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A INFLUÊNCIA DAS TECNOLOGIAS NA INFÂNCIA: VANTAGENS E DESVANTAGENS Benizáquia da Silva Pereira Universidade Regional do Cariri – URCA – benizaquia@hotmail.com Thales Siqueira Arrais Universidade Regional do Cariri – URCA - thalesiqueira@bol.com.br RESUMO O presente artigo tem como tema “A influência das tecnologias na infância: vantagens e desvantagens”. O principal objetivo deste trabalho é compreender a relação entre infância e tecnologia, destacando quais são as vantagens e desvantagens que a tecnologia pode trazer para esta fase da vida. Trata-se, portanto, de uma pesquisa bibliográfica e qualitativa na qual foi possível compreender algumas questões que envolvem a tecnologia e infância. Este trabalho justifica-se pela necessidade de compreender a relação entre infância e tecnologia estabelecida na contemporaneidade e suas implicâncias. Nesse contexto buscaremos responder algumas perguntas, é preciso ter uma compreensão histórica, para relacionar esses momentos de transições sobre o conceito de infância. No decorrer do trabalho chegaremos à conclusão que a concepção de infância é moldada conforme o tempo, o contexto social, aspectos geográficos, etc.. O trabalho está estruturado da seguinte forma: Quando surgiu o termo infância; A infância na contemporaneidade; Vantagens e desvantagens. Palavras-chave: TECNOLOGIAS, INFÂNCIA, ENSINO-APRENDIZAGEM. INTRODUÇÃO Sempre nos chamou a atenção esse fascínio que as crianças têm diante de um computador, de um celular, e como esses objetos ocupam tanto tempo na vida delas. O presente trabalho tem como tema “A influência das tecnologias na infância: vantagens e desvantagens”. Este trabalho justifica-se pela necessidade de compreender a relação entre infância e tecnologia estabelecida na contemporaneidade e suas implicâncias para esta fase da vida. Assim sendo, este se torna o principal objetivo do estudo compreender e destacar quais são as vantagens e desvantagens que a tecnologia pode trazer para infância. Nesse contexto buscaremos responder algumas perguntas tais, como: quando surgiu o termo infância? Qual a concepção de infância na contemporaneidade? É preciso ter uma compreensão histórica, para relacionar esses momentos de transições sobre o conceito de infância. No decorrer do trabalho chegaremos à conclusão que a visão de infância é moldada conforme o tempo, o contexto social, aspectos geográficos, etc. Essa pesquisa é considerada qualitativa e bibliográfica. Estruturamos o presente artigo da seguinte forma: Quando surgiu o termo infância; A infância na contemporaneidade; Vantagens e desvantagens. As tecnologias se tornaram fundamentais as nossas vidas, em casa, ou nas escolas, praças, restaurantes etc. É cada vez mais comum presenciar em locais públicos, onde a principio seriam alternativas para sair, jogar conversa fora, ao invés disso veem-se famílias inteiras como: pais, mães, filhos e até bebes com seus objetos tecnológicos e o mínimo possível de contato físico social. (POSTAMAN, 2012, p. 164-165): Como já foi comentado, a estrutura e a autoridade da família ficaram seriamente enfraquecidas quando os pais perderam o controle sobre o ambiente informacional dos jovens. Margaret Mead chamou certa vez a televisão, por exemplo, de segundo pai, querendo dizer com isso que as nossas crianças passam mais tempo com a televisão do que com seus pais. (...) Seja como for, parece bem claro que a mídia reduziu o papel da família na moldagem dos valores e da sensibilidade dos jovens. Vivemos numa modernidade na qual situações como essas, são partilhadas naturalmente. As crianças estão nascendo nessa cultura, são os chamados “nativos digitais”. Aprendem muito cedo, por tanto, a serem “dependentes” desses objetos. Sabemos que a sociedade contemporânea exige o domínio das ferramentas tecnológicas. É cobrado pela escola, pelo mercado de trabalho, em diversas situações sociais. Evidentemente há a preocupação e necessidade de inserir essas crianças nesse contexto o quanto antes possível. As crianças sentem-se atraídas por tais objetos, domina-os naturalmente e dedicam a estes considerável parte do seu tempo. Nesse contexto começa a existir uma outra forma de entender o que