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RESUMO FARMACOLOGIA P2 
FARMACOLOGIAS DAS DISLIPIDEMIAS 
Os valores de referência para diagnóstico de dislipidemias em adultos acima de 
20 anos são Colesterol total (CT) normal até 200 mg/dL e acima de 240mg/dL é de alto 
risco; LDL colesterol normal até 130 mg/dL e acima de 160mg/dL é de alto risco; HDL 
colesterol entre 40-60 mg/dL. Quanto mais alto o HDL, maior a proteção cardiovascular; 
Triglicérides (TG) normal até 150 mg/dL. 
As dislipidemias podem ser classificadas etiologicamente como primárias ou 
secundárias. As primárias são de origem genética, enquanto as secundárias são por 
obesidade, sedentarismo, ou doenças associadas como o hipotireoidismo (T3 é 
responsável pela conversão de colesterol em ácidos biliares no fígado, que são 
excretados nas fezes e emulsificam gorduras – pela mesma lógica, o hipertireoidismo 
diminui o colesterol). As dislipidemias classificam-se laboratorialmente em: 
• Hipercolesterolemia isolada: apresenta CT e LDL elevados. O tratamento é feito 
com estatinas (teratogênicos) e coadjuvantes como Ezetimibe (administrado 
quando não se pode usar estatinas por aumento de enzimas cardíacas) e 
Colestiramina (para grávidas). 
• Hipertrigliceridemia isolada: apresenta TG elevados. O tratamento é com 
fibratos (contraindicados na gravidez) e Niacina (vitamina B3 – ácido nicotínico). 
• Dislipidemia mista (hiperlipidemia): pode apresentar CT, LDL e TG altos. 
Tratamento com estatinas até 500 mg/dL de TG, associadas com fibratos acima 
desse valor. 
• HDL abaixo: tratamento com vitamina B3. 
A mudança de hábitos é fundamental e suficiente para o tratamento se não 
houver fator genético. O objetivo do tratamento é ↓CT, ↓LDL, ↓TG e ↑HDL, através 
do tratamento farmacológico, da dieta (vitamina B3 – corrige tudo, mas é a mais potente 
para aumentar HDL) e da atividade física (fundamental). O diagnóstico é feito por exame 
físico. Geralmente a primeira manifestação é a de doença aterosclerótica. Em alguns 
casos pode ocorrer arco corneano em adolescentes e adultos jovens e xantelasma. O 
tratamento farmacológico se dá por: 
• Estatinas: a síntese do colesterol ocorre a partir do Acetil-CoA, que é 
transformado em HMG-CoA que é convertido em mevalonato pela enzima HMG-
CoA redutase. Depois são formados outros precursores, até o colesterol em si. 
Entre estes precursores, é formado o farmesil, sobre o qual outras enzimas 
atuam para a formação da ubiquinona (coenzima Q10), principal antioxidante, 
protetor das células musculares estriadas. As estatinas inibem a HMG-CoA 
redutase, reduzindo a síntese de colesterol. A redução de colesterol no fígado 
ativa a produção de receptores de LDL hepáticos. Com isso, ocorre aumento da 
captação de LDL e seus níveis diminuídos no sangue, o que diminui também os 
níveis de TG (que fazem parte da estrutura do LDL) e de VLDL. Também 
aumentam os níveis de HDL, pois estimulam a produção da ApoA1, que faz parte 
da sua estrutura. Além disso, ocorre diminuição da síntese da ubiquinona, 
importante antioxidante, o que gera diminuição da proteção do músculo 
estriado, podendo gerar lesões e, em casos de acúmulo de mioglobina, 
rabdomiólise. 
o Estatinas de 1ª geração: Sinvastatina, Lovastatina, Fluvastatina e 
Pravastatina. Apresentam tempo de meia-vida curto (2hrs), 
administrada a noite, pois colesterol tem maior produção a noite. 
o Estatinas de 2ª geração: Atorvastatina, Rosuvastatina e Pitavastatina. 
Possuem tempo de meia-vida que varia de 10 a 18 horas, portanto pode 
ser tomada em qualquer horário. 
A Sinvastatina e a Atorvastatina apresentam metabolização hepática, pela fração 3A4, 
então deve-se tomar cuidado com associação com drogas indutoras ou inibidoras 
principalmente. A Rosuvastatina é a mais potente das estatinas, e é metabolizada pelo 
fígado, mas não pela 3A4. A Pravastatina é a única que não é metabolizada pelo fígado, 
mas sim por enzimas do sangue, por isso é a mais utilizada em crianças, idosos ou 
pacientes hepáticos. 
Regra dos 6%: a primeira dose da estatina sempre apresenta potência maior e ao 
dobrarmos a dose apenas aumentamos no máximo 6% da capacidade de reduzir o LDL, 
mas aumenta os efeitos colaterais. Exemplo: 10mg reduz 35%, 20mg reduz até 41%, 
40mg reduz até 47%. 
Os efeitos colaterais são relacionados, principalmente, com a redução da ubiquinona, 
podendo ocorrer dor muscular (uso prolongado), hipercalemia (célula muscular 
lesionada libera K+, aumentando o risco cardiovascular), rabdomiólise (mioglobina 
liberada é tóxica no sangue, principalmente para o rim – insuficiência renal aguda), 
distúrbios leves do trato gastrointestinal (gases), lesões hepáticas e miopatias. Deve-se 
dosar enzimas cardíacas (CPK elevada indica lesão muscular, que gera troca temporária 
da estatina por coadjuvante até normalizar) e transaminases (prevenir lesão hepática). 
Nesses casos, suspende-se o medicamento e/ou administra-se ubiquinona. 
• Fibratos: Ciprofibrato (menos potente – SUS), Etofibrato, Fenofibrato e 
Genfibrozila (mais potente). O mecanismo de ação é pela ativação gênica do 
receptor PPARα (ativador de proliferação de peroxissomas α). Com isso, ocorre 
ativação da lipase lipoproteica, que digere quilomícrons e VLDR, diminuindo TG 
e LDL. Também estimulam o aumento de ApoA1 e ApoA2, elevando HDL. Os 
efeitos colaterais são os mesmos das estatinas. 
• Ezetimibe (Ezetrol): inibe o transportador proteico NPC1L1 dos enterócitos que 
promove a absorção intestinal do colesterol e de fitoesteróis. É contraindicado 
na gravidez. Indicado em associação com a Rosuvastatina ou na impossibilidade 
de tomar Rosuvastatina (alergia ou CPK aumentada). Também associado à 
Sinvastatina. Tem alto custo e é menos potente, mas é seguro, com efeitos 
colaterais leves e pode ser administrado a qualquer hora. Ele inibe a absorção 
apenas de colesterol, então não ocorre aumento de TG compensatório. Pela 
diminuição de colesterol ocorre aumento dos receptores de LDL que diminui no 
sangue. Pode ser tomado em qualquer horário. Monitorar função hepática. 
• Sequestradores de ácidos biliares: Colestiramina (Questran) e Colestipol. 95% 
dos ácidos biliares usados na digestão duodenal são reabsorvidos de volta para 
o fígado – os sequestradores impedem a reabsorção pela circulação enterro-
hepática, aumentando a sua eliminação pelas fezes. No fígado, então, é 
aumentada a conversão de colesterol em ácidos biliares para repor a quantidade 
perdida, diminuindo os níveis de colesterol no sangue e aumentando receptores 
de LDL. Único medicamento que não é teratogênico, indicado para grávidas. 
Como efeitos adversos, pode haver aumento de TG (como a Colestiramina 
diminui a absorção de todas as gorduras, por efeito compensatório ocorre 
aumento de TG no uso crônico – caiu em desuso), diminuição da absorção de 
vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e de ácido fólico, e lesão hepática. Sofre 
interações com Digoxina, Hidroclorotiazida, Tiroxina e Varfarina. 
• Niacina (vitamina B3 – ácido nicotínico): estimula o aumento de ApoA1, o que 
aumenta os níveis de HDL. Como efeitos adversos, aumenta prostaglandinas, o 
que promove hipotensão, que gera taquicardia – isso pode ser resolvido com a 
associação com AINEs (inibidores da COX1). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FARMACOLOGIA DO APARELHO RESPIRATÓRIO 
 O aparelho respiratório tem as funções de ventilação, trocas gasosas e 
transporte de gases. A respiração em si é feita pelas células. As causas de hipóxia podem 
ser hipoxêmicas (doenças relacionadas com a função pulmonar como asma, 
pneumonias, β-bloqueadores, overdose de barbitúricos), anêmicas (hemoglobina fica 
comprometida como na anemia falciforme,CO), circulatórias (choque, nitratos que 
fazem muita vasodilatação) ou citotóxicas (choque, lesão do tecido, cianeto). 
DESCONGESTIONANTES NASAIS: tratam os sintomas e não a doença nasal (rinite, 
sinusite, resfriados, gripes e etc). Os sintomas mais comuns são coriza, espirros, 
congestão nasal, prurido. Podem ser: 
• Catecolaminas: Adrenalina (não é usada como descongestionante, mas para 
epistaxe). 
• Não-catecolaminas: Efedrina, Pseudoefedrina, Fenilefrina. São administrados 
por via oral e via nasal. 
• Imidazólicos: Nafazolina, Fenoxazolina, Oximetazolina. São administrados por 
via nasal. 
A via oral demora mais para agir, mas o efeito é mais duradouro. Além disso, a 
droga atua onde existem receptores α-adrenérgicos, gerando efeitos sistêmicos como 
aumento da PA, nervosismo, taquicardia, irritabilidade, palpitações, insônia, contração 
da musculatura esquelética da “bexiga” e diminuição da micção. Já a via nasal tem efeito 
imediato, mas curto e pode gerar coceira, ardência, perfuração do septo nasal (intensa 
vasoconstrição, septo nasal para de receber sangue e rompe), rinite vasomotora 
(“dependência” – para que isso não ocorra, o uso desses medicamentos não desse ser 
superior a 3 dias). É proibido o uso em crianças menores de 1 ano. Podem causar 
hipertensão intracraniana e convulsões. Podem perfurar o septo nasal leishmaniose, 
hanseníase, cirurgias malsucedidas, piercing, descongestionantes nasais, cocaína. 
Outras medicações usadas por via nasal: 
• Corticosteroides: reduzem a inflamação (diminuem a quimiotaxia de neutrófilos 
e reduzem o edema intracelular), têm discreto efeito vasoconstritor. 
• Anti-histamínicos: antagonistas de receptores H1. Reduzem os efeitos da 
histamina no nariz, reduzindo a resposta alérgica. 
• Brometo de Ipratrópio (Atrovent): antimuscarínico e reduz a rinorréia. 
