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169692554-PROJETO-CONSCIENCIA-NEGRA

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1 
 
Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não no corpo, a 
sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro...” 
Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala 
 
 
PROJETO CONSCIÊNCIA NEGRA: EDUCAÇÃO NÃO TEM COR. 
 
 
1. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO: 
 
Tema: Educação não tem cor. 
Tempo de execução: Novembro de 2012. 
Culminância: Dia 23 de novembro – Dia nacional da consciência negra. 
Característica: Projeto interdisciplinar, envolvendo História, Língua 
Portuguesa, Matemática, Ciências, Inglês, Geografia, Artes, Educação Física e Educação Religiosa. 
 
1.1. BLOCO TEMÁTICO: 
 
• História, Cultura e Diversidade: Quais as coisas que fazem parte da nossa 
cultura que adquirimos por influência africana? 
 
• Ser humano, Direitos humanos e Igualdade: Como o negro é visto dentro da nossa sociedade? 
 
• Educação, ética e etnia: Valorização e respeito da nossa própria identidade. 
 
 
1.2. CONTEÚDO FOCO: 
 
O conteúdo foco é a educação voltada para consciência da importância do negro para a constituição e 
identidade da nação brasileira e principalmente, do respeito à diversidade humana e a abominação do 
racismo e do preconceito, desenvolvido por meio de um processo educativo do debate, do entorno, buscando 
nas nossas próprias raízes a herança biológica e/ou cultural trazida pela influência africana. 
 
 
1.3. CICLO E SÉRIE A QUE SE DESTINA: 
 
Este projeto se destina aos alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental. 
 
2. PROBLEMA: 
 
Historicamente, o Brasil, no aspecto legal, teve uma postura ativa e permissiva diante da discriminação e do 
racismo que atinge a população afro-descendente brasileira até hoje. Nesse sentido, ao analisar os dados que 
apontam as desigualdades entre brancos e negros, constatou-se a necessidade de políticas específicas que 
revertam o atual quadro. No campo da educação, promover uma educação ética, voltada para o respeito e 
convívio harmônico com a diversidade deve-se partir de temáticas significativas do ponto de vista ético, 
propiciando condições desde a mais tenra idade, para que os alunos e alunas desenvolvam sua capacidade 
dialógica, tomem consciência de nossas próprias raízes históricas que ajudaram e ajudam a constituir a 
cultura e formar a nação brasileira, pois, o preconceito e o racismo são uma das formas de violência, diante 
disso, quais as situações que temos possibilidades de mudar? Qual seria a nossa contribuição concreta para 
viabilizar a conscientização das pessoas? 
 
 
2 
 
 
 
 
3. JUSTIFICATIVA: 
 
 Para promover a releitura da História do mundo africano, sua cultura e os reflexos sobre a vida dos 
afro-brasileiros em geral, rompendo com o modelo vigente na sociedade brasileira, garantindo a cidadania e 
a igualdade racial. 
 A Lei nº 9.394/96 – Artigo 26-A (c/ redação determinada pela Lei nº 10.639/03)–"Nos 
estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino 
sobre História e Cultura Afro-Brasileira."em si não basta, é preciso que modifiquemos o ensino-
aprendizagem para que tenhamos um resultado eficaz, valorizando conhecimentos dessa cultura, fazendo 
acontecer mudanças necessárias. 
 Aprendemos a História dos outros, ou parte dela, no entanto a cultura universal inclui feitos Afros de 
grande importância, entretanto, estes são desconhecidos ou desprezados pela educação brasileira. Uma 
sociedade democrática e justa inclui todos os setores da população, não admitindo a existência de distorções, 
diferenças ou dominação. 
 Comemorar o 20 de novembro – Dia da Consciência negra, dedicando o mês de novembro, para 
debater e refletir sobre as diferenças raciais e a importância de cada um no processo de construção de nosso 
país, estado e comunidade. Com este trabalho espera se que a consciência de valorização do ser humano 
ultrapasse as fronteiras da violência, do preconceito e do racismo. 
 
4. OBJETIVOS: 
 
• Valorizar a cultura negra e seus afro-descendentes e afro-brasileiros, na escola e na sociedade; 
• Entender e valorizar a identidade da criança negra; 
• Redescobrir a cultura negra, embranquecida pelo tempo; 
• Desmistificar o preconceito relativo aos costumes religiosos provindos da cultura africana; 
• Trazer à tona, discussões provocantes, por meio das rodas de conversa, para um posicionamento mais 
crítico frente à realidade social em que vivemos. 
 
