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AMBIENTE CIRÚRGICO PONTOS DE RELEVÂNCIA HISTÓRICA Na idade média, os procedimentos cirúrgicos não eram realizados em ambiente cirúrgico propício, mas sim em campos de batalhas, em casas de cirurgiões famosos e até mesmo nos conveses de navios de guerra. Esses procedimentos restringiam-se em amputações de membros, drenagens de abscessos e retiradas de regiões de tumefações visíveis, sem uso de quaisquer tipos de equipamento eletrônico e com auxílio de instrumentais rústicos da época. Nessa época os principais obstáculos aos procedimentos eram as hemorragias, dor e principalmente as infecções cirúrgicas. Após muitos anos, no século XVI, há relatos que se começou a utilizar óleo fervente ou ferro em brasa como forma de cauterização e de certa forma esterilização dos instrumentos. Até o século XVI acreditava-se que as feridas produzidas por armas de fogo eram envenenadas. Conforme ensinava Giovanni Vigo (1460-1525), conceituado cirurgião e traumatologista italiano, publicou uma obra Practica in chirurgia que citava as mesmas deviam ser cauterizadas com ferro em brasa ou óleo fervente para combater a ação tóxica da pólvora. Após muito tempo Halsted fez progresso quanto à utilização das luvas em salas de operação em 1890, devido sua noiva, enfermeira-chefe do centro cirúrgico no Hospital de John Hopkins, em Baltimore, nos EUA, ser alérgica a produtos utilizados na antissepsia dos pacientes que iam ser submetidos a algum procedimento cirúrgico. Muitos cirurgiões, no entanto, insistiam que as luvas reduziam a delicadeza do toque e continuavam a operar sem proteção para as mãos. A aceitação internacional do uso necessário das luvas de borracha em qualquer operação cirúrgica só ocorreu após a I Guerra Mundial (1914-1918) No início século passado as salas de operações ainda se dispunham de não haver controle de acesso, portanto, as salas de operações possuíam arquibancadas onde alunos poderiam acompanhar os procedimentos como uma peça teatral. A partir desse momento várias técnicas foram desenvolvidas principalmente em relação as ligaduras vasculares, o uso de instrumentais adequado e estéreis, desenvolvimento de técnicas de anestesia geral e regional e técnicas assépticas. Atualmente, vive-se uma era de transformações, mesmo que as chamadas videocirurgia ou cirurgias minimamente invasivas tenham cerca de 30 anos de existências. Hoje, tem-se o desenvolvimento da cirurgia robótica, a exemplo do robô cirúrgico Da vinci, cada vez mais tecnológica e precisa. ESTRUTURA FÍSICA DO CENTRO CIRÚRGICO O Centro cirúrgico ou Complexo cirúrgico se baseia em uma unidade hospitalar que tem por funções manter um ambiente propício para o exercício de cirurgias, seja ela completamente invasiva, como uma laparotomia exploradora, até mesmo aquelas minimamente invasivas, como uma videolaparoscópica. Vale ressaltar que essa unidade deve localizar-se isoladamente ao hospital com acesso restrito apenas para profissionais que ali trabalham, acadêmicos em estágios e acompanhado de seus preceptores e os pacientes que irão ser submetidos à cirurgia. A entrada no setor só é permitida a pessoas devidamente identificadas e a circulação em seu interior é feita mediante o uso de roupas específicas para esta unidade. O uso de pijamas cirúrgicos é obrigatório nessa unidade. Os Centros Cirúrgicos devem disponibilizar a todos que o acessam as vestimentas privativas do local. Porém, alguns hospitais tem um número limitado dessas roupas, assim cabe ao ligante e acadêmico sempre ter em mãos (mochila em compartimento isolado dos demais materiais) um pijama limpo, que deve ser utilizado exclusivamente no centro cirúrgico. A grande maioria da literatura aconselha o uso de roupas com cores no extremo oposto ao vermelho, ou seja, azul e verde. Entretanto, nada impede o ligante ao uso de pijamas com outras cores. A divisão do centro cirúrgico em compartimentos físicos é fundamental para manter a harmonia do exercício das atividades, assim como um ambiente limpo e seguro nos locais onde o exigem. Dessa forma, o objetivo principal do CC é atender o paciente que será submetido a uma cirurgia, seja ela eletiva, de urgência ou de emergência, da melhor maneira possível e promover ótimas condições à equipe cirúrgica ali envolvida. O acadêmico-ligante, nesse