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RESUMO FARMACOLOGIA P2 FARMACOLOGIAS DAS DISLIPIDEMIAS Os valores de referência para diagnóstico de dislipidemias em adultos acima de 20 anos são Colesterol total (CT) normal até 200 mg/dL e acima de 240mg/dL é de alto risco; LDL colesterol normal até 130 mg/dL e acima de 160mg/dL é de alto risco; HDL colesterol entre 40-60 mg/dL. Quanto mais alto o HDL, maior a proteção cardiovascular; Triglicérides (TG) normal até 150 mg/dL. As dislipidemias podem ser classificadas etiologicamente como primárias ou secundárias. As primárias são de origem genética, enquanto as secundárias são por obesidade, sedentarismo, ou doenças associadas como o hipotireoidismo (T3 é responsável pela conversão de colesterol em ácidos biliares no fígado, que são excretados nas fezes e emulsificam gorduras – pela mesma lógica, o hipertireoidismo diminui o colesterol). As dislipidemias classificam-se laboratorialmente em: • Hipercolesterolemia isolada: apresenta CT e LDL elevados. O tratamento é feito com estatinas (teratogênicos) e coadjuvantes como Ezetimibe (administrado quando não se pode usar estatinas por aumento de enzimas cardíacas) e Colestiramina (para grávidas). • Hipertrigliceridemia isolada: apresenta TG elevados. O tratamento é com fibratos (contraindicados na gravidez) e Niacina (vitamina B3 – ácido nicotínico). • Dislipidemia mista (hiperlipidemia): pode apresentar CT, LDL e TG altos. Tratamento com estatinas até 500 mg/dL de TG, associadas com fibratos acima desse valor. • HDL abaixo: tratamento com vitamina B3. A mudança de hábitos é fundamental e suficiente para o tratamento se não houver fator genético. O objetivo do tratamento é ↓CT, ↓LDL, ↓TG e ↑HDL, através do tratamento farmacológico, da dieta (vitamina B3 – corrige tudo, mas é a mais potente para aumentar HDL) e da atividade física (fundamental). O diagnóstico é feito por exame físico. Geralmente a primeira manifestação é a de doença aterosclerótica. Em alguns casos pode ocorrer arco corneano em adolescentes e adultos jovens e xantelasma. O tratamento farmacológico se dá por: • Estatinas: a síntese do colesterol ocorre a partir do Acetil-CoA, que é transformado em HMG-CoA que é convertido em mevalonato pela enzima HMG- CoA redutase. Depois são formados outros precursores, até o colesterol em si. Entre estes precursores, é formado o farmesil, sobre o qual outras enzimas atuam para a formação da ubiquinona (coenzima Q10), principal antioxidante, protetor das células musculares estriadas. As estatinas inibem a HMG-CoA redutase, reduzindo a síntese de colesterol. A redução de colesterol no fígado ativa a produção de receptores de LDL hepáticos. Com isso, ocorre aumento da captação de LDL e seus níveis diminuídos no sangue, o que diminui também os níveis de TG (que fazem parte da estrutura do LDL) e de VLDL. Também aumentam os níveis de HDL, pois estimulam a produção da ApoA1, que faz parte da sua estrutura. Além disso, ocorre diminuição da síntese da ubiquinona, importante antioxidante, o que gera diminuição da proteção do músculo estriado, podendo gerar lesões e, em casos de acúmulo de mioglobina, rabdomiólise. o Estatinas de 1ª geração: Sinvastatina, Lovastatina, Fluvastatina e Pravastatina. Apresentam tempo de meia-vida curto (2hrs), administrada a noite, pois colesterol tem maior produção a noite. o Estatinas de 2ª geração: Atorvastatina, Rosuvastatina e Pitavastatina. Possuem tempo de meia-vida que varia de 10 a 18 horas, portanto pode ser tomada em qualquer horário. A Sinvastatina e a Atorvastatina apresentam metabolização hepática, pela fração 3A4, então deve-se tomar cuidado com associação com drogas indutoras ou inibidoras principalmente. A Rosuvastatina é a mais potente das estatinas, e é metabolizada pelo fígado, mas não pela 3A4. A Pravastatina é a única que não é metabolizada pelo fígado, mas sim por enzimas do sangue, por isso é a mais utilizada em crianças, idosos ou pacientes hepáticos. Regra dos 6%: a primeira dose da estatina sempre apresenta potência maior e ao dobrarmos a dose apenas aumentamos no máximo 6% da capacidade de reduzir o LDL, mas aumenta os efeitos colaterais. Exemplo: 10mg reduz 35%, 20mg reduz até 41%, 40mg reduz até 47%. Os efeitos colaterais são relacionados, principalmente, com a redução da ubiquinona, podendo ocorrer dor muscular (uso prolongado), hipercalemia (célula muscular lesionada libera K+, aumentando o risco cardiovascular), rabdomiólise (mioglobina liberada é tóxica no sangue, principalmente para o rim – insuficiência renal aguda), distúrbios leves do trato gastrointestinal (gases), lesões hepáticas e miopatias. Deve-se dosar enzimas cardíacas (CPK elevada indica lesão muscular, que gera troca temporária da estatina por coadjuvante até normalizar) e transaminases (prevenir lesão hepática). Nesses casos, suspende-se o medicamento e/ou administra-se ubiquinona. • Fibratos: Ciprofibrato (menos potente – SUS), Etofibrato, Fenofibrato e Genfibrozila (mais potente). O mecanismo de ação é pela ativação gênica do receptor PPARα (ativador de proliferação de peroxissomas α). Com isso, ocorre ativação da lipase lipoproteica, que digere quilomícrons e VLDR, diminuindo TG e LDL. Também estimulam o aumento de ApoA1 e ApoA2, elevando HDL. Os efeitos colaterais são os mesmos das estatinas. • Ezetimibe (Ezetrol): inibe o transportador proteico NPC1L1 dos enterócitos que promove a absorção intestinal do colesterol e de fitoesteróis. É contraindicado na gravidez. Indicado em associação com a Rosuvastatina ou na impossibilidade de tomar Rosuvastatina (alergia ou CPK aumentada). Também associado à Sinvastatina. Tem alto custo e é menos potente, mas é seguro, com efeitos colaterais leves e pode ser administrado a qualquer hora. Ele inibe a absorção apenas de colesterol, então não ocorre aumento de TG compensatório. Pela diminuição de colesterol ocorre aumento dos receptores de LDL que diminui no sangue. Pode ser tomado em qualquer horário. Monitorar função hepática. • Sequestradores de ácidos biliares: Colestiramina (Questran) e Colestipol. 95% dos ácidos biliares usados na digestão duodenal são reabsorvidos de volta para o fígado – os sequestradores impedem a reabsorção pela circulação enterro- hepática, aumentando a sua eliminação pelas fezes. No fígado, então, é aumentada a conversão de colesterol em ácidos biliares para repor a quantidade perdida, diminuindo os níveis de colesterol no sangue e aumentando receptores de LDL. Único medicamento que não é teratogênico, indicado para grávidas. Como efeitos adversos, pode haver aumento de TG (como a Colestiramina diminui a absorção de todas as gorduras, por efeito compensatório ocorre aumento de TG no uso crônico – caiu em desuso), diminuição da absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e de ácido fólico, e lesão hepática. Sofre interações com Digoxina, Hidroclorotiazida, Tiroxina e Varfarina. • Niacina (vitamina B3 – ácido nicotínico): estimula o aumento de ApoA1, o que aumenta os níveis de HDL. Como efeitos adversos, aumenta prostaglandinas, o que promove hipotensão, que gera taquicardia – isso pode ser resolvido com a associação com AINEs (inibidores da COX1). FARMACOLOGIA DO APARELHO RESPIRATÓRIO O aparelho respiratório tem as funções de ventilação, trocas gasosas e transporte de gases. A respiração em si é feita pelas células. As causas de hipóxia podem ser hipoxêmicas (doenças relacionadas com a função pulmonar como asma, pneumonias, β-bloqueadores, overdose de barbitúricos), anêmicas (hemoglobina fica comprometida como na anemia falciforme,CO), circulatórias (choque, nitratos que fazem muita vasodilatação) ou citotóxicas (choque, lesão do tecido, cianeto). DESCONGESTIONANTES NASAIS: tratam os sintomas e não a doença nasal (rinite, sinusite, resfriados, gripes e etc). Os sintomas mais comuns são coriza, espirros, congestão nasal, prurido. Podem ser: • Catecolaminas: Adrenalina (não é usada como descongestionante, mas para epistaxe). • Não-catecolaminas: Efedrina, Pseudoefedrina, Fenilefrina. São administrados por via oral e via nasal. • Imidazólicos: Nafazolina, Fenoxazolina, Oximetazolina. São administrados por via nasal. A via oral demora mais para agir, mas o efeito é mais duradouro. Além disso, a droga atua onde existem receptores α-adrenérgicos, gerando efeitos sistêmicos como aumento da PA, nervosismo, taquicardia, irritabilidade, palpitações, insônia, contração da musculatura esquelética da “bexiga” e diminuição da micção. Já a via nasal tem efeito imediato, mas curto e pode gerar coceira, ardência, perfuração do septo nasal (intensa vasoconstrição, septo nasal para de receber sangue e rompe), rinite vasomotora (“dependência” – para que isso não ocorra, o uso desses medicamentos não desse ser superior a 3 dias). É proibido o uso em crianças menores de 1 ano. Podem causar hipertensão intracraniana e convulsões. Podem perfurar o septo nasal leishmaniose, hanseníase, cirurgias malsucedidas, piercing, descongestionantes nasais, cocaína. Outras medicações usadas por via nasal: • Corticosteroides: reduzem a inflamação (diminuem a quimiotaxia de neutrófilos e reduzem o edema intracelular), têm discreto efeito vasoconstritor. • Anti-histamínicos: antagonistas de receptores H1. Reduzem os efeitos da histamina no nariz, reduzindo a resposta alérgica. • Brometo de Ipratrópio (Atrovent): antimuscarínico e reduz a rinorréia. • Cromonas (Cromoglicato): diminuem a liberação de histamina e a degranulação dos mastócitos. • Soro fisiológico: preventivo ou curativo. É hidratante e lubrificante (limpa secreções). TRATAMENTO DA TOSSE: a tosse é um mecanismo reflexo de proteção do organismo, destinado a eliminar corpos estranhos das vias aéreas. É um sintoma e deve- se tratar a causa que o origina. A tosse pode ser seca (irritativa) ou produtiva (com catarro). A tosse produtiva deve ser mantida. A tosse seca pode ser causada por alergia, faringite, refluxo. Antitussígenos podem ser utilizados na tosse seca quando interferir na atividade diária. Os béquicos ou antitussígenos podem ser classificados como de: • Ação central: são mais potentes e são derivados da morfina. o Codeína: é a droga mais potente para tratar a tosse. Exerce ação nos centros bulbares, podendo causar depressão respiratória em algumas ocasiões. Pode causar dependência, sono, deprimir a respiração, obstipação, náuseas. A sua venda precisa de receita médica. o Dextrometorfano: possui ação antitussígena comparável com a da Codeína e não produz depressão respiratória. • Ação periférica: ação nas terminações nervosas dos brônquios. Clobutinol, Dopropizina, Levodopropizina, Cloperastina. Nas tosses produtivas, deve-se tomar drogas que auxiliam a eliminação do catarro (expectorantes) e/ou mudam as suas características (mucolíticos), facilitando a sua eliminação. Entretanto, a maioria não exerce adequadamente esta ação e podem prolongar a tosse (xaropes). Os mucolíticos ou expectorantes são divididos em: • Iodeto de potássio e Guaiacolato de glicerina: estimulam a tosse por mecanismo reflexo. Paciente acha que está saindo mais catarro, mas na verdade estimulam a produção de catarro. Essas drogas estimulam o nervo vago que estimula as secreções gástrica, salivar e brônquica. • Ambroxol, Bromexina: aumentam a produção de catarro pela ação direta nas células brônquicas. Também prolongam os sintomas. • N-acetilcisteína, Carboxicisteína: possuem grupos sulfidrilas que rompem as pontes dissulfeto das mucoproteínas, deixando as secreções mais fluidas. Essa droga pode ser útil. Podem ser administradas pelas vias oral, inalatória e injetável. Também possuem outras indicações, como intoxicação por Paracetamol e prevenção da nefrotoxicidade por contrastes iodados. • Agonistas β2: aumentam o movimento mucociliar que aumenta a eliminação do catarro. Também podem ser úteis. BRONCODILATADORES: usados para os sintomas de doenças pulmonares com mecanismos produtores de estreitamento das vias aéreas (especialmente bronquíolos), com fluxo de ar limitado. Essas doenças são asma (chiado e falta de ar), bronquite (tosse com catarro) e DPOC (chiado, tosse com catarro, falta de ar – muito relacionada com o tabagismo), enfisema pulmonar. Os broncodilatadores são: • β2 adrenérgicos de curta duração (SABA): inalatórios, via oral ou parenterais. Fenoterol (Berotec), Salbutamol (Aerolin) e Terbutalina (Bricanyl). Provocam o alívio imediato dos sintomas (1-3min), utilizando-se por via inalatória. São drogas de resgate, para crises. Sua utilização é sinal de doença sem controle. • β2 adrenérgicos de longa duração (LABA): inalatórios. Formoterol (Foradil), Salmeterol (Serevent). São medicações que potencializam o efeito anti- inflamatório dos corticosteroides inalados. Fazem o controle a longo prazo da doença. O Formoterol está sendo usado como droga de resgate. • β2 adrenérgicos de ultralonga duração (LABA): inalatórios. Indacaterol, Olodaterol e Vilanterol. Os inalados possuem ação mais rápida, menor incidência de efeitos colaterais, maior efetividade com menor dose e possuem duração com efeito similar aos orais. Além disso, os orais não são úteis em crises de agudização. Os efeitos colaterais dos agonistas β2 são tremores de extremidades, taquicardia, agitação e ansiedade. Doses elevadas ou no início do tratamento podem gerar hiperglicemia, hipocalemia, hipomagnesemia, arritmias cardíacas. • Antimuscarínicos: inalatórios. Brometo de Ipratrópio (SAMA) e Tiotrópio, Glicopirrônio e Umeclidínio (LAMA). São medicações para a DPOC e são de segunda linha para a asma. Uso em associação com β2-adrenérgicos de curta duração no resgate (efeito sinérgico broncodilatador). Na associação, diminuem a dose de β2-adrenérgicos (diminuição de efeitos colaterais como taquicardia). É recomendado como broncodilatador adicional para idosos e lactentes ou para pacientes com DPOC. Os efeitos colaterais são visão turva, constipação, retenção urinária e xerostomia. o Xantinas: Aminofilina (via oral e intravenosa), Teofilina (via oral) e Bamifilina (via oral). O mecanismo de ação não é bem conhecido, mas o efeito broncodilatador pode ser explicado por serem antagonistas do receptor de adenosina (impedem broncoconstrição); inibidoras da fosfodiesterase, aumentando AMPc; inibidoras da liberação de Ca2+ intracelular, aumentando a liberação de catecolaminas; anti- inflamatórias. As xantinas não podem ser inaladas (são irritantes nas vias respiratórias) e têm muita interação medicamentosa (Eritromicina, Alopurinol, Cetocozanol e Cimetidina). Os efeitos colaterais são tremor, agitação taquicardia, convulsões, distúrbios gastrointestinais (anorexia, náuseas e vômitos), cefaleia. O paciente deve obedecer aos horários da medicação (a concentração sanguínea deve ficar entre 5-10mg/L). O uso desses medicamentos deve ser indicado para pacientes com dificuldade de utilização dos nebulizadores e em associação, nas situações refratárias à monoterapia. TRATAMENTO DA ASMA: na asma ocorre inflamação por LT CD4+ e eosinófilos, sendo um processo alérgico completamente reversível. Para o tratamento da doença, deve-se fazer o controle ambiental (evitar alérgenos domésticos como pó, ácaros, baratas, mofo, animais, pólen; alérgenosnão domésticos ocupacionais; irritantes como poluição, cigarro, odores), adaptação ao clima (variações de temperatura) e controle de infecções virais de vias aéreas (vacinação anti-influenza e anti-pneumonia). A morte está relacionada ao não conhecimento de auto-manejo. O tratamento da asma é não medicamentoso (entendimento da doença, controle ambiental, uso correto da medicação, auto-manejo) e medicamentoso com broncodilatadores e anti- inflamatórios. Os anti-inflamatórios são preventivos, usados no tratamento da asma aguda e grave, para evitar crises, melhoram a qualidade de vida, evitam internação e mortalidade e evitam remodelamento. Os anti-inflamatórios utilizados são: • Corticosteroides: inalados, orais ou parenterais. Os parenterais são utilizados na emergência (Metilprednisolona e Hidrocortisona). Os orais são usados no controle da asma aguda no consultório ou na emergência e na manutenção de alguns casos de asma persistente grave (Prednisona, Prednisolona, Deflazacort). Os inalados (Beclometasona, Budesonida, Fluticasona, Ciclesonida) são os medicamentos de eleição na asma, possuem as mesmas apresentações que os β2-adrenérgicos, são associados aos LABA e precisam de higiene oral após a utilização (candidíase). São evitados pela via oral pelos vários efeitos adversos: facies em lua cheia, acne, pilificação, estrias, obesidade, atrofia muscular, DM, osteoporose, aumento do colesterol, HA, hipercalemia, glaucoma, catarata, insônia, imunossupressão. • Antileucotrienos: orais. Montelucast. Usado na monoterapia para asma leve, em pacientes atópicos (rinite e polipose), na asma de exercício, na asma induzida por aspirina e é poupador de corticoide na asma grave. Impede a ação de leucotrienos que são mediadores de alergia. Podem causar dano hepático. • Anticorpo anti-IgE: reduzem a quantidade de IgE em mastócitos, inibem a síntese de IgE pelos linfócitos. Omalizumab é injetável com aplicação a cada 2 a 4 semanas e tem um custo muito elevado. • Anticorpo contra IL5: Mepolizumab. Esse anticorpo bloqueia a IL5 que é a principal citocina responsável pelo crescimento e diferenciação, recrutamento, ativação e sobrevivência de eosinófilos. É injetável e possui alto custo. TRATAMENTO DA DPOC: a DPOC sempre foi tratada como asma. Na DPOC ocorre inflamação por LT CD8+, macrófagos e linfócito. É parcial ou completamente irreversível. É comum em fumantes, com bronquite crônica e enfisema – dispneia, chiado, tosse produtiva. Deve-se evitar os fatores de risco (tabagismo, poluição, exposição profissional), fazer vacinação (contra influenza e pneumococo), reabilitação física e atividade física. O tratamento medicamentoso da DPOC é o mesmo da asma, com adição do Roflumilast que é um inibidor seletivo da fosfodiesterase 4. Possui ação anti- inflamatória e não inibe o receptor de adenosina (não é broncodilatador). É indicado para evitar exacerbações com bronquite crônica (crises de tosse com expectoração) – mais de duas vezes ao ano. É uma droga cara, não melhora o sintoma (é apenas preventiva) e pode dar diarreia e perda de peso. Portanto, são utilizados os SAMA, SABA, LAMA e/ou LABA. FARMACOLOGIA DOS CORTICOIDES Corticoides são análogos sintéticos do hormônio cortisol, também denominados de Anti-Inflamatórios Esteroides. Eles diminuem a produção de prostaglandinas sem inibir a enzima COX. Inibem a produção de ácido araquidônico, então não há produção de leucotrienos, prostaglandinas, tromboxano A2. Todas as células produzem prostaglandinas, exceto