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AMBIENTE CIRÚRGICO 
PONTOS DE RELEVÂNCIA HISTÓRICA 
Na idade média, os procedimentos 
cirúrgicos não eram realizados em 
ambiente cirúrgico propício, mas sim em 
campos de batalhas, em casas de 
cirurgiões famosos e até mesmo nos 
conveses de navios de guerra. Esses 
procedimentos restringiam-se em 
amputações de membros, drenagens de 
abscessos e retiradas de regiões de 
tumefações visíveis, sem uso de 
quaisquer tipos de equipamento eletrônico 
e com auxílio de instrumentais rústicos da 
época. 
Nessa época os principais 
obstáculos aos procedimentos eram as 
hemorragias, dor e principalmente as 
infecções cirúrgicas. Após muitos anos, 
no século XVI, há relatos que se começou 
a utilizar óleo fervente ou ferro em brasa 
como forma de cauterização e de certa 
forma esterilização dos instrumentos. Até 
o século XVI acreditava-se que as feridas 
produzidas por armas de fogo eram 
envenenadas. Conforme ensinava 
Giovanni Vigo (1460-1525), conceituado 
cirurgião e traumatologista italiano, 
publicou uma obra Practica in chirurgia 
que citava as mesmas deviam ser 
cauterizadas com ferro em brasa ou óleo 
fervente para combater a ação tóxica da 
pólvora. 
Após muito tempo Halsted fez 
progresso quanto à utilização das luvas 
em salas de operação em 1890, devido 
sua noiva, enfermeira-chefe do centro 
cirúrgico no Hospital de John Hopkins, em 
Baltimore, nos EUA, ser alérgica a 
produtos utilizados na antissepsia dos 
pacientes que iam ser submetidos a algum 
procedimento cirúrgico. Muitos cirurgiões, 
no entanto, insistiam que as luvas 
reduziam a delicadeza do toque e 
continuavam a operar sem proteção para 
as mãos. A aceitação internacional do uso 
necessário das luvas de borracha em 
qualquer operação cirúrgica só ocorreu 
após a I Guerra Mundial (1914-1918) 
No início século passado as salas de 
operações ainda se dispunham de não 
haver controle de acesso, portanto, as 
salas de operações possuíam 
arquibancadas onde alunos poderiam 
acompanhar os procedimentos como uma 
peça teatral. A partir desse momento 
várias técnicas foram desenvolvidas 
principalmente em relação as ligaduras 
vasculares, o uso de instrumentais 
adequado e estéreis, desenvolvimento de 
técnicas de anestesia geral e regional e 
técnicas assépticas. 
Atualmente, vive-se uma era de 
transformações, mesmo que as 
chamadas videocirurgia ou cirurgias 
minimamente invasivas tenham cerca de 
30 anos de existências. Hoje, tem-se o 
desenvolvimento da cirurgia robótica, a 
exemplo do robô cirúrgico Da vinci, cada 
vez mais tecnológica e precisa. 
ESTRUTURA FÍSICA DO CENTRO 
CIRÚRGICO 
O Centro cirúrgico ou Complexo 
cirúrgico se baseia em uma unidade 
hospitalar que tem por funções manter um 
ambiente propício para o exercício de 
cirurgias, seja ela completamente 
invasiva, como uma laparotomia 
exploradora, até mesmo aquelas 
minimamente invasivas, como uma 
videolaparoscópica. Vale ressaltar que 
essa unidade deve localizar-se 
isoladamente ao hospital com acesso 
restrito apenas para profissionais que ali 
trabalham, acadêmicos em estágios e 
acompanhado de seus preceptores e os 
pacientes que irão ser submetidos à 
cirurgia. A entrada no setor só é permitida 
a pessoas devidamente identificadas e a 
circulação em seu interior é feita mediante 
o uso de roupas específicas para esta 
unidade. 
O uso de pijamas cirúrgicos é 
obrigatório nessa unidade. Os Centros 
Cirúrgicos devem disponibilizar a todos 
que o acessam as vestimentas privativas 
do local. Porém, alguns hospitais tem um 
número limitado dessas roupas, assim 
cabe ao ligante e acadêmico sempre ter 
em mãos (mochila em compartimento 
isolado dos demais materiais) um pijama 
limpo, que deve ser utilizado 
exclusivamente no centro cirúrgico. A 
grande maioria da literatura aconselha o 
uso de roupas com cores no extremo 
oposto ao vermelho, ou seja, azul e verde. 