• Cromonas (Cromoglicato): diminuem a liberação de histamina e a degranulação 
dos mastócitos. 
• Soro fisiológico: preventivo ou curativo. É hidratante e lubrificante (limpa 
secreções). 
TRATAMENTO DA TOSSE: a tosse é um mecanismo reflexo de proteção do 
organismo, destinado a eliminar corpos estranhos das vias aéreas. É um sintoma e deve-
se tratar a causa que o origina. A tosse pode ser seca (irritativa) ou produtiva (com 
catarro). A tosse produtiva deve ser mantida. A tosse seca pode ser causada por alergia, 
faringite, refluxo. Antitussígenos podem ser utilizados na tosse seca quando interferir 
na atividade diária. Os béquicos ou antitussígenos podem ser classificados como de: 
• Ação central: são mais potentes e são derivados da morfina. 
o Codeína: é a droga mais potente para tratar a tosse. Exerce ação nos 
centros bulbares, podendo causar depressão respiratória em algumas 
ocasiões. Pode causar dependência, sono, deprimir a respiração, 
obstipação, náuseas. A sua venda precisa de receita médica. 
o Dextrometorfano: possui ação antitussígena comparável com a da 
Codeína e não produz depressão respiratória. 
• Ação periférica: ação nas terminações nervosas dos brônquios. Clobutinol, 
Dopropizina, Levodopropizina, Cloperastina. 
Nas tosses produtivas, deve-se tomar drogas que auxiliam a eliminação do 
catarro (expectorantes) e/ou mudam as suas características (mucolíticos), facilitando a 
sua eliminação. Entretanto, a maioria não exerce adequadamente esta ação e podem 
prolongar a tosse (xaropes). Os mucolíticos ou expectorantes são divididos em: 
• Iodeto de potássio e Guaiacolato de glicerina: estimulam a tosse por mecanismo 
reflexo. Paciente acha que está saindo mais catarro, mas na verdade estimulam 
a produção de catarro. Essas drogas estimulam o nervo vago que estimula as 
secreções gástrica, salivar e brônquica. 
• Ambroxol, Bromexina: aumentam a produção de catarro pela ação direta nas 
células brônquicas. Também prolongam os sintomas. 
• N-acetilcisteína, Carboxicisteína: possuem grupos sulfidrilas que rompem as 
pontes dissulfeto das mucoproteínas, deixando as secreções mais fluidas. Essa 
droga pode ser útil. Podem ser administradas pelas vias oral, inalatória e 
injetável. Também possuem outras indicações, como intoxicação por 
Paracetamol e prevenção da nefrotoxicidade por contrastes iodados. 
• Agonistas β2: aumentam o movimento mucociliar que aumenta a eliminação do 
catarro. Também podem ser úteis. 
BRONCODILATADORES: usados para os sintomas de doenças pulmonares com 
mecanismos produtores de estreitamento das vias aéreas (especialmente bronquíolos), 
com fluxo de ar limitado. Essas doenças são asma (chiado e falta de ar), bronquite (tosse 
com catarro) e DPOC (chiado, tosse com catarro, falta de ar – muito relacionada com o 
tabagismo), enfisema pulmonar. Os broncodilatadores são: 
• β2 adrenérgicos de curta duração (SABA): inalatórios, via oral ou parenterais. 
Fenoterol (Berotec), Salbutamol (Aerolin) e Terbutalina (Bricanyl). Provocam o 
alívio imediato dos sintomas (1-3min), utilizando-se por via inalatória. São drogas 
de resgate, para crises. Sua utilização é sinal de doença sem controle. 
• β2 adrenérgicos de longa duração (LABA): inalatórios. Formoterol (Foradil), 
Salmeterol (Serevent). São medicações que potencializam o efeito anti-
inflamatório dos corticosteroides inalados. Fazem o controle a longo prazo da 
doença. O Formoterol está sendo usado como droga de resgate. 
• β2 adrenérgicos de ultralonga duração (LABA): inalatórios. Indacaterol, 
Olodaterol e Vilanterol. 
Os inalados possuem ação mais rápida, menor incidência de efeitos colaterais, maior 
efetividade com menor dose e possuem duração com efeito similar aos orais. Além 
disso, os orais não são úteis em crises de agudização. Os efeitos colaterais dos agonistas 
β2 são tremores de extremidades, taquicardia, agitação e ansiedade. Doses elevadas ou 
no início do tratamento podem gerar hiperglicemia, hipocalemia, hipomagnesemia, 
arritmias cardíacas. 
• Antimuscarínicos: inalatórios. Brometo de Ipratrópio (SAMA) e Tiotrópio, 
Glicopirrônio e Umeclidínio (LAMA). São medicações para a DPOC e são de 
segunda linha para a asma. Uso em associação com β2-adrenérgicos de curta 
duração no resgate (efeito sinérgico broncodilatador). Na associação, diminuem 
a dose de β2-adrenérgicos (diminuição de efeitos colaterais como taquicardia). É 
recomendado como broncodilatador adicional para idosos e lactentes ou para 
pacientes com DPOC. Os efeitos colaterais são visão turva, constipação, retenção 
urinária e xerostomia. 
o Xantinas: Aminofilina (via oral e intravenosa), Teofilina (via oral) e 
Bamifilina (via oral). O mecanismo de ação não é bem conhecido, mas o 
efeito broncodilatador pode ser explicado por serem antagonistas do 
receptor de adenosina (impedem broncoconstrição); inibidoras da 
fosfodiesterase, aumentando AMPc; inibidoras da liberação de Ca2+ 
intracelular, aumentando a liberação de catecolaminas; anti-
inflamatórias. 
As xantinas não podem ser inaladas (são irritantes nas vias respiratórias) e têm muita 
interação medicamentosa (Eritromicina, Alopurinol, Cetocozanol e Cimetidina). Os 
efeitos colaterais são tremor, agitação taquicardia, convulsões, distúrbios 
gastrointestinais (anorexia, náuseas e vômitos), cefaleia. O paciente deve obedecer aos 
horários da medicação (a concentração sanguínea deve ficar entre 5-10mg/L). O uso 
desses medicamentos deve ser indicado para pacientes com dificuldade de utilização 
dos nebulizadores e em associação, nas situações refratárias à monoterapia. 
TRATAMENTO DA ASMA: na asma ocorre inflamação por LT CD4+ e eosinófilos, 
sendo um processo alérgico completamente reversível. Para o tratamento da doença, 
deve-se fazer o controle ambiental (evitar alérgenos domésticos como pó, ácaros, 
baratas, mofo, animais, pólen; alérgenosnão domésticos ocupacionais; irritantes como 
poluição, cigarro, odores), adaptação ao clima (variações de temperatura) e controle de 
infecções virais de vias aéreas (vacinação anti-influenza e anti-pneumonia). A morte está 
relacionada ao não conhecimento de auto-manejo. O tratamento da asma é não 
medicamentoso (entendimento da doença, controle ambiental, uso correto da 
medicação, auto-manejo) e medicamentoso com broncodilatadores e anti-
inflamatórios. Os anti-inflamatórios são preventivos, usados no tratamento da asma 
aguda e grave, para evitar crises, melhoram a qualidade de vida, evitam internação e 
mortalidade e evitam remodelamento. Os anti-inflamatórios utilizados são: 
• Corticosteroides: inalados, orais ou parenterais. Os parenterais são utilizados na 
emergência (Metilprednisolona e Hidrocortisona). Os orais são usados no 
controle da asma aguda no consultório ou na emergência e na manutenção de 
alguns casos de asma persistente grave (Prednisona, Prednisolona, Deflazacort). 
Os inalados (Beclometasona, Budesonida, Fluticasona, Ciclesonida) são os 
medicamentos de eleição na asma, possuem as mesmas apresentações que os 
β2-adrenérgicos, são associados aos LABA e precisam de higiene oral após a 
utilização (candidíase). São evitados pela via oral pelos vários efeitos adversos: 
facies em lua cheia, acne, pilificação, estrias, obesidade, atrofia muscular, DM, 
osteoporose, aumento do colesterol, HA, hipercalemia, glaucoma, catarata, 
insônia, imunossupressão. 
• Antileucotrienos: orais. Montelucast. Usado na monoterapia para asma leve, em 
pacientes atópicos (rinite e polipose), na asma de exercício, na asma induzida 
por aspirina e é poupador de corticoide na asma grave. Impede a ação de 
leucotrienos que são mediadores de alergia. Podem causar dano hepático. 
• Anticorpo anti-IgE: reduzem a quantidade de IgE em mastócitos, inibem a síntese 
de IgE pelos linfócitos. Omalizumab é injetável com aplicação a cada 2 a 4 
semanas e tem um custo muito elevado. 
• Anticorpo contra IL5: Mepolizumab. Esse anticorpo bloqueia a IL5 que é a 
principal citocina responsável pelo crescimento e diferenciação, recrutamento, 
ativação e sobrevivência de eosinófilos. É injetável e possui alto custo. 
TRATAMENTO DA DPOC: a DPOC sempre foi tratada como asma. Na DPOC ocorre 
inflamação por LT CD8+, macrófagos e linfócito. É parcial ou completamente irreversível. 
É comum em fumantes, com bronquite crônica e enfisema – dispneia, chiado, tosse 
produtiva. Deve-se evitar os fatores de risco (tabagismo, poluição, exposição 
profissional), fazer vacinação (contra influenza e pneumococo), reabilitação física e 
atividade física. O tratamento medicamentoso da DPOC é o mesmo da asma, com adição 
do Roflumilast que é um inibidor seletivo da fosfodiesterase 4. Possui ação anti-
inflamatória e não inibe o receptor de adenosina (não é broncodilatador). É indicado 
para evitar exacerbações com bronquite crônica (crises de tosse com expectoração) – 
mais de duas vezes ao ano. É uma droga cara, não melhora o sintoma (é apenas 
preventiva) e pode dar diarreia e perda de peso. Portanto, são utilizados os SAMA, SABA, 
LAMA e/ou LABA. 
 
FARMACOLOGIA DOS CORTICOIDES 
 Corticoides são análogos sintéticos do hormônio cortisol, também denominados 
de Anti-Inflamatórios Esteroides. Eles diminuem a produção de prostaglandinas sem 
inibir a enzima COX. Inibem a produção de ácido araquidônico, então não há produção 
de leucotrienos, prostaglandinas, tromboxano A2. Todas as células produzem 
prostaglandinas, exceto leucócitos e hemácias, portanto podem ter efeitos colaterais 
em todas as células, menos nessas duas. Também tem ação imunossupressora, pois 
inibem a cascata inteira. 
