Prévia do material em texto
ANATOMIA DAS MENINGES Elementos básicos: Dura-máter —> Paquimeninge Aracnóide Pia-máter —> Ambas Leptomeninge DURA-MÁTER Formada por tecido conjuntivo rico em fibras c o l á g e n a s , c o n t e n d o v a s o s e n e r v o s . Exclusivamente a DM do encéfalo possui 2 folhetos, 1 externo (periósteo) e outro interno. - No encéfalo a principal artéria que irriga a DM é a meníngea média, ramo da artéria maxilar interna - É ricamente inervada. O encéfalo não possui terminações sensitivas PREGAS DA DURA-MÁTER NO ENCÉFALO 1. FOICE DO CÉREBRO: Ocupa a fissura longitudinal do cérebro, separando os 2 hemisférios 2. TENDA DO CEREBELO: Projeta-se como um septo transversal entre os lobos occipitais e o cerebelo. Separa a fossa posterior da fossa média do crânio, dividindo a cavidade em supratentorial e infratentorial. 3. FOICE DO CEREBELO: Situado abaixo do cerebelo, entre os hemisférios cerebelares 4. DIAFRAGMA DA SELA: Pequena lâmina que fecha superiormente a sela túrcica, deixando apenas uma pequena passagem para a haste. * Quando retira o encéfalo, a hipófise separa CAVIDADES DA DURA-MÁTER Cavo trigeminal (de Meckel) e os seios da dura- máter que são canais venosos revestidos do endotélio e situados entre os 2 folhetos e compõem a dura-máter encefálica. Alguns apresentam expansões laterais irregulares (lacunas sanguíneas). Os seios são subdivididos em seios de abóbada e seios da base. SEIOS DA ABÓBADA: 1. SEIO SAGITAL SUPERIOR: Ímpar e mediano, percorre a margem da inserção da foice do cérebro. Termina próximo à p ro tuberânc ia occ ip i ta l i n te rna (na confluência dos seios) formada pela confluência dos seios sagital superior, reto e occipital e pelo início dos seios transversos esquerdo e direito. 2. SEIO SAGITAL INFERIOR: Situa-se na margem livre da foice do cérebro, terminando no seio reto. 3. SEIO RETO: Localiza-se ao longo da linha de união entre a foice do cérebro e a tenda do cerebelo. Recebe em sua extremidade anterior a veia magna. 4. SEIO TRANSVERSO: É par e se dispõe de cada lado ao longo da inserção da tenda do cerebelo. A partir da parte peroras do temporal se chama seio sigmoide. 5. SEIO SIGMOIDE: É a continuação do transverso até o forame jugular, onde continua diretamente com a jugular interna. Este seio drena quase todo o sangue da cavidade craniana. 6. SEIO OCCIPITAL: Pequeno e irregular, se dispõe ao longo da margem de inserção da foice do cerebelo. SEIOS DA BASE: 1. SEIO CAVERNOSO: Situado de cada lado do corpo do esfenóide e da sela túrcica. Recebe o sangue proveniente das veias oftálmica superior e central da retina e algumas veias do cérebro. É atravessado pela carótida interna, pelo nervo abducente e próximo a parede lateral pelos nervos troclear, oculomotor e ramo oftálmico do trigomio. Drena através dos seios petroso superior e inferior, além de comunicar-se com o seio cavernoso do lado oposto através do seio intercavernoso. 2. SEIOS INTERCAVERNOSO: Unem os 2 seios cavernosos, envolvendo a hipófise. 3. SEIO ESFENOPARIETAL: Percorre a face interior da pequena asa do esferoide e desemboca no seio cavernoso. 4. SEIO PETROSO SUPERIOR: Dispõe-se de cada lado, ao longo da inserção da tenda do cerebelo, na porção peroras do temporal. Drena o sangue do seio cavernoso para o seio sigmoide. 5. SEIO PETROSO INFERIOR: Percorre o sulco petroso inferior entre o seio cavernoso e o forame jugular, onde termina lançando-se na veia jugular interna. 