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Áudio infantil Emissões otoacústicas *a cóclea não somente pode receber sons, como também pode produzir energia acústica. São sons mensurados no meato acústico externo, os quais são produzidos na cóclea, especificamente pelas células ciliadas externas, que apresentam uma propriedade única de expansibilidade e contratitilidade. Os movimentos das células ciliadas externas tanto espontâneas quanto em resposta a um estímulo produzem energia mecânica dentro da cóclea. Essa energia é transmitida de forma reversa através do ouvido médio e da membrana timpânica e então convertida em sinal acústico dentro do meato acústico externo. A importância clinica esta nesse meio direto e não invasivo e objetivo de se analisar a cóclea. Informações objetivas sobre as estruturas pré-neurais podem ser clinicamente obtidas com a ajuda das EOA. A maioria das perdas periféricas, assim como perdas auditivas induzidas por ruído ou hereditárias, apresentam suas origens nas células ciliadas. Enquanto os potenciais evocados contam com resposta do nervo e a investigação do reflexo estapédio testa vários neurônios, as emissões otoacústicas fornecem um com complemento para esses métodos clínicos Antes das emissões otoacústicas serem captadas no MAE, a energia vibratória deve ser conduzida de um modo retrógado ( vindo da cóclea) através da cadeia ossicular para a membrana timpânica, onde é traduzida para sinais acústicos. Na interpretação dos resultados do teste de emissões otoacústicas é importante reconhecer que uma resposta de emissão forte não está somente associada com a integridade do sistema das células ciliadas externas, mas também indica se o sistema de condução relacionado ao ouvido médio está operando normalmente. Assim sendo, a ausência ou redução nos níveis de emissão pode não necessariamente refletir deficiência nos geradores cocleares, pois alterações no caminho de transmissão do ouvido médio podem também afetar a mensuração de todos os tipos de emissões. Por essas razoes, recomenda-se sempre a realização da imitanciometria, antes do exame de emissões otoacústicas, a fim de verificar o estado do ouvido médio, descartando alguma patologia. Emissões otoacústicas espontâneas Esta classe consiste em sinais de faixa estreita, os quais podem ser medidos na ausência de estimulação acústica. São sinais fixos, os quais podem ser gravados por longos períodos de tempo. Desde que não é necessária estimulação acústica para gravar as emissões otocausticas espontâneas, uma sonda acústica contendo somente um microfone é o suficiente. O ruído de fundo no MAE é produzido por ruído corpóreo de baixa frequência. As EOAE encontram-se presentes em mais ou menos 40% dos indivíduos com audição normal e por esse motivo ainda não são utilizados na rotina clínica, pois não apresentam valor diagnóstico. Emissões otoacústicas evocadas transitórias As emissões transitórias são obtidas através do estímulo click. As sondas acústicas para a gravação das EOAET necessitam de um instrumento de estimulação acústica, diferente do que ocorre com as emissões espontâneas. Podem ser detectadas em aproximadamente todos os ouvidos com audição dentro da normalidade, indiferentemente da idade ou do sexo. As emissões otoacústicas evocadas transitórias podem ser registradas em indivíduos que apresentam limiares de no máximo 30 dB NA. Sabe-se que, em casos de limiares piores, ainda existe presença de células remanescentes na cóclea, porém, por limitação dos equipamentos de registro, não é possível captá-las. Emissões otoacústicas por estímulo-frequência Uma estimulação com tons constantes de baixo nível pode levar à geração de uma energia acústica adicional vinda da cóclea na frequência da estimulação. Podem ser encontradas em indivíduos com limiar auditivo de no máximo 20 dB Na. Emissões otoacústicas-produto de distorção São gerados por elementos não lineares, os quais distorcem o sinal e desse modo criam frequências adicionais. Quando dois sinais de tom puro de frequências