 As glândulas suprarrenais possuem córtex e medula. No córtex, são produzidos, 
de fora para dentro, aldosterona, cortisol e androgênios. Na medula há produção de 
adrenalina. O hipotálamo libera ao longo do dia CRH que é lançado na circulação porta 
hipotálamo-adenohipófise. Na adenohipófise, o CRH estimula a liberação de ACTH. O 
ACTH estimula as células fasciculadas do córtex das suprarrenais a secretar cortisol. 
Também é liberado um pouco de andrógenos nesse processo. O aumento de cortisol no 
sangue inibe a secreção de CRH pelo hipotálamo e ACTH pela adenohipófise (feedback 
negativo). A produção de cortisol é maior na manhã e menor a noite. O pico máximo é 
às 8hrs da manhã e pico mínimo ocorre entre 3-4hrs da madrugada. O cortisol é 
controlado pela alça de feedback (retroalimentação hipotálamo adenohipófise, como os 
andrógenos). A síntese e ação da aldosterona é controlada pelo K+ plasmático e 
angiotensina II. Os corticoides podem gerar o efeito da aldosterona (efeitos 
mineralocorticoides), com acúmulo de Na+ e perda de K+ pela urina pela ativação da 
bomba de Na+/K+. Esses efeitos são chamados mineralocorticoides e explicam os 
edemas e fácies características. 
 Os principais representantes dos corticoides são: 
 
 
 
 
 
Duração Fármaco Potência 
anti-
inflamatória 
e imunossu-
pressora 
Efeito 
mineralo-
corticóide 
Usos 
8–12hrs - Hidrocortisona 
- Cortisona (pró-
fármaco) 
- 1 (potência 
igual ao 
cortisol) 
- 0,8 
- 1 
- 0,8 
A Hidrocortisona é usada na 
Doença de Addison 
(diminuição da produção de 
cortisol) 
12–36hrs - Prednisona (pró-
fármaco que é 
convertido em 
Prednisolona) 
- Prednisolona 
- Metilprednisolona 
- 4 
- 4 
- 5 
- 0,8 
- 0,8 
- 0,5 – 0,8 
A Prednisona é mais segura 
para grávidas, pois o 
feto/embrião não tem 
enzimas que convertem a 
prednisona em Prednisolona 
(forma ativa). A Prednisolona 
formada no fígado da mãe 
também não chega ao feto, 
pois a placenta tem enzimas 
que degradam a 
Prednisolona em Prednisona. 
Poderíamos dar direto 
Prednisolona, mas a placenta 
não tem enzimas suficientes 
para a converterem em 
Prednisona, por isso que a 
Prednisona é mais segura. 
36–72hrs - Dexametasona 
- Betametasona 
- 30 
- 25 
- 0 
- 0 
 
 
Os pró-fármacos precisam do fígado para serem convertidos para a forma ativa e depois 
precisam ser convertidas novamente para serem excretados (forma mais hidrossolúvel). 
A Prednisona é convertida em Prednisolona pelo fígado. A Prednisolona é convertida em 
Prednisona e outros metabólitos por enzimas da placenta. A Prednisolona é convertida 
em metabólitos inativos pelo fígado. 
 Outros corticoides: 
• Inalatórios: Fluticarona, Budesonida, Beclometasona. Não apresentam efeitos 
sistêmicos significativos e não necessitam de “desmame”, retirada gradativa do 
corticoide. Os efeitos colaterais são candidíase em orofaringe, rouquidão, 
densitometria mineral óssea diminuída (inibem osteoblastos). Geralmente são 
associados com broncodilatadores. 
Para qualquer via de administração dos corticoides (menos os inalatórios) deve 
ser feito o desmame, pois o uso contínuo faz atrofia da suprarrenal pelo feedback 
negativo no hipotálamo e na adenohipófise e a pessoa para de produzir cortisol (os 
corticoides agem como cortisol e diminuem a liberação de CRH, ACTH e cortisol). Se não 
for feito o desmame, a pessoa terá insuficiência suprarrenal aguda. Paciente fica com 
PA baixa, K+ alto e hipoglicemia. 
Todos os corticoides são altamente lipossolúveis e se ligam em receptores 
intracelulares citoplasmáticos, formando dímeros que vão para o núcleo e são capazes 
de: 
• Induzir RNA mensageiro capaz de formar lipocortina A que inibe a fosfolipase A2, 
diminuindo a síntese do ácido araquidônico a partir de fosfolipídeos de 
membrana → ação anti-inflamatória. 
• Reprimir a transição gênica de AP1 e NFkB, diminuindo genes que sãoresponsáveis por produzir enzimas e proteínas, com isto tempos menos NO, 
COX2 (enzima mediada no processo inflamatório), fibroblastos, moléculas de 
adesão, interleucinas, sistema complemento → ação imunossupressora. 
Fosfolipídeo de membrana é convertido em ácido araquidônico pela enzima fosfolipase 
A2. O ácido araquidônico é convertido com leucotrienos pela 5-lipoxagenase e em 
prostaglandinas e tromboxano A2 pela COX. A fosfolipase A2 pode ser inibida pelo 
cortisol naturalmente e pelos corticoides. Com a diminuição das prostaglandinas, há 
diminuição da inflamação. Na asma há diminuição dos leucotrienos, o que é 
interessante, pois no asmático prevalecem os leucotrienos broncoconstritores. Isso 
ocorre em todas as células, menos leucócitos e hemácias. 
 Os usos clínicos são: 
• Insuficiência da suprarrenal: 
o Aguda: falha no desmame. 
o Síndrome ou Doença de Addison (doença autoimune): reposição com 
hidrocortisona com 2/3 às 8:00hrs e 1/3 no final da tarde. 
• Supressão do eixo hipotálamo-hipófise em altas doses da Dexametasona para 
diferenciar Síndrome de Cushing primária (suprarrenal) da secundária 
(hipotálamo-adenohipófise): na primária há um tumor nas suprarrenais que 
produz muito cortisol, então se der Dexametasona, isso não irá alterar a 
produção de cortisol. Na secundária, o tumor é no hipotálamo (alta produção de 
CRH) ou na adenohipófise (alta produção de ACTH), então a Dexametasona vai 
fazer um pouco de feedback negativo e a concentração de cortisol no sangue 
deve diminuir um pouco. 
• Alergias: bronquite, asma brônquica pela diminuição de leucotrienos. 
• Doenças autoimunes: artrite, lúpus, hepatite (grávidas), etc. Geram 
imunossupressão. 
• Processos inflamatórios que não respondem aos AINEs: rinite, conjuntivite, etc. 
• Transplantes, enxertos: evitam rejeição. 
• Neoplasias: usa-se por serem imunossupressores e antiemético (os mais 
potentes), pois diminuem prostaglandinas no centro do vômito. 
• Síndrome da angústia do recém-nascido: bebê não produz surfactante 
pulmonar. Injetar na mãe ou no bebê (se já nasceu) corticoide, pois estimula o 
amadurecimento dos pneumócitos. 
Os efeitos colaterais são: 
• Carboidratos: hiperglicemia. 
• Lipídeos: aumento de LDL, colesterol, TGs, gordura na face, circunferência 
abdominal, pois aumentam a produção da lipase hormônio sensível. 
• Proteínas: aumentam o catabolismo e diminuem o anabolismo proteico. Pode 
gerar fraqueza muscular, estrias, pele fina. 
• Sódio e água: retenção. 
• Potássio: hipocalemia. 
• Cálcio: raquitismo, osteopenia, osteoporose pela inibição dos osteoblastos. 
• TGI: lesão pela diminuição das prostaglandinas. 
 
FÁRMACOS ANTICOAGULANTES, ANTIPLAQUETÁRIOS E FIBRINOLÍTICOS 
 São fármacos empregados no tratamento e profilaxia dos distúrbios da 
coagulação. Usados em infarto agudo do miocárdio, trombose venosa profunda, 
embolia pulmonar e acidente vascular encefálico isquêmico. Trombos são coágulos que 
aderem à parede vascular. São compostos por plaquetas, fibrina e hemácias. Podem ser: 
• Trombo arterial (trombo branco): tem origem a partir da lesão da parede arterial 
com exposição de colágeno. Com isso, tem adesão, ativação e agregação 
plaquetária. São trombos ricos em plaquetas. Usa-se antiplaquetários. 
• Trombo venoso (trombo vermelho): ocorre por uma dificuldade de retorno 
venoso. Pela estase sanguínea, há uma ativação inapropriada da cascata de 
coagulação com muita formação de fibrina. Os trombos são ricos em fibrina. Usa-
se anticoagulantes. 
FÁRMACOS ANTICOAGULANTES: existem as vias intrínseca e extrínseca de 
coagulação. Na extrínseca, toda vez que temos um dano vascular há exposição do fator 
tecidual que ativa o fator VII. O fator VIIa + Ca2+ ativam o fator X. O fator Xa converte 
protrombina (fator II) em trombina. A trombina converte fibrinogênio (fator I) em fibrina 
(forma o coágulo), ativa o fator XIII (fator XIIIa estabiliza o coágulo) e ativa plaquetas. 
Sem trombina não há formação de fibrina e não há coagulação do sangue. Os fatores 
VII, II e X são sintetizados no fígado a partir de vitamina K. Após a formação do coágulo 
de fibrina, o fator XIIIa o estabiliza (fica mais firme). Esse processo é autolimitado pela 
antitrombina III (ATIII), que é um anticoagulante natural que inativa a trombina e o fator 
Xa. Tempo de protrombina (exame laboratorial TP) é o tempo que demora para coagular 
o sangue pela cascata de coagulação extrínseca, ou seja, avalia os fatores VII, II e X, 
sendo que esse tempo normal varia de 10-14s. TP prolongado pode significar deficiência 
dos fatores VII, II e/ou X, deficiência de vitamina K, insuficiência hepática, uso de 
anticoagulantes. Os fármacos anticoagulantes podem ser: 
• Injetáveis: 
o Heparinas e seus derivados: 
▪ Heparina não fracionada (HNF). 
▪ Heparinas de Baixo Peso Molecular (HBPM). 
▪ Fondaparinux. 
o Outros anticoagulantes injetáveis: Argatrobana, Lepirudina, Bivalirulina. 
Não caem na prova. 
• Orais: 
o Antagonista da Vitamina K: Varfarina (Marevan). Impede a formação dos 
fatores de coagulação. 
o Novos anticoagulantes orais: Dabigatrana, Apixabana, Rivaroxabana 
(Xarelto), Edoxabana. 
Anticoagulantes injetáveis → Heparinas: mecanismo de ação anticoagulante 
indireto. Heparina se liga na ATIII, aumentando a velocidade com que a ela inativa os 
fatores de coagulação IIa (trombina), Xa, IXa, XIa e XIIa já produzidos. 
