Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL 
COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL 
COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
2 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 03 
 
2 COLÔNIA.......................................................................................................... 07 
 
3 IMPÉRIO ........................................................................................................... 12 
 
4 REPÚBLICA ..................................................................................................... 19 
 
REFERÊNCIAS UTILIZADAS E CONSULTADAS.............................................. 62 
 
AVALIAÇÃO ........................................................................................................ 66 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
 
 
No prefácio do CD ROM “Viagem pela História do Brasil” Caldeira e Paula 
(2000) nos lembram que uma nação não é feita apenas de circunstâncias, embora 
elas sejam importantes. Uma nação se constrói a partir de fundamentos que moldam 
a identidade de seu povo, definindo seus costumes, instituições, estabelecendo o 
modo pelo qual se relaciona com as outras nações e absorve as tendências 
dominantes em cada momento. Como veremos abaixo, são esses fundamentos que 
os autores procuram mostrar na Viagem pela História do Brasil. 
 
Em primeiro lugar a adaptação, que se fez imperativa a partir do momento 
em que os primeiros europeus por aqui chegaram e perceberam que para sobreviver 
no Novo Mundo era necessário algo mais que seus costumes e crenças tradicionais 
. 
 
A força das armas que lhes garantia conquistas era inútil numa terra onde 
tomar espaço era fácil - mas muito difícil sobreviver no território desconhecido. Para 
isto, as circunstâncias só indicaram um caminho: aceitar o costume local para 
poderem ter acesso ao conhecimento dos homens da terra. A via aberta não era a 
guerra, mas o casamento, segundo a regra que obrigava cada estrangeiro a “ter” 
uma mulher da tribo para ser aceito por ela, estabelecendo uma complexa rede de 
parentesco com os demais membros. Parente ou inimigo, eram as únicas formas de 
relação possíveis para os nativos. A mistura de raças e culturas que assim se fez, 
contrária à tendência europeia então - e até hoje - dominante, marcou de maneira 
definitiva a constituição do povo brasileiro, dando-lhe alguns de seus traços básicos: 
a liberalidade sexual relativamente forte, a cordialidade com o estrangeiro e a 
inclinação para aceitar o estranho. 
 
O segundo fundamento tem um sentido contrário. Não adaptativo, mas 
impositivo; não cordial, mas violento. Se para aqui viver foi necessário casar, para 
produzir foi necessário escravizar. 
 
De início os “negros da terra”, nativos pertencentes às tribos inimigas e 
escravizados com ajuda dos novos parentes, depois os negros da África, trazidos 
pelos portugueses, construíram primeiro a Colônia, depois o Reino e o Império. A 
longa duração do regime escravocrata marcou indelevelmente a cultura brasileira: o 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
4 
 
 
 
 
abismo entre elite e povo, o autoritarismo nas relações com os que estão abaixo, 
são heranças de quatro séculos de violência institucionalizada. 
 
O terceiro fundamento diz respeito à unidade, territorial, linguística e 
cultural. A descoberta do ouro em Minas Gerais é parte da explicação: em poucas 
décadas transformada em centro da economia, a província atuou como polo de 
atração de homens e mercadorias, agregando o que antes era disperso, e exigindo 
da Metrópole um controle antes desnecessário. 
 
O período em que isto se deu é mais uma parte da explicação: ocorressem 
às descobertas de ouro e diamantes dois séculos antes, como acontecera no México 
e no Peru, talvez não fosse garantida a unidade. Ocorrendo num momento em que 
grande parte do território já fora conquistada pelos próprios filhos da terra, e em que 
um sentimento de brasilidade já havia sido forjado na luta contra os holandeses, o 
resultado foi manter unido um povo que tinha muitas razões para se dispersar. 
 
O ouro produziu não só a união do território, mas também uma elite da terra 
que se preocupou com a criação de uma Nação independente. A ideia tomou forma 
à medida que a Colônia crescia economicamente e a Metrópole se perdia em meio à 
fermentação revolucionária da segunda metade do século XVIII. E acabou resolvida 
segundo a forma híbrida das tendências fundamentais da formação: a adaptação do 
rei português ao papel de fundador do país, associada à vontade de criar estruturas 
econômicas e políticas abertas como as que se instalavam na França e nos Estados 
Unidos. Dessas tendências contraditórias nasceriam caminhos opostos, que a 
unidade da Coroa permitiu conviverem. De um lado, a ideia de fundar as instituições 
sobre a base de abertura dos casamentos mistos, com a transformação de índios e 
escravos em cidadãos. Do outro, a tentativa de reforçar a distância entre o topo e a 
base, com a transformação de senhores de escravos em nobres, numa caricatura do 
Antigo Regime que se dissolvia. Cada uma deixou seus traços. A primeira, o hábito 
das eleições e a força do Parlamento; a segunda, a realidade crua da falta de 
cidadania e direitos, a imensa distância entre ricos e pobres. 
 
Assim se firmou o quarto fundamento característico do modo de ser 
brasileiro: a complicada busca de uma conciliação entre desenvolvimento e 
democracia. Do ponto de vista econômico, a contradição entre produção capitalista 
e regime escravista dificultou a entrada do Brasil na era moderna. Para seguir 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
5 
 
 
 
 
adiante, era preciso abolir a escravidão - e o que foi conseguido com grande demora 
e a duras penas não significou a abolição da mentalidade autoritária, ainda que 
acabasse com a monarquia. 
 
Proclamada a República, o controle do Estado se transformou no paradigma 
autoritário por excelência. Reduzindo ao mínimo a conquista democrática que foi a 
transformação - apenas formal - dos brasileiros em cidadãos, a herança escravista 
perdurou numa forma “modernizada” de diferenciar dominantes e dominados. A 
pretendida superioridade deslocou-se dos nobres e senhores para os técnicos: 
desde o começo do século forma-se no Brasil a mentalidade de que é mais digno de 
ter poder aquele que tem mais saber. Apresentada de diversas maneiras, das quais 
o germe de populismoimplantado com a revolução de 1930 é apenas uma, esta 
mentalidade define a fórmula brasileira de autoritarismo: colocar o progresso 
econômico como alternativa excludente da democracia política, assunto “técnico” do 
qual o povo é sempre objeto, nunca sujeito (CALDEIRA; PAULA, 2000). 
 
Com idas e vindas, o jogo entre um projeto de Nação fundado na abertura 
para o novo e a tentativa de manter privilégios se refez várias vezes no correr do 
século, sem nunca se chegar a um equilíbrio. 
 
Nos momentos de domínio da democracia, nunca houve força política para 
se romper as estruturas hierárquicas; por outro lado, nem mesmo ditaduras 
conseguiram sobreviver sem um grau de reconhecimento do voto e representantes 
eleitos. Neste jogo moldou-se a transformação da sociedade agrária em país urbano 
e industrial, com um capitalismo que não firma ideias de concorrência, um Estado 
que precisa ser interventor para manter privilégios, cidadãos que têm participação 
formal na vida política, mas não direitos efetivos, brasileiros que constroem a 
identidade de um país aberto nas frestas de um sistema de poder sempre propenso 
a ceder à tentação do autoritarismo. 
 
Concordamos como Priore e Venâncio (2001) quando enfatizam que os 
fatos históricos não são pedras isoladas expostas num caminho, mas, ao contrário, é 
preciso integrá-los. Compilar praticamente quinhentos anos de história não será algo 
fácil, no entanto, esperamos que pesquisem nas referências bibliográficas caso 
lacunas deixem a desejar. 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
6 
 
 
 
 
Relembramos que no período colonial foram gestadas muitas instituições 
com as quais convivemos até hoje e que desse período também se deu a 
miscigenação biológica e cultural que consiste no maior capital não monetizável do 
Brasil. 
 
Bons estudos e boa leitura! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
7 
 
 
 
 
2 COLÔNIA 
 
 
A fase do pau-brasil (1500 a 1530) ou Período Pré-Colonial 
 
 
A expressão “descobrimento” do Brasil está carregada de eurocentrismo, 
além de desconsiderar a existência dos índios em nosso país antes da chegada dos 
portugueses. Portanto, vamos optar pelo termo “chegada” dos portugueses ao 
Brasil. Esta ocorreu em 22 de abril de 1500, data que inaugura a fase pré-colonial. 
Neste período não houve a colonização do Brasil, pois os portugueses não se 
fixaram na terra. Após os primeiros contatos com os indígenas, muito bem relatados 
na carta de Pero Vaz de Caminha, os portugueses começaram a explorar o pau- 
brasil da mata Atlântica. 
 
O pau-brasil tinha um grande valor no mercado europeu, pois sua seiva, de 
cor avermelhada, era muito utilizada para tingir tecidos. Para executar esta 
exploração, os portugueses utilizaram o escambo, ou seja, deram espelhos, apitos, 
chocalhos e outras bugigangas aos nativos em troca do trabalho (corte do pau-brasil 
e carregamento até as caravelas). 
 
Nestes primeiros trinta anos de “chegada”, o Brasil foi atacado pelos 
holandeses, ingleses e franceses que tinham ficado de fora do Tratado de 
Tordesilhas (acordo entre Portugal e Espanha que dividiu as terras recém- 
descobertas em 1494). Os corsários ou piratas também saqueavam e 
contrabandeavam o pau-brasil, provocando pavor no rei de Portugal. O medo da 
coroa portuguesa era perder o território brasileiro para um outro país. Para tentar 
evitar estes ataques, Portugal organizou e enviou ao Brasil as Expedições Guarda- 
Costas, porém com poucos resultados. 
 
Os portugueses continuaram a exploração da madeira, construindo as 
feitorias no litoral que nada mais eram do que armazéns e postos de trocas com os 
indígenas. 
 
No ano de 1530, o rei de Portugal organiza a primeira expedição com 
objetivos de colonização. Esta foi comandada por Martin Afonso de Souza e tinha 
como objetivos: povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo 
de cana-de-açúcar no Brasil. 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
8 
 
 
 
 
A fase do Açúcar (séculos XVI e XVII) 
 
O açúcar era um produto de grande aceitação na Europa e alcançava um 
grande valor. Após as experiências positivas de cultivo no Nordeste, já que a cana- 
de-açúcar se adaptou bem ao clima e ao solo nordestino, começou o plantio em 
larga escala. Seria uma forma de Portugal lucrar com o comércio do açúcar, além de 
começar o povoamento do Brasil. 
 
Para melhor organizar a colônia, o rei de Portugal resolveu dividir o Brasil 
em Capitanias Hereditárias. O território foi dividido em faixas de terras que foram 
doadas aos donatários. Estes podiam explorar os recursos da terra, porém ficavam 
encarregados de povoar, proteger e estabelecer o cultivo da cana-de-açúcar. No 
geral, o sistema de Capitanias Hereditárias fracassou, em função da grande 
distância da Metrópole, da falta de recursos e dos ataques de indígenas e piratas. 
As capitanias de São Vicente e Pernambuco foram as únicas que apresentaram 
resultados satisfatórios, graças aos investimentos do rei e de empresários. 
 
 
 
Administração Colonial 
 
Após a tentativa fracassada de estabelecer as Capitanias Hereditárias, a 
coroa portuguesa estabeleceu no Brasil o Governo-Geral. Era uma forma de 
centralizar e ter mais controle da colônia. O primeiro governador-geral foi Tomé de 
Souza, que recebeu do rei a missão de combater os indígenas rebeldes, aumentar a 
produção agrícola no Brasil, defender o território e procurar jazidas de ouro e prata. 
Também existiam as Câmaras Municipais que eram órgãos políticos compostos 
pelos “homens-bons”. Estes eram os ricos proprietários que definiam os rumos 
políticos das vilas e cidades. O povo não podia participar da vida pública nesta fase. 
A capital do Brasil neste período foi Salvador, pois a região Nordeste era a mais 
desenvolvida e rica do país. 
 
 
 
A economia colonial 
 
A base da economia colonial era o engenho de açúcar. O senhor de 
engenho era um fazendeiro proprietário da unidade de produção de açúcar. Utilizava 
a mão de obra africana escrava e tinha como objetivo principal a venda do açúcar 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
9 
 
 
 
 
para o mercado europeu. Além do açúcar destacou-se também a produção de 
tabaco e algodão. 
 
As plantações ocorriam no sistema de plantation, ou seja, eram grandes 
fazendas produtoras de um único produto, utilizando mão de obra escrava e visando 
o comércio exterior. 
 
O Pacto Colonial imposto por Portugal estabelecia que o Brasil só podia 
fazer comércio com a metrópole. 
 
 
 
A sociedade Colonial 
 
A sociedade no período do açúcar era marcada pela grande diferenciação 
social. No topo da sociedade, com poderes políticos e econômicos, estavam os 
senhores de engenho. Abaixo, aparecia uma camada média formada por 
trabalhadores livres e funcionários públicos. E na base da sociedade estavam os 
escravos de origem africana. 
 
Era uma sociedade patriarcal, pois o senhor de engenho exercia um grandepoder social. As mulheres tinham poucos poderes e nenhuma participação política, 
deviam apenas cuidar do lar e dos filhos. 
 
A casa-grande era a residência da família do senhor de engenho. Nela 
moravam, além da família, alguns agregados. O conforto da casa-grande 
contrastava com a miséria e péssimas condições de higiene das senzalas 
(habitações dos escravos). 
 
 
 
Invasão holandesa no Brasil 
 
Entre os anos de 1630 e 1654, o Nordeste brasileiro foi alvo de ataques e 
fixação de holandeses. Interessados no comércio de açúcar, os holandeses 
implantaram um governo em nosso território. Sob o comando de Maurício de 
Nassau, permaneceram lá até serem expulsos em 1654. Nassau desenvolveu 
diversos trabalhos em Recife, modernizando a cidade. 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
10 
 
 
 
 
Expansão territorial: bandeiras e bandeirantes 
 
Foram os bandeirantes os responsáveis pela ampliação do território 
brasileiro além do Tratado de Tordesilhas. Os bandeirantes penetraram no território 
brasileiro, procurando índios para aprisionar e jazidas de ouro e diamantes. Foram 
os bandeirantes que encontraram as primeiras minas de ouro nas regiões de Minas 
Gerais, Goiás e Mato Grosso. 
 
 
 
O século do Ouro: século XVIII 
 
Após a descoberta das primeiras minas de ouro, o rei de Portugal tratou de 
organizar sua extração. Interessado nesta nova fonte de lucros, já que o comércio 
de açúcar passava por uma fase de declínio, ele começou a cobrar o quinto. O 
quinto nada mais era do que um imposto cobrado pela coroa portuguesa e 
correspondia a 20% de todo ouro encontrado na colônia. Este imposto era cobrado 
nas Casas de Fundição. 
 
A descoberta de ouro e o início da exploração das minas nas regiões 
auríferas (Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás) provocou uma verdadeira “corrida do 
ouro” para estas regiões. Procurando trabalho na região, desempregados de várias 
regiões do país partiram em busca do sonho de ficar rico da noite para o dia. 
Cidades começaram a surgir e o desenvolvimento urbano e cultural aumentou muito 
nestas regiões. Foi neste contexto que apareceu um dos mais importantes artistas 
plásticos do Brasil: Aleijadinho. 
 
Vários empregos surgiram nestas regiões, diversificando o mercado de 
trabalho na região aurífera. Para acompanhar o desenvolvimento da região sudeste, 
a capital do país foi transferida para o Rio de Janeiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
11 
 
 
 
 
Revoltas Coloniais e Conflitos 
 
Em função da exploração exagerada da metrópole ocorreram várias revoltas 
e conflitos neste período: 
 
Guerra dos Emboabas: os bandeirantes queriam exclusividade na exploração 
do ouro nas minas que encontraram. Entraram em choque com os paulistas 
que estavam explorando o ouro das minas. 
 
Revolta de Filipe dos Santos: ocorrida em Vila Rica, representou a 
insatisfação dos donos de minas de ouro com a cobrança do quinto e das 
Casas de Fundição. O líder Filipe dos Santos foi preso e condenado a morte 
pela coroa portuguesa. 
 
Inconfidência Mineira (1789): liderada por Tiradentes, os inconfidentes 
mineiros queriam a libertação do Brasil de Portugal. O movimento foi 
descoberto pelo rei de Portugal e os líderes condenados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
12 
 
 
 
 
3 IMPÉRIO 
 
 
 
 
Este período histórico foi determinado pelas transformações ocorridas no 
século XVIII desencadeadas a partir da Revolução Francesa (1789) e da Revolução 
Industrial iniciada na Inglaterra, que abriram o caminho para o avanço do capitalismo 
para outros países. 
 
Com a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, Portugal 
mergulhou numa grave crise. A invasão do país pelo exército de Napoleão 
Bonaparte desorganizou a produção do vinho e do azeite. Pouco depois, a abertura 
dos portos brasileiros levou os comerciantes portugueses a perderem o mercado 
colonial para a Inglaterra. Diante desta crise, várias cidades portuguesas fizeram 
manifestações de militares e civis contra o governo estrangeiro e absolutista. 
Exigindo a volta imediata de dom João a Portugal (PORTAL BRASILNET, 2010). 
 
As primeiras notícias da Revolução do Porto chegaram ao Brasil ainda em 
 
1820. O movimento inspirou diversas rebeliões locais da população insatisfeita. 
 
Inicialmente, a elite brasileira apoiou as Cortes portuguesas. Afinal, os 
latifundiários, os altos funcionários e alguns comerciantes do Rio de Janeiro foram 
chamados a participar do novo governo. Em 1821, o governo português aumentou 
as taxas alfandegárias sobre as mercadorias importadas da Inglaterra. Com isso, 
Portugal pretendia recuperar o monopólio comercial sobre o Brasil. No mesmo ano, 
as Cortes enviaram tropas ao Rio de Janeiro e Pernambuco, para reforçar a 
vigilância na Colônia. 
 
