nulo não era um ato normativo. Ademais, a
menção de que a lei estadual seria inconstitucional foi apenas um reforço de argumentação, não tendo essa lei
sido efetivamente declarada inconstitucional. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1435347-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 19/8/2014 (Info 546).
- Resolução suspensiva do Senado Federal (atuação discricionária; suspende a eficácia da norma; atribui efeitos
erga omnes à decisão do STF; é ato complementar à decisão do STF; é de observância obrigatória nos Estados;
atua na exata medida da decisão do STF; não cabe no juízo de recepção da norma; efeito repristinatório).
#SELIGA8 #DIZERODIREITO:
Pela teoria tradicional, em regra, a decisão que declara incidentalmente uma lei inconstitucional produz
efeitos inter partes e não vinculantes.
Após declarar a inconstitucionalidade de uma lei em controle difuso, o STF deverá comunicar essa decisão ao
Senado e este poderá suspender a execução, no todo ou em parte, da lei viciada (art. 52, X).
A decisão do Senado de suspender a execução da lei seria discricionária. Caso ele resolva fazer isso, os efeitos
da decisão de inconstitucionalidade do STF, que eram inter partes, passam a ser erga omnes. Assim, pela teoria
tradicional a resolução do Senado ampliaria a eficácia do controle difuso realizado pelo Supremo.
Dessa forma, pela teoria tradicional, a eficácia da decisão do STF que declarou, incidentalmente, o art. 2º da Lei
federal nº 9.055/95 inconstitucional produziria efeitos inter partes e não vinculante.
Ocorre que o STF decidiu abandonar a concepção tradicional e fez uma nova interpretação do art. 52, X, da
CF/88.
O que entendeu o STF?
O STF decidiu que, mesmo se ele declarar, incidentalmente, a inconstitucionalidade de uma lei, essa decisão
também terá efeito vinculante e erga omnes.
A fim de evitar anomias e fragmentação da unidade, deve-se atribuir à decisão proferida em sede de controle
incidental (difuso) a mesma eficácia da decisão tomada em sede de controle abstrato.
O Min. Gilmar Mendes afirmou que é preciso fazer uma releitura do art. 52, X, da CF/88. Essa nova interpretação
deve ser a seguinte: quando o STF declara uma lei inconstitucional, mesmo em sede de controle difuso, a decisão
já tem efeito vinculante e erga omnes e o STF apenas comunica ao Senado com o objetivo de que a referida Casa
Legislativa dê publicidade daquilo que foi decidido.
Mutação constitucional
O Min. Celso de Mello afirmou que o STF fez uma verdadeira mutação constitucional com o objetivo de expandir
os poderes do Tribunal com relação à jurisdição constitucional.
8 Extraído do site Dizer o Direito.
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Assim, a nova intepretação do art. 52, X, da CF/88 é a de que o papel do Senado no controle de constituciona-
lidade é simplesmente o de, mediante publicação, divulgar a decisão do STF. A eficácia vinculante, contudo, já
resulta da própria decisão da Corte.
Declaração de inconstitucionalidade da matéria (e não apenas do ato normativo)
A Min. Cármen Lúcia afirmou que o STF está caminhando para uma inovação da jurisprudência, no sentido de
não ser mais declarado inconstitucionalcada ato normativo, mas a própria matéria que nele se contém.
Preclusão consumativa da matéria
Por fim, o Min. Edson Fachin concluiu que a declaração de inconstitucionalidade, ainda que incidental, opera uma
preclusão consumativa da matéria. Isso evita que se caia numa dimensão semicircular progressiva e sem fim.
#DEOLHONAJURIS: É possível a modulação dos efeitos da decisão proferida em recurso extraordinário com
repercussão geral reconhecida. Para que seja realizada esta modulação, exige-se o voto de 2/3 (dois terços) dos
membros do STF (maioria qualificada). STF. Plenário. RE 586453/SE, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão
Min. Dias Toffoli, julgado em 20/2/2013 (Info 695). É possível a modulação dos efeitos da decisão proferida em
sede de controle incidental de constitucionalidade. STF. Plenário. RE 522897/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 16/3/2017 (Info 857).
CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE
- Segundo Kelsen, a jurisdição constitucional tem natureza de função política de legislador negativo (porque o ór-
gão competente para seu exercício retira a norma do ordenamento jurídico).
- Autonomia entre os modelos de controle: não há relação de subsidiariedade entre o controle difuso e o concen-
trado.
- É processo objetivo, sem lide (não há conflito de interesses qualificado pela pretensão resistida) e sem pretensão
em sentido subjetivo (se não interesse, não há autor e réu).
- Sua finalidade é a defesa da ordem jurídica (não há execução porque não há direito subjetivo).
#OLHAOGANCHO: A decisão do STF que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito
normativo não produz a automática reforma ou rescisão das decisões proferidas em outros processos anteriores
que tenham adotado entendimento diferente do que posteriormente decidiu o Supremo. Para que haja essa
reforma ou rescisão, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da
ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC 1973 (art. 966, V do CPC 2015), observado o prazo
decadencial de 2 anos (art. 495 do CPC 1973 / art. 975 do CPC 2015). Segundo afirmou o STF, não se pode con-
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fundir a eficácia normativa de uma sentença que declara a inconstitucionalidade (que retira do plano jurídico a
norma com efeito “ex tunc”) com a eficácia executiva, ou seja, o efeito vinculante dessa decisão. STF. Plenário. RE
730462/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 28/5/2015 (repercussão geral) (Info 787).
A Lei “X” foi questionada no STF por meio de ADI. Na ação, o autor afirmou que a lei seria formalmente incon-
stitucional. O STF julgou a ADI improcedente, declarando a lei constitucional. Quatro anos mais tarde, outro
legitimado ajuíza nova ADI contra a Lei “X”, mas desta vez alega que ela é materialmente inconstitucional. Essa
ação poderia ter sido proposta? O STF poderá, nesta segunda ação, declarar a lei materialmente inconstitucio-
nal? SIM. Na primeira ação, o STF não discutiu a inconstitucionalidade material da Lei “X” (nem disse que ela era
constitucional nem inconstitucional do ponto de vista material). Logo, nada impede que uma segunda ADI seja
proposta questionando, agora, a inconstitucionalidade material da lei e nada impede que o STF decida declará-la
inconstitucional sob o aspecto material. O fato de o STF ter declarado a validade formal de uma norma não
interfere nem impede que ele reconheça posteriormente que ela é materialmente inconstitucional. STF. Plenário.
ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787).
AÇÃO DECLARATÓRIA DE INCONSTITUCIONALIDADE (Lei 9.868/1999)
- LEGITIMADOS UNIVERSAIS/NEUTROS (não precisam comprovar pertinência temática): Presidente da Repúbli-
ca; Mesa do Senado Federal; Mesa da Câmara dos Deputados; Procurador-Geral da República; Conselho Federal
da Ordem dos Advogados do Brasil; partido político com representação no Congresso Nacional;
- LEGITIMADOS ESPECIAIS (precisam comprovar a relação de congruência que necessariamente deve existir
entre os objetivos estatutários ou as finalidades institucionais da entidade autora e o conteúdo material da norma
questionada): Mesa de Assembleia Legislativa ou a Mesa da Câmara Legislativa do Distrito Federal; Go-
vernador de Estado ou o Governador do Distrito Federal; confederação sindical ou entidade de classe de
âmbito nacional.
- LEGITIMIDADE PASSIVA: o legitimado passivo tem a finalidade de prestar informações; é o órgão ou autoridade
que emitiu a norma impugnada.
#DEOLHONAJURIS: O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em
sede de controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo Gov-
ernador. A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto como legitimado pelo
art. 103 da CF/88). Os Estados-membros não se incluem no rol dos legitimados a agir como sujeitos processuais
em sede de controle concentrado de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 05/04/2018.
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O advogado que assina a petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade precisa de procuração com po-
deres específicos. A procuração deve mencionar a lei ou ato normativo que será impugnado na ação. Repetindo:
não basta que a procuração autorize o ajuizamento de ADI, devendo indicar, de forma específica, o ato contra
o qual se insurge. Caso esse requisito não seja cumprido, a ADI não será conhecida. Vale ressaltar, contudo, que
essa exigência constitui vício sanável e que é possível a sua regularização antes que seja reconhecida a carência
da ação. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).
- AGU: atua como curador da presunção da constitucionalidade da norma, em atendimento ao princípio do con-
traditório. Tem atuação vinculada, mesmo quando o objeto é norma estadual.
- PGR: possui dupla atuação (como legitimado ativo e como órgão interveniente). Deve se manifestar ainda que
seja o autor da ação.
- Existem 3 procedimentos na ADI:
• Cautelar: prazo comum de 3 dias
• Regular: 15 dias (AGU e depois PGR)
• Célere: 5 dias (AGU e depois PGR).
- No procedimento célere, há um pedido de cautelar e o relator verifica que a matéria da ADI é de alta relevância
jurídica. Ao invés de um procedimento curto para análise da cautelar, faz-se um procedimento célere para lançar
a análise do mérito ao Plenário.
Art. 5o Proposta a ação direta, não se admitirá desistência.
Art. 7o Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade.
§ 2o O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por
despacho irrecorrível, admitir, observado o prazo fixado no parágrafo anterior, a manifestação de outros órgãos
ou entidades.
Art. 8o Decorrido o prazo das informações, serão ouvidos, sucessivamente, o Advogado-Geral da União e o
Procurador-Geral da República, que deverão manifestar-se, cada qual, no prazo de quinze dias.
§ 3o Em caso de excepcional urgência, o Tribunal poderá deferir a medida cautelar sem a audiência dos órgãos
ou das autoridades das quais emanou a lei ou o ato normativo impugnado.
Art. 11. § 1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tri-
bunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa.
§ 2o A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa
manifestação em sentido contrário.
Art. 12. Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em face da relevância da matéria e de seu especial signifi-
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cado para a ordem social e a segurança jurídica, poderá, após a prestação das informações, no prazo de dez dias,
e a manifestação do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República, sucessivamente, no prazo de
cinco dias, submeter o processo diretamente ao Tribunal, que terá a faculdade de julgar definitivamente a ação.
Art. 22. A decisão sobre a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo somente será
tomada se presentes na sessão pelo menos oito Ministros.
Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação
declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente even-
tual ação declaratória.
Art. 26. A decisão que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo em ação
direta ou em ação declaratória é irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos declaratórios, não podendo,
igualmente, ser objeto de ação rescisória.
Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica
ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus mem-
bros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado
ou de outro momento que venha a ser fixado.
Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará pub-
licar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão.
Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação con-
forme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra
todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e
municipal.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual inadequado
para o controle de decreto regulamentar de lei estadual. Seria possível a propositura de ADI se fosse um decreto
autônomo. Mas sendo um decreto que apenas regulamenta a lei, não é hipótese de cabimento de ADI. STF.
Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).
É cabível ADI contra Resolução do TSE que tenha, em seu conteúdo material, “norma de decisão” de caráter
abstrato, geral e autônomo, apta a ser apreciada pelo STF em sede de controle abstrato de constitucionalidade.
STF. Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).
A Resolução do CNMP consiste em ato normativo de caráter geral e abstrato, editado pelo Conselho no exer-
cício de sua competência constitucional, razão pela qual constitui ato normativo primário, sujeito a controle de
constitucionalidade, por ação direta, no Supremo Tribunal Federal. STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info 899).
Cabe ADI contra Resolução de Tribunal de Justiça STF. Plenário. ADI 5310/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
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14/12/2016 (Info 851).
É possível a impugnação, em sede de controle abstrato de constitucionalidade, de leis orçamentárias. Assim, é
cabível a propositura de ADI contra lei orçamentária, lei de diretrizes orçamentárias e lei de abertura de crédito
extraordinário. STF. Plenário. ADI 5449 MC-Referendo/RR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/3/2016 (Info
817).
O que acontece se a lei impugnada por meio de ADI é alterada antes do julgamento da ação? Neste caso, o au-
tor da ADI deverá aditar a petição inicial demonstrando que a nova redação do dispositivo impugnado apresenta
o mesmo vício de inconstitucionalidade que existia na redação original. A revogação, ou substancial alteração,
do complexo normativo impõe ao autor o ônus de apresentar eventual pedido de aditamento, caso considere
subsistir a inconstitucionalidade na norma que promoveu a alteração ou revogação. Se o autor não fizer isso, o
STF não irá conhecer da ADI, julgando prejudicado o pedido em razão da perda superveniente do objeto. STF.
Plenário. ADI 1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info 890).
Se é proposta ADI contra uma medida provisória e, antes de a ação ser julgada, a MP é convertida em lei com o
mesmo texto que foi atacado, esta ADI não perde o objeto e poderá ser conhecida e julgada. Como o texto da
MP foi mantido, não cabe falar em prejudicialidade do pedido. Isso porque não há a convalidação (“correção”)
de eventuais vícios existentes na norma, razão pela qual permanece a possibilidade de o STF realizar o juízo de
constitucionalidade. Neste caso, ocorre a continuidade normativa entre o ato legislativo provisório (MP) e a lei
que resulta de sua conversão. Ex: foi proposta uma ADI contra a MP 449/1994 e, antes de a ação ser julgada,
houve a conversão na Lei nº 8.866/94. Vale ressaltar, no entanto, que o autor da ADI deverá peticionar informan-
do esta situação ao STF e pedindo o aditamento da ação. STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 15/12/2016 (Info 851).
