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1 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 2 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Livro “Assoalho Pélvico” Seja mais assertivo em seus atendimentos aprendendo a anatomia do assoalho pélvico 3 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Livro Assoalho Pélvico 2019 Autora: Janaína Cintas Retrato autora: Vitor Guilherme Alves da Cunha Revisão e Diagramação: Priscila Cunha Castro Capa desenvolvida por: Vitor Guilherme Alves da Cunha Ilustrações: Vitor Guilherme Alves da Cunha e Priscila Castro Fotos: Vitor Guilherme Alves da Cunha Apoio: Grupo Voll Pilates Colaboração: Marcio Fernando da Silva e Waleska Braga Buarque Nenhuma parte pode ser duplicada ou reproduzida sem expressa autorização do Editor. 4 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Livro Assoalho Pélvico Aprenda ser mais assertivo em seus atendimentos através do conhecimento anatômico do assoalho pélvico. Janaína Cintas Escritora, Bicampeã mundial de BMX e Fisioterapeuta graduada pela Universidade da Cidade de São Paulo. Posteriormente aperfeiçoou em Gerontologia na Pós-Graduação da Universidade Federal do Estado de São Paulo. Subsequentemente se especializou em Cadeias Fisiológicas do 5 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Método Busquet, RPG de Philippe Souchard, estudiosa das relações viscerais com a pressão intra- -abdominal, formou-se em Pilates e Pilates Aéreo pela Escola de Madrid, trabalhou como fisioterapeuta no Hospital Albert Einstein e atualmente faz parte do Grupo Voll Pilates, onde ministra cursos e palestras. Janaína também é autora do Livro Cadeias Musculares do Tronco lançado em 2015 em Madrid e no Brasil, A Ciência do Pilates em 2017 pela Sarvier Editora de Livros Médicos Ltda e Livro de Avaliação Postural 2018, Ganhadora do Prêmio Contrology 2017 Influenciador Digital e 2018 Profissional do Ano, 6 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Agradecimento À Deus, por todas as oportunidades que me tem concedido. Agradeço especialmente àqueles que acreditam e possibilitam a concretização deste projeto. Dedico este livro às pessoas que saem todos os dias de manhã para construir o próprio futuro, àqueles que superam suas adversidades e se mantêm firmes em busca de seus sonhos. Janaína Cintas 7 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Sumário Capítulo 1 – Anatomia do assoalho pélvico ......................08 Capítulo 2 – A função do assoalho pélvico .....................25 Capítulo 3 – Sinergia abdomino-pélvica ...........................29 Capítulo 4 – Incontinência urinária no Brasil ....................37 Capítulo 5 – Ilíacos no parto e pós-parto e as cadeias musculares ...............................................................................43 Capítulo 6 - Avaliação do assoalho pélvico .....................47 Capítulo 7 – Treino proprioceptivo..................................53 Capítulo 8 – Tratamento conservador ............................59 Capítulo 9 – Pilates e assoalho pélvico ...........................65 Conclusão - .....................................................................71 Referências – ..................................................................74 8 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 9 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 O assoalho pélvico e um complexo anatômico que ainda gera muitas dúvidas, porém nos profissionais do movimento temos de compreender muito bem seu funcionamento, visto que são músculos participantes do powerhouse, sendo, portanto, de extrema importância sua perfeita compreensão, sabemos que um bom funcionamento do assoalho pélvico se faz fundamental para o controle fecal, mictório e para a função sexual. Porem antes de falarmos sobre o assoalho pélvico, precisamos entender um pouco sobre a anatomia da estrutura que comporta todos os órgãos pélvicos. Imagem - 1.1 – Assoalho Pélvico 10 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 A pelve Imagem - 1.2 – Pelve 11 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 A cintura pélvica, onde se anulam a força de peso normal e solo, é composta pelos dois ilíacos e o sacro. Essas estruturas formam a articulação Sacro ilíaca. Imagem - 1.3 – Sacro ilíaca 12 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 A Sacro ilíaca transfere a carga dos membros inferiores para: • Parte superior do corpo; • Sínfise Púbica (púbis de um lado se articulando com o púbis do lado oposto). Na parte medial do forame obturado, o púbis se junta ao ísquio. Já na parte lateral ele está voltado para os membros inferiores. Nessa região o púbis dá a inserção a diversos músculos mediais da coxa. Fortes inserções ligamentares e musculares se localizam na face póstero inferior do ísquio, mais precisamente no tubérculo isquiático, dando a pelve sua estabilidade. Os ligamentos que dão uma estabilidade estática a pelve, são: - Ligamento iliolombares: limitam a inclinação lateral do tronco e são responsáveis pelo funcionamento do conjunto L5- Sacro, tensões nesses ligamentos podem ocorrer por alteração postural, levando a dores. - Ligamentos sacroilíacos anteriores: estabilizam a articulação sacroilíaca e limitam o movimento de tranutação. - Ligamento sacrotuberoso e sacroespinhoso: vão do sacro a tuberosidade isquiática e na espinha ilíaca e limitam os movimentos de nutação. 13 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Imagem - 1.4 – Ligamentos O acetábulo é a parte óssea côncava formada pela fusão dos ossos: ilíaco, ísquio e púbis e é aprofundada por um anel de fibrocartilagem, o lábio do acetábulo. 14 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Imagem - 1.5 – Acetábulo 15 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Imagem - 1.6 – Forças atuantes na pelve 16 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 *Força da Gravidade: Força gerada pela massa corporal em kg, quanto pesamos vezes aceleração gravitacional (aproximadamente 9,8) *A Força de Reação Solo: É uma força que atua do solo para o corpo que está em contato, representando uma resposta às ações musculares e ao peso corporal transmitido por meio dos pés. Apesar da pelve masculina e feminina serem similares, existe uma ligeira diferença entre ambas. A região da pelve menor masculina é mais profunda que a da mulher, sua abertura superior é mais estreita e a inferior menor, já a pelve feminina é mais larga e grande, adaptações necessárias para o momento da gravidez e do parto. 17 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Na figura abaixo vemos a diferença entre a pelve masculina e feminina: Imagem – 1.7 – Pelve masculina e feminina O Assoalho pélvico é formado por músculos, ligamentos e fáscias que encerram a pelve inferiormente, tanto no homem, quanto na mulher. Tem como função: a sustentação dos órgãos internos, e o controle da movimentação dos esfíncteres. 