• Heparina não fracionada (HNF): Heparina (Liquemine). São 
moléculas grandes que não são absorvidas por via oral. 
Pode ser administrada por via IV (efeito imediato) ou 
subcutânea (aproximadamente 2hrs para o início da ação). 
Usada na emergência. Para que a Heparina consiga 
aumentar o efeito da ATIII sob a trombina, essa molécula de 
Heparina deve ligar-se simultaneamente na ATIII e na 
trombina. Como a molécula de Heparina é muito grande, ela 
consegue fazer isso. Para a Heparina exercer o efeito sob o 
fator Xa, basta ela se ligar na ATIII, ou seja, o fator Xa não precisa estar ligado a 
Heparina para ser inativado pela ATIII, basta a Heparina se ligar à ATIII. A 
Heparina inativa a trombina já formada e, ao inibir o fator Xa, não há formação 
de nova trombina. Por essa razão, a Heparina tem maior risco de hemorragia do 
que a HBPM. Os efeitos adversos são: 
o Hemorragia: o fármaco deve ser suspendido em casos moderados. Em 
casos mais graves, utilizar o Sulfato de Protamina que é positivo e a 
Heparina é negativa, então há uma atração iônica e inativação da dela. 
o Trombocitopenia induzida por Heparina: é reversível com a suspensão do 
fármaco. Pode ser dos tipos: 
▪ Tipo 1: tem início rápido (1-4 dias após o início da terapia). Ocorre 
uma queda transitória e moderada do número de plaquetas, não 
mediada por anticorpos. Há atração entre a Heparina (-) e as 
plaquetas (+), gerando ativação plaquetária e formação de 
agregados de plaquetas. Esse agregado vai para o baço e é 
destruído, causando a diminuição do número de plaquetas. 
▪ Tipo 2: início entre o 5º-15º dia de terapia e raro. Há a formação 
de anticorpos antiplaquetários heparina-dependentes. A queda 
de plaquetas é grave e deve ser feito um tratamento maior. 
• Heparinas de Baixo Peso Molecular (HBPM): Ardeparina, Dalteparina (Fragmin), 
Enoxaparina (Clexane), Nadroparina, Reviparina, Tinzaparina. São obtidas a 
partir da Heparina, também não são absorvidas por via oral e possuem 
administração por via subcutânea apenas. Comprada na farmácia para gestantes 
(evitar trombos no cordão umbilical), no pós-operatório, etc. A HBPM tem um 
tamanho menor, portanto não consegue se ligar simultaneamente na ATIII e na 
trombina. Isso significa que a HBPM tem uma ação muito potente no fator Xa, 
masnão consegue aumentar de forma efetiva a ação da ATIII sobre a trombina. 
A HBPM inativa o fator Xa e impede a formação de trombina, mas impede de 
forma menos eficaz a ação da trombina já formada. 
• Fondaparinux: é menor que a HBPM. Liga-se à ATIII e acelera, seletivamente, a 
inativação do fator Xa. A administração é subcutânea única diária para profilaxia 
de TVP em pacientes submetidos a cirurgias de quadril, joelho e fratura de 
quadril. 
Anticoagulantes orais: 
• Antagonista da vitamina K: Varfarina. Inibe a síntese hepática dos fatores de 
coagulação dependentes de vitamina K, os fatores VII, X e II (via extrínseca da 
coagulação). O paciente deve ser monitorado constantemente. É um fármaco de 
baixo índice terapêutico (dose é semelhante a dose de intoxicação). Seu efeito 
demora para ter início (inibe a síntese), levando 15 dias para atingir o efeito 
terapêutico. É um anticoagulante indicado para manutenção do tratamento 
anticoagulante de longa duração. Heparinas são utilizadas para o controle inicial, 
pois têm efeito anticoagulante imediato, já que agem nos fatores de coagulação 
já sintetizados. Depois disso, a Varfarina pode ser administrada, em paralelo com 
a Heparina, pois a Varfarina leva um tempo para ter ação. A Varfarina sofre 
biotransformação hepática pelo CYP2C9 e liga-se extensivamente (97%) às 
proteínas plasmáticas. Isso faz com que haja muito potencial de interações 
medicamentosas. AINES se ligam muito às proteínas plasmáticas, competindo 
com a Varfarina. Então o AINES rouba a albumina, deixando a Varfarina livre no 
plasma, sendo distribuída, aumentando o efeito anticoagulante e podendo ter 
hemorragias. Se tomar Varfarina com indutores enzimáticos (barbitúricos, 
Carbamazepina, Rifampicina), há uma redução do efeito anticoagulante. Já se 
tomar Varfarina com inibidores enzimáticos (Cimetidina, Omeprazol, Fluconazol, 
Secnidazol, Amiodarona, Piroxicam), há aumento do efeito anticoagulante. A 
Varfarina sofre grande influência dos alimentos contendo vitamina K como 
folhas verdes escuras (couve, rúcula, espinafre, brócolis), repolho, uva, óleo de 
soja, chá verde, ameixa seca. Alimentos ricos em vitamina K competem com a 
Varfarina, reduzem a sua eficácia e isso aumenta o risco de trombose. Paciente 
com Varfarina deve ser monitorizado para que a dose fique muito bem ajustada. 
Esse monitoramento é feito pela Razão Normalizada Internacional (RNI ou INR) 
que é o tempo de protrombina padronizado (TP padronizado), corrigido a 
padrões mundiais pela OMS (RNI=(TP paciente/TP referência)ISI, ISI é o índice de 
Sensibilidade Internacional que é fornecido pelo fabricante para cada lote de 
reagente – fator tecidual), feito para evitar interferências laboratoriais. O valor 
recomendado de RNI para pacientes que fazem profilaxia e tratamento da 
doença trombótica é de 2-3. O valor do RNI (feito apenas para pacientes em uso 
de Varfarina) permite o ajuste de dose da Varfarina. Se RNI estiver baixo (<1,5), 
o sangue está coagulando mais rápido, aumentando o risco de trombose e deve-
se aumentar a dose de Varfarina. Se RNI estiver alto (>3,0), o sangue está 
coagulando mais devagar, aumentando o risco de hemorragia e deve-se diminuir 
a dose de Varfarina. A vantagem é que é um fármaco muito barato. 
• Inibidor direto da trombina: Dabigatrana. Inibe diretamente a trombina e não 
há formação de fibrina. Melhor perfil de segurança, maior facilidade de utilização 
e eficácia similar à da Varfarina, porém é bem mais caro. 
• Inibidor direto do fator Xa: Apixabana, Rivaroxabana, Edoxabana. Inibem 
diretamente o fator Xa, não há conversão de protrombina em trombina e não há 
formação de fibrina, inibindo o desenvolvimento de trombos. 
Vantagens dos novos anticoagulantes orais: alto índice terapêutico, rápido início de ação 
(inibem fatores de coagulação prontos), baixo potencial de interação medicamentosa, 
não sofrem influência de alimentos contendo vitamina K e não há necessidade de 
monitoramento dos parâmetros de coagulação durante a terapia. A desvantagem é que 
possuem alto custo. 
Reversão da anticoagulação com fármacos empregados na reversão emergencial do 
sangramento agudo grave provocado pelo uso de anticoagulantes. Funcionam como 
antídotos do anticoagulante em uso. É usado vitamina K para Varfarina, Andexamet-α 
para Rivaroxabano e Idarucizumabe para Dabigatrana (é preciso saber apenas o 
antídoto para a Varfarina). 
FÁRMACOS ANTIPLAQUETÁRIOS: plaquetas 
são fragmentos celulares anucleados, ou seja, não 
sintetizam nenhuma proteína. Possuem receptores 
PAR1 (para trombina que ativa plaquetas), TXA2R 
(para TXA2 que ativa plaquetas) e P2Y12 (para ADP que 
ativa plaquetas). Plaquetas ativadas começam a 
recrutar novas plaquetas, iniciando o processo de agregação plaquetária. Também 
possuem as glicoproteínas que são responsáveis pela adesão das plaquetas ao endotélio 
subvascular. A GP Ia/IIa liga-se ao colágeno, a GP Ib liga-se ao fator von Willebrand (FvW) 
e a GP IIb/IIIa liga-se ao fibrinogênio. A GP IIb/IIIa está inativa nas plaquetas em repouso. 
Uma vez que a plaqueta é ativada (ligação com trombina, TXA2 e ADP), a GP IIb/IIIa fica 
ativa e liga-se ao fibrinogênio. A partir daí que ocorre a agregação plaquetária. A 
agregação plaquetária se dá pela ligação com pontes de fibrinogênio. Cada fibrinogênio 
liga duas plaquetas. No estado normal, o endotélio intacto libera NO e PG12 no plasma, 
impedindo a adesão plaquetária (GP IIb/IIIa inativa). Com a lesão endotelial, há 
exposição de colágeno e FvW, ocorrendo a adesão plaquetária. As plaquetas começam 
a liberar ADP e a produzir TXA2 (ácido aracdônico é convertido em TXA2 pela COX1 
presente nas plaquetas) que fazem o recrutamento e a ativação de outras plaquetas 
(ativação plaquetária). Também ocorre a ativação da GP IIb/IIIa para ligação das 
plaquetas com fibrinogênio. O fibrinogênio liga-se simultaneamente à GP IIb/IIIa de 
plaquetas vizinhas, resultando na ligação cruzada entre plaquetas (agregação 
plaquetária). Os fármacos antiplaquetários são: 
• Ácido Acetil Salicílico (AAS): faz a inibição irreversível das COX1 e COX2. Para que 
ele iniba preferencialmente e de forma permanente a COX1 plaquetária, deve-se 
usar AAS em doses baixas (100-325mg/dia). Com isso, há inibição da síntese de 
TXA2 pelas plaquetas, impedindo a ativação e agregação plaquetária. Uma vez 
que a COX1 da plaqueta for inibida, o efeito persiste por 7-10 dias após a última 
dose, até que novas plaquetas sejam produzidas (plaqueta não produz novas 
proteínas, então ela precisa ser renovada por outra plaqueta nova que a COX1 
não esteja inibida). 
• Inibidores do receptor para ADP (P2Y12): Ticlopidina, Clopidogrel, Prasugrel, 
Ticagrelor. Inibem seletivamente a ligação do ADP ao seu receptor P2Y12 na 
superfície da plaqueta. Com isso, há inibição subsequente da ativação da GP 
IIb/IIIa induzida pelo ADP, impedindo a ligação do fibrinogênio a estes receptores 
(inibição da agregação plaquetária). Ticlopidina, Clopidogrel e Prasugrel são pró-
fármacos (necessitam de metabolização hepática pelo CYP450 para tornarem-se 
ativos) e promovem inibição irreversível do receptor P2Y12, então o efeito desses 
fármacos também persiste por 7-10 dias (plaquetas tem que ser renovadas). 