O que acontece caso o ato normativo que estava sendo impugnado na ADI seja revogado antes do julgamen-
to da ação? Regra: haverá perda superveniente do objeto e a ADI não deverá ser conhecida (STF ADI 1203).
Exceção 1: não haverá perda do objeto e a ADI deverá ser conhecida e julgada caso fique demonstrado que
houve “fraude processual”, ou seja, que a norma foi revogada de forma proposital a fim de evitar que o STF a
declarasse inconstitucional e anulasse os efeitos por ela produzidos (STF ADI 3306). Exceção 2: não haverá per-
da do objeto se ficar demonstrado que o conteúdo do ato impugnado foi repetido, em sua essência, em outro
diploma normativo. Neste caso, como não houve desatualização significativa no conteúdo do instituto, não há
obstáculo para o conhecimento da ação (ADI 2418/DF). Exceção 3: caso o STF tenha julgado o mérito da ação
sem ter sido comunicado previamente que houve a revogação da norma atacada. Nesta hipótese, não será pos-
sível reconhecer, após o julgamento, a prejudicialidade da ADI já apreciada. STF. Plenário. ADI 2418/DF, Rel. Min.
Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info 824). STF. Plenário. ADI 951 ED/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado
em 27/10/2016 (Info 845).
Foi proposta ADI contra a Lei nº 3.041/2005, do Estado do Mato Grosso do Sul, que tratava sobre assunto de
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competência da União. Ocorre que esta Lei havia revogado outras leis estaduais de mesmo conteúdo. Desse
modo, se a Lei nº 3.041/2005 fosse, isoladamente, declarada inconstitucional, as demais leis revogadas “voltar-
iam” a vigorar mesmo padecendo de idêntico vício. A fim de evitar essa “eficácia repristinatória indesejada”, o
PGR, que ajuizou a ação, impugnou não apenas a Lei nº 3.041/2005, mas também aquelas outras normas por
ela revogadas. O STF concordou com o PGR e, ao declarar inconstitucional a Lei nº 3.041/2005, afirmou que não
deveria haver o efeito repristinatório em relação às leis anteriores de mesmo conteúdo. O dispositivo do acórdão
ficou, portanto, com a seguinte redação: “O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, julgou proce-
dente o pedido formulado para declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 3.041/2005, do Estado de Mato Grosso
do Sul, inexistindo efeito repristinatório em relação às leis anteriores de mesmo conteúdo, (...)” STF. Plenário. ADI
3.735/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 8/9/2016 (Info 838).
Imagine a seguinte situação: é proposta uma ADI contra determinada lei. Cinco Ministros votam pela inconsti-
tucionalidadeda lei. Quatro Ministros votam pela constitucionalidade. Dois Ministros declaram-se impedidos de
votar. Qual deverá ser a proclamação do resultado? Pode-se dizer que esta lei foi declarada inconstitucional por
maioria de votos? NÃO. Não foi atingido o número mínimo de votos para a declaração de inconstitucionalidade
da lei (6 votos). Assim, como não foi alcançado o quórum exigido pelo art. 97 da CF/88, entende-se que o STF
não pronunciou juízo de constitucionalidade ou inconstitucionalidade da lei. Isso significa que o STF não declarou
a lei nem constitucional nem inconstitucional. Além disso, esse julgamento não tem eficácia vinculante, ou seja,
os juízes e Tribunais continuam livres para decidir que a lei é constitucional ou inconstitucional, sem estarem vin-
culados ao STF. STF. Plenário. ADI 4066/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 23 e 24/8/2017 (Info 874).
O STF, ao apreciar uma ADI, julgou que determinada lei é inconstitucional. No dia que ocorreu o julgamento,
havia apenas 10 Ministros presentes. Na oportunidade, discutiu-se se deveria haver ou não a modulação dos
efeitos da decisão. 7 Ministros votaram a favor, mas como são necessários, no mínimo, 8 votos, a proposta de
modulação foi rejeitada e o resultado final do julgamento foi proclamado. No dia seguinte, o Ministro que estava
ausente compareceu à sessão e afirmou que era favorável à modulação dos efeitos da decisão que declarou a
lei inconstitucional no dia anterior. Diante disso, indaga-se: é possível que o Plenário reabra a discussão sobre a
modulação? NÃO. Depois da proclamação do resultado final, o julgamento deve ser considerado concluído e
encerrado e, por isso, mostra-se inviável a sua reabertura para discutir novamente a modulação dos efeitos da
decisão proferida. A análise da ação direta de inconstitucionalidade é realizada de maneira bifásica: a) primeiro, o
Plenário decide se a lei é constitucional ou não; e b) em seguida, se a lei foi declarada inconstitucional, discute-se
a possibilidade de modulação dos efeitos. Uma vez encerrado o julgamento e proclamado o resultado, inclusive
com a votação sobre a modulação (que não foi alcançada), não há como reabrir o caso, ficando preclusa a pos-
sibilidade de reabertura para deliberação sobre a modulação dos efeitos. STF. Plenário. ADI 2949 QO/MG, rel.
orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 8/4/2015 (Info 780).
No STF, para que seja iniciada a sessão de julgamento na qual será votada a constitucionalidade de uma lei ou
ato normativo, é necessário que estejam presentes no mínimo 8 (oito) Ministros. Se houver sete, por exemplo,
a discussão não pode sequer ser iniciada (art. 143, parágrafo único, do art. 143 do RISTF). A isso chamamos de
quórum de sessão (ou quórum para julgamento/votação). Essa exigência de quórum para julgamento não se
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aplica caso o STF esteja analisando a recepção ou não de uma lei ou ato normativo. Isso porque não haverá,
nesse caso, controle ( juízo) de constitucionalidade. Trata-se apenas de discussão em torno de direito pré-con-
stitucional. Assim, por exemplo, mesmo estando presentes apenas sete Ministros, o STF poderá discutir se uma
lei foi ou não recepcionada pela CF/88. STF. Plenário. RE 658312/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/11/2014
(Info 769).
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (Lei 9.868/1999)
- Omissão é a violação do dever constitucional de agir.
- Não há omissão se não se identificar antes a norma constitucional que imponha obrigação de fazer.
- A omissão pode ser total ou parcial.
#NÃOCONFUNDA:
MANDADO DE INJUNÇÃO ADO
NATUREZA E FI-
NALIDADE
Discutem-se direitos subjetivos, com o
fim de viabilizar seu exercício. É realiza-
do controle concreto de constitucionali-
dade.
Processo objetivo, em que se realiza controle
concentrado e abstrato de constitucionalidade
com o fim de declarar a existência de omissão
normativa.
CABIMENTO
É cabível quando ausente norma
regulamentadora de direitos e
liberdades constitucionais, bem como de
prerrogativas inerentes à nacionalidade,
à soberania e à cidadania.
Ausência de norma regulamentadora de norma
constitucional de eficácia limitada.
LEGITIMIDADE
- Individual: pessoas naturais ou jurí-
dicas que afirmem serem titulares dos
direitos, liberdades ou prerrogativas.
- Coletivo:
I - Ministério Público,
II - Partido político com representação
no Congresso Nacional,
III - organização sindical, entidade de
classe ou associação legalmente consti-
tuída e em funcionamento há pelo me-
nos 1 (um) ano,
IV - Defensoria Pública.
Mesmos legitimados para a propositura da ADI.
COMPETÊNCIA
Variará conforme a autoridade que ocu-
pe o polo passivo.
STF, podendo também ser instituída em âmbito
estadual, caso em que a competência será do
Tribunal de Justiça.
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EFEITOS DA DECI-
SÃO
A lei do mandado de injunção (lei
13.300/2016) determina que será deferi-
da a injunção para:
I - determinar prazo razoável para que o
impetrado promova a edição da norma
regulamentadora;
II - estabelecer as condições em
que se dará o exercício dos direitos,
das liberdades ou das prerrogativas
reclamados ou, se for o caso, as
condições em que poderá o interessado
promover ação própria visando a
exercê-los, caso não seja suprida a mora
legislativa no prazo determinado.
#ATENÇÃO: Será dispensada a
determinação a que se refere o inciso
I do caput quando comprovado que
o impetrado deixou de atender, em
mandado de injunção anterior, ao
prazo estabelecido para a edição da
norma.
O Poder Judiciário dará ciência ao Poder com-
petente, para que este adote as providências
necessárias.
Tratando-se de órgão administrativo, este terá
um prazo de 30 dias para adotar a medida ne-
cessária. Se órgão do Poder Legislativo, não há
prazo.
Art. 12-H. § 1o Em caso de omissão imputável a órgão administrativo, as providências deverão ser adotadas no
prazo de 30 (trinta) dias, ou em prazo razoável a ser estipulado excepcionalmente pelo Tribunal, tendo em vista as
circunstâncias específicas do caso e o interesse público envolvido.
AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE
- Possui natureza ambivalente (caráter dúplice).
- Sua finalidade é ratificar a presunção de constitucionalidade; afastar a incerteza jurídica e estabelecer uma orien-
tação homogênea sobre a matéria. Mas não é uma conversão em presunção absoluta.
- Cabível contra lei ou ato normativo FEDERAL, apenas.
- Tem como pressuposto objetivo de admissibilidade a necessária existência de controvérsia judicial, o que carac-
teriza estado de incerteza gerado por controvérsia ou dúvidas (afetação da presunção de constitucionalidade da
norma; falta previsibilidade acerca da validade da norma).
- É desnecessária a defesa do ato pelo AGU.
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- Situação de fato ou nova percepção do direito pode implicar mudança de entendimento sobre a constituciona-
lidade (ADI 3218).
#DEOLHONAJURIS: O STF entendeu que é possível a cumulação de pedidos típicos de ADI e ADC em uma úni-
ca demanda de controle concentrado. A cumulação de ações, neste caso, além de ser possível, é recomendável
para a promoção dos fins a que destinado o processo objetivo de fiscalização abstrata de constitucionalidade,
destinado à defesa, em tese, da harmonia do sistema constitucional. A cumulação objetiva permite o enfrentam-
ento judicial coerente, célere e eficiente de questões minimamente relacionadas entre si. Rejeitar a possibilidade
de cumulação de ações, além de carecer de fundamento expresso na Lei 9.868/1999, traria como consequência
apenas ofato de que o autor iria propor novamente a demanda, com pedido e fundamentação idênticos, ação
que seria distribuída por prevenção. STF. Plenário. ADI 5316 MC/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/5/2015 (Info
786).
A Lei 9.868/99, ao tratar sobre o procedimento da ADC, prevê, em seu art. 14, os requisitos da petição inicial.
Um desses requisitos exigidos é que se demonstre que existe controvérsia judicial relevante sobre a lei objeto da
ação. Em outras palavras, só cabe ADC se houver uma divergência na jurisprudência sobre a constitucionalidade
daquela lei, ou seja, é necessário que existam juízes ou Tribunais decidindo que aquela lei é inconstitucional. Se
não existirem decisões contrárias à lei, não há razão para se propor a ADC. É possível que uma lei, dias após ser
editada, já seja objeto de ADC? É possível preencher o requisito da “controvérsia judicial relevante” com poucos
dias de vigência do ato normativo? SIM. Mesmo a lei ou ato normativo possuindo pouco tempo de vigência, já
é possível preencher o requisito da controvérsia judicial relevante se houver decisões julgando essa lei ou ato
normativo inconstitucional. O STF decidiu que o requisito relativo à existência de controvérsia judicial relevante é
qualitativo e não quantitativo. Em outras palavras, para verificar se existe a controvérsia não se examina apenas
o número de decisões judiciais. Não é necessário que haja muitas decisões em sentido contrário à lei. Mesmo
havendo ainda poucas decisões julgando inconstitucional a lei já pode ser possível o ajuizamento da ADC se o
ato normativo impugnado for uma emenda constitucional (expressão mais elevada da vontade do parlamento
brasileiro) ou mesmo em se tratando de lei se a matéria nela versada for relevante e houver risco de decisões
contrárias à sua constitucionalidade se multiplicarem. STF. Plenário. ADI 5316 MC/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado
em 21/5/2015 (Info 786).
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (Lei 9.882/1999)
- Pode ser direta/autônoma ou indireta/incidental.
- Não pode ser usada como sucedâneo recursal ou ação rescisória.
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PRESSUPOSTOS:
- Ameaça ou lesão a preceito fundamental.
- Subsidiariedade.
- Controvérsia judicial relevante.
PRESSUPOSTOS DA ADPF INDIRETA:
- existência de litígio (demanda concreta submetida ao Judiciário).
- subsidiariedade.
