Prévia do material em texto
06/10/19 1 ANÁLISE GRAVIMÉTRICA Profa Dra. Regina V. Oliveira 1 ANÁLISE GRAVIMÉTRICA Analito: separado de uma amostra Processo de isolar ou de pesar um composto com composição química definida de um elemento na forma mais pura possível. O analito é separado de uma amostra pesada sujeita a análise. 2 06/10/19 2 3 ANÁLISE GRAVIMÉTRICA VANTAGENS §O método permite exatidão elevada; §Instrumentação simples e barata; §O método é absoluto e não depende de padrões – Medição direta. DESVANTAGENS §Procedimentos laboratoriais demorados; §Não é aplicável a análise de traços; §Erros no processo de precipitação; §Perdas de precipitados nas etapas de transferência, filtração, lavagem e secagem. O peso do elemento ou composto pode ser calculado a partir da fórmula química do composto e das massas atômicas dos elementos que constituem o composto pesado 3 MÉTODOS GRAVIMÉTRICOS DE ANÁLISE ¢ Gravimetria por precipitação: analito é separado de uma solução da amostra como um precipitado e é convertido a uma espécie de composição conhecida que pode ser pesada ¢ Gravimetria de volatilização: analito é isolado dos outros constituintes da amostra pela conversão a um gás de composição química conhecida ¢ Eletrogravimetria: analito é separado pela deposição em um eletrodo por meio de uma corrente elétrica ¢ Titulação gravimétrica 4 06/10/19 3 MÉTODOS DE PRECIPITAÇÃO São talvez os mais importantes dentre as análises gravimétricas O constituinte a ser determinado é precipitado da solução numa forma que seja tão pouco solúvel que não haja perda apreciável quando o precipitado for separado por filtração e pesado. •Exemplo: Determinação de ferro (III) em minérios Solução de Fe(III) é tratada com excesso de NH4OH, o precipitado é filtrado, lavado, para remoção de sais solúveis, dessecado a 800-10000C e pesado como Fe2O3. NH4OHAMOSTRA contendo Fe (III) ∆ (800º a 1000ºC)Fe2O3·XH2O Fe2O3 anidro 5 MÉTODOS DE PRECIPITAÇÃO •Frequentemente o constituinte que se determina é pesado numa forma diferente daquela que foi precipitado. O magnésio é precipitado como fosfato de amônio e magnésio, Mg(NH4)PO4.6H2O, mas é pesado, depois de calcinação, como pirofosfato Mg2P2O7. EXEMPLOS Determinação de Fe (III) em minérios: Tratamento com NH4OH Determinação de Ca2+ em águas naturais: Tratamento com C2O42- Determinação de Ba2+: Tratamento com SO42- Determinação de Cl- em água do mar: Tratamento com AgNO3 6 06/10/19 4 GRAVIMETRIA DE PRECIPITAÇÃO Agente precipitante amostra precipitado separação filtração secagem/ calcinação pesagem cálculos 7 GRAVIMETRIA POR PRECIPITAÇÃO ¢ ETAPAS 1. Preparo da solução 2. Precipitação 3. Digestão 4. Filtração 5. Lavagem 6. Secagem ou calcinação 7. Pesagem 8 06/10/19 5 GRAVIMETRIA POR PRECIPITAÇÃO 9 GRAVIMETRIA POR PRECIPITAÇÃO 10 06/10/19 6 GRAVIMETRIA POR PRECIPITAÇÃO Até massa constante 11 FATORES QUE DETERMINAM O ÊXITO DE UMA ANÁLISE POR PRECIPITAÇÃO 1– O precipitado deve ser tão insolúvel que não haja perdas apreciáveis quando for recolhido por filtração. Isso significa que a quantidade que permanece em solução não excede ao mínimo perceptível pela balança analítica comum, ou seja, 0,1mg. 2– A natureza física do precipitado deve ser tal que possa ser separado da solução por filtração e possa ser lavado até estar isento de impurezas solúveis. •As partículas tenham um tal tamanho que não passem através do meio filtrante •As dimensões das partículas não sejam afetadas (pelo menos não sejam diminuídas) pelo processo de lavagem 12 06/10/19 7 FATORES QUE DETERMINAM O ÊXITO DE UMA ANÁLISE POR PRECIPITAÇÃO 3 - O precipitado deve ser conversível a uma substância pura de composição química definida e conhecida Calcinação ou