contexto, se insere em entender toda dinâmica do local, sabendo onde se localiza as principais regiões evitando assim qualquer comportamento que atrapalhe todo o objetivo do CC. Didaticamente se divide o centro cirúrgico em 3 regiões baseando-se no potencial de contaminação do ambiente. A região dita como contaminada ou irrestrita é toda área onde naturalmente tem-se contato direto com o ambiente externo e não se toma nenhuma atitude ideal para evitar propagação da sujidade, se destacam: área de recepção do paciente, sala de espera, vestiários assim como todas regiões externas ao Complexo Cirúrgicos, apenas nessa região são permitidos alimentos e bebidas. Em oposto a essa zona se caracteriza a região restrita ou limpa, exigem o uso de roupas privativas, gorros e máscaras, além do controle do número de pessoas, as duas unidades físicas que a compõe são: Sala de operações e Sala de armazenamento (arsenal). O meio termo a essas duas regiões é dito como semi-restrita ou mista, onde há necessidade de uso de roupas privativas e gorros, onde se permite a circulação de pessoas autorizadas e equipamentos, exemplos dessa região são: corredores, expurgo, copa (única exceção ao uso de alimentos e bebidas), sala de estar e administrativos e sala de preparo de materiais. Em nota, destaca-se outra região que nenhuma literatura o cita. Chama-se zona estéril, é o em torno da mesa cirúrgica, onde todos devem estar paramentados com capote cirúrgico estéril (seja ele descartável ou não), luva estéril, máscara e gorro, limita-se apenas as pessoas que irão entrar em contato direto ao campo cirúrgico. Planta C.C. do Hospital das Clínicas 1- Sala de operações – Transplante 2- Sala de operações – Transplante 3- Sala de operações – Cirurgia geral 4- Sala de operações – Pequenas cirurgias 5- Sala de operações – cirurgia geral 6- Sala de operações – cirurgia geral 7- Sala de operações – Ortopedia 8- Sala de operações – cirurgia geral 9- Corredor 10- Lavabos 11- Vestiários 12- Sala de Recuperação anestésica 13- Copa 14- Sala de guarda de equipamentos 15- Unidade de terapia Intensiva 16- Entrada do Complexo Cirúrgico Região Limpa Região Mista Região Contaminada As principais estruturas físicas com suas respectivas caracterizações são: Vestiários O complexo cirúrgico na grande maioria das vezes tem duas entradas, uma onde há a passagem do paciente que será submetido a cirurgia, e outra onde os profissionais passam. Essa última se destacam os vestiários, sempre em dois, um feminino e outro masculino. O lugar onde obrigatoriamente se deve trocar de roupa antes de entrar no CC. No vestiário se encontra armários ou cabides onde guarda-se as roupas usadas fora do centro cirúrgico, e um cesto (hamper) onde coloca-se o pijama cirúrgico que foi utilizado no CC. Os vestiários são barreiras físicas onde tem por função minimizar a entrada de micro-organismos ao CC. No vestiário tem-se o banheiro, que nunca deve ser utilizado vestindo-se com o pijama cirúrgico antes de entrar no CC, portanto, sempre que for utilizar o banheiro deve ser retirar o pijama. Lembre-se que é no vestiário onde você deve calçar os propés, gorro e máscara, os mesmos devem ser trocados a cada entrada ao CC. Corredores Local onde dá acesso a todas as salas do Centro cirúrgico seja ela zona limpa ou não. Dita como região mista,não exigem que a máscara esteja em posição a todo momento, deve-se coloca-la quando está sendo transportado algum equipamento estéril ou o paciente que será submetido a cirurgia. Nos corredores é proibido o consumo e transporte de produtos alimentícios. O acadêmico-ligante deve sempre ter em mente que é essencial manter o fluxo entre os corredores, assim, evitar de ficar no meio deles. As macas que transitam a elas são de exclusividade do CC. Assim, o paciente é deslocado de maca logo na entrada do centro cirúrgico. E quando levado à unidade de terapia intensiva essa maca retorna ao CC. Lavabos ou área de escovação Em alguns hospitais Brasil a fora é uma região alocada em uma sala, que evita contato com as pessoas que não irão realizar a antissepsia cirúrgica, algumas literaturas a consideram até como uma região restrita. Porém, nos hospitais: hospital de urgência e emergência de Rio Branco e Hospital das Clínicas de Rio Branco, esses espaços físicos ficam em intimo contato com