- relevante fundamento da controvérsia.
#SELIGA: há a atenuação do significado literal do princípio da subsidiariedade quando o prosseguimento de
ações nas vias ordinárias não se mostrar apto para afastar a lesão a preceito fundamental.
E o que se entende por preceito fundamental?
- Princípios fundamentais
- direitos fundamentais
- princípios constitucionais sensíveis
- cláusulas pétreas
- O objeto da ADFP é ATO DO PODER PÚBLICO.
#SELIGA: o parâmetro da ADPF é menor do que o da ADI, mas o seu objeto é mais amplo.
Art. 1o A arguição prevista no § 1o do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Supremo Tribunal
Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público.
Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual
ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição;
Art. 4o A petição inicial será indeferida liminarmente, pelo relator, quando não for o caso de arguição de descum-
primento de preceito fundamental, faltar algum dos requisitos prescritos nesta Lei ou for inepta.
§ 1o Não será admitida arguição de descumprimento de preceito fundamental quando houver qualquer outro
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meio eficaz de sanar a lesividade.
§ 2o Da decisão de indeferimento da petição inicial caberá agravo, no prazo de cinco dias.
Art. 5o O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de
medida liminar na arguição de descumprimento de preceito fundamental.
§ 1o Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período de recesso, poderá o relator
conceder a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno.
§ 3o A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o andamento de processo
ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da
arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada.
Art. 8o A decisão sobre a arguição de descumprimento de preceito fundamental somente será tomada se presentes
na sessão pelo menos dois terços dos Ministros.
Art. 11. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, no processo de arguição de descumprimento
de preceito fundamental, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o
Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou
decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.
Art. 12. A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em arguição de descumprimento de preceito
fundamental é irrecorrível, não podendo ser objeto de ação rescisória.
Art. 13. Caberá reclamação contra o descumprimento da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na
forma do seu Regimento Interno.
#DEOLHONAJURIS: É possível que seja celebrado um acordo no bojo de uma arguição de descumprimento
de preceito fundamental (ADPF)? SIM. É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva,
como a ADPF, desde que fique demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito),
que comporta solução por meio de autocomposição. Vale ressaltar que, na homologação deste acordo, o
STF não irá chancelar ou legitimar nenhuma das teses jurídicas defendidas pelas partes no processo. O STF irá
apenas homologar as disposições patrimoniais que forem combinadas e que estiverem dentro do âmbito da
disponibilidade das partes. A homologação estará apenas resolvendo um incidente processual, com vistas a
conferir maior efetividade à prestação jurisdicional. STF. Plenário. ADPF 165/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 1º/3/2018 (Info 892).
As associações que representam fração de categoria profissional não são legitimadas para instaurar controle
concentrado de constitucionalidade de norma que extrapole o universo de seus representados. Ex: a ANAMAG-
ES, associação que representa apenas os juízes estaduais, não pode ajuizar ADPF questionando dispositivo da
LOMAN, considerando que esta lei rege não apenas os juízes estaduais, mas sim os magistrados de todo o Poder
Judiciário, seja ele federal ou estadual. STF. Plenário. ADPF 254 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/5/2016
(Info 826).
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Não cabe arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) contra decisão judicial transitada em
julgado. Este instituto de controle concentrado de constitucionalidade não tem como função desconstituir a
coisa julgada. STF. Decisão monocrática. ADPF 81 MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 27/10/2015 (Info 810).
A ADPF e a ADI são fungíveis entre si. Assim, o STF reconhece ser possível a conversão da ADPF em ADI quan-
do imprópria a primeira, e vice-versa. No entanto, essa fungibilidade não será possível quando a parte autora
incorrer em erro grosseiro. É o caso, por exemplo, de uma ADPF proposta contra uma Lei editada em 2013, ou
seja, quando manifestamente seria cabível a ADI por se tratar de norma posterior à CF/88. STF. Plenário. ADPF
314 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio,julgado em 11/12/2014 (Info 771).
4. Direitos e garantias fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos; direitos sociais; direitos
de nacionalidade; direitos políticos.
→ DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CONCEITO
São direitos ou posições jurídicas que investem os seres humanos, individual ou coleti-
vamente considerados, em um conjunto de prerrogativas, faculdades e instituições im-
prescindíveis para assegurar uma existência digna, livre, igual e fraterna entre todas as
pessoas.
DIMENSÕES
• 1ª Dimensão: Direitos civis e políticos.
• 2ª Dimensão: Direitos sociais, econômicos e culturais.
• 3ª Dimensão: Direitos de solidariedade e fraternidade.
• 4ª Dimensão: Globalização (não é pacífico).
• 5ª Dimensão: Direito à paz.
TEORIA DOS 4 STA-
TUS
(JELLINEK)
1. Passivo: o sujeito está subordinado aos poderes estatais.
2. Ativo: o sujeito pode participar da formação da vontade do Estado.
3. Negativo: ao sujeito é assegurada uma esfera indevassável ao Estado.
4. Positivo: sujeito tem direito de pedir certas prestações ao Estado.
CARACTERÍSTICAS
(a) Relatividade; (b) Universalidade; (c) Aplicabilidade imediata; (d) Atipicidade; (e) Indis-
ponibilidade; (f ) Imprescritibilidade. #COLANARETINA!
EFICÁCIA
• Vertical: incidem na relação entre sujeito e Estado;
• Horizontal: incidem na relação entre sujeitos privados;
• Diagonal: incidem na relação entre sujeitos privados em posição de desigualdade.
Ex.: consumidor e fornecedor.
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PRINCIPAIS DIREITOS FUNDAMENTAIS EM ESPÉCIE (art. 5º, CF)
IGUALDADE I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Constituição;
LEGALIDADE II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de lei;
LIBERDADE DE EXPRES-
SÃO
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,
quando necessário ao exercício profissional;
DIREITO DE RESPOSTA V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização
por dano material, moral ou à imagem;
LIBERDADE RELIGIOSA
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de
culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas
entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de
convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal
a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
PRIVACIDADE
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação;
LIBERDADE PROFISSIO-
NAL
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer;
LIBERDADE DE ASSO-
CIAÇÃO
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter
paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem
de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas
atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito
em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm
legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
DIREITO ADQUIRIDO,
ATO JURÍDICO PERFEI-
TO E COISA JULGADA
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
julgada;
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DIREITOS FUNDAMEN-
TAIS PROCESSUAIS
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;
→ NACIONALIDADE
- Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade (considerado um direito humano). Evita-se a figura do apátri-
da (ou HEIMATLOS, expressão alemã que significa sem pátria ou apátrida).
- Toda pessoa deveria ter apenas uma nacionalidade. Isso evitaria os conflitos da polipatridia (repulsa histórica do
Direito Internacional Público à polipatridia, embora ainda exista).
- Toda pessoa tem direito a mudar de nacionalidade, direito que está sujeito às regras estabelecidas pelos entes
estatais envolvidos.
- Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade (art. XV da Declaração Universal dos Direi-
tos Humanos). A pessoa pode perder sua nacionalidade, desde que a partir de regras previamente estabelecidas
e compatíveis com as normas internacionais de direitos humanos e com o Estado de Direito. Ex: art. 15 da CF.
- A nacionalidade deve ser efetiva, ou seja, fundamentada em laços sociais consistentes entre o indivíduo e o Es-
tado. Busca-se evitar que a nacionalidade seja concedida em bases meramente mercantilistas ou fictícias.
- A nacionalidade da mulher não se relaciona com a do marido.
- Os filhos de agentes de Estados estrangeiros herdam a nacionalidade dos pais, não importa onde nasçam.
- É proibido o banimento: o Estado não deve expulsar ou deportar o nacional de seu próprio território (art. 5º, XLVII,
d). Por outro lado, o Estado sempre deve receber os detentores de sua nacionalidade quando venham do exterior,
inclusive quando expulsos ou deportados de Estado estrangeiro.
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SÃO BRASILEIROS (ART. 12, CF)
I – Natos (inciso I) II – Naturalizados (inciso II)
a) Os nascidos no Brasil, ainda que de pais
estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de
seu país ;
- adotou-se aqui o critério jus soli ; (art. 12, I, a)
- Assim, no Brasil, a regra é o critério do solo, com miti-
gações previstas no art. 12, I, alíneas b e c ;
b) Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro
ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a
serviço do Brasil ;
- Critério aqui : jus sanguinis + a serviço do Brasil
(funcional) (art. 12, I, b)
c) Os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro
ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em
repartição brasileira competente ;
- Critério aqui foi o jus sanguinis + registro (art.
12, I, c, 1ª parte)
d) Os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro
ou de mãe brasileira, ainda que não tenham sido
registrados na repartição brasileira competente,
desde que venham a residir no Brasil e optem, em
qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela
nacionalidade brasileira ;
- Critério aqui : jus sanguinis + residência no
Brasil + opção confirmativa ;
- Chamada de nacionalidade potestativa (porque
depende desta opção confirmativa, que só pode ser
dada após a maioridade)
a) Naturalização ordinária (comum) – Os
estrangeiros que, segundo os requisitos da lei,
adquiram a nacionalidade brasileira.
- Para os originários de países de língua
portuguesa a lei só pode exigir a residência por
uma ano ininterrupto e idoneidade moral ;- Obs. : o Brasil pode negar a naturalização (é
ato discricionário)
b) Naturalização extraordinária – Os
estrangeiros de qualquer nacionalidade que
estejam residindo no Brasil há mais de 15 anos
ininterruptos e sem condenação penal ;
Obs. : se o estrangeiro preencher essas condições,
o governo brasileiro não pode negar a naturaliza-
ção (é ato vinculado).
→ PERDA DA NACIONALIDADE
SERÁ DECLARADA A PERDA DA NACIONALIDADE DO BRASILEIRO QUE:
I – Praticar atividade nociva ao interesse nacional II – Adquirir outra nacionalidade
A doutrina denomina de ‘perda-punição’; A doutrina denomina de ‘perda-mudança’;
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Se um brasileiro naturalizado praticar atividade nociva
ao interesse nacional, terá cancelada a sua naturalização;
Se um brasileiro nato ou naturalizado adquirir
voluntariamente uma nacionalidade estrangeira,
perderá, então, a brasileira;
Essa perda ocorre por meio de uma processo judicial,
assegurado contraditório e ampla defesa, que tramita na
Justiça Federal (art. 109, X, da CF/88).
A lei não descreve o que seja atividade nociva ao
interesse nacional;
Esta perda ocorre por meio de um processo
administrativo, assegurado o contraditório e ampla
defesa, que tramita no Ministério da Justiça.
Este processo poderá ser instaurado de ofício ou
mediante requerimento (art. 23 da Lei nº 818/49);
Após a tramitação do processo, a perda efetiva-se por
meio de sentença, que deve ter transitado em julgado;
Após a tramitação do processo, a perda efetiva-se
por meio de Decreto do Presidente da República;
Os efeitos da sentença serão ex nunc; Os efeitos do Decreto serão ex nunc;
Esta hipótese de perda somente atinge o brasileiro
naturalizado.
Assim, o brasileiro nato não pode perder a sua
nacionalidade, mesmo que pratique atividade nociva ao
interesse nacional.
Esta hipótese de perda atinge tanto o brasileiro nato
como o naturalizado.
Havendo perda de nacionalidade por este motivo, a sua
requisição somente poderá ocorrer caso a sentença que
a decretou seja rescindida por meio de ação rescisória.
Desse modo, não é permitido que a pessoa que perdeu
a nacionalidade por esta hipótese a obtenha novamente
por meio de novo procedimento de naturalização.
Havendo a perda da nacionalidade por este motivo,
a sua reaquisição será possível por meio de pedido
dirigido ao Presidente da República, sendo o
processo instruído no Ministério da Justiça. Caso seja
concedida a reaquisição, esta é feita por meio de
Decreto.
Alexandre de Moraes defende que o brasileiro nato
que havia perdido e readquire sua nacionalidade,
passa a ser brasileiro naturalizado (e não mais nato).
Por outro lado, José Afonso da Silva afirma que o
readquirente recupera a condição que perdera: se
era brasileiro nato, voltará a ser brasileiro nato; se
naturalizado, retomará essa qualidade;
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Exceções:
A CF traz duas hipóteses em que a pessoa não
perderá a nacionalidade brasileira, mesmo tendo
adquirido outra nacionalidade.
Assim, será declarada a perda da nacionalidade do
brasileiro que adquirir outra nacionalidade, salvo nos
casos :
i. De reconhecimento de nacionalidade
originária pela lei estrangeira :
Ex. : a Itália reconhece aos filhos de seus nacionais
a cidadania italiana. Os brasileiroS descendentes de
italianos que adquirem aquela nacionalidade não
perderão a brasileira, uma vez que se trata de mero
reconhecimento de nacionalidade originária italiana
em virtude do vínculo sanguíneo. Logo, serão pes-
soas com dupla nacionalidade.
ii. De imposição de naturalização, pela norma
estrangeira, ao brasileiro residente em estado
estrangeiro, como condição para permanência em
seu território ou para o exercício de direitos civis ;
Aqui o objetivo da exceção é preservar a naciona-
lidade brasileira daquele que, por motivos de tra-
balho, acesso aos serviços públicos, moradia, etc.,
praticamente se vê obrigado a adquirir a naciona-
lidade estrangeira, mas que, na realidade, jamais
teve a intenção ou vontade de abdicar da naciona-
lidade brasileira.
