3 DISTÚRBIOS ÁCIDO-BÁSICOS E HIDROELETROLÍTICO
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3 DISTÚRBIOS ÁCIDO-BÁSICOS E HIDROELETROLÍTICO


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Ray Almeida 
DISTÚRBIOS 
HIDROELETROLÍTICOS E 
ÁCIDO-BÁSICO 
 
DISTÚRBIOS ÁCIDO-BÁSICOS* 
O grande produto do metabolismo celular é o 
H+ (ácido). 
Produzimos HCO3 (base) para equilibrar 
 
Sistema tampão: sistema capaz de doar e 
tirar excesso de H+ rapidamente. 
(BASE) (ÁCIDO) 
HCO3- + H+ CO2 + H2O 
H2CO3 
Esse é o principal sistema tampão extracelular. 
Ácido: doa hidrogênio (CO2) 
Base: recebe hidrogênio (HCO3) 
pH: potencial hidrogeniônico 
 
Controle do pH: 
pH = HCO3-/ CO2 
Se \u2191 HCO3- \uf0e0 \u2191pH\uf0e0Alcalose 
Se \u2191 CO2 \uf0e0 \u2193pH\uf0e0 Acidose 
 
Distúrbios: 
Acidose metabólica: \u2193pH, \u2193HCO3 
Alcalose metabólica: \u2191pH, \u2191HCO3 
Acidose respiratória: \u2193pH, \u2191 CO2 (Hipoventilação) 
Alcalose respiratória: \u2191pH, \u2193CO2(Hiperventilação) 
 
DIAGNÓSTICO: GASOMETRIA ARTERIAL 
 
pH: 7,35-7,45 
CO2 (Ácido): 35-45 mmHg\uf0e0 dist. 
respiratório 
HCO3-act (Base): 22-26 mEq/L\uf0e0 dist. 
Metabólico 
OU 
HCO3-std (Base): 22-26 mEq/L\uf0e0 dist. 
metabólico 
BBecf : 48 mEq/L \uf0e0variação de +/- 3 
BEecf : -3,0 a +3,0 mEq/L 
Sempre que um falha (ex.: metabólico) o outro 
tentará compensar (ex.: compensação 
respiratória). A resposta respiratória é rápida, 
a metabólica é lenta. 
Se na prova tiver o HCO3-act e o HCO3-std, vamos 
nos basear no HCO3-std, pq ele avalia com a 
pCO2 ideal. 
BBecf : total de bases do fluido extracelular. 
BEecf : excesso de bases do fluido extracelular. 
 
 
1. pH baixo (acidose) ou alto (alcalose)? 
pH<7,35 \uf0e0Acidose 
pH>7,45 \uf0e0Alcalose 
2. Quem justifica a acidose/alcalose? 
Alteração do CO2 ou do HCO3 
 
Quando temos um problema respiratório, 
quem compensa é o rim, porém, leva dias (2 a 
3 dias); caso o rim já tenha tido tempo para 
compensar, o distúrbio será crônico. 
 (*) BE>3, provável distúrbio crônico, o rim já 
teve tempo de reter base (bicarbonato). Se 
BE<3, provável distúrbio agudo, não deu 
tempo de reter base. 
pH = 7,15 
pCO2 = 60 
HCO3=24 
BE = 0 
AGUDO 
pH=7.34 
pCO2=50 
HCO3= 30 
BE = 7 
CRÔNICO 
**pH NORMAL NÃO EXCLUI DISTÚRBIO 
ÁCIDO-BÁSICO** 
Nesse caso têm-se dois diagnósticos possíveis: 
1) Gasometria normal 
2) Distúrbio misto (acidose + alcalose) 
Quando os dois justificam a acidose ou 
alcalose: Acidose/alcalose mista. 
 
A RESPOSTA COMPENSATÓRIA... 
 