os corredores. Os lavabos devem ser equipados com recipientes para antissépticos e torneiras com acionamento com pedal ou facilmente manobradas sem o uso das mãos. Em especial aos campos de prática do ligantes, todos são equipados com acionamento sem usar as mãos. Sala de material esterilizado Local onde é incubado todo o processamento do material estéril do centro cirúrgico, e em alguns lugares de todo o hospital. Assim, tem-se uma classificação dos materiais esterilizados onde existe os centralizados, quando todo material hospitalar é mandado a uma única unidade, o semi-centralizado, quando cada Unidade prepara os seus materiais, mas os encaminha a Central de Material para serem esterilizados, e o descentralizado quando há não há central de material em cada unidade e essa o faz independente. A sala de material esterilizado deve ter o cuidado com o cruzamento de um material contaminado com estéril evitando, assim, que fiquem em um mesmo lugar. Essa área deve ser fechada e possuir renovação constante de ar. Os materiais como: pacote com roupas e campos estéreis, compressas, gazes, caixas com os instrumentais e todo material inerente à algum procedimento invasivo. Sala de guarda de equipamentos Sala onde se destina todo material que será utilizado em qualquer procedimento cirúrgico, é um local limpo, onde não deve haver fluxo de pessoas. Fundamental, que o profissional que trabalhe nessa sala esteja paramentado para manter o mínimo de contato com os instrumentais já prontos para uso. Essa unidade do Centro cirúrgico além de propiciar um ambiente limpo evita que os instrumentos fiquem nos corredores prejudicando a circulação interna do CC. Porém alguns materiais descartáveis cirúrgicos muitas vezes se encontram nos corredores para facilitar a busca deles e promover a agilidade nos procedimentos cirúrgicos. Copa Em alguns C.C. essa unidade se localiza fora do complexo, para evitar risco de contaminação. Quando dentro do complexo, será única exceção onde se pode consumir alimentos e bebidas. Sala de recuperação anestésica Na maioria das vezes fica próximo as Salas de Operação e da sala de descanso do anestesista. Unidade onde o paciente sempre vai após qualquer procedimento que exige qualquer tipo de intervenção anestésica. Considerado ambiente misto e deve ser provido de silêncio, evitando qualquer distúrbio à recuperação do paciente. Sala de operação O principal compartimento do Complexo cirúrgico, local onde é realizado o procedimento cirúrgico. Varia de tamanho conforme a complexidade da cirurgia ou exigência de materiais. Existem salas de operações pequenas para realizar procedimentos como drenagem pleural, cirurgia oftalmológica, neurocirurgias, e salas para cirurgias mais demoradas e que exigem mais materiais, como transplante e uma toraco-laparo. A sala de operação é considerada um ambiente limpo, exigindo de quem quer que esteja presente o uso de máscaras, gorros e todo vestimenta privativa do CC. Ao centro da sala se localiza o ambiente estéril em torno da mesa de cirurgia, que exigem medidas de assepsia e antissepsia além de toda paramentação adequada. EQUIPE DO CENTRO CIRÚRGICO O posicionamento a beira da mesa cirúrgica segue uma regra básica, com várias exceções. O cirurgião se localiza a direita e cranial ao paciente, o 1º auxiliar se localiza à esquerda e cranial ao paciente, o instrumentador à esquerda do 1ª auxiliar e, por fim, o 2º auxiliar fica a direita do cirurgião. Existem algumas situações onde esse esquema é contraposto, um exemplo é quando a cirurgia que exige uma incisão ao lado esquerdo do paciente, então o cirurgião troca de posição com o 1º auxiliar, outra exceção é na videocirurgia que será tratado posteriormente em outro capítulo. Esquema do posicionamento da equipe O anestesista naturalmente se encontra próximo a região da cabeça do paciente com todos acessos disponível tanto periféricos como centrais, essa região é dividida do campo operatório pelo arco de narcose. Historicamente usava-se algumas drogas anestésicas inalatórias que causavam perda dos sentidos a quem aspirava-os, assim esse arco evitava o contato do cirurgião a esses produtos. Cirurgião O cirurgião é considerado o responsável por planejar, atuar e executar o procedimento cirúrgico. Além de comandar e manter a ordem dentro da sala de operação, principalmente no campo operatório. Todos participantes da cirurgia devem ter autorização do cirurgião, seja ele profissional ou acadêmico. Mesmo se o instrumentador autorizar o acadêmico- ligante a participar da cirurgia, esse deve solicitar tal espaço ao cirurgião responsável pela cirurgia. Segundo CFM: “A composição da equipe cirúrgica é de responsabilidade exclusiva do cirurgião titular, o qual deve escalar auxiliar qualificado, objetivando a segurança e eficácia do ato, devendo assegurar-se previamente das condições indispensáveis à execução do mesmo”. 