Prévia do material em texto
Patologia Módulo II Thaís Andriani Problema 1 Trombose de basilar e infarto de ponte na anemia falciforme. 3. Trombose da A. basilar Trombo na artéria basilar: Cerca de 15 dias após sua formação, o trombo tem cor rósea avermelhada e está aderido à artéria em grande parte de sua circunferência. Presumimos que fosse totalmente oclusivo quando recente. Na microscopia, há sinais claros de organização e canalização. Necrose coagulativa e liquefativa: Este infarto associa dois tipos de necrose, a coagulativa e liqüefativa. Na necrose coagulativa, o tecido necrótico permanece in situ por longos períodos (dias, semanas) e é removido a partir da periferia por ação de macrófagos. A grande parte da necrose no presente exemplo é deste tipo. Isto ocorre porque, na região interna da necrose, a circulação sanguínea foi totalmente interrompida, impedindo a chegada de células fagocitárias através de capilares. Na periferia da necrose, no limite com o tecido normal, vemos trechos de necrose liqüefativa. Esta é caracterizada por numerosos macrófagos xantomatosos (células grânulo-adiposas), que fagocitam os restos necróticos. Nestas áreas não há mais neurônios mortos. Margem do infarto, necrose liqüefativa. Nesta área da periferia, a circulação sanguínea não foi interrompida, e sim reduzida, notando-se vasos ingurgitados por hemácias falcizadas, como na pequena artéria no centro. A porção esquerda da foto mostra transição para o tecido nervoso normal. A metade direita é riquíssima em macrófagos xantomatosos, que removem o material necrótico. Macrófagos xantomatosos (células grânulo-adiposas). Estas células globosas, com citoplasma claro, finamente vacuolado, e núcleo excêntrico, fagocitam restos necróticos no tecido infartado. Como grande parte deste é constituído por baínhas de mielina degeneradas, as células são ricas em lípides, daí sua cor clara e o termo 'células grânulo-adiposas'. Derivam em parte da micróglia, mas muitas provêm de monócitos do sangue. Com a ação destas células, o tecido morto é removido rapidamente (daí o termo necrose liqüefativa) e tende à cavitação. Macrófagos em mitose: Apesar de serem células maduras e funcionantes, não foi raro o encontro de macrófagos em mitose. Aqui documentamos três prováveis exemplos. Slides Fernanda Problema 2 Necrose e hemorragia da supra-renal no estado de choque Lam. A. 259 Focos de necrose na camada cortical. Aparecem como pequenas áreas róseas onde os contornos celulares e a arquitetura colunar da camada fasciculada ainda são perceptíveis. As células perderam seus núcleos e o citoplasma está fortemente eosinófilo. Em torno, observam- se células viáveis, com núcleos e gotículas lipídicas no citoplasma. As células normais da camada cortical da supra-renal são ricas em lípides porque secretam hormônios esteróides. O mecanismo da necrose tecidual no choque é por anóxia focal, devida à lentidão da microcirculação, e por lesão do endotélio vascular, com formação de trombos em capilares (coagulação intravascular disseminada). Lâm. A. 259. Necrose e hemorragia na supra-renal na síndrome de Waterhouse-Friderichsen. A síndrome de Waterhouse-Friderichsen é um choque séptico fulminante causado freqüentemente por meningococos muito virulentos, mas também por outras bactérias. Há septicemia, lesão generalizada do endotélio e coagulação intravascular disseminada. Nesta lâmina observamos hematoma na camada medular na supra- renal e necrose multifocal da camada cortical. As lesões são interpretadas como secundárias à formação de trombos hialinos na microcirculação na vigência de CIVD. O consumo dos fatores de coagulação (síndrome de desfibrinogenação) e a alta densidade capilar na camada medular colaboram para a ocorrência de hemorragia. SARA, fase crônica (proliferativa) Lâm. A. 371 Imagens escaneadas da lâmina de pulmão, mostrando aspecto em favos de mel. As pequenas cavidades correspondem a bronquíolos. Entre eles há tecido fibroso no local onde anteriormente havia alvéolos. A isto se chama fibrose pulmonar difusa. As cavidades são, na maior parte, bronquíolos dilatados. Entre eles há fibrose difusa do parênquima pulmonar, com ausência praticamente total de alvéolos funcionantes. Lesões nos bronquíolos. Os bronquíolos dilatados estão desepitelizados. Os elementos nobres da parede, como musculatura lisa, cartilagem e glândulas também não estão mais presentes. No lugar deles há tecido conjuntivo neoformado, com fibroblastos proeminentes e intenso edema intersticial. Entre os bronquíolos, onde deveriam estar os alvéolos, também