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Microeconomia Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Profa. MS. Bruno Leonardo Silva Tardelli Revisão Textual: Profa. Ms. Luciene Oliveira da Costa Santos Preferências do Consumidor 5 • Introdução • Cesta de mercado • Premissas básicas • Curvas de indiferença • Mapa de indiferença • Utilidade • Taxa marginal de substituição (TMS) • Cálculo da taxa marginal de substituição (TMS) • Taxa marginal de substituição decrescente • Formatos especiais de curvas de indiferença • Considerações finais · Esta unidade tem como objetivo principal levantar os aspectos gerais sobre as preferências dos consumidores. Busca-se apresentar as principais características do consumidor e como ele constrói suas preferências de consumo. Nesta orientação de estudos, constam as informações gerais para lhe direcionar a respeito das atividades a serem desempenhadas, até mesmo para que o estudo tenha o rendimento ideal. Siga os seguintes passos na ordem: 1) Em primeiro lugar, observe a representação visual da unidade. Na representação esquemática, você poderá ter uma visão geral do caminho a ser percorrido ao longo da unidade. 2) Em segundo lugar, no tópico de contextualização, é importante notar que as preferências de consumo entre os agentes econômicos podem ser distintas. 3) Em terceiro lugar, ao longo do material teórico, busque entender a formação de uma curva de indiferença, bem como alguns casos especiais. Além do material teórico, você terá acesso a apresentação de Power Point narrado sobre o texto. 4) Em quarto lugar, acompanhe a aula em vídeo ligada a esta unidade. Ela auxiliará para algum ponto específico que ainda tenha dúvida. 5) Em quinto lugar, realize a atividade de aprofundamento, que está no formato de atividade de aplicação. Nesta atividade, haverá um exercício, em que você deve construir um gráfico, a fim de representar a situação descrita no enunciado. 6) Em sexto lugar, na atividade de sistematização, você irá responder o que será pedido, com o intuito de fixar o conteúdo. Trata-se de atividades autocorrigíveis pelo Blackboard. 7) Em sétimo lugar, verifique o material complementar da unidade, no qual contém uma reportagem sobre a mudança das preferências do consumidor durante a Copa do Mundo 2014. Preferências do Consumidor 6 Unidade: Preferências do Consumidor Contextualização Cada carrinho com cestas de produtos diferentes, cada consumidor com suas próprias preferências: Fonte: iStock/Getty Images 7 Introdução O estudo do consumidor no seu nível mais básico contempla apenas a existência de uma curva de demanda, que é construída para explicitar o comportamento da quantidade demandada em relação às possibilidades de preços em determinado mercado. Entretanto, o estudo do consumidor não se encerra neste ponto. Cada ponto possível em uma curva de demanda possui em si algo mais profundo. Para ter noção desta profundidade, esta unidade tem a pretensão de iniciar este estudo apresentando como o consumidor racional expõe mentalmente suas preferências. A fim de haver uma melhor absorção do que foi exposto no primeiro parágrafo desta unidade será apresentado um exemplo do cotidiano. Suponha que você vai a um restaurante no horário do almoço. Ao verificar o cardápio, verifica uma série de pratos absolutamente diversos em sabor. Com algum tempo de observação, você provavelmente olha o cardápio e consegue definir os pratos de maior preferência e pratos menos preferidos. Os pratos preferidos serão aqueles que lhe trazem maior prazer. Esta unidade tem como objetivo principal apresentar as preferências do consumidor. Para tal os seguintes pontos serão abordados: • O conceito de cesta de mercado; • As premissas básicas do comportamento do