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DIFUSIVIDADE TÉRMICA Alessandra Luvizottia, Alessandra Secco Nesia. aUniversidade do Estado de Santa Catarina, Departamento de Engenharia de Alimentos e Engenharia Química, BR 282, Km 574, CEP: 89870-000, Pinhalzinho SC, Brasil ____________________________________________________________________________________ Resumo Conhecer as propriedades térmicas de um material é muito importante, principalmente na indústria de alimentos, onde são empregados inúmeros processos que envolvem a transferência de calor. Uma propriedade térmica bastante utilizada, é a difusividade térmica, que é definida como como a razão entre a capacidade de conduzir e a de armazenar calor de um material. O molho é o tomate processado e já temperado, pronto para o consumo, sendo que sua concentração não é definida. Com isso, o objetivo deste trabalho é determinar a difusividade térmica do molho de tomate diluído. Para isso foi montado um aparato onde a amostra estava dentro de uma proveta (capsula), sendo que esta capsula estava dentro de um banho maria, as temperaturas do centro e externa foram aferidas de um em um minuto por termômetros espeto durante 27 min. A difusividade foi então calculada, sendo igual a 1,43 x 10-7 m²/s, que se mostrou um bom resultado, comparado com dados da literatura. Palavras chaves: Difusividade térmica; Molho de tomate; Taxa de aquecimento. _____________________________________________________________________ Abstract Knowing the thermal properties of a material is very important, especially in the food industry, where numerous processes involving heat transfer are employed. A widely used thermal property is thermal diffusivity, which is defined as the ratio between the ability to drive and the heat storage of a material. The sauce is processed and seasoned tomatoes, ready for consumption, and its concentration is not defined. Thus, the objective of this work is to determine the thermal diffusivity of diluted tomato sauce. For this an apparatus was assembled where the sample was inside a beaker (capsule), and this capsule was inside a water bath, the center and outside temperatures were measured one by one minute by spit thermometers for 27 min. The diffusivity was then calculated to be 1.43 x 10-7 m²/s, which proved to be a good result compared to literature data. Keywords: Thermal diffusivity; Tomato Sauce; Heating rate. _____________________________________________________________________ 1. Introdução Propriedade térmica é a resposta ou reação do material à aplicação de calor. O conhecimento das propriedades térmicas de materiais, como por exemplo a difusividade, é essencial na indústria, principalmente se tratando de alimentos, podendo ser empregado na definição da taxa de secagem ou distribuição de temperatura em materiais úmidos, que deverá ser sujeito a diferentes condições de secagem, aquecimento ou resfriamento. As propriedades térmicas podem variar de acordo com a natureza, variedade, teor de umidade e temperatura do produto (ITO, 2003). A difusividade térmica (α) é definida como a razão entre a capacidade de conduzir e a de armazenar calor de um material (PEREIRA, 2009). Ela expressa a variação da temperatura do material quando submetido a um processo de resfriamento ou aquecimento, sendo descrita em função de outras três propriedades que são a condutividade térmica, a densidade e o calor específico, a equação 1 representa isso (ITO, 2003). 𝛼 = 𝑘 𝜌×𝐶𝑝 (1) Para fazer o equacionamento descrito por Dickerson para um cilindro infinito, deve-se realizar um balanço de energia, conforme representado na equação 2. 𝜕𝑇 𝜕𝑡 = 𝛼 ( 𝜕2𝑇 𝜕𝑟2 + 1 𝑟 𝜕𝑇 𝜕𝑟 ) (2) Esse balanço de energia representa a variação da temperatura com o tempo em função unicamente do gradiente de temperatura radial, pois se tratando de um cilindro infinito as trocas térmicas que ocorrem no gradiente longitudinal são desprezadas. As condições de contorno e a condição inicial são: Para t > 0: • CC1: em r = R, T = TR = Ht • CC2: em r = 0, 𝜕𝑇 𝜕𝑟 = 0 Para t = 0: • Condição inicial: Tr = TR, para qualquer valor de r. Aplicando as condições de contorno e a condição inicial obtemos a equação 3. 