6. PLEXO BASILAR: Ímpar, ocupa a porção basilar da occipital. Comunica-se com os seios petroso inferior e cavernoso, liga-se ao plexo do forame occipital e por ele vai até o plexo venoso vertebral interno. ARACNÓIDE Separada da dura-máter por um espaço virtual chamado subdural e da pia-máter pelo espaço subaranóideo, o qual contém o LCE. Possui também trabéculas aranóideas (teias de aranha) que ligam a aracnóide a pia-máter. CISTERNAS SUBARACNÓIDEAS 1. CISTERNA CEREBELO-MEDULAR (BULBAR) MAGNA: Ocupa o espaço entre a face inferior do cerebelo, o teto do IV ventrículo e face dorsal do bulbo. Pode ser utilizada para obtenção de líquor. 2. CISTERNA PONTINA: Está ventralmente a ponte. 3. CISTERNA INTERPEDUNCULAR: Localizada na fossa interpeduncular 4. CISTERNA QUIASMÁTICA: Situada adiante do quiasma óptico 5. CISTERNA SUPERIOR (DA VEIA CEREBRAL MAGNA): Situada dorsalmente ao teto do mesencéfalo, entre o cerebelo e o esplênico do corpo caloso. Corresponda em parte à cisterna ambiens. 6. CISTERNA DA FOSSA LATERAL DO CÉREBRO: Corresponde a depressão formada pelo sulco lateral de casa hemisfério GRANULAÇÕES ARACNÓIDEAS Em alguns pontos a aracnóide forma pequenos tufos que penetram no interior dos seios da dura-máter, constituindo as granulações aracnóideas, mais abundantes no seio sagital superior. São estruturas muito adaptadas à absorção de liquor, que nessa região cai no sangue. No adulto e mais velhos, algumas granulações tornam-se grandes e forma os corpos de Pacchioni. PIA-MÁTER Sua porção mais profunda recebe muitos prolongamentos de astrócitos do tecido nervoso constituindo a membrana pio-glial. A pia-máter da resistência ao tecido mole nervoso. Acompanha os vasos e em seu entorno forma os espaços perivasculares que funcionam como amortecedores da pulsação das artérias e pico de pressão. LÍQUOR É um fluido aquoso e incolor que ocupa o espaço subaracnóideo e as cavidades ventriculares. Sua função é proteção mecânica do SNC. É formado pelos plexos corioides (dobras da pia-máter) e pelo epêndima das paredes ventriculares. Os plexos que mais contribuem para sua formação são os laterais Ao ser secretado nos ventrículos laterais ganha o IV ventrículo através do aqueduto cerebral e então entra no espaço subaracnóideo por meio das aberturas medianas e laterais do IV ventrículo. É reabsorvido nas granulações aracnóideas que se protejam nos seios da pia-máter. Desce para a medula e apenas uma parte volta, pois existe granulações aracnóides nos prolongamentos da dura-máter acompanhando os nervos espinais. MENINGITE BACTERIANA Infecção purulenta das leptomeninges e do espaço subaracnoide. EPIDEMIO: N. meningitidis e S. pneumoniae responsáveis por 80% dos casos. A doença meningocócica acomete todas faixas etárias, mas 50% dos casos ocorrem em crianças < 5 anos, principalmente lactentes no primeiro ano de vida. A mortalidade da doença tem se mantido em 18-20% dos casos, chegando a 50% nos casos de meningococcemia. Etiologia microbiana – a N. meningitidis é um piplococo Gram-negativo aeróbio, que coloniza somente seres humanos. Os meningococos associados à doença invasiva são habitualmente encapsulados com polissacarídeo, e a natureza antigênica da cápsula é que determina o sorogrupo do microrganismo. Abaixo da cápsula, os meningocócicos são circundados por uma membrana fosfolipídica externa contendo LPS e múltiplas proteínas de membrana externa. FISIOPATOLOGIA: As bactérias que causam meningite, podem alcançar o líquido cefalorraquidiano e as meninges através de: - Acesso direto: fraturas de crânio, defeito congênito de fechamento do tubo neural (espinha bífida, meningocele, meningomielocele, meningoencefalocele) e iatrogênica (punção liquórica inadequada). - Contiguidade: otites médias, mastoidites ou sinusites. - Via hematogênica: ultrapassa a barreira hematoencefálica por ligação com receptores endoteliais, lesão