por evaporação num solvente apropriado 4 - O precipitado não deve ser reativo 5- Reação química completa nas condições de análise 13 14 FORMAS DO PRECIPITADO A formação dos precipitados é um processo cinético, e o controle da velocidade de formação e de outras condições, em certa extensão, permite conduzir a precipitação de maneira a separar a fase sólida desejada com as melhores características físicas possíveis. O tamanho da partícula do precipitado é influenciado por variáveis experimentais como: §Solubilidade do precipitado, §Temperatura, §Concentrações dos reagentes §Velocidade com que os reagentes são misturados (agitação). Vários tipos de precipitados, que se distinguem, principalmente, quanto ao tamanho das partículas, podem se obtidos na análise gravimétrica. O tamanho das partículas é uma característica muito importante, pois dele depende em grande parte, a qualidade do precipitado quanto a filtrabilidade. Os precipitados constituídos por partículas grandes são desejáveis nos procedimentos gravimétricos porque essas partículas são fáceis de filtrar e de lavar visando à remoção de impurezas, além de serem mais puros que aqueles formados por partículas pequenas. 14 06/10/19 8 15 TIPOS DE PRECIPITADOS Precipitados cristalinos – são os mais favoráveis para fins da análise gravimétrica. As partículas do precipitado são cristais individuais bem desenvolvidos. Elas são densas e sedimentam rapidamente, são facilmente recolhidos por filtração e, em geral, não se deixam contaminar. Finamente cristalinos (Precipitados pulverulentos) – constituem os agregados de finos cristais. São densos e sedimentam rapidamente. Às vezes, oferecem dificuldades à filtração, pois a presença de pequenos cristais obriga ao uso de filtros com poros pequenos e de filtração lenta. Precipitados grumosos – resultam da floculação de colóides hidrófobos. São bastante densos, pois eles arrastam pouca água. Precipitados gelatinosos – resultam da floculação de colóides hidrófilos. São volumosos, tem a consistência de flocos e arrastam quantidades consideráveis de água. Oferecem dificuldades à filtração e lavagem. Colóides são misturas heterogêneas de pelo menos duas fases diferentes, com a matéria de uma das fases na forma finamente dividida (fase dispersa), misturada com a fase contínua (dispersão). Pelo menos um dos componentes da tem dimensão no intervalo de 1 a 1000 nm. 15 PRECIPITAÇÃO DE UMA SOLUÇÃO HOMOGÊNEA Procedimentos gravimétricos clássicos Aconselha-se adicionar lentamente uma solução diluída do reagente precipitante, acompanhado de agitação. Manter um baixo grau de supersaturação durante a precipitação Obtenção de partículas maiores, mais perfeitas e mais puras No entanto, mesmo assim, cria-se uma zona de contato entre duas soluções relativamente concentradas. Surgimento de inúmeras partículas pequenas 16 06/10/19 9 PRECIPITAÇÃO DE UMA SOLUÇÃO HOMOGÊNEA Técnica de precipitação de uma solução homogênea O reagente precipitante não é adicionado à solução, esse é gerado através de uma reação química cineticamente lenta e homogênea na solução Formação de cristais maiores e mais puros •Esse tipo de precipitação pode ser aplicado para qualquer sistema no qual o reagente de interesse possa ser gerado lenta e uniformemente. As reações químicas úteis são aquelas que podem gerar o íon ou composto de interesse ou que produzam íons H+ ou OH- A fim de aumentar ou abaixar o pH da solução 17 PRECIPITAÇÃO DE UMA SOLUÇÃO HOMOGÊNEA EXEMPLOS 1 – Uso da hidrólise da uréia em solução quente produzindo amônia e dióxido de carbono, aumentando o pH do meio: Neste processo o CO2 é eliminado por aquecimento da solução até a ebulição e a geração lenta de amônia vai resultar num aumento gradual do pH da solução. A uréia é usada na precipitação de hidróxidos de certos metais Os precipitados assim formados apresentam propriedades maisconvenientes para uma análise gravimétrica que o precipitado obtido pela simples adição de amônia. 