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METODOLOGIA DO ENSINO DE LIBRAS-L2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
O processo de ensino e aprendizagem da LIBRAS na condição de L2, ou 
seja, segunda língua, pede um elenco de abordagens teóricas e fazeres 
metodológicos apropriados. Durante esta disciplina vamos nos aventurar por 
estes elementos . 
A pergunta chave a direcionar nossos estudos é “Como os ouvintes 
aprendem LIBRAS na condição de L2?”. Esta pergunta é de fundamental 
importância uma vez que ela vai nortear os caminhos para a construção da 
aprendizagem em torno da temática. É importante que mantenhamos viva esta 
pergunta a fim de obtermos respostas capazes de proporcionar o aprendizado 
desejado. Torna-se imperativo direcionar-nos pela pergunta, pois são muitas as 
questões que precisam ser respondidas, desta forma, rumo ao conhecimento a 
ser construído na presente disciplina. 
O objetivo é de fazermos algumas incursões pelos referenciais teóricos, 
bem como por atividades praticas que professores, cientistas, pesquisadores e 
autores desta área abordam em suas produções, bem como faremos uma 
inserção em praticas pedagógicas importantes para a construção de saberes que 
se atem à temática dos estudos. Tais ferramentas se mostram convincentes em 
vista das perguntas às quais estaremos expostos durante o percurso de estudos. 
Quatro diferentes unidades convergentes em direção a pergunta 
norteadora e estão expostas neste texto base, a saber: 
I – Pressupostos Teóricos Culturais e Linguísticos; 
II – O aprendizado de segunda língua; 
III – Fazeres pedagógicos; 
IV – Recursos didáticos. 
Como autora surda, opto, em muitos momentos, por citar meus pares 
como “nós, os surdos”. Em meus textos de autoria e em minhas práticas docentes 
este é um procedimento nativo, uma vez que pertenço ao povo surdo. Escrevi 
muitas vezes a respeito, afirmando que este posicionamento refere-se à minha 
subjetividade surda, à minha relação de pertencimento a este povo e que em 
nenhum momento me posiciono na intenção de inferiorizar o ouvinte. A razão 
que me move a isto está atrelada à minha posição critica frente ao preconceito, 
aos conceitos de menos valia, bem como a tantos outros atos subalternalizadores 
inferidos aos surdos. 
Desejo de que a disciplina Ensino da LIBRAS na condição de L2 (segunda 
língua), construída possa fazer fluir uma aprendizagem prazerosa e simples, sem 
com isso deixar de ser profunda e cientifica. E que estejamos confiantes e 
motivados a mergulhar nestes saberes. Convido-os para que juntos cumpramos o 
cronograma previsto na presente disciplina, destinada aos estudos da aquisição 
pelo ouvinte da LIBRAS na condição de L2 . 
Com um abraço surdo, 
Professora Gladis T. T. Perlin 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPREENDENDO A MANEIRA COMO ESTA DISICIPLINA ESTÁ 
ORGANIZADA 
 
Em vista da pergunta-referencia da disciplina Metodologia do Ensino de 
LIBRAS-L2 se deu a seleção das temáticas subjacentes. A partir da pergunta 
mencionada, surgiu uma série de paradigmas. Dai me propus dividir a disciplina 
em quatro partes que julguei altamente pertinentes, sendo assim: I Abordagens 
teóricas; II O aprendizado de segunda lingua; III Fazeres pedagógicos; IV 
Recursos didáticos. 
Na Unidade I temos alguns pressupostos culturais e linguísticos. Neste 
ponto alguns autores como Wilcox & Wilcox (2006), Santaella (2012), Albres 
(2012) e Gesser (2012), foram selecionados com vistas ao direcionamento 
teórico. 
A Unidade II situa o contexto do aprendizado de segunda lingua. Nesta 
unidade entram as situações complexas inerentes ao curso e aos estudantes. Tais 
situações mexem com o papel do professor como orientador e facilitador do 
processo. 
Já a Unidade III, “Fazeres pedagógicos”, aborda conceitos e estratégias de 
ensino de LIBRAS na condição de L2 (segunda língua), refletindo sobre as 
atividades realizadas pelo professor, que requer a escolha de direções e a 
identificação dos paradigmas para o aprendizado. 
Por fim, na Unidade IV alguns recursos didáticos para a aprendizagem de 
uma segunda língua (L2) são apontados, finalizando os saberes apresentados 
neste produção. 
A presente disciplina não se esgota em si. A partir dos elementos 
desenvolvidos ao longo deste material, que propõe estratégias e situações para 
direcionar o ensino de LIBRAS na condição de L2, desejamos que as práticas 
futuras sejam fundamentadas nos conhecimentos construídos com estes estudos 
e que o processo de reflexão e ação seja contínuo no desenvolvimento docente de 
cada cursista. Ela coloca em questão o olhar a respeito da necessidade de um 
curso/disciplina organizados, bem como de busca de um método com condições 
de abranger o ensino de uma L2 a partir de estratégias que contenham 
elementos validos para o fomento aos estudos na área, que ainda carece de 
muitas e necessarias analises. 
ÍNDICE 
 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 
COMPREENDENDO A MANEIRA COMO ESTA DISICIPLINA ESTÁ 
ORGANIZADA .............................................................................................................................. 
 
UNIDADE I ............................................................................................................................. ....... 
Pressupostos culturais e linguísticos ............................................................................... 
1.1 Algumas abordagens teóricas ...................................................................................... 
1.2 Algumas abordagens praticas de ensino como segunda língua .................... 
1.3 Diferenças culturais .......................................................................................................... 
1.4 Aprendendo a olhar .......................................................................................................... 
UNIDADE II ............................................................................................................................. ..... 
O aprendizado de segunda língua ...................................................................................... 
2.1 Ensino e aprendizagem da LIBRAS-L2 ..................................................................... 
2.2 Estratégias metodológicas de ensino ...................................................................... 
3. Fazeres pedagógicos ........................................................................................................... 
3.1 Preliminares do curso/disciplina ............................................................................... 
3.2 Montagem do currículo ................................................................................................... 
UNIDADE IV ................................................................................................................................. 
4. Recursos didáticos ....................................................................................................... ........ 
4.1 Montagem do Plano de Aula ......................................................................................... 
4.2 Materiais didáticos ......................................................................................................... ... 
4.3 Jogos para o ensino de LIBRAS-L2 ............................................................................. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE I - PRESSUPOSTOS TEÓRICOS CULTURAIS E 
LINGUÍSTICOSEsta unidade pretende focar abordagens do ensino de LIBRAS na 
condição de L2, bem como as aproximações linguístico-culturais entre surdos e 
ouvintes 
Objetiva mostrar que tais questões, dependendo do contexto, se 
aproximam ou se distanciam, mas que nem por isso, apontam para que uma seja 
inferior a outra, em suas criações linguístico-culturais. quando relacionamos ou 
comparamos umas às outras, podendo muito bem o estudante de LIBRAS, tendo 
esta como uma L2, aprender e desenvolver plenamente a comunicação nesta 
lingua, bem como conhecer a cultura surda. Neste ponto alguns autores como 
Wilcox & Wilcox (2006), Santaella (2012) Albres (2012) foram selecionados com 
vistas à direção teórica destes paradigmas. 
Estes dados propostos para reflexão nesta unidade se direcionam com o 
fim de introduzir os cursistas nas questões da disciplina, que a partir deste 
momento são convidados ao estudo aprofundado, desenvolvendo esta temática. 
 