→ DIREITOS POLÍTICOS
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual
para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
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b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§ 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os
conscritos.
§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver
sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente.
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito
Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o
segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito
Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular
de mandato eletivo e candidato à reeleição.
§ 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará auto-
maticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de
proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do can-
didato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício
de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.
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§ 10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da
diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.
§ 11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei,
se temerária ou de manifesta má-fé.
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigaçãoa todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando
à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.
#SELIGA: A perda e a suspensão dos direitos políticos somente se dará nos casos de:
Cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; (PERDA).
Em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.
OBS.: Também há previsão, na CF, de perda da nacionalidade do brasileiro nato, o que, por óbvio, também acar-
reta a perda dos direitos políticos.
Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa; (PERDA).
Serão privados dos direitos políticos até que cumpram a obrigação (Ex.: função de jurados, serviço militar). Obs.
Há quem defenda se tratar de uma hipótese de suspensão.
Incapacidade civil absoluta; (SUSPENSÃO).
Lembre-se das mudanças recentes realizadas no CC pela Convenção e Estatuto da Pessoa com Deficiência. Ago-
ra, somente são absolutamente incapazes aqueles menores de 16 anos.
Condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; (SUSPENSÃO).
Efeito automático da sentença, ou seja, NÃO precisa vir expresso no dispositivo.
Não importa a natureza ou montante da pena e abarca também condenações relativas a CONTRAVENÇÕES.
NÃO são atingidos em caso de transação penal ou sursis processual (fala em “condenação”!).
Cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, INDEPENDENDO de reabilitação ou prova de reparação de
danos (Súmula 9 do TSE).
Improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. (SUSPENSÃO)
Diferentemente do que ocorre na condenação criminal, deve vir EXPRESSO na sentença.
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Necessário o trânsito em julgado.
A perda ou a suspensão de direitos políticos acarreta várias consequências jurídicas, como:
- O cancelamento do alistamento e a exclusão do corpo de eleitores;
- O cancelamento da filiação partidária (LOPP, art. 22, II);
- A perda de mandato eletivo;
- A perda de cargo ou função pública;
- A impossibilidade de se ajuizar ação popular;
- O impedimento para votar ou ser votado;
- O impedimento para exercer a iniciativa popular.
5. Organização político-administrativa: disposições gerais; bens e competências da União, Estados, Dis-
trito Federal e Municípios; intervenção federal. 6. Administração Pública: disposições gerais; servidores
públicos.
→ CARACTERÍSTICAS DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
FORMA DE ESTADO Federação
FORMA DE GOVERNO República
SISTEMA DE GOVERNO Presidencialista
REGIME DE GOVERNO Democrático
→ AUTONOMIA DOS ENTES FEDERATIVOS
AUTO-
ORGANIZAÇÃO
Os entes se organizam por suas próprias constituições estaduais ou leis
orgânicas. Deve ser observado o princípio da simetria e, assim, o processo de
reforma da CE deve, obrigatoriamente, observar os requisitos estabelecidos na CF.
AUTOLEGISLAÇÃO Exercem, por seus próprios poderes legislativos, as competências legislativas que são de sua alçada.
AUTOGOVERNO
Elegerão seus próprios governantes e deputados, e organizarão suas próprias justiças
(exceto os Municípios), inclusive com sistema de controle de constitucionalidade das leis
estaduais e municipais.
AUTO-
ADMINISTRAÇÃO
Organizarão suas administrações, seus serviços públicos e seus servidores.
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→ REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS
- Modelo clássico: União exerce a competência expressa e os Estados a residual.
- Modelo moderno: verificado após a 1ª guerra mundial. A CF prevê não apenas a competência exclusiva da
União, mas também a comum e concorrente dos Estados.
- Modelo horizontal: não há relação de subordinação entre os entes que legislam. Predomina no BRASIL.
- Modelo vertical: há divisão na competência. É o que ocorre no Brasil com a competência CONCORRENTE, na
qual as normas gerais são de atribuição da União, cabendo aos Estados apenas a regulamentação específica.
COMPETÊNCIAS ADMINISTRATIVAS
UNIÃO
(EXCLUSIVA)
COMUM DA UNIÃO, DOS ESTADOS, DO
DISTRITO FEDERAL E DOS MUNICÍPIOS
I - manter relações com Estados estrangeiros e participar
de organizações internacionais;
II - declarar a guerra e celebrar a paz;
III - assegurar a defesa nacional;
IV -permitir, nos casos previstos em lei complementar, que
forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou
nele permaneçam temporariamente;
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a in-
tervenção federal;
VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de ma-
terial bélico;
VII - emitir moeda;
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar
as operações de natureza financeira, especialmente as de
crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros
e de previdência privada;
IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de
ordenação do território e de desenvolvimento econômico
e social;
X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, con-
cessão ou permissão, os serviços de telecomunicações,
nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos
serviços, a criação de um órgão regulador e outros as-
pectos institucionais;
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das
instituições democráticas e conservar o patrimônio
público;
II - cuidar da saúde e assistência pública, da prote-
ção e garantia das pessoas portadoras de deficiên-
cia;
III - proteger os documentos, as obras e outros
bens de valor histórico, artístico e cultural, os mo-
numentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios
arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracte-
rização de obras de arte e de outros bens de valor
histórico, artístico ou cultural;
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à
educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à
inovação;
VI - proteger o meio ambiente e combater a polui-
ção em qualquer de suas formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
VIII - fomentar a produção agropecuária e organi-
zar o abastecimento alimentar;
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XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, con-
cessão ou permissão:
a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e ima-
gens;
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o apro-
veitamento energético dos cursos de água, em articula-
ção com os Estados onde se situam os potenciais hidroe-
nergéticos;
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura ae-
roportuária;
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre
portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que transpo-
nham os limites de Estado ou Território;
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e
internacional de passageiros;
f ) os portos marítimos, fluviais e lacustres;
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público
do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos
Territórios;
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o cor-
po de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar
assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de
serviços públicos, por meio de fundo próprio;
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geo-
grafia, geologia e cartografia de âmbito nacional;
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões
públicas e de programas de rádio e televisão;
XVII - conceder anistia;
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as ca-
lamidadespúblicas, especialmente as secas e as inundações;
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos
hídricos e definir critérios de outorga de direitos de seu uso;
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive
habitação, saneamento básico e transportes urbanos;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional
de viação;
XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e
de fronteiras;
IX - promover programas de construção de mora-
dias e a melhoria das condições habitacionais e de
saneamento básico;
X - combater as causas da pobreza e os fatores de
marginalização, promovendo a integração social
dos setores desfavorecidos;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões
de direitos de pesquisa e exploração de recursos
hídricos e minerais em seus territórios;
XII - estabelecer e implantar política de educação
para a segurança do trânsito.
#ATENÇÃO: Leis complementares fixarão
normas para a cooperação entre a União e os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, ten-
do em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do
bem-estar em âmbito nacional.
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XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer
natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra,
o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o
comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os
seguintes princípios e condições:
a) toda atividade nuclear em território nacional somente será
admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congres-
so Nacional;
b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização
e a utilização de radioisótopos para a pesquisa e usos médicos,
agrícolas e industriais;
c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, co-
mercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida igual
ou inferior a duas horas;
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da
existência de culpa;
XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;
XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da
atividade de garimpagem, em forma associativa.
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
PRIVATIVA DA UNIÃO UNIÃO, ESTADOS E DISTRITO FEDERAL (CONCORRENTE)
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário,
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
II - desapropriação;
III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e
em tempo de guerra;
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifu-
são;
V - serviço postal;
VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos
metais;
VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de va-
lores;
VIII - comércio exterior e interestadual;
IX - diretrizes da política nacional de transportes;
X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima,
aérea e aeroespacial;
XI - trânsito e transporte;
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, eco-
nômico e urbanístico;
II - orçamento;
III - juntas comerciais;
IV - custas dos serviços forenses;
V - produção e consumo;
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da
natureza, defesa do solo e dos recursos naturais,
proteção do meio ambiente e controle da poluição;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, ar-
tístico, turístico e paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente,
ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico,
estético, histórico, turístico e paisagístico;
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência,
tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação;
X - criação, funcionamento e processo do juizado
de pequenas causas;
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XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;
XIV - populações indígenas;
XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expul-
são de estrangeiros;
XVI - organização do sistema nacional de emprego e
condições para o exercício de profissões;
XVII - organização judiciária, do Ministério Público do Dis-
trito Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública dos
Territórios, bem como organização administrativa destes;
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geo-
logia nacionais;
XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da pou-
pança popular;
XX - sistemas de consórcios e sorteios;
XXI - normas gerais de organização, efetivos, material
bélico, garantias, convocação e mobilização das polícias
militares e corpos de bombeiros militares;
XXII - competência da polícia federal e das polícias rodo-
viária e ferroviária federais;
XXIII - seguridade social;
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
XXV - registros públicos;
XI - procedimentos em matéria processual;
XII - previdência social, proteção e defesa da
saúde;
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;
XIV - proteção e integração social das pessoas por-
tadoras de deficiência;
XV - proteção à infância e à juventude;
XVI - organização, garantias, direitos e deveres das
polícias civis.
§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a
competência da União limitar-se-á a estabelecer
normas gerais.
§ 2º A competência da União para legislar
sobre normas gerais não exclui a competência
suplementar dos Estados.
§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os
Estados exercerão a competência legislativa plena,
para atender a suas peculiaridades.
§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas
gerais suspende a eficácia da lei estadual, no
que lhe for contrário.
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;
XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em to-
das as modalidades, para as administrações públicas dire-
tas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37,
XXI, e para as empresas públicas e sociedades de econo-
mia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III;
XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa ma-
rítima, defesa civil e mobilização nacional;
XXIX - propaganda comercial.
#ATENÇÃO: Lei complementar poderá autorizar os
Estados a legislar sobre questões específicas das ma-
térias de competência legislativa privativa da União.
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→ INTERVENÇÃO FEDERATIVA
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS
PRINCÍPIO DA NÃO INTERVENÇÃO
a intervenção só poderá ser decretada em caso de extrema
necessidade. Por isso, a CF determina que a intervenção
fundada nos incisos VI e VII do art. 34 deverá limitar-se a
suspender a execução do ato impugnado, se essa medida
for suficiente para restabelecer a normalidade.
PRINCÍPIO DA TEMPORARIEDADE
a medida não poderá ultrapassar o prazo absolutamente
imprescindível ao reequilíbrio do pacto federativo e da
observância dos princípios constitucionais sensíveis.
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE a medida deve pautar-se nos limites da adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito.
ESPÉCIES DE INTERVENÇÃO
INTERVENÇÃO FEDERAL
Compete à União intervir nos Estados-membros ou no
DF, bem como nos Municípios, desde que localizados
em Territórios Federais. É ato privativo do Presidente da
República mediante decreto. Pode ser ESPONTÂNEA
ou PROVOCADA.
INTERVENÇÃO ESTADUAL Compete aos Estados-membros intervir nos Municípios localizados em seu território.
PRESSUPOSTOS DA INTERVENÇÃO ESPONTÂNEA
PRESSUPOS
MATERIAIS
(fatos que dão ensejo à
medida)
DEFESA DA UNIDADE
NACIONAL
para manter a integridade nacional ou repelir invasão
estrangeira ou de uma unidade da federaçãoem outra
DEFESA DA ORDEM
PÚBLICA
para pôr termo a grave comprometimento da ordem
pública
DEFESA DAS FINANÇAS
PÚBLICAS
para reorganizar as finanças da unidade da Federação que
suspender o pagamento da dívida fundada por mais de 2
anos consecutivos, salvo motivo de força maior ou deixar
de repassar aos Municípios as receitas tributárias dentro
dos prazos estabelecidos na CF.
PRESSUPOSTOS
FORMAIS
(procedimento a ser
seguido)
Antes de decretar a medida, o Presidente da República deve consultar o CONSELHO
DA REPÚBLICA e o CONSELHO DE DEFESA NACIONAL
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PRESSUPOSTOS DA INTERVENÇÃO PROVOCADA
FACULTATIVA OBRIGATÓRIA
provocada por
SOLICITAÇÃO (pode
ser feito) provocada por REQUISIÇÃO (deve ser feito)
para defesa do
livre exercício dos
Poderes
DO STF:
para garantir o livre exercício do Judiciário estadual, de ofício
ou por solicitação do presidente do TJ.