A elite agroexportadora fundou um partido político, o Partido Brasileiro, ao 
lado de periódicos como o Despertador Brasiliense e o Regulador Brasílico-Luso. Os 
comerciantes portugueses, concentrados no Nordeste e beneficiados pelo 
monopólio da Coroa, foram contrários à independência do Brasil. Com o apoio de 
alguns militares do Reino, eles fundaram o Partido Português. Já a classe média que 
havia se formado no Rio de Janeiro, composta por funcionários públicos, 
profissionais liberais, militares e padres, assumiu uma posição mais radical em favor 
da independência. 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
13 
 
 
 
 
Embora com ideias diferentes, o Partido Brasileiro e os liberais radicais se 
uniram na luta pela independência. Por sua vez, as Cortes de Lisboa, em sua 
tentativa de recolonizar o Brasil, passaram a exigir mais insistentemente o retorno de 
dom Pedro a Portugal. Preocupados com essa exigência, os dois grupos políticos, 
organizaram um grande abaixo assinado, pedindo ao príncipe regente que ele não 
abandonasse o Brasil. 
 
No dia 9 de janeiro de 1822, após receber o documento com as assinaturas 
pedindo a sua permanência no Brasil, dom Pedro tomou a decisão de ficar. „Como é 
para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que 
fico”, declarou o príncipe regente ao grupo de pessoas que lhe foi entregar o abaixo- 
assinado. 
 
Esse fato ficou conhecido como o dia do fico. A decisão de dom Pedro de 
desobedecer as Cortes Portuguesas foi o início do rompimento das relações do 
governo brasileiro com o governo português. A partir daí os acontecimentos se 
precipitaram e o Brasil caminhou rapidamente para sua independência. 
 
As cortes portuguesas consideravam ilegal o governo de dom Pedro e 
ameaçaram enviar tropas ao Brasil, caso seu retorno à Europa fosse mais uma vez 
adiado. Quando a decisão de Portugal chegou no Brasil, José Bonifácio, enviou-lhe 
as mensagens vindas de Portugal. Dom Pedro as recebeu no dia 7 de setembro de 
1822, às margens do riacho do Ipiranga. Junto a correspondência estava uma carta 
de seu ministro,aconselhando-o a tomar uma atitude imediata. Ali mesmo, às 
margens do riacho e na presença de uma pequena comitiva, dom Pedro declarou a 
independência do Brasil. Chegavam ao fim mais de trezentos anos de domínio 
colonial. 
 
O PRIMEIRO REINADO 
 
Período inicial do Império, estende-se da Independência do Brasil, em 1822, 
até a abdicação de Dom Pedro I, em 1831. Aclamado primeiro imperador do país a 
12 de outubro de 1822, Dom Pedro I enfrenta a resistência de tropas portuguesas. 
 
Ao vencê-las, em meados do ano seguinte, consolida sua liderança. 
Seu primeiro ato político importante é a convocação da Assembleia Constituinte, 
eleita no início de 1823. É também seu primeiro fracasso: devido a uma forte 
divergência entre os deputados brasileiros e o soberano, que exigia um poder 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
14 
 
 
 
 
pessoal superior ao do Legislativo e do Judiciário, a Assembleia é dissolvida em 
novembro. A Constituição é outorgada pelo imperador em 1824. Contra essa 
decisão rebelam-se algumas províncias do Nordeste, lideradas por Pernambuco. A 
revolta, conhecida pelo nome de Confederação do Equador, é severamente 
reprimida pelas tropas imperiais. 
 
Embora a Constituição de 1824 determine que o regime vigente no país seja 
liberal, o governo é autoritário. Frequentemente, Dom Pedro impõe sua vontade aos 
políticos. Esse impasse constante gera um crescente conflito com os liberais, que 
passam a vê-lo cada vez mais como um governante autoritário. Preocupa também o 
seu excessivo envolvimento com a política interna portuguesa. Os problemas de 
Dom Pedro I agravam-se a partir de 1825, com a entrada e a derrota do Brasil na 
Guerra da Cisplatina. A perda da província da Cisplatina e a independência do 
Uruguai, em 1828, além das dificuldades econômicas, levam boa parte da opinião 
pública a reagir contra as medidas personalistas do imperador. 
 
Sucessão em Portugal 
 
Além disso, após a morte de seu pai Dom João VI , em 1826, Dom Pedro 
envolve-se cada vez mais na questão sucessória em Portugal. Do ponto de vista 
português, ele continua herdeiro da Coroa. Para os brasileiros, o imperador não tem 
mais vínculos com a antiga colônia, porque, ao proclamar a Independência, havia 
renunciado à herança lusitana. Depois de muita discussão, formaliza essa renúncia 
e abre mão do trono de Portugal em favor de sua filha Maria da Glória. 
 
Ainda assim, a questão passa a ser uma das grandes bandeiras da oposição 
liberal brasileira. Nos últimos anos da década de 1820, esta oposição cresce. O 
governante procura apoio nos setores portugueses instalados na burocracia civil- 
militar e no comércio das principais cidades do país. Incidentes políticos graves, 
como o assassinato do jornalista oposicionista Líbero Badaró em São Paulo, em 
1830, reforçam esse afastamento: esse crime é cometido a mando de policiais 
ligados ao governo imperial e Dom Pedro é responsabilizado pela morte. 
 
Sua última tentativa de recuperar prestígio político é frustrada pela má 
recepção que teve durante uma visita a Minas Gerais na virada de 1830 para 1831. 
A intenção era costurar um acordo com os políticos da província, mas é recebido 
com frieza. Alguns setores da elite mineira fazem questão de ligá-lo ao assassinato 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
15 
 
 
 
 
do jornalista. Revoltados, os portugueses instalados no Rio de Janeiro promovem 
uma manifestação pública em desagravo ao imperador. Isso desencadeia uma 
retaliação dos setores antilusitanos. Há tumultos e conflitos de rua na cidade. Dom 
Pedro fica irado e promete castigos. Mas não consegue sustentação política e é 
aconselhado por seus ministros a renunciar ao trono brasileiro. Ele abdica em 7 de 
abril de 1831 e retorna a Portugal. 
 
 
 
A CABANAGEM 
 
O isolamento da província do Pará levava-a a ignorar, na prática, as 
determinações do governo regencial. No final de 1833, o governo nomeou o político 
Bernardo Lobo de Souza presidente do Pará. 
 
Lobo de Souza valeu-se da repressão para impor sua autoridade na 
província, o que fez crescer contra si a oposição local. Líderes como o padre João 
Batista Gonçalves Santos, o fazendeiro Félix Antônio Clemente Malcher e os irmãos 
Vinagre - Francisco Pedro, Manuel e Antônio - armaram uma conspiração contra o 
governador. 
 
Em janeiro de 1835, o governador foi assassinado. Os rebeldes ocuparam a 
cidade de Belém e formaram um governo revolucionário presidido por Malcher, que 
defendia a criação, no Pará, de uma república separatista. Entretanto, o novo 
governador mantinha estreita relações com outros proprietários locais e decidiu 
permanecer fiel ao Império. Por isso, o movimento radicalizou-se. Líderes populares, 
como Antônio Vinagre e Eduardo Angelim, refugiaram-se no interior da província, em 
busca do apoio das populações indígenas e mestiças. Foram então as pessoas 
pobres, que moravam em cabanas, que assumiram a luta pela independência do 
Pará. 
 
Em agosto de 1835, os cabanos voltaram a ocupar Belém e criaram um 
governo republicano, desligado do restante do Brasil. 
 
Mas o isolamento da província e uma epidemia de bexiga enfraqueceram os 
revoltosos, que não tiveram condições de resistir à esquadra imperial que, em pouco 
tempo, dominou o porto de Belém. Enquanto a cidade era saqueada e incendiada, 
tropas do governo, auxiliadas pelos grandes proprietários locais, percorriam os 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
16 
 
 
 
 
vilarejos do interior à cata de rebeldes. Ao cabo de cinco anos de guerrilhas, mais de 
 
30% da população paraense - estimada na época de cem mil habitantes - foi 
dizimada. 
 
 
 
A GUERRA DOS FARRAPOS 
 
Desde o final do século XVIII, a criação de gado era a base da economia do 
Rio Grande do Sul. O charque - carne salgada - era consumido em todo o país e o 
couro dos animais, exportado para a Europa. Os estancieiros gaúchos sofriam, 
porém, a concorrência dos países platinos - Argentina e Uruguai - que, produzindo 
carne com mão de obra livre, a vendiam por preços mais baixos. 
 
O governo do Rio de Janeiro hesitava em adotar medidas protecionistas a 
favor dos criadores brasileiros, o que levou alguns jornais, como O Constitucional 
Rio-grandense, a defender ideias separatistas. Em 1834, a aprovação de um novo 
aumento de impostos para a província gaúcha determinou o início da rebelião. 
 
No dia 20 de setembro de 1835, os estancieiros, liderados pelo coronel 
Bento Gonçalves, depuseram o presidente nomeado pelo governo central, ocuparam 
Porto Alegre e proclamaram a República Rio-Grandense. Bento Gonçalves foi preso 
pelas forças imperiais e enviado para Salvador. Mas conseguiu fugir da prisão e 
retornou a sua província natal, onde assumiu a presidência em 1837. 
 
A luta federalista prosseguiu, incorporando os peões das fazendas, escravos 
e homens livres, fiéis a seus patrões. Liderados pelo italiano Giuseppe Garibaldi - 
um revolucionário que havia sido exilado de seu país -, os rebeldes atacaram Santa 
Catarina, em 1839, e proclamaram a República Juliana. O nome deveu-se ao fato de 
a república ter sido proclamada no mês de julho. 
 
 
 
O SEGUNDO REINADO 
 
No Segundo Reinado, a República decretou sua própria Constituição. A 
justificativapara a separação foi a “prepotência imperial”. A pacificação do Rio 
Grande só começou a se tornar possível em 1842, quando o barão de Caxias, Luís 
Alves de Lima e Silva, assumiu a presidência do Rio Grande do Sul e empenhou-se 
em negociar com os estancieiros. O acordo de paz foi assinado em 1845, garantindo 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
17 
 
 
 
 
liberdade aos escravos que participaram das lutas, assim como a devolução das 
terras confiscadas aos fazendeiros gaúchos. 
 
 
 
A GUERRA DO PARAGUAI 
 
O Paraguai no século XIX era um país que destoava do conjunto latino- 
americano por ter alcançado um certo progresso econômico autônomo, a partir da 
independência em 1811. Durante os longos governos de José Francía (1811-1840) e 
Carlos López (1840-1862), o analfabetismo havia diminuído significativamente no 
país e haviam surgido fábricas - inclusive de armas e pólvora -, indústrias 
siderúrgicas, estradas de ferro e um eficiente sistema de telégrafo. As “estâncias da 
pátria” (unidades econômicas formadas por terras e instrumentos de trabalho 
distribuídos pelo Estado aos camponeses, desde o governo Francia) abasteciam o 
consumo nacional de produtos agrícolas e garantiam à população emprego e 
invejável padrão alimentar. 
 
Nesse quadro de relativo sucesso socioeconômico e de autonomia 
internacional, Solano López, cujo governo iniciou-se em 1862, enfatizou a política 
militar-expansionista, a fim de ampliar o território paraguaio. Pretendia criar o 
“Paraguai Maior”, anexando, para isso, regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil 
(como Rio Grande do Sul e Mato Grosso). Obteria, dessa forma, acesso ao 
Atlântico, tido como imprescindível para a continuação do progresso econômico do 
país. 
 
Usando como pretexto a intervenção brasileira no Uruguai e contando com 
um exército bem mais numeroso que o do oponente brasileiro, Solano López tomou 
a ofensiva ao romper relações diplomáticas com o Brasil, em 1864. Logo depois, 
como medida complementar, ordenou o aprisionamento do navio brasileiro Marquês 
de Olinda, no rio Paraguai, retendo, entre seus passageiros e tripulantes, o 
presidente da província do Mato Grosso, Carneiro de Campos. A resposta brasileira 
foi a imediata declaração de guerra ao Paraguai. 
 
Em 1865, mantendo-se na ofensiva, o Paraguai havia invadido o Mato 
Grosso e o Norte da Argentina, e os governos do Brasil, Argentina e Uruguai criaram 
a Tríplice Aliança contra Solano López. Apesar de as primeiras vitórias da guerra 
terem sido paraguaias, o país não pôde resistir a uma guerra prolongada. A 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
18 
 
 
 
 
população paraguaia era muito menor que a dos países da Tríplice Aliança e, por 
maior que fosse a competência do exército paraguaio, a ocupação militar dos 
territórios desses países era fisicamente impossível, enquanto o pequeno Paraguai 
podia ser facilmente ocupado pelas tropas da Aliança. 
 
Com o fim da Guerra do Paraguai, começaram a nascer os ideais 
republicanos, que mobilizaram a opinião pública. 
 
Ao movimento abolicionista anexaram-se a propaganda republicana e as 
inquietações do setor militar, fortalecido pelo êxito na guerra. 
 
O Manifesto Republicano, lançado no Rio de Janeiro no final de 1870, 
defendia um regime presidencialista, representativo e descentralizado. 
 
As campanhas republicana e abolicionista caminharam paralelamente, e a 
abolição representou um golpe fatal para o Império, que perdeu o apoio dos 
escravocratas. 
 
Uma conspiração entre as camadas urbanas, os fazendeiros paulistas e o 
exército desembocou no golpe militar que proclamou a República em 15 de 
novembro de 1899. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
19 
 
 
 
 
4 REPÚBLICA 
 
 
 
 
Segundo Schilling (2010) de certa forma a Proclamação da República em 15 
de novembro de 1889 foi a nossa Revolução Francesa que tardou cem anos a 
chegar. 
 
Foi com a República que implantou-se o Federalismo, o sistema 
Presidencialista, a independência dos Poderes, bem como a separação do Estada 
da Igreja. Terminou-se com a hierarquia baseada no nascimento e na tradição de 
família substituindo-a pela forma republicana e democrática baseada no talento 
pessoal e no mérito. 
 
Ela foi obra de militares e de um escasso grupo de civis do Partido 
 
Republicano, fundado em 1873. 
 
Quando a República foi proclamada pelos militares em 15 de novembro, os 
civis republicanos eram uma escassa minoria espalhada pelo país. Na verdade eram 
ilhas minúsculas cercadas pelos partidários da monarquia por todos os lados. Mas 
os esforçados e coesos republicanos exploraram bem os constantes atritos que o 
exército passou a ter com os governos imperiais. 
 
Dado a sua pouca representatividade eles perceberam que dificilmente a 
monarquia seria destituída sem o socorro das armas do Exército. Assim a imprensa 
republicana passou a vigiar cada manifestação dos oficiais bem como colocou suas 
páginas para que eles dessem vazão a sua insatisfação. No Rio Grande do Sul, por 
exemplo, o jornal republicano “A Federação” dirigido por Júlio de Castilhos não 
media esforços para abrir mais e mais as brechas abertas entre os oficiais e o 
Imperador. Inclusive foi num sítio de propriedade de Júlio de Castilhos onde, vários 
meses antes da proclamação republicana, adotou-se a tática de estimular os 
militares ao golpe. 
 
Tornado presidente provisório, o Marechal Deodoro tratou de marcar 
eleições para a formação de uma Assembleia Constituinte. Em 1891 ela aprovou a 
primeira Carta republicana da nossa história. Fixou-se o regime presidencialista com 
mando de 4 anos, a criação de uma Suprema Corte para arbitrar os conflitos 
constitucionais e deu-se grande autonomia política aos Estados e Municípios como 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
20 
 
 
 
 
determinava o federalismo norte-americano. No seu afã de americanizar o Brasil, os 
constituintes chegaram a mudar o nome do Brasil para Estados Unidos do Brasil. E, 
inspirados pelo positivismo francês adotaram na nossa bandeira o lema favorito de 
Auguste Comte “Ordem e Progresso” como um ideal a ser seguido. O recado estava 
claro, Progresso sim, mas com o controle das Forças Armadas. 
 
Durante a presidência do paulista Campos Sales, entre 1898-1902, 
introduziu-se a chamada “verificação dos poderes”. O Sistema eleitoral brasileiro 
tornava-se um rígido código de compromissos onde o “curral eleitoral”, fonte teórica 
de legitimidade, votava no candidato do coronel local, este por sua vez 
comprometia-se a dar apoio ao governador, uma espécie de supercoronel. O 
governador, ou presidente do Estado, como era então denominado, por sua vez, 
apoiava o Presidente da República, que se tornava assim uma espécie de patriarca 
do sistema coronelístico. Era praticamente impossível a oposição vencer eleições. 
Assim o princípio republicano da rotatividade das elites políticasestava impedido de 
realizar-se, por toda a parte os mesmos grupos políticos controlavam todas as 
instâncias do Poder. 
 
O tenentismo e a revolução de 1930 
 
O movimento tenentista foi a primeira contestação aberta à República 
Oligárquica. Jovens oficiais do Exército terminaram por liderar várias rebeliões a 
partir de 1922, formando um clima propício para o desenlace do regime em 1930. 
 
Começando com a Revolta do Forte de Copacabana em 1922, seguindo-se 
pela revolta paulista em 1924, chamada de revolta de Isidoro (devido seu 
comandante chamar-se General Isidoro) passando pela grande feito de armas que 
foi a Coluna Prestes, entre 1924-26, culminando com o levante armado de outubro 
de 1930. 
 