18 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Os músculosdo assoalho pélvico (MAP) são organizados anatomicamente em camadas: • Superficial: A camada superficial do assoalho pélvico e chamada de períneo sendo constituída pelos órgãos genitais externos e o ânus. No homem inicia-se na bolsa escrotal (testículos) seguindo até o ânus, e na mulher segue da vulva até o ânus. E a camada superficial e formada pelos seguintes músculos: bulboesponjoso, isquiocavernoso, transverso superficial e profundo do períneo, esfíncter uretral externo e esfíncter anal externo. Estes têm como função manter o fluxo urinário, além de tornar possível o ato sexual (promove a ereção do pênis e do clitóris, a ejaculação e as contrações da vagina durante o orgasmo), além do parto. • Profunda. A camada profunda é composta pelos músculos: isquioscoccígeos e levantadores do ânus (puborretal, pubococcígeo (levantador da próstata e pubovaginal, além do iliococcígeo), o conjunto desses músculos formam o diafragma pélvico. Na figura abaixo vemos os músculos superficiais e profundos do assoalho: 19 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Imagem - 1.8 – Assoalho pélvico Os músculos do diafragma pélvico são de fundamental importância para a sustentação dos órgãos internos, e sabemos que esses músculos permanecem contraídos constantemente, além disso quando num aumento da pressão abdominal repentina, como tossir ou espirrar, por exemplo, gerara uma contração rápida aumentando a tensão nesses músculos, para manter os órgãos em sua posição normal, além disso esses 20 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 músculos possuem esfíncteres que permanecem fechados, porem quando urinamos ou defecamos, a musculatura devera se relaxar e os esfíncteres se abrem para permitir a defecação e a micção. Imagem - 1.9 – Diafragma 21 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 O assoalho pélvico (AP), composto por um conjunto de órgãos (bexiga, útero e reto), músculos, ligamentos e fáscias que recobrem a parte inferior da pelve, possui a função de sustentar órgãos e manter funções fisiológicas como urinar e defecar. O assoalho pélvico é formado por um grupo de músculos e ligamentos que tem a função básica de sustentar os órgãos pélvicos e abdominais. Ao mesmo tempo em que funciona como sustentação das vísceras, também participa da continência fecal e urinária e deve permitir o coito, o parto e a eliminação de produtos de excreção. Possui três camadas de tecido conjuntivo principais: fáscia endopélvica, músculo elevador do ânus e membrana perineal- esfíncter externo do ânus. As vísceras pélvicas estão conectadas às paredes pélvicas laterais pela fáscia endopélvica, formando a primeira camada do assoalho pélvico. A segunda camada é o diafragma pélvico, formado pelo músculo elevador do ânus e sua aponeurose superior e inferior. A terceira camada é a membrana perianal ou diafragma urogenital. Que se localiza imediatamente abaixo do elevador do ânus. O suporte primário dos órgãos pélvicos é dado pelo elevador do ânus, que recobre todo o assoalho pélvico, de modo que as estruturas acima deste músculo repousam sobre ele. O músculo elevador do ânus constitui a principal defesa contra 22 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 prolapso, sendo constituído de duas partes: a primeira em forma de “U” bastante desenvolvida, que se origina na sínfise púbica, manda fibras para as paredes laterais da vagina e reto, assim como continua posteriormente ao reto formando um sling em torno do mesmo e retorna á sínfise púbica (músculo pubococcígeo); a segunda parte se origina das paredes laterais da pelve de cada lado inserindo-se na linha mediana, é menos espessa – músculo ileococcígeo. Os elevadores do ânus formam o maior e mais forte componente muscular do assoalho pélvico, sendo subdividido em três porções: pubovisceral, puborretal e iliococcígeos. Dos três componentes dos elevadores do ânus, o pubovisceral e o puborretal parecem ser os maiores responsáveis pela pressão de fechamento vaginal e, portanto, pelas aferições clínicas de força e função do assoalho pélvico. Já a musculatura superficial do assoalho pélvico não parece ter nenhuma ação mecânica significativa no suporte e sustentação dos órgãos pélvicos, estando mais relacionada à função sexual ao tracionarem inferiormente o clitóris ao diminuírem a abertura do vestíbulo urogenital. As estruturas sustentadas pelo assoalho pélvico são os órgãos pélvicos, como a bexiga, útero e reto, influenciando ativamente funções específicas. As funções fisiológicas de urinar e defecar são mantidas em funcionamento devido à função da musculatura do assoalho pélvico (MAP). Diante da fraqueza ou incoordenação da MAP, algumas disfunções podem surgir, dentre as quais têm destaque 23 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 a incontinência urinária, incontinência fecal, prolapsos genitais e disfunções sexuais. Estas disfunções podem surgir devido a traumas obstétricos, sobrepeso, avanço da idade, questões hormonais ou simplesmente por inconsciência da contração desta musculatura. Sabe-se que a incidência de câncer de próstata na população masculina vem crescendo cada vez mais e com isso há também o aumento de cirurgias para a retirada da próstata. E, que as mulheres têm sido submetidas majoritariamente a partos cesárea. Estes fatores associados a outros, são os principais causadores da IU tanto na população feminina como na masculina. 24 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 25 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 As principais funções dos músculos do assoalho pélvico são a de sustentação do saco visceral, além de estarem funcionais para a detecção e micção. Porém, estes músculos podem não desempenhar o seu papel de forma eficaz, por excesso de tensão ou fraqueza deles, isso se dá por diferentes motivos: gestação, parto, obesidade, idade avançada, dentre outras, gerando assim, disfunções importantes. Imagem – 2.1 – Gestação 26 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Na gravidez, os músculos do assoalho pélvico tendem a ficar mais fracos, alongados e sobrecarregados devido aos efeitos dos hormônios e do aumento da pressão abdominal. O alongamento muscular é positivo por um lado, pois prepara a pelve para o parto normal. Porém, o enfraquecimento muscular secundário predispõe ao aparecimento de disfunções, como a incontinência urinária (perda involuntária de urina). Desde 2009, a Sociedade Internacional de Continência, baseada em estudos científicos de alto nível de evidência, recomenda que todas as gestantes, independente da via de parto (normal ou cesárea), realizem exercícios para os músculos do assoalho pélvico, pois eles podem prevenir e tratar as disfunções do assoalho pélvico, além de aumentar a percepção sobre essa região. A forma como a gestante deve realizar os exercícios depende de como sua musculatura se encontra em relação ao tônus, força, resistência, controle e coordenação. Portanto, os exercícios devem ser prescritos individualmente, de acordo com o diagnóstico muscular feito pelo fisioterapeuta. A avaliação da musculatura é realizada por exame físico (inspeção e palpação vaginal) e por meio de aparelho de biofeedback, que oferece uma medida mais objetiva da função muscular. Pode ser feita assim que descoberta a gravidez, exceto se há restrição médica, ou idealmente antes da gestação. Já na avaliação, o 27 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 fisioterapeuta prescreverá exercícios para cada caso de acordo com as necessidades individuais da musculatura da gestante.Na prática cotidiana, de 30 a 50% das mulheres, mesmo jovens, são incapazes de contrair eficazmente a musculatura do assoalho pélvico quando isso lhes é solicitado, seja por comando verbal ou escrito. Isso mostra a importância de um programa de conscientização e propriocepção dessa musculatura, visto que a incoordenação também é uma das causas de incontinência urinária (IU) e outras disfunções do assoalho pélvico. Para prevenção e tratamento de tais distúrbios, surgiu a fisioterapia pélvica, especialidade que trabalha com o assoalho pélvico, incluindo exercícios ativos, uso de dispositivos auxiliares como o biofeedback, cones vaginais e a eletroestimulação. Todos os exercícios visam o reestabelecimento da estática pélvica por meio da reeducação perineal, somado ao ganho na consciência corporal. Contudo, esta incapacidade de contração do assoalho pélvico por nas mulheres é ponto crítico, especialmente no início do tratamento fisioterapêutico. 