4.1- OBJETIVOS ESPECÍFICOS: 
 
1- Identificar tempo e espaço da origem dos grupos africanos que vieram para o Brasil. 
2- Reconhecer que o tráfico humano foi uma atividade fundamental para o capitalismo mercantilista. 
3- Reconhecer que o Brasil foi o País que mais importou escravos negros. 
4- Perceber os diferentes tipos de religiões, costumes e línguas. 
5- Despertar para a africanicidade brasileira em manifestações na arte, esportes, culinária, língua, religião, 
como elementos de formação da cidadania. 
6- Reconhecer o papel do negro na definição e na defesa do território, os Quilombos rurais e urbanos, o 
negro na periferia e na questão da posse de terras. 
7- Despertar para a questão do trabalho no campo e na cidade. 
8-Proporcionar condições para o conhecimento sobre questões relativas a saúde e doenças. 
9-Comparar o relacionamento entre africanos na era pré-colonial, no período de dominação européia e na 
atualidade. 
10-Discutir e conhecer as personalidades negras que deixaram ou estão deixando sua contribuição nos 
diversos setores da sociedade, como expressões culturais, desportivas, artísticas, políticas, musicais, 
religiosas etc... 
 
5. DESENVOLVIMENTO: 
 
O desenvolvimento do projeto estará em consonância com os blocos temático-citados e será feito de acordo 
com as necessidades da turma e a realidade local, estabelecendo o problema e a proposta de conteúdo para a 
3 
 
classe. O tema será desenvolvido na sala de aula por meio de atividades para a sua exploração, 
sistematização e para a conclusão dos trabalhos. Os alunos devem fazer observações diretas no entorno 
familiar, observações indiretas em ilustrações e/ou vídeos, experimentações e leituras. Para tanto podemos 
utilizar as seguintes sugestões. 
 
Livro: “Menina bonita do laço de fita” de Maria Helena Machado, Ed. Ática,2007; 
Livro: “Declaração Universal dos direitos humanos” – adaptação Ruth Rocha e Otávio Roth, 2003; 
• Estudo de alguns artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos; 
• Exibição de vídeo (clipes): ”Missa dos quilombos” – música de Milton Nascimento; 
• Promover reflexões positivas de reportagens jornalísticas e textos da atualidade que tratam sobre o tema; 
• Audição, análise e ilustração da música de Milton Nascimento “Uakti – lágrimas do sul”; 
• Ilustrações dos trabalhos de Candido Portinari – “Menina com tranças e laços”fazendo uma analogia com o 
livro “Menina bonita do laço de fita” e “cabeça de negro”. 
• Estar em contato com músicas da cultura africana como o samba, a batucada; 
• Produção em artes com sucatas; 
• Se possível, assistir e participar de uma apresentação de capoeira – a confirmar; 
 
ATIVIDADES 
 
• Hora da história: leitura e análise de alguns artigos do livro “Declaração Universal dos Direitos Humanos” 
e “Menina bonita do laço de fita”; 
• Verificação do caminho geográfico feito da África para o Brasil por meio do mapa mundi; 
• Estudos de música, fazendo releituras e transformando-os em ilustrações pedagógicas para uma amostra 
cultural; 
• Confeccionar cartazes – recorte, pintura e colagem - com fotos de revistas que tratam da diversidade étnica 
brasileira e a cultura do negro; 
Realizar brincadeiras e jogos infantis: 
• Construção de uma máscara africana com saco depão; 
 
6- AÇÕES DO PROJETO: 
 