Estes jovens oficiais mostravam seu inconformismo com a situação política e 
social do Brasil e desejavam afastar as oligarquias do comando da Nação. Só 
conseguiram sucesso, no entanto, por dois fatores: a crise econômica de 1929 que 
afetou o poder da oligarquia paulista e a rebelião das oligarquias periféricas; a do 
Rio Grande do Sul comandada por Getúlio Vargas e a da Paraíba liderada por João 
Pessoa. Aliados a Getúlio Vargas os tenentes tiveram por um momento no topo do 
poder. 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
21 
 
 
 
 
Para falar sobre a Era Vargas é preciso voltar alguns anos e alguns 
acontecimentos no tempo, pois como se verá adiante, as crises da república velha, a 
quebra da aliança São Paulo – Minas Gerais, mais conhecida como política do café 
com leite e outras revoltas levaram aos acontecimentos que mudariam e marcariam 
para sempre o Brasil dos dias atuais. 
 
Este período do fim da República Velha, compreendido entre 1889 e 1930 é 
riquíssimo em acontecimentos importante. Época difícil de se estudar visto ser 
grande o número de revoltas e rebeliões ocorridas e todas elas com muitos detalhes. 
 
Tentar-se-á descrever os fatos mais relevantes para entender como 
aconteceu e o que caracterizou a modernização conservadora de Vargas. 
 
Tudo começou com o advento da república, quando os estados passaram a 
escolher seus governadores e estes cargos foram entregues aos coronéis. Nesta 
fase, a política acontecia apenas para as elites, pois eram elas que votavam e se 
candidatavam. A população rural era manipulada pelos coronéis. O poder e a 
autonomia dos estados complementavam-se com a organização de forças militares 
próprias (ABRÚCIO, 1998; KOSHIBA E PEREIRA, 2004). 
 
O poderia de então, se concentrava nas mãos dos governadores de São 
Paulo e Minas Gerais, ou seja, havia um revezamento do poder nacional por estes 
dois estados. São Paulo era o estado mais poderoso economicamente, 
principalmente devido à produção de café e Minas Gerais, maior polo eleitoral do 
país da época e produtor de leite, daí a denominação política do café com leite. 
 
As oligarquias dominantes da época, ligadas ao setor agroexportador 
visavam em primeiro plano, garantir a cooperação dos credores estrangeiros, 
comprometendo-se o novo regime a pagar dívidas contraídas com eles por 
cafeicultores brasileiros. O conhecido acordo da dívida externa – funding loan – foi 
pago às custas de aumento de impostos, paralisação de obras públicas e abandono 
da ideia de incentivo à indústria nacional. A participação de Minas se deu pelo 
grande número de deputados na assembleia e então, os dois estados se alternavam 
no poder (ABRÚCIO, 1998). 
 
A política do café com leite, que teve início com o governo de Campos Sales 
na década de 1890, só terminou oficialmente com a Revolução de 1930 quando 
Getúlio Vargas assumiu o governo do Brasil. 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
22 
 
 
 
 
Segundo Koshiba e Pereira (2004), a política mostrou alguns sinais de 
fraqueza já no decorrer da República Velha, como, por exemplo, quando da eleição 
do gaúcho Hermes da Fonseca e do paraibano Epitácio Pessoa – ainda que sendo, 
ao final, concessões das oligarquias paulista e mineira. 
 
Dentre as revoltas ocorridas no período da República Velha, tem-se 
Canudos e Contestado, a Revolta da Vacina e Revolta da Chibata, a Primeira 
Guerra Mundial, a primeira crise do café e por fim, a crise de 1929. 
 
Já dentre os antecedentes da revolução de 1930, tem-se o movimento 
conhecido como Tenentismo, que pode ser assim definido: 
 
Para suceder Epitácio Pessoa, SP e MG escolheram Artur Bernardes 
(mineiro). Contra essa articulação política uniram-se RS, BA, Pernambuco e RJ, 
formando assim a “Reação Republicana” que apresentou Nilo Peçanha como 
candidato. Em 1922, Artur Bernardes foi eleito. Foi então que jovens oficiais do Forte 
de Copacabana rebelaram-se com o apoio do RJ e do Mato Grosso. A rebelião 
fracassou, mas os jovens abandonaram o forte e marcharam pela praia de 
Copacabana para enfrentar as forças legalistas. Só sobreviveram 2 tenentes. Este 
episódio ficou conhecido como “os 18 do forte” e originou o tenentismo. 
 
O Governo de Artur Bernardes foi marcado por uma grande e contínua 
instabilidade política. No RS estourou uma guerra civil liderada pela aliança 
libertadora. Em 1924, em SP e no RS eclodiram levantes militares (continuação dos 
18 do forte em maior escala). No RS a revolta teve apoio da Aliança libertadora. Os 
tenentes revoltosos dirigiram-se para o norte de Santa Catarina. Em SP os rebeldes 
dirigiram-se para o sul onde uniram-se com os gaúchos. A união desses grupos em 
1925 formou a Coluna Prestes, com o fim do mandato de Artur Bernardes a Coluna 
 
Prestes acabou (1926) (KOSHIBA E PEREIRA, 2004). 
 
Enfim, chegou-se à revolução de 1930. 
 
A política do café com leite foi quebrada quando o então presidente paulista 
Washington Luís apoiou a candidatura do também paulista Júlio Prestes, o que 
desagradou a elite mineira, que se aliou à elite do Rio Grande do Sul, sendo um dos 
principais motivos para que o gaúcho Getúlio Vargas viesse a assumir a presidência. 
Dessa forma, com o fim do mandato de Artur Bernardes, o último presidente 
“oficialmente” eleito nos moldes dessa política foi Washington Luís, que não fez 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
23 
 
 
 
 
nada de diferente de seu antecessor. Um ano após sua posse (1927), as agitações 
voltaram às ruas. Como reação, o governo criou a lei repressiva “Celerada”. A 
imprensa foi censurada e restringiu-se o direito de reunião. No final do mandato de 
Washington Luiz todos os vícios herdados pela república oligárquica conduziram a 
uma só solução: a Revolução de 30, que pôs fim à República Velha. 
 
Enfim, a impossibilidade de se manter a política de valorização do café foi 
um dos motivos para a Revolução de 30. 
 
Minas e RS para firmar o nome de seus candidatos fizeram uma campanha 
pregando uma reforma política: voto secreto, anistia política, criação das leis 
trabalhistas, o que levou a Aliança Libertadora a sensibilizar a massa urbana, 
ganhando também, o apoio dos tenentes. Júlio Prestes foi eleito. O vice de Getúlio, 
João Pessoa é assassinado. Os aliancistas fizeram um levante armado contra a 
oligarquia paulista. Washington Luiz não tinha como resistir às tropas do sul. Foi 
deposto e formou-se um governo provisório liderado por Getúlio Vargas. Terminou 
assim a República Velha. 
 
Getúlio Dorneles Vargas nasceu em 19 de abril de 1882, no interiordo Rio 
Grande do Sul, no município de São Borja. Filho de uma família tradicional gaúcha 
da zona rural e de fronteira: os pampas. 
 
Tentou a carreira militar, tornando-se em 1898, soldado na guarnição de seu 
município, indo a seguir para a Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo, mas 
não permaneceu muito tempo. Juntando sua passagem pelo exército e o fato de seu 
pai haver lutado na guerra do Paraguai, faziam-no entender os problemas das forças 
armadas e seu empenho em modernizá-las quando chegou ao governo. 
 
Formou-se em direito, trabalhando inicialmente como promotor junto ao 
fórum de Porto Alegre, indo posteriormente para sua cidade natal, exercer a 
advocacia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
24 
 
 
 
 
Sua orientação filosófica, como muitos de seu Estado e sua época, foi 
partidária do positivismo1 e pelo castilhismo2. 
 
Em 1909 elegeu-se deputado estadual, reeleito em 1913. Renunciou pouco 
tempo depois, em protesto às atitudes tomadas pelo então presidente (cargo hoje 
intitulado governador) do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, retornando à 
Assembléia legislativa estadual em 1917, sendo reeleito em 1921. 
 
Quando se preparava para combater, a favor do governo do estado do RS, 
na revolução de 1923, no interior de seu estado, foi chamado para concorrer a uma 
vaga de deputado federal pelo Partido Republicano Rio-grandense (PRR). Foi eleito, 
tornando-se líder da bancada gaúcha, na Câmara dos Deputados, no Rio de 
Janeiro. 
 
Assumiu o ministério da Fazenda (1926-1927) durante o governo de 
Washington Luís. Deixou o cargo de para candidatar-se e vencer as eleições para 
presidente do RS para o mandato de 1928 a 1933. Sua eleição colocava fim aos 
trinta anos de governo de Borges de Medeiros no RS. assumiu o governo do RS em 
janeiro de 1928, exercendo o mandato até outubro de 1930. 
 
Durante esse mandato, quando se lançou candidato à presidência da 
República, iniciou um forte movimento de oposição ao governo federal, exigindo o 
fim da corrupção eleitoral, a adoção do voto secreto e do voto feminino. 
 
Getúlio, porém, manteve bom relacionamento com o presidente Washington 
Luís, obtendo verbas federais para o Rio Grande do Sul. Criou o Banco do Estado 
do Rio Grande do Sul e apoiou a criação da VARIG (Viação Aérea Rio Grandense). 
Quando Presidente de seu estado, começou a se destacar como conciliador, 
conseguindo unir os partidos políticos do Rio Grande do Sul, o PRR e o Partido 
Libertador, antes profundamente divididos (JORGE, 1986). 
 
 
 
 
1 
É uma corrente sociologica cujo precursor foi o francês Augusto Comte (1789-1857). Surgiu como 
desenvolvimento sociológico do Iluminismo, caracterizando-se como afirmação social das ciências 
experimentais. Propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando 
radicalmente teologia ou metafísica.Assim, o Positivismo - na versão comteana, pelo menos - associa 
uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana, 
desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte (WIKIPEDIA, 2007). 
 
2 
Era uma corrente de forte cunho conservador, ao mesmo tempo em que apostava na modernização 
econômica, por ter na burguesia industrial e urbana suas bases de apoio (WIKIPEDIA, 2007). 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
25 
 
 
 
 
As doutrinas antiliberais 
 
Antes de falar as doutrinas antiliberais de Vargas, a título de lembrança, 
estão enumerados abaixo os acontecimentos que culminaram com a revolução de 
1930: 
 
As eleições correm tranquilamente, Júlio Prestes vence com mais de um 
milhão de votos e Vargas fica com apenas 742 mil votos; no RS, porém, ficou com 
100% dos votos; 
 
Ocorrem denúncias de fraudes, o que era normal na República Velha; 
 
João Pessoa é assassinado na Paraíba o que deflagrou a mobilização 
armada dos partidários de Getúlio; 
 
A revolução começa no dia 03 de outubro por Porto Alegre, passando pelos 
estados de Santa Catarina e Paraná. Os generais Tasso Fragoso e Menna Barreto e 
o Almirante Isaías de Noronha depuseram Washington Luís através de um golpe 
militar e formaram uma Junta Militar Provisória que governaria o Brasil até a 
chegada de Getúlio ao Rio de Janeiro. 
 
Segundo Koshiba e Pereira (2004) após a Revolução de 1930, com a 
instituição do governo provisório, chefiado por Vargas, teve início a centralização do 
poder político. O congresso liberal foi dissolvido, juntamente com as casas 
legislativas estaduais e municipais. O governo provisório, não conseguiu solucionar 
os conflitos, pois Vargas não atendeu às reivindicações dos tenentes nem das 
oligarquias tradicionais. 
 
Entretanto, cumpriu as principais promessas da revolução de 30: 
 
Anistiou os revolucionários dos anos 1920 (Levante do Forte de Copacabana 
de 1922, Revolução de 1924 e da Coluna Prestes) 
 
Criou o voto secreto e o voto feminino, o Código Eleitoral e a Justiça Eleitoral, 
o que fez diminuir muito a fraude eleitoral. 
 
Ampliou os direitos trabalhistas, formalizando-os pela CLT, instituída mais 
tarde em 1943. 
 
Criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (1930) e o Ministério da 
 
Educação e Saúde (JORGE, 1986). 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
26 
 
 
 
 
Getúlio mandou publicar em 1932 o novo código eleitoral e o anteprojeto da 
constituição marcando para 1933 as eleições para a assembleia constituinte. 
 
As eleições da Assembleia Constituinte ocorreram e a terceira constituição 
brasileira foi decidida; manteve-se a república federalista, presidencialista e com 
independência entre os três poderes. Fixou-se que a primeira eleição em caráter 
excepcional seria realizada pelo voto indireto da Assembleia. Getúlio foi confirmado 
como presidente. 
 
Uma inovação foi o mandato de segurança que permitia ao cidadão 
proteger-se contra qualquer ato arbitrário de qualquer autoridade (KOSHIBA E 
PEREIRA, 2004). 
 
 
 
A Revolução Constitucionalista de 1932 
 
Uma das primeiras e mais importantes reações contra a nova ordem política 
instaurada pela revolução de 1930 foi o movimento Constitucionalista de 1932, 
ocorrido em São Paulo. Com esse movimento, as elites paulistas, que tinham sido 
as maiores beneficiárias do sistema vigente na Primeira República, tentaram retomar 
o controle político que haviam perdido com a Revolução de 1930. 
 
Os paulistas nunca chegaram a aceitar a nomeação de interventores para o 
governo do estado. Estes encontraram sempre forte oposição política. Inicialmente, 
São Paulo reivindicava a nomeação de um interventor que não fosse militar e que 
tivesse nascido em São Paulo. Isso levou o presidente Vargas a nomear para o 
cargo Pedro de Toledo, civil e paulista como desejavam os políticos de São Paulo. 
 
A nomeação de Pedro de Toledo, porém, não diminuiu o descontentamento 
dos paulistas com o governo da República porque alguns auxiliares do novo 
interventor eram figuras impopulares. 
 
Em resumo, os conspiradores de São Paulo pretendiam reconquistar o 
poder que haviam perdido com a revolução anterior. 
 
O movimento revolucionário de 1932 despertou o sentimento patriótico da 
maior parte da população do Estado. Mesmo em outros Estados, era grande o 
número de simpatizantesà causa da revolução paulista. Não foram apenas 
elementos das elites paulistas que tomaram parte da revolução Constitucionalista de 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
27 
 
 
 
 
1932. Entre os voluntários que se apresentaram para a luta e morreram pela causa 
de São Paulo, encontramos, ao lado de estudantes, engenheiros, advogados e 
médicos, elementos que pertenciam às camadas mais humildes da população: 
lavradores, operários, ferroviários, motoristas, etc. 
 
Os revolucionários paulistas deram início à revolta em 9 de julho de 1932, 
esperando que Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul aderissem 
imediatamente ao movimento. Apenas a região sul de Mato Grosso acompanhou 
São Paulo na revolução. 
 
Os revolucionários paulistas foram derrotados, contudo, mais tarde, 
conseguiram a concretização de um dos objetivos de sua luta. Em 3 de maio de 
1933, foi realizada a eleição para a escolha dos membros da Assembleia 
 
Constituinte, que elaborou a Constituição de 1934 (ARRUDA E PILETTI, 1997). 
 
 
 
 
A Aliança Nacional Libertadora e a Intentona Comunista 
 
O partido comunista brasileiro resolveu aglutinar aqueles que por alguma 
razão eram contrários ao fascismo. A formação dessa frente teve o nome de 
“Aliança Nacional Libertadora” – ANL, que tinha como presidente Luiz Carlos 
Prestes. Esta frente cresceu muito, despertando o receio das classes dirigentes. 
 
Vargas, por meio de intervenções policiais invadiu as sedes da ANL e 
mandou prender seus líderes. Deixando a mesma na clandestinidade. Devido à 
repressão policial o PCB optou em fazer a Intentona Comunista. A rebelião eclodiu 
em um quartel em Natal onde foi rapidamente controlada. Depois em Recife onde foi 
facilmente reprimida e depois no Rio de Janeiro. 
 
A ANL foi uma frente única dos partidos de esquerda, dos sindicatos, certa 
ala tenentista e parte da classe média fundida com o operariado. Seu presidente de 
honra era Luiz Carlos Prestes, conhecido como o Cavaleiro da esperança, prestes 
fora importante líder do tenentismo na década de 20 e havia aderido ao comunismo 
(POMAR, 2004, p. 15). 
 
No Programa da ANL constava a suspensão do pagamento da dívida 
externa, a nacionalização de empresas estrangeiras, a realização de reforma 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
28 
 
 
 
 
agrária, a defesa das liberdades públicas e a instalação de um governo popular e 
democrático. 
 
Em poucos meses a ANL conseguiu reunir milhares de adeptos em todo o 
Brasil. Entre suas atividades, pode-se destacar a direção de movimentos grevistas e 
a organização de manifestações públicas, que reivindicavam, entre outras coisas, 
jornadas de trabalho de oito horas, aposentadoria, salário mínimo. 
 
A propagação das ideias da ANL entre oficiais de baixa graduação e 
sargentos do exército, da Marinha e da Força Aérea teve como resultado um 
movimento de revolta contra o governo, em 1935. A intentona Comunista, como 
ficou conhecido o movimento, ocorreu quase que simultaneamente em várias 
capitais de estado. Os líderes da revolta foram Luís Carlos Prestes e Astrogildo 
Pereira. 
 
Em Natal, o movimento teve início em 23 de novembro; no recife, dia 25; e 
no Rio de janeiro, dia 27. Em todas essas capitais as revoltas foram rapidamente 
vencidas pelas forças leais ao governo. O golpe comunista não foi bem coordenado, 
o que facilitou a ação repressiva das forças governamentais. 
 