leucócitos e hemácias, portanto podem ter efeitos colaterais em todas as células, menos nessas duas. Também tem ação imunossupressora, pois inibem a cascata inteira. As glândulas suprarrenais possuem córtex e medula. No córtex, são produzidos, de fora para dentro, aldosterona, cortisol e androgênios. Na medula há produção de adrenalina. O hipotálamo libera ao longo do dia CRH que é lançado na circulação porta hipotálamo-adenohipófise. Na adenohipófise, o CRH estimula a liberação de ACTH. O ACTH estimula as células fasciculadas do córtex das suprarrenais a secretar cortisol. Também é liberado um pouco de andrógenos nesse processo. O aumento de cortisol no sangue inibe a secreção de CRH pelo hipotálamo e ACTH pela adenohipófise (feedback negativo). A produção de cortisol é maior na manhã e menor a noite. O pico máximo é às 8hrs da manhã e pico mínimo ocorre entre 3-4hrs da madrugada. O cortisol é controlado pela alça de feedback (retroalimentação hipotálamo adenohipófise, como os andrógenos). A síntese e ação da aldosterona é controlada pelo K+ plasmático e angiotensina II. Os corticoides podem gerar o efeito da aldosterona (efeitos mineralocorticoides), com acúmulo de Na+ e perda de K+ pela urina pela ativação da bomba de Na+/K+. Esses efeitos são chamados mineralocorticoides e explicam os edemas e fácies características. Os principais representantes dos corticoides são: Duração Fármaco Potência anti- inflamatória e imunossu- pressora Efeito mineralo- corticóide Usos 8–12hrs - Hidrocortisona - Cortisona (pró- fármaco) - 1 (potência igual ao cortisol) - 0,8 - 1 - 0,8 A Hidrocortisona é usada na Doença de Addison (diminuição da produção de cortisol) 12–36hrs - Prednisona (pró- fármaco que é convertido em Prednisolona) - Prednisolona - Metilprednisolona - 4 - 4 - 5 - 0,8 - 0,8 - 0,5 – 0,8 A Prednisona é mais segura para grávidas, pois o feto/embrião não tem enzimas que convertem a prednisona em Prednisolona (forma ativa). A Prednisolona formada no fígado da mãe também não chega ao feto, pois a placenta tem enzimas que degradam a Prednisolona em Prednisona. Poderíamos dar direto Prednisolona, mas a placenta não tem enzimas suficientes para a converterem em Prednisona, por isso que a Prednisona é mais segura. 36–72hrs - Dexametasona - Betametasona - 30 - 25 - 0 - 0 Os pró-fármacos precisam do fígado para serem convertidos para a forma ativa e depois precisam ser convertidas novamente para serem excretados (forma mais hidrossolúvel). A Prednisona é convertida em Prednisolona pelo fígado. A Prednisolona é convertida em Prednisona e outros metabólitos por enzimas da placenta. A Prednisolona é convertida em metabólitos inativos pelo fígado. Outros corticoides: • Inalatórios: Fluticarona, Budesonida, Beclometasona. Não apresentam efeitos sistêmicos significativos e não necessitam de “desmame”, retirada gradativa do corticoide. Os efeitos colaterais são candidíase em orofaringe, rouquidão, densitometria mineral óssea diminuída (inibem osteoblastos). Geralmente são associados com broncodilatadores. Para qualquer via de administração dos corticoides (menos os inalatórios) deve ser feito o desmame, pois o uso contínuo faz atrofia da suprarrenal pelo feedback negativo no hipotálamo e na adenohipófise e a pessoa para de produzir cortisol (os corticoides agem como cortisol e diminuem a liberação de CRH, ACTH e cortisol). Se não for feito o desmame, a pessoa terá insuficiência suprarrenal aguda. Paciente fica com PA baixa, K+ alto e hipoglicemia. Todos os corticoides são altamente lipossolúveis e se ligam em receptores intracelulares citoplasmáticos, formando dímeros que vão para o núcleo e são capazes de: • Induzir RNA mensageiro capaz de formar lipocortina A que inibe a fosfolipase A2, diminuindo a síntese do ácido araquidônico a partir de fosfolipídeos de membrana → ação anti-inflamatória. • Reprimir a transição gênica de AP1 e NFkB, diminuindo genes que sãoresponsáveis por produzir enzimas e proteínas, com isto tempos menos NO, COX2 (enzima mediada no processo inflamatório), fibroblastos, moléculas de adesão, interleucinas, sistema complemento → ação imunossupressora. Fosfolipídeo de membrana é convertido em ácido araquidônico pela enzima fosfolipase A2. O ácido araquidônico é convertido com leucotrienos pela 5-lipoxagenase e em prostaglandinas e tromboxano A2 pela COX. A fosfolipase A2 pode ser inibida pelo cortisol naturalmente e pelos corticoides. Com a diminuição das prostaglandinas, há diminuição da inflamação. Na asma há diminuição dos leucotrienos, o que é interessante, pois no asmático prevalecem os leucotrienos broncoconstritores. Isso ocorre em todas as células, menos leucócitos e hemácias. Os usos clínicos são: • Insuficiência da suprarrenal: o Aguda: falha no desmame. o Síndrome ou Doença de Addison (doença autoimune): reposição com hidrocortisona com 2/3 às 8:00hrs e 1/3 no final da tarde. • Supressão do eixo hipotálamo-hipófise em altas doses da Dexametasona para diferenciar Síndrome de Cushing primária (suprarrenal) da secundária (hipotálamo-adenohipófise): na primária há um tumor nas suprarrenais que produz muito cortisol, então se der Dexametasona, isso não irá alterar a produção de cortisol. Na secundária, o tumor é no hipotálamo (alta produção de CRH) ou na adenohipófise (alta produção de ACTH), então a Dexametasona vai fazer um pouco de feedback negativo e a concentração de cortisol no sangue deve diminuir um pouco. • Alergias: bronquite, asma brônquica pela diminuição de leucotrienos. • Doenças autoimunes: artrite, lúpus, hepatite (grávidas), etc. Geram imunossupressão. • Processos inflamatórios que não respondem aos AINEs: rinite, conjuntivite, etc. • Transplantes, enxertos: evitam rejeição. • Neoplasias: usa-se por serem imunossupressores e antiemético (os mais potentes), pois diminuem prostaglandinas no centro do vômito. • Síndrome da angústia do recém-nascido: bebê não produz surfactante pulmonar. Injetar na mãe ou no bebê (se já nasceu) corticoide, pois estimula o amadurecimento dos pneumócitos. Os efeitos colaterais são: • Carboidratos: hiperglicemia. • Lipídeos: aumento de LDL, colesterol, TGs, gordura na face, circunferência abdominal, pois aumentam a produção da lipase hormônio sensível. • Proteínas: aumentam o catabolismo e diminuem o anabolismo proteico. Pode gerar fraqueza muscular, estrias, pele fina. • Sódio e água: retenção. • Potássio: hipocalemia. • Cálcio: raquitismo, osteopenia, osteoporose pela inibição dos osteoblastos. • TGI: lesão pela diminuição das prostaglandinas. FÁRMACOS ANTICOAGULANTES, ANTIPLAQUETÁRIOS E FIBRINOLÍTICOS São fármacos empregados no tratamento e profilaxia dos distúrbios da coagulação. Usados em infarto agudo do miocárdio, trombose venosa profunda, embolia pulmonar e acidente vascular encefálico isquêmico. Trombos são coágulos que aderem à parede vascular. São compostos por plaquetas, fibrina e hemácias. Podem ser: • Trombo arterial (trombo branco): tem origem a partir da lesão da parede arterial com exposição de colágeno. Com isso, tem adesão, ativação e agregação plaquetária. São trombos ricos em plaquetas. Usa-se antiplaquetários. • Trombo venoso (trombo vermelho): ocorre por uma dificuldade de retorno venoso. Pela estase sanguínea, há uma ativação inapropriada da cascata de coagulação com muita formação de fibrina. Os trombos são ricos em fibrina. Usa- se anticoagulantes. FÁRMACOS ANTICOAGULANTES: existem as vias intrínseca e extrínseca de coagulação. Na extrínseca, toda vez que temos um dano vascular há exposição do fator tecidual que ativa o fator VII. O fator VIIa + Ca2+ ativam o fator X. O fator Xa converte protrombina (fator II) em trombina. A trombina converte fibrinogênio (fator I) em fibrina (forma o coágulo), ativa o fator XIII (fator XIIIa estabiliza o coágulo) e ativa plaquetas. Sem trombina não há formação de fibrina e não há coagulação do sangue. Os fatores VII, II e X são sintetizados no fígado a partir de vitamina K. Após a formação do coágulo de fibrina, o fator XIIIa o estabiliza (fica mais firme). Esse processo é autolimitado pela antitrombina III (ATIII), que é um anticoagulante natural que inativa a trombina e o fator Xa. Tempo de protrombina (exame laboratorial TP) é o tempo que demora para coagular o sangue pela cascata de coagulação extrínseca, ou seja, avalia os fatores VII, II e X, sendo que esse tempo normal varia de 10-14s. TP prolongado pode significar deficiência dos fatores VII, II e/ou X, deficiência de vitamina K, insuficiência hepática, uso de anticoagulantes. Os fármacos anticoagulantes podem ser: • Injetáveis: o Heparinas e seus derivados: ▪ Heparina não fracionada (HNF). ▪ Heparinas de Baixo Peso Molecular (HBPM). ▪ Fondaparinux. o Outros anticoagulantes injetáveis: Argatrobana, Lepirudina, Bivalirulina. Não caem na prova. • Orais: o Antagonista da Vitamina K: Varfarina (Marevan). Impede a formação dos fatores de coagulação. o Novos anticoagulantes orais: Dabigatrana, Apixabana, Rivaroxabana (Xarelto), Edoxabana. Anticoagulantes injetáveis → Heparinas: mecanismo de ação anticoagulante indireto. Heparina se liga na ATIII, aumentando a velocidade com que a ela inativa os fatores de coagulação IIa (trombina), Xa, IXa, XIa e XIIa já produzidos. • Heparina não fracionada (HNF): Heparina (Liquemine). São moléculas grandes que não são absorvidas por via oral. Pode ser