1- Questionar os alunos sobre o que sabem, que idéias e opiniões, dúvidas ou hipótese sobre o tema em 
debate, valorizando seus conhecimentos. 
2- Propor novos questionamentos. 
3- Fornecer novas informações. 
4- Desenvolver atividades com diferentes fontes de informações em livros, jornais, revistas, filmes, fotos, 
visitas, passeios e confrontar dados e abordagem. 
5- Trabalhar com documentos variados, edificações, plantas urbanas, mapas, instrumentos de trabalho, 
rituais, adornos, meios de comunicação, vestimentas, textos, imagens e filmes. 
6- Ensinar procedimentos de pesquisa, consulta em fontes bibliográficas, organização de informações 
coletadas, como obter informações de documentos, como proceder em visitas e estudos. 
7- Promover estudos e reflexões sobre diversidade de modo de vida e de costumes dos afros brasileiros. 
8- Promover estudos e reflexão sobre a presença na atualidade de elementos afro brasileiros na localidade. 
9- Debater questões do dia- a- dia dos afros brasileiros. 
10- Propor estudos sobre a diversidade étnico racial da comunidade e suas relações. 
11- Construir com os alunos: resumos orais, em forma de textos, gráficos, linha de tempo, criação de 
brochuras, murais, teatros, danças, coreografias, comidas, vestimentas, instrumentos utilizados no trabalho, 
nos rituais, nas danças, exposições e estimular a criatividade expressiva. 
12- Propor pesquisa específica envolvendo rituais e superstições hoje concebidas que percorreram tempo e 
espaço na sociedade brasileira envolvendo a etnia afro brasileira. 
13- Propor pesquisa científica envolvendo a culinária afro-brasileira e sua inclusão no dia-a-dia do povo 
brasileiro e em especial da comunidade. 
4 
 
14- Propor a culminância dos trabalhos em forma de feira pedagógica com apresentações de todas as 
atividades planejadas. 
 
6. FECHAMENTO DO PROJETO: 
6.1. RESULTADOS ESPERADOS: 
 
• Apropriação de diversos saberes, além da conscientização sobre temas 
relevantes como legislação, tolerância, direitos e deveres etc.; 
• Desenvolvimento de valores – conceitos e procedimentos; 
• Apropriação de novas aprendizagens, a partir de reflexões e esclarecimentos sobre outras culturas. 
No final, sempre com a orientação do professor, os alunos deverão organizar os conhecimentos que 
adquiriram, fazendo registros de suas atividades, com desenhos, esquemas, confecções e etc. E durante essas 
atividades várias atitudes e valores éticos e humanos podem ser trabalhados para a consolidação do conteúdo 
foco. 
Montaremos uma exposição com os materiais coletados e produzidos pelas crianças em conjunto com o 
professor para que sejam apresentados no mural que faremos na escola. 
 
7. AVALIAÇÃO: 
 
Será considerada satisfatória se todas as etapas dessa atividade Temática forem desenvolvidas, de modo a 
aperfeiçoar a democracia representativa, a construir consciência de igualdade e percebermos que todos 
cooperativamente podem construir uma sociedade mais fraterna e justa. Também que se consiga organizar a 
culminância marcada para o dia 23 de novembro de forma a congregar todas as turmas e suas produções. 
 
 
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS: 
 
O trabalho de educação anti-racista deve começar cedo. A criança negra precisa se ver como negra e 
aprender a respeitar a imagem que tem de si mesmo e ter modelos que confirmem essa expectativa. 
O projeto visa à alegria e à majestade da cultura africana, tudo como deve ser sem constrangimentos nem 
equívocos. 
Portanto, este projeto trata-se de uma proposta construída, mas não acabada e estará sujeito a mudanças de 
acordo com o cotidiano em sala de aula. 
 
9. REFERÊNCIAS PARA DESENVOLVIMENTO DO TEMA COM AS CRIANÇAS: 
 
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das relações Étnico–Raciais e para o Ensino de 
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade 
Racial. Brasília: MEC, 2005. 35p. 
MACHADO. Maria Helena. Menina bonita do laço de fita. São Paulo-SP. Ed. Ática, 2007. 
Revista Nova Escola. Vários autores. São Paulo-SP – edição de Nov. 2004 e 2005. 
ROCHA. Ruth. ROTH. Otávio. Declaração universal dos direitos humanos. São Paulo-SP, 2004. 
 
Poema Consciência Negra 
 
Sou a alma que ontem nasceu no mundo. 
Sou filha da África, 
Dos olhos de pérolas, 
Do sorriso de marfim, 
Dos sons dos atabaques em noite de luar, 
Da roda de capoeira, 
Do jongo ao maculelê. 
 
5 
 
Sou da raça que irradia perfume de alegria. 
Sou semente da história humana, 
De vida apesar de tanta dor. 
 
Dos canaviais e senzalas, 
Das mãos calejadas, exploradas e injustiçadas. 
 