 
1.1 Algumas abordagens teóricas 
 
A LIBRAS está se consolidando ao lado das línguas que são ensinadas nas 
universidades e nos centros educacionais como segunda língua, ou, L2. Sendo 
esta uma prática nova nestes espaços, esta língua não foge aos modelos de 
ensino das línguas orais. Obviamente, assim como o ensino das demais línguas, 
ela objetiva introduzir aos estudantes de LIBRAS na condição de L2 estes 
conhecimentos novos. Entre estes conhecimentos, alguns são diferenciados, 
como o uso da experiência visual característica das línguas de sinais e o aporte 
ainda bastante recente da existência de métodos de registro1 destas línguas. Se 
toda lingua a ser ensinada requer o objetivo de introduzir os estudantes para 
além dos espaços de sua cultura, para assim adentrar a cultura da língua que se 
ensina, do mesmo modo, a LIBRAS na condição de L2 requer aproximação da 
cultura surda. O ensino da LIBRAS requer mais que o ensino das línguas orais. 
Requer, especialmente, que o ouvinte se afaste de seu sentido de ouvir e passe a 
estimular e desenvolver mais o sentido do ver. Assim, é possível afirmar que 
deve passar a ver através da língua, deixando o mundo oral e passando a navegar 
pelo mundo da visão, aventurando-se através da cultura visual desenvolvida 
através dos anos pelos povos surdos, aprendendo novas formas de ler, de usar os 
olhos no lugar dos ouvidos e, mesmo sem ter talvez as condições ideais, de 
registrar a lingua. 
A LIBRAS está passando por um período de intensa pesquisa linguística. É 
fundamental termos consciência de que estas muitas informações das pesquisas 
devem estar presentes no ensino da lingua. Os estudantes de LIBRAS na condição 
de L2 devem estimular e satisfazer sua curiosidade pelos conhecimentos 
existentes, por isto a importância de o professor aproximar destes estudantes os 
achados constantes das pesquisas existentes a respeito. 
As relações entre as línguas faladas e as sinalizadas são importantes. 
Assim, o ato de falar e o ato de sinalizar deve constantemente receber 
comparações e traduções. Os estudantes de LIBRAS na condição de L2 costumam 
ficar propensos a inicialmente não entender caso não se traduzam alguns sinais. 
Neste aspecto, fica evidente que se deve trabalhar a interação entre o verbal e o 
não verbal. A integração do visual e do verbal tem por objetivo gerar o todo 
significativo na compreensão da mensagem, atitude que não é necessaria para o 
surdo, mas que se torna fundamental para o ouvinte que está aprendendo uma 
Língua de Sinais. 
Wilcox cita, sobre os sinais serem palavras, que 
É estranho, portanto, no que diz respeito à ASL, que as pessoas 
raramente falem de aprender palavras. Ao invés disso, elas falam em 
aprender sinais, como se os sinais fossem de alguma forma diferentes 
das palavras. Mas não são. Sejam faladas, escritas ou sinalizadas, as 
palavras são blocos de construção que formam a base das línguas. 
 
1
 O sistema signwriting de registro das Línguas de Sinais, ainda em desenvolvimento, se 
apresenta como necessário. Porem, atualmente é pouco usado entre os professores que ensinam 
estas línguas. 
(WILCOX, 2005, p. 55). 
 
As palavras sao símbolos e estão representando o significado. Tomemos por 
exemplo a palavra casa, cujo sinal é representado pelas duas mãos voltadas para si, na 
vertical e tocando-se nas pontas dos dedos. Neste caso, a fonética refere a estudar a 
forma das palavras (sinais), enquanto que o estudo dos significados das palavras 
(sinais) é reservado à semântica. 
Parafraseando Richards, Albres fala sobre o uso metodológico do ensino 
de LIBRAS: 
Mais especificamente, de acordo com Richards (2006), uma das 
importantes contribuições da abordagem comunicativa foi distinguir 
entre, pelo menos, duas competências que devem ser adquiridas pelos 
estudantes de uma língua estrangeira: a competência gramatical 
(conhecimento da estrutura de uma língua: fonologia, morfologia, 
sintaxe) e a competência comunicativa (conhecimento do uso da 
língua em situações reais de comunicação: graus de formalidade, 
diferentes gêneros textuais, etc.) e dar à competência comunicativa 
um papel central no processo de ensino- aprendizagem de línguas. 
(ALBRES, 2012, 128) 
O que de fato deve ser usado no ensino de LIBRAS na condição de L2 é a 
abordagem da gramatica e da competência comunicativa. Além disso, temos 
outros aspectos que estudaremos a seguir, que parte do que é a diferença 
cultural e letramento visual. 
 
 
1.2 Algumas abordagens praticas de ensino como segunda língua 
 
A seguir vamos entender algumas abordagens do ensino de libras no 
Brasil. Eles sao distintos. Começaremos com algumas ênfases das diferentes 
abordagens utilizadas pelos professores de LIBRAS L2. 
Entre as abordagens de ensino de LIBRAS, temos a abordagem de ensino 
de vocabulário-tradução. Este método se sobressaiu por algum tempo com 
ênfase na compreensão do vocabulário e sua posterior inclusão em mensagens. 
Por bastante tempo, era este o método mais usado para ensinar LIBRAS, seja L1 
ou L2. 
Com o advento das pesquisas em LIBRAS no Brasil, aos poucos foi sendo 
introduzida a abordagem com utilização de gramatica-vocabulário-tradução. 
Diferentemente da abordagem anterior, este método passou a fazer uso de 
instruções sobre gramatica. Também usava-se as listas de vocabulário, cujos 
sinais deviam ser memorizados. 
Além dos já apresentados, temos também o método visual onde o 
professor se utiliza do ensino de LIBRAS a partir do vocabulário-gramatica. Neste 
método não se usa de tradução, mas sim o professor se utiliza de sinais e gestos. 
Se utiliza amplamente do ensino visual. O professor insiste na imitação e 
reprodução sem erros e passa a requerer algumas respostas automáticas sem 
uso do portugues. A compreensão da palavra sinalizada fica a critério do 
estudante. Mas a colocação da palavra sinalizada pelo professor deve ser 
automática de forma a compreender o sentido da frase. A abordagem neste 
método insiste inicialmente em palavras simples usadas no dia a dia e usada na 
medida da evolução dos estudantes, estes vão sendo conduzidos por caminhos 
mais complexos, até obter uma forma automática de executar os sinais. Os 
estudantes sao incentivados a criar respostas significativas e corretas para 
utilizar a Lingua de Sinais. 
Já Albres (2012 p 126) aponta como sendo o melhor método o ensino pela 
abordagem comunicativa. Segundo a autora, “Dentre as metodologias de ensino 
de segunda língua estudadas, os métodos da abordagem comunicativa têm sido 
indicados como os mais adequados para o processo de ensino-aprendizagem”. 
Wilcox & Wilcox (2005 p 129) citam Oller que exemplifica o uso deste 
método,afirmando que 
 […] os usuários da língua não adquirem uma língua através do estudo 
separado de fonemas, morfemas, palavras, habilidades, 
subcomponentes, etc. Nós adquirirmos língua através de contextos 
completos de comunicação onde todas as habilidades e componentes 
são pelo menos potencialmente envolvidas nos atos de comunicação” 
(OLLER 1989 p 9). 
Estes autores, na mesma página, citam também Newmark, concordando 
com sua afirmação de que as 
[...] partes complexas da língua são aprendidas em blocos, de uma vez 
a língua se desenvolve exponencialmente conforme o número de 
blocos aumenta aditivamente, uma vez que cada bloco complexo traz 
uma re-análise dos blocos já adquiridos em novos elementos, cada um 
deles ligado ao contexto original sobre o qual sua adequação depende. 
(NEWMARK 1983 P 49). 
 Essa abordagem de forma comunicativa é citada por diversos autores, 
tratando sobre a aprendizagem da Lingua de Sinais em forma de blocos e 
afirmando que o aprendizado de uma Língua de Sinais não funciona apenas a 
partir do uso de forma gramatical ou com vocabulários. Neste sentido, entende-
se que a metodologia comunicativa serve-se de um currículo flexível que atende 
acordos de professor e estudante, servindo de maneira eficaz para a 
aprendizagem. 
 Estas sao algumas abordagens de ensino de LIBRAS na condição de L2. 
Existem muitas outras abordagens diferenciadas e cujo aspecto pode muito bem 
servir ao ensino de LIBRAS – L2 
 
