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O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 1 Coordenação de Ensino FAMART O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 2 O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 3 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 4 A PSICOPEDAGOGIA E AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ........................ 4 AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA ............................................................................ 6 INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA ...................................................................... 8 MODELO DE PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO E ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM ...................................................................................................... 12 REFLETINDO SOBRE ALGUNS PROBLEMAS EDUCACIONAIS BRASILEIROS .. 17 CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA COGNITIVA NA MELHORIA DO RENDIMENTO ESCOLAR DE ALUNOS BRASILEIROS ................................................................... 21 ALGUMAS PESQUISAS RELATIVAS ÀS ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS BRASILEIRAS ....................................................................................... 23 INFLUÊNCIAS NA PSICOPEDAGOGIA ................................................................... 25 O CONCEITO DA PSICOPEDAGOGIA CLINICA ..................................................... 32 O CONCEITO DA PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL ........................................ 34 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 37 O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 4 INTRODUÇÃO A psicopedagogia é um campo de conhecimento em que a psicologia e a pedagogia interagem, com o intuito de facilitar o processo de ensino- aprendizagem tentando remover os obstáculos desse processo. Nesse contexto, a avaliação psicopedagógica tem como objetivo investigar as relações do individuo com o conhecimento e os seus vínculos com a aprendizagem e todas as significações implícitas no ato de aprender. Após essa avaliação, de acordo com a demanda, pode-se realizar uma intervenção psicopedagógica, com o intuito de mediar o processo de aprendizagem, introduzindo novas formas de se pensar, por meio das potencialidades identificadas na avaliação e desenvolvendo novas maneiras de se relacionar com essa aprendizagem. A PSICOPEDAGOGIA E AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM Segundo Mariani e Mariani (2005), a psicopedagogia é um campo de conhecimento com interação entre a psicologia e a pedagogia, tendo como objeto de estudo o processo de aprendizagem que é visto como estrutural construtivo e interacional, integrando os aspectos cognitivos, afetivos e sociais do sujeito. Tem o intuito de facilitar o processo de ensino aprendizagem na tentativa da remoção dos obstáculos que impedem que esse processo se realize. Portella e Hickel (2010) pontuam que a psicopedagogia tem como objetivo unir conhecimentos e princípios de ciências distintas, com a finalidade de estabelecer a melhor e mais adequada compreensão referente às diversas variáveis que estão inseridas nesse processo de aprendizagem. Atualmente, a psicopedagogia clínica está envolvida a toda e qualquer situação que esteja relacionado ao processo de aprendizagem e suas O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 5 implicações. Este campo surge como uma resposta diante de uma demanda, que cresce cada vez mais, devido ao fracasso escolar e aos problemas de aprendizagem. As dificuldades de aprendizagem, segundo Smith e Strick (2001), são causadas por problemas neurológicos que afetam a capacidade do cérebro para entender, recordar ou comunicar informações. As deficiências que causam maiores problemas acadêmicos são: percepção visual, processamento linguístico, habilidade motora fina e capacidade de focar atenção. Aliada a isso, alguns comportamentos tornam-se um complicador, como hiperatividade, dificuldade para seguir instruções e imaturidade social. A frustração dos pais, da escola e também da própria criança só aumenta, pois ela se vê incapaz de realizar a mesma atividade que seus colegas e passa até a questionar a sua inteligência, podendo ficar irritada, isolada socialmente e até desenvolver baixa autoestima e depressão pelos julgamentos negativos que recebe. Segundo D‟Abreu e Marturano (2010), sete em cada dez crianças encaminhadas com queixa de dificuldade de aprendizagem apresentam uma comorbidade emocional e/ou comportamental, com comportamentos externalizantes (caracterizados pela oposição, agressão, hiperatividade, impulsividade e manifestações antissociais) ou internalizantes (caracterizados pela disforia, retraimento, medo e ansiedade). Pesquisas mostram que, quando existe a associação entre dificuldade de aprendizagem e comportamentos externalizantes, a criança pode vir a ter dificuldades de se relacionar, além de que problemas de comportamento podem exacerbar as dificuldades acadêmicas. Para evitar tais consequências, Smith e Strick (2001) afirmam que os pais devem estar alerta aos sinais que a criança emite. Ao identificarem algum atraso na leitura, escrita ou na matemática em relação O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 6 ao nível de sua série escolar, devem encaminhar para uma avaliação psicopedagógica. AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA De acordo com Weiss (2011), todo o diagnóstico psicopedagógico em si é uma investigação do que não vai bem com o sujeito em relação a um rendimento esperado. Guimarães, Rodrigues e Ciasca (2004) complementam que na avaliação psicopedagógica, a criança é considerada como um todo, pois muitos aspectos podem estar relacionados ao problema de aprendizagem e, por isso deve ser investigado. Segundo Weiss (2011), torna-se importante o esclarecimento da queixa pelos pais, pelo próprio sujeito avaliado e também pela escola. De acordo com Guimarães, Rodrigues e Ciasca (2003), na primeira consulta, deve-se perceber que a queixa trazida pelos pais como motivo do encaminhamento para a avaliação às vezes não descreve só o “sintoma”, como também traz indícios que indicam a direção para o início da investigação. Por isso, a atitude com que o profissional acolhe o primeiro contato com a família ou o próprio paciente é muito importante para a continuação do processo. É necessário considerar sempre a carga de ansiedade demonstrada pelos pais neste primeiro contato, vistoque é um movimento que poderá vir a se definir pró ou contra a avaliação. Geralmente no primeiro contato com os pais ou responsável pelo paciente é realizada a anamnese, com o intuito de obter mais dados sobre o sujeito. Para Weiss (1999), a anamnese é um ponto importante para que se possa ter um bom diagnóstico, já que através dela é possível a interação das dimensões O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 7 do passado, presente e futuro do paciente, permitindo analisar a construção ou não de sua própria continuidade e das diferentes gerações, como a visão familiar da história de vida do paciente, que traz consigo todos os preconceitos, normas e expectativas, a circulação dos afetos e do conhecimento, além do peso das gerações depositadas sobre o paciente. Para Guimarães, Rodrigues e Ciasca (2003), é