Omeprazol inibe a enzima (CY2C19) que ativa o Clopidogrel, reduzindo a ativação 
dele e, portanto, sua eficácia antiplaquetária (aumenta o risco de trombose). 
• Inibidor da glicoproteína IIb/IIIa: a ligação do fibrinogênio a GP IIb/IIIa é via final 
que induz à formação do coágulo. 
o Anticorpo monoclonal: Abciximabe. Anticorpo monoclonal dirigido 
contra a GP IIb/IIIa, destruindo-a. É administrado por via IV no uso 
hospitalar. Principal efeito adverso ésangramento. 
o Análogos do fibrinogênio: Eptifibatide. Inibe o local de ligação do 
fibrinogênio à GP IIb/IIIa. Ele liga na GP e não deixa o fibrinogênio se ligar. 
É análogo ao fibrinogênio, inibindo a agregação plaquetária. A 
administração é IV no uso hospitalar. O principal efeito adverso é o 
sangramento. 
• Inibidor do receptor para trombina (PAR1): Vorapaxar. Não é usado no Brasil. 
FÁRMACOS FIBRINOLÍTICOS: degradam o trombo. Endotélio vascular secreta t-
PA (ativador de plasminogênio tecidual) que se liga na fibrina, convertendo o 
plasminogênio em plasmina que degrada a fibrina. À medida que degrada em fibrina, o 
coágulo vai se desfazendo. Fármacos fibrinolíticos são usados na emergência, em 
situações críticas de embolia pulmonar, TVP grave e no AVC isquêmico agudo. Os 
fármacos são: 
• Estreptoquinase: proteína produzida por estreptococos β-hemolíticos. Tem um 
alto potencial de reações alérgicas. A Estreptoquinase ativa tanto o 
plasminogênio circulante quanto o ligado a fibrina, lisando diversos fatores de 
coagulação e aumentando o potencial de sangramento (não é fibrino-
específico). 
• Alteplase, Tenecteplase e Reteplase: são análogos do t-PA humano, produzidos 
por tecnologia de DNA recombinante. São fibrino-específicos e têm maior 
afinidade pelo plasminogênio presente nos trombos, ligados à fibrina. Com isso, 
têm menor potencial de sangramento. Além disso, não são antigênicos 
(raramente causam reações alérgicas), mas são mais caros. 
Os fármacos fibronolíticos convertem plasminogênio em plasmina que degrada fibrina, 
dissolvendo o coágulo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANTIMICROBIANOS 
Os antibióticos são os antimicrobianos mais utilizados, atualmente, na 
terapêutica e se constituem num grupo de drogas cujas estruturas são, originariamente, 
produzidas por seres vivos, com o intuito de inviabilizar a vida de outros seres vivos 
(antibiose). Existem antimicrobianos que não são antibióticos (sua estrutura não foi 
originariamente produzida por um organismo vivo). Utiliza-se antimicrobianos quando 
o paciente está infectado. Primeiramente, antes de iniciar a terapia, deve ser feito o 
exame de cultura e o antibiograma que permitem a escolha do antibiótico mais 
adequado a cada paciente, diminuindo assim os riscos de resistência bacteriana. 
Entretanto, não se faz isso na rotina, porque características clínicas levam à 
interpretação de que há uma infecção (febre, pus e processo inflamatório). Desta forma, 
é feita a antibioticoterapia presuntiva, ou seja, através da história do paciente avalia-se 
com quais infecções aquele quadro é mais compatível. A antibioticoterapia presuntiva 
deveria ser feita apenas nos casos mais graves. Antibióticos de amplo espectro devem 
ser evitados, sendo preferível a utilização de associações (em princípio, podem ser 
associados antibióticos que possuam mecanismos de ação diferentes e que exerçam 
seus efeitos adversos em sistemas diferentes). 
A contagem de neutrófilos (primeira linha de defesa do organismo) deve ser 
sempre feita, pois neutropenia (contagem baixa) significa que o paciente não tem como 
combater a infecção com o sistema imune, de forma que a única coisa que vai combater 
é a droga (usar droga mais potente). Se a contagem estiver normal, pode-se usar uma 
droga menos potente, que gera menos intercorrências no organismo. Muitos 
antimicrobianos fazem a depleção de neutrófilos, ou seja, o próprio tratamento 
compromete a imunidade, então a contagem deve ser repetida enquanto o paciente 
estiver internado. Entretanto, os neutrófilos ainda são necessários mesmo com a droga, 
pois esta mata os agentes em escala logarítmica, de forma que nunca chega à zero o 
número de agentes. Já os neutrófilos fazem a limpeza final, então são necessários para 
finalizar o processo de infecção. 
Idade, sexo, estado nutricional, doenças e outros medicamentos interferem na 
imunidade do paciente. Se o paciente tiver alguma doença hepática ou renal, é preciso 
escolher antibióticos que lesam menos esses órgãos (todo antibiótico lesa os rins). Além 
disso, é desnecessário prescrever um medicamento que o paciente não pode comprar 
ou não consiga tomar. O antibiótico deve ser tomado exatamente no intervalo prescrito, 
pois a posologia é feita de acordo com o ciclo de reprodução do microrganismo. A dose 
deve ser obedecida, pois doses abaixo da dose terapêutica podem gerar resistência. 
Em pacientes ambulatoriais, o esquema de antibioticoterapia deve ser mantido 
pelo tempo determinado, e a posologia deve ser rigorosamente observada. Em 
pacientes internados, sobretudo em UTIs, a melhora clínica determina a interrupção da 
antibioticoterapia, tanto para prevenir eventual seleção de resistentes quanto para não 
sobrecarregar o organismo do paciente, que já está depauperado. Em pacientes 
internados, exceto em casos de infecções do sistema nervoso central e em endocardite 
bacteriana, assim que o patógeno for identificado, a antibioticoterapia parenteral deve 
ser substituída pela oral, eliminando assim uma porta de entrada para microrganismos. 
Após 72 horas do início do tratamento, caso não seja observada melhora clínica, é 
preciso prescrever outro fármaco. Entretanto, se o tratamento for interrompido antes, 
haverá menor dose do fármaco, podendo criar resistência. 
Existe o uso profilático de antimicrobianos quando há uma grande probabilidade 
do paciente se infeccionar como em cirurgias sujas marcadas (tubo digestivo e sistema 
gênito-urinário), pacientes com AIDS, pacientes cujo trabalho deteriora glóbulos 
brancos (radiologista que trabalha com oncologia, farmacologista que manipula 
radioisótopos), pacientes que tomam fármacos que fazem a depleção do sistema imune 
(quimioterapia, após transplante), trabalhadores da indústria do sexo, pacientes que 
vão viajar para regiões com infecções endêmicas. 
A associação de fármacos é feita quando há infecções múltiplas ou quando não 
se sabe o que o paciente tem, como várias infecções em lugares diferentes ou uma 
infecção em um único local, mas por microrganismos distintos ao mesmo tempo. 
Cada serviço de saúde faz a sua ciclagem de antibióticos. Faz-se um rodízio dos 
antibióticos indicados para que a resistência diminua. Por isso que sempre tem o 
medicamento de primeira, segunda e terceira escolha (a escolha muda periodicamente). 
Superbactérias são bactérias multirresistentes, ou seja, resistentes à maior parte dos 
antimicrobianos conhecidos. As mais importantes no momento são: MRSA, VRSA, VRE, 
CRE e algumas Klebsiellas sp. 
ANTIBIÓTICOS QUE ATUAM NA PAREDE CELULAR: a parede celular é composta 
por peptideoglicanos (NAG e NAM) que devem ser ligados de forma a montar a estrutura 
da parede, como uma malha. As enzimas transpeptidases ou PBP (proteínas ligantes de 
penicilina) fazem as ligações cruzadas, formando a estrutura da parede. Todos esses 
antibióticos inibem a PBP, de forma que a ligação entre os peptideoglicanos diminui. 
Dessa forma, os antibióticos não destroem a parede, mas impedem que ela seja 
renovada, assim ela ficando cada vez mais fina. Como a pressão oncótica no interior do 
microrganismo é alta, a água passa mais para dentro da célula que acaba sofrendo lise. 
Logo, são drogas bactericidas. A vantagem desse grupo é de que a probabilidade de ter 
efeitos adversos importantes é menor, uma vez que as células humanas não possuem 
parede, então não age em estruturas do nosso corpo. 
• Beta-lactâmicos: 
o Penicilinas: o principal problema associado às penicilinas é a alta 
imunogenicidade, significando que muitos pacientes são alérgicos a elas. 
▪ Penicilina G: tem meia vida baixa (cerca de 4 horas) e é ácido 
sensível, ou seja,não é absorvida via oral. Além disso, é de 
pequeno espectro contra Gram-positivas. 
▪ Penicilinas de meia vida alta: Penicilina G benzatina/ 
Benzilpenicilina (Benzetacil). Também é só injetável, pois ainda é 
ácido sensível, então não é absorvida via oral. É uma forma de 
depósito, aumentando o tempo que a droga fica disponível no 
organismo. 
▪ Penicilinas ácido resistentes: podem ser usadas por via oral, 
como a Penicilina V, mas a meia-vida se mantém igual. 
▪ Penicilinas beta-lactamases resistentes: evitam que as bactérias 
se tornem resistentes ao antibiótico (bactérias passam a sintetizar 
uma enzima que quebra o anel beta-lactâmico, a beta-
lactamase). Como exemplos, temos a Oxacilina e seus derivados. 
Pode-se, também, associar uma Penicilina beta-lactamase 
sensível a uma droga como o Clavulanato (Clavulin) ou 
Tazobatam, que inibe a beta-lactamase. Dessa forma, a beta-
lactamase é inibida e a Penicilina continua sendo efetiva. A 
Meticilina, outra droga dessa classe, foi desenvolvida para 
combater S. aureus (espécie que mais rapidamente desenvolve 
resistência por beta-lactamase). Entretanto, atualmente existem 
os MRSA (S. aureus resistentes à Meticilina) que, juntamente com 
os VRE, (nterococos resistentes à Vancomicina), representam um 
enorme problema em termos de infecções hospitalares. Os VMSA 
(S. aureus resistentes à Vancomicina) e os CRE (enterococos 
resistentes aos carbapenemos) também representam riscos 
hospitalares importantes. Atualmente a Meticilina não está sendo 
usada terapeuticamente por sua alta nefrotoxicidade. 