 
1.3 Diferenças culturais 
 
Cursos de segunda língua apresentam necessidades muito específicas que 
vão para além de apenas aprender a lingua. Ao invés disso, apontam para a 
necessidade de prever alternativas precisas para que o estudante se inteire 
muito com mais que apenas e simplesmente a língua. 
Neste sentido, apresentam se a tarefa de entrar em contato com os 
usuários da língua, de conhecer a cultura de seu povo, suas histórias e as 
estratégias de lutas, indicando ainda os ganhos advindos da convivência por um 
certo tempo com nativos destas línguas. Estes são aspectos importantes a se 
destacar, apresentando-se viáveis para o ensino da mesma como L2. 
Diante disto, os professores que desejam se aventurar na tarefa de ensino 
da LIBRAS na condição de L2 devem possuir conhecimentos capazes de trazer a 
cultura surda para seu espaço de ensino, ou melhor, de levar os estudantes aos 
lugares onde estão os surdos. Quando, numa situação de ensino de LIBRAS na 
condição de L2, os estudantes são ensinados por um professor surdo, este 
contato é facilitado, pois o professor surdo desenvolve técnicas de ensino 
diferentes, partindo de sua própria experiência de falante nativo da língua, como 
por exemplo quando este parte da realidade de não ouvir, o que faz com que os 
estudantes, para se dirigirem a ele, devam usar artifícios visuais de comunicação. 
No entanto, não quero dizer aqui que é necessário ser surdo para ensinar a 
Língua de Sinais. Um professor que saiba uma abordagem direta e especifique 
corretamente a lingua poderá sobressair-se melhor em muitos casos. 
Entre os usuários de LIBRAS há algumas diferenças. Há aqueles que são 
nativos, ou seja, aqueles que aprendem diretamente com pais surdos e que 
podem ser surdos ou ouvintes. Há também aqueles que aprendem tardiamente a 
língua de sinais, como é o caso da maioria de surdos filhos de pais ouvintes. E, 
ainda, há os que ficaram surdos em certa idade e aprendem mesmo tendo a 
língua portuguesa como primeira língua. 
Dai, não temos uma modalidade de LIBRAS perfeita. Muitos sinais locais 
estão presentes e são parte da Lingua de Sinais, que é constituída não apenas de 
sinais de grupos mais avançados, mas que dela fazem parte diferentes sinais de 
diferentes grupos de surdos. 
Aspectos da cultura surda serão muito bem vindos ao ensino LIBRAS pois 
trazem mais conhecimentos e maior flexibilidade para a aquisição desta língua. 
Um dos momentos de ensino mais interessantes é quando o professor treina a 
visão do ouvinte, ou seja, quando o professor estimula o letramento visual dos 
estudantes, para captar os sinais, lendo e entendendo seu significado. Outros 
aspectos também podem ser valorosos ao aprendizado da Língua de Sinais, como 
quando o professor surdo treina outro tipo de letramento visual que é o que 
acontece diante das expressões faciais e corporais. Não devemos esquecer das 
situações nas quais o professor indica que os olhos fazem parte da expressão 
facial ou seja, sinaliza-se através da expressividade dos olhos de igual modo. 
Além da expressão facial também é interessante o treinamento do estudante 
através do uso da língua a partir de seus classificadores, entre outros. 
Outros aspectos, como por exemplo, tais como o não falar ou o bater do pé 
no assoalho para chamar atenção, o piscar a luz e o falar de frente, esquecendo-
se de qualquer tentativa de usar a voz com o professor surdo envolvem as 
diferenças culturais. 
Estes e outros aspectos visuais sao importantes. No entanto existem 
textos sobre o consumo da cultura surda, sobre artefatos culturais, bem como a 
cultura surda como campo de saber, de construção de identidades e de redes de 
poderes que merecem um estudo mais aprofundado, como forma de 
complementação dos dados apresentados até este ponto. 
 
 
1.4 Aprendendo a olhar 
 
Pode-se entender o letramento visual como a leitura a partir de imagens, 
paisagens, sinais. Letramento visual, na Lingua de Sinais, significa produzir 
sentido a partir do que olhamos, ou seja, a partir do que lemos pelo olhar. 
O letramento visual no ensino de LIBRAS é um dos temas de muita 
importância. Trata-se de um aspecto da cultura surda. Não é um aspecto apenas 
linguistico, pois envolve muito mais que isto. Skliar (2008), falando sobre a 
experiência visual dos surdos, cita alguns elementos culturais comuns à mesma. 
Fazendo ideia como este autor entende a experiência visual, temos elementos 
culturais importantíssimos para o letramento visual. Trata-se de visualizar 
alguns aspectos importantes como: os nomes de pessoas, a localização de lugares 
e de objetos, a percepção de significações, sentimentos, metáforas, a leitura de 
imagens, o humor, entre tantas outras formas de representação visual. 
Percebe-se então que a experiência visual dos surdos envolve letramento 
visual, pois conseguimos pela visão compor metáforas, traduzir perfeitamente 
imagens, bem como o tempo, as marcas e outros significados culturais visuais. 
Alguns teóricos referem à necessidade de uma preocupação imediata com 
vistas a trabalhar o letramento visual durante o ensino de LIBRAS como L2. 
Acrescenta-se a este processo o registro em memória de pensamento 
visual. Registrar em memoria, ou seja, ler a imagem, paisagem ou sinal com o 
pensamento e decodificar a mensagem, conservando em memoria o ato 
decodificado. Ou seja, através da linguagem referente ao que se lê, em parte, 
assemelha-se a leitura de textos. Tal fato refere ao treinamento da leitura, ou 
seja, o treinamento visual só pode trazer um enriquecimento humano com o 
alfabetismo visual. 
Para Santaella (2012) ler uma imagem é percorrer com os olhos o tempo 
que a imagem requer para comunicar sua mensagem. Dondis (2007), por sua 
vez, cita a necessidade de tempo e de envolvimento para ler. A experiência visual 
dos surdos requer apenas instantes para processar a leitura. E esta leitura é 
expressa em Lingua de Sinais. Um exemplo disso temos logo no inicio da 
rodagem do filme “Filhos do Silencio”, onde a atriz surda Marlee Matlin 
interpreta de forma visual o seu sentimento diante do mar e do amor. 
Portanto ter o letramento visual significa ter olhos treinados para ler de 
forma significativa a imagem, o movimentoou o sinal que esta a nossa frente. O 
estudante de LIBRAS na condição de L2 necessita, as vezes, de adentrar o campo 
de abrangência das Línguas de Sinais e se envolver com interpretações para 
entender pela leitura a significação visual. 
Desde o contato inicial com a LIBRAS na condição de L2, o estudante 
necessita de linguagem visual com a qual possa interagir para constituir 
significados. O treinamento visual nas aulas de LIBRAS, portanto, é necessário 
para que o estudante se sinta capacitado a dizer o que lê e o que significam as 
imagens, sinais e outros artefatos que trazemos e indicamos, a fim de que 
estabeleça uma imagem apurada do que esta vendo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE II - O APRENDIZADO DE SEGUNDA LINGUA 
 
Esta unidade situa o aprendizado de segunda lingua. Ao escolher direções 
para o aprendizado nos deparamos com o contexto, ou seja, com o ambiente a 
ser criado para o estudante. Neste aspecto entra também as situações complexas 
inerentes aos estudantes e aos locais onde o aprendizado se dá. 
Isto tudo se apresenta diferenciado, requerendo ao professor estratégias 
próprias. A Unidade objetiva colocar o professor a par de detalhes a respeito do 
estudante e estratégias de trabalho a serem desenvolvidas. 
Que esses pressupostos sirvam de lastro para uma analise sobre o 
processo de ensino de LIBRAS na condição de L2 que está a seguir. 
 