diferentes passam por um sistema não-linear, os dois sinais intermodulam e produzem componentes de frequências no sinal de saída, as quais não estavam presentes no sinal orginal. Elas são definidas como energia acústica no MAE, originada da interação não-linear de dois tons puros simultâneos, aplicados dentro da cóclea. São avaliadas de duas maneiras. Um dos métodos de registrar as EOAPD é chamado de PD-gama, onde são medidas as amplitudes das emissões, em resposta ao estímulo nos dois tons primários. A outra forma comum de medida faz EOAPD é através das curvas de crescimento ou função input/output, obtida através de uma frequência particular, em que a amplitude da emissão é registrada como uma função do crescimento sistemático nos níveis de tons primários. A intensidade do estímulo sonoro influencia a amplitude dos produtos de distorção. Os níveis de intensidade das primárias nunca devem exceder 80 dB NPS para não excitar o músculo estapédio, o que afetaria a função de transferência do ouvido médio. O sistema de registro utilizado para medir as EOAPD consiste em dois osciladores através dos quais os sinais de saída são enviados via atenuadores para dois transdutores. Os dois sinais são misturados acusticamente antes de serem apresentados no MAE. Um microfone sensível também serve como uma referencia para estabelecer os níveis de estímulo. Se os sinais forem misturados em somente um receptor-emissor, a não-linearidade do próprio transdutor poderia produzir artefatos, os quais mascarariam os sinais vindos da cóclea. Permite estudar as funções remanescentes das células ciliadas externas nos ouvidos de pacientes com perda auditiva de 45 a 55 dB NA. Comparando-se as EOAPD com as EOAET, aquelas apresentam algumas vantagens sobre estas. As AOAPD apresentam uma natureza contínua e baixa latência, o que permite testar intencionalmente qualquer frequência situada entre 1 e 8 kHz aproximadamente. Devido a essa especificidade de frequência, as EOAPD são indicadas como um complemento ao audiograma convencional. Pelo fato de as EOAPD medirem a atividade de frequências altas (entre 4 e 8 kHz), apresentam sensibilidade para estágios iniciais de disfunção coclear. Resultados: Audição normal -> amplitudes acima de: Frequência Amplitude 1 kHz 2,7 dB NPS 2 kHz 1 dB NPS 3 kHz -3,6 dB NPS 4 kHz 0,2 dB NPS 6 kHz 3,8 dB NPS Avaliação audiológica em crianças de 0 a 5 anos de idade Nos dois primeiros anos de vida As respostas obtidas durante a avaliação dependem dos seguintes itens: Idade mental e cronológica Estado neurológico Nível de audição Motivação para cooperar Experiência anterior Circunstancias do teste A anamnese é o primeiro passo da avaliação. As informações sobre a queixa atual, história pregressa da queixa, história gestacional e perinatal, antecedentes familiares para deficiência auditiva, fatores de risco para deficiência auditiva, desenvolvimento da fala, audição, linguagem e desenvolvimento motor, assim como o comportamento da criança, contribuem para a escolha do método a ser empregado na avaliação e sugerem o grau da perda auditiva e o tipo de comprometimento auditivo. No momento da anamnese, é importante verificar o comportamento da criança frente aos diferentes estímulos ambientais e de fala. Para avaliar a audição de crianças de 0 a 24 meses de idade, são utilizados estímulos sonoros instrumentais, verbais e tom puro modulado em frequência (warble). A audiometria de observação comportamental é um dos procedimentos utilizados para avaliar crianças dessa faixa etária, através da qual se observam as mudanças de comportamento decorrentes da apresentação de um estímulo sonoro instrumental. Respostas reflexas e/ou automatismos inatos Reflexo cócleo-palpebral Contração do músculo orbicular do olho, que pode ser observada por meio de movimentação palpebral. Reação de sobressalto Reação corporal global, que pode aparecer como reação de Moro ou como estremecimento corporal com movimentação súbita demembros. Etapas do processamento auditivo central Atenção ao som Respostas