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Curso sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular)
Como a BNCC, o PCN não era um currículo e também não pretendia estabelecer currículos obrigatórios, o que o documento fazia era indicar o que deveria ser trabalhado minimamente em cada segmento e os objetivos a serem alcançados. Os objetivos expressos por verbos de ação indicavam as habilidades a serem desenvolvidas nos estudantes.
Apesar desta semelhança, há várias diferenças entre os dois documentos e uma nova nomenclatura, com a qual é preciso familiarizar-se. Na BNCC, encontramos os seguintes termos:
Objetos de conhecimento
Nomeiam aquilo que será estudado, podendo ser um conteúdo conceitual, procedimental ou atitudinal. 
Habilidades:
Indicam o que chamávamos de objetivos ou expectativas de aprendizagem e devem ser desenvolvidas para que se alcancem as competências.
Competências:
São a principal meta de todos os responsáveis pela formação dos estudantes. 
O QUE É COMPETÊNCIA? 
*|Conhecimentos *Habilidade *Atitudes *Valores 
É essencial que toda professora e professor, em todas as escolas, públicas ou privadas, tome para si o compromisso de desenvolver habilidades nos estudantes para que, por meio destas, sejam alcançadas as competências. O grande desafio de todos e todas que atuam na área da Educação é formar estudantes que compartilham atitudes e valores, capazes de resolver demandas complexas e exercer de forma plena sua cidadania. Para vencer este desafio, será preciso desenvolver as competências durante toda a educação básica, da educação infantil até o ensino médio. 
O novo documento sistematizou, de maneira detalhada, as habilidades que os estudantes devem desenvolver a cada ano do ensino fundamental de maneira progressiva, ou seja, as habilidades vão ficando mais complexas conforme os estudantes avançam no seu percurso formativo. Dessa forma, professoras e professores podem continuar a planejar suas aulas com autonomia, da maneira que sempre fizeram, tendo como meta as habilidades a serem desenvolvidas a cada ano, as quais, em conjunto, se transformarão nas competências. 
Apesar de o documento definir quais habilidades devem ser desenvolvidas nos estudantes a cada ano, o professor e a professora podem avançar nas habilidades, quando os alunos já tiverem desenvolvido aquelas definidas para o ano, desde que nenhum seja deixado para trás. Em síntese, as habilidades do ano precisam ser desenvolvidas em todos os estudantes, ainda que outras também possam ser. 
Diferentemente do PCN que dava orientações didáticas para alcançar os objetivos de aprendizagem, a BNCC propõe uma mudança de concepção no processo de ensino-aprendizagem. O aluno é sempre o centro do processo, protagonista na construção de conhecimento e na sua aprendizagem. Para concretizar essa proposta, a BNCC indica o trabalho com multimodalidades, multilinguagens, interdisciplinaridade, metodologias ativas e educação integral, ressignificando o papel do professor, o qual deve ser o responsável pelo planejamento, além de condutor e mediador, do processo de construção das aprendizagens. 
AS COMPETÊNCIAS GERAIS
A valorização da instituição escolar mudou bastante ao longo do tempo, entretanto, sua importância permanece reconhecida e seu papel formador para o exercício da cidadania inquestionável. A BNCC reconhece e reforça o importante papel da escola na formação das crianças e jovens, apostando que o processo educativo formal pode contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva.
Uma sociedade mais democrática, justa e inclusiva precisa ser uma meta de todas as pessoas e a escola tem um importante papel a desempenhar. A BNCC indica um caminho a ser percorrido, sem tirar a autonomia da escola ou do professor, definindo que o objetivo maior deve ser que todos os estudantes tenham desenvolvido as 10 competências gerais ao final da educação básica.
 QUAIS SÃO AS 10 COMPETÊNCIAS GERAIS? 
-Conhecimento "Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva." (BRASIL, 2018, p. 9)
-Pensamento científico, crítico e criativo "Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas." (BRASIL, 2018, p. 9)
-Repertório cultural "Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural." (BRASIL, 2018, p. 9)
-Comunicação "Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo." (BRASIL, 2018, p. 9)
-Cultura digital "Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva."(BRASIL, 2018, p. 9)
-Trabalho e projeto de vida "Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade,autonomia, consciência crítica e responsabilidade." (BRASIL, 2018, p. 9)
Argumentação "Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta." (BRASIL, 2018, p. 9)
-Autoconhecimento e autocuidado "Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas." (BRASIL, 2018, p. 10)
-Empatia e cooperação "Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza." (BRASIL, 2018, p. 10)
-Responsabilidade e cidadania "Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários." (BRASIL, 2018, p. 10)
Perceba que algumas competências são da ordem do desenvolvimento cognitivo e outras da ordem do desenvolvimento socioemocional. As competências precisam ser explicitadas nos currículos e, de maneira intencional, os planejamentos devem indicar como desenvolvê-las em todos os estudantes. 
O termo competências socioemocionais, utilizado com alguma frequência nos últimos anos, pode intimidar alguns professores em um primeiro momento, mas cabe ressaltar que as escolas e cada um de nós, professores e professoras, sempre buscamos formar nossos alunos para além dos conhecimentos formais e cognitivos. 
Ainda que de forma não explícita, a instituição escolar sempre tomou para si parte da responsabilidade de formar crianças respeitosas, solidárias, responsáveispara com os territórios nos quais habitam, capazes de exercer sua cidadania reconhecendo seus direitos e deveres, com autoestima positiva, posturas cooperativas e empáticas. Em outras palavras, mesmo não nomeadas como competências socioemocionais, a escola e os professores e professoras sempre estiveram atentos a essas questões. Ao estabelecer a grande meta de desenvolver as 10 competências gerais, a BNCC propõe uma formação integral que se adequa melhor ao mundo do século XXI e suas exigências mais complexas. Por isso, a intencionalidade e o planejamento tornam-se essenciais para a instituição escolar e para os professores. 
AS ÁREAS DO CONHECIMENTO
A BNCC indica a organização dos currículos em áreas do conhecimento, anteriormente nomeados como disciplinas, a fim de ampliar as possibilidades formativas, ou seja, permitir que a integração dos objetos de conhecimento seja concretizada e que o desenvolvimento das habilidades e competências seja alcançado. 
A educação básica permanece organizada em três etapas. A seguir, confira cada uma delas.
1. Educação infantil
Na educação infantil, inicia-se a escolarização com a garantia dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento por meio dos campos de experiência: 
- O eu, o outro e o nós - Corpo, gestos e movimentos
-Traços, sons, cores e formas -Escuta, fala, pensamento e imaginação
- Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações
Nesta etapa, não estão definidas habilidades e competências a serem desenvolvidas, ainda que as indicações sejam para a garantia dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento, os quais devem contribuir para que as competências gerais, do final da educação básica, sejam desenvolvidas. 
2. Ensino fundamental
No ensino fundamental, tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais, o currículo deve ser organizado a partir de cinco áreas do conhecimento e seus componentes curriculares: 
-Linguagens (Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e Língua Inglesa) 
-Ciências Humanas (História e Geografia) 
-Ciências da Natureza (Ciências) 
-Matemática 
-Ensino Religioso 
Todas as áreas do conhecimento são obrigatórias e os currículos de todas as escolas devem contemplá-las. 
Cabe ressaltar que as escolas e redes continuam com sua autonomia na organização dos currículos, desde que garantam o que está estabelecido na BNCC. Dessa forma, é possível ter outros componentes curriculares nas áreas do conhecimento, desde que as competências preconizadas pela BNCC sejam desenvolvidas por todos os estudantes. 
3. Ensino médio
No ensino médio, o currículo deve ser organizado a partir de quatro áreas do conhecimento e seus respectivos componentes curriculares: 
-Linguagens e suas Tecnologias (Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e Língua Inglesa)
-Matemática e suas Tecnologias (Matemática)
-Ciências da Natureza e suas Tecnologias (Biologia, Física e Química)
-Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (História, Geografia, Filosofia e Sociologia)
Para esta etapa, o documento propõe que sejam organizados itinerários formativos para que os estudantes possam seguir diferentes percursos. 
Cabe ressaltar que ainda que o estudante siga por um itinerário formativo específico, o documento ressalta que é fundamental que a formação geral básica, garantida pelas habilidades e competências, deve ser desenvolvida obrigatoriamente a despeito do itinerário formativo que for escolhido; competências gerais e itinerários formativos constituem-se como um todo indissociável. 
AS COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DAS ÁREAS
Cada área do conhecimento tem as suas competências específicas e cada componente curricular também tem as suas. Os componentes curriculares desenvolvem habilidades que estão organizadas de forma progressiva para que as competências específicas do componente sejam desenvolvidas.
Todos os componentes curriculares, História, Matemática ou Artes, devem desenvolver suas competências específicas e, ao fazer isso, terão contribuído para desenvolver as competências específicas das suas áreas do conhecimento. Quando todas as áreas do conhecimento desenvolverem suas competências específicas, as dez competências gerais terão sido desenvolvidas.
