Recuperação Judicial e Falência - Parte 7 (Falência)

Recuperação Judicial e Falência - Parte 7 (Falência)


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FALÊNCIA
Conceito: Processo de execução coletiva movido contra um devedor, empresário, Empresa Individual de Responsabilidade Limitada ou sociedade empresária, atingindo seu patrimônio para uma venda forçada, partilhando o resultado, proporcionalmente, entre os credores.
Reconhecimento jurídico da inviabilidade da empresa.
Sujeitos da falência
O empresário.
A sociedade empresária.
A EIRELI
Não estão sujeitas à falência \u2013 art. 1º da LFRE:
Empresas públicas e sociedades de economia mista;
Instituições financeiras públicas e privadas.
Cooperativas de crédito.
Consórcios.
Entidades de previdência complementar.
Sociedades operadoras de planos de assistência à saúde.
Sociedades seguradoras.
Sociedades de capitalização.
Outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.
Disposições gerais:
O estado patrimonial do devedor que possui ativo inferior ao passivo é denominado insolvência econômica ou insolvabilidade.
Entretanto, para que seja decretada a falência, a insolvência não pode ser vista em sua acepção econômica, ou seja, caracterizada pela insuficiência do ativo para o pagamento do passivo, mas sim compreendida pelo sentido jurídico.
Assim, para fins de decretação da falência, o pressuposto da insolvência não se caracteriza por um estado patrimonial, mas pela ocorrência de um dos fatos previstos em lei como ensejadores da quebra: se a sociedade empresária, sem justificativa:
For impontual no cumprimento de obrigação líquida (art. 94, I).
Pela execução frustrada (art. 94, II).
Pela prática de ato de falência (art. 94, III).
Hipóteses legais da caracterização da falência:
Causas \u2013 Insolvência do devedor \u2013 art. 94:
Sempre presumida (art. 94):
Impontualidade:
Quando o devedor, sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados, cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 salários mínimos.
Não basta o atraso, é preciso que a impontualidade seja injustificada.
Execução frustrada:
Quando o devedor, executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita, não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal.
Prática de atos de falência \u2013 quando o devedor:
Procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio ruinoso ou fraudulento para realizar pagamentos;
Realiza ou tenta realizar, com o objetivo de fraudar credores ou retardar pagamentos, negócio simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não;
Transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo;
Simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou fiscalização para prejudicar credor;
Dá ou reforça garantia à credor por dívida contraída anteriormente sem ficar com bens livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo;
Ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para pagar os credores, abandona o estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento;
Deixar de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de recuperação judicial.
Fases:
Preliminar ou declaratória:
Início do procedimento;
Requerimento da falência do devedor;
Estende-se até a sentença prolatória da falência;
Arrecadação de bens e classificação de créditos:
Tem por finalidade a exata definição do ativo e do passivo do devedor:
Arrecadação e avaliação dos bens integrantes da massa falida;
Habilitação dos créditos existentes contra o falido;
Elaboração do quadro geral de credores.
Liquidação ou satisfativa:
Deve refletir o ativo e o passivo;
Representa o escopo fundamental da falência:
Venda judicial dos bens integrantes do ativo da massa falida e o pagamento proporcional aos credores, conforme a ordem estabelecida pela LFRE.
Juízo falimentar:
Será o do principal estabelecimento do devedor.
Do local onde se concentra o maior volume de negócios.
Também conhecido como \u201cjuízo universal\u201d.
Todas as ações referentes aos bens e interesses da massa serão processadas por esse juízo.
Exceções:
Ações não reguladas pela Lei de Falências;
Ações que demandam quantia ilíquida;
Reclamações trabalhistas;
Execuções tributárias;
Ações de conhecimento em que é parte a União;
Requerentes da falência \u2013 art. 97:
Próprio devedor empresário (autofalência);
Qualquer credor;
Se empresário, provar a condição de regular.
O cônjuge sobrevivente;
Os herdeiros do devedor;
O inventariante.
O sócio ou acionista da sociedade;
O credor não domiciliado no Brasil, desde que preste caução.
Rito falimentar:
O pedido de falência segue rito diferente em função de seu autor:
Se a falência for requerida pelo credor ou sócio minoritário, o rito segue os preceitos dos artigos 94 a 96 e 98. (Nesse caso, o pedido de falência observa um procedimento judicial típico, isto é, contencioso).
Já em caso de autofalência, o pedido segue o rito dos artigos 105 a 107 da LFRE, de natureza não contenciosa.
Quando o pedido de falência tem como base a impontualidade injustificada, a petição inicial deve ser instruída obrigatoriamente com o título acompanhado do instrumento de protesto.
Se fundado na tríplice omissão, a lei exige, na instrução, a certidão expedida pelo juízo em que se processa a execução frustrada.
Sendo ato de falência o fundamento do pedido, a lei determina que se descrevam os fatos que caracterizam, juntando-se as provas que houver e especificando-se que serão produzidas no decorrer do processo.
Prazo da defesa do requerido:
O prazo para a defesa do requerido é de 10 dias, contado da citação.
Nesse mesmo prazo, a sociedade empresária requerida poderá elidir a falência, depositando o valor da obrigação em atraso (depósito elisivo).
Elidido o pedido de falência com o depósito judicial do valor reclamado, converte-se em inequívoca medida judicial de cobrança, já que a instauração do concurso universal dos credores está por completo impossibilitada.
Hipóteses em que não será declarada a falência \u2013 art. 96:
Falsidade de título;
Prescrição;
Nulidade de obrigação ou de título;
Pagamento da dívida;
Qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título;
Vício em protesto ou em seu instrumento;
Apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação, observados os requisitos do art. 51 desta Lei;
Cessação das atividades empresariais mais de 2 (dois) anos antes do pedido de falência, comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas, o qual não prevalecerá contra prova de exercício posterior ao ato registrado.
Responsabilidade dos sócios:
Solidária e ilimitada (em nome coletivo, sócios comanditados):
Terão sua falência decretada.
Ficarão sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos em relação à sociedade.
Responsabilidade limitada, controladores e administradores:
Apurada no próprio juízo da falência.
A ação de responsabilização prescreve em dois anos, contados do trânsito em julgado do encerramento da falência.
Protesto:
Sempre obrigatório.
Defesa do devedor impontual \u2013 art. 98:
Uma vez citado, o devedor poderá, em dez dias:
Depositar a importância equivalente a seu débito, sem contestar.
Extingue-se o processo.
Depositar e apresentar defesa.
Extingue-se o processo.
Não depositar, limitando-se a apresentar defesa.
Terá sua falência declarada.
Sentença denegatória:
Na sentença denegatória de falência, o juiz apreciou o mérito e julgou improcedente o pedido do credor.
Nesse caso, o recurso será o de apelação.
Termo legal:
Proferida a sentença declaratória, o juiz fixará o termo legal da falência, considerando suspeitos os atos praticados pelo falido.
O termo legal poderá retroagir no prazo máximo de 90 dias, contados:
Do pedido de falência;
Do pedido de recuperação judicial;
Do primeiro protesto por falta de pagamento, excluindo-se os protestos que tenham sido cancelados;