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Administrativo

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casos exige-se o 
processo administrativo correspondente, com 
plenitude de defesa ao acusado, para validade da 
sanção imposta. 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
Ademais, exclui-se da auto-executoriedade a 
cobrança de multas, mesmo que impostas pelo 
próprio Poder de Polícia, posto que estas devem ser 
buscadas por meio da via judicial 
 c) Coercibilidade: É a imposição coativa das 
medidas adotadas pela Administração. Todo ato de 
polícia é imperativo (obrigatório para o seu 
destinatário), admitindo até o emprego da força 
pública para o seu cumprimento, quando resistido pelo 
administrado. Inexiste manifestação do Poder de 
Polícia de cumprimento facultativo pelo particular, pois 
todos eles admitem a coerção estatal para torná-lo 
efetivo, e essa coerção independe da autorização 
judicial. 
 É a própria Administração quem determina e 
faz executar as medidas de força que se tornarem 
necessárias para a execução do ato ou aplicação da 
penalidade administrativa resultante do exercício do 
poder de polícia. 
 Extensão e limites do Poder de Polícia 
 Conforme leciona Hely Lopes Meirelles, “a 
extensão do Poder de Polícia é hoje muito mais 
ampla, abrangendo desde a proteção aos bons 
costumes, a preservação da saúde pública, o 
controle de publicações, a segurança das 
construções e dos transportes até a segurança 
nacional em particular”. 
 Dessa ampliação verificamos nos Estados 
modernos que o Poder de Polícia se estende a 
diversos segmentos, dentre os quais: polícia de 
costumes, polícia sanitária, polícia das construções, 
polícia das águas, polícia das profissões, polícia 
florestal e ambiental, polícia de trânsito, polícia dos 
meios de comunicação e divulgação, polícia 
ambiental, etc. 
 Resumindo: Onde houver interesse relevante 
da coletividade ou do próprio Estado haverá a 
presença de Poder de Polícia administrativa para a 
proteção de tal interesse. 
Os limites do poder de polícia administrativa, 
por outro lado, são demarcados pelo interesse social 
em conciliação com os direitos fundamentais do 
indivíduo assegurados na Constituição da República 
(art. 5º). Dessa equação buscamos o equilíbrio entre a 
fruição dos direitos de cada um e os interesses da 
coletividade, em favor do bem comum. 
Para Maria Silvia Zanella Di Pietro, o Poder de 
Polícia encontra como limites as vinculações 
obrigatórias de qualquer ato administrativo, mesmo 
que discricionário, quais sejam: competência, forma e 
fins, além de seus respectivos motivo e objeto. Para 
ela, os atos do Poder de Polícia se submetem ainda a 
critérios de a) Necessidade, b) proporcionalidade e c) 
eficácia. 
 Meios de Atuação do Poder de Polícia 
 A Polícia administrativa atua prioritariamente 
de maneira preventiva, agindo através de ordens, 
proibições e, sobretudo, por meio de normas 
limitadoras e sancionadoras da conduta daqueles que 
utilizam bens ou exercem atividades que possam 
afetar a coletividade, estabelecendo as denominadas 
limitações administrativas. 
 Para Celso Antônio Bandeira de Mello, “a 
polícia administrativa manifesta-se tanto através de 
atos normativos e de alcance geral quanto de atos 
concretos e específicos”. Atos normativos seriam os 
decretos, portarias, resoluções, etc. 
 Por outro lado, ações concretas seriam as 
fiscalizações, dissoluções de reuniões subversivas, 
fechamento de estabelecimento comercial, 
guinchamento de veículo, etc. Hely Lopes Meirelles, 
tem entendimento semelhante ao de Celso Antônio 
Bandeira de Mello, e dá ênfase especial aos alvarás, 
concedidos no exercício do Poder de Polícia. 
 Segundo Hely, alvará é o instrumento da 
licença ou da autorização para a prática de ato, 
realização de atividade ou exercício de direito 
dependente de policiamento administrativo. Trata-se 
do consentimento formal da Administração à 
pretensão do administrado, quando manifestada em 
forma legal. 