18 06/10/19 10 PRECIPITAÇÃO DE UMA SOLUÇÃO HOMOGÊNEA •A precipitação de uma solução homogênea é usada para: a) melhorar separações; b) formar partículas cristalinas grandes; c) produzir precipitados mais puros e fáceis de filtrar. 19 INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE PRECIPITAÇÃO O tamanho e o hábito (forma) dos cristais Precipitado Condições de formação do precipitado Envelhecimento ou recristalização O efeito das condições de precipitação sobre o tamanho das partículas Von Weimarn 20 06/10/19 11 INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE PRECIPITAÇÃO • Efeito das concentrações dos reagentes: Grau de dispersão = K(Q - S) S S = solubilidade do precipitado no estado de equilíbrio Q = concentração dos íons em solução no instante anterior da precipitação (Q – S) = grau de supersaturação K = constante Quanto > [reagentes] > Grau de dispersão < tamanho das partículas (Q - S) = Grau de supersaturação relativa S 21 INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE PRECIPITAÇÃO •Para se obter partículas maiores é necessário misturar soluções diluídas dos reagentes Análise gravimétrica recomenda-se uso de solução reagente diluída, adicionada lentamente e sob agitação Manter o baixo grau de supersaturação durante a precipitação Outra maneira de se manter baixo grau de supersaturação: condições de elevada solubilidade Precipitação em solução quente Resfriamento da solução: diminui a S e aumenta precipitação quantitativa do precipitado 22 06/10/19 12 MECANISMO DE PRECIPITAÇÃO Nucleação Espontânea Induzida Nucleação Espontânea Induzida 23 DIGESTÃO DE PRECIPITADOS Dissolução Reprecipitação sobre as partículas maiores Digestão: operação na qual o precipitado permanece em contato com a solução-mãe, durante um certo tempo, no qual podem ocorrer transformações Envelhecimento dos Precipitados Conjunto de transformações irreversíveis que ocorrem em um precipitado quando em contato com a sua água-mãe 1. Amadurecimento de Ostwald: Partículas menores são mais solúveis 24 06/10/19 13 CONTAMINAÇÃO DOS PRECIPITADOS O precipitado ao se formar pode arrastar da solução outros constituintes que são normalmente solúveis e que são removidos por simples lavagem do precipitado. As impurezas que acompanham o precipitado constituem a maior fonte de erros na análise gravimétrica e podem ser incorporadas ao precipitado por co-precipitação ou pela pós-precipitação. 1. Co-precipitação: Processo em que substâncias solúveis se incorporam aos precipitados durante sua formação. Pode ocorrer de duas maneiras: 1. Co-precipitação por adsorção superficial 2. Co-precipitação por oclusão Obs.: Contaminação de um precipitado por uma segunda substância cujo produto de solubilidade tenha excedido não se constitui em co-precipitação 25 Ex.: BaSO4 precipitado a partir da mistura de soluções de BaCl2 e Na2SO4, pode estar contaminado com Na2SO4, ainda que este sal seja bastante solúvel em água. 25 Contaminação através da Co-precipitação por adsorção superficial • Este tipo de co-precipitação tende a ser apreciável no caso de precipitados com grande área superficial, mas não é significativo em precipitados cristalinos. • Os precipitados grumosos e gelatinosos são os que apresentam maior contaminação por co-precipitação. • As partículas adsorvem, primeiramente um dos íons do precipitado e depois uma pequena quantidade de íons estranhos de carga oposta. Ex.: Na precipitação de íons Fe3+ com excesso de hidróxido de amônio em presença de íons Cu2+, Zn2+ ou Ni2+ as partículas de Fe(OH)3 adsorvem primeiro íons OH- e depois íons Cu2+, Zn2+ ou Ni2+. Para resolver este problema faz-se a precipitação em meio de excesso de sais de amônio. 