se nota tecido conjuntivo jovem, com fibras colágenas e fibroblastos de aspecto ativo. Nestes, chama a atenção a cromatina frouxa e o nucléolo evidente, indicando síntese ativa de colágeno. O resultado é a chamada fibrose pulmonar difusa, em que o tecido funcionante do pulmão é substituído por tecido fibroso. Lesões nos alvéolos: Nos poucos alvéolos remanescentes, observa-se intensa hiperplasia e hipertrofia dos pneumócitos II, que aparecem como células arredondadas salientes na luz dos alvéolos. Há espessamento dos septos interalveolares por fibrose e edema. Pulmão de choque, fase crônica: Este é um pulmão de criança fixado em formol e cortado longitudinalmente. Chama a atenção o aspecto compacto, esbranquiçado e finamente noduloso do parênquima. Isto se deve a intensa fibrose intersticial que ocorre na fase adiantada do pulmão de choque, após a organização das membranas hialinas vistas na fase aguda. Pulmão de choque, fase aguda. Os pulmões ficam volumosos, de cor vinhosa escura e pesados. Praticamente não há ar nos alvéolos. A consistência é maior que a do pulmão normal, mas menor que na pneumonia lobar. Necrose tubular aguda isquêmica Lâm. A. 26 Necrose tubular aguda, tipo isquêmico. A NTA é responsável por 3/4 dos casos de insuficiência renal aguda. A grande maioria dos casos pertence à variedade isquêmica, objeto do presente exemplo. A variedade isquêmica é causada mais comumente por estado de choque, hemólise intravascular (provocando hemoglobinúria) ou mionecrose (causando mioglobinúria). Há também uma variedade tóxica de NTA, causada por ingestão de substâncias como o bicloreto de mercúrio ou o herbicida paraquat (ver página seguinte). Em todas estas situações há redução drástica do fluxo urinário (oligúria) e a urina torna-se escura, com 'cor de coca-cola’. Ocorre aumento nos níveis de uréia e creatinina no sangue e o paciente necessita diálise. Se sobreviver a esta fase, há regeneração das células tubulares e retorno da função renal em aproximadamente uma semana. Alterações comuns nos túbulos são também os cilindros pigmentados e os cristais de oxalato de cálcio. Alteração nos glomérulos: isquemia: A presente lâmina provém de um paciente que sofreu picada de cascavel (Crotalus durissus terrificus). O veneno crotálico tem como principal toxina a crotoxina, uma fosfolipase de grande potência, que digere a membrana das hemácias, liberando hemoglobina no sangue. Também tem capacidade de lesar fibras musculares esqueléticas liberando mioglobina. A hemoglobina e a mioglobina, moléculas proteicas relativamente pequenas, são filtradas nos glomérulos e concentradas nos túbulos, levando à obstrução dos mesmos. Através de mecanismo reflexo, ocorre vasoconstrição da arteríola aferente glomerular, levando a isquemia dos glomérulos e forte redução da filtração glomerular, responsável pela oligúria. Além disso, a isquemiacausa lesão nos túbulos, porque a irrigação dos túbulos depende de sangue que antes passou pelos glomérulos. Há, portanto, necrose de células tubulares. Os glomérulos, apesar da isquemia, não sofrem necrose por serem predominantemente estruturas conjuntivas, e portanto de metabolismo mais baixo. Já as células tubulares, que são epiteliais, têm alto metabolismo, especialmente as células dos túbulos proximais, que são muito ricas em mitocôndrias. Alterações nos túbulos: necrose e regeneração: Na NTA isquêmica, as lesões de células tubulares são menos proeminentes que na NTA tóxica, podendo ser de observação difícil. Pode haver descamação de células necróticas na luz e/ou atividade regenerativa das células remanescentes. A regeneração tubular leva eventualmente à completa recuperação da função renal, caso o paciente permaneça vivo durante a fase de insuficiência renal aguda, através de diálise. As células regeneradas podem ter núcleos volumosos, nucléolos evidentes, e citoplasma escasso e basófilo. Variação de tamanho dos núcleos entre células tubulares vizinhas é sugestiva de atividade regenerativa. Mitoses podem ser observadas. Cilindros pigmentados: Vários túbulos, especialmente distais, contêm os chamados cilindros pigmentados, de grande importância para o diagnóstico histológico da NTA: são granulosos e fortemente hialinos, sendo constituídos principalmente pela proteína de Tamm-Horsfall (uma glicoproteína normalmente secretada pelas próprias células tubulares), hemoglobina, mioglobina e/ou outras proteínas. Cristais de oxalato de cálcio: É comum a observação de cristais de oxalato de cálcio na luz tubular em casos de NTA. O oxalato é normalmente excretado pelos