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dada à elevada frequência de morte e graves sequelas,35 nos raros sobreviven-
tes. É possível que, no futuro, o uso da hipotermia terapêutica, em casos de encefalopatia 
hipóxico-isquêmica grave, possa alterar essa recomendação. 
Deve ser enfatizado que a interrupção da reanimação só pode ser realizada 
após 10 minutos de assistolia na vigência de reanimação adequada.
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2.8 Cuidados de rotina após a estabilização clínica do RN na sala de parto
Quando as condições clínicas do RN forem satisfatórias, os seguintes procedimentos devem 
ser realizados em sequência:
•	Laqueadura do cordão umbilical. Fixar o clamp à distância de 2 a 3cm do anel umbilical, 
envolvendo o coto com gaze embebida em álcool etílico 70% ou clorexidina alcoólica 
0,5%.11 Em RN de extremo baixo peso utiliza-se soro fisiológico. Verificar a presença de 
duas artérias e de uma veia umbilical, pois a existência de artéria umbilical única pode 
associar-se a anomalias congênitas. 
•	Prevenção da oftalmia gonocócica pelo método de Credé.36 Retirar o vérnix da região 
ocular com gaze seca ou umedecida com água, sendo contraindicado o uso de soro 
fisiológico ou qualquer outra solução salina. Afastar as pálpebras e instilar uma gota de 
nitrato de prata a 1% no fundo do saco lacrimal inferior de cada olho. A seguir, massagear 
suavemente as pálpebras deslizando-as sobre o globo ocular para fazer com que o nitra-
to de prata banhe toda a conjuntiva. Se o nitrato cair fora do globo ocular ou se houver 
dúvida, repetir o procedimento. Limpar com gaze seca o excesso que ficar na pele das 
pálpebras. A profilaxia deve ser realizada na primeira hora após o nascimento, tanto no 
parto vaginal quanto cesáreo.
•	Antropometria. Realizar exame físico simplificado, incluindo peso, compri mento e os pe-
rímetros cefálico, torácico e abdominal. 
•	Prevenção do sangramento por deficiência de vitamina K. Administrar 1mg de vitamina 
K1 por via intramuscular ou subcutânea ao nascimento.
37
•	Detecção de incompatibilidade sanguínea materno-fetal. Coletar sangue da mãe e do 
cordão umbilical para determinar os antígenos dos sistemas ABO e Rh. Não é necessário 
realizar o teste de Coombs direto de rotina. No caso de mãe Rh negativo, deve-se realizar 
pesquisa de anticorpos anti-D por meio do Coombs indireto na mãe e Coombs direto no 
sangue do cordão umbilical. 
•	Realização da sorologia para sífilis e HIV. Coletar sangue materno para determinar a 
sorologia para sífilis. Caso a gestante não tenha realizado sorologia para HIV no último 
trimestre da gravidez ou o resultado não estiver disponível no dia do parto, deve-se fazer 
o teste rápido para anti-HIV o mais breve possível, e administrar a zidovudina profilática 
antes do parto, caso o teste seja positivo.38
•	 Identificação do RN: O Estatuto da Criança e do Adolescente (artigo 10 do capítulo 1) 
regulamenta a identificação do RN mediante o registro de sua impressão plantar e digital 
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Cuidados na Hora do Nascimento 2 Capítulo
e da impressão digital da mãe. Essa identificação é feita no prontuário. Pulseiras devem 
ser colocadas na mãe e no RN, contendo o nome da mãe, o registro hospitalar, a data e 
hora do nascimento e o sexo do RN. 
Os RNs estáveis devem permanecer com suas mães e ser transportados ao alojamento 
conjunto. Caso haja a necessidade de transporte do RN para outra unidade neonatal, ele 
sempre deve ser mostrado à mãe novamente, antes do transporte. 
2.9 Considerações finais
A reanimação ao nascimento é uma importante estratégia para diminuir a mortalidade 
infantil em nível mundial. Estima-se que o atendimento ao parto por profissionais de saúde 
habilitados possa reduzir em 20% a 30% as taxas de mortalidade neonatal, enquanto o em-
prego das técnicas de reanimação resultem em diminuição adicional de 5% a 20% nessas 
taxas, levando à redução de até 45% das mortes neonatais por asfixia. 38
As diretrizes apresentadas são apenas orientações gerais para a conduta 
neonatal na sala de parto. Cada serviço deve adaptá-las às suas condições de 
infraestrutura e de recursos humanos.
Mais importante que um protocolo rígido são a experiência, a prática e a educação conti-
nuada dos profissionais de saúde que participam dos cuidados ao RN, além da conscienti-
zação da comunidade para a importância da assistência nesse período crítico de transição 
para o ambiente extrauterino.
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