A intentona Comunista resultou em prisões em massa realizadas por ordem 
do governo, bem como na tortura e na morte de muitos participantes da revolta. 
 
Depois do movimento de 1935, o governo Getúlio Vargas organizou uma 
violenta campanha de repressão ao comunismo. Em 1937, a ameaça esquerdista foi 
usada pelo presciente como pretexto para o golpe de estado que marcou o início do 
estado Novo (ARRUDA E PILETTI, 1997). 
 
 
 
O Estado Novo (1937-1945) 
 
Segundo Coulon e Pedro (1995, p. 5) o Estado Novo foi apoiado pelas 
classes médias e por amplos setores das burguesias agrária e industrial. 
Rapidamente Vargas ampliou suas bases populares recorrendo à repressão e 
cooptação dos trabalhadores urbanos: intervindo nos sindicatos, sistematizando e 
ampliando a legislação trabalhista. Sua principal sustentação, porém, foram as 
Forças Armadas. Durante o Estado Novo foram reaparelhadas com modernos 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
29 
 
 
 
 
armamentos comprados no Exterior e começaram a intervir em setores considerados 
fundamentais para a segurança nacional, como a siderurgia e o petróleo. 
 
A burocracia estatal foi outro ponto de apoio: cresceu rapidamente a abriu 
empregos para a classe média. Em 1938, Vargas criou o Departamento 
Administrativo do Serviço Público (DASP), encarregado de unificar e racionalizar o 
aparelho burocrático e organizar concursos para recrutar novos funcionários 
(ALMANAQUE ABRIL, 1995) 
 
No entendimento de Arruda e Piletti (1997), o Estado Novo foi a versão 
brasileira atenuada do fascismo europeu, que será discutido adiante. Não se 
baseava no apoio popular ou de qualquer partido político. Alicerçava-se nas Forças 
Armadas e na polícia de Vargas, e era favorecido pela falta de capacidade de 
organização das correntes oposicionistas. 
 
Enquanto o fascismo, o nazismo e o comunismo possuíam uma sólida base 
ideológica, o Estado Novo caracterizava-se por ser filosófica e ideologicamente 
vazio. Foi apenas uma criação própria do engenho político de Getúlio Vargas, que 
se transformou no centro político do regime. 
 
Depois da Primeira Guerra Mundial surgiu na Itália o movimento fascista, 
inspirado e dirigido por Benito Mussolini. Na década de 30, movimento semelhante, 
o nazismo, apareceu na Alemanha sob a direção de Hitler. 
 
Movimentos fascistas surgiram ainda em Portugal, sob a direção de Antonio 
de Oliveira Salazar, e na Espanha, sob a direção do general Francisco Franco. 
 
Desde 1934, Getúlio Vargas tomou uma série de medidas com o objetivo de 
conseguir apoio das massas populares. No início da década de 30, a 
industrialização provocara o crescimento das massas trabalhadores nas cidades, 
principalmente em São Paulo. Atendendo às reivindicações dessas camadas da 
população urbana, o governo conseguiu a adesão das bases populares de que 
necessitava para manter-se forte. Essa política, de caráter populista, desenvolveu-se 
principalmente nos últimos anos do estado Novo, expressando-se no chamado 
queremismo (ARRUDA E PILETTI, 1997). 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
30 
 
 
 
 
No Brasil, esses regimes também tiveram repercussão, originando o 
integralismo, cujas bases foram estabelecidas pelo manifesto à Nação Brasileira, 
elaborado por Plínio Salgado, chefe desse movimento. 
 
A doutrina Integralista era uma versão brasileira do fascismo europeu, que 
se propagou no Brasil quando os fascistas e os nazistas conseguiam seus primeiros 
êxitos na Europa, no período anterior à segunda Guerra Mundial. O integralismo 
tinha como lema “Deus, Pátria e Família” e como símboloo sigma, letra do alfabeto 
grego. Seus seguidores usavam camisas verdes nas manifestações públicas que 
participavam, sendo com isso conhecidos como camisas-verdes. A “mística 
sentimental e superficial” do integralismo, que incluía saudações copiadas dos 
nazistas, conseguiu adeptos em alguns setores da classe média. Inicialmente, as 
classes mais elevadas encararam, o movimento com ironia, porém mais tarde iriam 
utilizá-lo contra o comunismo. O operariado, por sua vez, reagiu violentamente 
contra o integralismo. 
 
As manifestações públicas do integralismo consistiam em passeatas que 
reuniam multidões e chegaram a provocar incidentes, como os corridos em Bauru, 
Campos e Petrópolis, que resultaram na morte de muitas pessoas. 
 
Os integralistas foram os responsáveis indiretos pelo golpe de Estado de 
 
1937, que instaurou o Estado Novo no Brasil, Como pretexto para o golpe, o 
governo utilizou um documento falso, elaborado pelos integralistas, que denunciava 
um suposto plano de subversão comunista (o Plano Cohen que será analisado 
adiante). 
 
Mais tarde, o integralismo rompeu com Getúlio Vargas. Em 10 de maio de 
 
1938, ocorreu um golpe Integralista contra o governo que provocou grande número 
de mortes. As forças federais contiveram o movimento sem grande dificuldade. 
 
Resumindo, pode-se dizer que o governo federal utilizou o comunismo e o 
integralismo como pretexto para se impor ditatorialmente durante o Estado Novo 
(ARRUDA E PILETTI, 1997). 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
31 
 
 
 
 
Preparação e implantação do plano Cohen 
 
Para combater a Intentona Comunista, Getúlio declarou desnecessariamente 
Estado de Sítio. A campanha para a eleição começou e Vargas tentou mais uma vez 
declarar Estado de Sítio. O Congresso não autorizou e Getúlio forçou a situação 
dizendo que havia sido informado sobre o Plano Cohen. Este era um falso plano 
comunista elaborado por Vargas e seus homens. Diante da “Ameaça Vermelha” o 
governo pediu o Estado de Guerra e o Estado concedeu. Em 1937, Vargas 
argumentando a necessidade de por fim às agitações decretou o fechamento do 
Congresso e anunciou a nova constituição chamada de “Polaca”. Era o início do 
Estado Novo (KOSHIBA E PEREIRA, 2004). 
 
Em março de 1945, com o Estado Novo já em crise, o general Góes 
Monteiro denunciou a fraude produzida oito anos antes, isentando-se de qualquer 
culpa no caso. Segundo ele, o plano fora entregue ao Estado-Maior do Exército pelo 
capitão Olímpio Mourão Filho, então chefe do serviço secreto da Ação Integralista 
Brasileira (AIB). Mourão Filho, por sua vez, admitiu que elaborara o documento, 
afirmando porém tratar-se de uma simulação de insurreição comunista para ser 
utilizada estritamente no âmbito interno da AIB. Já o líder maior da AIB, Plínio 
Salgado, que participara ativamente dos preparativos do golpe de 1937 e que, 
inclusive, retirara sua candidatura presidencial para apoiar a decretação do Estado 
Novo, afirmaria mais tarde que não denunciou a fraude pelo receio de desmoralizar 
as Forças Armadas, única instituição, segundo ele, capaz de fazer frente à ameaça 
comunista (FGV, 2007). 
 
 
 
A nova Constituição de 1946 
 
A Assembleia Nacional Constituinte, nos regimes liberais-representativos, é 
um órgão de natureza especial. Trata-se de uma assembleia com poderes 
extraordinários que tem a função precípua de construir as bases jurídico-políticas do 
país. O trabalho constituinte consiste em definir princípios gerais e em torno deles 
estabelecer um conjunto orgânico de regras e instituições. A regulamentação desse 
conjunto legal, para a sua aplicação na vida cotidiana, fica em geral por conta dos 
órgãos legislativos ordinários (FREIRE, 2007). 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
32 
 
 
 
 
O trabalho constituinte, mesmo voltado para o futuro, está imerso nas 
circunstâncias políticas do presente. É exatamente por isso que cada resolução 
aprovada, cada detalhe colocado no texto constitucional, ainda que vago, genérico 
ou afirmativo, expressa os diversos pactos que se estabelecem entre as forças 
políticas ali representadas. 
 
A Constituinte de 1946, eleita em 2 de dezembro de 1945, iniciou seus 
trabalhos em 2 de fevereiro seguinte sob o impacto da derrota do nazi-fascismo na 
Europa e do fim do Estado Novo no Brasil. Não por acaso, durante os primeiros 
meses de discussão, de fevereiro a maio, promoveu-se um duro julgamento do 
regime anterior. Produziu-se, em suma, o que se denominou a "autópsia da 
ditadura". 
 
Outra marca distintiva da Constituinte de 1946 em comparação com as 
anteriores foi sua heterogeneidade político-ideológica. Dela participaram deputados 
e senadores eleitos na legenda de nove partidos, ou seja, representativos de todo o 
espectro político e donos de diferentes trajetórias políticas até aquele momento. No 
mesmo plenário estiveram presentes, incumbidos da elaboração da nova Carta, o 
ex-presidente Artur Bernardes, do Partido Republicano (PR), e Luis Carlos Prestes, 
do Partido Comunista do Brasil (PCB), que como líder tenentista fora perseguido 
ferozmente por Bernardes na década de 1920 (FREIRE, 2007). 
 
Unidas em torno de um projeto liberal-democrático, as forças predominantes 
na Constituinte, a saber, o Partido Social Democrático e a União Democrática 
Nacional, que juntos ocupavam cerca de 80% das cadeiras, produziram um texto 
preocupado fundamentalmente em delimitar o raio de ação dos poderes Executivo, 
Legislativo e Judiciário, para evitar uma nova experiência política baseada no poder 
discricionário do Executivo. 
 
O mandato presidencial foi fixado em cinco anos, e foi mantida a proibição 
da reeleição para cargos executivos. As atribuições do Congresso foram 
fortalecidas, principalmente as que diziam respeito à inspeção das ações do 
Executivo. Todas as medidas administrativas ou de política econômica do governo, 
mesmo as de curto prazo, deveriam receber a autorização do Congresso. Foi 
restaurado o princípio federalista, estabelecendo-se a divisão de atribuições entre a 
União, os estados e os municípios. 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
33 
 
 
 
 
No que se refere ao voto, a nova Constituição extinguiu a bancada 
profissional, presente na Carta de 1934, e ampliou a obrigatoriedade do voto 
feminino, antes restrita às mulheres que exercessem cargo público remunerado. 
 
No plano social, a Constituinte optou por uma postura conservadora. No 
tocante ao direito de greve, aprovou um texto genérico que reconhecia o direito, mas 
deixava para o Congresso uma futura regulamentação, que terminou por não vir. 
Além disso, manteve dois fundamentos da estrutura corporativista advinda do 
regime anterior: o imposto sindical, passaporte para o aparecimento e a manutenção 
dos sindicatos controlados pelos "pelegos", e a possibilidade de o Estado intervir na 
vida sindical (FREIRE, 2007). 
 
 
 
Política externa do Estado Novo 
 
Dois anos depois de instalada a ditadura Vargas começou a Segunda 
Guerra Mundial. Apesar das afinidades do Estado Novo com o fascismo, o Brasil se 
mantém neutro nos três primeiros anos da guerra. Vargas aproveita-se das 
vantagens oferecidas pelas potências antagônicas e, sem romper relações 
diplomáticas com os países do Eixo– Alemanha, Itália, Japão –, conseguiu, por 
exemplo, que os Estados Unidos financiem a siderúrgica de Volta Redonda. 
 
Após o ataque japonês à base de Pearl Harbour, no Havaí, as pressões para 
Vargas romper com o eixo, aumentaram e em 1942 Vargas permitiu que os EUA 
usassem as bases militares de Belém, Natal, Salvador e Recife. Como retaliação, 
forças do Eixo atacaram navios mercantes brasileiros ao longo da costa. Nos dias 18 
e 19 de agosto de 1942, cinco deles – Araraquara, Baependi, Aníbal Benévolo, 
Itagiba e Arará – foram torpedeados por submarinos alemães. Morrem 652 pessoas 
e Vargas declarou guerra contra a Alemanha e a Itália (ALMANAQUE ABRIL, 1995). 
 
Segundo Pinheiro (2007), uma das principais marcas da política externa 
brasileira no primeiro governo Vargas (1930-1945) foi a negociação do alinhamento 
com os Estados Unidos. Como uma decorrência do próprio processo de negociação, 
no fim já não havia mais o que barganhar com Washington em favor dos interesses 
do país. O cenário do pós-guerra, com a Europa em ruínas, com os Estados Unidos 
na condição de única potência política, militar e econômica do Ocidente, e com a 
inversão da aliança entre Washington e Moscou que resultou na Guerra Fria, 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
34 
 
 
 
 
estreitou ainda mais o espaço de manobra internacional do Brasil, tornando a 
consolidação do alinhamento com Washington a única opção para o governo 
anticomunista do general Dutra (1946-1950). 
 
 
 
O fim do Estado Novo e da Ditadura Vargas 
 
No começo da guerra, Getúlio conservou-se neutro em relação à 2ª Guerra 
Mundial porque não havia uma única tendência dos homens do governo. Porém, o 
Brasil tinha inclinações às potências aliadas devido aos empréstimos que um banco 
norte americano fez ao Brasil em 1941. Ocorreu então em 1942, a aliança política 
entre Brasil e EUA na II Conferência de Consulta aos Chanceleres no RJ. 
 
Segundo Koshiba e Pereira (2004), a participação direta do Brasil na guerra 
ocorreu depois de repetidos ataques aos navios brasileiros por submarinos alemães. 
Assim, em 1942, Vargas declarou oficialmente guerra contra Itália e Alemanha. No 
início o Brasil apenas fornecia matérias-primas e auxiliava no policiamento do 
atlântico Sul. Somente em 1944 foi enviado à Itália um contingente de soldados. 
Com a vitória do contingente brasileiro o Estado Novo ficou em choque. 
 
As repercussões criadas em torno da contradição de um Estado inspirado no 
fascismo italiano que se empenhava na luta antifascista, se entrelaçaram à crise 
política interna resultando numa conjuntura favorável ao termino do Estado Novo. 
 
Em 1943, esgotou-se o limite que o Estado impusera “para a legitimação” da 
constituição outorgada em 1937. Nessa conjuntura, surgiu o manifesto dos mineiros, 
que exigia a participação política dos agentes do processo econômico, isto é, um 
desenvolvimento político correspondente e compatível com a prosperidade material. 
Neste momento estavam ocorrendo grandes avanços por parte dos Aliados que 
coincidiram com o avanço da redemocratização no Brasil (KOSHIBA E PEREIRA, 
2004). 
 
Porém, isso não foi fruto do acaso, pois o próprio Getúlio, sentindo o 
comprometimento de seu poder, assumiu uma posição mais flexível. Então, com o 
fim da guerra em 1945, as forças de oposição levaram o Estado Novo à 
desagregação. Foi então que José Américo de Almeida (ministro do Tribunal de 
contas) deu uma entrevista ao jornalista Carlos Lacerda. Nesta, afirmou que era 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
35 
 
 
 
 
dever de todos, naquele momento, dar a sua opinião e participar da vida pública. 
Lacerda ofereceu sua entrevista a vários jornais, mas por causa da censura, apenas 
o correio da Manhã publicou-a. Esta caiu como uma bomba e teve uma enorme 
repercussão. Pressionado, o ditador baixou um decreto que marcava as eleições 
para esse mesmo ano. Desde o fim do ano anterior, a oposição havia lançado a 
candidatura de Eduardo Gomes à presidência. Para concorrer com este, o ministro 
de guerra, Eurico Gaspar Dutra colocou seu nome na disputa eleitoral (KOSHIBA E 
PEREIRA, 2004). 
 
A UDN ficou muito preocupada quando a manobra continuísta evoluiu do 
queremismo para o grito de “Constituinte com Getúlio”. Isso significava para a UDN 
reunir a constituinte antes da eleição, deixando assim, o poder nas mãos de Getulio. 
 
No início de Outubro um comício pró-getulista que havia sido marcado foi 
proibido pelo chefe da polícia do RJ. Vargas reagiu substituindo-o pelo seu irmão. 
Porém, essa manobra não foi bem vista pelo ministro do exército. Então, a pressão 
militar obrigou Getulio a abandonar o poder. A presidência foi assumida 
provisoriamente pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (José Linhares). 
Chegou ao fim o Estado Novo (KOSHIBA E PEREIRA, 2004). 
 
Com o golpe de 45 que resultou na saída de Vargas, a UDN sentiu-se 
vitoriosa. Porém este feito não teve a repercussão esperada, pois a população 
gostava de Vargas. Então, tudo isso só fez aumentar a popularidade dele. No 
entanto, o vencedor da eleição foi Dutra. O governo de Dutra possuía poderes 
limitados, pois as forças políticas tinham sido formadas durante o Estado Novo. Os 
partidos políticos não haviam compreendido que a verdadeira democracia tinha de 
passar pelo teste da incorporação das forças operárias. Essa incompreensão 
manteve a distância entre as elites políticas e as massas populares, o que facilitou o 
governo a tomar medidas repressivas, típicas do Estado Novo: intervenções nos 
sindicatos e dispositivos legais que permitiam o controle e a repressão do 
operariado. 
 