indicativas de atenção ao som, tais como parada de atividade ou de sucção, abertura da rima palpebral, movimentos faciais como franzir a testa ou elevar as sobrancelhas. Localização lateral A criança volta a cabeça ou o olhar imediatamente em direção a fonte sonora. Localização de sons para baixo A criança localiza a fonte sonora situada a 20 cm abaixo do pavilhão auricular no plano lateral Localização de sons para cima A criança localiza a fonte sonora situada a 20 cm acima do pavilhão auricular no plano lateral. A forma de localização sonora, abaixo ou acima do pavilhão auricular, foi classificada em: Localização indireta A criança olha primeiro para o lado e depois para a fonte sonora. Localização direta A criança olha diretamente para a fonte sonora. Variáveis para a avaliação sonora: As crianças de até três meses de idade devem ser avaliadas em estado de sono leve. Estímulos sonoros instrumentais apresentados em ordem crescente de intensidade: guizo, reco-reco, sino, ganzá, black-black, prato, agogô pequeno, agogô grande e tambor. Estímulos apresentados fora do campo visual da criança Alternar os lados de apresentação do estímulo Manter a mesma força de percussão do instrumento A pesquisa do reflexo cócleo-palpebral e da reação de sobressalto é eliciada através de estímulos instrumentais com nível de pressão sonora acima de 90 dB no nível do pavilhão auricular. Quanto à reação de sobressalto, é predominante nos dois primeiros meses de vida, havendo diminuição da sua frequência de ocorrência entre o segundo e o quarto mês de vida e seu desaparecimento, por volta do quarto mês. Para verificar a resposta de atenção, utilizam-se estímulos sonoros instrumentais de nível de pressão inferior a 90 dB. A presença de respostas de atenção é verificada, com maior frequência, ate o terceiro mês de vida, quando então, as respostas diminuem e a criança inicia um movimento rudimentar de cabeça em busca da fonte sonora. A pesquisa da procura da fonte sonora é realizada utilizando-se instrumentos de nível de pressão sonora inferior a 90 dB. A procura da fonte pode ocorrer ate os seis meses de vida no máximo. Para a pesquisa da localização sonora são utilizados instrumentos com nível de pressão sonora inferior a 90 dB.Por volta dos três meses de idade, a criança já inicia um movimento rudimentar de cabeça em direção à fonte sonora. Aos seis meses de idade, todas as crianças devem localizar imediatamente a fonte sonora no plano horizontal e já iniciam respostas de localização sonora no plano vertical abaixo e acima do nível do pavilhão auricular de maneira indireta. Entre o nono e o décimo segundo mês, as crianças devem ter a habilidade de localizar a fonte sonora no plano horizontal e vertical diretamente para baixo e localização no plano vertical acima di nível do pavilhão auricular de maneira indireta. Do décimo segundo ao décimo quinto meses, todas as crianças audiologicamente normais devem apresentar a habilidade de localizar a fonte em todos os planos e de forma direta. Um outro procedimento também aplicado em crianças de 6 a 24 meses de idade é a audiometria com reforço visual (ARV). As frequências sonoras testadas são 500, 1000, 2000 e 4000 Hz, utilizando-se o condicionamento estímulo-resposta visual, avaliando-se, quantitativamente, a sensibilidade auditiva, em diferentes frequências. Os estímulos são apresentados em intensidade decrescente. Os estímulos não devem ser ritmados e, quando eliciados, a criança deve olhar, imediatamente, para a fonte sonora, recebendo nesse momento o reforço visual. Crianças de 6 a 9 meses de idade devem apresentar níveis mínimos de resposta a 60 dB NA; entre 9 e 12 meses,.40 dB NA; entre 12 e 15 meses, 20 dB NA. Abaixo dos 6 meses de idade, as crianças também devem ser avaliadas, pois apresentam comportamento de atenção ao som de 80 dB NA e, muitas vezes, ate procuram a fone sonora. A observação de respostas a estímulos verbais também é realizada em crianças de 0 a 24 meses de idade. A reação à voz é pesquisada chamando-se a criança