 
 2.1 O contexto do aprendizado 
 
A aquisição de uma segunda língua é um fenômeno e diante disto Oller, 
(citado por Wilcox & Wilcox 2005 p 129), aponta-o como sendo composto por 
estratégias programadas em contextos complexos de comunicação, afirmando 
que 
“os usuários da língua não adquirem uma língua através do estudo 
separado de fonemas, morfemas, palavras, habilidades, 
subcomponentes, etc. Nós adquirirmos língua através de contextos 
completos de comunicação onde todas as habilidades e componentes 
são pelo menos potencialmente envolvidas nos atos de comunicação” 
(OLLER 1989 p 9). 
A lingua deve ser ensinada por meio de etapas. Estes blocos envolvem 
diferentes etapas comunicativas. Temos o currículo e ele envolve diferentes 
contextos culturais e linguísticos. 
Estes contextos culturais e linguísticos são facilmente identificáveis. 
Assim sendo, um contexto linguistico pode envolver a cultura surda e a 
experiência visual, ou seja, a lingua de sinais condicionada ao uso de memoria 
visual, as configurações de mãos que realizam os sinais, a expressão facial e 
corporal e muitos outros elementos importantes ao currículo de ensino. 
Escolher uma metodologia comunicativa e proporcionar situações de 
dialogo entre os estudantes na língua de aprendizagem requer que se afaste de 
algumas situações de dialogo na primeira língua e se aproxime da lingua de 
aprendizagem. O currículo, contendo uma gama de aspectos linguísticos, bem 
como um contexto de aprendizagem que aproxime da cultura surda, requer 
presença de diversos materiais. Sobre os materiais didáticos, aprofundaremos 
nossos conhecimentos no capitulo IV. 
 
 
2. 2 Ensino e aprendizagem da língua de sinais como L2 
 
O ensino de LIBRAS na condição de L2 envolve preparo e a utilização de 
estratégias. Ensinar apenas vocabulário, segundo os escritores Wilcox & Wilcox, 
é uma mínima parte do processo. 
Quando as pessoas aprendem uma segunda língua, elas sentem que é 
importante aprender vocabulário. É claro, há muito mais coisas para 
serem aprendidas sobre uma segunda língua do que apenas 
vocabulário. Os estudantes devem saber como falar as palavras 
apropriadamente, como formar sentenças e como realizar seus 
objetivos na língua (fazer perguntas, conseguir informação, conduzir 
uma conversa com um amigo, etc). Eles devem conhecer a natureza e 
os costumes das pessoas que utilizam a língua. (WILCOX & WILCOX, 
2005, p 54) 
 
Deve-se, como dizem Wilcox & Wilcox, conduzir os estudantes de LIBRAS 
a aprender não somente palavras, mas também, aspectos gramaticais, além de 
interagir com a lingua. Já, Gesser, na introdução ao “ensino de lingua de sinais 
como lingua 2” afirma que 
[...] ensinar e aprender uma língua está marcado de atravessamentos 
sócio-discursivos, político-ideológicos, culturais e metodológicos. O 
processo ensino-aprendizagem não é e nunca foi um fenômeno isolado 
desenvolvido em um vácuo independente de outras influências 
societais. Você verá que a disciplina que nos debruçaremos a estudar 
está embasada na perspectiva das metodologias de ensino de línguas 
orais, mas o ponto de partida é de que também deva ser teorizada a 
partir de perspectivas das culturas surdas e dos contextos de língua de 
sinais. E daí sua contribuição para construirmos e refletirmos juntos a 
prática de ensino de LIBRAS como L2 e/ou LE no sentido de criarmos 
também uma tradição teórico-metodológica pensada em outra 
dimensão de ensino-aprendizagem de línguas – a visual-gestual. 
(GESSER, 2012, 2) 
Portanto, ensinar requer um processo de organização, partindo de 
estratégias necessárias. Os contextos culturais e linguísticos sao impactantes 
para o processo que descrevemos. Logo a seguir entramos no currículo 
linguistico. 
 
 
2.3 Situando a complexidade do ensino de língua de sinais 
 
Inicio esta reflexão sobre a complexidade do ensino de libras me servindo 
das colocacoes de Gesser (2012), cujas considerações sao essenciais para estas 
paginas. 
Ao adentrarmos o ensino de lingua de sinais veremos que os estudantes 
de uma segunda lingua não são homogêneos, mas sim heterogêneos. Este fato 
também leva a compreensão de que os cursos ou disciplinas terão de ser 
diversificados em relação aos conteúdos, para atender a heterogeneidade dos 
estudantes. Dai o contexto do ensino de LIBRAS na condição de L2 é provido de 
alguns aspectos complexos, devido aos estudantes. Difícil denominar cada 
situação complexa, cada tipo, pois sao múltiplos. Precisamos entender que a 
complexidade dos estudantes no contexto de ensino de línguas existe e é real. 
Assim, em relação a estes, temos alguns fatores que podem se sobressair, tais 
como a idade, a capacidade individual de cognição, o domínio afetivo, o histórico 
educacional, entre outros. 
Faz-se necessário que o professor conheça essas complexidades e saiba 
como melhor lidar com elas. Assim, diante da heterogeneidade importa 
conhecermos nosso estudante de L2, bem como ele se relaciona na 
aprendizagem da lingua alvo. 
Os fatores inerentes a idade podem ser aqueles que afetam as crianças até 
10 anos, os adolescentes até 15 e os adultos a partir dos 16 anos. Vemos ai 
fatores biológicos, sociais e cognitivos bem como intercorrências de pressão do 
grupo, da família e da escola, além dos períodos críticos subjacentes. 
Quanto ao domínio afetivo, temos fatores sócio-culturais onde o 
estudante apresenta ou não aptidão para aprender a cultura da segunda língua. 
Muitas vezes, observa-se que o estudante não deseja sofrer o choque cultural ou 
não dispõe de aptidão para interagir com pessoas nativas da LIBRAS. Muitas 
vezes, o professor pode se ver com reflexões tais como: Este estudante é 
egocêntrico ou sofre de ansiedade? Será que tem fobia de surdos? Tem 
motivação própria ou é forçado a estudar esta disciplina sem escolha? 
Quanto a cognição podemos atentar sobre a condição de uso da 
inteligência no estudante, bem como a aptidão para a lingua. 
Quanto ao histórico educacional é preciso distinguir se alfabetizado ou 
não, bem como qual seu grau de instrução e o lugar de estudo, se é profissional e 
qual sua especialização. 
Estas e outras complexidades elencadas certamenteinfluem na 
aprendizagem. É possível encontrar cursos ou salas de aula com menos 
heterogeneidade, enquanto que outros podem apresenta-se com mais. 
Apesar de todas estas complexidades heterogêneas é importante que o 
professor compreenda cada um de seus estudantes e os motive para que 
interajam entre si e aprendam a entrar em relações uns com os outros, 
experienciando diálogos entre si com a lingua-alvo. As interações entre estes 
estudantes sao necessarias e importantes para a aprendizagem. 
Apenas a preocupação com materiais e métodos não são suficientes para 
a complexidade do ensino de LIBRAS na condição de L2. Objetivos bem 
delineados e atendimento as questões que o estudante refere podem se 
constituir em elementos para um ensino de qualidade. 
Uma sala de aula com comunicação agradável e poucas exigências, 
respeitando os percentuais legais de presença, propiciando um ambiente onde 
seja possível deixar o estudante fazer seus erros de aprendizagem e onde se 
possa mostrar que os erros fazem parte do processo. O propor algo que o 
estudante tenha que usar a lingua no dia a dia. O deixar falar o que gosta. O 
proporcionar comunicação na lingua entre estudantes. O usar um jogo para 
competição leve. O usar de gramatica apenas para esclarecer sobre 
determinados sinais contribui para que o estudante se sinta bem. 
Por outro lado também não se deve assustar o estudante com coisas mais 
complexas da lingua de sinais nos contatos iniciais com a língua, tais como 
aqueles que prevêem o uso de gramaticas pesadas ou da exigência de decorar 
sinais. 
Lembro que os melhores estudantes nem sempre sao os que melhor 
aprendem e instantaneamente. Alguns bons estudantes sao os que mais erram na 
aprendizagem, pois as vezes se esforçam mais. Inclusive estes estudantes não 
tem medo de errar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE III - FAZERES PEDAGÓGICOS 
 