1º auxiliar Tem função de auxiliar o cirurgião no ato operatório, além de ajudar o instrumentador a montar os campos estéreis, antissepsia do paciente além de ter capacidade de substituir o cirurgião quando necessário. Dependendo do porte do procedimento a ser realizado pode-se exigir a participação de mais de 1 auxiliar, naturalmente se opta por outro cirurgião para compor o “cargo” de 1º auxiliar. O primeiro auxiliar deverá ser médico cirurgião, conhecedor da técnica e metodologia do primeiro cirurgião, e apto a terminar o ato cirúrgico no impedimento do titular. A necessidade de um primeiro auxiliar, e até de um segundo auxiliar com as características acima, está na dependência do porte da cirurgia e é de exclusiva decisão do cirurgião titular, não podendo existir limitações institucionais ou de outra origem quanto à sua decisão, considerando o artigo 8º do Código de Ética Médica. Há de se perceber o contraditório entre a possibilidade do acadêmico-ligante participar como 1º auxiliar. Em nota, o Conselho Federal de Medicina cita: “Reconhecemos que uma cirurgia programada ou não programada é um ato caracterizado como um procedimento médico, pelo que consideramos que o seu responsável direto deve ser o médico cirurgião titular e como imediato o cirurgião primeiro auxiliar, do que inferimos ser este necessariamente um profissional médico habilitado a continuar e/ou finalizar o ato cirúrgico, caso haja impedimento do cirurgião titular, sem consequências danosas para o paciente. Ressalvados os casos de emergência em que não haja possibilidade de convocação de outros profissionais médicos. Instrumentador O instrumentador pode ser qualquer profissional de saúde qualificado para o ato, na grande maioria das vezes é um técnico em enfermagem que possuiexperiencia no ato operatório com grande interação com o procedimento cirúrgico e com o próprio tempo do cirurgião titular. Considerado integrante da equipe que se responsabiliza pelo preparo da mesa, fornece instrumentais ao cirurgião e assistente, mantém a mesa em ordem desde o início até o termino da cirurgia, além de juntamente com os auxiliares promover o preparo do paciente perioperatório. No mundo acadêmico é um dos serviços primordiais ao interno e ligante, ótimo para treinamentos e contato inicial às cirurgias. 2º auxiliar Na grande realidade dos campos de prática é o primeiro “cargo” que o acadêmico-ligante é inserido, principalmente pelo fato de não ter grandes responsabilidades no ato cirúrgico. Entretanto, é ótimo lugar para o conhecimento das técnicas operatórias. O principal objetivo do 2º auxiliar é propiciar um campo de visão ao cirurgião titular e segurar os instrumentos cirúrgicos inerentes ao ato. Anestesista O profissional que tem como responsabilidade planejar e executar a anestesia, além de prescrever a medicação pré-anestésica. O anestesista também possui função de como controlar toda dinâmica de funcionamento fisiológico do paciente em todo o ato cirúrgico e no pós- procedimento, juntamente na sala de recuperação anestésica até que haja o restabelecimento de seus reflexos e homeostasia. As localidades proximas da mesa e equipamentos anestésicos é de responsabilidade do anestesista, cabe ao acadêmico-ligante solicitar educadamente a autorização dele para acompanhar o procedimento em sua região. Circulante O responsável pela busca e distribuição dos materiais utilizados nas salas de operações. Na grande maioria das vezes é um técnico em enfermagem que tem conhecimento de todo Centro Cirúrgico, qualquer dúvida que o acadêmico-ligante tem sobre onde localizar qualquer coisa é de grande valia a consulta com esse profissional. Naturalmente, esse é a primeira função que o acadêmico fica responsável. O trabalho harmônico com esse