28 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 29 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Imagem – 3.1 – Ilíacos Um estudo realizado a respeito da sinergia abdomino-pélvica diz que aumentos repentinos na pressão intra-abdominal, levam a uma rápida atividade reflexa dos músculos do Assoalho Pélvico (reflexo guardião). Deve-se considerar que "o aumento repentino da pressão intra-abdominal se causada por uma manobra intrínseca (tosse, por exemplo) incluem a ativação via retroalimentação da musculatura do assoalho pélvico como parte de um complexo padrão de ativação muscular. Acredita-se que a tosse e o espirro são gerados por um padrão individual dentro do tronco cerebral, e assim, a ativação dos músculos do Assoalho Pélvico é uma coativação prévia, e não primariamente 30 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 uma reação "reflexa" ao aumento da pressão intra-abdominal. Porém, além disso, pode haver uma resposta reflexa adicional dos músculos do Assoalho Pélvico em relação ao aumento da pressão abdominal devido à distensão dos fusos musculares dentro dessa musculatura. Outros autores também afirmaram que o aumento da pressão de fechamento da uretra e do ânus ocorre imediatamente antes do aumento da pressão intra-abdominal. Nos eventos de tossir e espirrar, o diafragma, os músculos abdominais e o assoalho pélvico são ativados de forma pré-programada pelo sistema nervoso central. Este fato parece sugerir que, a ativação dos músculos do períneo, não acontecem, em resposta ao aumento da pressão intra-abdominal, sendo antes, produzida por mecanismos nervosos centrais que podem ser eventualmente regulados pela vontade. Algumas investigações demonstraram que a contração automática dos músculos do Assoalho Pélvico nas mulheres continentes é precedida ao aumento da pressão intra- abdominal. A contração prévia desses músculos, antes do aumento intra-abdominal, indica que essa resposta é pré- programada. A atividade antecipada não pode ser de uma resposta reflexa a uma entrada aferente, resultante de um aumento da pressão abdominal. Vários artigos abordaram sobre o comportamento dos músculos do Assoalho num esforço de tosse, tanto em mulheres 31 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 continentes quanto em mulheres incontinentes, sugerindo que nas incontinentes o padrão de recrutamento sinérgico se processa de forma diferente em relação à intensidade de ativação dos músculos. A ativação dos músculos Perineais é essencial para manter a continência quando a pressão intra-abdominal aumenta devido à contração dos músculos abdominais. Os músculos do Períneo contribuem para continência urinária, através do incremento da pressão de fechamento uretral e da manutenção da posição do colo vesical, fornecidos pela sua contração. Em um estudo onde as contrações foram feitas sem nenhum movimento da coluna lombar, pelve ou caixa torácica, os autores observaram que existe um recrutamento dos músculos abdominais quando se realizava uma contração do assoalho pélvico. Na figura abaixo vemos o esquema da continência urinária ideal: 32 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Imagem – 3.2 – Função vesical normal Em estudo epidemiológico no Brasil, foi encontrado a prevalência de 35% de queixa de perda urinária aos esforços, em mulheres entre 45 e 60 anos de idade. A queixa em mulheres atletas é de 22% a 47%, sofrendo variação de acordo com a atividade. As causas ainda não estão completamente elucidadas e algumas ainda são pouco discutidas. 33 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 A incontinência urinária de esforço atinge com mais frequência mulheres entre 25 e 49 anos de idade. A atividade física de alto impacto é um fator de risco para desenvolvê-la, sendo percebida apenas a partir da realização de atividades que predisponham a perda de urina. Outros fatores de risco incluem constipação, como a tosse crônica do fumante, a doença pulmonar, obesidade e ocupações que exigem levantamento excessivo de peso. De uma forma geral, a incontinência urinária de esforço é atribuída à incapacidade dos músculos do períneo em assegurar níveis de pressão intra-uretral superiores ao da pressão intravesical. A fraqueza dos músculos perineais é entendida como um fenômeno associado a alguns processos, como o de envelhecimento, gravidez, parto vaginal, ao número de gravidezes e partos, ou até mesmo à redução no número de fibras do tipo I. Pouco se sabe acerca do funcionamento dos músculos do períneo durante a prática de exercícios físicos. Os exercícios abdominais aumentam a pressão intra-abdominal, comprimindo vísceras e distribuindo a carga para o aparelho locomotor, e os aumentos na pressão intra-abdominal afetam indiretamente a pressão sobre a bexiga urinária. Esse aumento é condição favorável para haver perda involuntária de urina em ocasiões os quais as respostas da musculatura do assoalho pélvico se encontram alteradas. Os achados determinam que a maioria das atividades físicas não envolve contração voluntária do Assoalho Pélvico, o que pode acarretar em deficiência funcional por perda 34 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 ou ausência da consciência e coordenação das estruturas neuromusculares do aparelho locomotor, levando à hipotrofia por desuso. O descondicionamento e a carga repetida sobre o assoalho, concomitante ao aumento frequente da pressão intra- abdominal, diminuem a eficiência mecânica do assoalho pélvico e alteram a composição de alguns músculos. Portanto, mulheres que fazem exercícios físicos não possuem necessariamente músculos perineais mais fortes do que as que não fazem. Neste contexto, outra ideia muito divulgada se refere à relação entre condição física geral e desenvolvimento dos músculos do períneo. De fato, está genericamente aceito que se uma mulher possuir uma boa condição física geral, isso significa uma musculatura perineal igualmente forte. No entanto, segundo Nichols & Milley (1978) sabe-se que na ausência de um trabalho específico para os músculos do pavimento pélvico, a carga repetida sobre a musculatura perineal, associada a aumentos frequentes da pressão intra- abdominal, tende a reduzir a eficácia mecânica do ligamento cardinal, já Jozwik (1993) diz que e/ou produzir alterações na composição de alguns músculos, tal como a redução no número de fibras do tipo I observada no músculo elevador do anus. De acordo com estas evidências o exercício intenso pode ser considerado para algumas mulheres como um fator precipitante da incontinência urinária de esforço. Na figura abaixo vemos a comparação entre a continência e a incontinência quando se