Esta Unidade aborda conceitos e estratégias de ensino de LIBRAS na 
condição de L2 em que a atividade do professor requer escolher as direções e 
paradigmas para o aprendizado. 
Enfocando o aspecto em relação ao curso e a disciplina, pretende motivar 
ao professor o campo de atuação em torno da causa a ser enfrentada como 
campo de atividade. 
Estes aspectos trazidos para reflexão nesta unidade direcionam com o fim 
de introduzir aos espaços complexos do curso e do currículo necessário. E com 
isto fica o convite ao a ampliar e a distender esta temática 
 
 
3.1 Preliminares do curso/disciplina 
 
Um dos passos mais importantes, talvez o primeiro passo para a 
elaboração de um programa para oferecer instrução em LIBRAS na condição de 
L2, é fazer uma avaliação das necessidades referente ao curso/disciplina. 
 Em se tratando de uma disciplina, deve-se identificar o curso e sua 
abrangência, conforme Gesser (2012). Uma vez que se tem uma turma a quem o 
disciplina se destina, neste sentido deve-se estar atento a pormenores. A analise 
deve abranger o aparato local, ou seja, deve perceber a aceitação ou preconceito 
contra a lingua de sinais, a concepção2 do individuo surdo, os níveis dos 
estudantes, os objetivos do curso e as condições a serem utilizadas, como tempo 
disponível e o espaço, entre outros. Temos aqui uma serie de questões para a 
analise e que podem ajudar em algum momento, muitas delas também 
constantes no elenco de Gesser (2012). 
 Como é o curso, (identificação)? 
 Como é a aceitação da língua de sinais no local? 
 Qual o currículo do curso? 
 Qual o grau de instrução dos estudantes de lingua de sinais? 
 Porque eles querem estudar a língua de sinais ?
 
 Qual o tempo disponível para o curso ou disciplina? 
 Quantos estudantes compõem o grupo? 
 Quais recursos estão disponíveis? 
 Há espaço suficiente e condições para a realização das atividades na sala? 
Assim sendo, esta analise diagnóstica é importante, pois com uma turma cujo 
grau de instrução varia até o ensino médio, aparatos teóricos profundos não 
serão tão eficientes como os destinados a uma turma de estudantes pós 
graduandos. 
Em se tratando de organizar um curso para um publico diferenciado, por 
exemplo um curso EAD, temos ainda outras questões, para além das citadas 
acima temos: 
 Como sao os conhecimentos sobre surdos no local? 
 Que recursos humanos apresenta e que materiais? 
 
 Os professores sao qualificados para o ensino? 
 Os locais de ensino da lingua de sinais requerem adaptações? 
 Qual é o tempo do curso ou disciplina? 
 Estas questões não esgotam. Assim sendo, se percebe que o ensino de 
LIBRAS em alguns locais onde, por exemplo, não se tem aceitação da lingua de 
sinais tendo em vista que o preconceito é maior, ou onde os estudantes não 
 
2 O individuo surdo nem sempre é aceito como diferente. Vezes sem conta ele é tido como 
incapaz, como deficiente. A sua diferença precisa ser entendida, ou o ensino de lingua de sinais 
deve levar em conta este aspecto. 
apresentam grau de instrução, ou se o ensino é EAD, ou ainda, o local é uma sala 
pequena onde os estudantes ficarão mal acomodados, as estratégias para o 
ensino de lingua de sinais como segunda língua requer estratégias diferenciadas. 
 Assim, reforço que a avaliação inicial é imprescindível uma vez que 
denota uma programação consciente. 
 
 
2.2 Montagem do currículo 
Um currículo para o ensino de LIBRAS na condição de L2 deve ser 
construído com base em pesquisas linguísticas e Estudos Surdos, uma vez que as 
atividades de ensino de línguas visa introduzir os estudantes não apenas a 
aprendizagem da lingua, mas também ao ensino da mesma. 
O currículo atual de alguns cursos de lingua de sinais é tido como um 
campo de produção linguística, política e cultural. ou seja, um currículo cultural 
é, antes de mais nada, o terreno preparado no qual existem significantes e 
significados ao entendimento da lingua alvo. 
Nas palavras de Silva, 
O currí́culo não é o veiculo de algo a ser transmitido e passivamente 
absorvido, mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá 
cultura. O currículo é, assim, um terreno de produção e politica 
cultural, no qual os materiais existentes funcionam como matéria 
prima de criação, recriação e, sobretudo, de contestação e 
transgressão. (SILVA,1996, p. 90) 
 
O campo do currículo de Língua de Sinais se apresenta como um 
programa de aprendizagem variada, em que entram a iniciação à experiência 
visual, o conhecimento da cultura do povo surdo, suas lutas e estratégias de 
sobrevivência, bem como a gramatica da língua de sinais. Esta gama de 
conhecimentos deve ser apresentada através de estudos, atividades ou praticas 
de lingua de sinais para que o estudante de LIBRAS na condição de L2 consiga, ao 
final do curso, se sentir fluente na mesma. 
O contexto do currículo é propicio para apresentar um contexto de 
identidade da lingua de sinais. Dai porque deve conter aspectos do contexto de 
pesquisas. Dar a conhecer a cultura surda, a experiência visual, os mitos em 
relação as línguas de sinais, a denominação do sinal das pessoas em lingua de 
sinais, o signwriting, bem como o aspecto de alguns pressupostos gramaticais 
como configuração, movimento, local de realização do sinal, classificadores, 
expressão facial, apontação, entre outros, pressupõe criar um clima favorável 
para estabelecer diálogos com o povo cuja lingua se deseja aprender a usar. 
Estas discussões sobre o currículo, no entanto, não devem abafar em sala 
de aula o clima de dialogo em língua de sinais. O papel dos diálogos para apromoção da aprendizagem de lingua de sinais é fundamental. É importante que 
este dialogo coloque o universo surdo ao alcance do estudante de lingua de 
sinais do mesmo modo que coloca o universo do estudante ao contato com a 
mesma. 
 
 
 
 
UNIDADE IV - RECURSOS DIDÁTICOS 
 
Esta unidade se constitui sobre os recursos didáticos ao alcance do 
professor com ferramentas auxiliares que complementarão e facilitarão seu 
trabalho . 
Os materiais didáticos ocupam um lugar especial por serem materiais 
auxiliares ao processo de ensino, bem como no ensino de LIBRAS na condição de 
L2. Os contextos de ensino de lingua de sinais estão em processo de construção e 
os materiais didáticos são de excelente ajuda, porém, escassos. O professor que 
se qualifica para o uso do material didático se sentirá com mais competência e 
motivações ao ensino. A criação, adaptação e tradução dos materiais didáticos 
favorecem pontos estratégicos com estes recursos. 
Com o objetivo de que o professor possa constituir um bom repertorio 
que facilite suas aulas subsequentes é necessário elencar uma serie destes 
materiais, sendo que algumas ideias constam nesta unidade. Tais recursos, 
porém, não devem ser considerados como esgotáveis em si próprios, podendo 
muitos outros recursos vir a ser utilizados, de acordo com o bom senso de cada 
professor. 
Neste sentido, espaço para criatividade ao professor não falta. O que 
importa é se munir dela para tornar mais atrativo o ensino de lingua de sinais. O 
que urge é a produção de materiais que impulsionem o desenvolvimento criativo 
da comunicação para os estudantes de LIBRAS na condição de L2. 
 
