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ANÁLISE QUÍMICA Unidade 4 Análise Gravimétrica Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA FERREIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria JOÃO PEDRO VIANA RODRIGUES 4 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 A U TO RI A João Pedro Viana Rodrigues Olá. Sou graduado em Biotecnologia, com habilitação em Bioquímica, mestre e doutor em Ciências Farmacêuticas, com experiência técnico-profissional na área de Nanotecnologia. Tenho experiência em Gestão da Qualidade, Gestão de Projetos e Metodologias Ágeis. Passei por instituições com a Fundação Oswaldo Cruz e a Federação das Indústrias do Estado do Ceará. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora TeleSapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 5ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 ÍC O N ES Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO Para o início do desenvolvimento de uma nova competência. DEFINIÇÃO Houver necessidade de apresentar um novo conceito. NOTA Quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento. IMPORTANTE As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você. EXPLICANDO MELHOR Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado. VOCÊ SABIA? Curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias. SAIBA MAIS Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento. ACESSE Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast. REFLITA Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido. RESUMINDO Quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens. ATIVIDADES Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada. TESTANDO Quando uma competência for concluída e questões forem explicadas. 6 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 SU M Á RI O Gravimetria física ..................................................................... 9 Fundamentos da análise gravimétrica ............................................................. 9 Gravimetria por precipitação ...........................................................................11 Método de volatilização ....................................................................................12 Eletrogravimetria ...............................................................................................12 Gravimetria de partículas ................................................................................12 Critérios para análise gravimétrica .................................................................15 Aplicações da gravimetria ...............................................................................16 Termogravimetria .................................................................. 22 Histórico da termogravimetria ........................................................................22 Conceito de termogravimetria .......................................................................24 Termobalanças ..................................................................................................25 Análise termogravimétrica ...............................................................................27 Termogravimetria dinâmica .............................................................................29 Termogravimetria isotérmica .........................................................................29 Gravimetria por precipitação ................................................. 34 Conceito de gravimetria por precipitação ..................................................... 34 Características de precipitados e reagentes precipitantes ....................... 35 Filtração de precipitados e tamanho de partículas .................................... 37 Eletrodeposição ....................................................................... 47 Conceituando a eletrodeposição ....................................................................47 Eletrodeposição sem controle de potencial ................................................. 48 Eletrodeposição de potencial controlado ..................................................... 53 7ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 A PR ES EN TA ÇÃ O Você sabia que a Gravimetria é um segmento de muita importância na análise química? Possibilita que diversas substâncias sejam determinadas de maneira quantitativa e tenham suas massas e seu peso definidos, por meio do emprego de técnicas robustas, precisas e exatas. A gravimetria, assim como a química analítica, é uma área que deve ser estudada e experimentalmente executada com cautela e maestria pelo analista químico, pois quaisquer erros que sejam cometidos são cumulativos e podem ter como consequências análises imprecisas e falsas. A gravimetria abrange a gravimetria pelo método de precipitação, a aplicação das análises térmicas na termogravimetria e o emprego da eletrogravimentria. Essas técnicas diferem em como a metodologia é procedida, e apresentam como objetivo comum a determinação dos compostos por meio da massa das amostras. Compreender e se aprofundar nesses conhecimentos são requisitos primordiais para um bom analista químico. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo! 8 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 O BJ ET IV O S Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4 – Análise gravimétrica. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Entender as características da análise por gravimetria física. 2. Compreender os aspectos gerais do método de análise por termogravimetria. 3. Discernir sobre as especificidades da análise gravimétrica por precipitação. 4. Aplicar o método químico empregado na gravimetria de eletrodeposição. 9ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Gravimetria física OBJETIVO Neste capítulo, vamos entender os fundamentos da análise gravimétrica e a importância da aplicação dos métodos gravimétricos, além de conhecer um pouco sobre as principais metodologias aplicadas na gravimetria, bem como as técnicas empregadas e suas aplicações. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Fundamentos da análise gravimétrica A análise gravimétrica utiliza métodos da química analítica quantitativa que englobam medidas da massa de determinadas substâncias as quais sua composição é conhecida, e estão envolvidas com uma amostra em análise, o analito. Esse analito está na forma de precipitado ou cristalino, que é de difícil filtração, por serem partículas pequenas. Com o auxílio dos métodos gravimétricos, é possível maximizar o tamanho das partículas desses sólidos e de fácil filtração, além de estarem livres de contaminantes. As medidas das massas dos compostos, na análise gravimétrica, devem ser feitas com o auxílio da balança analítica, por ser um instrumento que propicia dados exatos e precisos. A técnica de análise gravimétrica foi proposta pela primeira vez pelo químico norte-americano Theodore William Richards (1868-1928), para a determinação de cloro e íons de prata. Essa metodologia é classificada como um método analítico quantitativo por meio dod processos de precipitação, isolamento e pesagem da substância isolada. 10 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Figura 1 – Químico Theodore William Richards Fonte: Wikimedia Commons. A separação dos analitos pode ser realizada pelos seguintes métodos: • Precipitação – a amostra é completamente precipitada. • Volatilização – a amostra é completamente volatilizada. • Eletroanalítico – a amostra é depositada em um eletrodo.• Extração e cromatografia: – a amostra é separada da matriz após a precipitação. 11ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Gravimetria por precipitação Na análise gravimétrica por precipitação, determina-se o analito pela formação de um precipitado que ocorre quando a amostra que está dissolvida em um solvente adequado é exposta à adição de um excesso de agente precipitante, assim ocorre a precipitação. Esse precipitado obtido é o resíduo da reação, que passa por processos de filtragem, secagem e pesagem. O processo de precipitação ocorre envolvendo os seguintes mecanismos: • Período de indução – a adição do agente precipitante à solução da amostra é conhecida como período de tempo de indução. • Nucleação – nesta etapa, os núcleos dos átomos da solução formam grampos. Por exemplo, HCl é adicionado lentamente à solução de AgNO3, e o precipitado de AgCl é formado, no qual os íons Ag+ estão ligados ao íon Cl-. Os íons Ag+ adsorvidos primariamente são novamente agregados pelos íons nitrato e formam o núcleo AgCl. • Crescimento da partícula – o crescimento dos núcleos maiores, ou cristalitos, é aumentado pelo processo de digestão. Envolve o aquecimento do sólido e do licor- mãe por um período constante. Esse método também é conhecido como amadurecimento de Ostwald. Como exemplos de gravimetria por precipitação, temos a determinação de cálcio em água neutra e o emprego de dimetilglioxima na determinação de níquel. 12 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Método de volatilização Na análise gravimétrica porvolatilização, também denominada termogravimetria, a separação das amostras voláteis é realizada por meio de energia térmica ou química. Como exemplo do emprego desse método, temos a determinação do bicarbonato de sódio em comprimidos antiácidos, como descrito na reação a seguir: Eletrogravimetria A análise gravimétrica por eletrólise, também chamada de eletrodeposição, baseia-se na deposição de um filme sólido do analito sobre o eletrodo que está presente na célula eletroquímica. Como exemplo dessa metodologia, temos a deposição de íons de cobre sobre o cátodo de platina. Gravimetria de partículas Esse tipo de método gravimétrico é empregado para que seja feita a determinação das amostras por meio da filtração ou pela extração. Um exemplo de aplicação dessa metodologia é a determinação de sólidos suspensos totais em dada solução. 13ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Figura 2 – Filtração a vácuo de sólidos suspensos totais Fonte: Pixabay. Impurezas do método Existe a possibilidade de ocorrer a presença de impurezas na formação dos precipitados que são obtidos a partir do emprego dos métodos gravimétricos, são eles: a. Coprecipitação A coprecipitação ocorre juntamente com a formação do precipitado principal. Costuma acontecer quando um íon ou uma molécula indesejada fica aprisionada ao precipitado, e só ocorre sob condições especificas. A formação de coprecipitados pode ser evitada por meio dos processos de lavagem e filtração. Os principais processos que levam à formação de coprecipitados são: • Adsorção de superfície. • Formação de cristais mistos. • Oclusão. • Armadilha. 14 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 A ocorrência de coprecipitação de sais de baixa solubilidade ocorre quando há aumento da quantidade de precipitação. b. Supersaturação A precipitação que ocorre por meio da supersaturação se dá quando uma solução apresenta excesso de concentração de soluto, compondo um sistema de estado instável. Esse efeito pode ser minimizado por meio da adição de outro soluto ou pela agitação mecânica. c. Pós-precipitação A pós-precipitação pode ocorrer por meio da contaminação do licor-mãe, que torna o precipitado impuro. Pode ocorrer também em consequência da supersaturação do líquido sobrenadante. Como exemplo, na precipitação de cálcio como oxalato na presença de magnésio, o magnésio é coprecipitado juntamente com o oxalato de cálcio, nesse caso, o magnésio residual é pós-precipitado como oxalado de magnésio. A contaminação pela pós-precipitação tem maior impacto do que a contaminação ocasionada pelo coprecipitado. d. Adsorção de superfície A adsorção de superfície pode ocorrer por meio da presença de matérias indesejadas que são adsorvidas à superfície do precipitado principal. O processo de crescimento da partícula costuma diminuir a área de superfície. 15ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Critérios para análise gravimétrica 1° A amostra dever ser precipitada por completo: 2° A substância pesada deve apresentar composição conhecida. 3° O produto obtido deve ser puro e facilmente filtrado: Em síntese, tem-se que algumas vantagens e desvantagens podem ser destacadas a respeito da aplicação da análise gravimétrica. Dessa maneira, as vantagens consistem em: • Procedimento experimental simples. • Processo de custos de execução acessíveis. • Metodologia de caráter específico. • O tempo gasto na aplicação é mínimo em relação a outras metodologias. • Os resultados obtidos são exatos e precisos. Já as desvantagens da aplicação da análise gravimétrica são : • Procedimento passível de contaminação por meio de coprecipitação, adsorção de superfície, oclusão e pós- precipitado. 16 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 • A metodologia não se aplica no caso de determinações qualitativas. • Os métodos de análise gravimétrica apresentam, em alguns casos, menor seletividade. Figura 3 – Esquema geral da análise gravimétrica Fonte: Associação da Indústria Automóvel (2015). Aplicações da gravimetria Uma aplicação inicial que pode ser destacada para os processos de gravimetria é a análise de minérios. A análise de minérios de ferro por meio da gravimetria é realizada por meio da adição em excesso de carbonato de sódio, CaCO3, e, em seguida, o resíduo obtido é dissolvido em uma solução diluída de ácido clorídrico, HCl. Essa solução é então evaporada até que seja seca, pelo período de 1 hora, na temperatura de 110°C. As substâncias solúveis são removidas por meio da adição de uma solução de água e ácido clorídrico 17ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 na razão de 10:1. Esse sistema é filtrado com o papel de filtro, o resíduo é lavado com solução quente de ácido clorídrico na concentração de 2% v/v e, posteriormente, é lavado com água quente. O filtrado passa por um processo de evaporação, e ao composto obtido na filtração, adiciona-se uma solução composta de ácido sulfúrico, H2SO4, em 50% v/v e 10 mL de fluoreto de hidrogênio, FH. Posteriormente, são realizados os processos de evaporação e filtração até que o peso obtido na balança analítica seja constante. Esse peso obtido é o valor que representa a quantidade da amostra que foi determinada. Figura 4 – Minério de ferro Fonte: Pixabay. Outra aplicação importante para a sociedade diz respeito à análise de materiais industriais. 18 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 A análise gravimétrica, nesse caso, é aplicada na determinação da espessura de tintas. Essa metodologia envolve a pesagem da peça inteira antes e após a pintura, e, em seguida, a espessura da tinta é calculada pela equação: Em que: m → peso, em mg, do material de revestimento. d → densidade. A → área pintada. Ainda, é possível empregar a gravimetria em instrumentos de calibração. As análises gravimétricas são aplicadas na calibração de alguns instrumentos, como a calibração de balanças analíticas. Figura 5 – Balança analítica Fonte: Wikimedia Commons. 19ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Na análise elementar de compostos inorgânicos, as análises gravimétricas são empregadas na determinação de compostos inorgânicos como níquel, cromo, alumínio, entre outros compostos. No caso do níquel, é precipitado como dimetilglioxima de níquel pela adição de solução alcoólica de glioxima e amônia aquosa. Em seguida, o precipitado é filtrado, e o resíduo é seco até peso constante. Figura 6 – Dissolução de níquel Fonte: Wikimedia Commons.É possível visualizar, ainda, a aplicação desse processo na medição de elementos essenciais nos alimentos vegetais. A gravimetria de volatilização é bastante utilizada na determinação de elementos essenciais em alimentos, como o teor de umidade, lipídios, proteínas e cinzas em alimentos. Para isso, emprega-se o método gravimétrico após a extração dos compostos. 20 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Figura 7 – Alimentos Fonte: Pixabay. • Estimativa de dióxido de enxofre SO2 em refrigerantes A amostra é inicialmente titulada com a solução-padrão de hidróxido de sódio, NaOH, usando vermelho de metila como indicador, e o ponto final é a formação da cor amarela. Em seguida, é adicionado 10% de solução de cloreto de bário, BaCl2, até que se forme um precipitado de cor branca, esse precipitado é filtrado para seja coletado o resíduo. Esse resíduo é seco a 110 °C até se obter um peso constante. • Estimativa do íon cloreto no abastecimento de água 21ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Figura 8 – Estação de tratamento de água Fonte: Wikimedia Commons. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a gravimetria é um método da química analítica quantitativa que envolve as metodologias de gravimetria por precipitação, em que o precipitado formado constitui o analito, a gravimetria pelo método de volatilização, no qual a separação dos compostos é realizada por meio da presença de compostos voláteis, a análise gravimétrica por eletrólise, baseada na formação da deposição dos metais constituintes, e a gravimetria de partículas, realizada a partir da filtração dos compostos obtidos. Vimos também os fatores que agregam impurezas a essas metodologias, como a coprecipitação, a supersaturação, a pós- precipitação e a adsorção de superfície, bem como os critérios empregados na gravimetria, como o processo de precipitação que deve ocorrer de maneira completa, o produto deve ter alto grau de pureza e sua massa deve ser determinada por uma balança analítica, e as vantagens e às desvantagens desse tipo de aplicação. 22 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Termogravimetria OBJETIVO Neste capítulo, vamos entender o histórico da termogravimetria e como ela deve ser aplicada. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Histórico da termogravimetria Com o objetivo de se alcançar o conhecimento de maneira detalhada sobre as mudanças que envolvem o que o aquecimento pode inferir como consequências sobre a massa das substâncias, e assim se estabelecer uma faixa de temperatura na qual o composto inicia o seu processo de decomposição e prosseguir para os eventos de desidratação, oxidação, fusão e demais eventos térmicos, foram iniciados os estudos por muitos pesquisadores no século XX, que se empenharam na construção detalhada de um esquema que definisse ponto a ponto a ocorrência desses eventos. IMPORTANTE A técnica da termogravimetria foi utilizada pela primeira vez em 1907, por Tuchot, na construção de uma curva de decomposição térmica de pitiras, pedra composta por pirite de ferro. Em 1912, os pesquisadores Georges Urbain e Charles Boulanger desenvolveram uma balança qlcomposta por compensação eletromagnética, para analisar o processo de eflorescência de sais hidratados. A primeira termobalança foi o instrumento analítico idealizado, construído e descrito pelo pesquisador japonês Kotara Honda, em 1915. Com esse instrumento foi possível analisar as curvas de decomposição térmica de substâncias como sulfato de manganês, MnSO4.4H2O, e anidrido crômico, CrO3. 23ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 O trabalho desenvolvido por Honda foi imprescindível para que futuramente a técnica da termogravimetria fosse possível de existir, realizando uma pesagem contínua da amostra analisada, ao passo que esta fosse aquecida. Com o passar dos anos, essa técnica foi sendo aprimorada. Em 1926, o pesquisador Guichard introduziu o uso de fornos aquecidos eletricamente, e, na tentativa de conseguir obter curvas termogravimétricas em uma condição de atmosfera que fosse composta por gases. Rigolet, em 1934, começou a disseminar a concepção de que a posição do forno fosse invertida e estivesse localizado na parte superior, e, as porta-amostras, na porção inferior. Dessa maneira, seria possível que os inconvenientes provocados pelas correntes de convecção fossem minimizados. VOCÊ SABIA? O pesquisador Vallet, em 1935, começou sua análise detalhada e sistemática acerca de fatores como a razão de aquecimento, a forma e a natureza do cadinho utilizado como porta-amostras, a velocidade de liberação e a natureza da composição das substâncias gasosas liberadas nas reações de decomposição. Ele obteve resultados promissores quanto ao emprego de amostras de sulfato de cobre, tendo um resultado linear nas temperaturas entre 20 a 600°C, com uma razão de 8,33°C por hora. Dessa maneira, foram necessários três dias até que o forno atingisse a temperatura de 600°C. Por fim, em 1964, H. G. Wiedemann relatou o sistema termoanalisador Mettler, que tinha a capacidade de registrar de maneira simultânea as curvas obtidas nas análises de termogravimetria, análise termogravimétrica diferencial e análise térmica diferencial, tendo o tempo versus a temperatura em condições atmosféricas estáticas ou dinâmicas e também com a possibilidade de estarem sob vácuo. 24 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Conceito de termogravimetria A termogravimetria é um tipo de análise térmica; esta, por sua vez, é um ramo da química analítica que estuda os materiais e as suas propriedades, bem como suas variações em relação à mudança de temperatura. Os métodos termométricos são ferramentas analíticas distintas, vários métodos comumente usados são diferenciados uns dos outros pela propriedade que é medida conforme listado a seguir. Os dados obtidos são expressos em formas de curvas e são registradas de maneira contínua, sendo considerados dados térmicos. Métodos termogravimétricos mais comuns e as suas proprieadades de medidas: • Análise termogravimétrica (TGA) – avalia a mudança de peso/massa. • Análise termogravimétrica diferencial (DTG) – avalia a taxa de mudança de massa. • Análise térmica diferencial (DTA) – avalia a diferença de calor absorvido ou liberado. • Titulações termométricas – avaliam a mudança de temperatura. • Análise térmica dielétrica (DETA) – avalia a permissividade dielétrica e o fator de perda. • Calorimetria diferencial de varredura (DSC) – avalia a diferença de calor. • Dilatometria (DIL) – avalia a mudança de volume. • Análise mecânica dinâmica (DMA) – avalia a rigidez mecânica e o amortecimento. 25ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 • Análise de gás evoluída (EGA) – avalia os produtos de decomposição gasosa. • Análise instantânea de laser (LFA) – avalia a difusividade térmica e a condutividade térmica. • Análise termomecânica (TMA) – avalia a mudança de dimensão. • Análise termo-ótica (TOA) – avalia as propriedades óticas. • Derivatografia – método complexo em análises térmicas. Termobalanças Os instrumentos que permitem que seja realizada a pesagem de uma amostra de maneira contínua enquanto há uma variação de temperatura, seja o aquecimento e/ou o resfriamento, são as termobalanças. Uma termobalança é composta por: • Balança registradora As balanças empregadas nessesistema geralmente são balanças elétricas da Cahn Instruments Co, por serem balanças que medem com exatidão, que se baseiam no princípio de balança nulo, além de possibilitar reprodução e apresentar um custo acessível. Essas balanças realizam a pesagem de maneira contínua e em equilíbrio, de forma que qualquer evento que ocorra e altere o peso da amostra seja detectado e registrado por meio de um arranjo compostopor um feixe luminoso fotoválvula, e então o equilíbrio do sistema é reestabelecido por meio da força exercida por um motor de torque magnético. Há também sistemas que utilizam balanças do tipo de deflexão de espirais 26 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 ou de feixes. Nesses tipos, a variação de peso das amostras é detectada por meio de um transformador diferencial de tensão linear ou outros tipos de transdutores. • Forno Em geral, os fornos operam em temperaturas que variam de 100 a 1.200°C, e existem ainda fornos que atinjam temperaturas de 1.600°C ou até 2.400°C. • Porta-amostras As porta-amostras são selecionadas de acordo com o tipo de amostra analisada e a temperatura máxima que será aquecido o sistema. Os materiasis mais utilizados são alumínio, grafite, níquel, platina, quartzo, tungstênio, entre outros. • Sensor de temperatura. • Programador da temperatura do forno. • Sistema registrador – computador com software. • Sistema de controle da atmosfera do forno. • Par termoelétrico ou um termômetro de resistência – determina a temperatura do forno e/ou da amostra. De maneira geral, as curvas de variação de massa, que apresentam perda ou ganho de massa que ocorre em função da temperatura, possibilitam que o analista conclua sobre as condições de estabilidade térmica da amostra, bem como a sua composição, o comportamento dos compostos intermediários, e a composição e as características do resíduo final. 27ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Análise termogravimétrica A análise termogravimétrica (TGA) é um método de análise térmica em que as mudanças nas propriedades físicas e químicas dos materiais são medidas em função de duas variações entre a temperatura e o tempo, sendo a primeira variação em função da temperatura, tendo o aumento da temperatura e com a taxa de aquecimento constante, e a segunda variação possível em função do tempo, na variação de tempo, a temperatura é mantida constante, e assim avalia-se os ganhos e/ou as perdas de massa. VOCÊ SABIA? A termogramivetria pode fornecer informações sobre fenômenos físicos, como transições de fase de segunda ordem, incluindo vaporização, sublimação, absorção, adsorção e dessorção. Também pode fornecer informações sobre fenômenos químicos, incluindo quimissorções, dessolvatação, que é o processo de desidratação, decomposição e reações sólido-gás, como oxidação ou redução. De maneira geral, a TGA é uma técnica de natureza termoanalítica que compreende a variação de massa de um analito em relação à variação de temperatura programada em dado espaço de tempo. 28 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Figura 9 – Aparelho de termogravimetria Fonte: Wikimedia Commons. Essa técnica tem como objeto de estudo investigar as curvas obtidas em relação às mudanças de peso da amostra, sejam elas ocasionadas por perdas ou ganhos de massa. Esse método envolve a mudança no peso do sistema sob exame à medida que a temperatura aumenta a uma taxa predeterminada, preferencialmente a uma taxa linear. O balanço térmico de registro automático fornece o registro manual de dados, bem como a curva de mudança de peso da amostra em relação à temperatura desta. A técnica de termogravimetria tem sido largamente utilizada nos últimos anos, devido à fácil disponibilidade de termobalanças sofisticadas, automáticas e com registro contínuo. É considerada uma técnica confiável, robusta e muito precisa. A termogravimetria pode ocorrer em dois tipos, a dinâmica e a isotérmica. 29ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Termogravimetria dinâmica Nesse tipo de análise, a amostra sofre aumento contínuo de temperatura, geralmente, linear com o tempo. Termogravimetria isotérmica Nesse tipo de análise, a amostra é mantida a uma temperatura constante por determinado período de tempo, durante o qual são observadas as variações de peso. Aplicações da termogravimetria A TGA é bastante empregada na determinação de características específicas dos materiais, que variam de massa por meio da perda ou do ganho de peso devido a eventos de decomposição, oxidação e perdas de voláteis, como a perda de umidade. As aplicações mais comuns dessa técnica são: a. Caracterização de materiais por meio da análise de padrões característicos de decomposição. b. Estudos de mecanismos de degradação e cinética de reação. c. Determinação do conteúdo orgânico de uma amostra. d. Determinação do conteúdo inorgânico em uma amostra como cinzas, que pode ser útil para corroborar estruturas materiais previstas ou simplesmente como análise química. É uma técnica especialmente útil para o estudo de materiais poliméricos, incluindo termoplásticos, termofixos, elastômeros, compósitos, filmes plásticos, fibras, revestimentos e tintas. 30 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 e. Determinação da composição de misturas complexas: e.1) Determina a pureza e a estabilidade térmica dos reagentes analíticos, incluindo cadeias primárias. e.2) Determina a correção do erro na análise gravimétrica. e.3) Nova composição de pesagem em análise gravimétrica e determinação de suas faixas de estabilidade térmica. e.4) Pesagem de substâncias instáveis à temperatura ambiente, como as que absorvem dióxido de carbono (CO2) e água (H2O) do ar. e.5) O estudo das propriedades dos materiais em relação aos métodos úteis para sua preparação. e.6) Para avaliação de várias técnicas de filtração, como ignição de papel de enchimento, e assim por diante. e.7) Descoberta de novos métodos de separação. e.8) Estudar o comportamento de sublimação de várias substâncias. Fatores instrumentais que afetam as curvas termogravimétricas • Razão de aquecimento do forno Em termos gerais, quando há a diminuição da razão de aquecimento do forno, como consequência, ocorre a redução da temperatura aparente das reações de decomposição. Dessa maneira, será possível visualizar nas curvas termogravimétricas, a redução acentuada nos eventos de decomposição aparente e no ponto em que a reação é finalizada. Em contrapartida, essas consequências são de menor impacto no caso de reações que ocorrem rapidamente ou das que são classificadas como 31ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 irreversíveis. Pode-se inferir também que a razão de aquecimento interfere, de modo que os compostos intermediários são de fácil detecção. • Atmosfera do forno Ao registrar uma curva termogravimétrica, uma amostra pode liberar compostos gasosos ou até mesmo reagir com algum dos componentes da atmosfera na qual o sistema interior do forno está envolvido. Para o caso no qual há liberação de substâncias gasosas, ocorre uma dissociação da amostra até que sua pressão de dissociação seja igual à pressão parcial do gás que está circundando. Caso a pressão do gás aumente, a velocidade da reação reduzirá. Dessa maneira, a curva termogravimétrica é diretamente influenciada pela natureza dos produtos da decomposição e o tipo de atmosfera que é empregado, pois estes são fatores que influenciam na atmosfera do forno. • Geometria do suporte das amostras e do forno. Características da amostra que afetam as curvas termogravimétricas. • Massa da amostra Quanto maior for a massa da amostra utilizada, maior tende a ser a temperatura inicial necessária para que se inicie o evento de decomposição térmica, assim como maior será a temperatura final, com exceção dos casos em que ocorrer decomposição exotérmica. • Tamanho de partículas Sabe-se que o tamanho da partícula tende a provocar alterações significativas nas curvas termogravimétricas, porém a influência desse fator não foi completamente elucidada. Assim, em termos gerais, a redução do tamanho da partícula tende a 32 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 apresentar com consequência a redução das temperaturas de inicio e fim das reações de decomposição. • Solubilidade dos gases liberados na própria amostra No caso da solubilidade de gases em sólidos, pode haver limitações para a aplicação do método termogravimétrico,visto ser um interferente que não apresenta possibilidade de eliminação ou de medição. • Calor da reação O calor que envolve as reações que acontecem com a amostra influenciam em alguns aspectos das curvas termogravimétricas, visto que a igualdade preconizada entre a temperatura do forno e a da amostra é alterada. Em alguns casos, tal alteração pode apresentar como consequência que a temperatura seja maior nas reações exotérmicas, e uma temperatura seja menor em reações endotérmicas. • Compactação da amostra. • Natureza da amostra. • Condutividade térmica da amostra A condutividade térmica das amostras é um fator que influencia na curva termogravimétrica, sendo de difícil explanação, por ser dependente do tamanho de partícula que, por sua vez, depende da compactação a que foi submetida, e depende dos processos de fusão, conversão em substâncias distintas, sinterização e estufamento, que podem ocorrer com a amostra. 33ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a termogravimetria teve sua gênesis por meio da necessidade de se determinar os eventos que ocorriam com a massa de uma substância em relação àexposição da temperatura e a uma razão de tempo. Que o desenvolvimento da pesquisa em busca do aprimoramento de uma termobalança foi fator imprescindível para que os aparelhos modernos que possibilitam a realização das análises gravimétricas nos dias atuais fossem facilitados. Vimos a composição da termobalança que, além de apresentar um forno, sua localização é importante e pode influenciar na análise a ser realizada. A termogravimentria pode ocorrer de duas maneiras, sendo isotérmica quando a temperatura é constante e o tempo é variável, ou pode ocorrer de maneira dinâmica, sendo a temperatura variável em relação à razão tempo constante. 34 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Gravimetria por precipitação OBJETIVO Neste capítulo, vamos entender o princípio da análise gravimétrica por precipitação, bem como o caráter do precipitado e a aplicação dessa metodologia, bem como as características ideais dos reagentes precipitantes e do precipitado formado. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Conceito de gravimetria por precipitação A gravimetria por precipitação consiste na conversão do analito em um precipitado de caráter pouco solúvel, que, após usa formação, passa pelos processos de filtração, lavagem e retirada de impurezas que possam estar presentes. O produto obtido apresenta composição conhecida, e, após tratamento térmico apropriado, é pesado na balança analítica. EXEMPLO A Association of Analytical Chemists indica como metodologia de precipitação para determinação da presença de cálcio em amostras de água que se adicione em excesso o ácido oxálico, H2C2O4, em uma solução aquosa que contenha o analito. Em seguida, adiciona-se amônia, NH3, que, ao reagir com o ácido oxálico, ocorrerá um processo de neutralização, e assim ocasionará a precipitação de maneira íntegra do cálcio que estiver presente na amostra, formando o oxalato de cálcio, CaC2O4. Observe a reação a seguir: 35ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 O precipitado de oxalato de cálcio obtido é filtrado, por meio da utilização de um cadinho de filtração, seco e calcinado, processo que realiza a conversão por completo do oxalato de cálcio precipitado em óxido de cálcio, da seguinte maneira: Em seguida, aguarda-se o resfriamento da amostra e realiza-se a pesagem, para se obter a massa de óxido de cálcio. Características de precipitados e reagentes precipitantes Em termos ideais, um agente precipitante gravimétrico deve reagir de maneira específica ou seletiva com o analito. Os reagentes de caráter especifico, que reagem apenas com uma espécie química, são raros, mas os mais comuns são os reagentes seletivos, estes reagem com uma quantidade de espécies químicas limitada. Um reagente precipitante, para que seja considerado ideal e, ao interagir com o analito, promova a formação do produto, além de reagir de maneira específica ou seletiva, deve apresentar as seguintes características: 1. Ser facilmente filtrado e lavado, para que contaminantes possam ser removidos. 2. Apresentar solubilidade baixa, pois assim não ocorrerão perdas significativas do analito nos procedimentos de filtragem e lavagem. 3. Não deve ser reativo com os compostos que estão presentes na atmosfera. 4. Sua composição química deve ser conhecida, mesmo após os procedimentos de secagem e de calcinação. 36 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Figura 10 – Filtração por funil de Büchner Fonte: Wikimedia Commons. Poucos reagentes usados como agentes precipitantes apresentam todas essas características desejáveis, pois sobretudo a solubilidade pode ser influenciada por solubilidade de compostos hidróxidos metálicos, efeitos do pH, efeitos do soluto não dissociado que influem na precipitação e na solubilidade de precipitados quando estão na presença de agentes complexantes. Um exemplo de reagente específico é a dimetilglioxima, que precipita em soluções alcalinas apenas o íon Ni2+, e um exemplo de reagente de caráter seletivo é o nitrato de prata, AgNO3-, que precipita em meios ácidos os íons Cl-, Br-, I- e SCN-. 37ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Filtração de precipitados e tamanho de partículas De modo geral, os precipitados formados apresentam partículas de tamanho grande, uma característica desejável para a realização de uma metodologia gravimétrica, visto que são partículas de fácil filtração e lavagem, para que as impurezas sejam retiradas. Outra vantagem desse tamanho de partícula é que esses precipitados costumam ser mais puros em relação aos que apresentam partículas menores. Fatores que definem o tamanho de partículas de precipitados O tamanho de partículas de uma substância sólida formada por meio da precipitação ocorre de maneira variada, podendo ser: a. Suspensões coloidais, em que um coloide apresenta diâmetros inferiores a 10-4cm como tamanho de suas partículas sólidas. Por serem tão pequenas, não podem ser vistas a olho nu. São partículas que não têm a tendência de decantar com o emprego de soluções e são de difícil filtração, necessitando que o meio filtrante apresente um poro menor do que as partículas e, por esse motivo, o processo apresenta um período longo para ocorrer. Se uma suspensão coloidal for visualizada sob fonte de luz difusa, pode aparentar não ter nenhum sólido e ser bastante límpida, e a detecção das partículas pode ser feita por meio do direcionamento desse feixe de luz de maneia direta na solução. Assim, ocorre um fenômeno denominado efeito Tyndall, no qual o caminho do feixe de luz que atravessa a solução pode ser visto a olho nu, pois as partículas de coloide que estão ali presentes espalham a radiação visível. 38 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Figura 11 – Suspensão coloidal Fonte: Wikimedia Commons. b. Suspensões cristalinas, que apresentam partículas que têm como dimensões iguais ou superiores a ordem de décimos de milímetros. As partículas desse tipo de suspensão tendem a decantar de maneira espontânea e são de fácil filtração. O estudo da formação de precipitados é realizado há muitos anos, entretanto, o mecanismo no qual ocorre ainda não é totalmente elucidado. Sabe-se que o tamanho da partícula formada no processo de precipitação é um fator que sofre influência das variáveis que envolvem o experimento, como a temperatura, as concentrações dos reagentes usados, a velocidade em que eles são misturados e a solubilidade do precipitado. A consequência 39ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 dessas variáveis pode ser determinada qualitativamente por meio da equação da supersaturação relativa: Em que: Q → concentraçãodo soluto em qualquer instante. S → solubilidade no equilíbrio. De maneira geral, as reações de precipitação ocorrem lentamente, e até nos casos em que ao reagente precipitante é acrescentada gota a gota em uma solução que tenha o analito, há tendência de ocorrer a supersaturação. Experimentalmente, de acordo com o tamanho da partícula formada em um processo de precipitação, varia inversamente a supersaturação relativa média, no período no qual o reagente precipitante é adicionado. Dessa maneira, quando o valor obtido no cálculo da supersaturação relativa é grande, o precipitado tende a apresentar caráter coloidal, e, no momento em que o valor obtido na supersaturação é pequeno, o precipitado formado tende a ser um sólido cristalino. É necessário lembrar que uma solução saturada é conceituada como uma solução de caráter instável que apresenta concentração de soluto elevada, em relação à solução saturada, e, com o passar do tempo ou por algum estímulo externo, a solução passa de supersaturada a saturada, e forma o precipitado com o excesso de soluto. 