Com o fim da guerra o regime nazi-fascista entrou em declínio e as 
superpotências, EUA e URSS entraram em ascensão. Essa bipolaridade 
proporcionou um clima favorável à perseguição de comunistas brasileiros e a 
continuidade de uma política autoritária (KOSHIBA E PEREIRA, 2004). 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
36 
 
 
 
 
O fim da Era Vargas (1951-1954) 
 
Mesmo Vargas voltando ao poder através do voto em 1950, a ascensão e 
radicalização dos movimentos populares fora do controle estatal foram considerados 
os principais fatores desencadeadores da crise política que levaria ao fim o governo 
Vargas. De acordo com essa linha interpretativa, as classes dominantes ficaram 
temerosas com o avanço dos movimentos populares e discordaram do modo como o 
governo respondeu às exigências e demandas sociais que irromperam no cenário 
político. 
 
A oposição ao governo varguista foi crescendo paulatinamente à medida que 
o país era agitado por manifestações de protesto e greves trabalhistas. Críticas e 
pressões oposicionistas minaram rapidamente a estabilidade governamental. Na 
área da política institucional, os principais grupos oposicionistas ao governo de 
Getúlio Vargas faziam parte da União Democrática Nacional (UDN), que o acusavam 
constantemente de planejar um golpe em conluio com líderes sindicais objetivando 
criar um regime socialista no país. 
 
Na área da imprensa, o antigetulismo ganhou força com a atuação do 
jornalista Carlos Lacerda, que em seus pronunciamentos e artigos denunciava 
recorrentes casos de corrupção e desmandos administrativos do governo federal. 
 
O presidente se defendiadas críticas argumentando que grupos subalternos 
ligados a interesses internacionais e nacionais se uniram na tentativa de impedir que 
o governo avançasse na área de proteção ao trabalho, limitações de remessa de 
lucros das empresas multinacionais para o estrangeiro e fortalecimento das 
empresas públicas, sobretudo ligadas a área de energia. 
 
Getúlio teve um governo tumultuado devido a medidas tomadas e a 
acusações de corrupção. 
 
De acordo com Cancian (2007) em 1954, a crise política desestabilizou o 
governo Vargas. No início do ano, o então ministro do Trabalho, João Goulart, 
concedeu um aumento salarial de 100% aos que recebiam salário mínimo. As 
pressões de grupos oposicionistas contrárias à medida foram tão violentas que o 
governo recuou, e o ministro foi obrigado a renunciar ao cargo. 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
37 
 
 
 
 
O episódio desencadeador da crise final do governo Vargas ocorreu com o 
atentado fracassado contra a vida do jornalista Carlos Lacerda. Esse episódio ficou 
conhecido como “o crime da rua Toneleros”. Carlos Lacerda apenas se feriu, mas o 
major da aeronáutica, Rubens Vaz, morreu. 
 
Nunca foi esclarecido quem foi o mentor do atentado, mas sabe-se que 
pessoas ligadas a Getúlio estavam envolvidas. As investigações apontaram, porém, 
que o responsável pela tentativa de assassinato foi Gregório Fortunato, principal 
guarda-costas do presidente Getúlio Vargas (CANCIAN, 2007). 
 
Depois do episódio da rua Toneleros, os grupos oposicionistas exigiram o 
afastamento de Vargas da presidência da República. Setores das Forças Armadas e 
da sociedade civil se uniram aos grupos de oposição e exigiam que Vargas 
renunciasse. No dia 24 de agosto, um ultimato dos generais, assinado pelo ministro 
da Guerra, Zenóbio da Costa, foi entregue a Vargas. 
 
O presidente se encontrava no Palácio do Catete, quando redigiu uma carta- 
testamento e suicidou-se com um tiro no peito. O impacto provocado pela notícia do 
suicídio de Vargas e a divulgação da carta-testamento foi intenso e acabou se 
voltando contra a oposição. Grandes manifestações populares de apoio ao ex- 
presidente estouraram em várias cidades do país. 
 
Comícios organizados por líderes sindicais e políticos ligados ao getulismo 
responsabilizavam a UDN e o governo norte-americano pelo fim dramático de 
Getúlio. Órgãos de imprensa, como o jornal “O Globo” entre outros, e a embaixada 
dos Estados Unidos foram alvo de ataques populares. Greves de trabalhadores 
também ocorreram como forma de protesto. Depois de algumas semanas, as 
manifestações e agitações populares cessaram (ARRUDA E PILETTI, 2007; 
CANCIAN, 2007). 
 
 
 
O governo de JK 
 
A morte de Vargas, que traumatizou profundamente o País, foi sucedida pela 
bem-aventurança do governo de Juscelino Kubistschek, ex-governador do Estado de 
Minas Gerais. Eleito em 1955, Juscelino realizou um dos melhores governos da 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
38 
 
 
 
 
história republicana. Estimulou a criação do parque industrial de bens de consumo, 
especialmente os automóveis e deslocou a capital para o interior do Brasil. 
 
Brasília foi inaugurada no final do seu mandato, em 1960. Tratou de forma 
benigna a oposição, bem como, os dois levantes militares que foram facilmente 
neutralizados. 
 
As profundas modificações que causou na estrutura social e econômica do 
Brasil foram os verdadeiros legados daquele governo. Com ele o Brasil saltou em 
definitivo rumo à industrialização e à internacionalização da sua economia. 
 
 
 
A crise de 1961 
 
Nas eleições de 1960 o povo brasileiro elegeu Jânio Quadros, ex- 
governador de São Paulo, por uma maioria esmagadora de votos. Passados sete 
meses de sua posse, Jânio Quadros renunciou lançando o País na sua mais grave 
crise do após-guerra. 
 
Os ministros militares negaram-se a obedecer a Constituição e darem posse 
ao Vice-Presidente João Goulart, acusando-o de ser simpatizante da implantação de 
uma república sindicalista. Na realidade temia-se a agitação provocada pela 
Revolução Cubana que entrava então na sua fase radical, realizando uma reforma 
agrária e banindo as burguesias agrárias e urbanas da ilha. 
 
Leonel Brizola governador do estado do Rio Grande do Sul lança em Porto 
Alegre, em agosto de 1961, o manifesto pela “Legalidade” que visava dar posse a 
Jango, então ausente do País, em viagem pela China Comunista. O Exército dividiu- 
se quando o comandante do III Exército, General Machado Lopes resolveu apoiar 
Brizola. A guerra civil foi evitada graças a uma emenda constitucional que introduziu 
no Brasil o sistema parlamentarista. Por ele João Goulart tomava posse, mas teria 
de dividir seus poderes com o Congresso que passava a controlar seu ministério. 
Jango aceitou, mas depois realizou um plebiscito reintroduzindo o presidencialismo 
em 1963. 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
39 
 
 
O golpe de 1964 – antecedentes históricos 
 
Na concepção da ciência política clássica, a palavra revolução é entendida 
como um fenômeno sociopolítico radical e violento que remove à força, em geral por 
meio de uma guerra civil sangrenta, as classes dirigentes tradicionais, arrancado-as 
do poder e substituindo-as por uma outra força, composta pela nova geração 
emergente (como ocorreu na Revolução Americana de 1776 e na Francesa de 1789, 
ou com as revoluções comunistas que ocorreram na Rússia, em 1917, e na China, a 
partir de 1949). 
 
Evidentemente que o Movimento de 1964 não promoveu nada disso, visto 
que não derrubou nenhuma aristocracia hereditária ou monarquia reinante e nunca 
cogitou “expropriar os expropriadores”. Ao contrário. Em momento algum ele deixou 
de ser amparado pelas elites tradicionais (os empresários da indústria e do 
comércio, os poderosos latifundiários e fazendeiros, e as grandes corporações 
estrangeiras), e mesmo por parte majoritária do Alto Clero Católico (pelo menos até 
1968). Se o comparássemos à Revolução Francesa de 1789, poderíamos dizer que 
no Brasil de 1964, ocorreu a vitória do Primeiro e do Segundo Estado (o alto clero e 
a nobreza) contra o Terceiro Estado (o povo). 
 
O que o Movimento de 1964 fez de imediato, assegurado o golpe, foi afastar 
o núcleo dirigente que cercava o Presidente João Goulart, composto por políticos 
populistas, esquerdistas e militares nacionalistas, neutralizando no mesmo instante 
todas as instituições jornalísticas, sindicais, estudantis e populares identificadas com 
ele. 
 
Passados 46 anos, observa-se que praticamente os mesmos grupos 
econômicos e sociais que existiam antes de 1964 continuam tendo papel relevante 
na sociedade brasileira, não havendo, pois uma substituição da verdadeira camada 
dirigente. Afinal, se a palavra “golpe” é restritiva, e a palavra “revolução” é muito 
ampla para tentar definir o movimento político-militar que se impôs a partir de 1964, 
qual seria a classificação mais adequada? 
 
Segundo alguns autores, o mais aproximado é dizer-se que o que ocorreu 
em março de 1964 foi uma contrarrevolução. Isto é, um movimento de ruptura da 
legalidade constitucional para evitar que o regime reformista de João Goulart se 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.brwww.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
40 
 
transformasse num regime revolucionário, ou numa República Sindicalista Radical 
 
(similar ao dos tempos áureos do peronismo argentino). 
 
Foi, pois, uma ação preventiva, uma contrarrevolução, na medida em que as 
Reformas de Base alardeadas pelo chefe populista, com promessas de reforma 
agrária, estatizações e nacionalizações, pareciam às classes conservadoras a ponta 
de lança da comunização do país. Por igual, as seguidas ameaças da esquerda não 
comunista e do populismo radicalizado de ignorar as instituições vigentes e de 
propor um Congresso Popular, ou ainda de clamar nas rádios e nos comícios a 
intenção de fazer passar as reformas “na lei ou na marra”, como dizia-se então, 
muito colaboraram para que os golpistas se apresentassem frente à nação como os 
defensores da ordem constitucional em vias de ser ameaçada. 
 
Historicamente, se bem que longe de provocar o mesmo número de vítimas, 
o Movimento de 1964 é tributário da La Cruzada, o levante do general Francisco 
Franco contra a República da Frente Popular da Espanha, feito em 18 de julho de 
1936, como inspirou o violento golpe dado pelas forças armadas chilenas, lideradas 
pelo general Augusto Pinochet, que derrubou o governo socialista do Presidente 
Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, impondo um Estado de Segurança 
Nacional ao país. Destaca-se, todavia, que o Movimento de 1964 não produziu 
nenhuma liderança „caudilhesca‟ que dominasse inteiramente o cenário da ditadura. 
 
O Regime Militar que se seguiu foi do princípio ao fim, de 1964 a 1985, o 
regime da corporação armada (SCHILLING, 2004). 
O mundo pós 2º Grande Guerra 
 
No quadro externo, a Guerra Fria entre o capitalismo estadunidense e o 
socialismo (em verdade uma espécie de capitalismo de Estado) soviético 
esquentava cada vez mais. Em janeiro de 1959, Fidel Castro, Che Guevara e outros 
idealistas entravam vitoriosos em Havana, colocando para correr a ditadura pró- 
estadunidense de Fulgêncio Batista. Cuba fica a cerca de 160 milhas náuticas de 
distância da Califórnia. Quando, em 1961, Fidel Castro anunciou que a Revolução 
Cubana seguiria na direção do Socialismo foi uma calamidade para os Estados 
Unidos da América. Tanto pela proximidade do inimigo “em seu quintal” quanto pelo 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
41 
 
 
 
 
exemplo que potencialmente trazia a outras Nações colocadas sob a órbita de 
influência estadunidense desde a Doutrina Monroe – A América para os Americanos. 
 
De fato, cresciam e se fortaleciam após anos de exceção nacionalista 
burguesa, os partidos e movimentos de esquerda na América Latina: os Montoneros 
no Uruguai, os Tupamaros no Peru, o Partidão no Brasil, o MIR (Movimiento de 
Izquierda Revolucionária) chileno, etc. Todos seduzidos pelo exemplo de um grupo 
idealista capaz de mobilizar as massas a expulsar o invasor estrangeiro fosse na 
forma de capital, fosse na forma de sua presença física. Surgia no Cone Sul a 
polarização entre a direita (que, desde sempre, defende o Capital e a manutenção 
da Ordem colocada e benéfica a poucos banqueiros, empresários e latifundiários) e 
a esquerda (que, desde sempre, defende os direitos do Ser Humano contra o Capital 
– que o Capital seja colocado a serviço do Humano ao invés do Humano a serviço 
do Capital, lutando por uma Nova Ordem) (CHAVES, 2006). 
 
Assim, no cenário mundial, a partir de 1946, o mundo ficou dividido em dois 
grandes blocos: o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o bloco 
comunista, liderado pela União Soviética (SANTOS, 1962). 
 
O Brasil, por sua tradição histórica e por seu modelo econômico, pertencia 
naturalmente ao modelo capitalista, sob a bandeira da livre empresa, aliado ainda à 
sua forte realidade religiosa incompatível com o ateísmo soviético. 
 
Nos governos dos presidentes Jânio Quadros e João Goulart, não por 
convicção ideológica, mas por uma curta visão política, todo este arcabouço 
histórico do Brasil foi ameaçado de ruptura violenta tentando estes governos orientar 
o Brasil para o lado do bloco soviético. 
 
Ao lado desta situação política, caótica, que provocou protestos da 
sociedade civil, da Igreja, da Imprensa, dos Empresários, das Classes Profissionais, 
das donas de casa e dos militares, a Economia Brasileira enfrentava inflação 
galopante com índices mensais superiores a 60%, elevado desemprego e baixo 
crescimento. 
 
Voltando à situação do mundo na década de 1960 do século XX, o Golpe de 
 
1964 enquadra-se dentro da situação política mundial pós Segunda Guerra, auge da 
Guerra Fria, quando EUA e URSS atuavam no sentido de ampliar suas áreas de 
influência em todos os quadrantes do mundo. A estratégia era apoiar grupos 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
42 
 
 
 
 
políticos rivais dentro de uma nação e através da possível vitória destes, submeter 
os governantes, alçados ao poder, ao atendimento de seus interesses. 
 
O Golpe Militar de 64 se insere nesse processo. Os Estados Unidos 
apoiaram o golpe contra João Goulart (Jango) que supostamente era um 
simpatizante soviético. Indícios e provas sobre o apoio dos EUA não faltam. Hoje, 
sabe-se que o embaixador americano, Lincoln Gordon e o adido militar, Coronel 
Vernon Walters, atuaram ativamente nas decisões que antecederam o 31 de março. 
 
Segundo Branco (2006), diversos documentos comprovam que Gordon 
sabia da existência de uma operação para dar apoio à revolução, caso houvesse 
uma resistência. A operação tinha o nome de “Brother Sam”. 
 
Como parte desse acordo pode-se relatar os vários encontros realizados 
sigilosamente entre militares e diplomatas brasileiros e americanos com o intuito de 
tratar de segurança e de cooperação industrial e militar e os vários contratos de 
compra de material bélico assinados pelo Brasil no exterior. 
 
Não pode ser esquecida, ainda, a contribuição substancial da igreja, com a 
campanha anticomunista do padre Patrick Peyton, que ao lançar a Cruzada do 
Rosário em Família promoveu uma intensa mobilização dos católicos, visando atingir 
o governo constituído. As pregações do padre Peyton influenciaram na ação de 
senhoras da classe média, que de rosário nas mãos, conturbaram um comício de 
Leonel Brizola em Belo Horizonte e o Comício da Central do Brasil promovido pelo 
governo Jango, no Rio. Multidões de pessoas saiam em manifestações chamadas 
Marcha da Família com Deus pela Liberdade que acabaram por conquistar 
as camadas médias da sociedade e engrossaram as manifestações de repúdio, 
ao governo vigente. 
 
Em 01 de abril de 1964 o Brasil acordou sob novo regime. Um golpe, 
liderado por militares e os setores conservadores da sociedade brasileira, 
depuseram o presidente João Goulart (Jango) e deram início a um regime ditatorial 
que sufocou o país por 21 anos. 
 
Sufoco relativo se compararmos aos dias atuais e aos anteriores ao golpe. 
Os governos populistas, apesar das promessas e feitos, não eram isentos de vícios: 
nepotismos, privilégios, falcatruas, empobrecimento das camadas populares e 
arrocho sobre as camadas médias, aumento da dívida externa e da inflação, etc. 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br| +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
43 
 
 
 
 
Na opinião de alguns historiadores e cientistas políticos se era ruim, ficou 
pior após o golpe e hoje está péssimo: conchavos políticos, corrupção, desemprego, 
saques, assaltos a bancos, falta de segurança interna, disfarçado abandono dos 
hospitais e escolas públicas, dívida externa astronômica; endividamento público 
correspondente a 60% do PIB; falsos índices de inflação; arrocho fiscal e salarial; 
cumplicidade cínica e espoliativa com organismos financeiros internacionais, entre 
outros (CHIAVENATO, 1994; FAUSTO, 1997; DEL NERO, 2001). 
 
 
 
Os antecedentes do golpe 
 
O suicídio de Getúlio Vargas, em agosto de 1954, representou a vitória 
dos partidários do desenvolvimento dependente do capital estrangeiro. Contudo, 
seria um exagero atribuir o suicídio apenas a essa questão e, sobretudo, emprestar 
a ele, postumamente, a imagem de um nacionalista intransigente. Contrariamente ao 
que se pode supor, o comportamento político de Getúlio em relação ao capital 
estrangeiro - ao imperialismo, em suma - era bastante flexível, e em nenhum 
momento se descartou por completo sua participação na economia brasileira. 
Getúlio só não concordava com o alinhamento completo do Brasil aos Estados 
Unidos, como estes pareciam desejar. Na verdade, recusava-se a atuar como peça 
subordinada ao capital estrangeiro (FAUSTO, 1997; KOSHIBA, 1993). 
 