Entretanto, nada impede o ligante ao uso 
de pijamas com outras cores. 
A divisão do centro cirúrgico em 
compartimentos físicos é fundamental 
para manter a harmonia do exercício das 
atividades, assim como um ambiente 
limpo e seguro nos locais onde o exigem. 
Dessa forma, o objetivo principal do CC é 
atender o paciente que será submetido a 
uma cirurgia, seja ela eletiva, de urgência 
ou de emergência, da melhor maneira 
possível e promover ótimas condições à 
equipe cirúrgica ali envolvida. O 
acadêmico-ligante, nesse contexto, se 
insere em entender toda dinâmica do 
local, sabendo onde se localiza as 
principais regiões evitando assim 
qualquer comportamento que atrapalhe 
todo o objetivo do CC. 
Didaticamente se divide o centro 
cirúrgico em 3 regiões baseando-se no 
potencial de contaminação do ambiente. 
A região dita como contaminada ou 
irrestrita é toda área onde naturalmente 
tem-se contato direto com o ambiente 
externo e não se toma nenhuma atitude 
ideal para evitar propagação da sujidade, 
se destacam: área de recepção do 
paciente, sala de espera, vestiários assim 
como todas regiões externas ao 
Complexo Cirúrgicos, apenas nessa 
região são permitidos alimentos e 
bebidas. Em oposto a essa zona se 
caracteriza a região restrita ou limpa, 
exigem o uso de roupas privativas, gorros 
e máscaras, além do controle do número 
de pessoas, as duas unidades físicas que 
a compõe são: Sala de operações e Sala 
de armazenamento (arsenal). O meio 
termo a essas duas regiões é dito como 
semi-restrita ou mista, onde há 
necessidade de uso de roupas privativas 
e gorros, onde se permite a circulação de 
pessoas autorizadas e equipamentos, 
exemplos dessa região são: corredores, 
expurgo, copa (única exceção ao uso de 
alimentos e bebidas), sala de estar e 
administrativos e sala de preparo de 
materiais. 
Em nota, destaca-se outra região 
que nenhuma literatura o cita. Chama-se 
zona estéril, é o em torno da mesa 
cirúrgica, onde todos devem estar 
paramentados com capote cirúrgico estéril 
(seja ele descartável ou não), luva estéril, 
máscara e gorro, limita-se apenas as 
pessoas que irão entrar em contato direto 
ao campo cirúrgico. 
 
Planta C.C. do Hospital das 
Clínicas 
1- Sala de operações – Transplante 
2- Sala de operações – Transplante 
3- Sala de operações – Cirurgia 
geral 
4- Sala de operações – Pequenas 
cirurgias 
5- Sala de operações – cirurgia 
geral 
6- Sala de operações – cirurgia 
geral 
7- Sala de operações – Ortopedia 
8- Sala de operações – cirurgia 
geral 
9- Corredor 
10- Lavabos 
11- Vestiários 
12- Sala de Recuperação anestésica 
13- Copa 
14- Sala de guarda de equipamentos 
15- Unidade de terapia Intensiva 
16- Entrada do Complexo Cirúrgico 
Região Limpa 
 
Região Mista 
Região Contaminada 
As principais estruturas físicas com suas 
respectivas caracterizações são: 
Vestiários 
O complexo cirúrgico na grande 
maioria das vezes tem duas entradas, 
uma onde há a passagem do paciente que 
será submetido a cirurgia, e outra onde os 
profissionais passam. Essa última se 
destacam os vestiários, sempre em dois, 
um feminino e outro masculino. O lugar 
onde obrigatoriamente se deve trocar de 
roupa antes de entrar no CC. No vestiário 
se encontra armários ou cabides onde 
guarda-se as roupas usadas fora do 
centro cirúrgico, e um cesto (hamper) 
onde coloca-se o pijama cirúrgico que foi 
utilizado no CC. 
Os vestiários são barreiras físicas 
onde tem por função minimizar a entrada 
de micro-organismos ao CC. No vestiário 
tem-se o banheiro, que nunca deve ser 
utilizado vestindo-se com o pijama 
cirúrgico antes de entrar no CC, portanto, 
sempre que for utilizar o banheiro deve ser 
retirar o pijama. Lembre-se que é no 
vestiário onde você deve calçar os propés, 
gorro e máscara, os mesmos devem ser 
trocados a cada entrada ao CC. 