endotelial ou em áreas mais susceptíveis, como o plexo coroide. - Derivações liquórica . Período de transmissibilidade – persiste até que o meningococo desapareça da nasofaringe. Em geral, a bactéria é eliminada da nasofaringe após 24h de antibioticoterapia adequada. A lise bacteriana e liberação da suas endotoxinas (Gram-negativas), ácido teicoico e peptidioglicano(Gram-positivas) da parede celular, induzem a produção de citocinas inflamatórias que aumentam a permeabilidade da barreira hematoencefálica, causando edema vasogênico e hidrocefalia através deste mecanismo: Por este mesmo mecanismo, há formação de edema intersticial junto com a hidrocefalia. Além disso, a migração de leucócitos resulta em degranulação e liberação de metabólitos tóxicos que geram edema citotóxico, crises epilépticas e até mesmo acidente vascular. A consequência desses eventos é o aumento da pressão intracraniana e até mesmo coma. CLÍNICA O período de encubação é de 2-10 dias e a apresentação clínica pode ser na forma de 3 síndromes, que não necessariamente estão todas presentes. • Síndrome toxêmica: Queda importante do estado geral, febre alta, delirium, e quadro confusional. Sinal de Faget (dissociação pulso-temperatura) pode estar presente. • Síndrome da Hipertensão Intracraniana (HIC): Cefaleia, náuseas e vômitos. • Síndrome da irritação meníngea: Rigidez nucal, sinal de Kernig, sinal de Brudzinsk e desconforto lombar. Somente 50% dos pacientes apresentam essa tríade. Outros achados são convulsões e sinais neurológicos focais. A presença de lesões cutâneas é bem características da N. meningitidis. Sinal de Brudzinski: Consiste numa limitação, pela dor, da flexão do pescoço, acompanhada secundariamente, de flexão dos joelhos. Ameniza a dor da flexão do pescoço. Sinal de Kernig: Limitação dolorosa da extensão da perna, quando se traciona a coxa sobre a bacia. Sinal de Lasègue: O paciente reage com manifestação de dor à movimentação passiva da coxa sobre a bacia (mantendo a perna estendida). Secundariamente, há flexão ativa, concomitante, da outra coxa sobre a bacia A infecção por meningococo pode levar a meningite e meningococcemia, sendo denominada como doença meningocócica, que é um problema de saúde pública devido ao risco de surtos. 15-20% possuem evolução rápida e muitas vezes fulminante devido a septicemia meningocócica, apresentando choque e coagulação intravascular disseminada (CIDV), compondo a Síndrome de Waterhouse- Friderichsen. Em lactentes, a presença de rigidez da nuca quase nunca está presente, sendo necessário analisar o quadro geral, abaulamento da fontanela e dados epidemiológicos para a suspeição de meningococo. Muitas vezes a criança pode apresentar convulsões associadas. A meningite tuberculosa não tratada, classicamente possui curso da doença dividido em 3 estágios: • Estágio I: Tem duração de 1 a 2 semanas, sintomas inespecíficos (febre, mialgias, sonolência, apatia, irritabilidade, cefaleia, anorexia, vômitos, dor abdominal e mudanças súbitas do humor), e pode estar lúcido. • Estágio II: Surgimento de evidências de dano cerebral com aparecimento de paresias, plegias, estrabismo, ptose palpebral, irritação meníngea e HIC. Podem surgir manifestações de encefalite, com tremores periféricos, distúrbios da fala, trejeitos e movimentos atetóides. • Estágio III ou período terminal: Déficit neurológico focal, opistótono, rigidez de nuca, alterações do ritmo cardíaco e da respiração e rebaixamento do nível de consciência, incluindo o coma DIAGNÓSTICO O diagnóstico das meningites bacterianas é através da análise do LCR, principalmente o exame quimiocitológico e a cultura. Está indicado fazer TC de