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Bioquímica da Boca (Saliva)
O início da digestão dos carboidratos (amido e glicogênio) começa na boca. A saliva é um fluído heterogêneo que umedece a cavidade oral. Suas principais funções são:
1. Manutenção da integridade dos tecidos moles (gengiva, mucosa) e dentes;
2. Degradação do amido e glicogênio (amilase salivar ou ptialina);
3. Degradação de lipídeos em contato com a lipase lingual;
4. Umidificação/lubrificação, facilitando a deglutição;
5. Remineralização dos dentes (reservatório de íons cálcio e fosfato);
6. Autolimpeza da boca (autóclise);
7. Percepção gustativa dos alimentos (gustina);
8. Excreção de toxinas (A saliva possui na sua composição taxas de ureia e amônia. A amônia vai para a via da ureia no fígado, pois é tóxica, pois pode causar alcalose metabólica. Assim, é convertida em ureia – composto menos tóxico para excreção);
9. Balanço hídrico sistêmico;
10. Proteção da arcada dentária (película adquirida – barreira de proteção no esmalte a partir de proteínas presentes na saliva. Obs.: o elevado metabolismo bacteriano por produção de ácido lático na via glicolítica reduz o pH até 5,5. Essa acidez favorece o desgaste da película adquirida, logo, é indicado o uso de flúor);
11. Ação antimicrobiana (secreta IgA, lisozima e lactoferrina e faz aglutinação rápida de células bacterianas).
A composição, o fluxo e a concentração de saliva são determinantes no processo da cárie. Cárie significa material putrefato. Decorre da ação do metabolismo bacteriano, geralmente sacarose dependente, como no caso da Streptococcus mutans. A bactéria converte a sacarose em glicose. A glicose, por sua vez, é quebrada na via glicolítica. Na via glicolítica, a glicose é quebrada em ácido lático. Este ácido lático tende a reduzir o pH da boca, desgasta o esmalte dentário (desmineralização) e favorece a ocorrência de cáries. Uma espécie de feedback +. Obs.: a cárie na raiz é chamada de cárie rampante.
	Saliva e Cárie
Os fatores protetores da saliva em relação à cárie dentária são:
· fluxo salivar
· velocidade do fluxo
· concentração de íons cálcio e fosfato
· capacidade tampão
· sistemas antibacterianos salivar
	
	pH Salivar e Cárie
O dente e a saliva estão sempre trocando sais minerais. Entretanto, quando a saliva se torna ácida, o esmalte dentário passa a doar mais sais minerais ao meio bucal. Assim, o dente torna-se mais suscetível à cárie.
	Saliva e Tártaro
A saliva é composta de moléculas viscosas de cadeia larga. Estas moléculas se depositam nos dentes e formam uma matriz. Esta matriz viscosa proporciona uma área ideal para fixação e precipitação do fosfato de cálcio em pH alcalino.
	
	pH Salivar e Tártaro
O excesso de sais minerais presentes numa saliva com pH básico interfere na troca equilibrada deles entre o esmalte dentário e a saliva. Esta situação propicia maior deposição de sais minerais na superfície do dente favorecendo a formação do tártaro.
ATENÇÃO! Glicogenólise = Degradação do glicogênio // Glicólise = Degradação da glicose // Gliconeogênese = Produção de glicose por meio de não carboidratos. // Glicogênese = Produção de glicogênio a partir de outros carboidratos.
Xerostomia – diminuição do fluxo salivar com sensação de ardência na boca. Favorece a proliferação bacteriana, ulceração e infecção local. Pode ser decorrente de radioterapia da região crânio-cervical, diabetes (devido à desidratação) ou Síndrome Sjgien (doença autoimune com redução de saliva e lágrima; ataca glândulas exócrinas).
A diminuição do fluxo salivar pode ocorrer por diabetes, doença autoimune, cálculo na glândula salivar, radioterapia de cabeça e pescoço, uso de determinados medicamentos, anorexia nervosa, desnutrição, jejum frequente e menopausa.
O mau hálito pode ocorrer por cárie, diminuição da produção de saliva, gengivite, periodontite (gengivite que se estende às estruturas de suporte do dente, como o ligamento periodontal e alvéolos ósseos), má higiene, saburra (placa bacteriana na língua), etc. 
A saliva é produzida por 4 componentes: Parótida (25%), Submandibulares (70%), Sublingual (5%). Ainda há produção de saliva por glândulas menores localizadas ao longo de toda mucosa oral.
· Glândulas maiores:
1. Parótida – maior glândula salivar. A saliva secretada por ela é rica em água (secreção exclusivamente serosa). Ela é grande produtora de amilase salivar (principal responsável pela degradação do amido e glicogênio).
2. Submandibular – glândula mista constituída por células acinares serosas e mucosas, com predomínio das serosas.
3. Sublingual – menor glândula salivar. A saliva secretada por elas é rica em mucina (secreção exclusivamente mucosa), que dá viscosidade à saliva, protegendo a mucosa de agressões externas.
· Glândulas menores (acessórias):
1. Labiais
2. Genianas
3. Palatinas
4. Linguais
Saliva total/mista/integral – somatório de todo líquido que cai na cavidade oral (fluidos das glândulas maiores + menores).
Fluido Crevicular (Fluido Gengival): Gengiva também é capaz de secretar fluídos.