necessário que se verifique durante todo o processo diagnóstico a autenticidade da queixa inicial, pois não é incomum que os pais repitam a queixa formulada por quem os encaminhou, geralmente a escola, sem ter qualquer reflexão sobre ela. O profissional deve observar todas as possibilidades que possam interferir no processo de aprendizagem, pois algumas dificuldades apresentadas podem ser decorrentes da carência sociocultural, problemas de relacionamento familiar, distúrbios psiquiátricos ou ainda problemas de ordem orgânica, como visual, auditivo e síndromes neurológicas. Nesses casos, deve-se encaminhar a criança para outro profissional que possa investigar o caso e dar o direcionamento necessário para a intervenção. Segundo Machado (2000 apud MEIRA e ANTUNES, 2003), não se deve considerar o aluno como objeto de avaliação, mas as diferentes relações e práticas que implicam a queixa em relação ao aluno e que levam ao encaminhamento para o atendimento psicológico. Assim, a pergunta passa de "o que o aluno tem que não aprende?" para "como é o campo social no qual esta queixa foi produzida?". Assim, devem-se utilizar os dados que o aluno apresenta, para compreender melhor as várias determinações presentes no processo de produção do fracasso escolar. Para Weiss (2011), ao final do diagnóstico psicopedagógico, o terapeuta já deve ter formado uma visão global do paciente e sua contextualização na O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 8 família, escola e seu meio social. Assim, se faz um laudo ou informe com a finalidade de resumir as conclusões a que se chegou na busca de respostas às perguntas iniciais que motivaram o diagnóstico. Como afirma Weiss (1999), em alguns casos será necessário realizar um encaminhamento para dar continuidade no trabalho. Esse trabalho subsequente pode ocorrer por meio da intervenção psicopedagógica. INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA Segundo Santos et al. (2012), em casos de dificuldades de aprendizagem, quando são realizadas intervenções psicopedagógicas precoces, é possível melhorar a evolução do aluno e reduzir os impactos causados ao indivíduo e à sociedade. Rubinstein (1999) pontua que, em uma intervenção, o foco está no sujeito, na sua relação com a aprendizagem. O objetivo do psicopedagogo é ajudar aquele que não consegue aprender formal ou informalmente, para que consiga não apenas interessar-se por aprender, mas também possa adquirir ou desenvolver habilidades necessárias para tal. Na intervenção, embora se utilize de propostas de trabalho para mediar à relação terapêutica, as escolhas dessas propostas e as formas como são apresentadas irá depender da particularidade de cada situação, do sujeito que está sendo atendido e da capacitação e dos recursos que o psicopedagogo dispõe. Assim, o caráter dinâmico da escolha das propostas e a forma como são significadas pela dupla terapeuta/cliente é o que realmente irá provocar as mudanças pretendidas. O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 9 Batalloso (2011) afirma que a intervenção está voltada para a atenção na diversidade e tem como função proporcionar ajudas individuais necessárias para solucionar as dificuldades de aprendizagem, além de desenvolver seu processo de amadurecimento pessoal a partir de suas características singulares. Rubinstein (1999) afirma ainda que as atividades escolhidas e propostas tanto pelo psicopedagogo como pelo cliente são mediadoras para modificar a forma de pensar e utilizar as funções cognitivas e a posição assumida pelo sujeito aprendente. Ao fazer uso de recursos que são escolhidos pelo cliente ou propostos pelo terapeuta, este propicia a oportunidade para experimentar situações que promovem a confrontação com a forma de relacionar-se com a modalidade que se utiliza para se estabelecer essa relação. Esse confronto pode contribuir para a tomada de consciência de um estilo de aprender, já que as diferentes modalidades de atividades permitem entrar em contato com o “como aprendo” e “como me relaciono com o saber”. UMA INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM As estratégias de aprendizagem são técnicas ou métodos que os alunos usam para adquirir a informação (Dembo, 1994). Como aponta Nisbett, Schucksmith e Dansereau (1987, citados por Pozo, 1996), as estratégias de aprendizagem vêm sendo definidas como sequencias de procedimentos ou atividades que se escolhem com o propósito de facilitar a aquisição, o armazenamento e/ ou a utilização da informação. Em nível mais específico, as O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 10 estratégias de aprendizagem podem ser consideradas como qualquer procedimento adotado para a realização de uma determinada tarefa (Da Silva & Sá, 1997). Alguns teóricos distinguem as estratégias cognitivas das metacognitivas (Garner & Alexander, 1989). Para Dembo (1994), enquanto as estratégias cognitivas se referem a comportamentos e pensamentos que influenciam o processo de aprendizagem de maneira que a informação possa ser armazenada mais eficientemente, as estratégias metacognitivas são procedimentos que o indivíduo usa para planejar, monitorar e regular o seu próprio pensamento. Dansereau e colaboradores (1979) julgam necessário diferenciar estratégias primárias das estratégias de apoio. Para esses pesquisadores, as estratégias primárias são as destinadas a ajudar o aluno a organizar, elaborar e integrar a informação (Dansereau, Collins, MacDonald, Holley, Diekhoff, & Evans, 1979). As estratégias de apoio, por sua vez, são responsáveis pela manutenção de um estado interno satisfatório que favoreça a aprendizagem. Apesar das distinções mencionadas, o termo estratégias de aprendizagem vem sendo amplamente utilizado num sentido que inclui todos os tipos de estratégias (cognitivas, metacognitivas, primárias e de apoio). Weinstein e Mayer (1985) identificaram cinco tipos de estratégias de aprendizagem que foram posteriormente organizadas por Good e Brophy (1986): estratégias de ensaio, elaboração, organização, monitoramento e estratégias afetivas. Como descrito em Boruchovitch (1993), as estratégias de ensaio envolvem repetir ativamentetanto pela fala como pela escrita o material a ser aprendido. As estratégias de elaboração implicam na realização de conexões entre o material novo a ser aprendido e o material antigo e familiar (por exemplo, O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 11 reescrever, resumir, criar analogias, tomar notas que vão além da simples repetição, criar e responder perguntas sobre o material a ser aprendido). As estratégias de organização referem-se à imposição de estrutura ao material a ser aprendido, seja subdividindo-o em partes, seja identificando relações subordinadas ou superordinadas (por exemplo, topificar um texto, criar uma hierarquia ou rede de conceitos, elaborar diagramas mostrando relações entre conceitos). As estratégias de monitoramento da compreensão implicam que o indivíduo esteja constantemente com a consciência realista do quanto ele está sendo capaz de captar e absorver do conteúdo que está sendo ensinado (por exemplo, tomar alguma providência quando se percebe que não entendeu, auto- questionamento para investigar se houve compreensão, usar os objetivos a serem aprendidos como uma forma de guia de estudo, estabelecer metas e acompanhar o progresso em direção à realização dos mesmos, modificar estratégia