rins e precipita-se nos túbulos com a diminuição do fluxo de filtrado glomerular. Os cristais são amarelados e têm estrutura radiada, sendo classicamente comparados a fatias de abacaxi. Infarto cerebral recente (exemplo de uma necrose liqüefativa) Lam. A. 349 Se o infarto do miocárdio e a necrose caseosa representam bons exemplos de necrose coagulativa, o exemplo clássico da chamada necrose liqüefativa é o infarto cerebral. Na necrose liqüefativa, ao contrário da coagulativa, a eliminação do material necrótico é rápida, levando de algumas horas a poucos dias. No cérebro, a eliminação se dá por ação de macrófagos, que afluem à área infartada já nas primeiras 24 horas após a morte tecidual. Isto é favorecido porque, devido a peculiaridades do tecido nervoso, não há interrupção completa da circulação, mesmo em infartos extensos, permitindo a chegada de macrófagos do sangue. Admite-se também que a riqueza de lípides do tecido nervoso favoreça o caráter liqüefativo, isto é, o rápido amolecimento do material necrótico. Aqui exemplificamos a necrose liqüefativa em um infarto cerebral. Necrose coagulativa em um infarto agudo do miocárdio Lam. A. 374 Outro exemplo de necrose coagulativa em um infarto agudo do miocárdio. Infarto é necrose de causa vascular, no caso, por obstrução de uma artéria coronária ou um de seus ramos. As fibras do miocárdio necróticas (figs à D.) caracterizam-se por ausência de núcleos. Notam-se no interstício edema e células inflamatórias, constituídas por neutrófilos e macrófagos. Ambos são responsáveis pela fagocitose das fibras necróticas. Os neutrófilos têm núcleo polilobado e citoplasma róseo pálido. Comparar com miocárdio normal da mesma lâmina (figs à E.). As fotos respectivas foram feitas nos mesmos aumentos. A necrose pode ser classificada como coagulativa por que as fibras necróticas permanecem no local por vários dias até serem eliminadas. Área de infarto antigo na mesma lâmina Em algumas áreas, observa-se fibrose do miocárdio, caracterizada por fibras colágenas de tom rosa mais pálido que o dos miocardiócitos. A fibrose é um fenômeno de reparo a um infarto mais antigo que o demonstrado acima, e em que as fibras necróticas já foram totalmente eliminadas. Como no miocárdio não há regeneração, a lesão é substituída por tecido fibroso. Necrose coagulativa da adenohipófise Lam. A. 24/29 A causa da necrose foi vascular: hipotensão acentuada por hemorragia durante o trabalho de parto. As características morfológicas fundamentais de uma célula necrótica são : •no núcleo ocorre inicialmente picnose (retração, condensação da cromatina, que toma aspecto denso e escuro), depois há palidez progressiva e finalmente desaparecimento do núcleo (cariolise). Em algumas células pode haver fragmentação da cromatina (cariorexe). •no citoplasma ocorre eosinofilia, ou seja, perda do tom róseo levemente arroxeado para um tom róseo forte e aspecto homogêneo. Isto se deve à degradação do RNA citoplasmático e aglutinação das organelas. O tempo necessário para manifestação destas alterações (ou seja, para a necrofanerose) é de algumas horas. O tipo de necrose demonstrado aqui é conhecido como necrose coagulativa, porque as células mortas permanecem no local por algum tempo (dias ou semanas) antes de serem removidas (geralmente através de fagocitose a partir das áreas vizinhas não necróticas). Slides Fernanda Slides Fernanda TRAUMA SNC LESÃO PRIMÁRIA fratura do crânio, laceração cerebral, hematomas extra e subdural, contusão cerebral e lesão axonal difusa LESÃO SECUNDÁRIA (mais tardiamente) edema cerebral, hipertensão intracraniana e distúrbios circulatórios TIPOS causados pela disfunção dos centros vasomotores e respiratórios, hipotensão arterial, vasospasmo das artérias cerebrais ou alteração dos órgãos torácicos (p. ex., traumatismo torácico, pneumonia), infecção intracraniana (meningite e abscesso cerebral) e fraturas múltiplas (embolia gordurosa). lesão cerebral hipóxica As forças físicas associadas ao trauma cefálico podem provocar: fratura craniana, lesão parenquimatosa e lesão vascular Todos os três mecanismos podem ocorrer concomitantemente O mecanismo mais importante de dano cranioencefálico traumático é representado pela atuação de forças dinâmicas no momento do traumatismo, de curta ou longa duração, podendo ser de dois tipos: (1) impulso, menos comum, no qual a cabeça é movimentada rápida e intensamente sem impacto direto no crânio, ou, pelo contrário, quando a movimentação rápida e intensa da cabeça cessa sem haver impacto do crânio contra qualquer obstáculo. A