Prévia do material em texto
Dietas Experimentais Recomendações nutricionais Preparo de ração DISCIPLINA: NUTRIÇÃO EXPERIMENTAL PROFESSORA: TERESA PALMISCIANO BEDÊ Considerações gerais: alimentação e formulação de dietas • Alimentação adequada / Dieta balanceada : - Estado nutricional do animal - habilidade de alcançar seu potencial genético para o crescimento, reprodução e longevidade; - Melhor resposta a estímulos testados; - Importante para o bem- estar do animal e para assegurar o resultado do estudo experimental. Fatores interferentes: • Tipo de dieta • Biodisponibilidade de nutrientes • Palatabilidade - aceitação do animal • Forma de preparo e estocagem da dieta • Concentração química de contaminantes Fatores que afetam os requerimentos de nutrientes • Genético Diferença genética entre espécies, linhagens e gênero EX.: Ausência da enzima L-gulonolactona oxidase- síntese de vit. C – exceção: Rato Wistar • Estágio de vida - os requerimentos mudam durante os estágios do ciclo de vida do animal (crescimento, gestação, lactação); - Estudos escassos: não há recomendação/estágio • Impacto do meio-ambiente: Podem alterar as necessidades nutricionais: - os requerimentos de nutrientes são estudados sob condições controladas de temperatura, luminosidade, etc, com variações mínimas 1) baixas temperaturas aumentam os requerimentos de energia do animal - manutenção da temperatura corporal; 2) altas temperaturas- conflito social, diminuição da ingestão de alimentos; 3) tipos de gaiolas- gaiolas galvanizadas- ricas em zinco; Fatores que afetam os requerimentos de nutrientes Fatores que afetam os requerimentos de nutrientes • Status microbiológico: Atividade microbiológica intestinal – MO capazes de sintetizar vitaminas e AA - Ratos e camundongos: maior atividade em cólon - Compostos não são absorvidos – consumo por ingestão de fezes (Coprofagia) – evitar com uso de gaiola de fundo aramado • Interação entre nutrientes - Interações entre Minerais - Cautela e análise crítica para ingredientes não habituais Formulação de dietas • Formulação de dietas: processo de seleção do tipo e quantidade de ingredientes (incluindo vitaminas e minerais) a serem utilizados na produção de uma dieta contendo uma concentração de nutrientes planejada; • A escolha dos ingredientes é influenciada pela espécie do animal e pelos objetivos do experimento; • Vários tipos de dietas estão disponíveis. A dieta deve ser: 1) Palatável para assegurar adequado consumo; 2) Nutricionalmente balanceada; 3) Livre de contaminação; 4) Reproduzível. Classificação das dietas para animais de laboratório I) Dieta quimicamente definida - Para estudos sobre nutrientes específicos - Maior controle dos constituintes - Componentes puros – AA, TGL, AGE, sais orgânicos, Vitaminas - Isenta de contaminantes e estimuladores de enzimas - Indicada para animais germ-free e com baixa imunidade - Baixa estabilidade à temperatura – susceptível à oxidação e interação de nutrientes - Elevado custo Classificação das dietas para animais de laboratório II) Dieta purificada- - Usadas em estudos nutricionais; - Refinadamente formuladas - Ingredientes extraídos de alimentos: – caseína, albumina e isolado proteico de soja (PTN) - sacarose (açúcar) e amido (CH) - óleo vegetal (LIP) - celulose (Fibra) - misturas de vitaminas e minerais; - Custo relativamente baixo - Estabilidade razoável - Contaminação passível Classificação das dietas para animais de laboratório III) Dieta comercial - Usada na criação/manutenção dos biotérios – Não em experimentos - Formulação com alimentos processados (grãos – trigo/milho; soja; farinha de px) - Palatável - Baixo custo - Composição variável - Possível presença de fitatos, taninos e fibras - biodisponibilidade Forma física das dietas Podem ser fornecidas em diferentes formas físicas: 1) peletes- mais comum; 2) líquida- usada em estudos sobre álcool. Preparo e estocagem de dietas • Locais e equipamentos destinados para este fim • Cuidados para evitar contaminação química e biológica • Local limpo, livre de vetores – controle de pragas urbanas Oferta de dietas RAÇÃO: - Ad libitum: Além das necessidades - Ingestão controlada - Restrição durante o dia - Média: 20g/dia ÁGUA: - 114mL/kg/24h - Fresca, purificada (filtrada, livre de patógenos e contaminantes), ad libitum - Desidratação: menor consumo alimentar - Estudo de minerais: água deionizada para evitar interferência Oferta de dietas CONSTITUINTE ESPECÍFICO - Gavagem - Imobilização + inclinação da cabeça – pescoço e corpo em linha reta - Seringa até o estômago – agulha da ponta do nariz até a última costela - Complicações: asfixia, morte - Tubo curto: Broncoaspiração - Tubo longo: Perfuração do estômago Caracterização da dieta experimental • Dieta Controle- a base de caseína (ptn de alta qualidade), usada como referência por atender todas as necessidades dos animais; • Dieta Experimental- utilizada para teste de um alimento ou nutriente; • Dieta Aproteica- contém