▪ Penicilinas de amplo espectro: atuam sob Gram-positivas e 
Gram-negativas. São drogas como a Ampicilina e a Amoxicilina. 
Por serem de amplo espectro, podem causar superinfecção 
rápida instalação de resistência bacteriana. Na superinfecção, 
ocorre a destruição da flora normal e infecção por organismos 
oportunistas, como o Clostridium difficile e a Candida albicans. 
Eles estão presentes na flora normal, mas tornam patogênicos 
quando a flora fica desequilibrada pela ação de antibióticos de 
amplo espectro, sendo que o Clostridium difficile provoca 
enterocolite pesudomembranosa. 
▪ Penicilinas de espectro variado (PPE): Piperaciclina. São 
Penicilinas de amplo espectro ativas também contra Proteus sp, 
Pseudomonas sp e E. coli. Foram desenvolvidas para combater 
infecções hospitalares por esses organismos, mas hoje em dia há 
muita resistência a elas. Hoje em dia a Piperaciclina é utilizada em 
associação com Tazobactan (PIP-TAZ), sendo essa associação 
restrita ao ambiente hospitalar para pacientes com infecção 
urinária grave. 
o Cefalosporinas: são as drogas mais usadas em antibioticoterapia 
profilática. São menos imunogênicos que as Penicilinas (6% dos pacientes 
alérgicos a Penicilinas o são também a Cefalosporinas). Cefalosporinas e 
Metronidazol não devem ser associadas a álcool e barbitúricos. No caso 
do álcool, acumula-se acetaldeído no organismo pela inibição da enzima 
aldeído desidrogenase, fazendo o efeito Dissulfiram-like. Dissulfiram é 
um medicamento usado em pessoas que bebem excessivamente ou são 
alcoólatras. O álcool é metabolizado e forma um aldeído tóxico que 
normalmente é convertido em ácido acético pela enzima aldeído 
desidrogenase. O Dissulfiram inibe essa enzima, portanto o aldeído 
tóxico não é metabolizado, de forma que a pessoa passa muito mal. 
▪ 1ª geração: é mais ativa contra Gram-positivas. 
▪ 2ª geração: é mais ativa contra Gram-negativas. 
▪ 3ª geração: são beta-lactamase resistentes e de espectro amplo. 
São usadas principalmente em ambiente hospitalar e têm 
representantes orais e parenterais. 
▪ 4ª geração: são beta-lactamase resistentes e de espectro 
ampliado. São usadas exclusivamente em hospitais pela via 
parenteral. 
▪ 5ª geração: ainda em desenvolvimento. São as Cefemas, ativas 
contra superbactérias (MRSA/VRSA e VRE/CRE). O Ceftobiprol é 
um exemplo dessa classe. 
o Carbapenemos: utilizados em casos graves, em pacientes infectados por 
múltiplos microrganismos aeróbios e anaeróbios, exceto em infecções 
hospitalares (é feito isso para diminuir a velocidade da resistência). 
Podem ser usados em VRE. Entretanto, os VRE começaram a ficar 
resistentes aos Carbapenemos (CRE). 
o Monobactamas: alternativa a Penicilinas e Cefalosporinas, em pacientes 
alérgicos, e aos aminoglicosídeos. 
• Não beta-lactâmicos: 
o Vancomicina: deve ser reservada para casos graves em ambiente 
hospitalar. Apresenta alta incidência de nefrotoxicidade, de depleção da 
medula óssea e ototoxicidade (não age apenas na parede celular, mas 
nos tecidos também, sendo mais tóxica que as Penicilinas). Era reservada 
para o C. difficile, mas começou a ser usada também para MRSA, de 
forma que o S. aureus se tornou resistente também à ela (VRSA). 
Também surgiu o VRE, de forma que surgiram os Carbapenemos para 
combatê-los. 
o Teixobactina: antibiótico em fase de ensaios clínicos que atua na parede 
celular, mas não em regiões peptídicas (não age na enzima 
transpeptidase). Isso pode diminuir o aparecimento de resistência, pois 
nenhum mecanismo de resistência conhecido baseia-se em mutações 
relativas a regiões não peptídicas da parede. Os mecanismos de 
resistência descritos envolvem as transpeptidases. In vitro, a droga 
mostrou-se ativa contra bactérias multirresistentes como VRE, CRE, 
MRSA e VRSA e contra o M. tuberculosis. 
ANTIFOLÍNICOS: são antimicrobianos não antibióticos que consistem numa 
associação entre Sulfametoxazol (sulfa) + Trimetoprim (Bactrim), visando impedir a 
síntese do ácido fólico pelas bactérias (bloqueio sequencial). A vantagem de tal 
associação é diminuir a dose de sulfas a ser administrada, uma vez que essas substâncias 
são muito tóxicas e causam muitos efeitos adversos como reações de hipersensibilidade 
(cutânea e respiratória), depleção da medula óssea (diminuição de leucócitos, hemácias 
e plaquetas), formação de sulfemoglobina (pigmento marrom que transporta menos 
O2), formação de metahemoglobina (não transporta O2), nefrotoxicidade, 
hepatotoxicidade, fotossensibilidade. O PABA (ácido parabenizóico) é utilizado pelo 
microrganismo para produção de ácido fólico. O PABA sofre ação da enzima 
diidropteroato sintetase que forma o ácido diidrofólico, que sofre ação da enzima 
diidrofolato redutase, formando o ácido tetrahidrofólico que depois vira o ácido fólico. 
O ácido fólico é necessário para a síntese de ácidos nucleicos do microrganismo e, sem 
essa substância, ele morre. Associando-se a sulfa e o Trimetoprim, atua-se nos dois 
passos da síntese do ácido fólico: a sulfa compete com o PABA pela diidropteroato 
sintetase e o Trimetoprim compete com o ácido diidrofólico pela diidrofolato redutase. 
Nas doses terapêuticas, essa associação é bacteriostática (para ser bactericida a dose 
deve ser muito alta). Essa associação possui os mesmos efeitos colaterais das sulfas, 
porém em menor grau. É muito usada em infecções urinárias por bactérias Gram-
negativas (embora a associação seja de amplo espectro). 
ANTIBIÓTICOS QUE AGEM NA SÍNTESE PROTEICA: inibem a síntese proteica ou 
induzem a produção de proteínas anômalas. Esse efeito é sempre reversível, exceto nos 
aminoglicosídeos, por isso que são mais tóxicos. São as mais tóxicas de todas porque 
agem nos nossos ribossomos. São bacteriostáticos, mas em doses elevadas alguns 
podem ter efeito bactericida, e quase todos têm amplo espectro. Dividem-se em: 
• Tetraciclinas: usadas em doenças febris, principalmente as causadas por 
riquétsias, clamídeas e Borrelia sp. São nefrotóxicas, fotossensíveis e 
imunogênicas. Interagem com qualquer cátion bivalente (principalmente cálcio 
e magnésio),formando um complexo quelato de forma que não há absorção 
desses íons. Portanto, são contraindicadas para crianças e portadoras de 
osteoporose. Além disso, não podem ser administradas junto com as refeições, 
para evitar interações. São ativas contra anaeróbios e a Tigeciclina é ativa contra 
bactérias multirresistentes (MRSA e VRE). 
• Cloranfenicol: indicado na febre tifóide e em uso tópico para infecções 
oftálmicas. É uma droga de amplo espectro que tem sido usada em VRE. Depleta 
a medula óssea, podendo promover anemia aplásica irreversível. Além disso, 
forma cianohemoglobina, um pigmento azul que transporta pouco oxigênio. É 
contraindicado no último trimestre da gravidez, porque causa a síndrome do 
bebê cinzento (cianohemoglobina no feto) que é fatal. 
• Macrolídeos: Eritromicina (amplo espectro), Claritromicina (mais ativa contra 
Gram-positivas) e Azitromicina (mais ativa contra Gram-negativas). São os 
menos tóxicos de todas as drogas de afetam a síntese proteica. São usadas em 
infecções da árvore respiratória superior (acometem tudo menos os pulmões, 
como a sinusite) e em algumas pneumonias por organismos atípicos, como 
Mycoplasma sp e Legionella sp, e por S. pneumoniae. Podem causar aumento do 
intervalo QT, provocando arritmia cardíaca do tipo torsades de pointes (TdP que 
não é grave em pacientes não cardiopatas). Evita-se em pacientes cardiopatas. 
Clindamicina, Lincomicina são drogas de amplo espectro, úteis em infecções por 
anaeróbios. Linezolida atua contra superbactérias (MRSA, VRSA, CRE e VRE), mas 
já estão surgindo cepas resistentes. Atua em alguns anaeróbios. Uso 
exclusivamente hospitalar. É ativa apenas contra Gram-positivas. 
• Estreptograminas: podem ser usadas em MRSA, VRSA e alguns VRE. Costumam 
provocar artralgia e mialgia. Deve-se avisar o paciente para que ele saiba o 
motivo da dor e talvez prescrever junto algum relaxante muscular. 
• Aminoglicosídeos: ao contrário dos anteriores, inibem irreversivelmente a 
síntese proteica, portanto são os mais tóxicos de todos os antimicrobianos. Não 
são absorvidos por via oral, apenas injetáveis. A Neomicina pode ser 
administrada por via oral (mas não é absorvida) para infecções do TGI ou pode 
ser utilizada topicamente em infecções cutâneas. Se houver solução de 
continuidade na pele ou no TGI, a droga é absorvida e passará a desencadear os 
efeitos adversos de todos os aminoglicosídeos: ototoxicidade (atinge o VIII par 
de forma irreversível, gerando risco de surdez), neurotoxicidade (neurites de 
ponta de nervo, gerando parestesia e dor em extremidades) e nefrotoxicidade. 
Aminoglicosídeos associados a Penicilinas são usados em infecções graves, 
principalmente hospitalares, causadas por múltiplos organismos. 
ANTIMICROBIANOS QUE AGEM NOS ÁCIDOS NUCLEICOS (DNA/RNA): 
• Quinolonas: inibem a DNAGirase (topoisomerase). Dessa forma, ocorre um 
superespirilamento do DNA, impedindo o processo de transcrição. Os derivados 
do Ácido Nalidíxico são de espectro pequeno, enquanto os derivados do 
Norfloxacino, Ciprofloxacino e Levofloxacino têm amplo espectro. Indicadas 
para infecções respiratórias (sobretudo pneumonias), infecções urinárias por 
Gram-negativas e contra H. pylori (Ciprofloxacina ou Levofloxacina). Uma nova 
geração foi desenvolvida para uso em infecções por micobactérias. Podem 
provocar arritmia cardíaca torsade des pointes, com prolongamento do intervalo 
QT. Como todas as drogas que agem no DNA, são potencialmente 
carcinogênicas, mutagênicas e teratogênicas. As que atravessam a BHE podem 
provocar alucinações e sonhos vívidos. 