A ascensão de Juscelino Kubitschek, em 1956, marcou o início do 
processo de industrialização inteiramente ajustado aos interesses do capital 
internacional. Apesar da composição das forças políticas que serviram de base para 
sua eleição, o governo juscelinista definiu com clareza o rumo da industrialização ao 
implantar o modelo desenvolvimentista, estreitamente associado ao capital 
estrangeiro. Parece estranho que isso possa ter ocorrido com um governo 
aparentemente herdeiro do getulismo, pois é preciso notar que João Goulart era seu 
vice-presidente e que sua candidatura triunfou através da velha coligação PSD-PTB. 
 
Todavia, seria precipitado atribuir essa “guinada em favor do capital 
estrangeiro” a uma política deliberada de Kubitschek. Na realidade, sua posição 
diante do capital estrangeiro, tanto quanto a de Getúlio, era ambígua, e sua 
ambiguidade refletia a própria indecisão da formação capitalista no Brasil. De fato, a 
burguesia industrial brasileira sentia-se incapaz de conduzir o processo de 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
44 
 
 
 
 
industrialização em posição hegemônica, prensada como estava entre a participação 
do Estado e a do capital estrangeiro, representado pelas multinacionais. 
 
A execução do Plano de Metas de Juscelino foi, nesse sentido, a grande 
responsável pela definitiva configuração do modelo de desenvolvimento industrial 
que o Brasil finalmente adotaria. Efetivamente, com esse ambicioso plano, a 
penetração do capital estrangeiro ocorreu de forma maciça, ocupando os ramos da 
indústria pesada: indústria automobilística e de caminhões, de material elétrico e 
eletrônico, de eletrodomésticos, de produtos químicos e farmacêuticos, de matéria 
plástica. Iniciou-se aí a organização das multinacionais, que, monopolizando aquele 
que viria a ser o setor mais dinâmico da economia, estavam destinadas a exercer 
inegável influência na redefinição da orientação econômica e, também, política do 
Brasil. 
 
De acordo com Fausto (1997), segundo ainda o Plano de Metas, o capital 
estatal ficou encarregado de viabilizar o programa da infraestrutura destinado a 
sustentar o modelo, através da construção de rodovias e da “ampliação do potencial 
de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica”. 
 
Ao lado dos problemas internos gerados pelo modelo de industrialização, um 
outro se apresentou, e este com maior peso: a penetração e consolidação das 
empresas multinacionais. Desde Juscelino (Plano de Metas), a instalação de 
multinacionais no Brasil foi maciça. A partir de então, os setores fundamentais da 
indústria foram passando para o controle estrangeiro. Segundo Cohen (2006), o 
controle externo das indústrias automobilísticas, de cigarro e de eletricidade variou 
em torno de 80% a 90%. Nas indústrias farmacêutica e mecânica, a proporção foi de 
70%. 
 
Ainda de acordo com Cohen (2006), o resultado principal dessa nova 
conjuntura foi a minimização da importância da burguesia nacional, que passou para 
o plano secundário, muitas vezes como sócia menor das grandes corporações 
internacionais. Isso significa que os postos de comando de tais indústrias estavam 
em mãos de indivíduos diretamente designados pela direção da matriz estrangeira, 
ou seja, os centros de decisões se encontravam fora do país. Essa situação levou 
ao inevitável agravamento do desequilíbrio no Balanço de Pagamentos: a remessa 
de lucros para o exterior, além dos pagamentos pelo uso de marcas e patentes 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
45 
 
 
 
 
(royalties) e da importação de maquinaria, superou rapidamente o capital que as 
multinacionais inicialmente investiram. 
 
Naturalmente, as contradições engendradas pelo modelo de 
desenvolvimento da industrialização adotado na década de 1950 expressaram-se 
através do aguçamento das lutas sociais e políticas. A presença do capitalismo 
internacional e o seu papel cada vez mais decisivo no controle de nossa economia 
tiveram, por seu turno, uma importância certamente não desprezível no desfecho da 
luta. O movimento militar de 1964 teve aí suas raízes e as suas razões (KOSHIBA, 
1993). 
 
Quando Jânio Quadros renunciou à presidência, “Jango” estava em viagem 
à China comunista, acompanhado de líderes trabalhistas, convocados para 
observação e estudo das comunas populares daquele país (Del Nero, 2001, p. 70). 
 
O prenúncio da revolta dos marinheiros, no Rio de Janeiro, e da Revolta dos 
Sargentos, em Brasília, segundo Del Nero, foi o pronunciamento feito por Jango na 
China. 
 
“Jango” fez um pronunciamento radical, em que revelou sua intenção de 
estabelecer também no Brasil uma república popular, acrescentando que, para 
tanto, seria necessário contar com as praças para esmagar o quadro de oficiais 
reacionários (DEL NERO, 2001, p.71). 
 
O meteoro Jânio Quadros - De obscuro professor de ginásio no subúrbio, 
passando por vereador que só ocupou a cadeira depois que o PCB foi cassado, em 
seguida prefeito, governador de São Paulo e finalmente presidente da República do 
Brasil: Jânio da Silva Quadros (1917 - 1992) chegou e saiu do governo como um 
meteoro. 
 
Em 1960, o Brasil se encontrava numa encruzilhada. Conseguiríamos nos 
desenvolver mesmo, ou os problemas graves eram o sinal da crise? Então, para 
muita gente, Jânio parecia ser a solução. 
 
Pelo menos parecia para as classes dominantes, porque sempre foi 
conservador e autoritário. Todos sabiam que ele não ameaçava com nenhum 
nacionalismo ou esquerdismo. Além do mais, seria apoiado pela conservadora UDN. 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
46 
 
 
 
 
Parecia a solução para a classe média udenista, porque Jânio falava 
português com impecável gramática e isso mostrava que ele não se dirigia à “massa 
ignara”,mas às “pessoas de bem, instruídas, de bom gosto, que sabem o que é 
melhor para o país”. Além disso, vivia falando em moralidade pública, em instaurar 
auditorias e prender os corruptos, "botar os vagabundos dos funcionários públicos 
para trabalhar", em se tornar um administrador moderno e eficaz (SCHIMIDT, 1996). 
 
Grande parte da população, já naqueles tempos de 1960, detestava partidos 
e políticos. Pois Jânio candidatou-se por um partido de pouquíssima ou nenhuma 
expressão para que as pessoas acreditassem que era o único que não tinha 
compromisso com algum segmento que não fosse o povo. Mas na realidade Jânio 
Quadros montou um acordo aberto com a UDN. O próprio Lacerda, diria sem rodeios 
que o caminho da UDN para o Palácio do Planalto passava pela eleição do Sr. 
Quadros para a presidência (QUADROS NETO; GUALAZZI, 1996). 
 
Ainda segundo Quadros Neto e Gualazzi (1996), Jânio venceu fácil. Votação 
sensacional: 5,6 milhões de votos contra apenas 3,8 milhões de Lott (PSD + PTB). A 
UDN podia comemorar! Conseguira eleger dois importantes governadores: Lacerda, 
na Guanabara (ex-Distrito Federal, depois que a capital foi transferida para Brasília), 
e Magalhães Pinto, em Minas Gerais. 
 
Empossado na presidência, Jânio fez um governo estranhíssimo. 
 
Para controlar a inflação propôs “austeridade”. No dicionário da burguesia 
nacional, essa palavra quer dizer salários congelados, apesar da inflação. O Brasil 
não mudara muito. Além disso, cortou gastos públicos. O que resultava em menos 
hospitais e escolas. O trigo e o petróleo perderam os subsídios. Assim, os preços do 
pão e da gasolina aumentaram em 100%. Ao FMI agradou e recebeu promessas de 
empréstimos. 
 
Claro que essas medidas irritavam a esquerda. Mas isso não interessava a 
Jânio, já que sempre a insultava. O problema, é que ele começou a tomar medidas 
estranhas que acabaram irritando seus próprios aliados direitistas da UDN. 
 
Na verdade, Quadros Neto e Gualazzi (1996) a personalidade de Jânio era 
extremamente instável e talvez tivesse um sonho megalomaníaco: aparecer na 
história como o maior líder independente do Terceiro Mundo. Dentro desse ideal de 
autonomia na política externa, reatou relações diplomáticas com a URSS e a China 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
47 
 
 
 
 
socialista. Era só uma aproximação comercial, que interessava a empresários 
brasileiros. O problema despontou, segundo para Braga (2006), quando resolveu, 
sem motivo aparente, condecorar com a Ordem do Cruzeiro do Sul, Ernesto Che 
Guevara (guerrilheiro comunista da Revolução de Cuba) num momento em que os 
EUA estavam furiosos com Havana. Conseguiu com o feito, aparecer nas páginas 
de jornal do mundo inteiro. 
 
O Presidente Jânio Quadros havia entrado em atrito com os chefes militares, 
ao conceder a Medalha do Cruzeiro do Sul a Ernesto “Che” Guevara, em solenidade 
na capital brasileira. A divisão nas Forças Armadas aumentou após a renúncia de 
Jânio, em 1961, pois muitas autoridades militares não aceitavam a posse do Vice, 
João Goulart, visto como “comunista”. Na ocasião, “Jango” estava em viagem à 
China comunista, acompanhado de “líderes trabalhistas, convocados para 
observação e estudo das comunas populares daquele país” (DEL NERO, 2001, p. 
70). 
 
Em compensação, Jânio desagradou completamente a UDN e o 
 
Departamento de Estado norte-americano. 
 
Entre os seus feitos no curso meteórico do seu governo, tomou outras 
atitudes pouco entendidas até os dias de hoje, como por exemplo: se empenhar ao 
máximo e proibir as rinhas de galo, o uso de biquíni nas praias e corrida de cavalos 
no meio da semana, entre outras. 
 
Tropeçou na sua estratégia e acabou tendo que renunciar em agosto de 
 
1961, após sete meses de governo. 
 
Só restou ao Congresso aceitar sua decisão. Assumia a presidência, 
provisoriamente, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili. O país 
acabou por entrar em uma crise política terrível, beirando à guerra civil. Não 
obstante, a direita não quisesse a posse de seu vice, João Goulart, do PTB, mas 
como mandava a constituição, assumiu e foi ele o pivô da crise final da fase 
populista. 
 
Considerado esquerdista pelos setores mais conservadores, e, portanto uma 
ameaça, Jango sofreu pressões políticas comandadas pelo partido de oposição da 
época, a UDN e pela cúpula, que pretendiam impedir sua posse. Apoiava essa 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
48 
 
 
 
 
medida também, setores da imprensa, da igreja e outros organismos ditos idôneos 
da sociedade. 
 
Mas se tinha inimigos, tinha também amigos que o apoiava e eram contra os 
conservadores e a favor da posse, principalmente o governador do Rio Grande do 
Sul, Leonel Brizola, e algumas lideranças militares de poder decisório significativos. 
 
Essa crise sucessória foi contornada com uma medida conciliatória: a 
aprovação de uma Emenda à Constituição, criando o parlamentarismo no país. No 
parlamentarismo, o poder é dividido entre o Chefe de Estado e o Chefe de Governo. 
 
O primeiro não governa, é apenas uma autoridade representativa da nação 
sem poder decisório. Quem governa é um primeiro-ministro escolhido pelo 
Congresso. 
 
Assim, a constituição fora cumprida. Jango assumiu o poder e a 
oposição havia sido atendida. Jango não seria o efetivo governante do país. 
 
Necessário se faz explicar como um presidente apoiado pela UDN, tivesse 
em sua chapa um vice do PTB. É que naquela época, além de votar em presidente, 
também votava em vice-presidente. Mais ainda: podia votar em candidatos de 
chapas diferentes. As duas principais chapas eram Jânio e Milton Campos (um 
político da UDN) contra Lott e Jango, ambos do PTB. Muita gente votou na 
dobradinha Jan-Jan: Jânio e Jango. 
 
João Goulart (1918-1976) pertencia a uma família de ricos fazendeiros 
gaúchos, nada tinha de esquerdista. Sempre foi a favor do capitalismo. Só não 
concordava com a selvageria do capitalismo brasileiro. Acreditava em reformas 
sociais. 
 
Durante todo o Governo João Goulart, a tônica predominante foi a reforma 
agrária. O tema tomou conta de todos os conselhos do Governo. Até quem não 
entendia nada e muito menos de reforma agrária passou a discutir, nos corredores 
dos palácios presidenciais, sobre reformas de base e, principalmente, a agrária 
(JUREMA, 1964, p.24) 
 
Embora Jango viesse de uma família de latifundiários, acreditava na reforma 
agrária. Quando ministro do Trabalho de Getúlio, propôs aumentar o salário mínimo 
em 100%, provocando um coro de protestos dos empresários. A direita jamais 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
49 
 
 
 
 
esquecerá este fato. Jango não se abalava. Herdeiro da tradição populista de 
conciliação entre a burguesia e o proletariado, quis o apoio do PSD e do PTB, mas 
também aceitou alianças com a esquerda e os comunistas. Este foi o grande 
problema: as contradições sociais eram muito fortes. A luta de classes, aguda 
demais. Naquele momento, não era possível conciliar como ele pretendia. Sua 
incompreensão destas contradições – elas próprias motivantes – redundaram na 
tragédia do golpe militar de 64. 
 
Os setores mais reacionários odiavam Goulart. Quando Jânio renunciou, 
JoãoGoulart (que o povo chamava carinhosamente de Jango) deveria assumir. A 
UDN esperneou. A direita militar ruminava contra. Os jornais O Globo e O Estado de 
S. Paulo faziam coro. 
 
Jango estava na China, em viagem diplomática. Percebeu que não dava 
para voltar logo. Incendiaria o país. Prudente, aguardava os acontecimentos no 
Brasil. 
 
Foi quando então se levantou a autoridade de Leonel Brizola, governador do 
Rio Grande do Sul. Brizola comandou a resistência a este golpe branco. Através da 
rede pela legalidade, reuniu dezenas de pessoas, rádios e jornais que defendiam a 
Constituição. Afinal, a Constituição era bem clara; estando a presidência vaga, quem 
assumia era o vice. Não havia o que discutir. Brizola não era o baderneiro, era o 
defensor das leis. Por sorte, contava com o apoio do general Machado Lopes, 
comandante do III Exército (SCHIMIDT, 1996). 
 
O impasse estava instaurado. A qualquer momento, tropas legalistas 
poderiam enfrentar as forças contra a posse. Haveria a guerra civil? Na hora “H”, o 
Congresso deu um jeitinho. Jango poderia assumir, mas sem poderes, porque agora 
o Brasil passava a ter um Estado parlamentarista. 
 
Ao assumir, Jango, se posicionou em defesa das reformas de base, 
principalmente a Reforma Agrária e a de controle do capital estrangeiro, que 
considerava espoliativo. 
 
João Goulart, do PTB, se considerava um herdeiro político de Getúlio 
Vargas. Seu plano político também era populista, Ele esperava que o Estado fosse o 
intermediário de um acordo nacional entre os militares, os intelectuais nacionalistas, 
a burguesia industrial nacionalista e os sindicatos. 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
50 
 
 
 
 
Todo o plano furou. 
 
A burguesia industrial “nacionalista” não se empenhou a favor da reforma 
agrária. Ela também nada tinha de nacionalista. Estava exasperada para montar 
negócios com as multinacionais. 
 
Os militares se apavoraram com a agitação sindical. Para eles, Jango era 
incapaz de conter o avanço comunista. 
 
Goulart realmente tentou usar os sindicatos a seu favor. Estimulou greves 
políticas para pressionar o Congresso, bajulou pelegos. Isso irritava demais a direita, 
que o acusava de querer montar uma "república sindical" ao estilo peronista. 
 
 
 
O Parlamentarismo: 1961 –1963 
 
Quem passava a governar era o primeiro-ministro, nomeado pelo presidente. 
Mas o parlamento tinha de aprovar a nomeação (com certeza, tinha de estar ligado 
aos partidos majoritários no Parlamento, ou seja, no Congresso Nacional), caso 
contrário o presidente teria que indicar outro nome (SKIDMORE, 1979). 
 
O primeiro Primeiro-ministro foi Tancredo Neves, experiente político mineiro 
do PSD. Para formar o gabinete (sua equipe de ministros), chamou uma porção de 
pessedistas e dois da UDN. Moderado, Tancredo visitou os EUA, falou mal do 
comunismo e voltou com a mala cheia de dólares emprestados para ajudar as 
oligarquias do Nordeste a se perpetuarem no poder no melhor estilo coronelista. 
 
Para substituir Tancredo, Jango indicou outro mineiro, San Tiago Dantas da 
ala moderada do PTB, ex-ministro do Exterior (cuidava da relação do Brasil com os 
outros países) de Tancredo. Mas na conferência da OEA (Organização dos Estados 
Americanos), em Punta del Este, os EUA propuseram a expulsão de Cuba. O 
diplomata brasileiro se absteve de votar, irritando a direita. Resultado: o parlamento 
vetou seu nome. 
 
Surgiu então o nome do empresário e senador paulista Auro de Moura 
Andrade para ser o primeiro-ministro. A situação era tão problemática que 
simplesmente estourou uma greve geral de 24 horas nas empresas estatais 
(refinarias, trens, ônibus, estivadores) contra a nomeação de Auro, excessivamente 
conservador. Greve política, operários que cruzaram os braços para mudar um 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
51 
 
 
 
 
governo. Mostra da força do PTB e até do PCB para mobilizar politicamente massas 
operárias. Mas também - todos desconfiavam - sinal de que Jango dava um 
empurrãozinho nos sindicatos para pressionar o Congresso. As coisas estavam 
esquentando no país. 
 
Jango nomeou outro político quase desconhecido do PSD gaúcho, Brochado 
da Rocha que antes de sair (entrou em seu lugar, Hermes Lima) propôs - e o 
Congresso aceitou - antecipar o plebiscito sobre o parlamentarismo para 1963. Ou 
seja, o povo é que iria decidir sobre os poderes de Jango. 
 