utilizadas, se necessário). As estratégias afetivas referem- se à eliminação de sentimentos desagradáveis, que não condizem com à aprendizagem (por exemplo, estabelecimento e manutenção da motivação, manutenção da atenção e concentração, controle da ansiedade, planejamento apropriado do tempo e do desempenho). Investigando o que os alunos fazem quando aprendem Zimmerman e Martinez-Pons (1986) também encontraram 14 tipos de estratégias: autoavaliação, organização e transformação, estabelecimento de metas e planejamento, busca de informação, registro de informação, auto- monitoramento, organização do ambiente, busca de ajuda e revisão. O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 12 Mckeachie, Pintrich, Lin, Smith e Sharma (1990, citados por Dembo, 1994) acreditam que as estratégias de aprendizagem anteriormente mencionadas podem ser organizadas em três grandes grupos: 1) estratégias cognitivas (estratégias de ensaio, elaboração e organização), 2) estratégias metacognitivas (estratégias de planejamento, monitoramento e regulação) e 3) estratégias de administração de recursos (administração do tempo, organização do ambiente de estudo, administração do esforço e busca de apoio a terceiros). Da Silva e De Sá (1997) apontam que a instrução em estratégias de aprendizagem abre novas perspectivas para uma potencialização da aprendizagem permitindo aos estudantes ultrapassar dificuldades pessoais e ambientais de forma a conseguir obter um maior sucesso escolar. MODELO DE PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO E ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM Os seres humanos assimilam e transformam as informações que recebem do meio ambiente. O processamento da informação no ser humano é um processo dinâmico e complexo (Pfromm Netto, 1987). Dembo (1994) menciona que os psicológos cognitivos desenvolveram modelos de processamento da informação não só para identificar como os seres humanos obtêm, transformam, armazenam e aplicam essa informação, mas também para explicar o papel das estratégias de aprendizagem na aquisição, na retenção e na utilização do conhecimento. O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 13 Cabe mencionar que se escolheu descrever o processamento da informação humana utilizando-se o modelo de Mayer (1981, citado por Dembo, 1988) por se tratar de um modelo geral que explica o funcionamento da memória de forma clara (Dembo, 1988), além de permitir uma fácil visualização não só do fluxo da informação, mas também do papel das estratégias de aprendizagem na aquisição, no armazenamento e no uso da informação. Como pode ser observado na Figura 1, o fluxo da informação começa com um estímulo do ambiente como, por exemplo, a percepção visual de palavras num texto. Assim sendo, a informação entra no Sistema de Memória Sensorial (Registro Sensorial). A informação aqui é, então, guardada brevemente até que ela possa entrar no Sistema de Memória de Curta Duração (também chamada de Memória de Funcionamento). A informação que não entra no Sistema de Memória de Curta Duração é perdida. Ao sair do Registro Sensorial e entrar no Sistema de Memória de Curta Duração, a informação é transformada através de um processo de codificação. A maneira pela qual a informação é codificada e integrada na memória, bem como a extensão e profundidade da integração afeta a facilidade com que a informação pode ser recuperada, posteriormente (Dembo, 1988). O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 14 Figura 1. Um Modelo de Processamento da Informação Humana - (Traduzido e adaptado de Mayer, 1981, citado por Dembo, 1988). O Sistema de Memória de Curta Duração do adulto é limitado, tanto ao nível da sua capacidade, quanto ao nível da sua duração. Só pode guardar mais ou menos cinco a nove unidades. Sem um esforço ativo da pessoa, a Memória de Curta Duração só guarda a informação por um período muito curto de 30 segundos. Segundo Gagné, Yekovich e Yekovich (1993), de modo geral, as pessoas preferem realizar uma tarefa cognitiva de cada vez. Como o fluxo da informação no sistema humano é organizado em torno de se alcançar algum objetivo, existe um número de Processos de Controle que opera no sistema de memória de curto prazo, dotando-lhe de flexibilidade para lidar com a informação. Esses Processos Executivos de Controle focalizam a atenção, manipulam a informação, organizam e assistem a recuperação da informação. Alguns desses Processos de Controle são automáticos, outros são sujeitos ao controle voluntário (Dembo, 1988). De acordo com Gagné e colaboradores (1993), uma maneira pela qual as pessoas conseguem fazer mais coisas ao mesmo tempo é através da O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 15 automatização. Automatizar significa praticar uma tarefa até que ela possa ser realizada com o mínimo de consciência. Quando se compara leitores iniciantes e leitores experientes, percebe-se que os últimos têm a capacidade de decodifição de palavras automatizadas e, por isso, possuem mais espaço na memória para entender o que estão fazendo. Entretanto, quando se usa esses processos de controle conscientemente (com controle voluntário) trata- se dos Processos Metacognitivos, que são processos que os indivíduos utilizam para controlar o seu próprio pensamento (Dembo, 1988; 1994). Os Processos Executivos de Controle são parte do Sistema de Processamentoda Informação. Esses processos controlam os processos cognitivos envolvidos no ato de aprender monitorando e dirigindo o progresso das atividades cognitivas. O funcionamento dos Processos Executivos de Controle está baseado na Metacognição, que tem dois aspectos separados, porém relacionados. O primeiro aspecto da Metacognição é relativo ao conhecimento dos próprios processos cognitivos e diz respeito ao: 1) conhecimento sobre si mesmo (pontos fortes, pontos fracos, preferências pessoais); 2) conhecimento sobre a tarefa (níveis de dificuldade, demandas); e, 3) conhecimento sobre o uso de estratégias (quais, quando, por quê e para quê) O segundo aspecto da Metacognição refere-se à regulação e ao controle do comportamento, considerando-se a existência de três tipos de controle: Planejamento, Monitoramento e Regulação. Para Corno e Mandinach (1983), as estratégias de planejamento envolvem a organização de uma sequencia de atividades que são apropriadas para a aprendizagem de uma dada tarefa (exemplo: estabelecer metas a serem realizadas; antecipar quanto tempo será necessário para completar uma dada tarefa). O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 16 As estratégias de monitoramento dizem respeito à capacidade do sujeito de supervisionar o seu próprio processo de aprendizagem (exemplo: manter a atenção quando está lendo um texto; auto-questionar-se quanto ao conteúdo do material para avaliar a própria compreensão). Essas estratégias alertam o aluno quanto a possíveis problemas na atenção e na compreensão de um determinado conteúdo de modo que entraves possam ser resolvidos. As estratégias de regulação ajudam o aluno a modificar seu comportamento de estudo e permitem que esse melhore seus deficits de compreensão (exemplo: voltar e reler uma parte do texto que o aluno percebe que não entendeu; responder primeiro as questões mais fáceis de uma prova e depois retornar para as difíceis; Dembo, 1988; 1994). A Memória de Curta Duração tem condições de guardar mais informação quando a informação