Podem tirar a minha vida, 
Menos o direito de sonhar, 
De ter esperança... 
De lutar por dignidade e respeito, 
Nem que seja em grito mudo, 
Clamando por igualdade e justiça, 
E de acreditar num amanhã melhor. 
 
de Sarah Janaína Leibovitch 
 
 
 
Consciência negra 
 
Chega de racismo 
De história mal contada 
Chega de hipocrisia 
De mentira esfarrapada 
Esse preconceito infeliz 
Que por aí diz 
Que negro não vale nada. 
O negro também precisa 
Ser privilegiado 
Chega de arrogância 
Branco tenha cuidado 
Com o preconceito em alta 
Pois quem muito se exalta 
É sempre humilhado. 
Preto, branco e mulato 
Vamos nos unir 
O preconceito é horrível 
E não é para existir 
Já que todos somos irmãos 
Essa grande nação 
Espalhada por aí. 
 
A consciência negra 
Quer exatamente 
Provar que somos iguais 
E não diferentes 
São lutas populares 
Como as de Zumbi dos Palmares 
Que morreu pela sua gente. 
 
É preciso desde já 
Com amor todo gentil 
6 
 
Acabar com o preconceito 
E ver em nosso Brasil 
O negro sorrindo tanto 
Como a Daiane dos Santos, 
Pelé e Gilberto Gil. 
 
de Francisco Carneiro Barbosa 
Trairi - CE - por carta 
 
 
Ser Consciente 
 
C onsciência não se compra 
O que precisa é saber conquistar 
N ão há paz no mundo 
S e não soubermos o valor de amar 
C omo construir um mundo melhor? 
I luminado pela luz do amor 
Ê xito é o que queremos 
N este mundo de lutas, de dor. 
C onviver com todos na harmonia, 
I gualdade, sem preconceitos 
A mando uns aos outros, como Deus nos ensinou. 
 
N egro não é defeito, é uma linda cor 
E xistem muitas inteligências 
G ostos, preferências 
R esponsabilidades, amor. 
A ntes de tudo somos gente: 
gente que ama 
gente que luta 
gente que sofre 
gente que sente: alegria e dor. 
 
 
Negritude e Liberdade 
 
O povo negro muito já sofreu 
Uns ainda continuam sofrendo 
Preconceitos, discriminação 
Por gente ignorante, ateu 
Pessoas desumanas, sem coração. 
A negritude não é um defeito 
É apenas uma das milhões de cores 
Que deus coloriu o mundo 
Nessas cores, não há jeito que dê jeito 
Só o preto é que dá o retoque final 
A toda a beleza natural 
Do paraíso que foi feito. 
Liberdade de fachada 
Não é o que se quer 
Queremos mesmo é ser livres 
Como deus determinou 
7 
 
Amar e ser amados 
Pelos irmãos de outra cor 
Viver em paz, sem discórdia 
Num mundo de sonhos e de amor. 
 
de Maria Dionésia Santos da Silva 
 
 
Castigado pela cor 
 
Vivemos em um mundo racista, 
Ainda enxergamos preconceito seja por atitudes, classes ou cor 
Os negros muito sofreram 
Até que houve a abolição 
Onde enxergaram a liberdade 
De tanto sofrimento e humilhação 
O sonho virou realidade 
Vamos ter consciência e reflexão 
Porque ser negro não é feio 
Feio é ter preconceito 
O dia da Consciência Negra 
Faz-nos lembrar 
Que no fundo,somos todos iguais. 
 
de Rafaela da Silva Bertoldo 
 
 
Consciência do valor da cultura negra 
 
Experimente ser negro... Tirem as máscaras!!! 
 
Liberdade, liberdade... 
Onde estarás... Entre nós??? 
Liberdade, igualdade... 
Será, um suspiro de vós??? 
Quem se atreverá??? A máscara tirar... 
Portas e janelas... 
Portão e cerca de ferro... 
Cadeados, monitor... 
Cães famintos... 
Quem estará aprisionado? 
Previsões, limites, cotas... 
Cores, corpos, almas enfermas... 
Minimizar, maximizar, enquadrar... 
Experimente ser... Ou melhor, sinta-se... 
Sem roupa... Sem sapato... 
Sem teto, sem quase nada... 
Sem ter o que comer... 
Sem poder maquilar as relações... 
Sem más caras... 
Sem raça... 
Sem cor... 
Sem pré-conceitos... 
8 
 
E tudo ser só dor... 
Só dor... E com ela despertar... 
E mesmo assim conseguir amar e sorrir!!! 
Isto é ser pobre e ser negro de verdade!!! 
 