Este Plebiscito, realizado em 1963 deu esmagadora vitória ao 
presidencialismo (proporção de 10 por 1). Acabava-se o parlamentarismo. João 
Goulart finalmente ganhava plenos poderes presidenciais. Mas pouco pôde fazer. 
Meses depois seria derrubado pelo movimento militar de 1964 (SKIDMORE, 1979). 
 
O presidente João Goulart acreditava que o país precisava de reformas de 
base. O problema é que elas mexeriam com os privilégios de muita gente poderosa 
no Brasil. Esses poderosos viram no golpe militar a barreira que manteria sua 
confortável posição. 
 
O Brasil inteiro falava delas. Jango, o PTB, os estudantes da UNE, o PCB e 
os sindicatos eram a favor. A UDN, grande parte do PSD, quase toda a imprensa, 
grandes empresários e militares conservadores eram contra. O país ficaria dividido 
até que um dos lados impusesse sua opinião com tanques de guerra. 
 
A primeira das reformas de base era a sonhada reforma agrária. Não era 
possível que o Brasil, com extensões de terras gigantescas nas mãos de 
proprietários que nada plantavam, permitisse que milhões de famílias moradoras do 
campo passassem fome porque não possuíam nenhum pedacinho de terra para 
cultivar. Japão, França, Alemanha, e até México e China, já tinham realizado 
reforma agrária. Por que o Brasil não poderia fazer uma? 
 
Para executar a reforma agrária, o governo confisca uma parte das terras do 
latifundiário, ou seja, o desapropria. Essa terra é dividida entre os sem-terra, que 
passam a ser pequenos fazendeiros. O problema era que a Constituição só admitia 
a desapropriação de terras em caso de utilidade pública, se o governo indenizasse 
os proprietários em dinheiro. Ora, simplesmente o Estado não tinha dinheiro para 
indenizar tantos latifundiários, a não ser que indenizasse com títulos da dívida 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
52 
 
 
 
 
pública, ou seja, uma espécie de conta que o governo assume pagar, muitos anos 
depois, com juros. Mas aí seria preciso mudar a Constituição. E como mudá-la se o 
Congresso estava cheio de conservadores da UDN e do PSD? Um projeto de 
expropriação sem indenização em dinheiro foi vetado em 1963. Talvez aí estivesse 
um dos erros de Jango: ele avaliou que poderia deixar rolar os protestos populares 
que o Congresso, acuado, faria as leis. Porém aconteceria o contrário: a classe 
dominante, apavorada com os protestos, veria em Jango apenas um fraco incapaz 
de controlá-los. Pediria a deposição ou renúncia do presidente. 
 
Outra das reformas de base era a reforma urbana, que controlaria o valor 
dos aluguéis de imóveis e ajudaria os inquilinos a comprar a casa própria. A classe 
média alta, dona de mais de um imóvel, ficaria apavorada com a "ameaça comunista 
de tomar o que é dos outros". 
 
As reformas de base também eram reformas políticas: direito de voto para 
analfabetos e de sargentose patentes inferiores nas Forças Armadas. Naturalmente, 
os defensores das reformas de base imaginavam que esses grupos iriam despejar 
votos a seu favor. Os comandantes militares torceram o nariz para a ideia de 
sargentos, cabos e soldados votarem. Achavam que isso traria indisciplina para as 
tropas. As elites e a classe média também repudiavam o voto dos analfabetos, a 
quem consideravam “despreparados”. 
 
As reformas de base eram bem nacionalistas. Incluíam a proibição de 
empresas estrangeiras operarem em setores como os de energia elétrica, 
frigoríficos, indústria de remédios, refinarias de petróleo, telefones. Naquela época, 
os nacionalistas achavam que as empresas estrangeiras atuavam nesses setores 
pensando unicamente em seus lucros, pouco se importando com os interesses da 
nação. Além disso, argumentavam que não tinha cabimento a empresa estrangeira 
lucrar horrores e mandar esses lucros para fora do país, haja vista que uma 
empresa nacional poderia fazer o mesmo serviço e usar os lucros para reinvestir no 
crescimento da própria economia brasileira. Achavam ainda que a maioria das 
multinacionais exercia uma concorrência desleal, prejudicando os empresários 
nacionais. 
 
A reforma da educação era outro ponto importante, e tinha apoio da UNE 
(União Nacional dos Estudantes). Havia necessidade de mais escolas e 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
53 
 
 
 
 
universidades públicas de bom ensino. Os estudos deveriam ser voltados para os 
problemas nacionais do Brasil. 
 
As reformas de base eram uma proposta para outro tipo de desenvolvimento 
capitalista nacional. Mas elas mexiam com muitos grupos poderosos. Grupos que 
não tolerariam perder alguns privilégios. Para mantê-los, recorreriam à mão armada 
do golpe militar. 
 
Naquela época, todos os dias aconteciam greves, nada funcionava, o país 
estava parado. 
 
No campo as coisas estavam piores ainda. As leis trabalhistas não 
funcionavam e foi ai então que se formaram as Ligas Camponesas. Elas 
organizaram milhões de camponeses nordestinos, os mini-fundiários e os pequenos 
arrendatários. Em alguns lugares do Brasil, a agricultura já usava máquinas 
agrícolas e pesticidas. Ou então, o fazendeiro parava de plantar para criar gado 
bovino. Nos dois casos não precisava mais de tantos camponeses. Pois as Ligas 
Camponesas, lideradas por Francisco Julião, um advogado pernambucano de idéias 
socialistas, organizavam esses homens na luta por seus direitos. Faziam greves, 
recusavam-se a sair das terras e, principalmente, exigiam do governo a reforma 
agrária. 
 
Em Pernambuco, 1963, dezenas de milhares de trabalhadores das usinas de 
açúcar fizeram uma greve espetacular. Os jagunços fizeram de tudo para acabar 
com o movimento, mas nada adiantou. Os patrões tiveram de ceder. E, pela primeira 
vez, os empregados das usinas conquistavam o direito de ganhar o salário mínimo. 
 
Para os latifundiários, a existência de ligas camponesas e de greves de 
trabalhadores rurais era sinônimo de bagunça. E para os camponeses, ter uma 
associação para defender seus interesses, era organização. 
 
Ainda em 1963, Jango sancionou o Estatuto do Trabalhador Rural. 
Finalmente, as leis trabalhistas começavam a chegar ao camponês. Agora, a 
legislação obrigava o fazendeiro a pagar salário mínimo, assinar carteira de trabalho, 
garantir o repouso semanal e remunerar as férias. 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
54 
 
 
 
 
Jango se tornou para os latifundiários, um terrível agitador. Nessa época 
Miguel Arraes, governador de Pernambuco, pela primeira vez botou a polícia do lado 
dos camponeses, do lado da lei (SKIDMORE, 1979). 
 
Enfim, para uma boa parte da classe trabalhadora, intelectuais, políticos de 
esquerda e estudantes, o Brasil não era uma baderna. Estava ficando organizado 
como nunca esteve antes. As pessoas estavam descobrindo a importância de se 
associar para lutar por seus direitos, em vez de lamentar suas misérias, erguiam-se 
e lutavam para acabar com elas. 
 
As greves estavam se revelando importantes instrumentos de luta. Em 1962, 
foi criado o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), uma central sindical visando 
unificar as lutas do país inteiro. Para os trabalhadores, essas vitórias eram o 
resultado da organização operária. Afinal, depois de uma greve geral, foi aprovada a 
lei do décimo terceiro salário. 
 
A UNE vivia uma virada sensacional. Seu presidente em 1960, o goiano Aldo 
Arames, pertencia à AP (Ação Popular). O pessoal da AP vinha da JUC (Juventude 
Universitária Católica) e, em princípio, não era marxista. Até 1964, eles estariam na 
direção da UNE. Aliás, como bem lembra Schimidt (1996), em 1963 o presidente da 
UNE era o paulista José Serra, anos mais tarde ministro neoliberal de FHC. 
 
Naquela época os estudantes levavam muito a sério a luta política. A 
geração dos anos 60 e começo dos 70 acreditava que a luta política realmente 
mudaria o mundo inteiro. Por isso a UNE era tão importante e tão perigosa para os 
poderosos. 
 
O pessoal da UNE acreditava que o ensino não podia ser elitista, como se 
dizia na época. A universidade precisava ser comprometida com as necessidades 
nacionais, formar pessoas capazes de pensar os problemas brasileiros em vez de 
ficar seguindo as instruções norte-americanas. Os conhecimentos não deveriam 
ficar presos à sala de aula e ao laboratório, eles deviam ser levados ao povo. 
 
Dentro desses ideais, a UNE criou os CPC (Centros Populares de Cultura), 
nos quais se faziam representações de peças de teatro na rua, de autores como 
Oduvaldo Viana Filho e Gianfrancesco Guarnieri, shows de música e poesia, 
sessões de cinema com filmes politizados (de diretores como Pasolini, Glauber 
Rocha), debates em praça pública e auditórios. Tudo com objetivo educativo: de 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
55 
 
 
 
 
modo divertido e fácil de entender, mostravam às pessoas nas ruas a necessidade 
 
de combater o “imperialismo norte-americano” e de defender as reformas de base. 
 
No Congresso Nacional, a força de apoio de Jango era o PTB, segundo 
partido em tamanho. Brizola, por exemplo, tinha sido eleito deputado federal com a 
maior votação do Brasil (pela Guanabara. Prova de sua popularidade junto à antiga 
capital). A Frente Parlamentar Nacionalista unia os deputados e senadores 
favoráveis às reformas de base. 
 
Apesar da liberdade de atuação (Prestes era uma figura pública, dava 
entrevistas e palestras), o PCB mantinha-se na ilegalidade. Para escapar da 
proibição da lei, os comunistas elegeram diversos deputados e vereadores pela 
legenda do PTB. 
 
Como de costume, o PCB tinha enorme prestígio entre estudantes e 
sindicalistas. Mas a força dele ainda era bem pequena. Além disso, continuava a 
achar que o Brasil não estava preparado para o socialismo. Por isso, apoiava as 
reformas de base de Jango, que eram apenas uma melhorada no capitalismo 
nacional. Tinham força porque eram organizados e conscientes, mas eram 
relativamente poucos. 
 
Talvez a melhor maneira de traduzir o clima intelectual e político do Brasil 
naquele começo dos anos 60 seja a descoberta do verbo conscientizar. Ele surgiu 
naquele momentoporque expressava com perfeição o que os brasileiros estavam 
fazendo: o Brasil começava a pensar a si mesmo, começava a tomar consciência de 
seus problemas e de como resolvê-los por conta própria. As pessoas acreditavam 
que era possível mudar muita coisa para melhor. As pessoas estavam se 
conscientizando. 
 
Como se observou, o Brasil do começo dos anos 60 estava cheio de atritos. 
De um lado, as forças da mudança, que apoiavam as reformas de base. Do lado 
contrário a potência do conservadorismo de direita. 
 
Contra Goulart tínhamos os latifundiários e os empresários, sem falar no 
pavor de o governo inventar impostos pesados sobre as grandes fortunas. 
 
No Congresso Nacional, a UDN e outros deputados conservadores 
formaram a Ação Democrática Parlamentar para bloquear as reformas de base. 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
56 
 
 
 
 
A classe média, geralmente udenista, tinha horror a um presidente que se 
aproximava dos trabalhadores. As greves que paralisavam os transportes e os 
serviços de luz irritavam demais. Acreditavam que os aumentos salariais só serviam 
para aumentar a inflação. 
 
As greves, os conflitos de classes cada vez mais agudos e as incertezas da 
política de Jango deixavam a classe média desnorteada. 
 
Segundo Figueiredo Filho (2005), uma pesquisa de opinião do Ibope, feita 
na véspera do golpe de 64, mostrou que a maioria dos brasileiros considerava bom 
o governo de Jango. Mas grande parte dessa maioria era de gente que não moveria 
um dedo para defendê-lo. 
 
Além da oposição sistemática da UDN, dos latifundiários, dos grandes 
empresários e da classe média, Jango ainda tinha de enfrentar a grande imprensa. 
Jornais como O Estado de S. Paulo e O Globo eram implacáveis. O presidente 
aparecia como culpado de tudo de ruim que havia no país. Nas manchetes, coisas 
como "Jango é marionete nas mãos dos comunistas", "Querem uma república 
sindicalista", "País à beira do caos e da anarquia" eram comuns e faziam a cabeça 
das pessoas (FIGUEIREDO FILHO, 2005). 
 
Havia sinais de mudança da Igreja. O papa João XXIII nas encíclicas Mater 
et Magistra (1961) e Pacem in Terris (1963) atacava o comunismo, mas defendia a 
necessidade de mudanças graduais na sociedade. O Concílio Vaticano II confirmou 
essas idéias e o novo papa, Paulo VI, deu sinal verde para o engajamento dos 
católicos em projetos de reformas não socialistas. Alguns estudantes da JUC 
(Juventude Universitária Católica) tinham certa simpatia pelas ideias marxistas. 
Formariam a AP, de onde vieram os presidentes da UNE nos anos de 61 a 64. A 
maioria do clero, entretanto, continuaria muito reacionária. Havia até a extrema 
direita, ligada a figuras tradicionalistas como Dom Castro Mayer e Dom Geraldo 
Sigaud, que trocava figurinhas como uma organização católica fascistóide, a TFP 
(Tradição Família e Propriedade). No Nordeste, os padres tentavam formar 
sindicatos rurais controlados pela Igreja e contrários às ligas camponesas. Na 
véspera do golpe, padres e freiras organizaram passeatas com milhares de pessoas 
apoiando uma intervenção militar (FIGUEIREDO FILHO, 2005). 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
57 
 
 
 
 
Quem não estava de acordo com o governo de Goulart era o Departamento 
de Estado dos EUA. As propostas nacionalistas de controlar a remessa de lucros 
das multinacionais para o estrangeiro, de entregar à Petrobrás o refino de todo o 
petróleo e de estatizar diversas companhias norte-americanas eram muito 
desagradáveis para os EUA. 
 
O grande fantasma da época foi a Revolução Cubana, liderada por Fidel 
Castro. Socialismo, guerrilha, Che Guevara, marxismo, esses acontecimentos 
estavam virando rotina entre os estudantes. Havia o medo de acontecer no Brasil o 
mesmo que em outros países latino-americanos. 
 
No Brasil, a direita também se organizava. Na época das eleições, o IBAD 
(Instituto Brasileiro de Ação Democrática) enchia as televisões, rádios e jornais com 
publicidade política a favor de candidatos udenistas ou semelhantes. Centenas de 
candidatos tiveram a campanha eleitoral financiada pelo IBAD, que por sua vez 
recebeu dinheiro direto dos EUA (através da CIA) e de grandes multinacionais 
instala das no Brasil. Eram financiamentos ilegais, houve investigação e as provas 
apareceram. Mas Jango, querendo mostrar boa vontade com os EUA, mandou 
deixar para lá (SCHIMIDT, 1996). 
 
O IPES (Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais) planejava propagandas 
em veículos de comunicação atacando os comunistas, os nacionalistas e João 
Goulart. O embaixador norte-americano, Lincoln Gordon, tinha uma estranha 
liberdade de movimentos para entrar em assuntos alheios a seu país. Frequentava 
quartéis, ouvia as lamúrias servis de Lacerda, mandava recados para a imprensa. 
 
Nas academias, os militares aprendiam que as greves, os protestos sociais, 
as manifestações populares eram uma “baderna” intolerável. Para eles, o que faltava 
ao país era a “disciplina” e a “ordem”. 
 
Os militares como tantos brasileiros decentes, se enojavam com a existência 
de políticos corruptos. Naquela época, começou a jorrar a ideia de que “A 
honestidade é de cor verde-oliva”, ou seja, a cor da farda do Exército. Para muitos 
militares e civis, o país só teria governos honestos quando o Estado estivesse nas 
mãos dos generais. 
 
Nas escolas militares, havia uma doutrinação anticomunista fortíssima. 
 
Qualquer greve era vista como “armação dos comunistas contra o Brasil”. 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
58 
 
 
 
 
O mais difícil de aceitar era a influência dos EUA sobre a capacitação de 
nossos militares. Alguns dos melhores oficiais do Brasil fizeram cursos de 
aprimoramento com os americanos, inclusive na Escola do Panamá, fundada em 
1951. Voltavam de lá com a lição de que “O que é bom para os EUA é bom para o 
 
Brasil; o que é ruim para os EUA é ruim para o Brasil”. 
 
Aqui no Brasil, foi fundada em 1949, a ESG (Escola Superior de Guerra), 
Nela, desenvolveu-se a famosa DSN (Doutrina de Segurança Nacional), que 
doutrinou muitos militares. O golpe e a ditadura militar procuravam seguir os 
princípios dessa doutrina, divulgados pela ESG. E à frente de todos estava o 
General Golbery do Couto e Silva (FIGUEIREDO FILHO, 2005, p.86). 
 
Para a DSN, a Terceira Guerra Mundial já havia começado, que eles 
consideravam uma luta do Mundo Livre contra o Comunismo Internacional. O lado 
do bem era o dos valores da civilização cristã ocidental tais como a propriedade 
privada, o individualismo, o capitalismo, as liberdades, a democracia. O inimigo era o 
mundo do mal, do ateísmo, da imoralidade, da socialização dos meios de produção, 
do Estado totalitário, da ditadura monstruosa dos comunistas. 
 