pelo próprio nome, através da voz da mãe, uma vez que apresenta maior significado, sem amplificação sonora. O reconhecimento dos comandos verbais também é pesquisado. A partir dos 9 meses, a criança é solicitada a realizar algumas ordens simples esperadas para a idade. Dos 9 aos 12 meses, deve saber dar “tchau”. Jogar beijos e bater palmas. Dos 12 aos 15 meses, deve saber onde está a chupeta, a mamãe e o sapato. Dos 15 aos 18 meses, deve saber onde está o cabelo, a mão e o pé. Por ultimo, devem-se realizar as medidas de imitância acústica, a fim de identificar e classificar os distúrbios da orelha média. Entre dois e cinco anos de vida Nessa faixa etária de 2 a 5 anos, os procedimentos adotados na avaliação auditiva são os mesmos que compõem a avaliação audiológica básica: Anamnese Audiometria tonal liminar Logoaudiometria Medida da imitância acústica A audiometria lúdica nesta faixa etária é geralmente realizada com sucesso, isto é, a criança se interessa pela brincadeira e consequentemente o examinador consegue obter os limiares de audibilidade para as frequências sonoras preestabelecidas, assim como realizar com facilidade a avaliação audiológica completa. A colocação dos fones pode tornar-se um problema e, para evitar que isto ocorra, é necessário tomar-se o cuidado de demonstrar para a criança como usá-los. Se mesmo assim a criança não aceitar a colocação, devem-se desconectar os fones do aro e solicitar à mãe que apenas segure um dos fones sobre o pavilhão auricular de seu filho, o que poderá, talvez, facilitar a aceitação por parte da criança. Em determinadas situações, apesar de todo cuidado, a criança não aceita a colocação dos fones. Devemos então retirá-la da cabina e colocá-la em “campo livre”. Logoaudiometria – Limiar de recepção de fala Em crianças para facilitar avaliação, geralmente iniciamos a testagem pela pesquisa do Limiar de reconhecimento de fala, mais conhecido como SRT, que é representado por um valor em dB NA que está associado à medida dos limiares de audibilidade para as frequências sonoras de 500, 1000 e 2000 Hz. O SRT é obtido em cabina acústica, com fone, através de ordens simples que serão executadas pela criança ou através da repetição de palavras. É necessário que o avaliados certifique-se, previamente, de que a criança saiba executar ordens, tais como mostrar partes do corpo e realizar movimentos com as mesmas, e que não apresente falhas na emissão oral. A testagem deverá iniciar-se em um nível de intensidade através d qual a criança consiga entender o que deverá saber (aproximadamente 50 dB). Audiometria tonal liminar Na maioria das vezes a criança encontra-se dentro da cabina acústica, com a mãe, e junto deverá estar o observador, que ira ensinar a criança a associar um ato motor a um estimulo sonoro. Essa associação é feita da seguinte maneira: o observador, que esta dentro da cabina, seleciona um brinquedo do interesse da criança. Em seguida, deve mostrar à criança o que ela deverá fazer toda vez que escutar o som no fone que está na orelha. É importante que o examinador, que se encontra fora da cabina, manuseando o audiômetro, perceba se a criança esta respondendo de maneira correta, pois muitas crianças executam o ato motor sem ter escutado o estimulo sonoro. Para tanto deve-se tomar cuidado com o intervalo entre os estímulos sonoros, para que eles não sejam ritmados, o que poderá fazer com que haja interferência nas respostas, que poderão se tornar condicionadas. O limiar de audibilidade é considerado a menor intensidade sonora na qual os estímulos sonoros são corretamente detectados em 50% das apresentações. O critério de normalidade utilizado é o proposto por DOWNS, que, ara crianças, considera normais os limiares de audibilidade de ate 15 dB NA. Quando os limiares de audibilidade encontrados nas frequências da faixa da fala não ultrapassam 70 dB, a criança apresenta umaperda auditiva que se enquadra na categoria de predominantemente auditiva, isto é, ela ainda utiliza a audição mais do que a visão. Se os limiares de