crânio antes de puncionar quando há: • Déficits focais, convulsões; • Lesões prévias no SNC; • Rebaixamento do nível de consciência; • Sinais de HIC; A punção liquórica está contraindicada se houver piodermite no local. Na tabela estão as alterações que diferenciam a etiologia da meningite através dos exames quimiocitológicos do LCR. HAEMOPHYLUS INFLUENZAE: É um cocobacilo gram-negativo. Coloniza a orofaringe e o trato respiratório.Em adultos normalmente é secundária à quadros de acometimento do trato respiratório, sinusite aguda, otite média ou fratura do crânio, podendo estar associado a deficiência imunológica, diabetes mellitus e alcoolismo. Período de incubação de 5-6 dias, início mais insidioso dos sintomas. Infecção comum na 1ª infância e é de início geralmente súbito. É característica da diabetes a dificuldade em cicatrização, então lesões (na nasofaringe por ex) tem facilidade de serem disseminadas, já o alcoolismo, com os danos hepáticos, há a diminuição de proteínas de fase aguda e também diminui a capacidade da medula de produzir células de defesa (cirrose pode levar a imunossupressão). Linhagens não encapsuladas são comuns e presentes na orofaringe da maioria das pessoas saudáveis. A forma virulenta é a encapsulada. Há 6 sorotipos (A, B, C, D, E e F), sendo o tipo B o mais prevalente e o que há vacina. STREPTOCOCUS PNEUMONIAE: A suscetibilidade está associada aos baixos níveis de anticorpos contra antígenos da cápsula polissacarídica. Preocupa a frequência de cepas resistentes. O pneumococo está presente na microbiota normal do trato respiratório superior. Preferência pelo espaço subaracnóide. Bastante comum na população idosa e na infância, esse público corresponde a mais de 50% das ocorrências. A vacina cobre todos os sorotipos mais prevalentes no Brasil. Em geral, esta infecção é uma complicação da otite média, mastoidite, sinusite, fraturas de crânio, infecções respiratórias superiores e pulmonares, sendo que alcoolismo, asplenismo e doença falciforme predispõe o paciente a esta meningite. A IgA (que protege as mucosas) se liga ao streptococo, e ele a usa para se aderir ao epitélio. Uma vez aderido no epitélio ele o invade, cai na corrente sanguínea e se liga a IgG dela. O streptococcus tem uma enzima que destrói a porção constante da IgG (destruindo-a), mas não destrói a parte variável. Bloqueia a opsonização e evita a conversão de sistema complemento na superfície da bactéria. MENINGITE MENINGOCÓCICA: É a mais frequente das MB, apresenta um comprometimento rápido das meninges, período de encubação de 3 dias e início súbito e ainda desenvolve um quadro de coagulação intravascular disseminada (septicemia). Tem maior possibilidade de sequelas que as outras. Não produz nenhuma toxina especifica, nem atinge nenhuma célula específica. A cápsula bacteriana (rica em açúcares) é seu fator de virulência, pois bloqueia a fagocitose. Por ser uma CGN apresenta lipopolissacarídeos, que é uma endotoxina. Ao evitar a fagocitose e se multiplicar pedaços de cápsula são liberados no ambiente. Quando esses lipopolissacarideos atingem as meninges (tecido conjuntivo) os macrófagos os identificam (quando encosta o receptor LCR no lipopolissacarideo ele libera citocinas – IL-1 e TNFa - que promovem inflamação e ativação do endotélio para que quando os leucócitos passem nos vasos eles façam a rolagem e a diapedese – atração), promovem uma inflamação tecidual e desse modo há: extravasamento de fluidos dos vasos, ativação do endotélio e migração de células para a região. O mecanismo patogênico da nisseria é o lipopolissacarideo que é reconhecido pelo macrófago, promovendo atração de leucócitos e