OU
para garantir a execução de lei federal, mediante
representação do PGR
(ação direta interventiva)
OU
para garantir a observância dos princípios constitucionais
sensíveis, mediante provimento de representação do PGR
(ação direta interventiva)
DO STF, STJ, TSE:
para prover o
cumprimento de ordem
ou decisão judicial.
pode ser de ofício pelo
TSF, STJ ou TSE ou
mediante pedido dos
presidentes dos demais
tribunais
#CASCADEBANANA: embora instaurado perante o Judiciário, o procedimento destinado a viabilizar a interven-
ção federal ou estadual, nas hipóteses de descumprimento de ordem judicial, reveste-se de caráter político-ad-
ministrativo, daí porque incabível o recurso extraordinário.
#OLHAOGANCHO:
PRINCÍPIOS SENSÍVEIS OU
ENUMERADOS
PRINCÍPIOS EXTENSÍVEIS
PRINCÍPIOS ESTABELECIDOS OU
ORGANIZATÓRIOS
A expressão “sensível” remete
àquilo que é facilmente percebido
pelos sentidos, claro, manifesto,
sendo, portanto, princípios
apontados indubitavelmente na
constituição, expressos em seu
texto, mais especificamente no art.
34 VI, da CF/88.
Consubstanciam regras de
organização da União, cuja
aplicação se estende aos Estados,
por força do princípio da simetria.
São aqueles que limitam, vedam
ou proíbem a ação indiscriminada
do Poder Constituinte Decorrente,
determinados diretamente aos
Estados, ainda que não de forma
expressa. Podem gerar limitações
expressas, implícitas ou decorrentes.
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7. Organização dos Poderes. Poder Executivo: atribuições e responsabilidades do Presidente da Repúbli-
ca. Poder Legislativo: órgãos e atribuições; processo legislativo; fiscalização contábil, financeira e orça-
mentária. Poder Judiciário: disposições gerais; Supremo Tribunal Federal; Conselho Nacional de Justiça;
Superior Tribunal de Justiça; Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; Tribunais e Juízes dos Es-
tados; Tribunais e Juízes do Trabalho; Conselho Superior da Justiça do Trabalho. Funções essenciais à
Justiça: Ministério Público; Advocacia Pública; Advocacia; Defensoria Pública.
→ PODER LEGISLATIVO
- O Poder Legislativo Federal é bicameral, e exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos
Deputados (Baixa Câmara) e do Senado Federal (Alta Câmara), sem que haja predominância substancial de uma
Câmara sobre a outra.
#SELIGA: Bicameralismo. É uma característica da federação, pois é necessária a instalação de um órgão
representativo dos Estados. Apesar de ser uma característica da federação, nem sempre é o reflexo de um
federalismo. Ex: Inglaterra (Estado Unitário), que possui a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns.
A Constituição Federal normatizou em seu art. 2º o Princípio da Separação de Poderes, estabelecendo a
independência e harmonia entre os Poderes. O próprio legislador constituinte atribuiu diversas funções a todos
os poderes, sem, contudo, caracterizá-las com exclusividade absoluta. Assim, cada um dos poderes possui uma
função predominante ou típica, que o caracteriza como detentor de parcela da soberania estatal, além de outras
funções previstas no próprio texto constitucional.
O Legislativo tem duas funções típicas:
a) inovação da ordem jurídica (legislar);
b) fiscalização: que pode ser de duas formas: POLÍTICO-ADMINISTRATIVA e ECONÔMICA-ORÇAMENTÁRIA.
Já os poderes legislativos estaduais, distritais e municipais são unicamerais.
#CONCEITO: LEGISLATURA. O Congresso Nacional atua de quatro em quatro anos, em períodos determinados
legislaturas (a atual legislatura se iniciou em 01 de fevereiro de 2011, com a posse dos novos deputados e sena-
dores, e se encerrará no dia 31 de janeiro de 2015). Esse período de quatro anos (legislatura), compreende quatro
sessões legislativas ordinárias.
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#SELIGANATABELA
SENADO FEDERAL CÂMARA DOS DEPUTADOS
COMPOSIÇÃO Representantes dos ESTADOS e
DF Representantes do POVO
SISTEMA DE ELEIÇÃO Princípio majoritário Princípio proporcional à população de cada Estado e do DF
NÚMERO DE
PARLAMENTARES
3 Senadores por Estado e DF, cada
qual com 2 suplentes. Há um total
de 81 senadores.
LC 78/93 fixou em 513 Deputados Federais.
(Nenhum Estado terá menos que 8, nem mais de
70 Deputados).
MANDATO 8 anos = 2 legislaturas 4 anos = 1 legislatura
RENOVAÇÃO A cada 4 anos, por 1/3 e 2/3. A cada 4 anos.
IDADE MÍNIMA 35 anos. 21 anos.
→ CÂMARA DOS DEPUTADOS
Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:
I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Pre-
sidente da República e os Ministros de Estado;
II - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional
dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa;
III - elaborar seu regimento interno;
IV – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empre-
gos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâ-
metros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
V - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.
→ SENADO FEDERAL
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem
como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da
mesma natureza conexos com aqueles;
II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e
do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos
crimes de responsabilidade;
III - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de:
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a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;
c) Governador de Território;
d) Presidente e diretores do banco central;
e) Procurador-Geral da República;
f) titulares de outros cargos que a lei determinar;
IV - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão di-
plomática de caráter permanente;
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal,
dos Territórios e dos Municípios;
VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VII - disporsobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal;
VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e
interno;
IX - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios;
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva
do Supremo Tribunal Federal;
XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República
antes do término de seu mandato;
XII - elaborar seu regimento interno;
XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, em-
pregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os
parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
XIV - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.
XV - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componen-
tes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios.
Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal Federal,
limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do
cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judi-
ciais cabíveis.
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→ CONGRESSO NACIONAL
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromis-
sos gravosos ao patrimônio nacional;
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei
complementar;
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência
exceder a quinze dias;
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer
uma dessas medidas;
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
delegação legislativa;
VI - mudar temporariamente sua sede;
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI,
39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;
VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que
dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a
execução dos planos de governo;
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da
administração indireta;
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes;
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União;
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de
riquezas minerais;
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos
hectares.
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COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO CONGRESSO COMPETÊNCIA DO TCU
JULGAR anualmente as contas prestadas pelo
Presidente da República.
APRECIAR as contas prestadas anualmente pelo
Presidente da República.
CONGRESSO COM A SANÇÃO DO PRESIDENTE
DA REPÚBLICA COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO SENADOR FEDERAL
MONTANTE DA DÍVIDA MOBILIÁRIA:
• Federal.
MONTANTE DA DÍVIDA MOBILIÁRIA:
• Estados;
• Distrito federal;
• Municípios.
ILEGALIDADE DE DESPESAS
OU
IRREGULARIDADES DE CONTAS
ILEGALIDADE DE DESPESAS
OU
IRREGULARIDADES DE CONTAS
ATOS EM GERAL CONTRATOS
APLICAR aos responsáveis as sanções previstas em
lei, entre outras cominações, multa proporcional ao
dano causado ao erário;
APLICAR aos responsáveis as sanções previstas em lei,
entre outras cominações, multa proporcional ao dano
causado ao erário;
SUSTAR, se não atendido, a execução do ato impug-
nado, comunicando a decisão à Câmara dos Depu-
tados e ao Senado Federal
O ato de SUSTAÇÃO será adotado DIRETAMENTE PELO
CONGRESSO NACIONAL, que solicitará, de imediato, ao
Poder Executivo as medidas cabíveis.
→ COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO
Art. 58. (...) §3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das
autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câ-
mara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um
terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se
for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos
infratores.
No Brasil, a CPI é um direito público subjetivo das minorias parlamentares. Por isso, segundo entende o STF, é
inconstitucional Lei Orgânica ou Constituição Estadual que estabeleça quórum superior a 1/3 como requisito formal
para criação de CPI.
- O modelo federal de criação e instauração das comissões parlamentares de inquérito constitui matéria a ser com-
pulsoriamente observada pelas casas legislativas estaduais.
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- A exigência de requerimento de 1/3 dos parlamentares deve ser examinada no momento do protocolo do pedido
perante a Mesada respectiva Casa Legislativa, independentemente de posterior ratificação.
- Devem observar o princípio da REPRESENTAÇÃO PROPORCIONAL PARTIDÁRIA.
Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e
com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.
§ 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto possível, a representação pro-
porcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva Casa.
- O objeto da CPI é a apuração de um fato determinado, ou seja, no momento em que é feito requerimento de
instauração, é necessário que esteja detalhado e especificado o fato a ser investigado. Isso não impede que fatos
conexos, surgidos durante a investigação, sejam investigados. Basta que seja feito um aditamento no requerimento
da CPI.
- CPI não pode investigar fatos de interesse exclusivamente privado. A existência de interesse público é obrigatória.
- O fato determinado objeto da CPI tem que ter uma relação com a Casa que está apurando, ou seja, deve estar
dentre as atribuições da Casa Legislativa, que estejam estabelecidas na CF.
CPI PODE CPI NÃO PODE
Notificar testemunhas, investigados e convidados. Impor sanção.
Determinar a condução coercitiva de testemunha. Cassar mandato.
Realizar perícia, exames e vistorias. Não tem poder geral de cautela.
Prenderem flagrante. Determinar interceptação telefônica.
Afastar sigilo bancário, fiscal e de REGISTRO telefônico. Determinar busca e apreensão domiciliar.
→ ESTATUTO DOS PARLAMENTARES
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e
votos.
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o
Supremo Tribunal Federal.
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em
flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa res-
pectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo
Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo
voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.
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§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias
do seu recebimento pela Mesa Diretora.
§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas
em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações.
§ 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares e ainda que em tempo de
guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva.
§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas
mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto
do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida.
IMUNIDADE FORMAL IMUNIDADE MATERIAL
Prisão Opiniões, palavras e votos.
Processo penal
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:
São constitucionais dispositivos da Constituição do Estado que estendem aos Deputados Estaduais as imuni-
dades formais previstas no art. 53 da Constituição Federal para Deputados Federais e Senadores. A leitura da
Constituição da República revela, sob os ângulos literal e sistemático, que os Deputados Estaduais também têm
direito às imunidades formal e material e à inviolabilidade que foram conferidas pelo constituinte aos congres-
sistas (membros do Congresso Nacional). Isso porque tais imunidades foram expressamente estendidas aos
Deputados pelo § 1º do art. 27 da CF/88. STF. Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT,
rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939).
É constitucional resolução da Assembleia Legislativa que, com base na imunidade parlamentar formal
(art. 53, § 2º c/c art. 27, § 1º da CF/88), revoga a prisão preventiva e as medidas cautelares penais que
haviam sido impostas pelo Poder Judiciário contra Deputado Estadual, determinando o pleno retorno
do parlamentar ao seu mandato. O Poder Legislativo estadual tem a prerrogativa de sustar decisões
judiciais de natureza criminal, precárias e efêmeras, cujo teor resulte em afastamento ou limitação da
função parlamentar. STF. Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT, rel. orig. Min.
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939).
Deputado Estadual que, ao defender a privatização de banco estadual, presta declarações supostamente falsas
sobre o montante das dívidas dessa instituição financeira não comete o delito do art. 3º da Lei nº 7.492/86,
estando acobertado pela imunidade material. STF. 1ª Turma. HC 115397/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
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16/5/2017 (Info 865).
#ATENÇÃO: O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício
do cargo e relacionados às funções desempenhadas. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 03/05/2018.
CRIMES COMETIDOS POR DEPUTADO FEDERAL OU SENADOR
SITUAÇÃO COMPETÊNCIA
Crime cometido ANTES DA DIPLOMAÇÃO como Deputado ou
Senador
Juízo de 1ª instânciaCrime cometido DEPOIS DA DIPLOMAÇÃO (durante o exercício do cargo), mas o delito NÃO TEM RELAÇÃO COM AS FUNÇÕES
desempenhadas.
Ex: embriaguez ao volante.
Crime cometido DEPOIS DA DIPLOMAÇÃO (durante o exercício
do cargo) e o delito está RELACIONADO COM AS FUNÇÕES
DESEMPENHADAS.
Ex: corrupção passiva.
STF
→ INCOMPATBILIDADES (extensíveis a deputados estaduais, distritais e vereadores)
DESDE A EXPEDIÇÃO DO DIPLOMA DESDE A POSSE
Firmar ou manter CONTRATO com:
- pessoa jurídica de direito público,
- autarquia,
- empresa pública,
- sociedade de economia mista ou
- empresa concessionária de serviço público,
***salvo quando o contrato estabelecer cláusulas
uniformes***
- Ser proprietários, controladores ou diretores de
empresa que goze de favor decorrente de contrato
com
- pessoa jurídica de direito público,
- ou nela exercer função remunerada;
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Aceitar ou exercer cargo, função ou emprego
remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis ad
nutum, nas entidades constantes na alínea anterior;
Ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis
“ad nutum”, nas entidades referidas:
- pessoa jurídica de direito público,
- autarquia,
- empresa pública,
- sociedade de economia mista ou
- empresa concessionária de serviço público
Patrocinar causa em que seja interessada qualquer
das entidades:
- pessoa jurídica de direito público,
- autarquia,
- empresa pública,
- sociedade de economia mista ou
- empresa concessionária de serviço público.