é organizada em unidades maiores; a organização reduz a carga da memória. As estratégias de ensaio (repetir ou ensaiar a informação) podem ser ensinadas e usadas para organizar e reter a informação por períodos mais longos. A Memória de Longa Duração, por sua vez, tem como função armazenar toda a informação que nós possuímos e não estamos usando (Gagné, Yekovich & Yekovich, 1993; Pfromm Neto, 1987). A informação entra na Memória de Longo Prazo através da Memória de Curto Prazo ou em Funcionamento. As informações armazenadas na Memória de Longa Duração são permanentes. Para Gagné e colaboradores (1993), a sensação de não lembrar alguma coisa está mais associada à falta de uma boa pista de recuperação da informação do que à perda da informação propriamente dita. O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 17 Enquanto a informação precisa ser ensaiada para se manter na Memória de Curta Duração, ela precisa ser elaborada para ir para a Memória de Longa Duração, isto é, precisa ser classificada, organizada, conectada e armazenada com a informação que já existe na Memória de Longa Duração. Como aponta Dembo (1994), o propósito das estratégias de aprendizagem é de ajudar o aluno a controlar o processamento da informação de modo que ele possa melhor armazenar e recuperar a informação na Memória de Longa Duração. REFLETINDO SOBRE ALGUNS PROBLEMAS EDUCACIONAIS BRASILEIROS Não há dúvida de que o sistema educacional brasileiro sofre problemas muito sérios. Como aponta Pilati (1994), se os esforços nas últimas décadas no sentido da universalização do ingresso no sistema educacional possibilitou o acesso de 95% das crianças de sete a catorze anos à escola pública, apenas 43% terminam o ensino fundamental. Mais precisamente, apenas dois quintos das crianças de faixa etária de sete a catorze anos concluem as quatro séries iniciais e menos de um quarto concluem-nas sem repetência. Quase dois terços dos alunos estão acima da faixa etária correspondente a sua série e somente 13% completam o curso com idade adequada, sendo que a maioria dos alunos repetentes é proveniente de camadas sociais desfavorecidas (Pilati, 1994). Segundo Costa Ribeiro (1991), o problema mais sério no ensino do país não é a evasão escolar e sim o alto índice de repetência caracterizado, ora por excessivas reprovações brancas (em que os alunos passam da primeira série B para a primeira série A), ora por critérios inapropriados de registro O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 18 de alunos repetentes de uma unidade de ensino matriculados como alunos novos em outra unidade. Costa Ribeiro (1991) demonstra ainda que o tempo que muitos alunos permanecem na escola seria suficiente para que eles se formassem no ensino fundamental, mas que devido à repetência, eles acabam saindo da escola tendo conseguido completar apenas duas ou três séries escolares. Ao repetirem séries escolares, inúmeros alunos brasileiros experimentam um sentimento de desesperança e acabam também por abandonar a escola. Na realidade, tanto as taxas de repetência como as de evasão têm sido altíssimas nos últimos cinquenta anos (Patto, 1993). Enquanto alguns estudos revelam que o mero acesso à educação básica seria suficiente para desobstruir o processo psicogenético e possibilitar que alunos atinjam patamares cognitivos mais elevados (Freitag, 1986), existe evidência que a repetência e a evasão escolar reduzem o nível de escolaridade total que pode ser alcançado em um país (Schiefelbein & Wolff, 1992). As investigações de Mello (1983) e Leite (1988) indicam que, quando indagados sobre as possíveis causas do fracasso escolar, educadores apontam como fatores principais certas características do aluno, tais como: o QI baixo, a subnutrição, a imaturidade, os problemas emocionais, o abandono dos pais, a falta de condições econômicas, a desorganização familiar, entre outros. Entretanto, alguns pesquisadores enfatizam que não existem evidências de que problemas físicos, biológicos e psicológicos sejam os responsáveis pelas reprovações nas primeiras séries, derrubando-se assim os mitos das deficiências físicas, da desintegração dos lares, do retardo intelectual e da falta de prontidão (Almeida, Gatti, Patto, Lobo da Costa & Copit, 1979; Gatti, Patto, Lobo da Costa, Copit & Almeida, 1981). O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 19 Collares (1995) chama a atenção para o quanto a visão medicalizada da sociedade e da escola tem contribuído para transformar um número grande de crianças normais em doentes. Segundo a autora, as crianças que fracassam ou irão fracassar são identificadas logo no primeiro bimestre. As atitudes premonitórias e a previsão dos professores em relação aosalunos que não aprenderão e serão reprovados se confirmam em 94,1% dos casos. Os estudos de Souza (1997) também demonstram que professores, no início do processo de alfabetização de seus alunos, já tendem a considerar que esses apresentam dificuldades de aprendizagem, fazendo um pré- diagnóstico que não acredita na capacidade das crianças para aprender, além de responsabilizá-las por suas dificuldades na escola. Na realidade, como apontam Rosenthal e Jacobson (1968) existe um ciclo vicioso entre professor e aluno que precisa ser rompido: o professor tende a entrar na sala de aula, cheio de expectativas e preconceitos, não acreditando que aquele aluno, daquela camada social mais desfavorecida, seja capaz de aprender. Lamentavelmente, como menciona Collares (1995), se o processo de ensino-aprendizagem não se efetiva, é o aluno que se culpa, é o aluno que não aprendeu, é nele que se acaba buscando as causas do fracasso. Mas, localizar o fracasso no aluno, como descreve Ryan (1976), estigmatiza alunos sadios, afetando o autoconceito e a autoestima dos mesmos, além de perpetuar a situação. O aluno, por sua vez, com um acúmulo de fracassos escolares, acaba por usar estratégias ego-defensivas para cada vez mais se distanciar do seu próprio processo de aprender (Boruchovitch, 1993). Cabe enfatizar que, se por um lado, nas explicações tradicionais do fracasso escolar a culpa recai no aluno, sem que se leve em conta o papel da escola O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 20 e das demais condições de vida do mesmo, por outro, existem evidências sólidas de que os alunos que "fracassam" na escola não são, de modo algum, incapazes de raciocinar e aprender (Carraher, Carraher & Schliemann, 1989). Mais precisamente, estudiosos consideram que o fracasso escolar é um fenômeno complexo, causado tanto por fatores intra como extraescolares (Collares, 1995; Leite, 1988; Mello, 1983). Os fatores intraescolares referem-se: a) à distância cultural entre a escola pública e a população que esta atende, b) à inadequação dos cursos de formação de professores, c) às expectativas não realistas dos professores, d) à ineficácia dos métodos e práticas escolares, e, à burocracia pedagógica, entre outros (Leite, 1988). Como os fatores extraescolares referem-se às condições socioeconômicas da maioria da população, são sobre os fatores intraescolares que, de acordo com Leite (1988), a ação dos educadores pode incidir mais diretamente. Leite (1988) enfatiza ainda que a descoberta de novas formas de se atuar no âmbito das variáveis intraescolares que mantêm o fracasso escolar pode atenuar sobremaneira os efeitos do mesmo. Como sugere Linhares (1991), não há dúvidas de