A saliva produzida nos ácinos é isotônica em relação ao sangue, ou seja, possuem a mesma concentração de sódio e cloreto. Entretanto, quando ela flui pelos ductos, ocorre troca de íons, pois os ductos são impermeáveis à água, mas não à íons, sendo assim, a saliva final encontra-se hipotônica em relação ao sangue. A composição da saliva pode variar segundo a velocidade do fluxo salivar, o tipo de estímulo e a duração desse estímulo. 
Principais constituintes da saliva:
1. Minerais e eletrólitos;
2. Tampões (neutraliza o pH);
3. Enzimas, inibidores enzimáticos;
4. Proteínas não enzimáticas;
5. Fatores de crescimento e citocinas;
6. Hormônios;
7. Vitaminas;
8. Lipídios;
9. Complexo multiproteicos.
· Cálcio e fosfato: relacionados com o processo de cárie e envolvidos no equilíbrio iônico entre o dente e saliva.
· H2PO4- / HPO4- constituem o tampão fosfato importante no tamponamento da saliva não estimulada.
· H2CO3 / HCO3- constituem o tampão bicarbonato, principal agente tamponante da saliva não estimulada.
· F- (flúor) é o único elemento químico de eficiência PREVENTIVA e TERAPÊUTICA.
Proteínas:
· ESTATERINA
· Presente na película adquirida do dente;
· Regula processos de remineralização;
· Atua na estabilização da supersaturação de cálcio e fosfato na saliva e placa dental;
· Retarda a formação de cálculo dental.
· MUCINA
· Forma agregados bacterianos;
· Responsável pela viscosidade e lubrificação da saliva.
· GUSTINA
· Responsável pela acuidade gustativa (percepção de sabores);
· Tem o zinco como cofator para auxiliar no processo sensível.
· SIALINA
· Fator elevador do pH da placa dental.
· HISTATINA
· Antifúngica e antibacteriana;
· Importante no equilíbrio da microbiota bucal.
· LACTOPEROXIDASE
· Promove oxidação biológica de componentes microbianos;
· Possui potente ação antimicrobiana.
· LISOZIMAS
· Conhecido como antibiótico fisiológico;
· Possuem ação bacteriolítica;
· Degrada a matriz de peptideoglicanos da parede celular da bactéria.
· IMUNOGLOBULINAS
· Cinco classes IgA, IgG e IgM, IgD e IgE
· Glicoproteínas que atuam como anticorpos
· Mais abundante é a IgA - contém componente secretório – chamada de SIgA
· IgA SECRETORAS
· Importantes na prevenção à cárie;
· Promovem a aglutinação e neutralização dos
sítios tóxicos dos antígenos - diminui a aderência à HA e facilita sua deglutição;
· Proporciona a 1a barreira contra infecções e colonização de bactérias no meio bucal;
· Responsáveis pela resposta imune da cavidade bucal – Protegem as mucosas contra ação de MO.
Amilase Salivar: pH ótimo de atuação: 6,8 – 6,9. É uma enzima secretada pela parótida. Hidrolisa, catalisa e quebra a ligação α 1-4 do amido e do glicogênio, produzindo glicose, maltose (dissacarídeo, maltose = glicose + glicose) e dextrina (composto com 4 moléculas de glicose).
· O aumento do fluxo salivar por secreção da glândula parótida aumenta a secreção de amilase salivar.
· Produtos na cavidade oral pela degradação do amido e do glicogênio por atuação da amilase:
Obs.: a amilase não quebra a ligação α 1-6.
· A concentração desses subprodutosdo amido e do glicogênio são muito baixas na boca, visto que eles são rapidamente deglutidos.
· Há uma lipase lingual que atua no processo de lise lipídica. A lipase atua degradando o triacilglicerol em propanotriol e ácido graxo. 
· O processo de degradação do triacilglicerol pela lipase salivar envolve hidrolise do triacilglicerol. Isso resulta no glicerol e em três compostos de ácido graxo. 
· A amilase e lipase pancreática finaliza o processo de digestão dos carboidratos e lipídeos no intestino.
· A hidrólise do amido é catalisada pela amilase salivar e pancreática nas ligações glicosídicas α 1-4 liberando os subprodutos já discutidos. 
· A lipase salivar inicia a digestão dos lipídeos. 
Tamponamento
A saliva comporta-se como um sistema tampão que protege a cavidade oral de duas maneiras: primeiro, muitas bactérias necessitam de um pH específico para seu crescimento máximo; a capacidade tampão da saliva evita a colonização da boca por microrganismos potencialmente patogênicos, por negar-lhes a otimização das condições ambientais: em segundo lugar, os microrganismos da placa podem produzir ácido a partir de açúcares, os quais, não sendo rapidamente tamponado e limpos pela saliva, podem desmineralizar o esmalte. 
Capacidade-tampão
A capacidade-tampão da saliva (CTS) é a propriedade de a saliva manter o seu pH constante a 6,9-7,0, graças aos seus tampões, mucinato/mucina, HCO-3/H2CO3 e HPO--4/H2PO-4, que bloqueiam o excesso de ácidos e de bases conforme os mecanismos: 
· Excesso de ácidos (H+):H+ + HCO-3 → H2CO3 → H2O + CO2
· Excesso de bases (HO-): HO- + H2CO3 → HCO-3 + H2O