denominamos de “infância”. Afinal o que é mesmo infância? QUANDO SURGIU O TERMO INFÂNCIA Em linhas gerais, através de uma reconstrução histórica veremos como surgiu esse termo, quais seus pressupostos, e os limites de cada época que fundamentaram a história da infância quanto ao seu reconhecimento. Segundo Philippe Ariès (1978), a infância foi uma invenção socialmente construída da modernidade. Antes dessa afirmação a infância era considerada apenas uma fase da vida, como qualquer outra. Mas é importante ressaltar que a infância não pode ser vista apenas de um referencial, de uma cultura. Já que sabemos que o conceito de infância é construído de acordo com as condições geográficas, econômicas, contextos sociais. Ou seja, não pode haver generalizações ao falarmos de infância. Mediante a arte é possível ter uma noção sobre o sentimento que havia antigamente em relação à infância. A arte medieval, até o século XII, desconhecia a infância. Até o final do século XIII, não parecem existir crianças, caracterizadas por uma expressão particular, a criança era vista como um adulto em miniatura. Por volta do século XIII, à criança começa a surgir como anjo representado sob aparência de um rapaz muito jovem, esse tipo de anjo adolescente foi muito frequente no século XIV e persistiu até o fim do século XV, como nas obras de Botticelli e de Fra Angélico, por exemplo. O segundo tipo de criança seria o modelo e o ancestral de todas as crianças pequenas da história da arte: o menino Jesus. No início ele também era retratado como uma redução do adulto. Um terceiro tipo de criança apareceu na fase gótica: a criança nua, como uma alegoria da morte e da alma que introduziria no mundo das formas a imagem da nudez infantil. No início do século XVII, tornaram-se numerosos os retratos de crianças isoladas, que antes só eram retratadas nas efígies funerárias. Ela passou a ser um dos modelos favoritos. Cada família agora queria possuir retratos de seus filhos, mesmo crianças, e esse costume nunca desapareceu. Segundo Ariès (1978) os séculos XVI e XVII explanam uma concepção de infância centrada na inocência e na fragilidade infantil. Enquanto que o século XVIII começa a surgir à construção da infância moderna, caracterizando-se como signo de liberdade, autonomia e independência. A criança se tornou então o centro da família. A INFÂNCIA NA CONTEMPORANEIDADE Ate pouco tempo atrás, ser criança era brincar se relacionando com as outras através de brincadeiras simples, que para acontecerem só bastava disposição, imaginação, espaço físico, etc. Brincadeiras que foram usadas por nós, pelos nossos pais, por nossos avós e que foram sendo passadas de geração em geração. A vida não se resumia a ficar em casa na frente de uma tela, eram inúmeras brincadeiras, cantigas de rodas, coisas simples que nos divertiam. Além de muitos brinquedos que usávamos soltando a imaginação para criar histórias. Tudo isso retrata uma infância “considerada sadia”, advinda daquele conceito que começou a ser construído no século XVIII. Desde então, a concepção de infância vem sendo moldada de acordo com cada sociedade. Na sociedade capitalista que vivemos a criança assume-se como um adulto em miniatura, esta afirmação é válida, se observarmos as crianças em nosso cotidiano. Veremos o consumismo precoce na forma de se vestir, calçar, comer,lugares frequentados, gosto musical bem como o seu amadurecimento antes do tempo. Acreditamos que as tecnologias referidas influenciam ativamente na concepção de infância. Nesse sentido, (SANTOS, 2008, apud CASTRO, 2007), ressalta que: Assim, há um deslocamento da posição a partir da lógica do consumo. Se antes (na modernidade), a infância era território da família e da escola, hoje ocupa outros lugares na teia social. A criança aparece não apenas como consumidora, ou potencial trabalhador, mas como quem também exercita sua aparência e sua a presença no tecido social, reforçando a noção de que a criança não de que a criança não somente é produzida pela cultura, mas produz cultura. Nessa sociedade a criança se apresenta como um ser de autonomia, e não mais aquele ser “ingênuo”. Notamos que isso é reflexo da à liberdade de acesso às mídias, aos objetos tecnológicos. Na prática não