administrada por via IV (efeito imediato) ou subcutânea (aproximadamente 2hrs para o início da ação). Usada na emergência. Para que a Heparina consiga aumentar o efeito da ATIII sob a trombina, essa molécula de Heparina deve ligar-se simultaneamente na ATIII e na trombina. Como a molécula de Heparina é muito grande, ela consegue fazer isso. Para a Heparina exercer o efeito sob o fator Xa, basta ela se ligar na ATIII, ou seja, o fator Xa não precisa estar ligado a Heparina para ser inativado pela ATIII, basta a Heparina se ligar à ATIII. A Heparina inativa a trombina já formada e, ao inibir o fator Xa, não há formação de nova trombina. Por essa razão, a Heparina tem maior risco de hemorragia do que a HBPM. Os efeitos adversos são: o Hemorragia: o fármaco deve ser suspendido em casos moderados. Em casos mais graves, utilizar o Sulfato de Protamina que é positivo e a Heparina é negativa, então há uma atração iônica e inativação da dela. o Trombocitopenia induzida por Heparina: é reversível com a suspensão do fármaco. Pode ser dos tipos: ▪ Tipo 1: tem início rápido (1-4 dias após o início da terapia). Ocorre uma queda transitória e moderada do número de plaquetas, não mediada por anticorpos. Há atração entre a Heparina (-) e as plaquetas (+), gerando ativação plaquetária e formação de agregados de plaquetas. Esse agregado vai para o baço e é destruído, causando a diminuição do número de plaquetas. ▪ Tipo 2: início entre o 5º-15º dia de terapia e raro. Há a formação de anticorpos antiplaquetários heparina-dependentes. A queda de plaquetas é grave e deve ser feito um tratamento maior. • Heparinas de Baixo Peso Molecular (HBPM): Ardeparina, Dalteparina (Fragmin), Enoxaparina (Clexane), Nadroparina, Reviparina, Tinzaparina. São obtidas a partir da Heparina, também não são absorvidas por via oral e possuem administração por via subcutânea apenas. Comprada na farmácia para gestantes (evitar trombos no cordão umbilical), no pós-operatório, etc. A HBPM tem um tamanho menor, portanto não consegue se ligar simultaneamente na ATIII e na trombina. Isso significa que a HBPM tem uma ação muito potente no fator Xa, masnão consegue aumentar de forma efetiva a ação da ATIII sobre a trombina. A HBPM inativa o fator Xa e impede a formação de trombina, mas impede de forma menos eficaz a ação da trombina já formada. • Fondaparinux: é menor que a HBPM. Liga-se à ATIII e acelera, seletivamente, a inativação do fator Xa. A administração é subcutânea única diária para profilaxia de TVP em pacientes submetidos a cirurgias de quadril, joelho e fratura de quadril. Anticoagulantes orais: • Antagonista da vitamina K: Varfarina. Inibe a síntese hepática dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K, os fatores VII, X e II (via extrínseca da coagulação). O paciente deve ser monitorado constantemente. É um fármaco de baixo índice terapêutico (dose é semelhante a dose de intoxicação). Seu efeito demora para ter início (inibe a síntese), levando 15 dias para atingir o efeito terapêutico. É um anticoagulante indicado para manutenção do tratamento anticoagulante de longa duração. Heparinas são utilizadas para o controle inicial, pois têm efeito anticoagulante imediato, já que agem nos fatores de coagulação já sintetizados. Depois disso, a Varfarina pode ser administrada, em paralelo com a Heparina, pois a Varfarina leva um tempo para ter ação. A Varfarina sofre biotransformação hepática pelo CYP2C9 e liga-se extensivamente (97%) às proteínas plasmáticas. Isso faz com que haja muito potencial de interações medicamentosas. AINES se ligam muito às proteínas plasmáticas, competindo com a Varfarina. Então o AINES rouba a albumina, deixando a Varfarina livre no plasma, sendo distribuída, aumentando o efeito anticoagulante e podendo ter hemorragias. Se tomar Varfarina com indutores enzimáticos (barbitúricos, Carbamazepina, Rifampicina), há uma redução do efeito anticoagulante. Já se tomar Varfarina com inibidores enzimáticos (Cimetidina, Omeprazol, Fluconazol, Secnidazol, Amiodarona, Piroxicam), há aumento do efeito anticoagulante. A Varfarina sofre grande influência dos alimentos contendo vitamina K como folhas verdes escuras (couve, rúcula, espinafre, brócolis), repolho, uva, óleo de soja, chá verde, ameixa seca. Alimentos ricos em vitamina K competem com a Varfarina, reduzem a sua eficácia e isso aumenta o risco de trombose. Paciente com Varfarina deve ser monitorizado para que a dose fique muito bem ajustada. Esse monitoramento é feito pela Razão Normalizada Internacional (RNI ou INR) que é o tempo de protrombina padronizado (TP padronizado), corrigido a padrões mundiais pela OMS (RNI=(TP paciente/TP referência)ISI, ISI é o índice de Sensibilidade Internacional que é fornecido pelo fabricante para cada lote de reagente – fator tecidual), feito para evitar interferências laboratoriais. O valor recomendado de RNI para pacientes que fazem profilaxia e tratamento da doença trombótica é de 2-3. O valor do RNI (feito apenas para pacientes em uso de Varfarina) permite o ajuste de dose da Varfarina. Se RNI estiver baixo (<1,5), o sangue está coagulando mais rápido, aumentando o risco de trombose e deve- se aumentar a dose de Varfarina. Se RNI estiver alto (>3,0), o sangue está coagulando mais devagar, aumentando o risco de hemorragia e deve-se diminuir a dose de Varfarina. A vantagem é que é um fármaco muito barato. • Inibidor direto da trombina: Dabigatrana. Inibe diretamente a trombina e não há formação de fibrina. Melhor perfil de segurança, maior facilidade de utilização e eficácia similar à da Varfarina, porém é bem mais caro. • Inibidor direto do fator Xa: Apixabana, Rivaroxabana, Edoxabana. Inibem diretamente o fator Xa, não há conversão de protrombina em trombina e não há formação de fibrina, inibindo o desenvolvimento de trombos. Vantagens dos novos anticoagulantes orais: alto índice terapêutico, rápido início de ação (inibem fatores de coagulação prontos), baixo potencial de interação medicamentosa, não sofrem influência de alimentos contendo vitamina K e não há necessidade de monitoramento dos parâmetros de coagulação durante a terapia. A desvantagem é que possuem alto custo. Reversão da anticoagulação com fármacos empregados na reversão emergencial do sangramento agudo grave provocado pelo uso de anticoagulantes. Funcionam como antídotos do anticoagulante em uso. É usado vitamina K para Varfarina, Andexamet-α para Rivaroxabano e Idarucizumabe para Dabigatrana (é preciso saber apenas o antídoto para a Varfarina). FÁRMACOS ANTIPLAQUETÁRIOS: plaquetas são fragmentos celulares anucleados, ou seja, não sintetizam nenhuma proteína. Possuem receptores PAR1 (para trombina que ativa plaquetas), TXA2R (para TXA2 que ativa plaquetas) e P2Y12 (para ADP que ativa plaquetas). Plaquetas ativadas começam a recrutar novas plaquetas, iniciando o processo de agregação plaquetária. Também possuem as glicoproteínas que são responsáveis pela adesão das plaquetas ao endotélio subvascular. A GP Ia/IIa liga-se ao colágeno, a GP Ib liga-se ao fator von Willebrand (FvW) e a GP IIb/IIIa liga-se ao fibrinogênio. A GP IIb/IIIa está inativa nas plaquetas em repouso. Uma vez que a plaqueta é ativada (ligação com trombina, TXA2 e ADP), a GP IIb/IIIa fica ativa e liga-se ao fibrinogênio. A partir daí que ocorre a agregação plaquetária. A agregação plaquetária se dá pela ligação com pontes de fibrinogênio. Cada fibrinogênio liga duas plaquetas. No estado normal, o endotélio intacto libera NO e PG12 no plasma, impedindo a adesão plaquetária (GP IIb/IIIa inativa). Com a lesão endotelial, há exposição de colágeno e FvW, ocorrendo a adesão plaquetária. As plaquetas começam a liberar ADP e a produzir TXA2 (ácido aracdônico é convertido em TXA2 pela COX1 presente nas plaquetas) que fazem o recrutamento e a ativação de outras plaquetas (ativação plaquetária). Também ocorre a ativação da GP IIb/IIIa para ligação das plaquetas com fibrinogênio. O fibrinogênio liga-se simultaneamente à GP IIb/IIIa de plaquetas vizinhas, resultando na ligação cruzada entre plaquetas (agregação plaquetária). Os fármacos antiplaquetários são: • Ácido Acetil Salicílico (AAS): faz a inibição irreversível das COX1 e COX2. Para que ele iniba preferencialmente e de forma permanente a COX1 plaquetária, deve-se usar AAS em doses baixas (100-325mg/dia). Com isso, há inibição da síntese de TXA2 pelas plaquetas, impedindo a ativação e agregação plaquetária. Uma vez que a COX1 da plaqueta for inibida, o efeito persiste por 7-10 dias após a última dose, até que novas plaquetas sejam produzidas (plaqueta não produz novas proteínas, então ela precisa ser renovada por outra plaqueta nova que a COX1 não esteja inibida). • Inibidores do receptor para ADP (P2Y12): Ticlopidina, Clopidogrel, Prasugrel, Ticagrelor. Inibem seletivamente a ligação do ADP ao seu receptor P2Y12 na superfície da plaqueta. Com isso, há inibição subsequente da ativação da GP IIb/IIIa induzida pelo ADP, impedindo a ligação do fibrinogênio a estes receptores (inibição da agregação plaquetária). Ticlopidina, Clopidogrel e Prasugrel são pró- fármacos (necessitam de metabolização hepática pelo CYP450 para tornarem-se ativos) e promovem inibição irreversível do receptor P2Y12, então o efeito desses fármacos também persiste por 7-10 dias (plaquetas tem que ser renovadas). Omeprazol inibe a enzima (CY2C19) que ativa o Clopidogrel, reduzindo a ativação dele e, portanto, sua eficácia antiplaquetária (aumenta o risco de trombose). • Inibidor da glicoproteína IIb/IIIa: a ligação do fibrinogênio a GP IIb/IIIa é via final que induz à formação do coágulo. o Anticorpo monoclonal: Abciximabe. Anticorpo monoclonal dirigido contra a GP IIb/IIIa, destruindo-a. É administrado por via IV no uso hospitalar. Principal efeito adverso ésangramento. o Análogos do fibrinogênio: Eptifibatide. Inibe o local de ligação do fibrinogênio à GP IIb/IIIa. Ele liga na GP e não deixa o fibrinogênio se ligar. É análogo ao fibrinogênio, inibindo a agregação plaquetária. A administração é IV no uso hospitalar. O principal efeito adverso é o sangramento. • Inibidor do receptor para trombina (PAR1): Vorapaxar. Não é usado no Brasil. FÁRMACOS FIBRINOLÍTICOS: degradam o trombo. Endotélio vascular secreta t- PA (ativador de plasminogênio tecidual) que se liga na fibrina, convertendo o plasminogênio em plasmina que degrada a fibrina. À medida que degrada em fibrina, o coágulo vai se desfazendo. Fármacos fibrinolíticos são usados na emergência, em situações críticas de embolia pulmonar, TVP grave e no AVC isquêmico agudo. Os fármacos são: • Estreptoquinase: proteína produzida por estreptococos β-hemolíticos. Tem um alto potencial de reações alérgicas. A Estreptoquinase ativa tanto o plasminogênio circulante quanto o ligado a fibrina, lisando diversos fatores de coagulação e aumentando o potencial de sangramento (não é fibrino- específico). • Alteplase, Tenecteplase e Reteplase: são análogos do t-PA humano, produzidos por tecnologia de DNA recombinante. São fibrino-específicos e têm maior afinidade pelo plasminogênio presente nos trombos, ligados à fibrina. Com isso, têm menor potencial de sangramento. Além disso, não são antigênicos (raramente causam reações alérgicas), mas são mais caros. Os fármacos fibronolíticos convertem plasminogênio em plasmina que degrada fibrina, dissolvendo o coágulo. ANTIMICROBIANOS Os antibióticos são os antimicrobianos mais utilizados, atualmente, na terapêutica e se constituem num grupo de drogas cujas estruturas são, originariamente, produzidas por seres vivos, com o intuito de inviabilizar a vida de outros seres vivos (antibiose). Existem antimicrobianos que não são antibióticos (sua estrutura não foi originariamente produzida por um organismo vivo). Utiliza-se antimicrobianos quando o paciente está infectado. Primeiramente, antes de iniciar a terapia, deve ser feito o exame de cultura e o antibiograma que permitem a escolha do antibiótico mais adequado a cada paciente, diminuindo assim os riscos de resistência bacteriana. Entretanto, não se faz isso na rotina, porque características clínicas levam à interpretação de que há uma infecção (febre, pus e processo inflamatório). Desta forma, é feita a antibioticoterapia presuntiva, ou seja, através da história do paciente avalia-se com quais infecções aquele quadro é mais compatível. A antibioticoterapia presuntiva deveria ser feita apenas nos casos mais graves. Antibióticos de amplo espectro devem ser evitados, sendo preferível a utilização de associações (em princípio, podem ser associados antibióticos que possuam mecanismos de ação diferentes e que exerçam seus efeitos adversos em sistemas diferentes). A contagem de neutrófilos (primeira linha de defesa do organismo) deve ser sempre feita, pois neutropenia (contagem baixa) significa que o paciente não tem como combater a infecção com o sistema imune, de forma que a única coisa que vai combater é a droga (usar droga mais potente). Se a contagem estiver normal, pode-se usar uma droga menos potente, que gera menos intercorrências no organismo. Muitos antimicrobianos fazem a depleção de neutrófilos, ou seja, o próprio tratamento compromete a imunidade, então a contagem deve ser repetida enquanto o paciente estiver internado. Entretanto, os neutrófilos ainda são necessários mesmo com a droga, pois esta mata os agentes em escala logarítmica, de forma que nunca chega à zero o número de agentes. Já os neutrófilos fazem a limpeza final, então são necessários para finalizar o processo de infecção. Idade, sexo, estado nutricional, doenças e outros medicamentos interferem na imunidade do paciente. Se o paciente tiver alguma doença hepática ou renal, é preciso escolher antibióticos que lesam menos esses órgãos (todo antibiótico lesa os rins). Além disso, é desnecessário prescrever um medicamento que o paciente não pode comprar ou não consiga tomar. O antibiótico deve ser tomado exatamente no intervalo prescrito, pois a posologia é feita de acordo com o ciclo de reprodução do microrganismo. A dose deve ser obedecida, pois doses abaixo da dose terapêutica podem gerar resistência. Em pacientes ambulatoriais, o esquema de antibioticoterapia deve ser mantido pelo tempo determinado, e a posologia deve ser rigorosamente observada. Em pacientes internados, sobretudo em UTIs, a melhora clínica determina a interrupção da antibioticoterapia, tanto para prevenir eventual seleção de resistentes quanto para não sobrecarregar o organismo do paciente, que já está depauperado. Em pacientes internados, exceto em casos de infecções do sistema nervoso central e em endocardite bacteriana, assim que o patógeno for identificado, a antibioticoterapia parenteral deve ser substituída pela oral, eliminando assim uma porta de entrada para microrganismos. Após 72 horas do início do tratamento, caso não seja observada melhora clínica, é preciso prescrever outro fármaco. Entretanto, se o tratamento for interrompido antes, haverá menor dose do fármaco, podendo criar resistência. Existe o uso profilático de antimicrobianos quando há uma grande probabilidade do paciente se infeccionar como em cirurgias sujas marcadas (tubo digestivo e sistema gênito-urinário), pacientes com AIDS, pacientes cujo trabalho deteriora glóbulos brancos (radiologista que trabalha com oncologia, farmacologista que manipula radioisótopos), pacientes que tomam fármacos que fazem a depleção do sistema imune (quimioterapia, após transplante), trabalhadores da indústria do sexo, pacientes que vão viajar para regiões com infecções endêmicas. A associação de fármacos é feita quando há infecções múltiplas ou quando não se sabe o que o paciente tem, como várias infecções em lugares diferentes ou uma infecção em um único local, mas por microrganismos distintos ao mesmo tempo. Cada serviço de saúde faz a sua ciclagem de antibióticos. Faz-se um rodízio dos antibióticos indicados para que a resistência diminua. Por isso que sempre tem o medicamento de primeira, segunda e terceira escolha (a escolha muda periodicamente). Superbactérias são bactérias multirresistentes, ou seja, resistentes à maior parte dos antimicrobianos conhecidos. As mais importantes no momento são: MRSA, VRSA, VRE, CRE e algumas Klebsiellas sp. ANTIBIÓTICOS QUE ATUAM NA PAREDE CELULAR: a parede celular é composta por peptideoglicanos (NAG e NAM) que devem ser ligados de forma a montar a estrutura da parede, como uma malha. As enzimas transpeptidases ou PBP (proteínas ligantes de penicilina) fazem as ligações cruzadas, formando a estrutura da parede. Todos esses antibióticos inibem a PBP, de forma que a ligação entre os peptideoglicanos diminui. Dessa forma, os antibióticos não destroem a parede, mas impedem que ela seja renovada, assim ela ficando cada vez mais fina. Como a pressão oncótica no interior do microrganismo é alta, a água passa mais para dentro da célula que acaba sofrendo lise. Logo, são drogas bactericidas. A vantagem desse grupo é de que a probabilidade de ter efeitos adversos importantes é menor, uma vez que as células humanas não possuem parede, então não age em estruturas do nosso corpo. • Beta-lactâmicos: o Penicilinas: o principal problema associado às penicilinas é a alta imunogenicidade, significando que muitos pacientes são alérgicos a elas. ▪ Penicilina G: tem meia vida baixa (cerca de 4 horas) e é ácido sensível, ou seja,não é absorvida via oral. Além disso, é de pequeno espectro contra Gram-positivas. ▪ Penicilinas de meia vida alta: Penicilina G benzatina/ Benzilpenicilina (Benzetacil). Também é só injetável, pois ainda é ácido sensível, então não é absorvida via oral. É uma forma de depósito, aumentando o tempo que a droga fica disponível no organismo. ▪ Penicilinas ácido resistentes: podem ser usadas por via oral, como a Penicilina V, mas a meia-vida se mantém igual. ▪ Penicilinas beta-lactamases resistentes: evitam que as bactérias se tornem resistentes ao antibiótico (bactérias passam a sintetizar uma enzima que quebra o anel beta-lactâmico, a beta- lactamase). Como exemplos, temos a Oxacilina e seus derivados. Pode-se, também, associar uma Penicilina beta-lactamase sensível a uma droga como o Clavulanato (Clavulin) ou Tazobatam, que inibe a beta-lactamase. Dessa forma, a beta- lactamase é inibida e a Penicilina continua sendo efetiva. A Meticilina, outra droga dessa classe, foi desenvolvida para combater S. aureus (espécie que mais rapidamente desenvolve resistência por beta-lactamase). Entretanto, atualmente existem os MRSA (S. aureus resistentes à Meticilina) que, juntamente com os VRE, (nterococos resistentes à Vancomicina), representam um enorme problema em termos de infecções hospitalares. Os VMSA (S. aureus resistentes à Vancomicina) e