Serem titulares de mais de um cargo ou mandato
eletivo.
→ PERDA DO MANDATO
CASSAÇÃO EXTINÇÃO
Depende de DELIBERAÇÃO das Casas por maioria
absoluta, devendo ser assegurada a ampla defesa.
NÃO depende de deliberação.
É ato meramente declaratório da Mesa Diretora,
de ofício ou por provocação de qualquer de seus
membros;
- quando infringir qualquer das proibições do art. 54;
- quando deixar de comparecer, em cada sessão
legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da
Casa a que pertencer
(salvo licença ou missão por esta autorizada);
- quando o procedimento for declarado incompatível
com o decoro parlamentar; - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
- quando sofrer condenação criminal em sentença
transitada em julgado. - quando o decretar a justiça eleitoral;
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→ PODER EXECUTIVO
PRESIDENCIALISMO PARLAMENTARISMO
Identidade entre chefia de estado e chefia de
governo (são a mesma pessoa).
Chefe de estado exerce função simbólica de
representar internacionalmente o país e de
corporificar a sua unidade interna.
Chefe de governo executa as políticas públicas.
Ou seja, é quem efetivamente governa e também
exerce a liderança da política nacional.
Há uma não identidade entre chefia de estado e chefia
de governo. O chefe de estado pode ser um rei (um
monarca) ou um presidente, ao passo que o chefe
de governo é o 1º ministro, que exerce o governo
conjuntamente com o seu gabinete (conselho de
Ministros).
Estabilidade de governo. Há a figura dos
mandatos fixos para o cargo de presidente.
Estabilidade democrática, construída pelo povo
nos processos democráticos. Pode até existir a figura
do mandato mínimo e do mandato máximo, todavia
ele não é fixo. Nesse sentido,tem por fundamento
a existência dos institutos: I) possibilidade de queda
do gabinete pelo parlamento (através da “moção de
censura” ou “voto de desconfiança”) e II) possibilidade
cotidiana de dissolução do parlamento pelo gabinete.
Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado.
Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultaneamente, no primeiro
domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano
anterior ao do término do mandato presidencial vigente.
§ 1º A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele registrado.
§ 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta
de votos, não computados os em branco e os nulos.
§ 3º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias
após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele
que obtiver a maioria dos votos válidos.
§ 4º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato,
convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.
§ 5º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar, mais de um candidato com a
mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.
Art. 78. O Presidente e o Vice-Presidente da República tomarão posse em sessão do Congresso Nacional, prestan-
do o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo
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brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.
Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente ou o Vice-Presidente, salvo
motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado vago.
Art. 82. O mandato do Presidente da República é de quatro anos e terá início em primeiro de janeiro do ano se-
guinte ao da sua eleição.
Art. 83. O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença do Congresso Nacional, ausen-
tar-se do País por período superior a quinze dias, sob pena de perda do cargo.
→ Linha sucessória presidencial
A substituição ocorre quando há um impedimento temporário. A sucessão ocorre no caso de vacância
definitiva do cargo. Só quem pode suceder o Presidente é o Vice.
Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente.
Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei com-
plementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais.
Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão su-
cessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal
e o do Supremo Tribunal Federal.
Sucessão em sentido estrito = DEFINITIVA
(Há vacância do cargo: morte, renúncia, condenação
por crime de responsabilidade)
Substituição = TEMPORÁRIA
Apenas o VICE pode!!!! VICE PRESIDENTE CÂMARA PRESIDENTE SENADO PRESIDENTE STF.
→ Mandato-tampão
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de
aberta a última vaga.
§ 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será
feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.
§ 2º - Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.
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Vacância dos cargos de PR E Vice nos 2
primeiros anos do mandato
Vacância dos cargos de PR E Vice nos 2 últimos anos do
mandato
ELEIÇÃO DIRETA (feita pelo povo) INDIRETA (votam apenas os Deputados e Senadores)
PRAZO 90 dias a contar da última vacância 30 dias a contar da última vacância
#SELIGA: o STF tem entendimento sedimentado de que o art. 81, §1º, da CF (regramento da sucessão presiden-
cial no caso de dupla vacância) NÃO é uma norma de reprodução obrigatória pelos Estados e Municípios
em suas respectivas Constituições/Leis Orgânicas.
- Para a Corte, compete aos entes federados, como decorrência do princípio federativo, o exercício da autono-
mia política administrativa para estabelecerem as regras da sucessão na hipótese da dupla vacância na chefia do
Poder Executivo.
- Sabe-se que é da competência privativa da União a legislação sobre direito eleitoral, todavia, o STF diz que o
procedimento de sucessão NÃO é materialmente eleitoral.
→ ATRIBUIÇÕES
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;
II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal;
III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição;
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execu-
ção;
V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;
VI – dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa
nem criação ou extinção de órgãos públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional;
IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio;
X - decretar e executar a intervenção federal;
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XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa,
expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias;
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;
XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes são privativos;
XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais
Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco
central e outros servidores, quando determinado em lei;
XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União;
XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União;
XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;
XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional;
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por
ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmen-
te, a mobilização nacional;
XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;
XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;
XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional
ou nele permaneçam temporariamente;
XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas
de orçamento previstos nesta Constituição;
XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional,dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa,
as contas referentes ao exercício anterior;
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;
XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;
XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII
e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral
da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.
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COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO PRESIDENTE DA
REPÚBLICA COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO CONGRESSO
CELEBRAR tratados, convenções e atos
internacionais, sujeitos a referendo do Congresso
Nacional.
RESOLVER DEFINITIVAMENTE sobre tratados, acordos
ou atos internacionais que acarretem encargos ou
compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
→ PODER JUDICIÁRIO
FUNÇÕES EXERCIDAS PELO PODER JUDICIÁRIO
FUNÇÕES TÍPICAS FUNÇÕES ATÍPICAS
Prestação da tutela jurisdicional Função administrativa Função legislativa
ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO
Supremo Tribunal Federal
Têm sede na Capital Federal
Conselho Nacional de Justiça
Superior Tribunal de Justiça
Tribunal Superior do Trabalho
Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais
Tribunais e Juízes do Trabalho
Tribunais e Juízes Eleitorais
Tribunais e Juízes Militares
Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e
Territórios
QUINTO CONSTITUCIONAL
MEMBROS DO
MINISTÉRIO
PÚBLICO
Mais de 10 anos de carreira
+
Notório saber jurídico + reputação ilibada
Indicado em lista sêxtupla pelo
órgão de representação
ADVOGADOS
Mais de 10 anos de efetiva atividade profissional
+
Notório saber jurídico + reputação ilibada
Indicado em lista sêxtupla pelo
órgão de representação
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O TRIBUNAL FORMA LISTA TRÍPLICE, ENVIA AO PODER EXECUTIVO.
EXECUTIVO TEM 20 DIAS PARA ESCOLHER UM DOS INTEGRANTE DA LISTA PARA NOMEAÇÃO.
#DEOLHONAJURIS: A Assembleia Legislativa de determinado Estado aprovou emenda constitucional afirman-
do que, após o Governador escolher um dos candidatos da lista tríplice para ser Desembargador pelo quinto
constitucional, ele deveria ainda submeter esse nome à apreciação da ALE. Assim, o candidato escolhido pelo
chefe do Poder Executivo somente seria nomeado se a Assembleia aprovasse a indicação pelo voto da maioria
absoluta dos Deputados. Dessa forma, foi criada mais uma etapa na escolha dos Desembargadores pelo quinto
constitucional, que não está prevista no art. 94 da CF/88. O STF julgou essa emenda inconstitucional. A exigência
de submissão do nome escolhido pelo governador à Casa Legislativa, para preenchimento de vaga destinada
ao quinto constitucional, invade a atuação do Poder Executivo. O procedimento para a escolha dos Desem-
bargadores foi tratado de forma exaustiva pelo art. 94 da CF/88, não podendo o constituinte estadual inovar e
estabelecer novas etapas que não estejam expressamente previstas na Carta Federal. STF. Plenário. ADI 4150/SP,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 25/2/2015 (Info 775).
GARANTIAS DOS MAGISTRADOS
VITALICIEDADE adquirida após dois anos de exercício
INAMOVIBILIDADE
salvo por motivo de interesse público (que pressupõe
voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do
Conselho Nacional de Justiça, assegurada ampla defesa)
IRREDUTIBILIDADE DE SUBSÍDIO Valor máximo que não pode ultrapassar o subsídio fixado para os Ministros do STF.
#ATENÇÃO: perda do cargo de magistrado.
- ANTES DO VITALICIAMENTO: pressupõe deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado.
- APÓS O VITALICIAMENTO: pressupõe sentença judicial transitada em julgado.
VEDAÇÕES AOS MAGISTRADOS
exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério
receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo
dedicar-se à atividade político-partidária
receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou
privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei
exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do
cargo por aposentadoria ou exoneração
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#ATENÇÃO: Compete aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios,
bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a
competência da Justiça Eleitoral.
#SELIGA: autonomia administrativa e financeira dos tribunais e a competência para formular suas propostas
orçamentárias.
- Se o tribunal não encaminha a proposta de lei orçamentária → o Executivo deve considerar os mesmos valores
da proposta vigente.
- Proposta de lei orçamentária em desacordo com a LDO → o Executivo pode fazer os ajustes necessários.
Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.
§ 1º Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com os
demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.
§ 2º O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros tribunais interessados, compete:
I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a aprovação
dos respectivos tribunais;
II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com a apro-
vação dos respectivos tribunais.
§ 3º Se os órgãos referidos no § 2º não encaminharem as respectivas propostas orçamentárias dentro do prazo
estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo considerará, para fins de consolidação da
proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites
estipulados na forma do § 1º deste artigo.
§ 4º Se as propostas orçamentárias de que trata este artigo forem encaminhadas em desacordo com os limites
estipulados na forma do § 1º, o Poder Executivo procederá aos ajustes necessários para fins de consolidação da
proposta orçamentária anual.
§ 5º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção
de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente
autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais.
#OLHAOGANCHO #DEOLHONAJURIS: Salvo em situações graves e excepcionais, não cabe ao Poder Judiciá-
rio, sob pena de violação ao princípio da separação de Poderes, interferir na função do Poder Legislativo de de-
finir receitas e despesas da Administração Pública, emendando projetos de leis orçamentárias, quando atendidas
as condições previstas no art. 166, §§ 3º e 4º, da Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 5468/DF, Rel. Min. Luiz
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Fux, julgado em 29 e 30/6/2016 (Info 832).
#VAICAIR:
COMPETÊNCIA DOS JUÍZES FEDERAIS
Interesse da União, suas autarquias e empresas públicas (SALVO FALÊNCIA, ACIDENTE DE TRABALHO,
JUSTIÇA ELEITORAL E JUSTIÇA DO TRABALHO)
ESTADO estrangeiro OU organismo internacional
X
MUNICÍPIO ou PESSOA domiciliada ou residente
no Brasil
RECURSO ORDINÁRIO PARA O STJ
Tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional
Crimes políticos RECURSO ORDINÁRIO PARA O STF
Crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando iniciada a execução no Brasil, o resultado
tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente(hipótese de crime à distância)
INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE
COMPETÊNCIA
- grave violação de direitos humanos
- para assegurar o cumprimento de obrigações
decorrentes de tratados internacionais de direitos
humanos dos quais o Brasil seja parte
- em qualquer fase do inquérito ou do processo
- Iniciativa do PGR
- Competência do STJ
Crimes contra a organização do trabalho
Crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira
Habeas corpus quando a autoridade coatora estiver sob sua jurisdição
Mandado de segurança contra ato de autoridade federal (RESSALVADA A COMPETÊNCIA DO TRF)
Habeas data contra ato de autoridade federal
(RESSALVADA A COMPETÊNCIA DO TRF)
os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar
execução de carta rogatória, após o exequatur, e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas
referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização
disputa sobre direitos indígenas
→ CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA
- Inovação da EC 45/2004
- Controla a atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário.
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- Fiscaliza o cumprimento dos deveres funcionais dos juízes.
- É órgão administrativo de controle interno, de colegialidade heterogênea.
- NÃO TEM COMPETÊNCIA JURISDICIONAL (sua atuação não pode interferir nos atos jurisdicionais praticados
pelos membros do Poder Judiciário); também não pode decidir matéria que já foi judicializada (embora sua com-
petência não seja subsidiária, mas originária e concorrente).
- NÃO TEM COMPETÊNCIA para o controle de constitucionalidade. Pode apenas apreciar a legalidade dos atos
administrativos.
COMPOSIÇÃO
(15 membros; mandato de 2 anos, admitida uma recondução)
Presidente do Supremo Tribunal
Federal
Membro nato (é o presidente do
CNJ)
1 Ministro do STJ
indicado pelo STJ
É O MINISTRO CORREGEDOR
nomeados pelo Presidente da
República, depois de aprovada
a escolha pela maioria
absoluta do Senado Federal.