Corredores 
Local onde dá acesso a todas as 
salas do Centro cirúrgico seja ela zona 
limpa ou não. Dita como região mista,não 
exigem que a máscara esteja em posição 
a todo momento, deve-se coloca-la 
quando está sendo transportado algum 
equipamento estéril ou o paciente que 
será submetido a cirurgia. Nos corredores 
é proibido o consumo e transporte de 
produtos alimentícios. 
O acadêmico-ligante deve sempre 
ter em mente que é essencial manter o 
fluxo entre os corredores, assim, evitar de 
ficar no meio deles. As macas que 
transitam a elas são de exclusividade do 
CC. Assim, o paciente é deslocado de 
maca logo na entrada do centro cirúrgico. 
E quando levado à unidade de terapia 
intensiva essa maca retorna ao CC. 
Lavabos ou área de escovação 
Em alguns hospitais Brasil a fora é 
uma região alocada em uma sala, que 
evita contato com as pessoas que não irão 
realizar a antissepsia cirúrgica, algumas 
literaturas a consideram até como uma 
região restrita. Porém, nos hospitais: 
hospital de urgência e emergência de Rio 
Branco e Hospital das Clínicas de Rio 
Branco, esses espaços físicos ficam em 
intimo contato com os corredores. 
Os lavabos devem ser equipados 
com recipientes para antissépticos e 
torneiras com acionamento com pedal ou 
facilmente manobradas sem o uso das 
mãos. Em especial aos campos de prática 
do ligantes, todos são equipados com 
acionamento sem usar as mãos. 
Sala de material esterilizado 
Local onde é incubado todo o 
processamento do material estéril do 
centro cirúrgico, e em alguns lugares de 
todo o hospital. Assim, tem-se uma 
classificação dos materiais esterilizados 
onde existe os centralizados, quando todo 
material hospitalar é mandado a uma 
única unidade, o semi-centralizado, 
quando cada Unidade prepara os seus 
materiais, mas os encaminha a Central de 
Material para serem esterilizados, e o 
descentralizado quando há não há central 
de material em cada unidade e essa o faz 
independente. 
A sala de material esterilizado deve 
ter o cuidado com o cruzamento de um 
material contaminado com estéril 
evitando, assim, que fiquem em um 
mesmo lugar. Essa área deve ser fechada 
e possuir renovação constante de ar. 
Os materiais como: pacote com 
roupas e campos estéreis, compressas, 
gazes, caixas com os instrumentais e todo 
material inerente à algum procedimento 
invasivo. 
Sala de guarda de equipamentos 
Sala onde se destina todo material 
que será utilizado em qualquer 
procedimento cirúrgico, é um local limpo, 
onde não deve haver fluxo de pessoas. 
Fundamental, que o profissional que 
trabalhe nessa sala esteja paramentado 
para manter o mínimo de contato com os 
instrumentais já prontos para uso. 
Essa unidade do Centro cirúrgico 
além de propiciar um ambiente limpo evita 
que os instrumentos fiquem nos 
corredores prejudicando a circulação 
interna do CC. Porém alguns materiais 
descartáveis cirúrgicos muitas vezes se 
encontram nos corredores para facilitar a 
busca deles e promover a agilidade nos 
procedimentos cirúrgicos. 
Copa 
Em alguns C.C. essa unidade se 
localiza fora do complexo, para evitar risco 
de contaminação. Quando dentro do 
complexo, será única exceção onde se 
pode consumir alimentos e bebidas. 
Sala de recuperação anestésica 
Na maioria das vezes fica próximo as 
Salas de Operação e da sala de descanso 
do anestesista. Unidade onde o paciente 
sempre vai após qualquer procedimento 
que exige qualquer tipo de intervenção 
anestésica. Considerado ambiente misto 
e deve ser provido de silêncio, evitando 
qualquer distúrbio à recuperação do 
paciente. 
Sala de operação 
O principal compartimento do 
Complexo cirúrgico, local onde é realizado 
o procedimento cirúrgico. Varia de 
tamanho conforme a complexidade da 
cirurgia ou exigência de materiais. 
Existem salas de operações pequenas 
para realizar procedimentos como 
drenagem pleural, cirurgia oftalmológica, 
neurocirurgias, e salas para cirurgias mais 
demoradas e que exigem mais materiais, 
como transplante e uma toraco-laparo. 