Acontece que a DSN não era apenas negativista, no sentido de querer 
negar, destruir uma situação. Ela tinha um lado construtivo, ou seja, propunha criar 
um novo país, ligando-se à uma visão geopolítica. A geopolítica foi inventada pelo 
imperialismo alemão no final do século XIX. Sua ideia é a de que o destino de um 
país se relaciona com suas condições geográficas. O general Golbery do Couto e 
Silva, especialista em geopolítica, cabeça-chefe da DSN brasileira, dizia que o 
Brasil, país gigantesco com população crescente, tinhao destino de se tornar a 
grande potência capitalista do Cone Sul. Para isso, os militares assumiriam a 
direção do país, mobilizando todos os recursos econômicos, políticos, psicossociais 
e militares (FIGUEIREDO FILHO, 2005). 
 
A gota d‟água para que agissem veio com a rebelião dos marinheiros e o 
famoso Comício da Central do Brasil. 
 
As lutas de classes chegaram ao ponto mais agudo. Valia tudo, até mesmo 
calúnias e baixíssimo nível. 
Panfletos espalhavam que Jango baixaria um decreto ordenando que os 
moradores dividissem seus apartamentos com os favelados. 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
59 
 
 
 
 
Brizola foi convidado a proferir uma palestra sobre “reforma agrária” em 
Minas Gerais. Não conseguiu. Um coro de senhoras e senhoritas, rezando o terço, 
pedia a Deus que livrasse o Brasil do comunismo e da reforma agrária. 
 
Jango resolveu apresentar sua última carta: as reformas de base teriam de 
passar “por bem ou por mal”, como se dizia. No dia 13 de março de 1964, apesar do 
feriado decretado de surpresa pelo governador Lacerda, centenas de milhares de 
pessoas compareceram ao célebre Comício da Central do Brasil quando João 
Goulart anunciou que estava enviando ao Congresso as primeiras reformas de base: 
expropriação de latifúndios improdutivos, nacionalização das refinarias de petróleo. 
 
Seis dias depois, foi a vez de a classe média paulista dar o troco. 
Associações de donas de casa, esposas de maridos com altos vencimentos 
mensais, damas da alta sociedade, pastores evangélicos, comerciantes, policiais, e 
demais organizações representativas mobilizaram milhares de pessoas na Marcha 
da Família com Deus pela Liberdade (SKIDMORE, 1979). 
 
A Marcha e a rebelião dos marinheiros (que haviam criado uma associação 
para defender seus interesses), coordenada pelo Cabo Anselmo foi o toque final de 
provocação às Forças Armadas. Imprescindível lembrar que o Cabo Anselmo 
confessou ser um agente da CIA (serviço secreto dos EUA) “plantado” com a função 
de transbordar o balde de paciência dos comandantes militares brasileiros. 
 
No dia 31 de março de 1964, o general Olímpio Mourão Filho precipitou o 
golpe. Tinha o apoio do governador mineiro (e banqueiro) Magalhães Pinto. Na 
Guanabara, Lacerda entrincheirou-se no Palácio Guanabara, aguardando o ataque 
dos fuzileiros navais liderados pelo comandante Aragão. Não houve ataque 
nenhum. Não houve choque militar, Não houve nenhum bloqueio. 
 
 
 
Os anos de chumbo 
 
A resistência contra a ditadura começa a ser articulada primeiro pela Frente 
Ampla liderada por Carlos Lacerda (conspirador e entusiasta do golpe de 1964) que 
pretendia restaurar o poder civil. Fracassada aquela articulação foi a vez dos 
estudantes. Em 1968 imensas manifestações de protesto foram organizadas em 
várias capitais do Brasil contra as brutalidades do regime. Depois de uma ocupação 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
60 
 
 
 
 
das fábricas ocorrida em Osasco, São Paulo, e o desbaratamento do movimento 
estudantil em Ibiúna, São Paulo, em outubro de 1968, o regime resolveu decretar o 
rigoroso Ato Institucional nº 5 que implantava a ditadura de forma absoluta no Brasil. 
 
Os anos que se seguiram foram marcados como os mais violentos da 
História do Brasil. Inconformados com o fechamento de toda e qualquer forma de 
expressão política centenas de estudantes marcharam para a estrada da guerrilha 
urbana e rural. A pretexto de combatê-los com maior eficiência o regime militar 
lançou mão de práticas de guerras coloniais, generalizando a aplicação da tortura. 
 
O período sangrento foi acompanhado por um notável crescimento 
econômico. A era General Médici foi caracterizada por esta ambiguidade, de um 
lado sedimentava-se e aprofundava-se o desenvolvimento econômico da época de 
Juscelino e de outro regredia-se às práticas de terrorismo de Estado dos tempos da 
ditadura fascista de 1937-45. 
 
Legitimado basicamente pelo sucesso econômico, o regime começou a 
periclitar a partir da crise do petróleo de 1973. O estrategista do regime, o General 
Golbery do Couto e Silva estimulou então a abertura política conduzida pelo General 
Ernesto Geisel, o presidente. 
 
Ela ganhou corpo após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog e do 
operário Mário Fiel Filho nos porões da repressão que chocaram a opinião pública 
brasileira. 
 
Em 1974, os militares e seus ajudantes, reunidos no partido civil que lhes 
dava sustentação - a ARENA - foram derrotados nas eleições daquele ano. 
 
Em 1979 o General Figueiredo acelera a pacificação com a lei de anistia 
permitindo o retorno dos exilados políticos que se encontravam no exterior. Na série 
de eleições ocorridas entre 1980 a 1984, o regime se enfraqueceu ainda mais 
permitindo que os candidatos do partido de oposição - o MDB - assumiram a chefia 
de prefeituras e governos estaduais. 
 
 
 
A redemocratização 
 
Numa última tentativa de manter o poder, o regime criou o Colégio Eleitoral 
onde tinha superioridade de votos e poderia eleger um presidente da República da 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
61 
 
 
 
 
sua confiança. Venceu as convenções da ARENA, Paulo Maluf que no imaginário 
popular estava associado às práticas corruptoras. Foi então que as oposições 
coligadas (o pluralismo foi autorizado em 1980) resolveram sair às ruas 
conclamando o povo a favor da eleição direta para a presidência da República. 
 
Praticamente durante todo o ano de 1984 o País se encontrou imobilizado a 
favor das “Diretas-Já”, emenda proposta pelo deputado Dante de Oliveira e que foi 
rejeitada pelo Congresso Nacional constrangido por leis de emergência. As 
oposições tomaram a decisão de participar do Colégio eleitoral com candidato 
próprio apostando na corrosão do regime provocada pela candidatura Maluf. 
 
Em janeiro de 1985, foi eleito Tancredo Neves responsável pela transição 
pacífica para o regime democrático. A morte de Tancredo Neves, em abril de 1985, 
fez com que seu sucessor fosse o vice-presidente José Sarney egresso do partido 
de sustentação do regime militar. Este período de transição foi marcado pelo Plano 
Cruzado do Ministro da Fazenda Dilson Funaro, pela vitória do PMDB nas eleições 
de novembro de 1986 e pela aprovação da nova Corta Constitucional, orquestrada 
pelo deputado Ulysses Guimarães e promulgada em outubro de 1988, considerada a 
mais avançada constituição da história republicana no Brasil. 
 
Muitos planos econômicos vieram na esteira dos acontecimentos. Governos 
problemáticos. 
 
Chegamos ao período da globalização, várias privatizações e um modelo 
econômico que acompanhasse a ordem mundial com dois governos do sociólogo 
Fernando Henrique Cardoso e dando continuidade, dois mandatos do petista Luiz 
Inácio Lula da Silva. 
 
Estamos entrando numa nova Era, de novas esperanças, com uma mulher à 
frente do governo brasileiros e muitas promessas a serem cumpridas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
62 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS UTILIZADASE CONSULTADAS 
 
 
 
ABRÚCIO, Fernando Luís. Os Barões da Federação: os Governadores e a 
Redemocratização Brasileira. São Paulo: Editora Hucitec, 1998. 
 
ALMANAQUE ABRIL. Almanaque Abril, 1995: a enciclopédia em multimídia. Abril, 
São Paulo, 1995. 
 
ARRUDA, José Jobson de A; PILETTI, Nelson. Toda A História. 6 ed. São Paulo: 
Ática, 1997. 
 
Artigo: Motivos da ditadura de 1964. Disponível 
em<http://pt.wikipedia.org/wiki/Motivos_da_ditadura_de_1964> Acesso em 12 nov. 
2010. 
 
AZEVEDO, Azevedo de. A Cultura Brasileira. 5 Ed., revista e ampliada. São Paulo. 
Melhoramento, Editora da USP, 1971. 
 
BOMENY, Helena. A educação no segundo governo Vargas. Disponível em: 
<http://www.cpdoc.fgv.br.> Acesso em: 12 nov. 2010. 
 
BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Cia das Letras, 1992. 
 
BRAGA, Aristides. A Revolução de 64. Disponível em 
<http://www.ternuma.com.br/arevolucaode64.htm> Acesso em 12 nov. 2010. 
 
BRANCO, Eustáquio Lagoeiro Castelo. A Revolução ou Golpe de 1964. Disponível 
em <http://www.eduquenet/revolucaoougolpede1964.htm> Acesso em 12 nov. 2010. 
 
CALDEIRA, Jorge ET AL. Viagem pela História do Brasil. São Paulo: Cia das 
Letras, 2000. 
 
CANCELLI, Elizabeth. O mundo da violência: a polícia na Era Vargas. 2 ed. 
Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1994. 
 
CANCIAN, Renato. Eleito pelo povo, Getúlio deixa a vida para entrar na história. 
Disponível em: 
<http://noticias.uol.com.br/licaodecasa/materias/fundamental/historia/brasil/ult1689u 
2.jhtm> Acesso em: 12 nov. 2010. 
 
CHAVES, Lázaro Curvelo. A Geopolítica do golpe de 64. Disponível em 
>http://www.culturabrasil.pro.br/geo_64.htm> Acesso em 12 nov. 2010. 
 
CHIAVENATO, Julio José. O golpe de 64 e a ditadura militar. São Paulo: Moderna. 
1994. 
 
COHEN, Gabriel. Disponível em 
<http://www.culturabrasil.pro.br/desenvolvimentismo.htm> Acesso em 12 nov. 2010. 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
http://pt.wikipedia.org/wiki/Motivos_da_ditadura_de_1964
http://www.cpdoc.fgv.br/
http://www.ternuma.com.br/arevolucaode64.htm
http://www.eduquenet/revolucaoougolpede1964.htm
http://noticias.uol.com.br/licaodecasa/materias/fundamental/historia/brasil/ult1689u%202.jhtm
http://noticias.uol.com.br/licaodecasa/materias/fundamental/historia/brasil/ult1689u%202.jhtm
http://www.culturabrasil.pro.br/geo_64.htm
http://www.culturabrasil.pro.br/desenvolvimentismo.htm
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
63 
 
 
 
 
COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República: Momentos Decisivos. 2 ed. 
São Paulo: Livraria Editora Ciências Humanas, 1979. 
 
COULON, Olga Maria A Fonseca; PEDRO, Fábio Costa. As bases do Estado Novo. 
Apostila: Estados Nacionais à Primeira Guerra Mundial. Belo Horizonte: UFMG, 
1995. 
 
DEL NERO, Augusto Agnaldo. A Grande Mentira. Rio de Janeiro: Editora Bibliex 
Cooperativa, 2001. 
 
DULCI, Luiz. Documentação e memória política. Disponível em 
<http://www.fpa.org.br/memoria/2001/09/sãopaulo> Acesso em 12 nov. 2010. 
 
FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder. Formação do Patronato Político 
Brasileiro. 7 Ed. Rio de Janeiro: Globo, 1987. 
 
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 5 ed. São Paulo: Edusp, 1997. 
 
FIGUEIREDO FILHO, Celso Ramos. ESG E ESTADÃO EM 1964: LIMITES 
AUTORITÁRIOS DO LIBERALISMO. REVISTA Adusp: maio de 2005. 
 
FREIRE, Américo. A Constituição de 1946. Disponível em: 
<http://www.cpdoc.fgv.br/nav_gv/htm/> Acesso em: 12 nov. 2010. 
 
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. O plano Cohen. Disponível em: 
<http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm> Acesso em: 12 nov. 2010. 
 
HOBSBAWM, Eric J. A Era dos Impérios 1875-1914. 3 ed. São Paulo: Paz e Terra, 
1992. 
 
HOLANDA, Sergio Buarque de Holanda. O Brasil Monárquico. Tomo II; declínio e 
queda do império. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,1997. 
 
HOLANDA, Sérgio Buarque de; FAUSTO, Boris (orgs.). História geral da 
civilização brasileira. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, várias datas. 
 
JORGE, Fernando, Getúlio Vargas e seu Tempo, 2 vol. Curitiba: T. A. Queirós, 
1986. 
JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO. Editorial. 08 de março de 1990. 
JUREMA, Abelardo. SEXTA FEIRA, 13 - Os últimos dias do Governo João 
Goulart. Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1964. 
 
KOSHIBA, Luiz. História do Brasil. São Paulo: Ed. Atual, 1993. 
 
KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise M Frayze. História do Brasil no contexto da 
história ocidental. São Paulo: Atual, 2004. 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
http://www.fpa.org.br/memoria/2001/09/s%C3%83%C2%A3opaulo
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_gv/htm/
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
64 
 
 
 
 
LAMARÃO, Sérgio Tadeu de Niemeyer; MOREIRA, Regina da Luz. Petrobrás. 
CPDOC, 2007. Disponível em: 
<http://www.cpdoc.fgv.br/nav_gv/htm/3E_ele_voltou/Petrobras.asp> Acesso em: 12 
nov. 2010. 
 
LIMA, Valentina da Rocha. Getúlio, uma história oral. Rio de Janeiro: Record, 
1986. 
 
MARANHÃO, Ricardo; RONCARI, Luiz; ALMEIDA JR, Antonio Mendes de. História 
do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1973. 
 
MOREIRA, Regina da Luz. CSN: uma decisão política. Disponível em: 
<http://www.cpdoc.fgv.br/> Acesso em: 12 nov. 2010. 
 
NASCIMENTO, Maria Isabel Moura. O império e as primeiras tentativas de 
organização da educação nacional (1822-1889). Disponível em: 
http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/periodo_imperial_intro.html Acesso 
em: 13 nov. 2010. 
 
PINHEIRO, Letícia. A política externa de Vargas. Disponível em: 
<http://www.cpdoc.fgv.br/politica_externa> Acesso em: 12 nov. 2010. 
 
POMAR, Wladimir. Era Vargas: a modernização conservadora. 3 ed. 9 impr. São 
Paulo: Ática, 2004. 
 
PORTAL BRASILNET. História do Brasil – Brasil Imperial. Disponível em: 
http://www.portalbrasil.net/brasil_historiadobrasil_periodoimperial.htm 
 
PRIORE, Mary Del; VENÂNCIO, Renato Pinto. O livro de ouro da história do 
Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001. 
 
QUADROS NETO, Jânio. GUALAZZI, Eduardo Lobo Botelho. Jânio Quadros: 
Memorial à História do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Rideel, 1996. 
 
RIBEIRO, Darcy. Getúlio Vargas, o Robespierre brasileiro. Disponível em: < 
http://www.culturabrasil.org/fhc.htm> Acesso em: 12 nov. 2010. 
 
RIBEIRO, Darcy; MOREIRA NETO, Carlos de Araújo. A fundação do Brasil: 
testemunhos 1500-1700. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1993. 
 
RIBEIRO, Maria Luiza Santos. História da Educação Brasileira: A organização 
Escolar. Campinas, SP: Autores Associados, 2003. 
 
SANTOS, Wanderley Guilherme. Quem dará o golpe no Brasil? Coleção Cadernos 
do Povo Brasileiro, vol. 5. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 1962. 
 
SCHILLING, Voltaire. História do Brasil República. Disponível em 
<http://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2004/03/25/008.htm#inicio> Acesso em 
12 nov. 2010. 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_gv/htm/3E_ele_voltou/Petrobras.asp
http://www.cpdoc.fgv.br/
http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/periodo_imperial_intro.html
http://www.cpdoc.fgv.br/politica_externa
http://www.portalbrasil.net/brasil_historiadobrasil_periodoimperial.htmhttp://www.culturabrasil.org/fhc.htm
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2004/03/25/008.htm#inicio
www.institutoipb.com.br | atendimento@institutoipb.com.br | +55 (31) 3411-3143 
 
 
IPB - Instituto Pedagógico Brasileiro 
HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA - HISTORIOGRAFIA 
 
 
65 
 
 
 
 
SCHIMIDT, Mário Furley. História Crítica do Brasil. São Paulo: Ed. Nova Geração, 
1996. 
 
SILVA, Raul Mendes; CACHAPUZ, Paulo Brandi; LAMARÃO, Sérgio (org.). Getúlio 
Vargas e seu tempo. Enciclopédia Temática. Rio de Janeiro: Rumo Certo 
produções culturais, s.d. 
 
SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio Vargas a Castelo Branco (1930 - 1964). 
Trad. Ismenia Tunes Dantas. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979. 
 
SOUZA, Laura de Mello e (org.). A história da vida privada no Brasil. São Paulo: 
Cia. das Letras, 1997. 
 
WEREBE, Maria José Garcia. 30 Anos Depois - Grandezas e Misérias do Ensino 
no Brasil. São Paulo: Ática, 1994. 
 
XAVIER, Maria Elizabete S. Prado. Poder político e educação de elite. 3 ed., São 
Paulo: Cortez: Autores Associados, 1992. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.institutoipb.com.br/
mailto:atendimento@institutoipb.com.br

Mais conteúdos dessa disciplina