edema tecidual, mas tudo isso está ocorrendo dentro de uma caixa fechada, então leva ao aumento da pressão intracraniana. A capsula garante que a bactéria continue circulando no organismo. Se a bactéria passa a agir no corpo todo ela promove uma vasodilatação generalizada levando ao choque séptico. O primeiro local que essa bactéria coloniza é a região da nasofaringe por fímbrias. Durante a fase aguda, antes de apresentar acometimento das meninges o indivíduo apresenta uma faringite (pode ter febre e coriza). Em cerca de 20% da população é possível encontrar Nisseria meningitidis na nasofaringe de maneira assintomática. A via de transmissão é por compartilhamento de gotículas. Quando identificamos uma pessoa com meningite meningocócica é necessário realizar a quimioprofilaxia de todos os indivíduosque entraram em contato com o infectado. Há 13 sorogrupos de relevância médica, os mais importantes são: A, B, C e W135. A vacina no Brasil é contra o subgrupo C. Não há vacinas eficientes contra o B. O W135 é responsável por 1 a 2% dos casos de meningite meningocócica no Brasil. Há a morte de 7 a 10% mesmo se tratada, podendo ocorrer sequelas graves. MENINGITES VIRAIS AGUDA Agentes etiológicos: vírus do gênero enterovírus, responsáveis por infecções do TGI inferior, geralmente por via fecal-oral, mas também pode ser via respiratória. - Período de encubação mais lento: entre 7 e 14 dias, podendo variar de 2-35 dias. - Os pacientes tendem a ser mais estáveis e a probabilidade de ocorrer danos a longo prazo é menor do que nas bacterianas. Pode ocorrer morte por elevação da pressão intracraniana e colapso do sistema nervoso. - O paciente pode apresentar sinais inespecíficos de uma virose gastrointestinal na fase inicial, como vômitos, anorexia e diarreia. Também pode haver episódios de tosse, faringite, mialgia e erupção cutânea. Apresenta sinais de irritação meníngea. MENINGITE SUBAGUDA Os agentes comuns: M. tuberculosis, C. neoformans, H. capsulatum, C. immitis e T. pallidum. A infecção inicial por M. tuberculosis é adquirida por inalação de núcleos de gotículas aerossolizadas. A meningite tuberculosa em adultos não se desenvolve agudamente por disseminação hematogênica dos bacilos da tuberculose p/ as meninges. Em vez disso, tubérculos de tamanho de grãos de milhete formam-se no parênquima do cérebro durante a disseminação hematogênica dos bacilos no curso da infecção primária. Esses tubérculos aumentam e costumam ser caseosos. A propensão de lesão caseosa a produzir meningite é determinada por sua proximidade do espaço subaracnóideo (ESA). Os antígenos microbacterianos produzem intensa reação inflamatória que leva à produção de exsudato espesso, o qual ocupa as cisternas basilares e circunda os nervos bem como os principais vasos sanguíneos cranianos, na base do encéfalo. As infecções fúngicas são adquiridas por inalação de esporos fúngicos transmitidos pelo ar. A infecção pulmonar inicial pode ser assintomática ou apresentar-se com febre, tosse, expectoração e dor torácica. A infecção pulmonar é muitas vezes autolimitada. Assim, micose pulmonar pode permanecer dormente até que haja uma anormalidade da imunidade celular, permitindo a reativação do fungo e sua disseminação p/ o SNC. A causa mais comum da meningite fúngica é o C. neoformans , fungo encontrado no solo e nas excretas de pássaros. As anormalidades clássicas do LCS na meningite tuberculosa são: • Elevação da pressão de abertura • Pleocitose linfocitária • Elevação da concentração de proteína na faixa de 1 a 5g/L • Redução da concentração de glicose na faixa 1,1 a 2,2 mmol/L. A combinação de cefaleia inexorável, rigidez de nuca, fadiga, sudorese