 
4.1 Montagem do Plano de Ensino 
 
 Nos ateremos aqui ao fato de que as disciplinas no campo acadêmico 
requerem apresentação de Plano de Ensino. Ele é um instrumento de 
organização do professor e também serve como instrumento para que o aluno 
consiga organizar-se. 
 Tendo como fato de que algumas disciplinas ou o curso de lingua de sinais 
tendem a ter um conteúdo programático menor do que outras, vale lembrar que 
isso não significa que alguns cursos sao denominados melhores ou piores por 
causa disto. No entanto o que faz um curso também pode ter incidência nos 
temas, na presteza das praticas, na exposição clara do conteúdo. 
 O Plano de disciplina/curso é elaborado pelo professor responsável. Ele 
tende a orientar as atividades a serem desenvolvidas em sala de aula. O Plano de 
Ensino deve ser atualizado a cada curso para se adaptar as necessidades do 
mesmo mediante do publico, do tempo e das necessidades. É sempre muito 
importante que o Plano de Ensino seja apresentado aos responsáveis pelo curso 
e aos estudantes antes da primeira aula para que eles possam se organizar. Um 
Plano de curso deve conter: 
 Identificação 
 Objetivos 
 Conteúdo programático ou unidades a serem desenvolvidas 
 Metodologia de ensino 
 Cronograma de atividades 
 Experiências de aprendizagem ou atividades 
 Critérios de avaliação 
 Referencias 
O Plano de Ensino sugere a organização das atividades a serem 
desenvolvidas em sala de aula pelo professor. No entanto, como previsão, ele 
pode também ser flexível, isto é, a qualquer momento o professor, com sugestão 
ou não dos estudantes e combinando entre ambos, pode modificar o Plano para 
melhor rendimento da atividade de ensino. 
Este Plano, contendo informações sobre percursos de atividades a serem 
feitas no período pré-determinado, serve ao estudante para se organizar com 
antecedência mediante o cronograma a respeito do direcionamento dos estudos 
a partir dos paradigmas, bem como a ciência da realização de provas e de outros 
acontecimentos que o período irá conter. As alterações a serem feitas, devem ser 
comunicadas aos estudantes. 
 
 
4.2 Estratégias e métodos de avaliação da aquisição linguística – L2: 
 
Estratégias e métodos de avaliação existem muitos, e são bastante 
diversificados. Neste espaço nos deteremos em alguns tipos de avaliação, sem 
contudo, nos ampliarmos em demasia. Assim, pela importância de servir como 
um instrumento balizador, a avaliação tem grande valor, pois contribui para o 
esforço do estudante e sua aquisição de conhecimentos, bem como para o 
professor avaliar o progresso do ensino. 
Um tipo de avaliação importante é que o professor observe diariamente a 
participação dos estudantes e o engajamento deles nos diálogos entre seus pares. 
Este dialogo entre eles serve para avaliação diária, com a qual o professor pode 
contar para sua visão dos progressos do ensino. 
Nas estratégias de avaliação deve-se ficar atento sobre quais elementos 
ou critérios colocar. Estes devem ser expostos de forma clara a fim de não 
confundir o estudante. Podemos, por exemplo estabelecer que o critério de 
avaliação é sobre como o estudante realiza o sinal, ou seja, se realiza com 
eficiência a configuração da mão, o movimento e o local de articulação referente 
ao sinal. Ou sobe como o estudante introduz o sinal e a sua localização na 
mensagem. Ou ainda, se ele usa de uma boa expressão facial demonstrando 
sentimentos inerentes a frase. Independentemente dos critérios elencados, 
deixa-los claros aos estudantes é fundamental para que o aprendizado ocorra. 
Já sobre os métodos de avaliação, tais como testes e provas, são capazes 
de comportar métodos de avaliação sensíveis e eficientes. Temos muitos e 
diversificados. Alguns estão elencados abaixo: 
 Testes realizados com sinalização individual de algumas palavras podem 
ser cansativos, pois pedem avaliação de todos os estudantes. Mas sao 
eficientes visto que o professor pode ver um a um o desempenho dos 
estudantes. 
 Testes realizados sobre a habilidade do estudante em imitar frases feitas 
por um surdo em lingua de sinais. 
 Testes realizados sobre a habilidade do estudante descrever uma gravura 
com uso de classificadores. 
 Teste sobre a habilidade de realizar a expressão facial. 
 Pedir ao estudante que dê resposta a uma pergunta filmada feita por um 
surdo em lingua de sinais. 
 Já os testes realizados em duplas onde os integrantes conversam entre si 
em lingua de sinais podem ser muito bons. Neles se podem estabelecer 
critérios como: fazer frases, descrever gravuras, contar fatos, fazer 
entrevistas. Estes testes um pouco mais difíceis de avaliar auxiliam na 
rapidez da avaliação por ser diferente da avaliação individual. 
 Outro tipo de teste é feito com vídeo. Estas avaliações sao um pouco mais 
difíceis. Necessita de filmagens de questões. Necessitam de gravações em 
vídeo para capturar a habilidade do estudante em usar lingua de sinais de 
acordo com o pedido. 
Novamente cabe ressalta o quanto se faz importante que o professor se 
sirva de métodos de avaliação e tenha critérios claros para avaliar. Estes 
métodos devem ser sensíveis e motivadores aos estudantes no desempenho do 
conhecimento do processo do ensino. Os estudantes, por sua vez, consideram a 
avaliação como algo necessário e imprescindível sob o ponto de vista da 
aprendizagem. 
 