situação que melhor exemplifica este mecanismo é um golpe na face produzindo movimentação brusca e intensa da cabeça; (2) impacto, o mais frequente, no qual um objeto atinge a cabeça em posição fixa ou livre para se mover, ou então quando há desaceleração súbita da cabeça de encontro a uma superfície rígida (p. ex., em quedas e acidentes de trânsito). sem haver impacto direto do crânio FRATURA DO CRÂNIO • Está sempre relacionada com agente traumatizante que atua por meio de forte impacto • Tipos de fraturas: ① linear = impacto contra uma superfície plana ② deprimida = impacto contra objetos pequenos e irregulares, produzindo indentação de fragmentos da tábua interna do crânio ③ penetrante ou aberta = causada por objetos pontiagudos ou projétil de arma de fogo, resultando também em laceração da dura-máter ④ de contragolpe = localizadas a distância do sítio do impacto e sem representar extensão de uma fratura originada no sítio de impacto Fratura linear do osso temporal E Fraturas graves causando laceração da dura- máter e extrusão de tecido cerebral (seta) LESÕES PARENQUIMATOSAS Concussão • Lesão indireta doparênquima cerebral • Alteração de consciência→ 2ária ao trauma craniano acontece devido a uma alteração da cinética da cabeça (quando a cabeça se encontra em movimento e é subitamente detida por uma superfície rígida) • Síndrome clínica: • disfunção neurológica de início instantâneo, parada respira-tória temporária e perda dos reflexos LESÕES PARENQUIMATOSAS Contusão & Laceração • Lesões associadas ao dano direto do parênquima cere-bral: • transmissão de energia cinética para o encéfalo • Contusão = trauma fechado • Laceração = penetração de um objeto e esgarçamento do tecido • Comuns: • cristas dos giros→ força direta é maior • superfície irregular e áspera da face interna do crânio → base dos lobos frontais e os lobos temporais • Laceração • Solução de continuidade do tecido nervoso • Pode haver ou não perda de massa encefálica para o exterior • Causas habituais → golpes violentos na cabeça e projétil de arma de fogo • Projétil: • afundamento = o projétil não penetra na cavidade craniana, mas produz fratura com afundamento e contusão cerebral subjacente • penetrante = o projétil penetra na cavidade craniana, mas não a ultrapassa • perfurante = o projétil atravessa a cavidade craniana e deixa um orifício de entrada e outro de saída • Contusão • Não há ruptura da superfície tecidual • Tipos: • no ponto de contato = lesão por golpe • na superfície cortical diametralmente oposta a este = lesão por contragolpe Alterações Morfológicas Agudas Evidências Macroscópicas: ➢ Fases mais precoces: • edema e hemorragia ➢ Nas horas subsequentes, o extravasamento de sangue se estende ao longo do tecido envolvido através do cortex cerebral em direção a substância branca e ao espaço subaracnoide (lesão em cunha) Evidências Histológicas: ➢ Lesão neuronal (picnose do núcleo, eosinofilia do cito- plasma e desintegração da célula) → cerca de 24 hs para surgir, embora déficits funcionais possam ocorrer mais precocemente ➢ Edema axonal surge na vizinhança dos neurônios dani- ficados e também em muitas células situadas longe do local ➢ Resposta inflamatória → neutrófilos seguido por macró- fagos Lam. A. 349 http://anatpat.unicamp.br/lamdc12.html Alterações Morfológicas Antigas Evidências Macroscópicas ➢ Deprimidas, retraídas, com marcas amarelo-acastanhadas envolvendo as cristas dos giros → placa amarela (plaque jaune) pode se tornar um foco epileptico ➢ Regiões hemorrágicas mais extensas podem dar origem a lesões cavitárias Evidências Histológicas: ➢ Predominância de gliose ➢ Macrofagos residuais carregados de hemossiderina LESÕES PARENQUIMATOSAS Lesão Axional Difusa • Microrupturas de axônios na substância branca • Patogenia: • Cérebro move-se com o crânio • Quando o crânio sofre uma rotação brusca, a inércia do cére-bro faz com que continue parado por frações de segundo, quando o crânio já está em movimento. Ocorre o oposto se o crânio em movimento é freado subitamente → as camadas superficiais do cérebro são freadas antes das profundas, produzindo uma deformação intraparenquimatosa → cizalhamento → tração e ruptura de axônios e vasos em várias regiões dos hemisférios cerebrais Lesão Axonal Difusa São mais vulneráveis os longos tratos que associam áreas corticais distantes (p. ex., fronto-occipital, fronto-temporal e comissuras interhemisféricas) Alterações Morfológicas ➢ Tornam-se perceptíveis após alguns dias na substância branca: • pequenos focos de células microgliais ativadas • impregnação pela