A sala de operação é considerada 
um ambiente limpo, exigindo de quem 
quer que esteja presente o uso de 
máscaras, gorros e todo vestimenta 
privativa do CC. Ao centro da sala se 
localiza o ambiente estéril em torno da 
mesa de cirurgia, que exigem medidas de 
assepsia e antissepsia além de toda 
paramentação adequada. 
EQUIPE DO CENTRO CIRÚRGICO 
O posicionamento a beira da mesa 
cirúrgica segue uma regra básica, com 
várias exceções. O cirurgião se localiza a 
direita e cranial ao paciente, o 1º auxiliar 
se localiza à esquerda e cranial ao 
paciente, o instrumentador à esquerda do 
1ª auxiliar e, por fim, o 2º auxiliar fica a 
direita do cirurgião. Existem algumas 
situações onde esse esquema é 
contraposto, um exemplo é quando a 
cirurgia que exige uma incisão ao lado 
esquerdo do paciente, então o cirurgião 
troca de posição com o 1º auxiliar, outra 
exceção é na videocirurgia que será 
tratado posteriormente em outro capítulo. 
Esquema do posicionamento da equipe 
O anestesista naturalmente se 
encontra próximo a região da cabeça do 
paciente com todos acessos disponível 
tanto periféricos como centrais, essa 
região é dividida do campo operatório pelo 
arco de narcose. Historicamente usava-se 
algumas drogas anestésicas inalatórias 
que causavam perda dos sentidos a quem 
aspirava-os, assim esse arco evitava o 
contato do cirurgião a esses produtos. 
Cirurgião 
O cirurgião é considerado o 
responsável por planejar, atuar e executar 
o procedimento cirúrgico. Além de 
comandar e manter a ordem dentro da 
sala de operação, principalmente no 
campo operatório. 
Todos participantes da cirurgia 
devem ter autorização do cirurgião, seja 
ele profissional ou acadêmico. Mesmo se 
o instrumentador autorizar o acadêmico-
ligante a participar da cirurgia, esse deve 
solicitar tal espaço ao cirurgião 
responsável pela cirurgia. Segundo CFM: 
“A composição da equipe cirúrgica é de 
responsabilidade exclusiva do cirurgião 
titular, o qual deve escalar auxiliar 
qualificado, objetivando a segurança e 
eficácia do ato, devendo assegurar-se 
previamente das condições 
indispensáveis à execução do mesmo”. 
1º auxiliar 
Tem função de auxiliar o cirurgião no 
ato operatório, além de ajudar o 
instrumentador a montar os campos 
estéreis, antissepsia do paciente além de 
ter capacidade de substituir o cirurgião 
quando necessário. 
Dependendo do porte do 
procedimento a ser realizado pode-se 
exigir a participação de mais de 1 auxiliar, 
naturalmente se opta por outro cirurgião 
para compor o “cargo” de 1º auxiliar. 
O primeiro auxiliar deverá ser 
médico cirurgião, conhecedor da técnica e 
metodologia do primeiro cirurgião, e apto 
a terminar o ato cirúrgico no impedimento 
do titular. A necessidade de um primeiro 
auxiliar, e até de um segundo auxiliar com 
as características acima, está na 
dependência do porte da cirurgia e é de 
exclusiva decisão do cirurgião titular, não 
podendo existir limitações institucionais 
ou de outra origem quanto à sua decisão, 
considerando o artigo 8º do Código de 
Ética Médica. Há de se perceber o 
contraditório entre a possibilidade do 
acadêmico-ligante participar como 1º 
auxiliar. 
Em nota, o Conselho Federal de 
Medicina cita: “Reconhecemos que uma 
cirurgia programada ou não programada é 
um ato caracterizado como um 
procedimento médico, pelo que 
consideramos que o seu responsável 
direto deve ser o médico cirurgião titular e 
como imediato o cirurgião primeiro 
auxiliar, do que inferimos ser este 
necessariamente um profissional médico 
habilitado a continuar e/ou finalizar o ato 
cirúrgico, caso haja impedimento do 
cirurgião titular, sem consequências 
danosas para o paciente. Ressalvados os 
casos de emergência em que não haja 
possibilidade de convocação de outros 
profissionais médicos. 