coloca esforço: 35 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019Imagem – 3.3 – Incontinência Urinária 36 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 37 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 38 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Em estudo epidemiológico no Brasil, foi encontrado a prevalência de 35% de queixa de perda urinária aos esforços, em mulheres entre 45 e 60 anos de idade. A queixa em mulheres atletas é de 22% a 47%, sofrendo variação de acordo com a atividade. As causas ainda não estão completamente elucidadas e algumas ainda são pouco discutidas. A incontinência urinária de esforço atinge com mais frequência mulheres entre 25 e 49 anos de idade. A atividade física de alto impacto é um fator de risco para desenvolvê-la. Ela só é percebida apenas a partir da realização de atividades que predisponham a perda de urina. Outros fatores de risco incluem: • Constipação; • Tosse crônica do fumante; • Doença pulmonar; • Obesidade; • Ocupações que exigem levantamento excessivo de peso. 39 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Causas da incontinência De uma forma geral, a incontinência urinária de esforço é atribuída à incapacidade dos músculos do períneo em assegurar níveis de pressão intra-uretral superiores ao da pressão intravesical. A fraqueza dos músculos perineais é entendida como um fenômeno associado a alguns processos, como: • Envelhecimento; • Gravidez; • Parto vaginal; • Número de gravidezes e partos; • Redução no número de fibras do tipo I. Pouco se sabe acerca do funcionamento dos músculos do períneo durante a prática de exercícios físicos. Os exercícios abdominais aumentam a pressão intra-abdominal. Com esse aumento as vísceras ficam comprimidas e a carga para o aparelho locomotor é distribuída. Os aumentos na pressão intra-abdominal afetam indiretamente a pressão sobre a bexiga urinária. Percebemos que esse aumento favorece a perda involuntária de urina em algumas ocasiões. O motivo seriam respostas alteradas do assoalho pélvico. Os achados determinam que a maioria das atividades físicas não envolve contração voluntária do Assoalho Pélvico. Isso pode acarretar em deficiência funcional por perda ou ausência da 40 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 consciência e coordenação das estruturas neuromusculares do aparelho locomotor. Como consequência podemos ter hipotrofia por desuso. O assoalho pélvico perde sua eficiência mecânica e também tem a composição de alguns músculos causados por: • Descondicionamento; • Carga excessiva. Portanto, mulheres que fazem exercícios físicos não possuem necessariamente músculos perineais mais fortes do que as que não fazem. Segundo a filogênese, a pelve vem evoluindo, desde passamos a bipedestacao, o que gerou mudanças importantes numa das suas funções fundamentais, a gestação e o suporte do peso das vísceras abdominais, além das mudanças de pressão (Merí, Moreno & Porta, 2013). Um sistema de fáscias e ligamentos suportam os órgãos da pelve menor. Porém, toda essa nova distribuição de forças gerada pela bipedestacao submeteu a região a cargas frequentes sobre a musculatura perineal que associada a aumentos frequentes de pressão abdominal, tende a produzir alterações na composição de vários músculos, bem como uma redução do número de fibras tipo II observada no músculo elevador do ânus (Jozwik, 1993). Diminuindo assim, a função de força do pavimento pélvico, sendo uma das causas das patologias como prolapsos, ptoses, incontinência fecal, incontinência urinária, ou ainda incontinência mista. No momento da forca, a parede abdominal deve mobilizar-se para 41 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 dentro e as vísceras pélvicas deslocam-se para baixo e para trás em direção ao pavimento pélvico posterior. Ao longo, da maturação dos músculos abdominais, por volta dos 8 anos de idade, vamos perdendo a capacidade de gerar uma boa administração entre os músculos citados, e perdemos eficiência destes músculos, gerando, não raramente, durante a contração do Transverso um deslocamento anterior da parede abdominal e um deslocamento para baixo e para a frente da parede anterior da vagina, que pode vir associado a hipotonia do pavimento pélvico numa grande percentagem de indivíduos. A cavidade abdomino-pélvica está cercada: pelo diafragma (acima); atrás, pela coluna vertebral e as costelas na sua porção superior; e abaixo pela pelve que possui um encerramento inferior gerido pelo diafragma pélvico (Merí et al.,2013). Em situações em que a pressão intra-abdominal aumenta para realizar ações fisiológicas como espirrar, tossir, defecar, vomitar, realizar um esforço, etc. Acabam por aumentar a pressão intra-abdominal, diminuindo a área do abdômen, o que ocorre pela ação sinérgica da musculatura estabilizadora da coluna vertebral e pela musculatura profunda do abdómen. Todo esse mecanismo distribuirá a pressão por todas as paredes do pavimento de forma integral (Lei Física de Blaise Pascal). A contração do diafragma e da musculatura abdominal aumenta a pressão intra- abdominal que em situação de normalidade elevar-se-á e para conter as vísceras em seu posicionamento correto. Porém, diversos estudos mostram-nos que com o aumento da pressão intra-abdominal, e a falta de competência dos músculos abdominais empurram as vísceras para baixo, gerando uma contração sinérgica dos músculos do pavimento pélvico. Alguns fatores de risco como a gravidez, o parto, as disfunções do 42 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 pavimento pélvico, do diafragma torácico e a dor lombar podem alterar estes mecanismos (Merí et al., 2013) 43 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 44 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Em relação à abertura e fechamento dos ilíacos, podemos também citar um exemplo que acontece com muitas mulheres e que neste momento de sua vida é absolutamente funcional em relação aos pequenos e potentes movimentos que fazem os ilíacos. O exemplo de uma mulher após o parto. O corpo da mulher deverá adaptar-se ao vazio da região abdominal que fica após o nascimento do bebê. Após o parto, esta cavidade abdominal deve se reduzir para se ajustar ao novo volume e recriar assim as pressões internas necessárias. Isso dá início ao processo de fechamento dos ilíacos. A partir deste evento do nascimento, podemos nos atentar as informações obtidas por influencias do Método GDS de Cadeias Musculares e Articulares. Sendo um método global de fisioterapia desenvolvido pela fisioterapeuta, biomecanicista e osteopata belga Godelieve Denys Struyf. Método que integra o funcionamento do corpo e suas conexões com o comportamento psicológico. Analisando por este ponto de vista, podemos notar que durante alguns anos muitas mulheres darão prioridade ao ciclo materno, ao seu lar e seus filhos. Nesse contexto, seu corpo pode evidenciar as cadeias de flexão num comportamento de enrolamento para abraçar esse mundo afetivo. 