É interessante destacar que, segundo Luckesi (1999, p. 173), a avaliação pode ser entendida como um ato amoroso, na medida em que a avaliação tem por objetivo diagnosticar e incluir o estudante pelos mais variados meios no curso da aprendizagem satisfatória, aquela que integra suas experiências de vida. Assim, a avaliação por si só deve ser um ato acolhedor e inclusivo, algo que integre e não apenas e simplesmente julgue o outro, ela precisa dar oportunidades e visar à inclusão e não à exclusão. O professor é o centro desse processo e a avaliação deve servir de parâmetro para que ele faça as intervenções necessárias para essa inclusão.
Não há nenhum problema em solicitar aos estudantes que sistematizem por escrito suas aprendizagens, inclusive, para identificar o desenvolvimento de algumas habilidades é essencial que haja a produção escrita individual. No entanto, esta não pode ser a única e exclusiva maneira de avaliar a aprendizagem dos estudantes. É necessário lembrar que há outras possibilidades de avaliação da aprendizagem.
BLENDED LEARNING OU ENSINO HÍBRIDO:
propostas inovadoras para educação
· Discutir o conceito de Blended Learning ou Ensino Híbrido e as inovações nos processos educacionais.
· Conhecer as propostas de Ensino Híbrido e seus modelos que implicam novas formas de ensinar e aprender.
· Analisar os modelos sustentados e disruptivos e suas implicações no processo ensino-aprendizagem.
 INTRODUÇÃO
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) impactaram a educação e abriram as portas para novas formas de ensinar e aprender. O paradigma linear com o processo de ensino-aprendizagem centrado no professor foi alterado para o paradigma emergente com o pensamento em rede e o aluno como protagonista de sua aprendizagem.
As TICs possibilitaram inovação educacional e atividades de ensino-aprendizagem on-line na modalidade a distância mescladas com o ensino presencial. Essa “mistura” recebe o nome de Blended Learning (blended, em inglês, significa misturado, mesclado), cuja tradução para o português é Ensino Híbrido.
 ENSINO HÍBRIDO
 Atividades presenciais + Atividades on-line
A proposta de Ensino Híbrido tem sido adotada em instituições de Ensino Superior e na Educação Básica em vários países do mundo, inclusive no Brasil. Os diversos modelos e possibilidades de hibridizar a educação têm como finalidade personalizar a aprendizagem do educando, criando ambientes favoráveis ao seu desenvolvimento, inserindo as tecnologias de forma integrada ao currículo e possibilitando uma aprendizagem pela exploração e descoberta.
Com os modelos de Ensino Híbrido, o processo educacional torna-se inovador, dialogando com as propostas educacionais do nosso século.
O conceito de Blended Learning ou Ensino Híbrido surgiu inicialmente nos EUA na década de 1990, mas as universidades começaram a financiar os estudos e projetos acadêmicos com base científica a partir de 2002.
O ensino híbrido é um programa de educação formal no qual um aluno aprende, pelo menos em parte, por meio do ensino online, com algum elemento de controle do estudante sobre o tempo, lugar, modo e/ou ritmo do estudo, e pelo menos em parte em uma localidade física supervisionada, fora de sua residência. 
(CHRISTENSEN, HORN, STAKER, 2013, p. 7)
Fundado a partir das teorias de um professor de Harvard, o Clayton Christensen Institute implementou modelos inovadores de Ensino Híbrido em escolas americanas, partindo de estudos e pesquisas que abordavam uma nova forma de fazer educação.
No Brasil, a passagem da modalidade presencial para a modalidade a distância e, depois, para o Ensino Híbrido foi possível no Ensino Superior a partir da Portaria nº 4.059/2004 do Ministério da Educação (MEC), que autorizou as instituições de Ensino Superior a ofertardisciplinas na modalidade semipresencial, respeitando o limite de até 20% da carga horária total do curso.
Fica a cargo da instituição de ensino superior decidir se esses 20% serão ofertados em forma de disciplinas híbridas (presencial e parcialmente a distância) ou totalmente a distância, considerando a necessidade de que as avaliações sejam presenciais (BRASIL, 2004).
Essa normatização possibilitou as práticas do Ensino Híbrido no Ensino Superior, integrando as atividades e utilizando os sistemas adaptativos para conhecer o estilo cognitivo dos alunos, o que permitiu gerar relatórios de atividades de desempenho e elaborar diferentes estruturas para ensinar mais e melhor, personalizando o ensino.
Fonte: iStock.
A combinação de dois ambientes de aprendizagem, a sala de aula presencial e o ambiente virtual, está complementando e agregando novos valores à educação, uma vez que o aluno pode aprender no seu ritmo, acessando os conteúdos por meio das tecnologias de informação e comunicação, integradas, por sua vez, às atividades na sala de aula presencial.
Sobre essa “mistura” entre o ensino presencial e o virtual, Belloni (2012, p. 117) enfatiza que:
As tendências mais fortes indicam para o desenvolvimento de modelos institucionais ‘mistos’ ou ‘integrados’ por meio dos quais as instituições convencionais de ensino superior ampliarão seus efetivos e diversificarão suas ofertas, complementando suas atividades presenciais com atividades mediatizadas, no interior dos currículos e das disciplinas.
Moran (2015, p. 39) afirma que “o ensinar e o aprender acontecem em uma interligação simbiótica, profunda e constante entre os chamados mundo físico e digital”. Sua colaboração mostra-nos que ensinar e aprender em espaços flexíveis e mesclados pode tornar esse processo fascinante, possibilitando a integração e a contribuição dos diferentes sistemas de ensino, promovendo a aprendizagem significativa para o aluno por meio de experiências diversas.
Blended Learning: para além do Ensino Superior
A expressão Ensino Híbrido vai além das definições de Blended Learning voltadas ao Ensino Superior. Estudos e experiências realizadas na Educação Básica nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina apontam para uma educação híbrida que, por meio das tecnologias, oportuniza a integração dos tempos e espaços. Sobre isso, Moran (2015, p. 39) nos ensina que:
Não são dois mundos ou espaços, mas um espaço estendido, uma sala de aula ampliada, que se mescla, hibridiza constantemente. Por isso a educação formal é cada vez mais blended, misturada, híbrida, porque não acontece só no espaço físico da sala de aula, mas nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais.
É importante perceber que não basta apenas mesclar o uso das tecnologias em ambientes virtuais com atividades presenciais, o fundamental é desenvolver projetos pedagógicos com propostas de trabalho significativas, que possam integrar esses múltiplos espaços, visando desenvolver a autonomia e a reflexão crítica de todos os envolvidos no processo.
Conforme já destacado, o conceito de Ensino Híbrido avançou para além do Blended Learning e tornou-se uma possibilidade. Corroborando as ideias de Moran (2015), Bacich, Tanzi Neto e Trevisani (2015, p. 51, grifo dos autores) enfatizam que a “expressão ensino híbrido está enraizada em uma ideia de educação híbrida, em que não existe uma forma única de aprender e na qual a aprendizagem é um processo contínuo, que ocorre de diferentes formas, em diferentes espaços”.
Pode-se destacar diferentes definições para o Ensino Híbrido, mas todas convergem para uma educação integradora, em que o papel do professor e do aluno são alterados de modo significativo em relação ao ensino tradicional, uma vez que a integração com as tecnologias digitais favorece:
-Aprendizagem ativa -Ambiente de aprendizagem colaborativo 
-Formação de grupos por afinidades -Desenvolvimento de habilidades específicas
-Compreensão de como o aluno aprende melhor
Você deve estar se perguntando: como isso é possível?
Conheça, a seguir, propostas de Ensino Híbrido apresentadas por Horn e Staker (2015), bem como um panorama geral das diversas possibilidades de combinar tempo, espaço e diferentes metodologias no processo de ensinar e aprender.
ENSINO HÍBRIDO:
*Modelo de rotação
Incorpora a sala de aula tradicional com a educação on-line. Nesse modelo, as atividades são sustentadas pela sala de aula tradicional e há diferentes propostas: Rotação por estações (Station rotation); Laboratório rotacional (Lab rotation); Sala de aula invertida (Flipped classroom); Rotação individual (Individual rotation).
-Rotação por estações O professor organiza uma programação fixa para que os alunos possam fazer um rodízio pelos pontos preestabelecidos na sala de aula. Um dos pontos deve ser uma atividade on-line e os outros podem ser atividades específicas em grupo, projetos ou pesquisas individuais. O professor segue mediando as atividades, participando dos grupos e dos estudos individuais. O planejamento das atividades não segue uma sequência, mas é importante que os alunos façam um rodízio entre as atividades propostas no decorrer da aula.
-Laboratório rotacional Os alunos usam dois espaços: o espaço da sala de aula e o laboratório. O professor organiza uma atividade na sala de aula e rotaciona a atividade para o laboratório, onde o aluno deve realizar a atividade de forma individual e autônoma, acompanhado por um tutor, utilizando a atividade on-line como uma inovação sustentada para colaborar com a metodologia tradicional. O professor pode também ficar com um grupo na sala de aula desenvolvendo a atividade e enviar um grupo para o laboratório, acompanhado pelo tutor, e depois inverter os grupos de trabalho.