audibilidade ultrapassam esse valor, a criança apresenta uma perda em que a visão desempenha um papel mais importante que o da audição. Logoaudiometria – Índice percentual de reconhecimento de fala Dando sequência, deve-se obter i índice percentual de reconhecimento de fala. Para tal procedimento são utilizadas figuras, dispostas numa folha, que devem representar palavras do vocabulário cotidiano da criança. A tarefa da criança á apontar a figura correspondente à palavra dita pelo examinador através do fone ou repetir monossílabos. Medida da imitância acústica Para finalizar a avaliação, deve-se obter a medida da imitância acústica de cada orelha, a fim de verificar qual o tipo de curva timpanométrica que a criança apresenta e quais os valores do reflexo acústico. Processamento auditivo central Processamento auditivo se refere aos processos envolvidos na detecção e na interpretação de eventos sonoros. Envolve a detecção de eventos acústicos; a capacidade de discriminá-los quanto ao local, espectro, amplitude, tempo; a habilidade para agrupar componentes do sinal acústico em figura-fundo; a habilidade para identificá-los, isto é, denominá-los em termos verbais e ter acesso à sua associação semântica, alem de presumivelmente também ter a capacidade de introspecção consciente acerca de perceber a si mesmo. De acordo com a literatura especializada, esses processos acontecem no sistema auditivo periférico e no sistema auditivo central, podendo envolver áreas não auditivas centrais. Na literatura especializada identificou-se algumas etapas ou subprocessos do processamento auditivo denominados de atenção seletiva, detecção do som, sensação sonora, discriminação, localização sonora, reconhecimento, compreensão e memória. Atenção seletiva É a capacidade de selecionar estímulos, ou seja, é a habilidade em focar em determinado estímulo sonoro em meio a outros sons competitivos auditivos ou visuais. Detecção do som É a identificação da presença do som. O bebê vai melhorando o seu desempenho em detectar sons e, no final do 1o ano de vida, já é capaz de responder para tons puros em 20 dB NA. Sensação sonora É o nome dado quando um estímulo sonoro é recebido via sentido da audição. A sensação é própria do individuo e depende dos estímulos sonoros por ele recebidos. Discriminação É a habilidade de detectar diferenças entre os padrões de estímulos sonoros. Podem-se detectar diferenças mínimas de frequências, intensidades e de tempo e duração de um som. Localização sonora É a habilidade de identificar o local de origem do som. Desde o inicio da vida o bebê vai progressivamente melhorando o seu desempenho em localizar sons. Reconhecimento É a habilidade de identificar corretamente um evento sonoro previamente conhecido. É um processo totalmente aprendido. Para que ocorra o reconhecimento, é necessário, além da informação auditiva, o conhecimento do contexto situacional temporal.esta etapa do processamento auditivo se desenvolve intensamente no primeiro ano de vida, tornando-se ele cada vez mais complexo no decorrer da vida. Compreensão É a habilidade de depreender o significado da informação auditiva. É um processo cognitivo gera;, é um comportamento totalmente aprendido. Pode ser observado em crianças a partir de 1 ano de idade. Nível I – dá tchau! Joga beijo! Bate palma! – 9 a 12 meses Nível II – cadê a chupeta? Cadê a mamãe? Cadê o sapato? – 12 a 15 meses Nível III – cadê o cabelo? Cadê a mão? Cadê o pé? – 15 a 18 meses Memória É o processo que permite armazenar, arquivar informações acústicas para poder recuperá-las depois quando houver necessidade. A memória da sequencia de sons garante o bom desempenho no processo de comunicação. O desenvolvimento do processamento auditivo depende da integridade do sistema auditivo ao nascimento e da experienciação acústica no meio ambiente. O indivíduo ao vivenciar sons verbais e não-verbais no seu meio ambiente vai organizando essas informações auditivas que se manifestam como diferentes habilidades auditivas. Transtorno do processamento