que, se por um lado, os problemas educacionais brasileiros necessitam de soluções que transcedem as mudanças na aplicação de conhecimentos técnico-pedagógico e requerem intervenções ao nível político, social, econômico e cultural, por outro, existe uma inegável incapacidade de se ensinar. Fini (1996) também adverte que não seria justo que os alunos esperem até que o panorama econômico, político e social sejam modificados. O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 21 Cabe-nos, portanto, como educadores, repensar sobre a nossa atuação, rever criticamente a nossa forma de ensinar, refletir sobre nossos preconceitos e sermos capazes de, sem negarmos que uma mudança social se faz necessária, tentarmos introduzir atividades práticas que possam fazer alguma diferença dentro da sala de aula e que possam atenuar e aliviar o sentimento de fracasso de nossos alunos. Nesse sentido, propõe-se que, sem que em momento nenhum se reduza o fracasso da escola pública brasileira a meras inabilidades técnicas ou a certas características de alunos desfavorecidos, tente-se se resgatar o compromisso e a responsabilidade da escola para com os seus alunos, tornando a instrução mais poderosa para se ensinar aos alunos a aprender a aprender e, levando-se em conta as variáveis psicológicas e cognitivas que afetam o processo de ensino- aprendizagem, sobretudo a díade professor-aluno (Boruchovitch, 1993). CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA COGNITIVA NA MELHORIA DO RENDIMENTO ESCOLAR DE ALUNOS BRASILEIROS A Psicologia Cognitiva baseada na Teoria do Processamento da Informação preocupa-se com a aquisição e organização do conhecimento, enfatizando a promoção de mudanças nos processos internos dos estudantes. Essa perspectiva teórica afirma a existência de um controle executivo, que é um processador central capaz de planejar a atividade intelectual e controlar sua execução. Surge assim uma nova concepção de inteligência, sendo esta considerada como não mais estável e fixa, mas composta de processos passíveis de serem desenvolvidos e modificados pela intervenção educacional (Almeida, 1992). O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 22 Como apontam Mettrau e Mathias (1998), níveis de menor realização deixam então de ser entendidos como deficiências de capacidade ou de conhecimento e passam a ser considerados como decorrentes do uso inapropriado dos mecanismos do processamento da informação. Clark (1990) esclarece que é possível se prescrever métodos instrucionais para apoiar cada um desses processos que compõem a inteligência e enfatiza que a instrução precisa ir além de prover única e exclusivamente a informação e fornecer o apoio necessário para o processamento cognitivo, sendo a quantidade de apoio aos processos cognitivos a ser inserida na instrução uma variável chave para a efetividade da mesma. Para alunos com facilidade de aprender, inserir muito apoio aos processos cognitivos na instrução resulta na redução da eficiência da capacidade de aprendizagem dos mesmos. Já alunos com muita dificuldade de aprendizagem necessitam que a instrução contenha o máximo de apoio possível aos processos cognitivos. A crença de que todo aluno, em princípio, tem o potencial de se tornar um aprendiz bem sucedido e autorregulado (Zimmerman, Bonner & Kovach, 1996), a consciência de que "ensinar a aprender" e "aprender a aprender", embora sejam investimentos a longo prazo, são possíveis e estão totalmente dentro dos limites educacionais (Pressley, Borkowski & Schneider, 1989), e a importância concedida ao ensino de estratégias de aprendizagem para a melhoria do desempenho escolar de alunos (Hattie, Biggs & Purdue, 1996) constituem-se nas principais contribuições da Psicologia Cognitiva baseada na Teoria do Processamento da Informação para a educação. Estratégias de aprendizagem podem ser ensinadas para alunos de baixo rendimento escolar. É possível ensinar a todos os alunos a expandir notas de aulas, O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 23 a sublinharpontos importantes de um texto, a monitorar a compreensão na hora da leitura, usar técnicas de memorização, fazer resumos, entre outras estratégias. Resultados de pesquisas revelam que o treinamento em estratégias de aprendizagem tem sido bem sucedido de modo geral, pois é capaz de produzir tanto uma melhora imediata no uso das estratégias envolvidas, quanto no rendimento escolar geral dos alunos (Garner, Hare, Alexander, Haynes & Winograd, 1984; Pressley & Levin, 1983; Weinstein & Mayer, 1985). Ressaltam os teóricos nessa área que conhecer as estratégias não é suficiente para melhorar o rendimento escolar dos estudantes. Faz-se necessário que os alunos compreendam como e quando usá-las. Além disso, se por um lado, o ensino de estratégias de aprendizagem é capaz de melhorar significativamente o rendimento escolar dos alunos, por outro lado, não há dúvidas de que o mero treinamento em estratégias é infrutífero para se desenvolver a capacidade do aluno para aprender a aprender, se ao ensino de estratégias não forem acopladas de estratégias de apoio afetivo destinadas a modificar variáveis psicológicas, tais como: ansiedade, autoeficácia, autoconceito, atribuição de causalidade, muitas vezes incompatíveis ao uso apropriado das estratégias (Hattie, Biggs & Purdue,1996). ALGUMAS PESQUISAS RELATIVAS ÀS ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS BRASILEIRAS É sabido que é com a idade que o senso de controle da criança tende a passar de fontes externas para as fontes internas. Embora evidências indiquem que mesmo crianças pequenas são capazes de usar estratégias de O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 24 aprendizagem, monitorar seus comportamentos e caminhar em direção a uma certa autorregulação (Brown, 1997; Kopp, 1982; Martin & Marchesi, 1996;), as pesquisas relativas ao uso de estratégias de aprendizagem e à auto- regulação têm sido baseadas predominantemente em amostras de alunos universitários e do segundo grau de países desenvolvidos (Hattie, Biggs & Purdue, 1996; Weinstein & Mayer, 1985; Zimmerman & Martinez-Pons, 1986; Zimmerman, Bonner & Kovach, 1996). A literatura brasileira na área de estratégias de aprendizagem ainda é escassa. Entre alguns estudos realizados observa-se uma preocupação em verificar os efeitos do treinamento em estratégias de aprendizagem no desempenho escolar dos alunos (Jalles, 1997; Molina, 1983; 1984). Alunos pré-escolares que receberam treinamento em estratégias de aprendizagem para a realização de uma tarefa que envolvia raciocínio espacial apresentaram um percentual de erros significativamente menor do que o grupo de controle (Jalles, 1997). Pesquisas voltadas para treinamento de habilidades de estudos específicas como a leitura, realizadas com alunos de quinta a oitava série do Ensino Fundamental, atestam uma melhora considerável no desempenho do aluno como decorrência do treinamento (Molina, 1983; 1984). Nessa mesma linha, Lopes (1997) realizou um estudo voltado para o desenvolvimento de estratégias metacognitivas associadas à leitura de alunos de quinta série do ensino fundamental que apresentavam problemas na leitura. Consistente com os estudos de Molina (1983; 1984), os resultados de Lopes (1997) apontaram para a melhoria da capacidade da leitura dos sujeitos como decorrência da intervenção realizada. Lopes (1997) e Molina (1983; 1984) chamam atenção para