-Sala de aula invertida Os alunos recebem o material com a teoria da disciplina e realizam seus estudos em casa, ativando seus conhecimentos prévios e agregando novas informações às estruturas cognitivas já existentes. Na sala de aula, o professor propõe atividades sobre o conteúdo estudado, ou seja, há uma inversão do que antes era realizado na sala de aula (estudo da teoria) com o que era realizado em casa (atividades). Estudos demonstram que a teoria estudada em casa pode ser apresentada em vídeos, palestras, sites para pesquisas, além o uso de textos escritos, em que o aluno pode aprender pela exploração de novos conhecimentos.
-Rotação individual Nesse modelo, os alunos rodam por modalidades de aprendizagem. As trilhas são personalizadas, porque alguns alunos precisam de mais tempo em determinada atividade que outros. Esse modelo valoriza as necessidades individuais do aluno. O tempo não é fixo, pois os alunos recebem os temas a serem estudados e trabalham em seu próprio ritmo. Essa proposta permite que o aluno seja o protagonista e esteja no controle de seu aprendizado, trabalhando com projetos para sustentar sua aprendizagem, assinalando os objetivos cumpridos e o momento de ser avaliado.
*Modelo flex A ênfase está no ensino on-line. Os alunos trabalham com roteiros de estudos e o ritmo é personalizado. Por essa razão, ele se assemelha ao Modelo de rotação individual, porque requer um plano personalizado para cada estudante. O mesmo roteiro pode ser trabalhado por alunos de séries diferentes.
*Modelo à la carte Depois de determinados os objetivos gerais do curso, os alunos são responsáveis pela organização de seus estudos e pela utilização de estratégias para atingir esses objetivos, tarefa compartilhada com o professor. Os estudos on-line podem ser realizados em casa, na escola ou em outros espaços.
*Modelo virtual enriquecido É uma experiência realizada por toda a escola em determinada disciplina. Os alunos dividem o tempo entre atividades on-line e presenciais.
Horn e Staker (2015) abordam diversas maneiras de organizar situações de aprendizagem. Os modelos rotativos  combinam as vantagens da educação on-line com os benefícios da sala de aula presencial, enquanto os modelos mais disruptivos em relação ao sistema tradicionalpropõem uma nova organização para toda a escola. Segundo os autores, os Modelos Flex, À La Carte e Virtual Enriquecido sugerem a aprendizagem on-line como o eixo condutor de todo o processo de ensino. Esses modelos são considerados disruptivos porque propõem uma nova organização metodológica para toda a escola.
ENSINO HÍBRIDO SUSTENTADO E DISRUPTIVO
Para atuar em sociedades modernas e complexas, as instituições de ensino precisam iniciar um processo de mudança, preparando ambientes que permitam integrar estratégias de ensino com todos os recursos tecnológicos disponíveis. Porém, para além dos recursos, é necessária a revisão do planejamento pedagógico e dos papéis de todos os envolvidos no processo.
Modelos sustentados: Os modelos de Ensino Híbrido de rotação estão sustentados na sala de aula presencial e necessitam de infraestrutura adequada às novas relações de ensino-aprendizagem e formação de pessoas e equipes para atuar em projetos inovadores.
Modelos disruptivos: Os modelos disruptivos, com foco no ensino on-line, exigem transformações em todo o sistema, alterando fundamentalmente o papel das escolas tradicionais. Os mais disruptivos são: Flex, À La Carte, Virtual Enriquecido e Rotação Individual.
Segundo pesquisas divulgadas pelo Instituto Christensen (2013), os modelos mais disruptivos estão posicionados para transformar o modelo de sala de aula, de modo que sejam os motores da mudança a longo prazo nas escolas.
Conforme Silva e Camargo apud Bacich, Tanzi Neto e Trevisani (2015, p. 182), “apesar de entender que o blended é uma possibilidade disruptiva de implementação de ensino mais adequado ao contexto sociocultural atual e em franca expansão, ele não necessariamente precisa ser aplicado em sua plenitude”. Os autores entendem que a preocupação e a necessidade de mudança podem estimular uma nova visão sobre as práticas educativas, seja na instituição como um todo, em uma disciplina ou em uma aula.
A implantação da proposta de Ensino Híbrido nas escolas exige:
*Reflexão sobre a realidade 
*Plano de ensino condizente com o modelo
*Envolvimento da direção e coordenação 
*Criação de novos projetos
*Engajamento de alunos e professores nos projetos
 O Blended Learning ou Ensino Híbrido é uma possibilidade de ensinar e aprender integrando a sala de aula presencial e atividades on-line.
 *O Ensino Híbrido alcança as escolas de Educação Básica e contribui com modelos inovadores de educação.
*Os modelos de Ensino Híbrido combinam tempo, espaços e diferentes metodologias no processo de ensinar e aprender.
* O modelo de Ensino Híbrido por rotação é sustentado por atividades na sala de aula presencial, enquanto os disruptivos estão embasados em atividades on-line.
 AS NOVAS METODOLOGIAS DE ENSINO
 INTRODUÇÃO
A sociedade do conhecimento, com os impactos e os avanços tecnológicos na vida social, exige uma educação inovadora que oportunize aos educandos o desenvolvimento de suas capacidades cognitivas, como a rapidez de raciocínio na resolução de problemas, a comunicação e o domínio de várias formas de linguagem, entre outras.
Uma educação inovadora implica, principalmente, dar significado à aprendizagem, com foco em:
-realização de experiências -projetos; e -solução de problemas.
Para tanto, é necessária uma reestruturação das instituições de ensino, rompendo com o confinamento da sala de aula, flexibilizando os tempos e os espaços e integrando as tecnologias de acordo com seus programas e projetos pedagógicos.
Para acompanhar esse processo de inovação, é fundamental a utilização de novas metodologias que promovam o desempenho mais ativo dos alunos, garantindo-lhes maior autonomia no processo de aprendizagem. Compreender os desafios da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) ou Problem Basead Learning (PBL) e compartilhar experiências educacionais no formato de Sala de Aula Invertida ou Flipped Classroom fazem parte desse processo de busca por inovação.
 METODOLOGIAS ATIVAS NA EDUCAÇÃO
A utilização de tecnologias de informação e comunicação na educação e os processos de inovação tornaram as instituições de ensino mais híbridas. Segundo Moran (2015, p. 2), “a educação é mais híbrida porque não acontece só no espaço físico da sala de aula, mas nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais”.
Esse novo cenário exige das instituições de ensino novos posicionamentos, oferecendo aos alunos possibilidades de interagir e produzir conhecimentos para atuar em uma sociedade complexa. Esses avanços buscam uma ruptura com os modelos tradicionais de ensino-aprendizagem de transmissão de conhecimento e requerem a utilização de novas metodologias.
Diante dessas possibilidades, as Metodologias Ativas surgem como um processo que visa estimular a autoaprendizagem e a curiosidade do estudante para pesquisar, refletir e analisar possíveis situações para a tomada de decisão, sendo o professor apenas o facilitador desse processo (BASTOS, 2006 apud BERBEL, 2011).
A importância de uma educação problematizadora e da autonomia dos estudantes
Mesmo antes do desenvolvimento tecnológico das últimas décadas do século XX e início do século XXI, vários autores já discutiam a importância da autonomia dos alunos e defendiam uma educação problematizadora, que pudesse levá-los à construção de novos conhecimentos:
John Dewey (1859-1952) Jean Piaget (1896-1980) Paulo Freire (1921-1997)
São muitas e atuais as contribuições de Paulo Freire (2015) acerca da Pedagogia Problematizadora, que parte da premissa de que educador e educando aprendem juntos em uma relação dinâmica na qual a prática, orientada pela teoria, possibilita a reflexão crítica do estudante e o desenvolvimento de sua autonomia como forma de intervir na realidade (BERBEL, 2011).
As Metodologias Ativas surgem como possibilidades de conduzir o aluno, enquanto protagonista, para o centro do processo de aprendizagem, com uma posição mais crítica e reflexiva.
A problematização e a autonomia são recursos necessários para motivar os alunos que, diante de uma situação-problema, são capazes de refletir e contextualizar suas descobertas. As Metodologias Ativas tornaram-se recursos didáticos que possibilitam aos alunos ressignificar o conhecimento.
Essa é uma mudança de perspectiva que exige das instituições de ensino um planejamento estratégico que implica mudanças estruturais e pedagógicas com a incorporação das tecnologias, formação de professores e seu engajamento para rediscutir seu papel e sua atuação em novos espaços de aprendizagem e apropriação dos novos recursos didáticos disponíveis.
Segundo Abreu e Masetto (1990), o “conhecimento e o domínio das estratégias é uma ferramenta que o professor maneja de acordo com sua criatividade, sua reflexão e sua experiência, para alcançar os objetivos da aprendizagem”.
 Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP)
No conjunto de Metodologias Ativas, a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) – tradução livre do inglês, Problem Basead Learning (PBL) – teve sua inspiração no Método do Caso, adotado na Faculdade de Direito de Harvard University (EUA) em 1920, seguida de novas experiências nos Estados Unidos e no Canadá. Na década de 1990, começa a ser utilizada no Brasil por cursos nas áreas de Medicina e Engenharia.