profissional é fundamental para o tempo e eficácia da dinâmica no complexo cirúrgico. Enfermeiro chefe O responsável pelo centro cirúrgico tudo que acontece só ocorre com a autorização dele. Todas pessoas que estão no centro cirúrgico são de responsabilidade do enfermeiro chefe, assim como o controle de material e equipamentos do Complexo. Cabe ao acadêmico-ligante, assim que adentrar no CC, procurar o enfermeiro chefe do setor e informa-lo sua presença, se identificando como acadêmico e que está acompanhando tal cirurgião que irá fazer tal procedimento em tal sala de operação. EQUIPAMENTOS DO CENTRO CIRÚRGICO Mesa cirúrgica Localizando ao centro da sala de operação é um suporte essencial ao procedimento cirúrgico. A mesa cirúrgica pode ser manual ou eletrônica, possuindo possibilidade de muitos movimentos. No campo de prática HC e HUERB grande parte, se não todas, das mesas cirúrgicas possui mobilidade eletrônica orientado por um controle com cabeamento, na maioria das vezes se encontrando próximo ao anestesista ou aos pés no paciente. O acadêmico-ligante muitas vezes tem responsabilidade de auxiliar no posicionamento do paciente na mesa cirúrgica saber manusear o controle da mesa assim como as manivelas, se presentes. Devido as diversas marcas e tipos existentes não é de obrigação saber de todas. A dica seria pedir auxílio ao circulante ou instrumentador da sala de operação. Após a apresentação do paciente à equipe da sala de operação, ele deve ser passado para a mesa cirúrgica, mantendo sua privacidade, segurança física e emocional e seu conforto. Deve-se receber o paciente na sala cirúrgica, conferindo seus dados pessoais e sua identificação, e ficar ao lado dele enquanto estiver consciente. Alguns cuidados devem ser tomados para a transferência do paciente, como: 1- Fazer o nivelamento da altura da mesa cirúrgica com a maca. 2- Posicionamento da maca contra as laterais da mesa cirúrgica, evitando assim sua movimentação que pode ocasionar a queda do paciente. 3- Solicitar ao paciente para que passe para a mesa cirúrgica, se fisicamente capaz. 4- Posicionar confortavelmente o paciente na mesa cirúrgica O manuseio do controle da mesa é bastante autoexplicativo, com imagens demonstrando o comando nos botões, facilitando o posicionamento do paciente segundo o procedimento. Foco cirúrgico Essencial para o procedimento cirúrgico, sempre em dois focos, um central e outro auxiliar, para melhorar visualização dos órgãos e campos cirúrgicos. O cirurgião ainda pode optar por um foco independente localizado na testa do cirurgião, muito usado em cirurgias com pequenas incisões ou área de atuação. O foco tem por finalidade oferecer luz semelhante a natural, de modo a não alterar a cor da pele e mucosas do paciente e fornecer iluminação adequada ao campo cirúrgico, sem projeção de sombras e emissão de reflexos, além de produzir o mínimo de calor possível. Alguns focos cirúrgicos possuem manoplas adaptáveis e estéreis na imagem é a região central do foco, onde apenas o profissional paramentado com luvas estéreis podem utilizar. As circulantes, acadêmicos e anestesistas podem ajudar no manuseio do foco apenas nas partes externas na imagem. Bisturi elétrico Composto por quatro principais partes, o bisturi monopolar ou bipolar, o pedal de acionamento, a placa de saída e o painel de controle. O conhecimento de como instalar e saber manusear o painel é fundamental para o acadêmico-ligante, não é raro a solicitação por parte de outros profissionais a sua ajuda com esse equipamento. O bisturi elétrico é um aparelho eletrônico que tem a capacidade de transformar a corrente elétrica de alta tensão, mais que apesar da intensidade, não ocasiona alteração orgânica nem excitação nervosa. Esta corrente de alta frequência de uma unidade de eletro cirurgia é usada para cortar e coagular os tecidos. Existem dois conceitos fundamentais que o acadêmico deve levar sempre em mente: Eletrodissecção que é a secção de tecidos feito através de dissolução de estrutura molecular e celular dos tecidos, havendo desidratação e fusão das células próximas ao eletrodo positivo; Eletrocoagulação é a oclusão de vasos sanguíneos e linfáticos através da solidificação das estruturas proteicas celulares ou por meio da retração tecidual periférico; Eletrofulgação é a oclusão dos vasos porém