de Gérson Alves 
 
 
A Consciência é da Humanidade 
 
De que vale a “consciência negra” quando é 
oculta a consciência de uma ao menos cinza da sociedade. 
O hino do negro vai eternizar com melodias sem rimas, 
quase insuperáveis aos refrões 
que há mais de quinhentos anos ecoam sem sucesso. 
Paz, justiça, liberdade, direitos... 
Sua bandeira são cinco cores com a da pele. 
Ordem, em situações que discrimine sua cor. 
Progresso, então, nem pensar. 
Este lábaro representa um braço estendido e mão levantada. 
Imagem de humildade ora por clamor. 
Na geometria de sua forma 
Destaca-se o verde, sua nobre esperança 
Do amarelo, uma linda flor que tal qual no outono, cai, 
mas a cada primavera está a brilhar. 
No azul, sonho que todas as estrelas são iguais, 
quando no branco, almeja a Paz. 
Quiçá haverá o dia da consciência da humanidade 
E as correntes se desatarão, enfim. 
 
de Marlene da Conceição de Sousa 
 
 
 
 
Zumbi vive 
 
Ouviram dos palmares o heroico brado 
Nas senzalas retumbante ecoado 
E o sol da liberdade que viria 
Ainda que tardia 
Brilhou no céu da Pátria naquele dia! 
O penhor dessa igualdade 
Ainda que até hoje 
Seja um tanto desigual 
Conseguistes conquistar com braços fortes 
Em teu seio 
A liberdade nasceu 
Cresceu e foi forjada 
A ferro e fogo no peito dos homens 
Que em seu nome desafiaram 
A própria morte 
9 
 
Por aquele sonho intenso 
Vívido como um raio! 
E o eco do teu grito de guerra ainda zumbe 
Em nossos ouvidos 
E para sempre será ouvido 
Enquanto um homem ou um povo 
Clamar por liberdade! 
 
 
 
A IMPORTÂNCIA DO NEGRO PARA A HUMANIDADE 
 
Essa é a história de um garoto chamado Theo que acordou um dia e perguntou a sua mãe: 
"Mãe, o que aconteceria se não existissem pessoas negras no mundo?" 
 
Sua mãe pensou por um momento e então falou: "Filho, siga-me hoje e vamos ver como seria se não 
houvesse pessoas negras no mundo". 
 
E, então, disse: "Agora vá se vestir e nós começaremos". Theo correu para seu quarto e colocou suas 
roupas e sapatos. Sua mãe deu uma olhada nele e disse: "Theo, onde estão seus sapatos? E suas 
roupas estão amassadas, filho, preciso passá-las".Mas quando ela procurou pela tábua de passar, ela 
não estava mais lá. Veja, Sarah Boone, uma mulher negra, inventou a tábua de passar roupa. E Jan E. 
Matzelinger, um homem negro, inventou a máquina de colocar solas nos sapatos 
 
"Então... - ela falou - Por favor vá e faça algo em seu cabelo." Theo decidiu apenas escovar seu cabelo, 
mas a escova havia desaparecido. Veja, Lydia O. Newman, uma mulher negra, inventou a escova. 
Ora, essa foi uma visão... nada de sapatos, roupas amassadas, cabelos desarrumados. Mesmo o cabelo 
da mãe, sem as invenções para cuidar do cabelo feitas por Madame C. J. Walker... Bem, vocês podem 
vislumbrar.. . 
 
A mãe disse a Theo: "Vamos fazer nossos trabalhos domésticos e, então, iremos ao mercado". A 
tarefa de Theo era varrer o chão. Ele varreu, varreu e varreu. Quando ele procurou pela pá de lixo, 
ela não estava lá. Lloyde P. Ray, um homem negro, inventou a pá de lixo. Ele decidiu, então, esfregar 
o chão, mas o esfregão tinha desaparecido. Thomas W. Stewart, um homem negro, inventou o 
esfregão. Theo gritou para sua mãe: "Não estou tendo nenhuma sorte!" Ela responde: "Bem, filho, 
deixe-me terminar de lavar estas roupas e prepararemos a lista do mercado". Quando a lavagem 
estava finalizada, ela foi colocar as roupas na secadora, mas ela não estava lá. Acontece que George T. 
Samon, um homem negro, inventou a secadora de roupas. 
 