• Rifampicina: 1ª escolha no tratamento de micobactérias, especialmente na 
tuberculose. Inibe a transcrição proteica. 
• Metronidazol: não é antibiótico. Lesa o DNA. Usado em infecções graves, 
sobretudo em pacientes multiinfectados, infectados por anaeróbios (Clostridium 
difficile) e/ou em pacientes em choque séptico. Também é usado como 
vermífugo (helmintos e parasitas cilíndricos). 1ª escolha no caso de enterocolite 
pseudomembranosa. Em doses altas, por via parenteral, pode induzir 
convulsões. Promove o efeito Dissulfiram-like quando associado ao álcool. 
ANTIBIÓTICOS QUE ATUAM EM MEMBRANAS CELULARES: 
• Daptomicina: ligação irreversível e droga bactericida. Atua principalmente em 
bactérias Gram-positivas. É ativa contra S. aureus, incluindo os MRSA/VRSA, e 
contra VRE/CRE, mesmo os resistentes a Linezolida. É só hospitalar e injetável. 
Ocupa os espaços das proteínas de membrana (canais), de forma que tudo que 
for hidrossolúvel não entra ou sai da célula. Tem efeitos adversos nas 
membranas das células do nosso organismo, principalmente nos rins 
(nefrotoxicidade). Não é carcinogênica. 
• Polimixinas B e E: desorganizam a membrana plasmática, alterando a sua 
permeabilidade a solutos e solventes. São bactericidas. São extremamente 
nefrotóxicas, por isso são indicadas quase que exclusivamente para uso tópico. 
Atualmente está sendo avaliado seu uso em infecções graves por Gram-
negativos multirresistentes. Caíram em desuso porque são muito nefrotóxicas, 
inclusive carcinogênicas, mas voltaram a ser usada, pois têm atividade contra 
superbactérias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FARMACOLOGIA DA HIPÓFISE ANTERIOR 
 A hipófise anterior produz TSH, ACTH, FSH e LH, GH, PRL, endorfinas. Hipotálamo 
libera mediadores que estimulam ou inibem a função da hipófise anterior. Por exemplo, 
o hipotálamo produz CRH que estimula a hipófise a produzir ACTH que estimula as 
suprarrenais a produzir cortisol. GH é estimulado por GHRH e inibido pela 
somatostatina. A prolactina é estimulada pelo TRH e inibida pela dopamina. O FSH e LH 
são estimulados pelo GnRH. O ACTH é estimulado pelo CRH. O TSH é estimulado pelo 
TRH e inibido pela somatostatina. A somatostatina e a dopamina também são liberadas 
pelo hipotálamo. 
 GH é o hormônio do crescimento que é liberado na infância com pico na 
adolescência. Tem uma estrutura enovelada de aminoácidos. É liberado de acordo com 
alguns estímulos. A L-DOPA, agonistas α-adrenérgicos, 5HT, hipoglicemia, sono, 
exercícios, estresse estimulam o hipotálamo a secretar GHRH e hormônios sexuais 
estimulam a hipófise anterior a secretar GH. Com a estimulação pelo GH, o fígado e as 
periferias produzem IGF-1 que faz uma parte dos efeitos do GH. IGF-1 inibe o hipotálamo 
e a adenohipófise (feedback negativo), e β-adrenérgicos inibem o hipotálamo. Se 
produzir muito GH antes da puberdade a pessoa tem gigantismo, e após dá acromegalia. 
A falta do GH dá nanismo congênito ou adquirido. 
Tratamento farmacológico da acromegalia/gigantismo: 
• Análogos da somatostatina: somatostatina tem uma meia-vida muito curta 
(3min). Cada tecido produz uma somatostatina diferente, mas identificaram os 
aminoácidos que realmente importam para a inibição do GH e criou-se 
Octreotida, Lanreotida, Seglitida, Vapreotida que são análogos à somatostatina 
e inibem o GH em os pacientes com gigantismo ou acromegalia. Também são 
usados em tumores intestinais e pancreáticos. Os efeitos colaterais são náuseas, 
vômitos, diarreia e cálculos biliares. 
• Agonistas dopaminérgicos: Bromocriptina, Carbegolida, Pergolida. 
• Antagonistas do receptor de GH: Pegvisomanto. 
Para o tratamento de pacientes com nanismo, síndromes genéticas (Turner), 
doenças crônicas da infância e outros, administra-se GH (bactéria com gene humano 
que produz GH). Os efeitos colaterais do GH são poucos nas crianças, mas no adulto 
podem causar edema, mialgias, artralgias, hiperglicemia (rara), edema de papila, 
hipertensão intracraniana. O GH é um indutor enzimático, podendo ter interações 
medicamentosas (aumenta o metabolismo de corticoides, anticonvulsivantese 
ciclosporina). Usa-se o GHRH (Acetado de Sermorelina) no diagnóstico para determinar 
a reserva de GH e no tratamento do nanismo (mais frequente usar GH). No nanismo de 
Laron, os pacientes têm defeito nos receptores de GH, então são tratados com IGF-1. 
 Os hormônios sexuais FSH e LH têm função reprodutiva em homens e mulheres 
e são usados para o tratamento de fertilidade em ambos os sexos e para hipogonadismo 
e criptorquidia (testículo não desde para a bolsa escrotal). Na mulher, o FHS estimula o 
desenvolvimento dos folículos ovarianos e o LH estimula a produção de estrógeno e 
progesterona e induz a ovulação. No homem, o FSH estimula a espermatogênese e o LH 
estimula a produção de testosterona. São obtidos da urina com excesso desses 
hormônios em grávidas e em mulheres menopausadas. 
• GnRH em pulsos (Gonadogrelina): hipotálamo secreta GnRH em pulsos que 
estimula a liberação de FSH e LH pela adenohipófise, então a indicação é para 
infertilidade e para diferenciar doença hipofisária de hipotalâmica. 
• GnRH em doses contínuas e prolongadas (Leuprolida, Nafarelina, Histrelina, 
Goserelina): causam down-regulation dos receptores de GnRH na hipófise, 
causando redução da produção de gonadotrofinas. A indicação é para homens 
com puberdade precoce e câncer de próstata (para diminuir testosterona) e em 
mulheres na endometriose (tecido do endométrio fora da cavidade 
endometrial), miomas uterinos (mioma é hormônio dependente), ovários 
policísticos e puberdade precoce. Os efeitos adversos do GnRH com uso contínuo 
são hipogonadismo, osteoporose, alteração do metabolismo lipídico, etc. 
 A prolactina é o hormônio que induz e mantém a lactação. Também influencia 
os níveis de FHS e LH e diminui a libido. A hiperprolactinemia pode ser causada em 
condições fisiológicas por gestação, lactação, estresse e estimulação mamária. Já as 
causas patológicas de hiperprolactinemia são prolactinomas, fármacos (antipsicóticos, 
antidepressores) e estimulação mamária (trauma, queimaduras). O tratamento é feito 
com agonistas dopaminérgicos derivados do Ergot como Bromocriptina, Pergolida e 
Cabergolida. 
 O ACTH aumenta a liberação de glicocorticoides que aumentam a 
neoglicogênese (ajuda na resposta ao estresse), altera o nível das células sanguíneas e 
tem ação anti-inflamatória em altas doses. Na doença de Cushing há excesso de ACTH 
que estimula muito a produção de cortisol pelas suprarrenais. Se não for possível a 
retirada do tumor hipofisário, utiliza-se drogas para bloqueio das suprarrenais. Se isso 
também não for possível, as suprarrenais podem ser retiradas. A POMC dá origem ao 
ACTH, MSH (hormônio estimulante do melanócito) e endorfinas. Cortisol faz feedback 
negativo com POMC. 
 TSH estimula a liberação de T3 e T4 pela tireoide. Esses hormônios regulam o 
metabolismo tecidual. 
 Paciente homem com lesão na hipófise (baixo GH, ACTH, FSH, LH, PRL, TSH, T4, 
cortisol), dar T4, testosterona e prednisona. Não precisa corrigir a prolactina nem o GH 
(19 anos). Iniciar por corticoide, depois T4 e por último a testosterona. 
 Doença de Sheehan é um pan-hipopituitarismo pós-parto. Paciente sangrou 
muito no parto, hipófise não recebeu aporte sanguíneo e necrosou. Paciente com FSH, 
LH, TSH, cortisol, estrógeno, progesterona, ACTH baixos. Paciente deve tomar T4, 
Prednisona e pílula combinada (com estrógeno e progesterona). 
 Criança com lesão hipofisária, dar Prednisona, T4, testosterona, GH. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FARMACOLOGIA DA GLÂNDULA TIREOIDE 
MIT+DIT=T3 
DIT+DIT=T4 
 T3 é o ativo, mas 80% da produção da tireoide é de T4 e 20% de T3. Uma parte 
do T4 é convertido em T3 na tireoide e o restante nos tecidos. 
 Hipotireoidismo primário acomete a tireoide e secundário a hipófise. 
 Hipotireoidismo primário: doença de Hashimoto, autoimune e acomete mais as 
mulheres. Pode ser provocado por cirurgia ou pode ser congênito (criança nasce sem a 
tireoide ou sem as enzimas necessárias para a produção dos hormônios). O tratamento 
é feito com T4 que tem a meia vida maior e dá para controlar melhor – Levotiroxina, 
PuranT4, Euthydox, Synthroid, Levoid. Paciente deve tomar a medicação pela manhã 
em jejum (alimento diminui a biodisponibilidade). O diagnóstico no adulto é feito mais 
comumente por exames laboratoriais antes da clínica (exame barato). Clinicamente 
ocorre com aumento de peso, pele fria e seca, cabelo quebradiço, lentificação dos 
movimentos, constipação intestinal, sonolência. No RN, é feito o teste do pezinho. Se 
criança não for tratada em até os 6 meses, ela desenvolve cretinismo. 
 As causas do hipertireoidismo são: 
• Hipertireoidismo autoimune ou doença de Basedow-Graves: anticorpos 
estimulam a tireoide. Paciente com exoftalmia, bócio, tremores, sudorese, 
taquicardia, pele úmida, insônia, agitação. Tratamento pode ser clínico, cirúrgico 
ou com iodo radioativo. No Brasil, tratamento clínico por 2 anos e, se não der 
certo, é feita a cirurgia ou é usado o iodo radioativo. 
• Tumor autônomo ou doença de Plumer: produz T3 e T4 independente de TSH. 