𝛼 = 𝐻×𝑅² 4×(𝑇𝐸𝑥𝑡𝑒𝑟𝑛𝑜−𝑇𝐶𝑒𝑛𝑡𝑟𝑜) (3) A difusividade térmica de um produto é influenciada pela quantidade de água, pela temperatura, composição e porosidade. Em muitos processos, o conteúdo de água e a temperatura podem variar, assim, o valor da difusividade térmica também varia. Sabendo também, que muitos alimentos não são homogêneos, a difusividade térmica apresenta diferenças de um local para outro dentro do mesmo produto (PAIVA; RAZUK, 2007). As dificuldades para a determinação da difusividade térmica estão mais relacionadas com a precisão do experimento, sendo muito difícil acertar o termômetro no centro, bem como deixar os dois termômetros na mesma altura. Outro problema também pode ser a não homogeneidade do produto analisado, sendo que isso causa diferença da difusividade dentro do mesmo produto. O tomate possui em sua composição entre 90 e 95 % de água e nos sólidos encontram-se compostos inorgânicos, ácidos orgânicos, açúcares, sólidos insolúveis em álcool entre outros constituintes (PARISOTTO, 2016). O Molho de tomate é o tomate processado e já temperado, ou seja, pronto para o consumo. No molho de tomate utilizado, os ingredientes que o compõem são: tomate, cebola, amido modificado, sal, salsa e alho. A figura 1 mostra a embalagem do molho de tomate utilizado. A concentração do molho de tomate não é definida, mas ele tem algumas características específicas, sendo que, ele tem de apresentar forma líquida pastosa, emulsão ou suspensão. As especiarias e temperos utilizados nele devem agregar sabor ou aroma ao produto (SANT, 2019). Figura 1. Molho de tomate utilizado Com isso, o objetivo deste trabalho é determinar a difusividade térmica do molho de tomate em uma diluição de 50%. 2. Materiais e métodos Os materiais utilizados foram: molho de tomate da marca fugini diluído em agua a uma concentração de 50 % v/v, uma proveta de vidro de 50 ml, pois o vidro possui alta condutividade térmica e irá permitir que o equilíbrio térmico entre banho e superfície da amostra seja atingido rapidamente, banho maria, rolha de borracha perfurada no centro, dois termômetros espetos e suportes para os termômetros. Inicialmente o diâmetro da proveta foi medido e anotado, sendo o diâmetro da proveta igual a 2,3 cm, e a espessura igual a 0,1cm, assim o diâmetro interno é igual a 2,1 cm. Em seguida foi adicionado 25 ml de molho de tomate e 25ml de água destilada, foi então misturado até a homogeneidade com um bastão de vidro. A proveta foi então fechada com a rolha de borracha, um dos termômetros foi acoplado junto a rolha de modo que ele fique o mais próximo possível do meio da proveta. A proveta foi então colocada dentro do banho de modo que a amostra ficasse totalmente submersa na água, e o outro termômetro foi então posicionado na superfície externa da proveta, para ficar o mais próximo possível de sua parede. O banho foi mantido a temperatura ambiente até que a temperatura interna e a temperatura da superfície externa se estabilizassem, atingindo o equilíbrio térmico. Com as temperaturas estabilizadas em 22,2 °C, o banho foi ligado na sua potência máxima. Forammonitoradas e anotadas as temperaturas da superfície, a temperatura interna e a temperatura do banho a cada minuto desde o tempo zero (quando o set point começa a atuar) até a temperatura interna atingir 50ºC. Os dados foram anotados em uma tabela no Excel e a difusividade térmica foi calculada. As figuras 2 e 3 demonstram como os equipamentos foram montados. Figura 2. Equipamentos montados Figura 3. Capsula com a amostra montada no banho maria. 3. Resultados e discussões Para analise dos resultados, inicialmente foi estimado a taxa de aquecimento (H) através de um ajuste linear para a temperatura externa (temperatura da superfície) em função do tempo. A figura 4 representa o gráfico deste ajuste. Figura 4. Ajuste linear da temperatura externa. A partir da equação da reta obtemos o valor estimado da H, sendo ele igual a 0,0207 K/s. Figura 5. Gráfico das temperaturas interior e exterior. A figura 5 representa o gráfico das temperaturas no centro (temperatura interna) e na superfície (temperatura externa) em relação ao tempo. Fazendo uma análise deste gráfico podemos visualizar que o estado estacionário foi atingindo a partir dos primeiros quatro minutos, onde a taxa de aquecimento se manteve constante. Tabela 1. Tabela dos valores medidos e calculados. A tabela 1 representa os valores medidos das temperaturas e os valores da difusividade que foi calculado. A difusividade média foi calculada então pela média dos valores obtidos para a mesma, porém, foi eliminado os primeiros pontos, onde a taxa de transferência não era constante, dessa forma a difusividade média foi calculada a partir do tempo de quatro minutos. O valor da difusividade média foi de 1,33 x 10-7 m²/s. Esse valor é próximo do valor encontrado por Choi e Okos (1983) onde os valores da difusividade para suco de tomate concentrado variam entre 1,42 x 10-7 m²/s até 1,76 x 10-7 m²/s. O resultado também se aproxima ao encontrado por Teixeira et al. (2010) que foi de 1,61 x 10-7 m²/s para a massa de tomate. Como já citado na introdução, a difusividade térmica depende da temperatura, e analisando a tabela conseguimos evidenciar essa dependência. Onde para temperaturas perto da temperatura ambiente a difusividade é maior, com o aquecimento y = 0,0207x + 295,73 R² = 0,9974 290 295 300 305 310 315 320 325 330 335 0 500 1000 1500 2000 Te m p er at u ra e xt er n