Acidose metabólica: Hiperventilação 
pCO2 esperada = (1,5 x HCO3-) + 8 
Obs.: variação permitida +/- 2 
 
Alcalose metabólica: Hipoventilação 
pCO2 esperada = HCO3-+ 15 
Obs.: variação permitida +/- 2 
 
Na acidose metabólica: 
\uf0d8 Se pCO2 esperado: for maior que o 
esperado (hipoventilação) \uf0e0 Acidose 
respiratória (Acidose mista) 
\uf0d8 Se pCO2 esperado: for menor que o 
esperado (hiperventilação) \uf0e0 Alcalose 
respiratória (Acidose metabólica + 
Alcalose respiratória) 
Na alcalose metabólica: 
\uf0d8 Se pCO2 esperado: for maior que o 
esperado (hipoventilação) \uf0e0 Acidose 
respiratória (Alcalose metabólica + 
Acidose respiratória) 
\uf0d8 Se pCO2 esperado: for menor que o 
esperado (hiperventilação) \uf0e0 Alcalose 
respiratória (Alcalose Mista) 
 
Ray Almeida 
Gasometria arterial: 
Exemplo 1: 
pH= 7,12 
pCO2 = 23 mmHg 
HCO3- = 10 mEq/L 
 
Exemplo 2: 
pH= 7,56 
pCO2 = 45 mmHg 
HCO3- = 30 mEq/L 
 
Exemplo 3: 
pH= 7,60 
pCO2 = 22 mmHg 
HCO3- = 17mEq/L 
 
Exemplo 4: 
pH= 7,20 
pCO2 = 50 mmHg 
HCO3- = 26mEq/L 
 
Exemplo 5: 
pH= 6,4 
pCO2 = 55 mmHg 
HCO3 = 15 mEq/L 
 
Exemplo 6: 
pH= 7,80 
pCO2 = 20 mmHg 
HCO3 = 32 mEq/L 
 
Exemplo 7: 
pH= 7,19 
pCO2 = 32 mmHg 
HCO3 = 10 mEq/L 
 
Exemplo 8: 
pH= 7,40 
pCO2 = 55 mmHg 
HCO3 = 32 mEq/L 
 
ALGORITMO DO DISTÚRBIO ÀCIDO-BÁSICO 
1) O pH é de acidose ou de alcalose? 
\uf0d8 pH< 7.35 = ácido 
\uf0d8 pH> 7.45 = alcalino 
2) Quem justifica: pCO2 ou HCO3-? 
\uf0d8 pCO2 = respiratório (agudo x 
crônico) 
\uf0d8 HCO3- = metabólico 
3) Pode ser distúrbio misto se: 
\uf0d8 Resposta compensatória inadequada 
\uf0d8 pH normal + pCO2/HCO3 alterados 
 
 
 
ABORDAGEM DA ACIDOSE 
METABÓLICA 
Como determinar a causa da acidose? 
\uf0d8 Calculando o Ânion GAP (ânions não 
medidos) 
Nós somos eletricamente neutros, ou seja, 
cátions = ânions. 
Principal cátion: Na+ 
Principais ânions: Cl- e HCO3- 
 
Ânion GAP = Na+ \u2013 (Cl-+ HCO3-) = 8-12 
mEq/L 
 
Na+ =Cl- +\uf0dfHCO3-+ ÂNION GAP 
Se o bicarbonato cai ... Ou aumenta o cloro 
ou aumenta o ânion gap 
 
ÃNION GAP 
NORMAL 
(HIPERCLOR
ÊMICA) \u2013 
perde HCO3- 
Perda digestivas infrapilórica 
(diarreia, fístula) 
Urinária (ATR, 
ureterossigmoidostomia) 
ÂNION GAP 
AUMENTADO
(NORMOCLO
RÊMICA) \u2013 
produz ácido 
Acidose láctica 
Cetoacidose 
Uremia (retém Ác. Sulfúrico) 
Intoxicações (AAS, etilenoglicol 
\u2013 Ác. glicólico, metanol \u2013 Ác. 
fórmico) 
 
O ânion GAP aumenta quando é produzido um 
novo ácido pq junto com a produção do ácido 
(cátion) é produzido um novo ânion. 
 