prata dos axônios ou lmuno-histoquímica → dilatações dos axônios rompidos (bulbos axonais) e diminutos fragmentos axonais de forma esferoidal (esferoides) ➢ Com o tempo, os axônios degeneram (degeneração walleriana) e a substância branca sofre atrofia → redução de volume do encéfalo → células gliais ativadas desaparecem, restando apenas gliose difusa Lesão axonal difusa. Tumefação e fragmentação axonais (esferoides). lmuno-histoquímica para neurofilamento. bolas de retração de Cajal http://anatpat.unicamp.br/nervwalleriana.html LESÃO VASCULAR TRAUMÁTICA • Resulta do trauma direto e da ruptura da parede do vaso levando à hemorragia • Os hematomas traumáticos são mais graves que as contusões porque o acúmulo de sangue causa rápida hipertensão intracraniana e hérnias → exigem pronto diagnóstico e esvaziamento cirúrgico • Dependendo da posição anatômica do vaso rompido, a hemorragia pode ocorrer em vários compartimentos (podendo algumas vezes ocorrer de modo combinado): • epidural • subdural • subaracnoide* • Intraparenquimatoso* *contusões superficiais e lacerações → ocorrência concomitante de hemorragias subaracnoide e intraparenquimatosa *Entre as duas camadas da dura-máter Camada externa - colagenosa Camada interna – fibroblastos e espaço extracelular abundande livre de colágenos LESÃO VASCULAR TRAUMÁTICA Hematoma Epidural • Mais comumente por fratura da porção escamosa do osso temporal → face interna→ artéria meníngea média → hematoma entre o osso e a dura-máter (formação rápida - pressão no vaso é arterial) • Como a dura é aderida ao osso, os hematomas epidurais são circunscritos e arredondados • Forçam o lobo temporal em direção medial e provocam hérnia de uncus Alterações Morfológicas Alterações Morfológicas LESÃO VASCULAR TRAUMÁTICA Hematoma Subdural • Veias em ponte (convexidade dos hemisférios) → atravessam os espaços → subaracnóide e subdural→ seios durais (sagital superior) • Esses vasos são particularmente predispostos a se esgarçarem ao longo de seu trajeto através das camadas subdurais → fonte de sangramento na maioria dos casos de hematoma subdural • Encéfalo→ suspenso no LCR Seios venosos→ fixos em relação à dura-máter Deslocamento do encéfalo → trauma → esgarçar veias no ponto em que elas penetram a dura-máter Alterações Morfológicas Agudas • Coleção de sangue recém-coagulado ao longo da superfície do encéfalo, sem extensão para a profundidade dos sulcos • Encéfalo subjacente encontra-se aplanado e o espaço subaracnoide está limpo Alterações Morfológicas - Evolução • Hematoma pode se degradar e se organizar ao longo do tempo – Etapas: 1. Lise do coágulo (em torno de 1 semana) 2. Crescimento de fibroblastos a partir da superfície dural para o interior do hematoma (2 semanas) 3. Desenvolvimento precoce de tecido conjuntivo hialinizado (1 a 3 meses) A lesão pode, se retrair à medida que o tecido granuloso amadurece, até que permaneça somente uma fina camada de tecido conjuntivo reativo (“membranas subdurais”) Problema 3 Glomerulonefrite membrano- proliferativa Lâm. A. 28 Glomerulonefrite membrano-proliferativa. Nesta forma de glomerulonefrite, os glomérulos mostram nítida acentuação da lobulação (os tufos glomerulares se destacam uns dos outros à maneira de folhas de trevo). Há hipercelularidade, principalmente às custas das células mesangiais, e espessamento da parede dos capilares glomerulares, mais fácil de observar na periferia dos lóbulos. Em alguns glomérulos notam-se aderências dos tufos capilares (portanto, do folheto visceral da cápsula de Bowman) ao folheto parietal da mesma. Alguns glomérulos estão totalmente hialinizados. Glomerulonefrite crescêntica Lâm. A. 41 Praticamente todos os glomérulos estão afetados. Glomérulos normais são raros neste fragmento de biópsia. No glomérulo da E. as alterações são discretas, mas já se nota aderência de alguns tufos capilares ao folheto parietal da cápsula de Bowman (setas). Crescentes são a alteração característica desta forma de glomerulonefrite. Correspondem a proliferação das células do folheto parietal da cápsula deBowman, estimuladas por deposição de fibrina. Esta (não visível aqui) pode ser demonstrada por imunofluorescência. Em algumas crescentes é possível observar mitoses. Células inflamatórias estão presentes na crescente. Classicamente, descrevem-se principalmente monócitos, mas no presente caso há também vários neutrófilos. As células proliferadas aderem ao tufo capilar e efetivamente obliteram o espaço de Bowman. Glomerulonefrite difusa aguda (doença imune por deposição de imunocomplexos) Lam. A. 140 