A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) discute as mudanças culturais na educação, e vários autores contribuem para sua definição. Para Delisle (2000, p. 5), a ABP é “uma técnica de ensino que educa apresentando aos alunos uma situação que leva a um problema que tem de ser resolvido”. Baseia-se na premissa da psicologia cognitivista de que a aprendizagem não é um processo de repetição, mas de construção de novos conhecimentos, conforme afirma Ribeiro (2005).
A ABP, portanto, é um método de aprendizagem que:
*Estimula a criatividade *Envolve os alunos em todo o processo
*Desenvolve o raciocínio *Desenvolvea capacidade de resolução de problemas
*Desenvolve a capacidade investigativa
Enquanto método, a ABP exige uma reestruturação dos projetos pedagógicos, a integração das disciplinas e a revisão do papel do professor. De acordo com Cyrino e Toralles-Pereira (2004), para um aprendizado de conteúdos cognitivos, o professor deve ser criativo e se preocupar não só com o “quê”, mas também com o “por quê” e “como” o aluno aprende.
Para a implantação da ABP, são necessários:
*Espaço de trabalho adequado *Disponibilidade e acesso a materiais de consulta
 *Formação de grupos (8 a 10 alunos) *Grau crescente de dificuldade das situações-problema
*Disponibilidade de tutoria (dependendo do número de grupos)
Na Aprendizagem Baseada em Problemas pode ser necessária, ainda, a atuação de mais de um orientador por turma.
As contribuições de John Dewey para uma educação baseada em problemas
Na teoria pedagógica de John Dewey, encontra-se a mais significativa inspiração para a Aprendizagem Baseada em Problemas. A Pedagogia Ativa ou Pedagogia da Ação, de Dewey, propõe que a aprendizagem deve partir de problemas ou situações que propiciam dúvidas ou descontentamento intelectual, pois os problemas surgem das experiências reais que são problematizadas e estimulam a cognição para mobilizar práticas de investigação e resolução criativa dos problemas (CAMBI, 1999). Delisle (2000) e O’Grady et al. (2012) também apontam Dewey como um dos inspiradores da ABP. Segundo eles, Dewey acreditava que, para estimular o pensamento de um aluno, o professor teria de partir de um assunto de natureza não formal, que viesse da vida ou do cotidiano dele (DIESEL; BALDEZ; MARTINS, 2017).
Sala de aula invertida
A Sala de Aula Invertida (do inglês, Flipped Classroom) faz parte das Metodologias Ativas que estimulam a contextualização do conhecimento, a participação e a liberdade de estudo dos alunos. Os primeiros estudos tiveram início na década de 1990, na Universidade de Harvard, com o professor Eric Mazur; e o método de ensino Instrução pelos colegas (Peer Instruction), com a popularização do uso das tecnologias, foi rapidamente disseminado em todo o mundo.
Segundo Valente (2014), a sala de aula invertida é uma modalidade de e-learning, na qual o conteúdo e as instruções são estudados on-line antes de o aluno frequentar a sala de aula, que agora passa a ser o local para trabalhar os conteúdos já estudados, realizando atividades práticas, como resolução de problemas e projetos, discussão em grupo, laboratórios etc.
A inversão ocorre na contramão do ensino tradicional:
Modelo tradicional de ensino:
O professor utiliza o espaço da sala de aula para transmitir informações para o aluno, que, após a aula, estuda o conteúdo que foi transmitido e realiza as atividades propostas.
Sala de aula invertida:
Nesse modelo, aluno estuda em casa os materiais disponibilizados em uma plataforma virtual de estudos, sendo a sala de aula o local da aprendizagem ativa.
No modelo de Sala de Aula Invertida, o professor trabalha na sala de aula as dúvidas trazidas pelos alunos, respondendo perguntas, propondo discussões e atividades práticas do conteúdo estudado em casa.
Para Moran (2014), a Sala de Aula Invertida é um dos modelos mais interessantes da atualidade para mesclar tecnologia com metodologia de ensino, pois concentra no virtual o que é informação básica e, na sala de aula, atividades criativas e supervisionadas, uma combinação de aprendizagem por desafios, projetos, problemas reais e jogos.
As regras básicas para inverter a sala de aula, segundo o relatório Flipped Classroom Field Guide, publicado em 2014 (adaptado de VALENTE, 2014), são:
1. As atividades em sala de aula envolvem uma quantidade significativa de questionamentos, resolução de problemas e de outras atividades de aprendizagem ativa, obrigando o aluno a recuperar, aplicar e ampliar o material aprendido on-line.
2. Os alunos recebem feedback imediatamente após a realização das atividades presenciais.
3. Os alunos são incentivados a participar das atividades on-line e das presenciais, sendo computadas na avaliação formal do aluno, ou seja, valem nota.
4. Tanto o material a ser utilizado on-line quanto os ambientes de aprendizagem em sala de aula são altamente estruturados e bem planejados.
Os conceitos apresentados para trabalhar com a sala de aula invertida exigem a utilização de dois ambientes: o virtual, em que os professores podem postar pequenos vídeos, textos, jogos ou outras informações que possam colaborar com os estudos, e a sala de aula presencial, onde o professor deve criar cada vez mais estratégias, centradas na aprendizagem, com foco na aplicação dos conhecimentos adquiridos dos alunos nos estudos pré-classe, procurando identificar individual ou coletivamente as dificuldades e os avanços, e, de maneira criativa, realizar suas intervenções.
MÉTODOS ATIVOS
e a promoção da autonomia dos alunos
Objetivos:
 Conhecer os caminhos teórico-metodológicos que embasam os métodos ativos no processo educacional.
 Entender metodologias  e os processos de ensino-aprendizagem que colocam o aluno no centro do conhecimento.
 Analisar as metodologias ativas que promovem a autonomia dos alunos e a aprendizagem significativa.
INTRODUÇÃO:
No atual contexto social, com o avanço das novas tecnologias e percepção do mundo como uma rede de relações dinâmicas e em constante transformação, os processos educacionais exigem novos métodos de ensino. As instituições de ensino precisam oportunizar:
· Novas experiências educacionais aos estudantes.
· Flexibilização dos projetos pedagógicos.
· Alteração da dinâmica de estudos em diferentes tempos e espaços.
· Processo de ensino-aprendizagem colaborativo.
Na educação tradicional, fundamentada na transmissão de conteúdos, o aluno tem uma postura passiva diante dos processos de ensino e aprendizagem. Não há espaço para que ele se manifeste ou se posicione criticamente. Com base nisso, faz-se necessário estudar práticas e estratégias que possibilitem planejar o trabalho educativo com base nas teorias pedagógicas problematizadoras, tendo como ponto de partida o reconhecimento do estudante como sujeito do processo educativo e o desenvolvimento de sua autonomia nos estudos.
Para iniciar esse módulo, é preciso ter em mente que as metodologias ativas como estratégia de ensino apontam caminhos para o desenvolvimento de habilidades e da autonomia dos estudantes, estimulando a autoaprendizagem e ressignificando o conhecimento.
CAMINHOS METODOLÓGICOS DO “ENSINAR” PARA “APRENDER”
Para atender às exigências do século XXI, os cursos nas modalidades presencial e a distância devem ter projetos embasados em teorias pedagógicas que tratam das questões relativas ao desenvolvimento da cognição  humana. Para enfrentar esse desafio, é preciso conhecer as correntes pedagógicas que implicam um movimento de migração do “ensinar” para o “aprender” (SARDO, 2007), processo pelo qual o aluno assume corresponsabilidade pelo seu aprendizado.
1-Construtivismo: Uma das correntes que dominam a educação contemporânea é o Construtivismo, que teve como principais pesquisadores Piaget e Bruner, defensores da importância de se construir conhecimento por meio da interação entre os seres humanos.
Segundo Mizukami (1986), a abordagem cognitivista, fundamentada nas teorias construtivistas, estuda cientificamente a aprendizagem como um produto resultante do ambiente, das pessoas ou de fatores externos a ela. Investiga como as pessoas lidam com estímulos ambientais, organizam dados e resolvem problemas.
A teoria construtivista estabelece uma relação entre os componentes do processo ensino-aprendizagem e uma estreita interação com o aprendiz na construção do conhecimento. Nessa perspectiva, essa teoria preza por um caminho pedagógico autônomo, de modo que o estudante possa aprender respondendo às exigências sociais diante de uma realidade e dando significado ao conhecimento.
Abordagem cognitivista
Para o Cognitivismo, os processos de aprendizagem devem ser modelados levando-seem conta a relação professor-aluno. Nesses modelos, o professor não é aquele que ensina, mas, sim, aquele que cria oportunidades de aprendizagem para seus alunos.