A mãe pediu a Theo que pegasse papel e lápis para fazerem a lista do mercado. Theo correu para 
buscá-los, mas percebeu que a ponta do lápis estava quebrada. Bem... ele estava sem sorte, porque 
John Love, um homem negro, inventou o apontador de lápis. A mãe procurou por uma caneta, mas 
ela não estava lá, porque William Purvis, um homem negro, inventou a caneta-tinteiro. Além disso, 
Lee Burridge inventou a máquina de datilografia e W. A. Lovette, a prensa de impressão avançada. 
Theo e sua mãe decidiram, então, ir direto para o mercado. 
 
Ao abrir a porta, Theo percebeu que a grama estava muito alta. De fato, a máquina de cortar grama 
foi inventada por um homem negro, John Burr. Eles se dirigiram para o carro, mas notaram que ele 
simplesmente não sairia do lugar. Isso porque Richard Spikes, um homem negro, inventou a mudança 
automática de marchas e Joseph Gammel inventou o sistema de supercarga para os motores de 
combustão interna. Eles perceberam que os poucos carros que estavam circulando, batiam uns contra 
os outros, pois não havia sinais de trânsito. Garret A. Morgan, um homem negro, foi o inventor do 
semáforo. 
10 
 
 
Estava ficando tarde e eles, então, caminharam para o mercado, pegaram suas compras e voltaram 
para casa. Quando eles iriam guardar o leite, os ovos e a manteiga, eles notaram que a geladeira havia 
desaparecido. É que John Standard, um homem negro, inventou a geladeira. Colocaram, assim, as 
compras sobre o balcão. 
 
A essa hora Theo começou a sentir bastante frio. Sua mãe foi ligar o aquecimento. Acontece que Alice 
Parker, uma mulher negra, inventou a fornalha de aquecimento. Mesmo no verão eles não teriam 
sorte, pois Frederick Jones, um homem negro, inventou o ar condicionado. 
 
Já era quase a hora em que o pai de Theo costumava chegar em casa. Ele normalmente voltava de 
ônibus. Não havia, porém, nenhum ônibus, pois seu precursor, o bonde elétrico, foi inventado por 
outro homem negro, Elbert R. Robinson. Ele usualmente pegava o elevador para descer de seu 
escritório, no vigésimo andar do prédio, mas não havia nenhum elevador, porque um homem negro, 
Alexander Miles, foi o inventor do elevador. Ele costumava deixar a correspondência do escritório em 
uma caixa de correio próxima ao seu trabalho, mas ela não estava mais lá, uma vez que foi Philip 
Downing, um homem negro, o inventor da caixa de correio para a colocação de cartas e William 
Berry inventou a máquina de carimbo e de cancelamento postal. 
 
Theo e sua mãe sentaram-se na mesa da cozinha com as mãos na cabeça. Quando o pai chegou, 
perguntou-lhes: "Por que vocês estão sentados no escuro?". A razão disso? Pois Lewis Howard 
Latimer, um homem negro, inventou o filamento de dentro da lâmpada elétrica. Theo havia 
aprendido rapidamente como seria o mundo se não existissem as pessoas negras. Isso para não 
mencionar o caso de que pudesse ficar doente e necessitar de sangue. Charles Drew, um cientista 
negro, encontrou uma forma para preservar e estocar o sangue, o que o levou a implantar o primeiro 
banco de sangue do mundo. E se um membro da família precisasse de uma cirurgiacardíaca? Isso 
não seria possível sem o Dr. Daniel Hale Williams, um médico negro, que executou a primeira cirurgia 
aberta de coração. 
 
Então, se você um dia imaginar como Theo, onde estaríamos agora sem os Negros? Bem, é 
relativamente fácil de ver. Nós ainda estaríamos na ESCURIDÃO. 
Fonte: 
http://maralanez.spaces.live.com/blog/cns! 
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Z7l8dbcB6ek#t=9s 
 
 
"É preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema 
dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais". 
 
 
 
A cultura africana oferece elementos relacionados a todas as áreas do conhecimento. Se a escola não inclui 
esses conteúdos no planejamento, cada professor pode colocar um pouco de África em seu plano de ensino: 
 
Língua Portuguesa: 
 
- Para mostrar a influência dos falares africanos no Brasil, você pode usar as palavras de origem banta já 
incorporadas ao nosso vocabulário. 
 
- Leve para sala de aula lendas africanas e histórias que tratem de diversidade. 
 