à distância através de faíscas elétricas geradas. A placa de saída ou de dispersão é colocado em contato direto ao paciente, sempre em grandes grupos musculares, pode utilizar panturrilha, glúteos e a face posterior da coxa. Evitar colocar em tecidos escarificados e lesões, deve ser colocado do mesmo lado e o mais próximo do local de realização da cirurgia e área limpa, sem pelos e seca. O conhecimento do painel de controle é fundamental ao acadêmico- ligante. Portanto, como observado na imagem a seguir existe um receptor da placa, um para o mono ou bipolar, o pedal de controle e o painel contendo todas informações acerca de funcionamento do corte e coagulação. O cirurgião sempre informa a quantidade de watt que desejará durante o procedimento, porém poderá ser solicitado para sua regulação ao circulante ou acadêmico durante a cirurgia. Aspirador Fixos às paredes da sala de operação existe todo uma encanação dos gases do CC, juntamente aos pontos de gás se encontra o dos aspiradores. A conexão de tubos de borrachas a esses pontos e as vasilhas de coleta é de responsabilidade do circulante e do acadêmico-ligante, assim como o teste de seu perfeito funcionamento. O aspirador pode ser portátil ou fixo, quando portátil é realizado por um motor em uma mesa com rodas e ligado à energiaelétrica, quando fixo é apenas a tubulação na parede da sala de operação, em ambos os casos deve ser realizado a conexão dos tubos à ponta estéril que será disponibilizado pelo cirurgião ou auxiliar durante o início da cirurgia. Cestos O acadêmico-ligante sempre deve estar atento quanto aos cestos de lixos, de compressas ou de campos e capotes cirúrgicos. A confusão entre esses itens é comum e pode gerar sérios danos. Normalmente tem-se na sala de operação um hamper perto da porta de saída, dois cestos de lixo um próximo aos pés da mesa cirúrgica e outro próximo a mesa do anestesista, e por fim a cesta de compressa perto da mesa de instrumentais. Na dúvida sempre pergunte aos circulantes ou instrumentadores. Características dos gases utilizados no CC: Oxigênio: O sistema de abastecimento pode ser descentralizado (utilização de cilindros avulsos, transportados até o local de utilização) ou centralizado (conduzido por tubulação central até os pontos de utilização). Cor VERDE no sistema de tubulação. Ar comprimido: Também pode advir de um sistema descentralizado (cilindros com pressões entre 120 e 190 Kgf/cm, como o oxigênio) ou centralizado (compressor com 100% de consumo máximo provável, que funcione automaticamente ou manualmente). Cor AMARELA na tubulação do CC. Vácuo clínico: Produzido por bombas, que devem ter capacidade de 100% do consumo máximo provável, que funcione alternadamente ou em paralelo em caso de emergência. É importante manter outro tipo de sistema de suprimento autônomo de emergência, para manutenção da rede de vácuo ou pane da distribuição convencional. Cor Cinza Claro na tubulação do CC. Óxido nitroso: O sistema de abastecimento pode ser escentralizado (alto consumo – conduzido por tubulação dos cilindros até os pontos de utilização) ou centralizado (utilizado em caso de baixo consumo utilização de cilindros transportáveis até os pontos de utilização). Cor Azul Marinho na tubulação do CC. POSIÇÃO DO PACIENTE Decúbito dorsal ou supina O paciente deve ser mantido em decúbito dorsal ou supino, tendo as pernas esticadas e os braços estendidos ao longo do corpo. É a posição mais comumente usada para as cirurgias abdominais supra e infra umbilical, algumas torácicas, vasculares. De todas as posições cirúrgicas, é a mais utilizada e que menos complicações traz ao paciente, tanto durante o procedimento quanto no pós-operatório. O paciente fica deitado sobre seu dorso, em posição horizontal, com as pernas em sentido longitudinal ao corpo e os braços abertos, de preferência apoiados sobre talas. Pode utilizar-se de coxins sobre a cabeça e joelhos. São possíveis complicações dessa posição: lombalgia, dispneia, opressão, pressão em proeminências ósseas, queda plantar, curvatura da coluna, contratura do pescoço, tensão abdominal rotação externa dos fêmures. Decúbito ventral ou prona O paciente é colocado com o abdome para baixo, tendo a cabeça voltada para um dos lados e apoiada num travesseiro, as pernas estiradas, os braços ligeiramente flexionados e apoiados