2. Sociointeracionismo: A partir dos anos 1980, chega ao Ocidente a abordagem sociointeracionista, de Vygotsky. Para ele, o conhecimento é um produto da interação social e da cultura. Concebe o sujeito como um ser eminentemente social e o conhecimento como produto social. As práticas de ensino na modalidade a distância utilizam-se, como Vygotsky sugere, de dinâmicas participativas de cooperação e de comunicação, regras flexíveis, desenvolvimento da criatividade e da individualidade. O aluno é quem constrói seu próprio conhecimento, sendo auxiliado pelo professor-tutor, que o ajuda a avançar nos estudos, aguça curiosidades, promove reflexões, acompanha o processo de construção do conhecimento do aluno, sempre atento ao fato de que cada ser humano tem sua forma peculiar de aprender, exercendo, assim, o papel de mediador/facilitador da aprendizagem.
Mizukami (1986) ressalta, ainda, a abordagem sociocultural, representada pelas ideias de Paulo Freire, que enfatiza os aspectos sociopolíticos e culturais envolvidos nos processos de ensino-aprendizagem.
O homem constrói-se e chega a ser sujeito na medida em que, integrado em seu contexto, reflete sobre ele e compromete-se com ele, tomando conhecimento de sua historicidade. Dessa forma, para Freire, a verdadeira educação consiste na educação problematizadora, visto que ela ajuda na superação da relação opressor-oprimido, objetivando o desenvolvimento da consciência crítica (MIZUKAMI, 1986).
Abordagem sociocultural
O homem é entendido como sujeito da educação, evidenciando-se uma tendência interacionista, já que as interações homem−mundo e sujeito−objeto são imprescindíveis para que o ser humano desenvolva-se e torne-se sujeito de sua práxis.
A aprendizagem pela experiência, de John Dewey,  também é considerada um dos pilares de transformação na educação, pois apoia as práticas de metodologias ativas de ensino. Segundo os estudos de Dewey, não deve haver separação entre vida e educação; isso significa dizer que os conteúdos aprendidos na escola devem fazer sentido e ter uma aplicação na vida do aluno.
Segundo Dewey (1978), o estudante deve ser capaz de compreender os objetos, os acontecimentos e os atos de seu contexto social, participando ativamente das atividades. Em sua visão educativa, Dewey propõe que a aprendizagem seja instigada por meio de problemas ou situações que procurem, de forma intencional, gerar dúvidas, desequilíbrios ou perturbações intelectuais.
Dewey contribuiu para o “método dos problemas", que valoriza experiências concretas e problematizadoras, com forte motivação prática e estímulo cognitivo para possibilitar escolhas e soluções criativas, levando o aluno a desenvolver a capacidade de assumir responsabilidade por sua formação e, por conseguinte, proporcionando uma aprendizagem significativa, que mobilize diferentes processos mentais:
Levantar hipóteses Comparar Analisar Interpretar Avaliar Refletir
O pensamento dos autores apresentados converge para a participação ativa do aluno em seu processo de aprendizagem, buscando conhecimentos, articulando teoria e prática, correlacionando seus conhecimentos e realizando reflexões críticas sobre os problemas reais.
É importante recapitular as teorias e entender as colaborações dos autores citados para os processos de ensino-aprendizagem.
E você, o conteúdo estudado neste módulo fez sentido para seu desenvolvimento acadêmico?
As reflexões feitas neste módulo de estudo mudaram seu modo de pensar a complexidade da educação? Em caso positivo, pode-se concluir, então, que você está construindo sua aprendizagem.
MÉTODOS ATIVOS E A AUTONOMIA DOS ALUNOS
É muito importante que o aluno perceba que estamos vivenciando uma mudança de perspectiva, ou seja, tanto nos cursos a distância quanto nos modelos semipresenciais e híbridos (misturados) há um ambiente flexível, de diálogo e colaboração, apoiado em um projeto e mediado pelos recursos tecnológicos. É preciso considerar as diferentes realidades e os diversos espaços geográficos onde se encontram todos os estudantes. Diante dessa complexidade, precisamos vencer alguns desafios importantes, como o processo de escolarização e a responsabilização do professor pelo ensino, a passividade do aluno, o que muitas vezes tende à dependência e à acomodação.
Nesse novo momento educacional, o aluno está no centro do processo, o que exige um posicionamento mais crítico e autonomia para os estudos. Para compreendermos os métodos ativos, apresentaremos primeiramente discussões sobre o conceito de autonomia.
Conforme as discussões de Preti (2000), na relação pedagógica, a autonomia está associada a reconhecer no outro a capacidade de participar, ter o que oferecer e poder decidir, aliado ao potencial do sujeito em “tomar para si” sua própria formação.
Para Belloni (1999), no processo de aprendizagem autônoma, o estudante não é objeto ou produto, mas sujeito ativo que realiza sua própria aprendizagem e abstrai o conhecimento aplicando-o em situações novas. Ainda para a mesma autora, o conceito de aprendizagem autônoma implica dimensões de autodireção e autodeterminação, as quais não são facilmente realizadas por muitos estudantes da modalidade a distância, uma vez que, sem o auxílio direto do professor, o aluno precisa estudar sozinho e ser o responsável por seu processo de aprendizagem.
Todas as direções indicam-nos que o aluno pode ser considerado autônomo quando tiver habilidades que facilitem sua autoaprendizagem. Para tanto, é fundamental o engajamento do aluno em novas experiências, exercitando sua liberdade de escolha e autonomia na tomada de decisões.
As instituições de Ensino Superior que oferecem cursos a distância e as escolas de educação básica que oferecem o ensino híbrido já acenam mudanças importantes em seus projetos com a utilização de metodologias ativas focadas no aluno e na aprendizagem, predominando a experimentação por meio de projetos de pesquisas. A partir do uso frequente de tecnologias, os professores/tutores realizam o trabalho de orientação, interagindo e colaborando com todo o processo de aprendizagem.
Mas, afinal, o que são métodos ativos?
É considerado método ativo ou metodologia ativa um conjunto de estratégias de ensino, por exemplo: Aprendizagem Baseada em Problemas, Aprendizagem Baseada em Projetos, Sala de Aula Invertida, Aprendizagem por Pares, entre outras. Porém, é importante destacar que todas essas metodologias estão fundamentadas em abordagem pedagógica  que investem no conhecimento como construção e que exigem dos alunos participação ativa nos estudos, com autonomia, tornando-se corresponsáveis por sua própria aprendizagem.
Como ensina-nos Moran (2013), as metodologias ativas podem tornar as atividades de ensino e aprendizagem muito mais diversificadas, combinando melhor o percurso individual e grupal. O autor destaca que os projetos de educação a distância permitem inovar, desenvolver metodologias diferentes, sem privilegiar um único caminho.
Todos os caminhos levam os alunos ao centro do conhecimento, promovendo o desenvolvimento de sua autonomia, tornando a aprendizagem mais significativa. Então, você, na condição de aluno, não pode cair nas armadilhas que criam obstáculos para a aprendizagem, como ficar refém das decisões do professor ou do tutor. Tome a iniciativa, encare os desafios e siga na direção da produção do conhecimento e da sua autoaprendizagem.
· As teorias e as abordagens pedagógicas que estão subjacentes aos processos de ensino-aprendizagem oferecem aos educandos experiências inovadoras em educação.
· Propostas metodológicas colocam o aluno no centro do processo de ensino-aprendizagem, promovendo o desenvolvimento de sua autonomia.
· A autonomia é um recurso importante para aqueles que estudam a distância.
· As metodologias ativas criam possibilidades de o aluno participar ativamente do processo educacional, em espaçosflexíveis, em pares e pela descoberta do conhecimento.
 Sobre a BNCC
A BNCC é uma política educacional que visa orientar:
• a formulação dos currículos escolares e das propostas pedagógicas;
• a avaliação;
• a formação de professores;
• a produção de material didático.
Tendo como fundamento pedagógico o desenvolvimento de competências, essa política deve ser seguida por todas as escolas públicas e privadas de Educação Básica do país.
São conceitos que fundamentaram a redação da BNCC:
 Valores:
Da república: supremacia do bem comum.
Da democracia: direito de expressão e respeito às diferenças.
Da justiça social: direitos da pessoa humana.
 
Princípios norteadores da educação escolar brasileira:
Estético/político/ético
 
 Qualidade, equidade e igualdade
 
 BNCC e os currículo
 
 Educação integral Desenvolvimento de competências 
 cognitivas e socioemocionais
Igualdade e equidade: dois princípios da BNCC
Igualdade: Consiste em tratar as pessoas como iguais, independentemente de quão diferentes elas sejam.
Equidade: Consiste em tratar de forma diferente aqueles que não se encontram em situação de igualdade.
Igualdade: O que faz?
Garante o direito de aprender de todos e define as aprendizagens essenciais que os estudantes devem desenvolver.
Para que serve? Para promover o ingresso e a permanência de todos em uma escola de Educação Básica de qualidade.
Equidade: O que faz?
Reconhece que as necessidades dos estudantes são diferentes.
Para que serve? Para reverter a situação de exclusão histórica.
Regime de colaboração:
O que faz? Fortalece a colaboração entre as três esferas do governo: a União; os estados e o Distrito Federal; e os municípios.
Para que serve? Para superar a fragmentação das políticas educacionais, alinhar políticas e ações (como a formação de professores, a avaliação, a elaboração de conteúdos educacionais, os critérios de oferta de infraestrutura) e garantir um patamar comum de aprendizagem a todos os estudantes.
Estrutura e gestão
Dizem respeito à forma como se estruturam os sistemas de ensino da Educação Básica e a quem cabe a gestão.
Autonomia dos sistemas de ensino e das instituições escolares
O que faz? A LDB define que a organização da educação nacional se dá em regime de colaboração entre os entes federados, cabendo à União coordenar a política nacional e exercer função normativa, redistributiva e supletiva. Já aos estados, municípios e Distrito Federal e seus respectivos sistemas de ensino, cabe a liberdade de organização.
Para que serve? Para garantir igualdade e equidade educacional a todos os brasileiros, com uma política educacional nacional, e dar autonomia aos sistemas, para que construam seus currículos, e às escolas, para que construam suas propostas pedagógicas, que devem vir ao encontro das necessidades, das possibilidades e dos interesses de seus estudantes.
Governo federal (União): Coordena a política nacional, exerce função normativa (cria as normas), redistributiva (distribui as verbas de forma equitativa) e supletiva (complementa) na educação, devendo prestar assistência técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios.
Governo estadual
Os estados e o Distrito Federal são responsáveis pelos Ensinos Fundamental e Médio.
Governo municipal
Os municípios têm a função educacional de atuar na Educação Infantil e no Ensino Fundamental.
Organização do sistema educacional
A organização do sistema educacional brasileiro ocorre por meio dos sistemas de ensino da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Rede privada
As instituições de Educação Infantil, Ensino Fundamental e/ou Médio, criadas e mantidas pela iniciativa privada, integram os sistemas estadual e/ou municipal.
 
Etapas da Educação Básica
Educação Infantil: A Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica. A LDB considera que a creche contempla crianças de até 3 anos, já a pré-escola é direcionada às crianças de 4 a 5 anos. Na BNCC, os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento estão divididos nos seguintes grupos de idade:
• Bebês (zero a 1 ano e 6 meses).
• Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses).
• Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses).
Ensino Fundamental (Anos iniciais): Compreende a primeira fase do Ensino Fundamental: 1º, 2º, 3º, 4º e 5º anos.
Ensino Fundamental (Anos finais): Compreende a segunda fase do Ensino Fundamental: 6º, 7º, 8º e 9º anos.
Ensino Médio: Etapa final da Educação Básica, tem duração mínima de três anos.
Formas de organização da escola:
A BNCC não define as formas como a escola deve se organizar. Conforme o art. 23 da LDB, a escola tem liberdade para a organização escolar, atendendo ao interesse do processo de aprendizagem.
Jornada escolar: É o tempo que o estudante permanece na escola durante o dia.
Organização escolar: O art. 23 da LDB dá a cada escola o direito de se organizar da forma que melhor atender ao interesse do processo de aprendizagem, podendo ser em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios.
Rotinas e eventos do cotidiano escolar: Trata-se do dia a dia da escola, seu horário de aulas, suas comemorações, que são previstas em calendário escolar e aprovadas pela Secretaria de Educação.
Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
A Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017, institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular, a ser respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito da Educação Básica.
A BNCC descreve que os currículos dos sistemas de ensino devem contemplar todas as modalidades de ensino previstas na LDB e demais diretrizes da Educação Básica.
O documento enfatiza a necessidade de adequar as proposições da BNCC (aprendizagens essenciais) à realidade local, considerando a autonomia dos sistemas ou das redes de ensino e das instituições escolares, bem como o contexto e as características dos alunos.
Destaca, ainda, que a equidade pressupõe que se reverta os quadros históricos de exclusão de determinados grupos, como:
* Povos indígenas originários.
*Populações das comunidades remanescentes de quilombos e demais afrodescendentes.
*Pessoas que não puderam estudar ou completar sua escolaridade na idade própria.
*Alunos com deficiência.
São modalidades de ensino: 
*Educação a Distância (EAD):  É o ensino no qual o aluno pode assistir às aulas de forma remota (gravada) ou em tempo real, mediado por tecnologias diversas, como computadores, tablets e smartphones.
• A LDB define que o Ensino Fundamental será presencial, podendo o Ensino a Distância ser utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.
• Quanto ao Ensino Médio, a EAD fica a critério dos sistemas de ensino (estadual, distrital e municipal), podendo estes firmar convênios com instituições de Educação a Distância para a oferta de formação com ênfase técnica e profissional.
*Educação de Jovens e adultos (EJA): Destina-se àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos nos Ensinos Fundamental e Médio na idade própria.
Além dos cursos, os sistemas de ensino devem oferecer exames para o Ensino Fundamental aos maiores de 15 anos e de Ensino Médio aos maiores de 18 anos.
*Educação Escolar Indígena: Destina-se à população indígena e, de acordo com a BNCC, deve:
[...] assegurar competências específicas com base nos princípios da coletividade, reciprocidade, integralidade, espiritualidade e alteridade indígena, a serem desenvolvidas a partir de suas culturas tradicionais reconhecidas nos currículos dos sistemas de ensino e propostas pedagógicasdas instituições escolares. Significa também, em uma perspectiva intercultural, considerar seus projetos educativos, suas cosmologias, suas lógicas, seus valores e princípios pedagógicos próprios (em consonância com a Constituição Federal, com as Diretrizes Internacionais da OIT – Convenção 169 e com documentos da ONU e Unesco sobre os direitos indígenas) e suas referências específicas, tais como: construir currículos interculturais, diferenciados e bilíngues, seus sistemas próprios de ensino e aprendizagem, tanto dos conteúdos universais quanto dos conhecimentos indígenas, bem como o ensino da língua indígena como primeira língua. (BRASIL, 2018, p. 17-18).
*Educação Especial: Destina-se aos educandos com deficiências e deve ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. Tem os mesmos objetivos da Educação Básica, porém, prevê atendimento diferenciado conforme as necessidades individuais dos estudantes. (Lei Brasileira de Inclusão – LBI, também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei nº 13.146/2015.)
*Educação Quilombola: Destina-se às populações quilombolas rurais e urbanas em suas mais variadas formas de produção cultural, social, política e econômica. Deve ser ofertada por estabelecimentos de ensino localizados em comunidades reconhecidas pelos órgãos públicos responsáveis.Para entender mais sobre o que é quilombola, acesse o Portal da Fundação Joaquim Nabuco.
*Educação Rural/ do campo: Destina-se à população rural. Cabe aos sistemas de ensino promover as adaptações necessárias para a sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região.
*Presencial: É o ensino convencional, no qual estão presentes o aluno e o professor.
Educação integral Em seu texto, a BNCC compreende a educação integral como o direito da formação e desenvolvimento global do estudante. Esse desenvolvimento pleno é complexo, não linear e compreende tanto o desenvolvimento cognitivo como o socioemocional (que são inseparáveis).
A Base reforça a necessidade de atender aos diversos interesses dos estudantes, superando a fragmentação disciplinar dos conteúdos, favorecendo a conexão entre eles e adequando-os ao contexto real do estudante. É importante frisar que a BNCC não trata de “escola em tempo integral”, ela trata de “educação integral”.
O conceito de educação em tempo integral difere do de educação integral
Educação integral
Corresponde à formação global do estudante: cabeça, coração e mente.
Educação em tempo integral
Refere-se a um modelo no qual o estudante permanece na escola o dia inteiro e não apenas um período.
Direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento
Conforme a legislação educacional, trata-se do que os estudantes devem aprender na Educação Básica, em cada ano, garantindo um conjunto de conhecimentos comuns (essencial) e um conjunto de competências, para que tenham a capacidade de mobilizar e aplicar o conhecimento dentro de seu contexto.
O objetivo é nortear os currículos dos sistemas estaduais, distrital e municipais.
as diretrizes que orientam os currículos para a Educação Básica:
Constituição Federal 1988: A Constituição de 1988 prevê a formulação de conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental.
LDB 1996: A formulação de conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental foi reforçada pela LDB em 1996, que estabelece as competências e as diretrizes para a Educação Básica.
Plano Nacional de Educação 2014: O Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014 afirma que há a necessidade de “diretrizes pedagógicas para a educação básica e a base nacional comum dos currículos, com direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento dos(as) alunos(as) para cada ano do Ensino Fundamental e Médio” (BRASIL, 2014, [n.p.]), sempre em regime de colaboração entre os estados, distrito federal e municípios.
Desenvolvimento cognitivo e socioemocional
No desenvolvimento socioemocional estão incluídos os processos mentais que o indivíduo desenvolve ao longo da vida. Envolve processos que vão desde o conhecimento de si mesmo e de seus sentimentos até o reconhecimento e o relacionamento com o outro e a coletividade. Pressupõe o desenvolvimento de habilidades que o estudante necessita para criar relações, tomar decisões pessoais e coletivas de maneira positiva. Está presente, por exemplo, em habilidades de autoconhecimento, consciência social, tomada de decisões responsáveis, persistência e foco. E, assim como as habilidades cognitivas, vão se ampliando ao longo da vida.