Instrumentador 
O instrumentador pode ser qualquer 
profissional de saúde qualificado para o 
ato, na grande maioria das vezes é um 
técnico em enfermagem que possuiexperiencia no ato operatório com grande 
interação com o procedimento cirúrgico e 
com o próprio tempo do cirurgião titular. 
Considerado integrante da equipe 
que se responsabiliza pelo preparo da 
mesa, fornece instrumentais ao cirurgião e 
assistente, mantém a mesa em ordem 
desde o início até o termino da cirurgia, 
além de juntamente com os auxiliares 
promover o preparo do paciente 
perioperatório. No mundo acadêmico é 
um dos serviços primordiais ao interno e 
ligante, ótimo para treinamentos e contato 
inicial às cirurgias. 
2º auxiliar 
Na grande realidade dos campos de 
prática é o primeiro “cargo” que o 
acadêmico-ligante é inserido, 
principalmente pelo fato de não ter 
grandes responsabilidades no ato 
cirúrgico. Entretanto, é ótimo lugar para o 
conhecimento das técnicas operatórias. 
O principal objetivo do 2º auxiliar é 
propiciar um campo de visão ao cirurgião 
titular e segurar os instrumentos cirúrgicos 
inerentes ao ato. 
Anestesista 
O profissional que tem como 
responsabilidade planejar e executar a 
anestesia, além de prescrever a 
medicação pré-anestésica. 
O anestesista também possui função 
de como controlar toda dinâmica de 
funcionamento fisiológico do paciente em 
todo o ato cirúrgico e no pós-
procedimento, juntamente na sala de 
recuperação anestésica até que haja o 
restabelecimento de seus reflexos e 
homeostasia. 
As localidades proximas da mesa e 
equipamentos anestésicos é de 
responsabilidade do anestesista, cabe ao 
acadêmico-ligante solicitar educadamente 
a autorização dele para acompanhar o 
procedimento em sua região. 
Circulante 
O responsável pela busca e 
distribuição dos materiais utilizados nas 
salas de operações. Na grande maioria 
das vezes é um técnico em enfermagem 
que tem conhecimento de todo Centro 
Cirúrgico, qualquer dúvida que o 
acadêmico-ligante tem sobre onde 
localizar qualquer coisa é de grande valia 
a consulta com esse profissional. 
Naturalmente, esse é a primeira 
função que o acadêmico fica responsável. 
O trabalho harmônico com esse 
profissional é fundamental para o tempo e 
eficácia da dinâmica no complexo 
cirúrgico. 
Enfermeiro chefe 
O responsável pelo centro cirúrgico 
tudo que acontece só ocorre com a 
autorização dele. Todas pessoas que 
estão no centro cirúrgico são de 
responsabilidade do enfermeiro chefe, 
assim como o controle de material e 
equipamentos do Complexo. Cabe ao 
acadêmico-ligante, assim que adentrar no 
CC, procurar o enfermeiro chefe do setor 
e informa-lo sua presença, se 
identificando como acadêmico e que está 
acompanhando tal cirurgião que irá fazer 
tal procedimento em tal sala de operação. 
EQUIPAMENTOS DO CENTRO 
CIRÚRGICO 
Mesa cirúrgica 
Localizando ao centro da sala de 
operação é um suporte essencial ao 
procedimento cirúrgico. A mesa cirúrgica 
pode ser manual ou eletrônica, possuindo 
possibilidade de muitos movimentos. No 
campo de prática HC e HUERB grande 
parte, se não todas, das mesas cirúrgicas 
possui mobilidade eletrônica orientado por 
um controle com cabeamento, na maioria 
das vezes se encontrando próximo ao 
anestesista ou aos pés no paciente. 
O acadêmico-ligante muitas vezes 
tem responsabilidade de auxiliar no 
posicionamento do paciente na mesa 
cirúrgica saber manusear o controle da 
mesa assim como as manivelas, se 
presentes. Devido as diversas marcas e 
tipos existentes não é de obrigação saber 
de todas. A dica seria pedir auxílio ao 
circulante ou instrumentador da sala de 
operação. 
Após a apresentação do paciente à 
equipe da sala de operação, ele deve ser 
passado para a mesa cirúrgica, mantendo 
sua privacidade, segurança física e 
emocional e seu conforto. Deve-se 
receber o paciente na sala cirúrgica, 
conferindo seus dados pessoais e sua 
identificação, e ficar ao lado dele enquanto 
estiver consciente. Alguns cuidados 
devem ser tomados para a transferência 
do paciente, como: 
 
1- Fazer o nivelamento da altura da 
mesa cirúrgica com a maca. 
2- Posicionamento da maca contra as 
laterais da mesa cirúrgica, evitando 
assim sua movimentação que pode 
ocasionar a queda do paciente. 
3- Solicitar ao paciente para que 
passe para a mesa cirúrgica, se 
fisicamente capaz. 
4- Posicionar confortavelmente o 
paciente na 
mesa cirúrgica 
O manuseio do 
controle da mesa é 
bastante 
autoexplicativo, com 
imagens 
demonstrando o 
comando nos botões, 
facilitando o 
posicionamento do 
paciente segundo o 
procedimento. 
 Foco cirúrgico 
Essencial para o procedimento 
cirúrgico, sempre em dois focos, um 
central e outro auxiliar, para melhorar 
visualização dos órgãos e campos 
cirúrgicos. O cirurgião ainda pode optar 
por um foco independente localizado na 
testa do cirurgião, muito usado em 
cirurgias com pequenas incisões ou área 
de atuação. O foco tem por finalidade 
oferecer luz semelhante a natural, de 
modo a não alterar a cor da pele e 
mucosas do paciente e fornecer 
iluminação adequada ao campo cirúrgico, 
sem projeção de sombras e emissão de 
reflexos, além de produzir o mínimo de 
calor possível. 
Alguns focos cirúrgicos possuem 
manoplas adaptáveis e estéreis na 
imagem é a região central do foco, onde 
apenas o profissional paramentado com 
luvas estéreis podem utilizar. As 
circulantes, acadêmicos e anestesistas 
podem ajudar no manuseio do foco 
apenas nas partes externas na imagem. 
 
Bisturi elétrico 
Composto por quatro principais 
partes, o bisturi monopolar ou bipolar, o 
pedal de acionamento, a placa de saída e 
o painel de controle. O conhecimento de 
como instalar e saber manusear o painel é 
fundamental para o acadêmico-ligante, 
não é raro a solicitação por parte de outros 
profissionais a sua ajuda com esse 
equipamento. 
O bisturi elétrico é um aparelho 
eletrônico que tem a capacidade de 
transformar a corrente elétrica de alta 
tensão, mais que apesar da intensidade, 
não ocasiona alteração orgânica nem 
excitação nervosa. Esta corrente de alta 
frequência de uma unidade de eletro 
cirurgia é usada para cortar e coagular os 
tecidos. 
Existem dois conceitos 
fundamentais que o acadêmico deve levar 
sempre em mente: Eletrodissecção que é 
a secção de tecidos feito através de 
dissolução de estrutura molecular e 
celular dos tecidos, havendo desidratação 
e fusão das células próximas ao eletrodo 
positivo; Eletrocoagulação é a oclusão de 
vasos sanguíneos e linfáticos através da 
solidificação das estruturas proteicas 
celulares ou por meio da retração tecidual 
periférico; Eletrofulgação é a oclusão dos 
vasos porém à distância através de 
faíscas elétricas geradas. 
A placa de saída ou de dispersão é 
colocado em contato direto ao paciente, 
sempre em grandes grupos musculares, 
pode utilizar panturrilha, glúteos e a face 
posterior da coxa. Evitar colocar em 
tecidos escarificados e lesões, deve ser 
colocado do mesmo lado e o mais próximo 
do local de realização da cirurgia e área 
limpa, sem pelos e seca. 
O conhecimento do painel de 
controle é fundamental ao acadêmico-
ligante. Portanto, como observado na 
imagem a seguir existe um receptor da 
placa, um para o mono ou bipolar, o pedal 
de controle e o painel contendo todas 
informações acerca de funcionamento do 
corte e coagulação. O cirurgião sempre 
informa a quantidade de watt que desejará 
durante o procedimento, porém poderá 
ser solicitado para sua regulação ao 
circulante ou acadêmico durante a 
cirurgia. 
Aspirador 
Fixos às paredes da sala de 
operação existe todo uma encanação dos 
gases do CC, juntamente aos pontos de 
gás se encontra o dos aspiradores. A 
conexão de tubos de borrachas a esses 
pontos e as vasilhas de coleta é de 
responsabilidade do circulante e do 
acadêmico-ligante, assim como o teste de 
seu perfeito funcionamento. 
O aspirador pode ser portátil ou fixo, 
quando portátil é realizado por um motor 
em uma mesa com rodas e ligado à 
energiaelétrica, quando fixo é apenas a 
tubulação na parede da sala de operação, 
em ambos os casos deve ser realizado a 
conexão dos tubos à ponta estéril que 
será disponibilizado pelo cirurgião ou 
auxiliar durante o início da cirurgia. 
Cestos 
O acadêmico-ligante sempre deve 
estar atento quanto aos cestos de lixos, de 
compressas ou de campos e capotes 
cirúrgicos. A confusão entre esses itens é 
comum e pode gerar sérios danos. 
Normalmente tem-se na sala de operação 
um hamper perto da porta de saída, dois 
cestos de lixo um próximo aos pés da 
mesa cirúrgica e outro próximo a mesa do 
anestesista, e por fim a cesta de 
compressa perto da mesa de 
instrumentais. Na dúvida sempre pergunte 
aos circulantes ou instrumentadores. 
 
 
Características dos gases utilizados no 
CC: 
Oxigênio: O sistema de 
abastecimento pode ser descentralizado 
(utilização de cilindros avulsos, 
transportados até o local de utilização) ou 
centralizado (conduzido por tubulação 
central até os pontos de utilização). Cor 
VERDE no sistema de tubulação. 
 Ar comprimido: Também pode advir 
de um sistema descentralizado (cilindros 
com pressões entre 120 e 190 Kgf/cm, 
como o oxigênio) ou centralizado 
(compressor com 100% de consumo 
máximo provável, que funcione 
automaticamente ou manualmente). Cor 
AMARELA na tubulação do CC. 
Vácuo clínico: Produzido por 
bombas, que devem ter capacidade de 
100% do consumo máximo provável, que 
funcione alternadamente ou em paralelo 
em caso de emergência. É importante 
manter outro tipo de sistema de 
suprimento autônomo de emergência, 
para manutenção da rede de vácuo ou 
pane da distribuição convencional. Cor 
Cinza Claro na tubulação do CC. 
 
Óxido nitroso: O sistema de 
abastecimento pode ser escentralizado 
(alto consumo – conduzido por tubulação 
dos cilindros até os pontos de utilização) 
ou centralizado (utilizado em caso de 
baixo consumo utilização de cilindros 
transportáveis até os pontos de 
utilização). Cor Azul Marinho na 
tubulação do CC. 
 
 
 
POSIÇÃO DO PACIENTE 
Decúbito dorsal ou supina 
O paciente deve ser mantido em 
decúbito dorsal ou supino, tendo as 
pernas esticadas e os braços estendidos 
ao longo do corpo. É a posição mais 
comumente usada para as cirurgias 
abdominais supra e infra umbilical, 
algumas torácicas, vasculares. De todas 
as posições cirúrgicas, é a mais utilizada 
e que menos complicações traz ao 
paciente, tanto durante o procedimento 
quanto no pós-operatório. O paciente fica 
deitado sobre seu dorso, em posição 
horizontal, com as pernas em sentido 
longitudinal ao corpo e os braços abertos, 
de preferência apoiados sobre talas. 
Pode utilizar-se de coxins sobre a 
cabeça e joelhos. São possíveis 
complicações dessa posição: lombalgia, 
dispneia, opressão, pressão em 
proeminências ósseas, queda plantar, 
curvatura da coluna, contratura do 
pescoço, tensão abdominal rotação 
externa dos fêmures. 
Decúbito ventral ou prona 
O paciente é colocado com o 
abdome para baixo, tendo a cabeça 
voltada para um dos lados e apoiada num 
travesseiro, as pernas estiradas, os 
braços ligeiramente flexionados e 
apoiados em suportes. Esta posição 
exige, ainda a colocação, de coxins sob os 
ombros, para facilitar a expansão 
pulmonar, sob a região infra umbilical e 
sob a face anterior dos pés, para evitar a 
distensão muscular, importante observar 
expansão pulmonar e liberação das 
mamas. 
É indicada para cirurgias para a 
região posterior do corpo, (dorsal, lombar, 
sacrococcígea e occipital), sendo que, 
nesta última, a cabeça precisa estar 
apoiada, pela região frontal, num suporte 
acolchoado. São possíveis complicações: 
deslocamento e estiramento de ombro, 
compressão de nervo radial, tensão 
abdominal e dispneia. 