os CRE (enterococos resistentes aos carbapenemos) também representam riscos hospitalares importantes. Atualmente a Meticilina não está sendo usada terapeuticamente por sua alta nefrotoxicidade. ▪ Penicilinas de amplo espectro: atuam sob Gram-positivas e Gram-negativas. São drogas como a Ampicilina e a Amoxicilina. Por serem de amplo espectro, podem causar superinfecção rápida instalação de resistência bacteriana. Na superinfecção, ocorre a destruição da flora normal e infecção por organismos oportunistas, como o Clostridium difficile e a Candida albicans. Eles estão presentes na flora normal, mas tornam patogênicos quando a flora fica desequilibrada pela ação de antibióticos de amplo espectro, sendo que o Clostridium difficile provoca enterocolite pesudomembranosa. ▪ Penicilinas de espectro variado (PPE): Piperaciclina. São Penicilinas de amplo espectro ativas também contra Proteus sp, Pseudomonas sp e E. coli. Foram desenvolvidas para combater infecções hospitalares por esses organismos, mas hoje em dia há muita resistência a elas. Hoje em dia a Piperaciclina é utilizada em associação com Tazobactan (PIP-TAZ), sendo essa associação restrita ao ambiente hospitalar para pacientes com infecção urinária grave. o Cefalosporinas: são as drogas mais usadas em antibioticoterapia profilática. São menos imunogênicos que as Penicilinas (6% dos pacientes alérgicos a Penicilinas o são também a Cefalosporinas). Cefalosporinas e Metronidazol não devem ser associadas a álcool e barbitúricos. No caso do álcool, acumula-se acetaldeído no organismo pela inibição da enzima aldeído desidrogenase, fazendo o efeito Dissulfiram-like. Dissulfiram é um medicamento usado em pessoas que bebem excessivamente ou são alcoólatras. O álcool é metabolizado e forma um aldeído tóxico que normalmente é convertido em ácido acético pela enzima aldeído desidrogenase. O Dissulfiram inibe essa enzima, portanto o aldeído tóxico não é metabolizado, de forma que a pessoa passa muito mal. ▪ 1ª geração: é mais ativa contra Gram-positivas. ▪ 2ª geração: é mais ativa contra Gram-negativas. ▪ 3ª geração: são beta-lactamase resistentes e de espectro amplo. São usadas principalmente em ambiente hospitalar e têm representantes orais e parenterais. ▪ 4ª geração: são beta-lactamase resistentes e de espectro ampliado. São usadas exclusivamente em hospitais pela via parenteral. ▪ 5ª geração: ainda em desenvolvimento. São as Cefemas, ativas contra superbactérias (MRSA/VRSA e VRE/CRE). O Ceftobiprol é um exemplo dessa classe. o Carbapenemos: utilizados em casos graves, em pacientes infectados por múltiplos microrganismos aeróbios e anaeróbios, exceto em infecções hospitalares (é feito isso para diminuir a velocidade da resistência). Podem ser usados em VRE. Entretanto, os VRE começaram a ficar resistentes aos Carbapenemos (CRE). o Monobactamas: alternativa a Penicilinas e Cefalosporinas, em pacientes alérgicos, e aos aminoglicosídeos. • Não beta-lactâmicos: o Vancomicina: deve ser reservada para casos graves em ambiente hospitalar. Apresenta alta incidência de nefrotoxicidade, de depleção da medula óssea e ototoxicidade (não age apenas na parede celular, mas nos tecidos também, sendo mais tóxica que as Penicilinas). Era reservada para o C. difficile, mas começou a ser usada também para MRSA, de forma que o S. aureus se tornou resistente também à ela (VRSA). Também surgiu o VRE, de forma que surgiram os Carbapenemos para combatê-los. o Teixobactina: antibiótico em fase de ensaios clínicos que atua na parede celular, mas não em regiões peptídicas (não age na enzima transpeptidase). Isso pode diminuir o aparecimento de resistência, pois nenhum mecanismo de resistência conhecido baseia-se em mutações relativas a regiões não peptídicas da parede. Os mecanismos de resistência descritos envolvem as transpeptidases. In vitro, a droga mostrou-se ativa contra bactérias multirresistentes como VRE, CRE, MRSA e VRSA e contra o M. tuberculosis. ANTIFOLÍNICOS: são antimicrobianos não antibióticos que consistem numa associação entre Sulfametoxazol (sulfa) + Trimetoprim (Bactrim), visando impedir a síntese do ácido fólico pelas bactérias (bloqueio sequencial). A vantagem de tal associação é diminuir a dose de sulfas a ser administrada, uma vez que essas substâncias são muito tóxicas e causam muitos efeitos adversos como reações de hipersensibilidade (cutânea e respiratória), depleção da medula óssea (diminuição de leucócitos, hemácias e plaquetas), formação de sulfemoglobina (pigmento marrom que transporta menos O2), formação de metahemoglobina (não transporta O2), nefrotoxicidade, hepatotoxicidade, fotossensibilidade. O PABA (ácido parabenizóico) é utilizado pelo microrganismo para produção de ácido fólico. O PABA sofre ação da enzima diidropteroato sintetase que forma o ácido diidrofólico, que sofre ação da enzima diidrofolato redutase, formando o ácido tetrahidrofólico que depois vira o ácido fólico. O ácido fólico é necessário para a síntese de ácidos nucleicos do microrganismo e, sem essa substância, ele morre. Associando-se a sulfa e o Trimetoprim, atua-se nos dois passos da síntese do ácido fólico: a sulfa compete com o PABA pela diidropteroato sintetase e o Trimetoprim compete com o ácido diidrofólico pela diidrofolato redutase. Nas doses terapêuticas, essa associação é bacteriostática (para ser bactericida a dose deve ser muito alta). Essa associação possui os mesmos efeitos colaterais das sulfas, porém em menor grau. É muito usada em infecções urinárias por bactérias Gram- negativas (embora a associação seja de amplo espectro). ANTIBIÓTICOS QUE AGEM NA SÍNTESE PROTEICA: inibem a síntese proteica ou induzem a produção de proteínas anômalas. Esse efeito é sempre reversível, exceto nos aminoglicosídeos, por isso que são mais tóxicos. São as mais tóxicas de todas porque agem nos nossos ribossomos. São bacteriostáticos, mas em doses elevadas alguns podem ter efeito bactericida, e quase todos têm amplo espectro. Dividem-se em: • Tetraciclinas: usadas em doenças febris, principalmente as causadas por riquétsias, clamídeas e Borrelia sp. São nefrotóxicas, fotossensíveis e imunogênicas. Interagem com qualquer cátion bivalente (principalmente cálcio e magnésio),formando um complexo quelato de forma que não há absorção desses íons. Portanto, são contraindicadas para crianças e portadoras de osteoporose. Além disso, não podem ser administradas junto com as refeições, para evitar interações. São ativas contra anaeróbios e a Tigeciclina é ativa contra bactérias multirresistentes (MRSA e VRE). • Cloranfenicol: indicado na febre tifóide e em uso tópico para infecções oftálmicas. É uma droga de amplo espectro que tem sido usada em VRE. Depleta a medula óssea, podendo promover anemia aplásica irreversível. Além disso, forma cianohemoglobina, um pigmento azul que transporta pouco oxigênio. É contraindicado no último trimestre da gravidez, porque causa a síndrome do bebê cinzento (cianohemoglobina no feto) que é fatal. • Macrolídeos: Eritromicina (amplo espectro), Claritromicina (mais ativa contra Gram-positivas) e Azitromicina (mais ativa contra Gram-negativas). São os menos tóxicos de todas as drogas de afetam a síntese proteica. São usadas em infecções da árvore respiratória superior (acometem tudo menos os pulmões, como a sinusite) e em algumas pneumonias por organismos atípicos, como Mycoplasma sp e Legionella sp, e por S. pneumoniae. Podem causar aumento do intervalo QT, provocando arritmia cardíaca do tipo torsades de pointes (TdP que não é grave em pacientes não cardiopatas). Evita-se em pacientes cardiopatas. Clindamicina, Lincomicina são drogas de amplo espectro, úteis em infecções por anaeróbios. Linezolida atua contra superbactérias (MRSA, VRSA, CRE e VRE), mas já estão surgindo cepas resistentes. Atua em alguns anaeróbios. Uso exclusivamente hospitalar. É ativa apenas contra Gram-positivas. • Estreptograminas: podem ser usadas em MRSA, VRSA e alguns VRE. Costumam provocar artralgia e mialgia. Deve-se avisar o paciente para que ele saiba o motivo da dor e talvez prescrever junto algum relaxante muscular. • Aminoglicosídeos: ao contrário dos anteriores, inibem irreversivelmente a síntese proteica, portanto são os mais tóxicos de todos os antimicrobianos. Não são absorvidos por via oral, apenas injetáveis. A Neomicina pode ser administrada por via oral (mas não é absorvida) para infecções do TGI ou pode ser utilizada topicamente em infecções cutâneas. Se houver solução de continuidade na pele ou no TGI, a droga é absorvida e passará a desencadear os efeitos adversos de todos os aminoglicosídeos: ototoxicidade (atinge o VIII par de forma irreversível, gerando risco de surdez), neurotoxicidade (neurites de ponta de nervo, gerando parestesia e dor em extremidades) e nefrotoxicidade. Aminoglicosídeos associados a Penicilinas são usados em infecções graves, principalmente hospitalares, causadas por múltiplos organismos. ANTIMICROBIANOS QUE AGEM NOS ÁCIDOS NUCLEICOS (DNA/RNA): • Quinolonas: inibem a DNAGirase (topoisomerase). Dessa forma, ocorre um superespirilamento do DNA, impedindo o processo de transcrição. Os derivados do Ácido Nalidíxico são de espectro pequeno, enquanto os derivados do Norfloxacino, Ciprofloxacino e Levofloxacino têm amplo espectro. Indicadas para infecções respiratórias (sobretudo pneumonias), infecções urinárias por Gram-negativas e contra H. pylori (Ciprofloxacina ou Levofloxacina). Uma nova geração foi desenvolvida para uso em infecções por micobactérias. Podem provocar arritmia cardíaca torsade des pointes, com prolongamento do intervalo QT. Como todas as drogas que agem no DNA, são potencialmente carcinogênicas, mutagênicas e teratogênicas. As que atravessam a BHE podem provocar alucinações e sonhos vívidos. • Rifampicina: 1ª escolha no tratamento de micobactérias, especialmente na tuberculose. Inibe a transcrição proteica. • Metronidazol: não é antibiótico. Lesa o DNA. Usado em infecções graves, sobretudo em pacientes multiinfectados, infectados por anaeróbios (Clostridium difficile) e/ou em pacientes em choque séptico. Também é usado como vermífugo (helmintos e parasitas cilíndricos). 