Tratamento cirúrgico (remoção do tumor). 
• Hipertireoidismo factício (falso): utilizar T4 para emagrecer. 
Tratamento do hipertireoidismo pode ser: 
• Clínico: 
o Tionamidas: Propiltiuracil, Metimazol. Atuam inibindo a enzima 
peroxidase, portanto bloqueiam a iodação da tireoglobulina e bloqueiam 
o acloplamento (maior ação). Também atuam diminuindo os níveis de 
anticorpos estimuladores da tireoide. O Propiltiuracil bloqueia a 
conversão periférica de T4 em T3. O Metimazol é melhor, pois tem um 
tempo de meia-vida maior, mas é preciso diminuir a dose na insuficiência 
renal severa. Propiltiuracil deve ser usado na gravidez e na lactação 
(passa pouco pela placenta e pelo leite). Os efeitos adversos podem ser 
severos (agranulocitose – redução dos glóbulos brancos, hepatite) e 
menos severos que são mais frequentes (rash, urticária, artralgia, febre). 
A melhora clínica ocorre em 3 semanas, aproximadamente (droga 
diminui a produção do hormônio, mas o doente tem uma reserva 
armazenada na glândula, por isso que demora um pouco para melhorar). 
o β-bloqueadores: no hipertireoidismo há maior número e atividade dos 
receptores β-adrenérgicos. Portanto, os β-bloqueadores bloqueiam os 
sintomas cardiovasculares do excesso do hormônio. O fármaco mais 
usado é o Propranolol que diminui sintomas adrenérgicos ao bloquear a 
conversão periférica do T4 em T3. O Atenolol e o Metoprolol têm pouco 
efeito e o Nadolol e Sotalol não têm efeito. Lembrando que não pode ser 
usado em asma, bronquite em FC baixa. 
o Iodo: bloqueia a liberação do hormônio tireoidiano ao bloquear a 
organificação e a hormoniogênese (efeito Wolff-Chaikoff). Tem efeito 
máximo em 10 dias. Usar em casos em que o doente está com muitos 
sintomas além dos cardiovasculares. Os efeitos colaterais são 
angioedema em alérgicos, vasculite e iodismo. 
o Contrastes iodados: Ácido Iopanóico. É rico em iodo e bloqueia a 
liberação T3 e T4. É o mais potente bloqueador da conversão periférica 
de T4 em T3. Tem efeito rápido com queda acentuada dos hormônios. 
Usar em casos que o paciente está extremamente descompensado. 
• Cirúrgico. 
• Iodo Radioativo: destrói as células que produzem o hormônio. Paciente deve 
ficar afastado do resto da família por 1 semana. Mulher não deve engravidar por 
6 meses. 
Paciente com TSH alto e T4 normal, deve aumentar a dose da Levotiroxina para 
fazer o feedback negativo com o TSH. 
TRH estimula TSH e prolactina – hipotireoidismo primário. 
TRATAMENTO DO DIABETES MELLITUS (DM) 
 DM tipo 1: autoimune, com anticorpos que destroem as células β-pancreáticas. 
Com isso, nãohá produção de insulina. O tratamento é feito com insulinoterapia plena. 
É subdividida em DM tipo 1ª (autoimune), DM tipo 1b (sem causa definida), DM LADA 
(doença autoimune latente do adulto). 
 DM tipo 2: 90% dos casos de DM. Se dá por menor produção de insulina ou 
resistência à insulina (mais comum), comprometendo a ação da insulina. Os fatores de 
risco são obesidade (aumenta a resistina, aumenta TNF-α e diminui adiponectina, 
causando a resistência à insulina), histórico familiar, idade, DMG, entre outros. O teste 
HOMA avalia a resistência insulínica. Em estágios iniciais ocorre hiperinsulinemia. 
 DMG (gestacional): durante a gestação aumenta muito a carga hormonal, 
aumentando a glicemia e isso aumenta a resistência insulínica. É fator de risco para DM 
tipo 2. Fator de risco para DMG é a idade (mulheres estão tendo gestações mais tardias). 
 Cortisol e adrenalina (estresse) aumentam a glicemia. Algumas pessoas dizem 
que o estresse causa a DM, mas na realidade o problema está na insulina que não está 
dando conta desse aumento de glicemia. Avaliar a hemoglobina glicada é importante no 
diagnóstico e tratamento do DM, pois ela avalia a glicemia dos últimos meses. Nos 
diabéticos, ela deve ser mantida abaixo dos 7%. 
 Insulinoterapia: é absoluta no DM tipo 1, pode fazer parte do tratamento ou ser 
absoluta no DM tipo 2. No DMG é absoluta nos protocolos, mas alguns médicos a 
associam aos outros antidiabéticos. A insulinoterapia é administrada pelas vias injetável 
(subcutânea) e inalada (Affreza). A inalada é mais cara e tem uma ação bem mais curta. 
A insulina oral está sendo testada (o desafio é proteger o peptídeo da degradação). A 
insulina é obtida por DNA recombinante humana (idêntica à humana) ou análogas 
humanas (com pequena diferença na sequência de aminoácidos). As insulinas podem 
ser classificadas em relação ao tempo de ação: 
• Insulina de ação ultrarrápida: Lispro, Asparte e Glulisina. 
• Insulina de ação rápida: Insulina Regular. 
• Insulina de ação intermediária (liberação por 12-16 horas): NPH. 
• Insulina de ação longa (liberação por 24 horas): Glargina 100u (Lantus), Detemir. 
• Insulina de ação ultralonga (liberação por 36 horas): Degludeca, Glargina 300u. 
As intermediárias, longas e ultralongas são usadas para controle da glicemia basal. Já as 
ultrarrápidas e rápidas, no controle da glicemia pós-prandial. Exemplo de esquema de 
insulinização plena (absoluta) para DM tipo 1 (0,5u/kg/dia) em paciente com 60kg: 
30u/dia, sendo que 70% é para o controle basal (21u/dia de NPH) e 30% para o controle 
pós-prandial (9u/dia de Regular, podendo ser 3u antes de cada refeição, ou outra divisão 
de acordo com a alimentação do paciente). Ou pode ser feito 30u/dia, sendo 50% para 
o controle basal e 50% para o controle pós-prandial. Existem muitas maneiras de 
abordar isso que é individual para cada paciente. 
NPH é complexada com protamina, depositam no subcutâneo e é liberada 
gradativamente. As outras insulinas de ação longa e ultralonga são cristalizadas no pH 
fisiológico, fazendo com que a liberação seja gradativa. Essas insulinas de ação longa e 
ultralonga não podem ser misturadas com outros tipos (paciente deve injetar 2x em caso 
de associação). Existem pré-misturas de insulina, como 30% Lispro (liberação 
ultrarrápida para controle pós-prandial) + 70% Lispro-Protamina (liberação 
intermediária para controle basal). Isso é bom, pois o paciente pode administrar apenas 
1x, mas o paciente pode precisar, em algum momento, de uma insulina de ação rápida. 
Se ele aplicar a associação, terá hipoglicemia. Essas associações prontas não são muito 
usadas. 
O principal efeito adverso é a hipoglicemia. O simpático é ativado nessas situações, pois 
adrenalina aumenta a glicemia via receptor β2 (tremor, taquicardia, sudorese). β-
bloqueadores mascaram esses sinais e podem acentuar a hipoglicemia. 
 Tratamento do DM tipo 2: 
• Metformina: ótima resposta clínica, baixíssimo custo, pouquíssimas interações 
(eliminação renal, então não depende do CYP450) e não causa hipoglicemia em 
monoterapia. Como mecanismo de ação (via ativação de AMPK), ela diminui a 
resistência insulínica (melhora a ação da insulina), diminui a produção hepática 
de açúcar e diminui a absorção de glicose. Os efeitos colaterais são diminuição 
de apetite, diarreia (causa de abandono de tratamento), diminuição da absorção 
de vitamina B12, acidose lática (rara e grave). É contraindicada para qualquer 
condição que favoreça aumento de lactato e/ou dificuldade de controle do pH 
sanguíneo como anemia, sepse, alcoolismo, insuficiência cardíaca, insuficiência 
respiratória, insuficiência renal, uso de contrastes (causam sobrecarga renal). 
• Sulfonilureias (SFU): boa resposta clínica, custo baixo, eliminação hepática 
(CYP450 – interações medicamentosas). O mecanismo de ação aumenta a 
liberação de insulina e diminui a liberação de glucagon. As SFU se ligam ao canal 
de K+/ATP sensível das células beta-pancreáticas (SUR), bloqueando-os. Isso 
muda a voltagem da membrana e abre canais de Ca2+, que entra na célula e 
provoca a liberação de insulina. Os efeitos adversos são hipoglicemia e favorece 
aumento de peso. 
o 1ª geração: Clorpropamida. 
o 2ª geração: Glibendamida, Glimepirida, Gliclazida, Glipizida. 
• “Incretinomiméticos”: as incretinas GLP-1 e GIP são hormônios peptídicos 
liberados pelo jejuno-íleo pela presença de glicose no bolo alimentar. Eles 
aumentam a liberação de insulina, diminuem de glucagon, aumentam a 
saciedade e retardam o esvaziamento gástrico (também aumenta a saciedade). 
Têm ação muito rápida, pois têm rápida degradação pela enzima DPP-IV. Os 
efeitos colaterais são pancreatite (injetáveis), distúrbios da tireoide (injetáveis), 
disfunção hepática (orais). 
o Injetáveis: Exenatide, Liraglutida (Victoza, Saxenda – aprovada para 
obesidade), Semaglutida e Dulaglutida (aplicados 1x por semana), 
Lixisenatide. São análogos do GLP-1 com maior tempo de ação. São mais 
usados para obesidade do que para DM. 
o Orais (Gliptinas): Vildagliptina, Sitagliptina, Alogliptina, Saxagliptina, 
Linagliptina. Possuem apresentações associados à Metformina. Inibem a 
enzima DPP-IV, aumentando os níveis endógenos de GLP-1 e GIP. 
• Gliflozinas: Canagliflozina, Dapagliflozina, Empagliflozina. Inibem a reabsorção 
renal de glicose (inibição da proteína SGLT-2 no TCP). Ocorre glicosúria e poliúria. 
Como efeitos adversos, causam hipotensão (em normotensos), infecção urinária 
(glicose na urina), alterações eletrolíticas (monitorar K+), insuficiência renal e 
aumento de LDL. 
• Outros (menor utilização): Acarbose (retarda a digestão e absorção de glicose), 
Pioglitazona (diminui a resistência insulínica, com efeitos adversos como 
insuficiência cardíaca, hepática e lesões ósseas) e Glinidas (aumentam a 
liberação de insulina).

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