consumidor; • As curvas de indiferença, que apresenta a ideia de possibilidades de opções de consumo que são indiferentes ao agente demandante; • O mapa de indiferença, que descrevem conjuntos de curvas de indiferença; • O conceito de utilidade; • A taxa marginal de substituição, a qual mostra a quantidade de bens que um agente está disposto a deixa de consumir por outro tipo de bem; • Como a taxa marginal de substituição é vista como decrescente e como isto impacta no formato das curvas de indiferença; e, • Apresentação dos formatos especiais das curvas de indiferença. Cada um destes pontos estará separado por seções. 8 Unidade: Preferências do Consumidor Cesta de mercado O consumidor é um agente econômico que possui liberdade para adquirir uma série de bens, que podem ser distintos. Uma cesta de mercado é uma “lista com quantidades específicas de um ou mais bens” (PINDYCK e RUBINDFELD, 2010). Suponha por exemplo que um comprador tenha duas opções no mercado somente: a compra de arroz e feijão, ou seja, neste mundo somente haveria consumo destes dois bens. O consumidor poderia adquirir vários tipos de cestas alternativas. Observe a tabela 1, que consta alguns tipos de cestas possíveis para este agente ao longo de um mês. O consumidor pode, por exemplo, querer consumir a cesta A (um quilo de arroz e dois quilos de feijão) ou qualquer outra cesta que atenda a necessidade dele. Tabela 1 – Cestas de Mercados distintas Cesta de Mercado Quilos de Arroz Quilos de Feijão A 2 4 B 2 8 C 2 10 D 4 6 E 6 8 F 8 4 Em torno destas cestas, podem haver algumas que o indivíduo prefira a outra. 9 Premissas básicas O consumidor que será estudado não deve ser visto como um consumidor “louco”, que realiza qualquer decisão sem a menor reflexão. O estudo pautará de um perfil de consumidor que possui as seguintes premissas: 1. As preferências são completas (integralidade ou completude); 2. As preferências são transitivas (transitividade); e, 3. Mais é melhor do que menos. Cada uma delas será vista de forma cuidadosa e será possível enxergar a figura de um consumidor com a característica de um agente racional. Preferências completas (integralidade ou completude) Assumir que as preferências são completas implica dizer que o consumidor consegue responder qual cesta de bens ele prefere, quando lhe são dadas opções. Preferências transitivas (transitividade) Ao tomar por hipótese que as preferências são transitivas, o indivíduo além de comparar cestas, tem a capacidade de ordená-las. Por exemplo, se for considerado três frutas: melão, laranja e morango e perguntar qual a ordem de preferências, o indivíduo com preferências transitivas deve ser capaz de realizar esta ordenação. Assim, para um indivíduo com preferências transitivas, se ele prefere melão a laranja e laranja a morango, não deve ser possível preferir morango a melão. Se melão é preferível a laranja e laranja é preferível a morango, então, para o indivíduo com preferências transitivas, melão deve ser preferível a morango. Para pensar Se o indivíduo tem quatro possibilidades de cores para escolher: azul, amarelo, verde e rosa. Se ele diz: “azul é preferível a amarelo”, “amarelo é preferível a verde” e “verde é preferível a rosa”, se o indivíduo tiver preferências transitivas então as perguntas que podem surgir são as seguintes: a) Azul será preferível a rosa? Resposta: Sim. b) Rosa será preferível a amarelo? Resposta: Não. c) Azul será preferível a verde? Resposta: Sim. Mais é melhor do que menos O indivíduo dotado da racionalidade que a microeconomia apresenta é de um consumidor que sempre deseja mais. Ou seja, para ele, ter duas peças de roupa é preferível a ter apenas uma; ter dez peças de roupa preferível a ter 9 peças e assim por diante. Normalmente a microeconomia trabalha com a ideia de que os indivíduos são insaciáveis, por sempre preferirem uma maior quantidade de bens em relação a uma menor. 