1 Ministro do TST indicado pelo TST
1 Desembargador de TJ Indicado pelo STF (#ATENÇÃO)
1 Juiz Estadual Indicado pelo STF
1 Juiz do TRF Indicado pelo STJ (#ATENÇÃO)
1 Juiz Federal Indicado pelo STJ
1 Juiz do TRT Indicado pelo TST (#ATENÇÃO)
1 Juiz do Trabalho Indicado pelo TST
1 Membro do MPU Indicado pelo PGR
1 Membro do MPE Escolhido pelo PGR dentre nomes indicados pela Instituição
2 Advogados Indicados pela OAB (conselho federal)
2 cidadãos
Um indicado pela Câmara dos
Deputados e outro indicado pelo
Senado Federal
#ATENÇÃO: o Vice-Presidente do STF é membro eventual do CNJ, porque substitui o Presidente nos casos de
ausência e de impedimento.
#DEOLHONAJURIS: O TRF condenou juiz federal à pena de aposentadoria compulsória. Ocorre que, em virtude
de alguns Desembargadores terem se averbado suspeitos, este juiz foi condenado com um quórum de maioria
simples. O CNJ reconheceu a irregularidade da proclamação do resultado e anulou o julgamento de mérito re-
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alizado pelo TRF. Isso porque o art. 93, VIII e X, da CF/88 exige quórum de maioria absoluta do tribunal. Ocorre
que o CNJ, após anular o julgamento de mérito realizado pelo TRF, decidiu avocar o processo administrativo para
que o magistrado fosse julgado diretamente pelo Conselho. O juiz impetrou MS contra essa avocação, mas o STF
afirmou que o CNJ agiu corretamente. A Constituição, expressamente, confere ao CNJ competência para avocar
processos de natureza disciplinar em curso contra membros do Poder Judiciário. Assim, não há óbice para que o
CNJ anule o julgamento do Tribunal e inicie lá um outro procedimento. Uma das causas legítimas de avocação de
procedimentos administrativos pelo CNJ é justamente a falta do quórum para proferir decisão administrativa por
maioria absoluta em razão de suspeição, impedimento ou falta de magistrados. O CNJ poderia ter devolvido o
processo ao TRF2, mas optou por exercer sua competência concorrente, dentro da discricionariedade conferida
pela Constituição, para julgar o processo e evitar novas questões de suspeição e impedimento. STF. 1ª Turma. MS
35100/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 8/5/2018 (Info 901).
O CNJ não pode substituir a banca examinadora do concurso na escolha das questões, na correção de provas
e nas atribuições de notas. Assim, ao Conselho é defeso (proibido) substituir o critério valorativo para escolha
e correção das questões pela Banca Examinadora nos concursos públicos. O CNJ pode, no entanto, substituir,
anular ou reformar decisões da banca do concurso que firam os princípios da razoabilidade, da igualdade, da
legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da publicidade. Isso porque a discricionariedade da banca de
concurso não se confunde com arbitrariedade. Se houver desrespeito aos princípios constitucionais da adminis-
tração pública, será possível a plena revisão da decisão pelo Conselho. Ex: o CNJ pode anular decisão do Tribunal
de Justiça que, em concurso de cartório, deu interpretação equivocada a determinado item do edital, e conferiu
pontuação indevida a certos candidatos na fase de títulos. A pontuação conferida pela Comissão no TJ violava à
Resolução do CNJ que regulamenta os concursos de cartório. Neste caso, o CNJ atuou dentro dos limites consti-
tucionais do controle administrativo. STF. 1ª Turma.MS 33527/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/3/2018 (Info 895).
A competência originária do CNJ para a apuração disciplinar, ao contrário da revisional, não se sujeita ao
parâmetro temporal previsto no art. 103-B, § 4º, V da CF/88. STF. 2ª Turma. MS 34685 AgR/RR, rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 28/11/2017 (Info 886).
Não cabe ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cujas atribuições são exclusivamente administrativas, o controle
de controvérsia que está submetida à apreciação do Poder Judiciário. STF. 1ª Turma.MS 28845/DF, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 21/11/2017 (Info 885).
CNJ pode determinar que Tribunal de Justiça exonere servidores nomeados sem concurso público para cargos
em comissão que não se amoldam às atribuições de direção, chefia e assessoramento, contrariando o art. 37,
V, da CF/88. Esta decisão do CNJ não configura controle de constitucionalidade, sendo exercício de controle da
validade dos atos administrativos do Poder Judiciário. STF. Plenário. Pet 4656/PB, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado
em 19/12/2016 (Info 851).
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Não cabe mandado de segurança contra ato de deliberação negativa do Conselho Nacional de Justiça, por não
se tratar de ato que importe a substituição ou a revisão do ato praticado por outro órgão do Judiciário. Assim, o
STF não tem competência para processar e julgar ações decorrentes de decisões negativas do CNMP e do CNJ.
Como o conteúdo da decisão do CNJ/CNMP foi “negativo”, o Conselho não decidiu nada. Se não decidiu nada,
não praticou nenhum ato. Se não praticou nenhum ato, não existe ato do CNJ/CNMP a ser atacado no STF. Em
razão do exposto, não compete ao STF julgar MS impetrado contra decisão do CNJ que julgou improcedente
pedido de cassação de um ato normativo editado por vara judicial. STF. 2ª Turma. MS 33085/DF, Rel. Min. Teori
Zavascki, julgado em 20/09/2016 (Info 840).
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pode proceder à revisão disciplinar de juízes e membros de tribunais
desde que observado o requisito temporal: processos disciplinares julgados há menos de um ano. Essa medida
pode ser instaurada de ofício ou mediante provocação de qualquer interessado e admite que o CNJ agrave ou
abrande a decisão disciplinarrevista (art. 103-B, § 4º, V, da CF/88). STF. 1ª Turma. MS 33565/DF, Rel. Min. Rosa
Weber, julgado em 14/6/2016 (Info 830).
O CNJ possui a competência para rever, de ofício ou mediante provocação, as decisões das Corregedorias locais
que julgam, a favor ou contra, juízes e membros de Tribunais. No entanto, essa competência revisora deverá ser
exercida no prazo máximo de 1 ano depois da decisão proferida (art. 103-B, § 4º, V, da CF/88). STF. 2ª Turma. MS
32724/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2015 (Info 808).
É regular a designação de juiz auxiliar, seja ele originário do Judiciário estadual ou federal, para a condução de
sindicância, por delegação do Corregedor-Nacional de Justiça, ainda que o investigado seja magistrado federal.
A autoridade delegada atua em nome do CNJ, sendo irrelevante, portanto, se é Juiz Estadual ou Federal. STF. 2ª
Turma. MS 28513/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 15/9/2015 (Info 799).
A CF conferiu competência originária e concorrente ao CNJ para aplicação de medidas disciplinares. A com-
petência constitucional do CNJ é autônoma (e não subsidiária). Assim, o CNJ pode atuar mesmo que não tenha
sido dada oportunidade para que a corregedoria local pudesse investigar o caso. STF. 1ª Turma. MS 30361 AgR/
DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/8/2017 (Info 875). STF. 2ª Turma. MS 28513/DF, Rel. Min. Teori Zavascki,
julgado em 15/9/2015 (Info 799).
É desnecessário esgotar as vias ordinárias para que o CNJ instaure processo de revisão disciplinar. STF. 1ª Turma.
MS 28918 AgR/DF, Rel. Min. Dias Tofoli, julgado em 4/11/2014 (Info 766).
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8. Ordem Econômica e Financeira: princípios gerais da atividade econômica. Finanças Públicas: normas
gerais; dos orçamentos. 9. Ordem social: disposição geral; da seguridade social.
→ DOS PRINCÍPIOS GERAIS DA ORDEM ECONÔMICA
soberania nacional
propriedade privada
função social da propriedade
livre concorrência
defesa do consumidor
defesa do meio ambiente
redução das desigualdades regionais e sociais
busca do pleno emprego
tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas
sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País
Art. 170. Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independente-
mente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo
Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse
coletivo, conforme definidos em lei.
Art. 173. § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios
fiscais não extensivos às do setor privado.
Art. 173. § 5º A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabe-
lecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados
contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular.
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as fun-
ções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo
para o setor privado.
Art. 174. § 3º O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta
a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros.
Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão,
sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.
Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica cons-
tituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União,
garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra.
§ 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o «caput» deste
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artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional,
por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no
País, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem
em faixa de fronteira ou terras indígenas.
§ 2º - É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da lavra, na forma e no valor que dispuser
a lei.
§ 3º A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado, e as autorizações e concessões previstas
neste artigo não poderão ser cedidas ou transferidas, total ou parcialmente, sem prévia anuência do poder
concedente.
§ 4º Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do potencial de energia renovável de
capacidade reduzida.
Art. 177. Constituem monopólio da União:
I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos;
II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades previstas nos incisos
anteriores;
IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo pro-
duzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural
de qualquer origem;
V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios e
minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e utili-
zação poderão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art.
21 desta Constituição Federal.
§ 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das atividades previstas nos incisos
I a IV deste artigo observadas as condições estabelecidas em lei.
Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação
do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciproci-
dade.
Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de
pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simpli-
ficação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação
ou redução destas por meio de lei.
→ MEIO AMBIENTE
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essen-
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cial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preser-
vá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à
pesquisa e manipulação de material genético;
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente
protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização
que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativadegradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco
para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preser-
vação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecoló-
gica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo
com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou
jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a
Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que
assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, neces-
sárias à proteção dos ecossistemas naturais.
§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que
não poderão ser instaladas.
§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se consideram cruéis as práticas
desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta
Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro,
devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017)
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DIREITO CIVIL9
Lei. Eficácia da lei. Aplicação da lei no tempo e no espaço. Interpretação da lei. Lei de Introdução às nor-
mas do Direito Brasileiro.
Oi pessoal, tudo bem? Antes de começarmos o nosso NFPSS de Direito Civil, pela LINDB, gostaria de re-
lembrar que o conteúdo da prova de vocês aqui é puramente a letra da lei e as súmulas mais importantes. Então
#SANGUENOSOLHOS e #LEISECANAVEIA!
A LINDB é uma lei que recorrentemente é cobrada pela FCC e que teve inclusão de artigos o ano passado,
então ela é uma boa aposta pra essa prova! #APOSTACICLOS
#NÃOCAIDESPENCA #COLANARETINA
Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de
oficialmente publicada.
§ 1º Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois
de oficialmente publicada.
§ 2º (Revogado pela Lei nº 12.036, de 2009).
§ 3º Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo
deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação.
§ 4º As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.
#NÃOCONFUNDA
ANTES DA LEI ENTRAR EM VIGOR LEI JÁ EM VIGOR
- Nova publicação do texto
- Destinada para correção
- Prazo da vacatio legis começa a correr da nova
publicação
- Correção de texto de lei já em vigor
- Considerado como lei nova
AFIRMATIVAS CONSIDERADAS CORRETAS PELA FCC:
Diante do advento de uma nova lei que não apresente qualquer disposição a respeito do início de sua vigência,
haverá período de vacatio legis pelo prazo de quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada.
9 Rafaela Gerbi.
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Suponha que venha a ser ditada, sancionada e promulgada lei alterando dispositivos do Código Civil. Nesse
caso, de acordo com a Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, a nova lei começará a vigorar em todo o
País, salvo disposição em contrário, em 45 dias.
De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, as correções a texto de lei já em vigor con-
sideram-se lei nova.
Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
§ 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível
ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
§ 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem mo-
difica a lei anterior.
§ 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a
vigência.
AFIRMATIVAS CONSIDERADAS CORRETAS PELA FCC:
Ao dizer que, salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a
vigência, a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro está referindo-se à repristinação.
De acordo com a Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, se a lei “A” for revogada pela “B”, e a lei “B”
for revogada pela lei “C”, a lei “A” voltará a ter vigência somente se a lei “C” prever expressamente esse efeito.
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a
coisa julgada.
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aque-
les cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de
outrem.
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.
AFIRMATIVA CONSIDERADA CORRETA PELA FCC:
André adquiriu um terreno onde pretendia construir uma fábrica de tintas. Na época da aquisição, não havia lei
impedindo esta atividade na região em que se localizava o terreno. Passado o tempo, porém, antes de André iniciar
qualquer construção, sobreveio lei impedindo o desenvolvimento de atividades industriais naquela área, por razões
ambientais. A lei tem efeito imediato e atinge André, que não tem direito adquirido ao regime jurídico anterior a
seu advento.
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Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalida-
de, o nome, a capacidade e os direitos de família.
§ 1º Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimen-
tes e às formalidades da celebração.
§ 2º O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do
país de ambos os nubentes.
§ 3º Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do primeiro do-
micílio conjugal.
§ 4º O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes domicílio,
e, se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal.