auditivo Acredita-se que o distúrbio de audição pode envolver dois aspectos. O primeiro é a perda auditiva, um impedimento da capacidade de detectar energia sonora.o segundo é o transtorno do processamento auditivo que se refere a um distúrbio da audição em que há um impedimento da habilidade de analisar e/ou interpretar padrões sonoros. Manifestações do transtorno do processamento auditivo Comportamentais: Atenção ao som prejudicada Dificuldade em escutar em ambiente ruidoso Problemas de produção de fala envolvendo os fonemas /r/ e /l/, /s/ e /sh/ principalmente Problemas de linguagem expressiva envolvendo regras da língua Dificuldade de compreender em ambiente ruidoso Dificuldade de compreender palavras com duplo sentido Dificuldade de escrita quanto a inversões de letras, orientação direita/esquerda Disgrafias Dificuldade de compreender o que lê Distraídos Agitados, hiperativos, muito quietos Desajustados Tendência ao isolamento Desempenho escolar inferior em leitura, gramática, ortografia e matemática Clínicas: Prejuízo de: Localização sonora Memória auditiva para sons em sequência Identificação de palavras decompostas acusticamente quanto à frequência, intensidade ou duração Identificação de sílabas e/ou palavras e/ou frases na presença de uma mensagem competitiva em tarefas monóticas dicóticas Prejuízo de um canal auditivo em relação ao outro *essas manifestações podem ser agravadas ou melhoradas dependendo do ambiente de estimulação de linguagem da comunidade da qual o indivíduo faz parte. Criança que não responde com a mesma eficiência a diferentes estímulos sonoros Demora para apresentar resposta, ou seja, latência aumentada Precisa de um estímulo de maior duração para eliciar a resposta Apresenta ausência de habituação Apresenta uma resposta desproporcional entre a magnitude da resposta e o NPS do estímulo eliciador Apresenta atraso nas respostas de localização sonora esperadas para os dois primeiros anos de vida Durante a avaliação audiológica por meio de audiometria tonal liminar devem-se observar os limiares de audibilidade que, muitas vezes, mesmo estando dentro da faixa de variação da normalidade pode apresentar-se próximos ao limite superior. Algumas vezes também se observa queda, ou seja, prejuízo da detecção de tons puros em frequências sonoras agudas. Por vezes, os valores do IPRF também se encontram minimamente alterados, em torno de 88%. Avaliação do PAC Testes dióticos São os testes que não avaliam as orelhas separadamente; geralmente não utilizam fones, e os estímulos utilizados podem ser a própria voz do avaliador ou objetos sonoros, que são apresentados simultaneamente para ambas as orelhas. teste de localização sonora em cinco direções Pra crianças a partir de 3 anos testes de memória para sons verbais e não-verbais em sequência De 3 anos e meio a 6 anos utilizam-se 3 objetos para a pesquisa de sons não verbais, e a partir de 6 anos utilizam-se 4 objetos sonoros. Para a pesquisa de sons verbais em sequencia utilizam-se as sílabas /pa/ /ta/ /ca/ em três ordens diferentes ate 6 anos de idade e as silabas /pa/ /ta/ /ca/ /fa/ em três ordens diferentes após 6 anos. Testes monóticos São os testes que utilizam o estímulo principal e a mensagem competitiva na mesma orelha simultaneamente, ipsilateralmente, através de um fone. Teste de palavras e frases com mensagem competitiva ipsilateral Para crianças em idade pré-escolar, ou que não foram alfabetizadas. Os estímulos verbais utilizados na aplicação do teste são 10 frases que devem ser identificadas através da indicação das figuras que representam a situação da sentença. O estímulo verbal que serve de mensagem competitiva é uma historia infantil. Teste de fala com ruído branco com figuras e com palavras Para crianças de 4 a 7 anos, ou que apresentamdificuldade em pronunciar palavras, utilizam-se como estímulos verbais 10 palavras, 2 dissílabas e 8 monossílabas que devem ser identificadas através da indicação da figura correspondente à palavra ouvida. Este teste é realizado utilizando duas formas