O desenvolvimento cognitivo contempla os processos mentais pelos quais o indivíduo adquire conhecimento. Envolve, por exemplo, linguagem, memória, atenção, criatividade, abstração e resolução de problemas. A partir da aprendizagem, esses processos se ampliam e se adaptam a novos contextos. Por exemplo: um estudante que aprendeu a ordenar na Educação Infantil ampliará essa habilidade quando aprender as ordens numéricas nas séries iniciais, compreendendo melhor as dezenas, centenas, etc.
Embora tratados aqui de forma distinta, é importante ressaltar que o desenvolvimento do estudante é global/integral. Os desenvolvimentos cognitivo e socioemocional não ocorrem separadamente. A cognição está intrinsecamente ligada à emoção. Assim, a BNCC enfatiza a importância da educação integral.
Sem emoção não é plausível que um estudante resolva, por exemplo, um problema em seu grupo ou que posteriormente dê uma resposta a um problema social.
Sem um conjunto de processos cognitivos, é pouco provável que o sujeito tome decisões assertivas sobre sua própria vida ou consiga emitir um juízo de valor sobre determinada questão.
Na Base Nacional Comum Curricular, os processos cognitivos estão descritos nas habilidades. Cada habilidade traz em si um processo cognitivo (uma intenção) a ser desenvolvida pelo estudante (ver “Habilidades”). Destaca-se que a BNCC e os currículos
reconhecem que a educação tem um compromisso com a formação e o desenvolvimento humano global, em suas dimensões intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica.” (BRASIL, 2018, p. 16).
Conhecimento
O que faz?
Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital.
Para que serve?
Entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
Pensamento científico, crítico e criativo
O que faz?
Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade.
Para que serve?
Investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
Repertório cultural
O que faz?
Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
Para que serve?
Fruir e participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
Comunicação
O que faz?
Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica.
Para que serve?
Expressar-se e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
Cultura digital
O que faz?
Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares).
Para que serve?
Comunicar-se, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
Trabalho e projeto de vida O que faz?
Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências.
Para que serve? Entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e aoseu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
Argumentação O que faz?
Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis.
Para que serve? Formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
Autoconhecimento e autocuidado O que faz?
Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional.
Para que serve? Compreender-se na diversidade humana e reconhecer suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
Empatia e colaboração O que faz?
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação.
Para que serve? Fazer-se respeitar e promover o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
Responsabilidade e cidadania O que faz?
Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação.
Para que serve? Tomar decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
 Currículo
 É entendido como o conjunto de atividades e experiências das crianças e dos jovens, que resultam nas aprendizagens estabelecidas para uma etapa da escolaridade. Mais do que a definição das aprendizagens essenciais, o currículo, tomando a BNCC como referência, inclui todas as decisões sobre:
Organização e tratamento dos conteúdos É necessário organizar e tratar os conteúdos para atender às necessidades e às características dos alunos e às demandas da realidade social e cultural na qual eles estão vivendo.
Metodologias As metodologias para ensinar os conteúdos e as estratégias para colocar em ação o ensino e a aprendizagem em sala de aula.
Recursos Os recursos didático-pedagógicos para orientar alunos e professores (equipamentos, materiais impressos, recursos virtuais, entre outros).
Educação continuada dos professores As necessidades de educação continuada dos professores e as providências para torná-la acessível aos que dela precisarem.
Sistema de avaliação O sistema de avaliação do processo de ensino e de aprendizagem no nível da escola, bem como os usos dos resultados da avaliação.
Assim, podemos concluir que:
A BNCC é a definição das aprendizagens essenciais que todo aluno deve desenvolver, ou seja, estabelece os pontos de chegada.
O currículo é tudo o que deve ser mobilizado e realizado pela escola para que essas aprendizagens sejam efetivamente alcançadas. Assim, ele estabelece o que deve ser feito ao longo do percurso escolar para alcançar os pontos de chegada com sucesso.
Organização curricular
A organização curricular consiste em formas de organização que imprimam um determinado sentido ao ensino e à aprendizagem, de acordo com a concepção filosófica e curricular adotada. A BNCC propõe dois tipos de organização curricular: organização por temas e objetos de conhecimento; e organização por eixos.
Organização por temas e objetos de conhecimento
Unidade temática: Adota como critério organizador o conteúdo a ser aprendido para promover competências e habilidades. As unidades temáticas de um componente, Ciências, por exemplo, são as mesmas ao longo dos nove anos do Ensino Fundamental.
Objetos de conhecimento
Cada unidade temática inclui dois ou mais objetos de conhecimento. Os objetos de conhecimento mudam em progressão de ano para ano. Isso fica claro a partir da observação da manutenção de três unidades temáticas em Ciências durante o Ensino Fundamental. (Confira esse exemplo nas páginas de 332 a 341 e de 344 a 351 da BNCC.)
Organização por eixos
O termo eixo é empregado como critério organizador do currículo e, quase sempre, se refere a conteúdos agrupados de acordo com tipos de atividades e situações de aprendizagem ou uma finalidade específica.
 Eixos
 
Eixo estruturante
(Educação Infantil e Ensino Médio) Eixo organizador
 (Linguagens)
Componente: A BNCC adota o termo componente, e não disciplina, para dar mais flexibilidade aos desenvolvedores de currículos nos estados, municípios ou escolas particulares e para favorecer o desenvolvimento de projetos ou atividades interdisciplinares.
A correspondência entre os conteúdos do currículo escolar e as disciplinas científicas já passou por diferentes mudanças ao longo da história. Observe os exemplos a seguir. Note que ambos seriam mais bem designados por componentes do que por disciplinas.
DITADO Já foi nome de conteúdo curricular.
PESOS E MEDIDAS Já foi um estudo separado da Matemática, com direito à carga própria no horário da escola.
Componente curricular Outrora denominado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9.394/1996 como disciplina, constitui a matriz curricular, com carga horária definida pelo sistema de ensino.
Compreende o conjunto de conhecimentos que a escola seleciona e transforma, no sentido de torná-los passíveis de serem ensinados, ao mesmo tempo em que servem de elementos para a formação ética, estética e política do aluno.
Ensino Fundamental
No Ensino Fundamental, são previstos pela LDB e pela BNCC os componentes curriculares de: Língua Portuguesa; Língua Materna para populações indígenas; Língua Estrangeira Moderna (hoje, Língua Inglesa); Arte; Educação Física; Matemática; Ciências; Geografia; História; e Ensino Religioso.
Nessa mesma etapa de ensino, há também os componentes que irão compor a parte diversificada, definidos pela unidade de ensino, considerando os saberes e conhecimentos específicos do território.
Ensino Médio
Para o Ensino Médio, é previsto pela Lei nº 13.415/2017, que alterou a LDB, um modelo flexível de currículo que deve ser composto de uma Base Nacional Comum Curricular e de itinerários formativos, que deverão ser organizados por meio da oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme a relevância para o contexto local e a possibilidade dos sistemas de ensino, a saber:
• Linguagens e suas Tecnologias.
• Matemática e suas Tecnologias.
• Ciências da Natureza e suas Tecnologias.
• Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
• Formação técnica e profissional.
Componente obrigatório
Corresponde aos componentes curriculares a serem assegurados a todos os alunos da Educação Básica brasileira, definidos como base nacional comum pelo art. 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e regulamentados pela BNCC.
Conheça os componentes curriculares obrigatórios para os Ensinos Fundamental e Médio.
Ensino Fundamental: Para o Ensino Fundamental são obrigatórios os componentes curriculares de: Língua Portuguesa, Língua Materna (para populações indígenas), Língua Inglesa, Arte e Educação Física; História e Geografia; Matemática; Ciências; e Ensino Religioso.
A BNCC do Ensino Fundamental organiza os componentes obrigatórios em áreas: Linguagens, Ciências Humanas, Matemática, Ciências da Natureza e Ensino Religioso.
Ensino Médio: Para o Ensino Médio, são obrigatórios os componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática.
A BNCC afirma que: As disciplinas obrigatórias nos três anos de Ensino Médio são Língua Portuguesa e Matemática. No caso de Língua Estrangeira há a obrigatoriedade do inglês, o que não impede a escola de acrescentar outras. O restante do tempo será dedicado ao aprofundamento acadêmico nas áreas eletivas ou a cursos técnicos, a saber: Linguagens e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; Formação técnica e profissional.”
Componenteda área: São aqueles componentes curriculares que, devido à natureza do seu objeto de conhecimento, são agrupados em uma mesma área com o objetivo de permitir a articulação dos conhecimentos para o desenvolvimento de habilidades e competências.
Componentes do currículo: Os componentes do currículo podem variar conforme a opção de cada escola. É possível acrescentar componentes, como o ensino de Língua Espanhola, para complementar a grade curricular, conforme prevê o direito pela parte diversificada.
Na BNCC, cada componente curricular tem estabelecidas as competências específicas, articuladas às respectivas competências das áreas no Ensino Fundamental, com as adequações necessárias ao atendimento das especificidades de formação dos estudantes do Ensino Médio.