10 Unidade: Preferências do Consumidor Curvas de indiferença Algumas cestas de consumopodem ser preferíveis a outras. Por exemplo, dadas as premissas anteriores, pode-se perceber algumas relações de preferências para o consumidor, de acordo com as cestas presentes na tabela 1. A cesta C seria preferível à cesta B e B é preferível à A, pois mais é melhor do que menos. Para entender, observe que as cestas A, B e C contém a mesma quantidade de consumo de arroz, mas diferentes níveis para o feijão. Assim, quanto maior a quantidade de feijão a ser adquirida, melhor para este consumidor. Da mesma forma, outras relações de ordenação podem ser estabelecidas. Por exemplo, a cesta F é preferível à cesta A, por ter quantidade maior de arroz e a cesta E é preferível à cesta B, assim como E é preferível a A,B e D, por conta de mais ser melhor do que menos. Observe a tabela 1 para alcançar tais constatações. Entretanto, C, D e F poderiam ser indiferentes entre si, ou seja, o consumidor poderia não conseguir enxergar diferença entre a cesta C (dois quilos de arroz e dez quilos de feijão), a cesta D (quatro quilos de arroz e seis quilos de feijão) e a cesta F (oito quilos de arroz e quatro quilos de feijão). Ou seja, mesmo com combinações diferentes, cestas distintas podem trazer igual nível satisfação ao consumidor. Plotando graficamente os pontos das cestas de mercado, a visualização torna-se mais aplicável. Observe pelo gráfico 1, a representação de cada uma das cestas da tabela 1. Gráfico 1 – Cestas de Bens Arroz (em quilos) 8 6 4 2 4 6 8 10 Feijão (em quilos) A B E F D C Portanto, a ideia de curvas de indiferença é a de trazer todos os conjuntos possíveis de cestas que ofereçam ao consumidor o mesmo nível de satisfação, de tal forma que eles sejam indiferentes entre uma cesta e outra. 11 Mapa de indiferença Uma curva de indiferença oferece todos os conjuntos possíveis de cestas de bens que ofereçam o mesmo nível de satisfação. Entretanto, vários níveis de satisfação podem ser atingidos. Por exemplo, as cestas A, B e C, do exemplo anterior, claramente, possuem níveis de satisfação distintos. A cesta de mercado C (2 quilos de arroz e 10 quilos de feijão) seria preferível à cesta B (2 quilos de arroz e 8 quilos de feijão), que por sua vez seria preferível à cesta A (2 quilos de arroz e 4 quilos de feijão). Portanto, se os níveis de satisfação entre estas cestas são distintos, obviamente que cada uma delas estará em uma curva de indiferença distinta. Digamos que junto a esta cesta A existissem outras cestas de bens, as quais o consumidor fosse indiferente em consumir, sendo, por exemplo, as cestas A1 e A2. Da mesma forma, a cesta B possuiria outras cestas indiferentes entre si, por exemplo, as cestas B1 e B2. E, por fim, a cesta C teria outras cestas indiferentes, C1 e C2. O gráfico 2 apresenta as cestas A, B e C posicionadas de modo a mostrar a diferença de nível de satisfação entre elas. Gráfico 2 – Mapa de Indiferença Arroz (em quilos) Feijão (em quilos) 4 10 A1 B1 C1 B2 C2 A2 A B C 2 8 U1 U2 U3 O gráfico 2 apresenta aquilo que é chamado de mapa de indiferença. O conceito formal de mapa de indiferença seria o de um “gráfico que contém um conjunto de curvas de indiferença mostrando os conjuntos de cestas de mercado entre as quais os consumidores são indiferentes” (PINDICK e RUBINFELD, 2010, p. 66). Observe que as cestas A, A1 e A2 (ao longo da curva U1) estão posicionadas mais próximo da origem do gráfico (0,0) e as cestas C, C1 e C2 (ao longo da curva U2) estão mais distantes desta origem. Assim, quanto mais distante a curva de indiferença está da origem, maior é o nível de satisfação das cestas presentes nela. 12 Unidade: Preferências do Consumidor Utilidade O nível de satisfação do consumidor possui o nome de utilidade. Formalmente, a utilidade é um “índice numérico que representa a satisfação que um consumidor obtém com dada cesta de mercado” (PINDYCK e RUBINFELD, 2010, p. 73). Existem duas abordagens sobre utilidade, a função de utilidade cardinal e a função de utilidade ordinal. A abordagem cardinal busca mensurar o nível de satisfação do consumidor por meios numéricos e tenta mostrar a distância entre a satisfação de cestas em curvas de indiferença distintas nestes termos numéricos. Por exemplo, se a cesta X possui utilidade igual a 50 e a cesta Y igual a 100, então a cesta Y ofereceria o dobro de satisfação. Entretanto, a abordagem cardinal é bastante complexa e distante de se tornar efetivamente possível. Assim, a abordagem normalmente utilizada é a da função de utilidade ordinal. Na abordagem ordinal, apenas se coloca ordem de nível de satisfação que uma curva de indiferença traz, sem tentar mensurar a distância. Por exemplo, se as cestas de bens presentes na curva de indiferença U2 são preferíveis às cestas presentes na curva U1, então a curva U2 deve estar mais acima – e, assim, mais distante da origem do gráfico – do que a curva U1. Taxa marginal de substituição (TMS) É verdade que, em se tratando de um bem qualquer, quanto mais deste bem, melhor. No entanto, quando se está formando uma cesta de bens, o consumidor estará sujeito, também, a algumas outras questões. Imagine que um indivíduo tenha inicialmente (momento 0) em mente consumir 16 quilos de arroz e 4 quilos de feijão (ponto K do gráfico 3). A primeira pergunta a ser feita é: seria bom ter mais um quilo de arroz? A resposta de um consumidor racional é, sim, pois quanto mais de um bem, melhor! Entretanto, é também verdade que talvez fosse melhor um quilo a mais de feijão do que de arroz. Assim, também poderia ser do agrado deste indivíduo deixar de consumir um pouco de arroz para ter um quilo a mais de feijão. O conceito importante desta seção é o de taxa marginal de substituição. Qual a relação desse conceito com os quilos de alimentos? Acompanhe o conceito formal. A taxa marginal de substituição (TMS) é a “quantidade máxima de um bem que um consumidor está disposto a deixar de consumir para obter uma unidade adicional de outro bem” (PINDYCK e RUBINFELD, 2010, p. 67). 13 A partir do conceito de formal da TMS, no caso dos quilos de alimentos, esta taxa seria a quantidade de quilos de arroz que se estaria disposto por um quilo a mais de feijão, quando se pensou inicialmente em consumir 16 quilos de arroz e 2 quilos de feijão?. Momento 1 Suponha que o indivíduo esteja disposto a deixar de consumir 6 quilos de arroz por um de feijão, de modo que estaria indiferente entre ter os 6 quilos de arroz ou um quilo a mais de feijão. Neste caso, a TMS é igual a 6 e a cesta de mercado a ser consumida é a de 10 quilos de arroz e 3 quilos de feijão (ponto V do gráfico 3). Momento 2 Se, então o consumidor, após deixar de querer consumir os 6 quilos de arroz em favor de mais um quilo de feijão, será que ele aceitaria deixar de comprar mais 6 quilos de arroz para ter um quilo a mais de feijão? Talvez não, pois se estiver disposto a deixar de consumir mais 6 quilos de arroz para ter mais um quilo de feijão, ao final, teria apenas 4 quilos de arroz e 3 quilos de feijão. Observe. Do momento 0 para o momento 1 a quantidade de arroz a ser consumida foi de 16 quilos para 10 quilos, e no momento 2, 10 quilos para 4 quilos. Como o arroz estaria cada vez em menor quantidade, cada quilo de arroz se tornaria mais “valioso” para este consumidor e satisfação adicional de ter mais um quilo de feijão já seria menor do que do momento 0 para o momento 1. Assim, provavelmente, aceitaria deixar de consumir menos do que 6 quilos de arroz para ter um quilo a mais de feijão. Do exposto anteriormente, suponha que o indivíduo estivesse disposto a trocar mentalmente a compra de 4 quilos de arroz por um quilo a mais de feijão. Neste caso, estaria consumindo uma cesta de 6 quilos de arroz (10 quilos do momento 1 menos 4 quilos) e 4 quilos de feijão(3 quilos do momento 1 mais um quilo) e a TMS seria de 4 (ponto Z do gráfico 3). 14 Unidade: Preferências do Consumidor Momento 3 Num terceiro momento, poderia este consumidor deixar de consumir alguns quilos de arroz para obter mais um quilo de feijão. Entretanto, mais um quilo de feijão já traria menos satisfação em relação aos momentos iniciais. Então, ao invés de deixar de comprar 4 quilos de arroz por um de feijão, poderia aceitar deixar de consumir apenas ½ quilo de arroz por um quilo de feijão a mais de arroz. Assim, a cesta de consumo seria de 5,5 quilos de arroz e 5 quilos de feijão e a TMS neste terceiro momento seria de ½ (ponto W do gráfico 3). Gráfico 3 – Formação da Curva de Indiferença Arroz (em quilos) Feijão (em quilos) 4321 5 16 14 12 10 8 6 4 2 K V W Z O gráfico 3 apresenta os pontos os quais formam aquilo que foi chamado de curva de indiferença. A curva de indiferença, conforme comentado anteriormente, é a curva que apresenta um conjunto de cestas de bens que são indiferentes ao consumidor. A Taxa Marginal de Substituição (TMS) de uma cesta para outra (no gráfico pontos K, V, Z e W) oferece o formato que uma curva de indiferença vai apresentar, e que possui normalmente, inclinação negativa. Assim, consegue-se realizar os esquemas mentais necessários para que haja boa continuidade no estudo desta unidade. Primeiro, houve a abordagem do que seria uma cesta de bens a serem consumidos; em segundo lugar, foram apresentadas as premissas básicas entorno do perfil de consumidor analisado, ou seja, o consumidor que é racional e, portanto, pensa nas suas preferências de bens ou serviços a serem adquiridos; em terceiro lugar, a exploração do conceito de curvas de indiferença e o mapa de indiferença (conjunto de curvas de indiferença) que podem ser desenhados; e, por último, o conceito de TMS, que é a base para entender como se origina o formato que a curva de indiferença vai ter – se mais ou menos inclinada – de acordo com o “ritmo” do “deixar de consumir para adquirir outro bem” que os consumidores apresentarem. O próximo passo é realizar mais alguns comentários sobre a inclinação das curvas de indiferença. 15 Cálculo da taxa marginal de substituição (TMS) A taxa marginal de substituição é calculada, a partir da variação da quantidade a ser consumida de um bem em relação à variação da quantidade a ser consumida do outro, ou seja, ∆ =− ∆ YTMS X sendo: Y∆ é a variação a ser consumida do bem Y X∆ é a variação a ser consumida do bem X Puxando o exemplo do feijão e arroz, o bem Y poderia ser o arroz e o bem X, o feijão. Veja a seguir o cálculo em cada situação – já apresentadas anteriormente na forma de momento 1, momento 2 e momento 3. Observe. Mudança da cesta de bens ocorrida entre o momento 0 e o momento 1: Bem Momento 0 Momento 1 Variação Arroz (em quilos) 16 10 -6 Feijão (em quilos) 2 3 +1 Com esta variação, a TMS seria: ( ) ( ) ( ) ( ) 16 10 6 6 3 2 1 ArrozTMS Feijão − −∆ =− = − = − = ∆ − + Mudança da cesta de bens ocorrida entre o momento 1 e o momento 2: Bem Momento 1 Momento 2 Variação Arroz (em quilos) 10 6 -4 Feijão (em quilos) 3 4 +1 Com esta variação, a TMS seria: ( ) ( ) ( ) ( ) 6 10 4 4 4 3 1 ArrozTMS Feijão − −∆ =− = − = − = ∆ − + 16 Unidade: Preferências do Consumidor Mudança da cesta de bens ocorrida entre o momento 2 e o momento 3: Bem Momento 2 Momento 3 Variação Arroz (em quilos) 6 5,5 -0,5 Feijão (em quilos) 4 5 +1 Com esta variação, a TMS seria: ( ) ( ) ( ) ( ) 5,5 6 0,5 0,5 5 4 1 ArrozTMS Feijão − −∆ =− = − = − = ∆ − + Atenção Observações: 1) A variação é calculada com valor final menos valor inicial; 2) A TMS possui um sinal negativo na fórmula para “provocar” sempre o resultado positivo no resultado final do cálculo. 17 Taxa marginal de substituição decrescente Pelo exemplo do arroz e do feijão ficou evidente a natureza da taxa marginal de substituição ser decrescente, ou seja, à medida que o consumidor prefere deixar de consumir tantos quilos de arroz para consumir mais feijão, a satisfação adicional com mais um quilo de feijão seria menor, ou seja, a taxa marginal de substituição normalmente seria decrescente. Nas palavras de Pindyck e Rubinfeld (2010), “À medida que maiores quantidades de uma mercadoria são consumidas, esperamos que o consumidor prefira abrir mão de cada vez menos unidades de uma segunda mercadoria para poder obter unidades adicionais da primeira mercadoria” (Pindyck e Rubinfeld, 2010, p. 69). Assim, no caso do exemplo do arroz e do feijão, à medida que percorremos a curva de indiferença do gráfico 3 e o consumo de quilos de feijão aumenta, deve diminuir a satisfação adicional que o consumidor obtém ao adquirir unidades adicionais desse bem, de modo que estará disposto a abrir mão cada vez menos de quilos de arroz para obter um quilo a mais de feijão. 18 Unidade: Preferências do Consumidor Formatos especiais de curvas de indiferença As curvas de indiferença podem apresentar diferentes formatos. Entretanto, serão apresentados, a seguir, alguns dos formatos especiais de curvas de indiferença. Tratam-se das curvas de indiferença de bens substitutos perfeitos, bens complementares perfeitos e males. Substitutos perfeitos Existem bens que podem ter alto grau de substitutibilidade. Por exemplo, a manteiga e a margarina. Quando existe algum aumento no preço da margarina possivelmente uma parte dos consumidores poderão demandar manteiga ao invés de continuarem a comprar margarina. Em termos mais técnicos dentro da microeconomia, dois bens são ditos substitutos perfeitos “quando a taxa marginal de substituição (TMS) de um bem pelo outro é constante” (PINDICK e RUBINFELD, 2010, p. 69). Ou seja, se a TMS exibe a “taxa de troca do consumo de um bem pelo outro”, então no caso de substitutos perfeitos ela seria constante. Por exemplo, digamos que você é indiferente entre consumir duas empadinhas ou uma coxinha de frango. Assim, você teria a mesma TMS entre os bens, qual seja, TMS igual a 2 (considerando a taxa de empadinhas em relação a de coxinhas). Ao mesmo tempo, 4 empadinhas poderiam ser substituídas por 2 coxinhas, 6 empadinhas por 3 coxinhas, e assim por diante, sempre mantendo a TMS igual a 2 (considerando a taxa de empadinhas em relação a de coxinhas). Gráfico 4 –Substitutos Perfeitos 8 6 4 2 0 1 2 3 4 Empadinhas (Unidades) Coxinhas (Unidades) 19 Complementos perfeitos Alguns bens são ditos complementares quando existe forte relação de um com o outro, não no sentido de concorrerem entre si, mas por terem elevado grau de dependência. Por exemplo, existe uma relação de complementariedade entre os automóveis movidos a combustão e os combustíveis, de modo que se pode esperar, coeteris paribus, que um aumento no preço dos combustíveis irá afetar negativamente o mercado de automóveis. Outro exemplo mais simples, mas que é bastante ilustrativo é o dos pares de sapatos. Espera-se você tenha alguns pares de sapatos em casa. E fica a pergunta: de que lhe valeria ter o “sapato direito” de um sapato sem ter o respectivo “sapato esquerdo”? Nada. Então, se você tivesse 6 “sapatos direitos” e um “sapato esquerdo” até quantos “sapato direitos” você deixaria de ter para obter um “sapato esquerdo” ? A resposta são 4 sapatos direitos por um esquerdo, pois assim formariam dois pares completos. Ou seja, para ter um “sapato esquerdo”, que é o de menor número, você trocaria infinitos “sapatos direitos” menos um. Assim, a TMS entre sapatos direitos e sapatos esquerdos é , que é igual, no limite, a . Por outro lado, a TMS de sapatos esquerdos por sapatos direitos é zero, pois não há como ter a intenção de obter um “sapatodireito”, já que está em excesso (relativamente aos “sapatos esquerdos”). Assim, para atingir um maior nível de satisfação e alcançar uma linha de indiferença superior, o consumidor deve obter quantidades proporcionais dos dois bens, pois a satisfação de ter: “um par de sapatos completos” ou “seis sapatos direitos e um sapato esquerdo” é o mesmo, de modo que somente tendo mais sapatos esquerdos (pelo menos mais um) é possível atingir uma curva de indiferença superior. 20 Unidade: Preferências do Consumidor Gráfico 5 – Complementares Perfeitos 4 3 2 1 1 2 3 4 0 Sapatos esquerdos Sapatos direitos Observe pelo gráfico 5 que somente é possível atingir uma curva de indiferença superior quando existe proporcionalidade entre sapatos direitos e sapatos esquerdos. Mesmo quando se tem vários sapatos direitos, mas somente um sapato esquerdo, mais sapatos direitos não adicionarão “felicidade” ao consumidor e ele se manterá com o mesmo nível de satisfação. Males Nem todos os produtos ou serviços oferecidos podem ser vistos como bens. Todo produto está sujeito a ser um mau para um consumidor. Os males são “mercadorias que os consumidores preferem em menor quantidade em vez de maior quantidade” (PINDYCK e RUBINFELD, 2010, p. 70). Por exemplo, se você não gostar de quiabo, este não será propriamente um bem, mas sim um bem “mau”. Se tiver que optar entre pedaços de pizza e unidades de quiabo, o consumidor se torna mais satisfeito quanto maior o número de quiabos que ele conseguir se livrar para obter um pedaço de pizza a mais. Gráfico 6 – Um bem e um bem “mau” Quiabo Pedaços de pizza Curvas de indiferença O mapa de indiferença com as curvas de indiferença de um bem e um bem considerado “mau” está representada no gráfico 6. Observe que as curvas de indiferença possuem inclinação positiva. 21 Considerações finais Esta unidade teve a intenção de estudar as preferências do consumidor. Para tal foi iniciada a explicação acerca das cestas de mercado até a construção da ideia da curva de indiferença e TMS. A TMS seria a taxa que “desenha” o contorno de uma curva de indiferença e foi comentado detalhadamente como a taxa se altera ao longo da curva, mostrando a diferença das inclinações ao longo desta. Por fim, foram apresentados alguns formatos especiais de curvas de indiferença, quais sejam, as curvas envolvendo substitutos perfeitos, complementares perfeitos e males. 22 Unidade: Preferências do Consumidor Material Complementar Sites: O link abaixo apresenta um exemplo de preferências do consumidor aplicado à Copa do Mundo 2014. O consumidor teria uma preferência maior pelo consumo de roupas e artigos esportivos durante esse tipo de evento. http://empreendedor.com.br/noticia/consumidor-compra-mais-roupa-e-artigo-esportivo-na-copa/ 23 Referências PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 6. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2010. VASCONCELLOS, M. A. S.; OLIVEIRA, R. G.; BARBIERI, F. Manual de Microeconomia. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2011. VARIAN, H. R. Microeconomia: Princípios Básicos. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. 24 Unidade: Preferências do Consumidor Anotações