1ª escolha no caso de enterocolite pseudomembranosa. Em doses altas, por via parenteral, pode induzir convulsões. Promove o efeito Dissulfiram-like quando associado ao álcool. ANTIBIÓTICOS QUE ATUAM EM MEMBRANAS CELULARES: • Daptomicina: ligação irreversível e droga bactericida. Atua principalmente em bactérias Gram-positivas. É ativa contra S. aureus, incluindo os MRSA/VRSA, e contra VRE/CRE, mesmo os resistentes a Linezolida. É só hospitalar e injetável. Ocupa os espaços das proteínas de membrana (canais), de forma que tudo que for hidrossolúvel não entra ou sai da célula. Tem efeitos adversos nas membranas das células do nosso organismo, principalmente nos rins (nefrotoxicidade). Não é carcinogênica. • Polimixinas B e E: desorganizam a membrana plasmática, alterando a sua permeabilidade a solutos e solventes. São bactericidas. São extremamente nefrotóxicas, por isso são indicadas quase que exclusivamente para uso tópico. Atualmente está sendo avaliado seu uso em infecções graves por Gram- negativos multirresistentes. Caíram em desuso porque são muito nefrotóxicas, inclusive carcinogênicas, mas voltaram a ser usada, pois têm atividade contra superbactérias. FARMACOLOGIA DA HIPÓFISE ANTERIOR A hipófise anterior produz TSH, ACTH, FSH e LH, GH, PRL, endorfinas. Hipotálamo libera mediadores que estimulam ou inibem a função da hipófise anterior. Por exemplo, o hipotálamo produz CRH que estimula a hipófise a produzir ACTH que estimula as suprarrenais a produzir cortisol. GH é estimulado por GHRH e inibido pela somatostatina. A prolactina é estimulada pelo TRH e inibida pela dopamina. O FSH e LH são estimulados pelo GnRH. O ACTH é estimulado pelo CRH. O TSH é estimulado pelo TRH e inibido pela somatostatina. A somatostatina e a dopamina também são liberadas pelo hipotálamo. GH é o hormônio do crescimento que é liberado na infância com pico na adolescência. Tem uma estrutura enovelada de aminoácidos. É liberado de acordo com alguns estímulos. A L-DOPA, agonistas α-adrenérgicos, 5HT, hipoglicemia, sono, exercícios, estresse estimulam o hipotálamo a secretar GHRH e hormônios sexuais estimulam a hipófise anterior a secretar GH. Com a estimulação pelo GH, o fígado e as periferias produzem IGF-1 que faz uma parte dos efeitos do GH. IGF-1 inibe o hipotálamo e a adenohipófise (feedback negativo), e β-adrenérgicos inibem o hipotálamo. Se produzir muito GH antes da puberdade a pessoa tem gigantismo, e após dá acromegalia. A falta do GH dá nanismo congênito ou adquirido. Tratamento farmacológico da acromegalia/gigantismo: • Análogos da somatostatina: somatostatina tem uma meia-vida muito curta (3min). Cada tecido produz uma somatostatina diferente, mas identificaram os aminoácidos que realmente importam para a inibição do GH e criou-se Octreotida, Lanreotida, Seglitida, Vapreotida que são análogos à somatostatina e inibem o GH em os pacientes com gigantismo ou acromegalia. Também são usados em tumores intestinais e pancreáticos. Os efeitos colaterais são náuseas, vômitos, diarreia e cálculos biliares. • Agonistas dopaminérgicos: Bromocriptina, Carbegolida, Pergolida. • Antagonistas do receptor de GH: Pegvisomanto. Para o tratamento de pacientes com nanismo, síndromes genéticas (Turner), doenças crônicas da infância e outros, administra-se GH (bactéria com gene humano que produz GH). Os efeitos colaterais do GH são poucos nas crianças, mas no adulto podem causar edema, mialgias, artralgias, hiperglicemia (rara), edema de papila, hipertensão intracraniana. O GH é um indutor enzimático, podendo ter interações medicamentosas (aumenta o metabolismo de corticoides, anticonvulsivantese ciclosporina). Usa-se o GHRH (Acetado de Sermorelina) no diagnóstico para determinar a reserva de GH e no tratamento do nanismo (mais frequente usar GH). No nanismo de Laron, os pacientes têm defeito nos receptores de GH, então são tratados com IGF-1. Os hormônios sexuais FSH e LH têm função reprodutiva em homens e mulheres e são usados para o tratamento de fertilidade em ambos os sexos e para hipogonadismo e criptorquidia (testículo não desde para a bolsa escrotal). Na mulher, o FHS estimula o desenvolvimento dos folículos ovarianos e o LH estimula a produção de estrógeno e progesterona e induz a ovulação. No homem, o FSH estimula a espermatogênese e o LH estimula a produção de testosterona. São obtidos da urina com excesso desses hormônios em grávidas e em mulheres menopausadas. • GnRH em pulsos (Gonadogrelina): hipotálamo secreta GnRH em pulsos que estimula a liberação de FSH e LH pela adenohipófise, então a indicação é para infertilidade e para diferenciar doença hipofisária de hipotalâmica. • GnRH em doses contínuas e prolongadas (Leuprolida, Nafarelina, Histrelina, Goserelina): causam down-regulation dos receptores de GnRH na hipófise, causando redução da produção de gonadotrofinas. A indicação é para homens com puberdade precoce e câncer de próstata (para diminuir testosterona) e em mulheres na endometriose (tecido do endométrio fora da cavidade endometrial), miomas uterinos (mioma é hormônio dependente), ovários policísticos e puberdade precoce. Os efeitos adversos do GnRH com uso contínuo são hipogonadismo, osteoporose, alteração do metabolismo lipídico, etc. A prolactina é o hormônio que induz e mantém a lactação. Também influencia os níveis de FHS e LH e diminui a libido. A hiperprolactinemia pode ser causada em condições fisiológicas por gestação, lactação, estresse e estimulação mamária. Já as causas patológicas de hiperprolactinemia são prolactinomas, fármacos (antipsicóticos, antidepressores) e estimulação mamária (trauma, queimaduras). O tratamento é feito com agonistas dopaminérgicos derivados do Ergot como Bromocriptina, Pergolida e Cabergolida. O ACTH aumenta a liberação de glicocorticoides que aumentam a neoglicogênese (ajuda na resposta ao estresse), altera o nível das células sanguíneas e tem ação anti-inflamatória em altas doses. Na doença de Cushing há excesso de ACTH que estimula muito a produção de cortisol pelas suprarrenais. Se não for possível a retirada do tumor hipofisário, utiliza-se drogas para bloqueio das suprarrenais. Se isso também não for possível, as suprarrenais podem ser retiradas. A POMC dá origem ao ACTH, MSH (hormônio estimulante do melanócito) e endorfinas. Cortisol faz feedback negativo com POMC. TSH estimula a liberação de T3 e T4 pela tireoide. Esses hormônios regulam o metabolismo tecidual. Paciente homem com lesão na hipófise (baixo GH, ACTH, FSH, LH, PRL, TSH, T4, cortisol), dar T4, testosterona e prednisona. Não precisa corrigir a prolactina nem o GH (19 anos). Iniciar por corticoide, depois T4 e por último a testosterona. Doença de Sheehan é um pan-hipopituitarismo pós-parto. Paciente sangrou muito no parto, hipófise não recebeu aporte sanguíneo e necrosou. Paciente com FSH, LH, TSH, cortisol, estrógeno, progesterona, ACTH baixos. Paciente deve tomar T4, Prednisona e pílula combinada (com estrógeno e progesterona). Criança com lesão hipofisária, dar Prednisona, T4, testosterona, GH. FARMACOLOGIA DA GLÂNDULA TIREOIDE MIT+DIT=T3 DIT+DIT=T4 T3 é o ativo, mas 80% da produção da tireoide é de T4 e 20% de T3. Uma parte do T4 é convertido em T3 na tireoide e o restante nos tecidos. Hipotireoidismo primário acomete a tireoide e secundário a hipófise. Hipotireoidismo primário: doença de Hashimoto, autoimune e acomete mais as mulheres. Pode ser provocado por cirurgia ou pode ser congênito (criança nasce sem a tireoide ou sem as enzimas necessárias para a produção dos hormônios). O tratamento é feito com T4 que tem a meia vida maior e dá para controlar melhor – Levotiroxina, PuranT4, Euthydox, Synthroid, Levoid. Paciente deve tomar a medicação pela manhã em jejum (alimento diminui a biodisponibilidade). O diagnóstico no adulto é feito mais comumente por exames laboratoriais antes da clínica (exame barato). Clinicamente ocorre com aumento de peso, pele fria e seca, cabelo quebradiço, lentificação dos movimentos, constipação intestinal, sonolência. No RN, é feito o teste do pezinho. Se criança não for tratada em até os 6 meses, ela desenvolve cretinismo. As causas do hipertireoidismo são: • Hipertireoidismo autoimune ou doença de Basedow-Graves: anticorpos estimulam a tireoide. Paciente com exoftalmia, bócio, tremores, sudorese, taquicardia, pele úmida, insônia, agitação. Tratamento pode ser clínico, cirúrgico ou com iodo radioativo. No Brasil, tratamento clínico por 2 anos e, se não der certo, é feita a cirurgia ou é usado o iodo radioativo. • Tumor autônomo ou doença de