45 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 O tempo desse período varia de mulher para mulher. Depois dele, ela pode decidir voltar para seu mundo exterior, com suas atividades profissionais e físicas. O novo estado de espírito faz com que entrem em ação as cadeias da comunicação (cadeias de abertura ou para madame Godelieve cadeias PM). Tal atitude sinaliza que ela deseja se relacionar além de sua vida materna. Desta forma, sua pelve pode começar a se modificar e se reestruturar em abertura. Esta condição psicológica parece se relacionar bastante com as cadeias de fechamento e abertura, respectivamente. Mas também pode ocorrer desta mulher procurar se equilibrar entre essas duas facetas. Uma mulher talvez decida enfrentar o mundo externo e este ciclo materno. Porém, se seu corpo apresenta pontos de tensão, pontosde fixação, cicatrizes, aderências; estas questões estruturais acabam vencendo e valorizando as cadeias de fechamento. Nessa briga de cadeias musculares a vencedora será de fechamento. O motivo são as tensões internas fazendo com que essa mulher pague por períodos de grande fadiga. Ela despendera muita energia por conta desse conflito de tensionamento das cadeias, gerando sem dúvidas, um processo de tensão nos músculos do 46 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 assoalho pélvico, que como citei anteriormente fecham os ilíacos inferiormente. 47 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 48 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 A avaliação funcional da musculatura do assoalho pélvico (AFA) é realizada pela palpação bidigital e pela quantificação da contração perineal, utilizando o perineômetro. O exame da palpação bidigital é realizado com a paciente em decúbito dorsal em posição ginecológica modificada (flexo-abdução de coxofemoral com os pés apoiados sobre a maca); os dedos indicador e médio do examinador são introduzidos no canal vaginal, com a mão devidamente enluvada e untada em gel. É solicitado à paciente que contraia a musculatura ao redor dos dedos do examinador e sustente essa contração pelo tempo máximo que conseguir. Para avaliação da força de contração e resistência da musculatura do assoalho pélvico é utilizada a classificação de Ortis. Imagem – 6.1 – avaliação funcional da musculatura do assoalho pélvico 49 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Para avaliar a pressão de contração exercida pela musculatura do assoalho pélvico é utilizado o perineômetro. Tal aparelho atende a todos os requisitos da norma de segurança para equipamentos eletromédicos IEC 601 (norma geral) e IEC 601-2- 10 (norma particular para eletroestimuladores). A sonda intracavitária, conectada a um manômetro de pressão é protegida por um preservativo não lubrificado, é untada em gel e introduzida no canal vaginal. A válvula é fechada e, na sequência, a sonda é insuflada lentamente até que a paciente sinta o contato da sonda com a parede vaginal, sem referir dor, mas levando a uma ligeira distensão da parede vaginal. Após o ajuste do aparelho, a resistência é modulada e é solicitado à paciente que contraia a musculatura do assoalho pélvico por três vezes consecutivas e mantenha a contração pelo tempo máximo que conseguir. São observados o pico de pressão, o tempo e a resistência que os músculos perineais permanecem contraídos. As médias das medidas realizadas pelo perineômetro são consideradas para análise. No final da aferição, a sonda é desinflada abrindo-se a válvula e depois é retirada. 50 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Imagem – 6.2 – avaliação perineômetro 51 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Cones vaginais Os dispositivos são de plástico ABS, formato cônico, textura lisa, de mesma forma e volume, e com peso variando de 20 a 100g, características que lhes atribui um número que varia de um a nove. Nas sessões fisioterápicas, os cones são utilizados em duas fases, a passiva e a ativa. Na passiva, não há contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico, mas é necessário identificar qual é o cone de maior peso que a paciente consegue reter na vagina durante um minuto. Após tal determinação, as pacientes são orientadas, por um curto período de tempo, a deambular, subir e descer escadas etc. Na fase ativa, a paciente, em posição ortostática, com o cone mais pesado que conseguir reter na vagina e com auxílio da contração dos músculos do assoalho pélvico, precisa realizar certo esforço para não o deixar cair. 52 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Imagem – 6.3– cones vaginais Imagem – 6.4 – cone vaginal 53 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 ormal deve ter força, resistência, coordenação e propriocepção. 54 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Todo músculo possui a capacidade de aumentar sua força, resistência, coordenação e propriocepção por meio de exercícios. Pode-se melhorar a MAP por exercícios simples de contração e relaxamento, ou com exercícios junto de acessórios. Os exercícios que trabalhem a consciência da paciente em contrair corretamente e gerar aumento de força chamam-se de treino proprioceptivo. O núcleo fibroso central do períneo é o ponto de inserção e de cruzamento da maior parte dos músculos do assoalho pélvico, representado pela distância anovulvar, entre a parte posterior da fúrcula vulvar e o esfíncter anal, sendo normalmente de 3 a 3,5 cm. Distâncias inferiores a 2 cm podem traduzir perineoplastias, patologias obstétricas e alterações uroginecológicas, como, por exemplo, quanto maior a distância, maior será a probabilidade de haver diminuição da força muscular e ocorrência de prolapso. Além da distância mensurada, o tônus também é um importante componente para manutenção de uma adequada contração. Para a avaliação da tonicidade da consistência do núcleo fibroso central do períneo, o fisioterapeuta coloca um dedo sobre o núcleo fibroso e exerce uma pressão. Quando encontrada uma consistência elástica, é indicativo de normalidade. Na deficiência da musculatura, quando a pressão digital não encontrar resistência, pode sinalizar uma hipotonia ou, se houver uma rigidez, é hipertonia. Para manter o mecanismo de continência, é essencial a normalidade do tecido de sustentação músculo-aponeurótico do assoalho pélvico. Esse suporte proporciona os fatores fundamentais para continência, mantendo o colo vesical acima da sínfise púbica responsável pelo ângulo uretrovesical posterior e pela inclinação uretral. 55 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Para detectar a contração da musculatura acessória: - Através da inspeção durante a tentativa de contração isolada perineal; - Através do toque bidigital interno. A avaliação anota três da contração, sendo a primeira, se a contração foi isolada, se a paciente fez uma força de expulsão, se houve contração dos adutores; - A segunda se houve manobra de valsalva, com contração da musculatura abdominal e, ainda a anotação dos movimentos associados a contração (sincinesias). A avaliação funcional do assoalho pélvico através do método manual apresenta alta sensibilidade e especifidade, permitindo, além da análise inicial, a posibilidade de um prognóstico após terapêutica. Em estudo clínico de corte transversal, realizado por Barbosa et al., 2011, foi analisada a influência da via de parto sobre a força muscular do assoalho pélvico pelo teste da avaliação da força do assoalho pélvico (AFA) e uso do perineômetro em primíparas, entre 20 e 30 anos de idade, 4 a 6 meses pós-parto. A contração, medida pelos dois testes, foi classificada em: zero - ausência, um - leve, dois - moderada e três - normal, sustentada por seis segundos. Avaliaram-se 94 mulheres, entre 20 e 30 anos, divididas em três grupos: pós-parto vaginal (n=32); pós-cesárea (n=32) e nulíparas (n=30). A variável independente foi a via de parto e a dependente a FM-AP. Resultado: o parto vaginal diminuiu a força muscular do AP de primíparas, quando comparado com os casos submetidos à cesárea e com as 56 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 nulíparas. O assoalho pélvico também pode ser avaliado através da classificação denominada Perfect, proposta por Bo e Larsen, em 1990, citado por Coletti et al., 2005; Moreno & Mitrano, 2003, que permite quantificar a intensidade, o número de contrações, tanto rápidas como lentas, além do tempo de sustentação das contrações. O esquema Perfect é amplamente utilizado como método de avaliação na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).57 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Imagem - 7.1 - Tabela Outra técnica para se avaliar o assoalho pélvico é o Stop Test, que consiste em solicitar a interrupção da micção por uma a duas vezes, após cinco segundos do início da mesma e, a seguir, a paciente é classificada de acordo com seu sucesso em interromper a micção, sendo: - Grau 0, quando não consegue interromper o jato urinário; - Grau 1, quando consegue interromper parcialmente o jato urinário, mas não consegue manter a interrupção; 58 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 - Grau 2, quando consegue interromper parcialmente o jato urinário e mantém por curto intervalo de tempo a interrupção; - Grau 3, quando consegue interromper totalmente o jato urinário, mantendo a interrupção, mas com tônus muscular fraco; - Grau 4, consegue interromper totalmente o jato urinário, mantendo a interrupção com bom tônus muscular; e - Grau 5, quando consegue interromper totalmente o jato urinário, mantendo a interrupção com tônus muscular forte. Este teste deve ser realizado apenas como método de avaliação e não o incorporar à rotina da paciente, pois pode levar ao desenvolvimento de resíduo pós-miccional, aumentando as chances de infecção urinária além de acarretar alterações nos reflexosmiccionais. Mais recentemente, o diagnótico em tempo- real tem sido usado através de ultrassom e ressonância nuclear magnética para avaliar a ação dos músculos do assoalho pélvico durante a contração. O ultrassom pode ser utilizado com a sonda em região suprapúbica, períneo, intravaginal ou intra-anal. 59 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 60 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Os exercícios são importantes para qualquer gestante, independente da via de parto, até o final da gestação. A tendência natural da musculatura ao longo do período gestacional é enfraquecer, mas, com os exercícios, é possível manter as funções musculares ou melhorá-las. Para isso, é fundamental a supervisão e reavaliação periódica pelo fisioterapeuta que, após a avaliação, irá sugerir atendimentos semanais, quinzenais ou mensais de acordo com as necessidades individuais e com a evolução em casa. Em geral, se a gestante apresentar bom controle e coordenação muscular, é possível realizar os exercícios em casa e manter sessões periódicas com o fisioterapeuta somente para readequação do programa. Nesses casos, há possibilidade também de realização de sessões em grupo, nas quais a gestante vai aprender outras formas de exercitar sua musculatura, além de realizar exercícios globais para a pelve. Contrariamente, há estudos científicos demonstrando que os exercícios podem facilitar o parto, pois trabalham o controle de contração e relaxamento muscular e aumentam a percepção sobre a região. Importante lembrar que rigidez e força são conceitos diferentes. Muitas pessoas pensam erroneamente que músculo “duro” (rígido) é forte. No entanto, quando o músculo é excessivamente rígido, ele não consegue desenvolver força, pois perde a capacidade de contrair-se e relaxar-se adequadamente. O desejável, então, para uma gestante, é ter músculos funcionais, fortes e com boa capacidade de alongamento para diminuir a possibilidade de lesões durante o parto. 61 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Após os vários testes e identificando a disfunção partimos para a reabilitação ou preparo para a gestante. O tratamento cinesioterapêutico composto por exercícios de conscientização e da série de Kegel, sendo realizados duas vezes por semana, de forma individualizada, com duração média de 30 minutos para cada paciente e totalizando 12 sessões de atendimento demonstrou segundo estudos serem eficazes. Durante a fase de conscientização à paciente que realiza contrações lentas e submáximas intercaladas com relaxamento, já que se trata de uma musculatura extremamente fatigável. Durante essa fase, a paciente permanece na posição ginecológica modificada e o terapeuta, após localizar a tuberosidade isquiática com os seus polegares, medializa, palpando o núcleo fibroso central do períneo. Esse exercício é composto por cinco etapas, e cada etapa é repetida quinze vezes consecutivas: - A primeira consistiu em “apertar”, exercendo uma leve pressão na região; - Na segunda, a pressão vem seguida de tração em direção caudal; - Na terceira, além da pressão e tração, é solicitado que a paciente execute uma contração voluntária, acompanhada de forma assistida pelo examinador; - Na quarta, todos os passos anteriores serão acompanhados de uma resistência opositora parcial do examinador durante toda a contração; 62 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 - E na última etapa, após as fases anteriores, a contração voluntária da paciente é exercida contra a resistência do examinador e ao final é realizado um reflexo de estiramento. Por sua vez, a série de Kegel basea-se em contrações voluntárias da musculatura do assoalho pélvico. - Quatro contrações lentas com duração de cinco segundos e intervalo de dez segundos entre cada contração e, em seguida, oito contrações rápidas sem relaxamento entre elas. Esse conjunto de contrações corresponde a uma série de três séries de Kegel. A série de Kegel intercala as contrações mantidas com as rápidas com o propósito de estimular as fibras musculares do tipo I e do tipo II do assoalho pélvico. Ao final do tratamento cinesioterapêutico é realizada a reavaliação composta pela AFA, pelo perineômetro. A partir de 34 semanas de idade gestacional, pode ser realizada a massagem perineal pela gestante, seu parceiro e/ou pelo fisioterapeuta com o objetivo de alongar a musculatura na tentativa de prevenir lesões. Com 37 semanas de idade gestacional, inicia-se o treino de coordenação para expulsar, que será útil no momento do nascimento do bebê. Muitas mulheres já sabem naturalmente realizar o movimento de expulsão, mas outras têm dificuldade, por ex., para direcionar a força para a vagina e coordenar com a respiração. Após o nascimento do bebê, independente da via de parto, deve- se reiniciar os exercícios para os músculos do assoalho pélvico. Em geral, o fisioterapeuta já prescreverá esses exercícios no final 63 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 da gestação, mas é possível que seja feito um atendimento na maternidade ou em casa para orientações mais específicas. É recomendável uma reavaliação muscular com palpação vaginal em torno de 30 a 40 dias após o parto, quando o fisioterapeuta irá orientar sobre os cuidados com o assoalho pélvico nesse período. O parto vaginal especialmente instrumental, é um fator de risco estabelecido para o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico e o desenvolvimento de disfunções tais como incontinência urinária (IU). Episiotomias resulta em trauma perineal e complicações na cicatrização podendo levar a esta mulher não só possível IU na idade mais avançada, mas como também problemas nas relações sexuais dolorosas. Segundo Kari Bo em seu estudo “Does episiotomy influence vaginal resting pressure, pelvic floor muscle strength and endurance, and prevalence of urinary incontinence 6 weeks postpartum? Neurourol Urodyn. 