a (K ) Tempo (s) 290 295 300 305 310 315 320 325 0 1000 2000 Te m p er at u ra ( K ) Tempo (s) Temperatura Interna Temperatura Externa ela diminui um pouco e se mantém praticamente constante, até que, a partir de aproximadamente 38°C para temperatura interna ela começa aumentar novamente. Tabela 2. Dados obtidos no experimento utilizando a massa de tomate sem diluição. A literatura nos diz que quanto maior o teor de sólidos menor será a difusividade, por que os sólidos dificultam que o calor se espalhe, porém, comparando as tabelas 1 e 2 percebemos que aconteceu o contrário, pois quando o molho de tomate estava concentrado a difusividade foi maior. Algo que pode influenciar essa não compatibilidade com a literatura é a não homogeneidade do molho de tomate, que como foi citado na introdução, se o material não for homogêneo, a difusividade pode ser diferente em diferentes pontos da mesma amostra. 4. Conclusão Com o desenvolvimento deste experimento conseguimos observar como é realizado o processo para a determinação da difusividade térmica de uma substância na fase líquida. A partir dos dados medidos e calculados, encontramos a difusividade do molho de tomate, que foi compatível com os dados encontrados na literatura. Com este experimento, conseguimos evidenciar que a difusividade térmica é uma função da temperatura, já que ela varia com o aumento da mesma. A única parte que não obteve o resultado esperado foi quando comparamos os resultados obtidos do molho normal para o diluído, onde a difusividade foi menor no molho diluído, e pela literatura deveria ser ao contrário. 5. Referências Bibliográficas PEREIRA, Thiago Martini. DETERMINAÇÃO DA DIFUSIVIDADE TÉRMICA DO ESMALTE E DENTINA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA, UTILIZANDO TERMOGRAFIA NO INFRAVERMELHO. 2009. 67 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciências de Tecnologia Nuclear, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, São Paulo, 2009. ITO, Ana Paula. Determinação de Condutividade e Difusividade Térmica de Grãos de Soja. 2003. 99 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003. PAIVA, Renata; RAZUK, Paulo Cezar. DIFUSIVIDADE TÉRMICA DO EXTRATO DE TOMATE PARA DIFERENTES TEORES DE SÓLIDOS. In: CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDANTES DE ENGENHARIA MECÂNICA, 14., 2007. Uberlândia: Creem, 2007. p. 1 - 7. SANT, Thais. Qual é a diferença entre massa, polpa, extrato, purê e molho de tomate? Disponível em: <http://revistagalileu.globo.com/Revista /Galileu/0,,EDR84535-7946,00.html>. Acesso em: 27 set. 2019. PARISOTTO, Emanuelle Iaçana Berté. DETERMINAÇÃO DE PARÂMETROS, MODELAGEM MATEMÁTICA E SIMULAÇÃO NUMÉRICA DA SECAGEM DE POLPA DE TOMATE POR CAST- TAPE DRYING. 2016. 129 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2016. CHOI, Y.; OKOS, M. R. The thermal properties of tomato juice concentrates. Transactions of the ASAE, Saint Joseph, v. 26, n. 1, p. 305-311, (1983). TEIXEIRA, Ana Carolina et al. Estimativa da Difusividade e Condutividade Térmica da Massa de Tomate Comercial pelo Método de Levenberg-Marquardt. In: SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 8., 2010, Anápolis. Anais... . Anápolis: 2010. p. 1 - 5 6. Anexos 6.1 Memória de cálculo A equação utilizada para o calculo da difusividade térmica foi: 𝛼 = 𝐻 × 𝑅² 4 × (𝑇𝐸𝑥𝑡𝑒𝑟𝑛𝑜 − 𝑇𝐶𝑒𝑛𝑡𝑟𝑜) Onde α é a difusividade térmica em m²/s, H é a taxa de aquecimento do banho (K/s), R é o raio do cilindro (m), TExterno é a temperatura na superfície externa do cilindro (K) e TCentro é a temperatura no centro do cilindro (K). 6.2 Problemas propostos 1) Que geometria pretende-se simular aplicando isolamento térmico nas extremidades do cilindro e quais as características principais da transferência de calor nestas condições? Segundo o que estava descrito no roteiro da aula prática, a intenção é de simular a difusão em um cilindro infinito. Para isso, no roteiro foi realizado um balanço representando a variação da temperatura de um material com o tempo em função do gradiente de temperatura radial, já que para um cilindro de comprimento infinito o gradiente de temperatura longitudinal é desprezado. 2) Na sua opinião quais são as principais fontes de erro experimental encontradas? O que poderia ser feito para reduzi-las? Acredito que as principais fontes de erro podem ser na colocação do termômetro, onde é muito difícil conseguir que ele fique exatamente no centro, também é difícil colocar o termômetro externo na mesma altura do interno. Outro fator que se acredita ser uma fonte de erro, é que o molho de tomate, por ter sido diluído, pode não estar bem homogêneo, e isso causaria diferenças na difusividade. Outrasfontes de erro podem ser também, a falta de um sistema de refrigeração, a falta de uma agitação no banho e a medida errada do diâmetro da proveta.