Relacionadas a cada uma das competências, são descritas habilidades a serem desenvolvidas ao longo das etapas. Observe como isso se dá para os Ensinos Médio e Fundamental
Ensino Fundamental
No Ensino Fundamental, além das habilidades, são apresentadas unidades temáticas e objetos de conhecimento para os componentes curriculares de Geografia, História, Ciências, Ensino Religioso, Matemática, Arte e Educação Física. Apenas Língua Portuguesa se estrutura por práticas de linguagem e campos de atuação, além dos objetos do conhecimento.
Ensino Médio No Ensino Médio, são apresentadas as habilidades em consonância com as competências gerais. No caso de Língua Portuguesa, além dos itinerários formativos, que devem priorizar a formação integral dos estudantes, pretende-se proporcionar a flexibilização da organização curricular da etapa, com foco em uma área do conhecimento, na formação técnica e profissional. Por meio do desenvolvimento de itinerários formativos que respeitem o interesse dos estudantes daquela unidade escolar, poderá ser garantida uma educação que favoreça a efetivação do projeto de vida de cada aluno.
Os conteúdos formam parte dos currículos. É para enfatizar essa missão formativa da escola que a BNCC prefere utilizar o termo conteúdos curriculares em lugar de conhecimentos curriculares, para que se possam abranger valores, crenças e concepções.
Conteúdos universais: Correspondem aos conteúdos básicos essenciais construídos socialmente sobre os fenômenos, processos, linguagens, sistemas e operações relativos às diversas áreas do conhecimento que objetivam assegurar a formação integral do estudante brasileiro.
Os conteúdos universais são utilizados em considerações referentes às modalidades de ensino da Educação Básica no momento da elaboração do seu currículo. Nele devem aparecer, então, os conteúdos universais acrescidos dos conteúdos e conceitos específicos de cada modalidade.
Considere como exemplo a Educação Escolar Indígena.
Deve estar em consonância com a Constituição Federal, com as Diretrizes Internacionais da OIT (Organização Internacional do Trabalho, Convenção nº 169, de 7 de junho de 1989) e com documentos da ONU (Organização das Nações Unidas) e Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) sobre os direitos indígenas.
Sendo assim, considera os seguintes princípios a serem desenvolvidos a partir de suas culturas tradicionais:
Coletividade, Reciprocidade, Integralidade, Espiritualidade, Alteridade indígena
Conteúdos mínimos
Representam conceitos essenciais construídos socialmente sobre os fenômenos, processos, linguagens, sistemas e operações relativos às diversas áreas do conhecimento.
Constituição Federal (CF) de 1988: A legislação brasileira já garantia a fixação desses conteúdos para a Educação Básica, desde a Constituição Federal (CF), de 1988, em seu art. 210, que prevê a fixação deles para assegurar a formação básica comum, bem como o respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996:
Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996, em seu art. 9º, foi atribuído à União estabelecer, em colaboração com os estados, o Distrito Federal e os municípios, competências e diretrizes para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos.
Conteúdos mínimos complementares Representam os conceitos que favorecerão o desenvolvimento, de forma integral e integradora, de temas exigidos por legislação e normas específicas e de temas contemporâneos relevantes para o desenvolvimento da cidadania, que afetam a vida humana em escala local, regional e global.
São temas obrigatórios: o processo de envelhecimento e o respeito e valorização do idoso; os direitos das crianças e dos adolescentes; a educação para o trânsito; a educação ambiental; a educação alimentar e nutricional; a educação em direitos humanos; e a educação digital.
Temática que deve ser tratada adequadamente: Deve-se tratar adequadamente a temática da diversidade cultural, étnica, linguística e epistêmica, na perspectiva do desenvolvimento de práticas educativas ancoradas no interculturalismo e no respeito ao caráter pluriétnico e plurilíngue da sociedade brasileira, previstos na Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017.
Conceitos É dado o nome de conceito à abstração que se forma a partir da experiência com um objeto.
O processo de aprendizagem envolve sempre um sujeito e um objeto.
O sujeito se apropria do objeto com objetivos ligados à sua sobrevivência ou aos seus interesses e curiosidades.
Essa apropriação se dá no momento em que o pensamento do sujeito representa esse objeto e a essa representação se dá o nome de conceito.
Enquanto o objeto é concreto, o conceito, por ser uma criação do pensamento, é abstrato e, por isso, aplicável a todos os outros objetos com as mesmas características. Veja um exemplo a seguir.
Conceitos básicos, fundamentais ou estruturantes
Na BNCC, o termo conceito refere-se às abstrações ou unidades de pensamento que constituem os conhecimentos e valores previstos nos conteúdos curriculares.
Em cada área existem:
*Os conceitos básicos ou fundamentais são as abstrações que de certa maneira definem a identidade de uma área de conhecimento ou de um conteúdo curricular transversal. Os conceitos fundamentais de uma área ou disciplina  recortam as prioridades do ensino e da aprendizagem na escola e por essa razão estão presentes na BNCC.
*Os conceitos básicos ou fundamentais são também chamados de estruturantes, porque, além de definirem a identidade de uma área, também são indispensáveis para organizar ou estruturar todo o seu conteúdo.
Conceitos e fazeres científicos: conceitos e procedimentos
Para o ensino e a aprendizagem dos conteúdos curriculares é relevante que se considere, junto à aprendizagem do conceito, aquilo que o aluno precisa aprender a fazer no processo de construção do conceito.
Assim, na BNCC:
CONCEITOS E PROCEDIMENTOS: São termos empregados para identificar o que o aluno deve fazer para construir uma abstração, para produzir um conhecimento ou resolver um problema.
Não basta saber o conceito. É preciso saber como chegar a ele, qual o caminho metodológico pelo qual o objeto é abstraído para criar uma representação (conceito) que tenha validade para todos os demais objetos com as mesmas características.
Assim, é de grande relevância que o processo de construção do conceito seja acompanhado de um exercício sobre o procedimento envolvido, porque essa aprendizagem é essencial para transferir o conhecimento para uma situação nova, para aplicar o conhecimento e para refletir sobre o próprio processo mental da aprendizagem.
O termo conhecimento é, em grande medida, utilizado pela BNCC na expressão objeto de conhecimento.
Ao currículo, porém, cabem algumas outras definições, a saber:
• Mobilização de conhecimento.
• Organização do conhecimento.
• Fontes balizadas de informação e conhecimento.
• Construção do conhecimento.
• Progressão do conhecimento.
Mobilização de conhecimento: Essa expressão refere-se ao processo central pelo qual o pensamento opera para dar ao sujeito condições de resolver problemas, transferiro que aprendeu para situações novas, ouvir e argumentar de modo eficaz e eficiente, propor soluções, fazer escolhas, entre as incontáveis ações do repertório da experiência humana.
Por essa razão é um grande equívoco afirmar que tomar a competência como referência do processo de ensino e de aprendizagem é diminuir a importância do conteúdo, porque a competência só pode se apresentar se houver conhecimento para mobilizar e motivação para fazer isso acontecer.
Organização do conhecimento
A atividade intelectual procura organizar o conhecimento do modo como melhor ele explica a realidade. Esse esforço ao longo de séculos resultou na organização das áreas de conhecimento hoje existentes, as mesmas que organizam a BNCC e outros currículos escolares pelo mundo. Todo currículo é um recorte da cultura artística, científica, cultural e espiritual acumulada ao longo da história. Assim, as áreas de conhecimento contemplam:
Linguagens: Saberes que permitem a expressão e a comunicação não apenas dos conhecimentos, mas também dos sentimentos, dos sentidos, das sensações.
Ciências da Natureza: Saberes que abrem as portas do funcionamento do universo, da natureza e da vida.
Matemática: Saberes que lidam com as quantidades.
Ciências Humanas e Sociais: Saberes que buscam entender as coisas humanas
Fontes balizadas de informação e conhecimento: À organização do conhecimento estão associadas incontáveis atividades para ampliar, aprofundar e validar o conhecimento, como:
Observação e investigação, Coleta, organização, análise e interpretação de dados
Levantamento e verificação de hipóteses, Confirmação ou revisão do que se sabe a respeito de um assunto. São essas atividades que distinguem o conhecimento dito vulgar, baseado apenas na experiência e na vivência, do conhecimento científico, considerado uma fonte balizada.
Um conhecimento pode partir de uma experiência isolada e levar, ao longo do tempo, a um saber fundamentado na observação e confirmado por meio de evidências objetivas.
EVIDÊNCIA
É a principal forma de imprimir ao conhecimento um caráter de confiabilidade para servir como guia de ação, de indicador de direção ou decisão a seguir, isto é, pode servir como uma fonte balizadora para o conhecimento
Mas, para ser plenamente confiável, um conhecimento deve poder sempre ser negado ou desconfirmado. Por exemplo:
Previsão econômica Quando uma previsão econômica não acerta, o conhecimento ou a teoria na qual ela se baseou é falseada e dependerá de novas confirmações.
Eficiência de medicamentos É preciso testar muitas vezes até afirmar que um remédio é eficiente na cura de determinada enfermidade. Quando isso mostra-se ineficiente, a teoria fica abalada e deverá ser novamente testada.
Competência a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.”

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