§ 5º - O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa anuência de seu cônju-
ge, requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a adoção do regime
de comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente registro.
§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será reconhecido
no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença, salvo se houver sido antecedida de separação judicial por
igual prazo, caso em quea homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para a
eficácia das sentenças estrangeiras no país. O Superior Tribunal de Justiça, na forma de seu regimento interno, po-
derá reexaminar, a requerimento do interessado, decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças
estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais.
§ 7º Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos filhos
não emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda.
§ 8º Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele
em que se encontre.
Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o de-
saparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.
§ 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício do
cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei
pessoal do de cujus.
§ 2º A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.
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#TABELALOVERS
CASOS MAIS COBRADOS – ART. 7º E 10º.
LEI DO PAÍS DO DOMICÍLIO
Começo e fim da personalidade
Nome
Capacidade
Direitos de família
Sucessão, por morte ou ausência
Capacidade para suceder do herdeiro ou legatário
SUCESSÃO DE BEM DE ESTRANGEIRO, SITUADO
NO BRASIL
Lei brasileira em benefício de cônjuge ou filhos
brasileiros
Exceção: lei do país do domicílio quando esta for mais
benéfica ao cônjuge e filhos brasileiros.
CASAMENTO DE ESTRANGEIRO Pode ser realizado por autoridade diplomática ou consular do país de AMBOS os nubentes.
LEI DO DOMICÍLIO DOS NUBENTES Regime de bens, legal ou convencional
LEI DO PRIMEIRO DOMICÍLIO CONJUGAL
Regime de bens, legal ou convencional + nubentes
com domicílio diverso
Invalidade do matrimônio + nubentes com domicílio
diverso
AFIRMATIVAS CONSIDERADAS CORRETAS PELA FCC:
Os direitos de família são determinados pela lei do país em que domiciliada a pessoa. No caso de nubentes com
domicílio diverso, a lei do primeiro domicílio conjugal regerá tanto os casos de invalidade do matrimônio quanto
o regime de bens.
A sucessão por morte ou ausência obedece à lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido,
qualquer que seja a natureza e a situação dos bens, mas a sucessão de bens de estrangeiros, situados no Brasil, será
regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre
que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.
João, nascido na Espanha, naturalizou-se italiano, casou-se na França e estabeleceu domicílio único no Brasil,
juntamente com sua esposa. Nesse caso, de acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, serão
definidas pela lei do Brasil as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos
de família.
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Art. 9º Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem.
§ 1º Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será esta
observada, admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato.
§ 2º A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.
Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui
tiver de ser cumprida a obrigação.
§ 1º Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no
Brasil.
§ 2º A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida
pele lei brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente, observando a lei desta,
quanto ao objeto das diligências.
AFIRMATIVA CONSIDERADA CORRETA PELA FCC:
Fátima Aparecida, brasileira, viaja a Las Vegas, a passeio. Vai a um cassino, no qual perde no jogo valor
em dólares equivalente a R$ 20.000,00. Volta ao Brasil sem pagar a dívida e é acionada judicialmente.
Considerada a legalidade da cobrança no país estrangeiro, aplica-se a lei norte-americana, no tocante
ao direito material, uma vez que a obrigação foi constituída nos Estados Unidos, examinando-se sua
compatibilidade ou não com a lei brasileira no exame dos conceitos de ordem pública, soberania e bons
costumes.
#NOVIDADELEGISLATIVA
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, NÃO se decidirá com base em valores jurídicos
abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação
de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.
#OLHONOGANCHO: já pode lembrar que a motivação é a exteriorização do motivo, nem sempre
obrigatória, mas vinculante (teoria dos motivos determinantes), e que integra o elemento forma do ato
administrativo.
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, con-
trato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídi-
cas e administrativas.
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições
para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais,
NÃO se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso,
sejam anormais ou excessivos
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Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as dificulda-
des reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos adminis-
trados.
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma admi-
nistrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado
a ação do agente.
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos
que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os anteceden-
tes do agente.
§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de mesma
natureza e relativas ao mesmo fato.
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova
sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá
prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja
cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais.
Parágrafo único. (VETADO).
Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajus-
te, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações
gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem
inválidas situações plenamente constituídas.
Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públi-
cos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por
práticaadministrativa reiterada e de amplo conhecimento público
Art. 25. (VETADO).
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito
público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão
jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse
geral, celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos
a partir de sua publicação oficial.
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo:
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais;
II – (VETADO);
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos por
orientação geral;
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções apli-
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cáveis em caso de descumprimento.
§ 2º (VETADO).
Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, poderá impor compensação
por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos resultantes do processo ou da conduta dos envol-
vidos.
§ 1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente as partes sobre seu cabimento,
sua forma e, se for o caso, seu valor.
§ 2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado compromisso processual entre os envol-
vidos.
Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo
ou erro grosseiro.
§ 1º (VETADO).
§ 2º (VETADO).
§ 3º (VETADO).
Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo os de
mera organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para manifestação de interessados, pre-
ferencialmente por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão.
§ 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da consulta
pública, observadas as normas legais e regulamentares específicas, se houver.
§ 2º (VETADO).
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas,
inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas.
AFIRMATIVA CONSIDERADA CORRETA PELA FCC:
Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem
que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.
Das Pessoas Naturais: Da Personalidade e Da Capacidade. Dos Direitos da Personalidade.
Quase metade do edital de direito civil é composto por temas que integram a parte geral do código, mas a
boa notícia é que essa é uma parte muito simples e gostosa (tem louco pra tudo!) de rever. #PARTIUGABARITAR
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1. CAPACIDADE
ABSOLUTAMENTE INCAPAZES RELATIVAMENTE INCAPAZES
Menores de 16 anos
Maiores de 16 e menores de 18 anos
Ébrios habituais e viciados em tóxicos
Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não
puderem exprimir sua vontade
Pródigos
Como regra geral, a incapacidade cessa aos 18 anos completos, mas também cessará a incapacidade pela ocor-
rência de certos eventos:
FIM DA INCAPACIDADE PARA OS MENORES DE 18 ANOS
Pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver
dezesseis anos completos
#CASCADEBANANA: na tentativa de confundir o candidato, a banca coloca “instrumento público ou
particular”, o que está ERRADO.
Pelo casamento
Pelo exercício de emprego público efetivo
Pela colação de grau em curso de ensino superior
Pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles,
o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
Art. 6º A existência da pessoa natural termina com a morte, nos casos em que a lei autoriza a abertura de suces-
são definitiva.
Art. 7o Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o
término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgo-
tadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento.
Art. 8o Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos
comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos.
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#CASCADEBANANA
A FCC considerou ERRADA a assertiva que afirmava: “pode ser declarada a morte presumida, sem decreta-
ção de ausência, exclusivamente na hipótese da extrema possibilidade de morte de quem se encontrava em perigo
de vida.”
#MAISUMACASCADEBANANA
A FCC considerou ERRADA a assertiva que afirmava: “a comoriência, isto é, a morte de duas ou mais pessoas
na mesma ocasião, resolve-se na presunção de que a mais velha morreu primeiro, se não for possível provar quem
faleceu em primeiro lugar”.
#CHUVADEPEGADINHA
A FCC poderia fazer uma pegadinha afirmando que a comoriência é a morte de dois ou mais indivíduos que
falecem no mesmo local, o que estaria ERRADO, pois OCASIÃO NÃO É A MESMA COISA QUE LOCAL.
AFIRMATIVAS CONSIDERADAS CORRETAS PELA FCC:
Anacleto tem 17 anos, é viciado em tóxicos e, por deficiência mental permanente, não exprime sua vontade de
forma clara e inteligível. Anacleto é relativamente incapaz em relação a todas as situações indicadas.
Os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, os menores entre quatorze e dezesseis anos e aqueles que, por
causa transitória ou permanente não puderem exprimir sua vontade são, respectivamente, relativamente incapazes,
relativamente incapazes, absolutamente incapazes e relativamente incapazes.
Em relação à capacidade, considerando o que dispõe o Código Civil, entre outras hipóteses, cessará, para os
menores, a incapacidade, pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis
anos completos.
Entre outros, são incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer, aqueles que, por causa
transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade.
Durante uma tempestade uma pessoa que nadava em um perigoso rio desapareceu. As extensas buscas e averi-
guações destinadas a encontrá-la encerraram-se sem êxito. Tem-se, nesse caso, uma situação de morte presumida,
diversa de ausência.
2. DIREITOS DA PERSONALIDADE
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciá-
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veis, NÃO podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
AFIRMATIVA CONSIDERADA CORRETA PELA FCC:
Os direitos de personalidade são passíveis de cessão.
Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou
em parte, para depois da morte.
Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo.
AFIRMATIVAS CONSIDERADAS CORRETAS PELA FCC:
De acordo com o Código Civil, salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo,
quando importar diminuição permanenteda integridade física, ou contrariar os bons costumes; o ato de disposição
será admitido para fins de transplante, na forma prevista em lei especial.
Paulo se obrigou a ceder à terceiro o seu corpo, depois de morto, em contrapartida ao pagamento de mil reais
aos seus herdeiros. Nesse caso, de acordo com o Código Civil, esse contrato é inválido, pois não se admite a dis-
posição onerosa do próprio corpo para depois da morte.
Art. 19. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome.
AFIRMATIVA CONSIDERADA CORRETA PELA FCC:
Pedro de Oliveira, maior e capaz, quer acrescer a seu nome o pseudônimo “Marisco”, pois é pescador e deseja
candidatar-se a vereador usando o nome pelo qual é conhecido em Cananeia, o que é notório na cidade, passando
a chamar-se Pedro Marisco de Oliveira. Sua pretensão poderá ser deferida, gozando o pseudônimo, adotado para
atividades lícitas, da mesma proteção que se dá ao nome.
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos,
sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o côn-
juge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a
divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma
pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem
a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o
cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.
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AFIRMATIVA CONSIDERADA CORRETA PELA FCC:
Sem autorização alguma, determinada empresa passou a utilizar a imagem e o nome de João, já falecido, em
propagandas comerciais que expunham sua memória ao ridículo. Nesse caso, de acordo com o Código Civil, é
legitimado para requerer a cessação dessa prática o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou
colateral até o quarto grau.
QUALQUER DIREITO DA PERSONALIDADE
QUALQUER DIREITO DA PERSONALIDADE +
IMAGEM
DIREITO À IMAGEM
Cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha
reta, ou colateral até o quarto grau. Cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.
#SELIGANASÚMULA
Súmula 37, STJ. São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato.
Súmula 221, STJ. São civilmente responsáveis pelo ressarcimento do dano, decorrente de publicação pela impren-
sa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação.
Súmula 362, STJ. A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do arbitra-
mento.
Súmula 370, STJ. Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.
Súmula 402, STJ. O contrato de seguro por danos pessoais compreende os danos morais, salvo cláusula expressa
de exclusão.
Das pessoas jurídicas.
PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO
INTERNO PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO
U -E – DF – M Sociedades
Autarquias, INCLUSIVE AS ASSOCIAÇÕES PÚBLICAS ASSOCIAÇÕES
Entidades de caráter público criadas por lei.
Fundações
Organizações religiosas
Partidos Políticos
Empresas individuais de responsabilidade limitada
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Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato consti-
tutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo,
averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito pri-
vado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.
Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos
presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este artigo, quando viola-
rem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude.
#NOVIDADELEGISLATIVA
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela con-
fusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no
processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos
aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indireta-
mente pelo abuso. (Redação dada pela Medida Provisória nº 881, de 2019)
§ 1º Para fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização dolosa da pessoa jurídica com
o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Medida
Provisória nº 881, de 2019)
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracte-
rizada por: (Incluído pela Medida Provisória nº 881, de 2019)
I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa;
(Incluído pela Medida Provisória nº 881, de 2019)
II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto o de valor proporcional-
mente insignificante; e (Incluído pela Medida Provisória nº 881, de 2019)
III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Medida Provisória nº 881, de 2019)
§ 3º O disposto no caput e nos § 1º e § 2º também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de
administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Medida Provisória nº 881, de 2019)
§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput não autoriza
a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Medida Provisória nº 881, de 2019)
§ 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade
econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Medida Provisória nº 881, de 2019)
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Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela
subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua.
§ 1º Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução.
§ 2º As disposições para a liquidação das sociedades aplicam-se, no que couber, às demais pessoas
jurídicas de direito privado.
§ 3º Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica.
#SELIGANASÚMULA
Súmula 227, STJ. Pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
AFIRMATIVAS CONSIDERADAS CORRETAS PELA FCC:
No tocante à personalidade jurídica das sociedades, aplica-se a elas a proteção dos direitos da personalidade,
possuindo honra objetiva - mas não subjetiva - e direito à reparação de danos materiais e morais.
Em relação às pessoas jurídicas, é certo que nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização
para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua; encerrada a liquidação,
promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica.
São pessoas jurídicas de direito privado as associações, os partidos políticos, as fundações, as sociedades, as
organizações