26 06/10/19 14 A oclusão pode ser de íons na rede cristalina, ou de água nas fendas de imperfeição do cristal formado. A contaminação por co-precipitação pode ser minimizada: § Diminuindo a concentração dos interferentes, durante a precipitação. § Utilizando técnica de precipitação em meio homogêneo - agente precipitante é gerado na solução da amostra. § Precipitação a quente - produz precipitados mais puros e perfeitos. Contaminação através da Co-precipitação por Oclusão Cristal impuro e imperfeito 27 CONTAMINAÇÃO DOS PRECIPITADOS Pós-precipitação Ocorre durante a digestão, no processo de envelhecimento do precipitado Mg2+ Ca 2+ Mg2+ CaC2O4 CaC2O4 Mg2+ MgC2O4 tempo 28 06/10/19 15 CONTAMINAÇÃO DOS PRECIPITADOS Precipitação Simultânea Ocorre a precipitação simultânea de dois compostos insoúveis durante a reação de precipitação Mg2+ Ca 2+ Mg2+ CaC2O4 CaC2O4 Mg2+ MgC2O4 tempo 29 30 06/10/19 16 AGENTES PRECIPITANTES São mais comuns Reagem com um número limitado de espécies AgNO3 precipita em meio ácido cloreto, brometo, iodeto e tiocianato Reagentes Seletivos São raros Reagem apenas com uma única espécie química Reagentes Específicos 31 Um agente precipitante gravimétrico deve reagir especificamente, ou pelo menos seletivamente, com o analito de interesse. 31 AGENTES DE PRECIPITAÇÃO 32 06/10/19 17 AGENTES DE PRECIPITAÇÃO 33 SECAGEM E CALCINAÇÃO DOS PRECIPITADOS ¢ Aquecimento dos precipitados até massa constante ¢ Remove o solvente e qualquer espécie volátil arrastada com o precipitado (água adsorvida, água ocluída, água de hidratação) ¢ Decomposição do sólido e formação de uma substância de composição definida 34 06/10/19 18 SECAGEM E CALCINAÇÃO EFEITO DA TEMPERATURA NA MASSA PRECIPITADA 35 APLICAÇÕES ¢ Maioria dos cátions orgânicos e inorgânicos ¢ Espécies neutras, como água, CO2, SO2 e I2 ¢ Lactose em derivados de leite, salicilatos em preparações farmacêuticas, fenolftaleínas em laxantes, nicotina em pesticidas, colesterol em cereais, benzaldeído em extrato de amêndoas 36 06/10/19 19 GRAVIMETRIA POR VOLATIZAÇÃO ¢ Água: passa por um secante (aumento de massa) ¢ Água indireta: perda de massa do material (teor de umidade de cereais) – pode haver erros ¢ CO2 37 GRAVIMETRIA POR VOLATIZAÇÃO 38 06/10/19 20 ma Mm/m (%) 39 ´ 100Percentagem = CÁLCULO NA ANÁLISE GRAVIMÉTRICA A análise gravimétrica envolve duas medidas de massa, a pesagem da amostra tomada para análise e a pesagem de uma substância de composição química definida derivada do constituinte desejado, ou seja, do analito. A porcentagem em peso de um constituinte ou analito na amostra é dada por: Sendo: ma = massa do constituinte M = massa daamostra. 39 MM analito MM Subst. pesadaFator de conversão (F) = 40 FATOR GRAVIMÉTRICO Quando o constituinte não é pesado na forma química em que o resultado será expresso, é necessário utilizar o fator gravimétrico ou o fator de conversão para a forma química desejada. O fator gravimétrico é representado pela razão entre a massa atômica ou massa molecular da substância procurada (numerador) e a massa da substância pesada (denominador). Sendo: MM = massa molecular ou massa atômica 40 06/10/19 21 MM analito MM Subst. pesadaFator de conversão (F) = 41 FATOR GRAVIMÉTRICO Substancia investigada Substancia pesada Fator de conversão BaO BaSO4 MM BaO/ MM BaSO4 Fe Fe2O3 2·MM Fe/ MM Fe2O3 SO42- BaSO4 MM SO42-/ MM BaSO4 P Mg2P2O7 2·MM P/ MM Mg2P2O7 Sendo: MM = massa molecular ou massa atômica 41