Comparando-se as duas colunas, nota-se que os glomérulos com GNDA são maiores e mais celulares que os correspondentes normais. O espaço de Bowman é comprimido pelo maior volume dos tufos capilares. O aumento da celularidade se deve não só à proliferação das células glomerulares, mas também à infiltração por neutrófilos, atraídos pela fixação do complemento, conseqüente à deposição de imunocomplexos. Todas fotos deste quadro no mesmo aumento. Lâm. A. 140. Glomerulonefrite difusa aguda (GNDA) pós-estreptocócica (exemplo de doença imune por deposição de imunocomplexos). Biópsia renal de paciente com 8 anos de idade e história de oligúria, urina escura e edema de face, com início cerca de 10 dias após uma infecção de orofaringe. Observar que todos os glomérulos estão aumentados de volume, hipercelulares e com numerosos neutrófilos. Este é um caso de glomerulonefrite difusa aguda (GNDA) pós-estreptocócica. Nesta doença há formação de imunocomplexos que estão depositados nos glomérulos. Em geral as imunoglobulinas depositadas são IgG, havendo ativação do complemento e quimiotaxia para neutrófilos através da fração c5a. A GNDA é um exemplo de doença imune por mecanismos adaptativos humorais do tipo por deposição de imunocomplexos. Slides Fernanda Problema 4 Aterosclerose e trombose arterial - 1 Lam. A. 67/80/81 Lâm. A. 67/80/81. Aterosclerose e trombose em artérias coronárias. Nesta lâmina, o conjunto de oito cortes corresponde a fragmentos de artéria coronária. Um deles está obstruido por um trombo em organização e apresenta aterosclerose. Há grande espessamento da parede arterial devido à presença de tecido fibroso denso na íntima. Nesta também observam-se lípides (áreas claras) e um foco calcificado. O trombo está em fase de organização. Os outros cortes da lâmina são apresentados na página seguinte. Aterosclerose é a causa mais comum de trombose de importância clínica, sendo responsável pelo infarto do miocárdio e grande parte dos infartos cerebrais, entre outros. O mecanismo pelo qual a aterosclerose causa trombose é através de lesão do endotélio vascular, o que propicia agregação de plaquetas sobre o colágeno subendotelial (um dos elementos da tríade de Virchow). A aterosclerose é o espessamento da camada íntima de uma artéria. Esta camada normalmente se restringe ao endotélio, sendo portanto finíssima. Porém, na aterosclerose, a íntima pode ficar mais espessa que a própria camada média. O espessamento consiste de tecido fibroso denso e geralmente contém fibras musculares lisas (aqui não demonstradas). Leva a redução variável do diâmetro da luz, até obliteração. O espessamento pode ser difuso ou localizado, formando placas. Estas são chamadas placas de aterosclerose, placas ateromatosas ou ateromas. Na íntima espessada e nas placas é comum a deposição de lípides, inclusive cristais de colesterol. Os lípides têm cor amarela e consistência mole, por isso o centro da placa freqüentemente tem aspecto de papa, que origina o nome da lesão (atheros = papa em grego). Também é comum calcificação, que no corte aparece como material amorfo de cor roxa. Se a calcificação for extensa, dá consistência quebradiça à artéria, lembrando casca de ovo. Aterosclerose Trombos em várias fases de evolução (em hemorróidas) Lam. A. 317/323 Lâm. A. 317/323. Trombos em várias fases de evolução (em hemorróidas). Dilatações das veias do plexo hemorroidário que ficam na submucosa retal (hemorróidas) são comuns. A grande maioria origina-se por fraqueza constitucional da parede venosa. Algumas resultam de hipertensão portal. A lentidão do fluxo nas veias dilatadas propicia a trombose. Aqui temos na mesma lâmina trombos em três fases: recente, em organização e recanalização. Assim que se forma, o trombo é constituido apenas por células do sangue e fibrina. A fibrina forma grumos e/ou filamentos róseos dispostos em várias direções entre as hemácias. Após algum tempo, células provenientes da parede vascular invadem o trombo. São células endoteliais e células conjuntivas totipotentes, que se distribuem entre a fibrina e as hemácias e são notadas pelos seus núcleos (praticamente não se observa citoplasma). As hemácias nesta fase já estão em grande parte hemolizadas e seu número parece menor que no trombo recente. As células se organizam para formar capilares neoformados, que em parte confluem em outros de maior calibre. Este processo, chamado recanalização, porém, é abortivo na grande maioria dos casos, pois em geral não há reconstituição da luz original do vaso. O processo de organização dos trombos é semelhante em