40 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Formação de precipitado A supersaturação relativa provoca um efeito no tamanho da partícula que pode ser elucidado por meio da análise da formação dos precipitados, que podem ocorrer por dois processos, nucleação e crescimento da partícula. Dessa maneira, o tamanho da partícula de precipitado formada será distinguida a partir do mecanismo de formação que for predominante. A formação do precipitado pelo processo de nucleação ocorre pela união de íons, átomos ou moléculas, abrangendo o mínimo em número dessas espécies químicas. Por vezes, esses núcleos tendem a se formar na superfície de sólidos contaminantes que estão presentes na suspensão; tais contaminantes podem ser de qualquer natureza, inclusive a poeira. Após esse processo, pode ocorrer a nucleação adicional ou o crescimento dos núcleos que foram formados, o crescimento da partícula. Esse segundo processo ocorre de maneira competitiva e, a depender da predominância de um desses processos, temos o tamanho de partícula resultante. Se a nucleação adicional for a predominante, então se trata da formação de partículas pequenas, caso seja o crescimento de partículas, teremos a formação de partículas grandes. IMPORTANTE Supõe-se que a velocidade que o processo de nucleação ocorre tende a aumentar de maneira considerável, de acordo com a elevação do grau de supersaturação relativa. Em contraponto, a velocidade no processo de crescimento de partícula é otimizada apenas quando o grau de supersaturação relativa é elevado. 41ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Dessa maneira, quando ocorre a formação de precipitado por meio de uma supersaturação relativa elevada, o processo de nucleação compõe de maneira predominante, e há a formação de numerosas partículas pequenas, mas, quando a formação de precipitado se dá com a supersaturação relativa baixa, a velocidade de crescimento das partículas prevalece, e ocorre então a deposição de sólidos nas partículas já existentes, o que resulta em suspensão cristalina. Controle do tamanho das partículas O controle do tamanho das partículas ocorre de maneira experimental. As variáveis envolvidas que tendem a minimizar a supersaturação, como o emprego de elevadas temperaturas que provocam o aumento da solubilidade do precipitado, a formação de soluções diluídas, que tende a minimizar a expressão da concentração do soluto, e a adição do reagente precipitante, que pode ser feita de maneira lenta e sob agitação adequada. Estas estão envolvidas no processo de formação de precipitados cristalinos. A formação de partículas maiores pode se dar também por meio do controle de pH, visto que a solubilidade é dependente do pH. Como exemplo, a formação de cristais grandes que são facilmente filtráveis, como as partículas de oxalato de cálcio, que são obtidas na precipitação em soluções de caráter ácido e a adição de solução aquosa de amônia. Essa precipitação é continuada por meio do acréscimo lento da solução aquosa de amônia até o momento em que a acidez atinja valor menor e ocorra a remoção do oxalato de cálcio por completo. Esse precipitado ocorre por meio da deposição de partículas solidas formadas na primeira etapa. Lamentavelmente, a maioria dos precipitados não são formados como cristais em condições laboratoriais normais. 42 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Precipitados coloidais A formação de partículas coloidais de maneira isolada é muito pequena, de modo que não são retidas no processo de filtração comumente empregado. Essas partículas podem ser aglomeradas ou coaguladas, de forma que as partículas individuais desses coloides gerem massa amorfa, que possibilita o processo de decantação. 1. Coagulação de coloides A coagulação pode ser atingida por meio dos processos de aquecimento, agitação ou adição de algum eletrólito à solução. Para que esse procedimento seja realizado, é necessário saber que as suspensões coloidais são estáveis, em consequência de que todas as partículas que compõem um coloide são carregadas com carga positiva ou negativa, e essas cargas, por sua vez, são decorrentes dos íons do tipo cátions ou ânions, que se ligam à superfície das partículas. Além disso, não tendem a passar pelo processo de coagulação de maneira espontânea. Figura 12 – Coloide coagulado Fonte: Skoog et al. (2014). 43ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Assim, a representação de partículas coloidais é feita por meio da observação das cargas elétricas que envolvem e a sua migração quando o sistema é submetido a um campo elétrico. Essa retenção de íons na superfície ocorre por meio da adsorção, processo no qual uma dada substância, seja ela gás, líquida ou sólida, fica retida na superfície de um sólido. Essa adsorção de íons que ocorre envolvendo um sólido iônico apresenta como responsável pelo crescimento dos cristais as forças normais de ligação. Dessa maneira, a coagulação de uma suspensão coloidal pode ser atingida por meio do aquecimento em um período curto, atrelada ao processo de agitação, assim as partículas adquirem energia cinética considerável para suportar altas temperaturas e superar a barreira que se dá pela formação da dupla camada. Figura 13 – Partícula coloidal em suspensão de cloreto de prata presente em uma solução de nitrato de prata Fonte: Skoog et al. (2014). 44 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 2. Peptização de coloides O processo que ocorre quando um coloide que está coagulado retorna à sua forma dispersa é chamada de peptização. Quando um coloide é submetido ao processo de lavagem, uma porção do eletrólito que foi responsável por favorecer a sua coagulação é eliminada, e a porção líquida interna fica em contato direto com as partículas sólidas do sistema, assim a subtração desse eletrólito provoca o efeito de aumento da camada contra-íon, e as foças de repulsão atuantes são as principais responsáveis pela promoção da peptização. Nesse processo, as partículas se desprendem uma das outras, a começar da porção coagulada, nesse processo, as lavagens começam a apresentar aspecto turvo. IMPORTANTE O analista químico que deseja trabalhar com coloides na forma coagulada precisa realizar a eliminação de contaminações por meio da lavagem, que pode ser realizada por meio do emprego de uma solução que apresente eletrólitos que sejam voláteis, e, após a lavagem do precipitado, será volatilizado no processo de secagem ou calcinação. Um exemplo é a lavagem com solução de ácido nítrico diluída de precipitado de cloreto de prata, como o precipitado é contaminado pelo ácido, não são geradas consequências, pois esse ácido é volatilizado no processo de secagem. 45ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 3. Tratamento experimental de precipitados coloidais Visto que a precipitação de coloides é realizada a partir de soluções que contêm eletrólitos que garantam a coagulação sob aquecimento e agitação,o processo de filtração tende a melhorar as características deste, quando é deixado em repouso por um período ou em contato com a solução na qual foi formado. Nesse sentido, há a ocorrência das ligações, ainda que fracas, entre as moléculas de água e o precipitado, que, nesse momento, aparentam estar desconectadas, esse processo é denominado digestão, e tem como consequência uma massa mais espessa e facilmente filtrável. 4. Precipitados cristalinos Os precipitados cristalinos são comumente de fácil filtração e purificação, em comparação com os coloides na forma coagulada. O tamanho de partícula que os precipitados cristalinos apresentam é individual, e, dessa maneira, o processo de filtragem é passível de ser realizado de maneira controlada. 46 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a gravimetria por precipitação é constituída pela interação entre uma amostra que contém o analito e o reagente precipitante, que provocarão a precipitação desse analito, e assim ele poderá ser determinado. O reagente precipitante desse ser seletivo ou específico e o precipitado formado devem apresentar como características ideais ser facilmente filtrado e lavado, apresentar solubilidade baixa, não deve ser reativo com os compostos que estão presentes na atmosfera e composição química deve ser conhecida até mesmo após os procedimentos de secagem e de calcinação. Que alguns fatores são determinantes para que o precipitado apresente o aspecto de uma suspensão coloidal ou de uma suspensão cristalina, como as dimensões das partículas presentes, que a relação que entre a concentração do soluto e a solubilidade no equilíbrio resultam na supersaturação relativa. 47ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Eletrodeposição OBJETIVO Neste capítulo, vamos entender o conceito de eletrodeposição e como ela funciona. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Conceituando a eletrodeposição A eletrodeposição é também conhecida como eletrogravimétria, e ocorre por meio da deposição eletrolítica, que caracteriza um tipo de determinação gravimétrica para os metais. De maneira geral, o metal é depositado na porção que é o cátodo, normalmente o de platina, que tem sua massa previamente estabelecida por meio da pesagem em balança analítica. Existem alguns métodos de eletrodeposição que utilizam a deposição anódica, um exemplo dessa aplicação é a determinação de chumbo na forma de dióxido de chumbo em platina ou em cloreto, como cloreto de prata em prata. São dois tipos de métodos que são empregados na eletrodeposição, a eletrodeposição de potencial controlado e a eletrodeposição sem controle de potencial. 48 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Eletrodeposição sem controle de potencial Na eletrogravimetria sem controle de potencial, na porção do cátodo, os processos eletrolíticos ocorrem sem empenho de trabalho, para que haja controle no potencial do eletrodo em que ocorre o esforço. Nesse sistema, o equipamento utilizado é bastante simples e barato, e não necessita que o operador esteja atento ao seu funcionamento em tempo integral. Nessa metodologia, aplica-se na célula um potencial que é preservado constante, por toda a eletrólise. Equipamento O equipamento usado na eletrodeposição sem o controle de potencial, na porção do cátodo, esta é composta por uma célula apropriada junto à uma bateria que tem corrente contínua entre 6 a 12 volts, esta voltagem plicada na célula é moderada pelo resistor variável, representado por R, há também um medidor de corrente e um voltímetro que demonstram a corrente aproximada e a tensão que é aplicada ao sistema. No caso da eletrólise analítica, o sistema tem a tensão ajustada pelo potenciômetro que viabilizará corrente em diversos décimos de ampère, dessa maneira, a voltagem é sustentada perto do nível inicial até o momento em que a eletrodeposição seja finalizada. 49ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Figura 14 – Equipamento de eletrodeposição de metais sem o controle de potencial Fonte: Borges (2014). Células de eletrólise Uma célula de eletrólise é composta por um eletrodo de trabalho que está contido em uma área consideravelmente grande, com uma rede de formato cilíndrico, composta de platina de proporções de 6 cm de comprimento e entre 2 a 3 cm de diâmetro. Os cátodos que compõem o sistema são os responsáveis por formarem uma rede de platina ou de outras ligas metálicas, normalmente, o ânodo apresenta um formado de barra sólida de agitação de platina, que é localizado dentro do cátodo, e a conexão entre eles é realizada por meio do circuito externo. 50 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Propriedades físicas de precipitados eletrolíticos Em termos ideais, os metais que se depositam por meio do método eletroanalítico precisam ter a característica de ser um aderente robusto, de aspecto uniforme e espesso, garantindo que possam passar pelos processos de lavagem, secagem e pesagem, sem que ocorra a redução de sua quantidade por meio do manuseio mecânico ou por influência do ar atmosférico. VOCÊ SABIA? De maneira geral, todo deposito metálico que seja adequado apresenta-se como grânulos finos e de brilho metálico, no caso da formação, e precipitados de caráter esponjoso, seja na forma de pó ou em flocos, costumam apresentar grau de pureza menor, bem como a aderência, em comparação aos depósitos que são granulados. As características que estão diretamente ligadas a esses aspectos são de natureza física: • Densidade de corrente. • Temperatura. • Presença de agentes complexantes. Assim, pode-se concluir que os depósitos mais adequados se formam por meio de densidades de corrente baixas, em geral, inferiores a 0,1 mA cm-2, sob agitação branda, e a temperatura deve ser avaliada de maneira experimental. Normalmente, quando ocorre a deposição dos metais por meio de soluções compostas por complexos metálicos, há a formação de um filme de aspecto aderente e uniforme, que 51ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 se deposita inicialmente por íons simples, um exemplo de complexos que promovem a formação de depósitos de melhores características são os complexos de cianeto e amônia. Aplicação do método Em termos práticos, a metodologia da eletrogravimetria é aplicada da seguinte maneira: 1° A eletrólise ocorre conforme o potencial de célula constante. 2° Este processo é limitado à separação de cátions que são de fácil redução, e os cátions de maior dificuldade de redução aos íons de hidrogênio ou íon nitrato. Esse segundo fator é um aspecto limitante, baseado na variação de corrente que ocorre, como exemplo, a queda da corrente e do potencial do cátodo no decorrer do processo de eletrólise. Essa diminuição de corrente pode ocorrer em relação ao processo de redução dos cátions a íons hidrogênio, isso resulta em excesso de ácido na solução, que provoca na corrente uma quebra de limitação de polarização, assim ela não será mais limitada por influência da polarização de concentração ou pela codeposição que ocorre de outros íons, até o momento em que o processo seja completo. IMPORTANTE Nesses casos, são aplicáveis despolarizadores, espécies químicas que apresentam facilidade em ser reduzidas ou oxidadas, e auxiliam na manutenção do potencial do eletrodo de trabalho em uma medida que expresse valor baixo e contínuo, prevenindo que reações interferentes ocorram. Um exemplo de despolarizador é o íon hidrazina. 52 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Há uma limitação evidenciada pela falta de seletividade no método da eletrogravimentria sem controle de potencial, ainda assim, é uma metodologia de grande importância experimental. Veja, no quadro a seguir, os elementos que são determinados pelo empregodessa metodologia. Quadro 1 – Aplicações da eletrodeposição sem controle de potencial Analito Forma do elemento que foi pesado Cátodo Ânodo Condições Ag+ Ag Pt Pt Solução alcalina de CN- Br- AgBr Pt Ag Cd2+ Cd Cu em Pt Pt Solução alcalina de CN- Cu2+ Cu Pt Pt Solução de H2SO4/ HNO Mn2+ MnO2 Pt Pt placa Solução de HCOOH/ HCOONa Ni2+ Ni Cu em Pt Pt Solução amoniacal Pb2+ PbO2 Pt Pt Solução de HNO3 Zn2+ Zn Cu em Pt Pt Solução de ácido tartárico Fonte: Skoog et al. (2014). 53ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Eletrodeposição de potencial controlado Na eletrogravimetria de potencial controlado, o potencial do eletrodo é controlado de maneira automática, e os instrumentos empregados são os potenciostatos. Nesse método, o eletrodo de trabalho é o cátodo, e o analito que se deposita é um metal, bem como há a aplicação de um eletrodo de trabalho que seja do tipo anódico e os depósitos que são formados não sejam metálicos. Um exemplo dessa aplicação pela deposição anódica é a determinação de íon Br- diante da formação do brometo de prata, AgBr, e íon manganês Mn2+ que formam o composto dióxido de manganês, MnO2. Equipamento O equipamento empregado na eletrodeposição de potencial controlado é mais sofisticado em relação ao equipamento utilizado na eletrodeposição sem controle de potencial. A constituição do sistema é de dois circuitos elétricos que são independentes e apresentam o eletrodo de trabalho em comum, compartilhado, o circuito apresenta uma fonte do tipo cc, um potenciômetro que a variação da tensão aplicada entre o eletrodo de trabalho e o contraeletrodo, o circuito de controle que tem um eletrodo de referência, um voltímetro digital que seja de alta resistência e o eletrodo de trabalho. Como a resistência elétrica desse circuito de controle é grande, todo o fornecimento de circuito para eletrólise é fornecido por esse circuito, e, por fim, há o circuito de controle que realiza o monitoramento contínuo da voltagem que há entre o eletrodo de trabalho e o de referência. Nessa metodologia, é empregado um arranjo para que a eletrodeposição seja de potencial controlado, como a presença 54 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 de um voltímetro digital, que realiza o monitoramento do potencial que há entre o eletrodo de referência e o eletrodo de trabalho. Dessa maneira, quando é aplicada uma tensão entre estes eletrodos, ocorre uma variação em decorrência do ajuste do contato do potenciômetro que mantém o eletrodo de trabalho em um potencial constante em relação ao eletrodo de referência. A corrente do eletrodo de referência permanecerá no valor de 0 por toda a eletrólise. Figura 15 – Arranjo para eletrólise com potencial controlado Fonte: Skoog et al. (2014). 55ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Células de eletrólise As células de eletrólise empregadas na eletrodeposição de potencial controlado são semelhantes ao ilustrado na Figura 1. Normalmente, utiliza-se béqueres altos, e as soluções costumam ser agitadas por meio de agitadores mecânicos, para que, se a polarização da concentração for mínima, o ânodo costume rotacionar no mesmo sentido que o agitador mecânico. O eletrodo é composto por uma malha cilíndrica e metálica, feita de materiais como platina, cobre, latão ou outros metais. Bismuto, zinco e gálio são exemplos de metais que não se depositam de maneira direta sob a malha de platina sem provocar danos ao eletrodo. Em consequência disso, é empregada uma camada protetora de cobre sob o eletrodo de platina para que seja possível a realização da eletrodeposição desses metais. Cátodo de mercúrio O cátodo de mercúrio é empregado para que seja realizada a remoção de elementos que são reduzidos facilmente na etapa que antecede a eletrólise. Como exemplo, as substâncias de cobre, níquel, cobalto, cádmio e prata que são separadas nos eletrodos dos íons das substâncias como titânio, alumínio, metais alcalinos, fosfatos e dos sulfatos. Esses metais depositados são dissolvidos em mercúrio com pouca presença de hidrogênio, pois mesmo que sejam aplicados potencias de valores elevados, ocorre a precaução de que seja formado gás. Esses metais que são dissolvidos no mercúrio formam uma substância denominada amálgama, um composto de importante aplicação em voltamentrias que estuda a relação que há em uma eletrólise entre a corrente, a voltagem e o tempo. 56 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Figura 16 – Cátodo de mercúrio Fonte: Wikimedia Commons. As aplicações da eletrodeposição de potencial controlado, abrangem a separação e a determinação de compostos metálicos que apresentem diferentes potenciais de padrão, em décimos de volts. Como ocorre com as espécies químicas do bismuto, cobre, cádmio, chumbo, estanho e zinco, que apresentam a possibilidade de serem determinadas a partir de soluções que são depositadas de maneira sucessiva desses metais em um cátodo que seja de platina. Bismuto, cobre e chumbo são depositados por meio de soluções que contenham íons tártaro, quase neutras e que são complexadas ao estanho, para que a prevenção da deposição desse íon seja realizada previamente, então o cobre será a primeira substância a ser reduzida de maneira quantitativa, de acordo com a variação do potencial no cátodo, que demarcará -0,2 V, e, após realizada a pesagem, o cátodo é encoberto com cobre e é disposto novamente na solução e agora o bismuto é removido no valor de potencial de -0,4 V. 57ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 Em seguida, quando chumbo é depositado por completo no valor de potencial de -0,6 V, é adicionada amônia em excesso para que ocorra a deposição de cálcio e zinco, no valor de potencial de -1,2 V a -1,5 V. Como consequência, essa solução tem a acidez elevada e, neste momento, ocorre a decomposição do complexo que foi formado entre o estanho e o tártaro, e há a formação do ácido tartárico na forma não dissociada. Nesse momento, ocorre a deposição do estanho, com o valor de potencial de -0,65, e esse cátodo precisa ser substituído por outro que esteja limpo, caso contrário, ocorrerá a redissolução do zinco. Observe, no quadro a seguir, algumas aplicações realizadas para a separação por meio da eletrólise de potencial controlado. Quadro 2 – Aplicações da eletrólise de potencial controlado Metal Potencial X Esc Eletrólito Demais elementos presentes Ag +0,10 Ácido acético/tampão acetato Cu e metais pesados Cu -0,30 Tartarato hidrazina Cl Bi, Sb, Pb, Sn, Ni, Cd, Zn Bi -0,40 Tartarato hidrazina Cl Pb, Zn, Sb, Cd, Sn Sb -0,35 HCl hidrazina a 70 °C Pb, Sn Sn -0,60 HCl hidroxilamina Cd, Zn, Mn, Fe Pb -0,60 Tartarato hidrazina Cd, Sn, Ni, Zn, Mn, Al, Fe Cd -0,80 HCl hidroxilamina Zn Ni -1,10 Tartarato amoniacal + sulfito de sódio Zn, Al, Fe Fonte: Skoog et al. (2014). EXEMPLO Um processo de eletrodeposição que ocorre na natureza, comumente denominado galvanoplastia, no qual ocorre a deposição de uma camada de espessura fina de metais 58 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 na superfície de objetos metálicos ou não. Esse processo é considerado fonte de poluição para o meio ambiente, sobretudo para o ecossistema aquático, pois os efluentes gerados apresentam em sua composição metais pesados, como níquel, zinco, cobre e outros metais, que têm caráter tóxico e se acumulam nos lençóis freáticos e nos animais marinhos, principalmente nos peixes. A ingestão dessas substâncias pelos seres humanos pode provocar danos à saúde, como comprometimento da função renal, complicações pulmonares, osteoporose, mutações genéticas e até mesmo câncer. Há uma resolução nacional, a Conama n° 375/2005, que regulamenta a emissão de efluentes, devendo estes passarem por um tratamento físico-químico, a fim de minimizar os danos ao meio aquático e a preservação do meio ambiente. Figura 17 – Ecossistema aquático Fonte: Pixabay. 59ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora,só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a eletrodeposição é um tipo de gravimetria que envolve a deposição eletrolítica para se determinar compostos metálicos ou não metálicos. Essa deposição ocorre de maneira geral no cátodo que é composto por platina, e ocorre a formação de uma camada fina de precipitado nesse eletrodo, previamente pesado, e, após a realização do experimento, é novamente pesado. Dessa maneira, é realizada a determinação da massa do analito que precipitou. Vimos que a eletrodeposição sem controle de potencial ocorre em um equipamento mais simples, e que o potenciômetro marca a voltagem em que as precipitações ocorreram. Já na eletrodeposição com controle de voltagem, o equipamento empregado é mais robusto e há a presença de eletrodo de referência, eletrodo de trabalho e de um arranjo para eletrólise. 60 ANÁLISE QUÍMICA U ni da de 4 ASSOCIAÇÃO DA INDÚSTRIA AUTOMÓVEL. VDA 19.1: inspeção de limpeza técnica contaminação por partículas de componentes automotivos funcionalmente relevantes. In: ASSOCIAÇÃO DA INDÚSTRIA AUTOMÓVEL. 19. ed. Berlim: VDA, 2015. p. 1-297. BASSET, J.; MENDHAM, J. Análise química quantitativa. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002. HARRIS, D. C.; LUCY, C. A. Análise química quantitativa. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. IONASHIRO, M. Giolito: fundamentos da termogravimetria ANÁLISE térmica diferencial calorimentria exploratória diferencial. [S. l.]: Giz, 2004. MAHESWARAMMA, K. S. Engenharia Química. 2. ed. São Paulo: Pearson Education, 2016. SKOOG, D. et al. Fundamentos de química analítica. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2014. VASCONCELOS, N. M. S. Fundamentos de química analítica quantitativa. 2. ed. Ceará: UAB/UECE, 2019. VOGEL, A. I. Análise química quantitativa. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002. RE FE RÊ N CI A S Gravimetria física Fundamentos da análise gravimétrica Gravimetria por precipitação Método de volatilização Eletrogravimetria Gravimetria de partículas Critérios para análise gravimétrica Aplicações da gravimetria Termogravimetria Histórico da termogravimetria Conceito de termogravimetria Termobalanças Análise termogravimétrica Termogravimetria dinâmica Termogravimetria isotérmica Gravimetria por precipitação Conceito de gravimetria por precipitação Características de precipitados e reagentes precipitantes Filtração de precipitados e tamanho de partículas Eletrodeposição Conceituando a eletrodeposição Eletrodeposição sem controle de potencial Eletrodeposição de potencial controlado