11 
 
- Use livros como Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado, O Pássaro-da-Chuva, de Kersti 
Chaplet, e o gibi Zumbi dos Palmares (produzido em 2001 pela Editora Lake e é distribuído gratuitamente) 
para atividades de leitura e escrita. 
 
- Familiares dos alunos afrodescendentes podem ser convidados para contar histórias de sua vida, 
informações que serão transformadas em texto. 
 
Artes: 
 
- Podem ser trabalhados conceitos de arte abstrata e geometrismo, danças, mitos, adereços e máscaras, 
relacionando essas produções às manifestações artísticas do continente europeu. 
 
O desafio é não resvalar no preconceito nem cair no encantamento do exótico. 
 
Educação Física: 
 
- Usar o iitop, o mbube-mbube (ou o tigre e o impala) e a mamba, e jogos como o yote e a mancala. Iniciar 
contando a história do jogo e os valores da cultura africana presentes em cada um. 
 
Língua Estrangeira: 
 
- Mesmo quando o idioma a ser aprendido é o inglês ou o espanhol, é possível inserir a cultura africana e 
afrodescendente. Uma boa ideia é levar para suas turmas letras de músicas do afrodescendente jamaicano 
Bob Marley e de outros cantores negros e textos em inglês sobre a vida de lideranças como os Malcom X e 
Martin Luther King. 
 
Ciências: 
 
- Mencionar a evolução das espécies, esclarecendo que biologicamente todos os seres humanos são 
parecidos e que as pequenas diferenças físicas não interferem na capacidade intelectual. 
 
História: 
 
- É fundamental fazer a comparação com o modo de vida do negro no nosso país, na época da escravidão, 
nos quilombos e nos dias de hoje. 
 
Atualidade: 
 
- Miséria, epidemias e guerras civis existem hoje nos diversos países da África. Mas também estão presentes 
em outros lugares. Usando notícias de jornal e livros, discutir com as turmas as guerras civis em Angola e 
em Ruanda, a fome e a epidemia de AIDS. 
 
Geografia: 
 
- Localize em mapas os diversos povos que vieram para o Brasil e as riquezas de cada região, 
principalmente as minas de ouro e diamantes, para a turma entender os motivos da exploração. 
 
- Ao falar sobre os diversos povos, é possível destacar as contribuições de cada um para a economia do 
Brasil Colônia. 
 
Educação Infantil: 
 
- Pesquisa em jornais e em revistas das palavras: Trabalho, escravo, Brasil, Portugal e África; 
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- Identificação de palavras pesquisadas através de caça-palavras; 
- Leitura do texto “Zumbi Pensava Diferente”; 
- Observação do mapa mundi para localização do Brasil, África e Portugal; 
- Decomposição da palavra PALMARES para a formação de novas palavras; 
- Roda de conserva enfocando a diferença entre o dia 13 de maio e o dia 20 de novembro; 
- Tentativa de escrita de palavras; 
- Registro de numerais comparando quantidades; 
- Exploração do calendário mensal; 
- Exploração do calendário anual com observação de datas que marcam a história de negro; 
- Construção de um glossário com palavra de origem africana; 
- Rodas de conversa enforcando a irmandade dos homens, que todos somos iguais; 
- Exposição de ervas presentes principalmente na cultura afro; 
- Contagem de número de letras das palavras; 
- Localização identificando distâncias: Perto ou longe a partir da fala do narrador ao afirmar que os negros 
cativos vinham de muito longe; 
- Pesquisa de gravuras ou fotos que demonstrem atos fraternos entre brancos e negros; 
- Audição da música “O Conto das Três Raças” (Clara Nunes), entre outras; 
- Exploração de sons afros: tambor, atabaque, berimbau; 
- Ilustração da História Tempo de Escravidão (através de pintura com guache); 
- Confecção de fantoches com perfil afro; 
- Construção de retrato étnico da turma: produção de mural com fotos e frases que traduzem as 
características étnicas e culturais das crianças; 
- Formação de painel coletivo com personalidades negras que alcançaram a fama; 
- Construção de maquete de um quilombo; 
- Confecção de chocalhos, atabaque e berimbau. 
 
Literatura: 
 
- Sugerimos as histórias: O Ratinho Branco e o Grilo sem Asas, Menina Bonita do Laço de Fita e a lenda 
Negrinho do Pastoreio. 
 
“A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos 
termos da lei.”

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