 
4.3 Materiais didáticos ao Ensino de LIBRAS na condição de L2. 
 
No Brasil já existe exigência para o uso de material didático para o ensino 
de línguas e todas as aulas devem ser dadas a partir de livros indicados pelo 
MEC. Em lingua de sinais já existem alguns livros didáticos adaptados, porém, 
ainda são poucos, o que torna inviável o uso de livro. 
Em meados da década de 1980 e inicios da década de 1990 surgiram 
esforços de condensação para inclusão de LIBRAS na educação dos surdos, bem 
como para o ensino como LIBRAS na condição de L2 e divulgação da mesma. 
Dessa forma entraram em necessidadecrescente a produção de materiais para o 
ensino de LIBRAS. A pesquisa e condensação de materiais didáticos para o 
Ensino de LIBRAS era escassa quando do início das atividades que envolvessem 
o ensino de LIBRAS. O livro publicado por Eugenio Oates na constituía-se de um 
dicionário com fotos de sinais e a tradução de cada sinal. Era um material 
obrigatório para quem queria ampliar os conhecimentos da LIBRAS e se 
constituía num modo de estudar e divulgar a lingua. 
Com a necessidade de aprendizagem da LIBRAS junto aos usuários 
nativos surgiu também o inicio da condensação dos materiais didáticos. A busca 
para conhecer e usar estes materiais foi intensa por aqueles surdos que se 
dedicavam ao ensino de LIBRAS na condição de L2. 
Sem o preparo acadêmico e metodológico, segundo pesquisas de Silveira 
(2006) estes professores surdos não eram acostumados ao uso de registros de 
suas estratégias de ensino de LIBRAS na condição de L2. Aos poucos estes 
instrutores foram percebendo a importância de uma sistematização dos achados 
didáticos constituindo os amontoados de material didático. Dai porque materiais 
didáticos iniciais foram se ampliando aos poucos e a partir de descobertas, 
colecionados, aperfeiçoados e sistematizados nos anos de ensino inicial da 
lingua. 
Em 1992, a pesquisadora Dra. Tania Felipe, a pedido da Federação 
Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS), conjuntamente com a 
pesquisadora surda Myrna Monteiro, compôs um grupo de pesquisa com o qual 
desenvolveu estudos sobre a LIBRAS e as metodologias de ensino desenvolvidas 
pelos instrutores surdos para ensino de LIBRAS na condição de L2. No ano de 
2001, Felipe e Monteiro imprimiram o livro “Libras em contexto.” Este livro foi 
considerado como o marco do inicio para a produção dos demais livros didáticos. 
Contem um elenco, um currículo de temas específicos, para o professor, bem 
como atividades praticas para os estudantes de LIBRAS na condição de L2. Este 
livro, segundo Pereira, (2009, p. 40) “passou a ser o currículo de nível básico de 
LIBRAS em todo o território nacional e, com isso, se tornou um referencial para 
os livros que foram publicados posteriormente”. Contudo hoje novos currículos 
foram estabelecidos pelos professores surdos com o desenvolvimento das novas 
pesquisas. 
O material didático em livro é uma das possibilidades do professor situar 
melhor o aluno nas atividades didáticas. Seja qual for o material usado, sempre 
traz vantagens ao processo de ensino. Os materiais didáticos podem ou não ser 
produzidos pelo professor. 
Há os professores que elencaram uma serie de estudos baseados em 
pesquisas de línguas de sinais e com ajuda do powerpoint projetam a aula aos 
estudantes com texto base e atividades (teoria e pratica). Ha professores que tem 
um conteúdo escolhido e metodologia usada por outros professores. E há 
professores que preparam texto base, ou que escolhem o livro didático não 
produzido por ele. E ainda há professores com conhecimentos que acompanham 
as pesquisas linguísticas e tem conhecimento sobre a identidade e cultura do 
povo surdo e nisto fundamentam suas produções e materiais didáticos. 
Estes sao alguns exemplos para a pesquisa de materiais que o professor 
pode se servir para a confecção de seu currículo básico. Os livros didáticos, os 
textos base além de outros os textos, as gravuras, as fotos, o powerpoint, os 
filmes, os jogos podem ser criados obedecendo ao principio geral para o ensino 
da língua. Alguma coisa, como os livros, podem ser adquiridos prontos, outros 
criados, adaptados ou traduzidos para servir às aulas de LIBRAS na condição de 
L2, como veremos mais adiante. 
Os livros didáticos para o ensino de LIBRAS na condição de L2 são poucos. 
Isto difere das línguas orais, como por exemplo, o livro didático para o ensino de 
inglês, que possui bibliografia grande. Na seleção de livros didáticos ao ensino 
de LIBRAS na condição de L2 requer do professor atenção ao conteúdo. É 
importante que o professor faça um levantamento destes livros. É preciso 
entender que o professor deve dispor de criatividade e não se deixar envolver 
por um livro didático apenas. A criatividade e a flexibilidade do professor é 
importante e o uso do livro didático não pode cristalizar durante anos como 
sendo um único recurso. Portanto, ter livro didático pode ser de grande valia, 
como também pode trazer desvantagem. O bom senso é sempre a melhor 
escolha. 
Alguns texto-base podem ser de imensa valia, pois o professor pode, por 
meio deles, condensar suas ideias. Há alguns texto base prontos, como por 
exemplo, os texto-base elaborados para o curso de Letras/Libras da UFSC, que 
contem grande parte da teoria pesquisada recentemente. 
As pesquisas sobre a cultura surda, as línguas de sinais e outros aspectos 
do povo surdo evoluíram e com elas uma serie de artigos, livros, entrevistas, etc., 
estão disponíveis para uso. Se o professor quiser pode montar um seminário, ou 
pedir um trabalho, ou um ensaio, ou ainda que respondam a questões pré-
formuladas sobre a cultura dos surdos ou a lingua de sinais. Artigos e textos se 
apresentam como ótima estratégia para os professores introduzirem nos 
aspectos culturais voltados aos resquícios indispensáveis ao aprendizado da 
LIBRAS a partir das vivências, ou seja, a partir da imersão na cultura surda. 
Estes artigos, aos professores surdos, podem servir como estratégia para ensino 
sobre cultura surda uma vez que os mesmos professores tem pouca escolha a um 
debate na falta do interprete. 
O uso do powerpoint se apresenta como um material didático em 
movimento. O professor que faz uso desta ferramenta pode ter, como cita Gesser 
(2010 p 81), “liberdade de formular e reformular os objetivos sempre pensando 
nas necessidades dos aprendizes, procurando atender o seu contexto imediato”. 
Portanto alguns professores no momento de aceitar o curso, pedem também o 
equipamento powerpoint que lhe dá uma certa liberdade. 
Gesser (2012) refere que “Podemos utilizar calendários, anúncios, 
propagandas, fotos, mapas, menus de restaurante, livros infantis, tiras cômicas, 
etc. como fontes de insumo para praticar e desenvolver o conhecimento 
linguístico na lingua de sinais”. 
O uso de filmagens pode ser de muita valia para o professor de lingua de 
sinais. Trata-se de um material diversificado para múltiplos usos. Por exemplo, 
filmes sobre surdos como material para conhecimento da cultura surda, ou como 
material para complementar e para retratar ideias, frases, piadas, atividades, 
podem ser ferramentas valiosas ao aprendizado. Como refere Gesser ao uso do 
filme, 
Outra ideia é que a língua de sinais produzida pelos alunos ouvintes 
pode ser gravada pelo professor como parte de uma atividade, e o 
professor pode usar o material para explorar aspectos de vocabulário, 
gramática e a expressão corporal e facial dos alunos. (GESSER, 2010 p 
85). 
Esta atividade de filmagem, segundo a autora, objetiva a que o aluno se 
olhe conversando em LIBRAS e assim veja os pontos fortes e fracos de seu 
desempenho. 
Finalizando, uma consideração deve ser dada ao uso dos moveis da sala 
de aula como quadros, cadeiras, que se apresentam como materiais para facilitar 
a comunicação. As cadeiras devem ser dispostas em circulo ou semicírculo para 
facilitar atividades em duplas e que todos vejam o rosto dos outros, sendo 
importante salientar que a visibilidade da sala também deve ser considerada. 
 