a importância de se de desenvolver nos alunos habilidades de estudo O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 25 mais adequadas em condições normais de sala de aula e salientam que o trabalho corretivo deve dividir o espaço com o trabalho formativo no que tange a promoção da autorreflexão e dos processos metacognitivos. Numa outra perspectiva, que visa compreender o que os alunos fazem para aprender e para estudar, Boruchovitch (1995; 1998a; 1998b; 1999) investigou o uso espontâneo de estratégias de aprendizagem por parte de alunos de primeira, terceira, quinta e sétima séries do ensino fundamental de uma escola pública de Campinas. Resultados parciais revelam que, embora pouco diversificadas e às vezes inapropriadas para a situação de aprendizagem proposta, as estratégias mencionadas pelos sujeitos mostraram-se, de modo geral, semelhantes às encontradas na literatura (Purdie & Hattie, 1996; Weinstein & Mayer, 1985; Zimmerman & Martinez-Pons, 1986). Diferentemente dos estudos anteriormente mencionados, Darsie (1996) vem utilizando o exercício metacognitivo (uso de diários para registro da reflexão sobre a aprendizagem) como uma forma de se avaliar a aprendizagem de alunos de um curso de formação de professores. Esta pesquisa conclui pela necessidade de se converter a avaliação num instrumento de aprendizagem que possibilite a construção do conhecimento através do exercício da metacognição que permita constantemente a tomada de consciência da própria aprendizagem. INFLUÊNCIAS NA PSICOPEDAGOGIA Assim que é gerado o individuo inicia-se uma longa trajetória de variadas aprendizagens. O sujeito durante a sua vida acaba se constituindo, aprendendo e reaprendendo. Pela aprendizagem o ser humano passa a se O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 26 desenvolver, de maneira a constituir sua própria identidade a partir de suas vivências, segundo Martini, (1994, p.1) . [...] “O processo de aprendizagem pode ser positivo, prazeroso e eficaz, mas, por outro lado, o inverso pode ocorrer, e o aprender torna-se uma dificuldade e um desprazer’’. Por ser uma ação complexa, o processo de ensino e aprendizagem, faz-se necessário o aprofundamento das questões que estão intrínsecas nesse processo. O papel do psicopedagogo fundamenta-se, sobretudo, nas dificuldades que podem acontecer nesse processo, de maneira que o mesmo, provavelmente, possa desvelar os obstáculos que estão impedindo o sujeito de aprender para que consiga, assim, oportunizar possíveis meios para intervir adequadamente junto ao problema. Por isso, torna-se importante para o psicopedagogo compreender como acontece a aprendizagem. E algumas teóricos, sobretudo, da área da psicologia podem auxiliar no entendimento de algumas dessas questões. Para o estudo foram selecionadas algumas das teorias que subsidiam a psicologia, dentre as quais destacamos o behaviorismo, o humanismo e o materialismo- histórico. O behaviorismo pode se exemplificar no ensino tradicional, nele não é estimulado a criticidade do aluno e o professor é reconhecido como um mero instrutor, dentro de uma relação verticalizada, que prevalece, o que para muitos, pode ser considerado um estilo arcaico de ensino, como retrata o autor a seguir: Muitos críticos designam esta tese por psicologia da mente vazia, tanto por se recusar a estudar a vida mental, quanto por defender que esta surge, não de potencialidades mentais inatas no organismo, mas sim da associação entreO PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 27 reflexos automáticos e determinados estímulos do meio. Segundo Watson, qualquer comportamento humano ou animal (desde uma simples emoção até à resolução de um complicado problema matemático) pode ser explicado pelo encadeamento de associações simples entre estímulos e respostas. De acordo com esta posição, Watson opôs-se vigorosamente aos defensores de teorias inatistas (segundo as quais a aprendizagem depende do potencial de inteligência com que nascemos) e maturacionistas (segundo as quais a aprendizagem depende do processo de maturação fisiológica) (GONÇALVES, 2007, p. 27). Portanto, Watson desconsiderava fatores, que hoje sabemos que são importantes, ele colocou o ser humano para ser analisado apenas em seus instintos. Watson teorizou que com o condicionamento, por estímulos, qualquer problema poderia ser resolvido pelo sujeito. Segundo Gonçalves (2007, p. 27): „„Watson garantia que se conseguíssemos monitorar e controlar os estímulos em uma criança recém-nascida constantemente ao longo de seu crescimento poderíamos fazer dela tudo o que quiséssemos: advogado, médico, pedinte. [...]” . Para Watson, o meio era o fator que influenciaria o comportamento, se houvesse o controle do meio se obteria o comportamento desejado. No humanismo a teoria se baseava em deixar a criatividade do aluno livre, para com isso intensificar a aprendizagem. Carl Rogers um dos principais teóricos do humanismo e declara que: [...] a pessoa educada é aquela que aprendeu a aprender, que aprendeu a adaptar-se e mudar, que aprendeu que nenhum conhecimento é seguro e que só o processo de busca do conhecimento provê base para segurança. A abordagem rogeriana implica que o ensino seja centrado no aluno, que a atmosfera da sala de O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 28 aula tenha o estudante como centro; implica confiar na potencialidade do aluno para aprender, em deixá-lo livre para aprender, escolher seus caminhos, seus problemas, suas aprendizagens. O importante não é aprender certos conteúdos, mas sim a autorrealização e o aprender a aprender. (MOREIRA, 2009, p.56). Por isso, nessa linha de pensamento, o professor deve esperar que o aluno assuma o controle de ações e que gerem seu conhecimento, pois a aprendizagem depende do aluno e de suas atitudes, o professor, nessa teoria, será o facilitador (MOREIRA, 2009, p.56). Para Carl Rogers, o individuo é responsável pela capacidade de mudança, conforme afirma Moreira (2009, p.56) „„Ele acredita que as pessoas têm dentro de si a capacidade de descobrir o que as está tornando infelizes e de provocar mudanças em suas vidas, mas esta capacidade pode estar latente. Com essa abordagem um fator importante foi esquecido, o social. O materialismo-histórico surgiu nos anos 80, foi uma oposição ao behaviorismo e ao humanismo. No entanto, segundo Neves (1991) as três fundamentações teóricas eram inflexíveis em seus posicionamentos e ignoravam aspectos relevantes de ordem biológica, psicológica e social. O materialismo- histórico não legitima o presente sem considerar o passado em seus acontecimentos, políticos, econômicos e sociais segundo, conforme revela os autores ao apontarem que: [...] a educação nunca pode ser vista desatrelada do processo histórico. A História é a palavra chave de toda a nossa fundamentação, pois é por meio da História que se pode analisar o presente, ou seja, é somente conhecendo o passado que se compreende o momento vivido em que se estabelecem relações. Ressalta- se sempre em formar e não informar, formar pessoas capazes de refletirem, de pensarem, de fazerem indagações (BARROS; FRANCO 2008, p.4). O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 29 O materialismo-histórico tem suas origens em Karl Marx, é uma critica ao consumismo, ao capitalismo em detrimento do socialismo. No associacionismo são destacados os conteúdos que serão aplicados aos alunos, o ensino, de