noturna, febre com pleocitose linfocitária e moderada redução da concentração de glicose é altamente suspeita de meningite tuberculosa. MENINGITE FÚNGICA Com a notável exceção da espécie Candida, acredita-se que muitos patógenos fúngicos sejam adquiridos por inalação. O comprometimento meníngeo, isolado ou associado a uma infecção amplamente disseminada, resulta da disseminação hematogênica a partir dos pulmões. Isso pode ocorrer após a infecção primária, ou após um período de infecção latente e controlada, quando a imunidade do hospedeiro está comprometida. A proteção contra o Cryptococcus neoformans e as micoses endêmicas está associada a uma resposta inflamatória granulomatosa ativa, e depende da imunidade intacta mediada por células envolvendo as células T CD4 e CD8 (padrão Th1 de liberação de citocina). A infecção criptocócica é arquirida pela inalação de pequenas leveduras ou basidiósporos. A infecção pulmonar primária é assintomática. Reativação dessa infecção latente pode ser importante na meningite criptocócica associada ao vírus do HIV. O organismo tem predileção particular por disseminação para o cérebro, isso pode ser relacionado à produção de melanina que interfere na destruição oxidativo por fagócitos, da L-dopa no cérebro. Patógenos primários: - Cryptococcus neoformans - Coccidioides imitis - Histoplasma capsularam Os secundários são oportunistas: - Cândida - Aspergilus HISTÓRIA CLÍNICA Meningite criptocócica: - Meningoencefalite - Indivíduos com HIV e transplantados são o maior grupo de risco - Cefaléia progressiva (70-90%) - Febre (50-90%) com duração de semanas - Sintomas podem evoluir para náusea, vômito, alteração do comportamento - Tosse e dispneia podem refletir comprometimento pulmonar Meningite histoplasmática: - Febre, cefaléia, rigidez da nuca em decorrente de meningite subaguda ou crônica - Sintomas neurol´gicos focais devido a lesão focal no cérebro ou medula e AVC - Alteração no estado mental e comportamental secundario à encefalite Meningite coccidiodal: - Cefaleia, febre, náusea, vômito e alterações do comportamento - H i d r o c e f a l i a : c e f a l e i a , náusea, visão dupla ou turva, distúrbio da marcha, perda de m e m ó r i a , c o n f u s ã o , incontinência urinária Meningite por cândida: - Febre, cefaléia TRATAMENTO A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada logo após a punção lombar e coleta de sangue para hemocultura de preferência. É recomendado iniciar antes ou com primeira dose do antibiótico, corticoterapia com Dexametasona 10mg, IV, 6/6h por 4 dias, o que irá diminuir a inflamação do SNC e reduzir os danos neurológicos secundários. Com a identificação do agente específico, a antibioticoterapia vai ser modificada: • Neisseria meningitidis: duração de 7 a 10 dias o Penicilina cristalina, 250-400.000 U/kg/dia (até 24 milhões U/dia), 4/4h o Ampicilina, 200-400 mg/kg (até 12 g/dia), 6/6h ▪ Alergia a penicilina: Cloranfenicol • Haemophilus influenzae: Ceftriaxone, 100mg/kg/dia (até 4 g/dia), 12/12h, de 7 a 10 dias • Streptococcus pneumoniae: duração de 10 a 14 dias o Penicilina cristalina, 250-400.000 U/kg/dia (até 24 milhões U/dia), 4/4h o Ceftriaxone, 100mg/kg/ dia (até 4 g/dia), 12/12h ▪ Pneumococo-resistente: Vancomicina, 40 mg/kg/dia (2g/dia), 6/6h Enterobactérias: Ceftriaxone, 100mg/kg/dia (até 4 g/dia), 12/12h, de 14 a 21 dias • Listeria monocytogenes: Ampicilina, 200-400 mg/kg (até 12 g/dia), 6/6h, por 21 dias. O paciente deve ficar em isolamento respiratório no caso de hemófilo ou meningococo. Outras medidas são: ✓Hidratação como soro fisiológico ou ringer lactato; ✓ Elevar cabeceira da cama; Nos casos de meningite bacteriana por meningococo ou hemófilo, a quimioprofilaxia é importante para evitar disseminação e deve ser iniciada até 24h de preferência. • Hemófilos: Rifampicina, 20 mg/kg para crianças e 600 mg/dia para adultos, VO, 1x ao dia, por 4 dias. o Adultos da mesma casa e que haja pelo menos 1criança com <4anos não vacinada; o Crianças que convivem em ambientes coletivos (creche, orfanato) e tiveram contato; o Todos que mantiveram contato íntimo com o caso índice. • Meningococo: Rifampicina, 10 mg/kg para crianças e 600 mg/dia para adultos, VO, 12/12h por 2 dias. • Alternativa: Ciprofloxacina 500mg, VO ou Ceftriaxone 250 mg, IM dose única em ambos. o Aqueles que moram na mesma residência; o Relação intima com contato com as secreções orais; o Colegas de classe de escola, creche ou berçário e adultos que tenha mantido contato na mesma instituição; o Profissionais de saúde que entraram em contato direto com a secreção do paciente. VACINAS: Sistema Único de Saúde (SUS) Na rede pública, a vacina é contra o meningococo do sorotipo C, o pneumococo e o hemófilos influenza do tipo B. 1) Meningocócica C: Protege contra a meningite causada pela bactéria meningococo, o tipo mais agressivo, sorotipo C. Calendário: primeira dose aos trêsmeses de idade, depois aos cinco meses. Aos 12 meses de idade, ocorre o primeiro reforço e, entre 11 e 14 anos, o segundo reforço. 2) Pneumocócica 10-valente conjugada: Protege contra 10 sorotipos da bactéria pneumococo, responsável por meningite, pneumonia e otite aguda. Calendário: primeira dose aos dois meses de idade e segunda dose aos quatro meses de idade. Reforço aos 12 meses. 3) Haemophilus influenzae b: Protege contra a bactéria hemófilos influenza do tipo B Calendário: primeira dose aos dois meses, segunda dose aos quatro meses e terceira dose aos seis meses. VACINAS: Clínicas particulares * Na rede privada, há uma gama maior de imunizações. 1) Meningocócica C: É a mesma disponível no SUS, contra o sorotipo C da bactéria meningococo. Calendário: primeira dose aos três meses de idade, depois aos cinco meses. Aos 12 meses de idade acontece o primeiro reforço. Aos seis anos, ocorre o segundo reforço (no SUS, esta dose não é aplicada) e, por último o terceiro reforço aos 11 anos. 2) Meningocócica B: Contra o sorotipo B do meningococo. Calendário: primeira dose aos três meses de idade, com mais duas aplicações no primeiro ano de vida. Reforço aos 12 meses de idade. Para quem não se vacinou no primeiro ano de vida, a imunização ocorre entre os 18 meses de idade e os 20 anos, com duas doses. Entre os 20 e os 60, apenas em situação de risco (como um indivíduo que mora com alguém que teve meningite bacteriana). Quem tem mais de 60 anos tem indicação para tomar uma dose. 3) Meningocócica conjugada: Protege contra os sorotipos A, C, W e Y do meningococo. Calendário: primeira dose aos três meses de idade, seguida de duas doses até os 12 meses de idade. Reforço no 12º mês, aos cinco e aos 11 anos. Entre os 20 e os 60 anos, a proteção é indicada apenas em situação de risco. 4) Pneumocócica 10-valente conjugada: Protege contra 10 sorotipos da bactéria pneumococo, responsável por meningite, pneumonia e otite aguda. Calendário: primeira dose aos dois meses de idade e segunda dose aos quatro meses de idade. Reforço aos 12 meses. Quem tem entre seis meses e 60 anos de idade, a imunização é indicada em situações de risco. A partir dos 60, a indicação é de uma dose. 5) Pneumocócica 23-valente: Protege contra 23 sorotipos de pneumococo Calendário: não cabe para crianças. Entre os 24 e os 60 anos, apenas pessoas em situação de risco. A partir dos 60, duas doses com intervalo de cinco anos.