Plumer: produz T3 e T4 independente de TSH. Tratamento cirúrgico (remoção do tumor). • Hipertireoidismo factício (falso): utilizar T4 para emagrecer. Tratamento do hipertireoidismo pode ser: • Clínico: o Tionamidas: Propiltiuracil, Metimazol. Atuam inibindo a enzima peroxidase, portanto bloqueiam a iodação da tireoglobulina e bloqueiam o acloplamento (maior ação). Também atuam diminuindo os níveis de anticorpos estimuladores da tireoide. O Propiltiuracil bloqueia a conversão periférica de T4 em T3. O Metimazol é melhor, pois tem um tempo de meia-vida maior, mas é preciso diminuir a dose na insuficiência renal severa. Propiltiuracil deve ser usado na gravidez e na lactação (passa pouco pela placenta e pelo leite). Os efeitos adversos podem ser severos (agranulocitose – redução dos glóbulos brancos, hepatite) e menos severos que são mais frequentes (rash, urticária, artralgia, febre). A melhora clínica ocorre em 3 semanas, aproximadamente (droga diminui a produção do hormônio, mas o doente tem uma reserva armazenada na glândula, por isso que demora um pouco para melhorar). o β-bloqueadores: no hipertireoidismo há maior número e atividade dos receptores β-adrenérgicos. Portanto, os β-bloqueadores bloqueiam os sintomas cardiovasculares do excesso do hormônio. O fármaco mais usado é o Propranolol que diminui sintomas adrenérgicos ao bloquear a conversão periférica do T4 em T3. O Atenolol e o Metoprolol têm pouco efeito e o Nadolol e Sotalol não têm efeito. Lembrando que não pode ser usado em asma, bronquite em FC baixa. o Iodo: bloqueia a liberação do hormônio tireoidiano ao bloquear a organificação e a hormoniogênese (efeito Wolff-Chaikoff). Tem efeito máximo em 10 dias. Usar em casos em que o doente está com muitos sintomas além dos cardiovasculares. Os efeitos colaterais são angioedema em alérgicos, vasculite e iodismo. o Contrastes iodados: Ácido Iopanóico. É rico em iodo e bloqueia a liberação T3 e T4. É o mais potente bloqueador da conversão periférica de T4 em T3. Tem efeito rápido com queda acentuada dos hormônios. Usar em casos que o paciente está extremamente descompensado. • Cirúrgico. • Iodo Radioativo: destrói as células que produzem o hormônio. Paciente deve ficar afastado do resto da família por 1 semana. Mulher não deve engravidar por 6 meses. Paciente com TSH alto e T4 normal, deve aumentar a dose da Levotiroxina para fazer o feedback negativo com o TSH. TRH estimula TSH e prolactina – hipotireoidismo primário. TRATAMENTO DO DIABETES MELLITUS (DM) DM tipo 1: autoimune, com anticorpos que destroem as células β-pancreáticas. Com isso, nãohá produção de insulina. O tratamento é feito com insulinoterapia plena. É subdividida em DM tipo 1ª (autoimune), DM tipo 1b (sem causa definida), DM LADA (doença autoimune latente do adulto). DM tipo 2: 90% dos casos de DM. Se dá por menor produção de insulina ou resistência à insulina (mais comum), comprometendo a ação da insulina. Os fatores de risco são obesidade (aumenta a resistina, aumenta TNF-α e diminui adiponectina, causando a resistência à insulina), histórico familiar, idade, DMG, entre outros. O teste HOMA avalia a resistência insulínica. Em estágios iniciais ocorre hiperinsulinemia. DMG (gestacional): durante a gestação aumenta muito a carga hormonal, aumentando a glicemia e isso aumenta a resistência insulínica. É fator de risco para DM tipo 2. Fator de risco para DMG é a idade (mulheres estão tendo gestações mais tardias). Cortisol e adrenalina (estresse) aumentam a glicemia. Algumas pessoas dizem que o estresse causa a DM, mas na realidade o problema está na insulina que não está dando conta desse aumento de glicemia. Avaliar a hemoglobina glicada é importante no diagnóstico e tratamento do DM, pois ela avalia a glicemia dos últimos meses. Nos diabéticos, ela deve ser mantida abaixo dos 7%. Insulinoterapia: é absoluta no DM tipo 1, pode fazer parte do tratamento ou ser absoluta no DM tipo 2. No DMG é absoluta nos protocolos, mas alguns médicos a associam aos outros antidiabéticos. A insulinoterapia é administrada pelas vias injetável (subcutânea) e inalada (Affreza). A inalada é mais cara e tem uma ação bem mais curta. A insulina oral está sendo testada (o desafio é proteger o peptídeo da degradação). A insulina é obtida por DNA recombinante humana (idêntica à humana) ou análogas humanas (com pequena diferença na sequência de aminoácidos). As insulinas podem ser classificadas em relação ao tempo de ação: • Insulina de ação ultrarrápida: Lispro, Asparte e Glulisina. • Insulina de ação rápida: Insulina Regular. • Insulina de ação intermediária (liberação por 12-16 horas): NPH. • Insulina de ação longa (liberação por 24 horas): Glargina 100u (Lantus), Detemir. • Insulina de ação ultralonga (liberação por 36 horas): Degludeca, Glargina 300u. As intermediárias, longas e ultralongas são usadas para controle da glicemia basal. Já as ultrarrápidas e rápidas, no controle da glicemia pós-prandial. Exemplo de esquema de insulinização plena (absoluta) para DM tipo 1 (0,5u/kg/dia) em paciente com 60kg: 30u/dia, sendo que 70% é para o controle basal (21u/dia de NPH) e 30% para o controle pós-prandial (9u/dia de Regular, podendo ser 3u antes de cada refeição, ou outra divisão de acordo com a alimentação do paciente). Ou pode ser feito 30u/dia, sendo 50% para o controle basal e 50% para o controle pós-prandial. Existem muitas maneiras de abordar isso que é individual para cada paciente. NPH é complexada com protamina, depositam no subcutâneo e é liberada gradativamente. As outras insulinas de ação longa e ultralonga são cristalizadas no pH fisiológico, fazendo com que a liberação seja gradativa. Essas insulinas de ação longa e ultralonga não podem ser misturadas com outros tipos (paciente deve injetar 2x em caso de associação). Existem pré-misturas de insulina, como 30% Lispro (liberação ultrarrápida para controle pós-prandial) + 70% Lispro-Protamina (liberação intermediária para controle basal). Isso é bom, pois o paciente pode administrar apenas 1x, mas o paciente pode precisar, em algum momento, de uma insulina de ação rápida. Se ele aplicar a associação, terá hipoglicemia. Essas associações prontas não são muito usadas. O principal efeito adverso é a hipoglicemia. O simpático é ativado nessas situações, pois adrenalina aumenta a glicemia via receptor β2 (tremor, taquicardia, sudorese). β- bloqueadores mascaram esses sinais e podem acentuar a hipoglicemia. Tratamento do DM tipo 2: • Metformina: ótima resposta clínica, baixíssimo custo, pouquíssimas interações (eliminação renal, então não depende do CYP450) e não causa hipoglicemia em monoterapia. Como mecanismo de ação (via ativação de AMPK), ela diminui a resistência insulínica (melhora a ação da insulina), diminui a produção hepática de açúcar e diminui a absorção de glicose. Os efeitos colaterais são diminuição de apetite, diarreia (causa de abandono de tratamento), diminuição da absorção de vitamina B12, acidose lática (rara e grave). É contraindicada para qualquer condição que favoreça aumento de lactato e/ou dificuldade de controle do pH sanguíneo como anemia, sepse, alcoolismo, insuficiência cardíaca, insuficiência respiratória, insuficiência renal, uso de contrastes (causam sobrecarga renal). • Sulfonilureias (SFU): boa resposta clínica, custo baixo, eliminação hepática (CYP450 – interações medicamentosas). O mecanismo de ação aumenta a liberação de insulina e diminui a liberação de glucagon. As SFU se ligam ao canal de K+/ATP sensível das células beta-pancreáticas (SUR), bloqueando-os. Isso muda a voltagem da membrana e abre canais de Ca2+, que entra na célula e provoca a liberação de insulina. Os efeitos adversos são hipoglicemia e favorece aumento de peso. o 1ª geração: Clorpropamida. o 2ª geração: Glibendamida, Glimepirida, Gliclazida, Glipizida. • “Incretinomiméticos”: as incretinas GLP-1 e GIP são hormônios peptídicos liberados pelo jejuno-íleo pela presença de glicose no bolo alimentar. Eles aumentam a liberação de insulina, diminuem de glucagon, aumentam a saciedade e retardam o esvaziamento gástrico (também aumenta a saciedade). Têm ação muito rápida, pois têm rápida degradação pela enzima DPP-IV. Os efeitos colaterais são pancreatite (injetáveis), distúrbios da tireoide (injetáveis), disfunção hepática (orais). o Injetáveis: Exenatide, Liraglutida (Victoza, Saxenda – aprovada para obesidade), Semaglutida e Dulaglutida (aplicados 1x por semana), Lixisenatide. São análogos do GLP-1 com maior tempo de ação. São mais usados para obesidade do que para DM. o Orais (Gliptinas): Vildagliptina, Sitagliptina, Alogliptina, Saxagliptina, Linagliptina. Possuem apresentações associados à Metformina. Inibem a enzima DPP-IV, aumentando os níveis endógenos de GLP-1 e GIP. • Gliflozinas: Canagliflozina, Dapagliflozina, Empagliflozina. Inibem a reabsorção renal de glicose (inibição da proteína SGLT-2 no TCP). Ocorre glicosúria e poliúria. Como efeitos adversos, causam hipotensão (em normotensos), infecção urinária (glicose na urina), alterações eletrolíticas (monitorar K+), insuficiência renal e aumento de LDL. • Outros (menor utilização): Acarbose (retarda a digestão e absorção de glicose), Pioglitazona (diminui a resistência insulínica, com efeitos adversos como insuficiência cardíaca, hepática e lesões ósseas) e Glinidas (aumentam a liberação de insulina).