acordo com essa linha de pensamento, deve ser realizado em uma sequencia a ser seguida, para que assim o aluno possa chegar a uma resposta certa, como nos apresenta o autor a seguir: Associacionismo é o termo usado para caracterizar, dentro da Psicologia, qualquer teoria que defenda, como base de explicação teórica dos fenômenos psíquicos, a determinação dos elementos básicos que o determinam, elementos esses que seriam irredutíveis, seguindo, assim, a influência da Física da época que via o átomo como elemento irredutível, indivisível (NEVES, 1997, p 1). Porém, Sisto (1996) cita essa metodologia como um modo de ensino técnico e que não prioriza a cognição. O condicionamento continua como parte central do ensino e persiste o externo sobre o interno. Como alternativa a essa teoria, o autor apresentou uma opção teórica, a do construtivismo piagetiano. Para Sisto (1996), a teoria do construtivismo não beneficia somente os conteúdos, a prioridade está na construção do conhecimento, com a valorização das interações feitas no cotidiano. Colocar o construtivismo como base teórica da psicopedagogia, não seria somente transferir o compromisso de aprender ao aluno e seu intelecto, seria um entendimento que o conhecimento não pode ser apenas recebido, somente com instruções ou reconstruções do ensino. A conjectura dessa aprendizagem se distinguiu por entender que o conhecimento deve exigir procedimentos que não privilegie apenas o cognitivo ou afetivo do aluno, segundo Moreira: O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 30 Outra consequência clara é a do conflito cognitivo. Segundo a teoria piagetiana, o sujeito, interagindo com o mundo, constrói esquemas de assimilação com os quais, então, assimila situações conhecidas. Quando a situação é nova é preciso acomodar, ou seja, reformular um esquema de assimilação, construir um novo esquema, ou abandonar a tarefa. O ensino, em consequência, deve provocar conflitos cognitivos, quer dizer, propor situações para as quais os esquemas dos alunos não funcionem, de modo a provocar a necessidade de construção de novos esquemas. Em termos técnicos, dir-se-ia que o ensino deve conduzir à equilibração majorante e, portanto, a aprendizagens (2009, p.17). Piaget postula que a criança precisa assimilar e depois pode acomodar ou não, as informações recebidas, modificando seus esquemas com essas construções cognitivas. Quando há interação com o mundo o individuo se encaminha para uma integração organizada, pois a cada novo conhecimento ele ganha mais meios de adaptação ao meio, elevando seu grau de organização. A cada conhecimento que leve a acomodação, o sujeito também alcançará a adaptação e a organização (MOREIRA, 2009, p.13). Para Piaget as relações sociais são determinantes para o desenvolvimento, pois o sujeito influencia e acaba por ser influenciado pelo ambiente social. As crianças aprendem a se comportar por meio da interação com os adultos,a cada contato, novos comportamentos vão surgindo. O nível de socialização é algo que impacta de maneira contundente as sua identidade. Contudo, é importante ressaltar que os estágios de maturação vão influenciar o nível de socialização. Piaget definiu graus de socialização que variam do zero para o recém-nascido, ao maior que seria quando a criança tem autonomia. Segundo Piaget a socialização conta com dois requisitos básicos, a cooperação e a coação. O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 31 A relação de cooperação é dinâmica por gerar possibilidades; como afirma Piaget, os caminhos, para aquele que se compromete em ser cooperativo com o outro, são muitos. Quanto à criança, as primeiras relações que estabelece são as de coação – pai, mãe/filhos (as); adulto, professor/criança. Isso, pelo fato de que o infante é aquele que deverá ser educado e orientado pelo adulto. O próprio Piaget afirma ser esta fase obrigatória e necessária para se estabelecer o processo de socialização da criança. (GOMEZ et al,2010,p.1) Piaget cita a coação e a cooperação como condutas de relações sociais. A coação indicaria a relação de prestigio de uma pessoa para com a outra, como a de um aluno com seu mestre, ou pela disseminação de ideais, conceitos e princípios tradicionais do meio social. Quando o sujeito é coagido ele se limita a acreditar, sem questionamento, divulgando essas ideais acaba conservando as ideias, crenças, pensamentos e dogmas. Com esse tipo de comportamento o sujeito produz uma relação desequilibrada e não consegue se desenvolver plenamente, já que não tem criticidade e acredita em verdades prontas e acabadas. Esse tipo de relação é considerado de nível baixo, pois não há conversação, perde-se na socialização tanto o que é coagido quanto o que coagi. (GOMEZ et al, 2010, p.1). A cooperação seria uma maneira critica de socialização, mas para Piaget a crianças necessita de normas e por isso a relação de coação se faz necessária. As teorias influenciaram as concepções psicopedagógicas, porém deve-se ser considerado também as áreas de conhecimento que foram e são responsáveis pela composição da psicopedagogia. Pois, como já informado, a psicopedagogia surge da união de várias áreas do conhecimento como Filosofia, Neurologia, Sociologia, Linguística e a Psicanálise. Contudo, segundo Sisto (1996) a psicopedagogia no O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 32 Brasil tem sido sustentada, sobretudo, por três pilares, a psicanálise, o associacionismo e o construtivismo. A psicanálise tem um viés baseado na emoção, para essa área do conhecimento só vai haver aprendizagem se houver afetividade, para a criação do vinculo, segundo Klein: Ao falarmos da importância do emocional e intelectual nas aprendizagens, percebemos que ambos não ocorrem completamente sozinhos. Há sempre um objeto, o objeto a ser conhecido ou aquele que impulsiona para o conhecimento. Pode ser a mãe, o pai ou o professor. É ele quem dá condições para que as aprendizagens aconteçam. Nesse momento, o vínculo recebe maior destaque, pois ele ocorre como uma ponte, que estabelece conexões, para que tanto o emocional, quanto o intelectual consigam se desenvolver de forma adequada. (2010, p.4). Para que aconteça a aprendizagem é importante que se estabeleçam vínculos afetivos, pois eles possibilitam o desenvolvimento. Para Sisto (1996) esse enaltecimento da afetividade, deixando outros fatores intelectuais de lado, pode acabar tarimbando crianças normais, como crianças com desordens mentais, porque elas podem ter apenas problemas de aprendizagem em uma área do conhecimento, que são de fácil resolução. A ação psicopedagógica é utilizada em três campos, no clinico, no institucional e na investigação cientifica (MARTIN, 1994, p.3). A presente pesquisa vai apresentar a modalidade clinica e institucional. O CONCEITO DA PSICOPEDAGOGIA CLINICA A psicopedagogia clinica é realizada terapeuticamente. O psicopedagogo que atende em clinica se concentra em descobrir o porquê o sujeito não aprende, para O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 33 auxilia-lo (BOSSA, 2000). Com o desenvolvimento do trabalho o psicopedagogo colabora na construção da autoestima, que se desfez na trajetória estudantil. Dessa forma o sujeito é conduzido a descobrir suas competências e aptidões, construindo seu saber. O atendimento clinico é praticado em centros de saúde e clinicas e normalmente os atendimentos são feitos individualmente (VERCELLI, 2012, p.73). A avaliação psicopedagógica é um processo que o psicopedagogo deve cumprir e têm que envolver diferentes atividades, é nesse momento que o psicopedagogo decide quais serão as estratégias de intervenção. Na avaliação psicopedagógica é feita uma análise sobre a aprendizagem do sujeito tentando compreender como e quando começou o problema. Para fazer uma avaliação é preciso que sejam realizados alguns procedimentos como uma entrevista inicial, com o motivo da queixa, análise do material escolar, diversos modelos de atividades em diferentes disciplinas, testes que verificam o nível de desenvolvimento e sondagens (MORAES, 2010, p.4). O psicopedagogo precisa estar atualizado e ciente de todos os problemas que possam servir de obstáculos, Gamba e Trento corroboram a ideia aos indicarem que: Para que o trabalho em uma clinica de Psicopedagogia seja realizado com sucesso, o envolvimento dos profissionais que ali atuam é de extrema importância. O psicopedagogo precisa estar atento às inúmeras possibilidades de intervenção, levando em conta as dificuldades apresentadas pelos clientes que buscam sua ajuda, bem como a própria disponibilidade frente a novos aprendizados Ter ciência das possibilidades do aluno é o primeiro passo para que o psicopedagogo possa a refletir em intervir. A escolha do material de trabalho vai O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 34 variar de acordo com as necessidades do sujeito, e a adaptação é feita constantemente (GAMBA e TRENTO, 2009, p.3). O CONCEITO DA PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL A psicopedagogia institucional pode ser desenvolvida no contexto hospitalar, no setor empresarial, em organizações assistenciais e na instituição escolar. No entanto, o enfoque deste trabalho está embasado apenas no contexto escolar, local que a psicopedagogia pode ser realizada preventivamente e sua função é, principalmente, de antecipar os problemas que podem ocorrer na aprendizagem e assim combater o fracasso escolar. Por isso, a psicopedagogia institucional se coloca atentamente às variadas possibilidades de construção do conhecimento e valoriza o imenso universo de informações que envolvem a vida escolar (OLIVEIRA, 2009, p. 39). Hoje em dia as escolas do ensino regular atendem crianças especiais, o psicopedagogo tem um papel fundamental, de garantir a inclusão, porque apenas frequentar a escola não é aceitável, é preciso que exista a integração(BOSSA, 2000). A instituição deve assegurar meios para que o sujeito prossiga nos estudos e que esse conhecimento seja efetivo, se isso não ocorrer teremos que contemplar casos de exclusão dentro da escola. A escola é um local de todos e, portanto a inclusão é fundamental (VERCELLI, 2012, p.73). O professor tem que assumir uma postura de renovação, ajudando nas estratégias propostas, segundo Vercelli: A Psicopedagogia institucional é um campo de estudo que vem se desenvolvendo como ação preventiva de muita importância, mas é vista como O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 35 ameaçadora, pois tem por objetivo fortalecer a identidade do grupo e transformar a realidade escolar. Torna-se ameaçadora, pois em muitos casos, o psicopedagogo poderá propor mudanças para que determinadas crianças aprendam, mas, infelizmente, muitos educadores resistem a essas mudanças e interpretam o que lhes foi dito como se não estivessem dando conta do papel que exercem (2012, p.73). É preciso a colaboração do professor, pois o psicopedagogo faz um estudo sobre as necessidades do grupo, mas precisa da ajuda de todos da escola. Para que o aluno volte a ter prazer em aprender o professor tem que se esforçar para auxiliar e gerar a integração (VERCELLI, 2012, p.76). Quando recebe conhecimentos, o ser humano é incluído, de um jeito coordenado, nos ambientes culturais e simbólicos, que acabam o integrando a coletividade. A escola tendo o dever de ajudar na obtenção do conhecimento passa a ser mediadora nessa inclusão do sujeito (BOSSA, 2011, p.141). Contudo, é importante lembrar que a criança quando inicia a vida escolar já tem conhecimentos prévios, das vivências do seu meio, esses conhecimentos podem ajudar ou acabar complicando o desenvolvimento do sujeito. Portanto, o sujeito quando entra na escola, em torno dos seus sete anos, leva as suas vivências, suas experiências familiares e disso depende sua aprendizagem plena, segundo BOSSA: Se a sua história transcorreu sem maiores problemas, estará estruturado seu superego e poderá deslocar sua pulsão a objetos socialmente valorizados, ou seja, estará pronto para a sublimação. A escola se beneficia e, também, tem função importante nesse mecanismo, pois lhe fornece as bases necessárias, ou seja, coloca ao dispor da criança os objetos para os quais se deslocará a sua pulsão, A escola, O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 36 enfim, administra-bem, mal etc. - esse mecanismo pulsional da criança. Se tudo correu bem no desenvolvimento da criança, estará estruturado o seu desejo de saber: a epistemofilia (2011, p.144). Por isso, o Psicopedagogo no contexto escolar assumirá o compromisso com a transformação da realidade escolar, à medida que se coloca de modo a fazer uma reorientação do processo de ensino-aprendizagem. Esse profissional levanta a possibilidade de reflexão dos métodos educativos e numa postura de investigação descobre as causas dos problemas de aprendizagem que se apresenta na instituição e que se depara em sala de aula. É papel do psicopedagogo na instituição conhecer a intencionalidade da escola em que atua através do seu projeto político pedagógico, de modo que o permita além de identificar as concepções de aluno e de ensino- aprendizagem que a instituição adota reconstruir esse projeto junto à equipe escolar conduzindo a reflexão e a construção de um ambiente propício à aprendizagem significativa. Além de repensar o fazer pedagógico da escolar, o psicopedagogo deve ter um olhar atento para entender o sujeito em suas características multidisciplinares, como ser cognoscente envolvido na teia das relações sociais, sendo influenciado por condições orgânicas e culturais. Além disso, uma das ações do psicopedagogo é a intervenção, que visa fazer a mediação entre os alunos e seus objetos de conhecimentos, trabalhar as relações interpessoais, bem como estimular a aprendizagem e o desenvolvimento do aluno, numa perspectiva preventiva. Na intervenção, a ação psicopedagógica contribui para o processo educacional, buscando compreendê-lo, explicitá-lo, ou modificá-lo. Ao introduzir novos elementos para o sujeito pensar é possível conduzi-lo à quebra de paradigmas anteriormente estabelecidos. O PSICOPEDAGOGO NO COMBATE AO FRACASSO ESCOLAR www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação 37 REFERÊNCIAS BATALLOSO, Juan Miguel. Dimensões da orientação psicopedagógica. In: Dimensões da psicopedagogia hoje: uma visão transdisciplinar. Tradução de Carla Higashi. Brasília: Liber Livro, 2011. cap. 7, p. 121-157. BRENELLI, Rosely Palermo. Espaço lúdico e diagnóstico em dificuldades de aprendizagem: contribuição do jogo de regras. In: SISTO, Fermino Fernandes; BORUCHOVITCH, Evely; FINI, Lucila Deihl (orgs.). Dificuldade de Aprendizagem no Contexto Psicopedagógico. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. 8, p. 167-189. BRENELLI, Rosely Palermo. 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