 Pode o alvará ser definitivo (de licença) ou 
precário (de autorização): 
 * Alvará de licença: será definitivo e vinculante 
para a Administração quando expedido diante de um 
direito subjetivo do requerente como é a edificação, 
desde que o proprietário satisfaça todas as exigências 
das normas edilícias. O alvará de licença não pode 
ser invalidado discricionariamente, só admitindo 
revogação por interesse público superveniente e 
justificado, mediante pagamento de indenização. 
 Ex: Licenciamento de veículo, licença para 
edificação, etc. 
 * Alvará de autorização: será precário e 
discricionário, ou seja, a Administração o concede por 
liberalidade, desde que não haja impedimento legal 
para sua expedição, como é o alvará de porte de arma 
ou de uso especial de um bem público. O alvará de 
autorização pode ser revogado sumariamente, a 
qualquer tempo, sem indenização. 
 Nesse sentido, pertinente diferenciar as 
diferentes hipóteses de invalidação do alvará, quais 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
sejam: 
 a) Revogação: Quando a utilização, por meio 
de ato discricionário, desfaz o ato praticado (no caso, 
o alvará concedido) para o atendimento da 
conveniência e do interesse público. 
 b) Cassação: É utilizado quando houver 
descumprimento das normas legais de execução. 
 c) Anulação: Quando for constatada 
irregularidade na própria expedição do alvará. 
Sanções Aplicáveis pelo Poder de Polícia 
 Um dos atributos do Poder de Polícia é a 
coercitividade. Efetivamente, o Poder de Polícia seria 
inóquo, não fosse coercitivo e não estivesse dotado 
da possibilidade de impôr sanções para os casos de 
desobediência à ordem legal da autoridade 
competente. 
O rol de sanções do poder de polícia, como 
elemento de coação e intimidação, se inicia com a a) 
multa e se escalonam em penalidades mais graves de 
acordo com a gravidade do fato sancionado. Penas 
como b) interdição de atividade, c) o fechamento de 
estabelecimento, d) a demolição de construção, e) o 
embargo administrativo de obra, f) a destruição de 
objetos, a inutilização de gêneros, g) a proibição de 
fabricação ou comércio de certos produtos; h) a 
vedação de localização de indústrias ou de comércio 
em determinadas zonas e tudo o mais que houver de 
ser impedido em defesa da moral, da saúde e da 
segurança pública, bem como da segurança nacional, 
desde que tais penas estejam previstas em lei ou 
regulamento. 
Podem ser assim traduzidas as sanções mais 
utilizadas pelo Poder de Polícia: 
Multa: É a mais comum das sanções. Nesta, o Estado 
não pode exercer sua auto-executoriedade, eis que é 
necessária a manifestação do Poder Judiciário para 
que ocorra referida cobrança. 
Interdição da atividade: Haverá quando a pessoa não 
exercer sua atividade de maneira correta. 
Demolição da Construção ou Embargo da Obra: 
Quando a obra representar perigo à coletividade ou 
estiver em desacordo com a legislação aplicável. 
Destruição de objetos: Artefatos que trouxerem riscos 
à população devem ser apreendidos e destruídos 
Inutilização de alimentos: Da mesma forma que os 
artefatos, os alimentos que trouxerem risco devem ser 
apreendidos e inutilizados. 
Proibição da fabricação de certos produtos: Certos 
produtos, por trazerem risco à coletividade podem ter 
sua produção impedida pela Administração no 
exercício do Poder de Polícia. 
Estas sanções, em virtude do princípio da 
auto-executoriedade do ato de polícia, são impostas e 
executadas pela própria Administração em 
procedimentos administrativos compatíveis com as 
exigências do interesse público. O que se requer é a 
legalidade da sanção e sua proporcionalidade à 
infração cometida ou ao dano que a atividade causa à 
coletividade ou ao próprio Estado. 
 As sanções do poder de polícia são aplicáveis 
aos atos ou condutas individuais que, embora não 
constituam crimes, sejam inconvenientes

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