existe restrição entre o que é para crianças e para adultos. As crianças escutam, assistem, curtem, vestem, fazem praticamente tudo o que um adulto faz. Parece difícil identificar numa criança hoje o perfil, a personalidade de uma criança há dez anos. É como se estivéssemos regredindo e temos agora novamente a criança como um adulto em miniatura. Hoje diversos fatores contribuem para que as crianças tenham uma infância restrita somente ao uso de objetos tecnológicos. Um desses fatores é a “insegurança” nas ruas e a ausência dos pais em casa pela necessidade de trabalharem. Consequentemente as crianças acabam passando a maior parte do tempo em casa com as chamadas “babás eletrônicas”: televisão, computadores, games, tablets... Ser criança então, se tornou algo extremamente ligado a essas tecnologias. Uma vez que, ter a compreensão de que infância é brincar com outras crianças, utilizando brinquedos comuns, brincadeira imaginaria. Notamos que na atualidade essa compreensão passa por um processo de ressignificação e substituição pelos aparelhos tecnológicos. VANTAGENS E DESVANTAGENS Compreendemos que a tecnologia tem o seu lado negativo e positivo. Portanto, no que diz respeito ao seu uso, para ser considerado uma vantagem ou desvantagem, depende do direcionamento que o adulto propõe para a criança. Ou seja, só precisa ser utilizada da maneira correta. No campo do ensino aprendizagem da criança ela se torna uma ferramenta indispensável. A televisão, o computador são exemplos de ferramentas podem ser aliados do processo pedagógico. Se usados corretamente, com objetivos, pode complementar o processo de ensino-aprendizagem e promover interação. De acordo com (LIBÂNEO, 2001, p. 70): “[...] as mídias apresentam-se, pedagogicamente, sob três formas: como conteúdo escolar integrante das várias disciplinas do currículo, portanto, portadoras de informação, ideias, emoções, valores; como competências e atitudes profissionais; e como meios tecnológicos de comunicação humana (visuais, cênicos, verbais, sonoros, audiovisuais) dirigidos para ensinar a pensar, ensinar a aprender a aprender, implicando, portanto, efeitos didáticos como: desenvolvimento de pensamento autônomo, estratégias cognitivas, autonomia para organizar e dirigir seu próprio processo de aprendizagem, facilidade de análise e resolução de problemas, etc.” Então, os pais e também à escola devem estar atentos em relação a essas questões. Estes devem ser mediadores da relação criança-tecnologias. No intuito de ter um controle, e uma metodologia que vise desenvolver os efeitos que o autor ressalta acima. Em uma pequena entrevista para o site iG, o pediatra Aranha, (2010) considera que: “É importante que a criança desenvolva primeiramente a criatividade e o raciocínio para depois utilizar os meios eletrônicos livremente, sem se tornar dependente da tecnologia. Hoje em dia as crianças são cada vez mais consumidoras e menos criativas em todos os níveis – ação, emoção e pensamento – e isso é um grande perigo”. Concordamos em parte com o que Aranha (2010) ressalta, visto que, as tecnologias despertam a curiosidade na criança, é algo que lhe chama a atenção. Sem esforço ou ensino ela domina a ferramenta, enquanto muitos adultos levariam tempo para aprender. Porém, compreendemos que se o uso, é solto, sem objetivo e frequente, pode ocasionar um “comodismo”, referente ao pensar, ao criar, pois as tecnologias continuam a se desenvolverem com a finalidade de facilitar ações cotidianas. Nesse sentido, é importante elas conhecerem primeiramente o real, aprenderem as coisas básicas, possibilitar momentos em que a criança exerça seu poder de criatividade. A criança deve viver de acordo com sua natureza, tratada corretamente, e deixada livre, para que use todo seu poder. Ela precisa aprender desde cedo como encontrar por si mesmo o centro de todos os seus poderes e membros, para agarrar e pegar com suas próprias mãos, andar com seus próprios pés, encontrar e observar com seus próprios olhos. (FROEBEL, 1912, p. 21). É sabido, que as crianças são sujeitos naturalmente espontâneos, criativos. Mas essa forte característica parece esta sendo corrompida pelas facilidades que as tecnologias propõem e aliado à falta de mediação