de mensagem competitiva ipsilateralmente, o ruído branco e uma história infantil. Teste de fala filtrada Para crianças a partir de 8 anos de idade, os estímulos verbais utilizados são 25 monossílabos que foram distorcidos em estúdio de áudio. Foi realizada uma atenuação progressiva de 400 a 800 Hz, condição passa-baixo, totalizando 24 dB de atenuação nas frequências acima de 800 Hz. Teste de fala com ruído Para crianças a partir de 7 anos de idade utiliza-se como estímulos verbais a lista de 25 monossílabos e como resposta a repetição oral. Neste teste os monossílados sem distorção são apresentados simultaneamente ao ruído branco em diferentes relações de nível de pressão sonora. Testes de padrão de frequência e de duração Para crianças a partir de 1 anos de idade. O processamento temporal da informação auditiva, por meio desses testes, pode ser realizado utilizando um estímulo que provem de uma flauta transversal. O teste de padrão de frequência é constituído por tons musicais de frequência baixa e alta, com duração fixa. São apresentadas 10 sequências compostas por três estímulos e 10 sequências compostas por quatro estímulos, monoauralmente, a 50 dB NS. Os estímulos do teste de padrão de duração são constituídos por tons musicais longos e curtos que também são aplicados em 10 sequências de três estímulos e 10 sequências de quatro estímulos, com frequência fixa de 440 Hz. Testes dicóticos São os testes que utilizam o estimulo principal em uma orelha e a mensagem competitiva na orelha contralateral simultaneamente através de um fone. Teste dicótico consoante-vogal Recomendado para crianças após 10 anos de idade, embora tenham sidos obtidos critérios de referencia de ouvintes típicos a partor de 7 anos de idade. Os estímulos verbais utilizados são as sílabas [pa] [ta] [ca] [ba] [da] [ga] combinadas entre si, formando doze pares de sílabas diferentes. São realizadas três etapas, denominadas de atenção livre e de escuta direcionada para a orelha direita e esquerda. Teste dicótico com sons não-verbais competitivos Para crianças acima de 7 anos de idade. Utilizam-se como estímulos três sons ambientais, barulho de trovão, barulho de sino de igreja, barulho de uma porta batendo, e três sons onomatopéiocos, som de gato miando, cachorro latindo e Gao cacarejando, que devem ser identificados através da indicação das figuras que os representam. Estes sons foram combinados entre si e sincronizados no tempo a fim de formar 12 pares. De maneira semelhante ao teste dicótico verbal consoante-vogal, também tem três estapas de atenção. Teste de palavras e de frases com mensagem competitiva contralateral e teste de frases com mensagem competitiva contralateral Estes dois testes são realizados também com mensagem competitiva contralateral, sendo classificados com dicóticos nessa condição. Teste de fusão binaural Para crianças a partir de 8 anos de idade. Os estímulos verbais utilizados são os 25 monossilabos que foram distorcidos em áudio, os mesmos utilizados no teste de fala filtrada. Neste teste utiliza-se a condição passa-baixo na orelha de referenciam ou seja, a orelha sob teste, e a condição passa-alta na outra orelha, simultaneamente. Na condição passa-alta foi feita uma atenuação progressiva de 2.500 a 800 Hz, totalizando 24 dB nas frequências abaixo de 800 Hz. Teste SSW Recomendado para ser aplicado em crianças acima de 9 anos. Os estímulos verbais utilizados são palavras cuja métrica Greco-latina é o troqueu, também conhecidas como dissílabas compostas do português brasileiro. São 40 itens compostos de 4 dissílabas cada um, totalizando 160 palavras estímulos. Teste dicótico de dígitos Para crianças a partir de 6 anos de idade. Os estímulos utilizados são dígitos organizados em uma lista constituída por 80 dígitos ou 20 itens, sendo que cada item é formado por 4 palavras, selecionadas entre aquelas que denominam os números (dígitos) de um a nove que representem dissílabos da língua portuguesa. O teste prevê a apresentação de dois dígitos, em cada orelha simultaneamente.