todos os nutrientes menos a proteína, também utilizada com o objetivo de desnutrir os animais. Requerimentos de nutrientes de ratos (Rattus norvegicus) Recomendações American Institute of Nutrition- AIN • Regulamenta as necessidades nutricionais a serem trabalhadas com animais; • Primeira publicação em 1976; • Revisão em 1989, publicada em 1993 em duas versões: AIN 93G- crescimento, gestação e lactação; AIN 93M- manutenção de ratos adultos. (Reeves et al., 1993) Requerimentos de nutrientes de ratos (Rattus norvegicus) Recomendações American Institute of Nutrition- AIN • Comité – objetivo: identificar dieta padrão para roedores – facilitar interpretação de resultados; • 1973 – AIN-76: limitações – revisão • 1989 – Workshop (Federation of the American Societies for Experimental Biology (FASEP) – publicação considerando crescimento, gestação, lactação e manutenção Nutrientes básicos e suas funções • Carboidratos- fonte de energia - amido de 90 a 94% - açúcar 5%; • Lipídeos- função estrutural, energética e veículo de vitaminas lipos - óleo de soja- fonte de AGE; 70g /kg dieta. • Proteínas- fornecimento de AAE; Alterações na revisão • Açúcar: carboidratos complexos- amido de milho; • Gordura: óleo de milho para óleo de soja - Quantidades mais adequadas de AGE; • Proteínas: • Caseína: grau de pureza de 85%; pobre em cistina; - suplementação de metionina para L-cistina. • Proteína isolada da soja; Ovo; Lactoalbumina; AIN 93- opção caseína • Deficiente em AA sulfurados- cistina e cisteína; • Recomendação AIN 93: uso de L-cistina; • Alguns experimentos usam metionina pois se converte, in vivo, em cistina. Ingredient AIN-93G AIN-93M g/kg diet Cornstarch 397.486 465.692 Casein (>85% protein) 200.000 140.000 Dextrinized cornstarch (90-94% tetrasaccharides)2 132.000 155.000 Sucrose 100.000 100.000 Soybean oil (no additives) 70.000 40.000 Fiber3 50.000 50.000 Mineral mix (AIN-93G-MX) 35.000 35.000 Vitamin mix (AIN-93-VX) 10.000 10.000 L-Cystine 3.000 1.800 Choline bitartrate (41.1% choline)4 2.5002.500 tert-Butylhydroquinone (TBHQ), mg 14.0 8.0 Formulation of the AIN-93G diet for rapid growth and the AIN-93M diet for maintenance of rodents when casein is used as the protein source1 Preparo e estocagem de dietas Seleção de ingredientes Pesagem Mistura com água morna (batedeira industrial mín 15min) Massa homogênea Modelação Embalagem (sacos plásticos identificados) Estocagem (menor temperatura e umidade – maior vida útil) FASES DE PREPARO DA DIETA EXPERIMENTAL 1. Seleção e escolha do alimento, de acordo com o objetivo da pesquisa. Composição centesimal do alimento “in natura”. 2. Pré-preparo do alimento: Pesagem; Escolha, catação, higienização...nova pesagem. 3. Preparo do alimento: Cocção ou cozimento, de acordo com o objetivo da pesquisa; Pesagem. FASES DE PREPARO DA DIETA EXPERIMENTAL 4.Secagem em estufa ventilada à temperatura constante. 5. Pesagem. 6.Transformação em farinha. (trituração). 7.Composição centesimal do alimento preparado. 8.Balanceamento da dieta, de acordo com os objetivos da pesquisa. FASES DE PREPARO DA DIETA EXPERIMENTAL 9. Pesagens dos nutrientes de acordo com o balanceamento realizado, e duração do ensaio. 10. Mistura dos nutrientes e homogeneização dos nutrientes. transformação da farinha em tabletes e secagem na estufa ventilada. Preparo de dietas utilizadas em experimentação com animais de laboratório 1. Balanceamento da dieta, de acordo com os objetivos da pesquisa; 2. Pesagens dos nutrientes de acordo com o balanceamento realizado, e duração do ensaio; 3. Mistura e homogeneização dos nutrientes; 4. Transformação da farinha em peletes e secagem na estufa ventilada. B3 (niacina) B5 B6 B1 B2 B9 B7 Para determinação da quantidade de ração à ser preparada para o desenvolvimento do ensaio, devemos levar em consideração três fatores importantes: 1. Número de animais que cada grupo experimental deverá ter (no mínimo 6 por grupo); 2. Duração do ensaio experimental (14 dias, dependendo da metodologia utilizada ); 3. Consumo médio diário de cada animal (10 gramas). Quantidade Total = ( 1 x 2 x 3 ) Exercício 1) Quanto devo pesar de cada ingrediente para fazer 100g de ração controle? 2) Qual é a composição nutricional de cada dieta em macronutrientes e calorias? 3) Vou realizar um experimento de 60 dias, com 3 grupos (n=5): grupo controle (dieta balanceada), grupo experimental 1 (dieta teste ad libitum) e grupo experimental 2 (dieta teste 10g/dia), quanto devo preparar de cada ração? Ingredientes Dieta Teste (100g ração) Ingredientes Ração Hiperlipídica Caseína* 14,0 Amido 46,07 Óleo de soja - Banha de porco 20,0 Celulose 5,0 ¹Mix vitaminas 1,0 ²Mix minerais 3,5 B-colina 0,25 L-cistina 0,18 Açúcar 10,0 Total 100 Preparo de Ração Controle para 100g Percentual % AIN 93 M Açúcar (Sacarose) Amido Bitartarato de colina Caseína comercial Celulose (microcel) L-cistina Mistura de minerais * Mistura de Vitaminas * Óleo de soja Ter.Butil hidroquinona BONS ESTUDOS