entre essas relações. Outro fator negativo é o contato muito cedo e continuo, pois influenciam no comportamento social. (FILHO, 2011) relata que: “No decorrer da minha vida profissional, pelo fato de sempre ter trabalhado na área educacional (com ensino da computação) pude acompanhar diversos exemplos que me mostraram os problemas de crianças que tem uma vida focada em utilizar o computador sem nenhum tipo de restrição. Durante seis anos trabalhei exclusivamente com ensino infantil e fundamental (crianças de 03 a 10 anos) ensinando computação em escolas particulares, e o resultado disso era claramente demonstrado pelo comportamento das crianças, crianças que não possuíam computador ou este tinha o uso controlado pelos pais, possuíam uma integração muito maior tanto com os professores como com os colegas de sala, discutiam suas opiniões e desenvolviam-se de forma muito mais rápida e estabilizada do que crianças que afirmavam utilizar muito o computador. As que os pais permitiam o uso do computador sem nenhuma restrição tinham excelente desempenho na aula de computação, mas não se comunicavam com clareza, não possuíam muitos amigos ou às vezes nenhum, e nas matérias em sala de aula tinham dificuldades de aprendizado e grande dispersão não se concentrando no que era ensinado, não gostavam de participar de brincadeiras em grupo, mostravam má aceitação ao serem repreendidas em caso de realizar algo errado”. Trata-se de um fato observado, quando o uso é continuo a criança tende a ter dificuldade de relacionar-se em ambientes sociais concretos. Assim, é conceituada uma consequência negativa, assistimos presentemente crianças com redes sociais diversas. E isso já é outro problema a ser estudado, uma vez que, que ao criar uma dessas contas é exigido ter maioridade. Contudo, devemos velar essas crianças, refletir a influência disso em sua educação, no seu comportamento. Essa educação deve começar em casa, mas escola tem o dever de complementar, de buscar formas de caminhar ao mesmo passo que as tecnologias, pois os “nativos digitais” já chegaram às instituições e ambas tem papel determinante na construção de sujeitos conscientes e informado. CONSIDERAÇÕES FINAIS Inicialmente levantamos questões relacionadas à compreensão do termo infância até os dias atuais. O que percebemos nas crianças na atualidade é uma utilização demasiada das ferramentas tecnológicas. Porém, somos responsáveis pelo direcionamentodas tecnologias utilizadas pelos infantes. De acordo com os estudos de Piaget (1975) viver cada fase da infância é indispensável para um bom desenvolvimento humano. As crianças precisam elaborar e viver suas brincadeiras, seus jogos (inclusive os simbólicos), que permitem a elas a imitação do outro, ou seja, a elaboração de como se dá os papeis sociais e suas devidas relações. À vista disso, deve existir o compromisso de propor um uso responsável e sadio que não prejudique o desenvolvimento intelectual deles. Nem tampouco negue a condição de ser criança em todos os sentidos que tangem o termo infância. Antes ao revés, permita o uso das tecnologias de forma positiva e educativa uma formação holística dos futuros adultos cidadãos, críticos, autônomos e conscientes de seu papel na sociedade. REFERÊNCIAS ARIÈS, P. História social da infância e da família. Tradução: D. Flaksman. Rio de Janeiro: LCT, 1978. POSTMAN N. O desaparecimento da infância. Tradução: Suzana M. de Alencar Carvalho e José Laurentino de Melo. Rio de Janeiro: Graphia; 2012. FILHO, Onildo, Henrique B. A infância e a computação. 16, mar. 2011. Disponível em: http://www.hardware.com.br/artigos/infancia-computacao/. Acesso em: 10 ago. 2013. LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora. São Paulo: Cortez, 2001. LOSSO, Renta. Crianças X computadores: benefícios e males da era tecnológica. 16, ago.2010. Disponível em: http://delas.ig.com.br/filhos/criancas-x-computadores-beneficios-e- males-da-era-tecnologica/n1237749844018.html. Acesso em: 08 ago. 2013. Especial para o iG São Paulo. SANTOS, N.S. Quando os saberes sobre infância, subjetividade e espaço sentam-se a mesa. Juiz de fora: educ, foco, 2008. PIAGET, Jean. A Construção do real na criança. Rio de Janeiro, 2. ed.. Zahar Editores, 1975, 360 p.