2017 Mar; 36 (3): 683-686. doi: 10.1002 / nau.22995. Epub 2016 abr 5. O objetivo do estudo foi comparar a pressão de repouso vaginal (VRP), a força e a resistência da GFP, e prevalência de UI em mulheres com e sem episiotomia lateral ou médio-lateral, 6 semanas após o parto. Três centenas de mulheres grávidas nulíparas participaram de um estudo prospectivo de coorte e dar à luz no Hospital Universitário Akershus na Noruega foram inscritos no estudo. Os resultados do presente estudo mostram diferenças estatisticamente significante na pressão de repouso https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27059092 64 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 vaginal, PFMstrengthe resistência, ou de prevalência de IU / IUE nas mulheres com ou sem episiotomia a 6 semanas após o parto. Este estudo demonstrou, pelos exercícios perineais e da eletroestimulação, usados em conjunto com o trabalho postural especialmente direcionado à correção da estática do complexo lombo-pélvi-femoral, a importância de uma abordagem terapêutica bem direcionada no sentido de buscar o restabelecimento da continência e da estabilização das estruturas pélvicas femininas, uma vez que elas estão em relação anatômica com o assoalho pélvico. Assim, a reeducação perineal e o correto posicionamento da bacia e da coluna, associados a um trabalho de respiração abdominodiafragmático, mostrou ser uma abordagem útil, uma vez que os resultados encontrados evidenciaram diminuição da perda urinária, ganho de força muscular do assoalho pélvico, ganho de flexibilidade das cadeias musculares envolvidas e uma equilibração estática pélvica, indicando uma melhora do mecanismo esfincterial. Houve, ainda, uma redução nas sensações de umidade e desconforto, o que sugere uma influência positiva na diminuição do constrangimento e impacto psicossocial vivenciados pelas mulheres acometidas por esta condição. 65 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 66 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 As dificuldades encontradas no trabalho de assoalho pélvico no Pilates são completamente justificáveis. Para entender isso, precisamos compreender também como o MAP é formado. Ele tem uma elevada quantidade de tecido conjuntivo em sua formação. O tônus muscular necessário para todas suas funções e para amortecer o deslocamento das vísceras acontece com o uso de fibras musculares muito pequenas. Assim, temos um pavimento pélvico formado por 80% de tecido conjuntivo e 20% de fibras musculares estriadas. Além disso, 80% dessas fibras musculares são de tipo I e 20% são de tipo II. O músculo elevador do ânus é um excelente exemplo do funcionamento do assoalho pélvico. Ele é formado especialmente por fibras lentas, que são 70% da sua composição. A filogênese nos indica que a pelve vem evoluindo para que consigamos nos adaptar à bipedestação. Assim, ela sofreu mudanças nas suas funções fundamentais de gestação e suporte das vísceras. As mudanças de pressão também tiveram um efeito importante na pelve e no assoalho pélvico. Atualmente, um sistema complexo de fáscias e ligamentos são responsáveis pelo suporte dos órgãos da pelve menor. Com a nova distribuição de forças, a região passou a ser submetida a cargas diferentes. A musculatura perineal sofre em especial com os frequentes aumentos da PIA. As alterações pressóricas podem gerar alterações na composição muscular na região, podendo até diminuir o número de fibras tipo II no elevador do ânus. Outro problema que encontramos ao tentar trabalhar o assoalho pélvico no Pilates é o controle da parede abdominal. Durante a 67 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 força, ela deve mobilizar-se para dentro. Assim, as vísceras deslocam-se para baixo e para trás em direção ao pavimento, que realiza seu suporte. Só existe um probleminha: ao longo da maturação dos músculos abdominais nós perdemos boa parte da nossa capacidade de controlar a parede abdominal. Ao redor dos 8 anos de idade já começamos a perder a eficiência dessa musculatura Como resultado, a parede abdominal sofre um deslocamento anterior e a parede anterior da vagina se desloca para baixo e para a frente durante a contração do transverso do abdômen. Isso pode ou não estar relacionado à hipotonia do assoalho pélvico que existe em boa parte dos indivíduos. A PIA aumenta para realizar algumas ações fisiológicas, como espirrar, tossir, defecar, vomitar e fazer outros tipos de esforços. Para diminuir a PIA, a área do abdômen diminui através da ação sinérgica de estabilizadores da coluna e músculos profundos do abdômen. Esse mecanismo é o responsável por distribuir a pressão aumentada pelas paredes do assoalho pélvico. Com a contração do diafragma e dos músculos do abdômen a PIA também aumenta. Em situações normais e com o MAP em seu funcionamento fisiológico, a PIA sofre elevação para conter as vísceras no seu posicionamento. Porém nem todos têm músculos abdominais com força e controle o suficiente para gerar o movimento para baixo das vísceras e uma contração sinérgica do assoalho pélvico. Alguns fatores de risco alteram esse mecanismo, incluindo: https://janainacintas.com.br/principio-da-estabilidade-do-nucleo/ http://blogpilates.com.br/fortalecimento-musculos-obliquos/ 68 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 • Gravidez; • Parto; • Disfunções do pavimento pélvico; • Disfunções do diafragma torácico; • Dor lombar. Quem trabalha com movimento tem um grande desafio pela frente. A vida moderna proporciona a hiperpressão no corpo por causa da bipedestação e diversos outros fatores. Além disso, o conforto trazido pela tecnologia aplicada à vida diária criou uma vida que é gerida pelo sistema nervoso parassimpático. Portanto, existem diversas alterações no sistema corporal. O sedentarismo fez com que as musculaturas do assoalho pélvico se tornassem mais relaxadas. Para resolver esse problema, muitos usam o comando de “segure o xixi” durante as aulas de Pilates. Mas isso é um erro que pode causar ainda mais dificuldades no futuro. Comecemos entendendo que Joseph ou Clara Pilates nunca utilizaram esse comando no seu método original. Foi Paul Hodges que trouxe esse conceito para nossas aulas e, atualmente, ele mesmo admite que errou e que muitos também erraram na sua interpretação. A pesquisa de Paul Hodges sobre o reflexo antecipatório postural ficou conhecida e recebeu poucas críticas. Ele mostrou que o transverso abdominal se contra cerca de 20 milissegundos antes de outras atividades musculares. Portanto, imaginava que seria necessário fortalecer https://janainacintas.com.br/assoalho-pelvico-no-parto/ http://blogpilates.com.br/pilates-e-sedentarismo/ 69 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 todas as musculaturas que realizam suporte da coluna para