Obs.: Ânion GAP Urinário \uf0e0 útil na 
diferenciação de perdas renais e 
gastrointestinais de HCO3-. 
AG urinário=(Na+urinário + K+ urinário)-Cl- urinário 
= -8 a -12 mEq/L 
Acidose hiperclorêmica (AG normal): 
\uf0d8 AG urinário positivo \uf0e0 ATR (I, II e IV) 
\uf0d8 AG urinário muito negativo \uf0e0 Perdas 
digestivas 
Quando perdemos muito bicarbonato pela 
urina, e como ele tem carga negativa, ocorre 
uma tendência a eliminar menos cloro, dessa 
forma perdendo mais sódio e potássio pela 
urina do que cloro \uf0e0 AG urinário positivo 
 
Quando perdemos muito bicarbonato pela via 
digestiva, nossos rins tentam reter 
bicarbonato, ocorre uma tendência a eliminar 
mais cloro\uf0e0 AG urinário muito negativo 
ACIDOSE METABÓLICA 
pura ou simples ou 
compensada 
ALCALOSE METABÓLICA 
pura ou simples ou 
compensada 
ALCALOSE 
RESPIRATÓRIA pura ou 
simples ou compensada 
ACIDOSE RESPIRATÓRIA 
pura ou simples ou 
compensada 
ACIDOSE MISTA 
ALCALOSE MISTA 
pCO2 esp = (1,5 x 10) +8 = 23 
A resposta compensatória 
não foi tão boa quanto se 
esperava \uf0e0ACIDOSE MISTA 
ACIDOSE RESPIRATÓRIA + 
ALCALOSE METABÓLICA 
(DISTÚRBIO MISTO) 
Ray Almeida 
TRATAMENTO: 
1) Acidoses normoclorêmicas 
\uf0d8 Acidose lática e Cetoacidose: tratar doença 
de base e não fazer NaHCO3 (a principio) ... 
EXCETO SE pH< 7,10-7,20 e refratária 
\uf0d8 Uremia e intoxicações: fazer NaHCO3 
 
2) Acidoses hiperclorêmicas 
\uf0d8 Em todos repõe base \uf0e0 CITRATO de 
Potássio VO ou NaHCO3 (geralmente IV) 
O citrato é convertido em bicarbonato no 
fígado 
 
Obs.: Quem tem acidose metabólica tem 
alteração do processo de mineralização óssea, 
pois nosso corpo retira substrato do osso para 
usar como tampão. 
 
Senhora, 53 acompanhada pela ortopedia 
por lombalgia e fratura espontânea de duas 
vértebras lombares, é admitida com 
quadro de desorientação temporo-espacial. 
Nega sintoma respiratório ou urinário. ECG 
sem alterações isquêmicas. Exames: 
anemia normo/normo. Leucograma 
inalterado. VHS=60; Na= 143; Cl=120; K = 3,0; 
Ácido úrico= 3,0; Cálcio= 11; Glicose = 80; 
Albumina = 3,0; Globulina =5,0 
Gaso: pH =7,20 pCO2=29 pO2=89 HCO3=14 
EAS: glicosúria 3+/4+, ausência de hematúria 
 
Distúrbio ácido-básico encontrado: 
pCO2 esperada: (1,5x14) + 8 = 29 
\uf0de AG = 143 \u2013 (120+14)=9 (normal) 
Acidose metabólica... com AG normal 
(hiperclorêmica) 
 
Qual a causa provável desta alteração? 
ATR II (túbulo proximal): perda de ácido úrico, 
PO4, K+, glicose, bicarbonato... provável 
mieloma. 
 
Qual o tratamento indicado para o caso? 
Reposição de bases (citrato de potássio) 
 
ABORDAGEM DA ALCALOSE 
METABÓLICA 
Causas: 
\uf0d8 Perdas digestivas (vômitos/SNG) 
\uf0d8 Diuréticos tiazídicos ou de alça 
\uf0d8 Hiperaldosteronismo primário 
\uf0d8 HAS renovascular 
\uf0d8 Adenoma viloso de cólon (mesmo sendo 
infrapilorico) 
\uf0d8 No trauma: Hemotransfusão Maciça 
(citrato) 
Obs.: o adenoma viloso de cólon secreta muito 
potássio, então a bamba de aldosterona joga mais 
H
+