Decúbito lateral ou sims 
O paciente é colocado sobre um dos 
lados, tendo a perna inferior estendida e a 
superior flexionada, separadas por um 
coxim ou travesseiro. Coloca-se também, 
um coxim sob a linha da cintura e, a 
seguir, fixa-se o paciente 
transversalmente à mesa cirúrgica com 
uma faixa larga de esparadrapo, passada 
sobre o quadril. Esta posição é utilizada 
para as intervenções cirúrgicas de acesso 
aos rins. 
As principais complicações dessa 
posição são lombalgia e pressão nas 
proeminências ósseas (quadril e ombro) 
Posição de litotômia ou 
ginecológica 
O paciente é colocado em decúbito 
dorsal, tendo os membros inferiores 
elevados e colocados em suportes 
especiais, também chamados perneiras, e 
fixados com correias. Deve-se ter o 
cuidado de envolver as pernas com 
campos ou perneiras de tecido para lhe 
proporcionar conforto e segurança. Esta 
posição está indicada para as cirurgias 
ginecológicas, proctológicas, algumas 
urológicas e exames endoscópicos. 
As principais complicações dessa 
posição são: lombalgia, pressão 
proeminências ósseas (sacro), 
maceração, parestesia, cianose, pressão 
poplítea, rotação externa e estiramento 
muscular. 
Posição Trendelenburg 
Muito comum o cirurgião fazer o 
comando “faz um Trem aí”. Nesta posição 
a cabeça e o corpo são abaixados; é 
usualmente empregada para a cirurgia da 
parte inferior do abdome e da pelve, 
visando obter a boa exposição ao deslocar 
os intestinos para dentro da parte superior 
do abdome, as coxas flexionadas. A 
posição é mantida ao se colocar os pés 
nos estribos; é empregada em quase 
todos os procedimentos cirúrgicos 
perineais, retais e abdominais. 
As principais complicações dessa 
posição são: lombalgia, dispneia, 
perfusão periférica, extremidades frias, 
cianose de MMII, circulação prejudicada e 
hipotensão. 
 
Posição Trendelenburg reverso 
ou proclive 
Também conhecida como anti-Trem 
é a posição adequada para deixar as alças 
intestinais na parte inferior do abdômen, 
reduz pressão sanguínea cerebral, 
indicada para cirurgia de abdômen, 
crânio, tórax. As complicações são: 
estase venosa, edema, sobrecarga de 
sistema cardiovascular. 
 
Posição Fowler ou sentada 
A Posição de Fowler foi introduzida 
originalmente como uma medida 
terapêutica no pós-operatório de cirurgia 
abdominal, caracterizando- se por ajuste 
na cabeceira do leito à 45º. A Essa 
posição é utilizada atualmente para 
favorecer a ventilação, uma vez que 
afasta os órgãos abdominais do diafragma 
aliviando a pressão sobre a cavidade 
torácica e permitindo que os pulmões 
tenham a possibilidade de se encham 
melhor. 
 
 
 
 
Posição de canivete ou Kraske 
Essa posição é uma modificação do 
decúbito ventral e é usada para 
procedimentos proctológicos e de coluna 
lombar. Os quadris do paciente devem 
repousar sobre uma almofada ou 
travesseiro colocado sobre a dobradura 
da mesa de operação, a qual é flexionada 
num ângulo de 90º, elevando os quadris e 
baixando a cabeça e o corpo. A cabeça, o 
tórax e os pés precisam de suportes 
adicionais nesta posição. 
Coxins 
São apoios que tem como objetivo 
alinhar algum membro ou região à posição 
do paciente. Um dos mais utilizados é o 
coxim na região da cintura escapular, 
usado para extensão cervical e melhorar a 
visualização dessa zona, procedimentos 
de tireoidectomia, traqueostomia e 
cricostomia utilizam muito esses coxins. 
Outro utilizado é na linha umbilical da 
região dorsal para extensão da coluna, 
assim como abdominal, usado muito em 
cirurgias abdominais como as 
gastrointestinais. Outros coxins são 
usados nos MMII e região occipital (coxins 
circulares ou “pudins”). 
Muitas vezes tem-se que usar 
criatividade para fazer os coxins, 
utilizando apenas os materiais disponíveis 
como os campos e frascos de soro 
fisiológico. 
OBSERVAÇÕES DO LIGANTE:

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