artérias e veias. TROMBO RECENTE: apenas fibrina e hemácias TROMBO EM ORGANIZAÇÃO : Células da parede do vaso invadem o trombo TROMBO RECANALIZADO: Organização produz capilares neoformados Trombose e canalização. Lam. A. 317a Trombose recente (em veia) e antiga (em artéria femoral), em membro inferior amputado por gangrena.A veia mostra-se fortemente dilatada por trombo recente. Observe massa trombótica constituída por sangue (hemácias integras e lisadas), alguns neutrófilos e abundante fibrina. A fibrina é rósea, na forma de grumos e/ou filamentos em várias direções. Em alguns pontos da parede do vaso há aderência do trombo. Nestes trechos, células endoteliais e mesenquimais totipotentes começam a proliferar e permear a massa trombótica e a se organizar, formando alguns pequenos lumens vasculares (inicio da organização). Há também macrófagos claros xantomatosos (contendo gotículas de gordura) e hemossiderófagos (hemossiderina), ambos decorrente da lise de hemácias. A artéria apresenta trombose antiga canalizada: a luz original do vaso está totalmente preenchida por células conjuntivas e crivada por novos lumens vasculares, revestidos por endotélio. Do ponto de vista funcional, porém, a canalização é insuficiente, pois não há restabelecimento de fluxo sanguíneo abundante. Lâmina escaneada, mostrando os dois cortes. A artéria (embaixo) e a veia (em cima) estão representadas em níveis diferentes. Esta imagem com 600 dpi (dots per inch). Abaixo, ambas com 1200 dpi. Trombo venoso recente. Área de adesão à parede. O trombo é parietal, isto é, aderido à veia em só um trecho (cerca da metade da circunferência). É um trombo vermelho, constituído principalmente por hemácias, e tem estrutura lamelar, refletindo a deposição de hemácias e fibrina em camadas sucessivas. A região da adesão tem tom mais claro, que decorre da degeneração das hemácias e substituição pelas células da organização do trombo. Aderência do trombo e organização. A camada média da veia é constituída por fibras musculares lisas circulares, mas intercaladas a tecido fibroso. No local da aderência do trombo, não se observa mais endotélio. O trombo original (de hemácias e fibrina) foi aí modificado pela invasão de células totipotentes que vêm da camada subendotelial. Formam macrófagos que fagocitam as hemácias, miofibroblastos e fibroblastos que depositam colágeno. Células endoteliais formam novos capilares,que ajudam a fornecer células para a organização. Borda da aderência. Neste ponto, há transição entre a parte do trombo que está aderida à veia e a parte livre. A luz restante é fina e em forma de crescente. O trombo vermelho é praticamente indistinguível de um coágulo. É só a aderência à parede com organização é que o define como trombo (massa sólida intravascular formada por elementos do sangue durante a vida). Fibrina, macrófagos, siderófagos. Neste outro corte (na mesma lâmina), observamos outros fenomenos da organização do trombo. Dentro do retângulo verde, a área à esquerda contém fibrina em grumos condensados, já sem hemácias. A região mais clara à direita contém macrófagos que fagocitaram as hemácias. Ficaram com aspecto espumoso (citoplasma xantomatoso) devido aos lípides oriundos das células degeneradas. Na periferia da área clara observam-se macrófagos com hemossiderina, pigmento que contém o ferro derivado da hemoglobina. Área de fibrina condensada. Nesta região do trombo, os filamentos de fibrina, que inicialmente são muito finos, condensaram-se por perda de água e já estão sofrendo ação de células, principalmente macrófagos, que fagocitam restos de hemácias. Os macrófagos aparecem entre os grumos de fibrina. Com o tempo, a ação deles levará ao desaparecimento completo da mesma. É o que já ocorreu na área seguinte. Trombo arterial antigo, já canalizado. A artéria mostra a evolução final do processo de organização de um trombo, cujas etapas iniciais vimos na veia ao lado. Ao longo do tempo (semanas a meses) os elementos originais do trombo são fagocitados e digeridos. Novos vasos, pequenos a princípio, fundem-se em canais maiores. Contudo, é excepcional que haja reconstituição de uma luz funcionalmente útil, pois o resultado final geralmente são luzes menores e insuficientes. É o que se observa no exemplo ao lado. Parede da artéria. A parede arterial, como a venosa, tem três camadas, a adventícia, média e íntima. A adventícia, mais externa, é formada por fibras colágenas. A camada média é constituida basicamente por fibras musculares lisas em arranjo circular, e limitada internamente pela membrana elástica