 
4. 4 Criação, adaptação ou tradução de materiais didáticos 
 
Temos vários tipos de materiais didáticos produzidos, que se encontram 
prontos, tais como aqueles que são feitos em gráficas e vendidos no mercado, 
aquelesconstantes em revistas e livros e aqueles provenientes da internet ou de 
aplicativos. Veremos três estratégias diferentes de tornar os materiais didáticos 
como constantes ao ensino aprendizagem. 
Sobre os materiais criados ou seja aqueles que criamos diretamente para 
usar no ensino de libras, Cabral atenta para sua simplicidade destas criações 
quando afirma que “Os professores podem criar jogos semelhantes a partir dos 
materiais com que as crianças estejam já familiarizadas, como feijões, castanhas, 
conchas, caixas de fósforos, pedrinhas, etc.” (1998, p 43). Portanto a criação do 
material didático mistura o simples e o complicado. As tais criações podem, com 
uso de internet e outros instrumentos, constituir a criação de materiais mais 
qualificados, ou sofisticados, porém sempre com a historia, a ideia, as regras. Por 
traz da criação do material didático existe a ideia, a história, a utilidade, o fim a 
que se destina, o modo de proporcionar o lúdico ao estudante no processo de 
ensino aprendizagem, bem como um processo de construção do conhecimento. 
 Materiais adaptados sao aqueles provenientes de materiais já existentes e 
que se modificaram para servirem ao ensino de lingua de sinais. 
Materiais traduzidos sao aqueles provenientes de outras culturas aos 
quais se coloca acréscimo de elemento cultural. O elemento cultural surdo 
contem: imagens, sinais, configuração da mão e outros. A introdução do 
elemento cultural surdo pelo professor aos materiais didáticos faz com que os 
denominemos de materiais didáticos surdos. A tradução do material didático faz 
uma ruptura significativa com as formas da cultura em que está constituído. Ou 
seja, para o caso da cultura surda, já não fica a cultura ouvinte, mas a cultura 
surda surge com toda sua força identificando este material. 
Portanto, é interessante valorizar, neste momento, essas estratégias 
didáticas de criar, adaptar ou traduzir materiais didáticos para a cultura surda. E 
existem muitos que podem passar por estas estratégias. 
Incluir os elementos culturais aos aspectos dos materiais didáticos 
contribui, como já dissemos, ao surgimento dos materiais didáticos surdos. Com 
isto eles podem servir os vários fatores como: a capacidade de raciocínio visual 
para os estudantes, as experiências visuais e espaciais, contato com a cultura e 
identidade surda, além de outros. Esta criação leva a que o foco do material 
didático surdo seja o de introduzir na cultura surda. Desta forma os professores 
criam material durante o processo o ensino-aprendizagem. A mediação de seu 
espaço de trabalho faz com que se crie com aspectos lúdicos aos materiais 
didáticos surdos. 
 
 
4.5 Jogos para o ensino de LIBRAS na condição de L2 
 
Entre os materiais didáticos estão os jogos. Muito apreciados pois podem 
tornar mais prazeroso o processo de aprendizagem. Uma série de jogos podem 
ser criados, adaptados ou traduzidos para servirem como suporte durante o 
curso, ou aulas de lingua de sinais. 
Miranda (2001), demonstra que o jogo didático pode servir a vários 
objetivos relacionados ao desenvolvimento da inteligência e da personalidade, e 
que se mostram eficientes e fundamentais para a construção do conhecimento; o 
desenvolvimento da sensibilidade e da auto estima e atuação no sentido de 
estreitar laços de amizade e afetividade; bem como se prestam a experiência de 
vida em grupo; provocam ao envolvimento na ação, e no desfio e incentivo à 
criatividade. 
Os jogos didáticos presentes para o ensino da LIBRAS na condição de L2, 
como atividade didática, suprem a necessidade e o professor pode ter a mão 
varias estratégias didáticas para o uso. Dai importa que tenham uma serie de 
conhecimentos sobre eles, bem como sobre: criar, adaptar ou traduzir jogos 
didáticos para o uso no ensino aos estudantes de LIBRAS na condição de L2. É 
importante que já no ensino superior o professor aprenda sobre isto. Esta 
aprendizagem, se não ocorre no ensino superior, pode ocorrer no contato com 
outros professores que deles fazem uso. 
Neste curso estamos nos posicionamos no sentido de estimular a 
produção e o uso de jogos didáticos. Infelizmente, ainda que existam esses 
materiais, ainda são poucas as publicações sobre eles e muito restritas. No caso 
dos professores que atuam no ensino de LIBRAS na condição de L2, por exemplo, 
torna-se importante também o contato com outros professores que desenvolvem 
jogos, de modo que assim possam desenvolver mais o interesse pelo jogo 
didático. 
Huizinga (1980, p 13)comenta sobre o jogo e sua potencia de repetição, 
afirmando que “Mesmo depois de o jogo ter chegado ao fim, ele permanece como 
uma criação nova do espirito, um tesouro a ser conservado pela memoria. É 
transmitido, torna-se tradição.” 
Esta colocação de Huiziga sobre o jogo didático atesta o quanto um jogo 
criado por professor tem valor em si para a aprendizagem. Ele sugere que jogo é 
cultural, um componente determinante na constituição da cultura. Um achado de 
valor, capaz de enriquecer a didática para o estudante. 
Entre os muitos jogos usados por professores surdos, alguns exemplos 
para o uso no ensino de LIBRAS na condição de L2. 
1. Jogue a bola: jogo constituído com ajuda de uma bola de pingue-
pongue. Os estudantes estão sentados, em circulo. As regras são: um 
estudante joga a bola para um de seus colegas; este por sua vez guarda 
a bola e sinaliza uma frase cujo objetivo foi pré-determinado pelo 
professor, para o grupo. A seguir joga a bola para outro estudante que 
procede do mesmo modo. 
2. Perguntas ao grupo oposto: Os estudantes estão sentados em duas 
alas. Um por um os estudantes vão fazendo perguntas, anteriormente 
preparadas e em LIBRAS ao grupo oposto que por sua vez também 
responde em LIBRAS. As perguntas podem ser feitas a um estudante 
em particular ou ao grupo todo. O jogo encerra quando todos os 
estudantes tiverem feito sua pergunta. 
3. Nem sim, nem não: Os estudantes estão em dois grupos. Começam o 
jogo dizendo os vocabulários em LIBRAS que não podem ser usados 
durante a partida, ex.: sim, não, branco, preto, bom, mau. A partir 
desse momento, com perguntas em LIBRAS, um por um os jogadores 
se esforçam em fazer com que o outro grupo sinalize os vocabulários 
proibidos. O grupo que sinalizar o vocabulário proibido perde um 
ponto. Conforme avança vai ficando mais difícil. 
4. Telefone: Os estudantes ficam em fila, de costas entre si e para o 
professor. O professor chama o estudante que esta a sua frente e este 
se vira. Dai o professor sinaliza uma frase significativa para estudante. 
Que por sua vez chama o colega que esta a sua frente e repete a frase. 
O método prossegue até chegar ao ultimo estudante. Este por sua vez 
sinaliza a frase para todos os colegas verem. 
 
Muitos jogos didáticos podem receber a conhecida adaptação ou criação 
para servirem ao ensino de LIBRAS na condição de L2. Basta que o professor 
estabelecer objetivos e ir em busca do jogo correspondente. Os estudantes 
preferem um contexto de interação com seus pares e os jogos atendem aos 
objetivos quando ha falta de motivação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONCLUINDO 
 
Notamos complexidade no ensino de LIBRAS na condição de L2. Notamos 
também importância incontestável no seu ensino como, visto que a maioria da 
sociedade continua sem nenhum contato com língua de sinais e consequente o 
preconceito ainda se apresenta fortemente nos contextos de convívio social. 
Qualquer pessoa pode ensinar a língua de sinais como segunda língua. A 
didática, a metodologia, estratégias e os materiais requeridos sempre carecem 
de estudos cada vez mais aprofundados no sentido deaperfeiçoamento destas 
técnicas de ensino. 
Não se pode, em hipótese alguma, descuidar da importância de um 
planejamento curricular de ensino, que vai garantir as condições de 
aprendizagem. 
Existe um modo diferente de lingua. E a metodologia de ensino visual 
requer especial cuidado, pois se trata de uma lingua mais complexa que as 
línguas orais. Em suma, o que importa é desenvolver sempre, reinventar e 
redescobrir novas metodologias possíveis de ensino de LIBRAS na condição de 
L2. 
Não há um método único de ensino de lingua de sinais como segunda 
língua e tal método, mesmo que existisse, não daria conta ao complexo quadro. 
Importa sempre mais buscar desenvolver este processo, atentando para a 
inclusão da gramatica-vocabulário-tradução com o fim de se considerar o alcance 
do objetivo traçado e as expectativas dos aprendizes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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