protegê-la. Como parte das musculaturas de suporte da coluna, o assoalho pélvico precisaria de um trabalho de fortalecimento nas aulas de Pilates. Mas lembra da composição muscular do MAP que mencionei anteriormente? Essas musculaturas só conseguem ficar contraídas por cerca de 6 segundos, talvez até menos na maioria dos indivíduos. Passado esse tempo, elas ficam fadigadas e relaxam, deixando que as vísceras e o aumento da PIA desabem sobre o assoalho pélvico. Assim, sua contração por tempo elevado só causa mais carga, o que pode levar a incontinência urinária de esforço. Para conseguir uma boa estimulação do MAP, precisamos ativar e tonificar as fibras do tipo I. Não é tão simples conseguir essa estabilização segmentar e, se ela for feita da forma errada, pode trazer problemas sérios. O fortalecimento de assoalho pélvico no Pilates que alguns profissionais buscam é bastante problemático. Caso seja mal compreendido ou aplicado, nossa aluna será prejudicada e pode até desenvolver incontinência urinária. Além disso, boa parte das mulheres não consegue contrair o assoalho pélvico somente com comando verbal. Cerca de 80% delas empurram as vísceras para baixo quando recebem o comando, o que aumenta a sobrecarga do MAP. Algumas vezes, pedir para a aluna “segurar o xixi” só vai prejudicar ainda mais seu assoalho pélvico e aumentar a sobrecarga. Na dúvida, é melhor abolir esse comando das nossas https://janainacintas.com.br/tratamento-incontinencia-urinaria-de-esforco/ 70 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 aulas e deixar o trabalho de MAP para profissionais da fisioterapia especializados em uro-gineco. Nesse método, é possível controlar a estimulação do períneo com o biofeedback.71 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 72 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Em vista dos argumentos apresentados, pudemos ver o assoalho pélvico sob uma nova óptica, primeiro discutimos a anatomia tentando simplificá-la para elucidar as propostas que discutiríamos adiante, e observamos novos estudos que nos trouxeram muitas mudanças de paradigmas. Como vimos, a avaliação e o tratamento do assoalho pélvico é envolvido por ciência, logo não podemos negligenciar a biomecânica, nem tampouco subestimar as novas descobertas científicas. É imprescindível que todos se conscientizem de que nem todas nem todas as respostas foram encontradas pela ciência, é de suma importância dar continuidade aos nossos estudos, em busca da verdade corporal. 73 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 74 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 REFERENCIAS 1 - Diastasis recti abdominis during pregnancy and 12 months after childbirth: prevalence, risk factors and report of lumbopelvic pain Jorun Bakken Sperstad,1 Merete Kolberg Tennfjord,1,2 Gunvor Hilde,2 Marie Ellström-Engh,2,3 Kari Bø1 2 - Pelvic Floor Muscle Function, Pelvic Floor Dysfunction, and Diastasis Recti Abdominis: Prospective Cohort Study Kari Bø,1,2* Gunvor Hilde,2 Merete Kolberg Tennfjord,1 Jorun Bakken Sperstad,1 and Marie Ellstrøm Engh2,3 1 Department of Sports Medicine, Norwegian School of Sport Sciences, Oslo, Norway 2 Department of Obstetrics and Gynaecology, Akershus University Hospital, Lørenskog, Norway 3 Faculty of Medicine, University of Oslo, and Akershus University Hospital, Oslo, Norway 3 - Postpartum pelvic floor muscle training and pelvic organ prolapse—a randomized trial of primiparous women 4- Presented at the 43rd Annual Scientific Meeting of the International Continence Society, Barcelona, Spain, Aug. 26- 30, 2013.; Kari Bø, MSc, PhD, PT 5 - Diastasis recti abdominis during pregnancy and 12 months after childbirth: prevalence, risk factors and report of lumbopelvic pain Jorun Bakken Sperstad,1 Merete Kolberg Tennfjord,1,2 Gunvor Hilde,2 Marie Ellström-Engh,2,3 Kari Bø javascript:void(0); 75 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 6- Pelvic floor muscle function, pelvic floor dysfunction and diastasis recti abdominis: Prospective cohort study 7 -Kari Bø ; Gunvor Hilde ; Merete Kolberg Tennfjord ; Jorun Bakken Sperstad; Marie Ellstrøm Engh; First published: 31 March 2016 8 - Does Episiotomy Influence Vaginal Resting Pressure, Pelvic Floor Muscle Strength and Endurance, and Prevalence of Urinary Incontinence 6 Weeks Postpartum? Kari Bø,1,2* Gunvor Hilde,2 Merete Kolberg Tennfjord,1 and Marie Ellstrøm Engh 9 - Pelvic fl oor rehabilitation program: report of 10 years of experience Lopes MHBM, Costa JN, Lima JLDA, Oliveira LDR, Caetano AS. Pelvic floor rehabilitation program: report of 10 years of experience. Rev Bras Enferm [Internet]. 2017;70(1):219-23. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0257 10 - Perineal Exercises, Electrical Stimulation and Posture Correction on the Urinary Incontinence – Case’s Relate. Natália Camargo Rodrigues1 Daniela Scherma1 Raquel Agnelli Mesquita2 Jussara De Oliveira https://onlinelibrary.wiley.com/action/doSearch?ContribAuthorStored=B%C3%B8%2C+Kari https://onlinelibrary.wiley.com/action/doSearch?ContribAuthorStored=Hilde%2C+Gunvor https://onlinelibrary.wiley.com/action/doSearch?ContribAuthorStored=Tennfjord%2C+Merete+Kolberg https://onlinelibrary.wiley.com/action/doSearch?ContribAuthorStored=Sperstad%2C+Jorun+Bakken https://onlinelibrary.wiley.com/action/doSearch?ContribAuthorStored=Sperstad%2C+Jorun+Bakken https://onlinelibrary.wiley.com/action/doSearch?ContribAuthorStored=Engh%2C+Marie+Ellstr%C3%B8m http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0257 76 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 11 - Pelvic physiotherapy in the treatment of premature ejaculation: an integrative review Fernanda Santos Fontana, Kelfany de Melo, Lorrany Vieira Ferreira, Erica Feio Carneiro Nunes, Gustavo Fernando Sutter Latorre 12 - Performance of the pilates method in the strengthening of the pelvic floor muscles in the urinary incontinence of effort Ana Cristina Cardoso de Carvalho Santos Sávia Francisca Lopes Dias² Ana Paula Barros Barbosa³ Cleude Maria Lopes da Silva4 Vera Lúcia Santos Rocha 13 - Physiotherapy assessment in disorders of the pelvic floor consequent to the treatment of cervical cancer Even Tainah Tavares Menezes, Ft.*, Rafaela Dórea Santos Rodrigues, Ft.**, Lucieny da Silva Pontes, Ft., M.Sc.***, George Alberto da Silva Dias, D.Sc.****, Gustavo Fernando Sutter Latorre*****, Erica Feio Carneiro Nunes, Ft.M.Sc.* 14 - KEGEL EXERCISES AND HIPOPRESSIVA GYMNASTICS AS A STRATEGY OF HOME CARE IN THE TREATMENT OF FEMALE URINARY INCONTINENCE: A CASE REPORT Laura Wuttig Berbam¹ Daniela Zeni Drehe 15 - Assessment of the pelvic floor muscle strength in elderly female with urinary incontinence [A] Juliana Gonçalves de 77 Assoalho Pélvico – Janaína Cintas – 2019 Sousa[a], Vanessa Ribeiro Ferreira[b], Ricardo Jacó de Oliveira[c], Cláudia Elaine Cestar 16 - Gouveira PF, Ambrogni CC, Haiddar MA, Silva I, Gouveia PF. Métodos de avaliação do assoalho pélvico. Grupo editorial Moreira Jr. 2013;70(6):232-238. CONTRIBUIÇÃO À ANATOMIA - ESTUDO MORFOLÓGICO DO ASSOALHO PÉLVICO EM MULHERES ASSINTOMÁTICAS: USO DA IMAGEM POR RMN. CONTRIBUCIÓN AL ESTUDIO ANATOMO-MORFOLÓGICO DEL SUELO PÉLVICO EN LA MUJER ASINTOMÁTICA: UTILIZACIÓN DE LA IMAGEN POR RMN. 17 – Fisioterapia Aplicada a Saúde da Mulher. Elza Baracho, quinta edição, ano de 2012, capítulo 1 – Anatomia Feminina, páginas de 3 a 12.