interna. A íntima normal é formada só por uma camada de células endoteliais. Aqui, não é mais visível, tendo sido substituída ou fundida com o trombo organizado. Trombo organizado e canalizado. O tecido que fica por dentro da membrana elástica interna e entre as luzes vasculares novas é formado por células de linhagem conjuntiva, principalmente fibroblastos e células musculares lisas. Ambas depositam abundantes fibras colágenas entre elas. O tecido fibroso resultante contém também pequenos vasos revestidos por endotélio. Estes cortes no Tricrômico de Masson. O tricrômico de Masson, uma coloração para tecido conjuntivo, é muito útil para estudar as etapas da trombose, porque distingue as fibras colágenas (coram-se em azul) das células dos varios tipos (coram-se em vermelho) EMBOLIA GORDUROSA CEREBRAL A embolia gordurosa ocorre em fraturas de ossos longos, cuja medula óssea é amarela (só tecido adiposo). Gotículas lipídicas ganham a circulação sistêmica, chegando ao pulmão. Grande parte fica retida aí e a morte pode ocorrer nesta fase, com dispnéia e colapso circulatório, se mais que 2/3 dos vasos ficarem obstruidos. Contudo, uma parte dos êmbolos lipídicos passa, porque os capilares pulmonares têm diâmetro maior que os de outros territórios e porque a gordura é líquida à temperatura corporal. Estes chegam a todos os órgãos, podendo ser demonstrados em cortes de congelação corados por Sudão Vermelho. Na maioria dos parênquimas são inócuos, menos no cérebro. No cérebro as lesões ficam restritas à substância branca e se caracterizam pela formação de petéquias, ou seja, hemorragias puntiformes e disseminadas. O quadro é conhecido como púrpura cerebral. Há também intenso edema cerebral associado, o que em si é suficiente para causar o óbito. Contudo, não há petéquias na substância cinzenta, como córtex cerebral ou núcleos da base. Qual o motivo desta curiosa preferência pela substância branca? A substância branca é 5 vezes menos vascularizada que a cinzenta. Os capilares são mais espaçados, retilíneos e com poucas anastomoses. Se um capilar é obstruido por um êmbolo gorduroso, a circulação naquele microterritório é interrompida, e há necrose do endotélio, que permite um extravasamento puntiforme de sangue (petéquia). O tecido nervoso nas proximidades também sofre necrose, lesando axônios responsáveis pela associação das grandes áreas do córtex cerebral. Já na substância cinzenta, como os capilares são próximos uns dos outros e há uma extensa rede anastomótica, a obstrução de um deles tem pouco efeito porque sempre há fluxo pelas anastomoses e os neurônios não sofrem necrose. Por isso, não há formação de petéquias na substância cinzenta. Quadro clínico O quadro clínico da embolia gordurosa cerebral também é paradoxal, porque os pacientes não costumam ter alterações neurológicas nas primeiras horas após o trauma. Só algumas horas ou dias após instala-se um quadro progressivo de obnubilação mental chegando ao coma, com alta mortalidade. O primeiro período sem sinais de sofrimento cerebral corresponde ao tempo em que as gotículas lipídicas estão retidas no pulmão; o segundo período, com diminuição do nível de consciência, é devido à chegada do lípide ao cérebro, com lesão irreversível da substância branca. Aterosclerose Slides Fernanda Estrias lipídicas Fase II Fotomicrografia de estria gordurosa num coelho de experimentação hipercolesterolêmico, demonstrando a íntima, células espumosas derivadas de macrófagos (setas). Características histológicas de placa ateromatosa na artéria coronária. A, Arquitetura global, demonstrando cápsula fibrosa (F) e um centro necrótico (cheio de lipídios) (C). A luz (L) está moderadamente comprometida. Observe que um segmento da parede está livre de placa (seta); a lesão, portanto, é “excêntrica”. Neste corte, o colágeno foi corado em azul (coloração tricrômica de Masson). C, Fotomicrografia com maior ampliação na junção da cápsula fibrosa com o centro, mostrando células inflamatórias dispersas, calcificação (cabeça de seta) e neovascularização (setas pequenas). FIGURA 11–14 Ruptura de placa aterosclerótica. A, Ruptura da placa sem trombo superposto em um paciente que teve morte súbita. B, Trombose coronária aguda superposta a uma placa aterosclerótica com ruptura focal da cápsula fibrosa, desencadeando infarto do miocárdio fatal. Em A e B, uma seta aponta para o local de ruptura da placa. (B, Reproduzida de Schoen FJ: Interventional and Surgical Cardiovascular Pathology: Clinical Correlations and Basic Principles. Philadelphia, WB Saunders, 1989, p 61.)