em suportes. Esta posição exige, ainda a colocação, de coxins sob os ombros, para facilitar a expansão pulmonar, sob a região infra umbilical e sob a face anterior dos pés, para evitar a distensão muscular, importante observar expansão pulmonar e liberação das mamas. É indicada para cirurgias para a região posterior do corpo, (dorsal, lombar, sacrococcígea e occipital), sendo que, nesta última, a cabeça precisa estar apoiada, pela região frontal, num suporte acolchoado. São possíveis complicações: deslocamento e estiramento de ombro, compressão de nervo radial, tensão abdominal e dispneia. Decúbito lateral ou sims O paciente é colocado sobre um dos lados, tendo a perna inferior estendida e a superior flexionada, separadas por um coxim ou travesseiro. Coloca-se também, um coxim sob a linha da cintura e, a seguir, fixa-se o paciente transversalmente à mesa cirúrgica com uma faixa larga de esparadrapo, passada sobre o quadril. Esta posição é utilizada para as intervenções cirúrgicas de acesso aos rins. As principais complicações dessa posição são lombalgia e pressão nas proeminências ósseas (quadril e ombro) Posição de litotômia ou ginecológica O paciente é colocado em decúbito dorsal, tendo os membros inferiores elevados e colocados em suportes especiais, também chamados perneiras, e fixados com correias. Deve-se ter o cuidado de envolver as pernas com campos ou perneiras de tecido para lhe proporcionar conforto e segurança. Esta posição está indicada para as cirurgias ginecológicas, proctológicas, algumas urológicas e exames endoscópicos. As principais complicações dessa posição são: lombalgia, pressão proeminências ósseas (sacro), maceração, parestesia, cianose, pressão poplítea, rotação externa e estiramento muscular. Posição Trendelenburg Muito comum o cirurgião fazer o comando “faz um Trem aí”. Nesta posição a cabeça e o corpo são abaixados; é usualmente empregada para a cirurgia da parte inferior do abdome e da pelve, visando obter a boa exposição ao deslocar os intestinos para dentro da parte superior do abdome, as coxas flexionadas. A posição é mantida ao se colocar os pés nos estribos; é empregada em quase todos os procedimentos cirúrgicos perineais, retais e abdominais. As principais complicações dessa posição são: lombalgia, dispneia, perfusão periférica, extremidades frias, cianose de MMII, circulação prejudicada e hipotensão. Posição Trendelenburg reverso ou proclive Também conhecida como anti-Trem é a posição adequada para deixar as alças intestinais na parte inferior do abdômen, reduz pressão sanguínea cerebral, indicada para cirurgia de abdômen, crânio, tórax. As complicações são: estase venosa, edema, sobrecarga de sistema cardiovascular. Posição Fowler ou sentada A Posição de Fowler foi introduzida originalmente como uma medida terapêutica no pós-operatório de cirurgia abdominal, caracterizando- se por ajuste na cabeceira do leito à 45º. A Essa posição é utilizada atualmente para favorecer a ventilação, uma vez que afasta os órgãos abdominais do diafragma aliviando a pressão sobre a cavidade torácica e permitindo que os pulmões tenham a possibilidade de se encham melhor. Posição de canivete ou Kraske Essa posição é uma modificação do decúbito ventral e é usada para procedimentos proctológicos e de coluna lombar. Os quadris do paciente devem repousar sobre uma almofada ou travesseiro colocado sobre a dobradura da mesa de operação, a qual é flexionada num ângulo de 90º, elevando os quadris e baixando a cabeça e o corpo. A cabeça, o tórax e os pés precisam de suportes adicionais nesta posição. Coxins São apoios que tem como objetivo alinhar algum membro ou região à posição do paciente. Um dos mais utilizados é o coxim na região da cintura escapular, usado para extensão cervical e melhorar a visualização dessa zona, procedimentos de tireoidectomia, traqueostomia e cricostomia utilizam muito esses coxins. Outro utilizado é na linha umbilical da região dorsal para extensão da coluna, assim como abdominal, usado muito em cirurgias abdominais como as gastrointestinais. Outros coxins são usados nos MMII e região occipital (coxins circulares ou “pudins”). Muitas vezes tem-se que usar criatividade para fazer os coxins, utilizando apenas os materiais disponíveis como os campos e frascos de soro fisiológico. OBSERVAÇÕES DO LIGANTE: